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ÁGUAS VIVAS

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Antologia de Poesia Evangélica
Antonio Costta ● Fabiano Medeiros ● Flávio Américo ● Florbela Ribeiro ● Jorge Pinheiro ● Norma Penido ● Rui Miguel Duarte

Blog Poesia Evangélica
www.poesiaevanglica.blogspot.com

Organização de Sammis Reachers
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“Vinde, cantemos ao SENHOR, com júbilo, celebremos o Rochedo da nossa salvação. Saiamos ao seu encontro, com ações de graças, vitoriemo-lo com salmos.”
Salmo 95:1,2
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ÍNDICE
Apresentação Prefácio Rui Miguel Duarte 6 8 11

Anastasis .................................................................................................12 Negação ..................................................................................................14 Vale da Sombra da Morte .......................................................................16 O Maior Amor ..........................................................................................18 O Bom Pastor ..........................................................................................19 Elias ........................................................................................................21 No Paraíso ..............................................................................................23 Paulo de Tarso na Prisão ........................................................................24 Contagem ................................................................................................26 Para o Fim ...............................................................................................28

Fabiano Medeiros

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Amizade ..................................................................................................31 Conversão ...............................................................................................32 Espelho religião .......................................................................................33 Brevidade ................................................................................................34 Indriso do novo homem ...........................................................................36 Poema de graça ......................................................................................37 Autossalvação .........................................................................................40 espírito da coisa ......................................................................................41 Rondel da eleição ...................................................................................42 Há lugar para todos os que me deu ........................................................43

Antonio Costta

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Soneto Missionário ..................................................................................47 Aliança com Deus ...................................................................................48 Solidariedade ..........................................................................................49 Conselhos ...............................................................................................50 A Sagrada Escritura ................................................................................51 Soneto Para a Mocidade .........................................................................52 Nem Tudo Que Reluz é Ouro ou Prata ...................................................53 “E Agora José” ........................................................................................54 Um Juntador de Palavras ........................................................................55 O Exemplo da Formiga ...........................................................................57

Florbela Ribeiro
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Dá-me apenas .........................................................................................59 Refugium .................................................................................................60

Aponta o olhar no tempo .........................................................................61 Um Duelo do Destino ..............................................................................62 Sob um novo Amanhecer ........................................................................63 O segredo ...............................................................................................64 Percebi ....................................................................................................65 Proveniências .........................................................................................67 Abriste-me a porta da vida ......................................................................68 Sustentável Amor ....................................................................................69

Flávio Américo

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...Eternidade...! ........................................................................................71 Eterno Querido ........................................................................................72 O Sermão do Tempo ...............................................................................73 Saudade do futuro ...................................................................................75 Amiga Fé .................................................................................................76 Ser Mais do Que um Verbo .....................................................................77 Uma Vida Dura e a Fé Que Dura ............................................................79 Só Corro Atrás de Socorro ......................................................................80 Uma pipa e o Vento ................................................................................82 Louvor ao Deus pequenino .....................................................................83

Norma Penido

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Companheiro de Jornada ........................................................................86 Vida de Pastor .........................................................................................87 Família, o sonho de Deus .......................................................................88 Ele Nasceu ..............................................................................................89 O Valor da Bíblia .....................................................................................90 Bíblia .......................................................................................................92 Mestre, como esquecê-lo? ......................................................................93 Pai & Filho ...............................................................................................95 Mãe .........................................................................................................97 Os passos de um homem bom ...............................................................98

Jorge Pinheiro

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Samaritana ............................................................................................100 chove em Lampedusa! ..........................................................................102 as tuas mãos .........................................................................................104 quando partires .....................................................................................105 nas estrelas ...........................................................................................106 um livro por noite ...................................................................................107 prece .....................................................................................................108 no longínquo distante ............................................................................110 encontros ..............................................................................................111 o dia inundou a cidade ..........................................................................112

Sugestões Literárias – Outros livros para download
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Apresentação
Em 2009, veio a lume a Antologia Poética Águas Vivas, destacando a obra de 10 poetas evangélicos contemporâneos. Dez expoentes dos mais diversos estilos poéticos, unidos num livro editado em formato eletrônico, trazendo uma riquíssima e edificante amostra de poesia, numa obra franqueada a todos os interessados, pois de circulação e cópia gratuitas. Já naquele momento, muitos talentosos poetas não puderam ser incluídos na obra, cujo projeto editorial inicial era dedicar-se a 10 poetas somente. Pois eis que agora, em Julho de 2011, passados exatos dois anos, a semente que ficou germinou, e é com grande alegria que apresentamos aos leitores este segundo volume de Águas Vivas, imbuído do mesmo espírito da edição anterior, que é destacar e divulgar a excelente poesia cristã produzida atualmente por nossos irmãos, no Brasil e em Portugal. Desta feita estão antologiados sete autores, sendo quatro deles, os brasileiros: Antonio Costta, Fabiano Medeiros, Flávio Américo e Norma Penido; e três lusitanos: Florbela Ribeiro, Jorge Pinheiro e Rui Miguel Duarte, cada qual comparecendo com 10 poemas. Decerto e mais uma vez, outros poetas de excelência ficaram de fora, pois na presente edição optamos por trabalhar com um número menor de autores. Mas nossa expectativa é dar prosseguimento ao projeto Águas Vivas, vindo daqui a algum tempo a contemplar a obra de outros de nossos bardos, que têm exercitado com multiforme graça o dom divino que o Senhor lhes outorgou.
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Querido leitor: tenha uma muito boa leitura, e não deixe de compartilhar este livro e estes poemas com seus amigos e irmãos. Ao fim deste volume, não deixe de conferir a sugestão de outras literaturas poéticas e devocionais ofertadas para download gratuito. Graça, paz e poesia! Sammis Reachers, organizador

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Prefácio
O projeto do poeta e antologiador Sammis Reachers não é tanto reunir vários e diferentes poetas cristãos evangélicos para que a quantidade, só por si, defina uma história, a história contemporânea dessa poesia dita evangélica. O seu projeto, guiado pela procura da qualidade poética dos poetas escolhidos, nesta Antologia nº 2 como na primeira, foi com toda a convicção erguer uma história de uma poética estruturada no ambiente temático da Bíblia Sagrada. E divulgá-la na língua comum de brasileiros e lusitanos, com a certeza de que a “poesia é o génio da própria língua”, como escreveu Eugénio de Andrade. Não me pareceria jamais ético destacar uns poemas de outros, embora devesse destacar uns autores de outros pela diferença dos trabalhos poéticos que apresentam e pelo modo como abordam o labor do poema na sua escrita. Evidenciando inevitáveis ingenuidades, demonstrando leituras diversas de poesia, mas trabalho honesto, entrega total à arte de fazer versos. É natural que uma antologia divulgadora apresente autores com discurso poético desigual, pelas sensibilidades, pela inspiração, pelo lugar concedido às epifanias poéticas. Esta não fugirá a esta quase regra, apontando no entanto a sua diversidade para linhas de força comuns. A saber. Intimismos, cosmovisão sobre a contemporâneidade, religiosidade e espiritualidade q.b., relacionamentos cristãos, classicismos, poíéticas contextualizadas no Evangelismo, etc.

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Desde uma poética auto-biográfica onde o eu poético se assume sob a inspiração cristã e os sentimentos homónimos a uma poesia marcada pela objectividade de evangelizar através dela. Os títulos de alguns poemas são esclarecedores dos tópicos acima desenvolvidos: Refugium e Percebi; As tuas mãos e Quando partires; Os passos de um homem bom; Amiga Fé, Amizade; Soneto Missionário; Família, O sonho de Deus; Anastasis e Paulo de Tarso na Prisão; Conversão e Autosalvação; etc. etc. Em qualquer caso há em todos os poemas deste livro, obviamente nuns mais que noutros, uma discursividade controlada, um domínio já do conteúdo e da forma, do dizer e, sobretudo, do como dizer. O leitor esclarecido no que concerne à contemporânea poesia dita de inspiração evangélica terá ocasião de o comprovar. Aqui, limitar-me-ei a considerar o que este volume representa enquanto vontade de fazer poesia, de dar prossecução prática ao vocábulo originalmente grego, poiêtikê, que significa exactamente o descrever o modo como o poema se faz e não o produto acabado; e, depois, o que está mais generalizado, o termo poíesis que é, no fundo, fazer (a obra de arte). Fazer uma poesia e o como se faz esse produto da arte, estão patentes nesta Antologia - que não representa nenhuma escola ou movimento, mas sentimentos estéticos-, cada poeta mostrase nos poemas que escreveu e entregou para publicação da coletânea. Cada poeta tem em si o destino de prosseguir escrevendo, como se não pudesse parar e cada poema fosse, no momento da
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criação, do “fazer”, um espelho onde não apenas se reflecte, mas para dentro do qual passa – como uma Alice de Lewis Carrol para a meta-história, para a meta-poesia, para o devir de si próprio*como*poeta. Cada poeta sabe, na sua carne e no seu espírito, qual é o mal da poesia – que tão bem definiu um poeta contemporâneo, laureado dos Estados Unidos, Billy Collins: “The trouble with poetry is / that it encourages the writing of more poetry” ( “O mal da poesia é / encorajar-nos a escrever mais poesia”).

