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Jorge Macaísta Malheiros

A análise das transformações ocorridas no quadro vc ou a faixa Leiría-A\'ciro) que, embora não eli-
migratôrio portugucs, tanto interno como interna- minando as tendências profundas desenvolvidas ao
cional, apôs 1974 c, em particular, a panir da se- longo de dCC3das, lhes introduzem matizes signifi-
gunda metade da década de 80, reflecle não sô o C3ti\·OS.
modo como Portugal se foi reposicionando no qua- J. Ferrão (1996) interpretou o período de 1960-
dro do sistema global de intcracçÕC'S (sobretudo de -1990. ou mais precisamente 196O-mcados da dé-
mãlrdc-obra, mas não só...), como as dinâmicas cada de 80, como a fase de consolidação do Portu-
internas de recomposição territorial. No contexto gal demogrâfico moderno. Nos quinze anos que se
destas últimas, tr.I.dicionalmentc marcadas pelas di- seguiram. o quadro dos movimentos migratórios
cotomias norte-sul e litoral-interior associadas ao do país sofreu alterações relevantes, algumas apro-
pendor bicéfaio das areas merropolitanas de Lisboa fundando dinâmicas ja pressentidas (multipolarida-
e Pono, vcm-se afinnando processos no\'os (emer- de, dcsconcentrnção dos centros das áreas metro-
gência de algumas cidades medias do interior e. politanas, atenuação dos volumes de emigraç'do num foto 31 Imagem de
por vezes, da sua cnvoh'cmc, acentuar das dinâmi- contexto dominado por movimentos temporários di\'crsidade da metrópole -
cas dos prolongamentos das áreas metropolitanas que assumem a forma de circulação migratória de operários afric:l.nos ~
europeus, em Lisboa
- por exemplo, Região Oeste, Lcziria do Tcjo c larga amplitude), outras cvidenciando fcnómcnos (Alameda Afonso Henriqucs).
dc cspaços litorais cxtcriores a estas, como o Algar- novos (diversificaç:io das origens dos imigr:mtes FOIO: Carlos Gil.

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I
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SOCIEDADE, PAISAGfNS f CIDADES 87


POPULAÇÃO ETERRITÓRIO
..........................................•...•••••••••...... o···· .................•...................................•••••••••.•........

cinco linhas de análise que emendemos sintetiza-


rem os principais pontos de convergência entre di-
nâmicas territoriais e processos migratórios:

