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EDIÇÕES LUSITÂNIA

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A GRANDE
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ALIA XÇ. 1

Brasil)
(A minha propaganda no Rrasil)
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ALIANÇA
ALIANÇA ^
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(A MINHA
MINHA PROPAGANDA
PROPAGANDA NO
NO BRASIL)
BRASIL)

x
realisadas no Brasil
Conferencias reatisadas

Rio de Janeiro -- Rio Crande


(•ronde do Sn/
Sul
Pelotas—
Pelotas Alugre — Santa Maria
Porto A/core

Curitiba Suo Pa
São Paulo.
ido.
AA GR
GRANDE ALIANÇA
A ND E A LIA N Ç A

Conferencia realisada em S. Paulo

S-5-923
Meus Senhores e Senhoras

Ao encontrar-nie
cncontrar-nic de novo junto de cie vós, nesta ex-
plendida cidade em que cada ano marca mais um passo
atirmativo para o grande futuro, sinto, meus senhores,
•que o meu primeiro pensamento deve ser para os
ausentes!...
Para aqueles que comnosco
coiunosco viveram e sentiram, e
sonharam a grandeza magnifica desta terra e que se
foram antes de nós, vencidos pela vida, deixando-uos
deixando-nos
a piedosa obrigação de lhes prolongarmos a existência
terrena através da nossa'saudade e da nossa memoria,
que os tem sempre presentes no coração!.. .
Para aqueles da nd'-sa
nossa raça, que antes de nós vie-
ram marear com o seu sangue generoso, e com a fé e
a bravura indómita duma coragem extra-humana.a posse
extra-humana,aposse
admirável desta terra de enlevo para o nosso sangue,
paia a nossa lingua, e para o'
para o orgulho da nossa alma de
lusíadas!...
Para aqueles,
aquele?, também, que a ressaca da vida mo-
mentaneamente afastou e que, embora ausentes, com-
nosco estão em pensamento e em afecto!
Assim como nas aldeias da nossa velha terra por-
tuguesa a mãe enceta o serão levantando a voz a pedir
um Padre Nosso pelos ausentes da família, pelos ami-
10

gos em perigo, por todos os que andam sobre as aguas


do mar e pelos mortos, sempre vivos no amor e na
saudade dos que ficam; assim nós, nesta velada em
que nos encontramos juntos, brasileiros e portugueses,
todos irmanados no sentimento que o tradição funda-
mentalmente liga, unificados na mesma saudade e 110 no
mesmo orgulho do passado, coinocomo juntos 110
no mesmo
sonho e na mesma fé no futuro, elevemos para os nos-
sos
sos mortos
mortos ee para
para os
os ausentes
ausentes oo nosso
nosso primeiro
primeiro pen-
pen-
samento !...

E
E agora,
agora, meus
meus senhores,
senhores, desejo
desejo dizer-vos,
dizer-vos, neste
neste mo-
mo-
mento em que a alma lusíada de alem-mar tanto cogita
ee sonha
sonha ee anseia
anseia por
por comunicar
comunicar com com os os irmãos
irmãos de de
Aquem-Atlantico, para juntos realisarinos
realisarmos a grande as-
piração da raça (que ainda não viveu em toda a sua
plenitude o sonho grande do seu destino) quero dizer-
vos
vos comcom lealdade
lealdade ee franqueza,
franqueza, oo motivo
motivo porque
porque vim vim
até
até vós,
vós, acedendo
acedendo alvoraçadamente
alvoraçadamente àà gentileza
gentileza dos dos
vossos desejos.
Quero bem claramente mostrar-vos para que o sin-
tais
tais emem vossos
vossos corações
corações com com aa sinseridade
sinseridade com com que
que
vo-lo digo, o que me trouxe até vós, deixando aquela
sempre linda, sempre moça e sempre bem amada terra
portuguesa, que se não é a mais formosa de toda a
Europa,
huropa, é—sem duvida—a mais bela da grande Penin- Penín-
sula
sula Ibérica!
Ibérica! Aquela
Aquela nossa
nossa terra
terra que
que oo marmar acalenta
acalenta
nos
nos seusseus braços
braços dede gigante
gigante amoroso
amoroso ee que que sese cobre
cobre
de
de flores,
flores, como
como uma
uma noiva,
noiva, desfazendo-se
desfazendo-se em em frutos
frutos dede
oiro
oiro ee de de ambrosia...
ambrósia... Aquela
Aquela nossa
nossa terra
terra dede amor
amor
que
que se se apega
apega àà nossa
nossa alma
alma como
como umum filtro
filtro magico,
magico, queque
mais
mais nos-prende
nos-prende quanto
quanto maismais dela
dela nos
nos afastamos!...
afastamos!...
E
E eueu deixei-a,
deixei-a, meus
meus senhores,
senhores, para
para vir
vir até
até vós,
vós emem
condições
condições de sobresalto c de amargura, que oo meu
de sobresalto c de amargura, que meu
coração
coração jnalmal podia
podia comportar;
comportar; pondo
pondo dede parte
parte todas
todas asas
solicitações afectuosas, rompendo com todos os obstá-
culos
culos ;; vencendo
vencendo todas
todas as as oposições
oposições ee violências
violências com com
11

propósito, que era uma


que intentaram demover o meu proposito,
resolução de muitos anos, um compromisso de alma
tomado neste
tomado neste proprio
próprio São
São Paulo,
Paulo, aa terra
terra dos
dos bandei-
bandei-
rantes, que não recuaram jamais perante o perigo, que
não souberam nunca desistir duma resolução tomada!
Como eles eu não podia faltar ao compromisso, em-
bora só tomado perante a minha consciência, de rever
este Brasil glorioso na data sagrada da sua indepen-
dência!!
dência
Não podia deixar de vir a esta terra de encanto,
que uma vez vivida jamais se aparta da nossa alma,
jamais se desapega da nossa simpatia fraternal!
E vim, apesar de tudo, porque acima de todas as
solicitações egoístas, acima de todos os sofrimentos
individuais, acima de todos os prejuízos e de todos os
incómodos está para a nossa consciência de portugue-
incomodos
ses o cumprimento da missão que o idealismo da raça
nos impõe!
Era necessário que viesse, e vim, para continuar a
obra de simpatia e de ligação moral, que tem sido o
sonho da minha vida!
Pátria está dentro da minha propria
E como a Patria própria alma.
alma,
vive no meu sangue, revive sempre no orgulho com
que a quero exaltada e respeitada; para lhe dar todo
o meu esforço não há obstáculos que me demovam!
Para dar ao triunfo da raça tudo quanto em mim
existe de paixão e de convicção, não preciso que me
mandem, nem
mandem, nem admito
admito que
que mo
mo impeçam!
impeçam!
Vim, pensando em vós, meus patrícios, meus irmãos!
Vim no reconhecimento do vosso sacrifício, vim na
alegria de vos trazer com a minha presença uma re-
bemdita!
voada de saudades da nossa terra beindita!
Vim, porque vos queria dizer o reconhecimento que
vos deverá o futuro da raça, pela persistência heróica
com que ha lia quatro séculos repetis o vosso gesto de
sacrifício, na imposição formidável do génio português
nesta imensa terra brasileira, que é o nosso orgulho!
Queria dizer-vos, aqui bem junto dos vossos cora-
ções, sentindo na minha alma o esforço com que segu-
rais as lagrimas, que vos apertam a garganta num soluço
12

saudoso; que a continuidade da emigração portuguesa


para o Brasil, feita muna aVentura
«Ventura de largada, pelo
sonho grande da raça, é a imposição mais formidável
do génio português!
Proclamada a independência natural num povo a
que a nossa colenissção
colonisação imprimiu, desde logo, os cara-
cteres definidos da nossa raça - o orgulho e a cons-
ciência da propria
própria individualidade o povo português
manteve ininterruptamente o curso do rio de sangue,
que era preciso, para fazer desta imensidade uma patria pátria
una, uma patriapátria nossa irmã, uma patria
pátria lusitana, com
todas as características tiada raça, desde as tradições lon-
gínquas do passado, até á lingua
liiigua falada e escrita, de lés
a lés deste imenso território!
Sem que ninguém tenha compreendido o vosso tão
grande, embora
embor;i inconsciente, sacrifício;
sacriiicio; sem que nin-
guém, tenha pensado em manter a vossa fé lusíada,
co'm
co'111 uma persistência que é a prova mais admirável da
vitalidade absorvente da raça, vós tendes conseguido
sustentar, num equilíbrio perfeito, a igualdade sentimen-
tal das duas Patrias
Pátrias do nosso sangue!
iiis di/er-vo» que eu a reco-
Pis a vossa gloria! (Queria dizer-vos
nheço, embora não a reconheçam todos que o deviam
fazer! E para vo-lo dizer vim, aíirmando-vos
afirmando-vos que ha lia 11a
na
nossa Patria
Pátria quem saiba avaliar
avalijr o vosso esforço e quem
deseje ligar num mesmo pensamento todos bs os que tra-
balham e lutam e sofrem e triunfam, fazendo com o seu
esforço viver em eterna gloria o nome português!...
Vim, meus senhores, pensando em vós, brasileiros,
os donos desta terra a que nos ligamos com a ternura
sentimental dum pai, que vê o sen filho grande ec pros-
pero e não perde com os anos o temor de o ver sofrer,
"o receio de que o triunfo não corresponda à ambição
em que sonhou o seu futuro!
Queria di/er-vos
dizer-vos como o nosso coração repousa no
carinho e no orgulho com que vos ouvimos talar falar dos
vossos antepassados, que são os nossos! Q O entusiasmo
com que sentis as nossas alegrias e os nossos triunfos,
que vossos são também! Na inteligência com que com-
preendeis e sentis os nossos artistas, com que decorais
13

os nossos poetas, o enlevo que sentis ao lèr os nossos


prosadores, que é a mesma sensibilidade emotiva com
que nós vos lemosiemos c compreendemos!
Queria dizer-vos quanto sentimos cm Portugal a
comunhão intelectual que faz da literatura brasileira e
portuguesa uma só literatura, dos nossos artistas a glo-
ria dos dois povos irmãos, dos nossos sábios o orgulho
das Duas Ratrias,
Pátrias, dos nossos heróis a veneração de
todos!...
H minhas senhoras, pensando em vós,
b! vim, também, minha?
as filhas, as esposas, as mães e irmãs dos homens que
realisar comniísco
hão de realisur comnosco o milagre esperado de repe-
tir o gesto de triunfo que nos fez, nos séculos XV e
XVI, os iniciadores do período resplandecente da Re-
nascença.
Vim, pensando em vós todas, e também nas lindas
crianças desta terra abençoada, íructos
íruetos paradisíacos duma
eterna primavera de amor, que hão-de lião-de ser amanhã os
fraternal!. • •
grandes realisadores do nosso sonho fraternal!...
Mas vim, principalmente, porque uma força superior
a todas as forças, que é o. instinto da hora que se
aproxima para o rosurgimento
resuigimento da raça, me obrigava a
cumprir a missão que o destino me impoz!
fissa
tissa missão é dizer-vos o que firmemente creio ser
o grande sonho, que de novo levantará a raça, sempre
moça e sempre heróica, alvoroçando os corações dos
que creem
crêem 110no destino sagrado dos povos lusitanos!
Sonho de imposição e de grandeza que o Atlântico
o mar imenso que an ijgssa nossa raça aperta num maravi-
lhoso triangulo de domínio nos anda a segredar, re-
vivendo a esperança sagrada dum amanhã expiendido
para a ILusitânia
usitania imortal!
Sonho da maxima
máxima grandeza que temos 110 no coração,
que faz parte da nos nossaa existência, sendo a propria
própria razão
de vivermos inteligentemente 11a na terra!
Por
Ror ele tenho trabalhado, e por ele farei os sacri-
fícios de cada hora, que necessário seja fazer, para .que
se
sc torne o sonho de todos nós, lusitanos de áquem aquém e
dalém mar!...
lisse sonho é a aliança firme e segura das duas
14

Pátrias irmãs,
Patrias irmãs, éé oo predomínio
predomínio da da raça
raça comum,
comum, éé aa im- im-
posição
posição da da nossa
nossa lingua
língua como como uma uma das das mais
mais faladas
faladas do do
mundo, é— finalmente!— a ressurreição
mundo, é — finalmente ! — a ressurreição duma nova fé duma nova fé
ee duma
duma energia
energia colectiva,
colectiva, tão tão grande
grande que que imponha
imponha ao ao
mundo
mundo o o respeito
respeito pelopelo que que fomos,
fomos, criando
criando uma uma nova
nova
era de lusitanismo a engrandecer
era de lusitanismo a engrandecer a historia! a historia!
Porque, éé necessário
Porque, necessário que que todos
todos os os saibam,
saibam, que que as as
crianças
crianças oo'aprendam
aprendam nos nos seusseus primeiros
primeiros livros
livros escola-
escola-
res,
res, que que oo sintam
sintam no no orgulho
orgulho de de seus
seus pnes
pães ee que
que todos
todos
os outros
os outros povos
povos oo reconheçam:
reconheçam: — — SeSe aa historia
historia antiga
antiga
pertence
pertence àà acção acção enorme
enorme ee explendida
explendida da da civilisação
civilisação
greco-romana, que os conquistadores
greco-romana, que os conquistadores levaram, nas levaram, nas asas
asas
gloriosas das
gloriosas das aguias
águias imperiais
imperiais aa todos todos os os recantos
recantos do do
mundo antigo
mundo antigo :: aa historia
historia moderna
moderna pertence-nos,
pertence-nos, aa nós nós
luso-ibérieos
luso-ibéricos ee aa nós nós particularmente,
particularmente, portugueses,portugueses,
como os
como os iniciadores
iniciadores do do grande
grande movimento
movimento expansivoexpansivo
da raça.
Podemos
Podemos bem bem dizer
dizer com com justificado
justificado orgulho:—
orgulho: —A A
civilisação moderna
civilisação moderna éé filha filha da da inteligência,
inteligência, da da energia,
energia,
da persistência
da persistência cc do do génio
génio da da nossa
nossa raça!
raça!
Fomos
Fomos nós, nós, que
que partindo
partindo dessa dessa formosíssima
formosíssima (.a- Ca-
beça da
beça da Europa,,
Europa,, voltando
voltando com com indiferença
indiferença as as costas
costas
aa Espanha,
Espanha, que que nãonão nosnos absorvia
absorvia nem nem nos nos atraía,
atraía, sonhá-
sonhá-
mos
mos o o grande
grande sonhosonho intelectual
intelectual da da raça
raça ee vencendo
vencendo
os terrores em
os terrores em queque aa Europa
Europa medieval
medieval se se enleava
enleava abri-
abri-
mos resolutamente
mos resolutamente as as portas
portas àà Renascença,
Renascença, que que foii
foi oo
renovo maravilhoso duma
renovo maravilhoso duma civilisação
civilisação de de energia
energia ee vida.vida.
Sem aa nossa
Sem nossa audacia,
audácia, sein sem oo nossonosso esforço,
esforço, sem sem aa
nossa consciência,
nossa consciência, sem sem aa nossa nossa civilisação
civilisação oo velho velho
mundo continuaria —
mundo continuaria —quem
quem poderá poderá dizer dizer porpor quanto
quanto
tempo?
tempo? — —na ignorância apavorada
na ignorância apavorada da da terra
terra em em que
que vi-vi-
via ! Sem
via! Sem oo nossonosso saber,
saber, sem sem oo nosso
nosso exemplo,
exemplo, nem nem aa
Espanha seguiria oo nosso
Espanha seguiria nosso rastro,
rastro, nem nem Cristóvão
Cristóvão Colombo
Colombo
se
se atreveria a procurar um novo caminho para aa Índia,
atreveria a procurar um novo caminho para Índia,
sonho de
sonho de toda
toda aa Europa
Europa deslumbrada
deslumbrada coin com oo nosso
nosso
triunfo, encontrando as
triunfo, encontrando as terras
terras de de Cuba,
Cuba, guarda avançada
guarda avançada
desta America famosa!
Fomos nós,
Fomos nós, foi
foi oo gen
gemo : da raça
o da raça que
que tornou
tornou oo mundomundo
tão pequeno, que
tão pequeno, que nem um nem um recanto
recanto existeexiste hoje
hoje que
que oo
homem não conheça ou
homem não conheça ou adivinhe !... adivinhe !...
JJ55

Fomos nós, foi a nossa raça de persistência no sonho


ee de
de heroísmo
heroísmo nana acção,
acção, que
que tornou
tornou aa Terra,
Terra, aa patria
pátria
comum da humanidade!
Fomos nós, foi a nossa
nossa-raça
raça de descobridores e des-
pátrias, dispersando-se infinita-
bravadores de novas patrias,
mente, que reservou para si a eterna ansiedade do
não visto e a saudade do que passou pelos nossos
olhos e que anda na memoria ancestral da raça...

Meus Senhores

Neste momento em que uma nova eé mais forte


comunhão espiritual liga para sempre os dois povos,
que aa mesma
que mesma raçaraça irmana,
irmana, deixai-me
deixai-me falar
falar um
um pouco
pouco
das terras de Portugal, desse berço afofado em mimos
da Natureza pródiga em que nasceu e criou raízes a
raça e a civilisação de que as duas nações lusitanas
formam o todo, que esperamos justifique 110 no futuro o
passado glorioso!
Quando se fala na imposição da raça, porventura
poderão supòr
supor — —osos que só superficialmente aprendem
o sentido
sentido das
das palavras
palavras ——que dentro dela
que dentro dela sósó podem
podem
estar os
estar os que
que directamente
directamente vement
vemem do do mesmo
mesmo sangue,
sangue, aa
perder-se na sombra da historia!...
Não é, porem, assim !
A raça
A raça éé oo conjunto
conjunto dede qualidades
qualidades diversas
diversas que
que sese
manifestam em indivíduos, em famílias, em grupos mais
ou menos
menos grandes
grandes cc até
até em
em nações,
nações, que
que aa força
força étnica
étnica
do meio
do meio absorve
absorve ee dádá uma
uma unidade
unidade de de alma,
alma, que
que sese
impõe como força colectiva.
Não falando já da velha civilisação romana, que se
impoz, absorvendo no momento da sua maxima máxima gran-
deza, todos os povos conquistados, romanizando-os
pelo i^eal
ideal colectivo
colectivo dodo orgulho
orgulho nacional
nacional ee pelas
pelas suas
suas
leis admiráveis;
leis admiráveis; aa nossa
nossa raça
raça éé aa maior,
maior, sob
sob oo ponto
ponto
de vista
de vista da
da acção
acção expansiva,
expansiva, criadora,
criadora, absorvente
absorvente ee
16

simpática
simpática para pura os os elementos
ele-mentos leslrauhos.
estranhos. Lia Ela mauiies-
mauiíes-
tou-sc
tou-se desdedesde oo principio
principio iodo agrupai* eu lo deenergias
pelo agrupamento de energias
varias,
varias, pela pela in
influencia
fluência da da terra
terra mãe,
mãe, pelas
pelas tradições
tradições iuriur
temente radicadas, pelo
temente radicadas, pelo sonho
sonho absorvente
absorvente -e -e conquista
conquista
dor
dor ec pelos
pelos caracteres,
caracteres, que que aa propria
própria acção
acção interna
interna im-im-
punha.
punha.
Pode dizer-sc com
Pode di7er-se com firmeza
firmeva de de convicção,
convicção, que que foi foi
desde
desde oo principio
principio da da nos^a
nossa formação
formação nacional,
nacional, que
que as as
qualidades absorventes do
qualidades absorventes do meio
meio se se impuseram,
impuseram, assimi-
assimi-
lando
lando todostodos os os valores
valores que que de de fora
fora recebia,
recebia, atraídos
atraídos
pela própria força
pela propria forca criadora
criadora do do solo,
solo, que
que oo marmar limita
limita
mima
numa ânsia ânsia dede exclusivismo,
exclusivismo, criando
criando aa reacção
reacção expan-
expan-
siva do nosso grande sonho!
Daí, dessa dualidade quási dolorosa para a alma
emotiva
emotiva do do povo,
povo, nasceu
nasceu aa exaltação
exaltação dumdum sentimento
sentimento
patriótico,
patriótico, que que uão não existe
existe outro
outro queque sese lhe
lhe possa
possa com-
com
parar
parar em em qualquer
qualquer uaçãonação do do Mundo,
Mundo, sentimento
sentimento trans-
trans-
mitido
mitido em em toda
toda aa sua sua energia
energia assimiladora
assimiladora ao ao Brasil,
Brasil,
nosso directo filho.
f-'oi esse sentimento,
boi esse sentimento, eortado
cortado pela pela ansiedade
ansiedade expan-
expan-
siva, que n s levou através dos
siva, que n s levou através dos mares, vencendo ter mares, vencendo ter
rores, dominando preconceitos,
rores, dominando preconceitos, escarnecendo
escarnecendo aa prudên-
prudên-
cia derrotista dos fracos. ..
É essa dualidade
b. essa dualidade do do sentimento
sentimento que que nos
nos faz
faz gran-
grau
des!
des !
Foi
boi elaela que
que levou
levou osos "bandeirantes,,
"bandeirantes,, atracaatravéss dodo í%rtãu
sertão
para
para o o sonho
sonho deslumbrante
deslumbrante das das esmeraldas
esmeraldas de de hernau
|-"ernão
Dias
Dias PaesPaes Leme...
Leme... boi Foi elaela que
que levou
levou os os marcos
marcos de de
posse,
posse, que que del dei mitarain
mitaram aa imensidade
imensidade da da selva
selva brasi
brasi-
leira.'.
leira.'... fif: ela
ela queque leva
leva ainda.hoje
ainda.hoje oo triunfo
triunfo dada civilisa
civilisa
ção moderna para
ção moderna para aa grande
grande cultura
cultura das
das terras
terras virgens
virgens
do interior...
Para
Para aa frente,
frente, sempre
sempre para para aa frente!.
frente!. ....

L o destino da raça!

Mostrar, pois, <àà vossa


Mostrar, pois, vossa curiosidade sentimental
curiosidade sentimental oo
berço cm que se criou,
berço cm que se criou, emem força e em expressão eterna.
força e em expressão eterna.
17

essa raça
essa raça aa que
que nos
nos orgulhamos
orgulhamos dede pertencer
pertencer c,
c, por
por
assim dizer,
dizçr, uma obrigação religiosa.
E o mesmo dever que obrigaria um orador do
tempo da velha Grécia gloriosa de Alexandre, a expli-
car o que fora o núcleo
nucleo da raça, o berço sagrado donde
saíra o génio de imposição, como da lande pequenina
e frágil sai o carvalho frondoso que desafia os séculos!
li'
E' a mesma obrigação religiosa que faria o romano
triunfante, mostrar a todos os povos filhos do seu génio
civilisador, o berço da raça: Roma, coração e cerebrocérebro
que sentira e sonhara essa imensa e magnifica imposição !
Dizer-vos, pois, o que foi o núcleo
nucleo inicial da raça e
a terra que o protegeu, amparou e caracterizou, é a pri-
meira obrigação que a nossa religiosidade nacionalista
nos impõe!
Foi desse pequeno berço da nacionalidade, que a
sabia politica de Afonso VI de Leão e Castela entre-
gou à energia e à ambição politica duma filha bastarda,
que nos seus barões e no povo rude, encontrou a força
de resistência que a fortaleceram na sua rebeldia contra
o direito de Suzerana, que a irmã legitima se arrogava,
que surgiram logo, como por encanto, as qualidades
fundamentais da raça, que ainda se manteem, através
de séculos da mais aventurosa e gloriosa historia!
Pátria sempre ameaçada pela cubiça cubica natural duma
visinha, muito maior em território e força numérica—a
que o nosso orgulho e a nossa enérgica defesa rouba
a mais formosa região da Peninsula
Península e a melhor comu-
nicação com o Atlântico — —essa própria ameaça cons-
essa propria
tante criou unia uma resistência e persistência na defesa,
que nenhum outro povo da Europa tem mantido, mais
nítida e gloriosamente.
nitida
Pátria conquistada palmo a palmo, fecundada leira
a leira com o sangue dos heróis e o suor dos que a
revolvem com a força dos seus braços e o amor da
sua alma, dessa concentração de força saiu a raça resis-
tente, pertinaz e heróica, que a todas as influencias dis-
solventes opõe um poder de absorção tão fundamente
enraizador, que parece mesmo que vem do coração da
terra!
IS

Pátria a que o mar poria nina barreira invencível,


sem o sonho e a ambição estravasando das almas afei-
tas a lutar e a vencer, que dessa barreira fizeram o
caminho da gloria, e desse mar o alargamento infinito
da sua tão pequenina nação!
A propria
própria diversidade de sangues, que primitiva-
mente entraram no caldeamento de valores humanos, a
mente.
própria
propria imprecisão de caracteres nacionais que então se
deram, prepararam esses agrupamentos de homens para
receberem o influxo do meio ambiente, bastante forte
para criar o valor unificador da raça.
Assim, nós encontramos desde o principio da nacio-
nalidade portuguesa um fundo permanente, auxiliado
pelo meio, que recebendo as correntes imigratórias dos
mais diversos caracteres, consegue formar uma raça
completa, com todas as características próprias.
Como se terá produzido esse fenomeno
fenómeno não o pode-
mos, talvez, explicar; mas claramente o podemos reco-
nhecer nos resultados da civilisação lusitana de um a
outro lado do Atlântico. Também aqui, nesta formidá-
vel terra brasileira, que o génio lusitano descobriu,
marcou soberbamente e guardou com orgulho para a
maior grandeza do futuro, as qualidades raciais são as
mesmas! É a mesma gente de coração alviçareiro,
cheia de ânsia na aventura inteligente e persistente,
exaltada no amor da Pátria até quási ao fanatismo,
dura de torcer ou vergar na luta, dócil e bondosa no
carinho e na simpatia de amigos!...
Também
Tambein aqui, desde o principio da colonisação
até hoje, as mais diversas correntes raciais se encon-
tram, se fundem e amalgamam, de todas resultando as
mesmas inegualaveis características, que fazem o nosso
orgulho!
Aqui como lá; é o mesmo amor formidável pela
terra, a mesma energia incomparável na vontade de
triunfar, a mesma infinita audacia
audácia no sonho e no de-
sejo, sempre renovado, de caminhar para a conquista
do desconhecido !...
1: dessas características resulta 11111
um apego infinito
pela Pátria e uma permanente ânsia de partir, criando
19

por essa estranha dualidade a doce amargura desse


sentimento, verdadeiramente português, que bem se
defeniu pelo saudosismo!
Esse sentimento duma tão profunda e melancólica
sensibilidade não apouca as energias individuais, an-
tes nos dá o misticismo suficiente para transformar
essa tristeza no culto religioso pela terra, berço da
raça, que incançavelmente espalha por todos os recan-
tos do mundo a gloria do nome português.
É, pois, uma obrigação religiosa que todos conhe-
çam bem esse tão formoso recanto, que a raça lusiada
tem de venerar como a célula inicial da sua força.
E conhecendo as suas belesas, embebendo-se nas
suas tradições, compreendendo os seus costumes, estu-
dando a sua historia e. sentindo bem a sua arte, todos
s_e
£,e fortalecerão no mesmo pensamento e na mesma
fé, que dará à raça o mais glorioso futuro.
Como nunca, Portugal se sente moralmente exaltado
e fortalecido na ligação espontânea com todas as coló-
nias, que se agitam e lutam e vivem, em país estran-
geiro, como se sente cada vez mais aproximado do
Brasil, a grande nação irmã!
Esse movimento instintivo de união intima da raça,
que vínhamos auxiliando e presentindo no seu espon-
tâneo crescer, encontrou no momento terrível da guerra
uma forte comunhão de pensamento, despertando o
carinhoso interesse dos portugueses, espalhados pelo
mundo, que de toda a parte acorreram o honrar e
auxiliar a acção sempre heróica dos nossos solda-
dos!
dos !
Seguiu-se a esse movimento de solidariedade no
sofrimento e na gloria do triunfo, o orgulho causado
pela realisação explendida da travessia dos ares, mar-
cando a certeza da navegação aeria, como outrora a
marcáramos
marcaramos no caminho dos mares, certeza que é a
verdadeira significação universal desse novo feito a
orgulhar a raça!
Vem depois a manifestação expontânea e sincera
na colaboração da orgulhosa alegria com que, justa-
mente, o Brasil quis solenizar o centenário da
eia sua in-
20

depende ncia cc que


dependência que emem parle
parle alguma
alguma teve,
teve, como
como em em
Portugal, uma repercussão mais simpática!
E pois o momento de vos falar da Patria Pátria da raça
e do seu novo momento histórico:
Portugal, que que se se formou
formou definitivamente
definitivamente pequenopequeno
como metrópole, pela propria própria lógica do seu destino
histórico, alargou-se
alargou-sc imensamente
imensamente pelo pelo mundo
mundo na na ex-
ex-
pansão emigrativa do seu povo.
Pode bem dizer-se que não ha canto da terra onde
não tenha
tenha pulsado
pulsado um um coração
coração português!
português! Raça Raça dede im-
im-
posição ee de de expausao,
expansão, sonhe
soube estender
estender infinitamente
infinitamente
as fronteiras
as fronteiras dumaduma Pátria,
Pátria, que
que se
se concentrou
concentrou para para viver
viver
mais fortemente
fortemente no no coração
coração dosdos seus
seus filhos!
filhos!
E éé desses
desses recantos
recantos de de todo
todo oo mundo
mundo que que hoje
hoje vão
vão
chegando a Portugal, como aos logares santos da
raça, inúmeros portugueses aos quais as circunstancias
permitem realisar esse sonho de todo o exilado!...
Do Brasil
Do Brasil vão
vão continuamente:
continuamente: uns uns para
para conhece-
conhece-
rem
rem a terra dos seus antepassados, outros para
a terra dos seus antepassados, outros para reverem
reverem
a casa
casa ondeonde nasceram,
nasceram, aa escola
escola onde
onde aprenderam
aprenderam aa
expressão escrita da nossa tão bela e forte linguagem,
aa capelinha
capelinha onde onde foram
foram-- - romeiros
romeiros da da primavera
primavera — —aa
festejarem a esperança dos renovos ou a alegria forte
das colheitas do outono!...
Com quanta
Com quanta emoção
emoção eleseles percorrem
percorrem aa terra terra onde
onde
espalharam ee viveramviveram as as primeiras
primeiras surprezas
surprezas da da vida
vida
recolhendo na alma o sorriso da velha mãe e chora-
ram as
ram as lagrimas
lagrimas ele de toda
toda aa infinita
infinita saudade
saudade sobre sobre aa
cova dos mortos bem amados !...
Assim se se vao
vão reatando
reatando os os laços
laços sentimentais
sentimentais que que aa
distancia afrouxara!...
Cumprida essa devoção sagrada, embebida a alma
no incomparável
no incomparável azul azul do
do céu
céu de
de Portugal,
Portugal, percorridas
percorridas
alguma
alguma terras terras de
de mais
mais proclamada
proclamada beleza,'voltam
beleza,'voltam para para
aa luta
luta da da sua
sua vida
vida dede trabalho,
trabalho, para
para aa sua
sua fé fé ee para
para aa
sua saudade!...
Presos, embora,
Presos, embora, pelo
pelo amor
amor ee pelo
pelo esforço
esforço realisado
realisado
as novas
as novas terras
terras dede adopção,
adopção, os os laços
laços que
que os os ligam
ligam aoao
passado não não sese afrouxam,
afrouxam, criando
criando aa iraternidade
iraternidade dos dos
dois povos,
dois povos, queque oo destino
destino quer
quer irmanados.
irmanados.
21

É desse
desse amoramor ee dessa
dessa saudade,
saudade, que que surgem
surgem no no
grande mapa
mapa do do Brasil,
Brasil, nesta
nesta grande
grande eira,eira, no
no dizer
dizer pi-
pi-
toresco
toresco do do povo,
povo, tantos
tantos nomes
nomes de de cidades
cidades aa recordar
recordar
as velhas
velhas terras
terras dede alem-inar:
alem-inar: Óbidos,
Óbidos, Santarém,
Santarém, Setú-
Setú-
bal, Queluz, Belcin,
bal, Queluz, Belcin, Bragança,
Bragança, Nova
Nova Lonzã...
Louzã... ee tantos
tantos
outros queque aa saudade
saudade do do exilio
exilio fez
fez nascer
nascer dodo coração
coração
dos portugueses, num
dos portugueses, num gesto
gesto votivo
votivo àà Pátria
Pátria distante,
distante,
que ,é,é bem
bem estruturalmente
estruturalmente uma uma parte
parte da da nossa
nossa alma!
alma!
É que
que sósó nana ausência
ausência se se compreende
compreende bem bem aa sau-
sau-
dade da da Pátria
Pátria ee aa amargura
amargura de de aa nãonão vermos
vermos tiotão
alta, tão alta como o nosso orgulho a sonha!
Eis
Eis o o motivo
motivo porque
porque não
não halia ideia
ideia patriótica
patriótica que
que
o exilado
exilado não não coinprenda
comprenda por por intuição
intuição sentimental,
sentimental,
que nãonão aplauda
aplauda ee auxilie
auxilie com
com aa fé fé consoladora
consoladora dosdos
fortes.
Assim, Portugal
Portugal vive
vive tão
tão intensamente
intensamente no no coração
coração
dos seus
seus filhos
filhos ausentes,
ausentes, que
que mais,
mais, talvez,
talvez, do
do que
que os
os
que lálá ficain
ficam eleseles estão
estão compreendendo
compreendendo ee sentindo sentindo oo
novo idealismo da raça.
Explicado está o motivo porque entendo dc de meu
dever evocar
evocar um um pouco
pouco dada nossa
nossa terra,
terra, berço
berço comum
comum
da raça
raça lusíada!...
lusíada!...