J.T.Parreira

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Rui Miguel Duarte
Rui Miguel Duarte licenciou-se em Línguas e Literaturas Clássicas na Universidade de Lisboa (Portugal), em 1991, e doutorou-se em Literatura na Universidade de Aveiro, em 2006. Desenvolve actualmente pós-doutoramento. Reside em França (Herserange — Meurthe-et-Moselle), junto à tripla fronteira com a Bélgica e o Luxemburgo. Foi docente nos Ensinos Superior e Básico portugueses. Participou como tradutor na tradução interconfessional da Bíblia (A Bíblia para todos, Lisboa, Temas e Debates, 2009 e Lisboa, Sociedade Bíblica de Portugal, 2010). Tem escrito e divulgado poesia em “blogs” e na rede social Facebook. Tem editado um "e-book" de poemas (7 canções de um pai para sua filha in http://www.scribd.com/doc/28175160/7CANCOES-DE-UM-PAI-PARA-SUA-FILHA) e um livro em formato papel, em edição de autor, com a chancela de Sinapis Editores (Portugal), intitulado Muta Vox. Mantém o blog http://neaktisis.blogspot.com

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ANASTASIS
“Vamos ressuscitados, colher flores!” Miguel Torga, in “Convite”

Madrugada primeiro dia do sábado dia de resgatar o jardim de revelar as pérolas de dentro do mundo da concha dia de colheres flores, Maria Madalena, e de anunciares aos irmãos, ainda dormentes nos seios da noite que deixem de indagar o estridor do oceano no pavilhão dos búzios e céleres acorram à cripta que despojada está da sua missão de para sempre dissimular à vista a carne rubra da rosa pois a esperança foi finalmente engrinaldada diz-lhes que a pedra se moveu e a sepultura deu rediviva o que não tinha cadeias para agrilhoar
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leva-lhes esta flor em que a seiva livre de novo corre diz-lhes que é perene o seu perfume que à sua cor até o sol e a lua murcham diz aos irmãos, a Pedro a João e aos demais que o Mestre vive 25/03/10

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NEGAÇÃO
“«Olha, Pedro», avisou-o Jesus, «não cantará hoje o galo sem que me tenhas negado três vezes»” Evangelho segundo Lucas 22:34 (versão A Bíblia para todos)

Antes de o galo acordar o sol antes mesmo de a aurora multiplicar rosas ouvir-se-á o murmúrio das vozes no pátio e ao vento uma palavra não soprada O coração esconderá a vergonha lançá-la-á ao crepitar da fogueira acesa para aquecer corpos consumir fadigas e tristezas mas o ardor de um coração culpado fogo nenhum extingue antes mais o inflama O seu rosto será familiar cuspido e escarrado alguém o terá visto o braço direito desse Rei E ao vento uma palavra não balbuciada Sentados na roda dos coscuvilheiros, os olhos mirarão o homem de fronte suada de desassossego e fuga As vozes certificarão o que ele preferirá ignorar
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terá sido um desses que terão partilhado a mesa com o Galileu e que tentará então com a aba do manto manter o anonimato As vozes darão carne à sombra que ele ansiará por abandonar numa esquina Mas fugirá o descanso desse coração incerto pois ao vento uma palavra NÃO será protestada E será este protesto quem acordará o galo, que então se lembrará que será a hora Outros olhos então pousarão nos seus os olhos condoídos do Mestre que lhe atravessarão a couraça da alma E na esquina onde se quis esquecer será aquela em que se reencontrará no espelho das lágrimas: ainda que a voz minta estas só sabem dizer a verdade e desconhecem a palavra NÃO 20/11/09

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VALE DA SOMBRA DA MORTE
“Perguntou-lhe Simão Pedro: «Para onde vais, Senhor?» Jesus respondeu-lhe: «Para onde eu vou, tu não me podes seguir agora, mas hás-de seguir-me mais tarde.»” Evangelho segundo João 13:36 (versão A Bíblia para todos)

Não podes, querido amigo, seguir-me agora sabes, tenho uma estrada diante de mim que tu não conheces pés nenhuns foram nela ainda experimentados o couro de sandálias nenhumas nas suas pedras jamais se gastou Querido amigo, o céu aqui não é de açucenas os penedos são gigantes espessos ao passarmos rente a eles acendem um véu negro no rosto do abismo o chão não é de pétalas mas tem arestas é pontiagudo como pregos que não descansam o sangue Sei que nele há um vale da sombra é todo o céu e toda a terra em peso sobre a minha cabeça
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sombra da morte mais temível do que a própria morte esse vale foi moldado à forma rósea do meu corpo o meu sangue foi-lhe desde a Eternidade prometido poderei eu estancá-lo? Só eu, querido amigo só eu posso atravessá-lo deixa-me ir, querido amigo, até à outra fímbria do vale lá as águas dos riachos têm a cor do sol então ao meu chamado virás dirás que vens da minha parte e no prado dos teus olhos desenrolar-se-á, até o perderes de vista, o verde 18/03/10

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O MAIOR AMOR
“Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” Evangelho segundo João 15:13

Cada manhã que o dia me desperta é uma noite mais que me adormece o fôlego e ao peito me dá quebranto Cada manhã que os teus olhos em orvalho me vêem é uma noite mais que me oculta a face por trás do véu da tua face Cada manhã que o sol põe flores róseas nas minhas mãos é uma noite mais que me desvenda de todo o corpo frutos vermelhos para o teu contentamento 10/06/10

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O BOM PASTOR
O Bom Pastor é aquele que conhece as quatro estações das ovelhas conhece a espessura da sua lã e sabe que esta se no Verão lhes sobra no Inverno não lhes calafeta todas as portas e janelas da pele ao frio O Bom Pastor conhece os azimutes todos dos caminhos bravios das montanhas onde habitam todos os caules que lhes servem de alimento no cajado do tempo na vara das estações cada uma com o seu açoite cada uma com o seu consolo conhece-lhes os esgares do céu de que boca de floresta de que toca da noite espreitam quentes os focinhos dos lobos O Bom Pastor é aquele que canta um canção
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de amor à lânguida flauta para as suas ovelhas que lhes oferece no flanco moribundo um redil para seu abrigo no cajado do tempo na vara das estações cada uma com a sua morte cada uma com a sua vida 19/09/10

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ELIAS
Quem está na montanha vê as coisas de cima e a roupa do corpo parece-lhe durar para sempre imune aos temporais e ao alvoroço vacilante da multidão quem está na montanha toca com a ponta dos dedos nos lumes do céu e maneja mais destramente o trovão, a majestosa imponência dos dedos de Deus quem está na montanha de um gesto incendeia o altar do sacrifício e jorra o rio na água límpida das pedras quem está na montanha domina as artes do discurso é mestre de ilusionismo bobo de feira tratador de ventos terramotos fogos doutor da mais cristalina sabedoria quem está na montanha é paladino e chanceler da justiça da nação quem está na montanha
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da montanha pode cair e só numa gruta abscôndita na alma pode escutar o sussurro o harmonioso murmúrio da voz de Deus 12/09/10

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NO PARAÍSO
“no Paraíso, estive à beira de todas as cores quando as manhãs acordaram nos meus olhos” J. T. Parreira, “Expulsão do Paraíso”

Percorridos todos os limiares e arestas negras, as artérias de granito em vez da ondulação dos teus cabelos trocadas as tuas carícias por um grito culpados de todas as traições de nos acolhermos ao colo de um pai estranho extraviados da sabedoria de todas as cores que falavam das manhãs acordadas de antanho esquecidos das brisas lentas das conversas sob as árvores ao fundo da tarde, restou-nos a sombra do teu vulto projectada como noite sobre o mundo Mas na tua carne e no teu sangue rasgaste para sempre a distância a frio depusemos então as saudades à soleira da porta reaprendemos então a alegria da Tua voz de rio 7/10/10

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PAULO DE TARSO NA PRISÃO
“… A golpes de paixão, tento passar…” Miguel Torga, “Emparademento” (in Orfeu Rebelde)

Emparedado tentei já desfazer as cadeias que me puseram no degredo as mãos e os pés estão unidos com os ferros e transmitem à boca o pedido de um grito que a noite eleve para lá das grades ao terceiro céu, e que me traga a frescura do consolo pois sei que as cadeias não são negociáveis para os que seguem Cristo, nem tão pouco feitas perpétuas ou elas cedem, ou o muro cede doem afinal ainda menos do que o desespero de se terem incrustado nas mãos e nos pés, do que um destino tumular das cadeias do meu avesso, que me esmurra como um doido varrido e que a golpes de paixão, tento passar é aí, no recesso que mais emparedado estou
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por durante um minuto ter desaprendido de cantar 16/11/10