a) a afirmação de Ponugal no âmbito do .clube


dos paises desenvolvidos., ainda que situado na pe-
riferia deste conjunto e largamente caracterizado
por elementos (capacidade de concepção e inova-
ção limitada, maior relevância dos serviços e do
.fabrico qualificado•...) que o posicionam enquanto
~país intermédio_ no contexto da denominada No-
va Divisão Internacional do Trabalho., explicitada
em finais dos anos 70 (G. Benko e A. Upietz,
1994). Ê este contexto que enquadra aspectos co-
mo a manutenção de fluxos de emigração laboral
portuguesa em direcção aos paises da Europa Cen~
trai e do Norte, o significativo incremento dos vo-
lumes da imigração na transição do milénio ou o
seu carácler assimetricamente polarizado, uma vez
que nos últimos anos as formas de inserção em
segmentos pouco qualificados do mercado de tra-
balho têm claramente prevalecido;
b) a incorporação de Ponugal no comex(o da
~globalização das migrações. (P. Stalker, 2000), o
que se traduz na emergênda de fluxos migratórios
não enquadrados pelas antigas lógicas da proximi-
dade geográfica ou histórico-cultural. A circulação
FOI:. JS Habitantes de dh-crsas num quadro de afirmação de Ponugal como pais de trabalhadores no contexto de mercados de tra-
etnias on Chclas (fcira do de imigraç'do, generali7.ação da presença de imi- balho a funcionarem à escala global, fonemente
Relógio).
Fol:O: Eduardo TomêID~. grantes a todas as regiões ponuguesas). dependente do papel de redes profissionais de
No início do século XXI, para:e claro que algu- colocação e tráfico internacional de mão-de-obra,
mas das imagens tradicionais associadas aos movi- parece constituir-se como o principal mecanismo
mentos migratórios internos e externos que en"ol- explicativo de muitas vagas de imigração contem-
\'em Portugal - o êxodo rural em dirccção ás áreas porâneas, como é o caso da recente presença de
metropolitanas, um pais de emigração - perderam trabalhadores da Europa de Leste em Portugal
a sua pertinência, cedendo lugar a lógicas aparen- a. Malheiros, 2003);
temente mais complexas. Efeçth-amente, se e ceno c) a persistência de .uma cultura migratória acti-
que emergem .ilhas. de auncçào demográfica cor- \·a. entre os Portugueses, ou, mais predsamente, en-
respondentes a cidades médias do interior e a espa- tre os naturais de algumas regiões portuguesas, que
ços litorais exteriores ás duas áreas metropolitanas, suporta uma tradição de .saber circular_ fadlitadora
estas não perderam a sua capacidade alractiva, re- da manutenção de fluxos emigratórios, mesmo que
forçando mesmo OS seus niveis de concentração em menor escala e de carácter essencialmente tem-
demográfica ao longo dos anos 90 (concentravam porário. Adicionalmente, a consolidação do .arqui-
37,3 % da população do pais em 1991 e 38,1 % em pélago migratório português. leva a que os fluxos de
2001). Adicionalmente, o elevadíssimo saldo migra- pessoas (a emigração laboral em si mesma) se tornem
tório positivo do decênio de 90, que traduz o efeito menos relevantes do que as interacções induzidas
de movimentos de relorno import'antes (F. i'vlartins, pelo fluxo emigratório (os retornos e a circulação
2003) e, sobretudo: o crescimento da imigração, dos luso-descendentes, o movimento de vai-e-vem,
não justifica que se ignore o significado de 4,3 mi- as remessas ou as \~sitas turisticas...);
lhões de ponugueses e luso-descendentes a residi- d) a flexibilização e segmentação dos processos
rem no estrangeiro, os quais continuam a enviar produtivos, que se traduz numa maior \'olatilidade
anualmente remessas monetárias que ascenderam, e preçariedade das relações laborais, associada a
em 2001, a 3700 milhões de euros (cerca de 3 % um reforço das acessibilidades e à implementação
do PIB nacional). Se, do ponto de vista dos fluxos, de equipamenlos de nivel regional ou mesmo su-
Portugal se transformou num pais de imigração, pra~regional (por exemplo, univcrsidades e institu-
em termos de slocks, os emigrantes sobrepõem-se toS politécnicos) em diversas regiões a. Fcrrão,
clarameme aos imigramcs, correspondendo os pri- 1996), facilitaram a intensificação e a di\'ersificação
meiros a cerca de 41 % dos residemes em 200 1 e dos movimentos migratórios internos;
os segundos a menos de 4 % da população residen- e) considerando os lugares e as regiões mais
te (aproximadamente 413 000 indivíduos em situa- atractivas como as elevações do mapa topográfico
ção regular, em 2002). A proposta de leitura do da demografia portuguesa, verifica-se que a ima-
quadro migratório português que apresentaremos gem dc superl1de aplanada (correspondente à
nos pontos seguintes pretende, precisamente, inter- enonue mancha das àreas repulsivas) em que se
pretar as continuidades e rupturas que se deseO\'ol- destacavam duas grandes elevações (as áreas me-
\'eram ao longo dos ultimas anos, pri\'ilegiando tropolitanas de Lisboa e Pono), transmitida pela
88 GEOGlAFIA DE PORTUGAl
3 "'~GRAÇÕES
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canografia dos movimentos migratórios dos anos
60 (L. Fonseca, 1990), cedeu o lugar a um relevo
mais complexo, marcado por alguma heterogenei-
dade interna das arcas metropolitanas (essencial-
mente, perda da metrópole e da primeira coroa,
ganho das áreas mais afastadas, algumas já situadas
fora do limite formal das áreas metropolitanas) e
pela emergência de vários ~relevos_ complementa-
res a estas. Ao longo da dêcada de 90 parece mes-
mo ter ocorrido uma tendência para a constituição
de pequenas táreas urbanas_ em tomo de algumas
cidades do interior (Evora, Castelo Branco, Vi-
seu ...), que polarizam conjuntos de concelhos en-
\'oh'entes, os quais passam a funcionar como espa-
ços de atracção demográfica.

3.1. MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS


EXTERNOS: DA EMIGRAÇÃO À IMIGRAÇÃO?
A observação dos saldos migratórios dos quatro
períodos imercensitârios ocorridos entre 1960 e
2001 permite identificar uma curiosa alternância
entre dêcadas de balanço positivo e negati\·o. Esta
situação, que poderia significar um componamemo
irregular conmirio â identificação de tendências
mais ou menos pronunciadas, ê matizado pela rela-
tiya excepcionalidade do decênio de 70. Efectiva-
mente, o processo de descolonização, responsável nomica dos anos 70 significou uma retracção do FOI. J' RelOmados de Angola
pela súbita chegada ao país de mais de 500 000 mercado de emprego dos principais paises de des- (ponte aerea) no aeroporto
da Ponela, Lisboa, em 1975.
pessoas, num período de apenas três ou quatro tino europeus (p. e. França, Alemanha) c justificou Foto: Arquil"o Diârio Ik
anos (R. Pires, 1984), significou uma situação ex- o incentivo ao retorno dos emigrantes, mas não li- NOfiâm.
cepcional que contraríou as tendências migratórias mitou os processos de reagrupamento familiar que
(de perda) \'erificadas desde os anos 50 e mesmo continuaram a ocorrer (i\'\' L Baganha e P. Góis,
antes. Na verdade, se não fosse este afluxo extraor- 1998/1999).
dinário de população, o saldo migratório teria sido Se não se considerar o efeito .descolonizaçãrn, a
certamente negatiyo, ainda que mais reduzido do C\'olução do saldo migratório portUguês entre 1960
que no decênio anterior, uma \'ez que a crise eco- e 1990 resultaria quase exclusivamente da evolução

Quadro 10
Componentes de variação demográfica - períodos intercensitários 1960-2001
População PopuJação Variação Crescimento Saldo
no inicio no fmal absoluta n,tur.oI migratório
do pttiodo do periodo

