Você está na página 1de 46

Capítulo 17 Biodiversidade molecular e genética da conservação

Prof. Dr Antonio M. Solé-Cava (sole@biologia.ufrj.br) Laboratório de Biodiversidade Molecular Departamento de Genética, Instituto de Biologia Universidade Federal do Rio de Janeiro Rio de Janeiro – RJ

2

17.1 - INTRODUÇÃO
Apesar de ser muito popular hoje em dia, a expressão “Diversidade Biológica” somente começou a ser usada na literatura há pouco tempo (Norse e McManus, 1980). A expressão “Biodiversidade” é mais recente ainda, tendo sido usada pela primeira vez em 1985, por W.G. Rosen, para uma reunião do Foro Nacional de Biodiversidade (norte-americano), em Washington. Desde sua origem, o termo Diversidade Biológica já trazia a idéia do conjunto de variabilidade ecológica (número de espécies de uma comunidade e suas interações) e genética (diversidade de alelos nos vários locos de uma espécie). O componente genético da biodiversidade é fundamental, pois é a variação genética que fornece o material básico para a seleção natural e, portanto, para a evolução de todas as espécies (Allcock et al., 1995). Com o aumento da população humana e o desenvolvimento industrial, a biodiversidade do planeta sofreu modificações profundas. A sociedade humana consome atualmente 40% de toda produção primária terrestre do planeta (Vitousek et al., 1986) – Nunca uma única espécie consumiu uma proporção tão grande dos recursos naturais. Além disso, as modificações causadas por nossa espécie nas demais são, em geral, no sentido da redução da biodiversidade. Essa redução implica não somente o desaparecimento de espécies num ritmo sem precedentes na história do planeta, mas também no florescimento de algumas outras, como aquelas que nos servem de alimento (como vacas, galinhas, trigo, etc.), aquelas que nos usam como alimento (como bactérias, mosquitos, vermes, etc.), e as que são comensais da sociedade humana (como baratas, ratos, pombos, etc.). O objetivo central da genética da conservação é o estudo da biodiversidade molecular nas populações naturais das espécies sob impacto antropogênico. A genética da conservação foi criada há cerca de 20 anos, e os primeiros livros a rever o assunto foram feitos no início dos anos 80 (Soulé e Wilcox, 1980; Schonewald-Cox et al., 1983). Naquele momento, a genética da conservação se resumia praticamente a estimativas de variabilidade genética (heterozigosidade) e a sua extrapolação para a estimativa do tamanho efetivo de populações ameaçadas ou que haviam sofrido estrangulamentos populacionais (“bottlenecks”, em inglês, também chamados de gargalos populacionais) recentes (Soulé, 1980). Por causa dessa limitação, a genética da conservação foi criticada no final dos anos 80 como um desperdício de dinheiro/esforços que poderiam ser melhor utilizados na manutenção de parques e reservas ambientais, pois as questões demográficas – como o número absoluto de indivíduos e variações estocásticas nesses números – seriam mais importantes do que as questões genéticas, pelo menos da forma que eram apresentadas na época (Lande, 1988). No entanto, com a maior compreensão pelos geneticistas dos problemas enfrentados pelos conservacionistas, que por sua vez compreenderam melhor o potencial que marcadores genéticos têm para a abordagem de seus problemas, a genética da conservação voltou a se Capítulo 17

3 tornar uma ciência útil e auxiliar para cientistas e pessoas em geral interessadas na conservação ambiental. Dessa forma, ao contrário dos livros produzidos nos anos 80, uma grande diversidade de problemas foi abordada em publicações recentes sobre genética da conservação (boas revisões recentes podem ser vistas em Avise e Hamrick, 1996 e Avise, 1998). A variabilidade genética, também chamada de biodiversidade molecular, além de importante para a evolução, pode ser usada como instrumento de investigação por ecólogos e sistematas em diversos ramos como, por exemplo, para verificar as afinidades e os limites entre as espécies, para detectar modos de reprodução e estrutura familiar, para estimar níveis de migração e dispersão nas populações e até mesmo para ajudar na identificação de restos animais, como conteúdos estomacais e produtos industrializados (principalmente peles e carne) de espécies ameaçadas de extinção (Avise, 1994). Os dados básicos para esses estudos são os chamados marcadores moleculares, que são locos gênicos que apresentam alguma variabilidade no escopo do problema a ser estudado (Avise, 1994; Silva e Russo, 1999). Lamentavelmente, os recursos disponíveis para a preservação da biodiversidade são em geral muito reduzidos, por conta de decisões políticas dos governos que raramente priorizam a conservação ambiental. Portanto, é necessário evitar que recursos tão necessários na manutenção e fiscalização de parques e reservas nacionais sejam desviados, apenas por questões de modismo, para pesquisas genéticas (que são geralmente bastante caras), a não ser nos casos em que os problemas estão claramente definidos e para os quais a abordagem genética realmente pode fornecer dados originais impossíveis de obter de outras maneiras. Naturalmente devemos lutar – através da educação e da sensibilização da opinião pública (em última análise a maior moeda corrente com valor na influência de decisões governamentais) – para que a escolha não seja entre o estudo e a preservação da biodiversidade. Mas também devemos ser seletivos na aplicação de recursos na genética da conservação, para evitar desperdícios. A maior parte dos problemas que podem ser abordados por ecólogos ou sistematas pode também ser abordada molecularmente, com maior ou menor eficiência. No entanto, devemos concentrar o uso da genética da conservação naqueles aspectos que sejam importantes mas ao mesmo tempo difíceis – ou impossíveis – de ser abordados por aquelas duas disciplinas. Dessa forma, a genética da conservação se revela uma ciência útil para o trabalho dos outros profissionais interessados na conservação da biodiversidade e a colaboração com eles passa a ter efeito multiplicativo nos resultados obtidos. O objetivo deste texto é apresentar, brevemente, como os marcadores moleculares, interpretados sob a luz da genética de populações, podem ser usados para auxiliar no estudo e na conservação da biodiversidade.

Capítulo 17

4

17.2 – MARCADORES MOLECULARES
A matéria bruta dos estudos em biodiversidade molecular é a mesma envolvida na evolução das espécies: a variabilidade gênica. É essa variabilidade que nos permite comparar indivíduos, populações ou espécies diferentes. Em outros capítulos deste livro foram apresentadas as principais técnicas de estimativa da variabilidade gênica (aloenzimas no Capítulo 5, RFLP no capítulo 14 , RAPDs, microssatélites, seqüenciamento de DNA no capítulo 15) e portanto não vamos nos estender aqui na sua descrição (outras revisões sobre marcadores moleculares podem ser encontradas em Hoelzel, 1992; Avise, 1994; Ferreira e Grattapaglia, 1996; Parker et al., 1998 e Silva e Russo, 1999). O mais importante, do ponto de vista da genética da conservação, é o fato de que marcadores moleculares diferentes podem ter taxas de substituição/evolução diferentes, de modo que, através de uma escolha judiciosa desses marcadores, podemos estudar desde problemas de identificação de indivíduos à identificação de espécies crípticas ou formulação de hipóteses filogenéticas em grupos supraespecíficos. Os marcadores disponíveis atualmente podem ser classificados de acordo com a existência de dominância: padrões com dominância, como os gerados com RAPD ou AFLP, são menos úteis em análises populacionais, pois exigem um pressuposto importante e freqüentemente violado – o equilíbrio de Hardy-Weinberg – para que possam ser estimadas as freqüências gênicas a partir dos dados brutos obtidos. Podem ainda ser classificados em relação à possibilidade de viés sexual (DNA mitocondrial é em geral transmitido apenas pelas fêmeas), às taxas evolutivas (microssatélites e RAPDs evoluem muito rapidamente, aloenzimas evoluem mais lentamente), etc. (tabela 17.1). Tabela 17.1 – uma comparação dos métodos principais de estimativa da biodiversidade molecular. P&D – custo de pesquisa e desenvolvimento para adequação da técnica a cada projeto; Dados – velocidade na produção de dados; Técnica – facilidade de interpretar geneticamente os dados. Abreviações: AFLP – "amplified fragment length polymorphism"; PCR/RFLP – "Polymerase chain reaction/Restriction fragment length polymorphism"; RAPD – "Random amplified polymorphic DNA"; SL/VNTR – "Single locus/ Variable number of tandem repeats". Abordagem AFLP P&D baixo Custo médio Dados rápido Herança dominante Técnica média

Maior proble

Falta de homologia, domin

Capítulo 17

Esse problema não existe para a maioria dos métodos com DNA graças ao advento do PCR. todas as semelhanças observadas serão devidas à ancestralidade dos alelos. a adequação do grau de variabilidade do marcador molecular escolhido ao nível de divergência que se deseja estudar. Por outro lado. escolhermos um marcador que evolui rápido demais para o nível escolhido. Um outro critério importante na escolha é o tipo de material disponível para estudos. teremos pouca variabilidade e uma saturação de plesiomorfias nos dados (ou seja. Essa escolha é crítica: se escolhermos um marcador que evolui de forma demasiadamente lenta para o nível estudado. necessitamos de quantidades maiores de material biológico (pelo menos 200 mg para uma análise completa de 30 locos enzimáticos). Entre os critérios científicos está. que deve necessariamente estar fresco ou congelado (as enzimas se desnaturam ou são digeridas por proteases quando mantidas à temperatura ambiente). teremos um excesso de variabilidade e uma saturação de homoplasias nos dados (ou seja. Em estudos com aloenzimas. pois este permite o uso de quantidades muito pequenas de tecido incluindo aquelas preservadas em álcool ou desidratadas. as semelhanças observadas serão freqüentemente devidas à convergência acidental dos alelos – devido ao caráter finito do espaço amostral – e cometeremos erros na discriminação dos grupos). por exemplo. Essa limitação pode ser importante se pretendemos estudar espécies raras (a coleta de tecido é geralmente destrutiva) ou muito pequenas. em primeiro lugar.5 Aloenzimas Microssatélites Minissatélites PCR/RFLP RAPD Seqüenciamento baixo alto baixo baixo baixo baixo baixo médio médio baixo baixo alto muito rápido rápido rápido rápido muito rápido baixo codominante codominante codominante variável dominante variável difícil média difícil fácil difícil fácil Precisa material fresco Busca dos primers para PC Falta de homologia (exceto Escolha do gene Falta de homologia. e não haverá eventos novos capazes de discriminar os grupos estudados). Marcadores que evoluem rapidamente são úteis para o estudo de indivíduos. em estudos populacionais em que um Capítulo 17 . domin Interpretação dos resultado A escolha do método a ser usado na abordagem de cada problema depende de vários critérios científicos e não científicos. enquanto que marcadores que evoluem mais lentamente são melhor utilizados no estudo de espécies ou táxons supra-específicos. por outro lado. Se. famílias e populações.

A escolha do marcador molecular a ser usado depende. Marcadores desse tipo foram usados. com sucesso. 1995). que exista uma adequação do grau de polimorfismo do marcador escolhido ao tipo de divergência evolutiva a ser estudada. os efeitos da reprodução assexuada na população e determinar o sexo de animais com pouco dimorfismo sexual externo. Faz parte do bom senso sermos financeiramente parcimoniosos quando tivermos que escolher entre técnicas igualmente informativas mas com custos muito diferentes. técnicas como seqüenciamento de DNA são onerosas demais. Esses autores lembram um velho ditado russo que diz que “para quem tem um martelo novo. 17. e) identificar e acompanhar a dispersão de espécies bioinvasoras. 1994). Um aspecto não científico mas muito importante na escolha do método a ser usado é o custo: para qualquer problema biológico podemos escolher um número grande de abordagens. os laboratórios se tornam proficientes para um número limitado de técnicas e as aplicam ao maior número possível de problemas (Solé-Cava e Thorpe. mesmo quando as duas oferecem os mesmos tipos de resultados (Allcock et al.3 – APLICAÇÕES DE MARCADORES MOLECULARES NA CONSERVAÇÃO DAS ESPÉCIES Como dito acima. como eficiência reprodutiva e resistência a doenças. que os pressupostos da análise dos dados sejam bem explicitados e. O fundamental é que o problema a ser estudado esteja bem definido. freqüentemente. e f) identificar a origem de produtos industrializados para controlar a comercialização fraudulenta de espécies de venda proibida ou restrita.6 número muito grande de indivíduos deve ser analisado (números típicos em projetos dessa natureza envolvem a análise de 1. b) analisar estruturas familiares. de vários fatores. marcadores moleculares podem ser usados como auxiliares para pesquisas em diferentes campos. não perdendo de vista o problema original em seu estudo. Entre os critérios não científicos que costumam determinar a escolha do marcador está a tradição do laboratório. c) estimar o tipo de distribuição espacial e temporal das populações em relação ao fluxo gênico. para: a) estimar os níveis de heterozigosidade e relacioná-los com parâmetros importantes na sobrevivência das espécies. d) verificar a biodiversidade nominal e os níveis de endemismo e cosmopolitismo das espécies. que o pesquisador evite o fetiche da técnica. Outro critério não científico refere-se à moda: técnicas mais “modernas” ou “sofisticadas” são freqüentemente consideradas melhores – e mais fáceis de obter financiamentos – do que técnicas mais antigas. portanto.000 indivíduos). por fim. através de estudos de sistemática molecular.000-2. permitindo desenhar políticas adequadas de parques e reservas.. Capítulo 17 . tudo parece prego”. por exemplo.

ou seja. Ne = 4N mNf / (Nm + N f). tivéssemos 25 machos e 25 fêmeas. pois em última análise é o número de fêmeas que vai determinar o número de filhotes produzidos. O tamanho efetivo de população leva em conta. que é a proporção de indivíduos que seriam heterozigotos se a população estivesse em equilíbrio de Hardy-Weinberg (he = 1 . Essa relação tem implicações importantes para o manejo de populações ameaçadas: por exemplo. que é a porcentagem de indivíduos que são heterozigotos para um dado loco gênico. mas sim como o número de indivíduos participando na produção da próxima geração. onde fi é a freqüência do alelo i na população). teríamos um tamanho efetivo de 50.Heterozigosidade e fragilidade populacional Populações naturais têm normalmente níveis altos de variação genética (Nevo. é comum observar níveis muito baixos de heterozigosidade em espécies que estão (ou que estiveram recentemente) ameaçadas de extinção. Capítulo 17 . a proporção sexual. o tamanho efetivo de população seria de apenas (4 X 1 X 49) / (1+49). 1991).1 .3. nesse caso. como normalmente se considera em ecologia.7 Essas aplicações serão brevemente comentadas a seguir. de acordo com a fórmula. todos adultos e em idade reprodutiva. se temos espaço/recursos para manter 50 tigres em cativeiro em um programa de recolonização. Como o endocruzamento e a deriva genética são inversamente proporcionais ao tamanho das populações. A variação genética em uma população pode ser medida pela heterozigosidade observada (ho). 1931). A decisão na administração dessa população vai depender. da obtenção de uma proporção sexual que maximize o número de filhotes produzidos com um prejuízo menor na perda de variabilidade gênica. nesse caso. O tamanho das populações. Solé-Cava e Thorpe. os números de machos e fêmeas contribuindo para a reprodução da espécie. Essa medida de tamanho populacional com relevância genética é chamado de “tamanho efetivo de população” (Ne .92 indivíduos! Se. Essa variação é introduzida continuamente nas populações por mutação ou migração de indivíduos de outras populações e é perdida por deriva genética. Wright. Uma outra medida é a heterozigosidade em equilíbrio (he ). mas talvez nesse caso o número de filhotes produzidos fosse pequeno para fins de recolonização. também. excluindo os indivíduos jovens ou velhos demais para a reprodução. respectivamente. poderia ser demograficamente mais interessante ter um macho e 49 fêmeas. no caso de genes não neutros. não é igual ao número total de indivíduos.Σfi2. por endocruzamento e. 1978. Ne seria apenas 3. 1987). por outro lado. aplicando-se a fórmula verificamos que. pela maior parte dos tipos de seleção natural (Nei. onde Nm e Nf são. ou seja. 17. No entanto. portanto.

