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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA

DE GOIÁS

ÁREA IV

CURSO: BACHARELADO EM ENGENHARIA MECÂNICA

PLANILHA DE DIMENSIONAMENTO DE DUTOS DE AR


CONDICIONADO

LEANDRO FELIPE FERREIRA


RUDSON FIGUEREDO MARTINS

Orientador: MSc. RONAY DE ANDRADE PEREIRA

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

GOIÂNIA: FEVEREIRO / 2015


INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE GOIÁS

ÁREA IV

DEPARTAMENTO DE ÁREAS ACADEMICAS IV


COORDENAÇÃO DE MECÂNICA

PLANILHA DE DIMENSIONAMENTO DE DUTOS DE AR CONDICIONADO

LEANDRO FELIPE FERREIRA


RUDSON FIGUEREDO MARTINS

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO


SUBMETIDO AO DEPARTAMENTO IV,
COORDENAÇÃO DE MECÂNICA DO INSTITUTO
FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E
TECNOLOGIA DE GOIÁS, COMO PARTE DOS
REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA OBTENÇÃO
DA GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA.

APROVADA POR:

RONAY DE ANDRADE PEREIRA, MSc., IFG


(ORIENTADOR)

RICARDO VITOY, MSc., IFG


(EXAMINADOR INTERNO)

JAIR DINOAH DE ARAUJO JUNIOR, MSc., IFG


(EXAMINADOR INTERNO)

DATA: GOIÂNIA, 23 DE FEVEREIRO DE 2015.

ii
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

FERREIRA, L. F., MARTINS, R. F. (2014). Planilha de dimensionamento de dutos de


ar condicionado. Trabalho de Conclusão de Curso, Departamento de Engenharia
Mecânica, Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Goiás, Goiânia, Goiás.

CESSÃO DE DIREITOS

NOME DOS AUTORES:


Leandro Felipe Ferreira
Rudson Figueredo Martins

PLANILHA DE DIMENSIONAMENTO DE DUTOS DE AR CONDICIONADO


GRAU / ANO: GRADUANDO EM ENGENHARIA MECÂNICA / 2015

É concedida ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnológica de Goiás permissão


para reproduzir cópias deste Trabalho de Conclusão de Curso e para emprestar ou
vender tais cópias somente para propósitos acadêmicos e científicos. O autor reserva
outros direitos de publicação e nenhuma parte deste trabalho pode ser reproduzida sem
a autorização por escrito do autor.

Leandro Felipe Ferreira


Av. Eng. Fuad Rassi, Nº 749, St. Vila Jaraguá, Cond. Clave de Sol, Ap. 102 A
74.655-030 – Goiânia / Go – Brasil.

Rudson Figueredo Martins


-
74. – Goiânia / Go – Brasil.

iii
AGRADECIMENTOS

Primeiramente a Deus
As nossas famílias
Ao nosso orientador e amigo professor Ronay de Andrade Pereira
A coordenação do curso de Engenharia Mecânica pelo auxilio estrutural
A todos os professores que nos orientaram e nos ajudaram nessa caminhada
Aos alunos e amigos que participaram de nossa conquista
A todos um muito obrigado

iv
RESUMO

Este trabalho visa desenvolver uma planilha de cálculo de dutos de ar


condicionado baseado nos métodos da velocidade constante e da perda de carga
constante. O usuário poderá não só escolher qual o método que deseja utilizar, como
também terá várias opções de variação de parâmetros como fluido a ser conduzido,
temperatura do fluido, altitude do sistema, etc.
O grande diferencial desta planilha é que o usuário terá em uma única tela todos
os parâmetros necessários para dimensionar uma rede complexa de dutos, e com a
alteração de uma única variável, terá a alteração de todas as dimensões e velocidades
dos trechos dos dutos por ele definidos.

Palavras-chave: Dutos, Ar Condicionado e Perda de Carga

v
ABSTRACT

This work aims to develop a spreadsheet of air conditioning ducts based on the
constant speed and constant load loss method. The user can not only choose which
method they want to use, but also have several options for variation of parameters such
as fluid being driven, the fluid temperature, altitude of the system, etc.
The great advantage of this spreadsheet is that the user will have on one screen
all necessary to scale a complex pipeline network parameters, and changing a single
variable, you have to change all dimensions and speeds of sections of the ducts for him
defined.

Keywords: Pipeline, Air Conditioning, Load Loss in pipes, Darcy-Weisbach Formula,


Reynolds Number.

vi
SUMÁRIO

AGRADECIMENTOS ............................................................................................. iv

RESUMO................................................................................................................. v

ABSTRACT ............................................................................................................ vi

LISTA DE TABELAS ............................................................................................... x

LISTA DE FIGURAS .............................................................................................. xi

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................. 1
1.1. O TEMA EM ESTUDO E SUA RELEVÂNCIA .................................................... 1
1.2. REVISÃO BIBLIOGRAFICA ............................................................................... 2
1.2.1. Características dos fluidos ................................................................... 2
1.2.2. Mol de uma substância ........................................................................ 3
1.2.3. Peso molecular .................................................................................... 3
1.2.4. Gás ideal e real .................................................................................... 3
1.2.5. Massa específica de um gás ideal........................................................ 4
1.2.6. Viscosidade .......................................................................................... 5
1.2.7. Fluidos newtonianos............................................................................. 6
1.2.8. Fluidos não-newtonianos...................................................................... 6
1.2.9. Escoamento laminar e turbulento ......................................................... 7
1.2.10. Velocidade média ................................................................................. 7
1.2.11. Escoamento interno ............................................................................. 9
1.2.12. Escoamento compressível e incompressível ...................................... 10
1.2.13. Teorema de Bernoulli ......................................................................... 10
1.2.14. Viscosidade cinemática ...................................................................... 11
1.2.15. Pressão atmosférica........................................................................... 11
1.3. OBJETIVOS..................................................................................................... 13
1.4. METODOLOGIA .............................................................................................. 13

2. FUNDAMENTOS TEÓRICOS ......................................................................... 15


2.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ........................................................................... 15
2.2. APLICAÇÕES DO TEOREMA DE BERNOULLI .............................................. 16
2.2.1. Teorema de Bernoulli para os casos reais ......................................... 17
2.3. FÓRMULA UNIVERSAL PARA A PERDA DE CARGA .................................... 18

vii
2.3.1. Perda de carga no regime laminar ..................................................... 19
2.3.2. Perda de carga no regime turbulento ................................................. 20
2.3.2.1. Condutos lisos ................................................................... 22
2.3.2.2. Rugosidade relativa ........................................................... 23
2.3.2.3. Conduto rugoso ................................................................. 23
2.3.2.4. Fórmulas específicas para condutos lisos ......................... 23
2.4. PERDA DE CARGA EM CONDUTOS ............................................................. 24
2.4.1. Diâmetro hidráulico ............................................................................ 25
2.4.2. Classificação das perdas de carga ..................................................... 26
2.4.3. Perda de carga distribuída em dutos de ar condicionado ................... 26
2.4.4. Perda de carga localizada em dutos de ar condicionado .................... 27
2.4.5. Perda de carga em “bocas de ar” ....................................................... 28
2.5. EQUAÇÃO DE CONTINUIDADE E CONSERVAÇÃO DA ENERGIA............... 28
2.6. MÉTODOS DE DIMENSIONAMENTO DE DUTOS ......................................... 31
2.6.1. Método da recuperação da pressão estática ...................................... 31
2.6.2. Método da velocidade ou método dinâmico ....................................... 32
2.6.3. Método de iguais perdas de carga ..................................................... 32
2.7. CHAPAS DE AÇO (ZINCADO) ........................................................................ 33

3. MANUAL DE USO DA PLANILHA .................................................................. 35


3.1. Dados de entrada ............................................................................................ 35
3.2. Dados de saída................................................................................................ 35

4. CONCLUSÕES ............................................................................................... 36
4.1. Sugestões para pesquisas futuras ................................................................... 36

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................... 38

ANEXOS ............................................................................................................... 40
Anexo 1: Propriedades do ar seco sob pressão normal (MSPC, 2015) ..................... 40
Anexo 2: Rugosidade média para dutos de ar condicionado (ASHRAE, 2009) ......... 41
Anexo 3: Ábaco de Moody (Fox et. al., 2001) ........................................................... 42
Anexo 4: Perda de carga por atrito (Stoecker et. al., 1985) ....................................... 43
Anexo 5: Valores de C0 para o cálculo da perda de carga localizada dos principais
acessórios (ASHRAE, 2009) ............................................................................ 44
Anexo 6: Difusor para insuflamento de ar (TROX, 2015) .......................................... 49
Anexo 7: Grelha para retorno de ar (TROX, 2015) .................................................... 50
Anexo 8: Tomada de ar exterior completa (TROX, 2015) .......................................... 51

viii
Anexo 9: Bitola de chapa para a fabricação de dutos retangulares, pressão de
125 Pa (NBR 16401-1, 2008) ........................................................................... 52
Anexo 10: Bitola de chapa para a fabricação de dutos retangulares, pressão de
250 Pa (NBR 16401-1, 2008) ........................................................................... 53
Anexo 11: Bitola de chapa para a fabricação de dutos retangulares, pressão de
500 Pa (NBR 16401-1, 2008) ........................................................................... 54

ix
LISTA DE TABELAS

Tabela 1.1 – Constante específica de gases (Bastos, 1983) ................................ 12

Tabela 2.1 - Valores de alturas médias de rugosidade (Bastos, 1983) ................. 21

Tabela 2.2 – Codificação para consulta de acessórios (ASHRAE, 2009) ............. 28

Tabela 2.3 – Velocidades recomendadas e máximas para dutos de ar e


equipamentos de sistema de baixa pressão (NBR 16401, 2008).......................... 31

Tabela 2.4 – Bitola para chapas e bobinas de aço zincadas (GERDAU, 2015) .... 33

Tabela 2.5 – Tabela comparativa das bitolas de chapa por normas (NBR 16401,
2008) ..................................................................................................................... 34

x
LISTA DE FIGURAS

Figura 1.1 – Rede de dutos ..................................................................................... 1

Figura 1.2 – Superfície de controle num tubo (Fox et al., 2001).............................. 3

Figura 1.3 – Deformação de um elemento fluido (Fox et al., 2001)......................... 6

Figura 1.4 - Variação da velocidade axial com o tempo (Fox et al., 2001) .............. 7

Figura 1.5 – Tubo em corte longitudinal (Bastos, 1983) .......................................... 7

