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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO

Tradição: Intolerância religiosa e o estigma que se


interpõe sobre os candomblecistas na sociedade
Gabriel Serafim, Julia Costalonga, Letícia Cardoso e Maria Eduarda
Profª.: Sabrine Mantuan dos Santos Coutinho
INTRODUÇÃO
Anthony Giddens é um sociólogo britânico, de 84 anos e
diretor da London School of Economics e professor da
Universidade de Cambridge.

O livro, Mundo em descontrole, é resultado de uma série de

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palestras realizadas em 1999 por Giddens, para a BBC de
Londres.
A TRADIÇÃO NA CONCEPÇÃO DE GIDDENS
A tradição, segundo Giddens, “é uma orientação
para o passado, de tal forma que o passado tem
uma pesada influência ou, mais precisamente, é “Os mestres já fixaram os olhos dos homens no
constituído para ter uma pesada influência para o céu por tempo suficiente, deixemos que agora os
presente”. (GIDDENS, 1997) dirijam para a terra. Fatigada com uma teologia
inconcebível, fábulas ridículas, mistérios
impenetráveis, cerimónias pueris, deixemos que a
mente humana se aplique ao estudo da natureza, a
objetos inteligíveis, verdades sensatas e
conhecimento útil. ” (D'HOLBACH
A TRADIÇÃO E A INTOLERÂNCIA VIVIDA
PELOS PRATICANTES DO CANDOMBLÉ
HISTÓRIA E TRADIÇÃO
O Candomblé é uma religião de matriz africana que
cultua os orixás. O termo candomblé vem da junção
das palavras quimbundo candombe (dança com
atabaques) + iorubá ilê (casa), que significa casa da
dança com atabaques.
A história do Candomblé no Brasil, se inicia com a
chegada dos africanos que foram trazidos à força para
serem escravizados.
HISTÓRIA E TRADIÇÃO
Como forma de escapar da imposição da
Igreja Católica, eles passaram a usar um
altar com imagens de santos católicos e,
por baixo, os assentamentos escondidos
para cultuar os orixás.

Nos rituais do Candomblé cânticos,


danças, batidas de tambores, oferendas e
os participantes devem usar trajes
específicos com as cores e guias do seu
orixá.
HISTÓRIA E TRADIÇÃO
“A ideia de tradição, portanto, é ela própria uma
criação da modernidade. [...] A ideia de que a tradição
é impermeável à mudança é um mito. As tradições
evoluem ao longo do tempo, mas podem também ser
alteradas ou transformadas de maneira bastante
repentina. Se posso me expressar assim, elas são
inventadas e reinventadas. “ (GIDDENS, 2003)
A INTOLERÂNCIA VIVIDA
Desde muito antes da abolição, as
pessoas religiosas do candomblé
vêm sofrendo ataques nesse país.

O resultado desses ataques, ainda


tão presentes no Brasil, são as
constantes depredações aos
terreiros, as violências psicológica
e física contra candomblecistas,
ainda nos dias atuais.
ARTICULAÇÃO COM A AULA DE ESTIGMAS
Estigma: marca, algo de "mal" que deve ser evitado. É imputado a
pessoas que apresentam atributos ou características que se afastam do
que é socialmente desejável em determinado contexto.

“Se pararmos para fazer uma viagem no tempo, voltando ao período em que
os escravos africanos chegavam ao Brasil e compararmos com a atualidade,
veremos que esses atos bárbaros praticados não são exclusivamente contra a
prática da crença, mas sim por um preconceito que ainda está arraigado na
mente de muitos que querem banir a qualquer custo tudo o que diz respeito
ao negro, especialmente a religião de matriz africana, pois através dela ele
tem a oportunidade de se afirmar nesta sociedade que de forma implícita
ainda mantém o legado da burguesia colonizadora.”
(SILVA, 2014)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Brasil é um país que apesar de laico constitucionalmente, tem bebido
muito da fonte do protestantismo neopentecostal nas últimas décadas.
Milhares de violências de diversos tipos são aplicadas no Brasil por
questões religiosas, porém as mais fatídicas são direcionadas às pessoas
adeptas das religiões africanas e afro brasileiras, sendo estas politeístas,
como a exemplo do candomblé, que teve uma quantidade elevada de
pessoas dizimadas e surradas no decorrer da história e hoje dizimadas
através do desrespeito aos seus direitos sociais e culturais.

"As tradições são necessárias, e


persistirão para sempre, porque
dão continuidade e forma à vida.”
(GIDDENS, 2003)

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