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ART 30 Nº1 CP: CONCURSO DE CRIMES:

FALAMOS DE CONCURSO QUANDO = PODE ACONTECER QUE A

CONDUTA DE UM ÚNICO AGENTE PREENCHA OS ELEMENTOS TÍPICOS

DE VÁRIOS CRIMES. (PLURALIDADE DE TIPOS CRIMINAIS)

! Concurso EFETIVO ( + art. 77 CP: aplicamos

a pena única conjunta)

! Concurso Aparente – NÃO É UM CONCURSO DE

CRIMES, É UM CONCURSO DE NORMAS. (aplicamos a pena

do ilícito dominante)
! 1º PASSO DE RESOLUÇÃO: Mostrando-se violado mais do

que um tipo de crime, importa começar por perguntar se nos

encontramos perante um concurso de normas. (CONCURSO

APARENTE)

! Só quando se concluir que uma das disposições

abstractamente aplicáveis não faz recuar a outra ou outras é

que surge a questão da aplicação de todas ao caso concreto,

por todas se encontrarem em relação de concurso efectivo.


! CONCURSO EFETIVO: Assenta na PLURALIDADE DE TIPOS/BENS

JURÍDICOS VIOLADOS ( CRIMES QUE PROTEGAM BENS JURÍDICOS

DISTINTOS) pela conduta do Agente. + na definição de concurso de crimes, não

basta o elemento da pluralidade de bens jurídicos violados " Exige-se a

PLURALIDADE de JUÍZOS DE CENSURA, Traduzido por uma PLURALIDADE

DE RESOLUÇÕES AUTÓNOMAS (de resoluções de cometimento dos crimes:

em caso de dolo ; de resoluções onde derivam as violações do dever de

cuidado, em caso de negligência)

NÃO SE ESTÁ NA PRESENÇA DO MESMO CRIME, EMBORA

SE ESTEJA EM PRESENÇA DA MESMA AÇÃO DELITUOSA.


DENTRO DO CONCURSO EFETIVO, É COSTUME

DISTINGUIR-SE ENTRE:

p. 484

! CONCURSO IDEAL: Mediante UMA SÓ AÇÃO/MESMO

FACTO se viola vários bens jurídicos protegidos por

diversas incriminações DIFERENTES TIPOS ou se

viola VÁRIAS VEZES o MESMO TIPO

! sendo a acção exterior uma só, a manifestação da vontade


do agente, quer sob a forma de intenção quer de
negligência, tem de ser plúrima: tantas manifestações de
vontade, tantos juízos de censura, tantos crimes.

! uma acção, duas manifestações de vontade, dois juízos de


censura, dois crimes: um de dano, outro de ofensa à
integridade física.

A disparou um único tiro e com ele atingiu duas pessoas. A tomara a


resolução de matar B, o que veio a acontecer, preenchendo a sua
conduta, desde logo, o crime de homicídio doloso (artigo 131), pelo
qual pode ser censurado. A não previu que C poderia ser atingido; não
actuou quanto a ele com dolo homicida nem com dolo de ofensa à sua
integridade física. Ainda assim, A pode ser censurado pela sua falta de
cuidado: não previu, mas devia e podia ter previsto que C iria ser
atingido, tornando-se responsável por um crime de ofensa à integridade
física por negligência (artigo 148 Nº 1) — em concurso efectivo com o
anterior: um único disparo produziu os dois eventos, a morte de um e as
lesões corporais no outro, ofendendo interesses jurídicos de B e de C. A
essa actuação corresponde um juízo de censura na forma de dolo, outro
na forma de negligência inconsciente —por isso se verifica o concurso
efectivo de crimes (concurso ideal).
! CONCURSO REAL : PLURALIDADE DE AÇÕES : O Agente

pratica VÁRIOS ATOS que PREENCHEM

AUTONOMAMENTE VÁRIOS CRIMES ( VIOLA vários bens

jurídicos protegidos por diversas incriminações)

EXEMPLOS:

• PERGUNTA CEJ: um homem entra numa ourivesaria, rouba ouro, dá um tiro

ao dono da loja e põe- se em fuga. Faça o enquadramento jurídico-penal

desta questão.

• O bem jurídico protegido com a punição do crime de condução perigosa de

veículo rodoviário do artigo 291 do CP é a segurança do tráfico rodoviário;

verifica-se concurso real dos crimes de condução perigosa de veículo

rodoviário e de homicídio por negligência, quando o arguido conduz com

violação grosseira das regras de circulação automóvel, resultando um perigo

para a vida de outrem e, com essa conduta, provoca a morte de outra

pessoa.

• Ainda que consumados através da mesma acção, existe uma situação de

concurso real entre os crimes de passagem de moeda falsa e de burla.

• Crime de roubo e detenção de arma proibida


CONCURSO APARENTE / LEGAL/ IMPURO:

o Rigorosamente aqui NÃO há concurso de crimes, mas

Convergência de Normas Jurídicas

o Em que a Aplicação de umas Normas EXCLUI a possibilidade de

Aplicação de outras.

o ILICITO DOMINANTE, que preside à pena, E UM ILICITO DOMINADO

algum impacto em sede determinação em concreto da medida da

pena.