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CONTAGEM
“Abraão lança os olhos ao lume longínquo” J. T. Parreira, “Contagem de estrelas”

Dissera Deus a Abraão o pai de miríades de nações, que contasse as estrelas e contaria os pés dos filhos e dos filhos dos filhos essas seriam as contas amplíssimas das areias mais do que as águas do mar ao retirarem-se diante das marés dos filhos, das nações amplíssimas do seu pai, avançando sobre a palma da terra e as costas dos oceanos conquistadores dos continentes e ilhas Abraão que contasse que lançasse os olhos na demora dos lumes do céu E Abraão contou
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Abraão contou os intervalos entre elas Abraão contou os pêlos da barba branca e os intervalos entre os cabelos que lhe faltavam 24/12/10

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PARA O FIM
“Mas tu guardaste o melhor até agora!” Evangelho segundo João 2:10

o mistério foi deixado para o fim para a hora em que a atenção lhe flui para uma estrela para o fim deixou o aceno da vida o abandono exacto de todo o cansaço e a revelação nas mãos abertas de um presente perfeito para o seu amor é no fim do rio que mais o peito se lhe dilata ao seu sopro nítido e que os olhos mais se lhe abrem para as bocas sagradas da madrugada para a última vindima para os cachos do fim guardou o acorde unânime de todas as castas no último cálice no fim do banquete à hora de fechar as canções disse dum só fôlego
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o melhor poema aquele que só nessa hora os ouvidos estão aptos para entender 5/02/11

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Fabiano Medeiros
Fabiano Medeiros é tradutor, editor e revisor. Também empenha-se em pastorear almas. Formado em tradução pela Faculdade Ibero-America em 1991, dedica-se desde 1987 à literatura cristã com traduções, revisões de tradução e edições de texto. Trabalhou com editoras como Vida Nova, onde hoje é editor, Mundo Cristão, Tempo de Colheita, Garimpo, Vida, Betânia entre outras. Formado pelos Colégio de Pastores de Sovereign Grace Ministries [Ministério Graça Soberana] em 2005, tem pastoreado ou auxiliado em igrejas desde aquele ano. Entre suas grandes paixões está a implantação de igrejas para expansão do reino de Deus. É apaixonadamente casado com Marcia e tem quatro filhos, presentes de Deus: Larissa, Caio, Iago e Talita. Mora em São Paulo. Mantém o blog http://gracasoberana.wordpress.com

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amizade
(2010)

não se confunda com as conversações da simpatia algodoadas e refrigerantes amigo vem com a funda em punho ainda e ao alvo certo desfere o seixo de amorosa valentia para embate dos gigantes da utopia e do engano que alimentamos um dia tu sabes que a pedrinha não te vinha ferir nem machucar antes te protegeria

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conversão
(2010)

Hoje vim retirar mi’a liberdade, liberdade desse meu homem velho, homem velho em sua vil humanidade, humanidade entregue ao Evangelho,

Evangelho que traduz sua bondade, bondade de me vergar o joelho, joelho rijo em busca de u’a verdade, verdade falsa a embaçar o espelho.

Espelho seja em mim tua Escritura, Escritura em meu coração talhada, talhada a ferro e fogo como brasas,

brasas trazidas em tenaz com asas, asas do evangelho: o mal desfeito. Nada! Nada velho! Nova vida futura!

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Espelho religião
(1988) Trago ao fundo, pra quem vê, A tristura que dissimulo, A perene sensação do que sou. Ostento, contudo, ao menos perspicaz A alegria que rotulo, A fugaz sensação que não sou. Trago ao fundo pra que vejam... Levo junto, na fachada, O incorrutível procedimento, O que presumo ser e não sou. Revelo, contudo, ao mais agudo, O pérfido encantamento, O terror do que sou. Levo juntos, na fachada... Trago e levo, Ao fundo e na fachada, O pavor, O terror, Dessa farsada...

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Brevidade
(1988)

Brancas cãs brotadas bravias brindam, bradam, bracejam à brisa. Brancas lãs bromadas brevias.

Broncos braços brunos de afã brigam, bramam, brandeiam a brita. Troncos crassos, brutos de chã.

Pernas hibernas ineternas

Lábios fábios: ressábios

E vejo a vaga vida volúbil volcada voejar volátil: vislumbre inveraz de venturas e inverdades, solavancos e resvalos.

Resta recostar-me rente à relva rezando retalhado rezas ressequidas
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renhidas rezas remendadas reencontradas do fundo mudo de meu mundo prestes a escafeder-se, escoar-se, escamugir

Esvai-se a vida falaz, e o resto presto se desfaz.

Brancas cãs bravias. Brevias lãs brandas. Austera presença à espera da Paz.

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Indriso do novo homem
(2010)

Regenerar: ação incontida do Vento para uma gênese nova, do caos, carrega em si a semente, a resposta, o alento,

faz nascer justos de homens tãos maus. O que no santo germina e respira é o intento do Espírito que propulsa as naus.

Para o mito do homem que se faz: Advento!

Para o Ator dessa obra: festas, fogos, saraus!

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Poema de graça
(2006)

Se me quero conhecer, já aprendi (ou ao menos deveria), que mais a Ti conheça, submisso à luz da tua Revelação, por ela decomposto e reconstruído, abatido e reerguido, sentenciado e absolvido, morto e revivido. O Verbo que proferes me revela quem sou e me (re)define, trazendo luz brilhante e perspectiva precisa, cortante análise que me deixa sem fala e me esquadrinha até os ossos. Mas não é exatamente o que escolho e prefiro decantar a cada instante, quando fecho os olhos para quanto em mim te repele e prossigo amando o conforto vago e casual da rebeldia, aquele punho cerrado da alma que grita glória a tudo que em mim respira e pulsa, glória a minha lei e passe livre a minha vontade, salvo-conduto a minha crença vã na autoestima, na justiça própria, na autodependência, na busca insaciável do prazer pessoal, na independência arrogante e acintosa
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que grita a vitória e a liberdade em relação a ti. A cada dia… enquanto tuas misericórdias se vão renovando a meu favor, bem diante dos meus olhos… com a clareza límpida do mais cristalino ribeiro! Quero todos os dias fazer de conta que não te encontrei na estrada da vida, que tua luz, que foi a meu encontro e me lançou por terra, quando eu andava tateando meus limites trôpegos, não passou de um sonho alucinado, do qual quero ainda acordar para um reinado só meu, no aconchego das minhas trevas. Pois esqueço sempre quem sou e quão efêmeros e fugazes meus caminhos, esqueço sempre que qualquer sonho mais lindo que eu sonhe ou alimente não passará de utópica quimera… mera alucinação, se à parte dos teus sábios decretos sempiternos. E esqueço da Cruz, lugar único de onde flui justiça e propiciação, amor e graça, reconciliação e piedade, regeneração e humildade, vida nova e vida eterna, perspectiva e gratidão.
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Gratidão que nem sempre alimento, e que poderia me transformar pela força do amor, ao contemplar que árduo e longo caminho trilhaste por mim… não só apesar mas também por causa de mim… Dá que eu volte os olhos à cruz, não esqueça quem sou e, mais importante, quem és, nem gaste meu tempo urdindo a teia da minha religião furada, antes te tenha por alicerce único e malha exclusiva da vida aqui e no porvir. Em outras palavras, enche meu peito de paixão por ti e por tua glória, e dá-me a lucidez que brota das boas-novas da cruz, uma lucidez que apruma o meu mundo e lhe dá o sentido. E eu seguirei tendo de ser relembrado. Aliás, como te posso agradecer por me relembrares hoje mais uma vez? E por amanhã já teres determinado teus novos meios de me centrar em ti, na obra da cruz e na esperança do evangelho?

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Autossalvação
(2009)

É imoral o mais moral dos seres que um sulco reto e bem traçado abra para si com o arado enferrujado das boas intenções.

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espírito da coisa
(2009)

andaram fugidos esses versos deveras fugidios escondidos indecifráveis inacessíveis

porque a poesia não cai bem com os cuidados não se avizinha das ânsias nem se formula no esquadro

mas o caos é pai das estrofes a confiança cega delira rumores mais doces e o Amor, o insondável, é quem nos dá as palavras

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Rondel da eleição
(2010)

Ah, eu jamais me teria escolhido! É assim que eu sei: me elegeu. Ignóbil verme, torpe e falido, nada exagera este mal que é só meu.

Nobre Rei, pobre, frágil e ferido, tudo desmaia ante o amor que é só seu. Ah, eu jamais me teria escolhido! É assim que eu sei: me elegeu.

