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1 EQUAÇÕES DIFERENCIAIS ORDINÁRIAS Slide Nº 10

⌊ 1.2- Equações diferenciais de 1a ordem⌋


A forma geral ou forma implícita de uma EDO de primeira ordem é:
G t, y, y ′ ′
   
=0 ⇔ G t, y(t), y (t) = 0

onde:
(•) G é uma função real de três variáveis reais;
(•) y é a função incógnita (variável dependente);
(•) t é a variável independente, denida num intervalo (aberto) I ⊆ R;

(•) y ′ representa a primeira derivada (total) de y em ordem à variável t.


A forma normal ou forma explícita de uma EDO de primeira ordem é:
y ′ = F (t, y ) ⇔ y ′(t) = F (t, y(t))

onde F é uma função real de duas variáveis reais.


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Exemplo 7. Considere-se a equação diferencial de primeira ordem,


y 2y ′ + 3ty = −1 + ey + sen y

Pode-se escrever, embora de forma não equivalente,


forma normal ou explícita (y̸=0)
forma geral}|ou implícita
y
z }| {
−3ty − 1 + e + sen y
ou
z {
y′ = 2
y 2 y ′ + 3ty + 1 − ey − sen y = 0
y | {z }
| {z } ||
|| G(t,y,y ′ )
F (t,y)

Exemplo 8. Exemplos de EDO de primeira ordem:


(•) y ′ = 3ty − t2

(•) yy ′ − 5t = 0

(•) y ′ = y − y 4

(•) (y ′ )2 − 8 = 0
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Dada uma EDO de primeira ordem na forma geral

′ (2)
 
G t, y(t), y (t) = 0

e um intervalo aberto I ⊆ R, uma função real de variável real ϕ : I −→ R


diz-se uma solução no intervalo I da EDO (2), se para todo t ∈ I :

(•) existir ϕ′(t)

t, ϕ(t), ϕ′(t) ∈ dom G



(•)

′ 
(•) G t, ϕ(t), ϕ (t) = 0

Analogamente, se dene solução de uma EDO de primeira ordem na forma


normal,
y ′(t) = F (t, y(t))
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Exemplo 9. A função constante


ϕ(t) := 1

é solução no intervalo aberto I := ] − ∞, +∞[ da ED de primeira ordem


y ′ = y(y 2 − 1)

Exemplo 10. A função


ϕ(t) := t + 1

é solução no intervalo aberto I := ] − 1, +∞[ da ED de primeira ordem


t+1
y′ =
y

Exemplo 11. A equação diferencial de primeira ordem


 2
y ′ + 5 = −3

não admite nenhuma função real de variável real como solução.


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Exemplo 12. (Exercício 10) Considere a equação diferencial:


y′ = y2 + 1
Sem resolver a ED, mostre que:
(•) Qualquer solução é estritamente crescente ao longo do seu domínio.
(•) A parte dos grácos das soluções que se situa no semi-plano y>0 tem
a concavidade voltada para cima.
(•) A parte dos grácos das soluções que se situa no semi-plano y<0 tem
a concavidade voltada para baixo.

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As soluções de uma EDO podem ser obtidas na forma explícita ou na forma


implícita.
Mais concretamente, uma solução de uma EDO de primeira ordem
′ ou y ′(t) = F (t, y(t))
 
G t, y(t), y (t) = 0

pode ser dada:


(•) explicitamente, quando a solução obtida é da forma y(t) = ϕ(t);
(•) implicitamente, quando a solução obtida é dada por uma igualdade
H(t, y) = 0

a qual dene y como função (implícita diferenciável) de t.

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Exemplo 13. Considere-se a EDO,


y ′ey = 2t

As funções
 
y1(t) := log t2 + 1

e
 
y2(t) := log t2 + 4

são duas soluções no intervalo ]−∞, +∞[. Estas duas funções são exemplos
de soluções na forma explícita.