um dos principais responsáveis pela perda de variabilidade em populações ameaçadas de extinção. onde Ni é o tamanho efetivo da população na geração i. e que esses filhotes. Soulé. em inglês. pode acontecer a fixação aleatória desses alelos deletérios. 1978) he = (4Ne µ) / (4N e µ +1). o macho e as 49 fêmeas da primeira geração produzissem em sua vida um total de 200 filhotes (100 machos e 100 fêmeas). Esse Capítulo 17 . em populações pequenas. enquanto que para os alelos letais ou altamente deletérios o endocruzamento significa uma purificação. Alguns autores estimam que um tamanho populacional efetivo mínimo para evitar depressão por endocruzamento seja de 50 indivíduos (Franklin.. O tamanho efetivo de uma população em um dado momento pode ser estimado pela média harmônica dos tamanhos efetivos das n gerações passadas. de acordo com a fórmula Ne = n / [Σ(1/Ni)]. que podem levar a população a um colapso (“mutational meltdown”. para alelos levemente deletérios ele pode significar a imposição de uma carga genética crônica que pode levar a população ao colapso (Lynch et al. geralmente recessivos. A diminuição do tamanho efetivo da população é. Esses alelos. por sua vez. 1998.92)+(1/200)+(1/800)] = 11.48 indivíduos. A relação existente entre variação genética e tamanho efetivo da população pode ser expressa na seguinte fórmula. Imaginemos. Ao final dessas três gerações o tamanho efetivo da população dessa F2 seria de apenas Ne = 3/[(1/3.. esses alelos não são mais sujeitos à ação da seleção natural. 1995). que no caso anterior dos tigres. Uma vez fixados. terá um tamanho efetivo menor do que populações que permaneceram demograficamente estáveis há muito tempo. produzissem uma F2 de 800 filhotes (400 machos e 400 fêmeas). onde µ é a taxa de mutação para o gene estudado. originados há poucas gerações de um número pequeno de ancestrais. portanto. No entanto. Um problema adicional enfrentado por populações pequenas (<1000 indivíduos) é a fixação aleatória de alelos deletérios preexistentes ou oriundos de novas mutações.8 Uma outra característica do tamanho efetivo de população é que ele incorpora também um fator histórico: uma população com um número grande de indivíduos. 1980). Dessa forma. por exemplo. a não ser em regimes seletivos muito fortes. Lynch et al. pela ausência de alternativa genética que possa ser selecionada. são mantidos em freqüências baixas pela ação leve mas constante da seleção natural sobre os homozigotos. 1995). com base no modelo de alelos infinitos (Wright. Isso indica que a recuperação do tamanho efetivo de população é muito lenta após um estrangulamento populacional. As populações de tamanho normal costumam apresentar um grande número de alelos deletérios com freqüências reduzidas (a chamada “carga genética” da população).

Por esse motivo devemos ser cautelosos na determinação de valores mínimos de tamanhos populacionais para fins de conservação. por terem variabilidade baixíssima em aloenzimas (52 loci) e no complexo principal de histocompatibilidade (cuja sigla. teriam normalmente variabilidade genética baixa. Wayne. A partir daí a população começou a se expandir e fundar novas colônias. hoje estimado em 750. 1998). até que se encontrou uma população sobrevivente na Ilha de Guadalupe. mais provavelmente. leonina). os leões marinhos. está realmente relacionada ao estrangulamento populacional recente desses elefantes marinhos. 1998). Capítulo 17 . Como o tamanho efetivo de população é influenciado fortemente pelos estrangulamentos passados.000 indivíduos. é MHC.. como muitos grandes mamíferos. 1995. Esses valores. Os guepardos (Acinonyx jubatus jubatus) são outro exemplo clássico de baixa variação gênica em populações impactadas. Alguns censos indicaram que menos de 20 indivíduos haviam sobrevivido. o que indica que a baixa variabilidade não é uma característica do gênero e. quando então os governos americano e mexicano tomaram medidas radicais aprovando leis rígidas para impedir a extinção desses organismos. em inglês. 1974) e pouquíssima variação em marcadores com alto grau de polimorfismo como a região controle do DNA mitocondrial (Slade. a espécie foi considerada extinta. de modo que. mesmo tomando-se providências para aumentar o tamanho populacional de uma espécie. Por exemplo. ela só é recuperada muito lentamente (por mutação ou migração). No entanto. No entanto. de Major Histocompatibility Complex. por volta de 1884. ela pode continuar ameaçada de extinção (Avise. A caça foi tão intensa que. 1993. Essa espécie foi caçada de 1820 a 1880 devido ao alto valor de seu óleo. aumentando o tamanho populacional. 1996). um grupo de proteínas ligadas ao sistema imunológico). embora tenham sido empregados como padrão. Outras espécies que estão ameaçadas e conseqüentemente têm baixos níveis de heterozigosidade são os lobos cinza (Canis lupus). originam-se de estudos realizados com moscas drosófilas na década de 1950 e dependem naturalmente da variabilidade genética e da arquitetura genética dessa variação que é importante fenotipicamente. uma vez perdida a variabilidade gênica. 1994). Poderia ser argumentado que os elefantes marinhos. esse estrangulamento do tamanho populacional não foi sem conseqüências.9 número sobe para 500 indivíduos se se deseja também evitar a perda de variabilidade devido à deriva gênica (Franklin. a ponto de vários estudos não conseguirem detectar variação genética alguma em 55 locos de isoenzimas (Bonnell e Selander. Mirounga angustirostrus. que têm 50% da heterozigosidade de outros canídeos e apenas 1 haplótipo mitocondrial das populações naturais (Randi et al. na Baixa Califórnia. possuem variabilidade gênica cerca de cinco vezes maior (Slade. uma outra espécie do mesmo gênero (M. os níveis de heterozigosidade nessa espécie permaneceram extremamente baixos. Um dos exemplos mais claros de como essa perda de variabilidade gênica é recuperada lentamente é o caso dos elefantes marinhos. 1998).

no início do século). previsivelmente.3 ng/ml. Da mesma forma. parecem estar vivendo muito bem. 1983. Por outro lado. Avise e Hamrick. portanto. apesar da baixa heterozigosidade.. O endocruzamento de populações pode reduzir.. que ocorrem em 25% dos espermatozóides dos leões da Tanzânia. Isto. 1996). Baseado nesses e outros resultados. 1954). o leão asiático possui contagem de esperma 10 vezes menor do que o leão da Tanzânia (Panthera leo). e conseqüentemente não tem nenhuma variação aloenzimática (50 loci testados.. Menotti-Raymond e O'Brien. então. O'Brien. que tem tamanhos populacionais muito mais elevados. são observadas 79% de malformações em embriões e assimetria bilateral do esqueleto – todos fenômenos comuns em espécies endocruzadas (O'Brien. 1981.10 Guepardos são geneticamente tão homogêneos que seus indivíduos aceitam enxertos de peles um dos outros sem nenhuma rejeição (O'Brien et al. 1986). atingem 65% dos espermatozóides dos leões asiáticos. pode causar uma nova redução no tamanho efetivo da população e. observamos uma contagem de esperma 10 vezes menor do que em outros felinos. por exemplo. uma redução de 10 a 25% no seu desempenho reprodutivo (Franklin e Soulé. a fecundidade das populações envolvidas. existem alguns dados que poderiam indicar que a perda da heterozigosidade talvez não fosse tão problemática! Por exemplo. 1998). 1987) ou no sistema MHC (avaliada com RFLP. O mesmo ocorre com o leão asiático (Panthera leo persica). No entanto.. devido à depressão de endocruzamento. os elefantes marinhos apresentados acima. O mesmo foi observado em castores da Escandinávia. Parece claro. reduzir a habilidade de persistência da população ao longo do tempo (Gilpin e Soulé. principalmente com espécies mantidas em cativeiro para recolonização (Borlase et al. depois de um estrangulamento populacional em 20 indivíduos.1 ng/ml) do que nos leões da Tanzânia (1. 1993). O'Brien. principalmente se levarmos em conta que. 1996). além dos problemas genéticos. foi sugerido que 10% na redução do tamanho da população acarretaria. No guepardo. a perda de variabilidade gênica pode estar associada a problemas importantes na reprodução e biologia das espécies. Wildt et al. 1987). 1994). existem outros comportamentais (algumas espécies precisam de uma densidade populacional mínima para se reproduzirem) e demográficos que podem precipitar a extinção dessas espécies (Andrewartha e Birch. 1994. cuja população é muito reduzida (cerca de 250 animais.. que um dos objetivos a serem buscados na conservação de espécies ameaçadas é a manutenção da heterozigosidade e a diminuição do endocruzamento. Finalmente. O'Brien et al. uma baixíssima heterozigosidade e no entanto têm populações estáveis de mais Capítulo 17 . que quase se extinguiram devido à caça no século passado e agora apresentam. Anomalias nos espermatozóides. 1994. 1993. com tamanhos populacionais elevados e ainda em crescimento. Wildt et al. portanto. Franklin. por sua vez. Espécies presas nesse círculo vicioso eventualmente se extinguem. os níveis de testosterona circulante nos leões asiáticos são 10 vezes menores (0.

poderia ser argumentado que inúmeras espécies que no século passado sofreram reduções populacionais já se extinguiram por colapso de endocruzamento. através da manutenção dos tamanhos populacionais acima de um nível crítico. De qualquer forma. 1995. as chances de sobrevivência da espécie a curto e médio prazos. dos quais um casal conseguiu se reproduzir e a população. poucos alelos levemente deletérios (o que diminuiria a chance de fixação desses alelos sub-ótimos por deriva). ou apenas por acaso. os lobos cinzas. Slatkin. como o guepardo. muito prejudicial. 1993). mas são saudáveis e se reproduzem normalmente. é possível que os elefantes marinhos já tenham inclusive recuperado parte do seu potencial evolutivo nesses caracteres apesar da baixa variabilidade molecular. existentes normalmente nas populações naturais. no processo. Lynch.000 animais (Ellegren et al.. uma ave cuja população permaneceu abaixo de 200 indivíduos pelos últimos 100 anos. saindo. por reduzir a variabilidade gênica e comprometer. da proporção de genes deletérios fixados ou dos acidentes demográficos que suas populações possam sofrer. tendo atingido um mínimo de 5 indivíduos em 1980. em última análise. etc. Outras espécies. Como falado anteriormente. é que os exemplos dados são de animais que passaram suas crises de endocruzamento há muito tempo e sobreviveram. um dos problemas do endocruzamento é a ocorrência de homozigose de alelos deletérios recessivos. A crise do endocruzamento pode ser evitada. Esses indivíduos têm baixíssima heterozigosidade. Petroica traversi). a “purificação do endocruzamento” é. 1996). deixando que o acaso decida sobre a sobrevivência das espécies. Portanto. os castores dinamarqueses e os tordos são alguns dos poucos exemplos de espécies que escaparam desse cataclismo genético por terem populações iniciais muito grandes. Para esses. existem caracteres moleculares com grande importância adaptativa e para os quais o grau de polimorfismo é fundamental. purificados das mutações deletérias. assim.11 de 100.. 1997). com o monitoramento regular dos níveis de heterozigosidade e com cruzamentos que maximizem a variabilidade gênica e minimizem o endocruzamento (Borlase. Outro exemplo é o tordo (“black robin”. na verdade. e que os elefantes marinhos. 1993). sob intensa proteção. voltou a aumentar novamente até 200 indivíduos nos anos 90. Uma possível explicação para esse sucesso reprodutivo. estariam ainda lutando em seu purgatório evolutivo. seu futuro dependendo. nosso papel não deve ser de observadores passivos dessa roleta russa do endocruzamento. Um sistema gênico típico desse Capítulo 17 . Entretanto. Como as taxas de mutação para caracteres morfológicos de herança quantitativa são até três ordens de grandeza maiores do que os observados para a maioria dos caracteres moleculares (com exceção dos microssatélites. apesar da baixa variabilidade. pelo menos nas condições atuais (Ardern et al. indicando que essa baixa variação gênica não parece estar prejudicando suas chances de sobrevivência.

Nesse processo. em que o aparecimento de uma cepa viral que consiga driblar o sistema imunológico de um indivíduo rapidamente se espalhará por toda a população. Organismos com um número maior de locos heterozigotos no sistema MHC são favorecidos nessa co-evolução (seleção dependente de freqüência). matando mais de 60% de toda a população e severamente debilitando os sobreviventes (O'Brien et al. Existe uma co-evolução constante entre os organismos patogênicos e o sistema de reconhecimento. Elas terão vencido a batalha contra os próprios genes deletérios durante a crise do endocruzamento.12 caso é o de proteínas do sistema MHC. mais puras e homogêneas. aumenta em freqüência na população viral. nas populações remanescentes do Bisão europeu (Bison bonasus. por referência à frase dita por tal rainha em Alice no País das Maravilhas: “-você tem de estar sempre correndo para poder continuar no mesmo lugar” (veja. portanto. conseqüentemente. e conseqüentemente o grau de polimorfismo desses sistemas em populações naturais está entre os mais elevados para genes não neutros (Hughes e Nei. cada mutação no sistema de reconhecimento que permita a detecção do novo peptídeo também é favorecida (Hughes e Nei. 1992a.. se tornando.. 1990). Dybdahl e Lively. Graus anormalmente baixos de polimorfismo no sistema MHC são freqüentemente encontrados em espécies que sofreram muito estrangulamento populacional. 1991) e no guepardo (Yuhki e O'Brien. para serem em seguida derrotadas por um agente externo justamente por sua homogeneidade e conseqüente falta de potencial evolutivo. uma epidemia do vírus da peritonite felina. Essa processo de ação e reação constante é também conhecido como a hipótese evolutiva da “Rainha de copas” ("Red Queen".. em uma espécie ameaçada de peixe de água doce dos EUA (Poeciliopis o. como os castores escandinavos (Ellegren et al. Capítulo 17 . Essas proteínas são responsáveis pelo reconhecimento de peptídeos virais ou de outros patógenos e pela transmissão dessa mensagem aos linfócitos T. essas espécies estão potencialmente mais vulneráveis a doenças virais. no processo de resposta imune às infecções (Klein et al. 1996).. 1988. costuma matar no máximo 5% dos gatos afetados. cada mutação que altera os peptídeos virais diminuindo sua chance de reconhecimento pelo sistema imunológico é favorecida e. 1993) em que o MHC é monomórfico. De fato. 1998). Com essa baixa variabilidade no sistema MHC. 1992b). praticamente dizimou uma população experimental de guepardos nos EUA nos anos 80. 1998). As outras espécies com baixa variabilidade do sistema MHC devido ao endocruzamento podem estar. no processo. occidentalis. nos leões asiáticos (Packer et al. Uma vez tal peptídio mutante passa a ser comum nesses vírus. 1985). Hedrick e Parker. Udina e Shaikhaev. vivendo uma situação de bomba-relógio. que em gatos domésticos (que têm variabilidade normal no sistema MHC). em inglês). 1993). por exemplo. 1990).