Afirmo com Watts: “Sou verme bandido!”. Cego e perdido de Newton? “Sou eu!” E justo este estado triste, caído prova gratuita esta graça que deu. Ah, eu jamais me teria escolhido!

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Há lugar para todos os que me deu
(2010)

Estranhamente pequeno, é tão largo e vasto o coração vaso de esconder tesouros mil ventre de abrigar a muitos fios...

A número 1 Em seu regaço, o riso maroto dela a pele tênue, rósea, salutar, um abraço franco e magricelo Tudo isso ele comporta sem estourar e muito mais...

O número 2 Em seu esconso o ar de quem inquire o desbravamento constante a doçura terna e firme a me buscar Tudo isso ele carrega sem romper e muito mais...
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O número 3 Em seu fundo, a alegria, a expansão o agitar profundo das minhas serenadas um sorriso maroto, melindrado Tudo isso ele transporta sem extravasar e muito mais...

A número 4 Uma jaboticabinha, articulada uma Emilinha de canastra e intrepidez com sua graça e sua coragem Tudo isso ele vai sem se apertar levando e muito mais...

Meu coração comporta e ama tudo isso Todos esses e muito mais... Sem falar dEla... que a todos me deu...

E Deus me pode amar com Meus jeitos e meus gestos, meus fracassos e insucessos
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Pois Deus encontra em seu enorme coração um espaço para me abrigar, me perdoar, me receber E muito mais...

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Antonio Costta
ANTONIO DA COSTA SILVA nasceu em 24 de Abril de 1972 no Sitio Chã de Areia, Pilar, PB. Na infância, o seu interesse pela arte era visível nos traços de seus desenhos. Em 1985 quando cursava a sétima série do 1º grau, no Colégio Estadual José Lins do Rego em Pilar, foi surpreendido por uma furiosa enchente do Rio Paraíba que arrancou a ponte que ligava a zona rural à sede do município, impossibilitando-o assim a continuar seus estudos na sua cidade, tendo que ser transferido para estudar na cidade vizinha de Itabaiana, aonde veio a concluir o segundo grau no C. E. Dr. Antonio Batista Santiago. Em 1992, Antonio é eleito vereador no seu município (e reeleito em 1996). Em 6 de agosto de 1993, converte-se à religião evangélica na Igreja Evangélica Cristã de Pilar. Em 1995 casa-se com Francileide de Sousa Dias, de cuja união nasceria em 19 de agosto de 1997 sua primeira filha, Alana Dias da Costa. No dia 10 de outubro do mesmo ano morre a sua esposa. E em 6 de fevereiro de 1999, casa-se com Ivoneide Altino Silva de cuja união nasceria no dia 22 de agosto de 1999, Letícia Pillar Altino Costa. Em 2000 o poeta decide abandonar a política indo morar em Sapé (PB) e dedicar-se mais ao trabalho, à família, a Deus e à poesia!... Onde termina de escrever POESIA VIVA, livro que não publicou. Em janeiro de 2001 muda-se para Itabaiana, onde mantém uma escola de informática e reside até hoje. Em 14 de setembro de 2003 publica seu primeiro livro de poemas: Um Juntador de Palavras. Em 25 de novembro de 2003 nasce o seu filho Antonio da Costa Silva Júnior. Em 24 de abril de 2004 o poeta lança seu segundo livro: Poesia Nordestina. Atualmente Antonio Costta exerce o cargo de Secretário Adjunto de Cultura do município de Itabaiana. Mantém o blog http://antoniocostta.blogspot.com
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SONETO MISSIONÁRIO
Eu queria escrever com mais amor, Eu queria escrever com mais paixão, Eu queria escrever com o esplendor De quem fala com a alma, o coração! Qu'importa se não tenho erudição, Se meu verso ele é simples por demais? Importa é não perder minha missão... De falar de Jesus, de Sua paz! Bem sei que não sou mestre de homilética, Que meu verso não tem arte poética, Que não sou um gênio da literatura... Mas luto pra que seja transmitida A mensagem de Deus que gera vida... E que nos faz ser novas criaturas!

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ALIANÇA COM DEUS
A aliança que tinha sido quebrada Entre Deus e a humanidade ruim Através de Adão e Eva no “jardim” Foi um dia em Jesus Cristo restaurada!

Pois Jesus veio cumprir o plano de Deus De resgatar o homem da perdição; Pois todo aquele que crê tem o perdão, O pleno direito de ir morar nos céus!

Basta receber Jesus como Senhor, O Único suficiente Salvador, Abrindo-Lhe o coração pra Ele entrar!...

Não precisamos temer morte nem cruz “Pois aquele que crê em mim” –disse Jesus– “Ainda que esteja morto viverá”!

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SOLIDARIEDADE
Há tanta gente carente pela rua, Tanta gente mendigando o próprio pão... Não viva só de glória a Deus e aleluia: De que vale a sua prece, sem a ação?

Há tanta gente dormindo no sereno Necessitando de agasalho e colchão; Há tantos órfãos, também tantas viúvas... Meu amado sinta a dor do teu irmão!

Glorifique do Senhor Seu santo nome, Dê mais carinho, dê pão a quem tem fome Que terás a recompensa lá no fim.

Foi Jesus Cristo quem deixou este ensino: Quem ajudar a um desses pequeninos Em verdade está fazendo para mim!

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CONSELHOS
“Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra.” (2 Timóteo 2:4)

Prepare-se nesta vida, meu irmão. Vá ao Pai com o melhor que você tem; Dê glórias ao Senhor e diga amém! Pois está em Jesus a salvação.

Não guarde o ódio no seu coração Nem se dê ao pecado mais banal; Siga a Jesus e abandone o mal E a todos concede o seu perdão!

Quem semeia a palavra da verdade! Haverá de colher felicidade, Do Senhor recebendo o galardão!...

Não se embarace em busca de troféu. Pra não perder o teu lugar no Céu, Glorifique o grande Deus de Abraão!
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A SAGRADA ESCRITURA
“Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;” (2 Timóteo 3:16)

Se queres ter o tanto que te agrade, Ser um sábio, alcançar grande cultura, Lê, diariamente, a Sagrada Escritura, Senso de paz, amor, felicidade!

Se os teus filhos queres educar Para te dar prazer, sem amargura, Lê, diariamente, a Sagrada Escritura, Ela te mostra onde se deve andar.

Se queres que no mundo sobressaia A Justiça Divina, de atalaia, Prega ser Jesus Cristo o Salvador!

Pois todo aquele que na Palavra crê, Será regenerado em Seu poder, Semeará, em vez de ódio, o AMOR!
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SONETO PARA A MOCIDADE
Como é belo o esplendor da mocidade, Que caminha radiante mundo afora! Sem pensar que ela um dia vai embora, Dela vamos, em breve, ter saudade!

Voltai-vos ao Senhor –ó mocidade! Nesta vida nem tudo há de ser flores. Restam espinhos espalhando dores Na estrada estreita da felicidade.

A vida é poça d’água que evapora! Nascemos ontem, somos jovens agora, E a velhice nos aguarda na esquina...

Atentai, mocidade, a tudo isto! A melhor parte é dar-se a Jesus Cristo Enquanto a vida é bela e cristalina.

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NEM TUDO QUE RELUZ É OURO OU PRATA
Nem tudo nesta vida nos convém, Paulo escreve deixando bem explícito: “Tudo é bom, mas nem tudo nos é lícito”, Provai tudo, mas só retende o bem!

Precisamos enxergar mais além, Há espinhos nas flores do jardim; O mundo se camufla para mim... Porque nem todo abraço amor contém!

Preciso de Jesus na minha vida, Pois o caminho é estreito e tem subida, E não posso abandonar minha cruz...

Pois a vida a cada dia nos retrata: Nem tudo que reluz é ouro ou prata... Só existe uma esperança: é JESUS!

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“E AGORA JOSÉ”
“E agora José?”... –não pergunto mais... Porque bem sei que há sempre uma saída; Pois Jesus Cristo é o Caminho, e é a Vida, A única esperança... A minha Paz!

“E agora José?”... –não pergunto mais... Porque sei que existe uma solução; Uma porta aberta, uma salvação, Um porto seguro nos vendavais!

Agora eu sei, tenho a chave na mão, A chave da porta é a oração... E a Porta aberta é o Príncipe da Paz!

Não mais questiono: “e agora José?” Conforme escreveu, na falta de fé... O Carlos Drummond das Minas Gerais!

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UM JUNTADOR DE PALAVRAS
Os loucos vão pela rua Procurando uma razão; Os músicos ferem as cordas Procurando uma canção.

Os rios procuram o mar, As abelhas procuram as flores; Os dias procuram as noites; Nas noites, procuram-se amores!...

E eu procuro no tempo Algumas belas palavras; Pérolas vagando ao vento, De ouro -partículas, lavras.

Sou um caçador de emoções, Sou um juntador de palavras; Componho poemas, canções, E dos pássaros -as suas asas!...
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Sou menino e sou adulto, Sou sério e sou brincalhão; Canto com um olhar astuto O que manda meu coração!

