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MANUAL DE TÉCNICAS DE APOIO NOS

CUIDADOS DE SAÚDE/GERIÁTRICOS

Formador: TERESA VIEIRA


Data: 02/03/2019
Índice
Módulo 1 – Deontologia e Ética Profissional e Rede Nacional de Saúde ...............................................................4

Deontologia e Ética profissional ...................................................................................................................................4

Desigualdade em Saúde................................................................................................................................................8

Organização do Sistema Nacional de Saúde ...............................................................................................................10

Tipologia de Cuidados de Saúde .................................................................................................................................11

Plataformas digitais em saúde ....................................................................................................................................15

A pessoa como centro do Sistema Nacional de Saúde ...............................................................................................16

A pessoa idosa ............................................................................................................................................................17

A pessoa em fase final de vida ....................................................................................................................................18

Módulo 2 – Prevenção e Controlo da Infeção: princípios básicos a considerar na prestação de cuidados de saúde
......................................................................................................................................................................... 21

A microbiologia, microrganismos e a sua utilidade ....................................................................................................21

Microrganismos e o processo de doença....................................................................................................................24

Doença, infeção e doença infeciosa ............................................................................................................................27

Prevenção e controlo da infeção ................................................................................................................................28

Precauções dependentes das vias de transmissão .....................................................................................................32

O isolamento ..............................................................................................................................................................32

Vias de transmissão ....................................................................................................................................................33

Recomendações para as diferentes unidades de saúde .............................................................................................35

Recomendações para cuidados específicos ................................................................................................................36

Higienização das mãos e EPI .......................................................................................................................................37

Módulo 3 – Cuidados da Saúde Materno – Infantil ............................................................................................ 39

Desenvolvimento gestacional .....................................................................................................................................41

O parto ........................................................................................................................................................................42

O puerpério ................................................................................................................................................................43

Direitos e deveres da criança ......................................................................................................................................45

Programa Nacional Saúde Infantil e Juvenil ................................................................................................................47

Crescimento e desenvolvimento infantil ....................................................................................................................48

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A alimentação no primeiro ano de vida ......................................................................................................................52

Sinais e sintomas comuns na infância .........................................................................................................................55

A higiene do recém-nascido e lactente.......................................................................................................................62

Higiene e cuidados com os olhos, ouvidos, nariz e unhas ..........................................................................................64

A fralda: a sua muda e o desmame, quando? ............................................................................................................65

O sono dos bebés .......................................................................................................................................................66

A alimentação, sono e higiene na criança...................................................................................................................68

Hospitalização e as crianças ........................................................................................................................................70

Ocupação dos tempos livres, sim ou não?..................................................................................................................72

Bibliografia ....................................................................................................................................................... 73

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Módulo 1 – Deontologia e Ética Profissional e Rede Nacional de Saúde

Deontologia e Ética profissional

Princípios deontológicos e éticos regem a nossa sociedade. Estamos sujeitos à aplicação de


imposições que temos o dever de cumprir em todos os contextos da nossa vida, não sendo o contexto
laboral uma exceção. Quer seja pelas normas e deveres que nos são impostos a cumprir, quer seja
pela parte intrínseca que dedicamos ao nosso contexto laboral, os conceitos de ética e deontologia
estão presentes no nosso dia-a-dia, muitas vezes de forma inconsciente. A deontologia pode ser
definida como a filosofia das normas e do dever. Muitos grupos profissionais apresentam um código
deontológico, que funciona como um código de conduta, ou seja, de normas que devem ser
cumpridas no exercício daquela profissão. Estes códigos de conduta apresentam-se como
documentos jurídicos e como tal tem poder legal podendo ser utilizados para penalizar um indivíduo.

Muitas das orientações deontológicas tem fundamento em princípios éticos. A ética apresenta-se
como a filosofia do pensamento humano, da moral e é aquilo que nos faz agir de uma determinada
maneira, tendo sempre em linha de conta o bem-estar do próximo e a concordância com aquilo que
somos, que de mais intrínseco temos. Estes dois conceitos, ética e deontologia, estão muito
relacionados com o ser um bom profissional. O profissional responsável é aquele que respeita as
normas e cumpre os deveres da instituição onde está inserido e esta ação é complementada por
aquilo que o move diariamente, o ser bom, o fazer o bem.

Assim, um bom profissional deve fazer cumprir as regras, deve ser tecnicamente exímio na sua área,
diferenciando-o do vulgo não profissional, e é em conjunto com a parte ética que se poderá atingir a
excelência, porque o que move o profissional é o compromisso pessoal com a sua profissão, a
dedicação (Amendoeira, J., 2012).

Intimamente relacionado com estas questões de ética e deontologia no âmbito profissional, surge o
sigilo profissional, que se apresenta tanto como um dever a cumprir como um direito da pessoa, que
merece respeito pela sua privacidade e confidencialidade do que transmite e é conhecido, portanto
faz parte da esfera da ética, cumprir este resguardo. Numa era em que a informação de todo o tipo é
facilmente acessível e a sua divulgação amplamente difundida, podemos eventualmente esquecer
que existem determinados tipos de informação que são do foro privado. O direito à informação está
definido como tal mas a sua resguarda para determinados grupos profissionais é um dever, por

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exemplo no que diz respeito, aos médicos, aos enfermeiros, aos advogados, aos bancários, entre
outros.

Como afirmam Pereira, A. et al (2012), “O sigilo profissional é o dever dos profissionais de saúde em
respeitar e proteger o direito das pessoas à reserva da intimidade da vida privada e à
confidencialidade das informações e dados pessoais”. Desta citação podemos entender que a
privacidade e a confidencialidade são coisas diferentes. A privacidade consiste em limitar o acesso a
determinada pessoa ou objeto, por exemplo quando um doente afirma que não quer que
determinada pessoa o visite, seja esta familiar ou não, devemos fazer respeitar este princípio da
privacidade e respeitar a sua vontade. Por outro lado, a confidencialidade, consiste em guardar as
informações que estão em nosso poder, não divulgá-las. Não deveremos partilhar informações do
nosso utente/doente com familiares ou amigos só porque apresentam uma relação de proximidade,
estes dados dizem respeito apenas e unicamente ao doente. O doente/utente sim, poderá partilhar
a informação que entender com quem entender.

Principalmente, para os profissionais de saúde, este tema assume-se como de grande importância,
uma vez que, temos diariamente acesso a dados e informações pessoais, que observamos a
fragilidade das pessoas, que lidamos com informações clínicas, e porque as pessoas, doentes e
utentes, nos encaram como pessoas de confiança, que transmitem segurança, com as quais podem
partilhar informações que muitas vezes não partilham com família, amigos ou pessoas próximas.
Assim, é dever destes profissionais não quebrar a confiança neles depositada e de continuar a
perpetuar esta ideia e o respeito pela pessoa.

Este direito da proteção da informação está descrito na Constituição da República Portuguesa


apresentando, desta forma, poder legal e a possibilidade de punição quando não cumprido. Assim
como está descrito na Lei de Bases da Saúde, documento legal que define as políticas de saúde do
Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A Lei de Bases da Saúde foi criada em 1990 e como o próprio nome o indica, é um documento legal
que apresenta o fundamento, os princípios de funcionamento do SNS português. Este documento
apresenta quarenta e cinco bases e aborda temas como o acesso aos cuidados de saúde, as políticas
de saúde, direitos e deveres dos cidadãos, o estatuto legal dos utentes e a formação contínua dos
profissionais. Em suma, refere tudo o que envolve o SNS, políticas de funcionamento, gestão, recursos
humanos e materiais.

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Em dezembro de 2018, foi aprovada em Conselho de Ministros, a “nova” Lei de Bases da Saúde, ou
seja, este documento legal foi revisto por uma comissão formada para este propósito e foram
efetuadas alterações. Estas últimas refletem o panorama internacional atual, no que concerne ao
problema da imigração e dos refugiados. Como tal, um dos estatutos foi alterado para passar a incluir
como beneficiários do SNS os cidadãos portugueses e da União Europeia, estrangeiros residentes em
Portugal e cidadãos nacionais de países terceiros ou apátridas, como já estava previsto no documento
anterior, bem como, com a reformulação, passam a poder beneficiar do SNS migrantes com ou sem
a respetiva situação legalizada. Esta atitude de mudança promove a equidade e a igualdade de todos
os cidadãos, sejam eles também refugiados e imigrantes ilegais, que veem reconhecido um direito
universal do Homem, que é o acesso à saúde.

Especificamente falando sobre a rede nacional de saúde portuguesa, esta é constituída pelo sistema
nacional de saúde que engloba tudo o que são entidades prestadoras de cuidados de saúde, sejam
elas instituições sob alçada do Ministério da Saúde ou não, fazendo parte desta esfera o setor privado
e o setor social. Quando nos referimos aos cuidados de saúde prestados pelo Estado português,
estamo-nos a referir ao SNS.

Figura 1 Constituição do Sistema Nacional de Saúde.

O SNS foi criado, por decreto-lei em 1979, com o objetivo primordial de proporcionar à população o
direito da proteção à saúde, permitindo o acesso da população a uma rede de instituições que

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prestassem cuidados de saúde globais. Refletindo um pouco sobre a história passada, a prestação de
cuidados de saúde na antiguidade era responsabilidade da família, na saúde e na doença era no seio
familiar e das suas casas que as pessoas eram tratadas. Com o passar dos anos, ocorreu uma
transferência de cuidados. Inicialmente, em 1899, o Estado era responsável pela assistência aos
pobres, contudo, posteriormente em 1945, reconhece-se que o Estado deve ser o responsável por
assegurar a gestão de saúde de toda a população, uma vez que as condições sanitárias do país eram
insalubres e a quantidade de doenças provocadas e propagadas por estas deficientes condições era
enorme e a taxa de mortalidade refletia isso mesmo. Desta forma, são criados os primeiros hospitais,
no entanto, o Estado entrega a sua gestão às misericórdias e mais uma vez, descarta-se da sua
responsabilidade, providenciando apenas os recursos físicos e materiais para a efetiva prestação de
cuidados (SNS, 2017).

Em 1958 surge o Ministério da Saúde, ao qual é atribuída a gestão da saúde pública e assistencial.
Um esboço do SNS é desenhado em 1971 mas este só é efetivamente criado oito anos depois. No
decreto-lei da criação do SNS é explicitamente escrito que o Estado é responsável pela prestação de
cuidados integrados, ou seja, deve assegurar todo o tipo de cuidados, dos menos diferenciados aos
mais específicos e especializados e que este serviço é gratuito. Um dos objetivos era tornar o acesso
à saúde universal e generalizado e mais perto das populações, desta forma estabelece-se como um
serviço descentralizado, com órgãos centrais, regionais e locais com prestação de serviços
comunitários e diferenciados (hospitais).

Como já referido anteriormente, a Lei de Bases da Saúde foi criada em 1990, no sentido de
uniformizar todas as políticas de saúde do SNS, define a saúde como um direito e uma
responsabilidade não só do Estado mas do cidadão e da sociedade no geral. Com a criação desta lei
é também alterado o estatuto do SNS de gratuito para tendencialmente gratuito, ou seja, os serviços
de saúde são gratuitos com determinadas exceções (SNS, 2017).

A criação da rede de Cuidados de Saúde Primários (CSP) semelhante à que conhecemos atualmente
acontece em 2003, com o reforço principal do seu papel mais importante que é a prevenção da
doença e a promoção da saúde. É também responsável pela gestão da doença aguda e crónica e a
articulação, ou seja, trabalho conjunto com os cuidados diferenciados. Esta é a primeira linha de
cuidados da população e como tal, deve ser facilmente acessível e estar realmente próximo das
populações. Neste mesmo ano, são aprovadas as taxas moderados com o objetivo de racionalizar o

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acesso aos cuidados de saúde.

A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) é criada em 2006. Esta rede é criada
com o objetivo de aumentar a resposta disponível face ao momento que vivemos, de aumento da
esperança média de vida, consequente progressivo envelhecimento da população e maior taxa de
pessoas com doenças crónicas incapacitantes. Tudo isto é também uma consequência de todo o
desenvolvimento científico e tecnológico na área da saúde, que aconteceu nas últimas décadas. Este
desenvolvimento é um peso com duas medidas no sentido em que permite cada vez mais o
tratamento eficaz de doenças agudas, de forma mais rápida e menos invasiva como o próprio
tratamento em si, como também permite o prolongamento de situações de doença crónica que
anteriormente teriam um desfecho diferente. Tudo isto acarreta custos, até porque maior
desenvolvimento é sinónimo de tecnologia mais avançada e consequentemente maiores custos com
o seu investimento e com a sua manutenção.

Desigualdade em Saúde

Um dos princípios do SNS é ser universal no acesso a todos os cidadãos e garantir a equidade no
acesso dos utentes, combatendo desigualdades económicas, geográficas e quaisquer outras que
possam existir. Assume-se assim, que dois dos objetivos mais importantes são garantir o acesso e a
equidade no que à saúde respeita. O princípio da igualdade é amplamente incentivado, no entanto é
importante diferenciar equidade de igualdade, uma vez que são dois conceitos bem diferentes. A
igualdade pode ser apresentada como a repartição igualitária de alguma coisa, sem diferenciar
nenhuma característica, já a noção de equidade implica justiça na distribuição de algo, tendo em
consideração os recursos e características que cada um apresenta.

Figura 2 Diferença entre os conceitos de igualdade e equidade.

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Considerando esta última definição, podemos inferir que existem situações específicas de
desigualdade no acesso à saúde em Portugal, uma vez que determinadas situações, invalidam o
acesso e a equidade aos cuidados de saúde. Tomando como exemplo o caso específico dos centros
de saúde e dos hospitais. A sua distribuição não é uniforme no país, uma vez que é de conhecimento
geral que estas instituições estão mais centralizadas em zonas litorais, por sabermos também que é
a zona de maior concentração da população. No entanto, no interior além destas instituições
existirem em menor número, sabemos que a população daquelas zonas tem que ultrapassar uma
maior área para ter acesso a elas e que, também sabemos são maioritariamente pessoas com menos
recursos físicos, monetários e mais envelhecidas, muitas das vezes sem suporte familiar. Também o
acesso a serviços de saúde mais diversificados e a profissionais de saúde mais qualificados nas zonas
rurais é menor, pela mesma razão de que os profissionais se concentram em áreas mais citadinas pela
maior oferta de trabalho e disposição de serviços de formação contínua, aperfeiçoando
continuamente as suas técnicas. Este apresenta-se apenas como um dos exemplos que refletem a
situação de desigualdade em saúde no nosso país.

Estando despertos para esta realidade da desigualdade em saúde, em 2001 foi decidido pela
comunidade internacional que uma das metas para o novo milénio (Objetivos de desenvolvimento
do milénio – ODM) seria diminuir as desigualdades em saúde que existem quer entre países
desenvolvidos e em vias de desenvolvimento, entre ricos e pobres, homens e mulheres e
comunidades urbanas e rurais. Poderemos ter limitações no acesso, causados por custos, idiomas,
ausência de proximidade, por políticas e práticas que limitem uma determinada cultura (ex: jeovás),
fraca qualidade dos profissionais e falta de disponibilidade de recursos humanos e materiais.

Depreendemos desta análise que o acesso é a possibilidade de obter alguma coisa, um bem ou
serviço, num determinado tempo. As listas de espera para determinados tratamentos podem ser
condicionadas, por falta de recursos humanos, sendo este outro motivo limitador da disponibilidade
e consequente acesso, como por recursos materiais. O pagamento parcial ou total de tratamentos,
continua a condicionar o acesso a pessoas com menores condições económicas, temos como exemplo
o pagamento de taxas moderadoras. As diferentes comunidades terem acesso a cuidados de saúde
na sua língua, respeitando as diferentes formas culturais, faz com que essa parte da população não
se sinta restringida e discriminada no acesso aos cuidados de saúde. A não informação sobre a sua
própria saúde, estratégias preventivas e sobre os diferentes tipos de serviço disponíveis na
comunidade constitui uma desigualdade no acesso à saúde. Assim como, o emprego precário e

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mesmo a falta dele poderá ser outra situação de limitação no acesso à saúde pela população (Ordem
dos Enfermeiros, 2011).

Concluímos desta maneira, que discriminação, não se restringe apenas ao género, sexo, raça ou
estatuto socioeconómico. A discriminação pode acontecer também quando não há resposta por
parte das instituições de saúde a determinadas doenças ou existe a estigmatização da doença, no
caso por exemplo das doenças sexualmente transmissíveis. Diminuir barreiras apresenta-se assim,
com um dos objetivos do SNS, torná-lo acessível a todos e este objetivo implicou uma
descentralização, ou seja, tornar estes órgãos e entidades prestadoras de cuidados, de facto
acessíveis a todos, próximos da população, distribuí-los da melhor forma pelo país e não apenas em
pontos focalizados. Este foi um processo que foi ocorrendo ao longo de anos.

Organização do Sistema Nacional de Saúde

O SNS é tutelado pelo Ministério da Saúde e depois localmente pelas Administrações Regionais de
Saúde (ARS). As ARS são responsáveis pela gestão da saúde da população da área geográfica que
abrangem, segundo as diretrizes do Ministério da Saúde. São dotadas de autonomia administrativa e
orçamental, este último para os CSP. Cada programa governamental estabelece as suas políticas de
saúde, que vão sempre de encontro àquelas estabelecidas na Lei de Bases da Saúde, normalmente
incidem sobre a promoção da saúde e a prevenção da doença, o acesso e a equidade aos cuidados
de saúde, a participação da população nas comunidades e a capacitação para a gestão do seu
processo de saúde, a educação para a saúde, a atenção aos grupos de pessoas mais vulneráveis e de
maior risco, o apoio à formação e à investigação na saúde.

A nível internacional, temos a OMS, que tem como missão garantir o acesso universal à saúde e lidar
com questões relativas à saúde global mundial. Promove uma variedade de atividades,
principalmente no combate a doenças. Portanto, depreende-se assim que há um trabalho conjunto
entre estados e organizações internacionais na promoção e implementação de determinadas políticas.
Todos a “trabalhar” para os mesmos objetivos.

Relativamente à articulação do SNS com o setor privado e social, existe uma parceria complementar
e suplementar, ou seja, o SNS apoia o desenvolvimento de instituições privadas de prestação de
cuidados de saúde, no sentido em que estas podem vir a colmatar necessidades existentes no SNS.
Este apoio também se pode traduzir na facilitação da mobilidade de profissionais de saúde que
pretendam trabalhar neste setor. No que concerne ao setor social, as Instituições Particulares de

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Solidariedade Social (IPSS) prestam cuidados a favor do bem-estar do cidadão. Podem ser financiadas
pelo Estado e pelas autarquias locais. As IPSS são entidades coletivas, sem finalidade lucrativa,
constituídas exclusivamente por particulares com o dever da moral e da justiça (Segurança Social,

2016).

Figura 3 Organização e articulação do Sistema Nacional de Saúde.

O SNS é constituído por diferentes tipos de unidades de saúde, que prestam cuidados de saúde
adequados às suas estruturas e especificidades.

Figura 4 As unidades de saúde em Portugal.

As Unidades Locais de Saúde (ULS) inserem-se no âmbito do SNS, com o objetivo de articular todos
os níveis de cuidados, os diferenciados e os primários, aumentando a cooperação e articulação entre
eles, diminuindo por exemplo, o número de internamentos desnecessários. Tem como objetivo a
prestação de cuidados de saúde à população. Existem seis ULS no país.

Tipologia de Cuidados de Saúde

Como referimos anteriormente, diferentes unidades de saúde, prestam cuidados de saúde

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específicos. A nível de estrutura e do tipo de cuidados que oferecem, em Portugal, estes diferenciam-
se em quatro modalidades, os CSP, os cuidados diferenciados, os cuidados continuados integrados e
os cuidados paliativos. Os CSP que incluem os cuidados domiciliários, oferecem cuidados integrados
e qualificados e devem estar ao alcance de todos os indivíduos, com um custo que o país e a
população possa manter e suportar.