Figura 1.6 – Tubo em corte longitudinal (Bastos, 1983) .......................................... 8

Figura 1.7 – Diagrama das velocidades locais (Bastos, 1983) ................................ 8

Figura 1.8 – Área equivalente a área do diagrama parabólico (Bastos, 1983) ........ 9

Figura 2.1 – Rede de duto simples típica (Beyer, 2014) ....................................... 15

Figura 2.2 – Duto elementar e pressões (Beyer, 2014) ......................................... 15

Figura 2.3 – Pressões existentes em um duto simples (Beyer, 2014) ................... 16

Figura 2.4 – Perda de carga entre dois pontos (Netto et al., 2002) ....................... 17

Figura 2.5 – Altura média da rugosidade (Bastos, 1983) ...................................... 21

Figura 2.6 – Altura média da rugosidade (Bastos, 1983) ...................................... 22

Figura 2.7 – Perímetro molhado (Bastos, 1983).................................................... 25

Figura 2.8 – Diagrama da variação das energias em uma instalação com dutos e
bocas de insuflamento (Macintyre, 1990) .............................................................. 29

Figura 3.1 – Planilha de dimensionamento ........................................................... 35

xi
1. INTRODUÇÃO

1.1. O TEMA EM ESTUDO E SUA RELEVÂNCIA

Para o dimensionamento de um projeto ou equipamento de ar condicionado, o


cálculo da rede de dutos de ar condicionado é uma das atividades comum ao
projetista, pois nela está contido várias peças e acessórios que geram perdas de carga
e estes valores devem ser levados em conta para se definir o equipamento. Visando
facilitar e certificar que os cálculos deste sistema estão corretos, surgiu a concepção
de desenvolver uma planilha de cálculo de rede dutos de ar condicionado.
Atualmente existem no mercado alguns softwares que fazem o cálculo do
dimensionamento da parte reta da rede de dutos, desconsiderando acessórios como
curvas e reduções. Alguns não são confiáveis e outros, devido ao custo não são
viáveis a aquisição destes softwares para uma instituição de ensino como o Instituto
Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG/GO).
Visando não só a consolidação dos conhecimentos adquiridos no decorrer do
curso de engenharia, bem como em especial, a obtenção de uma ferramenta para
ensino futuro aos alunos de Mecânica dos Fluidos e Instalações de Ar Condicionado,
os mesmos poderão compreender melhor a influência da perda de carga em condutos
forçados e acessórios (Figura 1.1).

Figura 1.1 – Rede de dutos


Fonte: www.grupodonaire.es/donaire/files/2011/10/clip_image001.jpg (acesso em 09/14)

1
Como se sabe, para se ter a perda de carga em uma seção reta de um conduto
(circular ou retangular) existem muitos estudos e as fórmulas apresentadas por Hazen-
Williams e Darcy-Weisbach para materiais ferrosos e não ferrosos, apresentam
excelente precisão quando comparados com os valores obtidos em ensaios
específicos. Para acessórios no entanto, os valores reais com os quais os projetistas
trabalham são obtidos através de ensaios e tabelados por fabricantes como por
exemplo Tigre e Tupy.

1.2. REVISÃO BIBLIOGRAFICA

1.2.1. Características dos fluidos

Segundo Munson et al. (2004), um fluido é definido como uma substância que se
deforma continuamente quando submetido a uma tensão de cisalhamento (tangencial),
de qualquer valor. Acrescenta ainda que a diferença entre os sólidos e os fluidos (líquidos
e gases) é o espaçamento molecular que existe entre os elementos, tornando estas
ligações intermoleculares mais fortes ou mais fracas conforme o espaçamento existente.
De acordo com Fox et al. (2001), as leis básicas aplicáveis a qualquer fluido são,
a conservação da massa, a segunda lei de Newton para o movimento, o princípio da
quantidade de movimento angular, a primeira lei da termodinâmica e a segunda lei da
termodinâmica.
Obviamente, nem todas as leis básicas são necessárias para resolver qualquer
problema. Por outro lado, em muitos deles é necessário trazer à análise relações
adicionais, na forma de equações de estado ou outras de caráter constitutivo, que
descrevam o comportamento das propriedades físicas dos fluidos sob determinadas
condições. Deve-se enfatizar que existem muitos problemas aparentemente simples na
mecânica dos fluidos que não podem ser resolvidos de forma analítica, em tais casos,
deve-se recorrer a soluções numéricas mais complicadas e/ou a resultados de testes
experimentais.
Em geral, preocupa-se com o escoamento de fluidos através de dispositivos como
compressores, turbinas, tubulações, bocais etc. Nestes casos, é difícil focalizar a atenção
em uma quantidade de massa fixa identificável. É muito mais conveniente, para a análise,
fazê-lo num volume do espaço através do qual o fluido escoa. Consequentemente, usa-
se o método do volume de controle (Fox et al., 2001).
Um volume de controle é um volume arbitrário no espaço através do qual o fluido
escoa. A fronteira geométrica do volume de controle é chamada superfície de controle.
Esta pode ser real ou imaginária e pode estar em repouso ou em movimento. A Figura

2
1.2 mostra uma possível superfície de controle para a análise do escoamento através de
um tubo.

Figura 1.2 – Superfície de controle num tubo (Fox et al., 2001)

De modo geral, a pressão e a velocidade de cada partícula, serão função do


tempo e das coordenadas do ponto considerado e que por sua vez, as coordenadas
podem depender ou não do tempo (Bastos, 1983).

1.2.2. Mol de uma substância

Amendeo Avogrado demonstrou em 1911 que, qualquer gás ideal contido em um


mesmo volume, e nas mesmas condições de temperatura e pressão, contém o mesmo
número de moléculas. Portanto, um mol de uma substancia é composta
aproximadamente por 6,02 x 1023 moléculas (Silva, 2009).

1.2.3. Peso molecular

O peso molecular (PM) de uma substancia é o peso de um mol, ou seja, 6,02 x


23
10 moléculas desta substancia. Portanto quando se diz que, o peso molecular do
metano é de 16,043 gr/mol, isto quer dizer que 6,02 x 1023 moléculas desta substancia
pesam 16,043 gramas (Silva, 2009).

1.2.4. Gás ideal e real

Ainda segundo Silva (2011), um gás ideal é constituído por átomos ou moléculas
iguais, sendo que cada molécula apresenta teoricamente um volume igual a zero, e cujas
forças de atração também são nulas. Adicionalmente, os choque que ocorrem entre as
moléculas e entre estas e as parede do recipiente são perfeitamente elásticas. Um gás
real não atende estas condições em sua plenitude, porém, quando a pressão é baixa e a
temperatura é elevada, as distancias medias entre as moléculas se tornam grandes,
reduzindo a influência do volume da molécula e da inelasticidade dos choques. Nestas
condições, o comportamento do gás real se aproxima da do gás ideal, de forma que, para

3
muitos problemas de engenharia, é possível utilizar as leis que regem o comportamento
do gás ideal para representar o comportamento de um gás real.
De outra forma, um gás ideal é aquele que obedece à equação geral de estão de
um gás ideal conforme mostrado na equação:

𝒑𝑽=𝒏𝑹𝑻 (1.1)

Sendo:
p – pressão no interior do recipiente que contém o gás;
V – volume do recipiente que contém o gás;
n – número mols contidos no recipiente;
R – constante universal dos gases (8,315 KJ / kmol . K);
T – temperatura absoluta do gás.

Da equação geral de estado de um gás ideal fica fácil mostrar que um mol de
qualquer gás ideal quando submetido às Condições Normais de Temperatura e Pressão
(CNTP) ocupa sempre 22,41 litros, conforme foi demonstrado por Avogrado. Na CNTP e
no Sistema Internacional de Medidas tem-se T = 273,15 K e p = 101,325 KPa,
lembrando-se que Pa = N / m².
Então, da equação geral de estado de um gás ideal, tem-se que:

𝐾𝐽
𝑅𝑇 8,315 𝑥 273,15 𝐾
𝑉=𝑛 = 1 𝑚𝑜𝑙 𝐾𝑚𝑜𝑙 𝐾 = 22,41 𝑙 (1.2)
𝑝 101,325 𝐾𝑃𝑎

1.2.5. Massa específica de um gás ideal

A massa específica de uma substância, designada por ρ, é definida como sendo a


razão entre a massa ( m ) e o volume ( V ). A unidade para a massa especifica no
sistema internacional é Kg / m³ (Munson et al., 2004).
𝑚
𝜌 = (1.3)
𝑉

Pode-se então calcular a massa específica de qualquer fluido na CNTP, expressa


no Sistema Internacional de Medidas (SI).
Da equação geral de estado de um gás ideal, tem-se:

𝑝𝑉=𝑛𝑅𝑇 (1.4)

𝑚
𝑝𝑉= 𝑅𝑇 (1.5)
𝑃𝑀

4
𝑚 𝑝
= 𝑃𝑀 = 𝜌 (1.6)
𝑉 𝑅𝑇

Pode-se então concluir que na CNTP, a densidade do fluido ar é:

101,325 𝐾𝑃𝑎 𝑘𝑔 𝑘𝑔
𝜌𝑎𝑟 = 𝑥 28,97 = 1,2926 3 (1.7)
𝐾𝐽 𝑘𝑚𝑜𝑙 𝑚
8,314 𝑥 273,15 𝐾
𝑘𝑚𝑜𝑙 𝐾

1.2.6. Viscosidade

A massa específica e o peso específico são propriedades que indicam o “peso” de


um fluido, e claro que não são suficientes para caracterizar o comportamento dos fluidos
porque dois fluidos (como água e óleo) podem apresentar massas especificas
aproximadamente iguais mas se comportam distintamente quando escoam, assim, torna-
se necessário alguma propriedade adicional para descrever a “fluidez” das substancias
(Munson et al., 2004).
Fox et al. (2001) nos mostra que os fluidos podem ser classificados, de modo
geral, de acordo com a relação entre a tensão de cisalhamento aplicada e a taxa de
deformação. Considere o comportamento de um elemento fluido entre duas placas
infinitas como mostrado na Figura 1.3. A placa superior move-se a velocidade constante,
δu, sob a influência de uma força constante aplicada, δFx. A tensão de cisalhamento, 𝒯xy,
aplicada ao elemento fluido é dada por

𝛿𝐹𝑥 𝑑𝐹𝑥
𝒯𝑥𝑦 = 𝑙𝑖𝑚 = (1.8)
𝛿𝐴𝑦 → 0 𝛿𝐴𝑦 𝑑𝐴𝑦

Onde δAy é a área do elemento fluido em contato com a placa, e δFx é a força
exercida pela placa sobre esse elemento. Durante o intervalo de tempo δt, a taxa de
deformação do fluido é dada por

𝛿𝛼 𝑑𝛼 𝑑𝑢
𝑡𝑎𝑥𝑎 𝑑𝑒 𝑑𝑒𝑓𝑜𝑟𝑚𝑎çã𝑜 = 𝑙𝑖𝑚 = = (1.9)
𝛿𝑡 → 0 𝛿𝑡 𝑑𝑡 𝑑𝑦

5
Figura 1.3 – Deformação de um elemento fluido (Fox et al., 2001)

Dessa forma, o elemento fluido da Figura 1.3, quando submetido à tensão de


cisalhamento, 𝒯xy, experimenta uma taxa de deformação (taxa de cisalhamento) dada por
du/dy. Os fluidos nos quais a tensão de cisalhamento é diretamente proporcional à taxa
de deformação são chamados fluidos Newtonianos. A expressão Não-Newtoniana é
empregada para classificar todos os fluidos nos quais a tensão cisalhante não é
diretamente proporcional à taxa de deformação.

