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Boletim Técnico Estudo da viabilidade técnica da implantação de uma granja de codornas na região

Boletim Técnico

Estudo da viabilidade técnica da implantação de uma granja de codornas na região de Brazlândia- DF

Planaltina – DF Junho de 2010

http://www.upis.br Boletim Técnico Estudo da viabilidade técnica da implantação de uma granja de codornas japonesas

http://www.upis.br

Boletim Técnico

Estudo da viabilidade técnica da implantação de uma granja de codornas japonesas na região de Brazlândia- DF

Lincoln Pereira de Brito

Orientadora técnica: Prof a . M.S. Larissa Queiroz Medeiros de Oliveira

Trabalho apresentado, como parte das exigências para a conclusão do CURSO DE AGRONOMIA.

Planaltina – DF Junho de 2010

UPIS – Faculdades Integradas Departamento de Agronomia Rodovia BR 020, km 18 DF 335, km 4,8 Planaltina (DF) Brasil

Endereço para correspondência:

SEP/Sul Eq. 712/912 Conjunto A

CEP: 70390-125

Fone/Fax: (0XX61) 3488-9909 www.upis.br agronomia@upis.br Orientadora: Prof. M.S. Larissa Q. Medeiros de Oliveira Supervisores: Prof a . M.S. Rosemary de Araújo Gomes Prof. M.S. Adilson Jayme de Oliveira Membros da Banca:

Brasília (DF) Brasil

Prof a . M.S. Larissa Q. Medeiros de Oliveira Prof a . Caroline Jerke Prof. Dr. Bernardo Celso R. Gonzalez Prof. Dr. Reinaldo Lopes Morata Prof a . Thais Assis Gaspar de Carvalho

Data da Defesa: 25/06/2010

ÍNDICE

 

4.6 Valores

26

 

4.7 Análise de mercado

26

RESUMO

8

4.7.1.

Análise SWOT

27

1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA

9

4.8

Plano de marketing

28

2. OBJETIVO

10

4.8.1 Produto

28

3. RECOMENDAÇÃO TÉCNICA

11

4.8.2 Preço

28

 

3.1 Descrição e localização da granja

11

4.8.3 Ponto

29

3.2 Aquisição das pintainhas e manejo na fase de cria

13

4.8.4 Promoção

29

3.3 Manejo na fase de recria

14

5. ESTUDO DE CASO

29

3.4 Debicagem

14

5.1

Espécie

29

3.5 Manejo na fase de postura

15

5.2.

Localização

30

3.5.1 Equipamentos

15

5.3

Implantação do galpão

31

3.5.2 Seleção das codornas

15

5.4

Gaiolas

32

3.5.3 Programa de luz

16

5.5.

Esterqueira e fossa séptica

33

3.5.4 Coleta de ovos e monitoramento da produção

16

5.6.

Alojamento e sala de estoque

33

3.5.5 Descarte das matrizes

17

5.7

Produção

33

3.6 Nutrição, alimentação e arraçoamento

17

5.8

Programa de luz

34

3.7 Manejo da granja

18

5.9

Limpeza e desinfecção

34

3.8 Ambiência

19

5.9.1

Sanidade das codornas

35

3.9 Principais doenças

19

5.10. Alimentação das codornas

35

3.9.1 New castle

19

5.10.1 Consumo da ração

35

3.9.2 Bouba aviária

20

5.10.2. Consumo de água

36

3.9.3 Coccidiose

21

5.11 Venda

dos ovos

36

3.9.4 infecciosa

Coriza

21

5.12 Venda

do esterco

36

3.9.5 Marek

21

5.13 Descarte

37

3.9.6 Gumboro

22

6. COEFICIENTES TÉCNICOS

37

3.10

Biosseguridade

22

7. CONCLUSÃO

40

3.10.1

Vacinação

23

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

41

4.

PLANO DE NEGÓCIO

24

4.1 Identificação da empresa

24

LISTA DE FIGURAS:

 

4.2 Estrutura organizacional da empresa

24

4.3 Objetivos da empresa

25

Figura 1: Vista mostrando a orientação do galpão

12

4.4 Visão

25

Figura

2: Debicador

15

4.5 Missão

25

Figura 3: Estrutura organizacional da empresa

25

8

Figura 4: Codorna japonesa

30

RESUMO

Figura 5: Acesso a Chácara Dallas

31

Viabilidade técnica da implantação de uma granja de codornas

Figura

6: Gaiola

32

japonesas na região de Brazlândia- DF

LISTA DE TABELAS:

Lincoln Pereira de Brito 1

Tabela 1: Distâncias sugeridas para isolamento da granja

11

Larissa Queiroz Medeiros de Oliveira 2 Caroline Jerke 3

Tabela 2: Análise SWOT para Codornas Dallas

27

Reinaldo Lopes Morata 4

Tabela

3: Exigências nutricionais

36

Bernardo Celso R. Gonzalez 5

Tabela 4: Local, construções e

37

Thais Assis Gaspar de Carvalho 6

Tabela 5: Máquinas e equipamentos

38

Tabela 6: Insumos e embalagens dos

38

Objetivou-se com este trabalho analisar a viabilidade técnica da

Tabela 7: Materiais e utensílios de limpeza

38

implantação de uma granja de codornas japonesas (Coturnix

Tabela 8: Funcionários e seus encargos

38

coturnix japônica) para produção de ovos na Chácara Dallas,

Tabela 9: Mão de

39

Brazlândia-DF. O manejo adotado na granja será de criação das

Tabela 10: Manutenção do veículo

39

codornas de postura em gaiolas sobrepostas de 5 andares e com

Tabela

11: Produção

39

perspectiva de produção de 81.600 cartelas de 30 ovos/ano. O produto será vendido diretamente em bares, restaurantes, hotéis, mercados e feiras. Após o estudo realizado para o planejamento, constatou-se que a coturnicultura no Distrito Federal é uma atividade tecnicamente viável para a região.

