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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO

ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE CAMPO GRANDE/MS

BERNARDO, brasileiro, solteiro, criador de cavalos da raça manga-larga, portador da


carteira de identidade nº XXXXX, expedida pelo XXX, inscrita no CPF/MF sob o nº
XXXXX, com endereço eletrônico XXXXXX, residente e domiciliado na Rua
XXXXXX, n° XXX, Dourados/MS, nesta cidade, por sua advogada Alana Duarte
Nunes, que essa subscreve, propor a presente.

AÇÃO INDENIZATÓRIA POR PERDAS E DANOS

Pelo procedimento especial em face de SAMUEL, brasileiro, solteiro, profissão


desconhecida, portador da carteira de identidade nº XXXX, expedida pelo XXX,
inscrita no CPF/MF sob o nº XXXXX, com endereço eletrônico desconhecido, residente
e domiciliado na Rua XXXXXX, n° XX, Campo Grande/MS, pelos fatos e fundamentos
que passa a expor.

DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO – MEDIAÇÃO

O autor manifesta interesse em realizar audiência de conciliação ou mediação conforme


os termos apresentados no art. 334 do NCPC.

DOS FATOS

O demandado SAMUEL, no dia 02 de outubro de 2016, por força de contrato escrito,


conforme anexo de fls. XX, deveria restituir o cavalo de raça manga-larga, denominado
“TUFÃO”, avaliado no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) ao demandante
BERNARDO.

Todavia, até o mês de janeiro do ano de 2017, o demandado SAMUEL ainda não o
havia restituído por pura desídia, quando uma forte chuva causou a morte do cavalo, o
que foi inevitável devido à altura atingida pela água, bem como à sua força.

É de suma importância salientar que o fato não teria ocorrido se o demandado


SAMUEL, tivesse cumprido com o acordado, e restituído o cavalo no prazo pactuado,
causando assim, danos ao demandante desta ação, quanto do inadimplemento da
obrigação.

Outrossim, a regra é toda obrigação ser cumprida, e todo contrato ser cumprido,
afinal o contrato faz lei entre as partes.

DOS FUNDAMENTOS

O direito do Autor vem primordialmente amparado na Lei nº 10.406 de


10 de janeiro de 2002, em especial em seu Art. 399, que assim dispõe:

Art. 399. O devedor em mora responde pela impossibilidade da


prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito ou de força maior, se
estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção de culpa, ou que o dano
sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada.

Trata-se, portanto, de inadimplemento absoluto e a única maneira de


isentar-se de responsabilidade seria provar que o dano sobreviria ainda que a obrigação
tivesse sido oportunamente cumprida, o que não ocorreu.

Além do art. 389, que diz:

Art. 389. Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e


danos, mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente
estabelecidos, e honorários de advogado.

Bem como no art. 397:

Art. 397. O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu


termo, constitui de pleno direito em mora o devedor.

Diante dos fatos anteriormente expostos, fica evidente o prejuízo causado


ao demandante pela inadimplência por parte do demandado SAMUEL, tendo em vista
sua omissão voluntária, negligência e imprudência
Corroborando com os arts. 186 e 187 do CC:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência,
violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato
ilícito.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo,
excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-
fé ou pelos bons costumes.

DA DOUTRINA

A questão da reparação ao credor é ressaltada por Maria Helena Diniz (2004, p. 398)
nos seguintes dizeres:

“Pelos prejuízos sujeitar-se-ão o inadimplente e o contratante moroso ao dever de


reparar as perdas e danos sofridos pelo credor, inserindo o dano como pressuposto da
responsabilidade civil contratual [...] A responsabilidade civil consiste na obrigação de
indenizar, e só haverá indenização quando existir prejuízo a reparar.”

