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Levantamento de Riscos: Um Estudo em uma Indústria do

Setor Moveleiro

Igor Bosa
Jaqueline Varela Maiorka
1
Lista de Figuras

Figura 1:
Método do Trabalho 7
Figura 2: Matriz XXXX Ind. de Móveis: Nova Araçá RS..................................9
Figura 3: Filial XXXX Ind. de Móveis: Paraí RS...............................................9
Figura 4: Doca................................................................................................14
Figura 5: Pilha de Chapas..............................................................................15
Figura 6: Prensa.............................................................................................16
Figura 7: Aplicador de Cola............................................................................16
Figura 8: Cola Seca ......................................................................................17
Figura 9: Peças Empilhadas..........................................................................18
Figura 10: Centro CNC e Pilha de Peças......................................................19
Figura 11: Tupia.............................................................................................20
Figura 12: Lixadeira de Cinta.........................................................................20
Figura 13: Serra Circular de Bancada............................................................21
Figura 14: Serra Fita......................................................................................21
Figura 15: Furadeira Múltipla.........................................................................22
Figura 16: Skipper Adulterada.......................................................................22
Figura 17: Centro CNC Adulterado................................................................23
Figura 18: Serra Fita......................................................................................24
Figura 19: Lixadeira Improvisada...................................................................25
Figura 20: Pilha de Peças da Pintura.............................................................26
Figura 21: Rótulo da Tinta..............................................................................27
Figura 22: Ventilador......................................................................................28

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Lista de Quadros

Quadro 1: APR – Recebimento/Expedição ...................................................30


Quadro 2: APR – Prensa ..............................................................................31
Quadro 3: APR – Usinagem ..........................................................................32
Quadro 4: APR – Corte .................................................................................33
Quadro 5: APR – Preparação da Madeira ....................................................30
Quadro 6: APR – Acabamento ......................................................................34
Quadro 7: APR – Pintura PU ........................................................................34
Quadro 8: APR – Pintura UV ........................................................................35
Quadro 9: APR – Embalagem .......................................................................35
Quadro 10: APR – Estofaria ..........................................................................36
Quadro 11: APR – Almoxarifado ...................................................................37
Quadro 12: APR – Ambiente Geral................................................................37

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Sumário

1 INTRODUÇÃO............................................................................................05
1.1 Objetivo Geral......................................................................................06
1.2 Objetivos Específicos..........................................................................06
2 DESENVOLVIMENTO................................................................................07
2.1 Apresentação da Empresa..................................................................08
2.2 Apresentação do Produto/Processo.....................................................10
2.2.1 Processo de Produção de Móveis de Madeira.............................10
2.2.2 Processo de Produção de Móveis de MDF..................................11
2.3 Situação Antes da Intervenção.............................................................13
2.3.1 Recebimento/Expedição...............................................................14
2.3.2 Prensa..........................................................................................15
2.3.3 Usinagem.....................................................................................18
2.3.4 Corte.............................................................................................24
2.3.5 Acabamento.................................................................................25
2.3.6 Pintura PU e Pintura UV..............................................................26
2.3.7 Embalagem..................................................................................27
2.3.8 Estofaria.......................................................................................29
2.3.9 Almoxarifado................................................................................29
2.4 Descrição da Intervenção.....................................................................29
2.5 Resultados Obtidos...............................................................................37
2.6 Relação dos Assuntos Abordados com Engenharia de Produção.......38
3 CONCLUSÃO.............................................................................................40
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...............................................................42

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1 INTRODUÇÃO

A execução de qualquer atividade profissional expõe o trabalhador a


uma série de riscos de acidentes e de doenças ocupacionais, isso faz com
que a avaliação de riscos ocupacionais seja de grande importância dentro do
processo de gerenciamento dos riscos, pois a realização deste levantamento
possibilita o reconhecimento e a avaliação dos mesmos, para que, por meio
desta caracterização possam ser apresentadas medidas de controle e
prevenção apropriadas (MOTTA, 2012).
A realização desta avaliação torna-se relevante uma vez que compete
à empresa, a responsabilidade de zelar pela saúde (física e mental) e a
segurança de seus funcionários e demais pessoas que possam vir a ser
afetadas pelo desenvolvimento de suas atividades industriais (ISO 45001,
2018).
O bem-estar do trabalhador é um dos bens mais preciosos para uma
organização, pois conserva a motivação e a produtividade dos funcionários,
sendo a preservação da saúde e da segurança em ambientes de trabalho
uma das principais bases para o bom desenvolvimento dos trabalhadores,
mostrando-se indispensável na obtenção de um ambiente de trabalho
produtivo e de qualidade (MONTEIRO et al.,2005).
O reconhecimento de riscos consiste na identificação de fatores
potencialmente danosos à saúde dos trabalhadores, dessa forma o
reconhecimento dos riscos do ambiente de trabalho é de extrema
importância para o processo de seleção de ações de prevenção, controle ou
eliminação de riscos a serem tomadas (LOUSA, 2014).
Para tanto, a criação das NRs representa uma grande conquista na
busca pela prevenção de acidentes e doenças profissionais, dado que estas
normas regulamentam e orientam os procedimentos obrigatórios a serem
realizados para garantir a segurança dos funcionários (ROSSETE,2015,
5
p.75). A adequação dos ambientes de trabalho conforme as Normas
Regulamentadoras é de caráter obrigatório para empresas públicas e
privadas que possuam funcionários regidos pela consolidação das leis
trabalhistas (SMT, 2010).
Tendo em vista que a qualidade do ambiente de trabalho é de grande
importância para que a empresa cumpra suas metas e prazos (FREITAS e
MINETTE, 2014) e que as principais barreiras para a implementação destas
normas, do ponto e vista das empresas, são em sua maioria, fatores
financeiros, tecnológicos e culturais (SOUZA, 2014) buscou-se por meio da
execução deste estágio realizar o levantamento dos riscos existentes na
empresa em estudo e posteriormente estimando os valores que seriam
gastos no pagamento de embargos e impostos por órgãos trabalhistas pelo
não cumprimento das normas.