PALAVRAS-CHAVE: Coturnicultura, produção, ovos e planejamento

1 Aluno de graduação do Dept. Agronomia/UPIS, e-mail: lincoln-brito@hotmail.com

2 Eng. Agroª., Prof a . Dept. de Agronomia/UPIS, e-mail: carol@agronoma.eng.br

3 Zootecnista, M.Sc., Prof. do Dept. Agronomia/UPIS, e-mail: larissazoo@yahoo.com.br

4 Zootecnista., D.Sc., Prof. do Dept. Agronomia/UPIS, e-mail: rlmorata@hotmail.com

5 Matemático., D.Sc., Prof. do Dept. Agronomia/UPIS, e-mail: bcgonzalez40@hotmail.com

6 Zootecnista., Prof a . Dept. de Zootecnia/UPIS, e-mail: thaiszootec@yahoo.com.br

9

1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA

Atualmente a produção avícola ocupa um grande espaço na produção agropecuária brasileira. As pesquisas de mercado demonstram que o consumidor tem se tornado mais exigente em termos de qualidade nutritiva, sanitária e do sabor do alimento que consome, dispondo-se a pagar um preço elevado por um produto superior (ROSA et al., 2000). O bom

desempenho da avicultura nacional traz consequências positivas, também, na criação de codornas, considerada alternativa de destaque para pequenos, médios e grandes produtores, abrangendo o sistema da alta tecnologia (ALBINO; BARRETO, 2003).

A coturnicultura desenvolvida de forma correta e com

planejamento, é uma atividade lucrativa, pois demanda poucos

recursos financeiros e tem um retorno garantido em curto espaço de tempo (ALBINO; BARRETO, 2003).

O consumo de ovos de codorna cresce gradativamente

em todas as classes sociais, por ser um produto diferenciado do

ovo de galinha, no que diz respeito ao tamanho e sabor. Além de ser utilizado em pratos simples e também em pratos finos e sofisticados, o ovo de codorna tem a vantagem de poder ser usado em conservas agregando valor ao produto (VILLELA,

2006).

A coturnicultura possibilita produção de codornas para

corte, para produção de ovos férteis e ovos para consumo, sendo necessárias instalações e manejo apropriados para cada tipo de atividade. O produtor deve visar à importância do estudo de mercado para consumo de seu produto, sendo o mais promissor a venda de ovos para restaurantes, bares, mercados e etc. (FABICHAK; MOLENA, 1985). Existe também a possibilidade de venda de ovos férteis para atender a demanda de granjas para cria e recria (VIEIRA, 1996).

10

O consumo de ovos e carne de codorna agrada o mercado consumidor pelos sabores exóticos que são diferenciados de outras espécies avícolas. De acordo com Villela (2006) a crescente demanda, aumenta o interesse pela produção de codornas. Já Albino e Barreto (2003) afirmam que a criação de codornas desperta grande interesse por alguns fatores preponderantes como:

crescimento rápido, maturidade sexual precoce (35 a 42 dias); alta produtividade (300 ovos/ano em média) e pequeno espaço ocupado. Segundo Fabichak (2004) as codornas japonesas (Coturnix coturnix japonica) estão muito bem adaptadas ao Brasil e possuem uma grande vantagem na criação, que é o baixo consumo de ração de aproximadamente 30g por dia. O empreendimento demanda baixo investimento inicial para a implantação da granja e um espaço relativamente pequeno dependendo do plantel (CORRADELO, 1990). Entre os fatores que contribuem com o sucesso do empreendimento, destacam- se o manejo correto e mercado consumidor para os produtos. As granjas de codornas podem ser grandes empresas integradas ou pequenas granjas familiares (OGUCHI et al., 1998). Vale ressaltar, que o manejo correto inclui obter animais de produtores idôneos, fazer um controle sanitário eficiente, utilizar dieta balanceada e fabricada a partir de alimentos seguros e que atendam as exigências dos animais.

2. OBJETIVO

Implantar uma granja comercial de produção de ovos de codorna, verificando a viabilidade técnica deste empreendimento.

11

3. RECOMENDAÇÃO TÉCNICA

3.1 Descrição e localização da granja

Segundo Albino e Barreto, (2003), para implantação da granja devem-se levar em consideração fatores técnicos sobre localização da granja coturnícola, dentre as quais: facilidade de abastecimento, o escoamento da produção de ovos e vias de acesso. O galpão deve apresentar boa ventilação, energia elétrica, local afastado de alagamentos, sem exposição aos ventos fortes, próximo de centros consumidores. Os mesmos autores informam que devido à sensibilidade das codornas a barulhos, presença de pessoas estranhas e para a prevenção a doenças, a granja deve ser afastada de rodovias, ferrovias, zona urbana e de outras explorações do tipo, algumas distâncias são sugeridas na tabela

1.

Tabela 1: Distâncias sugeridas para isolamento da granja.

Isolamentos externos e internos

Distâncias

Da granja ao abatedouro Entre granjas Entre galpões Do galpão a estrada Entre núcleos de diferentes idades Entre recria e produção Entre galpões de mesma idade

5-10km

3 km

200m

500m

100m

300m

25-50m

Fonte: Martins (1995).

12

Segundo Albino e Barreto, (2003), o galpão deve ter as seguintes características: o pé direito deve ser compatível com a largura da granja, com objetivo de proporcionar boa iluminação, ventilação adequada para renovação dos gases de amônia e fornecimento de bom conforto às aves, a estrutura pode ser de alvenaria, metálica ou de madeira, ou conjugadas. O galpão deve ser construído no sentido leste-oeste, com sua face voltada para o lado norte sul, permitindo que os raios solares incidam, principalmente, sobre o telhado e impedindo que penetrem no interior das instalações, conferindo conforto às codornas (figura 1).

instalações, conferindo conforto às codornas (figura 1). Figura 1: Vista mostrando a orientação do galpão Fonte:

Figura 1: Vista mostrando a orientação do galpão Fonte: Portal de veterinária (2010).