Quereria
Quereria terter muito
muito tempo
tempo deante
deante de de mim
mim para
para fa-
fa-
lar-vos do Porto,
lar-vos do Porto, desse
desse ninho
ninho glorioso
glorioso dada raça
raça donde
donde
se ergueu para
se ergueu para oo grande
grande destino
destino oo bater
bater de
de asas
asas gi-
gi-
gantes, que
que fez
fez aa nossa
nossa historia...
historia...
De Coimbra, oo sonho
De Coimbra, sonho de de amor
amor ee dede saudade
saudade de de
todas
todas asas almas
almas portuguesas,
portuguesas, revivendo
revivendo em em Arte
Arte ee em
em
beleza
beleza na na maravilha
maravilha dos dos seus
seus monumentos
monumentos ee no no
encanto
encanto da da sua
sua paisagem
paisagem roinantica...
romântica...
De Lamego, aa velha
De Lamego, velha terra
terra alcandorada
alcandorada nas nas monta-
monta-
nhas
nhas dada Beira,
Beira, uma
uma das das primeiras
primeiras arrancadas
arrancadas aoao poder
poder
dos moiros...
moiros...
De Vizeu, aa terra
De Vizeu, terra lendaria
lendária dede Viriato,
Viriato, hoje
hoje um
um dos
dos
logares santos da
logares santos da Arte,
Arte, pelo
pelo Museu
Museu cheio
cheio de
de precio-
precio-
sidades da
da grande
grande época
época portuguesa.
portuguesa.
22

Desejaria poder .faiar-vos


.falar-vos de Bragança, a velha cU
dadc Penín-
dade esquecida, abandonada e triste, que foi na Penin-
sula mosarabe retumbantemente falada pela sua explen-
dida industria em sedas ricas...
E falar-vos-hia das serranias transmontanas, com
seus vales fertilisados pelas aguas torrentuosas, pro-
duzindo os frutos a desfazerem-se em assucar...
Do Minho amorável, todo afofado em verdura, onde
cada recanto é uma bucólica e cada paisagem uma
estrofe de lirico idealismo...
Do explendor das três Beiras onde bate mais firme
férteis da
o coração da velha raça; desde as margens ferteis
costa de Aveiro, ao Bussaco glorioso, à Estrela forte,
à Covilhã industriosa, à Guarda histórica, enfrentando
o castelo de Belmonte de cujos terraços e muralhas,
porventura Pedro Alvares Cabral, seu senhor, na linha
violeta do horizonte, que a serraria dos flerminios
Herminios
limita, anteviu a gloria desta terra de Sânta
Santa Cruz, que
o seu esforço traria à comunhão da raça!...
Desejaria falar-vos dessa preciosa região de Entre- •
Minho
Alinho e Douro, que nos penhascos vulcânicos das
suas arribas produz o precioso Porto, o melhor vinho
do mundo!...
Da Estremadura opulenta na fartura das suas lezí-
rias onde são criados numa vida larga, que os campi-
nos garbosos dirigem de cima dos seus cavalos de
raça, com os pampilhos ao alto, os touros bravos para
Península...
as melhores corridas da Peninsula...
Do Alentejo calmo na sua braveza opulenta, onde
os campos se alargam infinitamente esperando a se-
mente para voltarem a ser, como no tempo dos roma-
nos, o celeiro da Peninsula!
Península! O Alemtejo sereno e
grave onde a riqueza vem sem maior esforço no bra-
cejamento possante dos sobreiros, que se despem da
casca dos seus velhos troncos sangrentos para dar ao
homem a cortiça da maior utilidade!...
Do jardim perfumado que é o Algarve, todo engri-
naldado, como uma noiva, na floração das suas amen-
doeiras nevadas... Do Algarve onde as moiras encan-
tadas deixaram a sua saudade nas grutas doiradas das
23

rochas recortadas àà beira


roclias recortadas beira desse
desse mar mar dede sonho,
sonho, donde
donde
partiram para para asas descobertas
descobertas os os marinheiros
marinheiros do do In-
In-
fante!.
fante !.....
Evocar esse sonho de Arte, Arte,que que é a Batalha—Santa
Maria da da Victoria
Victoria — — monumento
monumento de de renda
renda feitofeito emem
pedra doce, que
pedra doce, que oo solsol doira
doira com com uma uma ternura
ternura infi-
infi-
nita. ..
Pôr deante
deante dos
dos vossos
vossos olhos
olhos extasiados
extasiados os os tuinulos
túmulos
simbólicos de de Alcobaça,
Alcobaça, ondeonde ficaram
ficaram guardados
guardados para para
aa eternidade
eternidade os os restos
restos de de Pedro
Pedro ee da da linda
linda Ignez,
Ignez, aa
concentração sublime
sublime do do amor
amor humano!...
humano!...
Mostrar-vos aa gloria
gloria do
do templo
templo magnifico
magnifico dos dos Jeró-
Jeró-
nimos, por por onde
onde perpassa
perpassa já j;i oo sonho
sonho delirante
delirante dodo
Oriente vencido!...
A preciosa joia jóia de graça e de arte que Lisboa
oferece aos viajantes, como primeiro mimo de boas
vindas, queque éé aa íorre
Torre dede Belein!...
Belém!...
Dizer-vos
Dizer-vos oo que
que éé Sintra,
Sintra, oo eterno
eterno paraizo
paraizo de de Byron;
Byron;
e essa maravilha de luz c de côr, que éa nossa riviéra,
de Cascaes
Cascaes até até às
às portas
portas dada Capital;
Capital; como como pôr pôr deante
deante
de vossos olhos
de vossos olhos de de saudade
saudade oo encantoencanto da da Madeira,
Madeira,
flor
flôr aa abrir-se
abrir-se como
como num num sonho
sonho entreentre asas vagas
vagas acalen-
acalen-
tadoras
tadoras do do Oceano;
Oceano; ee oo rosário
rosário de de preciosas
preciosas contas
contas
que
que sãosão osos Açores,
Açores, CaboCabo Verde,
Verde, São São Tomé
Tomé ee todas
todas
essas terras do
essas terras do nosso
nosso enlevo...
enlevo... Seria Seria oo meumeu pra-pra-
zer maior ee oo meu
zer maior meu santíssimo
santíssimo orgulhoorgulho aa afagarafagar oo
vosso
vosso!
Não sendo, porem,
Não sendo, porem, possível
possível fazé-lo,
fazé-lo, deixai
deixai que
que vos
vos
fale de
de Lisboa...
Lisboa...
Dessa Lisboa maravilhosa
Dessa Lisboa maravilhosa aa que que aa raça
raça tudo
tudo ver-
ver-
dadeiramente deve. deve. A A Lisboa
Lisboa das das naus
naus ee da da conquista,
conquista,
Lisboa a Roma da civilização lusitana!...
A sua tradição,
A sua tradição, só só por
por si,si, éé um um livro
livro aberto
aberto da da
nossa melhor
melhor historia!
historia!
Ela
Ela éé oo grande
grande centro
centro transformador
transformador das das energias
energias
da nação, que
da nação, que recebe
recebe em em seuseu seioseio mal
mal detinidas,
definidas, ee
envia para
para aa grande
grande acção
acção externa
externa já já completas.
completas.
Lisboa
Lisboa éé na na historia
historia portuguesa
portuguesa uma uma cidade
cidade tãotão
fundamentalmente
fundamentalmente criadora criadora coino
como as as cidades
cidades expansi-
expansi-
vas
vas do do passado,
passado, poispois foi
foi dada suasua acção
acção que que nasceu
nasceu
24

a navegação
navegação ee aa conquista,
conquista, marcando
marcando definitivamente
definitivamente
as qualidades
qualidades basicas
básicas da
da raça.
raça.

Desde
Desde o o principio
principio da da nacionalidade
nacionalidade que que Lisboa
Lisboa nosnos
aparece com qualidades
aparece com qualidades próprias
próprias ee muito
muito fortes,
fortes, já
já nos
nos
poemas Atlânticos,
Atlânticos, que que segundo
segundo os os melhores
melhores críticos
críticos
modernos formam
formam aa base base dos
dos poemas
poemas homéricos,
homéricos, ha lia
referencias aa Lisboa,
Lisboa, aa patria
pátria atlantica,
atlântica, aa costa
costa rochosa
rochosa
de ltaco, donde
de ltaco, donde partem
partem para
para as
as navegações
navegações antigas!...
antigas!...
Na tradição classica,
Na tradição clássica, Lisboa
Lisboa aparece
aparece fundada
fundada por por Ulis-
Ulis-
ses, o rei do sonho aventureiro da velha Grécia Orecia e
enquanto aa linda
linda capital
capital não
não caiu
caiu em
em poder
poder dede Afonso
Afonso
Henriques, aa reconquista
reconquista aos aos moiros
moiros era,era, como
como aa de de
Lspanha, semsem fixidez.
fixidez. Foi
Foi desde
desde ess^
es^e feito,
feito, que
que deve-
deve-
mos considerar
considerar dos dos mais
mais importantes
importantes da da jovem
jovem nacio-
nacio-
nalidade, queque Portugal
Portugal tomou
tomou oo seuseu norte.
norte. Logo
Logo após
após
os combates navaes dados contra os moiros nas aguas
de Lisboa,
Lisboa, ainda
ainda no no tempo
tempo do do primeiro
primeiro reirei ee do
do filho,
filho,
iniciam as descobertas, partindo dali para as mais
próximas costas de Africa. D. Diniz inicia as constru-
ções navais e pelas suas boas leis protege o porto de
Lisboa e a nevegação.
Quando as as traições
traições duma
duma politica
politica sem
sem ideal
ideal trou-
trou-
xeram às portas de Lisboa os exércitos de Castela, foi
dentro da propria
própria cidade, fortalecida com a energia
desse povo cheio de civismo, que o Mestre de Aviz,
em nome
nome dada vontade
vontade nacional,
nacional, sese proclamou
proclamou protector
protector
do povo e organisou a defesa da Pátria ameaçada.
Chega o momento culminante para Portugal, que
são os descobrimentos, e Lisboa torna-se então o im-
pério do
do mundo.
mundo. Dela Dela partem
partem as as naus
naus dede Vasco
Vasco da da
Gama; nela se armam as primeiras frotas e se juntam
os heroicos
heróicos navegadores, que partem em demanda do
caminho para a Índia! Pedro Alvares Cabral, como
todos os grandes descobridores, largam de Lisboa para
espalharem pelo mundo o sangue e o génio português,
formando novas PatriasPátrias de que o Brasil é a maior e a mais
25

amada!
amada! EntãoEntão aa cidade,
cidade, cresce,
cresce, faz-se
faz-se forte
forte ee opulenta,
opulenta,
tem aa sua
sua casa
casa da
da índia,
índia, onde
onde sese acumulam
acumulam as as especia-
especia-
rias ee todas
todas as as riquezas
riquezas que que veem
vêem servindo
servindo de de lastro
lastro àsàs
naus
naus queque dia
dia aa dia
dia chegam
chegam ao ao animado
animado portoporto do do maior
maior
comercio marítimo
marítimo da da Renascença.
Renascença.
Lisboa,
Lisboa, queque recebe
recebe as as riquezas
riquezas de de todo
todo esse
esse velho
velho
mundo oriental, desvendado
mundo oriental, desvendado em em seu
seu fácil
fácil caminho
caminho ma- ma-
rítimo pelo génio
rítimo pelo génio lusitano,
lusitano, acumula
acumula em em seu
seu seio
seio as as pri-
pri-
mícias
mícias dos dos novos
novos mundos
mundos chamados
chamados àà civilisação
civilisação eu- eu-
ropeia ee torna-se
torna-se oo emporio
empório comercial
comercial mais mais procurado
procurado
pelos mercadores
mercadores ee traficantes
traficantes de de toda
toda aa parte.
parte.
Lisboa, no no dizer
dizer do do cronista
cronista queque aa descreve
descreve uma uma
babel
babel de de línguas
línguas ee de de costumes,
costumes, éé uma
uma cidade
cidade de de "mui-
"mui-
tas
tas ee desvairadas
desvairadas gentes,,,
gentes,,, queque àà sua
sua opulência
opulência iam iam
buscar mercado para
buscar mercado para todas
todas as
as produções
produções das das industrias,
industrias,
das artes e da terra...
Com aa expansão
expansão portuguesa
portuguesa aa capital
capital do do nosso
nosso
imenso império
império ultramarino
ultramarino crescecresce cada
cada vezvez mais,
mais, sem
sem
nunca perder as qualidades próprias.
No meio da
No meio da sua
sua agitação,
agitação, da da sua
sua opulência
opulência ee da da
sua vida
vida duma
duma formidável
formidável intensidade
intensidade comercial,
comercial, Lis-Lis-
boa mantem-se incorruptivelmente
boa mantem-se incorruptivelmente oo baluarte baluarte da da resis-
resis-
tência nacional,
nacional, aa transformadora
transformadora de de todas
todas asas energias
energias
vitaes da
da nação
nação nono sentido
sentido de de manter
manter sempre
sempre aa nossa
nossa
grande acção exterior.
grande acção exterior. Em Lm troca,
troca, recebe
recebe as as novas
novas in-in-
fluencias trazidas
trazidas do do Oriente
Oriente ee dede todas
todas as as conquistas
conquistas
ee navegações,
navegações, dando-lhe
dando-lhe aa base base para
para aa sua
sua identifica-
identifica-
ção coin
com o caracter nacional.

Filipe II delira
Filipe 11 delira pela
pela sua
sua formosa
formosa cidade
cidade dede Lisboa
Lisboa
e quer
quer realisar
realisar oo sonho
sonho da
da união
união ibérica
ibérica tomando-a
tomando-a aa
capital do império.
Por
1'or ter sido contrariado nessa realisação que a lu-
cidez
cidez dada sua
sua visão
visão politica
politica indicava,
indicava, ela
ela se
se libertou
libertou
heroicamente
heroicamente em em 1610,
1640, arrastando
arrastando com
com oo seu
seu gesto
gesto
toda a nação e as suas colónias.
26

Com
Com oo oirooiro do
do Brasil,
Brasil, D.
D. João
João V V afornioseia-a
aformoseia-a ee
d:í-lhe
d:i-lhe oo aspecto
aspecto monumental
monumental que que correspondia
correspondia exte-
exte-
riormente
riormente àà opulência
opulência usada
usada 110no serviço
serviço dos dos palacios
palácios
da nobreza ee nas
da nobreza nas casas
casas da
da riquíssima
riquíssima ee afidalgada
afidalgada bur-
bur-
guesia
guesia dede mercadores
mercadores ee navegantes...
navegantes...
O Marquês de
O Marquês de Pombal
Pombal ergue-a
ergue-a dosdos escombros
escombros do do
terremoto,
terremoto, ondeonde ficaram
ficaram sepultados
sepultados os os tezoiros
tezoiros mais
mais
admiráveis, acumulados nos
admiráveis, acumulados nos dois
dois grandes
grandes séculos
séculos lu-
lu-
sitanos,
sitanos, ee dá-lhe
dá-lhe uma
uma vida
vida equilibrada
equilibrada cc forte,
forte, corres-
corres-
pondendo
pondendo ao ao impulso
impulso economico
económico ee utilitário
utilitário do
do seu
seu
governo enérgico, embora
governo energico, embora sem sem aa graça
graça idealista,
idealista, que
que
faltava ao seu
faltava ao seu temperamento
temperamento forteforte ee àà sua
sua educação
educação semsem
requintes
requintes de de cultura
cultura ancestral.
ancestral. t)a
Da sua
sua autoridade
autoridade cc da da
energia
energia do do seu
seu mando
mando nasceu
nasceu umauma cidade
cidade arruada
arruada co-
co-
mercialmente,
mercialmente, com com bases
bases tão
tão bem
bem lançadas,
lançadas, que que ainda
ainda
hoje existem as
lioje existem as casas
casas fundadas
fundadas sob sob aa protecção
protecção do do
grande administrador da
grande administrador da fazenda
fazenda publica.
publica.

Foi de Lisboa,
Foi de Lisboa, combalida
combalida pelopelo terror
terror dada invasão
invasão
francesa,
francesa, queque vieram
vieram asas naus
naus abarrotadas
abarrotadas dada gente
gente mais
mais
representativa
representativa de de Portugal
Portugal ee de de riquezas
riquezas incalculáveis
incalculáveis
que
que sese queriam
queriam furtar
furtar àà rapina
rapina dos
dos soldados
soldados invaso-
invaso-
res. Foi desse
res. Foi desse exodo,
exodo, trazendo
trazendo para
para oo Brasil
Brasil tudo
tudo
quanto liavia de
quanto havia de melhor
melhor ee de de mais
mais culto
culto ee opulento
opulento nana
corte brigantina de
corte brigantina de D.D. João
João VI,
VI, que
que partiu
partiu oo_ .mpulso
impulso
definitivo
definitivo parapara aa formação
formação do do Brasil,
Brasil, nação
nação indepen-
indepen-
dente.

Com
Com aa tomada
tomada dede Lisboa
Lisboa pelas
pelas tropas
tropas constitucio-
constitucio-
nais do Duque
nais do Duque da da Terceira
Terceira pode
pode dizer-se
dizer-se que
que terminou
terminou
aa guerra
guerra fratricida,
fratricida, que
que tragificou
tragificou aa vida
vida portuguesa
portuguesa 110
no
primeiro quarto do
primeiro quarto do século
século desanove.
desanove.

Foi ainda Lisboa


Foi ainda Lisboa patriótica
patriótica que
que proclamou
proclamou aa Repu-
Repu-
blica em 1910,
blica em 1910, cançada
cançada dum
dum governo
governo provadamente
provadamente
27

inútil. Esse gesto,


inútil. Esse gesto, qqlie
l)e se deVe tomar
se deve tomar tia
na sita
sua verdadeira
verdadeira
significação de
significação de civismo
civismo ee ânsia
ânsia inquieta
inquieta duma
duma nova
nova
acção, que
acção, que ela,
ela, tem
tem aa certeza,
certeza, aa raça
raça lia
lia de
de realizar
realizar par-
par-
tindo do
tindo do seu
seu solo
solo sagrado
sagrado para
para uma
uma nova
nova ee mais
mais equi-
equi-
librada acção
librada acção expansiva
expansiva ee dirigente,
dirigente, foifoi completado
completado
pela jornada explendida a Monsanto, defendendo-se a
peito descoberto, sob uma chuva de balas, da triste
ilusão duma restauração brigantina.

São estes factos que afazem


a fazem proclamar erradamente
a cidade mais republicana do mundo, quando só a
devemos compreender como a mais patriótica e nacio-
nalista de quantas existem!

Como vemos, as condições históricas e geográfi-


cas aliam-se duma fornia completa para fazerem de
Lisboa esse agrupamento de gente e de esforços, que
determinam um bem nítido ponto de acção lusitana.
Um porto de mar é sempre um local concentrador
de energias humanas em volta de facilidades geográ-
ficas. Ás vezes essas facilidades são adquiridas à custa
de dinheiro e despendio de inteligência, que não atin-
gem as facilidades naturais da Capital portuguesa, que,
tudo o indica, em breve retomará o seu antigo predo-
mínio
mínio de de primeiro
primeiro porto
porto da
da Europa.
Europa.
ÉÉ ali
ali que
que sese devem
devem ligar
ligar todos
todos os os interesses
interesses natu-
natu-
rais
rais dada expansão
expansão portuguesa
portuguesa ee brasileira,
brasileira, poispois que
que aa
sua posição
posição geogratica
geográfica aa faz
faz uma
uma das
das chaves
chaves dodo mun-
inun-
do, cabeça
cabeça dodo grande
grande Atlântico,
Atlântico, base
base naval
naval que
que apoia
apoia
na Europa todas
na Europa todas as as linhas
linhas de
de navegações
navegações Atlânticas
Atlânticas ee
também as as que
que pelo
pelo Canal
Canal dede Panamá
Panamá se se escoam
escoam dodo
Pacifico.
Lisboa, Caes
Cães dada Europa,
Europa, Lisboa
Lisboa tornada
tornada unium grande
grande
porto de largo desenvolvimento comercial, pode e deve
concentrar adentro
adentro das das suas
suas docas
docas ee entrepostos
entrepostos oo
maior intercambio comercial
inaior intercambio comercial dada America
America com com aa Euro-
Euro-
pa,
pa, dede que
que éé aa primeira,
primeira, mais
mais fácil
fácil ee larga
larga porta!
porta!
28

Ponto terminus da navegarão


navegação do Oriente, é tam-
bém um explendido ponto de contacto com o Mediter-
râneo que lhe fica à mão, por assim dizer. Ligada por
via terrestre
terrestre com
com oo centro
centro da
da Europa,
Europa, facilita
facilita oo comer-
comer-
cio do
do interior
interior encurtando
encurtando as
as viagens
viagens alguns
alguns dias,
dias, en-
en-
tre aa Ainerica
America ee aa Europa
Europa central.
central.

Para oo Brasil
Brasil aa questão
questão do do porto-franco
porto-franco de de Lisboa
Lisboa
afigura-se
afigura-se das das mais
mais importantes
importantes ee imediatas,imediatas, pela
pela
dupla característica
característica da da nossa
nossa posição
posição geográfica
geográfica ee da da
força humana
humana ee de de acção
acção conjunta,
conjunta, que que aa grande
grande aliança
aliança
luso-brasileira representará
representará para para oo futuro.
futuro.
Pode mesmo
mesmo dizer-se
dizer-se que,que, sob
sob oo ponto
ponto dede vista
vista da
da
tradição histórica
histórica ee dodo idealismo
idealismo nacionalista
nacionalista dosdos dois
dois
povos irmãos,
irmãos, éé umauma questão
questão fundamental.
fundamental.
O porto-franco de
O porto-franco de Lisboa
Lisboa deverá
deverá ser ser oo concentra-
concentra-
dor do do largo
largo comercio
comercio exportador
exportador do do Brasil.
Brasil. OO café,
café, aa
borracha,
borracha, o o algodão,
algodão, oo assucar
assucar teem
teem aí aí oo melhor
melhor ponto
ponto
de partida para
de partida para oo comercio
comercio europeu,
europeu, sem sem prejuízo
prejuízo dosdos
nossos similares produtos coloniais.
E' que
que Lisboa,
Lisboa, aa maravilhosa
maravilhosa capitalcapital dodo grande
grande im-im-
pério lusitano,
lusitano, necessita
necessita de de abrir
abrir largamente
largamente os os braços
braços
para o trafico do Brasil irmão, recebendo no seu
porto-franco todas todas asas suas
suas riquezas,
riquezas, com com todas
todas asas fa-
fa-
cilidades para o comercio largo que a nossa aliança
moral ee material
material haha dede desenvolver.
desenvolver.
. Neste momento
momento revejorevejo Lisboa
Lisboa na na minha
minha saudade
saudade ee
não receio proclamá-la
não receio proclamá-la oo maismais lindo
lindo porto
porto dodo inundo,
inundo,
como cidade sobranceira
como cidade sobranceira às às aguas
aguas acolhedoras
acolhedoras do do Tejo,
Tejo,
estirando-se
estirando-se pelas pelas suas
suas margens
margens ee internando-se
internando-se pelospelos
campos, já já conquistados
conquistados para para aa sua sua enorme
enorme aria
ária ur-
ur-
bana 1
Visitar Lisboa com um verdadeiro sentimento lusi-
tano
tano éé folhear
folhear deslumbradamente
deslumbradamente os os nossos
nossos oito
oito sé-
sé-
culos de de historia,
historia, aa que
que ela
ela imprime
imprime earact caract rr ee coesão.
coesão.
E'vê-la
E' vê-la dasdas alturas
alturas dada velha
velha alcaçova,
alcáçova, dominando
dominando aa
baía por onde
baía por onde sairam
sairam as as caravelas
caravelas ee as as naus
naus da
da conquista,
conquista,
e por
por onde
onde saiem
saiem todos
todos os os dias
dias os
os transatlânticos,
transatlânticos, que que le-
le-
29

vam os emigrantes, na mesma ânsia de sonho, na mes-


ma ambição de domínio, que espalhou pelo mundo os
desbravadores das terras ínvias;
invias; mar largo por onde
partem os soldados gloriosos, que em cm expedições con-
tinuas manteem a soberania das Colonias Colónias com uma
bravura jámais
jamais desmentida.
Para
l'ara compreender Lisboa em suas fundas raízes
sentimentais é necessário rezar à santa energia da raça
deante dessa velha porta carcomida, aberta nas famo-
sas muralhas mouriscas por onde irromperam em tro-
pel os homens de Afonso Henriques à custa do sacri-
fício inegualível
inegiialável de Mem Moniz.
E' preciso percorrer os claustros e terraços da ve-
lha Sc,Sé, hoje íeconstruidos
reconstruídos pela fé messiânica do re-
novo da raça e conhecer os velhos corvos heráldi-
cos que nela vivem, como quem tem a consciência do
seu valor representativo.
Conhecer o velho e aristocrático bairro de Alfama,
que a nobreza quinhentista e seiscentista encheu da
opulência dos seus palácios, hoje abandonados ao po-
vo, que se comprime por essas ruas e escadarias me-
dievais, dum pitoresco incomparável...
Compreender, em sua força comercial e activa, os
bairros que a energia rígida de Pombal fez alinhar
com uma segurança de alicerces que desafiam os tem-
pos.
E' visitar a cidade que o século XIX fez subir por
novos outeiros e colinas, rasgando essa avenida for-
mosíssima, uma das mais belas das cidades europeias,
que absorveu campos e quintas de luxo para criar a
Lisboa moderníssima do Século XX, que não fica
atraz das mais belas, arejadas e floridas cidades do
novo período de urbanismo.
É preciso ver essa Lisboa linda, que vai dos Esto-
ris aos Olivais, do Terreiro do Paço ao velho Lumiar
aristocrático, para se compreender o sentimento tradi-
cionalista da cidade, que o modernismo não consegue
vencer, não consentindo em destruir o passado e tão
somente aumenta-lo com o presente.
Lisboa, é, por assim dizer, a sintfse
síntese de Portugal,
30

não só como beleza e pitoresco, mas como alma sem-


pre a vibrar na sua intensidade de vida intelectual e
moral.