Os cuidados diferenciados pelo seu nível de diferenciação, oferecem os cuidados mais especializados.
A RNCCI objetiva intervenções de saúde e de apoio social centrados na recuperação global da pessoa,
com o objetivo de promover a sua autonomia, em situação de dependência, através de reabilitação,
readaptação e reinserção familiar e social. Consiste num nível intermédio de cuidados, entre os
cuidados de saúde primários e os hospitalares e fazem parte da esfera do SNS e da segurança social.
Promovem também a manutenção do conforto e qualidade de vida mesmo em situações
irrecuperáveis. Prestam cuidados, independentemente da idade, a pessoas com algum tipo de
dependência. A rede é constituída por unidades e equipas de saúde e apoio social e equipas de
cuidados paliativos. A sua coordenação é realizada a nível nacional, pelo Ministério do Trabalho e da
Solidariedade Social e Ministério da Saúde, e também a nível regional e local.

Integram a RNCCI diversas tipologias de serviços, unidades de internamento (unidades de


convalescença, unidades de média duração e reabilitação (UMDR), unidades de longa duração e
manutenção (ULDM) e unidades de cuidados paliativos), unidades de ambulatório, equipas
hospitalares (equipas de gestão de altas (EGA) e equipas hospitalares de suporte em cuidados
paliativos (CP) e por fim equipas domiciliárias (equipas comunitárias de suporte em CP e equipas de
cuidados continuados integrados (ECCI).

As unidades de convalescença podem ter uma permanência de até um mês, a UMDR até três meses
e a ULDM tem um carácter temporário (até 90 dias por ano, em caso de falta de apoio familiar ou
stress do cuidador principal) ou permanente, pelo menos três meses. Preconiza um internamente
superior a 90 dias consecutivos. Existem determinados critérios para admissão na RNCCI, como por
exemplo, idosos com critérios de fragilidade, incapacidade grave com forte impacto psicossocial e
doença severa, em fase avançada ou terminal. Uma pessoa com uma ou mais destas características
pode ser referenciada para o ingresso na RNCCI pelas ECCI, pelos CSP ou pelas EGA. A nível hospitalar,
as EGA solicitam a admissão e a equipa de coordenação local (ECL) avalia e dá o seu parecer sobre a
unidade onde o doente deve ser admitido. A nível comunitário, este processo é comunicado pelo

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diretor clínico da unidade funcional à ECL (DL n.o 101/2006, de 6 de junho).

Noutra tipologia de cuidados, os CP previnem o sofrimento e promovem a qualidade de vida máxima


possível ao doente e sua família (DGS, 2005). Devem ser parte integrante do sistema de saúde. Em
Portugal, é ainda escassa a resposta nesta área. Existe ainda uma grande dificuldade por parte de
alguns profissionais de saúde, principalmente médicos, de encarar a morte como um desfecho
inevitável, como algo natural e inerente à vida. Despromover a morte hospitalizada, reconhecer o
limite de cuidados a doentes que padecem de doenças crónicas com progressão evolutiva de declínio
são objetivos do CP.

Os CP são preventivos, preventivos do sofrimento, pretendem ajudar os doentes terminais a viver


ativamente até à sua morte (APCP). Exige uma equipa de profissionais multidisciplinar, como médicos,
enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais. Temos uma rede nacional de cuidados paliativos em que
apenas em 2016 foi criada uma comissão nacional. Portugal pretende o desenvolvimento dos CP, em
matéria de formação dos profissionais de saúde, em investigação e na prestação de cuidados de
saúde. Existe atualmente uma cobertura nacional pela rede, contudo em algumas zonas é ainda
insuficiente. Um dos objetivos de 2018 foi que todos os hospitais do SNS tivessem uma equipa intra-
hospitalar de cuidados paliativos. A mais recente abertura de camas de CP foi no hospital de São João,
que tem agora 11 novas camas destinadas a estes doentes. A referenciação para esta rede de
cuidados deve ser feita pelas equipas intra-hospitalares ou comunitárias de suporte de CP, quer seja
em contexto hospitalar ou domiciliário. Na nossa região, Distrito de Braga, não existe ainda equipa
comunitária de suporte em CP.

Figura 5 Tipologia de Cuidados de Saúde em Portugal.

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Podemos constatar que existe uma profunda e complexa articulação entre as diferentes tipologias e
instituições de prestação de cuidados de saúde. Contudo, ainda existem situações em que a resposta
por parte destas instituições é insuficiente por muitos motivos que limitam o acesso a, alguns desses
motivos já abordados. A saúde não pode ser perspetivada como um negócio, apesar se ser
percecionada como tal pela governação do Estado, uma vez que, é uma área em que o investimento
orçamental é sempre muito grande e quase sempre insuficiente. A melhor forma de travar esta
evolução desfavorável é a aposta na prevenção e isso começa em todos os profissionais de saúde,
com pequenos gestos diários, com os nossos familiares e amigos.

Como foi referido, a saúde é uma área que exige um investimento financeiro muito grande, em grande
parte por consequência do progressivo aumento das despesas de saúde devido ao crescimento
demográfico e envelhecimento da população, ao avanço tecnológico que implica maiores
investimentos na aquisição e manutenção de equipamentos e a um maior consumo de cuidados pela
prevalência crescente de doenças crónicas que aumentam a necessidade de serviços médicos e a
incapacidade e dependência da pessoa. O SNS é financiado, como já referido, pelo orçamento de
estado e também pelos beneficiários através do imposto do IVA e IRS e também pela aplicação de
taxas moderadoras. As taxas moderadoras foram implementadas para racionalizar o uso dos serviços
de saúde pela população, tendo em atenção os problemas descritos acima, e acabam por constituir
receita para o SNS.

As taxas moderadoras não são aplicáveis a toda a população, os grupos de maior risco e os
financeiramente mais desfavorecidos são isentos delas. Dentro do SNS existem os subsistemas de
saúde, que podem ser públicos ou privados. Os subsistemas de saúde são responsáveis pela prestação
de cuidados a determinadas profissões, mediante o pagamento de uma quota. No caso da ADSE foi
criada originalmente devido aos baixos salários dos funcionários da função pública, sofrendo
posteriormente alterações a nível das pessoas abrangidas. Subsistemas de saúde públicos temos a
ADSE para a função pública e outros para as forças armadas, PSP e GNR. Do foro privado existe o
pertencente aos bancários, por exemplo. Estes subsistemas diferenciam-se de um seguro privado na
medida em que apresentam menos restrições no acesso a serviços (Mateus, A., 2017).

O aumento da prestação de cuidados de saúde por entidades privadas e o seu financiamento pelo
Estado, provoca cisões no acesso aos cuidados de saúde, ou seja, desigualdades. Parte da população,
com melhores condições económicas, encontra como opção para colmatar as necessidades que o

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Estado não é capaz de dar resposta, no setor privado, ainda mais se considerarmos as listas de espera
existentes para consultas de especialidade, de cirurgias e no acesso aos serviços de urgência. É assim
reforçada a problemática dos custos como fator de desigualdade no acesso à saúde.

Plataformas digitais em saúde

Foi sendo referido o impacto do desenvolvimento tecnológico e científico na área da saúde. Este
avanço acontece não só na área especifica da prestação de cuidados direta ao cidadão mas também
de forma indireta, acompanhando a evolução da era digital em que vivemos. O SNS estando desperto
para esta realidade, da informação digital, informação na hora e de fácil acesso foi desenvolvendo
respostas às necessidades da população que acompanham estas mudanças.

A plataforma SIGA – Sistema Integrado de Gestão do Acesso no SNS tem como objetivo garantir o
acesso equitativo e atempado do cidadão aos serviços do SNS. É acessível apenas para os profissionais
e agrega toda a informação num só sistema. Esta plataforma permite, perante a impossibilidade de
obter os cuidados necessários em tempo útil, recorrer a outra instituição do SNS, respeitando as
regras de referenciação do sistema. A este princípio chama-se Livre Acesso e Circulação,
implementado desde 2016, no acesso à primeira consulta hospitalar de especialidade. Todos os anos
são definidos, por despacho legal, tempos máximos de espera garantidos para o SNS. O utente deve
ser informado sobre eles no ato de marcação de qualquer consulta ou ato médico. Permite ao SNS
celebrar acordos com instituições privadas ou de caráter social para cumprir esses mesmos tempos.
Por exemplo a realização da primeira consulta de especialidade quando agendada pelo médico de
família, com a mais baixa prioridade, ou seja, normal, deve ser em 120 dias, segundo os tempos
máximos de espera garantidos referentes ao ano de 2017. Para a realização de um procedimento
hospitalar cirúrgico programado de prioridade normal serão 180 dias. Estas informações estão
expressas na Carta dos direitos de acesso aos cuidados de saúde pelos utentes e devem ser de fácil
acesso ao utente.

Outra plataforma digital, esta de acesso ao cidadão é o RSE- Registo de Saúde Eletrónico. Este portal
permite consultar dados pessoais, resumos de saúde (episódios de saúde, alergias, vacinas,
medicação, testamento vital), SIGA (listas de inscritos, receitas sem papel, guias de tratamento, entre
outros) e determinados serviços como a isenção sobre as taxas moderadoras e comprovativos de
presença.

Por último, a linha de saúde 24 proporciona um serviço gratuito, personalizado, com atendimento 24

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horas ao cidadão. Esta linha permite o aconselhamento correto à pessoa sobre questões de saúde e
a triagem para os serviços de saúde mediante o problema apresentado, o objetivo desta linha de
atendimento é aconselhar a população na procura do serviço de saúde correto ou necessário, se
necessário, permitindo diminuir por exemplo, o número de pessoas que recorre a um serviço de
urgência desnecessariamente. Proporciona também o esclarecimento de dúvidas sobre outros temas,
como medicação, situações de gripe e proteção contra condições adversas, como o calor extremo.

Figura 6 Plataformas digitais em Saúde.

A pessoa como centro do Sistema Nacional de Saúde

Nenhum dos temas que fomos analisando faria qualquer sentido sem a peça central do sistema de
saúde, a pessoa. A pessoa, doente ou saudável, é o início, o centro e o fim da atuação dos profissionais
de saúde e do funcionamento da saúde.

Nas últimas décadas a abordagem à pessoa doente foi sofrendo alterações, passamos de um modelo
que apenas perspetivava a pessoa como a doença que apresentava para um modelo em que encara
a pessoa como um todo, ou seja, em todas as suas vertentes, física, psicológica, social e ambiental. A
este modelo de prestação de cuidados de saúde chamamos de modelo holístico. Ou seja, a pessoa
não é a só a sua doença mas sim tudo o que lhe é inerente. Todos os fatores relacionam-se e
influenciam direta e indiretamente o estado de saúde da pessoa.

O que permite nortear a atuação dos profissionais de saúde, em relação à pessoa, além de questões
éticas, em que o bem-estar da pessoa é o produto da sua ação, são os direitos do utente/doente que

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devem ser respeitados. Estes também tem deveres que devem cumprir. Na lei Nº15/2014 estão
expressos todos esses direitos e deveres, assim como na Lei de Bases da Saúde também encontramos
descrito o estatuto dos utentes. Alguns desses direitos incluem o direito de escolha, o direito de
consentimento ou recusa, o direito do acompanhamento, entre tantos outros. Em muitas instituições
de saúde encontramos frequentemente expostas estas mesmas cartas que expressam os direitos e
deveres dos utentes/doentes.

A pessoa idosa

Atualmente, grande parte da população que o Sistema Nacional de Saúde serve é constituída pela
pessoa idosa. O envelhecimento populacional reflete uma alteração nos parâmetros demográficos
das últimas décadas (OECD, 2017). Houve uma inversão nas pirâmides etárias, ou seja, a percentagem
de população com mais de 65 anos, população definida como idosa, superou a população jovem
largamente nos últimos anos e é este o nosso utente/doente tipo de hoje em dia. A esperança média
de vida foi crescendo exponencialmente, e reforça-se mais uma vez que esta alteração é o resultado
direto da evolução tecnológica e científica mundial, que permitiu algo tão simples como viver mais
anos. A longevidade acompanhada de qualidade de vida poderá já não ser uma realidade abrangente.

No ano de 2015, em Portugal, a esperança média de vida era de 81,3 anos (OECD, 2017). Para os
profissionais de saúde, esta informação traduz-se num simples facto, a população idosa constituiu a
grande parte da população doente nos CSP e nos Hospitais. Como referido anteriormente, a
longevidade nem sempre se traduz em anos de vida com qualidade em saúde, uma consequência
desta longevidade é a prevalência das doenças crónicas que causam muitas vezes incapacidade e
mesmo diferentes graus de dependência. É este paradigma contra o qual se tem lutado nos últimos
anos por mudar, ou seja, tem-se trabalhado no sentido de incutir o conceito de envelhecimento ativo,
que consiste simplesmente em envelhecer com saúde, com qualidade de vida, autonomia e
independência. A população idosa constituí um grupo vulnerável e por isso, o Estado português
reconhece especial importância na implementação de medidas que reduzam a sua vulnerabilidade e

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fragilidade.

Figura 7 Esperança média de vida em Portugal referente ao ano de 2015.

Na Constituição da República Portuguesa estão descritos alguns direitos das pessoas idosas. Reduzir
a marginalização da pessoa idosa, promover a sua integração na comunidade, dar-lhes um papel ativo
e envolvê-los na comunidade onde estão inseridos são intervenções na luta contra a problemática do
envelhecimento e exclusão social. O envelhecimento ativo é um processo, que exige a atuação de
todos nós e que envolve fatores sociais e ambientais, não apenas condições de saúde, mas também
condições sanitárias, de transporte, de alimentação. Atualmente, são implementadas medidas e
estabelecidos objetivos que refletem esta necessidade de promover o envelhecimento ativo e reduzir
a incidência da dependência e da doença crónica nesta população por exemplo uma das metas do
atual governo para 2020, envolvendo o plano nacional de saúde é aumentar a esperança de vida
saudável aos 65 anos de idade em 30%.

A pessoa em fase final de vida

Reconhecendo a prevalência da temática do envelhecimento populacional, uma outra realidade que


surge associada é a morte. Atualmente, podemos afirmar que a grande percentagem de mortes
acontece nos hospitais. A morte é hospitalizada, institucionalizada, muito diferente de uma realidade
anterior, em que se morria no seio da família. Esta mudança aconteceu com o decorrer do
desenvolvimento científico e tecnológico médico que permite manter a vida da pessoa mesmo com
graves alterações sistémicas e orgânicas.

A morte é ainda encarada, muitas vezes, como um tema tabu mas temos que reconhecer que
eventualmente todas as pessoas chegam ao fim do seu ciclo de vida. O processo de doença terminal

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pode ser curto ou prolongar-se bastante no tempo e não está apenas associada a pessoas idosas, este
processo pode acontecer em qualquer idade, da pediátrica aos mais velhos. As neoplasias,
insuficiências cardíacas e respiratórias, doenças do sistema nervoso, são exemplos de doenças
terminais. Nesta etapa de fim de vida, quer ela se desenvolva em meio hospitalar ou domiciliário,
devemos ter em atenção determinados aspetos sociais, culturais e psicológicos. A realidade é que
estamos mais direcionados para a medicina curativa do que paliativa e a morte é ainda reconhecida
como um falhanço, conduzindo muitas vezes a uma demora desnecessária na preparação precoce de
cuidados para o alívio da dor e sofrimento do doente (Novais, R., 2009).

Uma parte muito importante deste processo é a família. Desde o momento em que é comunicado
uma situação de mau prognóstico, de fase terminal em que nada mais há a oferecer àquela pessoa o
processo de sofrimento para a família começa. A fase inicial pode-se expressar por choque ou apatia.
O nosso papel como profissionais de saúde consiste em reconhecer este processo de sofrimento e
implementar intervenções que ajudem no decorrer deste processo, como a partilha pessoal de algum
sentimento doloroso, o silêncio, a simples presença, demonstrar abertura e recetividade, a
disponibilidade, tudo isto transmite segurança e conforto à família e o processo de empatia começa,
(Maia, O., Lopes, W., 2000).

Temos que saber cuidar para a cura e cuidar na morte. Conviver diariamente com esta realidade, pode
ser um processo extremamente desgastante para os profissionais e que coloca muitas vezes dúvidas
pessoais, desperta incertezas e pode até colocar a sua atuação em causa (Maia, O., Lopes, W., 2000).

Uma das opções que se encontra ao nosso dispor e que nos permite controlar o nosso processo de
saúde e decidir sobre que intervenções gostaríamos de ver realizadas e não realizadas quando nos
encontramos em situação de doença e debilitados é o testamento vital. O testamento vital é um
documento legal que se encontra disponível na plataforma do portal da saúde para impressão e
preenchimento. Permite à pessoa efetivamente decidir sobre que medidas gostava de ver realizadas
ou não quando esta não se encontrar em condições de saúde para poder responder sobre a sua
situação. Este documento não tem carácter permanente e pode ser alterado.

Em todas as situações e sempre que possível existem determinados aspetos que devem ser
respeitados. Partilhar a verdade com o doente, incentivar a sua participação nas decisões relativas à
sua saúde, envolver a família neste processo, aceitar a recusa do doente e suspender tratamentos
infrutíferos num processo pelo qual se tenta prolongar a vida de um doente terminal/incurável com

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terapêutica e intervenções invasivas, num processo conhecido como distanásia (Pereira, A., Pinto, M.,
2004).

Os profissionais de saúde são muitas vezes os advogados de saúde do doente, desta forma, deverá
existir uma relação de reciprocidade entre a pessoa e o profissional, uma relação baseada na
confiança e exclusivamente na melhora da sua qualidade de vida, quer seja na saúde ou num processo
terminal de doença. Para terminar, devemos encarar a morte como um fenómeno natural da vida
reforçando os laços do saber cuidar na morte.

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Módulo 2 – Prevenção e Controlo da Infeção: princípios básicos a considerar na
prestação de cuidados de saúde

Numa era em que os temas microrganismos, microrganismos resistentes, resistência a


antimicrobianos são tão difundidos, importa realmente perceber o que são, a sua atividade, utilidade
e as suas repercussões no homem.

A microbiologia, microrganismos e a sua utilidade

A microbiologia é o ramo da ciência que estuda os seres vivos que tem um tamanho tão pequeno que
não são possíveis de serem observados a olho nu e por isso se chamam microrganismos (Kimura et
al., 2013).

As bactérias, os vírus, os fungos, as algas unicelulares e os protozoários são exemplos de


microrganismos. A microbiologia estuda os seus ciclos de vida (como nascem, se multiplicam, se
destroem), como se relacionam com os outros seres vivos, quais os seus benefícios e desvantagens,
resumindo, estuda o papel dos microrganismos no mundo.

Estes organismos de tão pequeno tamanho, são o grupo de organismos que existe em maior número
no planeta Terra e estão presentes quer em ambiente terrestre quer aquático. A massa total destes
microrganismos é aproximadamente maior vinte e cinco vezes o total da massa animal. Quando nos
observámos ao espelho se os nossos olhos funcionassem como microscópios, conseguiríamos
observar mais de cem triliões de microrganismos na nossa pele, cabelo, boca, no nosso intestino e
mãos, entre outros.

Os microrganismos podem variar dentro da mesma espécie, em tamanho, forma, complexidade, ou


seja, se são capazes de se reproduzir, multiplicar e alimentar sem depender de outros organismos, e
o meio ambiente onde vivem.

As bactérias podem multiplicar-se a um ritmo extremamente rápido, em condições de crescimento


ótimas, são capazes de o fazer a cada vinte minutos. Os vírus para se multiplicarem dependem de
outros organismos e o seu contágio ocorre principalmente de pessoa-pessoa mas também via
alimento, este último funciona como uma veículo. Os vírus não tem a capacidade de se multiplicarem
em águas e alimentos mas caso os alimentos entrem em contato com locais de produção e

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armazenamento contaminados, eles podem funcionar como agentes de disseminação, assim como
no seu transporte por indivíduos infetados. Os protozoários vivem sobretudo em meio aquático e
realizam todas as funções vitais na sua única célula. Determinadas espécies de algas são capazes de
produzir toxinas que se acumulam nos bivalves, por exemplo amêijoas e mexilhões. Estas, não tem
cor nem cheiro e por isso não conseguem ser detetadas, contudo são altamente tóxicas. Para prevenir
estas intoxicações a apanha de bivalves deve ser realizada em locais autorizados para esse efeito. O
processo culinário destrói a maioria destas toxinas. A reprodução destas algas ocorre com maior
incidência quando a quantidade de luz e temperaturas são mais elevadas.

