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cisalhamento - ELU 22

3.6. Armadura de suspensão para cargas indiretas

3.6.1. Carga concentrada indireta (Apoio indireto de viga secundária)

V2
( b w2 x h2 )
V2

V1
V1
( b w1 x h1 )

V1 - viga com
apoio ndireto V2
Vd1
Vd1

V2 - viga com
carregamento indireto V1

Armadura de suspensão para a reação de V1:

No esquema estrutural representado acima, a viga V1 se apoia na viga V2, carregando-a com sua
reação Vd1 . Neste apoio de V1, dito indireto, a reação é transmitida para a viga suporte ao longo da
altura h1.
Conforme já visto, o modelo de treliça pressupõe cargas introduzidas na face superior da viga e
reações na face inferior, comprimindo-a. Assim, a reação Vd1 precisa ser 'suspensa' para o topo de
V2, através de uma armadura (tracionada) - a armadura de suspensão.

As susp = Vd1 / fyd

A armadura de suspensão é basicamente constituída por estribos, preferencialmente localizados em


V2, na própria região do cruzamento das vigas. No caso de congestionamento de armaduras, pode-se
distribuí-la também na vizinhança imediata do cruzamento, tão próximo quanto possível à manutenção
das condições de concretagem desta região.
A
A s susp CORTE A-A CORTE B-B

V2 A s susp
V2 V2
B B Vd1

A
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De acordo com resultados experimentais, é possível se estender a distribuição por uma faixa de di/2
do ponto central do cruzamento, e se alojar até cerca de 30% da armadura total de suspensão na viga
secundária (V1).

CORTE A-A CORTE B-B


A
70% A s susp
70% A s susp 30% A s susp 70% A s susp
d 2 /2 d 2 /2
V2
V2

B B
V2
d 1 /2

V1
30% A s susp
A

Observações:

a) A armadura de suspensão é adicional à necessária ao cisalhamento

b) Quando a face superior das vigas coincidem e a viga suporte (V2) tem altura maior que a suportada
(V1), apenas parte da reação precisa ser suspensa. Neste caso a armadura pode ser reduzida pela
relação entre as alturas:

As susp = ( Vd1 / fyd ) h1 / h2 ( faces superiores coincidentes e h1 < h2 )

c) No detalhamento dos estribos, no caso de cruzamento de vigas, deve-se interromper os estribos da


viga secundária (V1, suportada) e prosseguir com os da viga principal (V2, suporte).

d) Para o "fechamento" do nó comum das treliças no apoio indireto, a armadura longitudinal inferior da
viga secundária tem que ser disposta sobre a armadura longiyudinal inferior da viga principal. Esta, por
sua vez é abraçada pelos estribos (suspensão e cisalhamento ).

V1 V2 V1 V2

d1
d1
d2 d2

b w2 /3 + lb b w2 /3 + lb
cisalhamento - ELU 24

e) Conforme já visto, no apoio indireto, a armadura inferior da viga secundária deve ser ancorada para
a força Rst (convencional), a partir de uma distância igual a 1/3 da largura do apoio. Quando a extensão
disponível não for suficiente para a ancoragem reta, é preferível se adotar ganchos, dobras ou laços
deitados, ao invés dos verticais.

V1

V2

f) A armadura de suspensão ou parte desta pode ser projetada como um prolongamento da armadura
inferior de tração da viga suportada.

V1 V2

g) No caso de vigas penduradas, a armadura de suspensão tem que ser disposta integralmente no
cruzamento e cuidadosamente detalhada para garantir o "fechamento" dos nós das treliças.

A CORTE A-A A s superior de V2


A s susp ( ancora a suspensão)
V2

V2
A s susp (abraça
A s inferior de V1)

Vd1 V1

V1 A s inferior ( armadura
‘pendurada’ de tração de V1)
A
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3.6.2. Carga distribuída indireta ( laje com apoio indireto)

Viga Viga
Viga

Laje inferior Laje inferior


Laje inferior
q d = reação da laje q d = reação da laje
inferior q d = reações da
inferior
laje inferior

Na figura acima estão representados 3 seções tranversais de vigas suportando lajes inferiores. Estas
situações são comumente encontradas em vigas de fachada e de cobertura (vigas invertidas), vigas
suportando lajes de pisos rebaixados em relação ao pavimento tipo ou das nervuras de uma viga com
seção caixão. Nestes casos, a laje inferior é dita indiretamente apoiada na viga, ou seja, a viga recebe
carga indireta distribuída correspondente a reação da laje inferior. A reação da laje inferior chega pela
parte inferior da viga, tracionando verticalmente a alma, e, portanto, precisa ser suspensa para a
membrura superior do modelo resistente da viga (modelo de treliça).