Lisboa, porem,
porem, sendo
sendo imenso
imenso como
como valor
valor represen-
represen-
tativo, não é tudo no movimento de renovação na-
cionalista que
que sese produz
produz actualmente
actualmente nana nossa
nossa terra.
terra.
Em todos
todos os
os recantos
recantos dede Portugal
Portugal lia
ha uma
uma saudade
saudade
que recorda com orgulho a grandeza do passado e uma
aspiração de futuro, que a esse passado corresponda!
Vamos, por exemplo, à arte regional, que tem a
função muito especial de cie radicar o amor à terra, como
um dosdos meios
meios dede melhor
melhor aa sentir
sentir nas
nas suas
suas directas
directas
produções e -nasnas suas expressões imediatas no con-
tacto directo com o homem, e vemos que cia ela é hoje
uma expressão portuguesa mundialmente conhecida,
que pela força das circunstancias representa, moral e
economicamente, um grande valor positivo.
Todo o país hoje trabalha e produz, não só pelas
industrias que a guerra fez surgir, como pelas que já
existiam e se valorizaram ce pela agricultura que se
tornou um valor compensador. Mas, sobretudo, pela
valorização do capital humano, cujo labor é pago
duma forma mais justa.
Pode bem afirmar-se que o povo português sai
hoje da sua terra, mais pela fatalidade expansiva da
raça do que, verdadeiramente, pela necessidade ime-
diata que o obrigue a um exilio de trabalho compen-
sador.
Portugal renova-se em beleza, em força e, sobre
tudo, em aspiração febril de Arte que se imponha,
não só na graça ingénua da sua expressão popular e
tradicionalista, como
como no
no culto
culto da
da nossa
nossa grande
grande arte
arte do
do
passado e na expressão moderna do sentir.
A nossa propria
própria representação na grande Exposi-lixposi-
ção é uma palida
pálida amostra deste renovamento, não só
pelos valores humanos que procuraram o Brasil, numa
ânsia de fraternidade simpática, como pelo valor ma-
terial ec artístico que representou a propria
própria exposição.
mm

31

Isto sem
Isto sem falar,
falar, neste
neste momento,
momento, na
na Arte
Arte maxima,
máxima, como
como
expressão da Alma e do sentimento dum povo,
expressão da Alma e do sentimento dnm povo,' que
que éé
aa literatura,
literatura, ultimamente
ultimamente mal
mal conhecida
conhecida nono Brasil
Brasil ee que
que
éé necessário
necessário pôr
pôr em
em contacto
contacto directo
directo ee imediato
imediato com
com
todas as almas lusíadas.

Esse renovo
Esse renovo admirável
admirável da da naçào
nação vem vem da da certeza
certe7a
que existe
que existe instintivamente
instintivamente ein ein todos
todos os os corações,
corações, de de
que aa raça
que raça persiste,
persiste, apesar
apesar de de tudo,
tudo, no no seu
seu caminhar
caminhar
para
para unium grande
grande destino
destino de de que
que fizemos
fizemos aa nossa nossa féfé ee
aa nossa
nossa
f
imensa
imensa ee consoladora
consoladora religião.
religião.
t aqui,
aqui, no no Brasil,
Brasil, que
que mais
mais nitidamente
nitidamente se se percebe
percebe
o
o aproximar dessa hora em que a consciência nacio-
aproximar dessa hora em que a consciência nacio-
nalista dos
dos doisdois povos
povos se se haha de
de unir
unir numa
numa aliança
aliança tãotão
intima que
intima que reduzirá
reduzirá ao ao eterno
eterno silencio
silencio aqueles
aqueles que que não
não
tiverem aa sensibilidade
tiverem sensibilidade orgulhosa
orgulhosa da da raça
raça ee aa aspiração
aspiração
do seu destino cumprido.
Da
Da colaboração
colaboração portuguesa
portuguesa no no centenário
centenário do do Bra-
Bra-
sil, uma das que mais nos deve orgulhar
sil, uma das que mais nos deve orgulhar c a publica- c a publica-
ção da
ção da obra
obra monumental
monumental "A "A Historia
Historia da da Colonisação,,
Colonisação,,
que
que aa Colonia
Colónia muito muito inteligentemente
inteligentemente compreendeu
compreendeu
dever ser
dever ser oo nosso
nosso verdadeiro
verdadeiro monumento
monumento comemora- comemora-
tivo desta
desta data,
data, ein
em queque aa joven
joven nação
nação se se julgou
julgou capaz
capaz
de
de bembem se se governar,
governar, porque
porque assim
assim aa fizeram
fizeram os os pró-
pró-
prio^ filhos e irmãos de Portugal.
prios
E' dever
E' dever nossonosso levantar
levantar esseesse padrão
padrão glorioso
glorioso da da
nossa obra
nossa obra de de descoberta,
descoberta, penetração
penetração ee administração
administração
colonial, que
colonial, que entregou
entregou ao ao povo
povo brasileiro,
brasileiro, filhofilho dodo
nosso sangue
sangue ee do do nosso
nosso getiio,
génio, aa maior
maior Pátria
Pátria geográ-
geográ-
fica, que hoje existe no inundo.
Não podemos
Não podemos consentir
consentir que que sejam
sejam só só os
os brasileiros
brasileiros
ilustres,
dustres, como como Alberto
Alberto Rangel,
Rangel, Graça
Graça Aranha,
Aranha, ElisioElisio de
de
Carvalho ee tantos outros, que
antos outros, que conhecem
conhecem aa historiahistoria ee
dela
dela se se orgulham,
orgulham, os os únicos
únicos aa glorificar
glorificar os os valores
valores ra-ra-
ciais
ciais que fizeram o alvorecer brilhante deste grande
que fizeram o alvorecer brilhante deste grande
pais, fundamentalmente lusitano.
E
E' dever
dever nosso nosso trazer
trazer também
também aa contribuição
contribuição de de
estudo
estudo e de trabalho -que documente o generoso
e de trabalho -que documente o generoso ee no- no-
32

bilitante esforçoesforço dos dos portugueses,


portugueses, que que fizeram
fizeram aa colo-
colo-
nisação
nisação do do Brasil
Brasil comcom oo melhor
melhor sangue
sangue de de Portugal.
Portugal.
Em' vez
Pm' vez das das emprestáveis
emprestáveis ee indesejáveis,
indesejáveis, que que for-
for-
mam oo fundo fundo étnico
étnico doutras
doutras imigrações,
imigrações, Portugal
Portugal en- en-
viou
viou parapara oo mais mais belo
belo ee acarinhado
acarinhado florão florão da da sua
sua
coroa imperial,
imperial, aa flôrflor da
da sua
sua gente.
gente.
Guerreiros, letrados, poetas,
Guerreiros, letrados, poetas, jurisconsultos,
jurisconsultos, natura-
natura-
listas, sábios, santos, donas e donzelas, tudo veiu para
aa grande
grande terraterra aberta
aberta ao ao sonho
sonho dominador
dominador da da raça.
raça.
Sangue honesto
honesto ee nobre, nobre, sangue
sangue dum dum povopovo natu-
natu-
ralmente formador de
ralmente formador de élítes,
elites, êle
êle foi
foi aa fecunda
fecunda semente
semente
lançada
lançada ao ao solo
solo para
para aa formação
formação duma duma família
família comcom tra-
tra-
dições; duma duma PátriaPátria com
com historia
historia antes
antes mesmo
mesmo de de ter
ter
a sua
sua independência
independência política.política.
Após
Após aa descoberta
descoberta do do Brasil
Brasil aa corrente
cerrente emigrato-
emigrato-
ria estabeleceu-se com
ria estabeleceu-se com tantatanta energia
energia ee persistência,
persistência,
que não não houve
houve desastre
desastre nem nem suspensão
suspensão da da vida
vida civica
civica
portuguesa, que lhe puzesse diques.
Os governos desinteressaram-se
Os governos desinteressaram-se do do povo,
povo, aa política
política
interna absorveu todas
interna absorveu todas as as actividades
actividades cultas,
cultas, oo país
país foi
foi
atraiçoado, cedido cedido pela pela covardia
covardia interesseira
interesseira de de uns
uns ee
pela ambição dominadora
pela ambição dominadora de de outros,
outros, ao ao estrangeiro
estrangeiro
opressor;
opressor; mas mas nem nem porpor issoisso aa corrente
corrente expansiva
expansiva da da
raça
raça foifoi estancada,
estancada, nem nem por por isso
isso os
os portugueses
portugueses que que sese
espalharam
espalharam pelo pelo inundo
inundo perderam
perderam oo sentido
sentido histórico
histórico
do passado
passado ee do do futuro.
futuro.
Enquanto na na metrópole
metrópole se se vivia
vivia esmagado
esmagado ee vexa- vexa-
do
do pelopelo castelhano
castelhano que que atraiçoara
atraiçoara todos
todos os os compro-
compro-
missos
missos de de aliança,
aliança, os os portugueses
portugueses levantavam
levantavam por por todo
todo
oo mundo,
mundo, com com umauma energia
energia invencivel,
invencível, oo pendão
pendão duma
duma
nacionalidade autonoma,
autónoma, defendida heroicamente de
todas
todas as as rapinas
rapinas ee de de todas
todas as as absorções,
absorções, cabendo
cabendo ao ao
Brasil colonial aa maior
Brasil colonial maior honra
honra nesse
nesse movimento
movimento admi- admi-
rável.
E assim
assim se se explica
explica oo facto,
facto, talvez
talvez único
único na na historia,
historia,
de
de umum país;
país; territorialmente
territorialmente pequeno,pequeno, se se desligar
desligar vio-
vio-
lentamente dum dum colosso
colosso que que oo esmagava
esmagava num num abraço
abraço
de ferro,
ferro, ee correr
correr para
para oo seu seu posto
posto de de honra
honra entre
entre asas
nações livres,
livres, levando
levando atrazatraz de de sisi as
as suas
suas imensas
imensas ee
riquíssimas colonias,
colónias, tãotão disciplinadas
disciplinadas ce firmesfirmes 110no ideal
ideal
33

lusitano, que não houve corrupção nem violência, que


em 60 anos de perseverante trabalho de desnacionali-
sação, conseguisse desvia-las do caminho que a His-
toria lhes marcara!
A emigração portuguesa, momentaneamente impul-
sionada pela orientação forte das leis do Marquês de
Pombal, que são ainda hoje modelos a seguir, porque
ainda não foram excedidas nem talvez igualadas, por
nenhum dos grandes povos colonisadores modernos,
pró-
voltou depois a ser desorientada e entregue a si pro-
pria, quando o embate da política transformou a me-
trópole numa arena sangrenta em ein que os partidos se
trucidavam com uma sanha cruel.
Com a independência do Brasil o movimento imi- iirri-
grativo continuou, ou antes recrudesceu, passando a
valorisar a terra como estrangeiros amigos os que dan-
própria, numa ignorância e incapa-
tes a tinham como propria,
cidade dos governantes, que mais eleva o instincto
própria susteve,
admirável da raça, que entregue a si propria
sem trepidar nem desfalecer na violência do choque,
o embate do jacobinismo natural num povo moço,
delirando com a sua emancipação.
Se ha um século a emigração portuguesa se tivesse
suspendido para o Brasil, ou sequer afrouxado a cor-
rente continua do seu sangue, era bem possível, para
não dizermos certo, que a "grande aliança,, moral, po-
lítica e económica, que é hoje um facto assente entre
os dois grandes povos lusitanos, não tivesse razão
moral para existir, nem interesse étnico para a tornar
indispensável.
colónias portuguesas ne-
E' certo que as grandes colonias
cessitam de muito sangue lusitano para sc se não perde-
rem para a influencia e domínio da raça, mas é tam-
bém certo, que Portugal não pode, nem deve, nem
quere perder este amor entranhado que tem pelo Bra-
sil e que os emigrantes que lhe manda, embora muitos
não voltem mais à Pátria de nascimento, são valores
raciais a aumentar etnicamente o lusitanismo desta
grande Pátria Lusitana. Se em face de interesses ime-
pudesse mesmo considerar um mal;
diatos este facto se piidesse
3
34

em face do
em face do interesse
interesse sagrado
sagrado do do futuro
futuro ee do do sonho
sonho
maior duma nova
maior duma nova civilisação
civilisação de de caracter
caracter lusitano,
lusitano, seráserá
sempre
sempre um um bem!
bem! Outras
Outras correntes
correntes imigratórias
imigratórias ha ha que
que
são valores perdidos
são valores perdidos para para oo nosso
nosso ideal;
ideal; núcleos
núcleos isola-
isola-
dos
dos aa anularem-se
anularem-se na na absorção
absorção forte forte de de nações
nações étni-
etni-
camente opostas àà nossa
camente opostas nossa ee para
para essas
essas sim,
sim, para
para essas
essas éé
que
que éé urgente
urgente lançar
lançar os os olhos
olhos ee vigiá-las
vigiá-las ee defendê-las
defendê-las
com energia!...
energia!...
O ensinamento que
O ensinamento que aa grande
grande guerra guerra nosnos deixou,
deixou,
veiu destruir por
veiu destruir por completo
completo as as utopias
utopias de de certos
certos espíri-
espíri-
tos, aliás bem
tos, aliás bem intencionados,
intencionados, que que julgam
julgam que que asas ideias
ideias
por mais belas
por mais belas que que sejam,
sejam, podem
podem vencervencer as as tendências
tendências
naturais da da humanidade
humanidade !... !...
Após
Após o o período,
período, que que poderemos
poderemos classificar
classificar de de teo-
teo-
ricamente cosmopolita, da
ricamente cosmopolita, da segunda
segunda metademetade do do século
século
XIX
XIX ee primeira
primeira década
década do do XX, XX, aa guerra
guerra veio,
veio, ee por
por
assim dizer mecanicamente,
assim dizer mecanicamente, pela pela propria
própria força
força esmaga-
esmaga-
dora dos factos
dora dos factos baralhou
baralhou ee destruiu
destruiu todastodas essas
essas ideias
ideias
que
que só só na na paz
paz se se podem
podem desenvolver
desenvolver ee tomar tomar aa apa-
apa-
rência de de verdades
verdades fundamentais.
fundamentais.
O
O queque nósnós vimos
vimos sairsair desta
desta guerra
guerra não não toi
foi uma
uma
nova humanidade unificada
nova humanidade unificada num num pensamento
pensamento comum, comum,
porque
porque essaessa humanidade
humanidade seria seria um um paradoxo
paradoxo contra
contra aa
Natureza,
Natureza, queque nemnem as as próprias
próprias religiões
religiões conseguiram
conseguiram ja- ja-
mais realisar, em
mais realisar, em absoluto,
absoluto, mesmo
mesmo nos nos períodos
períodos do do seu
seu
maior predomínio; mas
maior predomínio; mas simsim vimos
vimos resultar
resultar umum facto
facto
mais lógico, porque
mais logico, porque mais mais sese liarmonisa
harmonisa com com aa propria
própria
condição natural da
condição natural cl» vida,
vida, que
que foi foi oo renovamento
renovamento do do
amor pátrio, fortalecido
amor pátrio, fortalecido nos nos agrupamentos
agrupamentos raciais raciais que
que
naturalmente se formaram.
Ao contrario do
Ao contrario do que
que pensam
pensam aqueles aqueles teoristas,
teoristas,
que sese desgostam
desgostam da da humanidade
humanidade porque porque tem tem as as qua-
qua-
lidades inerentes
inerentes àà propria
própria especie,
espécie, destedeste choque
choque for- for-
midável
midável de de paixões
paixões ee interesses
interesses veio-oveio-o dispertar
dispertar ee
fortalecer esses
esses sentimentos
sentimentos inactosinactos no no ser
ser humano.
humano.
O homem esqueceu o egoísmo individualista dos
períodos de paz e prosperidade material, e compreen-
deu bem
bem intimamente,
intimamente, que que toda
toda aa suasua força
força reside
reside nasnas
raizes que o ligam á terra donde provem, à família a
que pertence, à raça que em sucessivas gerações o
35

ligam
ligam por por todos
todos os os filamentos
filamentos da da sua
sua propria
própria alma
alma àà
tradição
tradição do do passado
passado dando-lhe
dando-lhc oo sentimento
sentimento do do que
que jájá
viveu atravez das
viveu atravez das vidas
vidas sucessivas
sucessivas dos dos antepassados.
antepassados.
Da confusão ee do
Da confusão do sofrimento
sofrimento que que oo grande
grande cataclis-
cataclis-
mo trouxe, mais
mo trouxe, mais umauma vez vez resultou
resultou aa prova
prova de de que
que oo
homem
homem não não pode
pode furtar-se
furtar-se ao ao que
que representa
representa aa sua sua es-
es-
trutura moral ce física,
trutura moral física, queque éé oo interesse
interesse instintivo
instintivo da da
sua própria continuidade em
sua propria continuidade em acção e força. acção e força.
Eis, meus senhores,
Eis, meus senhores, oo milagre
milagre dada natureza,
natureza, que que mais
mais
do
do queque nunca
nunca tios nos aproximou
aproximou na na compreensão
compreensão do do fu-
fu-
turo e no profundo sentimento do
turo e 110 profundo sentimento do passado comum. passado comum.
No momento perturbado
No momento perturbado que que passou,
passou, oo Brasil
Brasil ee Por-
Por-
tugal sentiram instintivamente
tugal sentiram instintivamente aa fraternidade
fraternidade racial
racial que
que
os une e estenderam-se as mãos
os une e estenderam-se as mãos num movimento tão num movimento tão
espontâneo
espontâneo ee sincero,
sincero, que que aa paz
paz só
só oo pode
pode fortalecer
fortalecer ce
estreitar cadacada vezvez mais.
mais.
Dum
Dum lado lado ee do do outro
outro do do Oceano
Oceano os os dois
dois povos
povos
sentiram
sentiram ao ao mesmo
mesmo tempotempo aa necessidade
necessidade dc de sese afirma-
afirma-
rem, defendendo oo ideal
rem, defendendo ideal nacionalista.
nacionalista.
Mas
Mas aa boa boa ee sã sã ee lítil
lítil campanha
campanha nacionalista
nacionalista di- de
que
que estaesta grande
grande naçãonação brasileira
brasileira precisa,
precisa, tanto
tanto como
como
nós, portugueses, nunca
nós, portugueses, nunca poderá
poderá serser senão
senão um um redobra-
redobra-
mento
mento de de simpatia
simpatia aa unir-nos
unir-nos cada
cada vez
vez mais.
mais.
Entre
Entre oo Brasil
Brasil ce Portugal,
Portugal, nemnem sequer
sequer pode pode haver
haver
indiferença
indiferença ou ou alheamento,
alheamento, sem sem cometermos
cometermos um um crime
crime
contra oo nosso
nosso proprio
próprio sangue!
sangue!
Como
Como nenhumnenhum outro outro povo
povo saído
saído do do mesmo
mesmo tronco
tronco
vindo
vindo da da Europa,
Europa, oo português
português conservou
conservou nos nos dois
dois paí-
paí-
ses, que se
ses, que se procuram
procuram ee enlaçam
enlaçam atravez
atravez do do Atlântico,
Atlântico,
as qualidades que
as qualidades que lhe lhe deram
deram um um caracter
caracter inconfun-
inconfun-
dível.
Se
Se o o Brasil
Brasil quizesse
quizesse deixardeixar dede serser lusitano
lusitano pela
pela
força estravagante dum
força cstravagante dum nacionalismo
nacionalismo desorientado,
desorientado, dei- dei-
xaria
xaria dede serser oo Brasil,
Brasil, aa nação
nação gloriosa,
gloriosa, oo colosso
colosso queque
se impõe aa todas
sc impõe todas as as outras
outras nações
nações sul-americanas
sul-americanas para para
ser um conjunto
ser um conjunto desconexo
desconexo das das variadas
variadas correntes
correntes mi- mi-
gratórias,
gratórias, que que aa força
força étnica
étnica dada raça
raça temtem conseguido
conseguido
dominar
dominar ee caldearcaldear admiravelmente,
admiravelmente, numa numa unidade
unidade de de
pensamentos
pensamentos que que eu eu propria
própria acabo
acabo dc de constatar
constatar na na
minha explendida viagem atravez
minha explendida viagem atravez dos Estados Sul, dos Estados Sul,
36

que uma desorientada


que uma desorientada propaganda
propaganda nos nos dizia
dizia germani-
germani-
sados.
O fenómeno luso-brasileiro
O fenomeno luso-brasileiro é, é, perante
perante aa Historia
Historia
Universal,
Universal, um um dos
dos mais
mais interessantes
interessantes sobsob oo nonto
ponto dede
vista étnico, tradicional
vista étnico, tradicional ee imigratório,
imigratório, quando'
quando' estu-
estu-
dado com serena
dado com serena ee inteligente
inteligente imparcialidade
imparcialidade perante
perante
os factos que
os factos que nos
nos mostram
mostram dois
dois ramos
ramos dada mesma
mesma
arvore, desenvolvendo-se paralelamente,
arvore, desenvolvendo-se paralelamente, alimentados
alimentados
pela mesma fonte
pela mesma fonte inexgotável
inexgotável de de vida,
vida, nunca
nunca confun-
confun-
didos
didos ee sempre
sempre amorosamente
amorosamente entrelaçados,
entrelaçados, olhando
olhando
com
coin aa mesma
mesma ternura
ternura ee oo mesmo
mesmo orgulho
orgulho oo passado
passado
glorioso
glorioso ee ambos
ambos caminhando
caminhando parapara oo futuro
futuro na
na criação
criação
dum sonho que
dum sonho que se
se completa,
completa, vivido
vivido dosdos dois
dois lados
lados do
do
Atlântico!

Meus senhores, minhas


Meus senhores, minhas Senhoras,
Senhoras, meus
meus Patricios:
Patrícios:

Não
Não quero quero abusar
abusar mais
mais da da vossa
vossa bondosa
bondosa pacien-
paciên-
cia
cia!!
Perdoai
Perdoai o o tempo
tempo roubado
roubado nesteneste desfiar
desfiar de de concei-
concei-
tos
tos queque só só teem
teem porpor desculpa
desculpa oo intenção
intenção com com que que fo-
fo-
ram ditos, que
ram ditos, que éé oo mostrar-vos
mostrar-vos aa ternura
ternura imensa
imensa que que
sinto
sinto por por esta
esta grande
grande Pátria,
Pátria, produto
produto maravilhoso
maravilhoso da da
energia
energia da da raça,
raça, ee oo orgulho
orgulho imenso
imenso comcom que que assisto
assisto ao
ao
seu progresso ee ao
seu progresso ao caminhar
caminhar parapara oo futuro,
futuro, correspon-
correspon-
dendo
dendo ao ao destino
destino sagrado
sagrado da da imposição
imposição lusitana!
lusitana!
Senhores! l)eixai-me
l)eixai-me ter ter aa esperança
esperança de de que
que vós
vós
todos ficareis aa viver
todos ficareis viver comigo
comigo oo maiormaior sonho
sonho da da Raça.
Raça.
Que
Que o o Brasil
Brasil caminhe
caminhe àà frente
frente dasdas nações
nações latino-ame-
latino-ame-
ricanas, mantendo aa egemonia
ricanas, mantendo egemonia do do progresso
progresso dirigente;
dirigente;
como Portugal saberá
como Portugal saberá manter
manter aa egemonia
egemonia dos dos povos
povos
da Península, como
da Peninsula, como sempre
sempre oo fez fez na
na historia
historia do do pro-
pro-
gresso ee da da civilização
civilização moderna,
moderna, parapara sese unirem
unirem na na acção
acção
futura
futura que que havemos
havemos de de realisar
realisar ee impôr
impor ao ao mundo.
mundo.
ÉÉ preciso
preciso que que oo novo
novo idealismo
idealismo da da raça
raça viva
viva com-
com-
nosco
nosco em em fé fé ee aspiração
aspiração sempre
sempre crescente,
crescente, para para que
que
venha
venha já já inacto
inacto no no coração
coração das das crianças,
crianças, transmitido
transmitido
çom
çom o o sangue
sangue pelo pelo justificado
justificado orgulho
orgulho das das mães!
mães!
37

Com a nossa vontade ec a nossa fé, a nova imposi-


ção lusitana
lusitana ha lia de de realisar-se
realisar-se comocomo se se realisou
realisou nosnos
nossos grandes
grandes séculos,
séculos, queque são
são oo XVXV ee XVI.
XVI. L.em-
Lem-
bremo-nos que que nesse
nesse tempo
tempo foi foi um
um punhado
punhado de de almas,
almas,
um povo
povo queque tinha
tinha pouco
pouco mais
mais de de um
um milhão
milhão dede pes-
pes-
soas, que
que em
em plena
plena escuridão
escuridão ee perturbação
perturbação medieval
medieval
abriu à Europa uma nova era de poderio, expansão e
grandeza, chamando
chamando àà vida vida ee aoao convívio
convívio civilisado
civilisado aa
maior parte
parte dodo mundo
mundo queque vivia
vivia ainda
ainda oo seu
seu período,
período,
por assim, dizer, vegetativo.
Que muito
muito é, é, pois,
pois, meus
meus senhores,
senhores, que que hoje
hoje que
que aa
nossa gente se multiplicou e desdobrou pela terra,
criando aa força
força espantosa
espantosa desta
desta nação,
nação, queque éé aa maior
maior
esperança do do mundo;
mundo; com com novos
novos Brasis
Brasis aa crescerem
crescerem
na Africa
Africa dodo Ocidente
Ocidente ee do do Oriente,
Oriente, oo apoio
apoio dos
dos nos-
nos-
sos arquipélagos atlânticos e a força da metrópole
europeia, aa viver
viver em em mocidade
mocidade eterna
eterna oo novo
novo sonho
sonho da da
nossa imposição
imposição civilisadora...
civilisadora... Dizei-me
Dizei-me :: que
que muito
muito éé
que uma tão grande força realise o pensamento que está
estruturalmente vincado à nossa alma de Lusíadas?!
Que muito
muito éé pois,
pois, Senhores,
Senhores, que que aa raça
raça que
que unifi-
unifi-
cou todas
todas asas correntes
correntes raciais
raciais queque à Peninsula
Península con-con-
vergiram em em diversos
diversos períodos
períodos imigrativos,
imigrativos, unifique
unifique
e amalgame todas as diversas influencias que ao Bra-
sil concorrem,
concorrem, dando-lhe
dando-lhe uma uma só só alma
alma ee umum sósó pensa-
pensa-
mento?!.
mento ?!... ..
Esse milagre
milagre oo vemos
vemos aquiaqui jájá realisado
realisado nono carinho
carinho
e na harmonia com que a simpática colonia colónia Italiana se
integra no no nosso
nosso proprio
próprio idealismo,
idealismo, ajudando-nos
ajudando-nos na na
absorção progressiva
progressiva de de todas
todas as as outras
outras raças.
raças.
Esse milagre
milagre oo vemos
vemos realisado
realisado no no Rio
Rio Grande
Grande do do
Sul, um dos Estados mais lusitanamente tradicionalista,
apesar das suas imigrações germânicas.
Esse milagre
milagre oo vemos
vemos no no Paraná
Paraná ondeonde aa cultura
cultura ee
a literatura se impõe numa acentuada imposição luso-
brasileira.
brasileira.
Façamos pois pois aa Grande
Grande Aliança
Aliança dosdos povos
povos lusita-
lusita-
nos, que é a única que está adentro da nossa alma,
que vive
vive nos
nos nossos
nossos corações,
corações, que que sese impõe
impõe pela
pela tra-
tra-
dição do do passado
passado ee vive vive oo maior
maior sonho
sonho do do futuro!
futuro!
38

Trabalhemos, meus Senhores, todos unidos 110 no


mesmo pensamento pela maior grandeza do Brasil e
de Portugal! 15 vivendo este sonho colectivo, cada 11111
um
de nós realise em si proprio
próprio a maior acção pelo en-
grandecimento das nossas duas Pátrias!
A mulher de Portugal e do Brasil
Senhores!