1.1 Objetivo Geral

Conscientizar a empresa da importância e dos benefícios de uma


adequação de seu ambiente organizacional conforme as normas de
segurança vigentes.

1.2 Objetivos Específicos

1. Realizar o diagnóstico da situação atual;


2. Levantar as adequações necessárias para o cumprimento das
NRs;
3. Elaborar as análises preliminares de riscos (APRs);
4. Sugerir ações para a minimização/prevenção dos riscos
apontados;

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2 DESENVOLVIMENTO

Este trabalho consiste em uma pesquisa exploratória, de natureza


aplicada, pois visa gerar conhecimento para aplicações práticas voltadas à
solução de problemas específicos, envolvendo dados reais e interesses
locais (GERHARDT E SILVEIRA, 2009). No que se refere ao objetivo, esta
pesquisa possui caráter descritivo, dado que tem como objetivo descrever
características do processo, estabelecendo relações entre variáveis (GIL,
2002).
Quanto à abordagem, esta pesquisa de campo apresenta uma
abordagem qualitativa, visto que este descreve a complexidade do problema
e a interação de suas variáveis, possibilitando um maior aprofundamento em
sua análise e um melhor entendimento das particularidades do
comportamento do processo (DIEHL E TATIM, 2004).
Estruturalmente o método encontra-se dividido em quatro fases (Figura
1), são elas: (I) Levantamento de riscos; (II) Elaboração das análises
preliminares de riscos; (III) Estudo das normas regulamentadoras; (IV)
avaliação e apresentação dos resultados para os gestores da empresa.

Figura 1 - Método do Trabalho

Fonte: Autor, 2018

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Na fase I realiza-se o levantamento dos riscos existentes no processo,
a qual é utilizada como parâmetro para a tomada de decisão no processo de
seleção de ações a serem implementadas para a adequação dos processos.
Na fase II, realizou-se a elaboração das análises preliminares de riscos
(APRs), nas quais os riscos foram classificados conforme os setores onde
foram encontrados.
Na fase III, realizou-se uma análise dos riscos levantados tendo como
parâmetros as normas regulamentadoras (NRs), de forma a elaborar as
propostas de alterações do processo para atender a tais normas.
Por fim, na fase IV realizou-se a apresentação dos resultados para os
gestores da empresa, de forma a conscientizá-los da importância da
adequação dos processos apresentando as vantagens do ponto de vista
financeiro, bem como as vantagens do ponto de vista do bem-estar e da
saúde dos funcionários da empresa.

2.1 Apresentação da Empresa

A XXXX Ind. de Móveis Ltda. fornece ao mercado, móveis seriados


fabricados em madeira, MDF (Medium Density Fiberboard) e MDP (Medium
Density Particleboard). Os principais produtos da empresa são cadeiras,
mesas, racks, homes, mesas de centro, mesas laterais e aparadores.
A empresa foi fundada em 21 de setembro de 1992 no município de
Nova Araçá (Figura 2), região da Serra Gaúcha. Em 1997 devido ao aumento
da demanda a XXX Ind. de Móveis Ltda funda no dia 15 de setembro sua
filial no município de Paraí (Figura 3), também localizado na região da Serra
Gaúcha.

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Figura 2 - Matriz XXXX Ind. de Móveis: Nova Araçá - RS

Fonte: Autor, 2018

Figura 3 - Filial XXXX Ind. de Móveis: Paraí - RS

Fonte: Autor, 2018

Com a abertura da filial a empresa dividiu seu processo produtivo,


concentrando na matriz a produção de móveis de madeira e na filial a
produção de móveis de MDF e MDP. Em 2015, para obter uma maior
integração entre processos as duas linhas de produção foram unidas,
concentrando todo o processo produtivo na filial da empresa e a matriz
passou a abrigar somente a alta direção e o estoque de produtos acabados.

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Atualmente a empresa conta com mais de 70 colaboradores
distribuídos entre a matriz e a filial e fatura em média R$ 1.200.000,00 por
mês.

2.2 Apresentação do Produto/Processo

A empresa em estudo possui processos distintos para a fabricação de


diferentes tipos de produto, visto isso, nesta seção os diferentes processos
serão apresentados individualmente, possibilitando assim uma melhor
compreensão dos processos.

2.2.1 Processo de Produção de Móveis de Madeira

A fabricação de móveis de madeira tem início com a chegada e o


descarregamento da matéria prima, a qual é armazenada próxima ao início
do processo, este processo é realizado com o auxílio de uma empilhadeira
para deslocamento de grandes distâncias e com uma transpalete quando
necessário realizar pequenas movimentações dentro do espaço destinado ao
armazenamento de mesma.
O início do processamento da madeira se dá com o ajuste das
dimensões das peças no setor chamado na empresa de “setor de
preparação”. Neste setor é realizado por meio da lixação das faces das
peças em uma lixadeira quatro faces, a qual permite a padronização das
dimensões de largura e espessura das peças, posterior a isso, faz-se o
ajuste do comprimento das peças por meio de um processo de corte
realizado em uma destopadeira.
Ainda neste setor realiza-se a montagem de painéis de madeira, para
isso, as peças tem apenas duas faces lixadas, para que seja realizada
aplicação da cola e a montagem do painel propriamente dito, o qual é fixado
a um equipamento chamado prensa de painéis, para que a cola seque sem
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comprometer a estrutura do painel. Com a secagem da cola o painel tem as
duas faces restantes lixadas e segue para o ajuste de dimensões na
destopadeira. Realizado este processo os painéis são encaminhados, com o
auxílio de uma transpalete, ao setor de corte, onde são separados e
encaminhadas para o setor de usinagem em peças conforme as
especificações de cada projeto, sendo posteriormente encaminhado para o
setor de usinagem.
No setor de usinagem as peças são processadas de forma a atingirem
as especificações do projeto, realizada esta operação as peças são
encaminhadas para o setor de acabamento, onde são lixadas e
posteriormente armazenadas em um estoque intermediário.
Na sequência, as peças são encaminhadas para o setor de pintura
onde são suspensas em uma linha e recebem a aplicação de uma camada
de tinta PU (Poliuretano) por meio de uma pistola pneumática. Após esse
processo, as peças, se fizerem parte de uma cadeira, são destinadas ao
setor de estofaria, no qual recebem a aplicação da percinta, da espuma e do
tecido, ou são diretamente encaminhadas ao setor de embalagens, onde são
acondicionadas nas caixas, juntamente com peças de isopor para garantir
sua segurança no transporte.
Por fim as caixas são utilizadas em paletes e destinadas ao setor de
expedição, onde são carregados e encaminhados aos clientes.