1960-1970 8889392 8663252 -226140 1072 620 - I 298 760

1970-1981 8663252 9833014 1 169762 794 194 375569

1981-1991 9833014 9867 147 34 133 349549 -315416

1991-2001 9867147 10356117 488970 84223 404747

Taxas por 1000 habitantes

Variação absoluta Crescimemo narural Migratória

1960-1970 -25,8 122,2 -148,0

1970-1981 126,5 85,9 40,6

1981-1991 3,5 35,5 -32,0

1991-2001 48,4 8,3 40,0


Fomes: INE, Cimos, 1960, 1970, 1981, 1991 e 2001; Es/olisticos Dtmogrúfims (\'ârios anos).
SOCTEDADE. PAISAGl.'lr:5 E(IDADES 89
f'()PLL~ÇÃO ETERRITÔRIO
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dos Ouxos de emigração e retorno e traduzir-se-ia clima de estagnação económica iniciado em 2001,
em valores sistematicamente negativos, ainda que que teve como consequência uma contracção do
em atenuação progressiva. Apenas na última déca- mercado de emprego e a quebra dos salários reais
da do século xx se torna clara uma alteração apa- de muitas famílias, induziu, de imediato, um acrês~
rentemente sustentada (e não decorrente de fenô- cimo da emigração, que passou de uma estimativa
menos demográficos excepcionais) do sentido do de 20 600 individuos em 200 I para 27 400 em
saldo migratório de Ponugal. É também nesta altu- 2002. Finalmente, o boom imigratório ocorrido en~
ra que o saldo migratório se torna a explicação fun~ tre 2000 e 2002, fortemente dependente das chega~
damental para a dinâmica demogrâfica portuguesa das de cidadãos da Europa de Leste e de brasilei-
(corresponde a mais de 80 % da variação absoluta), ros, tendera, prm'avelmente, a diminuir no futuro.
confirmando a tendência de com'ergência com os Para tal contribuirJo, em termos conjunturais, o
paises europeus que marca a entrada no periodo de contexto de TCtracção económica e, do ponto de
modernização consolidada, conforme mencionado "ista estrutural, a pro\'ável estabilização das econo-
antenormente. mias dos principais paises emissores, associada ao
Em suma, nos anos que antecedem o novo milê- papel de buffer que os estados de Leste aderentes á
nio, PonugaI apresenta uma situação que conjuga: UE poderão desempenhar a médio prazo. Tam~
• um ritmo de saidas relati\'amente reduzido, bém o esforço de controlo e regulação dos fluxos
mas não negligenciâ\'cl (uma média anual de apro- implementado por Ponugal no quadro da UE po-
ximadamente 2S 800 emigrantes entre 1997 e derj ter consequências no sentido da atenuação
200 I, segundo as estimativas do INE baseadas no destes, mas tal só terã um sígnificado forte se ocor~
ll/quérito aos Movimemos Migratôrios de SaMa), es- rer uma tendência para a estabilização dos movi-
sencialmenre de carãeter temporãrio e privilegian- mentos de mão-de-obra, no âmbito dos processos
do os destinos internos da UE e a Suíça; de auto-regulação marcados por \'ariáxeis econó-
• um nivel de retornos igualmente pouco eleva- micas c sociais (ni\'eis de desemprego, alteração
do (,ralor médio de cerca de 20000-22000 regres- dos diferenciaís salariais entre origem e destino,
sos anuais entre 1992 e 1997 e de aproximada~ papel das redes profissionais de auxilio à emigra-
mente 15000, entre 1997 e 2001, a que se devem ção, importância do reagrupamento familiar e das
acrescentar os familiares não activos excluídos das redes sociais de familiares e conterrâneos dos mi~
estimativas de contabilização efectuadas pelo lNE), grames...).
sobretudo quando comparado com a primeira me- Este contexto que se acaba de descre\'er ê pres-
tade dos anos 80; sentido pela sociedade portuguesa, como atestam
• uma imigração em crescendo, que conheceu as palavras de um taxista lisboeta, no âmbito de
um significati\'o incremento nos anos situados em um discurso bem menos técnico:
torno da transiç1io do século x...... para o século XXl
(178 000 esrrangeiros em situação regular em 1998; ~Sabe, já ai andam a trabalhar alguns brasilei~
mais de 413 000 no final de 2002, considerando os ros... poucos ê certo, mns já se vêem. Eu ando aqui
possuidores de autorizações de residência e de per~ há cinco anos, mas não é porque goste... tem de
manência emitidas em 2001 c 2002), momento si~ ser. Trabalhei numas firmas espanholas - com
tuado no ümbito de umn conjuntura económica fa~ "eles" -, de distribuição, mas isso não teve conti-
voriivcl, que conjugava dinâmicas importantes do nuidade. O que eu queria mesmo era emigrar, ou
investimento privado e público materializadas, entre para a Suíça, ou para Angola. Já fiz um "pedido"
outros, em grandes projectos de significado nacional numa grande empresa de construção civil... é que
(Expo 98, barragem do Aiqueva, Porto~Capital da eu também tenho uns conhecimentos nessa ârea ...•
Cultura, infra-estruturas viárias, Euro 2004...), asso~
ciadas a um processo de expansão do consumo das l\o10torista de táxi, 45 anos, Lisboa, Janeiro de
famílias. 2004.
Neste quadro, a transição de país de emigração
para pais de imigração parece, numa primeira ob~ 3.1.1. A emi&ração: de país de emigração
servação, ser bastante evidente. Contudo, alguns a país de emigrantes
aspectos justificam que tal afirmnção seja utilizada Ainda que as saidas de portugueses para o estran-
com prudência e devidamente contextualizada. geiro não se tenham extinguido, verificando~se
Em primeiro lugar, a dimensão das comunida- mesmo uma tendência para um acréscimo após
des portuguesas no estrangeiro e as práticas trans~ 2001, quando a situação de estagnação económica
nacionais que lhes estão associadas implicam que a e desemprego se acentuou, o estudo contemporâ-
imagem de Portugal como pais de emigrantes não neo da emigração de\'e ultrapassar o mero exerci-
se tenha desvanecido. Afinal, ainda em meados da cio da análise da dinâmica e das características dos
década de 90, Ponugal aparecia num dos cinco fluxos de saida. No contexto português, o desen-
primeiros lugares do ra"k;"g dos paises que maio- vol\'imemo e consolidação de uma cultura emigra~
res volumes de remessas recebiam (p. Stalker, tória ao longo de mais de 500 anos, a que se fez
,.~ .~' .~--.: um pu-
2(00). alusão no primeiro capitulo, justificou a criação de
"" Jj\,root 1.."Ml. do
- , .::) r...·-' W\Wl- Em segundo lugar, a emigração não se extin- um vasto tarquipêlago migratório., constituido pe~
___ nr ~ lI:..:n.-o lllaIll.\fU
.::- _ ~• ..;._,.;. ..:. J' q-.l.: 1lWl-
guiu. Se bem que mais atenuada e com um carac- los lugares de fixação de portugueses no exterior,
_ ~""" ~ :m~::,.'-.çom ter marcadamente temporário, o fluxo existente que se articula com a metrópole de fonoas relati\'a-
.- - ..!. ":.1:'1. "l.l Jo.." rri>- não se pode ignorar, designadamente em delermí~ mente dh'ersas e mais ou menos imensas. Efectiva-
_ v .m:.rJ ...J"....
: : r -3 nadas áreas do Norte e Centro interior. De resto, o mente, esta enorme diáspora I portuguesa no exte~
90 GroGR-V'IA Df PORTUGAl
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J MIGRAÇÕES