Relativamente aos fungos, existem inúmeras espécies, entre as quais, cogumelos, bolores e leveduras.
A única espécie unicelular são as leveduras. Como referido anteriormente, muitos destes
microrganismos necessitam de condições ótimas para que o seu crescimento ocorra mais
rapidamente. Algumas destas condições são temperatura, água/humidade e pH. A temperatura
apresenta um forte impacto no crescimento microbiano. Encontramos bactérias em quase todas as
superfícies inclusive nos alimentos. Nos alimentos estas conseguem multiplicar-se e crescer entre
temperaturas de cinco e cinquenta graus centígrados, contudo a temperatura de crescimento ótima,
ou seja, aquela na qual o ritmo de crescimento é máximo acontece entre os trinta e os quarenta graus.
Em locais com temperaturas mais baixas, por exemplo no frigorífico o seu crescimento é muito lento
e sob temperaturas negativas este crescimento é mesmo inativado, contudo estes microrganismos
não morrem, apenas não conseguem multiplicar-se. A destruição da maioria dos microrganismos por
calor acontece quando se atinge a temperatura de fervura, ou seja, cem graus centígrados, durante
quinze a trinta minutos.

Tanto como para o homem, a água é indispensável ao crescimento microbiano mas apenas quando
no seu estado puro, isto é, quando a água se encontra ligada a outros compostos, como por exemplo
o açúcar e o sal, o crescimento destes organismos é inviabilizado. Conseguimos relacionar esta
situação com exemplos práticos, como é o caso da conserva de fruta em calda, a salga do bacalhau e
a salga que se fazia antigamente com mais frequência de carnes para que estas se conservassem por
mais tempo, devido à escassez no acesso a equipamentos de refrigeração. Adicionalmente, os
microrganismos crescem em meios muito nutritivos como é o caso do leite, da carne e do peixe, uma
vez que, as suas necessidades nutricionais são preenchidas por esses mesmos alimentos.

No que concerne ao pH, os microrganismos crescem mais facilmente em valores próximos da

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neutralidade ou básicos, ou seja, próximos de sete ou superior. O Ph é uma medida da acidez ou
alcalinidade de uma solução, a escala varia entre o 1 (pH mais baixo e mais ácido) e o 14 (pH mais
alto e mais básico), o 7 representa a neutralidade da escala. Um exemplo desta alteração é por
exemplo o pH da nossa urina que é tendencialmente baixo, ou seja, mais ácido e quando na presença
de uma infeção do trato urinário, e consequente crescimento de bactérias na nossa urina, esta torna-
se mais básica, ou seja com um pH mais alto. Após esta exposição podemos depreender que
determinados cuidados que temos diariamente com a conserva dos alimentos, representam no fundo
formas de minimizar o crescimento microbiano e a consequente deterioração desses alimentos,
cuidados esses que eram já considerados há muitas décadas atrás. Indicações como conservar em
locais sem luz, secos ou a temperaturas mais baixas como a refrigeração ou congelação representam
tudo maneiras de proteger os alimentos, porque impede a criação das condições ótimas para o
crescimento microbiano, que resumindo consistem em locais quentes, com luz e húmidos, com pH
neutro ou básico.

A utilidade que retiramos dos microrganismos é muito superior aos malefícios que eles possam
provocar. A área da microbiologia aplicada, como o próprio nome indica, estuda em que medida estes
organismos podem ser usados em termos práticos, em áreas como a medicina, a agricultura, a
indústria, que incluiu a alimentar, e o meio ambiente (Campos, M., s.d.). Alguns microrganismos
fermentam material orgânico, outros intervêm na decomposição de material orgânico que funcionam
como fertilizante natural, na medicina são utilizados para produzir antibióticos e vacinas, na área
ambiental na produção de herbicidas e pesticidas. Os alimentos são portadores de microrganismos
com exceção dos esterilizados. Alguns microrganismos desempenham atividades benéficas,
participando na produção de alimentos como o queijo, o iogurte, os enchidos, a cerveja e o vinho,
através das leveduras. Outros são indesejáveis porque estragam os alimentos, como por exemplo, o
pão ou a fruta com bolor.

Sumarizando, as atividades benéficas são muito superiores às atividades indesejáveis, uma vez que,
dos milhares de microrganismos que se conhecem, muito poucos são capazes de causar doenças.
Contudo, no geral, pouco refletimos sobre este assunto, sobre a existência destes organismos e a sua
utilidade e impacto no nosso dia-a-dia, a menos que a sua ação nos afete diretamente,
especificamente em termos de doença. Quando os microrganismos são capazes de originar doença,
falamos de microrganismos patogénicos. Aprendemos a retirar proveito do que nos é benéfico e a
proteger-nos contra a sua ação não desejada.

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A ação não desejada dos microrganismos pode ser controlada através de agentes físicos e químicos.
Dos primeiros são exemplos, o calor seco, pela aplicação direta de uma fonte de calor, o calor húmido,
como o atingimento da temperatura de fervura durante dez a quinze minutos, a pasteurização, que
consiste num processo de aquecimento dos alimentos para eliminar organismos patogénicos,
reduzindo-se depois novamente a temperatura e realiza-se a sua selagem hermética e a utilização de
autoclaves que esterilizam equipamentos por calor húmido sob pressão. Na categoria de agentes
físicos inclui-se ainda o congelamento, as radiações e a filtração, este último consiste na passagem
dos alimentos por filtros com poros tão pequenos que os microrganismos ficam retidos. Na categoria
de agentes químicos temos os desinfetantes para utilizar sobre equipamentos e os antisséticos para
tecidos orgânicos, que agem diretamente sobre os microrganismos destruindo-os quase na sua
totalidade.

Microrganismos e o processo de doença

Direcionando este tema para a nossa área de atuação, a saúde, já foi referido anteriormente que
apesar de existirem muitos microrganismos existem poucos que possam causar doenças. Surge a
questão essencial, sobre porque adoecemos e como se desenvolve esse processo. Temos que
começar por entender que existe uma cadeia, ou seja, um conjunto de pontos que tem que estar
presentes para que ocorra uma situação de doença, ou seja, em que o microrganismo seja capaz de
provocar uma alteração no homem. A este processo chama-se cadeia epidemiológica. A cadeia
epidemiológica permite identificar os mecanismos envolvidos na propagação da doença, que envolve
um hospedeiro suscetível, o organismo patogénico e o ambiente, que poderá ser favorecedor ou
resistência à manifestação da doença. Podemos afirmar que existe um continuum entre o estado de
saúde e doença e que pode ser quebrado ou favorecido pelas condições fisiológicas do hospedeiro e
pelo meio que nos rodeia.

O hospedeiro pode ser uma planta, um animal ou um ser humano que pode estar infetado ou permitir
a manutenção do organismo infecioso. O hospedeiro doente manifesta a infeção e o hospedeiro
portador está infetado mas não manifesta nenhum sinal ou sintoma de doença (Bruhn, F., s.d.).

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Figura 8 Exemplificação da cadeia epidemiológica.

Na cadeia epidemiológica a transmissão da infeção pode ocorrer por transmissão horizontal que
acontece da fonte de infeção para o hospedeiro suscetível ou por transmissão vertical que ocorre de
geração para geração, como o caso de mãe para filho.

Estamos expostos e colonizados por microrganismos desde o momento em que nascemos, contudo,
esses organismos não nos afetam fisicamente porque, em parte precisamos desses organismos e
porque temos meios de proteção, individuais e ambientais. Numa situação de infeção, o organismo
está presente no hospedeiro e ele multiplica-se, contudo muitas vezes, só se torna detetável quando
começamos a demonstrar sinais e sintomas de alguma alteração, encontramo-nos já na fase de
doença (Silva, V., s.d.).

Por exemplo, os microrganismos que se encontram de forma residente no nosso corpo, em


determinado local e em altas concentrações, não produzem doença, aliás tem funções de
barreira/defesa contra determinados organismos patogénicos. Contudo esses microrganismos
residentes em casos de desequilíbrio ou quando se deslocam para outros locais podem ter um
comportamento patogénico, como é o caso da bactéria e.coli presente naturalmente no intestino e
que no nosso trato urinário é causadora de infeção urinária (Silva, V., s.d.). Outro exemplo é o do vírus
da herpes tipo I, a maioria dos seres humanos estão colonizados com este vírus mas não manifestam
a sua presença.

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Morte
Doença
Hospedeiro
Infeção/colonização

Exposição

Figura 9 O processo de doença.

O nosso nariz e garganta, olhos, boca, pele, intestino grosso, aparelho genito-urinário (uretra no
homem e mulher e vagina na mulher), são zonas de microrganismos residentes naturais. Os
microrganismos apenas se tornam patogénicos quando são capazes de causar doença e dependem
das condições fisiológicas do hospedeiro e do meio ambiente que o rodeia. São necessários os
microrganismos invadirem o nosso corpo para que possam causar alguma alteração. As portas de
entrada para os microrganismos são o nosso aparelho respiratório, gastrointestinal, genito-urinário e
a pele. Após entrada no organismo, a maioria dos microrganismos patogénicos invade os tecidos,
cresce e causa dano, danificando-os. Provocam uma resposta inflamatória por parte do hospedeiro e
inicia-se o processo de doença. Normalmente deixam o hospedeiro pelas portas de saída que são as
mesmas que as de entrada. É pelas portas de saída que ocorre o risco de transmissão cruzada a novos
hospedeiros e possível infeção.

Figura 10 Portas de entrada e saída dos microrganismos.

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Definimos as portas de entrada e saída dos microrganismos e é também extremamente importante
definir quais as mais frequentes vias de transmissão. São estas, pelo ar, contacto e ingestão. Pelo ar
através da inalação de gotículas que são difundidas pela tosse, espirros e por salpicos de saliva, por
ingestão de alimentos e água contaminados e por contacto com secreções, excreções e fluídos
corporais, feridas abertas e pele.

O nosso organismo está naturalmente preparado para nos proteger de possíveis microrganismos
causadores de doença, chamam-se de barreiras físicas e químicas, como por exemplo, a nossa pele
íntegra, secreções lacrimais, pelos do nariz e a acidez do estômago. Tudo isto aliado à suprema
importância do nosso sistema imunológico, são os nossos mecanismos de proteção. Determinados
fatores de risco como a idade, os mais novos e os mais velhos, condições de stress fisiológico como
uma alimentação pobre, desidratação, as mudanças climáticas bruscas, tornam-nos mais suscetíveis
a situações de doença. A resistência do hospedeiro é um fator importante.

Doença, infeção e doença infeciosa

Seguindo a temática anterior, poderemos estar infetados/colonizados, ou seja, um microrganismo


desenvolve-se e multiplica-se e não manifestar nenhum sinal clínico de alteração, pois aí estaremos
já numa situação de doença. É importante diferenciar doença de doença infeciosa (Buchalla, C., 2017).
A doença infeciosa é aquela que é causada por um microrganismo infecioso e depende da
transmissão de uma pessoa, animal ou reservatório a um hospedeiro suscetível, ou seja, uma pessoa
“menos imune”. A perpetuação do agente infecioso é dependente da sua continua transmissão a
hospedeiros novos. Doença infeciosa é diferente de doença contagiosa, dado que, esta última é
transmissível por contacto direto. Portanto, as doenças infeciosas são causadas por microrganismos
que podem ser transmitidos a outras pessoas.

Após diferenciarmos os conceitos, de doença, infeção, doença infeciosa, vias de transmissão, portas
de entrada e saída, a influência do ambiente e das condições sanitárias e de higiene que nos rodeiam,
eventualmente questionamo-nos se poderemos ter alguma interferência neste processo, se
poderemos com alguma intervenção e alteração nossa contribuir para a prevenção de algumas destas
infeções e doenças.

Principalmente se refletirmos sobre as instituições de cuidados de saúde, sabemos que são dos locais
mais “sujos” e colonizados por microrganismos, apesar de serem alvo de limpezas e desinfeções
frequentes e criteriosas. Refletir sobre as nossas intervenções no sentido de prevenir infeções que

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compliquem ou agravem o estado de saúde dos doentes e qual o papel das instituições de saúde, de
governação superior e dos profissionais que são a sua força motora.

Prevenção e controlo da infeção

Neste sentido, surgiu o conceito de prevenção e controlo da infeção por volta do século XX. No
entanto, este conceito não é assim tão recente, aliás os seus princípios básicos de necessidade de
limpeza, desinfeção, condições favoráveis de humidade e luz são faladas há muitos mais anos. Há
alguns séculos atrás, as pessoas começaram a associar más condições sanitárias e de higiene e
limpeza a uma elevada taxa de mortalidade. Florence Nightingale, a mãe da Enfermagem moderna,
trouxe estes princípios chave e enalteceu-os na Guerra da Crimeia, no século XVII. Naquela altura, os
hospitais eram sítios sem quaisquer condições de limpeza e higiene, locais insalubres, com uma
abordagem maioritariamente humanitária do que científica. Florence implementou intervenções
simples como a higiene das mãos, que permitiram reduzir a taxa de mortalidade na guerra e assegurar
a prestação efetiva de cuidados de saúde com qualidade e segurança. Iniciou-se desta forma, o
primeiro esboço do que seria a prevenção e controlo da infeção hospitalar. Atualmente, o objetivo é
o mesmo, assegurar a prestação de cuidados de saúde de qualidade e com segurança, reduzindo ao
mínimo a probabilidade de possível dano ao doente. As infeções hospitalares são causa de morte, de
prolongamento de internamentos e de maior gasto com exames e terapêutica, em suma, acarretam
um grande aumento de custos. A prevenção da infeção é a chave para a melhoria da qualidade dos
cuidados de saúde prestados e a redução significativa dos gastos.

Em 1999, foi criado pela primeira vez um programa com o objetivo de dar a conhecer a verdadeira
dimensão do problema associado às infeções hospitalares e práticas de risco favorecedoras, assim
como medidas de prevenção, o Programa Nacional de Controlo da Infeção (PNCI). Foram sempre
sendo desenvolvidos e aperfeiçoados novos programas neste âmbito, sendo o último datado e
atualizado em 2017 e conhecido como Programa de Prevenção e Controlo da Infeção e Resistência
aos Antimicrobianos (PPCIRA). Todos tem o mesmo objetivo, melhorar a qualidade dos cuidados e
promover a segurança dos doentes, utentes e dos profissionais.

A prevenção das infeções hospitalares é uma responsabilidade de todos os indivíduos e serviços que
prestam cuidados de saúde. Todos devem trabalhar em cooperação para reduzir o risco de infeção
nos doentes e nos profissionais. Isto inclui, não só os profissionais que prestam os cuidados diretos
ao doente, mas também os profissionais envolvidos na gestão, das instalações, do aprovisionamento

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 28


de materiais, equipamentos e produtos. Os programas de controlo de infeção são eficazes desde que
sejam abrangentes e incluam atividades de vigilância e prevenção, assim como a formação dos
profissionais (OMS, 2002).

As comissões de controlo de infeção (CCI) são equipas responsáveis pela implementação do Programa
vigente nas unidades de saúde. São responsáveis por vigiar a prevalência das infeções, escrever e
analisar se os profissionais cumprem as normas, pela formação dos seus profissionais, pela avaliação
do potencial risco de novos equipamentos médicos e avaliar o seu risco de infeção, investigar surtos
e reunir-se rapidamente num caso de um, pelo controlo da esterilização e desinfeção e pelo apoio a
programas de investigação nacional e internacional. São constituídos por equipas multidisciplinares,
tem recursos materiais, físicos e orçamentais. Tudo o que produzam tem que ser aprovado pelo órgão
de gestão da instituição. Existe um enquadramento legal datado de 2007, relativo às CCI que descreve
as suas funções e obrigações. A nível nacional a Direção Geral da Saúde é responsável pela elaboração
e monitorização da implementação do Programa.

Figura 11 Implementação do Programa Nacional de Controlo de Infeção.

É obrigatória a existência de um manual de prevenção da infeção com a descrição de todas as


intervenções e práticas recomendadas para o cuidado dos doentes. O manual deve ser desenvolvido
e atualizado pela equipa de controlo de infeção, e revisto e aprovado pela CCI (OMS, 2002).

Figura 12 Prevenção e Controlo da Infeção nas instituições de saúde.

As Infeções Associadas aos Cuidados de Saúde (IACS) e o aumento da resistência dos microrganismos

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 29


aos antimicrobianos são problemas com impacto a nível mundial e que estão estritamente
relacionados (DGS, 2017). Como já referido anteriormente, as IACS aumentam a morbilidade e a
mortalidade dos doentes, prolongam o tempo de internamento e tem grande impacto nos custos em
saúde. Por sua vez, quanto maior a taxa de IACS, maior a necessidade de uso de antimicrobianos, o
que conduz a uma inevitável resistência dos microrganismos.

O PPCIRA foi criado em 2013 e é um dos programas prioritários de saúde de atuação do governo.
Como referido no nome do programa os dois pilares fundamentais deste plano são controlar as
infeções e diminuir a resistência aos antimicrobianos. Este programa deve ser aplicado a todas as
unidades prestadoras de cuidados de saúde sem exceção. É possível reduzir a resistência aos
antibióticos através da diminuição do seu consumo. Estes medicamentos devem ser utilizados apenas
quando prescritos pelo médico, prescritos quando estritamente necessários, prescritos antibióticos
do mais baixo espectro possível e cumprida a terapêutica durante o tempo necessário (DGS, 2017).
Por outro lado, a implementação da campanha de precauções básicas de controlo da infeção (PBCI),
que se constitui de 10 fundamentos, permite reduzir a taxa de transmissão e infeção e assim reduzir
a necessidade de prescrição antibiótica.

A vigilância epidemiológica apresenta-se como o terceiro pilar fundamental do PPCIRA e


resumidamente permite avaliar a qualidade de implementação dos outros dois indicadores, ou seja,
se estão a ser reduzidas as IACS e a resistência aos antimicrobianos. A vigilância epidemiológica avalia
a taxa de infeção e, portanto, reflete a qualidade e segurança dos cuidados prestados.

As PBCI apresentam-se como regras de boa prática que devem ser adotadas por todos os profissionais
na prestação de cuidados de saúde, tendo em vista minimizar o risco de infeção e a transmissão
cruzada e são as seguintes:

1. Colocação de doentes

2. Higiene das mãos

3. Etiqueta respiratória

4. Utilização de equipamento de proteção individual – EPI

5. Descontaminação do equipamento clínico

6. Controlo ambiental

7. Manuseamento seguro da roupa

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 30


8. Recolha segura de resíduos

9. Práticas seguras na preparação e administração de injetáveis

10. Exposição a agentes microbianos no trabalho

Portanto, a implementação das PBCI poderá ter um impacto enorme e vantajoso para todos.
Contextualizando alguns conceitos, as IACS são infeções adquiridas durante o internamento que não
estavam presentes quando o doente foi admitido na instituição de saúde. Geralmente, infeções que
ocorrem mais de 48 horas após a admissão são consideradas IACS, assim como, as infeções que se
detetam até 90 dias após a alta. Isto aplica-se não só a hospitais e clínicas, mas também a lares,
cuidados continuados, quem recebe cuidados domiciliários de enfermagem e infeções adquiridas
pelos profissionais de saúde, (OMS, 2002).

A infeção cruzada é aquela causada por microrganismos adquiridos a partir de outra pessoa. São
considerados agentes biológicos todos os microrganismos suscetíveis de provocar infeções, alergias
ou intoxicações. É de extrema relevância aplicar o princípio de que todos os doentes admitidos em
qualquer unidade de saúde estão potencialmente colonizados/infetados com algum microrganismo
e, portanto, poderão ser fonte de transmissão cruzada, esta é uma das medidas de prevenção na
exposição ao agente biológico.