As coberturas podem ser de telhas de barro, cimento amianto e metálicas, os beirais devem ser projetados de forma a evitar a penetração de raios solares, vento ou chuvas. O lanternim tem o objetivo de promover a saída de ar quente do galpão para fora durante os dias de calor intenso, processo denominado convecção (TEIXEIRA, 1997). Fachada norte e sul podem ser de 1,6 a 1,9 metros de altura, ou mureta de 0,4 metros, sendo preenchido o restante com tela de arame galvanizado ou totalmente fechado de

13

alvenaria, isso se o local tiver mudanças bruscas de temperatura. O objetivo das telas é de evitar a fuga das codornas, entrada de aves invasoras e predadores. Fachada leste e oeste: pode ser preenchida totalmente de alvenaria indicado para regiões frias ou do mesmo tipo da fachada norte e sul com telas e cortinas, sendo indicado para regiões quentes (TEIXEIRA, 1997). Cortinados de polietileno da mesma altura da tela, sendo móveis que permitam a abertura de cima para baixo. O piso deve ser de cimento liso ou rugoso com declividade de 1,5%, para facilitar o escoamento da água após a lavagem e desinfecção (ALBINO; BARRETO, 2003). A calçada deve ser de cimento rugoso com largura de aproximadamente 1,5 metros de largura, com objetivo de facilitar a limpeza do local. As laterais devem ser gramadas e arborizadas, com objetivo de permitir um maior conforto térmico às codornas e também com função de quebra ventos através das árvores. Instalações hidráulicas e elétricas são de suma importância na criação de codornas, pois servem para aquecimento, refrigeração, iluminação, limpeza e desinfecção dos equipamentos (VIEIRA, 1996). Fossa séptica servindo para descarte de aves mortas e ovos desclassificados, devendo ser construídas em uma distância no mínimo de 200 metros. Já a esterqueira é destinada ao depósito de excrementos para que possam ser curtidos, devendo ser também construído afastado da granja. Salas anexas devem ser construídas com o objetivo de depósito de rações e caixas de ovos (ALBINO; BARRETO, 2003).

3.2 Aquisição das pintainhas e manejo na fase de cria

O manejo na fase de cria da codorna para postura compreende do nascimento até os 21 dias de idade, sendo criadas no sistema em piso, na densidade de 80 a 100 aves/m²,

14

sendo esta densidade para as codornas japonesas (Coturnix coturnix japonica), (ALBINO; BARRETO, 2003). Os mesmos autores afirmam que os equipamentos utilizados na fase de cria são: bebedouros do tipo pressão, comedouros do tipo bandeja, ou sino, suporte para bebedouros e aquecimento oriundo de gás ou energia elétrica.

3.3 Manejo na fase de recria

Segundo Albino e Barreto, (2003), o manejo na fase de recria no sistema em piso compreende dos 22 aos 35 dias de idade. Aos 22 dias as codornas são transferidas para os galpões de recria até atingirem os 35 dias de idade quando são conduzidas para o galpão de postura. Nesta fase são utilizados bebedouros pendulares ou do tipo sino e comedouros pendulares com capacidade média de

5kg.

3.4 Debicagem

A debicagem é um processo que consiste na remoção e cauterização da ponta do bico da codorna, o mesmo é realizado com o auxílio de um aparelho debicador, constituído de uma lâmina cortante e candente. A debicagem tem como objetivo prevenir o canibalismo, desperdício de ração e bicagem dos ovos (ENGLERT, 1998). Segundo Oliveira (2002) é recomendado duas debicagens, sendo a primeira leve aos 12 dias e a segunda aos 30 a 35 dias de idade, para transferência ao galpão de postura. Este processo deve ser realizado com precisão (figura 2) para que não danifique o bico da codorna tornando-a inviável no plantel.

15

15 Figura 2: Debicador Fonte : Wingsltda (2009). 3.5 Manejo na fase de postura 3.5.1 Equipamentos

Figura 2: Debicador Fonte: Wingsltda (2009).

3.5 Manejo na fase de postura

3.5.1 Equipamentos

O sistema de criação em bateria consiste em quatro a

cinco gaiolas sobrepostas, com espaçamento de

aproximadamente 15 centímetros (VIEIRA, 1998).

O mesmo autor afirma que, para a postura, recomenda-

se gaiolas de arame galvanizado padronizadas nas medidas 100 x 30 cm (alojando 30 aves). As baterias devem ser equipadas com comedouros do tipo calha em forma de “V”, bebedouros em forma de “U” para reposição diária ou do tipo niplle que possibilita obter melhor qualidade da água, economia e maior controle dos medicamentos. As baterias devem estar até 1,5 metros de distância do teto do galpão e as bandejas de recolhimento dos dejetos devem estar espaçadas para facilitar a ventilação, eliminação da amônia e secagem dos dejetos (ALBINO; BARRETO, 2003).

3.5.2 Seleção das codornas

16

A seleção de codornas japonesas é entre 21 e 35 dias de idade. A ave deve passar por uma sistemática seleção para verificar seu peso, que deverá ser de no mínimo 90 gramas, estas serão designadas codornas de elevado índice de postura. As aves com peso estimado entre 80 e 90 gramas são de mediana produção. Aquela cujo peso não alcance 80 gramas são designadas como codornas de baixo potencial produtivo, devendo ser descartadas (ALBINO; BARRETO, 2003).

3.5.3 Programa de luz

O programa de luz tem como objetivo estimular, acelerar e sincronizar maturidade e a função reprodutiva,

visando produção de ovos de forma eficiente. Recomenda-se a exposição das aves a luz (natural e artificial) em torno de 16 a

17

horas diárias. A luz artificial deve ser acrescentada de 15 a

30

minutos semanalmente até atingir o pico de luz necessário

(ALBINO; BARRETO, 2003). Os mesmos autores afirmam que as luzes devem ser acesas na madrugada antes do amanhecer e ao final da tarde para que possa ser apagada a noite, pode-se optar por acender as luzes somente à noite ou na madrugada.

3.5.4 Coleta de ovos e monitoramento da produção

Segundo Albino e Barreto, (2003), as coletas dos ovos são realizadas duas vezes ao dia, a primeira às 7h da manhã, após o fornecimento da ração, e a segunda coleta às 18h. Os mesmos autores afirmam que logo após a coleta, os ovos deverão ser selecionados e embalados em caixas próprias para 30 ovos e, após, embalados em caixas com 50 dúzias. As vendas dos ovos deverão ser em curto espaço de tempo, para a melhor qualidade do produto.

17

O monitoramento da produção consiste na aquisição das codornas que deverão ser de produtores idôneos. O peso corporal das codornas é de grande importância e está correlacionado com produção dos ovos, devendo ser de aproximadamente 100g aos 40 dias de vida, para que apresente índices satisfatórios de produção. A temperatura de 28°C e umidade relativa de 50 a 70% são importantes para uma produção de 300 ovos/ave/ano. A alimentação, o manejo do arraçoamento, assim como, frequência e horários do abastecimento dos comedouros e água a vontade são fatores que interferem na produção e peso dos ovos (ALBINO; BARRETO, 2003).