Se sofro... –de quem é a dor? Quem melhor pode senti-la? A dor é minha -e meu é o amorE pouquíssimos querem ouvi-la.

Por isso contenho-me apenas Em juntar algumas palavras; Que formarão simples poemas, E retornarão ao vento, às vagas!...

Tornei-me um caçador de penas Ou de belíssimas aves raras? Não importa, tornei-me apenas Um juntador de palavras!...

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O EXEMPLO DA FORMIGA
Trabalha a formiga durante o verão, Tão pequenina, mas tão inteligente; No corte das folhas, não fica demente, Não perde o seu tempo com conversação!

Trabalha a formiga durante o verão Para que no inverno não morra de fome; Por isso que dela o modelo se tome: Quem cuida da lida não lhe falta o pão.

De Deus vem o dito pro homem ocioso: “Vai ter com a formiga seu preguiçoso, Contempla-lhe a trilha traçada no chão”.

Pra que não pereças da fome inimiga, Repara no rito da sábia formiga Que retira da terra a sua provisão!

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Florbela Ribeiro
Santa Joana - Aveiro, 1971. Ficcionista. Escrita Criativa na Universidade de Aveiro. Frequência de Curso Teológico da EETAD. Contos Evangélicos, edição da autora, Aveiro, 2009; participações na antologia “Adoração – Poetas Diversos”, Rio de Janeiro, 2010; e na revista do Grupo Poético de Aveiro, “Folhas, Letras & Outros Ofícios”, nº 13. Colabora na revista evangélica “Novas de Alegria”, Lisboa, e no Portal da Aliança Evangélica Portuguesa, com prosa (contos) e poemas, e em sites diversos: Liricoletivo, Confeitaria Cristã, Et Quoi da Universidade de Aveiro, Mi Literaturas; mantém na rede um blogue, Doce Aroma, no qual edita poesia, contos e adaptações literárias. Mantém o blog http://flor-docearoma.blogspot.com

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Dá-me apenas
Da porção do teu dia dá-me dá-me apenas do que da mesa sobeja migalhas poucas que sejam servirão para amaciar a dor de quem mendiga uma só palavra tua.

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Refugium
Na constância leal dos silêncios o refugium onde permaneço descalça. O solão que me acolhe o espólio e o gotejar da alma em contrição. Aqui aguardo que o feixe prodigioso me atinja e arranque a nostalgia.

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Aponta o olhar no tempo
Adormece o sentir do sentimento Aponta o olhar no tempo Recua na memória No sonho alado E espera o milagre Acontecer.

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Um Duelo do Destino
Desconheço as razões do destino ao emboscar nossa breve passagem mas sei que o faz Impetuoso desfaz sonhos retalha planos ensombra esperanças e pode até trocar os sentimentos. No peito um duelo descompassado revolve as memórias intragáveis deste mundo e desaba. Até que do alto irrompa a luz que fará emergir nossas almas dilaceradas.

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Sob um novo Amanhecer
Caminho cautelosamente sob o campo de um novo amanhecer. Por ele, proliferam ervaçais que eu, incansavelmente, arranco pela raiz. Mas ao Amor, e somente ao Amor permito o esparzir, e o assenhorear-se, da minha solidão.

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O segredo
Aprisionei a liberdade num inefável canto do meu ser. Manietei-a inconscientemente. Condicionei-a às formalidades orquestradas por um ego oculto manchado de hipocrisia. - Um pouco de tempo sussurra-me o vento - um pouco mais de tempo e a liberdade soltará as amarras de silêncio para voar a galope rumo às bem-aventuranças.

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Percebi
Percebi que sinto falta de mim É um sentimento estranho Que me assalta nas imagens Espelhadas de emoções Admito com honestidade Esta grande verdade Mas como inverter a situação? Responsável pelo que faço Não faço Ou impeço de fazer Olho ao redor A vida estagnada Sobrevive à deriva Aguarda um sinal no horizonte Uma embarcação que passe Que a resgate E a conduza noutra direcção Seja como for O tempo esgota-se O futuro apressa-se em chegar Trazendo com ele expectativas possíveis Ou inimagináveis É inevitável Mas cabe-me a mim A decisão de mergulhar ou não Nesse mar de vagas repentinas e nadar Nadar até ao rumo certo Até ao porto seguro Para encontrar a minha essência
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Sem miragens Na certeza de que onde eu estiver, TU estarás também.

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Proveniências
A dor e a agonia não provêm Do peso excessivo da cruz Nem dos seixos irregulares Que embaraçam a passagem Nem da poeira Invasora dos cinco sentidos Nem da coroa de espinhos Violentamente Engastada na memória. Nem do escárnio Nem do ágil chicote Que dilacera a carne Dos membros entorpecidos A dor e a agonia provêm Dos corações empedernidos E dos olhares incréus Do mundo hostil.

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Abriste-me a porta da vida
Abriste-me a porta da vida E sacaste-me De uma encruzilhada Indefinida Onde me aquietei. Esperava-te Pacientemente Porque sabia, Sem saber Que Tu estavas Para lá da entrada, Onde creio que Inconscientemente Te aguardei.

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Sustentável Amor
Renascida sou das cinzas da tribulação. Desci às profundezas dos vales desertos, mergulhei nos mares revoltos da ansiedade e banhei-me na lagoa da incerteza. A angústia astuta cirandava divertida ao de redor da minha alma abatida. Tranquei de imediato portas e janelas e lancei-me livremente nos braços do firmamento nas asas de um sonho com nuvens de esperança e estrelas de contentamento. Regressei por fim despojada de mim renovada pelo fogo da dor, e restaurada pelas mãos do Amor que me sustenta e devolve a paz!

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FLÁVIO AMÉRICO
Flávio Américo Dantas de Carvalho nasceu em Natal (RN) em 08 de julho de 1984, era manhã do Dia do Senhor. Nasceu católico, tornou-se evangélico em 1996. Nesse mesmo ano, por causa de uma escolinha de futebol onde jogava, passou a freqüentar a, então, Congregação Presbiteriana de Cidade Satélite, comunidade onde foi batizado e fez sua pública profissão de fé no dia 04 de abril de 1999, Páscoa do Senhor. Foi nessa igreja, a qual ainda faz parte, onde conheceu sua noiva; falaremos dela daqui à pouco. É licenciado e mestrando em História, pesquisando sobre hagiografias medievais, pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Atualmente, é Candidato ao Sagrado Ministério do Presbitério Potiguar, que o enviou para o Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas (SP), onde reside e cursa o Bacharelado em Teologia. É professor, tendo lecionado História em escolas, seminários e na Graduação em História da Universidade onde cursa o Mestrado. Também já lecionou filosofia no Ensino Médio. Faz parte da Aliança Bíblica Universitária desde 2006; no momento, é Assessor em Treinamento da ABUB SP/MS. Mantém um blog próprio com poesias, aforismos, crônicas, artigos, dentre outros, desde agosto de 2008: www.palavrasboladasereboladas.blogspot.com É noivo de Jéssica Régis de Medeiros Costa, com quem namora desde o Natal do Senhor de 2005. Irá casar com essa quase arquiteta no dia 06 de janeiro de 2012, dia de Reis. Ela é imensamente bela, carinhosa, inteligente e piedosa; Isso explica o porquê de Flávio se meter a escrever poesia.

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...ETERNIDADE...!
Faz tempo que o tempo não foi Faz, tempo, teu último pedido Dentro em breve, serás uma vaga lembrança O tempo dá adeus à vida quando dá a Deus a vida. A morte não é o fim do tempo da vida, É o fim da vida no tempo. Enquanto o tempo é, Nós não somos. Quando formos, Ou seja, Quando formos Ele não será mais.
SPS, Campinas, 26 de abril de 2011

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ETERNO QUERIDO
A fé e a Esperança abrem o portão do tempo Para que os prisioneiros da história Possam visitar o Pai Eterno Amor, cálida luz do atemporal, Vacila pela janela da história, Frias e escuras relações humanas, Cuidado! Calor novo na casa dos mortos Fé e Esperança, férias da mudança, Passeios nas praias doces da Eternidade - Já temos que voltar, Pai? - Não acredito que amanhã é segunda O amor é a Eternidade visitando o tempo Lembrancinhas de outras terras Fotografias borradas, fugidias Tolo quem tenta enquadrar - Crianças, o Eterno chegou, venham vê-lo Há braços tristemente molhados na visita - Eterno, querido, quando iremos?
Natal, 03 de fevereiro de 2010

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O SERMÃO DO TEMPO
“Tenho visto tudo o que é feito debaixo do sol; tudo é inútil, é correr atrás do vento”. (Eclesiastes). “Na eternidade, [...] tudo é presente”. (Agostinho, Confissões)

- Nasceu, agorinha, o futuro - Como se chama? - Ele se chamava presente Morreu! Faz pouco dele o tempo - Pobre passado Tudo nessa vida é natimorto Os presentes são sempre tomados de volta De onde virá, Digo vem, Ou melhor, Veio o agora? Droga! Pra onde ele foi? A história é um temporal dos brabos, Arrasta tudo que não se abriga no Alto Debaixo do sol forte do tempo, A secura da alma racha o sorriso no meio Cuidado, amigo, Agora, Lês coisas do passado, Mas olhe pro futuro Pois,
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É tenebrosa a previsão do tempo Quando não se olha para a Eternidade Lá, a Graça, que é sempre presente, É sempre presente.
Natal, 01 de março de 2010

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Saudade do futuro
Como fazer sair o meu sentimento? Queria que vissem o que vejo agora Mas, mesmo aqui, veriam do mesmo jeito A chuva fininha que cai lá fora? Árvores balançando lentamente O vento deixando a pele atenta Esse quadro me desalenta a mente Uma saudade ao meu coração atenta Essa saudade não é das namoradas Não lembro aqui de passados instantes Parece ser saudade do futuro Como lembranças dos dias nas moradas Prometidas em momentos distantes E onde espero aportar, um dia, seguro.