Neste seguimento, devemos ter presente que as PBCI não previnem de forma eficaz a transmissão da
infeção de todos os agentes infeciosos, e, consequentemente, em casos específicos estão indicadas
medidas adicionais, nomeadamente, as Precauções baseadas nas vias de transmissão (contacto,
aérea e gotículas), que são complementares às PBCI, (OMS, 2002).

A exposição ao risco biológico é uma constante para os profissionais de saúde, assim, o risco de
adquirir uma infeção associada à sua atividade profissional é real. As estimativas de probabilidade de
infeção pelo vírus da hepatite B e C e pelo vírus do VIH prendem-se maioritariamente com acidentes
com corto-perfurantes, desta forma, os cuidados com o manuseamento de corto-perfurantes,
constitui-se uma precaução básica. No caso da hepatite B se o profissional estiver vacinado não há
necessidade de tratamento, se não for vacinado deverá ser administrada a vacina o mais rapidamente
possível. Relativamente à hepatite C, não existe tratamento preventivo, o doente deve ser testado
para saber se é portador, tal como na hepatite B. A transmissão da hepatite A é rara (OMS, 2002).

As normas hospitalares devem incluir medidas para obtenção rápida de testes serológicos (sangue)

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 31


nos doentes-fonte, quando necessário. Especificamente para o vírus do VIH, a profilaxia pós-
exposição deve ser iniciada dentro de quatro horas após. Deve ser obtida uma amostra de sangue do
profissional, logo que possível após a exposição e a intervalos regulares, pressupõe-se a realização de
ficha no serviço de urgência mais próximo para a realização destes testes. Os profissionais devem ser
informados sobre a apresentação clínica da doença para o caso de surgir algum sintoma e deve haver
um seguimento com repetição de testes sanguíneos até um ano (OMS, 2002). O encarregado superior
do profissional e o serviço de saúde ocupacional devem ser informados.

Concluindo, as intervenções de prevenção e controlo da infeção devem ser de conhecimento e


implementação de todos os profissionais que exerçam funções nas instituições de saúde,
independentemente das suas atividades. Estas intervenções são uma responsabilidade de todos e
devem ser de fácil aplicação, pois o seu impacto no doente e no sistema de saúde é grande.

Precauções dependentes das vias de transmissão

Sabemos que nós profissionais de saúde somos potenciais hospedeiros suscetíveis e/ou vetor de
infeção, porque transportamos connosco muitos microrganismos e pela transmissão cruzada
podemos difundi-los a todos à nossa volta. Como tal, sabemos que devemos cumprir e aplicar as
regras de PBCI.

De acordo com o contexto institucional onde estamos inseridos poderemos ter diferentes
especificidades. Em casos específicos e sobretudo a nível hospitalar temos muitas vezes que ter
precauções adicionais, são elas precauções baseadas nas vias de transmissão, nomeadamente, aérea,
gotículas e contacto, complementares às PBCI. A nível de um Lar por exemplo também poderemos
ter que implementar medidas adicionais porque o risco de infeção cruzada é grande. Esse doente
deve ser sinalizado e devem ser utilizadas medidas adicionais, quer na prestação de cuidados, quer
na lavagem de roupa e equipamento utilizado por esse utente.

O objetivo é prevenir a transmissão cruzada da infeção por microrganismos infeciosos, tendo em


consideração as vias de transmissão, evitar a contaminação do ambiente hospitalar e proteger os
doentes/utentes mais suscetíveis e imunodeprimidos contra estas infeções.

O isolamento

Consiste num conjunto de medidas adotadas para reduzir a transmissão cruzada de microrganismos.
O isolamento de proteção aplica-se quando queremos proteger doentes especialmente suscetíveis e

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 32


minimizar o risco de complicações infeciosas, o isolamento de contenção é utilizado para evitar a
transmissão cruzada de microrganismos de fácil transmissão hospitalar. Deve aplicar-se a todos os
casos confirmados ou suspeitos de infeção ou colonização.

Vias de transmissão

Via aérea – inalação de pequenas partículas provenientes das vias respiratórias do doente ou de
partículas de pó que contém um agente infecioso. Devido ao seu pequeno tamanho, as partículas
podem ficar suspensas no ar por longos períodos e serem arrastadas por correntes de ar por longas
distâncias. Podemos inalar no mesmo quarto ou bem mais longe.

Gotículas – inalação de partículas maiores, produzidas pelo doente com infeção quando tosse, espirra,
fala ou é sujeito a tratamento invasivos. O contágio pode acontecer a uma curta distância, de até um
metro, de pessoa para pessoa. Dado que as gotículas não permanecem em suspensão por serem
pesadas.

Contacto – contacto direto (com a pele) ou contacto indireto (com objetos ou superfícies do doente).

Regras gerais no isolamento – o doente deve ser colocado num quarto individual, senão existir quarto
individual deve ser colocado numa enfermaria com outros doentes com infeção pelo mesmo agente,
se também não for possível, deve ser tido em consideração o tipo de microrganismo e o tipo de
doentes (exemplo: mais debilitados, submetidos a intervenções invasivas) ao definir a sua localização.

A porta do quarto deve estar sempre fechada com um dístico informativo.

A recolha e entrega dos tabuleiros de alimentação devem respeitar as regras do isolamento. O


tratamento da louça e tabuleiros é igual quer haja infeção ou não, lavagem e desinfeção em máquina
própria superior a 80ºC.

Evitar movimentos bruscos com a roupa. Evitar contacto de roupa suja com o corpo e farda, se
necessário usar avental. Todos os resíduos dos doentes em isolamento de contenção devem ser
colocados em saco de eliminação branco, tipo III.

Os materiais não críticos (por exemplo, termómetro, máquina de glicemia) devem ser de uso único
para o doente, se tivermos que usar para outros doentes devem ser desinfetados. A higienização do
quarto deve ser feita duas vezes ao dia.

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 33


A saída do doente do quarto deve ser limitada ao máximo possível. Avisar os intervenientes no
transporte e o serviço de destino para que tomem as precauções necessárias. Informar também os
tripulantes de ambulâncias e serviço de destino. Respeitar o isolamento nas movimentações
necessárias.

Ensinos ao doente/família, explicando a necessidade da situação, a utilização do material necessário,


a restrição de visitas a duas pessoas por doente, ensinar a higienização das mãos correta.

Muitas das infeções/colonizações perdem importância em ambiente comunitário porque o risco de


transmissão cruzada é muito reduzido, a colonização de equipamentos é praticamente nula e não
temos pessoas suscetíveis e debilitadas.

Isolamento por contacto – Preferencialmente um quarto individual mas não obrigatório. Essencial e
obrigatório o uso de bata e luvas. Não é necessário o uso de máscara a menos que haja potencial para
salpicos de fluídos corporais. Não é necessário a utilização de EPI se não formos tocar no doente ou
nas suas superfícies. Não é necessária qualquer medida especial de tratamento do ar nem de
ventilação. Colocar o doente o mais distante possível do local de maior circulação de pessoas,
correndo a cortina ou recorrendo à utilização de biombo. Ter em atenção os doentes da enfermaria
(dispositivos invasivos, intervenções invasivas). A funcionária da cozinha não precisa colocar bata e
luvas, não deve tocar nas superfícies do doente. Deve usar luvas para recolha. Na higiene dos doentes
deve-se utilizar sabão antissético. No transporte devemos respeitar as regras dos procedimentos
gerais, idealmente, o doente deve tomar banho e mudar de pijama imediatamente antes do
transporte, deve higienizar as mãos, maca ou cama feita de lavado. Evitar permanências nos
corredores, limpar e descontaminar as superfícies utilizadas.

Isolamento por gotículas – usar máscara cirúrgica quando é realizado um procedimento a menos de
1 metro com o doente sintomático ou não. Usar proteção ocular para procedimentos potencialmente
geradores de salpicos de sangue, fluídos corporais, secreções ou excreções. Se não existir quarto
individual, manter distância de pelo menos metro e meio entre o doente infetado e os outros doentes.
Não são necessárias medias de ventilação e tratamento de ar. No transporte do doente este deverá
usar máscara cirúrgica para evitar a dispersão de partículas e reduzir o risco de contágio.

Isolamento por via aérea – todos os profissionais ou visitas que entrem em contacto com doente e
onde se preveja a formação de aerossóis devem desde logo usar um respirador de partículas classe

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 34


P2. neste tipo de isolamento o doente deve estar obrigatoriamente num quarto individual com
pressão negativa. Sempre que o doente sai do quarto e mesmo na altura da alta, o equipamento de
extração de ar deve ficar ligado 30 minutos. Efetuar limpeza e desinfeção do quarto com os EPI
corretos e a porta sempre fechada. Senão existir quarto com ventilação que permita pressão negativa,
deve haver renovação de ar, falar com o serviço de equipamentos para evitar a contaminação do
sistema central, desligar o ar condicionado e o doente deve usar sempre máscara cirúrgica. Abrir
janelas se possível com porta fechada. Após alta, manter o quarto arejado durante 7 horas antes da
limpeza. Avisar a equipa de manutenção para desselar as grelhas da ventilação antes do novo doente.
A funcionária da cozinha deve usar mascara P2. Em transporte o doente deve usar sempre máscara
cirúrgica.

O isolamento restrito é para casos de suspeita ou confirmação de infeção por microrganismo


altamente infecioso. O isolamento protetor é para casos em que o doente está num estado
imunodeprimido grave. Tem por objetivo proteger indivíduos vulneráveis. Para eles um
microrganismo que habitualmente não é patogénico poderá ser e provocar uma doença fatal. Deve
usar-se sempre máscara cirúrgica, bata e luvas. Quarto com pressão positiva. O doente deverá usar
máscara cirúrgica no transporte.

Recomendações para as diferentes unidades de saúde

No seguimento do tema das precauções baseadas nas vias de transmissão analisaremos


especificidades na prevenção de infeções para diferentes unidades de saúde.

Nas unidades de doentes imunodeprimidos, por exemplo serviços de oncologia e hemoterapia, todos
os quartos devem ser de pressão positiva para os proteger, deve-se usar EPI (bata, luvas e máscara)
sempre que se entra em contacto com eles. Encontram-se em isolamento protetor.

Na pediatria o tipo de precauções básicas de controlo de infeção deve ser o mesmo aplicado aos
adultos. Devemos alertar para o excesso de contacto com as visitas e incentivá-las à correta e
essencial higienização das mãos antes e após o contacto. As crianças devem evitar fazer visitas e a
presença em hospitais quando não doentes. Recém-nascidos e lactentes de todo devem ir ao hospital
senão estritamente necessário.

Nas unidades de cuidados intensivos existe um ambiente muito mais restrito, quer em número de
visitas, uma pessoa de cada vez, duas por horário de visita, de modo a evitar o excesso de contacto e

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 35


a entrada e saída de pessoas. Estas devem utilizar sempre EPI (pelo menos, bata e luvas) específico,
mesmo que o doente não tenha nenhuma infeção ou suspeita de, por uma questão de proteção do
doente, uma vez que todos eles estão em condição médica especialmente frágil, tem inúmeros
dispositivos invasivos e por isso várias portas de entrada de microrganismos.

Nos blocos operatórios a circulação é restrita aos profissionais, que devem ter um fardamento
específico, de fácil lavagem e descontaminação. São fardados no início do turno de trabalho e
rejeitam o fardamento sempre antes de abandonarem o serviço. Utilizam calçado específico e de uso
único para o bloco e sempre touca, uma vez que, o cabelo poderá ser um foco de infeção. A
temperatura é mais baixa, para prevenir um meio propício para o crescimento de microrganismos, a
limpeza acontece entre cada cirurgia e no final de todas as cirurgias programadas. Os doentes devem
realizar cuidados de higiene específicos, com desinfetante antissético e usar fardamento indicado. As
mesmas condições são aplicáveis às salas de parto, com exceção que as utentes poderão ter um
acompanhante que deverá também utilizar EPI adequado.

Os laboratórios são ambientes frios, dado que, temperaturas elevadas não são indicadas pelo
crescimento de microrganismos e manuseamento de fluídos. Garantir limpeza e desinfeção
adequadas, utilização de EPI por parte dos técnicos no manuseamento das amostras. Bancadas
limpas e desimpedidas para o trabalho.

Em ambiente de consulta, deve ser aplicado EPI, sempre que necessário, rejeição de material
descartável entre utentes, assim como a higienização das mãos. Nas salas de espera, respeitar
etiqueta respiratória.

Recomendações para cuidados específicos

No que concerne ao doente submetido a intervenção invasiva, deve ocorrer uma preparação prévia
para prevenção de infeção, especificamente, os doentes devem tomar banho (lavar bem pregas
cutâneas e especialmente a zona a ser intervencionada) com solução antissética e vestir uma bata
hospitalar, o procedimento é o mesmo para ambiente domiciliário. Cuidados de higiene e roupa
fundamentais. Não devem fazer tricotomias pelo aumento do risco de infeção, esta é realizada em
ambiente do bloco operatório. Não devem aplicar cremes. No pós procedimento este doente é um
hospedeiro mais suscetível porque apresenta uma nova porta de entrada para microrganismos. Os
cuidados devem ser os mesmos com os outros doentes, especial cuidado no contacto com o local da
intervenção. No caso de doentes independentes, é responsabilidade do técnico auxiliar de saúde

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assegurar o cumprimento destas intervenções.

No que concerne ao transporte de utentes foi referido anteriormente, os cuidados a respeitar no que
diz respeito a doentes em isolamento. Em doentes não isolados, a cama/maca deve ser sempre
trocada e desinfetada após utilização, para diminuir o risco de infeção cruzada. Limpar sempre
primeiro as zonas mais limpas. Utilizar os elevadores dos limpos e nunca o dos sujos.

O transporte de amostras biológicas é da responsabilidade do técnico auxiliar de saúde. Este


transporte deve ser sempre feito em contentor adequado para o efeito e com as devidas condições
de temperatura. No caso do transporte de sangue e derivados o contentor deve conter barras de gelo.
É da responsabilidade do técnico auxiliar de saúde proceder à correta arrumação deste equipamento.
Sangue e derivados deve ser sempre entregue em mão ao enfermeiro responsável pelo doente e
confirmar sempre o nome do mesmo. O técnico quando procede à recolha destes derivados deve
assegurar a identificação do doente, a fim de confirmar se é a pessoa certa. Tubos de amostras de
sangue e fluídos devem ser transportados e acondicionados em sacos de plástico.

Nos cuidados pós-morte de um doente com suspeita ou infeção confirmada o objetivo é prevenir a
transmissão da infeção do cadáver para os profissionais e outros doentes nos serviços e na morgue,
em que o risco continua a existir mesmo após a morte. Uma das intervenções do técnico auxiliar de
saúde é colaborar com o enfermeiro na realização dos cuidados pós-morte. No caso de não ser
solicitada autópsia devem-se remover todos os dispositivos invasivos e eliminá-los consoante a
categoria de resíduos. Se for realizar autópsia tudo deve permanecer no sítio, salvo indicação médica.
Atualmente já não se preenchem os orifícios corporais do cadáver. Realizam-se todos os cuidados de
higiene e limpeza necessários, o cadáver deve estar limpo, assim como a roupa. O material utilizado
deve ser rejeitado adequadamente. Deve ser acondicionado em saco e transportado em maca
próprios e coberto com lençol. O transporte deve ser feito pelos sujos.

Higienização das mãos e EPI

Indicações básicas:

• Devem ser utilizados cremes para as mãos para minimizar a irritação da pele.
• A solução alcoólica (2 a 3ml) deve ser aplicada de maneira a cobrir toda a superfície das mãos;
friccione as duas mãos até estas secarem completamente.
• Os aventais devem ser utilizados durante procedimentos que envolvam contacto direto com

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o doente; para proteção dos uniformes/fardas quando se considera provável a contaminação;
sempre substituídos no final do procedimento e entre doentes.
• O uso de luvas não substitui a necessidade de higienizar as mãos;
• Usar luvas apenas quando nos procedimentos indicados. Estas são um fator de risco
importante para transmissão de microrganismos.
• Mudar de luvas ou removê-las se passar de um local contaminado para um local limpo no
mesmo doente.

Figura 13 Sequência de colocação e remoção de EPI.

Figura 14 Os 5 momentos para higienização das mãos.

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Módulo 3 – Cuidados da Saúde Materno – Infantil

Para introduzir a temática dos cuidados de saúde materna é necessária uma apresentação prévia
sobre o sistema reprodutor feminino. O sistema reprodutor feminino é o responsável pela reprodução
humana, desta forma, está envolvido na produção dos gâmetas femininos, os óvulos, para que estes
possam ser fecundados posteriormente pelos espermatozoides, fornece um local apropriado para a
ocorrência da fecundação, permite a implantação do embrião no útero oferecendo condições para o
seu desenvolvimento e executa a atividade motora capaz para expelir o novo ser quando está
completamento desenvolvido e formado (Magalhães, L., 2018).

Relativamente à estrutura do sistema reprodutor feminino este é constituído por cinco estruturas
anatómicas, os ovários, as trompas de Falópio, o útero, o colo do útero e a vagina. Os ovários
apresentam forma oval e existem bilateralmente ligados pelas trompas de Falópio ao útero. Nos
ovários são produzidos os óvulos, que são expelidos uma vez por mês, durante o período fértil da
mulher, num processo chamado de ovulação. Se o óvulo for fecundado por um espermatozóide,
forma-se uma célula-ovo ou zigoto, que se dirigirá para o útero, local onde se fixa e desenvolve,
originando um novo ser. O útero é constituído essencialmente por músculo, apresenta grande
elasticidade e formato de pêra, é uma estrutura oca. Durante o período gestacional ele expande-se
para acomodar o embrião. A mucosa uterina designa-se de endométrio. O canal que faz a ligação
entre o útero e o meio excretor chama-se de vagina (Magalhães, L., 2018).

Figura 15 Sistema Reprodutor feminino.

A menstruação representa o início do período fértil de uma mulher, isto é, o período em que a mulher
atinge a sua maturidade sexual e pode engravidar. A gravidez pode ser definida como um processo

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reprodutivo que acontece na sequência de uma relação sexual durante o período fértil da mulher, ou
seja, o período da ovulação, resultando na junção entre um espermatozóide e um óvulo, ocorrendo
assim a fecundação. A fecundação ocorre no interior das trompas de Falópio, na região mais próxima
do ovário. Para que ocorra a fecundação é necessário haver condições favoráveis a este processo no
interior das trompas de Falópio, condições como lubrificação das paredes que permitem o encontro
entre as duas células sexuais (espermatozóide e óvulo) e depois a movimentação do ovo formado
para a parede do útero, local onde ocorrerá a nidação (Ministério da Saúde, 2001).

A nidação é o processo de implantação do ovo na parede do útero. É a partir desta fase que se iniciará
o desenvolvimento do embrião. A partir deste momento, poderemos falar de processo gestacional.
Esta é uma fase de transição biológica, psicológica e social, sendo inúmeros os fatores que interferem
no desenvolvimento da gravidez. A mulher sofre alterações no seu corpo, a nível mental e de dinâmica
relacional e social, é um período de grandes e intensas emoções. O modo como a mulher reagirá
perante uma gravidez vai ser fortemente influenciada pelo fato se esta foi ou não planeada e desejada.
Em qualquer das situações, ela irá necessitar de um grande apoio familiar e relacional, de modo a
sentir que tem uma rede de suporte capaz de a ajudar. De grande importância é também a rede de
profissionais de saúde que a vai acompanhar neste processo.

A vigilância da saúde materna realiza-se do início ao fim da gravidez, quer nos centros de saúde, quer
em instituições privadas. Este acompanhamento faz-se mensalmente até à 36ª semana de gestação
e quinzenalmente entre a 36ª e a 40ª semanas e todas as mulheres grávidas tem o direito legal ao
acesso a estas consultas de vigilância. Estas revestem-se de extrema importância porque fornecem
informações à mulher e acompanhante sobre as mudanças que irão ocorrer no seu corpo e na sua
dinâmica familiar, conjugal e social, como minimizar os desconfortos decorrentes das alterações da
gravidez e a identificar e atuar perante sinais de alarme.