Fot. -40 Emigrantes


poffilguese5 - embarque a
caminho de LcixÕC5, donde
partirão de na\io para o
Brasil. III1SlruçQo Pcmllgrltso,
1913.
Foto: C. p~ Cardoso.

rior, ainda hoje alimentada por fluxos de saída, económica portuguesa, considerada enquanto fluxo
mas que cresceu significativamente entre 1960 e internacional de trabalho, iniciado apôs o primeiro
1973, é não só responsâve1 pelo envio das remes- quartel do século XIX e dominado pelos destinos no
sas, como também por trocas culturais relativa- continente americano, com realce para o Brasil
mente intensas (facilitadas por canais como a lele- (M. I. Baganha e P. Góis, 1998/1999), cujos con-
\'isào internacional ou a Internet...), pela circulação tornos foram aflorados no primeiro capitulo,
de bens e de pessoas (particularmente no Verão) e O segundo ciclo da emigração econômica por-
mesmo por alguma actividade de divulgação e loh- tuguesa está bem evidenciado na informação cor-
b)' pró-português no exterior. respondente ao periodo de 1960-1974, com os
Porque Portugal ainda se posiciona no centro destinos europeus a predominarem, com destaque
deste arquipêlago migratório, procurando tirar di- para a França. Em menos de 15 anos, terão emi-
údendos económicos, poJiticos e culturais dele, grado mais de 1.5 milhões de portugueses, o que
porque a estrutura de contactos se reproduz, não atesta uma significativa aceleração do fenemeno.
apenas através dos novos e dos velhos emigrantes que atingiu proporções de sangria demográfica. Do
mas também de diversos .filhos da emigração", ho- pomo de \'ista interno. as modIficações ocorridas
je designados como luso-descendentes, na análise na estrutura produtiva de Portugal. especialmente
da emigração portuguesa importa dar atenção aos nos anos 60 do século xx. não se repercutiram
fluxos contemporâneos, mas, sobretudo, reflectir num acrêscimo dos salários. tendo mesmo gerado
sobre o significado das comunidades portuguesas c1e\'adas taxas de desemprego potencial que. asso-
no exterior, na dupla dimensào de articulação entre ciadas a siruacões de subemprego e forte precarie-
si (os locais da diáspora) e de articulação com Por- dade na agriculwr:l. facilitaram significati\'amcnte
rugai, aspecto que será aqui tratado. Afinal, trata-se o acréscimo da emigração (C. Almeida e A. Barre-
de combinar a perspectiva da emigração (a análise lO. 1976; j. Barosa e P. Pereira. 1989: M. I. Baga-
de fluxos) com a perspectiva do emigrante (o sujei- nha e P. Góis. 19981999).
to aetivo deste processo) e do que lhe esUl associa- Do ponto de \'ista externo. durante o ciclo de
do, em termos de lempo e conteúdo. capitalismo feliz que dominou as economias dos
paises desem'oh'idos da Europa Ocidental enlre o
Os fluxos cOllltmpmi'meos da emigração portllgllesa - pós-guerra e 19i3,-4. tornou·se necessário recru-
da alimelllaçiio laboral do ciclo de capitalismo feliz dos tar um significativo número de trabalhadores
paises desellvolvidos da Europa Oádemal ti .livre. oriundos. sobretudo, da bacia do Mediterrâneo, de
circulação 110 comexlO do Espaço Econômico Europeu, forma a satisfazer as necessidades de mão-de-obra
CQ}I/ predolllÍlfio de movimelltos remporán"os de acti\'idades em expansão, como a indústria
transformadora e a construção civil (L. Fonseca,
A informação contida no Quadro II sintetiza 1990). Num contexto marcado por alguma relrac-
os fluxos migratórios com origem em Portugal, em ção demográfica, inicialmente devido aos efeitos da
lermos de volumes e destinos, ao longo dos últimos Segunda Guerra Mundial e posteriormente aos ní-
50 anos. veis de fecundidade tendencialmente decrescentes,
O primeiro quinquénio considerado correspon- com excepção do bab)' boom da prímeira metade
de ao encerramento do primeiro ciclo da emigração dos anos 50, as carências de mão-de-obra faziam-
SOCIEDADE, PAISAGENS ECIDADES 91
POP\..L.I"ÇÃO ETERRITÔRJO
............... , , .