O assunto que tomei para tema desta palestra é


daqueles que unium coração lusitano recebe sempre em
ofertório de amor!
extasi, erguendo-se num ofertorio
Venho falar-vos da mulher da nossa raça, da mu-
lher de Portugal e do Brasil, mas da mulher elevada
pelo talento, nimbada de gloria, tocada da suprema
graça da bondade, do heroísmo e do orgulho santíssi-
grai,a
mo duma
mo duma maternidade
maternidade dirigente
dirigente ee apaixonada.
apaixonada.
Venho falar-vos da mulher em suas altas qualida-
des, honra e simbolo das nossas Pátrias, irmanadas
pelo coração e pelo ideal que as faz grandes!...
Venho falar-vos das mulheres da nossa raça, da-
quelas que foram a eterna saudade de vossos Pais e
daquelas que são já a alma mater desta grande terra
brasileira, simbólica Terra Prometida à nossa raça, que
Deus fez o seu novo povo eleito!...
E porque assim o quiz a minha boa sorte e a gen-
tileza dos meus patrícios, esta palestra é feita sob a
carinhosa protecção das Senhoras, que representam
em sua beleza, graça e cultura, a nobre mulher brasi-
leira.
Assim, meus senhores, coin a força dos seus sor-
risos a amparar as deficiências da minha voz, espero
que perdoareis o sacrifício a que tão amavelmente vos
sujeitais.
42

Minhas Senhoras:

E' principalmente a vós, senhoras brasileiras e por-


tuguesas, que me dirijo, porque 6 das mulheres da
nossa raça que desejo falar-vos neste momento único
da Historia em que dois povos saídos do mesmo berço
longínquo da raça se encontram íraternizando fraternizando numa
alvorada de esperança para um grande futuro social e
civilisador.
Eu sei, rriinlías
minlías senhoras, que nenhuma novidade
vos venho dar, e muito menos aos vossos maridos, aos
vossos pais, aos vossos irmãos e camaradas, falando-
vos nas nas extraordinárias
extraordinárias qualidades
qualidades de de espirito
espirito ee dede
coração e de amor heroico heróico da Pátria, que através de to-
dos os os tempos
tempos tem tem vindo
vindo aa especialisar,
especialisar, entre
entre todas,
todas, as
as
mulheres da raça portuguesa, de aquém e de alem inar. mar.
Parecerá talvez imodestia, a quem não conhecer o
santo orgulho
orgulho ee aa té fé exaltada
exaltada da da raça,
raça, vir
vir falar-vo?
falar-vo? das
das
vossas e minhas compatriotas, todas irmãs pelo sangue,
pela lingua ee pela
pela lingua pela tradição
tradição heróica,
heróica, como
como oo hãohão dede ser
ser
sempre pelas aspirações idealistas duma grande acção
civilisadora, que por nosso intermédio de novo levante
a sociedade,
sociedade, que que osos baixos
baixos egoísmos
egoísmos vem vem mutilando
mutilando
em sua graça e beleza.
Isto, porem,
porem, não não éé imodestia,
imodestia, mas mas tão
tão sóinente
somente aa
compreensão do que tein tem sido o nosso passado e o
compromisso tomado, tomado, em em face
face da
da Historia,
Historia, dede que
que bem
bem
saberemos cumprir cumprir aa missão
missão do do futuro./
futuro./
A mulher
mulher foi foi sempre
sempre ee em em todos
todos os os tempos
tempos oo ele-
ele-
mento fixador das
mento fixador das raças,
raças, porque
porque éé ela
ela que
que verdadeira-
verdadeira-
mente representa
representa aa continuidade
continuidade tradicional
tradicional das das Pá-
Pá-
trias,.
ÉÉ por
por elaela que
que aa familia
familia sese prende
prende àà terra,
terra, porque
porque éé
atravez. da da sua
sua ternura
ternura que
que os os filhos
filhos sese ligam
ligam estrutu-
estrutu-
ralmante ao passado longiquo de que nos vem toda a
força
força ee toda
toda aa grandeza.
grandeza. ÉÉ por por ela
ela que
que aa fainilia
família cami-
cami-
nha parapara oo futuro,
futuro, porque
porque éé do do seu
seu salgue,
sayigue, dodo seu
seu
leite, dodo seu
seu amor
amor ee da da sua
sua divina
divina ambição
ambição de de mãe,
mãe,
que
que os os filhos
filhos partem
partem para
para osos mais
mais altos
altos destinos!
destinos!
43

A mulher
mulher tem tem oo orgulho
orgulho do do seu
seu sangue,
sangue, temtem oo santo
santo
cgoismo
egoismo da da suasua raça,
raça, temtem oo respeito
respeito sagrado
sagrado do do seuseu
solo,
solo, que que éé aa Pátria
Pátria dosdos seus
seus filhos
filhos ee dos dos seus
seus ante-
ante-
passados; ee por por isso
isso aa mulher—
mulher— em em todos
todos os os países,
países,
como
como o o foi
foi nono passado
passado ee oo será será no no futuro
futuro — — éé funda-
funda-
mentalmente patriota!
Mas oo seu seu patriotismo
patriotismo é, é, quasi
quasi sempre,
sempre, ee por por cir-
cir-
cunstâncias independentes da
cunstâncias independentes da suasua vontade
vontade — — mais
mais ins-
ins-
tinto do do queque raciocínio,
raciocínio, mais mais paixão
paixão do do que
que consciên-
consciên-
cia, mais ciúme do que orgulho, mais heroisino heroísmo do que
justiça!...
justiça!...
ÉÉ que
que aa mulher,
mulher, mal mal preparada
preparada para para asas lutas
lutas sociais
sociais
defende
defende assim assim instintivamente,
instintivamente, com com todos
todos os os defeitos
defeitos
ee também
também todas todas as as reais
reais qualidades,
qualidades, oo principio
principio sa- sa-
grado
grado da da continuidade
continuidade das das raças,
raças, adentro
adentro do do ideal
ideal da da
Pátria.
ÉÉ que
que nãonão ha ha quem
quem melhor
melhor compreenda,
compreenda, mesmo mesmo na na
obscuridade
obscuridade duma duma vida vida cheia
cheia de de modéstia,
modéstia, esse esse senti-
senti-
mento
mento que que parapara muitos
muitos homens
homens se se alarga
alarga subjectiva-
subjectiva-
mente, conforme os
mente, conforme os seus
seus interesses
interesses ou ou asas suas
suas mo- mo-
mentâneas
mentâneas paixões, paixões, ee na na mulher
mulher éé concentração
concentração dum dum
sentimento,
sentimento, que que muitas
muitas vezes vezes até até aa vida
vida contraria
contraria ee
faz retrair, mas
faz retrair, mas não não vence
vence jàmais!
jamais!
A mulher, na
A mulher, na suasua fundamental
fundamental função função materna
materna tem tem
em
em si si propria
própria oo verdadeiro
verdadeiro sentido
sentido da da palavra
palavra naciona-
naciona-
lismo,
lismo, que que veio
veio alargando
alargando progressivamente
progressivamente atravez atravez da da
família,
fainilia, de de civilisação
civilisação em em civilisação,
civilisação, desdedesde oo limite
limite
estreito
estreito da da sua
sua primitiva
primitiva caverna,
caverna, em em que
que ela
ela foi
foi aa pri-
pri-
meira
meira base base duma
duma sociedade
sociedade que que malmal sese reconhecia,
reconhecia, até até
ao alargamento máximo
ao alargamento máximo das das pátrias,
pátrias, queque sese desdobram
desdobram
em ambições de
em ambições de imposição
imposição civilisadora.
civilisadora.
O sentimento patriótico
O sentimento patriótico da da mulher
mulher éé maismais fácil
fácil de de
ser restringido, perante
ser restringido, perante aa hostilidade
hostilidade do do meio,
meio, no no ex-ex-
clusivismo
clusivismo da da família
família do do que
que alargar-se
alargar-se num num grande
grande
ideal extensivo àà humanidade.
ideal extensivo humanidade.
A historia de
A historia de todos
todos os os tempos
tempos está está cheia
cheia dede abne-
abne-
gações
gações ee heroísmos
heroísmos patrióticos
patrióticos da da mulhei
mulher ee não não conta
conta
grande numero de
grande numero de sacrifícios
sacrifícios femininos
femininos pela pela ideia
ideia abs-
abs-
tracta
tracta dumaduma grandegrande família
família ee duma duma grande
grande pátria
pátria co- co-
lectiva.
• 44

Ainda haha pouco,


pouco, nessa
nessa enorme
enorme guerra,
guerra, queque passou
passou
por nos
por nós todos
todos como
como umum traço
traço dede fogo
fogo aa marcar
marcar para
para oo
futuro um um doloroso
doloroso momento
momento humano,
humano, um um dosdos mais
mais lin-
lin-
dos gestos
dos gestos o»de morte
morte foi
foi oo de
de Miss
Miss Cavei,
Cavei, aa enfermeira
enfermeira
que devia
que devia não
não ter
ter sentimento
sentimento exclusivo
exclusivo da da raça
raça ee es- es-
quecer os
quecer os interesses
interesses dada Pátria
Pátria para
para só
só cuidar
cuidar dosdos inte-
inte-
resses imediatos
resses imediatos dos dos feridos,
feridos, sein
sem distinguir
distinguir amigos
amigos ee
inimigos, ee corajosamente
inimigos, corajosamente se se sacrificou
sacrificou pelo pelo instinto
instinto
sagrado de
sagrado de mulher,
mulher, que
que acima
acima de de tudo,
tudo, exclusivamente
exclusivamente
quere o
quere o seu
seu sangue
sangue ee amaama aa sua sua terra!
terra! Miss
Miss CaveiCavei
desmentiu os
desmentiu os preceitos
preceitos internacionais
internacionais da da sua
sua profissão;
profissão;
mas, porque foi mulher, foi mais humana e mais digna
de ficar
de ficar na
na historia
historia como
como umauma heroína
heroína verdadeira!
verdadeira!
Não pode
Não pode haver
haver uma
uma grande
grande nação
nação se se não
não houver
houver
nas mulheres este sentimento que as faz as
nas mulheres este sentimento que as faz as guardas
guardas
-
ee fiadoras
fiadoras dasdas qualidades
qualidades ee tradições
tradições da da raça
raça- mas mas
nas mulheres de Portugal e do Brasil éle é tão exal-
nas mulheres de Portugal e do Brasil éle é tão exal-
tado, que
tado, que éé difícil,
difícil, encontrar
encontrar outros
outros povos
povos que que se se lhe
lhe
comparem, como como vamos
vamos provar
provar comcom aa nossa
nossa propria
própria
Historia.

A mulher heróica

A historia
A historia especial
especial da da mulher
mulher brasileira
brasileira ee portu-
portu-
guesa está ainda por fazer, destacando-se apenas
guesa está ainda por fazer, destacando-se apenas como
como
padrões que que muito
muito alto
alto se
se erguem,
erguem, aa marcar
marcar osos factos
factos
mais gloriosos,
mais gloriosos, alguns
alguns nomes
nomes que que são
são pontos
pontos dede refe-
refe-
rencia a que todos se apegam quando se querem refe-
rencia a que todos se apegam quando se querem refe-
rir às
às qualidades
qualidades femininas
femininas da da raça.
raça.
Sem querermos
Sem querermos ultrapassar
ultrapassar os os limites
limites históricos
históricos dada
nacionalidade
nacionalidade ee ir ir buscar
buscar àà laboriosa
laboriosa ee rude
rude lusitana
lusitana
as qualidades
as qualidades atavicas
atávicas queque fazem
fazem da da mulher
mulher portugue-
portugue-
sa ee brasileira
sa brasileira as
as verdadeiras
verdadeiras fixadoras
fixadoras da da raça
raça ao
ao solo
solo
pátrio, vamos encontrar logo no alvorecer da historia
pátrio, vamos encontrar logo no alvorecer da historia
portuguesa (que é a historia comum dos nossos dois
países) aa acção
países) acção admirável
admirável da da Infanta
Infanta D.
D. Tereza,
Tereza, aa ver-
ver-
dadeira iniciadora da
dadeira iniciadora da nacionalidade.
nacionalidade. FoiFoi ela
ela quem
quem me-me-
HHi

45

lhor
llior interpretou a aspiração dos ricos-homens de En-
tre-Minho
trc-Minho ec Douro
Douro ec as as do
do povo
povo que que os
os tinha
tinha por
por
dirigentes e, inais
mais do que o marido, príncipe est cstran-
ran-
jeiro da fase medieval dos sem-pátria, que em nome
da fé e da Santa Cavalaria iam pelo mundo a defen-
der princípios abstractos e não a fundar pátrias novas,
foi ela que disputou corajosamente à irmã e ao cunha-
do a legitimidade c independência da sua herança.
E só depois de viuva, quando os ricos-homens de
Entre-Minho e Douro,^fortes
Douro,Jortes da ideia brilhante duma
Pátria a enfrentar-se cõm còm outras Pátrias, que nasciam
na confusão da Peninsula
Península espano-arabe, a viram incli-
nar-se pelos interesses de coração para os senhores da
Galisa, bateram com força as manapolas de ferro nos
copos das espadas c disseram a essa bela infanta, que
lhes tinha dado o direito duma Pátria: — "Retirai-vos
porque a vossa missão acabou! Enquanto fosteis o po-
litico hábil
hábil que
que defendeu
defendeu letra
letra aa letra
letra as
as palavras
palavras do do
contracto do vosso casamento; enquanto fosteis a enér-
gica regente do território que consideramos nosso;
enquanto fosteis
fosteis aa inspiradora
inspiradora dum dum pobre
pobre bom
bom prínci-
prínci-
pe que de França nos vein veiu em cata de aventuras, en-
tão sim! Nós vos tínhamos como senhora suzerana!
Agora queque reclamais
reclamais direitos
direitos dede actuar
actuar livremente,
livremente,
quando só só vos
vos reconhecemos
reconhecemos oo dever dever dede nos
nos dardar aa
independência duma Pátria, a vossa missão está aca-
bada ee para
para penhor
penhor dosdos direitos
direitos de de herança
herança basta-nos
basta-nos
o vosso filho.,,
De facto, em nome da nacionalidade que nascia
com todos os direitos dum organismo feito para a lu-
ta ee para
para oo triunfo,
triunfo, ninguém
ninguém hesitou
hesitou em em deixar
deixar conde-
conde-
nar ee vilipendiar
vilipendiar essa
essa mulher,
mulher, queque deixou
deixou como
como heran-
heran-
ça preciosa ao filho a energia 110 no querer e o sonho
politico que o sagrou fundador da Nação, que de facto
a mãe já lhe entregara com direitos à resistência he-
róica, que depois teve.
E no entanto, hoje, a oito séculos dc de distancia, e
vendo como
como aa Galisa
Galisa ee Portugal
Portugal teemteem crescido
crescido lado
lado aa
lado irmãs na origem, 11a na fala e 11ana resistência à absor-
ção de Castela, é-nos licito pensar se a aproximação
46

com os senhores dalém


dalcm Minho, embora tornasse mais
difícil o direito legal à herança paterna, não teria logo
de principio dado ninas fronteiras mais naturais à Pá-
tria Portuguesa?...

Um dos mais interessantes aspectos da vida c acção


da mulher portuguesa através dos nossos oito séculos
de existência politica, é a sua paixão patriótica e o he-
roísmo como se tem distinguido sempre nos mais di-
fíceis momentos da nossa historia, tanto no continente
como nas colonias,
colónias, onde acompanhou o homem desde
o periodo que se seguiu às descobertas.
E muito longa a lista de nomes femininos que or-
gulhosamente podemos pôr ao lado das mais puras
glorias masculinas.
Se temos como exemplo quási fóra fora da natureza o
gesto do Alcaide de Faria incitando o filho a defen-
der o Castelo que lhe estava confiado, o que diremos
.da mãe do Alcaide de Trancoso que em tempo de
D. João 1I mandava dizer ao filho:—"Que o proferia
morto a vê-lo deshonrado, se entregasse às gentes em-
bravecidas de Castela e aos portugueses traidores que
as acompanhavam, o castelo que à sua guarda a Pá-
tria confiara.,,
Um nome de mulher resalta nesta mesma cpoca, época,
que não tem conseguido reabilitar-se, apesar dos sé-
culos decorridos, esse nome é o de Leonor Teles. Am-
biciosa, formosissiina,
formosíssima, hábil politica, Leonor Teles teve
nas suas mãos os destinos de Portugal, mas dos seus
triunfos e do seu doininio
domínio nada ficou e o seu presti-
gio desfez-se como um fumo de mato seco, só porque
não teve o que teem muitas das mais humildes filhas
do povo — o instinto sagrado do amor pátrio!
Pode ter-se muito talento e muita habilidade poli-
tica, que não pode triunfar em Portugal senão aquele
que acima de tudo, e dominando todos os outros sen-
timentos, tiver esse instinto sagrado da raça!
47

Foi
Foi oo motivo
motivo porque
porque aa rainlia
rainlia D.D. I.eonor
Leonor Teles
Teles não
não
conseguiu
conseguiu em em vida,
vida, como
como na na morte,
morte, serser desculpada
desculpada cm cm
seus erros ee estimada
seus erros estimada cin cm seus
seus talentos.
talentos.
Já vimos que
Já vimos que oo mesmo
mesmo sucedeu
sucedeu àà rainlia
rainlia D.
D. Tereza,
Tereza,
apesar
apesar do do seu
seu incontestável
incontestável valor,valor, ee pelapela historia
historia vaivai
sucedendo
sucedendo aa todas todas as as .que
que nãonão souberem
souberem compreen-
compreen-
der oo sentimento
sentimento português.
português.
Em oposição aa Leonor
Em oposição Leonor Teles,
Teles, queque se se perdeu
perdeu por por
atraiçoar
atraiçoar o o sentimento
sentimento nacional,
nacional, combinando-se
combinando-se com com
estrangeiros,
estrangeiros, temos temos aa heróica
heróica Deusadeu
Deusadeu MartinsMartins que que
salvou
salvou aa praçapraça de de Monsão
Monsão atirando
atirando para
para oo arraial
arraial espa-
espa-
nhol
nhol com com oo pão pão queque ordenara
ordenara da da ultima
ultima farinha
farinha exis-
exis-
tente
tente na na vila,
vila, gritando:—"Que
gritando:— "Que se se julgavam
julgavam que que os os
renderiam
renderiam pela pela fome
fome bembem enganados
enganados estavam,
estavam, poispois de de
sobra
sobra havia havia pão
pão para
para dar
dar aos
aos esfomeados
esfomeados de de Castela,,.
Castela,,.
EE em
em vista
vista deste
deste rasgo,
rasgo, osos sitiantes
sitiantes desistiram
desistiram de de
continuar o cerco.
EE oo que
que diremos
diremos de de Helena
Helena PiresPires ee dasdas suas
suas valo-
valo-
rosas companheiras, que
rosas companheiras, que nessa
nessa mesma
mesma defesadefesa das
das mu-
mu-
ralhas
ralhas de de Monsão,
Monsão, se se bateram
bateram comocomo soldados
soldados que que não
não
temem a morte ?!
Essas, como Brites
Essas, como Brites de de Almeida,
Almeida, aa tão tão afamada
afamada Pa- Pa-
deira
deira de de Aljubarrota,
Aljubarrota, são são oo símbolo
símbolo que que atesta
atesta aa ener-
ener-
gia inata na
gia inata na alma
alma da da mulher
mulher portuguesa.
portuguesa.
Ela
Ela éé bem
bem aa mulher
mulher do do povo
povo que que na na hora
hora suprema
suprema
aparece
aparece aa afirmarafirmar oo caracter
caracter indomável
indomável da da raça
raça ee se-
se-
renamente desaparece, integrando-se
renamente desaparece, integrando-se de de novo
novo na na grande
grande
colectividade afirmativa, que
colectividade afirmativa, que impôs
impôs ao ao mundo
mundo aa civili-
civili-
lisação moderna, quando
lisação moderna, quando se se julga
julga desnecessária.
desnecessária.
Brites dede Almeida
Almeida de de quem
quem aa tradição
tradição afirma
afirma queque
matou
matou sete sete soldados
soldados castelhanos
castelhanos com com aa pá pá do
do forno
forno éé
aa heróica
heróica simbolisação
simbolisação desse desse povo,
povo, sempre
sempre em em con-
con-
tacto
tacto comcom os os defensores
defensores da da Patria,
Pátria, quando
quando eles eles encar-
encar-
nam
nam o o idealismo
idealismo que que aa torna
torna eterna
eterna cc invencível.
invencível.
Para melhor aa fixarmos
Para melhor fixarmos em em símbolo
símbolo vamosvamos ler ler um
um
soneto que a tomou por assunto:
48

DC ALMEIDA
BRITES DE

Historia certa, ou lenda, a ingressar


Já pelos condomínios da ancdocta,
anedocta,
Padeira varonil de Aljubarrota
E's verosímil sitnbolo
símbolo sem par.
Simbolisas a alma popular,
Na sua .ânsia
ânsia simplista e patriota
Que relucta de estranhos ser ilota,
Por seus se deixe embora escravisar.
mais, heroína, mulher sendo,
E para niais,
Teu nome e biografia estão dizendo
O que aliás toda a nossa historia aclama:
Que na mulher mais firme a tradição
Se guarda, e se enraíza uma Nação:
Passado que o futuro ensina e inflama.
Paulino de Oliveira

Tanto em Portugal como no Brasil a mulher afírma-


se em nomes tão gloriosos, que,que o citá-los em detalhe
seria tarefa para requerer largo tempo c muita erudição.
Demasiadamente conhecidas são as grandes heroí-
nas das lutas do Oriente, as defensoras de Diu, as ge-
nerosas damas de Goa, as mulheres de Chaúl, as mães
heróicas que orgulhosamente davam os filhos cm ho-
locausto à Pátria, vendo-os morrer estoicamente pela
honra do sangue português!
Onde os homens portugueses tiveram combates e
acção, não lhes faltou nunca a força moral dos cora-
ções femininos.
Lindo exemplo foi esse da formosíssima D. Isabel
de Castro, que aos 16 anos se casava com D. Duarte
de Menezes, o grande herói da India,índia, a esse tempo
um moço da mesma idade, já governador da praça de
Africa, Alcacer-Ceguer.
Alcaccr-Ceguer.
49
M

Quando
Quando aa noiva noiva gentil
gentil desembarcava
desembarcava com com aa suasua
comitiva,
comitiva, parapara sese juntar
juntar aoao esposo
esposo que que ansiosamente
ansiosamente aa
aguardava, encontrou aa praça
aguardava, encontrou praça emem estado
estado de
de guerra,
guerra, pois
pois
oo rei
rei dede Pez
Pez aa vinha
vinha cercar.
cercar. A A formosíssima
formosíssima senhora
senhora
não
não se se intimidou
intimidou com com oo aparato
aparato bélico
bélico e,
e, abraçando
abraçando oo
moço guerreiro, lhe
moço guerreiro, lhe disse
disse aa rir:
rir: —
— "Muito
"Muito folgo,
folgo, senhor,
senhor
cm vir cm
cm vir em tãotão boa
boa ocasião
ocasião parapara vos
vos poder
poder ajudar
ajudar!..."
!..."
Fli entrando
entrando na na cidade
cidade começou
começou logo logo aa conduzir
conduzir pe-pe-
dras, cal ee agua,
dras, cal agua, 11ana faina
faina em
em queque andavam
andavam os os sitiados
sitiados
para
para aa defesa
defesa da da praça.
praça.
De tal maneira
De tal maneira oo seu seu gesto
gesto entusiasmou
entusiasmou os os valo-
valo-
rosos portugueses, que
rosos portugueses, que I).
D. Isabel
Isabel de de Castro,
Castro, suas
suas -li-
da-
mas
mas cc donzelas,
donzelas, formando
formando um um batalhão
batalhão aguerrido,
aguerrido,
nada mais fizeram
nada mais fizeram do do queque cuidar
cuidar dosdos feridos
(cridos cc velar
velar osos
mortos.
mortos. E E aa praça
praça defendeu-sc
defendeu-sc até até aos
aos últimos
últimos recursos,
recursos,
sem um desfalecimento
sem 11111 desfalecimento nem nem 11111a
uma hesitação,
hesitação, fazendo
fazendo
finalmente retirar os
finalmente retirar os moiros,
moiros, parapara maior
maior gloria
gloria do do
nome português.
português.
Falando
Falando 110 no heroísmo
heroísmo das das mulheres
mulheres portuguesas
portuguesas no no
Continente,
Continente, na na Africa
Africa cc na
na India,
índia, não
não podemos
podemos esquecer
esquecer
as mulheres pernambucanas,
as mulheres pernambucanas, que que tanto
tanto sofreram
sofreram ce lutaram
lutaram
cc tão
tão alto
alto levaram
levaram aa sua
sua coragem,
coragem, que que osos seus
seus feitos
feitos bem
bem
podem
podem ser ser igualados
igualados aosaos maiores
maiores da da antiguidade.
antiguidade.
Como
Como aa padeira
padeira dede Aljubarrota,
Aljubarrota, ClaraClara Camarão
Camarão éé
uma cxplendida encarnação
uma cxplendida encarnação da da mulher
mulher do do povo,
povo, apare-
apare-
cendo
cendo com com ímpetos
ímpetos dede leôa
leoa para
para defender
defender aa honra
honra da da
raça, desaparecendo, logo
raça, desaparecendo, logo após
após oo triunfo,
triunfo, 110
no anonimato
anonimato
da grande alma
da grande alma colectiva.
colectiva.
Brilhando sobre todos
Brilhando sobre todos os os nomes
nomes gloriosos
gloriosos da da his-
his-
toria
toria dada mulher
mulher luso-brasileira,
luso-brasileha, temos
temos que que recordar
recordar aa
pernambucana
pernambucana heróica,heróica, D. D. Maria
Maria de de Sousa.
Sousa.
Como Filipa de
Como Filipa de Vilhena,
Vilhena, oo símbolo
símbolo da da grande
grande
alma
alma das das mães
mães portuguesas,
portuguesas, sempre
sempre recordada
recordada comcom
devoção
devoção 11a na nossa
nossa terra,
terra, D.I). Maria
Maria dc de Sousa
Sousa aoao saber
saber
que
que os os filhos
filhos mais
mais velhos
velhos ce oo genro
genro haviam
haviam morrido
morrido
na luta contra
na luta contra oo cstranjeiro
cstranjeiro inimigo,
inimigo, enviou
enviou aa Matias
Matias
de Albuquerque os
dc Albuquerque os dois
dois queque ainda
ainda tinha,
tinha, de
de 1212 cc 14
14
anos, para que
anos, para que os
os utilisassc
utilisasse na na sua
sua brava
brava guerra
guerra con-
con-
tra os invasores
tra os invasores estrangeiros.
estrangeiros.
4
50

Os nomes destas duas mulheres, mães como só fala


a grande Historia quási mitológica do passado, hão
de viver enlaçados ra memoria das duas nações irmãs,
erguendo bem alto a fama das qualidades de abnega-
ção e corajosa fé patriótica das mulheres da nossa raça.
Para as honrar só podemos colocar ao lado dos
seus o nome dum pai, como D. Francisco de Almeida,
bradando na demência da sua dôr, ao ver cair ensan-
guentado o mais formoso cavaleiro do seu séquito, que
era o garboso moço D. Lourenço de Almeida, filho do
seu profundo amor: "Por 'Por cada pedra de Diu, daria
um filho!.. ."e levando os inimigos a ferro ca fogo,
numa vingança sem tréguas, só no fim da batalha sen-
tiu as lagrimas, que lhe caiam no coração c não lhe cor-
riam pelas faces !...
Como uma heroina medieval, também I). D. Maria Ce-
zar soube impôr-se como premio, chamando o trans-
viado João Fernandes Vieira ao hcroico
heróico cumprimento
do seu dever de patriota, defendendo Pernambuco do
invasor holandês.
Na defeza tão ardorosa de Pernambuco as mulhe-
res luso-brasileiras demonstaram bem claramente o
grande principio que vimos afirmando: — —de
de que é a
muljcr
mui ícr a verdadeira fixadora do solo! Se bem que haja
tcoristas, que lamentam a reconquista de Pernambuco
aos flamengos, cujas qualidades administrativas dizem
admirar, o que é certo é que o Brasil não seria esta
grande Patria
Pátria una e magnífica,
mag.iífica, com a mesma historia, a
mesma ime.iso dum mesmo futuro se
inesma lingua c o sonho imenso
não se tivesse libertado desse enxerto a contrariar to-
das as te delicias
dencias c aucestralidades históricas da raça.

Na religião, nas letras c nas qualidades heróicas da


raça, as mulheres do Brasil colonial honraram a Patria
Pátria
de origem e a Patria
Pátria que se ia defenindo numa gloria
ce pujança que é hoje o novo triunfo da nossa raça. As
mulheres do alvorcscer da nacionalidade brasileira fo-
51

ram
ram aí ao filhas
filhas bem
bem dignas
dignas das das portuguesas,
portuguesas, que que do do ou-
ou-
tro lado do
tro lado do Atlântico
Atlântico lhes
lhes mandavam
mandavam os os filhos
filhos para
para paes
pães
dos
dos seusseus netos.
netos. LmEm quatro
quatro séculos
scculos de de historia
historia poucos
poucos
povos
povos podempodem apresentar,
apresentar, como como este,
este, um um tãotão grande
grande
numero
numero de de nomes
nomes femininos
femininos que que ilustram
ilustram aa sua sua histo-
histo-
ria, desde aa meiga
ria, desde meiga ee ticlfiel Marília,
Marília, queque ficou
ficou aa encher
encher
de'lendária
de'lendária ee melancólica
melancólica simpatia
simpatia os os alcantis
alcantis da da ve-
ve-
lha "Ouro Preto",
lha "Ouro Preto", até
até às
às voluntárias
voluntárias heróicas
heróicas da da inde-
inde-
pendência,
pendência, que que repetiram
repetiram como como soldados
soldados valorosos
valorosos oo
brado
brado do do moço
moço Imperador:
Imperador: ""Independência
Independendo, ou ou Morte!'
Morte!"
Portugal
Portugal deu deu àà Italia
Itália uma
uma dasdas mais
mais românticas
românticas figu-figu-
ras femininas da
ras femininas da sua
sua efemera
efémera ee generosa
generosa republica
republica Par-Par-
thenopeia,
thenopeia, essa essa linda
linda Leonor
Leonor da da Fonseca
Fonseca Pimentel,
Pimentel, poe-
poe-
tisa
tisa ee heroina,
heroina, que
que tão
tão nobremente
nobremente soube soube morrer
morrer 110 no
cadafalso infamante, pelo
cadafalso infamante, pelo sonho
sonho sempre
sempre belo belo dada Liber-
Liber-
dade
dade da da Fraternidade
Fraternidade ee Igualdade!
Igualdade!
O Brasil deu
O Brasil deu também
também àà Italia
Itália aa figura
figura quási
quási lendá-
lendá-
ria
ria dede Anita
Anita Garibaldi,
Garibaldi, queque soube
soube ser ser mulher
mulher heroina,
heroina,
digna companheira dum
digna companheira dum herói,
herói, que
que entrou
entrou pela
pela historia
historia
moderna
moderna com com todo
todo oo prestigio
prestigio da da lenda.
lenda.