Desta forma, a vigilância da saúde materna apresenta um impacto positivo na qualidade da saúde da
mãe e do feto, permite avaliar o bem-estar materno e fetal através de dados clínicos e laboratoriais,
a identificar fatores de risco que possam afetar a evolução da gravidez e facultam educação para a
saúde com aconselhamento e apoio psicossocial.

Como referido anteriormente, a gravidez é uma fase em que se experienciam muitas mudanças e
estas podem ser causadores de sentimentos de ansiedade, angústia, medo, dúvida, fantasia, entre
outros. Este rol de sentimentos associado à gravidez conduzirá a adaptações da mulher e do seu

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 40


companheiro. A forma como a mulher se adapta e integra estas mudanças, relaciona-se com a sua
personalidade, com a rede de suporte social, familiar e conjugal e com o desejo e o significado da
gravidez. Ocorre uma alteração de identidade e identificação de novos papéis, a mulher que se irá
tornar mãe e o homem que se irá tornar pai.

Intervenções dos profissionais de saúde como escutar a mulher/casal, informar sobre os direitos
sociais da mulher/casal (a nível saúde, social), proporcionar apoio social, esclarecer que o suporte
familiar e social é essencial para uma gravidez saudável (quer para o bebé, quer para o bem-estar
geral da mulher/casal), preparar a mulher/casal para as funções parentais que deverão adquirir,
encorajar confiança e comunicação, proporcionar à grávida conhecimentos sobre cuidados de saúde
na gravidez, parto e puerpério, informar sobre hábitos de vida saudáveis, fomentar atitudes positivas
perante a gravidez, parto e puerpério, promover o aleitamento natural, consciente e sem culpas, dar
a conhecer a utilidade e a técnica dos exercícios físicos de relaxamento e respiração e utilizá-los
corretamente e promover a diminuição de comportamentos que representam um risco para a mãe e
para o feto são intervenções de extrema importância para a mulher e que enaltecem a relevância da
atuação destes profissionais.

Desenvolvimento gestacional

Um período de gestação normal tem a duração aproximada de 280 dias ou 9 meses ou 40 semanas,
podendo variar de 38 a 42 semanas gestacionais. É durante este tempo que ocorre todo o
desenvolvimento embrionário e fetal e que pode ser subdividido em três partes, nomeadamente, três
trimestres. Cada trimestre é formado por 12 a 14 semanas de gestação, durante as quais ocorre a
estruturação do novo ser, fundamental à sua condição humana (Ministério da Saúde, 2001). O 1º
trimestre ocorre até à 12ª semana. Até à 8ª semana falamos de embrião e período embrionário. Da
8ª à 42ª semana falamos de feto e período fetal. Portanto, no término da 8ª semana o embrião passa
à condição de feto. Esta é a fase mais crítica para o novo ser que se está a formar, uma vez que todos
os seus tecidos são ainda muito pouco desenvolvidos e frágeis, passíveis de sofrerem alterações. Por
isto, a mulher deve ser aconselhada no sentido de evitar a exposição a radiações bem como o uso de
medicações contraindicadas.

Após a 8ª semana inicia-se o período fetal, em que os órgãos e sistemas estão basicamente formados.
Nas semanas seguintes ocorrerá a sua maturação. Por exemplo, às quatro semanas de gestação é
possível distinguir-se a cabeça, o contorno dos olhos, o nariz e os ouvidos, o coração e outros órgãos

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 41


encontram-se em formação e no final da 12ª semana é possível distinguir os órgãos sexuais do feto.
O 2º trimestre decorre da 14ª - 27ª semana gestacional. A mulher refere perceção dos movimentos
fetais e é possível auscultar-se os batimentos fetais. Surgem o cabelo e as unhas, o feto chucha no
dedo e a partir das 24 semanas considera-se um feto viável, contudo ainda muito frágil.

No terceiro trimestre, o útero apresenta-se muito volumoso e existe uma sobrecarga dos sistemas
cardiovascular, respiratório e locomotor para a mulher muito grande o que desencadeia alterações
orgânicas e de desconforto, pois o organismo apresenta menor capacidade de adaptação. Existe um
aumento do stress, do cansaço e surgem as dificuldades para se movimentar e dormir. Esta é a fase
em que mais rapidamente o feto ganha peso. De destacar que no terceiro trimestre o feto diminui os
seus movimentos porque possui pouco espaço para se mexer. Desta forma, a mãe deve ser alertada
para este fato e deve vigiar diariamente os movimentos fetais, este deve mexer-se pelo menos uma
vez no dia. Caso o feto não se movimente durante o período de 24 horas, deve procurar um serviço
hospitalar com urgência.

O parto

O processo de parto pode ser definido como a movimentação do feto, da placenta e das membranas
para fora do útero através do canal de parto. Pode ser definido em parto pré-termo quando ocorre
antes das 37 semanas de gestação, de termo quando ocorre entre as 37 e as 42 semanas e pós-termo
quando acontece após as 42 semanas de gestação. O parto pode ser diferenciado em parto eutócico,
o vulgo parto normal, e parto distócico, que se apresenta como o parto realizado com recurso a
instrumentos cirúrgicos como é o caso da ventosa, dos fórceps ou a realização de uma cesariana. O
parto normal ou eutócico consiste no nascimento do bebé em apresentação cefálica de vértice, por
via vaginal, sem recurso a instrumentos, o início é espontâneo e a mãe e o recém-nascido encontram-
se bem de saúde. Ocorre entre as 37 e as 42 semanas de gestação.

Figura 16 Tipos de parto.

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 42


Alguns sinais do início do trabalho de parto iminente apresentam-se como contrações uterinas com
intervalos muito curtos, dolorosas e intensas. No início, o abdómen da mulher durante as contrações
ficará duro e a dor será semelhante à dor tipo cólica, sendo intermitente. Iniciam-se com intervalos
maiores que vão diminuindo com a evolução do trabalho de parto. Uma sensação de “puxo” pela
mulher e de pressão na zona perineal são também alguns sinais. A observação do cabeça do feto
durante as contrações é sinal mais que evidente que o parto está próximo. A bolsa de líquido
amniótico que envolve o feto pode ou não romper-se espontaneamente, caso não aconteça desta
forma, ela terá que ser perfurada artificialmente antes do início do parto. O rolhão mucoso, que
consiste em secreções tipo muco branco, poderá sair no final do terceiro trimestre, contudo, não é
sinal de início do trabalho de parto.

Relativamente à fisiologia normal do trabalho de parto, este divide-se em quatro fases, a fase da
dilatação que se inicia desde o começo da dilatação até à completa dilatação do colo do útero. A fase
expulsiva, desde a dilatação completa do colo do útero até ao nascimento do recém-nascido. A fase
da dequitadura fisiológica, desde o nascimento do recém-nascido até à expulsão da placenta e
membranas e por fim a fase da hemóstase, ou seja, de recuperação, que decorre das primeiras duas
horas após o nascimento do bebé. A fisiologia do trabalho de parto, em termos temporais, varia de
mulher para mulher não sendo um processo estanque. Durante um trabalho de parto normal a
mulher deverá adotar a posição mais confortável para si. Os profissionais de saúde devem manter
contato visual com a gestante e uma atitude calma de modo a favorecer um ambiente tranquilo, neste
momento tão especial e intenso para a mãe e o pai da criança. Este último deverá estar presente se
for vontade da mulher e de ambos, este deverá ajudá-la nos posicionamentos e a tranquilizá-la.

A promoção e manutenção do bem-estar físico e emocional ao longo do processo de trabalho de


parto e nascimento do bebé ocorre mediante a passagem de informações e orientações permanentes
à parturiente sobre a evolução do trabalho de parto, reconhecendo-lhe o papel principal nesse
processo (Ministério da Saúde, 2001).

O puerpério

O puerpério inicia-se logo após a dequitadura e pode durar até seis semanas. Passamos a referir-nos
à mulher como puérpera. A duração de seis semanas é apenas uma medida temporal standard, uma
vez que, se preconiza que o puerpério terminará quando a fisiologia materna regressa ao estado pré-
gravídico e este processo poderá ocorrer de modo diferente de mulher para mulher. Nas mulheres

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 43


que amamentarem, por exemplo, o processo de recuperação é mais rápido por todo o processo
hormonal envolvido na amamentação que favorece esta recuperação.

Os primeiros dias do pós-parto são dias de transição para a puérpera, um período em que esta ainda
tem que se adaptar à sua nova condição de mãe e de cuidar de um recém-nascido. Desta forma,
encontra-se bastante vulnerável a pressões emocionais podendo estas ter um impacto menos
positivo na sua adaptação a situações que por norma enfrentaria com facilidade e naturalidade,
desencadeando ansiedade na puérpera. Esta labilidade emocional conjugada com a exaustão física
normal deste primeiro período poderão desencadear o surgimento de um quadro de grande tristeza,
sentimentos de incapacidade e recusa em cuidar de si e do bebé, estes sintomas e sinais caracterizam
a depressão pós-parto, sendo estes um dos grandes riscos a que todas as mulheres estão sujeitas no
período puerperal.

Estas atitudes demonstradas pela puérpera podem surgir sem motivo aparente, com duração
temporária ou persistente. É uma situação que exige a intervenção de profissionais de saúde
adequados para reconhecer este problema e proceder à sua resolução e tratamento. Um
reconhecimento precoce pode favorecer positivamente a progressão e resolução desta doença e,
portanto, atitudes como as descritas anteriormente devem ser do conhecimento de familiares e
pessoas do círculo afetivo da puérpera para poderem fazer o seu reconhecimento atempado. Uma
rede de suporte familiar e afetiva é extremamente importante para a puérpera nestas situações, que
normalmente se manifestam dois ou três meses após o nascimento do bebé (Ministério da Saúde,
2001).

Nesta fase e no que a riscos físicos para a mulher diz respeito, o mais grave e frequente são as
hemorragias pós-parto, que acarretam mesmo risco de vida para a puérpera se não resolvidas
atempadamente. A hemorragia pós-parto poderá ser definida como a perda excessiva de sangue no
pós-parto. Desta forma, a vigilância e monitorização do estado físico e hemodinâmico da puérpera
no pós-parto é de extrema importância. A atonia uterina, ou seja, a incapacidade do útero se contrair,
lacerações do canal vaginal e retenção de restos placentários são algumas das causas de hemorragia
puerperal.

Para que o risco de hemorragia seja menor, após a dequitadura deverá formar-se o globo de Pinard,
ou seja o útero da puérpera deverá ficar duro e formar literalmente um globo, neste caso um globo
de segurança. É através desta contração muscular que ocorre no útero que os vasos realizam a

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vasoconstrição, ou seja, o processo pelo qual os vasos sanguíneos se contraem. Este globo de
segurança deverá ser palpável logo acima do umbigo e com o passar dos dias deverá acontecer uma
involução uterina, de forma simples, o regresso do útero ao seu tamanho e aspeto normal. A total
involução uterina poderá demorar cinco a seis semanas, ocorrendo de forma mais rápida, na mulher
saudável que teve parto normal e que está a amamentar, como já referido anteriormente. Caso este
globo de segurança não se forme espontaneamente, como deveria acontecer, os profissionais de
saúde, nomeadamente médicos e enfermeiros, poderão ajudar neste processo, através da massagem
abdominal no sentido dos ponteiros do relógio para promover a sua contração muscular. Uma outra
alternativa será a administração de terapêutica hormonal.

Por outro lado, a presença de lóquios no pós-parto é uma situação normal e a puérpera deverá ser
alertada para esse fato. Lóquios são restos de descamação do útero com sangue. Terão cor vermelho
vivo ou escuro nos primeiros quatro dias e perderão progressivamente cor e diminuirão em
quantidade até às três semanas. Não deverão ter cheiro nem se apresentarem em quantidade
excessiva. Odor fétido e grandes quantidades, com coágulos, são sinais de alerta.

O risco de infeção é também uma possibilidade real para a puérpera pela eventual realização de
episiotomia e lacerações da vulva, vagina ou períneo durante o parto. Desta forma e para evitar o
risco de infeção ou diminuir a sua incidência os cuidados de higiene são de extrema relevância. A
puérpera deve ser orientada para realizar os cuidados de higiene sempre após atividades de
eliminação fisiológica, com água tépida e corrente, efetuando a limpeza da parte da frente para a
posterior, para evitar a contaminação da vulva e vagina com bactérias presentes no reto. A
higienização das mãos após estes cuidados é de realçar.

Como mencionado anteriormente, na fase do puerpério ocorre um regresso à fisiologia normal da


mulher, ocorrendo naturalmente, um processo de perda de peso característico, de cerca de nove
quilogramas, referente à saída do feto, placenta e membranas, perda sanguínea, saída do líquido
amniótico, aumento da diurese, a presença de lóquios e a involução uterina.

Direitos e deveres da criança

Todas as pessoas, independentemente da idade tem direitos e, como tal, os novos seres que nascem,
são de igual forma dotados de direitos e consequentes deveres. As crianças são um grupo de risco
pela sua vulnerabilidade e por isso são alvo de maior atenção e proteção pelos responsáveis da nossa
sociedade. Relativamente à área da saúde, é importante definir primariamente a idade pediátrica em

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 45


vigor no nosso país. Esta é definida para todas as crianças até aos 18 anos de idade, seguindo
recomendações da Comissão Nacional de Saúde da Criança e Adolescente e da Carta dos Direitos da
Criança, que Portugal homologou. Os seus direitos estão também contemplados na Constituição da
República Portuguesa que faz menção ao seu direito à proteção pelo Estado com vista a garantir o
seu desenvolvimento integral, protegendo-as contra qualquer tipo de agressão.

Focalizando na saúde, o direito aos melhores cuidados de saúde é um direito fundamental, assim, a
abordagem aos direitos da criança hospitalizada é relevante, uma vez que, este documento e a
descrição destes direitos é ainda desconhecida para pais e cuidadores e até mesmo de crianças com
capacidade cognitiva para o entenderem. Só dotados de informação podem exercer o seu papel de
cuidadores de forma sustentada e serem intervenientes ativos no processo de saúde das suas crianças
e, desta fora, fazerem aplicar e exercer os seus direitos.

A carta da criança hospitalizada abordada neste documento foi elaborada em conjunto com diversas
associações europeias em 1988 e resume os direitos das crianças hospitalizadas, tendo o apoio na
sua divulgação do Instituto de Apoio à Criança português. Apesar de já apresentar alguns anos, o seu
conteúdo é extremamente atual e correto. São dez os direitos abordados, nomeadamente:

1. A admissão de uma criança no hospital só deve ter lugar quando os cuidados


necessários à sua doença não possam ser prestados em casa, em consulta externa ou
em hospital de dia.
2. Uma criança hospitalizada tem direito a ter os pais ou os seus substitutos, junto dela,
dia e noite, qualquer que seja a sua idade ou o seu estado.
3. Os pais devem ser encorajados a ficar junto do seu filho devendo ser-lhes facultadas
facilidades materiais sem que isso implique qualquer encargo financeiro ou perda de
salário. Os pais devem ser informados sobre as regras e as rotinas próprias do serviço
para que participem ativamente nos cuidados ao seu filho.
4. As crianças e os pais têm direito a receber uma informação adaptada à sua idade e
compreensão. As agressões físicas ou emocionais e a dor devem ser reduzidas ao
mínimo.
5. As crianças e os pais tem direito a serem informados para que possam participar em
todas as decisões relativas ais cuidados de saúde. Deve evitar-se qualquer exame ou
tratamento que não seja indispensável.

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 46


6. As crianças não devem ser admitidas em serviços de adultos. Devem ficar reunidas por
grupos etários para beneficiarem de jogos, recreios e atividades educativas adaptadas
à idade, co toda a segurança as pessoas que as visitam devem ser aceites sem limites
de idade.
7. O hospital deve oferecer às crianças um ambiente que corresponda às suas
necessidades físicas, afetivas e educativas, quer no aspeto do equipamento, quer do
pessoal e da segurança.
8. A equipa de saúde deve ter formação adequada para responder às necessidades
psicológicas e emocionais das crianças e da família.
9. A equipa de saúde deve estar organizada de modo a assegurar a continuidade dos
cuidados que são restados a cada criança.
10. A intimidade de cada criança deve ser respeitada. A criança deve ser tratada com
cuidado e compreensão em todas as circunstâncias (EACH, 1988).

Programa Nacional Saúde Infantil e Juvenil

Assegurar um crescimento e desenvolvimento saudável e equilibrado das crianças é assegurar a força


motriz da sociedade vindoura. Permitir desde cedo o acesso a cuidados de saúde de qualidade e
adequados às necessidades vigentes das crianças, assegurar a equidade e a igualdade no seu acesso
para que todas possam usufruir dos mesmos direitos e oportunidades. Esta é uma das premissas do
Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil português.

De forma prática, este programa de saúde foi criado para ser utilizado pelos profissionais de saúde
como um guia orientador e de auxílio nas consultas de vigilância de saúde infantil e juvenil, para
avaliar e monitorizar o crescimento e desenvolvimento das crianças. Essencialmente, detetar de
forma precoce, desvios na normalidade do crescimento e desenvolvimento e fazer o seu correto e
atempado encaminhamento para a sua correção, pois sabemos que as crianças são seres próprios,
com a especificidade que lhes é característica e como tal não é possível ter um utensílio medidor
rigoroso da normalidade. É um fato que as crianças se desenvolvem e crescem de maneira diferente
e em tempos diferentes. O seu desenvolvimento psicomotor é um processo dinâmico e contínuo,
sabendo, no entanto, que funções são espectadas que a criança vá desenvolvendo e adquirindo com
o passar do tempo, contudo, é a velocidade com que passam por essas diferentes etapas que assume
características próprias de cada ser.

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 47


Desta forma, ser detentor de conhecimento científico atualizado para que se possam prestar cuidados
de saúde de qualidade e intervir com as práticas mais recentes e fundamentadas, neste processo
dinâmico e complexo que é o desenvolvimento e o crescimento de uma criança é essencial. Esta
realidade é um dos focos de atenção do nosso sistema de saúde e como profissionais de saúde
devemos estar alerta para estes princípios.

O programa nacional de saúde infantil e juvenil sofreu a última atualização em 2013 e obedece a
algumas linhas mestras, entre elas, a calendarização das consultas em idades-chave, isto é, em idades
que correspondem a acontecimentos determinantes na vida da criança, sendo esses acontecimentos,
etapas de desenvolvimento físico, psicomotor, cognitivo, de socialização, escolaridade e alimentação.
Especifica ainda cuidados antecipatórios importantes na promoção da saúde da criança e prevenção
da doença, facultando informações importantes aos pais ou cuidadores para que a sua intervenção
seja a mais adequada e orientada para o desenvolvimento da criança, dado que também eles tem
que se adaptar aos novos desafios que vão surgindo. Este acompanhamento é realizado nas consultas
de vigilância que se iniciam desde a primeira semana de vida até ao final da adolescência,
acontecendo com maior frequência até à idade escolar, pois é neste período temporal que a criança
sofre mais alterações.

Sintetizando, a aplicação deste programa nacional apoia o desenvolvimento de um processo de saúde


global e garante a sua igualdade e acesso oportuno a todas as crianças e jovens independentemente
dos contextos socioeconómicos das suas famílias.

É no Boletim de Saúde Infantil e Juvenil que são registados todos os dados relevantes de cada consulta.
Este documento deve sempre acompanhar a criança, uma vez que, é um meio de informação sobre
a mesma sobre a sua saúde.

Crescimento e desenvolvimento infantil

Nas consultas de vigilância, entre outras práticas, como referido anteriormente, é avaliado o
crescimento e desenvolvimento da criança. Importa diferenciar estes conceitos, ou seja, crescimento
de desenvolvimento. O crescimento ocorre desde a conceção do embrião, é um processo dinâmico e
contínuo, com períodos de maior e menor atividade. De forma simples, o crescimento consiste no
aumento em peso, altura e estruturas corporais. Por outro lado, o desenvolvimento compreende no
aumento da capacidade para aquisição de novas funções que por norma acompanha o processo de
crescimento. O padrão de desenvolvimento e crescimento sucede de cima para baixo, ou seja, da

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cabeça para os pés, de dentro para fora, isto é, do centro para a periferia e de funções mais simples
para as mais complexas. Exemplificando, primariamente controlamos a nossa cabeça e só depois os
membros inferiores, o movimento do nosso ombro e só depois do braço, gatinhamos antes de andar.