3.5.5 Descarte das matrizes

O momento de descarte das codornas pode ser através de um eficiente controle e monitoramento da produção. Geralmente, após um ano de atividade, torna-se inviável a permanência das codornas, pois a produção é linearmente reduzida. As aves descartadas podem ser vendidas vivas para o abate ou vendidas já abatidas (VIEIRA, 1998).

3.6 Nutrição, alimentação e arraçoamento

Conforme Albino e Barreto, (2003), a ração na fase inicial é fornecida até 21 dias de idade, devendo possuir elevado nível protéico, ser rica em aminoácidos e alto nível de energia, com o objetivo de otimizar o crescimento e desenvolvimento imunológico das codornas. O nível é de 24 a 25% de proteína bruta, de 2.900 a 3.000 kcal de EM/kg. Nesta fase é necessário o acréscimo de coccidiostáticos na ração, devido à permanência das codornas no piso, para prevenir o aparecimento da doença, estes medicamentos são presentes no suplemento mineral ou vitamínico.

18

Ainda, conforme os mesmos autores, a ração na fase de crescimento é fornecida com intuito de redução de custos, pois após 21 dias de idade são menos exigentes de nutrientes, neste caso recomenda-se a formulação de ração contendo 21 a 23% de proteína bruta e de 2.800 a 3.100 kcal/kg de EM/kg. A ração para a fase de postura é fornecida aos 40 dias de idade, possui alto nível de cálcio, apresenta três vezes o nível utilizado na fase inicial e de crescimento. Os níveis nutricionais recomendados são: 18 a 20% de proteína bruta e 2.750 a 2.850 kcal de EM/kg (ALBINO; BARRETO). Conforme Albino e Barreto, (2003), na fase de cria e recria a ração pode ser fornecida a vontade, mas na fase de postura a ração deve ser fornecida três vezes ao dia, a primeira às 7h, a segunda às 11h e por último às 17h, devido ao menor desperdício de ração, esse manejo mantém o comedouro abastecido a um terço de sua capacidade. Se houver troca da ração a mesma deve ser fornecida gradativamente, evitando o estresse das codornas, consumo desequilibrado e alterações na produção.

3.7 Manejo da granja

Na criação das codornas em baterias, é necessária a coleta dos dejetos na bandeja a cada dois dias, para evitar à formação de gases amoniacais nocivos as aves. Nesta coleta utiliza-se um carro de mão para o transporte dos dejetos até a esterqueira. O esterco poderá ser utilizado na propriedade ou ser vendidos em sacos de um a cinco quilos, sendo uma fonte de renda extra ao produtor (FABICHAK, 2004).

3.8 Ambiência

19

O objetivo do galpão ou abrigo para as codornas é a

proteção contra temperaturas altas e baixas, ventos e chuvas. As janelas servem para clarear o ambiente com luz natural e para facilitar a circulação e a renovação do ar.

As janelas devem medir 1x1m e a uma distância de 1,20

a 1,50m do piso do galpão. A ventilação é importante na coturnicultura, pois mantém o ambiente com o ar renovado,

elimina gases amoniacais e carbônicos, diminui temperatura interna do galpão mantém os níveis adequados de umidade (VIEIRA, 1996).

A ventilação pode ser: natural, baseada na diferença da

temperatura interna do galpão e a temperatura exterior (utilizando galpões com laterais abertas e manejo de cortinas ou galpões com janelas), e ventilação forçada com pressão positiva ou negativa (ventiladores e exaustores) (VIEIRA,

1996).

3.9 Principais doenças

As codornas são resistentes a doenças que são comuns em outras aves, mas por outro lado é necessário ter um maior cuidado nas primeiras semanas de vida, evitando a umidade no abrigo (CORRADELO, 1990). As doenças mais freqüentes nas codornas independente da idade são: new castle, coccidiose, coriza infecciosa, doenças crônicas respiratórias (DCR), estas tidas como doenças contagiosas (CORRADELO, 1990).

3.9.1 New castle

Segundo Back (2004) a doença de new castle é uma doença viral, aguda, altamente contagiosa de ave para ave que

20

compromete criações comerciais e domésticas, com sinais respiratórios (tosse, espirro) freqüentemente seguidos por manifestações nervosas, esta doença é causada pelo vírus paramyxovírus aviário tipo I. Conforme Albino e Barreto, (2003), os sinais clínicos são anorexia, dispinéia, descarga nasal e ocular, conjuntivite e tremores, esta doença compromete a produção de ovos, geralmente pela produção de ovos sem casca, a taxa de mortalidade é variável. Conforme Vieira (1998) a prevenção da doença de new castle é realizada com a vacinação, que deve ser feita quando a codorna está com três a sete dias de idade. A vacina é fornecida às codornas na água de beber, é recomendada em casos em que já ocorreram na região. De acordo com Back (2004), a prevenção da doença de new castle inicia com a criação em local livre da doença mantido em regras de manejo, sanidade, isolamento e biosseguridade.

3.9.2 Bouba aviária

A Bouba aviária é transmitida por insetos que ao picar uma ave doente contaminam-se e picam outras aves sadias, disseminando o vírus borreliota avium, comprometendo aves com idade média, e consequentemente a produção. Os sinais clínicos são erupções cutâneas próximo aos olhos, tornando a pele da região de tonalidade pálida (VILLELA, 2006). A prevenção é realizada evitando umidade, má ventilação, frio, ventos e sujidades (VIEIRA, 1998). A ocorrência de codornas com sintomas da doença deverá ser eliminada, para evitar a contaminação do restante do plantel e fazer o monitoramento (VILLELA, 2006).

3.9.3 Coccidiose

21

A coccidiose é causada pelo protozoário do gênero

eimeria, que se localiza no trato intestinal das aves em geral, causa danos nos tecidos, com sinais clínicos principalmente de anorexia, peito seco, reduçăo da absorçăo de nutrientes, desidrataçăo, perda sanguínea e aumento da suscetibilidade a

outras doenças (VIEIRA, 1998).