2.2.2 Processo de Produção de Móveis de MDF

Assim como os móveis de madeira, os móveis fabricados em MDF tem


início com a chegada e o descarregamento da matéria prima, a qual é
armazenada próxima ao início do processo, este processo é realizado
unicamente com o auxílio de uma empilhadeira, devido ao grande peso das
chapas.

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Para dar início ao processamento do MDF as chapas são
desunitizadas e transportada por meio de esteiras de roletes até a
seccionadora, a qual realiza o corte das chapas conforme especificado em
projeto, após o corte as peças são empilhadas e transportadas, novamente
por esteira de roletes até o próximo processo, onde recebem a aplicação de
bordas de PVC nas peças.
Estando aplicada a borda, as peças seguem para o setor de furação,
onde são na maioria das vezes processadas por máquinas CNC. Porém, é
comum que em peças de menores proporções, que as furações sejam feitas
por equipamentos mais antigos que requerem o constante envolvimento do
operador.
Na sequência, as peças são encaminhadas para o setor de
embalagem, para que sejam embaladas e destinadas à expedição.
Entretendo, algumas peças são direcionadas ao setor de pintura UV antes de
serem embaladas, neste setor, as peças recebem a aplicação, por meio de
rolos, de uma camada de tinta que posteriormente é seca ao ser exposta a
luz ultravioleta, seguindo então para a embalagem e para a expedição.
No caso de móveis fabricados em MDF curvado, as peças seguem por
um caminho alternativo a partir do corte das chapas, sendo encaminhado
para uma serra fita na qual são abertas na transversal, possibilitando assim a
curvatura da peça.
Estando abertas, as peças são armazenadas em um estoque
intermediário, onde aguardam a aplicação de cola e a montagem do conjunto
a ser prensado. Por fim, o processo de prensagem é realizado, conferindo,
após algum tempo, o formato curvado às peças.
Após a prensagem as peças são armazenadas novamente em um
estoque intermediário, no qual aguardam a liberação das máquinas para que
seja realizado o processo de usinagem. Após a usinagem as peças são
encaminhadas ao setor de acabamento, onde as bordas são lixadas e
recebem a aplicação de tingidor, dado que a empresa não possui
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equipamentos para realizar a aplicação de borda em peças curvas. Após
esse ponto, as peças curvadas seguem o mesmo processo das demais
peças de MDF anteriormente citadas, sendo pintadas, estofadas (se
necessário e posteriormente embaladas e expedidas para os clientes.

2.3 Situação Antes da Intervenção

Ao avaliar-se as instalações da empresa constatou-se a falta de saídas


de emergência, o que em caso de emergência dificultaria a evacuação da
empresa, além disso, constatou-se a falta de extintores na maioria dos
setores da empresa.
Outro ponto importante percebido consiste na movimentação da
empilhadeira entre os setores, expondo os funcionários ao risco de
atropelamento, risco esse agravado pelo fato de o alarme de marcha ré da
mesma estar desligado.
Por fim, constatou-se existência de goteiras que em períodos de chuva
acabam por tornar o piso escorregadio, podendo ocasionar quedas. Outro
potencial causador de quedas são os desníveis existentes em alguns pontos
da empresa, alguns podendo até causar lesões mais graves nos membros
inferiores dos funcionários.
Ao realizar-se a avaliação da situação atual da empresa constatou-se
uma série de fatores de risco que ocorriam em setores específicos da
empresa. Dessa forma, para que fosse possível apresentar mais claramente
a situação da empresa antes da realização deste estágio, fez-se a descrição
das irregularidades encontradas separando-as de acordo com os setores nos
quais foram encontradas.

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2.3.1 Recebimento/Expedição

Ao avaliar-se o setor de recebimento e expedição constatou-se a


existência de riscos de acidentes relacionados à inexistência de guarda-
corpo nas docas (Figura 4), podendo ocasionar a queda de operários.

Figura 4 - Doca

Fonte: Autor, 2018

Outro risco percebido consiste no fato de que os funcionários


responsáveis por este setor estão expostos ao risco de queda de materiais,
principalmente de chapas de MDF (Figura 5), dado que são responsáveis
pelo descarregamento e empilhamento destas. Além disso, os funcionários
deste setor estão expostos ao risco de sofrerem cortes durante o
descarregamento e conferência de cargas de vidro. Por fim, constatou-se
também a existência de riscos ergonômicos, dado que em alguns casos, é
necessário realizar a movimentação de materiais pesados de forma manual.

