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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ

INSTITUTO DE LETRAS E COMUNICAÇÃO


FACULDADE DE LETRAS

RESENHA DO TEXTO ESTRUTURA MÓRFICA DA LÍNGUA PORTUGUESA, DE


NORMELIO ZANOTTO

Salatiel Ferreira de Sousa

Belém
2022
SALATIEL FERREIRA DE SOUSA

RESENHA DO TEXTO ESTRUTURA MÓRFICA DA LÍNGUA PORTUGUESA, DE


NORMELIO ZANOTTO

Trabalho apresentado no curso de graduação de


Licenciatura em Letras – Língua Portuguesa na
Universidade Federal do Pará como uma das formas de
avaliação referente à disciplina de Morfologia do
Português.

Docente: Profª. Drª. Marcia Goretti Pereira de Carvalho

Belém
2022
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CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O texto de Normelio Zanotto, “Estrutura Mórfica da Língua Portuguesa”, da página 93
à página 100, tem como enfoque os Verbos Irregulares, que são aqueles verbos que fogem do
padrão morfológico presente nos verbos regulares. Pode-se observar a ocorrência da
irregularidade verbal no radical, no tema e até mesmo nas desinências, a qual dá-se desde uma
clara oscilação vocálica, até os radicais supletivos para um único verbo, como são os casos
dos verbos anômalos “ir” e “ser”. A seguir será apresentado e exemplificado como tal
irregularidade ocorre nas eventuais palavras do português brasileiro.

IRREGULARIDADES NO RADICAL
Zanotto destaca duas das principais irregularidades correntes nos radicais, sendo elas
as da P1 IdPr (primeira pessoa do singular no indicativo presente) e P2 IdPt2 (segunda pessoa
do singular no perfeito do indicativo). O radical da P1 IdPr, especificamente, possui várias
particularidades, sendo elas, conforme descreve o autor: “ditongação pelo acréscimo de uma
semivogal: caibo; acréscimo de consoante: vejo; troca de consoante do radical: digo; troca de
vogal do radical: durmo; travamento nasal do radical: ponho.” (ZANOTTO, 2001, p. 93)
Ademais, a irregularidade verificada na P1 IdPr, em todos esses casos, alcança
também os tempos e às pessoas que derivam de si, abrangendo ao SbPr (subjuntivo presente),
IpNeg (imperativo negativo), e à P3 (terceira pessoa do singular), 4 e 6 (primeira e terceira
pessoa do plural) do IpAf (imperativo afirmativo). Pode se observar isso na tabela abaixo:
IdPr SbPr IpNeg IpAf
DURM-Ø-Ø-o DURM-Ø-a-Ø
dorm-e-Ø-s DURM-Ø-a-s não DURM-Ø-a-s dorm-e-Ø-Ø
dorm-e-Ø-Ø DURM-Ø-a-Ø não DURM-Ø-a-Ø DURM-Ø-a-Ø
dorm-e-Ø-mos DURM-Ø-a-mos não DURM-Ø-a-mos DURM-Ø-a-mos
dorm-(i)-Ø-is DURM-Ø-a-is não DURM-Ø-a-is Dorm-(i)-Ø-i
Dorm-e-Ø-m DURM-Ø-a-m não DURM-Ø-a-m DURM-Ø-a-m
Fonte: Zonatto (2001, p.94)

Vários são os grupos de verbos que possuem o radical alomórfico na primeira pessoa
do singular no indicativo presente, é o caso de caibo, digo, vejo, sigo e etc. E é ínfima a
quantidade de verbos que no subjuntivo presente não seguem essa lógica, como pode ser visto
em: sei – saiba, sou – seja, vou – vá, dou – dê. Contudo, o radical especial da P1 IdPr reitera
na P2, P3 e P6: agrido – agrides – agride – agridem; previno – prevines – previne – previnem;

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progrido, progrides – progride – progridem. Por outro lado, há os verbos defectivos, que são
aqueles que não possuem conjugação em determinadas pessoas, tempos ou modos, sendo
assim, não têm uma conjugação completa, como é o caso do verbo haurir, o qual não possui a
P1 IdPr, consequentemente, há a ausência dos tempos derivados, ocorrendo também em
precaver-se e reaver, onde só há a P4 e P5 do IdPr e a P5 do IpAf.

Quanto às irregularidades da P2 IdPt2 (segunda pessoa do singular no perfeito do


indicativo), voltarão a ocorrer nos tempos derivados de tal pessoa, tanto no IdPt3 (mais-que-
perfeito do indicativo), SbPt (subjuntivo pretérito ou passado – imperfeito do subjuntivo) e
SbFt (subjuntivo futuro), a tabela a seguir exemplifica como isso acontece:

P2 IdPt2 IdPt3 SbPt SbFt

DISS-É-ste DISS-E-ra DISS-E-sse DISS-E-r

DISS-E-ra-s DISS-E-sse-s DISS-E-re-s

DISS-E-ra DISS-E-sse DISS-E-r

DISS-É-ra-mos DISS-É-sse-mos DISS-E-r-mos

DISS-É-re-is DISS-É-sse-is DISS-E-r-des

DISS-E-ra-m DISS-E-sse-m DISS-E-re-m


Fonte: Zonatto (2001, p.94)

Para além disso, conforme explica Normelio, há também a alternância vocálica no


radical, onde ocorre uma mudança de vogais na P1 e P3 no perfeito do indicativo: fiz – fez;
tive – teve; pus – pôs; e etc. Também há a heteronímia do R, onde os radicais supletivos,
como já mencionado anteriormente os verbos ser e ir, apresentam radicais completamente
distintos.

IRREGULARIDADES NO TEMA E NA DESINÊNCIA


Nesse tópico, é abordado como se dá a irregularidade no tema e na desinência. Tem-se
então que a troca de VT (vogal temática) ocorre em verbos como deste, que possui a vogal
temática -e, da CII (segunda conjugação) e viste com VT -i, da CIII. Já em verbos como rir
(ri+(i)+r+Ø) e ler (le+(e)+r+Ø), ocorre a crase na vogal temática.
No que se refere à desinência, poucos radicais monossilábicos, da CII e CII, possuem a
presença da desinência número-pessoal da P5. Ao invés do habitual -is aparece -des, pode-se
observar isso nas palavras cre-des, ri-des, i-des, e etc.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A leitura do texto de Zonatto sem um conhecimento prévio e bem alicerçado em
morfologia, torna a compreensão quase nula, devido a tal usar do núcleo mais puro e técnico
para apresentar as suas ideias, sem possuir um enfoque didático. Um leitor assíduo na área da
linguística, sem dúvidas, concordaria que a síntese e a objetividade do autor são ótimas. Além
disso, é possível observar no seu trabalho que as construções dos verbos irregulares não são
demasiadas extensas, ao contrário dos verbos regulares. Para finalizar, o nível da linguagem
não é tão rebuscado, o que facilita o entendimento das suas acepções. Em suma, o texto
mostra-se relevante e interessante para ter conhecimentos acerca dos estudos morfológicos da
língua portuguesa.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ZONATTO, Normelio. Estrutura Mórfica da Língua Portuguesa. 4ª Ed. Caxias do Sul,
RS: EDUCS, 2001.

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