Nlt. 41 Cmaz em ·se especialmente sentir nos ramos de actividade ção em massa, assente em princípios taylorislas de
;'. :\1.:gu~fnmcês junto a
:::-.... n~ anos 60 em
dotados de menor prestigio social e que exigiam organização do trabalho, na internalização de fun-
:::-:i..'t'.1. qualificações mais baixas. Efectivamente, a e1e\'a- ções e numa combinação entre intensidade do ca-
:'":, P.1u1 A1mas)·flPM. ção estrutural dos nh'eis de educação dos autócto- pital e intensidade do trabalho - que foram ocu-
For. ~~ A5peçto de wn bairro
nes traduziu-se em expectativas e formas de inser- padas, em larga medida, por emigrantes, entre os
:: , 'uburbios p:uisicnscs. ção profissional orientadas para os segmentos mais quais os portugueses.
; •• .• - 1".-.';
::...t .1 nulOl'1.3 UiI popu.... ~o qualificados do mercado de trabalho, deixando por Após 1973, os principais paises receptores da
~ ;mruguesa (anos 60). preencher vagas para os assalariados menos qualifi-
F':e- P.1U) A1m.1syJIPM. Europa encetaram uma politica de .fecho ã emi-
cados - frequentes no quadro fordista de produ- gração~ que, inicialmente, te\'e origem na situação

Quadro 11
Emigração portuguesa por países de destino (médias anuais para os períodos de
referência entre 1955 e 2002)
Períodos Brasil EUA Canadá França Outros 0,"'" Total
países da paises geral
Europa

1955-1959 18292 2 125 2270 3786 132 6493 33 098

1960-1964 11 658 3 199 3693 23047 2450 5458 49505

1965·1969 2996 10 135 6388 70566 12692 7242 110019

1970·1974 1 129 8768 7888 83370 27 662 4746 133 563

1975-1979 697 7915 3880 13603 6438 4055 36588

198()...1984 193 3254 1 520 8520 2714 5270 21471

1985-1988 69 -,
, -60 2705 1 700 3036 1 556 11626
••
1992·199-1 1000 800 8000 19500 noo 34000

1995-1997 8000 19500 2000 29500

1998·2000 6000 15000 3000 24000

2001-2002 600 6000 14000 3400 2-1000

•• A serie original ê interrompida em 1988. Após 1992 itúcia-se uma nova serie baseada em esômaÔ"as obtidas a par·
tir do inquêrito aos mo\imentos migratórios de saida (INE) e não no registo dos emigrantes.
Fontes: Baganha e Góis (1998-1999, p. 235); INE, EstiJ/islicaJ DtmogroftcQs.
92 GEOGRAfIA DE POII:TUGAl
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] MIGRAÇÕES.

