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ESTRUTURA DA PELE

FARMACOTÉCNICA II
Profª. Marina M. R. Anunciação
INTRODUÇÃO
• A pele é o maior órgão e o mais pesado do
nosso corpo. No adulto, corresponde a quase
5% do peso corporal;
• Toda a superficie composta por saliências
particulares (dactiloscopia, diagnósticos
genéticos);
• Este manto protetor está estruturado em três
camadas: a epiderme, a derme (cório) e a
hipoderme (endoderme).
FUNÇÕES DA PELE
• Proteção:

▪ Invasão de microorganismos;
▪ Entrada de substâncias estranhas (inclusive a
água);
▪ Excesso de radiação
FUNÇÕES DA PELE
• Termo regulação (sistema vascular e
sudoríporo). Isotérmico para 37ºC.
• Excreção e produção de metabólicos
• Sensação
• Refletem emoções
• Produção de Vit. D
EPIDERME
• É um escudo que protege o nosso organismo das
agressões exteriores.
• No entanto é muito fina: dependendo da região
do corpo, a espessura varia de meio milímetro
(nas pálpebras, por exemplo) a 2 ou 3 milímetros
(na planta dos pés ou na palma das mãos).
• Irrigada por difusão pela derme, não contém
nenhum vaso sanguíneo. Em contrapartida, tem
numerosas terminações nervosas que tornam a
nossa pele extremamente sensível ao toque.
EPIDERME
• A epiderme é perfurada por diversas centenas
de poros por centímetro quadrado, pelos
quais sai o suor e o sebo.
• Estas duas substâncias juntam-se à superfície
para formar o filme hidrolipídico que hidrata
e protege a pele.
• 5 camadas: Basal (Germinativa), Espinhosa
(Malpighi), Granulosa, Lúcida e Córnea.
EPIDERME
• A epiderme é composta em 85% por
queratinócitos.
• Estas células preenchidas de queratina e de
lípidos nascem por divisão celular na região
mais profunda da epiderme, na “camada
basal”.
• Em seguida, são submetidas a um duplo
movimento, tornam-se mais planas e sobem
pouco a pouco no sentido da superfície.
EPIDERME
• Chegadas à superfície, perdem o núcleo e
morrem, formando a “camada córnea”: um
escudo semi-permeável composto por
queratinócitos degradados (os corneócitos)
ligados por lípidios e por um complexo proteico.
• Por fim, eliminam-se por descamação e são
substituídas pela geração seguinte de
queratinócitos. Deste modo, a epiderme está em
constante regeneração: e renova-se por completo
todas as 4 a 6 semanas.
EPIDERME
• Os restantes 15% dividem-se entre :

❖ Os melanócitos : estas células têm por função sintetizar a


melanina, pigmento natural responsável pelo tom da nossa
pele e que oferece alguma proteção contra os raios UV.
❖ As células de Langerhans : indiscutíveis sentinelas da pele,
estas células provenientes da medula óssea detectam e
capturam os corpos estranhos que penetram na epiderme
(produtos químicos, bactérias, vírus, etc.).
❖ As células de Merkel : estas células sensoriais estão
implicadas no sentido do tacto.
DERME
• Localizada sob a epiderme, a derme é 10 a 40
vezes mais espessa.
• É irrigada por numerosos vasos sanguíneos
que lhe permitem de trazer à epiderme os
elementos nutritivos que lhe são necessários.
• Abriga igualmente as glândulas sebáceas, e as
glândulas sudoríparas, responsáveis pela
secreção do sebo e do suor, assim como os
folículos pilosos.
DERME
• As principais células da derme são os
fibroblastos, que sintetizam dois tipos de
fibras proteicas: o colágeno e a elastina.
• A elastina proporciona à pele flexibilidade e
extensibilidade, enquanto o colágeno
confere-lhe resistência e permite a
cicatrização dos tecidos danificados no caso
de um ferimento da pele.
DERME
• O espaço entre as células é denominado
“matriz extracelular”.
• O colágeno e a elastina navegam numa geleia
composta por glúcidos (estrutura de C-H-O)
complexos que retêm a água (os
glicoaminoglicanos), tais como o ácido
hialurônico (consegue reter muita água).
Acido Hialurônico
• Reticulados: Formado por moléculas que se unem,
podendo ter variações de durabilidade e peso
molecular. Sua administração é sempre realizada por
via subcutânea e em tratamentos que não requerem
cirurgia

