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1. Introdução
O presente trabalho visa falar da aplicação da lei penal no tempo e no espaço, partindo
dos conceitos básicos da aplicação da lei penal no espaço, a vigência e ineficácia da lei
no tempo, os princípios da aplicação da lei no tempo e os princípios de aplicação da lei
no espaço. É por nós sabido que existem actos qualificados como crime num Estado que
noutro não são qualificados como crimes, sabemos ainda existem cidadãos nacionais que
praticam crimes no seu Estado, e outros que praticam crimes no estrangeiro, assim como
alguns estrangeiros que praticam crimes no território nacional e vice-versa. Contudo, o
presente trabalho tem em vista, evidenciar a lei penal a ser aplicada em cada caso, e
porem, elucidar sobre o tempo em que a lei penal deve ser aplicada, e as condições
circunstanciais em que a mesma não pode ser aplicada.

Objectivos:

Geral

 Estudar a aplicação da Lei penal moçambicana no tempo e no espaço

Específicos:

 Definir a aplicação da lei penal no tempo e no espaço


 Identificar os princípios da aplicação da Lei penal no tempo e no espaço
 Descrever e explicar os princípios da aplicação da lei penal no tempo e espaço
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2. Aplicação da Lei no tempo e no Espaço

2.1. Aplicação da Lei no Tempo


De acordo com VARELA (2011) A aplicação da lei no tempo consiste em determinar
qual a lei aplicável a uma determinada situação: se é a lei nova ou a lei antiga.

2.1.1. Vigência e Ineficácia das leis no tempo


Em relação a vigência das normas jurídicas no tempo, importa referir que, em regra, a lei
começa a aplicar-se e torna-se obrigatória a partir do momento que entra em vigor na
ordem jurídica, e isto só acontece depois da publicação no jornal oficial (nº 1 do art. 5 do
CC) que é o boletim da Republica (nº 1 do artigo 144 da CRM), podendo estabelecer-se
entretanto um prazo desde a sua publicação, para que produza efeitos. Este prazo é
conhecido por vacation legis, podendo ele ser regulado de duas formas: cada lei
aprovada pode determinar um prazo de entrada em vigor (vacatio legis especial), uma lei
geral pode estabelecer um prazo para a entrada em vigor dos diferentes diplomas desde
que estes não fixem prazos específicos (é a vacatio legis geral). (nº 2 do art. 5 do CC)

2.1.2. Princípios da aplicação das leis no tempo


A doutrina distingue três posições doutrinárias acerca da possibilidade de retroacção dos
efeitos das leis:

a) A posição de retroactividade absoluta: defende que a norma jurídica nova é mais


justa e, por isso, deve reger não só para actos posteriores mas também para factos ou
actos anteriores à sua aprovação e publicação;

b) A posição de irretroactividade absoluta: defende que a lei não pode reger para actos
anteriores, visto que acarretaria insegurança, incerteza, instabilidade e caos na vida
social;

c) A posição ecléctica: considera que normalmente a lei deve aplicar-se a factos futuros
mas, em determinadas circunstâncias e sob certas condições, pode reger não só os actos
posteriores como também factos ou situações anteriores à sua aprovação ou aplicação. É
esta posição que encontramos reflectida no ordenamento jurídico Moçambicano, maxime
na Constituição da República (art. 57 da CRM) e no Código Civil (art. 12): as leis penais
só podem ter efeitos retroactivos se forem mais favoráveis ao arguido; as leis, quando
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retroactivas, não põem em causa os efeitos já produzidos pelos factos que se destinam a
regular. E ninguém pode ser condenado pela pratica não qualificada como crime no
momento da sua prática, a lei criminal só pode ser retroactiva quando beneficia o
arguindo (art 60 da CRM)

Normalmente, as normas jurídicas aprovadas devem projectar os seus efeitos para o


futuro e não para o passado: é o princípio da irretroactividade das leis e demais normas
jurídicas. No entanto, as normas jurídicas têm, por vezes, eficácia para além dos limites
temporais da sua existência. É assim que, excepcionalmente, os actos legislativos e
normativos podem ter carácter retroactivo, aplicando-se a situações ou factos ocorridos
antes de sua aprovação e publicação sempre que beneficiarem ao arguido. Neste caso,
presume-se que ficam ressalvados os efeitos já produzidos pelos factos que a lei se
destina a regular. (nº 1 do art. 12 do CC conjugado com o nº1 do art.8 do CP)

2.2. Aplicação da lei criminal no espaço


Quanto à vigência das normas jurídicas no espaço, vigora o princípio básico da
territorialidade, isto é, a lei é ditada para reger no território de um determinado Estado.
Todavia, em determinadas situações, as normas jurídicas podem ter um alcance maior
em termos de aplicação espacial, casos em que se revestem da característica de
extraterritorialidade, ou seja, podem aplicar-se a cidadãos ou organizações que se
encontrem fora do território do Estado em questão. (VARELA, 2011, p. 85)

É importante deixar claro que quando se trata da aplicação da lei criminal no espaço,
deve se saber até que limite territorial o Estado pode exercer o seu ius puniendi, pelo
que, para resolver essa questão observam-se dois princípios fundamentais: o princípio da
nacionalidade e o princípio da territorialidade.