No entanto. RAPD ou AFLP. 1998). através da sua “diluição” em genomas de outra linhagem evolutiva (Rhymer e Simberloff. portanto. podem ser usados com vantagem no estudo das estruturas clonais e das composições familiares nas espécies (Avise. 1996). que atraem a atenção do público e dos órgãos financiadores. em um parque nos EUA. Em casos extremos. para evitar tanto os acidentes demográficos como a depressão por endocruzamento. leões africanos. Hughes. observou-se que os cruzamentos em cativeiro eram raramente bem-sucedidos (muitos machos tinham dificuldades de cruzar e. que desses cinco indivíduos. No entanto. na verdade. no entanto. Através de marcadores de RAPD. portanto. em que a espécie está claramente debilitada e em vias de extinção. 1994). se o destino mais provável de alguns poucos indivíduos restantes de uma espécie é a extinção devida a problemas reprodutivos e outros decorrentes do endocruzamento. pois a hibridização é freqüentemente vista como uma outra maneira. como mini e microssatélites e. 1987). Um estudo posterior. alertam contra o uso disseminado de tentativas de recuperação de variabilidade genética pelo intercruzamento de indivíduos que provenham de áreas geográficas distintas. por exemplo. de maneira mais limitada.2 . processos semelhantes devem estar acontecendo com todas as espécies ameaçadas de extinção. essa medida pode ser considerada. No entanto. Introgressões contínuas e controladas desses leões revigorados com leões asiáticos puros podem servir para injetar alguma variabilidade gênica nessa subespécie sem que sejam perdidos em demasia seus genes originais. com espécies ditas “carismáticas”. No caso dos leões asiáticos. O'Brien.3. 17. feito com aloenzimas mostrou. inesperadamente. apenas 15% das gestações chegavam a termo nos zoológicos. conforme justificado mais adiante. um grande sucesso reprodutivo nesses leões em uma colônia começada com apenas cinco indivíduos. de modo que devemos procurar sempre a preservação dos seus tamanhos populacionais acima de um nível crítico. Os estudos apresentados acima são.13 A variabilidade genética. de extinguir uma espécie. daqueles que cruzavam. no entanto. é importante para a persistência evolutiva das espécies. Esse procedimento normalmente não é recomendado. pode ser até considerada a hibridização com subespécies próximas para tentar diminuir a depressão de endocruzamento. mais sutil. e programas de tentativa de recuperação de populações reduzidas devem se preocupar com a manutenção da pouca variabilidade restante. observou-se. Alguns autores.Indivíduos e estruturas familiares Marcadores moleculares com altas taxas de mutação.. que pertencem a uma outra subespécie. na sua maioria. 1994. provavelmente devido ao vigor híbrido (Wildt et al. se pode estabelecer que a última Capítulo 17 . O sucesso da reprodução em cativeiro tinha sido. dois eram. por exemplo. aloenzimas.

ao se verificar que. 1998. é o uso de genes de uma enzima ligada à replicação do DNA – os genes da helicase de ligação cromossômica. serviram para identificar. Esse último trabalho é particularmente interessante por ser desenvolvido por cientistas brasileiros. que usam minissatélites humanos no estudo de populações de várias espécies de papagaios (Psittacidae). Himantopus novaezeleiae. Freqüentemente. enquanto que o CHD-Z existe nos dois sexos. 1998). em inglês). portanto. Esses Capítulo 17 . 1998. Estudos posteriores. semelhante à usada por Miyaki et al (1998). 1999). por PCR. o sexo de várias espécies de papagaios e tucanos (Miyaki et al. Miyaki et al. Uma abordagem que parece ser muito promissora. já que a formação dos pares nas condições de criação era aleatória. Com o uso de marcadores moleculares ligados aos cromossomos sexuais (nas aves o sexo heterogamético é o feminino.. para as quais podem ser desenhados iniciadores para PCR. esses pássaros puderam ser agrupados na forma de casais. é uma das aves mais ameaçadas de extinção do mundo. O gene CHD-W existe apenas nas fêmeas.. ou seja. enquanto que os machos são ZZ). onde cerca de 50% das espécies não apresentam dimorfismo sexual visível (Griffiths et al. Marcadores de sexo em aves. Uma outra aplicação importante da genética da conservação é na determinação não invasiva do sexo em espécies sem dimorfismo sexual. Petrie.. Muitas tentativas de reprodução dessas aves em cativeiro foram mal sucedidas por envolverem pares do mesmo sexo. 1998)... com apenas 24 adultos existentes. Os dois genes têm introns de tamanhos diferentes.(CHD – “chromo-helicase-DNA binding”. que apresenta no seu cariótipo os cromossomos sexuais W e Z. para marcadores nucleares polimórficos. e várias estratégias têm sido seguidas. verificar que a suposta monogamia de muitas espécies de aves estava errada. 1998) ou de minissatélites (Wink et al. 1997).14 população remanescente de uma espécie de eucalipto australiana (Eucalyptus phylacis) provavelmente é constituída de um único clone. que são evolutivamente muito conservados e que estão localizados nos cromossomas sexuais. 1997). por exemplo.. 1999). pessoas lidando com conservação e criação em cativeiro de espécies de aves ameaçadas de extinção se deparam com o problema de não saber quais aves devem ser pareadas para formar casais reprodutores. também. uma única reação de PCR produz para cada gene um fragmento de DNA de tamanho diferente. o que seria impossível se todos fossem filhos de um único casal (Haig e Avise. por esse mesmo grupo. como a busca empírica de bandas sexo-específicas em padrões de RAPD (Lessells. 1996. geneticamente apenas um indivíduo desse eucalipto sobreviveu à expansão da agricultura naquele país (Rossetto et al. Através de marcadores moleculares foi possível.. Alderson et al. mas têm homologia e similaridade em regiões conservadas. o que aumentou o sucesso na reprodução da espécie em programas de reintrodução na natureza (Millar et al. muitas ninhadas apresentavam mais de quatro alelos. são muito importantes. Assim. como muitas aves.

Da mesma forma. espacialmente. 1996) têm comportamentos migratórios com fidelidade à região natal (filopatria). Em populações naturais. algumas vezes.Estruturação genética e estratégias de conservação O estudo das estruturas populacionais através de técnicas moleculares é talvez a parte mais importante da genética da conservação e tem sido útil tanto no estudo de populações exploradas comercialmente (ou seja. a necessidade da manutenção de tais estruturas familiares para a reprodução da espécie (Avise. O risco de extinção. através de um estudo com aloenzimas. 1994). de forma que o macho apresenta apenas uma banda e a fêmea.Peixes e outros organismos marinhos são os únicos animais selvagens consumidos por nossa espécie em grande escala. mas se torna um problema constante na exploração de populações marinhas. 1996). através da exploração direta de populações naturais. por exemplo. observou-se. 1996). as baleias que eram abundantes até o século passado. marcadores moleculares permitiram verificar que várias espécies de baleias (Amos et al. tartarugas (Bowen e Avise. Capítulo 17 . eles poderão ser usados facilmente como marcadores moleculares na determinação do sexo da maioria das aves onde não exista dimorfismo sexual externo. 1998). que apesar das larvas terem um potencial de dispersão elevado. por exemplo. 1986). elas normalmente se fixam muito próximo de suas mães (Grosberg e Quinn.15 produtos de PCR podem ser facilmente visualizados por eletroforese. de maneira agregada. Por exemplo. com pouco intercâmbio entre grupos (Avise. e inúmeras aves (Avise. As conseqüências desse comportamento são várias. 1993. 17. Baker e Palumbi. Desta forma.3 . Esses genes são evolutivamente muito conservados e aparentemente ocorrem em todas as aves. 1994). exceto nos avestruzes e outros Struthioniformes. não é um problema para a exploração de animais terrestres como vacas e ovelhas. grupos geneticamente mais relacionados (“famílias”) freqüentemente se encontram distribuídos. Marcadores moleculares foram usados com sucesso na identificação deste tipo de estrutura familiar em um número grande e diverso de organismos. duas bandas. Assim.. inclusive o aumento de endocruzamento e.3. abundantes mas com riscos populacionais devido à superexploração) como nas espécies já ameaçadas de extinção.. Haig e Avise. facilitando enormemente todos os estudos com reprodução em cativeiro e reintrodução na natureza de espécies ameaçadas. onde esses genes estão em cromossomos autossômicos (Griffiths et al. 1996a. Em ascídias do gênero Botryllus. os problemas (e as soluções) encontrados na sua exploração são completamente diferentes daqueles oriundos da exploração das plantas e animais domésticos. e freqüentemente se mantêm agregadas em estruturas familiares muito fechadas. Espécies abundantes mas ameaçadas .

é necessário que se explique brevemente o que é estruturação gênica e de que modo podemos estimar os níveis de fluxo gênico (dispersão e migração) entre populações naturais.Seleção de hábitat com fidelidade natal (filopatria). como plantas e vários organismos marinhos. 1987. freqüentemente. 1995.Pouco deslocamento dos adultos ou das larvas/sementes (para uma panmixia real o deslocamento potencial de uma espécies deveria ser igual à sua faixa de distribuição). Ward. 1996). também conhecida como “genética pesqueira”. Lewontin. O colapso da pesca de várias espécies de vertebrados e invertebrados é um exemplo da fragilidade que populações que anteriormente pareciam ser (e. em inglês). Carvalho e Pitcher. 1998). 1985).Cruzamentos com escolha de parceiro (“assortive mating”. 3) deriva e seleção poderão levar a uma divergência entre os vários pontos. Esta ausência de panmixia vai provocar uma estruturação (subdivisão) das populações em subpopulações pois: 1) novidades evolutivas (mutações) surgidas em algumas partes vão levar muito tempo para se espalharem para toda a população. eram) enormes quando exploradas intensivamente (Grant e Bowen. a probabilidade de reprodução entre dois indivíduos quaisquer da população não é sempre a mesma. Capítulo 17 . Lewontin. 1999. 2) endocruzamento local diminuirá a variabilidade genética de cada subpopulação. 1999). Os motivos para essa limitação em relação à panmixia são muitos e. freqüentemente. 1974. Espécies raras – Antes de falar especificamente sobre a questão das implicações da estruturação genética sobre as abordagens de conservação em populações ameaçadas. é um campo de pesquisas enorme e interessante.Recrutamento caótico (alta dispersão. com ciclos dispersivos muito longos e de seleção pós-fixação). seleção natural purificadora e seleção natural balanceada ou direcional igual em cada área). . mas dispersantes endocruzados migrando em conjunto e de maneira caótica. Alguns fatores que limitam a panmixia são: .16 constituindo recurso alimentar e industrial notável. A importância relativa de cada um dos fatores vai variar de acordo com o tamanho populacional e as diferenças ambientais ao longo da faixa de distribuição da espécie. O leitor poderá encontrar mais informações sobre esse assunto em várias revisões (Ryman e Utter. quase se extinguiram em meados de nosso século (Baker e Palumbi. . Thorpe et al. Dessa forma. . pouca viabilidade gamética (o que leva a uma probabilidade maior de cruzamentos entre vizinhos). Populações naturais freqüentemente não mantêm panmixia.. complexos (revisões desses conceitos e processos podem ser encontradas em Wright. deriva e seleção natural direcional ou disruptiva diferente em cada área) e fatores de homogeneização (migração. populações estruturadas vão apresentar um equilíbrio dinâmico entre fatores de diferenciação (mutação.Em organismos fixos. 1978. ou seja. . A genética das espécies exploradas comercialmente. dependendo de fatores biológicos e geográficos.

17 De acordo com a biologia da espécie – em particular o tipo de dispersão – podemos observar três tipos principais de estruturação de populações (Wright. teremos uma população estruturada quando as probabilidades de cruzamentos dentro de cada localidade (PA-A . mas também não existe uma diferenciação abrupta ou descontinuidade que permita a delimitação de subpopulações. como várias espécies de aves e peixes. 1978). b) Modelo de Ilhas. PB-C e PA-C). como todos os modelos. Wright. 1978) ou de outras ilhas. 1997). tomando como referência a população A: a) Panmixia: PA-A = P B-B = P C-C = P A-B = P A-C b) c) d) Isolamento por distância: Ilhas: Passo-a-passo: PA-A = P B-B = P C-C > P A-B > P A-C PA-A = P B-B = P C-C >> P A-B = P A-C PA-A = P B-B = P C-C >> P A-B >> P A-C ≅ 0 De uma maneira geral. Por outro lado. espécies em que os dispersores têm vida curta. Uma maneira gráfica de visualizar os diferentes modos de estruturação gênica em populações naturais é considerar que em uma dada região geográfica foram amostradas três localidades ao longo de uma linha (por exemplo.). Por outro lado. é esperado que espécies com alta capacidade de dispersão mas exibindo algum tipo de filopatria. e portanto podemos observar na natureza casos de transições entre os modelos (Neigel. Se denominarmos os gametas produzidos pelos indivíduos dos três pontos. em que cada subpopulação somente pode trocar migrantes com as populações vizinhas. em que a diferenciação entre as populações não depende da distância entre elas. teremos panmixia se a probabilidade de cruzamentos entre gametas de uma mesma localidade (PA-A . B e C. se apresentem estruturadas conforme o modelo de ilhas. sem relação com sua posição espacial (modelo finito. etc. Slatkin. 1994). podemos dizer que. 1978): a) Isolamento por distância. são simplificações da realidade. Usando essa notação. sendo os recrutas oriundos de uma única população de tamanho infinito (modelo infinito. Wright. Nesse modelo não existe panmixia. Capítulo 17 . de A. 1985). esses modelos. se apresentarão estruturadas conforme o modelo de isolamento por distância ou passoa-passo (Avise. ou por algum outro motivo não podem cobrir toda a distância da distribuição da espécie. em que o fator principal para a diferenciação é a limitação da dispersão em função da distância geográfica. PB-B e PC-C) for igual à probabilidade dos cruzamentos entre gametas de localidades diferentes (PA-B. PB-B e PC-C) forem maiores do que as probabilidades de cruzamentos entre gametas de localidade diferentes (PA-B. dentro de uma população sem subdivisões aparentes. três praias diferentes ao longo de uma costa). c) Modelo passo-a-passo (“stepping stones”. Naturalmente. respectivamente.

1973). e s é o número de subpopulações analisadas para o loco gênico. Excoffier e Smouse. Uma das vantagens desse tipo de abordagem é que ele pode ser usado com um número grande de tipos de marcadores moleculares (ao contrário do FST e do GST. Um qui-quadrado significativo (com (k-1)(s-1) graus de liberdade). A significância de FST (ou GST) pode ser medida (contra a hipótese nula de panmixia. a variância das freqüências dos alelos de um loco em relação à máxima variância que aqueles alelos poderiam ter na população (“pq” ou “p(1-p)” pela distribuição binomial). 1997). De uma maneira geral. Nei. a diferença em heterozigosidades entre a população total (Htot) e a média das heterozigosidades das subpopulações (Hsub). GST ou ΦST é semelhante: valores não significativos nos dizem que a hipótese nula da panmixia não pode ser rejeitada. padronizada pela heterozigosidade total. k é o número de alelos. através do teste de qui-quadrado abaixo (Waples. 1995). A interpretação dos valores de FST. e GST = H tot − H sub . que está se tornando muito disseminada. Para estimativas de FST. onde N é o número total de indivíduos amostrados. respectivamente. Wright. em cujo caso FST=0). a variância nas freqüências gênicas é subdividida em vários componentes hierarquicamente inclusivos. 1994). é a Análise Molecular de Variância (AMOVA.18 A verificação da existência de estruturação gênica nas populações naturais e a estimativa do fluxo gênico entre essas subpopulações pode ser feita a partir da variância das freqüências gênicas entre localidades diferentes (FST. indica que a hipótese nula da panmixia pode ser rejeitada. que a população está estruturada. GST ou ΦST significativamente diferentes de zero. valores superiores a 0. Um outro tipo de análise da estruturação de populações. 1987) e têm sido usados igualmente em estudos populacionais (Neigel. 1987): χ 2 = 2N FST (k-1). de forma semelhante à usada na análise estatística de co-variância (Sokal e Rohlf. que se aplicam mais a dados de marcadores codominantes). 1978) ou pela perda de heterozigosidade das subpopulações em relação à heterozigosidade total (GST. de acordo. como a variância entre regiões geográficas. a variância entre subpopulações (ΦST) ou a variância residual entre os indivíduos. ou seja. com as fórmulas: FST = σ2 p p(1 − p ) .05 são considerados Capítulo 17 . ou seja. os dois métodos produzem valores virtualmente idênticos (Nei. H tot ou seja. e indicam a necessidade de outros estudos para verificação da homogeneidade. Nessa abordagem.