de crise econômica, com fortes consequências ao giões do inlerior, numa primeira fase como resulta- 'Embora não cmum dados ux·
tos. cmmw.~ dmu.><.bs flOr M.
ni\'el do crescimento do desemprego e da atenua- do dos im'estimentos efectuados pelo poder local sm... fi aL. 198-1. p. 59. aponwn
ção do ritmO de crescimento do produto. POSte- democrãtico em infra-estruturas e equipamentos, pmI 209 000 rtÇmoI mtn: 1980
c 19&5. A aphaçio de IJDS de \'1-
riormente, o processo de reestruturação econômica a expansão do consumo individual \'eio facilitar a r\açJo aos dados 3\~ por .\1.
que se verificou e que foi impondo a deslocalização abertura de no\'as oportunidades de negócio (hote- l'\'liIDrd (1991, p. .l69) ~
llIilD-K dos 300 000 rtgltloI05 nas
de muitas unidades produtivas para países tercei- laria/restauração, comércio, reparaçõcs), em que os ..... 80, CIlnI uma incidCnciI nWor
ros, a flexibilização das formas de produção e a emigrantes regressados podiam aplicar as suas na prirncirJ meudc deslCS (I. Ma.
Ibctros. 1996, p. 73).
di\'ersificação dos produtos, a diminuição do pes- poupanças. Em finais dos anos 70 e na primeira I EnlJC o fmal do 5oéculo XIX c 19&8,
soal ao serviço em muitas fabricas e a afirmação metade dos anos 80, num momemo anterior ã rees- exi,lem rcgi~los ofKi~is rdalÍ\"J.·
mentc bons da emigraçlo legal por-
da economia dos serviços, repercutiu-se na redu- truturação do aparelho comercial nacional, muito tuguesa, baseados na ron1abilldade
ção das necessidades de mão-de-obra e, sobretu- associada ã difusão das grandes e médias superfi- dos 'pa~,apon~s de emigrante', cx·
limos em 19S8, Em ronsequcnçia
do, nos modelos de contratação (cada vez mais cies comerciais pertencentes a alguns grupos eco- desla modif~1). l;C$$.l. o processo
marcados pela curta duração, pela flexibilidade e nômicos nacionais e estrangeiros. ã concentração de rfCOlh.a de infOl'lNol;Jo Mlbrc
emigração nesu modaIi<bde. oror·
pela precariedade). E neste contexto que começa de lojas num número cada \'ez mais ele\"ado de rC!l<k> um pniodo de 3 anos 5an
a tomar forma a ideia de _Fortaleza Europeia" que centros comerciais e à emergência de processos rbJos. Ap.mir IX 1992. ~ 1JTlpbn-
UÓo> pdo I~E l:IfI _"O Y>lmlóI de
se viria a afirmar nos anos 80, e que designa um nO\'os como o !rallchúillg, a \'enda por catalogo ou .""olm ok mf,,"utio wbrc mu·
espaço relativamente fechado a imigração, apenas as lojas de descamo, as oportunidades para o pe- i".........
N>e..... , num inqutrilO
permeavel aqueles que utili7.am os instrumentos queno comércio independente e para a restaura-
anwI ~ (a pcrgunu me
a ;w.c..'U 00 cwmJ=O t roioa·
formais correspondentes ao reagrupamento fami- ção re\'ela\'am-se prometedoras. Uma \'ez que o da a f=,.JWes c \lllrIl1Oi c não:ao
rwrrio). rnhu.lo JNl'" ~an
liar e ao asilo. comércio era o ramo de actividade mais pretendi- (I."", IIOS .\/Ot_ _ .\Ilp;J1o>-
A emigração portuguesa ressentiu-se natural- do pelos emigrantes para aplicação de poupanças "'" di Saib). Como ~ rep;ws da
mugraçào pmI a Europa ler» fICa-
mente deste contexto, como se pode constatar pelo e exercicio de actividade profissional (M. Silva Cl do partiroIarmmIC suba,'lI1i;tdo$
brusco decrcscimo de saídas, identificavel no Qua- aI., 1984,1'.117 e 141), a conjuntura referida aflÓ'S a :>dcsio de Ponllpl 11 CEE,
em 19&6, intt'ITompernJo.se a stric
dro li. Claro que esta situação não se pode disso- veio, naturalmente, facilitar esta opção de investi- esla!Í,lka imedimmcn1e a seguir.
ciar das profundas transformações políticas, sociais mento e reinserção. Por último, deve relembrar-se ,·crilica·se uma allsôneia de dados
e econômicas por que passou a sociedade portu- que existem motivos individuais que justificam a
que permita l\lIliar. com rigor. °
mom~mo ~ o real signifu:ado des1a
guesa, entre 1974 e meados dos anos 80. A revolu- opção do retorno, em determinados momentos es- prO\1Í\'d relorm da ~migrn';lo"

ção de 2S de Abril de 1974, a instauração da de- pecificas. Afinal, em muitos casos, razões familia-
mocracia e o final da Guerra Colonial criaram um res, como as saudades dos parentes ou a educação
capital de esperança que contribuiu para diminuir dos filhos, constituem o fundamento do retorno à
o desejo de partida, desvanecendo moti\'os de emi- região de origem (M. Silva Cf al., 1984; F. Cravi-
gração como a deserção ao serviço militar em sede dão, 1988).
de guerra colonial ou a fuga face as perseguiçõcs Depois desla fase de retracção, alguns autores
políticas impostas pelo regime dilatoria!. (A'l. I. Baganha e P. Gôis, 1998/1999) referem-se a
Igualmente neste pcriodo teci ocorrido o maior um terceiro ciclo da emigração portuguesa para
numero de regressos de emigrantes, com destaque a Europa, que se teci iniciado na segunda metade
para os anos imediatamente subsequentes a 19802. dos anos 80.
Se os incentivos ao retomo de emigrantes concedi- Embora não existam dados que confirmem, de
dos por paises como a França e a Alemanha tcrão modo preciso, um eventual aumento das saidas a
ajudado a construir a decisão de regresso de alguns partir do supracitado moment0 3, os resultados
portugueses, foram sobretudo causas de outra na- dos Censos de 1991 e os estudos efectuados por
tureza que maior contributo deram para tal proces- autores como j. Peixoto (1993) e M. I. Baganha e FOI, ~3 c ~ Esubdccimemos
comerciais de emigrantes
so. Para além da democra(Ízação da sociedade e da J. Peixoto (1997) parecem apontar para uma re- regressados.
melhoria da qualidade de vida, sobretudo nas re- lama da emigração neste periodo. De acordo com Fotos: Clara Azevedo.

r

- SOCIEDADE, PAISAGENS ECIDADES 93


POPULACÃO ETERRITÓRIO
............... ,", .. , , , .

