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Cultivo de alface sob uso de diferentes tipos de cobertura de solo.

Damiana Cleuma de Medeiros1; Welder de Araújo Rangel Lopes1; Júlio César do Vale
Silva1; Alex Brito Maia1
1
UFERSA – Universidade Federal Rural do Semi-Árido – Núcleo de Pós Graduação, BR 110, Km 47, Bairro
Presidente Costa e Silva, CEP: 59625-900. E-mail: damianacm@hotmail.com

RESUMO
Objetivou-se avaliar o desempenho de duas cultivares de alface sob o uso diferentes
coberturas de solo. O delineamento experimental foi o de blocos casualizados completos
com doze tratamentos, em esquema fatorial 2 x 6, com quatro repetições. O primeiro fator:
cultivares de alface (Tainá e Maravilha de Verão) e o segundo fator: tipos de cobertura de
solo (raspa de madeira, pó de madeira, casca de arroz, bagaço de cana-de-açúcar, palha de
carnaúba e o solo descoberto). O bagaço de cana-de-açúcar proporcionou o maior diâmetro
e a casca de arroz resultou maior número de folhas, maior quantidade de massa fresca e
produtividade por planta em relação aos demais tipos de coberturas.
Palavras chaves: Lactuca sativa., cobertura vegetal, produtividade
ABSTRACT
Evaluation of cultivate of lettuce under use of diferents types of mulching.
It was aimed at to evaluate the acting of two cultivars of lettuce under the use different
mulching. The experimental design was it of blocks complete randomized with twelve
treatments, in factorial outline 2 x 6, with four repetitions. The first factor: lettuce cultivars
(Tainá e Maravilha de Verão) and the second factor: types of mulching (it scrapes of wood,
wood powder, peel of rice, sugar-cane pulp, carnauba straw and the discovered soil). The
sugar-cane pulp provided the largest diameter and the peel of rice resulted larger number of
leaves, larger amount of fresh mass and productivity for plant in relation to the other types of
mulching.
Keywords: Lactuca sativa., vegetable mulching, productivity
INTRODUÇÃO
A utilização de cobertura morta nas ruas, com restos vegetais, como casca de arroz,
capim-gordura, bagaço de cana-de-açúcar e serragem, dentre outros, é um dos tratos
culturais comuns, sobretudo para a prevenção e o controle da erosão e do mato e
manutenção de umidade e temperatura adequadas no perfil do solo com resultados distintos
na produtividade das culturas. A cobertura morta é uma prática cultural que vem sendo
utilizada em várias partes do mundo, e no Brasil a região Nordeste vem se destacando no
uso, em função das temperaturas elevadas e escassez de água (SALVETTI, 1983). Ao se
cobrir o solo são alterados parâmetros importantes do microclima, como a temperatura do
solo, cujas amplitudes variam com a absortividade e condutividade térmica do material
utilizado na cobertura. Além disso, a temperatura do solo influi na evaporação da água ali
presente e no crescimento de microrganismos, fatores esses que, diretamente, também
influenciam no consumo de água e no crescimento e desenvolvimento da cultura.
Diante do exposto, o presente trabalho tem como objetivo avaliar o cultivo de alface sob
uso de diferentes tipos de cobertura de solo.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi realizado na horta do departamento de Ciências Vegetais da UFERSA.
O delineamento utilizado foi o de blocos completos casualizados em esquema fatorial 2 x 6
com quatro repetições. Sendo o primeiro fator constituído por duas cultivares de alface
(Tainá e Maravilha de Verão) e o segundo fator por tipos de coberturas de solo (solo
descoberto, palha de arroz, bagaço de cana, palha de carnaúba, pó de madeira, raspa de
madeira). Cada unidade experimental foi constituída por cinco linhas contendo seis plantas,
no espaçamento de 0,20 m entre linha e 0,20 m entre plantas, ocupando uma área total de
1,2 m2, e área útil de 0,48 m2. Utilizou-se doze plantas da parcela útil. A adubação foi
constituída de 400 Kg de esterco bovino curtido e aplicação foliar de 1% de urina de vaca em
intervalos de cinco dias.
A semeadura foi realizada em bandejas de isopor. O desbaste foi feito dez dias após a
semeadura deixando-se uma planta por célula. Após 21 dias de semeadura, as mudas foram
transplantadas para os canteiros definitivos, seguido da cobertura dos canteiros com os
materiais específicos. A colheita foi realizada aos 30 dias após o transplantio.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Não houve interação significativa entre cultivar e cobertura em todas as características
avaliadas (Tabela 1). Constatou-se efeito significativo apenas para o fator cobertura
isoladamente para todas as características estudadas. Com relação às cultivares não
observou diferença entre as mesmas.
Em relação às coberturas, verificou-se que o maior diâmetro da planta foi obtido da
cobertura bagaço de cana-de-açúcar, seguido das coberturas casca de arroz, palha de
carnaúba, pó de madeira e raspa de madeira. O solo descoberto resultou no menor diâmetro,
provavelmente devido ao aumento da temperatura do solo, dificultando a eficiência do
sistema radicular em absorver água e nutrientes do solo nessas plantas.
Com relação ao número de folhas, observou-se que apenas a cobertura com casca de
arroz proporcionou os maiores valores médios (16,16). As coberturas raspa de madeira, pó
de madeira e bagaço de cana foram estatisticamente semelhantes entre si com médias de
12,24; 12,26 e 12,30 folhas por planta respectivamente. As plantas submetidas às coberturas
palha de carnaúba e o solo descoberto produziram número de folhas significativamente
inferiores às demais coberturas com 11,43 e 11,78.
A cobertura casca de arroz propiciou a maior massa fresca da parte aérea, sendo
estatisticamente superior aos demais tratamentos, com uma média de 44,99 g.
Constatou-se que a maior produtividade foi obtida quando se utilizou a cobertura casca de
arroz, com um peso médio de 1124,75 g/ m2. A menor produtividade das plantas de alface foi
resultante da cobertura raspa de madeira, com 845 g/ m2. No entanto, as outras coberturas e
inclusive o solo descoberto não diferiram quanto à produtividade.
Verificou-se que o bagaço de cana-de-açúcar proporcionou o maior diâmetro e a casca de
arroz resultou maior número de folhas, maior quantidade de massa fresca e produtividade
por planta em relação aos demais tipos de coberturas.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SALVETTI, MG. 1983. O polietileno na agropecuária brasileira. 2.ed. Porto Alegre, 154p.

Tabela 1 - Médias de diâmetro de plantas (DP), número de folhas (NF), massa fresca da
parte aérea (MFPA) e produtividade (PRODT) de duas cultivares de alface cultivadas com
diferentes coberturas na UFERSA, Mossoró-RN, 2006.
Características (Médias)
Coberturas DP NF MFPA PRODT
(cm) (g/ planta) (g/ m2)
Solo descoberto 29,65 c 11,78 bc 34,28 ab 857,00 ab
Raspa de madeira 29,87 bc 12,24 b 33,80 b 845,00 b
Casca de arroz 32,37 ab 16,16 a 44,99 a 1124,75 a
Palha de carnaúba 32,24 ab 11,43 bc 43,25 ab 1081,25 ab
Pó de madeira 31,37 abc 12,26 b 36,52 ab 913,00 ab
Bagaço de cana 33,37 a 12,30 b 37,88 ab 947,00 ab
CV (%) 18,08 33,99 19,69 19,69
Médias seguidas pela mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente, entre si, pelo teste de Tukey, a
5% de probabilidade.

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