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Pequena nota sobre o teorema da função implícita


Seja F : U ⊆ab R2 −→ R uma função de classe C 1(U ). Se (t0, y0) ∈ U ,

∂F
F (t0, y0) = 0 e (t0, y0) ̸= 0
∂y
' $

então existe um rectângulo aberto I ×J ⊆ U de


centro em (t0, y0) onde, para cada t ∈ I , existe
um único t∗ ∈ J , tal que F (t, t∗) = 0. Mais, a
função y : I → J , denida por y(t) := t∗, é de
classe C 1(I) e vale: & %

∂F (t, y(t))
∀t ∈ I y ′(t) = − ∂F
∂t
∂y (t, y(t))

Nestas condições também se diz que a equação F (t, y) = 0 dene y como


função implícita (diferenciável) de t.
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Exemplo 14. (Exercício 9) Considere a curva plana (cf. gura em baixo)


denida pela equação
x3 + y 3 = 3xy
Verique que esta equação dene, implicitamente, em torno do ponto (1, a),
com 0 < a < 1, uma solução da equação diferencial
dy y − x2
= 2
dx y −x
e determine o supremo do intervalo onde a referida solução está denida.
' $

[Fólio de Descartes]

& %
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Exemplo 15. A solução da ED (veja-se as duas guras seguintes)


(1 − ty)y ′ = y 2

que passa no ponto (0, 1) é dada, implicitamente, numa vizinhança do ponto


(0, 1), pela equação:
ty = log(y)
' $

Curva integral:

{(t, y) ∈ R2 : ty − log(y) = 0}

& %

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Teorema da função implícita aplicado ao Exemplo 15:

' $

F (t, y) := ty − log(y)

F (0, 1) = 0

∂F 1
(0, 1) = t − = −1 ̸= 0
∂y y (0,1)

∂F 2
y y
y ′ = − ∂F
∂t = −
1
= & %
t− y 1 − ty
∂y [Gráco local da solução y(t) , onde F (t, y(t)) = 0 ]

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Chama-se:
(•) solução geral (ou integral geral) de uma EDO num certo intervalo
aberto I , ao conjunto de todas as soluções da equação no intervalo I ;
(•) solução particular de uma EDO num certo intervalo aberto I , a qualquer
uma das soluções da equação no intervalo I .
Se uma EDO admitir como solução num certo intervalo aberto I a função
identicamente nula, esta designa-se por solução trivial da EDO em I .
Exemplo 16. A solução geral da equação diferencial de primeira ordem
y ′ = p(t) (p ∈ C(I), I⊆R intervalo aberto) (3)
é dada, explicitamente, pela família de funções
Z
y(t) = p(t) dt + A (A ∈ R)

Qualquer solução particular de (3) resulta de se concretizar a constante A.


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Exemplo 17. Considere-se a equação diferencial de primeira ordem,


y′ + y2 = 0

É fácil mostrar que


1
y(t) = (K ∈ R)
t+K
é uma família de soluções. Por exemplo, tomando K = 0 obtém-se a solução
particular,
1
y(t) =
t
A função constante (solução trivial)
y(t) = 0

é uma solução que não pode ser obtida por concretização da constante K.
Por vezes, nesta situação, diz-se que y(t) = 0 é uma solução singular.
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Dada uma EDO pode ser bastante difícil, ou mesmo impossível, determinar
o conjunto de todas as soluções dessa equação.

Em muitos problemas não interessa determinar todas as soluções de uma


dada EDO, mas apenas aquela que possui determinadas propriedades.
Estão nestas condições os chamados problemas de valor inicial (PVI ),
isto é, problemas em que as condições que a solução deve vericar são
denidas para certos valores previamente xados da variável independente.

O caso mais frequente de problemas de valor inicial para uma EDO é o


chamado problema de Cauchy :

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Formalmente, um problema de Cauchy é uma conjunção de condições do


tipo:
′ (t ∈ I )

(∗1 ) G t, y(t), y (t) = 0

(∗2 ) y(t0 ) = y0

onde t0 ∈ I ⊆ R (I intervalo aberto) e y0 ∈ R. A condição em (∗2) designa-se


por condição inicial ou condição de Cauchy.
Uma solução deste PVI é toda a solução ϕ : I → R da equação diferencial
que verique a condição inicial. Isto é, tal que ϕ(t0) = y0.
Analogamente se dene o conceito anterior para uma EDO de primeira ordem
na forma normal,
y ′(t) = F (t, y(t))

Exemplo 18. Qual a solução do problema de Cauchy:


y ′ cos y = 3 e y(0) = 2π
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