Por exemplo. que ocupa uma determinada área. Esse resultado indicou que projetos de conservação das regiões de desova dessas tartarugas. apesar de sua grande capacidade de dispersão. se políticas de reintrodução forem implementadas. seriam inúteis se não acompanhados de sua preservação também nas áreas de alimentação. apesar de importantes. enquanto que valores abaixo de 0. 1996). 1996). indicando também uma relação entre diferenciação populacional e distância geográfica ao longo de um transecto entre as latitudes de 5 e 41 graus sul. pois podem já existir adaptações locais que se perderiam no caso da população ser misturada com outras. um estudo com seqüenciamento da região controle mitocondrial do veado dos pampas (Ozotoceros bezoarticus). Graças ao conhecimento das diferenças genéticas entre as várias populações dessa tartaruga. Em outras palavras. para estudos de recolonização ou conservação de espécies ameaçadas deve ser levado em conta não a espécie. 1996). em inglês).. para espécies com alto grau de dispersão. desta vez seguindo um modelo de ilhas (Bass et al. 1998). se a população da espécie é homogênea ao longo de toda a área de ocorrência.. em Porto Rico. que podiam estar muito distantes (Bowen et al. Na tabela 2 apresento uma compilação de resultados de vários estudos moleculares feitos com populações de espécies ameaçadas. se apresenta estruturada. foi possível verificar que os indivíduos existentes em uma região de alimentação. e a conservação do estoque nativo de uma espécie pode ter de ser feita de maneira coordenada entre vários países (Bowen e Avise. que são as subpopulações diferenciadas geneticamente (Berg et al. As implicações desse tipo de análise para estudos de conservação são muito importantes: se uma espécie ameaçada. elas devem ser feitas a partir de estoques reprodutores específicos para cada região (estoques autóctones). mas as unidades de manejo. então a estratégia de conservação deve procurar preservar a diversidade da espécie naquela área.20). desde o cerrado brasileiro até a Argentina (Gonzalez et al.19 indicadores de alta estruturação populacional.. 1996). o que é esperado pois em geral a degradação ambiental leva à formação de refúgios ou “oásis” onde pequenas populações das espécies persistem. As populações das tartarugas marinhas da espécie Eretmochelys imbricata (“hawksbill turtle”. então é viável concentrar a proteção da espécie em apenas uma área. usando indivíduos dessa área para recolonização das outras quando necessário (Haig. observamos que populações de espécies em declínio se encontram freqüentemente estruturadas. A conseqüência para a conservação dessa espécie é de que a preservação dos hábitats deve ser feita ao longo de toda a sua distribuição e. revelou que as suas populações estavam estruturadas (FST=0. vinham de toda a região caribenha. De uma maneira geral. 1978).. sem contudo poder trocar genes através das áreas Capítulo 17 . as fronteiras políticas são irrelevantes. também estão muito estruturadas. Por outro lado.05 indicam baixa estruturação (Wright. Uma conseqüência interessante desse resultado é que. 1998).

. 1996. Tabela 17. 1996.Mundy et al.. 1997.Boskovic et al.. 23 .Weidema et al.Dowling et al.. 17 . 11 . 1998. 1998.Case. 1999.Grandjean et al.. 1998. Um estudo feito com marcadores moleculares (RAPD) sobre populações do pau-brasil (Caesalpinia echinata) encontrou uma diferenciação de 29% entre áreas.. 5 – Lortscher et al.. indicando que..Nusser et al.. 6 . Referências: 1 . 1996. Grupo Ave Ave Ave Ave Crustáceo Crustáceo Inseto Mamífero Mamífero Mamífero Mamífero Mamífero Mamífero Mamífero Mamífero Mamífero Molusco Capítulo 17 Nome vulgar “Shrike” Pica-pau “Clapper rail” Espécie Local Canadá EUA EUA Escócia Suíça Inglaterra Inglaterra Europa/Cana dá Inglaterra Europa Europa Austrália Brasil/Argenti na Japão EUA Atlântico Norte EUA Gene mtDNA nuclear ambos nuclear nuclear mtDNA ambos mtDNA mtDNA mtDNA nuclear ambos mtDNA mtDNA nuclear mtDNA ambos Método seqüenciamento minissatélites RAPD microssatélites aloenzimas PCR/RFLP RAPD PCR/RFLP PCR/RFLP PCR/RFLP RAPD/aloenzimas RAPD seqüenciamento seqüenciamento microssatélites PCR/RFLP aloenzimas/RFLP “Grouse” Pitu Pitu Mariposa Foca cinza Boto Boto Morcego-raposa Koala Veado dos pampas Lanius ludovicianus Picoides borealis Rallus longirostris Lagopus lagopu Austropotamobius pallipes Austropotamobius pallipes Papilio machaon Halichoerus grypus Phocoena phocoena Phocoenoides dalli Pteropus scapulatus Phascolarctos cinereus Ozotoceros bezoarticus Ursus arctos Bison bison Halichoerus grypus Urso Bisão Foca cinza Mexilhão de água Pyganodon grandis . a população se encontra estruturada e fragmentada (Cardoso et al. 1994. 1996... 8 . 14 – Matsuhashi et al. a mata Atlântica atinge atualmente uma área muito menor do que a original.. 1997.Sinclair.Piertney et al.Haig et al.Perdices et al. 1998. 1998.Epifanio et al..20 impactadas que são o deserto em volta delas. 1999. 1996. 21 – Gibbs et al.Wilson e Strobeck. 9 .. 1997. 1997..Walton. 26 . 18 . 1996. 1998).McMillan e Bermingham. 1996. 7 – Hoole et al. 15 .. 12 – Fowler et al. 1993. 1996.Boskovic et al. 1999. 1996...Liu et al. 27 . 24 . 19 – Castilla et al.. 4 . 2 . 1996. 20 – Gibbs et al..Bass.2 – Exemplos de populações naturais ameaçadas analisadas quanto aos seus níveis de estruturação gênica. A mata Atlântica é um bom exemplo desse tipo de fenômeno: cobrindo originalmente quase toda a costa brasileira. 16 ... 10 . 1996. 1998. 22 . 3 . 1998. 25 Cardoso et al. 13 – Gonzalez et al.

é de que. portanto. Mais uma vez.0001) entre amostras do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul (Secchi et al. então. o cruzamento de indivíduos de populações diferentes. se a variabilidade local já tiver sido perdida devido ao endocruzamento. Penelope obscura bronzina e P. em São Paulo. Marcadores moleculares (minissatélites) foram usados para acompanhar o processo de liberação Capítulo 17 . Dentro deste espírito também foram reintroduzidas.. como parte de um esquema de reflorestamento posterior à construção de uma represa hidrelétrica. 1996.17. esse resultado indica que devem existir pelo menos duas populações dessa espécie na costa que. aves de duas espécies de guanos. Finke e Jetschke. Por exemplo. ou seja. nos casos em que as populações estão pouco estruturadas. e a nova política de proteção e tentativas de proliferação de suas populações serão feitas através do cruzamento de indivíduos de colônias diferentes. para tentar reverter o quadro de depressão por endocruzamento.. No entanto. Kretzmann et al. para diminuir a depressão por endocruzamento. P<0. 1997). ao se manejarem populações de espécies ameaçadas.401.21 doce Reptil Reptil Reptil Peixe Peixe Peixe Planta Planta Planta Tartaruga marinha Lagarto Cascavel Eretmochelys imbricata Podarcis atrata Sistrurus catenatus Xyrauchen texanus Valencia Polyodon spathula Caesalpinia echinata Armeria maritima Cypripedium kentuckiense Caribe Espanha Canadá EUA Espanha EUA Brasil Dinamarca EUA mtDNA mtDNA ambos mtDNA nuclear mtDNA ambos nuclear nuclear “Razzorback sucker” Cyrprinodontideo Espátula Pau-brasil Orquídea seqüenciamento seqüenciamento RAPD. superciliaris jacupemba. pode-se considerar.. devemos procurar preservar também sua diversidade geográfica. 1998). mas uma alta diferenciação entre elas (FST=0. em casos extremos. 1999). microssatélites PCR/RFLP aloenzimas seqüenciamento RAPD aloenzimas aloenzimas Em uma espécie de golfinhos brasileiros (“franciscana”. Um estudo com seqüenciamento da região controle do mtDNA e com minissatélites encontrou um baixíssimo nível de variabilidade dentro de cada população. mas ainda houver uma alta diversidade entre populações isoladas (como nas cadeias de Markov. devem ser manejadas de forma independente. Wollenberg et al. A idéia geral. a foca Havaiana Monachus schauinslei. a não ser nos casos de pouca diferenciação genética. A baixa eficiência reprodutiva dessas focas foi interpretada como resultado do endocruzamento. com sucesso. Pontoporia blainvillei) foi observada uma alta diferenciação (ΦST = 0. apesar de décadas de proteção e esforços de aumento das cinco populações conhecidas se manteve até hoje com um número muito reduzido de indivíduos.

tabela 17.000.000 60.000 Provável 400. portanto. 200.3). Avise. os programas de conservação sugeridos por esse tipo de estudos são cenários ideais.000 Estimativa baixa 50.700. principalmente quando são realizados estudos comparativos de várias espécies de um mesmo ambiente. 1996). As estimativas alta.22 e introgressão das aves reintroduzidas nas populações nativas (Pereira e Wajntal.000 conhecidas. 17. baixa e provável são as dadas em Heywood eWatson (1996). com 1. é provável que bem mais da metade das espécies atualmente existentes estejam extintas antes mesmo de termos tido a chance de conhecê-las.500. que nem sempre podem ser seguidos por questões de logística ou vontade política. a estimativa da estruturação populacional é um passo importante em estudos de genética da conservação. cerca de 13. Naturalmente.000 1.000 40. distribuídas em 64 filos. 146 classes. 1996b.Revelando a biodiversidade escondida A biodiversidade do planeta foi estimada em 13 milhões de espécies. 869 ordens e cerca de 7. 1998).000 Estimativa alta 1.000 4.000 200.000 são insetos).75 milhões já foram descritas (Heywood e Watson. Os animais.000 2. De qualquer forma.000 1.000 200. 1999). das quais 1.000 72.000 total estimado). Nos últimos 20 anos.3.000 50. da forma como os ambientes estão sendo destruídos atualmente.3 – Estimativas globais de biodiversidade. Lamentavelmente.000 200. serão necessários mais de 900 anos para chegarmos a descrever toda a biodiversidade nominal do planeta.000 espécies novas têm sido descritas por ano (Heywood e Watson. pois permite direcionar os esforços de conservação para um uso mais eficiente dos recursos disponíveis.000 famílias. Como vimos.000 provável / real 100 250 21 5 . 1996. Se for mantida essa taxa. e considerando-se as projeções para o número de espécies existentes (tabela 3). os instrumentos existem e podem ser usados como guias para a formulação de políticas de conservação.000 3. que parece terem se adaptado bem à reintrodução. excedem em muito o número de espécies de plantas (60. Tabela 17.4 .5 milhões de espécies (das quais cerca de 900.000. em número de espécies (biodiversidade nominal).000. permitindo a corroboração mútua das melhores estratégias (o que foi chamado por John Avise de “perspectiva regional da conservação”. Grupo Vírus Bactérias Fungos Protistas Capítulo 17 Número de espécies 4.

a Genética tem contribuído enormemente.23 Algas Plantas Nematódeos Crustáceos Aracnídeos Insetos Moluscos Cordados Outros TOTAIS 40.78 Além da subestimação da biodiversidade causada pela deficiência de financiamentos para estudos de zoologia e de botânica em levantamentos faunísticos de regiões pouco conhecidas (Wheeler.000 10 1.000 270. descobrindo inúmeras espécies novas.000 750. com duas outras possíveis espécies novas nas Bermudas (Klautau et al.000 115.000 200.000 950.000 1.000 3.000 150. 1993. e a espécie pode ser. 1994). Também uma ascídia colonial bastante comum no Brasil e na região anfiatlântica.000 200.000 100. 1999). citada desde o Mediterrâneo até o Japão. foi separada.000 25.9 1.000 70. Da mesma forma.000. 1999).5 2.000 13.655. com a conseqüente redução da distribuição geográfica suposta para espécies anteriormente consideradas cosmopolitas.000 400. a Botrylloides niger.000 50.000 50.000 100. é pouco provável que as outras ocorrências atribuídas a essa espécie no Mar Vermelho e nos oceanos Índico e Pacífico sejam realmente corretas.635.000.000 75. um estudo recente feito por Klautau e colaboradores mostrou que.000 1.000 1. Dada essa diferenciação na região anfiatlântica.000 55. um complexo de mais de 10 espécies diferentes. 1995). Monteiro et al.. Pelo menos para o ambiente marinho parece que. Thorpe e Solé-Cava.000 250.000 320.000.000.000 1.750. devem ser muito raras as espécies verdadeiramente cosmopolitas. mais uma vez Capítulo 17 .000 500. 1997) e é possível que ela também se constitua em um complexo de espécies (Perrin et al.000 800.8 10 8.2 16 3.000 2. 1999. Por exemplo. com exceção das espécies bioinvasoras (ver abaixo). em 6 espécies diferentes somente na região anfiatlântica (Solé-Cava e Thorpe.000. foi desmembrada.000 45. 1987.000 111.000 100..000 300.000 400. através de aloenzimas.000 40.000 150.000 300. existe também uma outra fonte de subestimação: a existência de espécies crípticas dentro de espécies consideradas como bem conhecidas (Knowlton.1 2 7..000 200. a anêmona-do-mar Actinia equina.000 200.000 8.000 75. através de estudos moleculares. existiam cinco espécies diferentes dentro da suposta espécie de esponja cosmopolita Chondrilla nucula. em duas espécies somente no Rio de Janeiro. Neste campo.000. apenas para a região anfiatlântica (Mediterrâneo e Atlântico). na verdade.620.

