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O Gestor Público e o Processo de Pesquisa

Thaynã Vicktória Carvalho Lago

Costuma-se pensar que a busca pela solução de problemas é onde está pautado
o trabalhado de um gestor seja na esfera pública ou privada. Contudo, o gestor
público possui mais responsabilidades do aquele que labora na esfera privada,
pois tem sobre si a alcunha de ser um servidor público, e em decorrência disso,
seu trabalho que é o de servir à sociedade, tem como objetivo a pelo bem
comum, devendo sempre seguir os princípios constitucionais da administração
pública que estão dispostos no art. 37 da Carta Magna, onde seu trabalho deve
sempre estar fincado, uma vez que de acordo com o mesmo dispositivo legal,
toda a administração pública deve fazer exatamente o que a lei dispõe, assim
sendo, o Prof. José Carvalho dos Santos Filho fala que:

O princípio da legalidade é talvez o princípio basilar de toda


a atividade administrativa. Significa que o administrador
não pode fazer prevalecer sua vontade pessoal; sua
atuação tem que se cingir ao que a lei impõe. Essa
limitação do administrador é que, em última instância,
garante os indivíduos contra abusos de conduta e desvios
de objetivos.
No que tange o trabalho do gestor público, Carvalho e Souza (2015) pontuam
que a todo o momento as instituições públicas são questionadas sobre seu papel
e sua importância para a sociedade, sendo responsabilidade dos gestores
públicos apresentarem respostas coerentes aos anseios sociais.

Apesar de terem divergências quanto ao seu objetivo fim, pois a gestão privada
visa o lucro e a gestão pública o bem da coletividade, ambas se utilizam das
técnicas do planejamento, organização, direção e controle em seu arranjo
administrativo. Ainda, ambas são influenciadas pelo ambiente: fatores políticos,
sociais, tecnológicos, econômicos, etc. (Carvalho e Souza, 2015)

É importante ressaltar que o trabalho do gestor, não deve entrar em ação


somente no surgimento de problemas, é importante um estudo prévio da
demanda e é aí que surge o papel fundamental da pesquisa. Segundo Pontes,
(2019) na Administração Pública muitas das vezes é recorrente verificar que
alguns gestores escolhem determinados rumos de ação de maneira impulsiva e
outros de maneira irrefletida e precipitada, porém o processo de decisão
principalmente no setor público deve ser gerado por momentos reflexivos e
eventos que comecem desde a percepção da necessidade de agir até o instante
em que se define uma linha de atuação.

Pontes citando Daft, pontua que o processo decisório deve seguir 8 etapas,
sendo que estas 8 etapas são subdivididas em dois grupos. O primeiro grupo,
compreendido pelas quatro primeiras etapas, seria para a identificação do
problema, sendo composto da seguinte maneira: (1) o gestor monitora
informações internas e externas ao ambiente da decisão; (2) identifica detalhes
essenciais do problema; (3) define os resultados que pretende alcançar com a
decisão; e, (4) aprofunda-se na análise da causa do problema. O segundo grupo
é composto pelas etapas de solução do problema: (5) o gestor busca entender
claramente as diversas alternativas que ele dispõe para alcançar os objetivos
esperados; (6) avalia os méritos e probabilidades de sucesso de cada opção que
está à sua disposição; (7) seleciona a alternativa com a maior probabilidade de
sucesso; e (8) coloca a alternativa escolhida em execução

Embora as etapas elaboradas por Daft devam ser levadas em consideração, ela
não leva em conta situações que de acordo com Sobral e Peci, são nomeadas
de limitações situacionais e individuais. Citada por Pontes (2015) A Teoria
adotada por Sobral e Peci defende a existência de limitações situacionais e
individuais no processo decisório que fazem com que os gerentes tenham a
tendência de se distanciar de um processo lógico e sistemático de análise e
passem a construir abordagens simplistas com base na sua intuição, as quais
geralmente focalizam somente os elementos básicos dos problemas.