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Figura 5 - Pilha de Chapas

Fonte: Autor, 2018

2.3.2 Prensa

Neste setor foram encontrados riscos relacionados principalmente às


prensas utilizadas na fabricação de peças curvadas (Figura 6), as quais
apresentam uma série de componentes eletrônicos expostos, submetendo os
funcionários ao risco de sofrerem descargas elétricas e componentes com
alta temperatura também exposto, podendo causar queimaduras nos
colaboradores. Além disso, constatou-se a falta de proteção em partes
móveis das prensas, podendo causar lesões, principalmente nas mãos e
membros superiores, bem como os rolos do aplicador de cola (Figura 7) que
não possuem nenhuma proteção para impedir o acesso das mãos aos rolos.

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Figura 6 - Prensa

Fonte: Autor, 2018

Figura 7 - Aplicador de Cola

Fonte: Autor, 2018


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Ainda neste setor, constatou-se a existência de riscos químicos,
relacionado aos possíveis danos à saúde que podem ser causados pela cola
e outro relacionado ao risco de cortes e escoriações que o funcionário pode
sofrer ao manusear as peças já coladas, dado que as sobras de cola quando
secam ficam muito duras e podem ocasionar cortes (Figura 8). Além disso, é
importante destacar o risco de queda das peças empilhadas (Figura 9), tanto
no estoque anterior ao processo como no estoque posterior ao processo.

Figura 8 - Cola Seca

Fonte: Autor, 2018

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Figura 9 - Peças Empilhadas

Fonte: Autor, 2018

Por fim, foram notados alguns problemas ergonômicos, relacionados


ao espaço reduzido para movimentação que dificulta a movimentação dos
funcionários responsáveis pela realização do processo. Além disso, é comum
neste setor a realização de movimentos repetitivos durante a montagem dos
conjuntos a serem prensados, bem como a movimentação deste até a devida
prensa, visto que estes conjuntos apresentam um elevado peso.

2.3.3 Usinagem

Este foi de longe o setor no qual mais existem potenciais riscos aos
funcionários. Foram encontradas proteções de máquinas retiradas para
facilitar o carregamento de peças a serem processadas (Figura 10), expondo
assim o funcionário ao risco de ser atingido por pedaços de material que
18
possam ser ejetados durante o processamento do produto. Além disso, os
operadores aproveitavam o fato de as proteções estarem retiradas para
entrar na máquina em operação (com capacidade reduzida) durante o setup
e programação e até mesmo durante o processamento em si para realizar a
limpeza do equipamento, estando assim sujeito a sofrer ferimentos ou até
mesmo a morte.

Figura 10 - Centro CNC e Pilha de Peças

Fonte: Autor, 2018

Outro potencial gerador de riscos consiste na utilização de máquinas e


equipamentos como tupias (Figura 11), lixadeiras de cinta (Figura 12), serras
circulares de bancada (Figura 13), serras fitas (Figura 14) e furadeiras
múltiplas (Figura 15) totalmente inadequados para a realização de pequenas
operações fora dos equipamentos CNC. Estas máquinas representam um
elevado risco aos funcionários pois podem causar desde pequenas
escoriações até amputação de membros. Além disso também é importante
ressaltar a existência de máquinas e equipamentos adulterados (Figura 16,
19
Figura 17), de forma a reduzir os dispositivos de segurança para facilitar o
trabalho.

Figura 11 - Tupia

Fonte: Autor, 2018

Figura 12 - Lixadeira de Cinta

Fonte: Autor, 2018

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Figura 13 - Serra Circular de Bancada

Fonte: Autor, 2018

Figura 14 - Serra Fita

Fonte: Autor, 2018


21
Figura 15 - Furadeira Múltipla

Fonte: Autor, 2018

Figura 15 - Skipper Adulterada

Fonte: Autor, 2018

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Figura 17 - Centro CNC Adulterada

Fonte: Autor, 2018

Também caracteriza risco neste setor a queda de materiais empilhados


(Figura 6), que pode ocasionar ferimentos aos operadores, bem como o risco
de corte nas sobras de cola provenientes do processo anterior, além é claro
do fio deixado na peça após o processo.
Além dos potenciais riscos já citados é importante destacar a existência
de riscos físicos e químicos, relacionados a ruído e partículas de pó em
suspensão, que causam a irritação dos olhos e das vias respiratórias e riscos
ergonômicos, dado o pouco espaço disponível para a movimentação do
funcionário no exercício de sua função, bem como a realização de
movimentos repetitivos e o manuseio de peças pesadas, causando dores
musculares e lesões por esforço repetitivo.

23
2.3.4 Corte

No setor de corte, os principais riscos estão relacionados a serra fita


(Figura 18) utilizada para a preparação das peças para o processo de
prensagem, a qual possui não apresenta proteções para impedir o acesso
das mão à serra além de apresentar muitas partes móveis expostas.

Figura 18 - Serra Fita

Fonte: Autor, 2018

Além disso, foram constatados riscos físico/químicos relacionadas a


ruídos que causam irritação e em longa exposição podem causar problemas
auditivos e a poeira em suspensão que causa irritação de olhos e vias
respiratórias. Outro ponto relevante são os riscos ergonômicos presentes no
setor, dado que é necessário que os operadores manuseiem materiais
pesados em um espaço reduzido.

24
2.3.5 Acabamento

No setor de acabamento o principal risco de acidente está relacionado


ao uso de maquinários improvisados (Figura 19) no processo de lixação, o
qual é realizado por meio de uma lixa cilíndrica acoplada a uma furadeira
pneumática e as próprias lixadeiras orbitais.

Figura 19 - Lixadeira Improvisada

Fonte: Autor, 2018

Com exceção deste, os demais riscos encontrados neste setor estão


relacionados a questões físicas no que se trata do ruído gerado pelas
lixadeiras e pelo ar comprimido e químico, no que tange a grande quantidade
de poeira em suspensão e aos gases e vapores provenientes do tingidor a
base de solvente utilizado neste setor, os quais podem causar irritação nos
olhos e nas vias aéreas
25
Por fim, como na maioria dos setores já descritos, encontra-se neste
setor riscos ergonômicos provenientes do pouco espaço de movimentação e
do manuseio de peças pesadas.