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Amiga Fé
– Vem cá, Fé, Sente Quer uma água? Um café? – Sente? – Sim, Como é boa a doçura da eternidade Enquanto desfia os meus medos, A Fé tece, em mim, a Esperança.

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SER MAIS DO QUE UM VERBO
Está escrito: “EU SOU” Eu, porém, não sou, Pois só conheço incompletude Tu és e somente Tu Mas como posso não ser porque me faltas E Tu seres independente de mim? Não penso que sou só por perguntar Me pergunto, inclusive: “Quem sou para perguntar?” Nunca fui Nem ainda sou Serei um dia Agora sou um dia Talvez um meio dia, Ou melhor, Umas 9 horas Passo rápido Cotidianamente Daqui a pouco anoitece E tudo será ontem Aliás, Tudo será nada, pois será passado Meu ser é apenas verbal Depende do tempo Mas quando estiveres comigo, Eu e o dia felizes seremos Não vejo a hora da chegada desse dia Como não vejo qualquer coisa que ainda não é
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Por isso chamo de esperança E por isso preciso de fé Tal saber só a Ti pertence Tudo que tenho é a confiança De que, quando o esperado for, A esperança não será mais E a morte, Essa sim a última que morre, Descansará Ser não será mais verbo Não estará mais cheio do que perdi; Do que penso que tenho; E do que... “quem sabe?” Ser será substantivo eternamente no infinitivo
Natal, inverno de 2009

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UMA VIDA DURA E A FÉ QUE DURA
A fé madura Dura Numa vida má e dura O viver triste subsiste “persista”, Insta-me a fé Sobre o fardo da vida, a fé diz: Leve, Mesmo não sendo leve A dor sempre existe Resistindo, A fé insiste, insiste, insiste O inacreditável torna-se real Acredite, O irreal passa a ser crível À fé, não compete a prepotência Competindo, A primeira impotente se torna Mas o prazo das minhas forças vence Vencido, Vejo a fé vitoriosa Reconhecendo minha incompetência, Posso Descansar no Onipotente Tudo posso nAquele que pode

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SÓ CORRO ATRÁS DE SOCORRO
Lá fora, parou a chuva Aqui, a dor faz de morada A minha vida tão turva Que manhã tão demorada! A tristeza sempre a traz: A dura e má lembrança Que meu ser vai atrás, Mas um dia também cansa Cansa por ser a busca de algo Que se procura, mas nunca se alcança É como Dom Quixote, fidalgo, Querendo ser como os Pares de França Oh! Meu coração caminha, Entre qualquer fuga e a cidade, Entre o trabalho e a caminha, Mas só vê reinar a fugacidade. Eu preciso de socorro Como um navegador, Do mar revolto, corro, Mas atrás navega a dor Ligo em qualquer jornal Querendo que se conte no ar Algo que me ajude a continuar Esperando outro final Porque se nada por tanto Se nada aqui dá certo? Caso pare de tentar, portanto, quer dizer que acerto?
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Satanás diz que essa vida, É tudo que de nos é devida Afasta-nos de Deus, principalmente, Pois, sobre o que é principal, mente Tentei, por toda via, Encontrar a felicidade Mas espero, todavia, Achá-la na Feliz Cidade

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Uma pipa e o Vento
O Vento passou e deixou arrepio Mas não digo que Ele é passado, Pois, da pele, me lembra cada fio Que Sua presença ainda se faz sentir. Sou, como pipa, guiado pelo Vento Com outras, fico colorindo o céu Se não voar, a pipa deve virar réu, Já que o papel da pipa é voar E esse Sopro, esse Vento cálido, Enche a terra com hálito de vida Tolo, sem graça, é quem duvida Morto, pois só respira o nada Às vezes, quero amarrar o Vento, Pois me angustia o parar de ventar Todo tipo de cerimônia eu tento Inútil, Ele “sopra onde quer” Doce Vento, bondoso e livre, Tenha piedade dessa pobre pipa Guia-me, faze-me voar Contigo E da queda eterna me livre.

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Louvor ao Deus pequenino
As pessoas esqueceram o esperado Cada dia, esquecido Ele era O ar se tornara triste como fado Ou ruína coberta pela hera Mas numa noite escura e fria, Em que nada parecia especial Veio ao mundo quem seria Da vida seca, o manancial Seja louvado, aquele menino Que, ao nascer, trouxe a luz Aquele Deus bem pequenino A todos os povos conduz. O presente, não é tão diferente Está esquecido, o Deus encarnado Só se fala em receber presente Deixando o divino menino de lado Mas se escutas esses cantores, Que te lembram, do natal, o sentido E se tocado pela mensagem fores Agradeça o amor por Deus sentido Seja louvado, aquele menino Que, ao nascer, trouxe a luz Aquele Deus bem pequenino A todos os povos conduz. Cante conosco ao bom criador Que, por amor, pagou o preço Do vil pecado que só cria dor Oh, tanto amor eu não mereço
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Mas obrigado, Senhor Jesus, Por ter me amado tanto O meu amor ao teu não faz jus Mas te dedico esse canto Seja louvado, aquele menino Que, ao nascer, trouxe a luz Aquele Deus bem pequenino A todos os povos conduz.

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Norma Penido
Norma Penido Bernardo “Sou uma serva do Senhor que tem colocado seu tempo, talentos e vida para o crescimento da Sua obra. Sou agraciada por Ele com o dom de escrever poesias, crônicas e peças, levando a muitos a Sua mensagem.” Sua rica poesia devocional tem sido requisitada e publicada em órgãos eclesiásticos (jornais, revistas, sites, blogs, etc.) de todo o Brasil, pertencentes às mais variadas denominações. Mantém o blog http://normapenido.blogspot.com/