Pontua Passos (2012), que o processo decisório se torna a essência da


gerência, à medida que se transforma em um complexo processo cognitivo de
síntese e integração, dividido entre a intuição e a análise. Isso porque as
decisões intuitivas carecem de justificação lógica, por vezes não fazendo uso de
dados e informações relevantes, que podem tornar o resultado irreversível
Assim, dentro do processo decisório, a pesquisa toma para si um papel de
fundamental importância, pois será a partir da pesquisa que o gestor público, vai
buscar o melhor caminho para solucionar a demanda que lhe foi apresentada.

De acordo com Teixeira (2008, p.32) Pesquisar, de modo geral é reunir


informações necessárias para encontrar resposta para uma pergunta e assim
chegar à solução de um problema. Significa procurar respostas para indagações
propostas.

A pesquisa é então a forma de buscar informações para a solução de um


problema, no caso do gestor público, este problema lhe é apresentado como
uma demanda a ser solucionada em prol da sociedade, do bem comum. Muitas
das vezes, a implementação de uma política pública e como esta deve ser
inserida para a sociedade ou para o grupo a que ela está destinada. Pode-se
utilizar como o exemplo, a implementação dos restaurantes populares, que
surgiu a partir do programa fome zero no ano de 2003 e tinha como principal
objetivo tirar o Brasil do mapa da fome.

A pesquisa do gestor público pode ser iniciada através de livros e demais


periódicos, é inclusive a partir dessas fontes que ele vai fazer o alicerce do seu
estudo, mas será na pesquisa de campo que este gestor poderá ter mais
efetividade, já que poderá a partir de questionários e entrevistas, buscar junto
aquele grupo que receberá determinado projeto, o que efetivamente precisa ser
colocado em prática, pois para que haja uma eficaz concretização e ai colocar
em prática o princípio da eficiência, é necessário ouvir quem vai ser impactado
pelo projeto a ser implementado.

Tem-se a falsa ideia de que o ato de pesquisar é ato exclusivo de cientistas,


aqueles que ficam horas dentro de laboratórios ou debruçados em livros,
entretanto a pesquisa é o ponto de partida do gestor público, já que será a partir
de uma demanda da sociedade que ele deverá buscar a maneira mais eficaz de
solucionar o problema existente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo / José


dos Santos Carvalho Filho. – 31. ed. rev., atual. e ampl. – São Paulo: Atlas, 2017.
Pg 185.

Manual Programa Restaurante Popular. Ministério do Desenvolvimento Social e


Combate à fome. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/projeto_logico_restaurante_popular
.pdf . Acessado em : 28/09/2022.

GONÇALVES, Monica de Carvalho Pedrozo; SOUZA, Marcelo Aldair de.


Processo Decisório Nos Setores Público e Privado: ESTUDO EXPLORATÓRIO
E COMPARATIVO SOBRE A DIMENSÃO DECISÃO. XV COLÓQUIO
INTERNACIONAL DE GESTÃO UNIVERSITÁRIA – CIGU – Mar del Plata,
Argentina. 2015. Disponível em :
https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/135862/browse?type=author&valu
e=GON%C3%87ALVES%2C+MONICA+FEITOSA+DE+CARVALHO+PEDROZ
O. Acessado em : 26/09/2022.

PONTES, Helena Nascimento da Silva Alves. PROCESSO DE DECISÃO NA


ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: antecedentes gerenciais de uma mudança
organizacional em um Hospital Público de João Pessoa / Helena Nascimento da
Silva Alves Pontes. - João Pessoa, 2019. Disponível em:
https://repositorio.ufpb.br/jspui/handle/123456789/15686?locale=pt_BR.
Acessado em: 26/09/2022.

PASSOS, Maurício de Melo. Processos decisórios na administração pública:


uma proposta de criação de indicadores correcionais. / Mauricio de Melo Passos
– 2012. Disponível em :
https://bdtd.ucb.br:8443/jspui/bitstream/123456789/1418/1/Mauricio%20de%20
Melo%20Passos.pdf. Acessado em 26/09/2022.

Teixeira, Enise Barth. Pesquisa em gestão pública / Enise Barth Teixeira,


Luciano Zamberlan, Pedro Carlos Rasia. – Ijuí : Ed. Unijuí, 2008. – 172 p. ; il. –
(Coleção educação a distância. Série livro-texto). Disponível em:
https://bibliodigital.unijui.edu.br:8443/xmlui/handle/123456789/163. Acessado
em : 28/09/2022.

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