A transmissão é causada pela ingestão de oocistos

predominantes principalmente nas excretas das aves, na água e alimentos. O controle da doença é principalmente pelo emprego de coccidiostáticos nas rações que são fornecidas às aves criadas no piso, local onde o nível de infecção do protozoário causador da doença é maior (BACK, 2004). Os coccidiostáticos empregados nas rações é dado na proporção de 50g para 100 kg de ração.

3.9.4 Coriza infecciosa

A coriza infecciosa causada por bactéria hemófila é

caracterizada por secreção nasal, seguida de secreção amarelada com odor desagradável e diminuição do consumo da

água e ração. As mucosas quando secam, obstruem as cavidades nasais e interrompem a respiração, causando morte das codornas por asfixia (CORRADELO, 1990).

O tratamento é pelo fornecimento de antibióticos nos

comedouros e bebedouros com amplo espectro (eritromicina), a ação deve ser imediata, pois a doença propaga-se rapidamente (CORRADELO, 1990).

3.9.5 Marek

Marek é uma doença infecciosa que causa tumores nos nervos, na pele, baço, fígado e órgãos reprodutores. A

22

transmissão é por vias respiratórias de codornas e outras aves com a doença. O agente causador da doença é um herpesvírus,

o controle se dá pela limpeza e desinfecção do local, reduzindo

o número de pares do vírus (BACK, 2004). Para prevenção da doença, recomenda-se a vacinação das codornas com a cepa HVT, no primeiro dia de vida (ALBINO; BARRETO 2003).

3.9.6 Gumboro

Consiste em uma virose que afeta aves de várias idades, os sinais clínicos são diarréia, depressão, cristas pálidas, hemorragias musculares e edemas, o agente causal da doença é um vírus RNA (fita dupla), que possui alta resistência no ambiente, a prevenção é por meio de vacinas com vírus inativado, proporcionando imunidade passiva as aves, (BACK,

2004).

3.10 Biosseguridade

Biosseguridade é o desenvolvimento e implantação de um conjunto de normas operacionais que terão a função de proteger os animais contra a introdução de quaisquer tipos de agentes infecciosos (MORETI, 2009). Os métodos utilizados na biosseguridade são:

Isolamento: Manejo dos animais em um ambiente controlado, utilização de cercas mantendo outros animais afastados da granja, uso de telas para impedir a entrada de aves migratórias e outros pássaros silvestres. Sistema tudo dentro tudo fora, consiste em população entre lotes para que haja tempo de limpeza e desinfecção, para quebrar o ciclo de algumas doenças. Controle de trânsito de fluxo: controle de entrada de pessoas na granja para evitar doenças nas aves.

23

Limpeza e desinfecção: realizado em pessoas, galpões,

equipamentos e

Trânsito de veículos: veículos utilizados para cada setor

de produção e utilização de arcos de desinfecção para evitar a

contaminação da granja. Entrada de lotes: aquisição de aves sadias, programa de vacinação, controle de parasitas e doenças.

outros materiais.

3.10.1 Vacinação

Conforme Vieira (1998) as codornas são resistentes a muitas doenças comuns em outras aves, mas são necessárias medidas sanitárias rigorosas, possibilitando sanidade e conforto às aves. A vacinação preventiva é recomendada para que evite

a ocorrência de doenças no plantel, mas deverá ser

acompanhada e recomendada por médico veterinário. Os medicamentos são indispensáveis e devem ser empregados somente quando necessários. A vacina utilizada pelo método de injeção pode ser por vias intramuscular, subcutânea, endovenosa e etc. A resposta do tratamento por esse método é dada em 24h, mas demanda maior mão-de-obra e tempo e causa estresse e ferimentos no trabalho da contenção e captura das codornas. Por esses motivos só é recomendada em casos de mortalidade considerável e tratamento rápido. A vacina diluída na água de beber possui maior praticidade e de manejo facilitado em grande número de codornas e resposta ao tratamento em três a quatro dias. O método de mistura do medicamento no alimento das codornas, em geral a resposta ao tratamento é dado em cinco a oito dias, mas somente é viável o emprego desse método para a prevenção da doença quando as codornas são sadias, pois quando doentes elas consomem menor quantidade de ração (VIEIRA, 1998).

24

4. PLANO DE NEGÓCIO

4.1 Identificação da empresa

Identificação: Granja de Codornas Dallas-ME Nome fantasia: Codornas Dallas Endereço: Rodeador Brazlândia-DF Cidade: Brazlândia-DF CEP: 72000000

Endereço eletrônico: codornas_dallas@hotmail.com CNPJ: 00000000/0000-00 Inscrição: 00.000.000

N° de funcionários: dois (2)

Atribuição do empreendimento: Produção de ovos de codornas Público alvo: Comércio varejista

4.2 Estrutura organizacional da empresa

A estrutura organizacional desta empresa (figura 3)

consiste em definir como desempenhar o trabalho de forma eficiente para o bom andamento da empresa de forma bem planejada, organizada, controlada e dirigida. As funções de cada membro da empresa são apresentadas a seguir:

Proprietário: Responsável técnico e gerente da granja de codornas. Empregado 1: Encarregado do manejo dos animais Empregado 2: Encarregado da limpeza da granja de e serviços gerais.

Responsável técnico e gerente Empregado 1 Empregado 2
Responsável técnico
e gerente
Empregado 1
Empregado 2

25

26

4.6

Valores

Acima de tudo, consumidor satisfeito com o produto, atendimento aos clientes, seriedade, produto de qualidade, sustentabilidade e funcionários capacitados.

4.7 Análise de mercado

Figura 3: Estrutura organizacional da empresa.

4.3 Objetivos da empresa

A empresa pretende alcançar metas de vendas satisfatórias para sua estabilidade no mercado e abastecimento do comércio varejista visando o sucesso da mesma e tornar-se líder de mercado como uma empresa empreendedora. A empresa produzirá ovos de codornas in natura embaladas em bandejas de trinta (30) unidades de ovos, de acordo com as normas de sanidade impostas pela ANVISA e o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) e Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SEAPA).

4.4 Visão

A empresa se tornará líder de mercado devido sua organização, qualidade dos produtos, ética, empreendedorismo e desenvolvimento sustentável.

4.5 Missão

Atender aos pedidos do consumidor, com ovos de codorna de qualidade, fazendo com que a empresa mantenha-se em crescimento, atendendo a demanda de forma eficiente e contribuindo para a satisfação do cliente.