1.2.7. Fluidos newtonianos

Os fluidos mais comuns, como a água, o ar e a gasolina, são newtonianos em


condições normais. Se considerarmos as deformações de dois diferentes fluidos
newtonianos, por exemplo, glicerina e água, verifica-se que, eles irão se deformar a taxas
diferentes sob a ação da mesma tensão de cisalhamento aplicada. A glicerina apresenta
uma resistência à deformação muito maior do que a água. Diz se então, que ela é muito
mais viscosa. Portanto em termos das coordenadas da Figura 1.3, a lei de Newton da
viscosidade é dada, para o escoamento unidimensional, por:

𝑑𝑢
𝒯𝑥𝑦 = 𝜇 (1.10)
𝑑𝑦

Onde, µ é a viscosidade absoluta ou dinâmica. Na mecânica dos fluidos, a razão


entre a viscosidade absoluta ( µ ) e a massa específica ( ρ ) surge com frequência. Esta
razão toma o nome de viscosidade cinemática e é representada pelo símbolo ʋ.
Vale ressaltar que, para os gases, a viscosidade aumenta com a temperatura,
enquanto para líquidos a viscosidade diminui com o aumento de temperatura.

1.2.8. Fluidos não-newtonianos

Muitos fluidos comuns apresentam comportamento não-newtoniano. Dois


exemplos familiares são pasta dental e tinta, esta última é muito "espessa" quando na
lata, mas torna-se "fina" quando trabalhada pelo pincel. A pasta dental se comporta como

6
um "fluido" quando espremida do tubo. Contudo, ela não escorre por si só quando a
tampa é removida. Os fluidos não-newtonianos são geralmente classificados como tendo
comportamento independente ou dependente do tempo.

1.2.9. Escoamento laminar e turbulento

Os regimes de escoamentos viscosos são classificados em laminar ou turbulento,


tendo por base a sua estrutura. No regime laminar, a estrutura do escoamento é
caracterizado pelo movimento suave em laminas ou camadas, este tipo ocorre,
sobretudo, em experimentos de laboratório.
A estrutura do escoamento no regime turbulento é caracterizada por movimentos
tridimensionais aleatórios de partículas fluidas, em adição ao movimento médio. Na
prática o escoamento dos fluidos quase sempre é turbulento. É o regime encontrado nas
obras de instalação de engenharia, tais como adutoras, vertedouros de barragens,
tubulações, etc (Bastos, 1983).
Se medirmos a componente da velocidade, na abscissa, num ponto fixo de um
tubo, tanto para escoamento laminar quanto turbulento, ambos permanentes, os registros
gráficos da velocidade versus tempo aparecerão como na Figura 1.4.

Figura 1.4 - Variação da velocidade axial com o tempo (Fox et al., 2001)

1.2.10. Velocidade média

Para definir a velocidade média de um fluido Bastos (1983) nos mostra um


escoamento turbulento, conforme visto na Figura 1.5.

Figura 1.5 – Tubo em corte longitudinal (Bastos, 1983)

7
Em cada instante, a velocidade resultante V é a resultante de duas outras, a
componente longitudinal (VL), que é a velocidade de transporte da partícula, e a
componente transversal (VS), que é a velocidade de agitação da partícula. A experiência
mostra que a componente VS varia continuamente, em direção, sentido e seu módulo é
pequeno. Ao contrário a componente VL mantem a direção, sentido e seu módulo é
apreciável em relação ao módulo VS num mesmo ponto. Assim, pode-se desprezar VS em
face de VL.
Então o valor de VL, em cada ponto de AB, representa a respectiva velocidade
local, que se modifica conforme a posição do ponto na seção AB. A velocidade local é
mínima junto a parede do conduto. Assim, na seção transversal AB da Figura 1.6,
perpendicular à direção do movimento, tomando-se os pontos 1, 2, 3, ..., cujas
velocidades locais (velocidades nos diversos pontos) são v1, v2, v3, ..., respectivamente.

Figura 1.6 – Tubo em corte longitudinal (Bastos, 1983)

Como as origens e as extremidades representativos de v1, v2, v3, ..., pode-se


traçar o diagrama das velocidades locais (Figura 1.7).

Figura 1.7 – Diagrama das velocidades locais (Bastos, 1983)

Para facilitar o estudo, substituamos este diagrama parabólico por um diagrama


retangular. Neste, a velocidade U é suposta constante em todos os pontos da seção
transversal AB e de tal forma que a área do diagrama retangular (Figura 1.8) seja
equivalente a área do diagrama parabólico do diagrama das velocidades locais.

8
Figura 1.8 – Área equivalente a área do diagrama parabólico (Bastos, 1983)

Esta velocidade fictícia U, é conhecida como velocidade média. Então, pode-se


substituir o movimento real (turbulento) do fluido por um movimento fictício, chamado de
velocidade média (correspondendo ao movimento principal da massa liquida), com a
finalidade de facilitar o estudo da cinemática do fluidos. Do ponto de vista cinemático, o
escoamento com velocidade média não difere do escoamento laminar. Portanto,
substituindo o escoamento turbulento pelo escoamento de velocidade média que
corresponde, pode-se trata-lo da mesma forma que no escoamento laminar.

1.2.11. Escoamento interno

Os escoamentos completamente limitados por superfícies solidas são chamados


escoamentos internos ou em condutos. Estes escoamentos podem ser laminares ou
turbulentos, compressíveis ou incompressíveis.
No caso de escoamento incompressíveis em condutos, sua natureza (laminar ou
turbulento) é determinado pelo valor do parâmetro adimensional, número de Reynolds
(Re).

𝜌𝑈𝐷 𝑈𝐷
𝑅𝑒 = 𝑜𝑢 𝑅𝑒 = (1.11)
𝜇 ʋ

Sendo:
ρ - massa específica;
U - velocidade média;
D - diâmetro;
µ - viscosidade absoluta ou dinâmica;
ʋ - viscosidade cinemática.

O escoamento em dutos é laminar quando Re ≤ 2000, de transição para 2000 < Re


≤ 4000 e turbulento para Re > 4000 (Fox et al., 2001).

9
1.2.12. Escoamento compressível e incompressível

Escoamentos em que as variações na massa específica são desprezíveis


denominam-se incompressíveis. Quando as variações de massa específica não são
desprezíveis, o escoamento é chamado de compressível. O golpe de aríete e a cavitação
são exemplos importantes de efeitos de compressibilidade nos escoamentos líquidos.
Os escoamentos de gases com transferência de calor desprezível também podem
ser considerados incompressíveis, desde que as velocidades do escoamento sejam
pequenas quando comparadas com a velocidade do som. A razão entre a velocidade do
escoamento (V ), e a velocidade local do som (c ), no gás, é definida como o número de
Mach.

𝑉
𝑀 ≡ (1.12)
𝑐

Para M < 0,3, a variação máxima da massa específica é inferior a 5 por cento.
Assim, os escoamentos de gases com M < 0,3 podem ser tratados como
incompressíveis. Um valor de M = 0,3 no ar, nas condições padrões (CNTP),
corresponde a uma velocidade de aproximadamente 100 m/s (Fox et al., 2001).

1.2.13. Teorema de Bernoulli

As equações do movimento para escoamento sem atrito, são conhecidas como


equações de Euler. O teorema de Bernoulli decorre da aplicação da equação de Euler
aos fluidos sujeitos a ação da gravidade, em movimento permanente (Netto et al., 2002).
Bernoulli propôs as seguintes restrições a equação de Euler:
➢ Escoamento em regime permanente;
➢ Escoamento incompressível, consequentemente massa específica constante;
➢ Escoamento sem atrito, não foi considerado a influência da viscosidade;
➢ Escoamento ao longo de uma linha de corrente;

Obtendo a seguinte equação:

𝑃 𝑉2
+ + 𝑍 = 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 (1.13)
𝛾 2𝑔

A equação de Bernoulli é um instrumento útil e poderoso, porque, relaciona as


variações de pressão com as de velocidade e elevação ao longo de uma linha de
corrente. Entretanto ela dá resultados corretos apenas se aplicada a uma situação de
escoamento onde todas as quatro restrições são razoáveis. Estas considerações devem

10
sempre estar em mente toda vez que considerar a utilização da equação de Bernoulli
(Fox et al., 2001).

1.2.14. Viscosidade cinemática

Coma a viscosidade cinemática é utilizada para o cálculo do número de Reynolds,


precisa-se fazer, a correção da viscosidade para a temperatura em que o fluido irá escoar
dentro do conduto.
No caso específico do ar, segundo Barros (2012), a fórmula para o cálculo da
viscosidade em função da temperatura é:

(𝑇 + 5,5)2,0743124
𝜐 = . 3,3 𝑥 10−9 (1.14)
(𝑇 + 305,5)0,531

Onde:
ʋ – Viscosidade em m²/s;
T – Temperatura em Kelvin.

O Anexo 1, apresenta algumas propriedades do ar seco sobre pressão normal


(MSPC, 2015), entre eles os valores de viscosidade cinemática do ar.