No que concerne à avaliação do crescimento, são utilizadas curvas de crescimento. As curvas de


crescimento podem ser definidas como um instrumento prático para monitorizar as condições de
crescimento e nutrição das crianças e adolescentes. Portugal utiliza as curvas de crescimento
recomendadas pela Organização Mundial de Saúde, as quais foram elaboradas tendo por base
diversos estudos científicos, as curvas utilizadas são:

• Comprimento/altura do nascimento aos 5 anos


• Peso do nascimento aos 5 anos
• Índice de massa corporal do nascimento aos 5 anos
• Perímetro cefálico do nascimento aos 2 anos
• Altura dos 5 aos 19 anos
• Peso dos 5 aos 10 anos
• Índice de massa corporal dos 5 aos 19 anos

Figura 17 Exemplo de curva de crescimento do peso.

Estas curvas permitem a representação gráfica de um conjunto de valores de um determinado


parâmetro avaliado ao longo de um determinado período de tempo. As curvas de crescimento
utilizam percentis. Um percentil é cada uma de cem partes iguais de uma estatística realizada.

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 49


Exemplificando, se a criança está no percentil 75 de peso quer dizer que em 100 crianças saudáveis,
do mesmo sexo e idade, existem 25 com peso superior e 74 com peso inferior. Os parâmetros são
representados em gráficos para determinar se a curva de crescimento da criança está adequada ao
seu sexo e idade. Permite comparar as medições daquela criança com as de outras crianças da mesma
idade e sexo. Por exemplo, a diferença de dois ou mais níveis de percentis entre altura e peso poderá
indicar uma situação de excesso ou redução de peso. Sempre que a criança não acompanhar o
desenvolvimento da curva ou se desviar dois ou mais percentis da sua própria curva é necessário
investigar melhor. Desta explicação, depreende-se que as curvas de crescimento fornecem material
para vigilância e alerta, não são fatores preditivos de alguma anormalidade, poderão sim ser
sugestivos da necessidade de um acompanhamento mais próximo. No que concerne ao crescimento
em comprimento/altura a velocidade de crescimento anual normal situa-se em quatro centímetros e
até aos três anos a velocidade mínima situa-se nos sete centímetros por ano.

O perímetro cefálico é outro dos parâmetros de crescimento avaliados e consiste na medição entre
as zonas supraorbitárias e o ponto mais alto do osso occipital, ou seja, a parte posterior da cabeça. A
cabeça cresce mais depressa até aos três meses, cerca de dois centímetros por mês e depois cerca de
um centímetro por mês. Até ao estádio adulto cresce cerca de dez centímetros e este estádio é
atingido aos cinco anos de idade. Nos primeiros meses de vida o perímetro cefálico pode subir
rapidamente alguns percentis, principalmente em lactentes pequenos para a idade gestacional, o que
será uma situação normal. No entanto, caso ocorra um rápido crescimento deste parâmetro deverá
ser excluído algum tipo de doença. O perímetro cefálico reflete o crescimento do cérebro, contudo,
cabeças grandes ou pequenas podem ter componente genética/familiar e deverá ser efetuado um
estado ao tamanho das cabeças dos progenitores para descartar qualquer anomalia.

Para cada parâmetro de crescimento avaliado, peso, comprimento/altura e perímetro cefálico


existem intervalos de valores conhecidos esperados que a criança atinja em determinado limite
temporal, em virtude de muitos estudos efetuados ao longo dos anos, só desta forma, com base em
conhecimento fundamentado se pode avaliar e detetar situações que se desviam da normalidade.

A avaliação do desenvolvimento por profissionais de saúde com experiência pode levar à deteção de
problemas de desenvolvimento. Estes profissionais devem utilizar instrumentos de avaliação formais,
conhecidos como testes de desenvolvimento, pois são os mais específicos e com maior sensibilidade
na deteção destas situações anormais, ao invés da avaliação informal. Contudo, ao contrário do

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 50


crescimento, no desenvolvimento não se avaliam parâmetros mensuráveis, daí o seu baixo fator
preditivo e elevada subjetividade porque existem fatores externos que podem interferir nos
resultados, como por exemplo, a limitação do tempo, a não colaboração da criança, simplesmente
porque está aborrecida, cansada ou com fome. Dado que estes testes se prendem apenas com um
momento de avaliação, nomeadamente, o momento da consulta, não se poderão tirar grandes
elações desse mesmo teste, apenas, deve servir como instrumento de apoio para melhor
conhecimento dos parâmetros normais do desenvolvimento e como estímulo de informação e
ensinos aos pais.

O teste de avaliação mais utilizado nas consultas nos Cuidados de Saúde Primários é a escala de
avaliação do desenvolvimento de Mary Sheridan em crianças de quatro/seis semanas de vida até aos
cinco anos de idade. Avalia a postura e motricidade global, a visão, motricidade fina, audição e
linguagem e comportamento social.

Figura 18 Exemplos de funções de desenvolvimento esperadas para cada idade até aos 3 anos (DGS, 2013).

Todos estes instrumentos ao alcance dos profissionais de saúde tem um papel relevante na
identificação de fatores de risco que ameacem o normal desenvolvimento da criança, apostando
objetivamente na promoção da saúde da criança. Profissionais de saúde, pais e ou cuidadores
informados e alertados são alicerces significativos na integração e qualidade de vida das crianças,
devem, pois, trabalhar em parceria para atingir os melhores resultados.

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 51


A alimentação no primeiro ano de vida

A alimentação da criança nos primeiros seis meses de vida, deve ser exclusivamente através do
aleitamento materno e depois até aos dois anos com alimentação complementar. Esta é a orientação
da Organização Mundial de Saúde, corroborada por inúmeros estudos científicos realizados sobre as
vantagens da amamentação para a mãe e para o bebé. O leite materno é um alimento vivo, completo
e natural, previne contra infeções gastrointestinais, urinárias e respiratórias nos primeiros meses de
vida do bebé, previne contra possíveis alergias às proteínas do leite de vaca e promove uma melhor
adaptação do bebé aos outros alimentos. Além de que se apresenta como a forma mais prática e
económica para alimentar o bebé. No que concerne à mãe, promove mais rapidamente a involução
uterina e, portanto, a recuperação fisiológica normal no pós-parto.

A melhor forma para avaliar se o bebé está a ser bem nutrido, ou seja, que o alimento que o bebé
está a receber é o adequado para ele, é através da avaliação do seu crescimento. Para contribuir para
o sucesso da amamentação, a mãe deve alimentar-se e hidratar-se adequadamente, apresentar
disponibilidade e apresentar-se bem física e psicologicamente.

Quando não é possível às mães amamentarem ou simplesmente não o querem fazer a alternativa
surge com os leites adaptados, nomeadamente os leites de fórmula. Estes leites são produzidos a
partir do leite de vaca e devem ser prescritos pelo médico, adaptado às necessidades nutricionais e
idade do bebé. Relativamente a esta temática existem determinadas especificidades e cuidados a ter
em consideração, nomeadamente, preparar apenas um biberão de cada vez e usá-lo de imediato, não
é necessário ferver ou esterilizar biberões e tetinas desde que se cumpram os normais cuidados de
higiene com as mãos, lavar apenas com água quente, sabão e um escovilhão, também podem ser
lavados na máquina de lavar loiça. Na preparação do biberão, utilizar água fervida durante 5 minutos
ou água embalada, deixar arrefecer a água até ficar morna. Colocar a água no biberão e só depois o
pó. Respeitar as quantidades descritas na lata (30cc/1 medida) e não agitar o leite, apenas misturar
com movimentos rotativos. Verificar a temperatura do leite no pulso, este deve estar morno. Nunca
aquecer no micro-ondas porque destrói as proteínas e nutrientes do leite, além de que pode provocar
queimaduras.

A partir dos seis meses de idade inicia-se o processo de diversificação alimentar, ou seja, a introdução
de novos alimentos na dieta do bebé que não o leite. A diversificação alimentar tem vários objetivos,
nomeadamente, nutricionais para proporcionar o crescimento, uma vez que o leite já não é suficiente

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 52


para proporcionar o aporte necessário, mas continua a ser um alimento fundamental como fonte de
cálcio e proteínas, objetivos de desenvolvimento para a aquisição de novas funções e sensoriais,
estimulando novas sensações, a nível gustativo, olfativo e visual (Cordeiro, M., 2014).

Devem-se introduzir os diferentes alimentos separadamente para que a criança os possa diferenciar,
sentir-lhes o gosto e a textura. As farinhas, normalmente, são os primeiros alimentos sólidos a
introduzir, podem ser lácteas ou não lácteas, devem ser isentas de glúten. Após a introdução das
papas, introduz-se a sopa de legumes sob a forma de papa/puré. A batata e a cenoura devem servir
de base. Introduzem-se os diferentes legumes (feijão verde, penca, legumes, etc) separadamente e
por um período de dois ou três dias, para que se possam detetar alimentos mal tolerados pelo bebé
e possíveis alergias. Ao sexto mês introduzem-se também as frutas, deve começar-se pelas maçãs,
pêras e bananas sob a forma de papa ou puré, idealmente a fruta deve ser crua. As frutas mais ácidas,
como as laranjas, os morangos e os kiwis devem ser introduzidas mais tarde, normalmente a partir
dos doze meses. O azeite deve fazer parte da dieta do bebé e deverá sempre ser adicionado à sopa
em cru, uma colher de sobremesa será a quantidade ideal. Não utilizar sal e açúcar. A gema do ovo
deve ser introduzida muito gradualmente a partir dos sete/nove meses. Deve ser bem cozida,
esmagada e em pequenas quantidades. A clara do ovo deverá ser introduzida mais tarde, se tolerada
a gema, aos nove/doze meses. A carne pode ser introduzida aos seis meses. Deverá ser carne branca
como frango, vitela ou vaca. A carne de porco, pela sua elevada quantidade de gordura, só introduzida
a partir dos dois anos. O peixe também branco deverá introduzir-se até aos doze meses. Não deve
fazer parte da sua alimentação alimentos doces, fritos, sumos e gorduras processadas.

As refeições devem ser distribuídas ao longo do dia. As refeições principais deverão ser de sopa e
fruta. Uma das refeições papas preparadas com água ou leite e as restantes refeições de leite materno
ou adaptado, perfazendo um total de sete refeições. Esta é a apenas uma medida, uma vez que, deve
ser sempre tido em consideração as necessidades da criança. A alimentação complementar deverá
ser oferecida sempre com colher e progressivamente deverá aumentar-se a consistência da comida
oferecida para que mais tarde esta possa partilhar da alimentação da restante família.

Relacionada com a temática da alimentação, o tema da obesidade surge inevitavelmente associado,


neste caso a obesidade infantil, principalmente, pela representação atual bastante expressiva na
sociedade. A obesidade infantil tornou-se uma epidemia mundial dos países desenvolvidos. A
obesidade consiste simplesmente no excesso de gordura em níveis que afetam a saúde e pelo seu

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 53


impacto esta é fator de risco para o desenvolvimento de inúmeras doenças crónicas. Esta realidade é
assustadora, uma vez que, estamos a assistir ao crescimento e desenvolvimento de crianças doente,
sem noção de um perfil saudável.

Neste contexto, a educação alimentar pela promoção de hábitos alimentares saudáveis, desde tenra
idade é extremamente importante e impactante na aquisição de futuros hábitos pelas crianças. Esta
educação alimentar acontece e inicia-se no seio familiar e, portanto, a intervenção deve ser neste
meio, os pais e cuidadores se não informados devem-no ser pelos profissionais de saúde competentes
para tal, dotá-los de informação para que possam atuar de forma informada na saúde das suas
crianças. A promoção da atividade física como atividade de lazer e de bem-estar deve ser encorajada.
Portugal tem uma elevada taxa de obesidade infantil decretada pelas recentes estatísticas, é
importante atuar através de práticas que mudem esta situação, principalmente em fases de
desenvolvimento e crescimento tão importantes, as consultas de vigilância são um momento
oportuno para tal, para esclarecer dúvidas e partilhar informação.

A quantidade de alimentos ingeridos pelas crianças deve ser de acordo com a sua idade, sexo e grau
de atividade física. Existem alimentos que devem ser consumidos diariamente, de modo, a permitir
o aporte nutricional que o corpo necessita para o seu bom funcionamento e que não é capaz de
produzir. Devem ser incluídos nutrientes de todos os grupos de alimentos. A alimentação da criança
deverá fornecer um aporto calórico suficiente e adequado às regras de alimentação saudáveis.
Relativamente às necessidades médias de energia para as crianças entre os três e os seis anos, ou
seja, em idade pré-escolar, são de 1300 calorias. As necessidades de energia da criança em idade pré-
escolar estão relacionadas com o seu crescimento, funcionamento do organismo e atividade física
que pode ser muito intensa. No que diz respeito, às vitaminas e sais minerais, as suas necessidades
são preenchidas pela ingestão de alimentos de todos os grupos. As fibras alimentares não são
absorvidas, mas são essenciais para o funcionamento normal do intestino e devem ser ingeridas em
forma de legumes e fruta. Uma refeição equilibrada deve iniciar-se sempre pela sopa e terminar com
uma peça de fruta.

Dada a importância que uma alimentação adequada e equilibrada tem no crescimento e


desenvolvimento da criança, este aspeto não deve ser descurado, antes deve ser alvo de discussão e
partilha de informação, entre famílias, crianças e profissionais de saúde, pois só devidamente
informados e conhecedores das vantagens e benefícios das melhores práticas e hábitos, adequados

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 54


a cada etapa do ciclo de vida da criança se pode efetivamente promover uma evolução saudável da
mesma.

Sinais e sintomas comuns na infância

O crescimento e desenvolvimento da criança não é somente acompanhado de conquistas e alegrias,


infelizmente, é também muitas vezes afetado por situações de doença. Muitas destas doenças podem
ser apelidadas de situações comuns na infância e, desta forma, é importante saber identificá-las e
saber também como agir. Importa distinguir, os conceitos de sinal e sintoma. Sumariamente, sinal é
uma alteração que podemos observar, por outro lado, sintoma é o que a pessoa diz que sente.

É importante realçar o conhecimento de sintomas e sinais de alarme, nomeadamente, sinais e


sintomas que motivam uma ida imediata a um serviço de urgência, são eles: convulsões, cianose,
dificuldade respiratória, demasiada sonolência sem motivo aparente, prostração, febres altas com
mais de três dias de evolução e sinais de desidratação (Cordeiro, M., 2014). Por outro lado, idas
consecutivas a serviços de urgência/médicos sem necessidade urgente óbvia devem ser
desencorajadas e determinadas características devem ser tidas em consideração, tais como, as
crianças adoecem mais frequentemente até aos seis meses, grande parte das doenças só se manifesta
totalmente ao fim de três dias, num serviço de urgência a continuidade de cuidados é quase nula e
portanto intervenções mais invasivas são frequentes, também porque os médios não conhecem a
criança e querem ter certezas, a exposição a microrganismos infeciosos é elevada e poderá acarretar
o agravamento da doença atual ou uma nova doença (Cordeiro, M., 2014).

De seguida, serão descritos sete sinais e sintomas considerados como dos mais comuns de afetarem
a criança pelo menos, uma vez, no seu crescimento, são eles a febre, diarreia, vómitos, cólicas
abdominais, tosse, rinorreia e lesões cutâneas.

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Sinais e Sintomas
comuns na infância

Febre O que é a febre? A febre é um sinal de resposta fisiológica do nosso corpo a agentes externos e alterações corporais internas. Quando estamos perante uma
situação de infeção, ocorre uma elevação natural de combate da temperatura, por exemplo, esta elevação da temperatura vai diminuir o ritmo de crescimento
dos microrganismos infeciosos, provocar alterações na sua constituição, aumentar as nossas defesas imunológicas e a atividade dos antibióticos. O principal
motive para o tratamento é o alívio do desconforto.

• A febre não é uma doença, é um sinal de atividade importante.


• O nosso corpo regula naturalmente a temperatura através de mecanismos que permitem um equilíbrio entre a perda de calor e a sua produção. Uma
parte desta produção de calor é fisiológica e decorre do metabolismo para garantir funções vitais ao organismo. A produção de calor involuntária
está relacionada com atividades do dia-a-dia, principalmente a nível muscular. Ex: quando fazemos exercício e transpiramos.
• A sua elevação é benéfica na luta contra as infeções.

Onde podemos avaliar a temperatura?

Temos temperaturas periféricas e centrais. Centrais são usadas com meios invasivos e em cuidados mais específicos, exemplo esofágica. Nós avaliamos
temperaturas periféricas.

• Timpânica/auricular; oral; retal (cuidado com as lesões da mucosa); axilar;


• Temperatura axilar até 37ºC; oral até 37,5ºC, retal ou auricular até 38ºC
• A febre pode ser classificada em alta, moderada ou ligeira.

No caso de um bebé/criança, devemos optar por um termómetro que seja prático, principalmente para quando o utilizarmos no bebé a dormir, que seja fácil
de limpar, que não parta ou magoe o bebé e que seja fiável e durável.

Avaliar a temperatura no ouvido não é fácil porque os bebés/crianças não gostam que lhes introduzamos nada no ouvido, assim como os adultos. Além de
que exige que o termómetro aponte para o tímpano e não para a pele do canal auditivo o que poderá falsear o resultado obtido. Estes termómetros vieram
substituir os tradicionais de avaliação retal. Os novos termómetros de avaliação na fronte ou testa são os mais práticos.

• Uma única avaliação de temperatura não tem valor significativo, serve apenas de alerta para uma maior vigilância. Quanto menor a idade da criança
mais importância tem. Episódios de febre isolada. Benefícios da elevação da temperatura. Diferente de febres prolongadas. Valorizar outros
sintomas em adição à febre.
• Crianças com <3 meses com temperatura axilar de 38ºC ou 39ºC retal deve ser significativa, uma vez que a sua resposta ainda é muito imatura e dado
que estas crianças estão mais sujeitas a complicações graves como septicemias, meningites ou pneumonias. Devem ser observadas.
• Crianças com 3-24 meses com temperaturas >39ºC deverão ser observadas.
Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 56
• Crianças com menos de 36 meses com febre superior a 40ºC e se após restabelecida a temperatura normal, apresentar sinais de prostração, sem
vontade de brincar, não se interessar por anda, deve ser procurado um médico.
• No caso de febre devem ser usados antipiréticos e ponderar o seu uso pelo rápido arrefecimento que provocam e consequente sudação e depois
calafrios e tremores quando inicia a subida. O arrefecimento corporal está contraindicado pois só causa arrefecimento da pele, provocando uma
reação de subida da temperatura.
• Não agasalhar demasiado a criança, mas não despir, especialmente se estiver frio; aumentar circulação de ar (eficazes de aplicadas 1H após
administração de antipirético); repouso; oferecer líquidos em abundância; dieta adequada (evitar ingestão calórica excessiva e a ingestão proteica
porque são metabolizadas mais rapidamente). Ter presente os efeitos benéficos da febre, nas crianças saudáveis e normais, são superiores aos efeitos
indesejáveis e encarar com naturalidade.

Convulsões febris, o que são?

Assustadoras para os pais.

A febre quando sobe rapidamente atua como um estímulo forte para o cérebro e desencadeia uma resposta muscular mais intensa, pois é ultrapassado um
limiar de excitação e surgem as convulsões. É normal a criança perder a consciência, agitar os braços e pernas, perder controlo de esfíncteres, deitar espuma
pela boca. Não confundir convulsões com tremores. Estes são normais e estão associados à subida da temperatura, o nosso corpo sabe que os nossos músculos
em atividade originam grande perda de calor e, portanto, utiliza-os para gerar essa perda e tentar baixar a temperatura.