A criação de codornas (coturnicultura) tem apresentado um desenvolvimento bastante acentuado nos últimos tempos. Os principais fatores que contribuem para isso são: o excepcional sabor exótico do ovo, responsável por iguarias finas e sofisticadas, o baixo custo de implantar uma pequena criação podendo tornar-se fonte de renda dos pequenos produtores rurais. Do lado técnico-econômico, torna-se ainda mais atrativa, ao verificar-se o rápido crescimento e alcance da idade de postura, a elevada prolificidade e o pequeno consumo de ração. A rentabilidade está em torno de 8% a 10% do capital investido durante o ano todo, porque há época em que atividade gera lucro e há época em que pode ocorrer prejuízo. É importante observar a escala de produção, pois o maior volume torna a atividade mais lucrativa, (AVICULTURA INDUSTRIAL, 2009). As demandas evidenciadas são principalmente o atendimento aos hotéis, bares e restaurantes que são grandes centros de revenda deste produto. A empresa deve produzir os produtos (ovos de codorna) com elevada qualidade para atender com eficiência o público alvo. A demanda potencial que a empresa tem que suprir é o atendimento dos grandes centros que revendem o produto. Os concorrentes são as empresas que exploram a mesma atividade em questão, no caso as granjas de codornas que produzem ovos em larga escala com reconhecimento no mercado, no caso da região, localiza-se uma de grande importância no INCRA 8 em Brazlândia-DF.

27

As mercadorias dos concorrentes podem ser do mesmo padrão. Os pontos fortes da concorrência podem ser, por exemplo, elevação do nível de qualidade dos produtos, facilidades de venda dos produtos ao público (venda para pagamento parcelado). Os pontos fracos podem ser o não cumprimento nos prazos de entrega, produtos fora de padronização. Os fornecedores são as empresas que fornecem os insumos para rações das codornas, embalagens, casas agropecuárias que vendem medicamentos e outros tipos de insumos e lojas de uniformes para os funcionários. As facilidades podem ser a entrega dos produtos na propriedade, e qualidade dos produtos e pagamento a prazo.

4.7.1. Análise SWOT

É uma matriz simples que é usada há muitos anos como demonstrativo básico. Esta análise mostra resultados qualitativos de aspecto positivo e negativo da empresa (os produtos) e auxilia na percepção de variáveis controláveis e incontroláveis as quais facilitam a análise feita em quadrantes, e em cada quadrante, trabalha-se entre 4 a 6 tópicos. Através da análise SWOT, observa-se pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades (tabela 2).

Tabela 2: Análise SWOT para Codornas Dallas.

 

Pontos Fortes

Pontos Fracos

-Contatos com os fornecedores e clientes; - Produtividade;

- Custo de produção alto; - Insumos da ração de baixa qualidade; - Substituição pelo ovo de galinha;

Adoção de tecnologias; - Valor cultural do produto.-.

-

- Concorrência com grandes produtores.

 

Oportunidades

Ameaças

-Mercado em crescimento; - Produto diferenciado;

- Redução de poder de compra; - Concorrentes desleais;

-

Divulgação do produto;

- Queda do preço no mercado. -Doenças

- Produto com alto poder de aceitação.

28

4.8 Plano de marketing

4.8.1 Produto

Os ovos de codornas produzidos serão comercializados em bandejas de plástico contendo trinta (30) unidades de ovos selecionados seguindo aos padrões de qualidade exigidos pelos órgãos fiscalizadores competentes (ANVISA e o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento). A granja de codornas Dallas pretende alcançar a meta de atender todos os tipos de consumidores produzindo ovos de codornas de qualidade, bom atendimento à demanda e dando importância ao alimento que pode ser consumido por todas as pessoas principalmente pelo seu valor nutricional e por preço acessível a todos.

4.8.2 Preço

O preço do produto será primeiramente imposto pelo mercado, que consequentemente resume-se ao poder de compra dos consumidores ou pela lei da oferta e da procura. Baseado nesse critério a empresa definirá o preço dos ovos de codorna com a ressalva de que o preço deve cobrir os custos de produção, promoção, distribuição do produto e oferecimento da margem de lucro. Os aspectos que influenciarão no preço dos ovos de codornas são os custos de produção, promoção, distribuição e despesas burocráticas da empresa. As estratégias que serão adotadas pela empresa são as comparações dos preços definidos pela concorrência e o quanto gastará para produzir uma bandeja de ovos de codornas para que no final atribua-se o preço para a comercialização no mercado consumidor. As condições de pagamentos são variadas, serão por meio de boletos bancários, cheques mediante consulta, cartões de crédito, debito e dinheiro.

4.8.3 Ponto

29

O ponto de venda poderá ser o próprio local de produção e feiras importantes. Após concretizada a venda, o produto será entregue de acordo com os padrões de qualidade e prazo conforme combinado.

4.8.4 Promoção

Serão realizadas visitas para divulgação do produto junto aos possíveis clientes. Nessa ocasião serão entregues folders promocionais e divulgada a granja e sua produção Será desenvolvido um rótulo que irá fazer parte da embalagem do produto contendo os valores nutricionais do alimento e buscando consolidar junto ao consumidor a imagem de qualidade associada ao produto.

5. ESTUDO DE CASO

5.1 Espécie

As espécie escolhida para o projeto é a codorna japonesa (Coturnix coturnix japonica), essa espécie destaca-se pela precocidade no crescimento, postura, menor consumo de ração, maior rendimento de postura (aproximadamente de 85%, na exploração de 12 meses), atingem peso superiores a 100 gramas. Serão adquiridas 10.000 codornas a cada ano com idade de 35 dias, vindas de produtor idôneo, com qualidade e livres de agentes patogênicos. A idade foi escolhida devido a diminuir a mão de obra na fase de cria, no qual as codornas nessa fase precisam de manejo delicado, gasto elevado e mortalidade considerável. A codorna japonesa (figura 3) atinge postura significativa em torno de 45 dias de idade e tornando viável sua

30

exploração até 12 meses de idade, após esse período é realizado o descarte, devido a queda de produção de ovos.

realizado o descarte, devido a queda de produção de ovos. Figura 4: Codorna japonesa Fonte: Recanto-Sonhomeu

Figura 4: Codorna japonesa Fonte: Recanto-Sonhomeu (2009).