A área necessária da armadura de suspensão por metro de viga é dada por

(As/s)suspensão = qd / fyd

Observações:

a) A armadura de suspensão é adicional a de cisalhamento. Portanto, a área da armadura transversal


(estribos), no trecho com carga a suspender, tem que ser pelo menos igual à soma das áreas calculadas
para a resistência ao cisalhamento e para a suspensão.

As/s ≥ (As/s)Vd + (As/s)suspensão


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b) Para as situações usuais, pode-se contar com a área de todas as pernas dos estribos. No caso de
viga suporte muito larga (bw >> hlaje), apenas as pernas dos estribos próximas à laje inferior participam
da suspensão.
c) A armadura inferior principal da laje apoiada indiretamente tem que ser disposta sobre a armadura
longitudinal inferior da viga suporte. Esta, por sua vez é abraçada pelos estribos (suspensão e
cisalhamento). Para facilitar a execução, é usual que a base da nervura da viga ultrapasse o fundo da
laje.

• • • • • •

••• • •• • ••

3.7. Transmissão de cisalhamento entre a alma e a mesa

3.7.1. Transmissão de cisalhamento entre a alma e a mesa de compressão

Vista Longitudinal
Rcd hf Rcd + ∆Rcd
Md Linha neutra x
z z M d + ∆M d
Vd d Vd

Rsd Rsd + ∆Rsd

Vista Superior ( Planta )


∆x

Rcd1 Rcd1 + Cd
Cd (Rcd1 Td
b1
Td
Rcdw Rcdw + (Rcdw
bf bw (cd Hd = (cd hf (x

b2
Rcd2 Rcd2 + (Rcd2

Seção Transversal
A
bf
b1

hf x
A

(As/s)costura
cisalhamento - ELU 27

Para o trecho de viga T sob flexão, representada na figura anterior, a variação da resultante das tensões
de compressão no concreto ( atuantes sobre a área S = ( b1 + b2 ) hf + bw x ) , ∆Rcd, pode ser avaliada
como:

∆Rcd = ∆Md / z = Vd ∆x / z onde z ≅ d / 1,15

A parcela ∆Rcd1 de ∆Rcd, absorvida pela aba de área S1 = b1 hf da mesa comprimida, pode ser
estimada como sendo proporcional à área da aba

∆Rcd1 = ∆Rcd S1 / S = (Vd ∆x / z ) S1 / S

O funcionamento da mesa de compressão se dá pelo fluxo de tensões tangenciais τcd na seção A-A da
ligação aba-nervura, que transmite a parcela ∆Rcd1 , da aba para a nervura.

∆Rcd1 / ∆x = (Vd z ) ( S1 / S ) = τcd hf (fluxo cisalhante)

τcd = [ 1,15 Vd / (hf d ) ] ( S1 / S ) = 1,15 τwd ( bw / hf ) ( S1 / S )

τwd = Vd / ( bw d )

Resultados experimentais mostram a formação de um esquema de treliça no plano da mesa comprimida


pela flexão: bielas inclinadas que devem ser costuradas por uma armadura de traçõ transversal à seção
A-A de ligação aba-nervura.
Na ausência de resultados experimentais ou prescrições normativas, a inclinação das bielas é
considerada igual a 45o. assim sendo, do equilíbrio de forças em um nó da treliça, têm-se que a força
Td absorvida pela armadura de costura na seção A-A é igual a resultante do fluxo cisalhante, no
comprimento ∆x:

Td = Hd = τcd bf ∆x

Td / ∆x = τcd hf = 1,15 ( Vd / d ) ( S1 / S ) = 1,15 τwd bw S1 / S

Logo, a área necessária de armadura de costura por unidade de comprimento ao logo da ligação é

As/s = Td / ( fyd ∆x ) = 1,15 [ Vd / (d fyd ) ] ( S1 / S ) = 1,15 bw ( τwd / fyd ) ( S1 / S )

Observações:

a) no caso em que a linha neutra cai na mesa: S1 / S = b1 / bf


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b) a armadura de costura não precisa ser distribuída igualmente pelas armaduras superior e inferior da
laje. Basta existir, convenientemente ancorada a partir da seção A-A da ligação aba-nervura, uma
armadura total pelo menos igual às necessárias para ( laje à flexão + costura ). Na situácão do item a,
apenas a armadura superior contribui para a costura aba-nervura.

c) no caso em que τcd ≤ τwu1 = ψ 4 √fck ( NBR6118, item 5.3.1.1) a armadura de costura poderia ser
dispensada. Porém, a NBR6118, item 6.3.1.2, limita o valor mínimo de armadura ( flexão da laje +
costura ) em 1,5 cm2/m, cobrindo toda a largura efetiva bf da mesa

d) quando a armadura de costura tiver uma inclinação θ com o eixo da viga ( entre 45o e 90o ), em
sentido inverso ao da direção provável das fissuras ( e bielas ), a expressão da armadura de costura é:

As/s = Td / ( fyd ∆x ) = 1,15 [ Vd / (d fyd ) ] ( S1 / S ) / k = 1,15 bw ( τwd / fyd ) ( S1 / S ) / k


k = sen θ ( 1 + ctg θ )

e) Para o caso geral, a verificação do não esmagamento do concreto na biela cai na análise de um
estado múltiplo de tensões ( σxd , τcd ), sendo σxd = -0,85 fcd , a compressão no concreto pelo
diagrama especificado em norma.
A NBR6118, item 5.3.1.2.d, dispensa a verificação das tensões do estado múltiplo pela envoltória de
Mohr, quando uma das tensões principais é nula ou de tração, e as tensões principais σId e σIId,
calculadas com o valor de cálculo das ações, não ultrapassam os seguintes valores últimos:

σId, IId = ½[σxd ± ( σxd2 + 4 τcd2 )1/2 ]


(cd
• para σId ≤ 0,125 fcd → σIId ≤ σIIu = fcd - σId
(xd
• para σId > 0,125 fcd → σId ≤ σIu = 0,25 fcd
σIId > σIIu = 0,0625 fcd2 / σId

Esta verificação é especialmente importante na situação de um apoio intermediário, com mesa


comprimida (laje inferior), pois nesta seção ocorrem, simultaneamente, momento fletor e força cortante
de máximas intensidades.

3.7.2. Transmissão de cisalhamento entre a alma e a mesa de tração

Estando alojada, numa aba da mesa tracionada, uma parcela As1 da armadura total As, longitudinal de
tração, a variação da resultante de tração correspondente a As1 é transmitida através do fluxo cisalhante
na seção A-A de ligação aba-nervura. Assim, pelas mesmas razões e com o mesmo raciocínio adotado
para o caso da mesa comprimida, idealiza-se a formação de uma treliça na mesa de tração, com bielas
a 45o, costurada pela armadura As/s, transversal à nervura.

Seção Transversal
As
As1

A
• • • •••• • • •

x (A /s)costura
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As expressões para a tensão cisalhante τcd e para a armadura de costura As/s são análogas às
anteriores, bastando-se substituir a relação entre as áreas de concreto comprimidas (S1/S) pela a
relação entre as áreas de aço tracionadas (As1/As):

τcd = [ 1,15 Vd / (hf d ) ] ( As1 / As ) = 1,15 τwd ( bw / hf ) (As1 / As )

As/s = 1,15 [ Vd / (d fyd ) ] ( As1 / As ) = 1,15 bw ( τwd / fyd ) (As1 / As)

As observações anteriores são válidas, ressaltando-se que, no casso da da mesa tracionada, a tensão
normal no concreto fissurado é nula. Assim, os pontos da seção A-A se encontram sob estado de
cialhamento puro: σId = - σ IId = τcd. Para esta situação, a consição de não esmagamento do concreto
pode ser diretamente verificada por:

τcd / 1,15 ≤ 0,25 fcd ≤ 4,5 MPa τcd

σxd = 0
Exemplo:

Vd = 170 kN; fck = 18 MPa ; aço CA-50; d = 0,95 m

a) Se for caso de mesa comprimida: bf = 0,7 m; b1 = 0,25m; hf = 0,10m; bw = 0,20m; x = 0,23m

S1= 10 . 25 = 250 cm2 ; S = 2 . 10 . 25 + 23 . 20 = 960 cm2


τcd = 1,15 [ 170 / ( 0,10 . 0,95 ) ] ( 250 / 960 ) = 536 kPa
(As/s)costura = 536 . 0,10 / 43,5 = 1,23 cm2/m
(As/s)costura + (As/s)flexão da laje ≥ (As/s)mín = 1,5 cm2/m

Verificação do concreto

σxd = 0,85 . 18 / 1,4 = 10,93 MPa


σId, IId = ½[10,93 ± ( 10,932 + 4 . 0,542 )1/2 ]
σId = 0,05 MPa ≤ 0,125 . 18 / 1,4
|σIId | = | - 10,96 | ≤ σIIu = 18 / 1,4 – 4 . 0,05 = 12,66 Mpa (ok)

b) Se for o caso de mesa tracionada: hf = 0,10 m; As = 16,25 cm2; As1 = 5 cm2

τcd = 1,15 [ 170 / ( 0,10 . 0,95 ) ] ( 5 / 16,25 ) = 633 kPa


(As/s)costura = 633 . 0,10 / 43,5 = 1,46 cm2/m
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(As/s)costura + (As/s)flexão da laje ≥ (As/s)mín = 1,5 cm2/m

Verificação do concreto

σxd = 0,0 MPa


σId, IId = 0,63 MPa
σId = 0,63 MPa ≤ 0,125 . 18 / 1,4
|σIId | = | - 0,63 | ≤ σIIu = 18 / 1,4 – 4 . 0,63 = 10,34 MPa (ok) ou
τcd / 1,15 = 0,55 MPa ≤ 0,25 . 18 /1,4 = 3,21 (o.k.)

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