1.2.15. Pressão atmosférica

Segundo Bastos (1983), a variação da pressão no ar atmosférico, considerando-o


como um gás perfeito e admitindo que a temperatura absoluta T varie linearmente com a
altitude Z tem-se T = A + Bz, onde A e B são parâmetros a determinar.
Por outro lado, a variação ente a pressão p e o volume V de um gás perfeito
verifica-se segundo uma transformação isotérmica ( t1 = t2 ), relativa a p e V,
independente da variação linear entre T e z. Portanto, o peso específico do ar, como gás
perfeito, é dado pela equação:
𝑝 𝑝
𝛾= = (1.15)
𝑅𝑇 𝑅 (𝐴 + 𝐵𝑧)

Sabendo que dp = - γ dz, que é a equação diferencial da variação da pressão,


tem-se:

𝑝 𝑑𝑝 1 𝑑𝑧
𝑑𝑝 = 𝑑𝑧 ∴ = − ( ) (1.16)
𝑅 (𝐴 + 𝐵𝑧) 𝑝 𝑅 𝐴 + 𝐵𝑧

Integrando sobre os pontos (1) e (2)

11
𝑝2
𝑑𝑝 1 𝑧2 𝑑𝑧
∫ = − ∫ ( ) (1.17)
𝑝1 𝑝 𝑅 𝑧1 𝐴 + 𝐵𝑧

1
[𝑙𝑛 𝑝]𝑝2
𝑝1 = −
𝑧2
[𝑙𝑛(𝐴 + 𝐵𝑧)]𝑧1 (1.18)
𝑅𝐵

1
𝑙𝑛 𝑝2 − 𝑙𝑛 𝑝1 = − [𝑙𝑛(𝐴 + 𝐵𝑧2 ) − 𝑙𝑛(𝐴 + 𝐵𝑧1 )] (1.19)
𝑅𝐵

1 1
𝑝2 𝐴 + 𝐵𝑧2 − 𝑅𝐵 𝑝2 𝐴 + 𝐵𝑧2 − 𝑅𝐵 (1.20)
𝑙𝑛 ( ) = 𝑙𝑛 ( ) ∴ = ( )
𝑝1 𝐴 + 𝐵𝑧1 𝑝1 𝐴 + 𝐵𝑧1

Para as condições normais de pressão e temperatura (CNTP), tem-se A = T +


273,15 K e B = - 0,0065 K/m.
Na Tabela 1.1, pode-se encontrar a constante específica de alguns gases ( R ).

Tabela 1.1 – Constante específica de gases (Bastos, 1983)

Gás R (m/K)
Acetileno 32,59
Amoníaco 49,79
Anidrido Carbônico 19,27
Anidrido Sulfuroso 13,24
Ar 29,27
Argônio 21,26
Hélio 212,00
Hidrogênio 420,60
Metano 52,90
Nitrogênio 30,26
Oxido de Carbono 30,29
Óxido Nítrico 28,26
Óxido Nitroso 19,26
Oxigênio 26,58
Vapor d`água 47,06

O valor de R, para o ar, pode também ser encontrado pela seguinte expressão:

𝑅0 848
𝑅= = = 29,27 𝑚/𝐾 (1.21)
𝑃𝑀 28,97

12
Onde R0 é a constante universal específica dos gases e PM o peso molecular do
gás.
Substituindo os valores encontrados na Equação 1.20, tem-se:

𝑝2 𝑇 + 273,15 − 0,0065 𝑧2 5,256


= ( ) (1.22)
𝑝1 𝑇 + 273,15 − 0,0065 𝑧1

Considerando que a variação de altitude ocorre referente ao nível do mar, tem-se


P1 = Patm e Z1 = 0 m, e a Equação 1.22, reduz a:

𝑇 + 273,15 − 0,0065 𝑧2 5,256


𝑝2 = 𝑝𝑎𝑡𝑚 ( ) (1.23)
𝑇 + 273,15

1.3. OBJETIVOS

Com o objetivo de apresentar quais são os métodos ou formas de se calcular


uma rede de dutos, conhecer quais são os melhores ou qual a melhor aplicação de
cada forma de calcular a perda de carga e como fazer a conversão de um duto circular
para um duto quadrado ou oval, a principal preocupação do desenvolvedor, é de
apresentar estas informações de uma maneira clara e amigável ao usuário desta
planilha.
Para acessórios não existe fórmula precisa, somente fatores de correção que
aproximam os valores calculados aos valores medidos através de ensaios. O grande
inconveniente para o cálculo de dutos de ar condicionado é que não existe dimensão
padronizada como em tubos circulares comerciais, e sim, são calculadas conforme a
necessidade da vazão de ar para um determinado ambiente. Por esta razão a planilha
focará no dimensionamento da seção reta do duto.
Com esta planilha o aluno visualizará matematicamente como os fluidos
incompressíveis se comportam de forma laminar ou turbulenta dentro dos condutos
(circulares ou retangulares), através da análise do valor do número de Reynolds
calculado. Poderá também variar valores como rugosidade, densidade, altitude entre
outros e entender como estas variáveis afetam o comportamento destes fluidos e do
dimensionamento.

1.4. METODOLOGIA

Existem basicamente três formas de se calcular a dimensão de um duto de ar


condicionado: recuperação de pressão, velocidade constante e perda de carga
constante. Sendo que esta planilha irá utilizar o método da método da perda de carga
constante.

13
A sequência lógica da planilha será: o programa verifica, de cima para baixo, a
partir da primeira linha a existência de informações, que são os dados iniciais. Tendo
informações iniciais suficientes, ele calcula e apresenta os resultados. Se não for
informado o comprimento do duto ele assume 1 metro. Se não for informada a largura
ou altura do duto ele assume duto quadrado.
Deve-se salientar que existem várias combinações que permitem o cálculo dos
dutos, entre elas: Vazão + Velocidade; Vazão + Largura e Altura; Velocidade + Largura
e Altura; etc. Esta planilha irá solicitar ao usuário a relação Vazão + Velocidade + uma
dimensão, altura ou largura. Tem-se como resultado as dimensões do duto (altura x
largura) em centímetros (cm) e a perda de carga por metro linear de duto, tendo como
unidade milímetros de coluna de água (mmCa).
Para diversos dados de entrada como por exemplo fator de atrito, rugosidade
relativa, densidade do fluido, altitude, temperatura do fluido entre outros, obtém-se
resultados detalhados, não só das dimensões dos dutos, bem como a perda de carga,
velocidade, diâmetro hidráulico e número de Reynolds. Estão incluídos entre os
resultados apresentados, o cálculo da quantidade de chapas e isolamento que a
“metragem” de duto necessita.

14
2. FUNDAMENTOS TEÓRICOS

O sistema de dutos para ventilação é estudado sobre dois aspectos, o do


escoamento do ar no interior dos dutos, desde sua captação até sua expulsão, que é o
aspecto que interessa diretamente ao dimensionamento, ao projeto da rede de dutos,
seus acessórios e dos materiais constitutivos dos dutos, das peças e equipamentos
complementares ao sistema de dutos (Macintyre, 1990).

2.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Uma rede de dutos é responsável por levar ar em locais determinados, com vazão
previamente definida, neutralizando a presença de perdas de cargas existentes no
caminho. Uma rede de dutos simples típica pode ser vista na Figura 2.1.

Figura 2.1 – Rede de duto simples típica (Beyer, 2014)

Pela análise visual do sistema, a vazão dos difusores no início do duto aparenta
ser maior que a dos difusores no fim do duto, pela presença de queda de pressão (perda
de carga) do escoamento. Isto causaria um desbalanceamento na rede de dutos, e de
alguma forma este problema deve ser solucionado. Como solução, as redes de dutos
resolvem este problema.
A primeira análise a ser feita é o duto elementar marcado na figura acima. É um
duto com seção e vazão constante, conforme pode ser visto na Figura 2.2.

Figura 2.2 – Duto elementar e pressões (Beyer, 2014)

15
O diâmetro é constante, a vazão é constante, a temperatura é constante, a
densidade é constante e a velocidade é constante. Em termos de pressão, este duto
apresenta pressão estática ( Ps ), pressão cinética ou dinâmica ( Pc ) e consumo de
pressão por atrito ou fricção ( hf ).
A Pressão estática atua em todos os sentidos na direção de expansão do fluido,
conforme pode ser visto na Figura 2.2. A pressão cinética é devida ao movimento do
fluido dentro do duto, por ser dependente da velocidade, tem o sentido e direção da
velocidade, ambos são causados pela operação do ventilador.
Portanto estas duas pressões se somam, formando a pressão total ( Pt ):

𝑃𝑡 = 𝑃𝑠 + 𝑃𝑐 (2.1)

Os dois manômetros, colocados nas posições 1 e 2, irão medir pressões


diferentes, a pressão do ponto 1 maior que a pressão do ponto 2. Os manômetros
medem pressão estática, que atua na direção dos manômetros, logo existe uma
diminuição da pressão estática devido ao atrito, sendo a pressão cinética constante
porque a velocidade é constante. Se estas pressões forem colocadas na forma gráfica
tem-se a Figura 2.3 (Beyer, 2014).

Figura 2.3 – Pressões existentes em um duto simples (Beyer, 2014)

2.2. APLICAÇÕES DO TEOREMA DE BERNOULLI

O teorema de Bernoulli não é senão o princípio da conservação da energia. Cada


um dos termos da equação representa um forma de energia:

16
𝑉²
= 𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝑐𝑖𝑛é𝑡𝑖𝑐𝑎, 𝑡𝑒𝑚𝑏é𝑚 𝑑𝑒𝑠𝑖𝑔𝑛𝑎𝑑𝑎 "𝑝𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜 𝑑𝑒 𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒"
2𝑔

𝑃
𝛾
= 𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑝𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜 𝑜𝑢 𝑝𝑖𝑒𝑧𝑜𝑚é𝑡𝑟𝑖𝑐𝑎, 𝑡𝑒𝑚𝑏é𝑚 𝑑𝑒𝑠𝑖𝑔𝑛𝑎𝑑𝑎 "𝑝𝑟𝑒𝑠𝑠ã𝑜 𝑒𝑠𝑡á𝑡𝑖𝑐𝑎"

𝑍 = 𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑝𝑜𝑠𝑖çã𝑜 𝑜𝑢 𝑝𝑜𝑡𝑒𝑛𝑐𝑖𝑎𝑙

É importante notar que, se forem feitas, as análises das unidades de cada termo
das equações acima, vê-se que a resultante pode ser expressa em metros (m),
constituindo o que se denomina carga total, composta pela carga de velocidade, pressão
e posição (Macintyre, 1990).

