MANEJO ROTACIONADO DE PASTAGENS

Nas regiões tropicais, a produção animal é, praticamente, dependente de pastagens. No trópico brasileiro, a evolução do tempo tem mostrado uma crescente mudança das pastagens naturais para as cultivadas, como se verifica no Estado de São Paulo, o qual apresenta cerca de 80% de sua área de pastagens ocupada pelas cultivadas. Tradicionalmente, nas regiões do Brasil a exploração das pastagens naturais é feita de forma extrativista, proporcionando dessa maneira, a degradação progressiva da pastagem. Em decorrência disso, observa-se uma busca contínua de “novas” e até “milagrosas” gramíneas forrageiras para substituir aquelas que foram utilizadas, sem no entanto, preocupar-se em corrigir os problemas que levaram à queda da produtividade da pastagem. Provavelmente, os problemas estão na fertilidade dos solos e no manejo das pastagens. No Brasil, os solos sob pastagens apresentam sérias limitações de fertilidade. Os teores das bases trocáveis, Ca, Mg e K, e os de P são baixos e os de Al trocável e de Mn disponível são elevados. Dessa forma, a adubação apresenta efeito marcante sobre a pastagem, melhorando o ganho/ha e, principalmente, a sua persistência, mesmo para as espécies adaptadas à baixa fertilidade do solo. A importância dos elementos essenciais para o estabelecimento das plantas forrageiras em ecossistemas de pastagens e para a sua produtividade tem sido amplamente demonstrada. Em particular, nas condições tropicais, cuidados especiais com a correção da acidez do solo, com o fornecimento de cálcio e de magnésio e com a carência de fósforo constituem-se recomendações usuais na fase de implantação das pastagens, enquanto que um suprimento adequado de nitrogênio, potássio e enxofre é necessário para a manutenção da produtividade das pastagens. A obtenção de altas produções de massa seca com satisfatório valor nutritivo e a manutenção do vigor e da perenidade da pastagem constituem o objetivo do manejo racional de pastagens. A seguir discutiremos alguns métodos de utilização de pastagens. O método de pastejo contínuo é caracterizado pela presença dos animais em determinado pasto o ano todo. O pastejo contínuo proporciona maior ganho de peso aos animais decorrente da oportunidade de seleção da pastagem. Todavia o pastejo contínuo apresenta várias desvantagens: a) o pastejo seletivo é prejudicial as pastagens, pois ocasiona o super pastejo das partes das plantas mais palatáveis alterando o crescimento da pastagem; b) a distribuição de excreções é irregular; c) excesso de pisoteio em determinadas áreas como bebedouro, cocho de sal, perto da porteira e áreas com sombra; d) a produção por área é menor; e) não é adequado para capins de hábito de crescimento ereto (por exemplo capim tanzânia). No método de pastejo rotacionado a pastagem é subdividida em piquetes, que são ocupados periodicamente pelos animais e a seguir permanecem por um certo tempo em descanso. Sendo assim, temos um aproveitamento mais uniforme das pastagens; redução ou eliminação do pastejo seletivo; permite total recuperação das pastagens pastejadas; efeito menos pronunciado do pisoteio pelo animal; áreas menores os animais gastam menos energia andando e uma melhor distribuição das dejeções. O resultado prático já pode ser observado em várias fazendas que começaram a utilizar tal método, aumentando em 25% a sua produção sem adubação nitrogenada. O método de pastejo Voisin não é recomendado para as nossas pastagens tropicais porque está fundamentado em apenas explorar as reservas orgânicas e por isso não funciona com capins tropicais, devido a fisiologia dos capins tropicais e também porque não há reposição da fertilidade do solo. As pesquisas mais recentes demonstram que as reservas orgânicas não é o mais importante para a rebrota da pastagem, isto é, outros parâmetros são mais importantes como resíduo de área foliar e nível de fertilidade do