 
PORQUE....

NORMAS JURÍDICAS A APLICAR ESTÃO ENTRE SI

EM RELAÇOES DE:

1. Especialidade:

o A um Tipo Especial ( art. 133 + art. 132) aplicável que já

incorpora pressupostos típicos do Tipo fundamental (art

131) , + e para além destes, contém pelo menos mais uma

característica específica que o especializa

o CONSEQUÊNCIA: NORMA ESPECIAL DERROGA A NORMA

GERAL: SÓ SE APLICA O TIPO ESPECIALIZADO.

o Exemplo: (homicídio qualificado e homicídio

privilegiado em relação ao crime de homicídio simples)


CRIMES COMPLEXOS E CRIMES SIMPLES QUE

ESTAO A TUTELAR OS BENS JURIDICOS QUE

FUNDAMENTARAM A EXISTÊNCIA DO CRIME

COMPLEXO:

Exemplo: CRIME DE ROUBO: Está numa relação de

especialidade com o crime de furto e crime de ofensa

à integridade física

Para F. DIAS: Concurso aparente, em relação de

especialidade, entre o homicídio e ofensa à

integridade física. – embora haja uma discussão uma

vez que o bem jurídico protegido não é o mesmo nos

dois tipos legais de crime.


o O artigo 134 (homicídio a pedido da vítima) é norma especial relativamente
à norma do artigo 131 (homicídio);

o O artigo 144o (ofensa à integridade física grave) é norma especial


relativamente à norma do artigo 143 (ofensa à integridade física simples);

o O artigo 152o, no 1, a) (maus tratos físicos ou psíquicos ou tratamento cruel)


é norma especial relativamente à norma do artigo 143o (ofensa à
integridade física simples);

o O artigo 160 (rapto) é norma especial relativamente à norma do artigo 158o


(sequestro);

o artigo 163 Nº1 (coacção sexual) é norma especial relativamente à norma do


artigo 154 (coacção);

o O artigo 163o, no 2 (coacção sexual) é norma especial relativamente à


norma do artigo 153o (ameaça);

o O artigo 164o (violação) é norma especial relativamente à norma do artigo


163o (coacção sexual);

o O artigo 223o (extorsão) é norma especial relativamente à norma do artigo


153o (ameaça) e do artigo 154o (coacção);

o O artigo 225o (abuso de cartão de garantia ou de crédito) é norma especial


relativamente à norma do artigo 217o (burla);

o O artigo 242o (destruição de monumentos) é norma especial relativamente à


norma do artigo 212o (dano);

o O artigo 259o (danificação ou subtracção de documentos) é norma especial


relativamente à norma do artigo 203o (furto) e do artigo 212o (dano);

o O artigo 278o (danos contra a natureza) é norma especial relativamente art. 212 (dano).
2. Consunção: O preenchimento de um tipo legal (mais grave)

esgota o desvalor contido/ consome já a proteção que o

tipo legal (menos grave) visa

CONSEQUÊNCIA: Por força do principio ne bis idem – SÓ

SE APLICA O TIPO MAIS GRAVE.

o Ao contrário do que sucede com a especialidade, a


consunção só em concreto se pode afirmar, através
da comparação dos bens jurídicos violados.

o EXEMPLO: (FURTO QUALIFICADO 204 Nº2 F) e

violação de domicilio 190)

A penetra por arrombamento na habitação de B e leva todas


as jóias do cofre: um crime de furto qualificado do artigo 204o,
no 2, e), ficando afastada a aplicação das normas dos artigos
204o, no 1, f), 190o e 212o.

A subtrai a carteira de B apontando-lhe para tanto uma pistola,


com que o ameaça — um crime do artigo 210o, no 1, ficando
afastada a aplicação das normas dos artigos 203 Nº1, e 153 Nº1
A, para se divertir e divertir os amigos, lança várias pedras na direcção de um
autocarro que naquele momento passa na auto-estrada, divertindo-o até a ideia
de atingir e mandar para o hospital qualquer dos passageiros que possa atingir,
o que vem a acontecer — as normas aplicáveis são a do artigo 293o
(lançamento de projéctil contra veículo) e a do artigo 143o (ofensa à
integridade física), mas só esta última acaba por ser aplicada.

violação de correspondência: para abrir uma carta fechada, ou


uma encomenda, que lhe não seja dirigida, o agente, por via de
regra, produz estragos em coisa alheia (artigos 194o, no 1, e
212o, no 1), mas se o fizer para tomar conhecimento do
conteúdo da carta o sujeito indiscreto será unicamente
sancionado pelo atentado à privacidade (artigo 194o, no 1: facto
principal), que só pode ser realizado produzindo danos no
envelope, i. é, mediante a realização do facto acompanhante.

