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INTRODUÇ

ÃO
O título “Memorização Dinâmica — A Arte de Valorizar a Tolice” não parece
ser a melhor maneira de justificar os objetivos deste livro, porém não consegui
encontrar uma expressão que pudesse melhor traduzir o que realmente penso
sobre a cansativa e carrancuda estrutura educacional imposta aos nossos jovens,
sejam eles estudantes, administradores, empresários, educadores ou profissionais
liberais. Portanto, acredito que a miopia proporcionada pelas orientações
repressivas dos velhos escolásticos, ainda atuando poderosamente nos meios
educacionais, somente poderá ser corrigida pelo sistema óptico sugerido por
Carlitos: o da alegria através das imagens, proposição de aprendizado dos
antigos mestres que eu pude comprovar como eficaz e que me esforço para
transmitir nas próximas páginas, valorizando as coisas mais simples como
instrumentos de realização superior.

Os conceitos dogmáticos da seleção dos eleitos através do sofrimento, da


dificuldade, fizeram com que o acesso à cultura fosse coisa para os divinamente
privilegiados e a aquisição relaxada de informações fosse considerada
vulgaridade satânica. Com o tempo, isto ficou inserido no inconsciente da
humanidade que passou a achar normal receber conhecimentos e mais
conhecimentos, a fim de, no futuro, classificá-los profissionalmente, adotando
apenas os que possam ser úteis aos seus objetivos. Quanto tempo perdido!

O condicionamento cultural do nosso povo é tão grande que qualquer palavra


dita por algum intelectual de renome é aceita como lei, transmitida por um ser
onisciente que não deve ser questionado. Tolice! Todos se enganam e isto é
natural! Como disse alguém, “só quem não muda de opinião são os tolos e os
loucos”!

Um grande psicólogo americano afirmou que “O ser humano mais desenvolvido


não utiliza mais do que dez por cento de sua capacidade mental” e a grande
maioria das pessoas aceitou esta teoria como verdadeira, sem questionar sobre
qual referencial ela foi fundamentada. Onde estão os cem por cento? Onde se
encontra o ponto zero?

Tenho opinião diferente, pois acredito que o ser humano utiliza os 100% do seu
potencial quando ele realiza o máximo do que pode fazer no momento de sua
realização. Obviamente, amanhã esses 100% atuais podem não valer 20%,
porém é o seu máximo naquele instante. Sempre foi assim durante toda a
história da humanidade e assim será nos anos vindouros. O homem simples,
como os nossos antigos ancestrais, tem momento de expressão que surpreende
aos mais doutos e sábios estudiosos, e estes, em seus instantes de dúvidas,
solidão e angústias humanas, têm irreconhecíveis atitudes de mediocridade.
Reconhecer que isto é completamente natural no ser humano,
independentemente de sua carga cultural, é uma das condições mais importantes
para o crescente despertar dos seus incomensuráveis valores intrínsecos. O
homem é fantástico justamente por ser assim: perfeito quando em harmonia e
incompleto quando angustiado. Saber administrar e direcionar seus impulsos
instintivos e culturais é a condição ideal para o ser humano. Nada de pecado!
Nada de autoculpa! Nada de submissão! Tudo é natural, é humano, desde a
época do Brucutu! A compreensão de que somos capazes de constantes
superações, faz de nós pessoas mais saudáveis, capazes, alegres e,
conseqüentemente, mais amadas. Os problemas existem, existiram e existirão
sempre, mas a possibilidade de resolução está evidente nos nossos próprios
exemplos passados e nos exemplos de milhares de pessoas, em todo o mundo.

É com base neste argumento que escrevi este livro, acreditando que não é
necessário ser considerado gênio para realizar feitos surpreendentes. No ser
humano, tudo está ligado a estímulos e a memória sabe perfeitamente
reconhecer cada um deles, mesmo através de pequenos indícios, desde que
tenham sido conscientemente registrados.

A não ser por causa de doença, qualquer pessoa é capaz de memorizar


informações com facilidade e expressá-las sem dificuldades. Os privilegiados
pela natureza são raros e não devem servir como referenciais de impossibilidade,
que nos induzam a estados de humilhação e nos aprisionem às nossas próprias
limitações, mas devemos voltar a atenção para aqueles que, sendo pessoas

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comuns, conseguiram atingir níveis de elevadas realizações, pois acreditaram em
si mesmos e, a cada novo empreendimento, encontraram forças e motivações nas
simples realizações passadas. Somos 100% capazes quando usamos toda nossa
vontade em parceria com toda a nossa capacidade para atingir um objetivo.

As técnicas deste livro provam que a excepcionalidade é possível para todos,


mesmo para os superdotados psiquicamente, alienígenas em sua própria terra,
que são capazes de lembrar de uma quantidade enorme de dados mas,
estranhamente, esquecem até o número do próprio telefone. Através delas,
podemos aprender o que desejamos aprender, sem fazer sacrifícios mentais
desnecessários nem esforços culturais olímpicos. Evidentemente, a mudança de
conceitos exige dedicação, pois nenhuma mágica produz por nós o que é nossa
própria responsabilidade. Mas a diferença é enorme!

É necessário pensar diferente, mesmo que para isto tenhamos de buscar nas
origens das civilizações as causas para os estupendos poderes dos homens que,
partindo de quase nada, legaram aos nossos dias as bases da grandeza atual. Por
exemplo, como os antigos puderam escrever suas obras-primas baseados somente
na memória, sem ter registros escritos e muito menos o computador? Será que
perdemos essa qualidade? Não, claro que não! Hoje sou capaz de memorizar 800
algarismos ou mais, porém sou tão normal como qualquer outra pessoa, só me
sinto especial pelo que realizo, e provo que outros são capazes de fazer o mesmo
e até muito mais. Acredito nisto e tenho a alegria de saber que a maioria dos que
participaram dos meus cursos e palestras passaram também a acreditar mais em
si mesmos e em seus poderes latentes

Neste livro, você encontrará as orientações que servirão para despertar suas
valiosas idéias, assim como o motivarão suas realizações mais importantes. Tudo
será apresentado de maneira tão simples que, a princípio, poderá não parecer
útil, mas com uma pequena experimentação, a expressão verbal “Parece
mágica!” saltará automaticamente, vinda dos recônditos entusiasmados da
mente.

Espero, finalmente, que os benefícios destas técnicas sejam realmente


vivenciados e que o valor deste livro não seja apenas o deixado na livraria.

Carlos H. B. Gomes