Curso de linguistica geral Resenha crítica

Curso de Linguística Geral é uma das obras mais importantes da história relacionada aos estudos da linguagem. Embasada por Ferdinand de Saussure, um dos maiores estudiosos nessa área, este livro foi lançado em 1916, postumamente pelos alunos de Saussure. Esses aprendizes fizeram uma compilação das obras do mestre a fim de construir uma obra que internalizasse as ideias geniais desse que foi um dos maiores responsáveis pela estruturação da linguística como ciência. Os temas e conceitos abordados por esse livro dizem respeito ao trabalho realizado por Ferdinand em estudar a língua como elemento fundamental da comunicação humana. Ele, por sua vez, faz uma divisão no seu campo de estudo, popularmente conhecida como dicotomias. Esse desmembramento serviu para clarificar os conceitos que ele tinha com relação à função exercida pela linguagem. Nesta obra as dicotomias são: língua x fala; significante x significado; sincronia x diacronia; sintagma x paradigma. Esta obra começa fazendo um panorama evolutivo da linguística, que teve três fases antes de encontrar o seu real objeto de estudo. Primeiro veio à gramática com a sua visão limitada e normativa da língua, impondo regras do que certo e errado na língua. Depois, surgiu a filologia que não tinha apenas a língua como objeto de estudo, mas também os textos literários, comentandoos e interpretando-os. Por último, a história da linguística chega à gramática comparada que, como o próprio nome já diz, faz uma comparação entre as línguas. Nessa fase temos o nome de Franz Bropp que em 1816 lançou uma obra intitulada de Sistema da Conjuração do Sânscrito, estudando as relações que uniam essa língua a várias outras como o grego,

germânico. Essa atitude exclusivamente comparatista acarretou uma série de conceitos errôneos em torno da linguagem. estuda os aspectos fônicos da língua. surgi à correlação entre ciências como a fisiologia que. Então. como ciência. merece menção a parte em que o autor começa a fazer comentários sobre os erros cometidos pela gramática comparativa. cumpre enfatizar. encontramos no segundo capítulo as tarefas da linguística e as suas relações com determinadas ciências. Na leitura dessa parte. latim e etc. que essas novas línguas pertenciam a uma mesma família. contudo. apenas estreita as relações do seu estudo para um melhor desempenho das teorias sobre a linguagem. mas foi ele que compreendeu que as relações entre línguas afins podiam torna-se matéria para uma ciência autônoma. que não enquadrou à história nos seus estudos sobre a língua. que em momento algum a linguística se dissocia da gramática normativa. analisavam a língua “não como um organismo que se desenvolve por si.12)”. A linguística. mas um produto do espírito coletivo dos grupos linguísticos (p. Diferentemente da filologia que tem seu papel definido como ciência e se distingue da linguística. . aparecem os questionamentos sobre o objeto de estudo da linguística. Bropp não foi o primeiro a assinalar. No desenrolar do texto fica cada vez mais evidente o interesse de Saussure pelo estudo da língua. No terceiro capítulo do livro. dando início ao surgimento dos neogramáticos. que por sua vez. não diferente da linguística. Ainda na parte introdutória do livro. É claro que para isso a linguística não poderá trabalhar sozinha. No desenrolar da obra.

nos próximos capítulos. fazer valer o argumento de que a faculdade natural ou não – de articular palavras não se exerce senão com ajuda de instrumento criado e fornecido pela coletividade (p. Enquanto a linguística limita-se em estudar apenas a linguagem humana. Ainda nesse capítulo. a linguagem é social e individual.pois. É interessante observar nesta parte da obra como os mecanismos que compõe a linguagem funcionam no dado momento da comunicação. continua traçando paralelos entre língua e fala. para ele. a semiologia vai além. Essa parte da obra é crucial. Na última parte desse capítulo surgi o debate em torno do signo linguístico. o entendimento do signo linguístico como uma entidade do conjunto que forma a linguagem é fundamental. estudando a dos animais e de toda e qualquer sistema de comunicação. Ainda sobre a semiologia cabe ilustrar a diferença existente entre ela e a linguística. por esta ser a matéria indissociável da linguagem.18)”. enfim. Por isso. pois. Saussure. Para reforçar esse argumento o autor coloca: “Para atribuir à língua o primeiro lugar do estudo da linguagem podese. fisiologicamente. denominado como Semiologia. É nos exemplificado. Ferdinand escolhe o estudo sistemático da língua. Saussure começa a fazer as distinções sobre as suas famosas dicotomias. inicia-se o estudo da língua no meio da linguagem. seja natural ou convencional. tanto no aspecto físico quanto no psíquico. como ocorre o fenômeno da interação da língua no ato da comunicação. a fusão da língua e da fala. . Além disso. mais precisamente no segundo subtópico. sempre dando ênfase na primeira. enfim. fazendo com que a interação entre indivíduos efetivamente ocorra.

o autor começa a separar a língua da fala. Toda essa valorização da língua como objeto de estudo perdura também nos próximos capítulos do texto. enquanto o outro reside no plano do conteúdo. e a fala.Finalizando essa parte. ele começa analisando a natureza do signo linguístico. seria a parte secundária. Ele chega a afirmar categoricamente que a língua seria a parte essencial no estudo da linguagem. sobretudo na parte seguinte em que começa a ser conceituada as famosas dicotomias de Saussure. O primeiro consiste em uma imagem acústica. no intuito de elucidar ainda mais os conceitos que envolvem essa dicotomia. em várias situações. dividindo-as como duas partes particulares da linguística. Na obra em questão. coloca a língua no patamar superior ao da fala. Mesmo sabendo que ambas são indissociáveis na formação da linguagem. Ferdinand de Saussure ficou conhecido no mundo todo por elaborar teorias que propiciaram o desenvolvimento da linguística enquanto ciência. portanto. na leitura desse capítulo. percebemos a ênfase. Na base dessa reestruturação linguística Saussure criou dicotomias que explicassem. Uma das primeiras dicotomias refere-se ao conceito de significante e significado. corrente que veio de encontro com o gerativismo e o pragmatismo. A segunda dicotomia diz respeito ao estudo da língua na história. . Depois dessa sucinta definição o livro da continuidade aos exemplos que envolvem o signo linguístico. em que Saussure. de forma clara. A partir daí acabou desencadeando no surgimento do Estruturalismo. no quarto capítulo. as suas ideias em torno da língua. Cada um deles é visto separadamente por Saussure que sistematiza seus conceitos a fim de clarificar ainda mais o seu raciocínio.

Nessa parte do livro é indispensável à leitura do capitulo referente à imutabilidade e mutabilidade da língua. numa perspectiva histórica.Durante muito tempo a linguística não analisava o seu objeto de estudo. é uma boa pedida para aqueles que querem se aprofundar na área da linguística. a língua. como também para qualquer outro profissional de áreas diferentes que estejam interessados em desmistificar o surgimento e a evolução da língua. sistematicamente mudaram a forma de ver e estudar a linguística. . a obra clarifica os conceitos elaborados por Saussure que. Habilidosamente. enquanto a outra estuda a língua no curso evolutivo da história. sobretudo para aqueles que estão dando os primeiros passos nessa área. os questionamentos levantados são de extrema importância para o entendimento das dicotomias de Saussure. o Curso de Linguistica Geral é uma excelente material para a compreensão da linguística como ciência. Essa obra. pois. portanto. Então surgi à segunda dicotomia conhecida como sincronia e diacronia. Mesmo com a oposição de alguns linguistas contemporâneos. A primeira estuda a língua num determinado ponto da história.

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