• Não reticulados: as moléculas que compõem o ácido


não se unem entre si, então elas circulam livremente. É
precisamente essa liberdade das moléculas que faz
com que o produto possa ser aplicado por outras vias,
como em cremes ou através de soros.
DERME
• Com o passar dos anos, as fibras de colágeno
e elastina tornam-se mais raras e degradam-
se, conduzindo a uma diminuição da firmeza
da pele e o aparecimento de rugas.
HIPODERME
• Camada mais profunda e mais espessa da pele.
• Também chamado de tecido subcutâneo.
• A hipoderme é maioritariamente composta por
células gordas, os adipócitos, que isolam o
organismo das variações de temperatura e
formam um manto protetor contra as pressões a
que a pele é submetida.
• Como tal, é muito espessa em zonas que
suportam impactos frequentes (as nádegas ou os
calcanhares por exemplo), e bastante mais fina
noutras regiões do corpo.
ANEXOS DA PELE
• Unhas – estruturas achatadas, elásticas, de
textura córnea, composta de queratina dura,
que crescem cerca de 1mm por semana.
• Pêlos – ocorrem em quase toda a superfície
corporal, nascem nos folículos pilosos,
estruturas longas com base em forma de
bulbo localizadas na derme, emergem
formando um ângulo de 60 graus com a pele.
A porção visível do pelo é a haste.
ANEXOS DA PELE
• Glândulas sebáceas – são glândulas arredondadas que
se agrupam como uvas num cacho. Localizam-se na
saída do folículo piloso e produzem o sebo, substância
gordurosa que lubrifica a superfície protegendo-a do
ressecamento e da ação de bactérias e fungos.
• Quando o sebo secretado é excessivo obstrui a saída
do folículo piloso, podendo provocar acne. O controle
da secreção sebácea é realizado pelo sistema
endócrino, aumentando na puberdade, na fase final da
gravidez e diminuindo com a idade.
ANEXOS DA PELE
• Glândulas sudoríparas – são glândulas tubulares
espiraladas de dois tipos: ecrinas e apocrinas.
• Os duetos das glândulas ecrinas se abrem
diretamente na pele. Elas secretam o suor em
resposta a temperaturas elevadas. São
encontradas em todas as partes do corpo, exceto
nos lábios e na glande do pênis, mas são mais
numerosas nas palmas das mãos e plantas dos
pés.
• As glândulas apocrinas se abrem nos folículos
pilosos, são encontradas nas axilas, região
anogenital, cicatriz umbilical e papilas
mamárias, secretam um líquido viscoso e
edonfero, respondendo ao estímulo
emocional ou não.
COR DA PELE
• Não há grande diferença no número de
melanócitos encontrados na pele de várias raças
humanas. As diferenças na cor da pele são
devidas principalmente à quantidade de
melanina produzida pelas células e sua
distribuição.
• Outros fatores: espessura da camada córnea, nº
vasos sanguíneos da derme, eritrócitos e
hemoglobina, caroteno (pele amarelada do
oriental).
ABSORÇÃO TRANSDÉRMICA
• A absorção transdérmica nada mais é que a
absorção de uma substância pela pele na qual
penetra até as mais profundas estruturas
entrando inclusive na corrente sanguínea.
• Depende das propriedades físicas e químicas
do fármaco, de seu comportamento quando
colocado em veículo farmacêutico e do
comportamento fisiológico da pele.
• A liberação transdérmica de fármacos pode
ter como finalidade ação local ou sistêmica.
• Os objetivos desta última são: evitar
administrações repetidas, ter liberação
prolongada e manter as concentrações
plasmáticas constantes.
ABSORÇÃO TRANSDÉRMICA
• Exemplos:
Escopolamina (antiemético), nicotina (fumo),
clonidina (hipertensão), fentanil (analgésico),
hormônios.
GEL DE PLO – Ex de GEL
TRANSDERMICO
• É um veículo de alta permeabilidade cutânea,
com capacidade de carrear fármaco(s)
incorporado(s)
• Essa emulsão consiste de uma fase hidrossolúvel
que é o gel aquoso de polaxamer 407 de 20 a
40%, e de uma fase lipossolúvel (L.I.P.S.)
composta de uma solução de lecitina granulada e
palmitato de isopropila.
• Outro exemplo de veiculo transdermico para
manipulãção é o Pentravan.
Vantagens da administração
transdérmica:
• Via alternativa ao trato gastrintestinal, quando
este é contra indicado por algum motivo.
• Evita, possíveis interações do fármaco com
alimentos e com a flora intestinal.
• Evita o efeito de primeira passagem hepática.
• Permite o controle da absorção de
determinada quantidade de fármaco.
Vantagens da administração
transdérmica:
• Possibilidade de aplicação em diferentes locais
do corpo (deve-se evitar a aplicação em locais
com irritação e ou com lesões).
• Aumenta a adesão do paciente ao tratamento:
resultado da fácil administração e da diminuição
da toxicidade sistêmica.
Desvantagens da administração
transdérmica:
• Possibilidade de irritação localizada ou
reações alérgicas cutâneas, variando o
surgimento ou não e o grau de intensidade de
indivíduo para indivíduo.
• Lag time: tempo requerido para a difusão
através da pele (relativamente demora no início
da ação do fármaco).
• Limitações nas dosagens de fármaco.
Classes de medicamentos a serem
administrados pela via
transdérmica:
• - AINE’s
• - relaxantes musculares
• - derivados xantínicos
• - benzodiazepínicos
• - anticolinérgicos
• - antihistamínicos
• - antipisicóticos
• - vasodilatadores
• - anticonvulsivantes
• - corticosteróides
• - hormônios
• - antivirais
• - vitaminas lipossolúveis
• - anestésicos
• - antidepressivos
• - vasoconstritores

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