t 1. durante o verão.30 440.10 m de altura) e limitados. Dr. tendo como resultado uma produtividade de 10. pois esta pode ser uma alternativa para muitos produtores que possuem esta pastagem em sua propriedade e que não exploram o seu potencial total de produção. Eng.63 Prod. o que obriga ao produtor planejar adequadamente a alimentação de seu rebanho.50 38. Agr.00 12.00 4. Com este manejo.75 119.00 9.20 1.00 0. esta área é suficiente para 50 vacas em lactação (5. externamente.71 Total 62.0 unidades animais/ha (1 unidade animal equivale a um bovino de 450 kg de peso vivo).25 . especialista em Manejo de Pastagens e José Arlindo de Camargo Pacheco. 0. as perdas a serem consideradas são de 30% e. Carne 1.25 0. uma lotação de 12 bezerros por hectare.00 Total 34. _______________________________________ Cecilio Viega Soares Filho.00 Manutenção (R$/ha/pastejo) Anual ( 4 adubações) (R$/ha/ano) Custo da Calagem (a cada 2 anos) Insumo Calcário Calagem (Vicon) SUBTOTAL Unidade t h/ha Quant.00 2.00 160. aliada ao bom desempenho individual.36 15.24 Custo @ prod.20 Prod.000 litros de leite/ha. um exemplo de manejo rotacionado do capim Tanzânia. produzindo em média 10 litros/cab/dia. Agr. A seguir.00 Custo kg leite 0.solo.50 unid. Custo de Formação (R$/ha) Insumo Calcário dolomítico Super simples Análise solo Cerca elétrica Sementes .00 90. Calcula-se que apenas 15% da produção total do capim aconteça neste período. especialista em Economia Rural são Professores do Curso de Medicina Veterinária Preparo do solo e Semeadura Aração Gradeação Calagem Semeadura/adub. o período de pastejo no verão é de novembro a abril.30 67. O sistema de pastejo adotado será com período de descanso de 35 dias e período de ocupação de 1 dia em cada piquete. tem resultado em produtividade ao redor de 1.25 Total 316. A produção anual de matéria seca é de 25 t/ha.296 kg de PV/ha. onde os animais têm livre acesso ao saleiro e ao bebedouro.296 kg PV 1. pela cerca de arame liso. sendo possível obter.036. Eng. a canade-açúcar. 1.0 m 478 kg 10 Total 34.00 Calagem 19.500 m2 (9. A alta lotação animal equivalente a 6. como por exemplo.00 321.80 Custo kg PV R$ 0. durante esta época do ano.71 Custo de Formação (R$/ha/15 anos) Manutenção a cada pastejo de verão Insumo 20-05-20 Adubação(Vicon) SUBTOTAL Unidade t h/ha Quant.0 t 0. durante o verão.70 e 1.032 Preço da carne = R$ 0.38 Manutenção 268. 1. Para bovinos de leite. É importante informar que a adubação de manutenção apresentada deve ser dividida e realizada logo após cada pastejo. R$ 7.25%VC SUBTOTAL Unidade Quant.00 CUSTO/BENEFÍCIO PARA BOVINOS DE CORTE E BOVINOS DE LEITE R$/ha/ano Despesa Receita bruta Formação 29.00 0.5 vacas/ha). SUBTOTAL h/ha h/ha h/ha h/ha 4.50 4. a pastagem tem se mantido produtiva.80/ kg PV Preço do leite = R$ 0.00 268. O método Voisin não é sinônimo de pastejo rotacionado como muitos pecuaristas pensam.000 l leite 2. Os cálculos foram feitos considerando 36 piquetes de 2. com média de peso vivo de 230 kg e ganhos de 600 a 700 gramas/dia/animal.50 Custo Anual (R$/ha/ano) 19.60 34. Na estação seca é recomendável a utilização de suplementação volumosa de inverno.50 67.000. Deve ser reservado uma área central.20/ litro leite. de novembro a abril.85 57. MSc.00 28. Leite 10.0 ha) separados pela cerca elétrica de 2 fios (0.

cecílio@fmva.unesp. . SP.da UNESP .Campus de Araçatuba.br. Fone 36363289.

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