2.2.1. Teorema de Bernoulli para os casos reais

A experiência não confirma rigorosamente o teorema de Bernoulli, isto porque os


fluidos reais (naturais) se afastam do modelo perfeito. A viscosidade e o atrito são os
principais responsáveis pela diferença. Em consequência das forças de atrito, o
escoamento somente ocorre com uma perda de energia. Por isso se introduz na equação
de Bernoulli (Equação 1.12) um termo corretivo, denominado hf (perda de carga).
Quando um fluido se desloca de (1) para (2) em um conduto como apresentado
na Figura 2.4, parte da energia inicial se dissipa sob a forma de calor. A soma das três
cargas em (2) (teorema de Bernoulli) não se iguala à carga total em (1). A diferença hf , é
de grande importância nos problemas de engenharia e por isso tem sido objeto de muitas
investigações (Netto et al., 2002).

Figura 2.4 – Perda de carga entre dois pontos (Netto et al., 2002)

A equação de Bernoulli, para o deslocamento de um ponto a outro, pode então


ser reescrita da seguinte forma:

17
𝑃1 𝑉12 𝑃2 𝑉22
+ + 𝑍1 = + + 𝑍2 + ℎ𝑓 (2.2)
𝛾 2𝑔 𝛾 2𝑔

Netto et al. (2002), ainda complementa que, a resistência ao escoamento no caso


do regime laminar é devida inteiramente à viscosidade. Embora essa perda de energia
seja comumente designada como perda por fricção ou por atrito, não se deve supor que
ela seja devida a uma forma de atrito como a que ocorre com os sólidos. Junto às
paredes dos tubos não há movimento do fluido. A velocidade se eleva de zero até o seu
valor máximo junto ao eixo do tubo, conforme visto na Figura 1.7.
Quando o escoamento se faz em regime turbulento, a resistência é o efeito
combinado das forças devidas à viscosidade e à inércia. Nesse caso, a distribuição de
velocidades na canalização depende da turbulência, maior ou menor, e est a é
influenciada pelas condições das paredes. Um tubo com paredes rugosas causaria maior
turbulência.

2.3. FÓRMULA UNIVERSAL PARA A PERDA DE CARGA

Segundo Netto et al. (2002), poucos problemas mereceram tanta atenção ou


foram tão investigados quanto o da determinação das perdas de carga nas canalizações.
As dificuldades que se apresentam ao estudo analítico da questão são tantas que
levaram os pesquisadores às investigações experimentais. Assim foi que, após inúmeras
experiências conduzidas por Darcy e outros investigadores, com tubos de seção circular,
concluiu-se que a resistência ao escoamento de um fluido é:
➢ Diretamente proporcional ao comprimento da canalização ( π D L );
➢ Inversamente proporcional a uma potência do diâmetro ( 1 / D m );
➢ Função de uma potência da velocidade média ( v n );
➢ Variável com a natureza das paredes dos tubos (rugosidade), no caso do regime
turbulento ( k’ );
➢ Independentemente da posição do tubo;
➢ Independente da pressão interna sob a qual o fluido escoa;
➢ Função de uma potência da relação entre a viscosidade e a densidade do fluido
( μ/ρ ) r .

Portanto, para uma tubulação, a perda de carga pode ser expressa como

1 𝜇 𝑟
ℎ𝑓 = 𝑘 ′ . 𝜋𝐷𝐿 . . 𝑣 𝑛
. ( ) (2.3)
𝐷𝑚 𝜌

18
Para que as equações tenham aplicação prática, é necessário conhecer “k’ “, “m”
e “n”. Foi Chezy, por volta de 1775 que observou que a perda de carga pela passagem
de água sob pressão em tubos variava mais ou menos com o quadrado da velocidade da
água, ou seja, atribuiu o valor “2” para “n”. Posteriormente, por volta de 1850, Darcy e
Weisbach sugeriram um novo aprimoramento para a equação, considerando “p” igual a
“1”, e multiplicando numerador e denominador por “2g”:

𝐿 . 𝑣2
ℎ𝑓 = (𝑘 " . 2𝑔) . (2.4)
𝐷 . 2𝑔

Chamando ( k” . 2g ) de “ f ” ou coeficiente de atrito, obtém-se a fórmula de cálculo


de tubulações conhecida como fórmula de Darcy-Weisbach ou ainda “Fórmula Universal”:

𝐿 𝑉2
ℎ𝑓 = ( 𝑓 . . ) .𝛾 (2.5)
𝐷 2𝑔

Esta fórmula deve ser aplicada com as seguintes unidades:


f – adimensional;
L – comprimento do duto, em metro ( m );
D – diâmetro hidráulico do duto, em metro ( m );
V – velocidade média, em metros por segundo ( m/s );
g – gravidade, em metros por segundo ao quadrado ( m/s² );
γ – peso específico do ar (ou outro fluido), em quilograma-força por metro cúbico
( Kgf/m³ ).

Observa-se que, a perda de carga na Fórmula 2.5, é expressa em Pascal ( Pa ),


porque o termo entre parênteses está multiplicado pelo peso específico. Sendo que 1 Pa
= 0,102 mmCa.

2.3.1. Perda de carga no regime laminar

Para o escoamento laminar, aplica-se a equação conhecida como de Hagen-


Poiseuille;

128 ʋ 𝐿 𝑄
ℎ𝑓 = (2.6)
𝜋 𝑔 𝐷4

Determinada experimentalmente, por Hagen em 1839 e, independentemente, por


Poiseuille em 1840. A sua dedução analítica foi feita posteriormente por Wiedermann, em
1856 (Bastos, 1983).
Verifica-se que, para o escoamento laminar, a perda de carga é proporcional à
primeira potência da velocidade. Substituindo-se na Equação 2.6, o valor resulta em:

19
64 ʋ 𝐿 𝑉 64 ʋ 𝐿 𝑉 2
ℎ𝑓 = = . (2.7)
2 𝑔 𝐷2 𝐷𝑉 2𝑔𝐷

Comparando-se a expressão acima com a fórmula de Darcy-Weisbach (“Fórmula


universal para a perda de carga”):

64 𝜐
𝑓 = (2.8)
𝐷𝑉

Fazendo um nova substituição da Equação 2.8, com a Equação 1.10 (número de


Reynolds), obtém-se a equação:

64
𝑓 = (2.9)
𝑅𝑒

Observa-se que essa fórmula não envolve fatores empíricos ou coeficientes


experimentais de qualquer natureza, só inclui dados relativos às propriedades do fluido
(viscosidade, peso específico).
A Equação 2.8 mostra, ainda, que a perda por atrito nesse caso é independente
da rugosidade das paredes dos tubos. A experiência comprova esse fato. O regime
laminar raramente ocorre na prática, exceção feita para o escoamento de certos fluidos
bastante viscosos, tais como determinados óleos pesados, melaços caldas, ou, então,
para o caso de tubos capilares ou escoamento em meios porosos. Outro escoamento
interessante é o do sangue nos tecidos do organismo (Netto et al. 2002).

2.3.2. Perda de carga no regime turbulento

No regime turbulento, o coeficiente f depende de inúmeras variáveis, dificultando


sua determinação. Em vista disso, surgiram diversas fórmulas umas dedutíveis e outras
empíricas (baseadas em experiências de laboratório), as quais dão valores aproximados
para o coeficiente f. Todavia, os trabalhos de laboratório referiam-se as situações
específicas, conduzindo a valores distintos de f, de acordo com a aspereza da parede.
Daí surgiu a classificação dos condutos em “lisos” e “rugosos”.
Durante séculos, a distinção entre lisos e rugosos foi feita de maneira intuitiva. Por
exemplo, os tubos de vidro e de latão eram considerados como “lisos”, ao passo que os
tubos de ferro fundido eram tidos como “rugosos”, simplesmente, sem qualquer
formulação precisa.
As irregularidades na parede interna de um conduto provocam a sua aspereza ou
rugosidade. Na Figura 2.5, “K” representa a altura média destas irregularidades. É
comum se utilizar também “e” para representar a altura média das irregularidades e
outras literaturas como a ASHRAE (2009) utilizam “ε” para representar esta rugosidade

20
média. Na Tabela 2.1, tem-se os valores de algumas alturas médias de rugosidade
(Bastos, 1983).

Figura 2.5 – Altura média da rugosidade (Bastos, 1983)

Tabela 2.1 - Valores de alturas médias de rugosidade (Bastos, 1983)

Vale ressaltar que, segundo a NBR 16401-1 (2008) o valor recomendado para
rugosidade interna de chapas galvanizadas é 0,09 mm. No Anexo 2, são encontrados
valores de rugosidade sugeridos pela ASHRAE (2009), para materiais utilizados na
fabricação de dutos para ar condicionado.
Deve-se observar também que, o coeficiente k considera as condições dos tubos,
valendo não somente para a rugosidade, mas também para correção de perdas devido
ao tempo de uso, material, processo de fabricação e/ou incrustações devido ao tempo.

21
Segundo a hipótese de Prandtl, junto à parede interna do conduto forma-se uma
película de líquido, onde o escoamento é laminar. Em um conduto de diâmetro D, essa
película ou camada laminar tem a espessura.

32,5 . 𝐷
𝛿 = (2.10)
𝑅𝑒 . √𝑓

Onde f é o coeficiente de atrito.


Após a camada laminar, fica a zona do movimento turbulento. Como a espessura
( δ ) é muito pequena, o escoamento do fluido ocorre, praticamente, apenas na zona de
movimento turbulento (ver Figura 2.6). Verifica-se pela Equação 2.10, que δ é
inversamente proporcional a Re, isto é, que δ diminui com o aumento do número de
Reynolds (Bastos, 1983).

Figura 2.6 – Altura média da rugosidade (Bastos, 1983)

2.3.2.1. Condutos lisos

Considera-se conduto liso, aquele cuja as irregularidades ficam totalmente


cobertas pela camada laminar (Figura 2.6). No conduto liso, a altura média (K) das
irregularidades da parede interna é menor que 1/3 da espessura δ, ou seja, K < ( δ / 3 ).
Comparando esta situação com a Equação 2.10, conclui-se que um mesmo conduto, de
diâmetro D, pode ser liso para um fluido e ser rugoso para outro (qualquer que seja o
regime). No conduto liso, a relação entre a altura média ( K ), a viscosidade cinemática (
ʋ) e a velocidade média ( U ) deve ser:
ʋ
𝐾 < 100 (2.11)
𝑈

Comparando-se a Equação 2.11 com a Equação 2.10, conclui-se que, para um


mesmo fluido (de viscosidade ʋ ) o conduto pode ser liso nas baixas velocidades ou ser
rugoso nas maiores (qualquer que seja o regime).