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Companheiro de Jornada
Não Andes só. Vou caminhar contigo... Quero ouvir tuas queixas e te dar atenção Se sentires frio, eu te mostrarei um abrigo E se tiveres fome dividirei o meu pão. Vou te amar sem cobranças ou exigência Tendo muito a ouvir e tão pouco a falar Tu não serás para mim apenas aparência Pois a beleza de tua alma, irei alcançar Serei um suporte, se precisares de apoio E nos mares turbulentos remarei a teu lado E antes de tirar o argueiro do teu olho A trave do meu, eu quero ter tirado. E se algum dia, ofendida por ti eu for Certamente o meu coração esquecerá Não por sete vezes, mas como disse o Senhor: - “Até setenta vezes sete, perdoarás...”. Mas não te esqueças companheiro de jornada Que se durante esta nossa longa caminhada Um dia perceberes que eu estou vacilando Se nas minhas palavras eu estiver tropeçando Não te decepciones com a minha atitude Mas por favor, ore comigo e me ajude Se me levantares, contigo voltarei a caminhar. Se me deixares, posso não ter mais onde chegar...
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Vida de Pastor
Ele acorda, levanta, ajoelha e ora Louva, consagra, jejua, exorta, sorri e chora Aprende, ensina, repreende, consola e abençoa Glorifica, prega, unge, visita, compreende e perdoa... Semeia, cultiva, colhe, alimenta e oferece Acalenta, socorre, profetiza, peleja, vence e agradece Brilha, intercede, batiza, santifica, ouve e cala Dá, recebe, restaura, triunfa, edifica, sente e fala... Vida de pastor... Olha o relógio e já está atrasado! Se não tem carro, ele pega um ônibus apertado Vai ao hospital, presídio, velório, ou seja, onde for Em busca da ovelha perdida, pois ele é um pastor... Seu corpo cansado, aguarda a hora de ir pra cama E quando isto acontece logo o telefone chama Levanta apressado e reconhece a voz do outro lado É de uma ovelha aflita que precisa de cuidado. E lá se vai o pastor... Levando consolo ao coração aflito Dos seus olhos rola uma lágrima no lugar do grito É a dor que transforma na alegria da compensação Por ter sido um escolhido para tão sublime missão. É tarde quando volta pra casa, e só neste momento A esposa diz: “Hoje é o nosso aniversario de casamento” O clima de festa... A mesa arrumada... Mas a comida esfriou... E sem jeito ele diz: “Perdoa meu amor, esta é a vida de pastor”.
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Família, o sonho de Deus
Dá-nos lares felizes e abençoados, Senhor! Lares que refletem a luz do teu divino amor Onde haja diálogo, respeito, fidelidade e união Lares que falem bem mais que uma pregação... Lares que sejam templos onde possas habitar Um lugar de adoração, que seja também um altar! Não importa se rico ou pobre, mas que nele esteja O mesmo brilho que ilumina a tua igreja... Senhor, dá-nos lares inabaláveis e fortes! Onde os esposos vigilantes sejam sacerdotes Que conduzem com responsabilidade e amor O pequeno rebanho que lhes entregou o Senhor Lares, onde as esposas sejam mulheres virtuosas Adornando suas casas como pedras preciosas Que guardem a sabedoria como um tesouro de valor Submissas aos seus maridos, como também ao Senhor Lares, onde os filhos sejam como um jardim plantado E façam deste mundo um lugar mais perfumado Cuidados com carinho, como se cultiva uma flor Porque eles são heranças que nos concede o Senhor Senhor, dá-nos lares que resistem às tempestades! Lares que não sejam contaminados pelas vaidades E nem se deixam guiar pelos conceitos mundanos Mas que sejam transparentes, reluzentes e sem enganos Lares que na tua santa presença, façam a diferença Para que sejam o sal da terra e a luz do mundo Levando aos descrentes a chama do amor fecundo Dá-nos famílias, bem constituídas e equilibradas! E teremos igrejas fortalecidas e santificadas Porque toda família, unida pelos laços do amor É um sonho infindo, o projeto mais lindo Que para o homem, sonhou o Senhor...

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Ele Nasceu
Ele nasceu, e mudou a história da humanidade Ele nasceu, para nos dar vida na eternidade Ele nasceu, trazendo ao homem a oportunidade Ele nasceu, trazendo ao cativo, plena liberdade Porque Ele nasceu, não andamos mais sem direção Porque Ele nasceu, colhemos os frutos da salvação Porque Ele nasceu, a sua paz reina em cada coração Porque Ele nasceu, foi restaurada a nossa comunhão Para que Ele nasceu? Para que o amor do pai fosse provado Para que Ele nasceu? Para perdoar todos os nossos pecados Para que Ele nasceu? Para que o poder do mal seja aniquilado Para que Ele nasceu? Para tirar do homem, seu fardo pesado Se creio que Ele nasceu, no seu nome desfaço todo mal Se creio que Ele nasceu, aguardo por sua vinda triunfal Se creio que Ele nasceu, tenho a paz e a alegria eternal Se creio que Ele nasceu, faço de todo dia, “Um Feliz Natal”.

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O Valor da Bíblia
Hoje é o dia da Bíblia sagrada E ao vê-la com júbilo sendo aclamada O meu coração pergunta comovido: Tens dado à bíblia o lugar merecido? Perdoe-me... Ò palavra bendita e santa Pela minha negligencia que é tanta Te conheço há tanto tempo e só hoje percebi Que tão pouco tenho falado de ti,,, Perdoe-me... Porque te deixo sempre fechada Como bibelô sobre o móvel, empoeirada Tens mistérios insondáveis para me revelar Mas nunca te abro, para te ouvir falar Admiro tantas coisas, e não vejo a tua beleza Em tudo procuro valores e não acho a tua riqueza Com muita ousadia, de vários assuntos falo Mas se falam de ti, com timidez eu me calo Mas hoje, prometo que vou te valorizar! E que no meu coração, farei o teu altar Onde quer que eu for, te levarei comigo Para guiar meus passos ao seguro abrigo Pois tu és, uma linda história de amor! Uma história, cujo próprio Deus é o autor Outorgada com sangue naquela rude cruz Quando pelos nossos pecados morreu Jesus Por isso minha bíblia, eu vou te valorizar Em todo tempo, ocasião, e em todo lugar Nos campos ou na cidade, de ti vou fazer menção Para que todos os perdidos, encontrem a direção
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Pois tu és a palavra, santa, bendita e fiel Que abre na terra, uma porta para o céu...

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Bíblia
Não me conheces? Eu sou a Bíblia Sagrada Sou a palavra de Deus ao homem revelada O livro dos livros, a palavra santa e bendita Que para a salvação do mundo foi escrita Leia-me! E encontrarás a verdadeira sabedoria Pois desfaço todo engano, mentira e heresia Revelo a vida, a morte e a redenção de Jesus Que de tanto amor, se deu por ti numa cruz Guarda-me! Quero ser escondida no teu coração E como uma bússola, eu te mostrarei a direção Não errarás o caminho, nem andarás ao léu Pois terás a certeza da tua entrada no céu Valoriza-me! Sou um tesouro de grande valor Por que se obedeceres aos estatutos do senhor Ele te acrescentará riquezas, bens e prosperidade Não só nesta terra, mas também na eternidade Proclama-me! Leva-me aos lugares distantes Onde vidas sem Cristo caminham errantes Leva-me aos tristes e turbados de coração E eu lhes mostrarei o caminho da salvação Creia-me! Eu sou a fonte de água cristalina O livro por excelência que a verdade ensina Sou imparcial, sou infalível, sou digna e fiel Sou luz, sou espada, sou a porta para o céu.

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Mestre, como esquecê-lo?
Como posso esquecer neste feliz momento Alguém que com tanto desprendimento Dedica a sua vida para o bem de outras vidas Que renuncia o lazer e passa noites indormidas Combatendo os vestígios da fadiga cruciante Fazendo de tudo para poder levar avante A sua tão sublime missão de ensinar... Este alguém com certeza é um mestre querido Que embora mal remunerado ou até esquecido Ainda guarda no peito o grande contentamento De levar a tanta gente o poder do conhecimento Que faz deste mundo um lugar bem melhor... Mestre! É impossível tirá-lo da minha existência Pois em cada passo eu posso ver com veemência O valor dos conhecimentos e de tantos ensinamentos Que amorosamente, um dia você passou para mim... E durante as batalhas, diante de tantas muralhas Eu prossigo com firmeza, me sentindo confiante Porque guardo comigo e faço uso a todo instante Das suas palavras, do seu exemplo e da sua conduta Eles são os incentivos, que me levam com passos decisivos A entrar nos grandes combates e vencer a árdua luta Lembrando seu cuidado, entendo as palavras expressivas: “Tu te tornas responsável por aquilo que cativas” Verdadeiramente, me seria impossível simplesmente Apagar as suas marcas na minha caminhada Por isso, enquanto eu peregrinar por esta estrada Louvarei a Deus por sua vida, para que em toda sua lida Nunca lhe falte o amor, a paciência, o cuidado e a fé
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Para que meu mestre querido seja cada vez mais parecido Com o Mestre dos mestres: Jesus de Nazaré.

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Pai & Filho
Foi uma linda cena que jamais será esquecida: De mãos dadas, sorrindo e despreocupados Pai e filho seguiam pela estrada da vida... O pai, com mão forte segurava firmemente A frágil mão do filho, que tranquilamente Se deixava levar, na certeza que ia chegar Às águas tranqüilas, ao porto feliz e seguro Vendo a cada passo, as coisas lindas do futuro Pai e filho, uma cena singela, porém marcante Que me levou a meditar naquele breve instante No grande contentamento, no feliz momento De um filho que caminha com o pai... Pai! Não deixe o teu filho caminhar sozinho Segure a sua mão com amor e carinho Ensine-o a cultivar no seu pequeno coração A preciosa semente do amor e do perdão Teu filho não é teu, é herança do Senhor Segure a sua mão como um bom condutor Brinque , corra, torna-te criança também Invista o teu tempo, o teu talento, vá além! E verás um dia que a boa semente plantada Que com tanto amor, por tua mão foi regada Enfim germinou, floresceu e deu frutos bons Neste dia, terás na tua alma a tranqüilidade De ter cumprido com amor e responsabilidade A sublime missão, que é fazer de uma criança Um homem de valor, uma vida de esperança Pai! Segure a pequena mão do teu filho Não deixe que o mundo venha a ofuscar
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Esta pureza tão grande, este inefável brilho Que o Senhor colocou em seu olhar...