2.3.6 Pintura PU e Pintura UV

Em ambas as linhas de pintura constatou-se o risco de queda de


materiais empilhados (Figura 20), podendo causar lesões nos funcionários
responsáveis pelo setor.

Figura 20 - Pilha de Peças da Pintura

Fonte: Autor, 2018

Porém, por mais que os riscos de acidente neste setor sejam quase
nulos, é importante frisar que os funcionários deste setor estão sujeitos a
riscos químicos (Figura 21), uma vez que a inalação ou contato com tintas e
solventes pode causar alergias, e dependendo do tempo de exposição a
certos componentes da tinta, podem ocorrer intoxicações.

26
Figura 21 - Rótulo da Tinta

Fonte: Autor, 2018

Além disso, especificamente na pintura UV ocorre a exposição dos


funcionários a radiação ultravioleta, utilizada para a secagem da tinta. Esta
pode causar queimaduras, e em alguns casos, inflamações e febre. Neste
processo também ocorre a liberação de Ozônio, decorrente do processo de
secagem da tinta, o que pode causar dores de cabeça, tonturas e
ressecamento de olhos e vias aéreas.

2.3.7 Embalagem

O setor de embalagem foi de longe o setor que apresentou menos


riscos aos funcionários, nele existe apenas o risco de queda das peças
empilhadas que pode caracterizar risco de acidente. Os demais riscos deste
setor são ergonômicos e consistem na movimentação de peças pesadas e
na realização de movimentos repetitivos.

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Ainda neste setor, o qual não possui ventiladores posicionados no teto
como os demais, constatou-se a utilização de ventiladores (semelhantes aos
utilizados em granjas) (Figura 22) para amenizar o calor, porém estes não
possuem uma proteção adequada em suas hélices, possibilitando assim a
passagem de uma mão e potencialmente a amputação de dedos.

Figura 22 - Ventilador

Fonte: Autor, 2018

2.3.8 Estofaria

Neste setor existem níveis de ruído que podem causar dores de


cabeça e dependendo do tempo de exposição, leves perdas auditivas. Além
28
disso, constatou-se a ocorrência de riscos de acidentes associados ao uso
de ferramentas de corte (principalmente estiletes convencionais) e
grampeadores pneumáticos, sendo estes os maiores causadores de
acidentes de trabalho da empresa.
Também neste setor foram encontrados riscos químicos, provenientes
do contato com colas a base de solvente e riscos ergonômicos, relacionados
à realização de movimentos repetitivos.

2.3.9 Almoxarifado

No almoxarifado da empresa, o qual encontra-se um mezanino sobre a


linha de pintura, foram constatados problemas no piso do mesmo, visto que é
construído com chapas de MDF 6 mm que com o passar do tempo vem se
soltando, dessa forma passando a representando riscos para os almoxarifes.
Também foram constatados riscos de propagação de incêndio, uma
vez que as espumas utilizadas na fabricação de cadeiras são estocadas
dentro do prédio da empresa e o local de armazenamento das tintas e
solventes não está devidamente afastado da empresa. Além do risco aos
quais os almoxarifes estão expostos ao manipularem solventes na
preparação das tintas para o processo de pintura.

2.4 Descrição da Intervenção

A intervenção foi realizada por meio da elaboração das APRs de cada


setor, de forma a elaborar o levantamento dos riscos existentes em cada um
dos setores da empresa, elencando os elementos causadores de risco e
avaliando os possíveis efeitos que poderiam ser causados, assim propondo
medidas preventivas no intuito de contornar estes risco. A seguir são
apresentadas os Quadros referentes as APRs de cada setor, sendo ele:
Recebimento e Expedição (Quadro 1), Prensa (Quadro 2), Usinagem
29
(Quadro 3), Corte (Quadro 4), Preparação da Madeira (Quadro 5),
Acabamento (Quadro 6), Linha de Pintura PU (Quadro 7), Linha de Pintura
UV (Quadro 8), Embalagem (Quadro 9), Estofaria (Quadro 10), Almoxarifado
(Quadro 11) e por fim, os problemas que afetam o ambiente da empresa em
geral (Quadro 12).

Quadro 1 - APR Recebimento/Expedição


Cat.
Risco Causa Efeito Med. Preventivas
Risco
Pode ocorrer
Docas sem Instalar guarda-
Acidente queda de II
guarda-corpo corpo nas docas
operários
Demarcar áreas de
Queda de
circulação e
materiais Ferimentos ou
Acidente IV elaborar roteiro
durante o morte
padrão para a
transporte
atividade
Elaborar
Movimentar procedimento
Ergonômico materiais Dores musculares II padrão de
pesados execução de
atividade
Vidros
quebrados Cortes e
Acidente III Exigir o uso de EPI
durante o escoriações
transporte
Fonte: Autor, 2018

Quadro 2 - APR Prensa


Cat.
Risco Causa Efeito Med. Preventivas
Risco
Componentes
Funcionário pode
das prensas Isolar componentes
Acidente sofrer descarga IV
elétricos elétricos
elétrica
expostos
Químico Cola O contato pode III Exigir o uso de
causar danos à luvas para a

30
manipulação das
saúde
peças com cola
Componentes
com altas
Risco de Exigir o uso de
Acidente temperaturas III
queimaduras jaleco
das prensas
expostos
Dificuldade de
Pouco espaço Redefinir a
deslocamento ao
Ergonômico para II disposição dos
transportar
movimentação equipamentos
peças
Estabelecer pausas
Movimentos Lesão por
Ergonômico III ou variações de
repetitivos esforço repetitivo
funções
Lesão nos
Rolos do membros Instalar proteções
Acidente aplicador de cola superiores, III na área de acesso
sem proteção principalmente aos rolos
mão e pulsos
Estabelecer a
Queda de
Lesão nos quantidade máxima
Acidente materiais II
membros de peças que pode
empilhados
ser empilhada
Estabelecer
Queda devido a Lesão e procedimento de
Acidente II
piso molhado contusões limpeza dos rolos
do aplicador de cola
Cortes e
Acidente Cola seca II Exigir o uso de EPI
escoriações
Elaborar
procedimento
Manuseio de Dores
Ergonômico III padrão de
peças pesadas musculares
execução de
atividade
Lesão nos
Partes móveis membros Elaborar métodos
Acidente das prensas superiores, III para fixar as peças
expostas principalmente a serem dobradas
mão
Fonte: Autor, 2018