Influencia da mulher
Influencia da mulher portuguesa
portuguesa na
na arte
arte ee na
na literatura
literatura

Sendo
Sendo aa nossa
nossa palestra
palestra 11111
um apontuado
apontuado de de notas,
notas, que
que
tem
tem sósó por
por fim
fim demonstrar
demonstrar aa persistência
persistência das das qualida-
qualida-
des excelsas da
des excelsas da raça
raça atravez
atravez da
da acção
acção feminina,
feminina, deixa-
deixa-
mos outros muitos
mos outros muitos nomes
nomes cc factos
factos queque nos
nos seria
seria grato
grato
recordar
recordar ee procuremos
procuremos dar dar um
um outro
outro aspecto
aspecto interes-
interes-
sante
sante da da vida
vida social
social da
da mulher
mulher portuguesa,
portuguesa, influindo,
influindo,
como influiu sempre,
como influiu sempre, nas
nas artes
artes ee nas
nas letras,
letras, não
não sósó em
em
Portugal como no
Portugal como no estranjeiro.
estranjeiro.
Logo
Logo na na primeira
primeira descendência
descendência de de Afonso
Afonso Henri-
Henri-
ques vamos encontrar
ques vamos encontrar umauma mulher
mulher de de alto
alto valor
valor não
não só

pelas suas qualidades
pelas suas qualidades de de politica
politica inteligente,
inteligente, como
como pela
pela
sua rara energia
sua rara energia e, e, sobre
sobre tudo,
tudo, pela
pela influencia
influencia queque
exerceu
exerceu na na cultura
cultura europeia
europeia dodo seu
seu tempo.
tempo. Trata-se
Trata-se da
da
52

filha do primeiro rei de Portugal, que foi casada corn


Filipe
Piiipe de Alsacia, sendo assim soberana duma das cor-
tes mais intelectuais da Europa inediavcl,
inediavel, cujo requin-
tado sentimento produziu o maravilhoso romance de
amor que c "Tristão e lseu". Esse drama eterno da fa-
talidade da paixão desceu da côrte
corte a que presidia uma
inteligente dama portuguesa para a alma sincera do povo
e de geração em geração se foi transmitindo como
um sorriso de luz, entrando no folk-lore de todo o
mundo. Assim, podemos bem afirmar que a sentimen-
talidade amorosa da raça portuguesa influiu no grande
ciclo de que o poema de "Tristão e lseu" éc o eixo;
como mais tarde influiu pelo romance de cavalaria de
que foi a obra prima o "Amadis de Gaula" de João de
l.obeira o gentil cavaleiro e poeta português.
Mas ainda mais do que o poema e do que o ro-
mance influiu moralmente no mundo, como um dos
grandes dramas da humanidade, a tragedia sagrada na
constância da paixão e na violência da dòr, que cé a
historia de 1). Pedro e IX
D. Ignez de Castro.
Esse drama de paixão, de revolta, de odio
ódio e de sau-
dade, c bem mu um violento e fundo traço do geuio
génio por-
tuguês ! Ama-se com a doçura constante de Ignez, ven-
do a morte avançar sem a pretender evitar, no fatalismo
dum sentimento que se não pode vencer; e ama-se
como D. Pedro levando o impeto da revolta até às mais
atrozes crueldades na vigança!
Ama-se em abnegação e orgulho na dòr, como so-
ror Mariana Alcoforado, a doce freira portuguesa, cujas
cartas de amor e de saudade todos os apaixonados sem
esperança leem
lêem com as lagrimas nos olhos...
É que o amor, quando se apodera duma alma por-
tuguesa, é absorvente e constante como todas as ma-
nifestações
iiifestações da raça.
Como um dos mais altos valores a afirmar as qua-
lidades de inteligência da mulher portuguesa, não pode
ner relegada a figura moral dessa gentilissima Infanta,
filha do Mestre de Aviz, D. Isabel, irmã dos "Ínclitos
tilha
infantes", que exerceu uma grande influencia nas rela-
ções diplomáticas, artísticas e até mesmo comerciais,
53

entre Portugal e o Ducado de Borgonha, então uni um


dos mais poderosos e florescentes estados da Europa.
A infanta D. Isabel de Aviz foi mãe de Carlos o
Temerário, essa figura de heroicidade e de cavalaria,
lendária
lendaria encarnação das virtudes e beleza moral duma
época, que o espirito arguto de Luís XI ia derrubar.
O jovem príncipe, foi bem o herdeiro do sangue
português, morrendo em beleza e heroicidade, como
Desgraça"
anos mais tarde morreu o nosso "Cristo da Desgraça
o sempre amado e lendariamente vivo D. Sebastião!
É que saber morrer em beleza, num grande gesto
de heroicidade, é ainda um dos mais caros ideais da
gente portuguesa!
Quantos e quantos atravéz da nossa historia, 110 no
passado como no presente, sacrificam tudo por um sd só
gesto de gloriosa morte.
Abençoada raça que sabe morrer em abnegação e
heroísmo!
Carlos o Temerário não poderia, negar as qualida-
des que lhe legou o nobie
nobre sangue de sua mãe, que
nunca deixou de ser uma portuguesa pelo coração, vi-
vendo em saudade e ein em orgulho da Pátria na opulên-
cia do seu faustoso Ducado.
Portuguesa pelo sangue, pelo caracter e pelo nobre
orgulho, tão característico da nossa raça, ela provou-o
sempre por todos os gestos da sua vida até mesmo
quando escolheu para paladino da causa de Borgonha,
contra o direito arrogado pela França, o cavaleiro gen-
til e heroico
heróico que foi na historia e na lenda a mais no-
bre encarnação do caracter português, Alvaro
Álvaro Gonçal-
Qrão Magriço.
ves Coutinho, o Grão
Por influencia desta princeza a Arte pictoral portu-
guesa sentiu o influxo da cultura flamenga, preparan-
do-se para o período a que chamamos de pintura pri-
mitiva e tem corno
como afirmação admirável o génio de
Nuno Gonçalves e seus continuadores.
54

Como
Como valoresvalores que que bem
bem se se devem
devem contar
contar na na maior
maior
grandeza
grandeza ee brilho brilho queque atingiu
atingiu aa civilização
civilização portuguesa,
portuguesa,
não podemos esquecer
não podemos esquecer as as três
três filhas
filhas do do rei
rei D.
D. Manuel
Manuel 1,1,
oo "Venturoso".
"Venturoso".
A infanta D.
A infanta D. Maria,
Maria, depois
depois de de ser
ser pretendida
pretendida pelos pelos
mais altos senhores
mais altos senhores da da Europa,
Europa, não não escol
escol .eu
.eu esposo
esposo ee
manteve,
manteve, adentroadentro da da explendida
explendida ee cultíssima
cultíssima corte corte dede
seu
seu pai,pai, uma
uma verdadeira
verdadeira academia
academia onde onde brilharam
brilharam os os
mais cultos espíritos
mais cultos espíritos femininos
femininos do do seu
seu tempo.
tempo. Eram Eram da da
sua- privança poetisas,
sua privança poetisas, artistas
artistas sabias
sabias que que mostravam
mostravam
os seus talentos
os seus talentos entreentre os os sábios
sábios mais mais cotados,
cotados, como como
sucedia
sucedia na na velha
velha Orccia.
Grécia.
Nesse
Nesse cortecorte da da mais
mais requintada
requintada cultura, cultura, brilhavam
brilhavam
os talentos de
os talentos de Camões,
Camões, Sá Sá dede Miranda,
Miranda, Gil Gil Vicente,
Vicente, ee
Bernardim Ribeiro... para
Bernardim Ribeiro... para sósó citarmos
citarmos dos dos maiores.
maiores.
Foi desse ninho
Foi desse ninho de de erudição
erudição ee graça graça intelectual,
intelectual, que que
saiu
saiu aa princeza
princeza D. D. Beatriz,
Beatriz, aa lindalinda exilada
exilada queque aa sorte
sorte
levou
levou para para oo pobre
pobre Ducado
Ducado de de Sabóia,
Sabóia, consmnindo-se
consumindo-se
de amor pelo
de amor pelo poeta,
poeta, como
como oo conta conta —para
—para aa eternaeterna ter-
ter-
nura de todos os corações
nura de todos os corações namorados namorados o livro
o livro das das
"Saudades",
"Saudades", que que se se chama
chama aa "Menina"Menina ee Moça". Moça".
A terceira, aa princeza
A terceira, princeza D. D. Isabel,
Isabel, foi foi aa maior
maior formo-
formo-
sura do seu tempo; mulher de
sura do seu tempo; mulher de Carlos V, Imperador daCarlos V, Imperador da
Áustria
Austria ee rei rei dede Espanha
Espanha ee dos dos Países
Países Baixos,
Baixos, cc mae mãe
dessa formidável figura, na expressão genial da vontade,
que
que foifoi Filipe
Filipe 1111 de
de Castela,
Castela, l.° l.° dede Portugal.
Portugal.
Por
Por aa verver morta
morta ee decomposta
decomposta aa sua sua beleza divina,
beleza divina,
oo Duque
Duque de de Gandia,
Gandia, grande
grande de de Espanha,
Espanha, gentil-homem
gentil-homem
dos mais opulentos
dos mais opulentos da da côrte,
corte, entrou
entrou no no claustre
claustre dc de pe-
pe-
nitencia
nitencia ee santificou
santificou oo nome nome de de Francisco
Francisco de de ^Borgia,
^Borgia,
que adoptara ao
que adoptara ao deixar
deixar oo mundo,
mundo, magoado magoado "porque "porque
tão grande formosura
tão grande formosura se se fizesse
fizesse ascorosa
ascorosa podridão!..."
podridão!..."
A influencia da
A influencia da mulher
mulher portuguesa
portuguesa nas nas cortes
cortes em em
que entrou como
que entrou como soberana
soberana éé bem bem evidente,
evidente, mesmomesmo
quando
quando se se não
não distinguem
distinguem pela pela formosura
formosura nem nem pelopelo ta-
ta-
lento como sucedeu com a princeza
lento como sucedeu com a princeza D.Catarina de Bra- D.Catarina de Bra-
gança, mulher do
gança, mulher do rei
rei Carlos
Carlos II de de Inglaterra,
Inglaterra, que que aden-
aden-
tro dessa côrte
tro dessa corte dada mais
mais degradante
degradante dissoluçãodissolução conse- conse-
guiu manter-se duma
guiu manter-se duma pureza
pureza de de lirio,
lirio, que
que aoao pr.pr. prio
prio
marido impunha respeito
marido impunha respeito ee ternura.
ternura.
55

E da saudade da sua pobre alma de exilada brotou


o interesse pela musica religiosa, de que o pai (D. João
IV) era um apaixonado cultor, resultando não se per-
der por isso em Inglaterra a tradição da musica sacra.
Foi ainda ela que levou para a corte de que era so-
berana o costume do chá das cinco horas, que depois
a moda britânica impôs, como tradição propria,própria, ao
mundo
inundo ignorante da nossa tradição e influencia.
Essa delicada refeição, a mais agradável do dia, que
hoje se usa com todos os requintes duma sociedade
civilisada, não é mais do que a persistência da meren-
da, que as recatadas mulheres de Portugal tomavam
nas tardes calmas do seu viver caseiro, assentadas em
cochins e tapetes da Persia
Pérsia e de Arraiolos, em volta
de pequenos bufetes torneados em pau santo, que nos
parecem hoje mobilario para crianças.
Por traz das grades dos conventos em que viviam
representantes do melhor sangue de Portugal, ou nos
salões luxuosos, servidas por escravos e donzelas da
sua privança, as senhoras portuguesas impunham ao
inundo
mundo o prazer do chá, que os homens haviam impor-
tado da China, e o gosto e tradição dos bolos e dflces,
doces,
que ninguém ainda faz como portuguesas e brasileiras...

Como sucede com os homens portugueses lambem


as qualidades de inteligência e de acção se depuram
na mulher da nossa raça afirmando-se mais ainda em
contacto e confronto com o estranjeiro. Um dos mais
belos exemplos desse valor é a obra magnifica de di-
plomata e de escritora da Marquesa de Alorna, que se
impôs na corte formalista da Áustria e foi em Lisboa
um dos mais altos valores mentais do seu tempo, in-
fluindo brilhantemente na vida intelectual portuguesa.
Acompanhando os homens da conquista e das des-
cobertas, as mulheres de Portugal tiveram uma bem
forte acção nesse lidai
lidar e trabalhar para impôr
impor o nome
português.
56

As espalliaram-se
,\s senhoras das mais altas famílias espalharam-se
pelo Oriente, ajudaram a colonisação dos novos'arqui-
pélagos encontrados, vieram para o Brasil e auxiliaram
poderosamente a estabilisação duma vida, que sem elas
seria precaria
precária e difícil, sem raízes, como um arraial de
colonos. Com as senhoras portuguesas das mais ilus-
tres famílias que vieram para a colonisação do Brasil,
vieram as damas e donzelas, que trouxeram as artes e
industrias caseiras, que são aqui uma continuação de
Portugal.
A doçaria variada que é uma das características
da vida caseira no Brasil, é a continuação da variada
doçaria que em Portugal era fabricada para a fartura
das casas opulentas e nos conventos, que exploravam
essa simpática industria feminina em receitas privati-
vas e especializadas.
As rendas de bilros, hoje uma florescente industria
artística e regional do Norte do Brasil, como tudo quanto
representa o trabalho delicado da mulher, o trouxe-
ram as mulheres de Portugal para as mulheres da uova nova
pátria
patria de seus filhos.
Industrias, artes, maneiras, convivio, interesse lite-
rário e artístico, tudo fez parte daquele viver de família
tradicional portuguesa, que tão nobremente encetou a
grande vida brasileira, em pequenos núcleos de cultura,
que eram verdadeiros centros de arte, como foi Ouro-
Preto e outras cidades coloniais.
Esta é a nossa tradição comum, senhoras brasileiras
e portuguesas, este é o nosso orgulho, que não deve-
mos esquecer.

Na literatura propriamente dita a mulher portuguesa


tem sempre tido uma grande influencia, não só inspi-
rando os maiores poetas, como Camões, Bernardim
Ribeiro, Bocage, Garrett e quási todos, senão todos, os
escritores portugueses e até estranjeiros
estraujeiros (como sucede
com Tirso de Molina, que escolheu portuguesas para
57

as mais simpáticas heroinas das suas comedias) como


influindo socialmente na formação de diversas épocas
de verdadeira cultura literária.
Isto sem querer falar na literatura verdadeiramente
feminina, que eé suficiente para manter-o nosso país à
altura dos mais cultos.
• Presentemente a mulher portuguesa representa-se
por tantos e tao
tão altos valores na arte, na sciencia
scieneia e na
própria
propria vida social 'e de trabalho, que não nos compete
enumerá-las c sim afirmar, que ela se mostra, cada
vez mais energicamente, o valor social que sempre foi
110
no nosso país!
poder aqui enumerar todas as que em
Desejaria poder^
Portugal teem erguido bem alto a honra do nosso no-
me, como escritoras, artistas, eruditas e propagandistas,
como educadoras, como agricultoras, como comercian-
tes, como operarias...
Não me é possível fazê-lo, tão grande seria a lista
de nomes a lembrar!
De resto, esses nomes, pela propria
própria exteriorização
da sua obra nem sequer precisam de ser enumerados.
E se muitos são os nomes femininos que em Por-
tugal se distinguem, não menos são os que no Brasil
representam uma honra para a nossa raça. Denle Desde a
grande mulher que foi Nisia Eloresta
Ploresta Augusta, a pri-
meira mulher que na America escreveu sobre os direi-
tos femininos! —foi pois brasileira a primeira feini femi-
nista do Novo-Mundo — até à grande romancista, que
é Julia
Júlia Lopes de Almeida, quantas mulheres a ilustrar
esta Pátria!
Neste momento em que vem de se realizar no
Rio de Janeiro o primeiro congresso feminino, qui que tern
tem
por fim estudar o levantamento e progresso moral da
mulher, tendo como delegada Norte-Americana a lea lea-
der do movimento nos Estadus-Unidos
Mstados-Unidos e representan-
tes da Argentina e de todas as republicas da America
do sul, é de justiça lembrar o nome de Berta Lutz, a
serena e presistente propagandista que votou a sua bo-
nita mocidade ao trabalho e à causa feminina!
Alem destes, quantos noines
nomes a inscrever no livro
58

de
de oiro
oiro da da moderna
moderna actividade
actividade intelectual
intelectual feminina
feminina
do Brasil
Brasil?!
?!
Desde o Rio Grande ao Amazonas, de polo a polo
debte
deste imenso pais, quanta mulher que se impõe pelo
beu talento,
seu talento, queque trabalha
trabalha ee vence
vence na na luta
luta intelectual,
intelectual,
quantas vezes
vezes mais
mais dolorosa
dolorosa ee cruel
cruel dodo que
que as
as outras!...'
outras!...'
Sem pretender
pretender dar dar uma
uma lista
lista completa
completa de de valores
valores
mentais da mulher brasileira de hoje, não seria possí-
vel esquecer
esquecer os os nomes
nomes ilustres
ilustres dédé romancistas
romancistas comocomo
Albertina Berta cuja prosa nervosa e peiturbante' perturbante' é
toda sensibilidade reveladora; como Adrandina de Oli-
veira, aa riograndense
veira, riograndense de de tão
tão afto
afto valor;
valor; Crisantéme,
Crisantéme, aa
incansável psicologo
psicólogo da alma feminina de certos meios
modernos; AtariaMaria Lacerda
Lacerda de de Moura,
Moura, aa distinta
distinta mineira
mineira
que deixa
que deixa voar
voar oo coração
coração ee oo talento
talento atraz
atraz do
do sonho
sonho
duma sociedade
sociedade perfeita;
perfeita; poetisas
poetisas comocomo Zilah
Zilah Aten-
Men-
teiro, a interessante jornalista carioca, Walkiria Neves,
moça, aa viver
moça, viver oo seu
seu sonho
sonho de de ventura,
ventura, Gilka
Oilka MaeMae ado
ado
e tantas outras!. ..
Publicistas, educadoras, propagandistas, oradores
Margarida Lopes, Ataiiana
polemistas como Atargarida Mariana Coelho
(que bem
bem podemos
podemos literariamente
literariamente considerar
considerar brasileira)
brasileira)
Ana Cesar,
César, Carlinda
Carlinda Amorim,
Amorim, Julia Júlia Costa,
Costa, Perciliana
Perciliana
Duarte de
Duarte de Almeida,
Almeida, Ana
Ana Aurora,
Aurora, Ataria
Maria Amelia
Amélia Daltro
Daltro
Santos e outras cujos nomes não é possível dar em todo
o seu conjunto brilhantíssimo.
Dr.8
a
Não devos
Não devos também
também esquecei
esquecer sociologas
sociólogas como
como aa Dr.
Mirtcs
Atirtcs de Campos, a primeira senhora que se formou
advogada 110 no Brasil.
Alem destes poucos nomes que o acaso da memo-
ria me
ria me foi
foi lembrando,
lembrando, quantas
quantas ee quantas
quantas professoras
professoras
distintas, quantas e quantas senhoras em todas as pro-
fissões cc nono seu
seu proprio
próprio larlar influindo
influindo brilhantemente,
brilhantemente,
que são
que são oo orgulho
orgulho dodo nosso
nosso sexo
sexo ee da da nossa
nossa raçaraça 110
no
Brasil!
Propositadamente destacados dois nomes devemos
evocar neste momento, pelo que de nobremcnle belo
representam: são os de D. Rcvocata Revocata e D. Julieta de
Melo,
Ateio, as senhoras que todo o Rio Grande do Sul res-
peita e venera cornocomo relíquias sagradas.
50
59

Poetisas, professoras, jornalistas combativas, as suas


mentalidades colocam-nas ao par dos mais nobres e
dos mais modernos ideais femininos.
tias são para todas as mulheres brasileiras um belo
exemplo de inteligência progressiva.
Ainda lia pouco se impozeram por um uni belo exem-
plo de civismo, pois ao primeiro "Congresso brasileiro
pelo Progresso Eeminino" foram essas duas senhoras,
vergadas ao peso de dores, que a vida impiedosamente
acarreta sobre todos os corações generosos, que toma-
ram a iniciativa de enviar um telegrama, significando
o desejo da mulher riograndense em trabalhar pela Pá-
tria, trabalhando pela elevação e progresso do seu sexo
Devemos ainda frizar, no esplendor do progresso
marcado dia a dia na gra..de civilisação brasileira, o
trabalho admirável da mulher paulista, digira colabo
colabo-
radora dos homens que tão energicamente teein teem colo
colo-
cado o seu Estado à frente do n ovimento admirável
da America latina.
Pedagogas, medicas, advogadas, publicistas, filan-
tropas, sociologas,
sociólogas, grandes agricultoras, comerciantes e
industriais, a lista de nomes seria tão grande que não
caberia no rápido correr destas paginas.
Não podemos porem furtar-nos ao prazer de citar
dois que a nossa convivência particularmente conhe-
ceu e distingue: D. Evelina de Arruda Pereira a chefe
incontestada
incontestada do movimento paulista, espirito duma
alta cultura literária e social, a par de todo o movi-
mento intelectual e social da Europa, e D. Eleonora da
Silveira Cintra a alma-mater da assistência educativa às
•mulheres
mulheres pobres do futuro, hoje as crianças que a sua
linda alma acolhe maternalmente e encaminha para
o trabalho, que è a única libertação seria.
Esperamos com toda a confiança, que do movi
mento feminino que se está pronunciado no Brasil, le-
vando a mulher para um novo campo de acção e de tra-
balho, resulte o máximo progresso deste país, que será
o mais admirado e o mais culto da America latina, se
a mulher o quizer, continuando a vencer a luta em que
se empenhou pelo seu progresso e levantamento moral,
60

Unidas pelos mesmos sentimentos, pela mesma ori-


gem, pela lingua e pelo mesmo ideal de grandeza e im-
posição da raça, é necessário que para o futuro a aliança
das mulheres portuguesas e brasileiras seja profunda
e indestrutível para o triunfo do r.osso
p.osso sangue como
para a grandeza das nossas Pátrias irmanadas".

A mulher portuguesa e as suas obras de Assistência

As melhores obras de Assistência social que ainda


dizer-se que têm to-
hoje existem em Portugal, pode dizcr-se
das i;o
1:0 inicio um nome de mulher a consagrar-lhes a
inteusão generosa e altruísta.
Já não falamos na bondade transbordante da rai-
nha que a igreja colocou fora da vida, dando-lhe vir-
tudes e abnegações que estão para alem da humanida-
de e digamos, do caracter português, pois D. Isabel
de Aiagão
Aragão foi uma alma de misticismo contemplativo,
uma apaixonada da bondade,
bondade abstracta, uma fonte de
amor a correr deliciosamente para se perder na terra
maninha, mas não foi uma acção construtiva e social-
mente forte como foram outras senhoras verdadeira-
mente portuguesas.
Assim, logo no110 primeiro século da nacionalidade
portuguesa vamos encontrar em outras senhoras uma
atitude bem diversa, convergindo no intanto para um
fim da mais alta justiça.
Temos, por exemplo, nas filhas do rei D. Sancho 1.,
aquele espirito de altivez e independência, que fez da
mulher nobre da Idade Media, quando tinham direitos
representativos, a verdadeira igual ao homem, na poli-
tica e na sociedade.
Com os seus homens de armas, em verdadeiro pé
de gueria,as
guerra, as infantas disputaram à avareza de Afonso II
a herança que haviam de seu Pai, o grande administrador
previdente, que soube povoar as terras conquistadas
nas correrias e batalhas com os mouros, dando consis-
tência à nacionalidade alvorescente.
61

Vencedoras nessa luta em que o direito se chocava


com
com aa vontade
vontade soberana
soberana do do rei
rei que
que iniciava
iniciava oo principio
principio
da autoridade
da autoridade suprema,
suprema, as as infantas
infantas não não aproveitaram
aproveitaram
para seu
para seu luxo
luxo cc regalo
regalo as as riquezas
riquezas conquistadas
conquistadas com com
tanta dificuldade
tanta dificuldade ee heroísmo,
heroísmo, mas mas transformaram-nas
transformaram-nas
na obra tão
na obra tão bela,
bela, tão
tão humana
humana ee tão Ião generosa,
generosa, comocomo
socialmente útil, que teve por noine nome AS GAt GAFARIAS!
ARIAS!
Essa instituição,
Essa instituição, aa que
que mais
mais tarde
tarde aa Rainha
Rainha Santa
Santa
deu
deu aa ternura
ternura dada sua
sua alma
alma aa dcsfolhar-se
dcsfolliar-se emem prodígios
prodígios
de bondade
de bondade extra-humana,
extra-humana, ainda ainda hoje
hoje éé duma
duma neces-
neces-
sidade tão
sidade tão imperiosa
imperiosa queque oo Governo
Governo português
português acaba
acaba
de nomear uma
de nomear uma comissão,
comissão, escolhendo
escolhendo os os mais
mais distin-
distin-
ctos medicos
ctos médicos especialistas,
especialistas, para
para ressuscitar
ressuscitar cmcm condi-
condi-
ções que
ções que aa moderna
moderna sciencia
sciencia prcconisa,
preconisa, esses
esses verda-
verda-
deiros lazaretos preservativos para a saúde publica c
para o futuro da raça.
O Brasil
O Brasil nono seu
seu ultimo
ultimo valioso
valioso congresso
congresso scientifico
scientificu
também a outra conclusão não chegou, pois o único
preservativo para a horrorosa doença, que foi o flagelo
da Europa
da Europa medieval,
medieval, como
como cc hojehoje no
no Brasil
Brasil ee em
em Ioda
Ioda
aa parte
parte oo pavor
pavor do
do contagio,
contagio, sãosão as
as instituições
instituições de de iso-
iso-
lamento para
lamento para os
os desgraçados
desgraçados que que adquiriram
adquiriram oo tre-
tre-
mendo c incurável mal.