1986. trossolus e M. revelou que. se considerava a existência de apenas uma espécie de cação anjo (Squatina argentina)..24 levantando dúvidas sobre o cosmopolitismo de um invertebrado bêntico marinho (Aron e SoléCava. o que complica o seu uso para controle ambiental (Skibinski et al. 1995. um estudo molecular. para uma revisão desse problema para pesca de invertebrados marinhos). estudos moleculares indicaram que essa espécie tem regiões de ampla hibridização com outras duas espécies do gênero (M. Solé-Cava e Levy. 1987). 1983. Outros exemplos recentes são os da tartaruga de Ridley (Lepidochtys kempi) – uma espécie rara. 1989. 1997). 1978.. 1999). provocado por diferenças observadas por biólogos pesqueiros na dinâmica das populações deste cação. conforme visto acima. Kurelec et al. por sua ubiqüidade no hemisfério norte. 1996. Gardner. argentina (Solé-Cava et al. na verdade. corre-se um grande risco de se extinguir a espécie ecologicamente mais frágil sem que sequer se tenha percebido. 1991). justamente por sua abundância e suposta ampla distribuição. na verdade.. confundida com a tartaruga oliva (L. No entanto. por exemplo. que podem ser vistas como um caso mais extremo de diferenciação populacional. por exemplo. na verdade. 1999.. um aglomerado de pelo menos quatro espécies diferentes (Hogg et al. 1998). Se o controle de estoques pesqueiros depende muito da delimitação dos estoques. Outra conseqüência importante da subestimativa da biodiversidade para a conservação e a exploração racionais das populações naturais acontece quando populações de um organismo explorado comercialmente são constituídas. Nos dois casos. 1994. ele depende ainda mais da detecção de espécies crípticas. existiam três espécies diferentes do gênero no sul do Brasil. Daskalakis et al... Quesada et al. As conseqüências da descoberta dessas espécies crípticas dentro de espécies consideradas anteriormente como cosmopolitas é particularmente importante porque. é. olivacea) e da orquídea do Arkansas (Cypripedium kentuchkiense) – interpretada inicialmente como variedade de uma orquídea comum nos EUA. uma espécie pescada comercialmente principalmente na região sul do país. o táxon mais raro teria sido extinto se não Capítulo 17 . descobriu-se que o anfípode Hyalella azteca. como modelo de estudos de controle de poluição (“The mussel watch programme”. que eram confundidas como “variação ontogenética” ou “polimorfismos naturais” de S. Da mesma forma. Fevolden e Garner. galloprovincialis). que há anos vinha sendo usado como indicador em testes de ecotoxicologia para estudo de qualidade da água em vários laboratórios do mundo. de mais de uma espécie (ver Thorpe et al. 1999). No entanto. O mexilhão europeu Mytilus edulis.. a C. Knowlton. Ao se considerar espécies diferentes exploradas comercialmente como se fossem apenas uma espécie. No Brasil. foi escolhido. essas espécies são freqüentemente usadas como modelos para estudos biológicos e para pesquisas em produtos naturais (Thorpe e SoléCava. parviflorum.

o cultivo de bactérias de vida livre é ainda deficiente. e aloenzimas no caso da orquídea (Case et al. iniciadores que amplificam igualmente bem genes de bactérias de vários grupos diferentes). 1991). A descoberta recente de espécies crípticas de peixe-boi (Trichechus manatus) também deve ter implicações importantes para sua preservação (Garcia-Rodriguez et al. que só são possíveis quando as bactérias podem ser cultivadas.. é ainda mais frágil do que se pensava. tomadas medidas específicas de proteção.. 1998). Uma conseqüência disso foi que o número de espécies reconhecidas de bactérias em solos ou na água do mar estava severamente subestimado. Apesar do cultivo de bactérias patogênicas estar muito bem desenvolvido.25 fossem consideradas suas distinções evolutivas e. portanto. subterrâneas (Crozier et al. é feita uma extração total de DNA de amostras de solo ou de água. em todas as bactérias daquela amostra. 1999).. 1996). No entanto. Assim. da amplificação dos genes escolhidos.. Esses estudos são interessantes por seu caráter paradoxal.. 1992). pois permitem que recursos não sejam desperdiçados na proteção ou tentativa de manutenção em cativeiro de indivíduos que não Capítulo 17 . em alguns casos. que espécies consideradas distintas eram na verdade variedades ou híbridos de outras espécies. na maioria das vezes. até que experimentos com análise de DNA total ambiental permitiram desvendar uma diversidade enorme nessas regiões. Isso só foi possível com trabalhos de genética da conservação.. Os produtos amplificados são misturas.. portanto. Estudos de biodiversidade molecular aplicada à estimativa da biodiversidade nominativa. usando mtDNA no caso da tartaruga (Bowen et al. ou seja. 1996). Esses resultados têm muita relevância para a conservação. o número de espécies. A microbiologia foi uma outra área em que a genética permitiu descobrir uma grande biodiversidade escondida. sem separação prévia das bactérias. pois mostra que a espécie. Resultados semelhantes foram também obtidos com leveduras marinhas (Fell et al. onde a seqüência de DNA de um gene de um organismo é conhecida antes mesmo dele ser conhecido ou descrito. já considerada ameaçada em algumas regiões. 1991) ou mesmo em pinturas antigas (Rolleke et al. Esse “DNA de solo” ou de água é amplificado por PCR usando-se iniciadores específicos para genes de RNA ribossômico de bactérias. no mar (Schmidt et al. e as diversas seqüências obtidas são comparadas com as seqüências conhecidas da literatura (o banco de dados de seqüências de RNA de bactérias é maior do que as bases de dados de qualquer outro gene de outros organismos). conseqüentemente. A sistemática das bactérias até hoje tem sido grandemente baseada em testes bioquímicos. mas com amplo espectro de amplificação heteróloga (ou seja. 1998). Esses produtos são então clonados e seqüenciados. foram encontradas seqüências desconhecidas que indicam a existência de espécies novas (os gêneros em geral podem ser determinados por similaridade com outras espécies conhecidas) em lagos (Lee et al. os estudos genéticos serviram para indicar o contrário. Nessa abordagem.. serviram para aumentar.

1999) e poderá ser muito útil.26 têm independência evolutiva. maritimus nigrescens era geneticamente indistinguível de outras supostas raças dessa espécie na costa leste Americana (mas diferente das raças da parte próxima ao Golfo do México). um estudo posterior. uma perda limitada de alguns genes diferenciados naquela população. quando necessário. Desde então. As pessoas trabalhando atualmente com biodiversidade estão mais conscientes desse problema e mais preocupadas em analisar melhor a biologia das espécies (e. que se extinguiram na natureza em 1975. Amnodramus maritimus nigrescenses) foi descrita no século XIX e era relativamente abundante na Flórida até a metade do século. sua genética) antes de construírem amplas listas de sinonímia ou de expandirem a distribuição geográfica de espécies através da citação de novas ocorrências. principalmente levando-se em conta que os lobos cinza já estão ameaçados de extinção. etc. e das quais resta apenas uma colônia em cativeiro. aceitando como variações intraespecíficas diferenças sutis que na verdade marcavam espécies diferentes. 1974). talvez funcionando como Capítulo 17 . Como a biologia dos jumentos é bem conhecida. revelou que o A. também. A Genética. feito com marcadores de DNA mitocondrial. A sistemática molecular. 1997). concentrar os recursos na preservação das duas espécies originais. Faria mais sentido. No entanto. Wayne et al. do ponto de vista genético. portanto tem tido um papel fundamental na reavaliação da biodiversidade nominal. foram feitos programas na tentativa de preservação desses pardais. Knowlton. Esses programas foram mal-sucedidos até que o último exemplar morreu. ela tem auxiliado enormemente na detecção de espécies crípticas (Thorpe e Solé-Cava.. provavelmente. No entanto. uma subespécie de um pardal caiçara americano (o “dusky sea-side sparrow”. certamente. na definição de taxa supra-específicos. Já se passaram 25 anos desde a publicação do artigo visionário de John Avise sobre o uso de métodos moleculares na sistemática (Avise.. Da mesma forma. resolvêssemos investir grandes somas de dinheiro na sua preservação em zoológicos. Mas e se isso acontecesse com espécies menos conhecidas? Por exemplo. Quando a destruição de seus hábitats pela especulação imobiliária levou a uma grande diminuição da população dessa ave. receberam uma grande atenção de programas de reintrodução. sendo.. populações do lobo vermelho (Canis rufus). 1989). mas estudos com mtDNA e microssatélites indicam que esses lobos são resultantes da hibridização recente de lobos cinza (Canis lupus) e coiotes (Canis latrans) (Wayne. em 1987. isso não aconteceria. sem saber que na verdade eles são híbridos de burros com éguas. É como se. 1994.. portanto. Apesar da perda daquela população ser de qualquer forma lamentável. nunca substituirá os métodos descritivos criteriosos da sistemática clássica. 1996. em cativeiro. apenas uma forma melânica de alguma delas (Avise e Nelson. ao observarmos um eventual declínio na população de jumentos. um número enorme de trabalhos científicos demonstraram que os sistematas freqüentemente haviam sido conservadores demais na atribuição de espécies. ela foi.

1999).Bioinvasões Se. sem por isso serem menos importantes.. podemos verificar o potencial desse tipo de transporte para as bioinvasões (Pierce et al. 1990). As espécies mais intimamente associadas à nossa espécie. Marcadores moleculares podem ser usados para auxiliar tanto na identificação das espécies invasoras (May e Marsden. 1999). Southward et al. por exemplo. piolhos. Um número enorme de espécies marinhas teve sua distribuição geográfica aumentada através do transporte involuntário nos cascos de navios (Carlton e Hodder. tubos de refrigeração de usinas nucleares. através da destruição de hábitats naturais (Lafferty e Kuris. O mesmo se observa com os animais e plantas domesticados.27 base de um padrão universal que permita atribuir a esses níveis algum sentido evolutivo (Avise e Johns. por exemplo. (Cohen e Carlton. de várias regiões do planeta por espécies exóticas (Holland..000 navios cargueiros circulando no globo (Carlton. 1994. de modo que podemos encontrar. Os navios são vetores importantes na introdução de espécies exóticas: existe atualmente mais de 35. competição (Russell e Balacz. 1998. camundongos e ácaros das mesmas espécies distribuídos desde as regiões equatoriais até os círculos polares. Nos Estados Unidos. como no acompanhamento da evolução do processo invasivo (Cohen et al. 17.. 1993) e encrustamento de estruturas construídas pelos seres humanos. 1995. como nossos parasitas e comensais. 1996). mais recentemente. 1999). Capítulo 17 . como pilares em cais de portos. esses estudos têm servido também para detectar e acompanhar um processo inverso – o da invasão. Lafferty e Kuris. Considerando-se que um único grande cargueiro pode carregar mais de 150. Holland. 1996). no entanto.3. 1994). Southward et al. conseqüentemente. por um lado. menos conhecidas. etc. produção de toxinas (Hamer. um dos resultados dos estudos genéticos tem sido a descoberta de que as distribuições geográficas amplas atribuídas a muitas espécies estão exageradas (ver acima). 1985)..5 .. que atualmente têm distribuições completamente cosmopolitas. 1991. 1995. 1997).. têm distribuição tão cosmopolita quanto nós. O impacto causado por bioinvasões é muito maior do que se reconhece geralmente. nos tanques de lastro (Carlton e Geller. 1991) de espécies nativas. 1998) e sua origem geográfica (Holland.. 1998) e. 1994) ou predação (Kuris. se refere a espécies não tão diretamente associadas à nossa espécie e. 1992.000 toneladas de água de lastro (Schormann et al. Geller et al. A questão das bioinvasões. com auxílio antropogênico direto ou indireto. Várias das espécies bioinvasoras marinhas representam verdadeiras pragas. 1993). já foram registradas mais de 4. plataformas de petróleo. Hallegraeff.500 espécies invasoras (Mills et al. 1999). por outro.

chegando a atingir. comércio e exportação de produtos de animais e plantas ameaçadas de extinção. através de um estudo com marcadores moleculares. que podem ser interpretados usando-se modelos genéticos de desequilíbrio (Davies et al. deflacionando. que leva muitas gerações para ser atingido depois de eventos de fundação de novas áreas.28 No ambiente terrestre as bioinvasões também são um grande problema. Existia um debate se a alta dispersão desta variedade de abelha se devia aos zangões. De Salle e Birstein. a hipótese dos enxames (Hall e Smith. 1996.3. ao longo da distribuição atual das abelhas africanas o padrão de mtDNA não mudava muito. assim.. no Estado de São Paulo. O resultado observado foi que. indicando um alto fluxo gênico entre as duas áreas. apoiando. introduzida por acidente há 100 anos no Rio de Janeiro.. ou se seriam enxames completos que fariam de vez em quando uma migração. Uma solução para esse problema é o uso de marcadores com taxas de mutação muito elevadas (como os microssatélites). Essas hipóteses foram testadas através da comparação da estruturação genética das populações dessas abelhas nas regiões invadidas estimada usando marcadores nucleares (transmitidos pelos zangões e pelas rainhas) e usando marcadores mitocondriais (transmitidos apenas pelas rainhas). assim. cruzando com a variedade européia onde fossem parar. 1989). Rehbein et al. Palumbi e Cipriano. Essa variedade é bastante agressiva e desde então se espalhou por todo o pais.Identificação forense Um aspecto importante da conservação da biodiversidade é a formulação de leis de controle do uso. 1996. 1992). através da América Central. Avise. 17. pelo menos até a cultura do consumo daquele produto se extinguir. que regularmente se soltariam da colônia e migrariam. nossa estimativa de endocruzamento local (Crochet. o sul dos EUA. estimulando os comerciantes a burlar a lei (Baker et al. 1999). A quantidade de dinheiro Capítulo 17 . se estudarmos uma população de uma ascídia que ocorre em Hong Kong e a compararmos com uma outra. poderemos encontrar. 1999). 1997. um FST baixo. 1996. Um problema na aplicação de marcadores moleculares no estudo de populações bioinvasoras é que os modelos de estruturação gênica geralmente usados foram desenvolvidos para um estado de equilíbrio de endocruzamento. O problema é que.6 . mesmo que este não tenha mais ocorrido desde então! Isso ocorre porque as freqüências gênicas não terão tido tempo para divergir.. 1998). Um exemplo bastante próximo de nós foi a bioinvasão causada pela liberação acidental de abelhas africanizadas (as chamadas “abelhas assassinas”) da espécie Apis melifera. apesar da ocorrência de alguma introgressão entre as duas variedades (Lobo et al.. Hall. o aumento da demanda causado pelo controle – e conseqüente escassez – do produto faz com que o preço aumente. Por exemplo. e era diferente do padrão da abelha européia. nos anos 50. 1991.