Quadro 3 - APR Usinagem


Cat.
Risco Causa Efeito Med. Preventivas
Risco
Instalar sensor para
Proteção frontal
Funcionário pode impedir que a
da “Pade”
ser atingido por máquina inicie o
Acidente levantada II
lascas de processo sem estar
durante o
material devidamente
processo
fechada
31
Dificuldade de
Pouco espaço Redefinir a
deslocamento ao
Ergonômico para II disposição dos
transportar
movimentação equipamentos
peças
Estabelecer pausas
Movimentos Lesão por
Ergonômico III ou variações de
repetitivos esforço repetitivo
funções
Elaborar
procedimento
Manuseio de Dores
Ergonômico III padrão de
peças pesadas musculares
execução de
atividade
Estabelecer a
Queda de
Lesão nos quantidade máxima
Acidente materiais II
membros de peças que pode
empilhados
ser empilhada
Excessos de
cola seca
Cortes e
Acidente presente nas II Exigir o uso de EPI
escoriações
peças antes de
serem usinadas
Cortes e
Acidente Fio do MDF II Exigir o uso de EPI
escoriações
Ruído das Perda de
Realizar medição
Físico máquinas e ar audição se III
dos níveis de ruído
comprimido acima do limite
Limpeza Instalar sensor que
realizada com Ferimentos ou interrompa o
Acidente IV
máquina (Pade) morte processo quando a
em operação porta for aberta
Operador na
máquina em
Ferimentos ou Instalar cortina de
Acidente operação para IV
morte laser
realizar ajustes
no processo
Irritação de olhos
Poeira de MDF e Melhorar o sistema
Químico e vias II
madeira de exaustão
respiratórias
Instalação de
Utilização de Amputações e
Acidente IV proteção nas partes
tupia cortes
móveis
Instalação de
Utilização de lixa Queimaduras e
Acidente III proteção nas partes
cinta escoriações
móveis
Utilização de Instalação de
Amputações e
Acidente serra circular de IV proteção nas partes
cortes
bancada móveis
Projeção de Incentivar o uso de
Físico partículas nos Irritação de olhos II óculos de
olhos segurança
Instalação de
Utilização de Amputações e
Acidente IV proteção nas partes
serra circular fita cortes
móveis
Instalação de botão
Utilização de Ferimentos nas
Acidente III de ativação em dois
furadeira múltipla mão
estágios
32
Centro de
Funcionário pode
usinagem com Demarcar limites de
Acidente ser atingido pela II
mesa móvel segurança
mesa
exposta
Máquina
(skipper) com Funcionário pode
Reinstalar sistema
Acidente sistemas de ser atingido pela II
de segurança
segurança mesa móvel
removidos
Máquina Instalar proteção de
Acidente adulterada Morte IV malha de aço em
(Double) frente a máquina
Fonte: Autor, 2018

Quadro 4 - APR Corte


Risco Causa Efeito Cat. Risco Med. Preventivas
Perda de
Realizar medição
Físico Ruído das serras audição se III
dos níveis de ruído
acima do limite
Elaborar
Movimentar procedimento
Dores
Ergonômico materiais II padrão de
musculares
pesados execução de
atividade
Dificuldade de
Pouco espaço Redefinir a
deslocamento ao
Ergonômico para II disposição dos
transportar
movimentação equipamentos
peças
Partes móveis da Instalação de
Amputações e
Acidente serra fita IV proteção nas partes
cortes
expostas móveis
Irritação de olhos
Melhorar o sistema
Químico Poeira de MDF e vias II
de exaustão
respiratórias
Instalar proteções
Amputações e
Acidente Serra fita IV para evitar contato
cortes
com a serra
Fonte: Autor, 2018

Quadro 5 - APR Preparação da Madeira


Risco Causa Efeito Cat. Risco Med. Preventivas
Perda de
Ruído das serras Realizar medição
Físico audição se III
e plainas dos níveis de ruído
acima do limite
Elaborar
Movimentar procedimento
Dores
Ergonômico materiais II padrão de
musculares
pesados execução de
atividade
Ergonômico Pouco espaço Dificuldade de II Redefinir a
33
deslocamento ao
para disposição dos
transportar
movimentação equipamentos
peças
Exigir o uso de
O contato pode
luvas para a
Químico Cola causar danos à III
manipulação das
saúde
peças com cola
Instalação de botão
Prensa de
Acidente Lesão nas mãos III de ativação em dois
painéis
estágios
Fonte: Autor, 2018

Quadro 6 - APR Acabamento


Risco Causa Efeito Cat. Risco Med. Preventivas
Ruído das Perda de
Realizar medição
Físico lixadeiras e do ar audição se III
dos níveis de ruído
comprimido acima do limite
Irritação de olhos
Melhorar o sistema
Químico Poeira de MDF e vias II
de exaustão
respiratórias
Máquinas Queimaduras e Eliminar máquinas
Acidente II
improvisadas escoriações improvisadas
Alergias e
dependendo do
Respirar gases e tempo de
Incentivar o uso de
Químico vapores durante exposição II
máscara e luva
a pintura problemas no
sistema nervoso
(solventes)
Elaborar
procedimento
Movimentar Dores
Ergonômico II padrão de
peças pesadas musculares
execução de
atividade
Dificuldade de
Pouco espaço Redefinir a
deslocamento ao
Ergonômico para II disposição dos
transportar
movimentação equipamentos
peças
Fonte: Autor, 2018