• São mais frequentes entre os 18 meses e os 4 anos, mas pode acontecer antes ou depois destas idades. Poderá haver relação familiar, com outros
irmãos ou os pais.
• Normalmente duram 5-10 minutos. As convulsões febris não estão relacionadas com a ocorrência de epilepsia. Na epilepsia existem áreas hiperativas,
enquanto que na convulsão febril existe uma reação de um cérebro imaturo a um estímulo, que é a febre. O diagnóstico de convulsão febril tem que
ser feito pelo médico para excluir doenças que se acompanham de febre e convulsões.

O que fazer? O maior risco é a criança vomitar e aspirar o conteúdo alimentar, portanto assegurar posição lateral de segurança para prevenir esta situação.
Administrar um antipirético retal. Se a convulsão durar mais de 5 minutos existem medicamentos para administrar de forma retal. Não pôr a mão na boca
para segurar na língua, é suficiente colocar a criança de lado. Se a convulsão não ceder ou a criança não acordar ir ao serviço de urgência.

Vómitos Vómito diferente de regurgitação. Regurgitação poderá ser o sinónimo de bolsar, é a elevação do conteúdo alimentar à boca sem expulsão. Vómito – ejeção
forçada do conteúdo alimentar gástrico pela boca. Na infância normalmente não exigem tratamento específico. Podem provocar desidratação, distúrbios
eletrolíticos, aspiração de vómito, desnutrição.

• Diversas razões para o bebé vomitar – excesso de comida, não arrotar, intolerância ao leite, exposição a fumo de tabaco.
• Qualquer infeção (otite, amigdalite, infeção urinária) num bebé poderá ter vómito associado. Os vómitos mais prolongados, mais que um episódio,
normalmente devem-se a infeções virais.

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• Vomitar sangue – conteúdo alimentar raiado de sangue poderá ter diversas razões – sangue do mamilo da mãe, principalmente nos primeiros dias
de vida, que eles engolem quando se alimentam e que causa irritação gástrica fazendo-os vomitar. Quando o vómito é intenso e frequente poderá
vir sangue da faringe ou da garganta provocado pelo esforço. Quando os vómitos são violentos poderão aparecer umas manchas vermelhas na cara
e no pescoço do bebé causadas pelo esforço, chamam-se petéquias e estão localizadas na zona da cara e pescoço.
• Gastroenterite aguda – é frequente nos bebés e causada maioritariamente por vírus. A maioria destas situações reverte espontaneamente, o maior
perigo é a desidratação. Poderá ter diarreia associada, se o vírus passar do estômago para o intestino, vai tentar expulsá-lo. A intervenção adequada
é aumentar a ingestão de água, contudo, se a criança está a vomitar ou nauseada não vai querer beber nada, assim como poderá apresentar dor
abdominal pela contração do estômago porque tem a mucosa dorida e recusa-se a aceitar alimentos, o risco de desidratação grave em crianças
pequenas é grande. Acresce ainda o facto se estivermos no Verão, com temperaturas elevadas ou se a criança apresentar febre, tudo isso acarreta
um maior gasto de água. Além dos vómitos e diarreia, poderemos ter outros sintomas associados, se falarmos de bactérias e estas invadirem a
mucosa do intestino, podem provocar uma úlcera e poderemos ter fezes com muco, sangue e pus. Se invadirem a corrente sanguínea, os sinais são
mais gerais, como febre, mal-estar geral.

Diarreia – como no adulto, é definida, como o aumento do número de dejeções >5/6, com diminuição da consistência das fezes.

Dados a ter em atenção:

• Características das fezes e das dejeções – há quanto tempo dura? Se mais de 3 dias é melhor procurar um médico. Quantas dejeções? É muita
líquida? Qual a cor das fezes?
• Tem vómitos e febre? Consegue beber líquidos para compensar o que perde? A respiração como está? Olhos encovados (desidratação grave)?
Ausência de lágrimas? Secura da boca e das mucosas, fontanela deprimida nos bebés pequenos? Avaliar desidratação com prega cutânea. Diminui
de peso? Sinais de alarme – pele fria, seca, prostração.
• Rehidratação oral – nas primeiras 5/6 horas dar soluções orais de rehidratação (farmácias). Poderá ser feito em casa com 1 colher chá de sal de
cozinha, uma colher sobremesa de açúcar e dissolver num litro de água. Como o estômago está irritado, dorido e contrai quando deteta alguma
entrada de alimento, é importante que a solução seja dada muito frequentemente, pouca quantidade de cada vez. Se passadas 5/6 horas os
vómitos pararem poderá começar a introduzir-se alimentos – evitar legumes verdes, frutos com sumo e leite. quando tudo voltar ao normal,
introduzir os alimentos que estavam a ser evitados. Dieta com pouca gordura e fibras. Refeições fracionadas ao longo do dia. A amamentação não
deverá ser interrompida. Antibióticos não deverão ser usados sem prescrição médica. Consegue-se controlar a maioria das diarreias agudas em casa.
Se sinal de gravidade levar ao médico. As dores abdominais – cólicas são uma consequência normal e tem papel adjuvante na limpeza dos micróbios.
Diarreia Sinal que reflete distúrbios digestivos, de absorção e secreção. É provocada pelo transporte anormal de água e eletrólitos ao intestino.

• Diarreia aguda – principal causa de doença na criança pequena <5 anos de idade. Aumento súbito do número de dejeções e diminuição da
consistência das fezes frequentemente causados por agente infecioso. Geralmente é autolimitada < de 14 dias, sem necessidade de tratamento
específico. A maioria dos organismos patogénicos que provocam diarreia são transmitidos por via fecal-oral. Os lactentes não tem ainda capacidade
protetora, o sistema imune é muito imaturo, ainda não foram expostos a microrganismos infeciosos.

Manual de Técnicas de Apoio nos Cuidados de Saúde/Geriátricos – DO IT BETTER 58


• O rotavírus é a causa mais frequente de gastroenterites graves na criança até aos 2 anos. Tratamento igual ao dos vómitos – terapia de rehidratação
oral (TRO) para prevenir os mesmo desenvolvimentos. Eficiente, segura, menos dolorosa e mais barata. Reintrodução da alimentação normal em
alternância com TRO. Não dar gelatinas, sumos, chás, torradas, tem muitos carbohidratos desnecessários e poucos eletrólitos. Atenção: Cuidados de
higiene e prevenção de infeção na preparação e conservação de alimentos.
Dor abdominal / Muito comuns no 1º trimestre de vida. Choro alto e movimento das pernas por cima da barriga. Desconhece-se a causa específica. Poderá ser do stress do
parto e da adaptação das primeiras semanas de vida, ar que o bebé engole, imaturidade do intestino, etc. Se sensibilidade ao leite de vaca optar por uma
Cólicas abdominais alternativa, a mãe deverá suspender alimentos com derivados do leite de vaca durante alguns dias para fazer o teste.

• Quando abrem a boca engolem ar, é normal, não tem os mecanismos de respiração e deglutição ainda bem definidos. Se tiverem o nariz obstruído
na hora de amamentar, ainda mais ar engolirão. O ar engolido provoca dilatação do intestino e vai provocar dor – o mesmo acontece nos adultos.
• Imaturidade intestinal – movimentos peristálticos descoordenados – não progride o conteúdo, provoca dor.
• Stress do parto provocado pela adaptação a um ambiente totalmente diferente do ambiente uterino, o bebé tem de se adaptar a tanta “informação”.
Como nós temos cólicas quando iniciamos um novo emprego, estamos nervosos por algum motivo, o mesmo se pode associar aos bebés.
• A obstipação nos bebés pequenos é comum até começarem a comer legumes, frutas, etc. também poderá ser mais frequente nos bebés que não
amamentam. A obstipação poderá causar mal-estar e cólicas. Utilizar sondas retais para ajudar na expulsão de gases e saída de fezes. Utilizar
supositórios de glicerina ou microclisteres se há vários dias obstipado e com desconforto evidente, com aconselhamento médico. Vigiar consistência
das fezes, cor e frequência.
• O que fazer? Decúbito ventral com compressa de água quente, massajar o abdómen, mudar posição frequente do lactente, utilizar música, evitar
fumo perto do bebé.
Tosse Reflexo de defesa do organismo para expelir algo que não devia lá estar. Deve ser encorajada.

• Tosse produtiva (com expetoração), tosse irritativa (tosse seca, repetida, “tosse de cão”), tosse de origem alérgica (semelhante à anterior mas
com lacrimejo ocular, espirros, pieira, etc) e tosse noturna (por acessos, passagem de secreções).
• A tosse irritativa tem que ser parada porque incomoda e é desgastante. A produtiva é benéfica, deve ser ajudada com fluidificação e mobilização das
secreções. A tosse pode indicar situações graves se acompanhada de sangue e de dificuldade respiratória.
• Na tosse produtiva são desaconselhados os xaropes, o ideal é a ingestão de água. Na tosse irritativa poderão ser necessários para “sedar” a tosse
mas sempre prescritos e recomendados pelo médico.
• Pieira – sinal. Som que se ouve quando o ar é expelido, traduz obstrução das vias aéreas. Facilmente identificável.
• As infeções respiratórias são muito frequentes. Podem ser altas – nariz, garganta e baixas – brônquios e pulmão.
• O importante é diferenciar uma infeção respiratória grave de uma menos grave. É preciso vigiar e estar atento a sinais de alerta e gravidade: abertura
das narinas em asa, as costelas meterem-se para dentro durante a respiração, respiração acelerada, lábios e face roxos e sinais neurológicos, mais
sonolentos, prostrados.
• A maioria destas situações é resultado da obstrução das vias respiratórias e é este o principal alvo do tratamento. As vias respiratórias são um sistema
de tubos e esses tubos devem estar desimpedidos. Qualquer agressão das vias respiratórias por infeção, fumos, frio, leva a que essas vias produzam
secreções (muco) e esse muco vai se acumulando conduzindo à proliferação de micróbios e consequente infeção. É um ciclo vicioso. A infeção vai

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provocar quebra do estado geral da criança, febre, vómitos, dificuldade na alimentação. Tudo contribuirá para a desidratação, espessando por sua
vez as secreções nas vias respiratórias, provocando obstrução e dificuldade respiratória – mecanismo compensador da falta de ar.
• O que fazer? Hidratar adequadamente. A amamentação não deverá ser interrompida. Se não for capaz de mamar, retirar o leite e dar à colher.
Fracionar as refeições em crianças mais velhas. Desobstrução das vias aéreas através da colocação de gotas de soro fisiológico, duas a três em cada
narina. Não usar aspiradores pelo risco de lesão. Fluidificação das secreções utilizando atmosfera húmida (só água ou água e sal) e aerossóis se
necessário. Ingestão de líquidos. Cinesiterapia – pancadinhas, pais podem aprender algumas manobras. Estas pancadinhas permitem mobilizar as
secreções/ muco para que sejam expelidas ou engolidas. Os micróbios alimentam-se do muco. Deve ser feita 30 minutos após a atmosfera húmida
ou aerossolterapia.
• Antibióticos só com prescrição médica.
Rinorreia Escorrência de exsudado – líquido. Pode ser fino e aquoso ou espesso e purulento. Depende do tipo e do estádio da infeção. Associada a prurido. A obstrução
nasal pode originar rinorreia. Esta pode acontecer pelas agressões diárias que sofremos da poluição. O nariz reage, sobretudo por ser um órgão tão
vascularizado e especialmente feito para ser um mecanismo de defesa, de filtragem e assim se origina a inflamação das paredes com a obstrução e produção
de secreções.

• Colocar soro fisiológico em cada narina, duas/três gotas antes de cada mamada.
• Fundamental manter o nariz das crianças desobstruído até porque os bebés só respiram pelo nariz, quando o fazem pela boca, engolem ar. A aspiração
só causa traumatismo e a resposta é a secreção de mais muco, inchaço do nariz e maior dificuldade em passar o ar.
• Melhor tratamento – atmosfera húmida ¾ vezes ao dia. Os preparados com eucalipto, são eficazes mas devem se evitados apenas porque podem
sensibilizar para futuras alergias.
• Secreções amarelas ou esverdeadas é sinal de infeção e poderá ser necessário a administração de antibiótico.
• Se a situação não desaparecer, procurar aconselhamento médico.
Lesões cutâneas Abordagem a lesões não infeciosas.

Crosta láctea – presente especialmente no primeiro ano de vida - crostas amarelas na cabeça, conjunto de escamas que difícil remoção. Não se sabe com o
que poderá estar relacionado, mas pensa-se que seja com as gorduras do leite de vaca ou materno. Existem produtos apropriados para aplicação, à venda na
farmácia, que resolvem a situação em alguns dias. Não deve ser forçada a extração das crostas porque poderá provocar ferida. O uso de óleo de amêndoas
doces não é muito eficaz.

Acne infantil – como no adulto apresentam-se como pontos brancos, na face do bebé, geralmente surgem nas primeiras semanas de vida e podem prolongar-
se por alguns meses. Existe tratamento - lavagem com sabonete neutro hidratante.

Medrar – por volta do fim do 1º mês de vida aparecem umas borbulhas na cara do bebé, que as pessoas costumam chamar de medrança, ou dizer que a
criança medrou, é um sinal de bom pronúncio, quer dizer que ela está a crescer bem. Podem surgir como umas borbulhas brancas na zona do nariz ou
vermelhas na cara, peito e costas. Não se sabe a sua causa, contudo, sabe-se que a pele é um órgão e que no caso do bebé, depois de ter estado tantos meses
protegida em ambiente fechado, no útero da mãe, ela é bombardeada com todo o tipo de agressões térmicas, físicas, químicas, que poderão provocar

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alterações.

Dermatite das fraldas – “assadura de fralda” – normalmente surge por volta dos 9/12 meses e apresentam-se como lesões de vermelhidão na região genital
e anal. São lesões de irritação com possível causa em: fricção e maceração por humidade com contacto prolongado com urina e fezes, alergia às fraldas, aos
cremes ou sabonetes. Estas lesões podem posteriormente infetar-se por bactérias ou fungos. A maioria dos cremes aplicados para proteção cutânea são de
vitamina A e óxido de zinco – exemplo do halibut. O que fazer? Lavar com água tépida e sabão neutro, remover o creme protetor residual e reaplicar. Para
remoção completa do creme, utilizar um óleo mineral, não esfregar com vigor e retirar toda a quantidade apenas quando o bebé tem dejeção. Quando as
lesões de dermatite da fralda infetam, estas assumem uma cor ainda mais avermelhada e podem surgir feridas. Neste caso, terá que ser aplicado uma pomada
antifúngica. O ideal seria o bebé andar de “rabo ao léu” para diminuir a maceração. Outra medida para prevenir estas situações é usar fraldas superabsorventes
que diminuem a humidade da pele.

Sudamina – reação da pele ao calor. Manchas avermelhadas, sem saliência, na face, pregas cutâneas e tronco. Resultam do sobreaquecimento e excesso de
roupas. O ato de desagasalhar e dar um banho de água tépida são suficientes.

Nota: tabela realizada com recurso à bibliografia de O grande livro do bebé e Wong Fundamentos de Enfermagem Pediátrica.

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A higiene do recém-nascido e lactente

O banho do bebé é provavelmente dos momentos mais apreciados por ele, isto porque, simula o
regresso do bebé ao ambiente intrauterino, quente, sossegado, calmo, sem fatores stressantes
externos. Por esta mesma razão, o banho só será totalmente agradável para o bebé se este não estiver
sob influência de qualquer tipo de agente externo que o incomode, como por exemplo, se tiver fome,
dores, frio ou calor. É um momento especial, de interação com os pais e por norma, o ambiente
relaxado, a liberdade de movimentos que tem e o contacto pele a pele com os pais, promove o prazer
deste momento pelos bebés (Cordeiro, M., 2014).

Deve ser dado banho total ao bebé desde o primeiro dia de vida e todos os dias, ao contrário de
opiniões que permanecem ainda erróneas, de que não deve ser dado banho todos os dias e tão cedo.
O banho mantém o bebé limpo e protege contra infeções. Para a realização desta atividade deve ser
executada alguma preparação e tidos em consideração determinados cuidados, tais como, a
temperatura do ambiente que deve ser média, cerca de 24/25 graus centígrados, assim como a
temperatura da água que deve rondar a temperatura corporal média, de 36/37 graus, esta deve ser
verificada com o nosso cotovelo, não há necessidade de utilizar termómetros para o efeito. Se não
existir misturadora de água, deve ser sempre colocada a água fria em primeiro lugar e só depois a
quente, para evitar riscos de queimaduras em caso de acidentes. É essencial preparar todo o material
que vai ser necessário para o momento do banho e para a fase seguinte, para evitar deslocações
desnecessárias e distrações. Com pequenas variações, o material necessário deverá contemplar o
seguinte:

• Sabão neutro
• Esponja, que deve ser suave
• Toalha de algodão
• Óleo ou leite corporal
• Creme barreira
• Fralda
• Pente ou escova de cabelo
• Roupa limpa para vestir

Execução:

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Caso o bebé faça qualquer reação alérgica a um produto utilizado basta mudar para outro e testar,
existem inúmeros produtos à venda. Uma das opções para executar o ato do banho será segurar a
cabeça do bebé com o nosso antebraço, passando-o por trás do bebé e segurando na sua axila do
lado oposto. Outra das opções é segurar o bebé pela parte posterior do pescoço com a nossa mão
não dominante. É importante que o rabo do bebé esteja bem limpo antes de entrar no banho. Deve
começar-se por lavar a cara, os braços, o tronco, as pernas e depois os genitais. Virar o bebé de costas
para lavar a parte posterior, colocando a nossa mão no abdómen. Lavar as costas e o ânus. Retirar o
bebé do banho e embrulhá-lo numa toalha grande, secar o corpo sem fazer pressão. Relativamente,
aos cuidados de lavagem da cabeça, esta é a área com maior superfície e, portanto, aquela por onde
perderá mais calor. Outro fato que contribui para a perda de calor é tem pouco cabelo. A cabeça pode
ser lavada antes, durante ou no final do banho. Primeiro molhar a cabeça, depois colocar o champô,
esfregar levemente até fazer espuma e remover com a cabeça do bebé para trás. Usar a nossa mão
ou uma esponja. Nas primeiras semanas pode usar-se o mesmo líquido de lavagem do corpo, um
sabão neutro. Depois poderão experimentar um champô neutro.

A toalha do bebé deverá ser mudada todos os dias pelo risco, uma vez que, a humidade favorece o
crescimento microbiano. Especial cuidado com os bebés que gostam de meter a esponja na boca
porque podem desfazê-la, engolir um pedaço e engasgarem-se. Os cuidados de higiene com o coto
umbilical, nos primeiros dias de vida e até à sua queda, são simples, basta efetuar a sua limpeza e
desinfeção com compressas ou algodão e álcool a 70ºC. Limpar e secar bem até à sua completa
cicatrização. Este não ser tapado pelo aumento da humidade e promoção de crescimento microbiano,
assim como, é importante evitar a sua contaminação com urina e fezes para não infetar. O coto
umbilical por norma, cai por volta dos quinze dias de vida do bebé. Os pais devem ser alertados para
vigiarem sinais de hemorragia e infeção, rubor, mau odor e secreções.

Nunca em qualquer momento, se deve deixar um bebé sozinho durante o banho. Todos estes
cuidados e preparação só favorecem este momento de interação, além do que, o banho serve como
meio de criação de um hábito de rotina, e portanto, deve ser dado idealmente sempre à mesma hora,
à noite tem um efeito relaxante e como tal, pode favorecer o sono.

Cerca dos oito meses o bebé adquire a capacidade de se sentar, nesta altura, o banho já poderá ser
dado na banheira do adulto. Acrescida atenção para o risco de acidentes, nomeadamente quedas,
quando já se consegue levantar, e afogamento. Para evitar quedas ou escorregamentos, devemos

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apoiar o bebé quando se tentar levantar e pode ser colocado material antiderrapante no fundo da
banheira. Como já referido anteriormente, um bebé nunca deve ser deixado sozinho durante o banho,
deve estar sempre acompanhado por um adulto. Outro meio de prevenção de acidentes é a
quantidade de água que se coloca na banheira, cerca de dez centímetros é o suficiente, devemos
estar alertados para o facto de um bebé se poder afogar em cerca de um palmo de água. A partir
desta idade, o banho adquire outro significado, o da brincadeira, e esta deve ser incentivada dando
brinquedos ao bebé.