DA JURISPRUDÊNCIA

Por unanimidade a 2ª Turma Recursal deliberou pelo conhecimento do recurso


interposto pela ré, para, no final, DAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto do
juiz relator. I - Sentença que julgou parcialmente procedentes os pedidos iniciais e
condenou as companhias aéreas rés ao pagamento de indenização por dano moral. II -
Passageira que teve sua entrada no país de destino (Rússia) negada pela autoridade local
e teve de retornar ao país de origem (Brasil) e pugnava pela indenização pelos danos
morais decorrentes da falta de auxílio das companhias áreas (alimentação e
hospedagem) pelo tempo que permaneceu nos aeroportos estrangeiros, além do extravio
de sua bagagem e a cobrança de taxa extra para o embarque do animal de estimação
que a acompanhava. III - No entanto, as provas carreadas conduzem à conclusão de que a
passageira não obedeceu aos requisitos estabelecidos pelo país de destino, o que culminou na
negativa de seu ingresso. IV - Inexigibilidade de custeio do retorno à terra natal por parte das
companhias aéreas, dado que nos termos do artigo 18 da Resolução ANAC nº 400/2016, cabe
ao passageiro atender a todas as exigências relativas à execução do transporte, tais como a
obtenção do visto correto de entrada, permanência, trânsito e certificados de vacinação
exigidos pela legislação local dos países de destino, escala ou de conexão. V - Extravio da
bagagem que não superou o prazo para restituição fixado pelo artigo 32 da Resolução ANAC nº
400/2016, que é de 21 dias para os voos internacionais. VI - Sentença que se reforma, para
julgar integralmente improcedentes os pedidos postos na inicial. VII - Sem ônus sucumbenciais,
nos termos do artigo 55 da lei nº 9.099/95. ACÓRDÃO. SEGUNDA TURMA RECURSAL CÍVEL
RECURSO Nº: 0802474-33.2021.8.19.0045 Recorrente: GOL LINHAS AÉREAS S/A - ré Recorrida:
LOUISE AUSQUIA LEAO - autora Origem: Juizado Especial Cível da Comarca de Resende - RJ.
Juiz Relator: Mauro Nicolau Junior.

DAS PROVAS QUE PRETENDE PRODUZIR

Para demonstrar o direito arguido no presente pedido, o autor pretende instruir


seus argumentos com todas as provas em direito na amplitude do art. 32 da Lei
9.099/95.

Importante esclarecer sobre a indispensabilidade da prova


documental/testemunhal, pois se trata de meio mínimo necessário a comprovar o
direito pleiteado, sob pena de grave cerceamento de defesa:

CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DA


PRODUÇÃO DE PROVA ORAL E COMPLEMENTAÇÃO
DE PERÍCIA. Constitui-se cerceamento de defesa o
indeferimento da produção de prova oral e prova técnica visando
comprovar tese da parte autora, considerando o julgamento de
improcedência do pedido relacionado a produção da prova
pretendida. (TRT-4 - RO: 00213657920165040401, Data de
Julgamento: 23/04/2018, 5ª Turma) #undefined

Tratam-se de provas necessárias ao contraditório e à ampla defesa,


conforme dispõe o Art. 369 do Novo CPC, "As partes têm o direito de empregar todos
os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste
Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e
influir eficazmente na convicção do juiz."

Trata-se da positivação ao efetivo exercício do contraditório e da ampla


defesa disposto no Art. 5º da Constituição Federal:

"Art. 5º (...) LV - aos litigantes, em processo judicial ou


administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes;(...)"

Para tanto, o autor pretende instruir o presente com as provas acima


indicadas, sob pena de nulidade do processo.

DOS PEDIDOS

Por todo o exposto, REQUER:

 A designação da audiência de conciliação;

 Citação dos Réus para INTEGRAR O POLO PASSIVO NA RELAÇÃO


PROCESSUAL e querendo conteste o feito sob pena de revelia e confissão.

• Seja julgado procedente o pedido para a condenação do Réu ao pagamento


do valor indenizatório de perdas e danos.

DO VALOR DA CAUSA

Dá-se á causa o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) pela perda do cavalo, bem
como o valor do contrato conforme art. 292, Vl, NCPC.

Nestes termos, pede deferimento.


DOURADOS/MS, 20 de fevereiro de 2017

Alana Duarte Nunes

OAB/SC XXXX

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