22
2.3.2.2. Rugosidade relativa

A razão entre a altura média ( K ) das irregularidades e o diâmetro ( D ) do tubo é


a sua “rugosidade relativa” ( K/D ), também conhecida como “grau de rugosidade” ou,
ainda, “rugosidade equivalente”.

2.3.2.3. Conduto rugoso

Neste tipo de conduto, K tem interferência direta sobre a turbulência, e portanto,


sobre a perda de carga. Nos condutos rugosos, distingue-se dois tipos de regime o:

Regime turbulento de transição → Ocorre quando (δ / 3) < K < ( 8. δ ). Neste


caso, f depende da natureza do fluido e da rugosidade relativa ( K / D ) do tubo.
Neste regime, apenas uma parte da aspereza atravessa a camada laminar,
contribuindo para a turbulência.
Regime de turbulência plena → Ocorre quando K > ( 8. δ). Nesta, as
irregularidades ( K ) são muito grandes em relação a espessura ( δ ) da camada
laminar. Então, as irregularidades da parede perfuram, totalmente, a camada e
concorrem para o aumento e a manutenção da turbulência. Neste regime, f
depende da rugosidade relativa ( K/D ) do tubo e também do número de Reynolds.

Para condutos lisos, no regime turbulento, a altura média K não interfere com a
turbulência do escoamento. Portanto, o coeficiente f independe de K. Nos condutos lisos
predomina a ação da viscosidades, de modo que f depende somente do número de
Reynolds (Bastos, 1983).

2.3.2.4. Fórmulas específicas para condutos lisos

Em 1930, Theodore Von Kármán estabeleceu uma fórmula teórica, relacionando


os valores de f e de Re, para os tubos lisos:

1
= 2 log(𝑅𝑒 √𝑓) − 0,8 (2.12)
√𝑓

É teoricamente correta e os seus resultados têm sido comprovados


experimentalmente.
Para os tubos rugosos funcionando na zona de turbulência completa, Nikuradse
encontrou:

1 𝐷
= 1,74 + 2 log ( ) (2.13)
√𝑓 2𝑒

23
Os valores de f obtidos para tubos rugosos são maiores do que os obtidos pela
Equação 2.12. Convém notar que a Equação 2.13, não inclui o número de Reynolds e
que, portanto, para um certa canalização de determinado diâmetro D, o valor de f
dependerá apenas da rugosidade.
Para a região compreendida entre as condições precedentes, isto é, entre o caso
de tubos lisos e a zona de turbulência completa, Colebrook e White propuseram, em
1938, uma equação semi-empírica:

1 𝑒 2,51
= −2 log [ + ] (2.14)
√𝑓 3,7 𝐷 𝑅𝑒 √𝑓

Essa equação tende para a Equação 2.12, dos tubos lisos quando “e/3, 7D” torna-
se muito pequeno, assim como tende para a Equação 2.13, quando se reduz o valor de
“2,51/ Re √f “ (Netto et al. 2002).
Em 1944, Lewis Moody elaborou o chamado “Ábaco de Moody”, também
conhecido como “Diagrama de Stanton”. Este ábaco estabelece relação entre o número
de Reynolds ( Re ), a rugosidade relativa ( K/D ou e/D ou ε/D ) do tubo e o coeficiente de
atrito ( f ). Este ábaco pode ser visto no Anexo 3, sendo que o mesmo se baseia na
seguinte equação:

1/3
𝑒 106
𝑓 = 0,0055 [1 + ( 20.000 + ) ] (2.15)
𝐷 𝑅𝑒

Esta equação foi elaborada segundo a fórmula de Colebrook – White, e possui a


vantagem de deixar f de forma explícita, não necessitado mais de interações para se
definir o valor do fator de atrito, como era na Equação 2.14 (Bastos, 1983).

2.4. PERDA DE CARGA EM CONDUTOS

Como visto, condutos são dispositivos para o transporte (condução) dos fluidos
em geral. As principais características dos condutos são que, o perímetro é sempre
fechado e o fluido pode escoar em todos os sentidos (ascendente ou descendente)
(Bastos, 1983).
Em teoria os condutos podem apresentar as formas mais variadas, sendo que na
prática os mais usados são dutos circulares, quadrados e ovais. Torna-se necessária a
introdução de dois novos parâmetros para o seu estudo, “área molhada” ( A ) e
“perímetro molhado” ( P ) (Netto et al., 2002).

24
2.4.1. Diâmetro hidráulico

Denomina-se área molhada de um conduto, a área útil de escoamento numa


seção transversal. Deve-se, portanto, distinguir seção de um conduto (total) e A, que é a
área molhada (seção de escoamento).
O perímetro molhado, P, é a linha que limita a área molhada junto ás paredes e ao
fundo do conduto. Não abrange, portanto, a superfície livre dos fluidos. A Figura 2.7 nos
mostra o que foi descrito (Bastos, 1983).

Figura 2.7 – Perímetro molhado (Bastos, 1983)

Netto et al. (2002), ressalta que a grande maioria dos escoamentos em condutos
ocorrem em regime turbulento, é interessante portanto notar que para um duto de seção
circular, o raio hidráulico para a seção cheia, vale:

𝐷ℎ
𝑅ℎ = (2.16)
4

A partir de experiências usando dutos redondos, quadrados e retangulares tendo


essencialmente o mesmo diâmetro hidráulico, Huebscher, em 1948 descobriu que cada
um, para a maioria dos fins, teve a mesma resistência ao fluxo em velocidades médias
iguais. Huebscher desenvolveu o relacionamento entre dutos retangulares e redondos,
que é usado para determinar o tamanho de equivalência com base na igualdade do fluxo,
resistência e comprimento. Esta relação, é obtida pelas equações abaixo, primeiro para
duto retangular, depois para duto oval.

1,30 𝑥 (𝑎𝑙𝑡𝑢𝑟𝑎 𝑥 𝑙𝑎𝑟𝑔𝑢𝑟𝑎)0,625


𝐷𝑒 = (2.17)
(𝑎𝑙𝑡𝑢𝑟𝑎 + 𝑙𝑎𝑟𝑔𝑢𝑟𝑎)0,25

1,55 𝑥 (á𝑟𝑒𝑎 𝑑𝑎 𝑠𝑒𝑐çã𝑜 𝑡𝑟𝑎𝑛𝑠𝑣𝑒𝑟𝑠𝑎𝑙 )0,625


𝐷𝑒 = (2.18)
(𝑝𝑒𝑟𝑖𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜)0,25

Experimentos realizados por Griggs e Khodabakhsh-Sharifabad em 1992,


indicaram que dutos retangulares para o fluxo de ar, sobre a faixa de dimensões típicas,

25
em sistemas de HVAC, comprovaram que estas fórmulas atendem de forma satisfatória
(ASHRAE, 2009).

2.4.2. Classificação das perdas de carga

Na prática, as canalizações não são constituídas exclusivamente por tubos


retilíneos e de mesmo diâmetro. Usualmente, incluem ainda peças especiais e conexões
que, pela forma e disposição, elevam a turbulência, provocam atritos e causam o choque
de partículas, dando origem a perdas de carga.
Admite-se que as perdas por resistência ao longo dos condutos, ocasionada pelo
movimento do fluido na própria tubulação, seja uniforme em qualquer trecho de uma
canalização de dimensões constantes, independentemente da posição da canalização.
Por isso também podem ser chamadas de perdas contínuas ou distribuídas.
Perdas locais, localizadas ou acidentais, provocadas pelas peças especiais e
demais singularidades de uma instalação, são relativamente importantes no caso de
canalizações curtas com peças especiais. Nas canalizações longas, o seu valor
frequentemente é desprezível, comparado ao da perda pela resistência ao escoamento
(Netto et al., 2002).
A perda de carga total, é considerada como a soma das perdas de carga
distribuídas, devidas aos efeitos de atrito no escoamento completamente desenvolvido
em tubo de seção constante, com as perdas localizadas, devidas a entradas, acessórios,
mudanças de área e outras. Consequentemente, deve-se considerar as perdas
distribuídas e localizadas em separado (Fox et al., 2001).

2.4.3. Perda de carga distribuída em dutos de ar condicionado

Para efeito de aplicações da perda de carga distribuída, pode-se reescrever a


Equação 2.5, substituir o peso específico pela equação:

𝛾 = 𝜌 .𝑔 (2.19)

E passando o comprimento para o lado esquerdo da equação ( hf / L ), obtém-se a


seguinte expressão:

1 𝑉2
𝐽 =(𝑓. . ) .𝜌 (2.20)
𝐷 2

Onde, J é a perda de carga unitária, expressa em ( Pa/m ) ou ( mmCa/m ), o valor


de J, também pode ser encontrado em ábacos específicos como o apresentado no Anexo
4 (Macintyre, 1990).

26
2.4.4. Perda de carga localizada em dutos de ar condicionado

Um sistema de circulação de ar envolve não somente dutos retos mas também


conexões, onde ocorrem mudanças de direção e área. Entre as conexões destacam-se
as expansões, as contrações, as curvas, as ramificações, os registras e os filtros. Um
projeto adequado do sistema só poderá ser realizado desde que se conheça as perdas
de carga nessas conexões. Na realidade a perda de carga nas conexões pode ser mais
importante que nos trechos retos.
Como as conexões ocupam trechos muito curtos, geralmente menores que 1 m, a
perda de carga não pode ser justificada pelo atrito interno do fluido ao longo do duto,
como acontecia no caso de dutos retos, ocorrendo, na realidade, pela transferência de
quantidade de movimento entre porções de fluido que se movem a distintas velocidades
(Stoecker et. al., 1985).
Poder-se-ia fazer como em hidráulica, calcular o comprimento equivalente de um
duto de mesmo diâmetro que a peça, que produzam a mesma perda de carga. Como os
valores de dimensões dos dutos não são padronizados, fica difícil de utilizar este método,
sendo portanto, mais usual determinar individualmente as perdas correspondentes a
cada peça, exprimindo-as em polegadas de coluna de água (inH2O) ou milímetros de
coluna de água (mmH2O) (Macintyre, 1990).
Para isto, conhecendo-se a velocidade média ( V ) de escoamento na peça,
calcula-se a altura representativa da velocidade ( hv ), ou seja, a pressão dinâmica. Assim
a pressão dinâmica em inH2O, quando se tem a velocidade em pés por minuto ( ft/min ),
é dada por:

𝑉2
ℎ𝑣 = (2.21)
40052

Ou em, mmH2O, quando se tem a velocidade em metros por segundo ( m/s ):

𝑉2
ℎ𝑣 = (2.22)
16,342

Ainda segundo Macintyre (1990), para calcular a perda de carga nos acessórios
( ∆p ), basta multiplicar o valor de hv pelo valor de C0, que pode ser obtido em livros e
manuais, desta forma:

∆𝑝 = 𝐶0 . ℎ𝑣 (2.23)

O coeficiente de perda ( C0 ), também citado em algumas literaturas como “ K ”,


deve ser determinado experimentalmente para cada situação (Fox et. al., 2001)
A partir da revisão de 2009, do livro ASHRAE fundamental, pode ser encontrado
uma lista de tabelas para a perda de carga em acessórios, que incluem mais de 220

27
itens, tanto circulares quanto retangulares. Os acessórios são numerados (codificados)
como mostrado na Tabela 2.2.