5.2. Localização

O projeto será implantado em uma área de 5 hectares,

localizado na chácara Dallas (figura 5), Núcleo Rural

Alexandre Gusmão chácara 02, Brazlândia–DF.

O local do projeto é de fácil acesso, distância curta as

cidades de Taguatinga, Ceilândia e Brazlândia. Essas cidades possuem centros comerciais que demandam o produto (ovo de codorna): feiras, supermercados, restaurantes e bares.

31

31 Figura 5: Acesso a Chácara Dallas Fonte: Google Earth (2010). 5.3 Implantação do galpão O

Figura 5: Acesso a Chácara Dallas Fonte: Google Earth (2010).

5.3 Implantação do galpão

O galpão a ser implantado é de 192 m², (sendo 12 metros de largura por 16 metros de comprimento), com 2,5 metros de pé direito. As telhas a serem utilizadas são de cimento-amianto, pintadas de cor branca para evitar o aumento da temperatura interna do galpão. O galpão será todo fechado de alvenaria, com janelas para proporcionar conforto e ambiência para as aves. A temperatura média do interior do galpão poderá ser aproximadamente de 25°C, não sendo prejudicial para as codornas, conforme as instalações já mencionadas. As instalações elétricas e hidráulicas de boa qualidade atendendo a necessidade da granja.

32

5.4 Gaiolas

As gaiolas (figura 4) se dividem em 3 compartimentos

de 30 centímetros de comprimento por 25 de largura, com

capacidade para 10 codornas, no total a gaiola comporta 30 codornas

O sistema adotado será criação em gaiolas, com 5

gaiolas sobrepostas no comprimento de 14 metros. Serão necessárias 5 baterias de 2000 codornas cada, totalizando 10000 aves. Os bebedouros são lineares do tipo nipple, e comedouros lineares do tipo calha na parte central das gaiolas com reposição diária, bandejas coletoras de dejetos e aparadores de ovos, a vida útil será de 10 anos, e a reposição das aves será anual.

de ovos, a vida útil será de 10 anos, e a reposição das aves será anual.

Figura 6: Gaiola Fonte: Itaguaí (2009).

5.5. Esterqueira e fossa séptica

33

A esterqueira será implantada para depósito de dejetos

das aves, com 4 metros de comprimento por de 4 m de largura, coberta com telhas, totalizando uma área de 16 m 2 . Adotando um protocolo de desinfecção, a cada entrada de dejetos, será adicionado cal virgem para evitar odores e moscas.

A fossa será implantada com objetivo de deposição de

aves mortas e ovos impróprios para o consumo. A fossa será construída seguindo padrões técnicos e terá 1,5m de largura x 5,0m de comprimento x 3m de profundidade. A cada camada de codornas mortas e ovos impróprios será adicionada uma camada de cal, com objetivo de minimizar odores e auxiliar na decomposição.

5.6. Alojamento e sala de estoque

O alojamento possui condições de conforto ao funcionário com 1 quarto, sala, cozinha, banheiro e área de serviço, este alojamento é destinado para o funcionário que residir na propriedade. Ao lado da granja será implantada uma sala para estoque das rações, de embalagens, um banheiro para os funcionários e um vestiário.

5.7 Produção

De acordo com Murakami e Ariki, (1998), as codornas japonesas entram em postura a partir de 45 dias de idade, porém, seguindo o manejo correto da fase de recria, as aves são transferidas para as gaiolas de postura com aproximadamente 35 dias de idade, para que possam se adaptar e diminuir o estresse causado pelo espaço reduzido e não comprometam a

34

produção dos ovos ou tenham uma taxa de mortalidade aumentada. O rendimento na produção deverá ser de aproximadamente 85%, o que corresponde a 85 ovos produzidos a cada 100 codornas/dia. Adotando esse percentual de produção e levando em consideração a taxa de sobrevivência de 80%, a granja com 10 mil aves produzirá aproximadamente 6.800 ovos/dia, totalizando aproximadamente 204.000 ovos/mês ou 81.600 cartelas de ovos com 30 unidades/ano.

5.8 Programa de luz

Conforme Englert (1998) o programa de luz é o fator decisivo de lucratividade para o coturnicultor, já que permite a máxima produção de ovos em qualquer mês do ano. Segundo Vieira (1998), a claridade estimula o metabolismo e o apetite, e consequentemente a postura e o desenvolvimento das codornas. Na fase de recria será fornecida apenas iluminação natural, para que não haja antecipação da produção de ovos, resultando em morte das aves. Na fase de postura o programa de luz a ser adotado será de 17 horas luz/dia, sendo ligadas às luzes as 17: 30 horas e desligadas as 22:00 horas, e ligadas novamente as 5:00 horas e desligadas 6:30 horas, as lâmpadas sendo de preferência fluorescente, para maior economia de energia elétrica, sendo fornecidas 22 lúmens/m 2 .

5.9 Limpeza e desinfecção

De acordo com Fabichak (2004) o galpão deve ser limpo utilizando desinfetante a base de cloro, amônia quaternária ou iodo e sabão ou detergente neutro. Os comedouros não devem acumular restos de ração, evitando que sua fermentação ocasione algum dano a saúde da codorna. Os

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bebedouros assim como os comedouros serão lavados com água e sabão no mínimo uma vez por semana. Com a desocupação do lote de codornas, deve-se fazer o uso do lança- chamas, que será passado nas baterias de gaiolas, paredes e janelas, com o objetivo de eliminar agentes que possam comprometer a saúde das codornas. Após todos os procedimentos de limpeza e desinfecção, o galpão será fechado durante duas semanas (vazio sanitário), até a entrada de um novo lote de codornas.

5.9.1 Sanidade das codornas

As codornas adquiridas do produtor idôneo com 35 dias são vacinadas preventivamente contra a doença de new castle e utilizando um anticoccidiano de forma preventiva durante a fase de cria. Para prevenir demais doenças, a terramicina será fornecida via água de beber na proporção de 5g para cada 5 litros de água, 3 vezes por mês, proporcionando aspecto saudável às codornas. As demais doenças serão prevenidas adotando medidas de biossegurança.