Higiene e cuidados com os olhos, ouvidos, nariz e unhas

Cuidados de higiene e limpeza com outras partes do corpo do bebé são importantes para evitar
complicações e devem ser realizados de forma adequada, para tal, devem ser efetuados ensinos aos
pais ou cuidadores neste sentido. Para um bebé é muito fácil desenvolver uma conjuntivite, isto
porque o seu canal lacrimal é pequeno e é obstruído facilmente e com frequência com secreções.
Para evitar esta situação, a lavagem dos olhos deve ser realizada com soro fisiológico e uma
compressa individual para cada olho, a fim de evitar contaminação cruzada e a limpeza deve ser
executada com movimentos de dentro para fora, para não arrastar a sujidade e secreções
precisamente para o local que não queremos obstruir (Cordeiro, M., 2014).

No que aos ouvidos diz respeito, a cera produzida é um processo fisiológico e um mecanismo de
defesa. Como tal, não se deve limpar os ouvidos com cotonetes ou produtos similares, porque apenas
estaremos a empurrar o cerúmen para locais mais profundos. Eventualmente, a água que possa ter
entrado durante o banho irá sair. É suficiente limpar apenas a parte do pavilhão auricular com a ponta
da toalha. O nariz, como já descrito em temática anterior, é um órgão bastante irrigado com vasos
sanguíneos e como tal, no caso específico do bebé que ainda se está a adaptar a um novo ambiente,
em resposta às agressões externas que está sujeito de sujidade, poluição do ar, diferenças de
temperaturas vai responder com uma reação de inflamação, que termina fundamentalmente com a
produção de secreções. No caso dos bebés, estas secreções levam rapidamente à obstrução nasal.
Para evitar esta situação, cuidados como colocar duas a três gotas de soro fisiológico em cada narina
é fundamental. A utilização de aspiradores de secreções é desnecessária e desaconselhada, dado que,
são bastante agressivos para a mucosa do nariz do bebé e só irão provocar uma reação inflamatória
e a produção de secreções, ou seja, conduzem ao efeito que pretendem, precisamente, evitar.

Alguns bebés nascem já com unhas crescidas, uma vez que, as unhas iniciam o seu processo de

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formação e crescimento no desenvolvimento gestacional. Logo, e apesar de ser uma situação que
acarreta alguns medos para os pais, em determinado momento terão que ser cortadas. Devem ser
utilizadas tesouras de pontas redondas e deve-se aproveitar quando o bebé está a dormir para o fazer,
pela diminuição dos movimentos. Proteger sempre os restantes dedos do pé enquanto se corta uma
unha, cortar as unhas a direito, limando as pontas para não encravarem e não cortar as unhas
demasiado curtas são recomendação gerais.

De ressaltar, como modo de proteger o bebé, para qualquer intervenção devemos efetuar a
higienização das mãos antes e após o contacto com o mesmo. Relativamente aos cuidados com a
roupa, é suficiente lavar a roupa do bebé separada das outras pessoas e fazer a sua lavagem, pelo
menos nos primeiros meses de vida, com detergentes mais delicados.

A fralda: a sua muda e o desmame, quando?

A muda da fralda deve ser realizada as vezes necessárias de modo a garantir a melhor higiene possível
para o bebé e evitar as lesões da pele e o seu desconforto. Como para qualquer atividade com um
bebé, o material deve ser todo preparado anteriormente para evitar interrupções desnecessárias. No
caso da muda da fralda, o material necessário prende-se com:

• Superfície para a mudança, de preferência da altura da cintura


• Toalhetes ou água e sabão
• Creme barreira
• Fralda limpa

Execução:

A partir dos três/quatro meses, quando o bebé começa a movimentar-se mais vigorosamente é
benéfico distraí-lo para facilitar a troca da fralda. O bebé deve ser colocado de costas na superfície
para a muda. Abrir a fralda suja com cuidado para não verter o conteúdo. Levantar as pernas do bebé
e retirar o excesso de conteúdo com a fralda, enrolar a fralda de frente para trás e colocá-la de lado.
Utilizar toalhitas ou esponjas com água. Nas raparigas limpar de frente para trás, sem tornar a passar
a toalhita pelo mesmo sítio para evitar infeções urinárias. Nos rapazes limpar bem a região do escroto,
por a pele ser bastante enrugada poderão ficar resíduos. Não friccionar. Poderá aplicar-se creme
barreira/protetor se o bebé estiver com dermatite de fralda. Não é necessário, em todas as mudas
de fralda, retirar todo o creme protetor e aplicar uma nova camada, basta apenas fazer uma

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reaplicação, a menos que o bebé tenha dejeção. A fralda não deve estar demasiado apertada. Nos
meninos não se deve fazer retração do prepúcio pelo menos até aos doze meses.

Relacionado com a muda da fralda, surge o tema do desmame da fralda. Para iniciar este processo
existem determinadas características que devem estar presentes, nomeadamente, a criança deve
reconhecer e saber indicar as partes do corpo, mostrar vontade de crescer e ser crescida, indicar que
tem a fralda suja e que quer ser mudada, vontade de querer imitar as ações do pai ou da mãe e dar
sinais que irá urinar ou defecar proximamente. Esta fase, inicia-se mais frequentemente,
primeiramente nas raparigas e normalmente acontece entre os dezoito e os trinta e seis meses, ou
seja, aos três anos nenhuma criança deverá já usar fralda. Quando a criança expressar algum dos
sinais descritos acima, deve ser criado um hábito/rotina, como por exemplo, após as refeições sentar
a criança no pote ou sanita, após as refeições porque os reflexos nervosos do sistema digestivos estão
mais ativos e há maior probabilidade de ocorrer atividade de eliminação. Este processo não deve ser
apressado, deve ser dado tempo à criança para esta nova adaptação e esta nunca deve ser castigada
por qualquer situação que fuja à norma.

O sono dos bebés

O velho ditado que afirma que dormir faz crescer, é mais que isso, é mesmo uma verdade. É durante
o período de sono que é produzida uma hormona de crescimento que inicia o seu pico nas primeiras
horas de sono profundo (Cordeiro, M., 2014). Contudo, o padrão de sono dos bebés é diferente. Os
adultos quando adormecem entram imediatamente na fase de sono profundo e só depois na fase de
sono mais leve, também conhecida por fase REM, com os bebés acontece precisamente o contrário
e na primeira hora, quando se está a tenta adormecê-los, o sono deles é ainda leve. É por este fato,
por estarem ainda reativos a estímulos, que a mínima interrupção do silêncio provoca o despertar do
bebé e é necessário iniciar todo o processo de adormecimento novamente. Depois de adormecer e
passar a fase do sono leve o bebé vai dormir facilmente (Cordeiro, M., 2014). A partir dos três meses,
o bebé já tem um padrão de sono maioritariamente noturno, podendo ainda acordar algumas vezes
durante a noite e aos dez/doze meses já se tornam regulares no seu sono.

A partir dos seis/nove meses sabe-se que o bebé inicia todo um processo de interesse pelo mundo
que o rodeia, expressando grande vontade e curiosidade por conhecê-lo, assim como, ganha
consciência de si e do seu corpo, é portanto, nesta fase que surge a vontade ao bebé de regressar ao
ambiente interior da barriga da mãe. Posto isto, é importante que o bebé antes dos seis meses seja

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colocado a dormir sozinho no seu quarto, uma vez que, passando esta idade será muito mais difícil
para ele ultrapassar a separação dos pais. Este é um exemplo de informação pertinente que deve ser
facultada aos pais, pelos profissionais de saúde nas consultas de vigilância, são os chamados cuidados
antecipatórios. Formas de ir, precocemente, promovendo a adaptação do bebé ao ambiente do seu
quarto é promover o hábito de brincar naquele espaço durante o dia, de o familiarizar com aquele
meio e de o tornar confortável e seguro para o bebé. Também ajuda colocar brinquedos que a criança
gosta nesse espaço. É muito importante que depois de tomada a decisão, por parte dos pais, de
colocar o bebé no seu quarto de não voltar atrás na sua posição.

É conhecido que os efeitos do bebé dormir mal acabam por ser mais prejudiciais para os pais do que
para o próprio bebé. Isto porque, o impacto nos pais, a nível de exaustão física, emocional, com
reflexão na sua produtividade laboral, na gestão relacional conjugal, assim como na gestão de tempo
para si mesmos é grande. Desta forma, podem ser adotadas algumas práticas promotoras de hábitos
de sono no bebé e criança, tais como, a promoção do silêncio, diminuir as atividades causadoras de
stress e excitação antes da hora de dormir, evitar interrupções das rotinas normais do dia, como
visitas, ter a luz apagada ou apenas uma luz de presença, aquecer o bebé e não a cama, na medida
em que este ao movimentar-se poderá descobrir-se e acordar com frio, manter uma temperatura do
quarto adequada, colocar uma fotografia dos pais à altura do olhar do bebé, pode acalmá-lo e fazê-
lo sentir-se seguro quando acorda, fundamentalmente, criar rotinas de encaminhamento para o sono
desde idades precoces, como a lavagem dos dentes, o banho, contar histórias, entre outras (Cordeiro,
M., 2014).

Um fator muito importante para qual os pais devem ser alertados desde o início é que o recém-
nascido e o lactente devem dormir em decúbito dorsal, ou seja, de barriga para cima, esta é a norma
orientadora científica que comprova a redução da taxa de incidência da síndrome de morte súbita do
lactente. Estes não precisam de almofada para dormir. Fundamentalmente, devem ser criadas
condições favorecedoras do sono para o bebé e alertar os pais para que não sejam demasiado
exigentes, uma vez que, o tema do sono é muitas vezes melindroso e perturbador na vida dos pais,
posto isto mesmo que o bebé, eventualmente, não durma e esteja simplesmente sossegado na cama,
sem fazer barulho não o devem incomodar.

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A alimentação, sono e higiene na criança

Primariamente importa distinguir os termos recém-nascido, lactente e criança. Sendo mais


específicos, dentro do termo genérico criança podemos ainda diferenciar criança em idade infantil ou
toddler, em idade pré-escolar e escolar. O recém-nascido é definido como tal até ao primeiro mês de
vida, a partir do qual e até ao primeiro ano de idade falamos de lactente. A partir do ano de vida
falamos de criança. Até aos três anos será toddler, dos três aos seis anos de idade criança pré-escolar
e a partir dos seis anos criança em idade escolar.

As temáticas relativas à alimentação, sono e higiene na criança em idades mais características assume
determinadas especificidades, algumas das quais estão representadas na tabela seguinte.

Figura 19 Especificidades da alimentação, sono e higiene na criança.

Para o toddler a alimentação assume-se mais como um ritual, apresentando mais influências
psicológicas e sociais do que propriamente nutricionais. Por volta dos doze meses é esperado que a
criança se alimente da mesma comida que a restante família. Se um membro da família porventura
recusa comer, ele também o fará, se o prato for servido muito cheio empurrará para o lado, se a
comida não tiver aspeto apetitoso não experimentarão, entre outros. Nesta idade, as crianças

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poderão comer muita quantidade num dia e no dia seguinte pouca ou quase nada. Posto isto, pode-
se afirmar que estas crianças estão mais conscientes da função não nutritiva da comida e o aspeto
social da refeição assume especial importância.

Relativamente à higienização oral, a boa prática é, iniciar a escovagem dos dentes desde a erupção
do primeiro dente. Deve ser realizada duas vezes ao dia, uma das vezes obrigatoriamente antes de
dormir. Para a execução da escovagem deve ser utilizada uma gaze, uma dedeira ou uma escova macia
adequada ao tamanho da boca da criança. Nesta fase, a criança não é capaz de realizar esta tarefa e
como tal a escovagem é efetuada pelos pais. A pasta de dentes utilizada deve ser fluoretada e a
quantidade adequada para a escovagem, pode ser medida tendo em conta o tamanho da unha do
quinto dedo da criança. É importante relembrar aos pais nas consultas de vigilância e
acompanhamento, como cuidados antecipatórios, a necessidade, se aplicável, do desmame da
chupeta que deve ser iniciada antes dos dois anos e terminar com o biberão de leite antes de a criança
ir dormir antes dos dezoito meses, uma vez que, no caso do biberão é frequentemente utilizado como
ritual de encaminhamento para o sono, acabando a criança por não escovar os dentes após a ingestão,
esta prática conduz ao aparecimento de cáries e problemas dentários e deve por isso ser interrompida.

Para a criança em idade pré-escolar a qualidade da alimentação é mais importante do que a


quantidade. Evidências científicas indicam que as crianças regulam a sua ingestão de calorias, isto é,
se comem menos numa refeição, irão compensar na refeição seguinte. Nestas idades consomem,
nutricionalmente, cerca de metade da quantidade de um adulto e pouco mais do que um infante. A
higiene oral obedece às mesmas indicações e cuidados que para uma criança em idade infantil. Por
começarem a entrar numa fase de maior autonomia nesta fase podem desenvolver medos, no que
ao sono diz respeito, é relevante oferecer o brinquedo favorito ou deixar uma luz acesa. Determinadas
crianças tem problemas em ir dormir depois de períodos de muita atividade, uma vez que, a sua
resposta a estímulos está muito elevada. Desta forma, a partir do final da tarde as crianças não devem
estar sujeitas a atividades muito estimulantes, mas sim ir diminuindo o ritmo com atividades mais
calmas e práticas de encaminhamento para o sono, para que a sua resistência em ir dormir seja menor.

As crianças em idade escolar, de cerca de nove e dez anos tornam-se, novamente, resistentes à hora
de ir dormir. O adiar a hora de ir deitar uma hora, poderá ser uma estratégia a adotar eficaz. Por volta

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dos doze anos, estas crianças, normalmente, já não precisam de ser lembradas para irem dormir,
tornando-se mais autónomas.

Hospitalização e as crianças

A doença e a hospitalização são frequentemente as primeiras adversidades com que a criança terá de
lidar (Hockenberry, M., 2006). É sabido que crianças possuem um número limitado de estratégias
para lidar com fatores de stress, desta forma, estas situações, são reconhecidas como adversidades,
no sentido em que representam uma quebra na sua dinâmica familiar e do seu estado habitual de
saúde.

A separação do seu seio familiar e habitacional, a perda do controlo do meio onde está inserida, o
medo das lesões corporais e da dor são os principais fatores de stress associados à hospitalização. O
modo como as crianças vão lidar com estes fatores de stress é influenciado pela eventual experiência
prévia com uma situação de doença, de hospitalização, de separação, do seu estádio de
desenvolvimento e capacidades adquiridas ou inatas para enfrentar situações, pela gravidade do
diagnóstico e pela rede de suporte/apoio que apresenta (Hockenberry, M., 2006). Cada criança,
consoante características pessoais da personalidade e idade apresentada reagem de maneira
diferente à situação de hospitalização.

Frequentemente, a hospitalização é considerada como uma situação traumática que pode gerar
sentimentos de ansiedade, angústia e medo perante uma situação desconhecida. Quando as crianças
são muito novas, na fase de lactentes, uma das formas de reagirem perante a ansiedade causada pela
separação dos pais é o choro alto e inconsolável. A sensação de perda de controlo pelas crianças pode
mesmo, impactar de tal forma o seu desenvolvimento provocando atrasos no mesmo, uma vez que,
uma situação de hospitalização não apresenta o ambiente propício ideal para o crescimento de uma
criança (Hockenberry, M., 2006). É fundamental a intervenção dos profissionais de saúde na avaliação
da dor da criança, no respeito e valorização das suas preocupações no que ao sofrimento físico
concerne de modo a evitar consequências numa fase adulta. Por outro lado, a hospitalização tem um
efeito benéfico direto no que à recuperação da saúde diz respeito e eventualmente poderá surgir
como uma oportunidade para controlar o stress e sentir-se capaz de dominar estas situações, assim
como, apresentar-se como uma nova experiência de socialização, desenvolvendo capacidades de
relacionamento interpessoal.

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Relativamente à vivência da hospitalização pelos pais, esta situação é geradora, sobretudo de impacto
psicológico, nomeadamente de sentimentos de medo, ansiedade e frustração. A dúvida relativa à
gravidade da doença e aos tipos de procedimentos médicos que a criança vai ser submetida, com a
possível dor e trauma causados na criança, são criadores de medo e ansiedade. A frustração poderá
estar relacionada com a falta de informação relativa aos tratamentos e procedimentos planeados, ao
desconhecimento das normas e dinâmicas hospitalares, ao receio de fazer perguntas, entre outros.
Este sentimento pode ser aliviado pela intervenção correta dos profissionais de saúde esclarecendo
os pais de todas as intervenções que estão planeadas e dos resultados que são esperados obter, além
de ser um direito dos mesmos e dever dos profissionais de cumprir, é essencial envolvê-los nos
cuidados à criança, dado que estes são os seus principais cuidadores e como tal as pessoas mais
significativas e conhecedoras da criança, favorecendo a sua colaboração no processo de saúde.

Não esquecer as crianças que tem irmãos e que vivenciam também esta situação de hospitalização.
Os irmãos poderão sentir solidão, medo, preocupação, raiva, ressentimento, ciúme e culpa. Estes
efeitos negativos da hospitalização do irmão/ã doente são potencializados negativamente quando os
irmãos são mais novos, tem uma relação próxima com o irmão/ã doente, tem medo de contrariem a
doença, os seus cuidados são substituídos por pessoas que não os pais, o não lhes facultarem
informação suficiente sobre a situação e as alterações que conseguem identificar nos pais. Estes
sentimentos negativos podem ser minimizados através do simples ato de lhes fornecer explicações,
adequadas à sua idade, sobre a situação do irmão, o que é esperado que aconteça e a possível visita
hospitalar ao irmão/ã doente.

Num processo de hospitalização, sempre que possível é desejável diminuir o medo do desconhecido.
Numa situação de hospitalização programada é possível preparar a criança para este evento, prática
que deve ser aconselhada. Esta preparação permite reduzir os elementos desconhecidos causadores
de medo e receio perante esta situação. A preparação para a hospitalização deve ser realizada de
forma adequada à criança, ou seja, quanto mais nova for a criança menor deve ser a quantidade de
informação fornecida e com menos tempo de antecedência do evento (Hockenberry, M., 2006).
Fundamentalmente, numa circunstância causadora de grande stress para criança e família como é a
hospitalização é essencial envolver a família na participação dos cuidados de saúde, uma vez que,
este envolvimento faz parte dos cuidados a serem prestados.

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Ocupação dos tempos livres, sim ou não?

A ocupação dos tempos livres pode ser definida como a realização de alguma atividade que
proporcione prazer, é essencialmente a concretização de uma atividade de lazer, não se apresentando
como uma obrigação ou imposição, mas sim algo que é realizado por vontade própria. A ocupação
dos tempos livres poderá assumir um caráter mais formal, como a inscrição em atividades
extracurriculares ou uma vertente mais informal, com a execução de uma atividade geradora de bem-
estar, por exemplo com os pais, avós, irmãos ou primos.

As atividades de ocupação dos tempos livres, num contexto mais familiar, permitem usufruir de
tempo de qualidade e solidificar as suas relações e num contexto mais abrangente permitem à criança
conhecer outras pessoas e ambientes alargando as suas perspetivas, desenvolver competências de
relacionamento interpessoal, de dinâmicas sociais e de adaptação a novas circunstâncias. Do ponto
de vista pedagógico promove a estimulação de diferentes interesses, vontade de explorar e de
curiosidade, podendo conduzir à descoberta da sua futura vocação. Ocupar os tempos livres com
uma prática de atividade física tem um impacto muito positivo no alívio de tensões na criança,
permitindo que esta se divirta e cresça de forma saudável e equilibrada.

A concretização de atividades de ocupação de tempos livres deve ir sempre de encontro aos gostos e
interesses da criança e nunca impostas. Resumindo, a sua realização é extremamente enriquecedora
a todos os níveis para a criança, apresentado grande impacto no seu desenvolvimento pessoal, social
e cognitivo futuro.

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