Quadro 7 - APR Pintura PU

Risco Causa Efeito Cat. Risco Med. Preventivas


Dor de cabeça e
Ruído do ar Incentivar o uso de
Físico leves perdas II
comprimido EPI
auditivas
Químico Respirar gases e Alergias e IV Instalar ventilação
vapores durante dependendo do eficiente e
a pintura tempo de incentivar o uso de
exposição máscara, luva e
problemas no uniforme de manga
sistema nervoso longa

34
(solventes)
Elaborar
procedimento
Movimentar Dores
Ergonômico II padrão de
peças pesadas musculares
execução de
atividade
Estabelecer a
Queda de
Lesão nos quantidade máxima
Acidente materiais II
membros de peças que pode
empilhados
ser empilhada
Dores nos Implementar
Movimentas
Ergonômico músculos, II atividades de
repetitivos
tendões e nervos ginástica laboral
Fonte: Autor, 2018

Quadro 8 - APR Pintura UV


Risco Causa Efeito Cat. Risco Med. Preventivas
Dor de cabeça e
Ruído do ar Incentivar o uso de
Físico leves perdas II
comprimido EPI
auditivas
Alergias e
Instalar ventilação
dependendo do
eficiente e
Respirar gases e tempo de
incentivar o uso de
Químico vapores durante exposição IV
máscara, luva e
a pintura problemas no
uniforme de manga
sistema nervoso
longa
(solventes)
Elaborar
procedimento
Movimentar Dores
Ergonômico II padrão de
peças pesadas musculares
execução de
atividade
Estabelecer a
Queda de
Lesão nos quantidade máxima
Acidente materiais II
membros de peças que pode
empilhados
ser empilhada
Dores nos Implementar
Movimentos
Ergonômico músculos, II atividades de
repetitivos
tendões e nervos ginástica laboral

35
Sinalizar
adequadamente,
Exposição à Queimaduras, instalar sensores de
Físico radiação vermelhidão, III segurança, realizar
ultravioleta inflamação, febre treinamentos e
incentivar o só de
EPI
Dor de cabeça,
Instalar sistema de
tontura,
Inalação de exaustão eficiente e
Químico ressecamento de IV
Ozônio incentivar o uso de
vias respiratórias
máscara
e olhos
Fonte: Autor, 2018

Quadro 9 - Embalagem
Risco Causa Efeito Cat. Risco Med. Preventivas
Elaborar
procedimento
Movimentar Dores
Ergonômico II padrão de
peças pesadas musculares
execução de
atividade
Estabelecer a
Queda de
Lesão nos quantidade máxima
Acidente materiais II
membros de peças que pode
empilhados
ser empilhada
Dores nos Implementar
Movimentos
Ergonômico músculos, II atividades de
repetitivos
tendões e nervos ginástica laboral
Ventiladores com
Substituir as
Acidente proteção frontal Cortes nas mãos III
proteções frontais
inadequada
Fonte: Autor, 2018

Quadro 10 - Estofaria
Risco Causa Efeito Cat. Risco Med. Preventivas
Dor de cabeça e
Incentivar o uso de
Físico Ruído leves perdas II
EPI
auditivas
Dores nos Implementar
Movimentos
Ergonômico músculos, II atividades de
repetitivos
tendões e nervos ginástica laboral
Dor de cabeça,
Vapores e tontura,
Incentivar o uso de
Químico contato com cola ressecamento de III
EPI
e solventes vias respiratórias
e olhos
Cortes nos
Ferramentas de Incentivar o uso de
Acidente membros III
corte EPI
superiores
Perfuração das
Grampeador Instalar ponteiras
Acidente mãos por III
pneumático de proteção
grampos
Fonte: Autor, 2018

36
Quadro 11 - Almoxarifado
Risco Causa Efeito Cat. Risco Med. Preventivas
Pode ocorrer
Piso inadequado
Acidente queda de II Reforçar o piso
(MDF)
operários
Estoque de Rápida
Mover estoque para
Acidente espuma dentro da propagação de IV
um prédio a parte
empresa incêndio
Estoque de tintas Rápida
Afastar o estoque
Acidente muito próximo da propagação de IV
do prédio principal
empresa incêndio
Possível contato Incentivar o uso de
Dor de cabeça,
Químico com produtos III EPI ao manipular
tontura
químicos tais produtos
Fonte: Autor, 2018

Quadro 12 - Ambiente geral


Risco Causa Efeito Cat. Risco Med. Preventivas
Problemas de
Falta de saídas de Instalar saídas de
Acidente evacuação (se IV
emergência emergência
necessário)
Circulação de Delimitar área de
Podem ocorrer
Acidente empilhadeira entre IV circulação de
atropelamentos
postos de trabalho empilhadeira
Alarme de ré da
Podem ocorrer Religar o alarme de
Acidente empilhadeira IV
atropelamentos ré
desligado
Quedas devido
Acidente Goteiras ao piso II Consertar telhado
escorregadio
Pode ocorrer
Acidente Desníveis no piso queda de II Consertar desníveis
operários
Dificuldade de
Melhorar a
Falta de extintores controle de
Acidente III distribuição dos
de incêndio possíveis
extintores
incêndios
Fonte: Autor, 2018

2.5 Resultados Obtidos

Com a apresentação do relatório contendo as análises preliminares de


risco aos níveis gerenciais superiores, foi possível conscientizar a empresa
da importância e da grande necessidade de se adotar uma política de saúde
e segurança do trabalho mais eficiente, dessa forma abrindo discussões para
a elaboração desta.

