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A justiça de Deus na humildade, a justiça do Homem na obediência

Frei Márcio Carreira

Quando falamos de justiça, sempre imaginamos Deus como um deus que dita
sentenças implacáveis ou mesmo arbitrárias, porque ele tem o sumo poder. Mas é
exatamente o oposto, Deus quando exerce a Sua justiça, Ele faz isso com humildade e a
nossa resposta deveria ser construída com uma obediência sincera ao Seu amor e à sua
misericórdia. Embora Deus possa usar o Seu poder e o seu status como um Deus
implacável , Ele prefere não julgar ninguém. Ele entende o coração do Homem, ama os
Seus filhos com amor misericordioso. As suas ações com o Homem são humildes, não
se deixando completamente inflamar com as nossas ofensas. Rega a ofensa com amor
de pai. E quando Deus age assim, ficamos com raiva d’Ele, porque somos de coração
duro, somos rígidos, somos juízes do próprio Deus, só queremos que Ele haja com
humildade e misericórdia quando chega a nossa vez.
O julgamento dos homens em relação a Deus é frequente. Muitas vezes escuto
comentários do estilo: “porque Deus é bom para aqueles que se comportam mal ou o
perseguem?”, “porque é que Ele escolhe os mais pecadores para servi-l’O?”.
Acreditamos que Deus age de forma injusta porque é contrário à nossa lógica de justiça,
mas na realidade é a nossa lógica que é turva e nebulosa. Quem somos nós para julgar
as ações de Deus? Porque Deus não pode fazer o que quiser, porque é que Ele não pode
exercer a sua principal característica que é a humildade? Por que não deixamos Deus ser
Deus? Porque continuamos a querer ser deuses? Contrariamente, devemos ter no nosso
coração esta atitude orante: “Pensa n’Ele em todos os teus caminhos e Ele aplanará as
tuas sendas” (Prov 3, 6). Os caminhos de Deus são contruídos com verdade, amor e
ternura. Somente aqueles que caminham na verdade, aqueles que amam com paixão e
aqueles que agem com ternura com o próximo podem sentir verdadeiramente os pés a
trilhar os caminhos de Deus. Ele atrai os humildes e Pobres com a Sua ternura e
bondade. Como seria bom se nós Igreja fortalecêssemos o nosso coração com o Deus
da alegria. Fossemos capazes de criar laços, contrárias às blasfémias e guerras, com a
capacidade de confronto que conduz á harmonização, edificada com um amor
verdadeiro um pelo outro, e com aquela aspiração de querer não só o nosso bem, mas
também o bem do outro. Talvez assim “num só coração e numa só alma”, pudéssemos
dizer verdadeiramente que nos consagramos a Ele. Como seria bom se não houvesse
rivalidades, ciúmes ou inveja, que todos nós imitássemos a justiça de Deus que se
tornou humilde, ou seja, que não se exaltou apenas na Sua condição divina, mas
assumiu a nossa condição humana, sendo servo dos servos.
Mas que resposta podemos dar a Deus? A Obediência. A obediência vem do
verbo “ouvir ou prestar atenção” mas é precedida pela artigo “a” que significa “a
alguém”, então podemos dizer que obediência significa “ouvir ou prestar atenção a
alguém” no nosso caso é para Deus. Mas nem sempre queremos ouvir ou prestar
atenção a Deus. Num exemplo prático: um pai diz ao filho para ir trabalhar e o filho diz-
lhe que sim, mas não foi, em vez disso ele disse a um segundo filho e disse que não,
mas ele se arrependeu e foi. Muitas vezes identificamo-nos com o segundo filho, mas na
realidade os dois filhos estão dentro dos seus direitos de atender ao chamamento de
Deus ou do pai para trabalhar na seu vinha com suas próprias características, com a sua
bondade, com a humildade, com o amor, com ternura, ou também para dizer “não” a
Deus. Os dois filhos estão bem, porque ambos exercem a sua liberdade. Deus quer que
todos os seus filhos sejam livres e livres para ouvir ou prestar atenção (obedecer) à sua
voz. Mas quem diz não e se arrepende já lidera o caminho, é por isso que se ouve muitas
vezes vozes exteriores que dizem “vão à missa, mas são iguais aos outros ou pior”,
tendo alguma razão, pois o verdadeiro milagre da Eucaristia é quando somos capazes de
converter o nosso coração à bondade divina, tornando-nos testemunhos verdadeiros da
mensagem de Deus.

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