5.10. Alimentação das codornas

5.10.1 Consumo da ração

As codornas japonesas consomem aproximadamente 30 gramas/dia de ração, e os ingredientes empregados nas rações como fonte de energia é principalmente o farelo de milho, a fonte de proteínas será o farelo de soja e o núcleo como fonte de minerais e vitaminas. De acordo com Murakami e Ariki, (1998) já é possível encontrar produtos que atendam as exigências nutricionais para codornas japonesas criadas no Brasil. Os valores para as fazes de recria e postura se encontram na tabela 3.

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Tabela 3: Exigências nutricionais

Exigências

Recria

Postura

Energia metabolizável (kcal/kg)

2800

3000

Proteína bruta (%)

18

20,6

Lisina (%)

1,15

1,19

Metionina (%)

0,35

0,45

Cálcio (%)

0,86

3,3

Fósforo disponível (%)

0,38

0,44

Sódio(%)

0

0,16

Cloro(%)

0

0,15

Fonte: Albino e Barreto (2003)

5.10.2. Consumo de água

A água será fornecida a vontade, tratada com cloro na proporção de 2 a 5 mg/l com eficiência contra bactérias, fungos e demais agentes que comprometam a saúde das aves.

5.11 Venda dos ovos

A produção de ovos se destinará a atender a demanda de restaurantes, bares, hotéis e mercados. Inicialmente a produção atenderá a demanda de restaurantes e bares, devido ao melhor pagamento aos ovos produzidos, mas conforme for aumentando a demanda, a granja aumentará o plantel, a produção e conseqüentemente o tamanho do galpão e instalações. As distâncias serão relativamente curtas, pois o local do projeto atenderá as cidades de Taguatinga, Ceilândia e Brazlândia.

5.12 Venda do esterco

O esterco se destinará a atender a demanda de floriculturas, pequenos produtores rurais e aos consumidores

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que possuem pequenas hortas em residências e para adubação de pequenos jardins.

5.13 Descarte

O descarte das codornas é realizado após 12 meses de produção dos ovos ou 14 meses de vida, quando a taxa de produção cai, tornando inviável a permanência das aves no galpão.

As codornas descartadas serão vendidas vivas no local da granja ou para granja que fornecerá as codornas de 35 dias. A codorna japonesa devido seu tamanho menor comparada com a codorna europeia será cotada com o menor preço, devido a qualidade da carne ser inferior.

6. COEFICIENTES TÉCNICOS

Os coeficientes técnicos utilizados para a produção de ovos de codornas, assim como, os materiais, equipamentos, insumos e tudo que será utilizado para a granja visando uma produção de 81.600 cartelas de 30 ovos/ano, a partir de 10.000 codornas adquiridas/ano encontram-se nas tabelas de 4 a 11.

Tabela 4: Local, construções e benfeitorias.

Descrição

Tamanho

Quantidade

Chácara Dallas Galpão Alojamento Galpão de estoque e ração Esterqueira Fossa

5 ha

1

192 m²

1

193 m²

1

194 m²

1

195 m²

1

196 m²

1

38

Tabela 5: Máquinas e equipamentos.

Descrição

Quantidade

Triturador

1

Misturador

1

Canecas para ração

2

Gaiolas completas

334

Carro de mão para ração

1

Carro de mão comum

1

Caixas plásticas

10

Botijão de gás 13kg

1

Balança Digital 30kg

1

Balança mecânica 150kg

1

Tabela 6: Insumos e embalagens dos ovos.

Descrição

Consumo kg/mês

Consumo kg/ano

Milho Farelo de soja Núcleo Calcário calcítico Fosfato bicálcico Sal Cartelas de 30 ovos

2625

31500

1500

18000

153

1836

225

2700

3

36

3,75

45

6800

81600

Tabela 7: Materiais e utensílios de limpeza.

Descrição

Unidade

Quantidade/ano

Vassouras

ano

6

Rodos

ano

6

Mangueira

m/ano

20

Detergente neutro

L/ano

20

Creolina

L/ano

2

Cal

sc/20kg

17

Tabela 8: Funcionários e seus encargos.

SALÁRIO

Descrição

QTDE

SALÁRIO (R$)

+ ENC.

Total Ano

 

SOCIAIS

Funcionários

2

510,00

645,43

15.490,40

Pró-labore

1

1.500,00

1.898,33

22.780,00

TOTAL 1

38.270,40

39

Tabela 9: Mão de obra.

Descrição

Hora/home Hora/homem/ano

Coleta e seleção dos ovos

113,3

1359,6

Retirada do esterco

60

720

Limpeza diária do galpão

60

720

Arraçoamento

15

180

Manejo dos animais

16,7

200,4

Fabricação da ração

22,5

270

Outros

32,5

390

Tabela 10: Manutenção do veículo Fiorino.

Veículos de transporte

Und

R$

Custo/km

Manutenção Fiorino

km

R$

R$

Amortecedor Filtro de ar Velas Correia Dentada Rolamento de roda Filtro de Combustível Oleo de Motor Filtro de óleo Combustível Pastilhas de freio Pneus Retificação de motor

80.000

250,00

0,00313

10.000

35,00

0,00350

60.000

50,00

0,00083

60.000

70,00

0,00117

40.000

125,00

0,00313

30.000

20,00

0,00067

10.000

80,00

0,00800

10.000

25,00

0,00250

12

2,77

0,23083

30.000

100,00

0,00333

50.000

800,00

0,01600

250.000

5.500,00

0,02200

Total

0,29508

Tabela 11: Produção

Descrição

Unidade

Quantidade

Cartelas de ovos Esterco (ton) Descarte de aves

ano

81600

ano

144

ano

8000

40

7. CONCLUSÃO

A implantação de uma granja para produção de ovos de codorna na Chácara Dallas na região de Brazlândia-DF apresenta-se tecnicamente viável com produção de 81.600 cartelas de 30 ovos/ano com 10.000 aves adquiridas/ano. A criação de codornas para produção de ovos poderá ser realizada por grandes produtores tecnificados ou pequenos produtores, mas que seja conduzido com higiene, profilaxia e biossegurança, obtendo qualidade no produto para consumidor. A atividade pode ser uma fonte de renda extra para pequenos produtores rurais por demandar baixo investimento e pequeno espaço para a criação.

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8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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47 UPIS – Faculdades Integradas Departamento de Agronomia

UPIS – Faculdades Integradas Departamento de Agronomia