37
Além disso, foi observado durante o período de estágio, uma maior
preocupação com a segurança dos funcionários da empresa, de forma que
algumas ações já estão sendo tomadas para sanar os problemas apontados.
Dentre as ações tomadas atualmente, estão:
I) Instalação de guarda corpos nas docas;
II) Aquisição de tapete de segurança para a furadeira CNC
(Skipper);
III) Concerto do alarme de marcha ré da empilhadeira;
IV) Delimitação do espaço de circulação da empilhadeira;
V) Realização de um estudo para a readequação do layout da
empresa;
VI) Maior frequência na realização de treinamentos de segurança.
Intervenções mais complexas, como a adequação ou automação de
equipamentos mais perigosos ainda estão sob análise, mas espera-se que
após a realização deste estágio sejam tomadas as medidas cabíveis para
neutralizar os riscos existentes.

2.6 Relação dos Assuntos Abordados com Engenharia de


Produção

Este trabalho abordou principalmente os conteúdos referentes às


disciplinas de: (I) Ergonomia de Produtos e Processos e (II) Gestão da
Segurança do Trabalho. Uma vez que estas disciplinas forneceram a base
para a realização da análise dos riscos existentes nos setores da empresa,
dado que estas forneceram os conhecimentos referentes às normas, tanto
das normas ligadas à segurança do trabalho como das normas ligadas à
ergonomia de processos produtivos.
Para melhor implementar os conceitos referentes às disciplinas
anteriormente citadas, buscou-se utilizar o conteúdo abordados na disciplina
de Sistemas de Gestão Integrado, principalmente os conceitos relacionados
38
à gestão da saúde e segurança do trabalho, abordados no estudo das
normas OHSAS 18001 e ISO 45001.
Além destas disciplinas base para a realização de atividades
relacionadas à segurança do trabalho foram utilizados conceitos
provenientes de outras disciplinas, como as dinâmicas aprendidas na
disciplina de Gestão de Pessoas, as quais foram utilizadas na condução das
entrevistas e reuniões realizadas com os funcionários da empresa no intuito
de levantar informações e discutir alternativas para a eliminação dos riscos.
Cabe ressaltar ainda, que foram aplicados conhecimentos
provenientes da disciplina de processos de fabricação, os quais serviram de
base para formulação de propostas de adequação do layout da empresa,
focando na melhor utilização do espaço, assim melhorando a ergonomia dos
processos.

39
3 CONCLUSÃO

A realização deste estágio tornou possível identificar os riscos aos


quais os funcionários da empresa estão expostos, riscos estes que em sua
maioria poderiam ser contornados com investimento relativamente baixo
(fornecimento de EPIs e treinamentos de operação de algumas máquinas),
para tanto recomenda-se que a empresa avalie as recomendações
apresentadas nas APRs, buscando dar prioridade aos riscos de maior
categoria (IV e III).
Grande parte dos riscos observados poderiam ser evitados apenas
com o conhecimento prévio, de ambas as partes (funcionários e empresa),
das normas de saúde e segurança do trabalho, dessa forma ficando sob a
responsabilidade da empresa buscar conhecer mais sobre tais normas,
assim podendo atuar de forma mais efetiva no combate aos riscos e na
garantia de um ambiente de trabalho mais agradável e mais seguro.
Dessa forma, é de vital importância que os gestores estudem e
busquem aplicar a legislação e as normas de saúde e segurança do trabalho
vigentes. Como forma de auxílio a este processo sugere-se a busca por
profissionais especializados de forma a desenvolver e implementar ações
focadas na prevenção de acidentes e na educação dos colaboradores,
deixando-os a par das normas vigentes.
A realização destas ações trará uma série de vantagens para a
empresa, uma vez que auxilia na construção e na melhoria da imagem da
empresa, propicia aumentos de produtividade, visto que reduz os índices de
acidentes e doenças do trabalho, absenteísmo e rotatividade. Além disso, a
implementação destas ações reduz os custos relacionados a processos
trabalhistas.
Em âmbito geral dão-se por atendidos os objetivos previamente
estabelecidos para este trabalho, uma vez que foi possível, por meio da
40
apresentação dos resultados do trabalho, mudar a percepção da empresa
em relação ao assunto, facilitando a percepção da alta gerência da
importância da discussão de pautas referentes a solução para os problemas
existentes e propostas de soluções imediatas e com médio prazo de
implementação.

41
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DIEHL, A. A.; TATIM, D. C. Pesquisa em ciências sociais aplicadas:


métodos e técnicas. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2004.

FREITAS M. P. e MINETTE L. J. A importância da ergonomia dentro do


ambiente de produção. IX SAEPRO – Viçosa MG, 2014.

GERHARDT, T. E.; SILVEIRA, D. T. Métodos de Pesquisa. Porto Alegre:


Editora da UFRGS, 2009.

GIL, A.C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas,


2002.

ISO 45001. Occupational health and safety management systems –


requirements with guidance for use. 2018.

LOUSA, A. R. B. Identificação de perigos e avaliação de riscos


profissionais de uma oficina automóvel. 2014. Dissertação 66 f. (Mestrado
em Engenharia de Segurança do Trabalho) – Instituto Politécnico de Setúbal,
Portugal, 2014.

MONTEIRO, L. F., et. al. A importância da saúde e segurança do trabalho


nos processos logísticos. XII SIMPEP – Bauru SP, 2005.

MOTTA, F. A. A cultura de segurança do trabalho na área de produção


industrial. 2012. Dissertação 188 f. (Pós-Graduação em Engenharia
Mecânica) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2012.

ROSSETE, C. A., Segurança do trabalho e saúde ocupacional. São


Paulo: Pearson Education do Brasil, 2015. 178 p.

SMT. Segurança e medicina do trabalho. 5 ed. São Paulo: Saraiva, 2013.

SOUZA, G. F. Impactos da nova redação da NR 12 nas indústrias. 2014.


Monografia 65 f. (Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho)
– Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2014.

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