"
.·-. :] ~
1
manrido como importante país de atracção -
Fig. 42), como na América (Estados Unidos e Ca-
nadá, não obstante a redução dos fluxos ao longo
dos anos 90 - Quadro li).
.-
·- o -. Provavelmente mais intensa na transição dos
·
"..'"
o
~ / .,..,"\ /
• anos SO para os anos 90, a emigração portuguesa
deve ter declinado paulatinamente na segunda me-
tade da década transacta, parecendo ocorrer uma
6000 ~~~
://
~~
\7'" 'v • ,,- nova retoma, após 2000, quando a recessão econó-
mica gerou nova contracção salarial e um signifi-
'000
• rr""•
cativo acréscimo nos níveis de desemprego.
/' 9r >7 R.""., l'o,""

)( """. Conrudo, para além de se avaliar a intensidade


'000
-~l ""... e as variações dos fluxos da emigração portuguesa
O
, " ,-""",,
ao longo deste terceiro ciclo, importa destacar os

"" "
,A ,Ae'
"
AO
,Ae" ,A ," e' ,
" " -~ -",
,A , ~~ ~,
~~ novos contornos que lhe estão associados.
Em primeiro lugar, trata-se de mO\'imentos si-
tuados, maioritariamente, num espaço marcado pe-
Fig. 'l Emigração portuguesa M.I. Baganha (1991-1994), só após meados dos la _livre circulação", o que significa que os cons-
'.;unJo os principais
':=--linos - 1991-2002, anos SO se encontraram reunidas as condições trangimenros formais à circulação e os défices de
f"nle: INE. L'slatislÍ(as que possibilitaram a retoma dos movimentos mi- direitos normalmente inerentes à condição de tra-
D;IIi(l~rJfiC<ls (drios anos), gratórios com origem em Portugal: a reconstruçào balhador (ou residente) estrangeiro se reduzem
de redes migratórias que facilitassem a partida substancialmente. Ao situar os movimentos migra-
para destinos alternalivos aos dominantes nos tórios dos Porrugueses no ãmbito do processo de
anos 60, como a Suiça, e o sancionamento políti- consolidação da circulação de oconcidadãos euro-
co da emigração, tanto do lado da origem como peus·) no contexto da UE, pode-se assumir que este
do destino. fenómeno se vai aproximando, progressivamente,
Segundo M. I. Baganha, J. Ferrão e J. Malhei- da lógica das migrações internas.
ros (2002, p. 62), a sustentação da emigração por- Em segundo lugar, afirmaram-se as migrações
..\l..mo qUé o erilerio nJo po,5a tuguesa ocorrida nos últimos 15 anos parece ser temporárias~ (Fig. 43), fenómeno que se ajusta,
~: .ph':Jdo wm absoluto rigor no
" ,.:"10 do 11I~lIin"w <1<>1 J (,mille,/- suportada pelo seguinte conjumo de factores: não só às facilidades de circulação no espaço euro-
,1I:.'r.I/,;n'N dt S"iJ.J, as mignl- • a construção de redes migratórias que alimen- peu, mas sobretudo às actuais características dos
c·~~ t.-m['(lrjri" corrc;pondem às
;--":'.~ cm que os indi"iduo$ N' tam destinos "novoso>, como o Luxemburgo mercados de trabalho, marcados por l1utuações nas
::: .U-,nl<:$ do $Cu local de re'i- (30250 pessoas em 19S7; 53 100 dez anos depois necessidades de emprego e pela precarização das
.i:~,;.l J'>.'f l'~riodos compreendidos
• -:;C,' 3 rn",~\ e um ano (defLni,;;" - D. Beirão, 2002, p. 296), a Suiça (39900 indi- relações contratuais.
-_,,;, (,'mUm em termos inlernaeio- viduos de nacionalidade portuguesa, em 1995; Por último, uma parte destes movimentos mi-
C"". ~ulizadJ, poe exemplo- peta
01'1-';,' J~ Popula..'âo das :\a,<;cs 134 SOO, em 1995 - J. C. Marques, 1997) e, mais gratórios situa-se no âmbito de processos de recru-
L·~.:':",
recentemente, o Reino Unido; tamento colectivo de trabalho, desenvolvidos quer
• as facilidades de circulação de trabalhadores por empresas de outros paises da UE (Holanda,
no contexto da União Europeia e, de algum modo, Espanha) com o auxílio de engajadores nacionais,
do próprio Espaço Económico Europeu; quer por empresas portuguesas que prestam servI-
• o desenvolvimento, a nivel europeu, de pro- ços no exterior, por exemplo no sector das obras
cessos de destacamento de trabalhadores para tare- públicas. Como este sistema apresenta hiatos de
fas de caráctcr temporário, como a construção civil controlo (por exemplo, a promiscuidade enrre "em-
ou a agricultura, que facilitam a circulação de por- presas de colocação de mão-de-obra nacionais* e
tugueses. empregadores estrangeiros torna difusas algumas
Flg. J3 Emigração porlUguesa A estes factores pode acrescentar-se a manuten- responsabilidades perante os trabalhadores que,
r-:fTI1Jnentc c lemporária) - ção das fortes redes sociais e familiares que susten- muitas vezes, acabam por ficar numa espécie de
199~-~002.
f, r,le: I)';"E. j;','/illislÍ(íls tam a emigração para alguns destinos tradicionais, oterra-de-ninguém*), elementos de informalidade
/),;m"rrj(ic<ls (\"lírios anos). tanto na Europa (sobretudo a França, que se tem (e mesmo de certa ilegalidade) e alguns casos de
défice de cumprimento, tanto de empresas nacio-
nais como estrangeiras, das suas obrigações para
.l~ 000 com os estados e, sobretudo, para com os trabalha-

'",
.ltlOOO dores, têm sido relativamente frequentes as situa-
çõcs de trabalho e alojamento piores do que as ini-
35000
A
3"000

" lOO "- V / \ A .. cialmente promctidas ou os casos de salários pagos


parcialmente ou mesmo não pagos.