cozidas. que a carne do halióte (os gastrópodes de maior valor comercial do mundo. a pele de crocodilo pode custar de U$ 200-500 por pele (Brazaitis et al..000 por peixe (Ward et al. 1998).. por exemplo. No entanto. 1995). foi argumentado recentemente que essa espécie teria três subespécies. uma espécie local cuja pesca estava proibida (Sweijd et al.. 1998). A demonstração mais dramática e elegante do uso de marcadores moleculares foi o trabalho feito pelo grupo de Stephen Palumbi com o comércio ilegal de carne de baleia no Japão. yacare continua proibida nos EUA. numa tentativa de driblar esse bloqueio de importação. uma das quais poderia ser explorada (ver Brazaitis et al.. 1998) e a importação de pele de C.. que a comercialização mundial de peles de jacarés (gênero Caiman) é superior a um milhão de peles por ano. as fazendas de cultivo podem ser usadas para a legalização fraudulenta das espécies protegidas e sua inserção no mercado. por exemplo.400 por kg (De Salle e Birstein. como na comercialização da carne de animais protegidos. um buraco na lei – permitindo que baleias pescadas “para fins científicos” fossem consumidas nos países onde elas tivessem sido Capítulo 17 . No entanto. esses métodos foram usados para provar. 1998) e a carne de várias espécies de baleia pode custar mais de U$ 50 o kg (Sweijd et al.. na justiça. 1996). 1999). em outras situações. No caso do jacaré. demonstraram que essa subdivisão não era justificada (Brazaitis et al. 1996. e sua importação pelos EUA está proibida. defumadas ou enlatadas (Ram et al. com seqüenciamento de DNA. no início deste século. Métodos moleculares foram usados. por exemplo.. 1996). que de 1920 até 1986. marcadores moleculares podem ser de extrema valia. Em outro caso.. O problema é ainda mais complicado quando existem espécies próximas cujo comércio é legalizado ou quando a espécie protegida pode ser comercializada se proveniente de cultivo. as ovas de esturjão custam U$2. Estima-se. Nesses casos. do gênero Haliotis) vendida na África do Sul como “Haliote Australiano” na verdade pertencia a Haliotis midae. quando uma moratória na pesca indiscriminada das baleias foi imposto. para demonstrar que um carregamento de carne de caranguejo (Paralithodes camtschatica) havia sido obtido em uma área de sua distribuição onde era ilegal a pesca (Seeb et al. estudos genéticos. As baleias eram animais abundantes nos oceanos até o advento.. No entanto. dos navios a vapor e seus arpões. Felizmente. A espécie brasileira do gênero mais ameaçada é Caiman yacare. mais de um milhão de baleias tenham sido mortas pelos baleeiros (Baker e Palumbi. 1996 para um histórico do caso). essa identificação não é tão simples. Já se observou. 1998). pois permitem a identificação não ambígua mesmo de produtos industrializados.29 envolvida pode ser muito alta. Nesses casos. Por exemplo. a identificação das peles pode ser feita pelo padrão de manchas e pelo seu relevo. Quintero et al. como carnes salgadas.. 1990). os atuns maiores podem render mais de U$6. A moratória teve um efeito importante na proteção das baleias. das quais apenas a metade vêm realmente de fontes legalizadas (Brazaitis et al.

amostras de carne rotulada como “carne de baleia” foram compradas. a fim de processar as companhias responsáveis pela comercialização ilegal da carne da baleia. Tendo construído essa biblioteca. PCR e purificação dos produtos do PCR e usá-lo.30 pescadas (ou seja. 1994). O procedimento realizado foi comprar a carne de forma documentada por fotos. coletadas através de dardos de biópsia. incluindo amostras intraespecíficas de várias partes do globo. 149 pertenciam a baleias Capítulo 17 . Nesse estudo. Esse DNA “livre de DNA original de baleia” foi então exportado para os EUA onde foi analisado em seqüenciadores automáticos. Palumbi e seu grupo consistiu na construção inicial de uma “biblioteca de seqüências” – um banco de dados com as seqüências de DNA da região controle mitocondrial de todas as baleias conhecidas. num total de 237 amostras analisadas. proibindo a exportação mas permitindo o consumo). O trabalho feito por S. em muitos casos. não poderiam ser usados como prova de acusação. permitindo a distinção fácil de todas as espécies e inclusive. para evitar o possível argumento. se envolvessem DNA de baleia exportado do Japão para os EUA. no Japão. O resultado desse estudo foi que. ou de botos e golfinhos (ou seja. portanto.. 1999). em feiras e mercados do Japão por agentes da ONG ambientalista Earththrust. foi descoberto que. Esse estudo preliminar estimulou um novo estudo.. A região controle mitocondrial é altamente variável em mamíferos. apenas 9 pertenciam a baleias minke. e fazer o PCR. Depois do PCR. a biotina ligada aos primers foi usada para auxiliar a remoção do DNA original da baleia. Nesse segundo estudo também foram usados primers de genes nucleares. aos fragmentos de DNA amplificados por PCR. enganando também o consumidor japonês). como visto por Wayne. Como a exportação de produtos de baleia é proibida. A solução encontrada foi montar um “laboratório portátil” de extração de DNA. e enviadas clandestinamente para os laboratórios de Palumbi nos EUA. pela defesa. e o DNA é um produto da baleia. usando primers biotinados. que retiram uma pequena quantidade de tecido sem ferir a baleia. possibilitando até a determinação da origem geográfica de cada baleia (Baker e Palumbi. dessa vez com uma preocupação forense. teve dois resultados: a) o Japão passou a ser o país com o maior número de pesquisas sobre baleias (o Japão é também o maior consumidor de carne de baleia do mundo. extrair o DNA. in loco. cuja pesca é proibida desde 1966. 1998. que se liga fortemente à biotina que estava nos primers e. das 17 amostras compradas. de que as espécies estavam identificadas incorretamente porque teriam vindo de hibridações na natureza (em cujo caso seriam identificadas erroneamente como se pertencessem à espécie da mãe. As outras oito amostras eram provenientes de baleias de pesca proibida. as quais o governo japonês tinha permissão de pescar (para fins científicos). como a jubarte. os dados do estudo. através do uso de minúsculas bolas magnéticas cobertas de estreptavidina.) e b) o comércio de carne de baleia “legalizada” nos mercados japoneses continuou. 1996 com os lobos vermelhos). para um estudo preliminar. por terem sido obtidas ilegalmente (Palumbi e Cipriano.

devido à miopia evolutiva de nossa espécie. a comissão internacional da pesca da baleia (IWC) decidiu. Marcadores moleculares de vários tipos podem ser usados para a identificação de carne de uma espécie protegida. Com marcadores moleculares podemos fazer propostas de reintrodução na natureza de espécies ameaçadas. para que não preservemos apenas espécies aleijadas geneticamente. que atraem grande interesse público e. em geral. Eles podem servir para determinar o sexo de animais antes de serem tentados cruzamentos em cativeiro. cerca de 37% das amostras não pertenciam a baleias legalmente pescadas (Palumbi e Cipriano. Devido ao sucesso dessas pesquisas. portanto. O custo da proteção de uma espécie é. com um número grande de abordagens e desafios diferentes. A maior parte dos estudos em Genética da conservação feitos até hoje envolveu espécies carismáticas. que permanecerão indefinidamente sob custódia de nossa espécie. No entanto. No entanto. empregar a técnica desenvolvida por Palumbi e seu grupo como metodologia oficial de controle da comercialização da carne de cetáceos. Muitos desses animais já podem ter se extinguido. é um ramo fascinante da ciência. como pudemos ver ao longo deste texto. como na determinação de estruturas populacionais e na análise filogeográfica. detectar a origem de espécies bioinvasoras ou a existência de híbridos dentro de espécies protegidas. e Capítulo 17 . servem para a descoberta de espécies crípticas – permitindo a reavaliação da biodiversidade – e para a verificação da heterogeneidade espacial na biodiversidade molecular de cada espécie.31 minke (sendo 107 do hemisfério sul). exponencialmente inversamente proporcional à sua abundância: proteger uma área. Solé-Cava. bons financiamentos para pesquisa. em 1999. tem um custo infinitamente menor do que tentar manter/reproduzir em cativeiro cada uma das espécies daquela área uma vez elas estejam ameaçadas (Adams e Carwardine. sem que sequer tenhamos notado. 17. 1993). por exemplo. por colapso decorrente de endocruzamento ou por falta de variabilidade em sistemas como o MHC ou equivalentes. através da demarcação e fiscalização de parques nacionais. Ou seja. 49 eram golfinhos e botos. 1998). Estudos genéticos podem ser úteis também na sugestão de políticas de preservação nos seus estágios iniciais e mais simples. e as demais amostras eram de outras espécies de baleias. servindo de subsídio para o cumprimento da lei. é provável que esses processos tenham acontecido e estejam acontecendo em muitos outros animais menos felizes na sua atração da atenção pública. 1990. É fundamental que as políticas de preservação das espécies se preocupem com a variabilidade gênica como um todo.4 – PERSPECTIVAS FUTURAS A Genética da conservação.

Stackebrandt.. (1990). 90:182. A.G.C. Andrewartha. FAPERJ. K.. com o momento em que ela se tornará uma ciência desnecessária. Watson R. Iriondo. (1999). S.. FUJB e PADCT. G. a preocupação com a cura somente vem após a catástrofe. University of Chicago Press. H. e Watts.M.. D. C. e Carwardine. Enquanto perdurar essa situação.M. em fase terminal. Genetic diversity as a component of biodiversity.A.L. Cambridge. Given.. The distribution and abundance of animals. J. A Genética certamente é instrumento poderoso nesses estudos.. e Sealy. Amos. Ecol. Crandall. L. S. Chauvet. A. S. Science 260:670-672. p 57-88. M. Schlotterer.M.. D.. a Genética da conservação continuará dando sua contribuição para a preservação das espécies ameaçadas.. the brown-headed cowbird (Molothrus ater). M.R. Alderson. AGRADECIMENTOS Gostaria de agradecer a Sergio R.G. Lynch. O Laboratório de Biodiversidade Molecular é apoiado por projetos do CNPq.. Hered.W. London. Parentage and kinship studies in an obligate brood parasitic bird. A. J. Hall. Cambridge University Press. Allcock. G. In: Heywood V. a ciência tem sido usada mais freqüentemente no estudo de espécies com populações já muito reduzidas e. Solé-Cava. a Marisa Brandão por sugestões ao manuscrito..G. Is the black robin in genetic peril? Mol. através da proteção ambiental? Lamentavelmente.H.32 particularmente daqueles em posições com poder para tomada de decisões.. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Adams. Last chance to see. using microsatellite DNA markers.M. sem deixar de sonhar. Social structure of pilot whales revealed by analytical DNA profiling. Ardern. E. Capítulo 17 .M.T. (1993). Gibbs H. 6:2128.M. P. EUA. Matioli pela oportunidade de apresentar esse assunto fascinante. Chicago. juntamente com a ecologia. S.L. muitas vezes.C. e Birch. (eds) Global Biodiversity Assessment. (1995).J. (1954).. D. Pan Books. aos orientados e amigos do LBDM pelo apoio constante. (1997). no entanto. Lewinsohn.R. T. Mas não seria um uso mais inteligente dos recursos a prevenção do processo de extinção. como pôde ser visto ao longo deste artigo.L. Templeton. e Tautz. não só no Brasil mas na maioria dos países. e Lambert.. B. D. e aos meus alunos dos cursos de Genética Marinha e Biodiversidade Molecular por tantas perguntas instigantes.

e Solé-Cava. Three fundamental contributions of molecular genetics to avian ecology and evolution. molecular systematics.C.33 Aron. J. C. (1996a). (1999).L. Ecol. J. Mol. 96:7358-7363.G. e Cantonwine. C.S.A.C.I. New York.C.A. New York. (eds) Conservation genetics. equilibrium and molecular aspects of conservation in marine species. London.. Elephant seals: genetic variation and near extinction. Baker. (1998).C. Chapman & Hall.M. (eds) Marine Genetics.R. Proposal for a standardized temporal scheme of biological classification for extant species. e Nelson. Hillis. Sci. e Hamrick.. J. Biochem. (1974).C.S.L. Zool. Molecular genetic relationships of the extinct Dusky Seaside Sparrow..R.. 5:321-328. e Selander. Z M. (1996). In: Avise J.C. Hered. Ecol. Russo C. Guttman. (1999). Science 243:646-648. (1996). Towards a regional conservation genetics perspective: phylogeography of faunas in the south-eastern United States. Avise. Proc.C. e Palumbi. 89:377-382. Population structure. S. Shellfish Res. Hamrick J.. Avise.M. (1996). Avise.C. K.I. Richardson. Natl. e Johns. e Palumbi. J. Amsterdam.S.. A. D. W.a molecular genetic approach to monitoring whaling.. Kluwer Academic Publishers.K.A. Stability. Bass. Chapman & Hall. Avise. Syst. M.L. B.M. J. Avise. Avise. natural history and evolution. S. (1989). S. Systematic value of electrophoretic data. J. p 10-49. Good. G. Molecular markers. Science 184:908-909. (1991). S. S. e Thorpe J. with mtDNA sequences.W. Capítulo 17 .. Ecol. Ibis 138:16-25. In: Solé-Cava A.C.. Acad. Genetic evaluation of the taxonomic status of two varieties of the cosmopolitan ascidian Botryllus niger (Ascidiacea: Botryllidae). e Bowen.L.C. Chapman and Hall.R. Testing models of female reproductive migratory behaviour and population structure in the Caribbean hawksbill turtle. F. J. Molecular genetic identification of whale and dolphin products from commercial markets in Korea and Japan. 19:271-276. Baker. Mol. Cipriano. Syst. Conservation genetics. e Hamrick J. J. (1974).L. J.15:484.C.A.C. In: Avise J. Horrocks. J. Berg. A. p 431-470. (1996). Avise. London. Eretmochelys imbricata. Bonnell. S. Bjorndal. Conservation genetics in the marine realm.C. and forensic identification of whales and dolphins. (eds) Conservation genetics. D. Avise. Chapman and Hall. E. Which whales are hunted .J. 23:465-481. in press. (1996). J.P. 5:671685. J. J. USA. R. (1996b). e Palumbi. (1994). Science 265:1538-1539.. Avise. (1994). Geographic variation in unionid genetic structure: Do management units exist? J. Baker.

R. Sci. The caiman trade. J. Ann. (1996).. Zool. 121:721730.A. M. 23:313-371. Transoceanic and interoceanic dispersal of coastal marine organisms: the biology of ballast water. p 1990237. Powell. 7:601-608. Vandam.H...Caesalpinioideae).E. Boskovic. J. A. e Geller. Conserv.E. D.consequences of equalization of family sizes. High genetic differentiation among remnant populations of the endangered Caesalpinia echinata Lam. Case.B. Hamrick J.E. J.. Chapman and Hall. Odierna. Can. Frankham R. P.L. Biol. Yamashita. C. Bjorndal. G. (1993). Meylan.W.A. Rev. W. Watanabe.J. K. Kovacs.. Hammill. Origin of hawksbill turtles in a caribbean feeding area as indicated by genetic-markers. Miyamoto..M. B. P. (1996). e Pitcher. Mar.. J. New York. Brazaitis. Evolutionary distinctiveness of the endangered Kemps Ridley sea-turtle. Science 261:78-82.A.R...B. Carlton. Ecological roulette: the global transport of indigenous organisms. Ecol. M. Bolten. K.. Mar.E. Rebêlo.. Bass. e Weldy T. (1993).. Threats to Brazilian crocodilian populations. R. Bot.T. T. G. e Avise. Modeling problems in conservation genetics using captive Drosophila populations . D. B. A. J. Capítulo 17 . (1995). (eds) Conservation genetics. A. Mol.C. (1995). J. e Daggard G.W. B. J. (1998). In: Avise J. Briscoe.T. Bowen. M. 74:1787-1796.L. 85:1779-1786. Conservation genetics and taxonomic status of the rare Kentucky lady's slipper: Cypripedium kentuckiense (Orchidaceae). 6:566-572. (1998).A. 278:5258. M.C.K.. (1996).. e De Oliveira. Brazaitis..34 Borlase.W. e Avise. Nurthen R. e Ferl.M.C.. Biol.. Provan. London. Wallace L. Diez. Biogeography and dispersal of coastal marine organisms Experimental studies on a replica of a 16th-Century sailing vessel. Amer.C. Mlodozeniec H. Nature 352:709-711. Oryx 30:275-284. e White..T. M. Ecol.A. Carlton. Chapman and Hall. G.. Carlton. Conservation genetics of marine turtles.. Bowen. E.T. Carvalho. Biol.. e Watanabe. Bowen. Geographic-distribution of mitochondrial-DNA haplotypes in grey seals (Halichoerus grypus).. (1996).J. (1998). J. Oceanog. S.N. Cardoso. (Leguminosae.W. R. Am. e Amato.E. Appl. D. M. Garcia-Rodriguez. 7:122131. Loebel.A. B. Molecular genetics in fisheries. J. e Hodder. J. (1991). A.. J.E. (1985).O. C.