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Mãe
Mãe, eu não sabia que eras tão linda Até que amamentaste junto à janela O amor que fluías te deixava ainda Mais graciosa e muito mais bela. Mãe, eu não sabia que eras tão doce Até que teu filho ensaiou o primeiro passo Abraçaste-o com ternura como se possível fosse Tanto amor ser contido num abraço. Mãe, eu não sabia que eras tão zelosa Até que teu filho, para a escola caminhou De mãos dadas pelas ruas, seguias orgulhosa Limpo e bem cuidado, tua herança do Senhor. Mãe, eu não sabia que eras tão sábia Até que teu filho se tornou adolescente Cercado pelas dúvidas, tu abrias a palavra E de Deus buscavas a resposta coerente. Mãe, eu não sabia que eras tão solidária Até que teu filho sentiu a primeira decepção Outra vez no colo enxugaste suas lágrimas E o fizeste dormir com uma linda canção. Mãe, eu não sabia que eras tão santa Até que teu filho, por este mundo afora se foi Sufocaste a dor e o soluço na garganta E sorrindo dizias: Meu filho, Deus o abençoe...
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Os passos de um homem bom
Se lançares o teu olhar pela estrada da vida Com certeza verás as marcas nela contida São os passos dos caminhantes da longa estrada Que deixaram pelo caminho as suas pegadas Alguns passos são tortuosos e sem direção Outros indecisos, sem objetivos, sem convicção Muitos são enganosos e desviam-se do caminho E há passos maldosos que semearam o espinho Mas entre tantos passos, no meio de tanta gente Verás que nesta estrada, alguns pisaram diferente São os portadores da luz que proclamam salvação Os semeadores de amor neste pedaço de chão. Seus passos têm as marcas dos passos de Jesus Que levam ao vil pecador a mensagem da cruz Gotejando pelo caminho o bom perfume de cristo Conduzindo as ovelhas para o bom aprisco E se olhares mais uma vez estes passos santos Verás que em todo tempo eles foram tantos! Mas entre todos, verás ao longo da estrada Os passos de um homem bom, de vida renovada Seu nome? Pode ser obreiro ou missionário Pode ser ceifeiro, irmão, servo ou pastor Pois todos os seus passos conduzem ao calvário Onde resplandece a luz do Salvador...
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JORGE PINHEIRO
Cabo Verde, 1944 Licenciado em História pela UL Professor do MEIBAD - Instituro Bíblico das Assembléias de Deus, Fanhões Autor de: "O Messianismo", Pró-Luz, Lisboa, 1975 Co-Fundador da BARA-Associação Evangélica de Cultura Conferencista com monografias publicadas Tradutor Mantém o blog http://rua-reflex.blogspot.com/

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samaritana
Vai, samaritana, vai! Vai e conta a toda a gente que as notas da desdita não mais serão tangidas Vai, samaritana, vai! Vai e conta aos teus ― no grupo dos indiferentes ― no monte dos zombadores que o ar da comiseração deixou de ser respirado. Vai, samaritana, e conta a todo o mundo que as pedras do desânimo já não ferem tuas carnes porque foram removidas. Vai, samaritana, e pelas praças e becos ergue alto a tua voz porque o barro da vergonha na água do amargor amassado, cozido e ressequido jaz desfeito em pedaços espalhado. Vai! E alça tua fronte erguida ao novel escárnio e zombaria de quem te não quer escutar que no poço de Sicar
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enterraste o mau viver. Vai! E mostra no canto das aves na simplicidade das coisas simples que a poeira maldita da proscrição jaz amordaçada aos pés de um luz nova real e tangível

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chove em Lampedusa!
Chove em Lampedusa! Mas na minha Lampedusa nunca chove a não ser em noites de lua-cheia quando o mar se agita e o vento assobia por entre as folhas dos salgueiros. Mas chove em Lampedusa e não é meia-noite nem noite de lua-cheia. Chove em Lampedusa! Nos socalcos da lembrança nas bocas do desespero nas ondas do teu sorriso. Mas na minha Lampedusa só chove quando o canto se esgota nas goelas do tempo quando o suspiro se escoa pelos dedos da aurora clara Mas chove em Lampedusa e não há sorrisos nem lembranças nem a aurora é clara mas vazia. Chove em Lampedusa no riso das crianças no murmúrio do teu olhar no fulgor do teu corar. Mas na minha Lampedusa só chove quando a maré envolve os sonhos naufragados nos braços insanes do desejo e o refluxo do medo traz de volta a esperança do recomeço. Mas chove em Lampedusa e o desejo não veio nas naus da ansiedade!
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Chove em Lampedusa e a chuva que cai de mansinho apagou o roteiro do caminho de regresso. Chove em Lampedusa e na minha Lampedusa só chove nos caminhos de regresso a Lampedusa.

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as tuas mãos
as tuas mãos eram uma chama e sorriam-me abriam sulcos na despedida as tuas mãos estavam em brasa e despiam-me os sonhos amortecidos as tuas mãos eram um sonho corriam céleres pelos caminhos da memória as tuas mãos eram um livro na página em branco que floriu as tuas mãos são um sorriso no aceno da chama que passou no fulgor do sonho que ficou despindo a manhã clara nos teus olhos que vestiam meus devaneios deixa que escreva as mãos no solo mártir da lembrança deixa que te lembre as mãos diáfanas, marcadas marcantes, desejosas e abrace o sonho que ficou

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quando partires
Quando partires não estarei só. Fica comigo alguma coisa que é tua e não levaste. Quando partires não ficarei só. No buraco da parede permanece reflorido o canto dos teus sonhos em manhãs que fazias plenas de magia. Quando partires não me deixarás só. Teus passos soam pelo soalho anunciando o regresso quotidiano da tua prece de esperança mesmo quando te vestias de desânimo e prostração. Quando partires não me sentirei só. A tua presença é viva e forte e não me dirás que encetaste a viagem de onde tu jamais regressarás.

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nas estrelas
Nas estrelas, o som de uma criança, o brilho de uma espada mais forte o impulso de as seguir. Não sei de do oriente talvez do ocidente o norte se encontre na coberta calada da noite o grito se escoa e a mãe que chora lamento cruzado no palácio menor o ditador adormece. O reino prossegue.

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um livro por noite
De um livro por noite dizem as crónicas se alimentava Hitler. Outros lhe incendiaram a alma vivos na penumbra da memória feitos carne e gemidos lidos no drama do Arbeit macht frei

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prece
Senhor! Não queria ser um Pedro pregando às multidões do que quer isto dizer? Não queria ser um Paulo de quem o fogo engordou com a víbora que o mordera. Não queria ser um Abrão de Ur, lá longe, na Caldeia ouvindo Teu chamado seguindo o rumo por Ti apontado. Não queria ser um Moisés levando Teu povo avante enfrentando Faraó com a mensagem do Deixa sair meu povo. Não queria ser um David de mão forte e poderosa que engrandeceu o Teu Reino. Ah, Senhor! Não sei de outro pedido que este pedido me baila e preso não se quer ver na prisão do coração! Senhor! Queria ser a pedra do Decálogo com a marca dos Teus dedos.
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Queria ser a mão do Baptista de dedos que tocaram a Palavra da Vida. Queria ser a talha de pedra testemunha do Jesus-Elohim como marca da nova ordem que Tu inauguraste. Queria ser a areia da praia com o amor das Tuas palavras chovendo sobre o mar da humanidade. Queria ser o chicote do Templo usado em Tuas mãos para escorraçar das mentes o falso temor a Ti. Queria ser o ar que Tu respiraste quando predisseste de Jerusalém quando multiplicaste os pães quando viveste aqui quando morreste por mim qual momento sempre presente do Teu amor insondável. Queria ser todo Teu, não na jactância ou com glória mas na humildade das coisas pequeninas porque estão junto de Ti.

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no longínquo distante
no longínquo distante as névoas irromperam a manhã cruzaram lembranças despojaram desejos no longínquo distante a manhã despiu-se de mágoas floriu em pranto no longínquo adeus as mágoas cruzaram do mar o azul vestiram-se de breu no longínquo azul as lembranças cantaram as névoas vestidas em sonho vencidas revoltas na longínqua revolta as névoas…

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encontros
encontros são desencontros desencantados encantos nos recantos sem voz vibra-lhe o som esquecido na mortalha prenhe de esperança no nada mergulha retira-lhe a venda venda-lhe a mágoa magoa-lhe o ser e o canto surge dolente, sereno, paciente no encontro disperso da nota desfeita e o encanto refez-se

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o dia inundou a cidade
o dia inundou a cidade despiu-lhe os sonhos vestiu-a de cores percorreu-lhe os anseios cruzou-lhe as entranhas no largo do canto há pétalas floridas cobertas de névoa soltas, grisalhas, persistentes o dia correu pelas almas doridas constante doçura de um sopro cortante marcado inquieto as farpas fartas do desejo morriam lentas sedentas na sua imobilidade agitada o dia desceu pelos risos sopro ansioso despejado em vazios cantantes a cidade acordou despojada ― no beco desfeito na praça alçado o mármore humano.

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SUGESTÕES LITERÁRIAS
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