~"
V "- ./ Detalhando a análise dos mais importantes des-
-- 00 tinos da emigração, deve referir-se que os quatro
15000 principais paises (Fig. 42) concenrraram, em mé-
If OlO

3' 000
" _ _ TobI
__ P,,,,,,,,,,m,
To"""""",
dia, entre 75 e SO % das saídas totais, no período
de 1994-1999. As l1utuações detectadas nos fluxos
dirigidos a cada um dos países estão associadas ao
O
,
,," e' ,~, li' ,ee" ," ,A," comportamento conjuntural das economias e, fre-
" "
,Ae'
" -", ~" -~, ~' ,","' quentemente, a oscilações especificas ocorridas em
determinados sectores de actividade. O exemplo
9.t. GEOGRAFIA DE PORTUGAL
.........................................................................•................................................................
3 MIGRAÇÕES

Fot, ~s Emigrante português


YDlH'DR CALLlNG lr?balhando nUIll3 mercearia
(Arril:a do Sul),
SE CALL AGAI 1:010: Pedro
Loorciro,lKammtphoto.

mais didúctico corrcsponctc à Alemanha, que rcgis- os


E,'vIlGRA::'\'TES PORTUGUESES
ta um incremento progressivo nas chegadas de CO:-1TEMI'ORÂNEOS - NOTAS PARA U"l PERFIL
portugueses até 1996, momento em que o _proces_ SOCIAL E GEOGRÂFICO
so de rcconstrução_ de espaços c infra-eslrulUr:lS
no antigo território da RDA alingiu o auge. A par- De acordo com a informação do IN E, os emigran- ..\\ I. B4mha. J. Fmio t J- ,\b-
Iharos. 1002. p. 66-67.
tir daqui, não só o reforço dos mecanismos de re- tes portugueses do periodo de 1992-2002 conti-
gulação das acth'idadcs na construção civil tomou nuam a apresentar um perfil caracteristico da emi-
mais dificil a exploração de trabalhadores estran- gração laboral: predomínio da população jovem do
geiros (comunitârios e não comunitários), como a sexo masculino (corresponde a mais de 75 % das
dinâmica do se<:tor das obras publicas decaiu, re- saidas totais neste período) que parece inserir-sc
duzindo as possibilidades de destacamento de tra- predominamemente em actividades como a cons-
balhadores portugueses para este país que, adicio- trução civil e obras públicas (apareniememe domi-
nalmcntc, viram intcnsificar-sc a concorrência de nantes até 1996), os sen'iços pessoais e domésti-
profissionais de outras provcniências, como a Poló- cos, a hotc1aria c restauração, a agricultura e a
nia ou a Ucrânia. Não surprcendc, pois, quc o nú-
mcro de saidas em direcção a Alemanha se Icnha
. .
progn::sslvamente menos atractl\'a'.
.
indústria transformadora. ainda quc esta última

redu%ido gradualmente após 1996, transformando Relativamente aos ní\'eis de instrução dos emi- Fig. ~~ Nil'eis de inslru~ào
esle pais no destino mcnos atractivo dos quatro grames, cstes reproduzem. de algum modo, a es- dos emigr.tntcs ponugueses -
1997-2002,
principais, em 2002. trutura dominante no resto da sociedade portugue- Fonte: INE. Eslu/úli,..u
Se a Suíça e a França sc mantêm como os prin- sa, identificando-se mesmo uma c\'olução quc lXIlIogrJfKaS (\lÍrios anos),
cipais destinos - em termos médios - ao longo
deste periodo, a Inglaterra regista os \'alores mais
reduzidos enquanto área emergente para a emigra-
do nacional, o que pode decorrer quer da menor
",,>00
,,"00
, I
capacidade de suporte da rede social de apoio ã
emigração quer dc c\'cntuais defices no registo dos \
emigr:lOtes temporários quc trabalham em determi- ",,>00
nadas áreas, como as ilhas do Canal. • \ Á
Posteriormente a 1999, ocorre um incremenio ~ 25000
V /L
das saidas em direcção a OUlros destinos (Fig. 42),
com destaque para os paiscs Iradicionais da Amêri-
§
"
,!!, 20000
E ""
ca do Norte e, sobretudo em 2002, o Brasil e a
.-i.frica \usôfona. O caracter muilO receme desta no-
\'3 lemigração para sul. impede ainda uma avalia-
~

" "'"
'""'"
~

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-
"""'-.
c
_-
_._-
.....
__ s-....... In' .......... _
--'
ção da possí\'c1 sustemabilidade destes fluxos, que
parecem apresentar caracteristicas especificas:
maior di\'ersidade etária, presença de emigrantes
mais qualificados e associação da emigração ao in-
2"'"
O --------o,,,, , •
7
... ......., --
l._J ...... _

--*-"- ...._ -
~T_

\'estimento, como ocorre no Nordestc do Brasil ou


mesmo em Angola. "" "" 2000
"'" >00'

SOCIEDADE. PAISAGENS ECIDADES 95

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