2.2.1. Princípio de territorialidade


De acordo com este princípio, a lei criminal de um Estado é aplicável a todos os agentes
de crimes cometidos em seu território independentemente da nacionalidade dos
infractores, isto é, regra geral, aplica-se a lei Moçambicana para todo o crime cometido
no território nacional (vide nº 1 do art. 56 CP), isto, é assim, porque por um lado em
nenhum outro lugar é possível procurar a verdade material e obviamente obter a melhor
justiça possível se não no território onde o crime foi praticado. Por outro lado, quanto aos
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fins das penas, quer se trate de fins de retribuição ou de prevenção (geral ou especial),
sabido que esses fins melhor se fazem sentir no território onde a infração foi cometida.
(VARELA, 2011).

Considera-se como extensão do território nacional Moçambicano, para efeitos penais, as


embarcações e aeronaves moçambicanas, de natureza pública ou a serviço do Estado
moçambicano, onde quer que se encontre, bem como as aeronaves e embarcações
moçambicanas, mercantis ou de propriedade privada, que se ache, respectivamente, no
espaço aéreo correspondente ou em alto mar (nº2 do art.56 do CP), é também aplicável a
lei moçambicana aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações
estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas no território, no espaço aéreo e
na zona marítima nacional (nº3 do art.56 do CP).

Em suma, a Lei criminal moçambicana é aplicável a qualquer pessoa, seja nacional ou


estrangeiro, que cometa um acto qualificado como crime no território nacional, pelo que,
território nacional abrange toda a superfície terrestre, zona marítima e espaço aéreo
delimitados pelas fronteiras nacionais, sem prejuízo das extensões territoriais descritas
no nº2 e 3 do art. 56 do Código Penal.

2.2.2. Princípio da nacionalidade


De acordo com este princípio, a lei criminal de um Estado aplica-se a todos os cidadãos
nacionais onde tenham praticado o facto criminoso (vide o nº4 e 6 ambos do art.56 do
CP). A aplicação deste princípio funda-se na justificação de que os nacionais de um certo
Estado onde quer que se encontrem estão sempre ligados a sua pátria. Contudo, se um
nacional encontra-se fora do seu Estado de origem, o seu governo deve dar protecção,
por isso, praticar crime no exterior, onde os interesses defendidos pelo ordenamento
jurídico do seu pais e deve ser submetido ao julgamento no seu pais, a luz da sua lei.
(VARELA, 2011, p. 85).
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3. Conclusão
Durante a elaboração do trabalho, concluiu-se que a aplicação da lei penal pode ser
entendida como o uso da lei criminal num caso concreto após a sua interpretação ou a
determinação do sentido e o alcance da lei. Portanto, para a aplicação da lei no espaço
observam-se dois princípios fundamentais: princípio de territorialidade que advoga que
é aplicável a lei penal nacional a todos actos criminosos praticados no território
nacional, sejam eles praticados pelos nacionais ou estrangeiros; e o principio da
nacionalidade que defende que é aplicável a norma penal a todos nacionais,
independentemente da sua localização (nacional ou estrangeira). Sublinha-se que,
embora cada Estado deva aplicar a sua lei no seu território, vezes há em que no
território nacional são aplicadas lei de outros ordenamentos, assim como, a lei
moçambicana é aplicada em território estrangeiro.

Enfim, aquando do desenvolvimento do trabalho, concluímos ainda que as leis penais


dispõem para o futuro, e só podem ser aplicadas após a sua entrada em vigor, e deixam
de ser aplicadas após deixarem de existir no ordenamento jurídico ou após a sua
revogação.
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4. Bibliografia

VARELA, Bartolomeu. Manual de Introdução ao Direito. Praia: 2ª edição, Uni-CV,


2011.

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE. Constituição da Republica de Moçambique.


Maputo: plural editores, 2004.

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE. Código Penal. Maputo: Plural editores, 2015.

Índice
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1. Introdução..................................................................................................................3
2. Aplicação da Lei no tempo e no Espaço....................................................................4
2.1. Aplicação da Lei no Tempo...................................................................................4
2.1.1. Vigência e Ineficácia das leis no tempo..............................................................4
2.1.2. Princípios da aplicação das leis no tempo..........................................................4
2.2. Aplicação da lei criminal no espaço.......................................................................5
2.2.1. Princípio de territorialidade................................................................................5
2.2.2. Princípio da nacionalidade..................................................................................6
3. Conclusão...................................................................................................................7
4. Bibliografia………………..….
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