Evol. Davies. Dowling. P. Nature 381:187188. 122:225-237. Agapow. D. P.M.P. USA. (1994). Sci.A.. dispersal and potential impacts of the green crab Carcinus maenas in San-Francisco Bay. (1996). (1998). W. J. Towards complete biodiversity assessment: an evaluation of the subterranean bacterial communities in the Oklo region of the sole surviving natural nuclear reactor..E. 7:1407-1411. Cohen. e Moya. e Philipp.M. Technol. A. J.L. 31:2303. Backeljau.A. H. Evolution 50:2264-2275. L. (1996). E. e Goldstein. De Salle. Hartman. Fernandez-Pedrosa. A. Mol. Evaluation of digestion procedures for determining silver in mussels and oysters. Daskalakis..N. Crozier. J. Soc.35 Castilla.F. 17:459-474. Conservation genetics of insular Podarcis lizards using partial cytochrome b sequences. M.. e Andersson. M. P. Carlton. Genetics 136:343359. Conserv. T..D. e Pedersen. E.E. A.. (1998). G. FEMS Microbiol.N.C. Determining the source of individuals: multilocus genotyping in nonequilibrium population genetics. e Birstein.M. 90:8150-8153. Major histocompatibility complex monomorphism and low-levels of DNA-fingerprinting variability in a reintroduced and rapidly expanding population of beavers. Ecol.. K.P.. e Carlton. Trans. Environ. A. Trends Ecol. Cohen. Ellegren. Villablanca. Acad. (1993). Natl... T. Proc. (1999). 14:17-21. Dybdahl. (1996).H. e Fountain. PCR identification of black caviar. M. 10:120-127.T. T. A. M.analysis of hatchery stocks and implications for captive propagation. Biol. Excoffier. (1995). Introduction. N. Geographic variation of paddlefish allozymes and mitochondrial DNA. L. e Roderick. Can measures of gene flow help to evaluate bird dispersal? Acta Oecol. 28:325-334. (1999). Ecol. Minckley. F. Science 279:555-558.A.J. Johansson. R. Sci. K.X..T. Latorre. California. Marsh.M. (1997). Crochet. Biol.. J. Koppelman. V.S. Mitochondrial-DNA variability in the endangered razorback sucker (Xyrauchen texanus) . V. Fish. G. e Crecelius. Am. Using allele frequencies and geographic subdivision to reconstruct gene tree within a species: molecular variance parsimony.K.125:546561. O'Connor.C. The geography of coevolution: Comparative population structures for a snail and its trematode parasite. C. (1996). Capítulo 17 . R. e Lively. Nedbal. e Smouse. Epifanio. (1996).. P. A. Mar..B. Gonzalez. Accelerating invasion rate in a highly invaded estuary.

. Fowler... Hoeben. Sinauer Associates. Population genetics of Mytilus edulis (L. K. 119:243-249.B.W. Brasília.A.. Franklin. M.. Carlton.. Bowen. D. Cambridge.I. (1981). E. (1992). How large must populations be to retain evolutionary potential? Anim. PCR-based detection of mtDNA haplotypes of native and invading mussels on the north-eastern Pacific coast: latitudinal pattern of invasion. e Soulé. J.J. Gibbs. (1998). Ferreira. D. Mar. Biosci.K. Randomly amplified polymorphic DNA variation in populations of eastern Australian koalas. 125:385-399. How inbreeding and outbreeding influence the risk of extinction . M.a genetically explicit model.M. Montoya-Ospina. Marmontel. Ecol. 156:309-314. Gilpin.A. Sunderland.E. 3:329-337. Ecol. e Kurtzman. J. A. The Mytilus edulis species complex in Southwest England: Effects of hybridization and introgression upon interlocus associations and morphometric variation. Bonde. Partial rRNA sequences in marine yeasts: a model for identification of marine eukaryotes. J. D. p 19-34. B. C... (1986). M... e Soulé. Capítulo 17 . Math. Biotechnol. Domning.E.E. M. Weatherhead P. Mol.E. Introdução ao uso de marcadores moleculares em análise genética.A. Garcia-Rodriguez. Conservation and Evolution. 6:1123-1132. (1994).E. Massachusetts. A. B. Cambridge University Press. 1:175-186. 1:69-70.R.. M. A. M. Sarsia 71:247-257. e Timms.A.P. H. (1994). Morales-Vela. (1986). G. Embrapa/Cenargen. 36:381-393. Phylogeography of the West Indian manatee (Trichechus manatus): how many populations and how many taxa? Mol. Franklin. Geller. Mol. K.W.J. Genetic analysis of populations of threatened snake species using RAPD markers. Biochem.A.. Biol. (1998). Conservat. P. Norway. Finke. Mignucci-Giannoni. Genetic structure of populations of the threatened eastern massasauga rattlesnake.V. Sistrurus c catenatus: evidence from microsatellite DNA markers. P. Prior. (1999). R. e Johnson G. e Powers.E. Prior. R. 7:1137-1149.36 Fell. S. Genet. Statzell-Tallman. e Jetschke. Mol. R. Gibbs.. H. P. J. Mar.T.. E. Mar.J. (1996). in oil-polluted and non oil-polluted water. In: Soulé M. e McGuire. Phascolarctos cinereus. Lutz. M. P.H.P.L. e Grattapaglia. e Weatherhead. O. e Garner.A.) from Oslofjorden. Fevolden. (1997). I. Rudin. (ed) Conservation Biology: the science of scarcity and diversity. Minimum viable populations: proceses of species extinction. e Frankham. (1996). Ecol. S. Biol. Biol.P.I. Gardner. (1998).

(1998). Can. Merino. Grandjean. Holland. Ecol. Evolution 52:194-199. Molecular genetic analysis of populations. 76:1134-1140.W. V.. e Parker.M. The genetic control and consequences of kin recognition by the larvae of a colonial marine invertebrate. M. Leonard. R. Genetic evidence for a Hyalella species complex within the Great Lakes St Lawrence River drainage basin: implications for ecotoxicology and conservation biology. 89:415-426.R. DNA studies reveal processes involved in the spread of the new world African honeybees.A. New York. Hogg. Acad. e Quinn. D. Genetics of marine bioinvasions. (1998). 10:121-126. Nature 322:456-459. BrumZorrilla. A. de Lafontaine.. (1992).. Grant. N.C.F. Belthoff. Haig. Larose. (1999). (1997). no prelo. Mitochondrial DNA variation in four British populations of the white-clawed crayfish. Evolution 47:185-194. Haig. e Watson. 88:4548-4552. C. Cambridge University Press. Hamrick J. (1991). K. Duarte J. R. e Wayne. Examination of population structure in redcockaded woodpeckers using DNA profiles.E.W. G. Vila.R. R.T. I.G.H. IRL Press. e Allen. New York.K. Zool. e Bowen. Haig. Hydrobiologia. B...M. 7:1071. Orr. Hallegraeff. Avian conservation genetics.M. p 160-189. H. C. (1998). (1992). Aquat. Double. R. Distinguishing African and European honeybee matrilines using amplified mitochondrial DNA. B.J. Oxford. M. (1993). (1991). Hall. 7:47-56. S. Capítulo 17 . SoutyGrosset.M. A DNA test to sex most birds. Fla Entomol. March 23:23. Heywood. MHC variation in the endangered Gila topminnow. Nat. e Holdich. In: Avise J. S.M. Molecular contributions to conservation. D. K.G.37 Gonzalez..M. Hamer.R.. e Dawson. Shallow population histories in deep evolutionary lineages of marine fishes: Insights from sardines and anchovies and lessons for conservation. Ecology 79:413-425.C. (1998).K.. e Smith. (1998). Mol. (1998).S. P.G. Resourc. J. (1996). Grosberg. Maldonado..M. Hall.B.. e Doe. S. e Avise. Austropotamobius pallipes: Implications for management. D.G. Liv. Y. J.S. Sci. J. A review of harmful algal blooms and their apparent global increase. Mol.H. Conservation genetics of the endangered Pampas deer (Ozotoceros bezoarticus). W. 75:51-59. C. Proc. Hoelzel.L. J. Toxic hitchhikers conquer the world's oceans. Global biodiversity assessment.. Ecol. M. K. J. Griffiths. J. F. USA. (eds) Conservation genetics. Hered. New Sci. (1996)..D. (1986).C. Chapman and Hall. S. H. Phycologia 33:79-99. (1993). J. Hedrick. R..

In: SoléCava A. (1988). e Pullin. Integrating molecular techniques with field methods in studies of social behavior: A revolution results. W. p 317-321. J.M. A. Hughes. Zegers. D. e Solé-Cava. Papilio machaon in Broadland. Biological control of marine pests.e Klein. Hughes. A.C. N. (1999). Nature 335:167-170. Molecular genetic analyses of species boundaries in the sea. Joyce.G. Ecology 79:383.. e Nei. K. Klautau.J. Kuris. e Gupta. Krca. F. 7:491-514. Zo. e Thorpe J. Genetics and demography in biological conservation. e Costa. Amsterdam. Taylor.H. N. 89:293-299. Kurelec.P. Evolution.D. (1999). Meyer. (1997). (1988).. 62:3112-3120.. 10:48-59.A. Pattern of nucleotide substitution at major histocompatibility complex class I loci reveals overdominant selection. Environ. (1989). R.M..S. A. W... (eds) Marine Genetics. (1998). e Kim.. Sibling species in the sea. A. S. Syst.. J. UK and implications for conservation. Low genetic variability in the Hawaiian monk seal. D.A. Mayer. (1992a) Maintenance of MHC Polymorphism. A. Russo C. D. Lazoski. Gilmartin.. Knowlton. Boury-Esnault. (1996). N. M. in press. Lande. A. Kluwer Academic Publishers. A. e Nei. Conserv. Lafferty. D... Ecology 77:19892000. Conserv. B...11:482-490. M.. M.M. R. Biol. Science 241:14551460.. Mol.C. Y. Genetics 132:863-864. (1992b) Models of host-parasite interaction and MHC polymorphism. no prelo. G.38 Hoole.P. Annu.R. Stegeman J.M.P. Russo. C. A. 24:189-216. S. Figueroa. In: Moore M. Evol. M. B. S. Different modes of MHC evolution in primates. e Kuris. DNA adducts as biomarkers in genotoxic risk assessment in the aquatic environment. Rev. Mol. (1999). C. Evolutionary relationships of class II major histocompatibilitycomplex genes in mammals. Klein. O'hUigin. Lee. M. Biol.N. Microbiol. Nature 355:402-403. e Nei. Nonradioactive method to study genetic profiles of natural bacterial communities by PCR-single-strand-conformation polymorphism. Knowlton. J. Garg.G.B. Does cosmopolitanism result from overconservative systematics? A case study using the marine sponge Chondrilla nucula. Fain.F. Capítulo 17 . Biol. Appl. e Nei. A review of patterns and causes of crustacean brood mortality. (1993). Hughes. C. (1996). (eds) Responses of Marine Organisms to Pollutants. A..P. C. A. (1990). Kretzmann. Hughes.E. Crust.. Issues 7:117-141.. (1993).M. Biol. Thorpe. Ecol. (1991). Hughes. Estimates of gene flow between populations of the swallowtail butterfly. Evol. M.J.

39 Lessells. H. Menotti-Raymond.C. Mitton. Reed. Sci. Genet. e Yoshida. J. Leach. (1985). S. Hamrick J.M. T.E. (Decapoda: Astacidae) in Switzerland. 60: 118-129. (eds) Conservation genetics. Biol. Claluna. Biol.. A. M. Matsuhashi. Sex identification of South American Parrots (Psittacidae. Duarte. Chapman and Hall.. Bioscience 44:666-676. 19:81-102. (1996). Lynch. The genetic basis of evolutionary change. e Marsden. 90:3172-3176. M. e Lambert.L. (1989).T. Mutation accumulation and the extinction of small populations. (1992). J. p 471501. Population genetics. Lortscher. M. (1997).15. T. e Mateman. D.. Mano.. 82:81-86. 1829). Nunes. E. R.J. Evolution 43:794-802.. Population differentiation and racial admixture in the africanized honeybee (Apis mellifera L. New York.L. Lewontin. Caparroz.A. E. Captive management and molecular sexing of endangered avian species: an application to the black stilt Himantopus novaezelandiae and hybrids. M.. C. W.C.. J.L. Ecol. A.V. Miyaki. (1994).P. 5:47-61. based on allozyme data.A. e Mestriner. Del Lama. Columbia University Press. (1997).L. Evol.L.D. Malacol. The phylogeographic pattern of mitochondrialDNA variation in the dalls porpoise Phocoenoides dalli. (1999). Genetic differentiation in and management recommendations for the freshwater mussel.. 146:489-518. Mol. J. Exotic Species and the Integrity of the Great-Lakes . Microevolution of the mitochondrial DNA control region in the Japanese brown bear (Ursus arctos) population. Auk 114:516. C. e Herrmann. C. e Scholl. Natl. Sci. M. (1974). May. Mol.Y. e Secor.M. Annu. Sci. M. (1998). J.J.M.. e Wajntal. Aves) using the human minisatellite probe 33. Genetic population structure of Austropotamobius pallipes (Lereboullet 1858). e Bermingham. Fish. M. Am. USA. (1996). Millar. C. Can. Ecol.C. J.. McMillan. R.. A.. New York. Halverson. (1995).C. (1996).. A quantitative-genetic perspective on conservation issues. Bull. Lobo. R..E. A. Capítulo 17 . S. Conery. Nat. 16:676-684. Rev. In: Avise J.). Acad. Proc. 7:187. C. J. e O'Brien. Lewontin. Mills. Mol. M.O. Pyganodon grandis (Say. Genetic identification and implications of another invasive species of dreissenid mussel in the Great Lakes. (1998). B. Lynch.H. Sexing birds using random amplified polymorphic DNA (RAPD) markers. Am. Aquat. R.M. Dating the genetic bottleneck of the African cheetah. (1993). 13:1-2. Aquat. e Burger R. Liu.C. 49:15011506. Carlton. J. J.A. Conservat.B.Lessons From the Past.B. Masuda.