o da falsificação material por rasura ou por um processo


semelhante que implique um dano no suporte documental. O
artigo 256o, no 1, alínea a), consome a norma do artigo 212o,
no 1.
P.478
(AC. STJ 11-02-2015, RELATOR: PIRES DA GRAÇA)
EXEMPLO: O crime de roubo consome o crime de
sequestro quando este serve estritamente de meio para a
prática daquele; é o que sucede, nomeadamente, quando
os arguidos imobilizam a vítima apenas durante os
momentos em que procedem à apropriação das coisas
móveis. O crime de sequestro, pelo tempo em que
demorou a prática do roubo, é consumido por este
(concurso aparente).
Após a consumação do crime de roubo, o arguido
juntamente com outros indivíduos, fecharam o ofendido
Concluiu-se que a privação da liberdade de movimentos
do ofendido ultrapassou a medida naturalmente associada
à prática do roubo, pelo que tal privação de liberdade não
é consumida pelo crime de roubo, porque ocorreu
posteriormente à prática da subtração violenta dos bens
móveis do ofendido. A duração da privação da liberdade
não foi necessária para a subtração que já tinha ocorrido,
mas sim, para que o agente se pusesse em fuga, tendo o
ofendido ficado fechado cerca de 10 minutos. Existe pois
um concurso real ou efectivo entre o crime de roubo e o
crime de sequestro.

O crime de roubo é, consabidamente, um crime


complexo, que tutela simultaneamente bens jurídicos
patrimoniais e bens jurídicos pessoais. Se na primeira
vertente se protege o direito de propriedade ou de mera
detenção de coisas móveis, na segunda tutela-se o direito
à liberdade pessoal, à integridade física e a outros bens
pessoais.
3. Subsidiariedade: certas NORMAS SÓ SE APLICAM

subsidiariamente, ou seja, quando o Facto NÃO É

PUNIDO POR UMA OUTRA NORMA MAIS GRAVE

Expressa “se pena mais grave não couber por força de


outra disposição legal” (violação domestica)

Implicita (art 271: só puno os atos preparatorios se não


puder a punir a tentativa ou o crime consumado) + crimes
de perigo e os crimes de dano ( por causa da condução
perigosa mata uma pessoa – puno a pessoa pelo crime de
dano e não pelo crime de perigo)
(exposição ao abandono e crime de homicide: só temos
concurso aparente se houver dolo de morte no crime de
exposição ao abandono)

No caso do autocarro, o atirar a pedra corresponde à


unidade factual, corresponde a uma só conduta, mas o
artigo 293o só se aplica ao arremesso de projéctil contra
veículo "se pena mais grave lhe não couber por força de
outra disposição legal". Se o projéctil, ao atingir o veículo,
causar danos ou ofensa à integridade física, este artigo 293
recua, deixa de se aplicar por força da própria lei
(subsidiaridade expressa): o concurso —concurso de
normas- é APARENTE " . O preceito do artigo 293o é
subsidiário se o projéctil atingir o veículo e dolosamente aí
causar danos ou lesões corporais num passageiro: as
disposições aplicáveis passam a ser as que previnem o
dano ou sancionam os atentados à integridade física, com
exclusão daquela outra infracção.
A norma que pune a ofensa corporal é afastada pelo
desenvolvimento posterior da lesão da vida,
OUTROS EXEMPLOS:

i) Artigo 150o, no 2 (intervenções e tratamentos médico-cirúrgicos);


ii) ii) Artigo 208o. no 1 (furto de uso de veículo);
iii) iii) Artigo 215o, no 1 (usurpação de coisa imóvel);
iv) iv) Artigo 292o (condução de veículo em estado de embriaguez);
v) v) Artigo 297o, no 1 (instigação pública a um crime);
vi) vi) Artigo 298o, no 1 (apologia pública de um crime);
vii) vii) Artigo 302o, no 1 (participação em motim);
viii) viii)
ix) Artigo 355o (descaminho ou destruição de objectos colocados sob o
poder público);
x) ix) Artigo 375o, nos 1 e 3 (peculato);

x) Artigo 379o, nos 1 e 2 (concussão);

xi) Artigo 382o (abuso de poder).

i) O artigo 148o (ofensa à integridade física por negligência) é norma


subsidiária relativamente à norma do artigo 143o (ofensa à
integridade física simples);
ii) ii) O artigo 158o (sequestro) é norma subsidiária relativamente à
norma do artigo 210o (roubo) quando a duração da privação de
movimentos não ultrapassar o objectivo da subtracção com violência
sobre a pessoa;

iii) O artigo 158o (sequestro) é norma subsidiária relativamente à norma do


artigo 164o (violação) sempre que a duração da privação de movimentos não
seja desproporcionada ao objectivo da violação; iv) O artigo 143o (ofensa à
integridade física simples) é norma subsidiária relativamente à norma do artigo
164o (violação) mas apenas na medida em que o uso da violência física não
seja desproporcionado ao objectivo da violação.

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