Tabela 2.2 – Codificação para consulta de acessórios (ASHRAE, 2009)

No Anexo 5, pode-se encontrar um compilado dos acessórios mais utilizados em


ar condicionado, listados na ASHRAE de 2009.

2.4.5. Perda de carga em “bocas de ar”

A forma mais precisa para se definir a perda de carga em acessórios tipo bocas
de ar, é a utilização de catálogos de fabricantes. Nestes catálogos, de posse da vazão de
ar e da escolha do nível de ruído e do alcance do jato de ar, é possível selecionar o
tamanho da boca de ar e verificar qual a perda de carga que esta, causa, em mmH2O.
Nos Anexos 6, 7 e 8, podem ser encontrados alguns catálogos do fabricante
TROX, que servem para exemplificar o que são as bocas de ar. São apresentados difusor
de insuflamento, grelha de retorno e tomada de ar exterior completa (veneziana, damper
e filtro).

2.5. EQUAÇÃO DE CONTINUIDADE E CONSERVAÇÃO DA ENERGIA

O sistema de dutos de ventilação vem a ser uma disposição de tubulações para


condução do ar sobre pressão pouco elevada, onde portanto, a compressibilidade do ar
pode ser desprezada, não ocorrendo no escoamento os fenômenos termodinâmicos que
se verificam, por exemplo, nas linha de ar comprimido e de vapor.
O dimensionamento, qualquer que seja o método adotado, baseia-se na equação
de continuidade e no princípio de conservação de energia para os fluidos em
escoamento, traduzida pela equação de Bernoulli. A mesma mostra que o valor de vazão

28
é obtido pelo produto da área da seção normal aos filetes líquidos em escoamento pela
velocidade média na mesma seção.

𝑄 =𝐴𝑥𝑉 (2.24)

Onde a vazão ( Q ) é expressa em m³/s, a área ( A ) em m² e a velocidade média


( V ) em m/s (Netto et. al., 2002).
Na Figura 2.8, tem-se esquematicamente representada uma instalação de
insuflamento mecânico de ar. O ar passa pelo filtro A, penetra com uma vazão Q no
ventilador em C, onde recebe energia graças à ação das pás do ventilador, saindo em D.
Com a energia recebida, o ar, se desloca ao longo de um duto, do qual saem,
supostamente três ramificações.

Figura 2.8 – Diagrama da variação das energias em uma instalação com dutos e bocas
de insuflamento (Macintyre, 1990)

O diagrama (a) da Figura 2.8 mostra como varia a energia de pressão, que já
designamos também como pressão estática. Na boca de entrada do ventilador, esta
pressão é inferior à atmosférica, o que torna possível a entrada do ar no ventilador.
Graças a energia de pressão estática, comunicada pelo ventilador o ar escoa no duto.

29
O diagrama (b) mostra que o ventilador comunica ao ar uma certa velocidade de
escoamento sobre uma certa pressão e portanto, uma determinada energia cinética para
manter a visão ao longo do duto. A velocidade do ar no duto é escolhida de acordo com
dados obtidos de instalações bem sucedidas, isto é, que foram bem projetadas e
executadas. A velocidade não deve ser elevada demais, pois se o fosse, além de reduzir
a parte correspondente à energia de pressão, produziria vibração e ruídos no dutos.
A NBR 16401 (2008) recomenda que, para dutos de baixa pressão, devem ser
utilizados os valores recomendados na Tabela 2.3. Informa também que a “velocidade
terminal”, isto é, do ar ao atingir o local do recinto onde foi lançado através de uma boca
de insuflamento, ao atingir cerca de 1,5 m acima do piso, costuma ser de 1 m/s para
indústrias e 0,75 m/s para escritórios.
Para se manter a pressão dinâmica constante ao longo do duto de insuflamento,
deve-se ir reduzindo sua seção à medida que forem proporcionadas saídas de ar pelas
bocas de insuflamento ou dutos de ramificações secundárias.
O diagrama (c) representa o traçado da linha energética total ou da pressão total,
cujas ordenadas são obtidas considerando-se a soma algébrica das parcelas de energia
de pressão. Vê-se que, no final do duto, o ar sai com uma certa energia cinética, isto é,
tem uma pressão dinâmica residual, de modo que penetra no recinto com uma certa
velocidade (Macintyre, 1990).

A distribuição de ar, através de dutos, pode ser feita empregando baixa, média ou
alta pressão e velocidade. Segundo a NBR 16401, as pressões são classificadas nos
dutos da seguinte forma:
➢ Baixa pressão: pressões estáticas até 500 Pa e velocidade até 10 m/s;
➢ Média pressão: pressões estáticas até 1500 Pa e velocidade acima de 10 m/s;
➢ Alta pressão: pressões estáticas acima de 1500 Pa a 2500 Pa e velocidades
acima de 10 m/s.

30
Tabela 2.3 – Velocidades recomendadas e máximas para dutos de ar e equipamentos
de sistema de baixa pressão (NBR 16401, 2008)

2.6. MÉTODOS DE DIMENSIONAMENTO DE DUTOS

Os procedimentos que serão apresentados, representam operações metódicas de


dimensionamento dos dutos. Três são as técnicas principais de dimensionamento:
➢ Método da recuperação de pressão estática;
➢ Método da velocidade ou método dinâmico;
➢ Método de iguais perdas de carga.

2.6.1. Método da recuperação da pressão estática

Este método é inadequado para dimensionamento de sistemas completos de


dutos. Pode, entretanto ser adotado com vantagem para dimensionar partes do sistema,
desde que a velocidade inicial exceda cerca de 10 m/s (Jones, 1983).
Por ser um método complexo, sua aplicação só se justifica em casos especiais.
Baseia-se no princípio de que, num sistema de dutos sob a ação do ar em determinadas
vazão e velocidade, tem-se as seguintes pressões em jogo:

31
➢ Pressão estática ( Ps ), que pode ser medida aplicando-se o manômetro de
coluna d'água na extremidade do duto;
➢ Pressão total ( Pt ), medida aplicando-se o manômetro no meio do duto;
➢ Pressão devida à velocidade ( Pc ), que resulta na Equação 2.1:

Supondo-se a seção constante de um duto e a vazão de ar diminuindo ao longo


do trecho considerado, verifica-se que Pc decresce ao longo do duto e Pe, cresce. Isso é
conhecido por recuperação estática e permite, selecionando-se as velocidades de modo
conveniente em cada trecho, a obtenção de um sistema bem balanceado (Creder, 2004).

2.6.2. Método da velocidade ou método dinâmico

Este método deve ser usado para pequenos sistemas ou em grandes sistemas
com poucos dutos e no máximo cinco ou seis bocas. É um método empírico no qual é a
velocidade arbitrariamente fixada no ventilador e, com base na experiência, reduzida em
sucessivas etapas (Creder, 2004).
Em instalações convencionais ou de baixa velocidade inicial, o método da
velocidade talvez deixe algo a desejar. Ele consiste em escolher uma seção do sistema
de duto provavelmente crítica, isto usualmente significa barulhenta, e assim a seção
escolhida é frequentemente a que se segue à saída do ventilador.
O duto é então dimensionado usando-se a Equação 2.24. A velocidade escolhida não
é mantida constante por todo o sistema mas é reduzida progressivamente à medida que
a vazão de ar no duto principal diminui, pois ele se distribui pelas ramificações. A redução
é desejável, movimentando-se ao longo de uma linha de velocidade constante numa
carta de dimensionamento de duto, como a do Anexo 4, a perda de pressão aumenta,
pois a quantidade de ar circulada é reduzida. Como o barulho é de importância capital em
muitos sistemas e como o barulho gerado num duto por onde o ar circula está
relacionado à perda de pressão ao longo do mesmo, é provável que um aumento
continuado da perda de pressão não seja tolerado.
Ao se fazer uma decisão sobre a redução da velocidade fica evidente a
inadequação do método. Entretanto, desde que seja usado bom senso, poucos
problemas surgirão em sistemas de baixa velocidade (Jones, 1983).

2.6.3. Método de iguais perdas de carga

Neste método a perda de carga unitária ( J ) é definida no início do


dimensionamento ou seja, sabe-se quanto vai ser a perda de pressão a passagem do

32
fluido pela seção reta de dutos. Posteriormente, soma-se as perdas de carga em
acessórios e se determina a pressão total do sistema.
Este método se baseia na circulação de ar e perdas em dutos redondos. Para
dutos retangulares, será necessária a conversão da bitola do duto redondo em doto
retangular (equivalente) com a mesma quantidade de ar circulante e as mesma perdas.
Com estas considerações, nos dutos retangulares tem-se menor velocidade de ar para
mesma vazão e as mesmas perdas (Creder, 2004).
O método de iguais perdas de carga produz melhores resultados que o método da
velocidade, uma vez que grande parte da perda de carga no primeiro método é dissipada
nos dutos e nas conexões, ao contrário do segundo onde uma parcela significativa da
perda de carga é dissipada nos registras para balanceamento do sistema. Assim o
método de iguais perdas de carga resulta em um sistema de dimensões reduzidas e,
portanto, de menor custo (Stoecker et. al., 1985).