P. Ecology and living resources biological diversity.. S. In: Avise J. 13:121-177. D.C. Evermann. L. Pop. W. M.E. D. e Woodruff. R.. Neigel. Rev. E.C. L.B. Janczewski. Nat. O'Brien. Acad.. Washington. J. DC. Theor. O'Brien. (1997).. (1996). 91:5748-5755. Biol. L. D. p 50-74. A. C. Mundy. New York. C. Zoo Biology 17:415.E. Sex identification of parrots. Merril..M.. and curassows by PCR: Perspectives for wild and captive population studies. C. Council on Environmental Quality. M. Molecular evolutionary genetics. Packer.J. Extensive genetic divergence between populations of the common intertidal sea anemone Actinia equina from Britain. (eds) Conservation genetics.A..Y. 5:463-472. Marker. (1978)..E. Pereira S..A. D.40 Miyaki. Ecol. Genetic variation in natural populations: patterns and theory. J. Sci. S. Winkler. Mol. e Miller.A. D. S. Columbia University Press. R. Ecol. e McManus. M.M.J. Roelke. M. (1973).F. Norse. USA. Mol. J. A role for molecular genetics in biological conservation..S. E. Winchell.. Hamrick J. J. J. M.. (1994). Monteiro. K. M. (1996). (1980). Mar. D..J. RAPD analysis reveals low genetic variability in the endangered light-footed clapper rail. Miththapala. Acad. S. Newman.. Fleischer.E. e Wildt. Sci.S.. Conservation genetics of the felidae. Natl. F. Meltzer. New York.A. A. N. Biol. Proc. Colly. e Bush. J. Nahum. Nei.M. e Wildt. Gilbert.. Capítulo 17 .. toucans.. (1997).S. 6:29-37.L. Bush.R. Solé-Cava. Goto. Johnson. O'Brien. Science 227:1428-1434. 28:105-128. Orr. (1983). S.. O'Brien.A..A. Goldman. USA. Wildt.. Ledig. 70:3321-3323. Nei. C..E. M. (1985)... The cheetah is depauperate in genetic variation..J. Genetic differences between the endangered San Clemente Island loggerhead shrike Lanius ludovicianus mearnsi and two neighbouring subspecies demonstrated by mtDNA control region and cytochrome b sequence variation. D.E. D. Martenson. Griffiths. the Mediterranean and the Cape Verde Islands. Chapman and Hall. D. Bush. Annu.. Syst. (1987)... M. (1998). Analysis of gene diversity in subdivided populations. A comparison of alternative strategies for estimating gene flow from genetic markers. C. e Thorpe. R. Nusser. Proc. In: Council on Environmental Quality (ed) Environmental Quality: The eleventh annual report of the Council on Environmental Quality. Nevo. R. Roelke. L. (1997). e Wajntal A.I. Science 221:459-462. Ecol. Genetic basis for species vulnerability in the cheetah.. Pecon-Slattery. 129:425-433.

(1997). Carlton. Biol. Pusey. e Cipriano... J. Mar. Nature 351:562-565..F.A. Schug. Species identification using genetic tools: The value of nuclear and mitochondrial gene sequences in whale conservation. Use of mtDNA direct polymerase chain reaction (PCR) sequencing and PCR-restriction fragment length polymorphism methodologies in species identification of canned tuna.. Biol. (1999). Snow. (1996). 87:31. 13:52. Harpoons fly in whale wars .. Interspecies transfer of female mitochondrial DNA is coupled with role-reversals and departure from neutrality in the mussel Mytilus trossulus. Quesada.. e Mackie. (1998). e Wajntal. e Skibinski. P.C. e O'Brien. J. C. J. M.E.B. S. 262:51-56. J.E. R. M. Mar. I. S. G. Local genetic structure in red grouse (Lagopus lagopus scoticus): evidence from microsatellite DNA markers. D. (1999). Perrin.C. J... S. Perdices. Fish Biol. R.D.. Bacon. Kinship.. Ser. no prelo.P.C.F.K. (1998). Capítulo 17 . Machordom A. Quesada. Rev. Mol. J. Wenne. Food. R. Thorpe. Pryde.. Rehbein. I. (1995). Extra-pair paternity in birds: explaining variation between species and populations.G. What molecules can tell us about populations: Choosing and using a molecular marker. B-Biol.M. (1998). Quintero. Pierce. A. R.L. A.reply. (1999). Ecology 79:361-382. e Doadrio. Evol. Proc. Ecol. H. Palumbi.. Actinia equina: a genetic role model and reproductive enigma. Lond. Chem... Ballast water as a vector for tintinnid transport. Petrie. Prog.W. ReyMéndez. Hered.I. Mol. 89:459464. Evol.F. F.. Peréz-Martin. Differential introgression of mitochondrial-DNA across species boundaries within the marine mussel genus Mytilus. e Skibinski. J.. A. 49:1112-1127.M.R.A.G. Oceanogr. Carlton. H.O.41 Packer. 46: 1662-1669. e Solé-Cava. F. Pereira. (1998). I.B. M. H. M. Soc. A. A. D. e Cipriano. S.D. Ann.. Wenne.. J. e Dallas. 7:1645-1654. (1998).B. Agric. Ser. Ecol. Palumbi. Sci. P. 149:295-297. D. Trends Ecol. R. Piertney. co-operation and inbreeding in African lions: a molecular genetic analysis.A.T. Gilbert. Medina. S. MacColl. Allozymic variation and relationships of the endangered cyprinodontid genus Valencia and its implications for conservation. Biol. S. Conservat. C. (1999). (1991). A. Aves) in reforested areas in Brazil: assessment by DNA fingerprinting. Reintroduction of guans of the genus Penelope (Cracidae.. P. e Fuerst.A. Sotelo. e Geller.J.J. Nature 398:366366.O. Booton. D. 16:655-665. Parker.

F. J. (1993). Rocha-Campos.M. Ag.R. M. (1999). E.. (1996). T. Rehbein. Extinction by hybridization and introgression. Schonewald-Cox. Mitochondrial-DNA restriction fragment length monomorphism in the Italian wolf (Canis lupus) population. Food Chem. W. D.L. e Dochoda.W.W. Zool. e Dixon. Food Agric. 27:83-109. J. Biol. Chambers. 76:1622-1627. Randi.. Hopper. B. e Baidoun. (1994).F. 173:4371-4378. (1996). J. S.. J. J. Schmidt.J. G. MacBryde. e Pace. M. Ryman. The ship as a vector in biotic invasions.C. C.R. (Rhodophyta: Gigartinales) in the Hawaiian Islands and its utilization by the green turtle. e White.. 88:321-331.. (1996). Rolleke. Population differentiation in the franciscana (Pontoporia blainvillei) from two geographic locations in Brazil as determined from mitochondrial DNA control region sequences. Wawer. F. S.D. (1997). Sci. G. Annu.Y.. Secchi. Environ Microb. 33:97-100. Oct 1990:18-22. J. Digest. N. Application of PCR-SSCP to species identification of fishery products. Bacteriol.. Genetics and conservation. Muyzer. Syst..H.. Syst. Jezierski. e Lubitz. E. Authentication of canned tuna and bonito by sequence and restriction site analysis of polymerase chain reaction products of mitochondrial DNA. B.M.. J. Mar. Randi. G. G.. Chelonia mydas L. Benjamin/Cummings. London. Washington University Press. Population genetics and fishery management. H. Agric.. V.. e Schmidt. e Thomas. L. Conserv. Analysis of a marine picoplankton community by 16S rRNA gene cloning and sequencing. California. M. (1987). F. e Utter.N. DeLong. Bot. Evol. Rev. C. Russell. Francisci. Rossetto. T. S.. 62:2059-2065.L. J. D. Carlton. (1991). Res. Identification of bacteria in a biodegraded wall painting by denaturing gradient gel-electrophoresis of PCRamplified gene fragments coding for 16s ribosomal-RNA. Rhymer. 47:3-60. Wanner. N. Heredity 71:516-522. J. Murray. Colonization by the alien marine alga Hypnea musciformis (Wulfen) J. Capítulo 17 . Eng.M. (1995). Kress. F. Ram.T. Zool. e Lucchini.M. 74:35-41. 44:2460-2467. Lucchini. Aquat. (1990). Appl. Wang. e Francisci.42 Ram. G. Conservation genetics and clonality in two critically endangered eucalypts from the highly endemic south-western Australian Flor.. B. Allozyme variability in the Italian wolf (Canis lupus) population.F. (1983).. e Simberloff. J. V. (1998).e Balacz. Menlo Park. E. Schormann. C. Can. E.R. K. Ecol.

Thorpe J.. Webb. Syst. e Russo. Solé-Cava. A. Techniques and statistical data analysis in molecular population genetics. Conserv. J. Genetics 149:1945-1957.).E. In: Soulé M. Slade.J. 44:65-80. Sinclair. Solé-Cava. Biochemical evidence for a third species of angel shark (Squatina) of the East coast of South America. Physiol.. A.M. A measure of population subdivision based on microsatellite allele frequencies. D. Sinauer Associates. Soc. (1978). A. Vasculhando as cinzas. A. Ecol. Moritz. e Beardmore. J.M.R.M. Ecol.D. N.M. Skibinski.. Thresholds for survival: maintaining fitness and evolutionary potential. Hoelzel. R. Biochem. Slatkin. W. (1999). Program Rep. C.. Russo C. 15:135-144. Biol. (1987).G. Genetic evidence for naturally occurring hybrids between Mytilus edulis and Mytilus galloprovincialis. 76:45-50. (1991)..P. no prelo.A.A. San Francisco. Genetics 139:457-462. M.W. Solé-Cava. 38:225-229. A. Ann. Freeman and Co. e Thorpe. Biometry: the principles and practice of statistics in biological research. A. J.P. p 111-124. In: van Soest R..G. Comp. e Rohlf. Solé-Cava. Linn. (1995).J. Slatkin.R. Kluwer Academic Publishers. Amsterdam.. (1993). C. Soulé. Wilcox B. Rotterdam.A. (1998). Ecol. Balkema. H.M.P.M. (eds) Sponges in Time and Space. E.C.. M.W. Ahmad.A.. e Levy. Sea Grant Coll. A.H. Massachusetts.A. Silva. Sunderland. Isozymic differentiation of two sibling species of Squatina (Chondrichthyes) in South Brazil. Evolutionary genetics of marine sponges. Genetic structure of red king crab populations in Alaska facilitates enforcement of fishing regulations. Kruse. 90:91-102. J. Further genetic evidence for the reproductive isolation of green sea anemone Actinia prasina Gosse from common intertidal beadlet anemone Actinia equina(L. Biol. Braekman J. (1987).. Syst. (1980).H.O. Capítulo 17 . p 55-63.R. C. A. e Burton. J.. E.M.. J.M. Solé-Cava.A.R. (eds) Conservation Biology: An evolutionaryecological perspective. (1994). High levels of genetic variation in natural populations of marine lower invertebrates. L. G. e Levy. (1996). (1995). (1985).P. Evolution 32:354-364. Molecular population genetics of the southern elephant seal Mirounga leonina. Marchant. Biochem. J. Prog.43 Seeb. M. R.M. 75B:354-358.. Vooren. R. 16:393-430.M.M. Ser. Rev.E. Alsk. e Weck. Bioletim 1:26-27. van Kempen T. Solé-Cava.E.M. Genetic variation in the little red flying-fox Pteropus scapulatus (chiroptera: pteropodidae): implications for management. A..P. (1983). (1990).W. A. e Thorpe. Sokal. Gene flow in natural populations. M. Seeb. Mar. e Tidemann. J. In: Solé-Cava A.A. (eds) Marine Genetics. F. e Thorpe.F. C.

. 46:921-930. Freshw.. In: Solé-Cava A..M. M. Invasion of Hawaiian shores by an Atlantic barnacle. Capítulo 17 .P.K. Allozyme and mitochondrial DNA separation of Pacific northern bluefin tuna. J. (1997). Massachusetts. N.. J. Aust. (1994). e Cook. P. e Matson. (eds) Conservation genetics.G. P. Thunnus maccoyii (Castelnau).A. Evolution 41:385-400.K. Thorpe J. J.M. Southward. R.A. e Wilcox. Ser. (1995).A. Kluwer Academic Publishers. W. (1998).S. Zool. P.M. Elliott.A. Molecular genetics and the management and conservation of marine organisms.J. Sweijd. no prelo.. Burton. Kluwer Academic Publishers. no prelo. Russo C.M. e Watts.. Bowie. The use of allozyme electrophoresis in invertebrate systematics. (1998). A.. (1999). R.C. Hamrick J. e Solé-Cava. (1996). London 264:89-94. Udina. Lopata.M. (eds) Marine Genetics.P. P. R. (1998).R. (1986). e Thorpe J.M. Population structure of harbour porpoises Phocoena phocoena in the seas around the UK and adjacent waters. Ward. Shellfish Res.D..P. G.. R. A. (eds) Marine Genetics.C. e Lopata. Mar. S. 23:3-18. Ecol.M. P.A. 165:119-126. (1999). Amsterdam. Russo C. Thorpe. Scr. Dando. In: Solé-Cava A. Exploited marine invertebrates: genetics and fisheries. Waples. R. B. Sweijd.O. R. Hoover. Human appropriation of the products of photosynthesis.C. A. Marinaki.. (1987). P. DeFelice. Sinauer Associates.A. P. Coles. A multispecies approach to the analysis of gene flow in marine shore fishes. Parnell.L. A PCR technique for forensic species level identification of abalone tissue. M. Conservation genetics in the Canidae.K.. Ehrlich.. In: Avise J. Res.M. Evans. (eds) Marine Genetics. Ehrlich. e Newman.G. In: Solé-Cava A.L.D. Russo C. Ward..M. A. J.P. I. e Grewe. Amsterdam. P.M. Acta Theriol. Restriction fragment length polymorphism (RFLP) of exon 2 of the MhcBibo-DRB3 gene in European bison Bison bonasus. R. Conservation Biology: An evolutionaryecological perspective. Mar. Bowie.E. Yamaguchi. Vitousek..44 Soulé. A.P. Thorpe. Amsterdam. e Shaikhaev. from southern bluefin tuna. Genetics in fisheries management. Solé-Cava. Prog. no prelo.. Kluwer Academic Publishers.. N. J. 17:889-896. New York. A. p 75-118. N.A. R..S. Sunderland. 5:75-82.. Royal Soc.A. Walton. (1980). e Thorpe J. A.E. T.. Proc.M.L. Chapman and Hall. BioScience 36:368-373. Wayne.. B.C.L.. Thunnus thynnus orientalis (Temminck and Schlegel).J. (1999).

Recognizing the forest for the trees: Testing temporal patterns of cladogenesis using a null model of stochastic diversification. G.R. Systematics... K. with special reference to the effects of population size. D.. K. Yuhki. London. The use of (GACA)(4). C. S.P. Arnold..R. Q. Nat. 46:622-653. (1997). Biol. Distribution of genetic variation within and among Danish populations of Armeria maritima.D. (1987). Molecular systematics of the canidae.R. 7:779. D. I. (1996). J. the scientific basis for inventories of biodiversity. e Strobeck. Girman. H. K. 4:476-489. Mol.J. H.. Pusey.. Sauer-Gurth.. Koepfli. Nature 329:1751-1755. C. Proc.L. 87:836-840. (1990).E. L. M. Geffen.J. N. Joslin. Mol. M. E. Ecol. (1995).M. (1998). Genetics 16: 97-159. Weidema. (1978). Wollenberg.K. e Philipp. C. e Avise. Wright. Evol. D.E. F. Wheeler. Goodrowe. M. J. e O'Brien. Blanco.45 Wayne. Packer. Sci. Reproductive and genetic consequences of founding isolated lion populations..A. Brown. e Hatzofe. J. e Marshall. The University of Chicago Press. (1999). Wildt. Evolution in Mendelian populations. Syst. (1996). P.C. Lau. Capítulo 17 . DNA variation of the mammalian major histocompatibility complex reflects genomic diversity and population history. A... Wright. Acad. Conservat. Wilson. e O'Brien. G. Bush. R.J. G... Wink. Biol.L. O. PCR to sex Old World vultures (Aves : Accipitridae). Biodivers. Genetic variation within and relatedness among wood and plains bison populations.. Siegismund.. Martinez. Evolution and the genetics of populations.. S. 13:833-849. S... Hereditas 124:121-129. (1931). Genome 42:483-496. S. USA.

46 Capítulo 17 .