Nesta cruzada do
Nesta cruzada do bem
bem que
que aa mulher
mulher portuguesa
portuguesa temtem
realisado atravez dos séculos, coloquemos bem alto,
bem acima de
bem acima de todos
todos oo nome
nome santificado
santificado pela
pela inteli-
inteli-
gência
gência ee pela
pela dôr,
dór, da
da nobre
nobre mulher
mulher de de Portugal,
Portugal, que
que
foi
foi aa rainha
rainha D.D. Leonor,
Leonor, mulher
mulher de
de D.
I). João
João 11.
11. E
li ela
ela que
que
do seu coração
do seu coração torturado
torturado de
de mãe
mãe ee dc
de esposa
esposa soube
soube
arrancar, à força de dedicação e ternura inteligente,
essa obra ainda
essa obra ainda hoje
hoje admirável
admirável cc bela
bela que
que se
se chama
chama "As
"As
Misericórdias", instituição, que veio disciplinar oe mr
lodisar a assistência publica 110 no alvorescer da Renas-
cença, quando a Europa se agitava numa crise social
perturbante c à qual o povo português soube imprimir
um rumo seguro.
62

A rainha D. Leonor, que c bem pelo sangue, pelo


caracter e pela acção uma verdadeira mulher portu-
guesa, aceitando e compreendendo primeiro que nin-
guem.a
guém,a ideia das Misericórdias, dando-lhe o seu va-
lioso auxilio, acarinliando-a
acarinhando-a como propria
própria e descnvol-
vendo-a conforme as necessidades do seu povo, fez
uma das mais belas obras sociais que teem existido,
não só emcm Portugal, come em todo o mundo.
Porque na acção das Misericórdias cabe tudo quanto
é assistência c os seus gestos podem ser tão largos,
tão generosos e piedosos como o seu proprio próprio nome
indica!
Foi por essa instituição
instituição—tão
— tão admiravelmente orga-
nisada, que ainda hoje a sua acção se mantém e pode
desdobrar-se infinitamente — que a generosidade dos
ricos, como a migalha dos pobres poude ser canalizada
para dar assistência a todas as misérias, consolação
a todas as dores, abrigo a todos os desamparos.
Os velhos, os condenados, os insepultos, abriga-
ram-se sob a bandeira santa da Misericórdia c foram
consolados!
As crianças encontraram nela a mãe, que a vida im-
piedosamente lhes negava! F.E até sob o ponto de vista
da riqueza publica as Misericórdias prestaram e pres-
tam, grandes benefícios ao povo português na sua fun-
ção administrativa de emprestar a juro razocável
razoável os seus
fundos de reserva aos pequenos proprietários rurais,
até certo ponto libertando a terra dogravame dos agiotas.
Mesmo que a rainha D. Leonor não tivesse outros
actos a provar a inteligente superioridade da sua pas-
sagem pela terra, bastaria à gloria do seu nome o ser
a fundadora das Misericórdias, que estenderam a sua
acção a todos os pontos onde chegaram os portugue-
ses, especialmente a este Brasil onde tão fundamental-
mente enraizou a alma lusitana !
No entanto a rainha I). D. Leonor soube ter, alem das
suas obras de caridade, uma grande acção social, que
auxiliou em muito a eclosão maravilhosa da grande
época portuguesa!
Foi ela que fundou o explendido estabelecimento
63

das Caldas, ainda hoje por amor dela, chamadas


chamada'; da Rai Rai-
nha, ec dotando generosamente essas termas renovou a
tradição que
que iaia perdida,
perdida, desde
desde os
os tempos
tempos dos
dos romanos,
romanos,
da cura
cura metódica,
metódica, higiénica,
higiénica, oc scientifica
scienlifica pela
pela aguas
aguas
medicinais.
Ainda em vida do marido, o grande rei 1). João li,
o receituário medico para a escolha das aguas se fazia
por experiências
experiências feitas
feitas sobre
sobre vários
vários doentes
doentes atacados
atacados
du
do mesmo mal, mergulhando-os nas diversas fonte■> fontes
que à reveria o povo ia usando e consagrando santas,
e são hoje das maiores riquezas da nossa rossa terra.
Pelas suas mãos dadivosas, eompreedido pela sua
alta e bem equilibrada inteligência construtiva, passou
tudo quanto
quanto trouxe
trouxe aa Portugal
Portugal um
um gesto
gesto de
de beleza,
beleza, dede
arte ou de sciencia. Os sábios, os poetas, os artistas,
os nautas, todos encontraram nela a protecção mòral moral c
material que necessitavam. í: sábios poetas e artistas
produziam maravilhas nas letras, na pintura, na arquite-
ctura, na ourivesaria, na imprensa e em todas as mani-
festações artífices que pu-
testações da beleza, criando multidão de artifices
zeram a Arte portuguesa numa altura que ainda hoje
nos orgulha.
A rainha D. Leonor é uma das mulheres mais re re-
presentativas da nossa raça, porque todas as suas qua-
lidades cc os
os seus
seus proprios
próprios defeitos,
defeitos, os
os sentimos
sentimos ee com- com-
preendemos como se nossos fossem.
Não é duma religiosidade mística e contemplativa,
mas duma bondade inteligente e construtiva que a põe
a nosso lado como alma irmã e protectora.
O exemplo da rainha D. Leonor foi sempre seguido
pelas mulheres portuguesas, cuja acção benificentc
benificente é
bem clara e bem nitidanítida através da historia, não só re-
flectindo aa vida
vida mundana
mundana ondeonde as
as grandes
grandes damas,
damas, co- co-
mo as opulentas burguesas c até as pobres mulheres
do povo
povo tiveram
tiveram sempre
sempre umum papel
papel decisivo,
decisivo, como
como num num
desdobramento de energias superiores que se concen-
traram nos conventos, onde se acolheram os mais altos
valores morais do sexo feminino cm Portugal.
A lista de senhoras que foram socialmente alguém
na sociedade portuguesa, individualidades de destaque
64

que se impuseram através das grades dos seus con-


ventos, c enormíssima!
Desde o idialismo puro duma santa Joana de Por-
tugal, a doce irmã de D. João II, que era uma artista
na iluminura, até à ultima freira do Convento de Beja,
que andou, segundo diz a lenda, vestida de soldado
nas lutas liberais, os conventos femininos foram irra-
diações constantes da vida exuberante da mulher da
nossa raça.
Dos conventos saíram escritoras e poetisas, de lá
se impunha à soccdade
sc sociedade civil o exemplo de caridade,
de trabalho, e até de acção politica, cm que as mulheres
portuguesas tomaram sempre activa parte.
A cada passo sc se encontra em Portugal obras de
assistência que ostentam nomes femininos na sua fun-
dação, como o Convento de Jesus, de Setúbal c o ma-
gnifico Asilo de Runa para inválidos da guerra, obra
priuceza D. Benedicta dc
da princeza de Bragança, que se ergue no
meio dum dos mais lindos trechos da paisagem estre- cstre-
nicnha a desafiar os tempos pela solidez da sua mo-
nicnlia
numental construcção.
As primeiras creches que sc se fundaram emcm Portugal
foram da
foram da iniciativa
iniciativa da
da rainha
rainha D.
D. Maria
Maria Pia,
Pia, como
como asas
"Cosinhas Económicas" foram a obra da Duquesa dc de
Palmela, que foi uma inteligência superior aliada a uma
grande sensibilidade de artista.
A luta contra a tuberculose foi iniciada sob a égide
Amélia, que a ela
da rainha D. Amelia, cia ligou a boa vontade dc de
toda a sociedade portuguesa, especialmente feminina,
sendo obra imica única duma senhora um dos mais belos
sanatórios que existem na Parede, junto ao mar sem sem-
pre azul e sempre belo, que vai de Lisboa a Cascais.
É também da iniciativa feminina a assistência à pri-
E
meira infância, a gota dc de leite, o enxoval dos reccm-
recem-
nascidos dos hospitais, o Natal das crianças dos hos-
pitais, ee tudo
pitais, tudo quanto
quanto representa
representa uma
uma aspiração
aspiração dc
de bon-
bon-
dade ce dc de acção beneficente.
II no meio destes variados trabalhos, duma assis-
E
tência normal, vem a guerra com toda a sua pertubação
e nessidade de trabalho inteligente c disciplinado ç
65

imediatamente
imediatamente surgiram surgiram em em Portugal
Portugal actividades
actividades femi- femi-
ninas
ninas que que organisaram
organisaram aa defeza defeza patriótica
patriótica da da raça
raça.
Aos primeiros anúncios
Aos primeiros anuncios da da luta,
luta, quando
quando politica-
politica-
mente
mente ainda ainda se se não
não decidira
decidira aa entrada
entrada na na guerra
guerra um um
grupo
grupo de de poucas
poucas senhoras,
senhoras, adoptando
adoptando oo lema lema Pela Pela
Pátria,
Pátria, por por ela
ela trabalharam
trabalharam dando dando assistência
assistência aos aos sol-sol-
dados
dados das das nossas
nossas campanhas
campanhas de de Africa,
Africa, protegendo
protegendo ec
auxiliando
auxiliando as as famílias,
famílias, ee enviando
enviando para para os os aliados
aliados roupas
roupas
ee agasalhos
agasalhos de de que
que tanto
tanto careciam.
careciam.
Com
Com aa declaração
declaração públicapública da da guerra
guerra fundou-se
fundou-se aa
"Cruzada
"Cruzada das das Mulheres
Mulheres Portuguesas"
Portuguesas" cuja cuja acção
acção larga larga
ee multiforme
multiforme surgiu
surgiu com com uin um plano
plano de tle vida
vida futura,
futura, que que
marcava
marcava aa sua sua estabilidade.
estabilidade.
Com
Com umauma boa boa vontade
vontade ee uma_ uma energia
energia no no trabalho
trabalho
que não queria desmentir a
que não queria desmentir a acção masculina, as acção masculina, as se-se-
nhoras
nhoras que que fundaram
fundaram essa essa Agremiação
Agremiação protegei protegeram am as as
crianças
crianças que que aa idaida dosdos pais
pais para
para aa guerra
guerra deixava
deixava em ein
más circunstancias, deram
más circunstancias, deram assistência
assistência pelo pelo trabalho
trabalho às as
mulheres, protegeram os
mulheres, protegeram os velhos
velhos paispais dosdos soldados
soldados cha- cha-
mados
mados às às fileiras,
fileiras, cuidaram
cuidaram da da sua sua correspondência,
correspondência,
olharam oficialmente pelas suas
olharam oficialmente pelas suas pensões, trataram pensões, trataram de de
legalisar-lhes
legalisar-lhes aa família,
família, enviaram-llres
enviaram-lhes roupas roupas ee comida,
comida,
quando estavam em
quando estavam em França
França ee depois,depois, quando
quando presos presos
ua Alemanha, não
ua Alemanha, não quanto
quanto ee como
como desejavam,
desejavam, mas mas como
como
foi possível.
foi possível. '
Mas
Mas oo que
que aa "Cruzada"
"Cruzada" sobre sobre tudo tudo fez fez foi
foi dardar tuna
uma
valiosa assistência
valiosa assistência aos aos feridos
feridos mutilados
mutilados ee estropiados
estropiados
da guerra, criando
da guerra, criando oo "Instituto
"Instituto de de Reeducação
Reeducação que que
ainda hoje se
ainda hoje se mantém
mantém para para alargai
alargar aa sua sua acção
acção de de modo
modo
aa valorisar,
valorisar, pelo
pelo trabalho,
trabalho, todos
todos os os insuficientes,
insuficientes, alei- alei-
jados e estropiados, pois que a hora
jados e estropiados, pois que a hora é de aproveita- é de aproveita-
mento
mento de de todos
todos os os valores
valores humanos.
humanos.
Alem desse "Instituto"
Alem desse "Instituto" talvez
talvez uma uma das das obras
obras me- me-
lhores das que em toda a parte ficaram
lhores das que em toda a parte ficaram da guerra, a Cru- da guerra, a Cru-
zada' mantém asna
zada' mantém asna assistência
assistência às às crianças,
crianças, criando
criando aa obra obra
encantadora
encantadora dos dos "Casaes
"Casaes dos dos orfãos
órfãos da da guerra"
guerra" ee espe- espe-
rando que essa
rando que essa ideia
ideia realizada
realizada dê dê aa cada
cada orfão
órfão seu seu pro-
pro-
tegido uma pequenina
tegido uma pequenina casa, casa, que
que sejaseja oo seuseu bem
bem futuro,
futuro,
núcleo enraizador da
núcleo enraizador da família
família àà terra,
terra, queque lhelhe tirou
tirou oo n-npai
em nome dos interesses da Pátria!
em nome dos interesses da Pátria! Assim espalhados Assim espalhados
P5
66
*6

por todo oo país


por todo país osos "Casaes
"Casaes dosdos oríãos
órfãos da
da guerra"
guerra" serão
serão
uma lembrança do
uma lembrança do trabalho
trabalho ee da da acção
acção feminina
feminina ee um um
incentivo
incentivo parapara se
se melhorarem
melhorarem as as demais
demais habitações
habitações dasdas
aldeias humildes de
aldeias humildes de Portugal.
Portugal.
Com as suas largas vistas duma acção futura a "Cru-
zada" tem nos
zada" tem nos seus
seus estatutos
estatutos oo desdobramento
desdobramento da da sua
sua
actividade,
actividade, de de modo
modo aa criar
criar aa assistência
assistência interna
interna ee ex-
ex-
terna
terna aoao emigrante
emigrante ee àà família,
família, tantas
tantas vezes
vezes ticando
ficando nana
maior desgraça
desgraça comcom aa falta
falta dos
dos chefes,
chefes, cc que
que ninguém
ninguém
ainda tomou no
ainda tomou no seuseu devido
devido valor,
valor, como
como verdadeiros
verdadeiros
soldados, pioneiros da
soldados, pioneiros da raça,
raça, desdobramento
desdobramento da da acção
acção
lusitana porpor todo
todo oo mundo.
mundo.
Alem
Alem da da "Cruzada"
"Cruzada" ee da da "Liga
"Liga Patriótica
Patriótica do do Nor-
Nor-
te" do momento
te" do momento terrível
terrível dada guerra
guerra outras
outras obras
obras surgi-
surgi-
ram
ram de de assistência
assistência ocasional
ocasional como
como aa das
das "Madrinhas
"Madrinhas
de Guerra" aa "Assistência
de Guerra" "Assistência das das portuguesas
portuguesas às às vietimas
vietimas
da guerra" oo auxilio
da guerra" auxilio àà "Cruz
"Cruz vermelha"...
vermelha"... Tudo Tudo
quanto, enfim, representou
quanto, enfim, representou aa assistência,
assistência, aa bondade
bondade ee
aa fé
fé patriótica
patriótica oo realisaram
realisaram as as mulheres
mulheres portuguesas
portuguesas
nesse momento terrível!
nesse momento terrível!

Como em
Como em Portugal,
Portugal, aa mulher
mulher no no Brasil
Brasil tem
tem dado
dado
às obras de
às obras de assistência
assistência ee de
de educação
educação oo generoso
generoso in-
in-
teresse da
teresse da sua
sua bela
bela alma.
alma.
Desde aa lei
Desde lei que
que libertou
libertou os
os filhos
filhos das
das escravas,
escravas, co-
co-
rajosamente firmada
rajosamente firmada por
por uma
uma senhora,
senhora, até
até às
às numerosas
numerosas
obras em
obras em plena
plena actividade
actividade nono Brasil,
Brasil, os
os nomes
nomes femi-
femi-
ninos são
ninos são um
um verdadeiro
verdadeiro rosário
rosário dede luz
luz ee de
de amor.
amor.
Citá-los seria dizer
Citá-los seria dizer oo que
que todos
todos bem
bem sabem
sabem cc alon-
alon-
gar esta
gar esta palestra
palestra que
que vai
vai sendo
sendo jájá demasiada,
demasiada, como
como
abuso da
abuso da vossa
vossa paciência.
paciência.
s
A influencia da mãe na raça portuguesa

Deixei propositadamente para


Deixei propositadamente para oo fim
fim oo falar-vos
falar-vos do
do
mais nobre aspecto
mais nobre aspecto do
do caracter
caracter das
das mulheres
mulheres da da nossa
nossi
raça, que éé aa sua
raça, que sua paixão
paixão pelos
pelos filhos
filhos ee oo estoicismo
estoicismo
heróico com que
heroico com que os
os vêem
vêem caminhar
caminhar para
para aa vida,
vida,
67

As mães do
As mães do povo
povo português
português vivem vivem em em sacrificio
sacrificio ee
abnegação!
Elas vêem partir
tilas vêem partir os
os seus
seus filhos,
filhos, àsàs vezes
vezes crianças
crianças
ainda,
ainda, parapara aa grande
grande lutaluta do do trabalho
trabalho que que éé aa coloni-
coloni-
sação
sação destedeste grande
grande mundo,
mundo, pequeno
pequeno para para asas aspira-
aspira-
ções
ções da da nossa
nossa raça!
raça!
Elas estão habituadas
Elas estão habituadas aa ver ver parti'
partir osos seus
seus filhos,
filhos,
moços
moços na na flor
flor dada vida,
vida, para
para asas continuas
continuas guerras
guerras de de
afirmação
afirmação da da nossa
nossa soberania,
soberania, em em Africa,
Africa, na ua -Oceania,
-Oceania,
na Índia ee na
na India na China,
China, liça
liça valorosa
valorosa em em que
que se se mantém
mantém
sempre
sempre Alertaalerta oo heroismo
heroismo português.
português.
Quando
Quando se se tratou
tratou dada nosa
nosa participação
participação 11a na guerra,
guerra, elas
elas
aceitaram
aceitaram com com umauma resignação
resignação heróica
heróica oo facto
facto doloroso.
doloroso.
Era dever! Tinham
Era dever! Tinham que que marchar
marchar ee marchavam
marchavam em em
nome
nome da da Pátria,
Pátria, que que éé preciso
preciso 1.ourar!
i.onrar!
Quantas
Quantas ee quantas
quantas pobres
pobres mulheres
mulheres vieramvieram até até nós
nós
ee murmuravam
murmuravam numa numa prece
prece oo seu seu estribilho
estribilho sagrado:
sagrado:
— Se éé pela
— Se pela maior
maior honra
honra do do nosso
nosso Portugal,
Portugal, que que par-
par-
tam
tam ee que que mostrem
mostrem quem quem somos!...
somos!...
Pelas nossas mãos
Pelas nossas mãos passaram
passaram milhares
milhares de de cartas
cartas dosdos
soldados
soldados para para as as famílias
famílias ec destas
destas parapara eles.
eles. Atravez
Atravez
das suas letras
das suas letras insipientes
insipientes viamos
viamos aa filtração
filtração angus-
angus-
tiosa
tiosa dasdas lagrimas
lagrimas da da mais
mais funda
funda inquietação
inquietação ee sau- sau-
dade,
dade, masmas nem nem umauma única
única vezvez aa tragedia
tragedia miserável
miserável da da
covardia
covardia ee do do derrotismo
derrotismo se se escancarou
escancarou com com descara-
descara-
mento deante dos
mento deante dos nossos
nossos olhos!
olhos!
E' que esse
E' que esse sentimento,
sentimento, tão tão contrario
contrario ao ao caracter
caracter
português—feito
português—feito de de força
força ee de de imposição
imposição orgulhosa—
orgulhosa—
só na sombra
só na sombra poderia
poderia gerar-se,
gerar-se, só só na
na traição
traição poderia
poderia
medrar!
Não
Não o o sentiam
sentiam as as mulheres,
mulheres, não não oo compreendiam
compreendiam as as
mães
mães do do povo,
povo, dum dum tãotão forte
forte enraizamento
enraizamento atávico,atávico,
duma
duma tão tão graude
grande perseverança
perseverança nas nas tradições
tradições heróicas
heróicas
da raça, que
da raça, que éé comovidamente
comovidamente que que evocarei
evocarei sempre
sempre
um
um dosdos mais
mais belos
belos momentos
momentos dessa dessa tragedia
tragedia gloriosa,
gloriosa,
que passou por
que passou por nósnós num
num arrepio
arrepio de de dôr
dôr ee dede triunto,
triunfo,
que
que foi foi oo grupo
grupo das das oito
oito mães,
mães, vindas
vindas dasdas oito
oito pro-
pro-
víncias
víncias de de Portugal,
Portugal, parapara acompanhar
acompanhar os os soldados
soldados des- des-
conhecidos,
conhecidos, os os seus
seus filhos
filhos anonimos,
anónimos, mortos mortos glorio-
glorio-
sos das guerras
sos das guerras de de Africa
Africa ee da da Flandres.
Flandres.
68

Esse grupo, que se conservou junto aos féretros


cobertos com as bandeiras gloriosas dos combates,
desaparecendo sob montões de flores, de palmas, c
coroas, seguiram-nos até ao repouso que a Pátria lhes
quiz dar no templo de Santa Maria da Batalha, que re-
presenta a mais alta expressão da grandeza do povo
português.
Entrando nas arcarias trabalhadas como uma filigrana,
na gloria duma tarde a morrer em purpura e cm oiro,
o grupo dessas pobres mulheres do povo embrulhadas
nos seus chalés de luto, eram bem as mães sempre se-
renamente heróicas, que dão à PatriaPátria o sangue geno-
roso dos filhos da sua alma!
Serenas, simples, recolhidas e heróicas ra compenc-
tração da sua dôr dòr foram bem dignas do gesto de ma-
ternal orgulho com que a Pátria recolheu as cinzas
desses anonimos
anónimos soldados, como se recebesse todo o
sangue que por sua honra verteram os filhos heroicosheróicos
do povo português.
Essas humildes mulheres do anonimo
anónimo povo, silen-
ciosas e tragicas
trágicas eram o símbolo da terra bem amada,
que elas cultivam com os seus braços e amam com
todas as raizes da sua alma, semeando no coração dos
filhos o mesmo amor e o mesmo orgulho, que as
acompanha e eleva, tanto faz que dêem o seu sangue
na guerra, como o suor do seu rosto no trabalho de
conquistar o pão e de imporem o nome português na
expansão da nossa raça ajudando a criar e manter uma
civilisação que tanto nos deve e de nós espera um
novo esforço
Ealci-vos das mães portuguesas, senhores ! Mas o
mesmo cé falar das mães brasileiras, que iguais são no
amor e na dedicação aos filhos.
No entanto, cé para vós, meus patrícios, que uma
palavra mais dc de saudade venho trazer-vos! Elas não
vos esquecem jamais, as vossas pobres mães, vivendo
na eterna esperança dc de vos abraçar um dia !...
E eu, que também sou mãe, ir-lhes hei liei dizer, a elas,
logo que volte à nossa Pátria, que também vós as não
esqueceis jamais e que qirc cé também da esperança dc de um
mmm

60

dia repousar no seu regaço a vossa cabeça cançada,


que lutais e trabalhais com ardor, com fé e coragem
inquebrantável!
Dir-lhes hei
liei que é para que haja
liaja 110
no mundo tnais
mais
corações que as amem, que lhes levareis os vossos
filhos e as vossas esposas brasileiras, como elas, filhas
da mesma raça heróica !...
lista missão sentimental, que os nossos patrícios
do Rio, pela boca dum distinto conterrâneo me impu-
zeram, eu a cumprirei religiosamente, como a mais
bela obia
obra de toda a minha vida!

Senhoras:
Senhoras
Diz-se que não há mulheres mais absorventes no
seu nacionalismo do que são as brasileiras e as por-
tuguesas.
Assim é e assim deve ser, porque assim o reclama
o interesse da raça! A mulher portuguesa pertencendo
a uma raça expansiva e forte, que vive na Ânsia duma
contínua emigração, precisa de amar com Inais ardor a
sua terra e sentir mais forte o orgulho da raça para
que os filhos levem bem vincado 110 no seu sangue, bem
impresso na alma o grande sentimento da Patria. Pátria. A
mulher tem a função fundamental de guarda das
qualidades e tradição da raça. Como a terra ela é a
fixadora e o reservatório de todas as energias raciais,
mormente dutn dum povo como o nosso, que aprendeu
cedo o caminho aventuroso da navegação, da con-
quista e da colonisação emigradora. <■<~
hmquanto
Kmquanto o homem, vai, se dispersa, luta e ganha
vai.se
novas qualidades, que nos filhos serão já já" imposições
raciais, filtradas pelos corações das mães, elas ficam,
vigiando o fogo sagrado do lar!...
b
r: quando o homem, depois duma existência dis-
persiva, cheia de trabalhos e de aventuras, volta à
terra bem amada, encontra ali todo o passado, todo o
encanto dos seus primeiros anos 11a na mulher da sua
raça.
Com ela revive todas as tradições, com ela eli revi-
70

gora
gora todas-ás qualidades ancestrais,
bodas-ás qualidades ancestrais, que
que forniam
formam oo
fundo étnico cc inconfundível
frindo étnico inconfundível da da nação.
nação.
Rcnov.vse
Renova-se ee fortifiea-se
fortifica-se nono amor
amor ee nono orgulho
orgulho do do
seu
seu nome, noine, revive
revive para
para aa continuidade
continuidade da da grandeza
grandeza
racial.
• AsAs mãesmães portuguesas
portuguesas vêem vêem voltar
voltar os
os filhos
filhos com
com ium tn
orgulho comovedor! Cada
orgulho comovedor! Cada um um que
que vem
vem triunfante
triunfante éé aa
sua
sua obra!obra !.■-■•
\ih não
não -há"filhos
há filhos queque mais
mais compreendam
compreendam oo sacrui-sacrifí-
cio
cio dasdas suas
suas mães
mães ee mais
mais ternura
ternura tenham
tenham no no seu
seu coração
coração
filial, do que os portugueses!
Velhos, novos, esquecidos
Velhos, novos, esquecidos da da fortuna,
fortuna, ricos,
ricos, pobres,
pobres,
felizes
felizes ou ou infelizes,
infelizes, nenhum
nenhum homem
homem português
português ouveouve
aa sangue
sangue friofrio evocar
evocar oo nome
nome sagrado
sagrado da da mãe
mãe que
que éé aa
evocação
evocação eeaa concentração
concentração de de todo
todo oo passado,
passado, oo ver-
ver-
dadeiro sentimento da Pátria e
dadeiro sentimento da Pátria e o orgulho da suao orgulho da sua
origem. ■■ ■■ --

A mulher
A mulher brasileira
brasileira necessita
necessita dede ser
ser também,
também, como como
é, profundamente nacionalista,
é, profundamente nacionalista, porque
porque aa ela ela aa natureza
natureza
confiou oo papel
confiou papel de de fixadora
fixadora da da imigração
imigração que que vem
vem
chamar áá vida
chamar vida aa imensidade
imensidade destadesta terra
terra que
que generosa-
generosa-
mente
mente foi foi dada
dada ao ao orgulho
orgulho da da nossa
nossa raça.
raça. ■
Á mulher
Á mulher portuguesa
portuguesa coube
coube o. o. parei
papel dede defensora
defensora
ee guarda
guarda das
das qualidades
qualidades da da raça.
raça. E'
E' ela
ela que
que cultiva
cultiva aa
terra na
terra na ausência
ausência do do homem,
homem, éé elaela que
que mantém
mantém com com
energia aa dignidade
energia dignidade da da família,
família, éé ela
ela que
que conserva
conserva as as
industrias regionais,
industrias regionais, que que lida
lida ee que
que trabalha
trabalha ee que que
administra com
administra com inteligência
inteligência os os bens
bens do do casal,
casal, que
que tan-
tan-
tas vezes oo marido
tas vezes marido abandona
abandona em em demanda
demanda doutrosdoutros
países, que
países, que aa suasua ambição
ambição mal mal enxerga
enxerga ee aa sua sua ânsia
ânsia
de se
de se expandir
expandir oo faz faz procurar
procurar afanosamente.
afanosamente.
Á mulher brasileira
Á mulher brasileira cabe
cabe oo papel
papel de de fixadora
fixadora ee
continuadora dessas
continuadora dessas qualidades,
qualidades, estando-lhe
estando-lhe reservado
reservado
oo papel
papel do
de companheira
companheira dos dos homens
homens que que hão
hão de de fazer
fazer
aa penetração
penetração intensa
intensa do do solo
solo para
para que
que oo Brasil
Brasil seja
seja aa
verdadeira terra
verdadeira terra prometida
prometida da da humanidade
humanidade de de amanhã.
amanhã.
Ambas sã»,
Ambas são- irmãs
irmãs no no sentimento,
sentimento, ambasambas são são grau-
grau-
71
•/I

des
de* no no desempenho
desempenho da da missão
missão que que oo destino
destino das das
coisas lhes entregou.
E
E dede tal
tal forma
forma ambas
ambas teem
teem oo sentimento
sentimento da da sua
sua
força, que é raro o estrangeiro casado com portugue-
sas
sas ouou brasileiras
brasileiras que
que em
em pouco
pouco tempo
tempo não não seja,
seja, pelo
pelo
coração, tão bom patriota como os nacionais.
E' essa uma
E' essa uma das
das grandes
grandes qualidades
qualidades absorventes
absorventes
da raça, vencendo
da raça, vencendo pelapela paixão
paixão ee pelo
pelo sentimento
sentimento da da sua
sua
própria
propria força.
Irmãs somos ee tão
Irmãs somos tão entrelaçadas
entrelaçadas em em nossa
nossa conjunta
conjunta
acção, que nenhum
acção, que nenhum dos dos povos
povos que que ligam
ligam na na origem
origem
aa Velha
Velha Europa
Europa ãà Nova
Nova America
America oo são são mais
mais dodo que
que
nós!
E' pois do
E' pois do nosso
nosso amor
amor que
que halia de
de partir
partir sempre
sempre oo traço
traço
de união, que
de união, que levará
levará para
para os
os mais
mais altos
altos destinos
destinos as as nossas
nossas
Pátrias irmãs.
Desculpai, senhoras, oo tempo
Desculpai, senhoras, tempo que que vos vos rouhei
roubei ee
aceitai com aa minha
aceitai com minha profunda
profunda estima
estima os os protestos
protestos de de
gratidão e de simpatia por esta terra
gratidão e de simpatia por esta terra fraternalmentefraternalmente
acolhedora
acolhedora parapara tudo
tudo quanto
quanto vem vem da da velha
velha Pátria
Pátria da
da
raça,
raça, oo Portugal
Portugal longiquo
longiquo queque vosvos amaama ee dede vós
vós sese
orgulha.
O Idealismo da
O Idealismo da Raça
Raça sempre
sempre heróica
heróica

e sempre
e sempre moça
moça
Patrícios
Senhores, Senhoras, Patricios

A Historia de Portugal pode bem chamar-sc


cliamar-sc uma
historia dcde ainor,
amor, uma linda historia de paixão e de
mocidade !
Toda ela é beleza, toda ela é impulso heroico,
heróico, so-
nho e idealismo construtivo!
Falta-lhe por vezes, internamente, a ligação duma
forte urdidura que possa garantir a estabilidade mate-
rial duma sociedade economicamente organisada e
própria falta não apouca as admi-
equilibrada; mas essa propria
ráveis qualidades da raça, antes é uma prova do seu
excesso de vida, da sua inteligência exuberante e do
írrequietismo proprio
próprio da mocidade.
Em Portugal, pode bem afirmar-se, não há velhos!
1 la por vezes criaturas que um excesso de vida can-
sou: halia por vezes derrotistas; ha bastantes vezes trai-
dores ao grande sonho expansivo da raça, mas não ha
velhos no sentido material da palavra, porque adentro
dos proprios
próprios corpos que se dobram no cansaço ma-
terial dos anos, ha almas cheias de mocidade e de fé
que se exaltam na beleza das mais difíceis acções.
E a prova ainda ha pouco a tivemos todos nesse
largo vôovóo de gloria em que um moço coração palpi-
tava no arcaboiço dum homem de bO 60 anos que poude
encontrar adentro de si os elementos necessários para
realisar um facto concreto, positivo, grandioso, que
valorisa a nossa historia dando coesão e certezas que
desmentem os que quizerem mostrar como acasos feli-
zes duma raça de aventureiros argonautas, o que de
76

facto foi, ontem como lioje, o resultado previsto pela


sciencia positiva.
Gago Coutinho resolveu praticamente o problema,
que durante anos tinha estudado e a sua inteligência
e o seu saber tinham resolvido matematicamente,
antes de o pôr em pratica. Mas para o realisar
teve que concentrar na sua propria
própria alma e entusiasmo,
a fé ardente, a resistência ec a serenidade admirável
dum moço.
moco.
E o seu companheiro, o seu corajoso timoneiro
apesar de não estar ainda no limite dos anos que se
convencionou chamar juventude, completou o belo es-
forço com a fé té ec a coragem dum moço horoi, que
tem deante de si a vida e acima de tudo a fé na raça,
que a todos nos impõe deveres maiores do que teem
os outros povos sem a historia explendida que é o
nosso escudo contra a velhice, a flamula
flâmula que nos leva
para a frente, sempre para a frente, para o sonho sem-
pre renovado, sempre moço da gloria!
O velho do Restelo, é, em toda a luminosa sequen-
cia da nossa historia o baixo relevo que representa o
coro na tragedia grega..
côro
Não é a realidade ! ÉÚ. apenas um símbolo, que si-
gnifica a vaga ansiedade duvidosa e humana dos que
partem para ignotos perigos e presentinho
presentindo as dores,
antevêem
anteveem a possibilidade do sofrimento, mas não temem
a derrota e não desistem por isso da acçfto!
acção!
Admirável gente a nossa! Até essa concretisação
estilisada da duvido dá bem a nota grandiosa do que
foram esses dois séculos de historia nos quais, bem
senhores da nossa propria
própria consciência, partimos, não
para uma vaga aventura sem finalidade, mas paia para a
certeza humana do triunfo com todas a>> as possibilidades
que a sciencia nos assegurava!
Só um povo cheio de mocidade e de fé podia ter
realisado o esforço enorme dos nossos oito séculos de
historia e encontrar-se ainda hoje, perante o Jnturo,
.futuro,
com a certeza magnifica de que muito tem ainda a
fazer para cumprir o seu destino humano!
Toda a historia portuguesa está cheia de nomes
77

que proclamam o heroísmo e a graça cie de gente moça,


levando à gloria e ao triunfo a alma de Portugal.
Ser moço e ter um ideal de grandeza nacional, eé
ter em si proprio
próprio a certeza de o poder ver realisado!
rcalisado!
Todas as grandes figuras simbólicas do nosso pas-
sado tinham como garantia de realisação a sua propria
própria
mocidade, que tanto sc se harmonisa com a acção e com
a esperança dum povo, que ainda não está satisfeito
com o esforço que já realisou e sonha e cogita nova»
emprezas.
Era moço Afonso Henriques quando aos 16 anos
se revoltou contra a influencia dos
tios barões da Galisa
Oalisa e
proclamou a independência nacional. E foi desse gesto
de bravura e de revolta duma criança, como hoje di-
ríamos, que partiu a linha que no mapa foi marcando
em volta do mundo a gloria da raça portuguesa.
Criança era ainda I).D. Sancho quando
qiundo entrou a pe-
lejar cm terras da moirama e arrancou aos inimigos a^ as
cidades que lhe iam ficando a geito por essas lindas e
ensoalhadas terras do Alentejo e do Algarve.
Eram moços Nun'Alvares, o Mestre de Aviz c us os
seus heroicos
heróicos companheiros da defesa de Portugal,
que venceram os velhos egoístas que trocavam a in-
dependência da Pátria pelo dinheiro de Castela!
Moços, generosos e apaixonados eram lodos os
que na "Ala dos Namorados,, c da "Madresilva,, so-
nharam levantar com honra e amor o nome portu-
guês, abatendo o orgulho do leão de Castela.
Era moço o Infante D. Henrique quando foi armado
cavaleiro em Ceuta com seus irmãos e a flòr flor da raça
portuguesa, que já tinha no coração a ideia enorme do
engrandecimento da Pátria!
E uma criança ainda essa figura luminosa tie de santo,
que foi o Infante D. Peruando, morrendo e sofrendo
cm
em hóstia de consagração pela religião magnifica da
Pátria !
E tão meninos e tão moços eram Afonso V e seu
irmão, lutando cm Africa pela expansão imperialista
da raça, que mais parece lenda o que foi sempre his-
toria !
■X