2.7. CHAPAS DE AÇO (ZINCADO)

Uma última preocupação que o projetista de dutos de ar condicionado deve ter, é


com o tipo de material que será empregado na construção dos dutos.
Pode-se utilizar dutos de chapa de aço galvanizado (zincado), chapa preta (ferro)
e de alumínio, desde que os gases que por eles devam passar não sejam corrosivos
(Macintyre, 1990).
Devem-se respeitar as bitolas de chapa recomendadas no Anexos 9, 10 e 11, em
face da dimensão da largura determinada no dimensionamento dos dutos,
independentemente do método de cálculo escolhido (NBR 16401, 2008).

Tabela 2.4 – Bitola para chapas e bobinas de aço zincadas (GERDAU, 2015)

Bitola Espessura Peso aproximado


MSG mm kg/m²
30 0,35 2,80
28 0,43 3,44
26 0,50 4,00
24 0,65 5,20
22 0,80 6,40
20 0,95 7,60
18 1,25 10,00
16 1,55 12,40
14 1,95 15,60

33
Tabela 2.5 – Tabela comparativa das bitolas de chapa por normas (NBR 16401, 2008)

MSG ABNT SMACNA


mm mm mm
28 0,43 0,48
26 0,50 0,55
24 0,64 0,70
22 0,79 0,85
20 0,95 1,00
18 1,27 1,31
16 1,59 1,61

34
3. MANUAL DE USO DA PLANILHA

A fim de facilitar o entendimento da planilha, abaixo são descritos como o usuário


deve colocar os dados de entrada e uma análise dos dados de saída.

3.1. Dados de entrada

Inicialmente o usuário deve definir informar qual a vazão de ar em metros cúbicos


por hora ( m³/h ), e a velocidade do ar em metros por segundo ( m/s ).
Após os dados principais serem informados, o usuário deve definir as
características de cada trecho de duto, informando um nome para esse trecho (exemplo
AA, AC, etc), qual a vazão de ar ( em metros por segundo) daquele trecho e uma das
dimensões (em centímetros) do duto (altura ou largura) caso o duto seja retangular.

3.2. Dados de saída

Como dados de saída, o usuário poderá ver qual o valor no número de Reynolds,
a viscosidade corrigida para a determinada temperatura, a pressão atmosférica para a
determinada altitude e todo o dimensionamento da rede de dutos, apresentada trecho a
trecho, como pode ser visto na Figura 3.1.
Após todos os dados informados, caso o usuário opte redimensionar os trechos
de duto, basta alterar a velocidade do parâmetro inicial de entrada.

Figura 3.1 – Planilha de dimensionamento

35
4. CONCLUSÕES

Dutos, são condutores de ar que permitem sua circulação desde o ventilador até
os pontos de insuflamento (difusores, grelhas, venezianas, etc.), bem como o retorno. O
normal é a existência de recirculação do ar, isto é, uma vez circulando no ambiente, o ar
retorna à máquina e isso, representa economia na instalação e no consumo de energia
elétrica.
O dimensionamento e o projeto de um sistema de dutos envolve um processo
complexo, visto que uma série de decisões devem ser tomadas e como cada decisão
afetando todo o projeto, o auxílio de meios computacionais é de grande ajuda no
desenvolvimento do projeto.
O custo de balanceamento de um sistema de condicionamento de ar, em especial
os de grande porte, pode ser elevado, de modo que, um sistema de dutos projetados de
tal modo que esteja praticamente balanceado, pode contribuir na redução dos custos. O
projetista entretanto, depende do instalador, uma vez que a qualidade da construção
pode afetar significativamente na perda de carga, principalmente nas conexões. Apesar
disso, o investimento em tempo de projeto resulta, em geral, em um sistema de operação
mais adequado.
Com o mercado de trabalho cada vez mais exigente dos dias atuais, não basta só
ter o conhecimento, é preciso saber colocar em prática tudo o que se aprende e buscar
sempre novas formas de agregar valor no mercado de trabalho. Esta planilha busca este
objetivo, pois além de ser desenvolvida com um software de ampla aplicação e bastante
utilizado na área da engenharia, possui um custo irrisório perto da economia de tempo e
confiabilidade gerada ao projeto.
Dentro deste contexto, pode-se verificar a importância deste estudo e de tudo que
foi apresentado, pois este trabalho servirá não só para o desenvolvimento de projetos de
dutos, mas também, uma das principais preocupações foi o de tentar transmitir o
conteúdo de uma forma clara e sucinta, para que este, sirva de aprendizado à outros
alunos através das disciplinas de ar condicionado e mecânica dos fluidos.

4.1. Sugestões para pesquisas futuras

Como sugestão para pesquisas futuros, indica-se as seguintes alternativas:


➢ Verificar se a pedada de carga de um sistema existente, condiz com o que é
dimensionado pela planilha;

36
➢ Realização de ensaios da perda de carga, em sessões retas e acessórios de
dutos, para verificar a confiabilidade dos métodos de dimensionamento
apresentados;
➢ Aprimorar a base de dados da planilha, acrescentado por exemplo, a perda de
carga localizada, caso possível;
➢ Desenvolver planilhas com os mesmos conceitos desta (fórmula da perda
universal de carga), para outros tipos de fluidos.

37
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASHRAE, American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers, Inc.


Handbook Fundamentals. Atlanta, 2009.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16401-1: Instalações de


Ar-Condicionado - Sistemas centrais e unitários Parte 1: Projetos das instalações. Rio
de Janeiro, 2008.

BARROS, César Monteiro de. A Viscosidade Cinemática do Ar. Disponível em: <
https://www.youtube.com/watch?v=qZX-h2-zd-Y >. Acessado em: 13/01/2015.

BASTOS, Francisco de Assis A. Problemas de Mecânica dos Fluidos. Rio de Janeiro.


Editora Guanabara Koogans S. A., 1983.

BEYER, Paulo Otto. Dutos de Distribuição de Ar. Abrava - Climatização + Refrigeração,


São Paulo, v. 7, n. 1, p. 38-46, outubro, 2014.

CREDER, Hélio. Instalações de Ar Condicionado. 6º Edição. Rio de Janeiro. Editora


LTC, 2004.

FOX, Robert W.; MCDONALD, Alan T. Introdução a Mecânica dos Fluidos. 5º Edição.
Rio de Janeiro. Editora LTC, 2001.

GERDAU. Catálogo de Produtos. Disponível em: <


https://www.comercialgerdau.com.br/ produtos/download/1_ProdutosCG_2011.pdf >.
Acessado em: 03/02/2015.

JONES, W. P. Engenharia de Ar Condicionado. Rio de Janeiro. Editora Campus, 1983.

MACINTYRE, Archibald Joseph. Ventilação Industrial e Controle da Poluição. 2º


Edição. Rio de Janeiro. Editora LTC, 1990.

MSPC - Informações Técnicas. Propriedades do Ar Seco Sob Pressão Normal.


Disponível em: < http://www.mspc.eng.br/fldetc/fluid_06B0.shtml >. Acessado em:
13/01/2015.

38
MUNSON, Bruce R.; YOUNG, Donald F.; OKIISHI, Theodore H. Fundamentos da
Mecânica dos Fluidos. 2º Edição. São Paulo. Editora Edgard Blucher LTDA, 2004.

NETTO, José M. de Azevedo; FERNANDEZ, Miguel Fernandez y; ARAUJO, Roberto de;


ITO, Acácio Eiji. Manual de Hidráulica. 8º Edição. São Paulo. Editora Edgard Blucher
LTDA, 2002.

SILVA, Napoleão F. Compressores Alternativos Industriais: Teoria e Prática. Rio de


Janeiro. Editora Interciência, 2009.

STOECKER, Wilbert F.; JONES, Jerold W.. Refrigeração e Ar Condicionado. São


Paulo. Editora McGraw-Hill, 1985.

TROX. Catálogos de Seleção. Disponível em: < http://www.troxbrasil.com.br/br/


service/download_center/index.jsp?startpath=/br/service/download_center/structure/techn
ical_documents >. Acessado em: 03/02/2015.

39
ANEXOS

Anexo 1: Propriedades do ar seco sob pressão normal (MSPC, 2015)

Calor Massa Viscosidade Viscosidade


Temperatura
específico cp específica Absoluta 10−6 Cinemática
[ ºC ]
[ kJ / (kg K) ] [ kg/m3 ] [ Pa.s ] 10−6 [ m2/s ]
−150 - 2,793 8,60 3,08
−100 - 1,980 11,78 5,95
−50 1,006 1,534 14,64 9,55
0 1,006 1,293 17,23 13,32
10 1,006 1,247 17,72 14,21
20 1,006 1,205 18,20 15,11
30 1,006 1,165 18,68 16,04
40 1,007 1,127 19,15 16,97
50 1,007 1,093 19,61 17,95
60 1,008 1,059 20,06 18,93
70 1,009 1,029 20,51 19,94
80 1,010 1,000 20,95 20,94
90 1,010 0,972 21,38 22,00
100 1,011 0,946 21,81 23,06
110 1,012 0,921 22,23 24,14
120 1,013 0,898 22,65 25,23
140 1,013 0,854 23,53 27,55
160 1,017 0,815 24,33 29,85
180 1,022 0,779 25,15 32,29
200 1,026 0,746 25,83 34,63
250 1,034 0,675 27,79 41,17
300 1,047 0,616 29,48 47,85
350 1,055 0,566 31,16 55,05
400 1,068 0,524 32,77 62,53
Calor Massa Viscosidade Viscosidade
Temperatura −6
específico cp específica Absoluta 10 Cinemática
[ ºC ]
[ kJ / (kg K) ] [ kg/m3 ] [ Pa.s ] 10−6 [ m2/s ]

40
Anexo 2: Rugosidade média para dutos de ar condicionado (ASHRAE, 2009)

41
Anexo 3: Ábaco de Moody (Fox et. al., 2001)

42
Anexo 4: Perda de carga por atrito (Stoecker et. al., 1985)

43
Anexo 5: Valores de C0 para o cálculo da perda de carga localizada dos principais
acessórios (ASHRAE, 2009)

44
45
46
47
48
Anexo 6: Difusor para insuflamento de ar (TROX, 2015)

49
Anexo 7: Grelha para retorno de ar (TROX, 2015)

50
Anexo 8: Tomada de ar exterior completa (TROX, 2015)

51
Anexo 9: Bitola de chapa para a fabricação de dutos retangulares, pressão de
125 Pa (NBR 16401-1, 2008)

52
Anexo 10: Bitola de chapa para a fabricação de dutos retangulares, pressão de
250 Pa (NBR 16401-1, 2008)

53
Anexo 11: Bitola de chapa para a fabricação de dutos retangulares, pressão de
500 Pa (NBR 16401-1, 2008)

54

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