78

E também moço moço D.João


D. João II, II, quando
quando impôsimpôs aa gran-
gran-
deza da
deza da suasua ideia
ideia patriótica
patriótica ee tão tão moço
moço era,era, que
que aoao
morrer tinha
tinha apenas
apenas aa idade
idade em em queque hoje
hoje se
se começa
começa aa
triunfar na sociedade banal que o século XIX prepa-
rou com o seu egoísmo burguês.
E que
E que mocidade
mocidade mais mais linda
linda ee mais
mais cheia
cheia dodo orgu
orgu
lhoj ee do
do sonho
sonho da da raça,
raça, do
do que
que essaessa dodo nosso
nosso Cristo
Cristo
da Pátria,
da Pátria, D. D. Sebastião
Sebastião da da féfé ee dada certeza
certeza dodo futuro.
futuro,
■Que
que morreu no areal de Alcácer Kibir para viver eter-
morreu no areal de Alcácer Kibir para viver eter-
namente na fé ardente da certeza nacional!
Toda aa grande
grande epopeia
epopeia das das descobertas
descobertas éé realisada
realisada
com
com homens
homens que que tinham
tinham por por brinquedo
brinquedo de de infanda
infância
guerras ee correrias
correrias contra
contra os os moiros
moiros de de Africa,
Africa, como
como
esse grande
grande D. D. Duarte
Duarte dede Menezes,
Menezes, feito feito cavaleiro
cavaleiro em em
em Ceuta aos 15 anos, governador de Alcaccr Alcácer Cegucr
Ceguer
pouco tempotempo depois
depois ee que
que sabia
sabia responder
responder ao ao inimigo
inimigo
que lhe
que lhe propunha
propunha aa entrega
entrega da da Praça,
Praça, sem
sem mantimen-
mantimen-
tos :: que
tos que oo Rei
Rei lha
lha dera
dera para
para aa defender
defender ee nãonão para
para aa
entregar".
Quando Vasco da Gama, com coin vinte e seis anos,
embarcava comandando
embarcava comandando aa aventuraaventura maravilhosa
maravilhosa da da
raça, era já alguém que se afirmara valoroso para
raça, era já alguém que se afirmara valoroso para po-po-
der desempenhar tão grande missão !
Afonso de de Albuquerque,
Albuquerque, oo nome nome maiormaior dada nossa
nossa
historia, que iguala, se não ultrapassa, o dos heróis
lendários do passado, morre aos 62 anos tendo deli-
neado um império tão formidável, que ainda hoje é
enorme perante o poderio da Inglaterra! E morre a
viver ainda
ainda oo seu seu sonho
sonho cheio
cheio de de féfé ee de
de certezas
certezas
duma alma sempre moça!
E não
E não só só oo passado
passado nosnos aponta
aponta aa influencia
influencia da da mo-
mo-
cidade nos nos grandes
grandes feitos
feitos da
da nossa
nossa historia,
historia, como
como todatoda
aa nossa
nossa influencia
influencia colonisadora
colonisadora nos nos mostra,
mostra, muito
muito
especialmente
especialmentt no Brasil, uma percentagem enorme de
afirmando-se como reais valores, em crian-
emigrantes afirniando-se
ças t]ue
ças que de de Portugil
Portugal partiram
partiram corajosamente
corajosamente como como
combatentes para a grande luta afirmativa da vida,
quando em
quando em outros
outros países
países ainda
ainda somente
somente na na sua
sua idade
idade
se cuida
cuida dosdos brinquedos
brinquedos da da infanda
infância !!
E ninguém
ninguém melhor melhor dodo que
que vósvós oo pode
pode comprovar,
comprovar,
70

porque
porque entre entre tantos
tantos portugueses
portugueses que que neste
neste grande
grande país
país
conseguem
conseguem aíirinar-se afirinar-se valores valores que que todos
todos respeitam,
respeitam,
muitos
muitos ee muitos muitos vieram,
vieram, crianças
crianças ainda,
ainda, ee já já cheios
cheios da da
responsabilidade da vida!
Ha
Ha até até quem
quem alegue,
alegue, que que éé desamor
desamor das das mães
mães oo
deixarem
deixarem vir vir osos seus
seus filhos
filhos meninos
meninos para para asas grandes
grandes
incertezas
incertezas duma duma luta luta queque tem tem por por formidável
formidável arena arena uni
um
dos maiores países
dos maiores países do do mundo!
mundo! Mas Mas não!não! QueQue nãonão háhá
mulheres
mulheres que que maismais queiram
queiram ee mais mais se se orgulhem
orgulhem dos dos
seus
seus filhosfilhos do do queque as as nossas.
nossas. Mas Mas éé que,
que, acima
acima de de todo
todo
oo carinhoso
carinhoso anseio anseio dum dum coraçãocoração maternal,
maternal, ha ha nana mu-
mu-
lher portuguesa aa imposição
lher portuguesa imposição da da raça
raça queque ordena,
ordena, que que
imprime
imprime caracter caracter ee que que força
força aa vidavida na na aspiração
aspiração do do
triunfo.
Bem
Bem sabeis,sabeis, vós,vós, homens
homens de de Portugal,
Portugal, que que outróra
outrora
crianças partisteis, cheios
crianças partisteis, cheios de de fé,
fé, para
para aa conquista
conquista da da
fortuna,
fortuna, quantas quantas lagrimas
lagrimas visteis visteis brilhar
brilhar nos nos olhos
olhos dede
vossas mães!
EE no no entanto,
entanto, eram eram elas elas as as primeiras
primeiras aa esconder
esconder
com sorrisos aa sua
com sorrisos sua dor dor ee aa dizer-vos
dizer-vos com com toda
toda aa cora-
cora-
josa
josa fé: fé: —Ide,
— Ide, meusmeus filhos,
filhos, íazei-vos
fazei-vos homens!
homens!
Porque
Porque em em Portugal
Portugal só só se se éé homem
homem quando quando se se
realisa
realisa uma uma acção
acção ee se se impõe
impõe oo proprio
próprio nome nome como
como
uma forçaforça criadora.
criadora.
Se
Se isto isto não
não fosse
fosse aa verdade
verdade que que vósvós todos
todos conhe-
conhe-
ceis,
ceis, um um exemplo
exemplo vos vos daria
daria para para oo comprovar
comprovar adentroadentro
do
do meumeu propriopróprio sangue:
sangue: Minha Minha bisavó,
bisavó, que que ainda
ainda hoje
hoje
éé venerada
venerada ein ein cheiro
cheiro de de santidade
santidade numa numa terra
terra triste
triste
da Beira —
da Beira —feia
feia ee forte
forte — —(que(que éé aa Beira
Beira Alta
Alta dasdas ser-
ser-
ranias escalvadas) teve
ranias escalvadas) teve quatroquatro filhos
filhos queque partiram,
partiram,
quási crianças, para
quási crianças, para honrarem
honrarem oo nome nome herdado
herdado ee espa-
espa-
lharam
lharam aa sua sua fama
fama pelopelo inundo.
inundo.
EE tão
tão pouco
pouco ela ela sentiu
sentiu aa grande
grande dôr dôr dada ausência,
ausência,
que
que de de os os chorar
chorar cegoucegou ee já já os
os não
não viuviu voltar!...
voltar!...
No entanto ela
No entanto ela sorria
sorria ouvindo
ouvindo aa narração
narração que que de-
de-
pois
pois lhelhe faziam
faziam voltando
voltando da da Índia,
Índia, da da China,
China, da da Africa
Africa
dos Açores, do
dos Açores, do Brasil...
Brasil... dando dando por por bembem empregado
empregado
oo sacrifício
sacrifício dos dos seus
seus olhos,
olhos, pois pois que
que cies
eles se
se realisavam
realisavam
em orgulho dum
em orgulho dum nomenome honrado.
honrado.
Quatro
Quatro filhosfilhos teve
teve minhaminha mãe mãe ee todos
todos partiram
partiram do do
80

seu
seu ladolado ee todos
todas voltaram
voltaram aa procurar
procurar oo sorriso
sorriso da
da sua
sua
linda alma dc de ternura e dc
de força, daudo-Ilies
dando-Ihes a certeza
de terem
terem cumprido
cumprido oo dever
dever queque oo sangue
sangue nos
nos impõe.
impõe.
Ninguém compreenderá como vós, portugueses,
estas verdades, porque também vicsteis viesteis e fosteis labo-
riosos ee conquistastes
conquistasteis oo direito
direito dede impòr
impor socialmente
socialmente
o vosso
vosso nomenome pela
pela inteligência,
inteligência, pelopelo trabalho,
trabalho, pela
pela
persistência c pela coragem para as lutas modernas
de concorrência ce dc de competência, como outrora as
crianças —como vós fosteis - partiam para a Africa e
para a Indiaíndia a afirmar um nome, que nesse tempo só
se distinguia pela gloria dc de matar e dc de morrer com
honra.
Os anos passam por vós c não envelhecem a vossa
alma,
alma, sempre
sempre aa sonhar
sonhar aa maior
maior grandeza
grandeza da da Pátria;
Pátria;
porque não se sabe ser velho cm Portugal!
ti' que dentro de cada alma vive a eterna mocidade
E'
duma raça, que não desistiu nem poderia desistir do
triunfo, renovando-sc
renovando-se constantemente cm novas Pá-
trias que vão nascendo para a expansão da nossa
força!
lludem-se muito os estrangeiros, que superficial-
mente nos conhecem, julgando Portugal um país em
decadência, desorganisado e anárquico.
ti' certo
ri' certo que
que temos
temos atravessado
atravessado uma uma crise
crise bastante
bastante
grave, não exclusivamente criada por rós, mas reflexa
de
de quanto
quanto poroutros
poroutros países,
países, bem
bem mais
mais assustadora,
assustadora, tem
tem
surgido.
Mas é exalamcnte
exalamenfe porque essa crise é bastante
grave que a ninguém c licito íurtar-lhe furtar-lhe o seu apoio e
muito menos aos novos que, trabalhando por melhorar
as condições morais da vida, trabalham pelo seu pró-
prio bem; porque cies eles são o futuro, emquanto nós já
quasi nem somos o presente, mas o melancólico
passado!...
1:' aos novos que cumpre armazenar trabalho e fé,
!:'
sobre tudo muita fé, que é o alimento por excelência
da vontade,
vontade, parapara que
que oo diadia dcde amanhã
amanhã resplandeça
resplandeça
mais límpido, mais fecundo dc de alegria e força criadora.
. O grande mal das ultimas gerações, que ooegoismo egoísmo
81

do
do séculoséculo passado
passado fez fez dominantes,
dominantes, diremosdiremos mesmo,mesmo, oo
seu
seu crime, crime, foi foi preparar
preparar com com aa Mia -sua descrença
descrença dissol-
dissol-
vente
vente aa falência falência de de caracteres,
caracteres, que que nosnos atirariam
atirariam parapara
aa valavala comum
comum dos dos miseráveis,
miseráveis, que que mãonão teem
teem destinos
destinos
aa cumprir
cumprir nem nem deixam
deixam atraz atraz de de sisi uma
uma saudade
saudade nem nem
um interesse, senão
um interesse, senão fosse
fosse aa energia
energia reagente
reagente da da nossa
nossa
eterna mocidade.
Foi
Foi de de princípio
princípio uma uma pequena
pequena minoria
minoria que que reagiu,
reagiu,
mas
mas esse esse movimento
movimento sagrado sagrado de de amor
amor ee orgulho
orgulho pelapela
Pátria
Pátria ee respeito respeito pela pela raça,
raça, encontrou
encontrou no no povo
povo aa
grande
grande força, força, que que em em todos
todos os os tempos
tempos da da nossa
nossa histo-
histo-
ria
ria tem tem vincado
vincado duma duma maneiramaneira iniludível
iniludível oo direito
direito dede
vivermos
vivermos aa nossa nossa propria
própria vida vida ee afirmarmos
afirmarmos aa marcha marcha
para
para o o futuro.
futuro. E' E' aos
aos novos
novos que que cumpre
cumpre oo dever dever de de
rebustecerem
rebustecerem nos nos seus
seus proprios
próprios corações
corações oo amor amor ;\ tão
tão
nossa
nossa ee tão tão admirável
admirável terra terra portuguesa
portuguesa ee armarem-se
armarem-se
com
com aa fé, fé, que
que revolve
revolve montanhas,
montanhas, para para poder
poder cumprir
cumprir
oo destino
destino reservado
reservado aa uma uma raçaraça tão
tão vivaz,
vivaz, tãotão rica
rica dede
qualidades absorventes ee irradiantes,
qualidades absorventes irradiantes, como como éé aa nossa!
nossa!
Só morrem os
Só morrem os povos
povos que que nãonão teemteem consciência
consciência
do
do seuseu passado
passado ee aa crençacrença absoluta
absoluta no no futuro.
futuro.
Oranein
Ora nein uma uma nemnem outraoutra nosnos podem
podem faltar,
faltar, aa não
não ser
ser
que voluntariamente e traiçoeiramente
que voluntariamente e traiçoeiramente resolvêssemos resolvêssemos
suicidar-nos.
E, mesmo assim,
E, mesmo assim, oo povo,
povo, essaessa grande
grande forçaforça acumu-
acumu-
ladora de energias, mais uma
ladora de energias, mais uma vez saberia resistir ao vez saberia resistir ao
derrotismo
derrotismo ee ao ao egoísmo
egoísmo dos dos perturbadores
perturbadores da da sua
sua
marcha ascensional ee caminharia
marcha ascensional caminharia para para oo destino
destino que que asas
nossas qualidadades nos
nossas qualidadades nos apontam.
apontam.
No entanto, ter
No entanto, ter fé,
fé, nãonão éé bastante!
bastante! E' E' necessário
necessário
criar
criar com com essa essa grande
grande força força moral
moral uma uma atmosfera
atmosfera de de
crença colectiva que,
crença colectiva que, condensando
condensando um um grande
grande ee único
único
ideal, obtenha as
ideal, obtenha as condições
condições de de triunfo!
triunfo!
Por melhor ee mais
Por melhor mais belabela queque seja
seja umauma ideia,
ideia, sese não
nao
encontrar
encontrar em em outros
outros cerebros
cérebros aa simpatia
simpatia que que aa tornam
tornam
uma
uma forçaforça irradiante,
irradiante, logo logo murcha
murcha cc cai cai na
na terra
terra esté-
esté-
ril da indiferença.
ril da indiferença.
Ob povos, como
Os povos, como os os indivíduos,
indivíduos, não não realisam
realisam uma uma
obra grande se
obra grande se não
não tiverem
tiverem dentro
dentro de de si
si proprios
próprios um um
conjunto
conjunto de de qualidades
qualidades psíquicas
psíquicas que que se se exteriorizam
exteriorisam
82

quási sempre pela ideia religiosa, porque é ela a mais


propria
própria a reunir esforços com um sentimento dc de fé, que
não é pensamento nem raciocínio individual.
Quando a religião deixa dc de ser crença indiscutível
para ser pensamento, perde a sua força politica c a sua
acção de imposição colectiva e torna-sc a consolação
individual dos crentes ou a dúvida metafísica dos filó-
sofos.
É certo, como dizem os católicos, e todos temos o
dever de o confirmar, que o povo português obrou
maravilhas sob a coesão magnifica da religião católica.
Quando eles afirmam:—Foi com os olhos postos no
corpo divino c chagado de nosso Senhor Jesus Cristo
e o coração transbordando ternuras pela Virgem, que
os nossos homens e as nossas mulheres, desde o ini-
cio cio
do grande movimento separatista que nos libertou
de Castela, conseguiram empurrar para fóra fora do territó-
rio português,
português'oo estrangeiro infiel, o arabe
árabe doutra fé ec
doutra crença, não exageram !
"Foi para maior honra e gloria do Deus dos nos-
sos maiores, dizem eles—que se descobriram marcs
maiores,—dizem mares ec
continentes, que se abriram caminhos novos à civilisa-
Ção,
ção, que se conquistaram impérios, que se dominaram
povos, que se praticou muito heroísmo ec muita cruel-
dade, que se fizeram milagres, que se comoveram os
corações impedernidos dos selvagens e se chamaram
ãà comunhão
comunhão ee aoao convívio
convívio dos
dos nossos
nossos colonisadores.,,
colonisadores.,,
I:
C nesse ponto, éc justo confessá-lo, a unidade dc de
crença deu ao povo português uma unidade de acção,
que só trouxe resultado para o conjunto da imposição
lusitana.
Não foi a religião
rdigião católica que nos fez grandes,
mas foi a religião católica que serviu dc
de ideia conjunta e
dc
de ligação, que nem sequer deixou desunir os que
fundamentalmente se odiavam e 11n oralmente se hosti-
lisavam.
lisavani.
Com o símbolo da cruz deante dos olhos c no pen-
samento, o povo português realisou a maior acção da
moderna idade e escreveu com sangue c coin com génio a
continuação maravilhosa da grande historia do povo
83

romano, paralisada durante


romano, paralisada durante séculosséculos pela pela eclosão
eclosão na na
vida social do
vida social do Império
Império dos dos bárbaros
bárbaros da da Germânia!
Germânia!
Mas
Mas estaesta força
força não não llie
lhe vein
veia da da religião
religião em em si,
si, mas
mas
da unidade no
da unidade no pensamento,
pensamento, que que elaela representava
representava nesse nesse
momento.
Porque
Porque da da mesma
mesma forma forma que que os os católicos,
católicos, também
também
os maliometanos podem
os maliometanos podem dizer:—Foi
dizer:—Foi em em nome
nome do do nosso
nosso
Deus Verdadeiro ee da
Deus Verdadeiro da suasua santa
santa religião,
religião, prégada
pregada ee
codificada
codificada pelo pelo máximo
máximo profeta,
profeta, Maliomé,
Maliomé, que que oo povo
povo
árabe atingiu, num
arabe atingiu, num dadodado momento,
momento, toda toda aa porção
porção dede
idealismo
idealismo ee de de fé,fé, que
que sãosão indispensáveis
indispensáveis àà realisação
realisação
duma grande obra
duma grande obra de de expansão
expansão ee de de conjunto,
conjunto, conse-
conse-
guindo
guindo impôr impor ao ao mundo
mundo aa sua sua explendida
explendida civilisação,
civilisação,
aa sua
sua artearte ee aa suasua sciencia,
sciencia, dominando,
dominando, ensinando
ensinando ee
elevando
elevando aa liumanidade,
humanidade, caídas caídas na na ignorância
ignorância ee na na
barbaria!
—É fortificados pela
—É fortificados pela graça
graça dada nossa
nossa santa
santa religião,—
religião —
dizem-nos
dizeni-nos tambémtambém os os judeus,
judeus, apoiando-se
apoiando-se na na sua
sua Bí-
Bí-
blia, alicerce bem
blia, alicerce bem fundo,
fundo, raizraiz bem
bem tenaz
tenaz de de que
que sesç ali-
ali-
mentam
mentam as as forças
forças anímicas
anímicas da da raça,
raça, queque porpor essa
essa única
única
coesão, mantida através
coesão, mantida através dos dos séculos,
séculos, consegue
consegue aa uni- uni-
dade
dade queque nãonão podiam
podiam ter ter doutra
doutra forma,
forma, no no desenraiza-
desenraiza-
mento
mento do do sólo,
solo, queque lhes
lhes dá dá aa falta
falta duma
duma pátria
pátria terri-
terri-
torial
torial — — éé pela
pela nossa
nossa belabela religião
religião que que tanta
tanta coragem
coragem
no sofrimento temos
110 sofrimento temos tido,tido, queque tãotão grande
grande tenacidade
tenacidade
temos mostrado, que
temos mostrado, que tanto
tanto temos
temos contribuído
contribuído para para oo
progresso
progresso da da liumanidade!
humanidade!
EE oo que
que dizem
dizem estes
estes dizem-iio
dizem-no protestantes,
protestantes, budis- budis-
tas e todos os crentes das diversas
tas e todos os crentes das diversas seitas e confissões seitas e confissões
religiosas,
religiosas, por por mais
mais opostas
opostas que que na na aparência
aparência se se nos
nos
mostrem.
Mas
Mas istoisto prova
prova apenas
apenas que que são são todas
todas iguais
iguais emem
seus efeitos, todas
seus efeitos, todas conduzindo
conduzindo aa fifi is is sociais
sociais ee úteis,
úteis,
em certos ee determinados
em certos determinados estados estados da da alma
alma colectiva
colectiva
dos povos ee como
dos povos como fornia
forma de de idealismo
idealismo auxiliando
auxiliando aa
realisação
realisação dos dos movimentos
movimentos humanos, humanos, que que conduzem
conduzem ãã
elevação progressiva para
elevação progressiva para alemalem da da simples
simples materiali-
materiali-
dade, tendendo sempre
dade, tendendo sempre para para aa espiritualisação
espiritualisação que que
mascara
mascára ee embeleza
embeleza oo que que de de interesses
interesses materiais
materiais
existe" nas acções
existe" nas acções humanas.
humanas.
84

Mas aa religiosidade
religiosidade dos dos povos,
povos, como
como aa dos
dos indi-
indi-
víduos, não
não implica
implfca fatalmente
fatalmente uma uma crença
crença neste
neste ou
ou
noutro qualquer
qualquer credo
credo dede dogmas
dogmas ec preceitos
preceitos de
de moral
moral
codificados, porque da mesma forma, em noine nome da
sciencia, em nome da justiça humana, em nome da
moral ee dos
dos preceitos
preceitos filosóficos,
filosóficos, asas maiores
maiores abnega-
abnega-
ções, os
os maiores
maiores sacrifícios,
sacrifícios, heroísmos,
heroísmos, devoções,
devoções, so-
so-
frimentos ee alegrias,
alegrias, teem
teem sido
sido feitos
feitos pelos
pelos homens.
homens.
O ideal filosofico
filosófico tem os seus mártires, os seus
santos e os seus apostolos
apóstolos e dispõe duma tão formi-
dável energia de bondade e de graça, como o ideal
sectarista de qualquer outra religião.
E chegamos, lógica e naturalmente, à conclusão de
que as formulas exteriores nada valem e sim o que é
necessário éé criar
criar em
em cada
cada povo,
povo, cc dar
dar aa cada
cada indivi-
indivi-
duo, a porção de idealismo necessário para que a sua
acção tenha a força imperiosa das grandes e inabaláveis
convicções.
A nossa raça está precisamente no ponto em que
este resultado pode ser fácilniente
facilmente atingido, se todas
as vontades inteligentes convergirem sinceramente
para o fim magnifico de criar um idealismo colectivo
da raça, sem exclusivismo duma religião que já hoje é
impossível unificar em
impossível unificar em todos
todos osos portugueses,
portugueses, diremos
diremos
mesmo, em todos os lusitanos, uns porque não perten-
cem a nenhuma, outros porque julgam outras superio-
res, outros mesmo porque são indiferentes às suas
formas exteriores e sem elas não ha imposição reli-
giosa.
O que c certo, porém, é que a raça portuguesa não
é propensa a uma religiosiosidade mística e contem-
plativa, antes se tem sempre intensificado i uma acção
de combatividade de que o proprio próprio florilégio portu-
guês é a convincente prova. Os nossos santos fazem
milagres portugueses, têem acção, têem alma nacional,
trabalham pela humanidade, mas ainda mais trabalham
pela propria
própria grei. Podemos bem dizer que o povo por-
tuguês é orgulhosamente idealista e não tem, nem
teve nunca, o sentimento duma verdadeira humildade
cristã.
85

A característica que bem resalta da nossa grande


acção social,social, nono passado
passado como como no no presente,
presente, éé sempre,
sempre,
aa cxtcriorisação
exteriorisação magnWéca magnifica dum dum nobrenobre sentimento
sentimento
de emulação, que
de emulação, que em em frente
frente de de estranhos
estranhos quer quer
que
que os os proprios
próprios feitosfeitos sejam
sejam sempre
sempre superiores
superiores aos ao:-,
dos outros.
Colectiva ee individualmente
individualmente oo português português eleva-se
eleva-se
tanto mais,mais, quanto
quanto maior maior ee mais mais valiosa
valiosa éé aa concor-
concor-
rência
rência dos dos estranhos
estranhos que que oo eníretam.
eníretam.
Exemplo mais mais do do que
que convincente
convincente éé aa nossa nossa ex- ex-
traordinária acção acção colonizadora,
colonizadora, especialmente
especialmente neste neste
Brasil operoso e magnifico, arena admirável onde cada
colono português éé um
colono português um atleta
atleta queque orgulhosamente
orgulhosamente le- le-
vanta
vanta aa cabeçacabeça desafiando
desafiando em em competência
competência aa invasão invasão
cosmopolita, que que ameaça
ameaça oo lu,sitanismo
lu,sitanismo da da raça,
raça, dede
que
que se se julga
julga fiador
fiador bastante
bastante oo mais mais humilde
humilde como como
oo mais
mais categorisado
categorisado dos dos nossos
nossos patrícios.
patrícios.
1:1: que
que mais
mais extraordinária
extraordinária prova prova dessas
dessas qualidades
qualidades
anímicas
anímicas do do povo
povo lusitano
lusitano podemos
podemos hoje hoje apresentar,
apresentar,
do que aa nossa
do que nossa colaboração
colaboração efectiva
efectiva na na grande
grande guerra,
guerra,
para
para onde onde os os nossos
nossos soldados
soldados foram foram na na certeza
certeza reii-
reli-
ligiosa
ligiosa de de irem
irem cumprir
cumprir oo destino destino histórico
histórico da da raça,
raça,
mantendo-se
mantendo-se sempre, sempre, apesar
apesar de de todas
todas asas desgraças,
desgraças, os os
iluminados
iluminados que que tantas
tantas vezes
vezes choraram
choraram de de raiva
raiva porque
porque
os não deixavam
os não deixavam caminhar
caminhar para para aa frente,
frente, ee queque outros
outros
muitas
muitas vezes vezes se se revoltaram
revoltaram contra contra aqueles
aqueles que que os os que-
que-
riam impedir de
riam impedir de mostrar
mostrar ao ao mundo
mundo "o "o que
que valem
valem os os
portugueses, continuadores dos
portugueses, continuadores dos grandes
grandes antepassados
antepassados
de que
que rezareza aa Historia?!,,
Historia?!,,
Nós
Nós não não precisamos
precisamos senão senão de de coesão
coesão ee disciplina
disciplina
para
para metermeter todatoda aa ardência
ardência combativa
combativa da da raça
raça dentro
dentro
de uma só
de uma só ee grande
grande fé, fé, onde
onde cabemcabem todas
todas as as fés,
fés, onde
onde
têem
têem logar logar todas
todas as as crenças,
crenças, que que éé aa grande
grande religião
religião
da raça, dando-nos
da raça, dando-nos aa certeza certeza de de que
que aa nossa
nossa missão
missão
na continuidade da
na continuidade da civilisação
civilisação humanahumana não não terminou
terminou
ainda
ainda ee não não terminará
terminará jamais,jamais, emquanto
emquanto houver houver 11a na
terra
terra um um coração
coração que que sinta
sinta oo orgulho
orgulho santíssimo
santíssimo de de
sêr português ee urtia
sér português urtia boca
boca que que pronuncie
pronuncie as as palavras
palavras
que
que deramderam aa Camões
Camões aa imortalidade!
imortalidade!
A religião da
A religião da Pátria
Pátria seráserá oo traço
traço de de união
união parapara
86

todos os que sejam dignos de serem portugueses. A


certeza do futuro, como a convicção da maxima máxima
grandeza do passado, será o evangelho de força cm em
que todos os povos lusitanos irão retemperar a sua
energia combativa, na defesa dos seus direitos prin-
cipais.
Dentro deste credo não ha pequenos gestos, não
ha insignificantes acções, e cada iniciativa, cada nova
ideia, se deve auxiliar e animar de modo a produzir a
maior soma de grandeza colectiva!
Foi sentindo instintivamente esta verdade que
Portugal inteiro se movimentou no sentido de trazer
ao país irmão, que orgulhosamente festeja a sua maio-
ridade politica, a certeza de que são duas partes do
mesmo coração que -palpita áquem e álem-mar 110 no
mesmo sonho
sonho formidável
formidável da
da raça,
raça, desta
desta raça
raça sempre
sempre
heróica e sempre moça, vivendo na certeza magnifica
dum grande futuro de imposição civilisadora!
Portugal alvoroçou-sc tanto com as festas da Inde-
pendência do Brasil e entusiasmou-se de tal forma
com a exposição, que muitos meses viveu na ânsia de
se fazer representar de forma a honrar as suas tradi-
ções gloriosas e dar ao Brasil razões palpáveis para
se orgulhar da irmandade da raça.
O nosso pafs, como se fosse uma simbólica romã,
imagem da da fecundidade
fecundidade ee dada riqueza,
riqueza, abriu-se
abriu-se num
num
riso de
de graça
graça ee mocidade
mocidade perfumada
perfumada ee fez
fez quanto
quanto poude
poude
por se representar aqui, em todos os seus valores
morais e materiais.
Desde a terra sagrada de Portugal presente ideoló-
gico dum alto espirito de artista, guardada religiosa-
mente 110no relicário que representa uma das mais
delicadas manifestações da nossa Arte, até á copia fiel
de um dos tripticos de Nuno Gonçalves, tudo quizc- quize-
mos trazer a esta bem amada terra de Santa Cruz,
segunda Pátria da nossa raça.
Não foi uma vulgar manifestação de orgulho,
mas o desejo de .afirmar o resurgimento explendido
dum povo que tem a certeza do seu grande destino
e quiz dar á nação irmã motivos para mais do
87

que
que nuncanunca se se orgulhar
orgulhar da da origem
origem comum
comuin ee aos aos seus
seus
filhos
filhos aa certeza
certe7a de de que,
que, embora
embora afastados,
afastados, nunca
nunca são são
esquecidos.
EE deste
deste momento
momento grandioso
grandioso em em queque todos
todos estamos
estamos
unidos
unidos para para levar
levar aa cabocabo aa missãomissão que que nos
nos iinpoze-
iinpoze-
mos
mos de de confraternização
confraternização ee apoio, apoio, éé necessário
necessário que que
parta
parta uma uma nova
nova fasefase das
das relações
relações luso-brasileiras.
luso-brasileiras.
Todos que que conhecem
conhecem historia historia ee sociologia
sociologia sabem
sabem
perfeitamente que que os os interesses
interesses economicos
económicos imediata-
imediata-
mente seguem aa propaganda
mente seguem propaganda idealista,
idealista, torna..do-a
tornar.do-a com- com-
preensível à grande maioria, que se não movimenta
por questões
questões morais.
morais. ••
O interesse economico
O interesse económico é, é, por
por assim
assim dizer,
dizer, aa mate-
mate-
rialisação do do ideal
ideal ee aa formaforma como,
como, através
através de de todos
todos
os tempos, ele
os tempos, ele sempre
sempre se se definiu
definiu ee impôs.
impôs. Depois
Depois dos dos
iniciadores
iniciadores que que esboçam
esboçam os os movimentos
movimentos espiritual-
espiritual-
mente,*
mente,-numa numa grande
grande visãovisão abstrata,
abstrata, que que vae
vae áleni
alem das das
preocupações materiais, seguem-se
preocupações materiais, seguem-se os os realisàdores,
realisàdores, im- im-
pelidos
pelidos pela pela vontade
vontade impostaimposta espiritualmente,
espiritualmente, mas mas
imediatamente procurando procurando aa sua sua realisação
realisação no no inte-
inte-
resse material, que
resse material, que aa todos
todos se se impõe.
impõe.
Outro
Outro nãonão foi foi oo segredo
segredo dos dos grandes
grandes movimentos
movimentos
colectivos da humanidade.
Despresativamente, numa numa grande
grande ignorância
ignorância ee falta falta
de serenidade perante
de serenidade perante os os factos
factos históricos,
históricos, tem-sc
tem-se
falado muito no
falado muito no movei
movei comercial
comercial ee nos nos interesses
interesses ma- ma-
teriais
teriais da da guerra,
guerra, em em que que ainda
ainda estamos
estamos envolvidos,
envolvidos,
apesar
apesar das das chancelarias
chancelarias terem terem de de haha muito
muito ploclamado
ploclamado
aa paz.
paz. EE nono entanto,
entanto, esses
esses interesses
interesses ee esse esse movei
movei éé tão tão
lógico
logico ee humano
humano como como logico
lógico ee humano
humano foi foi sempre
sempre oo
inovei
inovei de de todos
todos os os movimentos
movimentos colectivos
colectivos sem sem exclu-
exclu-
são
são dosdos religiosos,
religiosos, como como oo mostra mostra oo movimento
movimento
árabe invadindo aa Peninsula
arabe invadindo Península sob sob oo pregão
pregão idealista
idealista da da
guerra santa; as
guerra santa; as "Cruzadas,,
"Cruzadas,, que que foram
foram aa ressaca
ressaca do do
mesmo movimento feito
mesmo movimento feito pelos
pelos europeus;
europeus; assim assim comocomo
teve
teve umum aspecto
aspecto mercantil
mercantil ee economico
económico oo movimento
movimento
portugés
portugês das das descobertas
descobertas ee conquistas,
conquistas, oo que que dede modo
modo
algum
algum nos nos apouca,
apouca, antes
antes pelo pelo contrario.
contrario.
Todas
Todas as as guerras
guerras são, são, de de principio,
principio, idealistas
idealistas por- por-
que
que aa força
força queque as as impõe
impõe éé aa ideia ideia dede grandeza
grandeza da da
83

raça, de defesa, ou de imposição dum destino a rea-


lisar, ee não
não lia
lia duvida
duvida que,
que, inicialmente,
inicialmente, aa guerra
guerra que
que
passou pelopelo mundo
mundo comocomo um um flagelo
flagelo mandado
mandado pela pela
divina cólera
cólera dosdos Deuses,
Deuses, não não foifoi contrária
contrária aa este
êstc
principio; porque
porque sese oo fosse
fosse nãonão sese teria
teria realisado!
realisado!
Foi premida
premida pelopelo ideal
ideal da
da suasua grandeza
grandeza ee expan-
expan-
são racial
racial que
que aa Alemanha
Alemanha movimentou
movimentou os os seus
seus milhões
milhões
de homens
homens parapara oo mesmo
mesmo fim, fim, mas
mas para
para que
que esse
esse re-
re-
sultado se produzisse ela necessitou mostrar à maio-
ria o interesse imediato, que os obrigava a uma
concordância absoluta na acção.
A França
França detendeu-se
defendeu-se pela-imposição
pela-imposição da da propria
própria
raça, que seria esmagada moralmente, como material-
mente seria arruinada
mente seria arruinada pelo pelo triunfo
triunfo economico
económico dos cios
germânicos.
A Inglaterra, a Italia,
Itália, nós próprio?
próprios -os - os mais idea-
listas de quantos procuraram o seu logar iu> n* grande
guerra —todos foram por princípios e por ideias, mas
acima de de tudo
tudo por
por interesses,
interesses, que que são
são oo seu
seu logico
lógico
resultado. De facto, se a riqueza só por si pouco repre-
senta, nenhuma ideia grande, nem povo algum se
impõe, sem a ter por base. A riqueza só é antipática
quando deladela se
se faz
faz um
um fimfim ee não
não 11111
um meio
meio de
de triunfo.
triunfo.
Esperemos pois que deste momento de aproxima-
ção, cm que todos estamos de acordo em colaborar no
engrandecimento da Pátria, resulte uma bem orientada
acção económica que faça Portugal, como deve ser, o
entreposto europeu do Brasil.
Pelas circunstancias, que todos melhor do que lho
poderíamos dizerdizer sabem,
sabem, oo nosso nosso paíspaís pode
pode ee deve
deve
hoje concorrer com todos os países do mundo nos
preços que apresentar e a todos os portugueses cumpre
valorizar e forçar a produção para que se possa dizer
com verdade que alguma coisa também nos veio, sob
o ponto de vista economico,
económico, desta grande hora de
concorrência mundial.
E' necessário que o ideal lusitano se complete sob
todos os aspectos e cada 11111 um lhe dê quanto seja possí-
vel para que se torne uma afirmação magnifica!
Nenhumas ideias nem condições individuais podem
80

hoje ter interesse


hoje ter interesse perante
perante aa ideia
ideia ee oo interesse
interesse supe-supe-
rior da nacionalidade,
rior da nacionalidade, que que sese manifesta
manifesta tanto
tanto ein em Por-
Por-
tugal como 110 no Brasil.
O interesse racial
O interesse racial impõe-se
impõe-se para para aa afirmação
afirmação do do
grande bloco
bloco Atlântico
Atlântico ee assimassim como
como todos
todos os os portu-
portu-
gueses devem
devem trabalhar
trabalhar porqueporque oo nosso
nosso país
país tenha
tenha nana
Península
Peninsula Ibérica a hegemonia dirigente, que momen-
taneamente perdeu;
perdeu; assim assim nós nós todos
todos osos que
que conhece-
conhece-
mos e trabalhamos no Brasil o devemos auxiliar 11a na
conquistada hegemonia
hegemonia dirigente
dirigente da da America
America do do Sul.
Sul. Isso
Isso
representa o idealismo da raça adentro das suas gran-
des,
des. qualidades de expansão e de imposição.
Para nósnós todos,
todos, lusíadas,
lusíadas, oo momento
momento éé sagrado!sagrado!
Estamos em face do mundo que não se lembra do
que nos deve
que nos deve cc atéaté por
por vezes
vezes oo quer
quer negar!
negar! Cada Cada uniuni
de nós
nós éé um um soldado
soldado para para aa luta
luta dede que
que oo santo
santo ee aa
senha éé apenas
apenas :: —— Pela
Pela Pátria
Pátria ee pela
pela Raçal
Raça/
Conhecer oo nosso nosso passado
passado ee confiar
confiar 110 no nosso
nosso
futuro,
futuro, eiseis oo ideal
ideal queque aa todos
todos nos nos deve
deve ligar.
ligar. Que
Que
haja hesitações,
hesitações, 011 ou certezas
certezas absolutas,
absolutas, não não iinpoita,
importa,
porque no no que
que corresponde
corresponde ãà exigência
exigência nacional
nacional do do
momento todos todos os os portugueses
portugueses de de áquem
áquem ee álém além mar,
mar,
que determinadamente ee corajosamente
que determinadamente corajosamente põem põem na na realisa-
realisa-
ção lusitana
lusitana do do futuro
futuro aa sua sua inatacável
inatacável fé, fé, estão
estão dede
acordo! E esse acordo representa a fixação do ideal
colectivo
colectivo cc aa direcção
direcção firme firme ee disciplinada
disciplinada para para oo con-
con-
seguir.
E a prova de que a nova consciência nacional des-
pertou, finalmente,
finalmente, não não comocomo um um milagre
milagre ocasional,
ocasional,
mas como
como aa realização
realização messiânica
messiânica da da raça,
raça, que
que se se vem
vem
anunciando através
através da da Historia,
Historia, éé que que em em volta
volta dodo
ideal lusitano se
ideal lusitano se agrupam
agrupam ee fortalecem
fortalecem todostodos aqueles
aqueles
que pela sua
que pela sua fé
fé 110
no futuro
futuro souberam
souberam resistir,
resistir, através
através dede
tudo,
tudo, àà dissolução
dissolução ee àà violência
violência dos dos desnacionalisados
desnacionalisados
dos criminosos,
criminosos, derrotistas
derrotistas ee desorientadores.
desorientadores.
Os grandes
grandes valores
valores nacionalistas
nacionalistas do do periodo
periodo de de re-
re-
construção, que que foifoi oo século
século XIXXIX vendo
vendo os os seus
seus esfor-
esfor-
ços aparentemente frustados
ços aparentemente frustados ou ou malmal compreendidos,
compreendidos,
caíam dolorosamente
dolorosamente feridos feridos de de desânimo,
desânimo, morrendo
morrendo
na trágica incerteza
na tragica incerteza do do triunfo
triunfo dodo amanhã
amanhã sonhado.
sonhado.
90
00

Hoje não! Quem não tem a compreensão nitida da


hora que se aproxima para a realização lusitana, ou é
afastado violentemente pela reprovação geral, ou, ex-
pontancamente se afasta abdicando da sua propria própria
obra.
Os outros ficam e continuam, através de tudo, na
certeza de que a luta em Portugal não corresponde a
ideais vindos de fora, nem a correntes de opiniões, nem
a influencias extranlias,
extranhas, porque as nossas ligações com
qualquer outra acção externa são puramente subsidiá-
rias e ocasionais, e só têem éco quando correspondem
à acção que historicamente nos está bem definida.
Através de séculos de criminoso entorpecimento
dirigente, fortalecido agora com a certeza da realização
no
110 futuro, a que já está bem claramente determinado
e marcado o caminho a seguir, o povo português tem
sabido cumprir o seu alto destino!
A acção nacionalista e o idealismo português, inte-
ressam e impõe-se aos povos da mesma raça e por isso
o lusitanistno
lusitanismo está
está tendo
tendo no
no Brasil
Brasil oo seu
seu natural
natural ee
simpático reflexo, tudo nos encaminhando para a única
solução que a guerra já determinadamente apresentára,
apresentara,
que sãograndes agrupamentos em fortes alianças raciais.
A grande aliança da raça lusitana está pois lançada
cumprindo
cumptindo aos novos realisá-la porque deles depende
a grandeza futura. E' a eles que nós entregamos hoje
a realização do sonho que nos tem amparado durante
umas poucas de gerações de resistência e fé sebastia-
nista, mantendo a resistência heróica que nos fez ven-
cer todas as dificuldades e resistir a todas as tragédias
morais e materiais. A hora presente é dolorosa e difí-
cil, foram
foram sempre
sempre assim,
assim, ansiosas
ansiosas ee apreensivas,
apreensivas, as
as
horas que antecedem os grandes factos históricos.
Hoje éé aa velada
velada de
de armas
armas da
da raça
raça em
em que
que os
os novos
novos
se preparam para o triunfo, que amanhã ha de encher
o século XX com o nome Português; como já o fo-
ram os séculos XV e XVI.
Se ha povos tão ignorantes que o não saibam ainda
é necessário que o aprendam para o futuro!
Aos novos, pois, compete dar a grande lição.
01

Mas novos somos


Mas novos somos nós nós todos
todos os
os que
que temos
temos fé fé nos
nos
destinos da raça
destinos da raça ee que
que sabemos
sabemos vencer
vencer asas dificuldades
dificuldades
momentâneas, como como outróra
outrora vencemos
vencemos oo mistério
mistério te-te-
nebroso dos mares.
Portugal tem
tem umum destino
destino grande
grande aa cumprir
cumprir ee lia-de
lia-de
cumpri-lo, afastando corajosamente
cumpri-lo, afastando corajosamente de de si
si todas
todas as
as másmás
sugestões que de
sugestões que de fora
fora llie
llie possam
possam ir,
ir, porque
porque nós
nós sósó fo-
fo-
mos grandes
grandes quando
quando assumimos
assumimos na na historia
historia oo papel
papel
dirigente, impondo às
dirigente, impondo às outras
outras nações
nações uma
uma civilização
civilização
própria, porque
porque sósó isso
isso está
está de
de acordo
acordo com
com oo caracter
caracter
e o idealismo da raça.

E para
para terminar,
terminar, meus
meus amigos,
amigos, eu
eu só
só tenho
tenho uma
uma
palavra mais aa dizcr-vos
palavra mais dizcr-vos pois
pois que
que ela
ela representa
representa oo
meu profundo ee reconhecido
meu profundo reconhecido sentir
sentir —muito
—muito obrigada
obrigada
pela benevolência
benevolência comcom que
que me
me escutasteis,
escutasteis, gentileza
gentileza
mais aa juntar
juntar às
às que
que aa todos
todos devo
devo nesta
nesta terra!
terra!
^P^W-^^B

O Urbanismo
O Urbanismo

isuas causas
Suas causas —-Regresso
Regresso d
o terra
terra
1

OO Urbanismo
Urbanismo
Todo oo mundo
Todo mundo necessita
necessita hoje
hoje de
de realizar
realizar um
um grande
grande
esforço inteligente
esforço inteligente de de regresso
regresso àà terra
terra para
para enveredar
enveredar
pelo único
pelo único caminho
caminho queque nos
nos salvará
salvará dada ruína
ruína ee dodo de*
de-
sespero.
EE mais
mais do do que
que tudo,
tudo, ee necessário
necessário queque aa humanidade
humanidade
dê àà terra
dê terra oo seuseu amor
amor apaixonado
apaixonado ee fecundo
fecundo para
para apres-
apres-
sar oo seu
sar seu renovamento
renovamento pela pela sciencia
sciencia ee pela
pela industria,
industria,
que bem
que bem ligadas
ligadas àà agricultura
agricultura aumentarão
aumentarão prodigiosa-
prodigiosa-
mente aa riqueza
mente riqueza comum
comum ee trarão
trarão dede novo
novo aos
aos homens
homens
aa alegria
alegria expansiva
expansiva ee sã sã de
de viver.
viver.
Ora um
Ora um dos dos males
males de de que
que aa sociedade
sociedade vem vem
sofrendo éé oo urbanismo
sofrendo urbanismo exagerado
exagerado contra
contra oo qual
qual vai
vai
por essa
por essa terraterra fóra
fora umum clainôr
clamor apavorado,
apavorado, um um pregão
pregão
temeroso, anunciando
temeroso, anunciando oo proximo
próximo despovoamento
despovoamento dos dos
campos em
campos em beneficio
beneficio dasdas cidades.
cidades.
Antes "desta
Antes "desta guerra
guerra monstruosa,
monstruosa, aa conflagração
conflagração maismais
intensa e extensa de quantos se têem
intensa e extensa de quantos se têem dado no mundo dado no mundo
pelo menos
pelo menos até até onde
onde chegam
chegam .os.os nossos
nossos conhecimentos
conhecimentos
históricos, oo problema
históricos, problema do do excesso
excesso de de urbanismo
urbanismo vinhavinha
preocupando muito
préocupando muito tudos
todos osos que
que vêem
vêem ee sentem
sentem aa vida
vida
com inteligência.
com inteligência.
O urbanismo
O urbanismo exagerado,
exagerado, gritava-sc
gritava-sc de de todos
todos os os
lados, —eis
lados, —eis oo grande
grande perigo!
perigo!
Se aa cidade,
Se cidade, aa urbe
urbe continuar
continuar aa devorar
devorar oo homem
homem
chamando-o, atraindo-o,
chamando-o, atraindo-o, absolvendo-o,
absolvendo-o, na na insaciável
insaciável
96

ambição que a consome; os campos não terão, em cm


breve, braços que os cultivem nem corações que os
amem!
A humanidade morrerá de fome por não ter senão
terrenos maninhos onde não amadurece o pão nem
florescem os pomares.
O industrialismo chegará a um desenvolvimento
mecânico tão intenso que Max Nordon bradava num
arrojado paradoxo;
paradoxo: "O homem terá em breve chapéus
e vestidos quási de graça, mas precisará adquirir a peso
de oiro o pão para se alimentar.,,
Isto é: "toda a energia produtora se concentrará
nas industrias dos grandes centros urbanos e a terra
abandonada, voltará ao estado primitivo de quasi nula
produção util.,,
A guerra, pode dizer-se superficialmente, trouxe
uma modificação agravante a esta paradoxal profecia,
é que não barateando o pão antes pelo contrario, tor-
nando-o cada vez mais raro pela falta de braços que o
queiram cultivar, os chapéus e os vestido ■• deixaram
deixaram
de estar quási de graça...
Mas todas estas lamentações, estes pavores, são
sem duvida exagerados, porque na lógica da oferta e
da procura desde que a produção agrícola seja mais
compensadora do que a industrial, muitos a procurarão
espontaneamente. E não são inéditos, não são novos
estes factos, como afinal, coisa alguma o é, em abso-
luto, na Terra. Razão tinha na sua desconsolada frase
o Eclisiastes, filho de David, Rei de Jerusalem,
Jerusalém, o sábio
Salomão, que conheceu, como todos os que têem a
máxima de viver
hiper-sensação intelectual, a tristeza maxima
demasiadamente pelo cerebro
cérebro : — Nada ha novo sob o
Sol! — E é a verdade ! A vida é só uma, os factos re-
petem-sc, se idênticas são as circustancias... Mas
estas é que se modificam com o evolucionar progres-
sivo da humanidade.
Assim nos
nós temos alguma c^oisacoisa de novo, alguma
coisa de mais belo do que as jóias fabulosas do rei
asiático e as suas tendas magnificentes, os seus ele-
fantes, as suas escravas, e até a sua poesia pessimista!...
s
✓o

07

Temos
Temos uni um ideal
ideal superior
superior dos dos nossos
nossos jkveres
jteveres so- so-
ciais para com o resto da Humanidade.
ciais para com o resto da Humanidade. E temos um E temos um
íacto com
tacto com que que nono seuseu tempo
tempo mal mal sese podia
podia contar:
contar: aa
Sciencia
Sciencia que que tem tem transformado
transformado oo n^undo, nyjndo, ee faz (az
brotar
brotar risos risos ee cantos,
cantos, oo bem, bem, aa alegria
alegria ee aa fartura,
fartura,
onde nessa
onde nessa arredada
arredada época época só só havia
havia lagrimas
lagrimas oc deses-deses-
peros ee resignação.
peros resignação.
Sim,
Sim, os os problemas
problemas sociais sociais apresentam-se
apresentam-se da da mesma
mesma
forma, desde
forma, desde que que se se dãodão factos
factos mais
mais ou ou menos
menos seme-seme-
lhantes:—o que
lhantes:—o que difere
difere éé oo remedio
remédio que que hoje,
hoje, mais
mais do do
que nunca, está
que nunca, está nana nossa
nossa mão,mão, emquajito
emquajito que que nesses
nesses
tempos era
tempos era embrionário
embrionário ee metafísico.!
metafísico.}
Tem sido
Tem sido enorme,
enorme, tem tem sido
sido uma
uma upopeia
epopeia homérica,
homérica,
que
que nosnos fazfaz curvar
curvar respeitosos,
respeitosos, ee ao ao mesmo
mesmo tempo tempo nos nos
orgulha, o pensar na luta grandiosa
orgulha, o pensar na luta grandiosa que a Humanidade que a Humanidade
vem travando,
vem travando, atravez atravez das das idades,
idades, contra
contra todas todas as as
forças
forças hostishostis da da impassível
impassível Natureza,
Natureza, com com aa únicaúnica
iorça
iorça da da suasua inteligência,
inteligência, que que aa leva
leva quási
quási dominada,
dominada,
senão vencida!
Ao contemplar oo ser
\o contemplar ser civilizado
civilizado ee culto,
culto, queque domi-
domi-
nou
nou os os terrores
terrores da da alma
alma embrionária
embrionária de de seus
seus avós,
avós,
levantou aa cabeça
levantou cabeça para para oo céu,céu, num
num desafio
desafio sublime,
sublime,
aperfeiçoou ee alindou
aperfeiçoou alindou aa própria
própria obra
obra da da Natureza;
Natureza; nós nós
devemos
devemos sentir sentir um um reconhecimento
reconhecimento sem sem limites
limites por por
esses primitivos
esses primitivos seres, seres, que que formaram
formaram oo primeiro
primeiro élo 61o
asceucional da
asceucional da cadeia,
cadeia, de de queque nósnós nao não sòmos
somos aindaainda
oo último!
último! Assim,Assim, desde desde que que uma uma civilização
civilização atinge
atinge oo
seu
seu maior e mais belo desenvolvimento, tr-da aa preo-
maior e mais belo desenvolvimento, toda preo-
cupação do
cupação do homem
homem éé exteriorisar
exteriorisar aa sua sua felicidade
felicidade ee oo
seu legitimo orgulho
seu legitimo orgulho de de criador
criador de de maravilhas.
maravilhas.
A história da habitação,
A história da habitação, que tem vindo que tem vindo aa acompa-
acompa-
nhar oo desenvolvimento
nhar desenvolvimento das das sociedades
sociedades com com uma uma fide-
fide-
lidade que
lidade que nosnos mostra
mostra como como num num livro
livro dede queque sese vol-
vol-
tem
tem as as páginas,
páginas, os os factos
factos que que comprovam
comprovam aa sequencia
sequencia
lógica-da
lógica evolução humana;
da evolução humana; da-nosdá-nos bem bem clara
claraacerk/a
a certe/a
do que
do que afirmamos!
afirmamos! O O homem
homem 110 no seu estado primitivo
SL-U estado primitivo
eontenta-se
contenta-se para para aa suasua vida
vida rudimentar,
rudimentar, somente
somente pre-a presa
às necessidades
às necessidades mais mais vulgare
vulgares, duma duma materialidade
materialidade
animal, com
animal, com aa caverna
caverna que que aa Natureza
Natureza cavou cavou nn. ss
rochas,'
rochas, ou ou nasnas montanhas
montanhas abruptas,
abruptas, com com oo ramo ramo da da
QP^

arvore voltado em forma de abiigo,abrigo, com a tapera de


quatro estacas ligadas 110 no tòpo,
topo, coberta de colmo ou
sapé. Sigamos essa evolução progressiva, desde a casa
lacustre que já denota um grande esforço dc de inteligên-
cia, como meio de defesa, e um grande trabalho de
construção, se pensarmos como eram fracos os meios
de que dispunham esses arquitectos primitivos, até aos
dc
mais famosos e brincados palacios
palácios da Renascença e
aos mais espantosos modelos da moderna construção
em ferro c aço, que lançam para o céu o altivo desa-
fio que fez condenar outrora os ambiciosos constru-
tores dessa Babel, de cujas dimensões hoje se ririam,
desrespeitosamente, os mais modestos cabouqueiros.
Seguindo a historia da habitação humana através
dos séculos, vemos como o homem se agrupa persis-
tentemente, se aperta em pequenos recintos, despre-
sando a largueza mats mais bela e mais higiénica dos cam-
pos que o rodeiam.
Isto quere dizer, que o ser humano é 11111 um animal
sociável... embora às vezes o não pareça. Mas tam-
bém quere dizer que é uma criatura absolutamente
inteligente, porque é esse mesmo o seu característico,
e extremamente egoista.
Como é sociável agrupa-se em pequenos núcleos,
constroi
constrói as suas habitações muito próximas, inicia a
urbs futura no logar, que crescendo, passará a ser a
aldeia 011
ou a vila, e depois a cidade, mais 011 ou menos
desenvolvida, conforme as circunstancias e a posição
geográfica.
Como cé inteligente desde que se sente forte pela agre-
miação de vontades, que multiplicam até ao infinito as
suas forças, só pensa em melhorar o meio ambiente,
em tornar mais cómoda e mais agradável a casa em
que lhe é grato sentir-se o dono.
1:
M porque é egoista, 110no seu proprio
próprio interesse tra-
balha, trabalhando pela felicidade dos outros.
O móbil de todas as acções humanas é o egoísmo,
condição natural de todo o ser vivo, que consciente
ou inconscientemente, apenas na existência procura
c tem em vista, um fim: —a felicidade! Por uma falsa
gy

ee descabida
descabida vergonha
vergonha tem-se tem-se feitofeito cafr
cafr sobre
sobre esta
esta ver-
ver-
dade incontestável
dade incontestável aa mais mais ahsurda
absurda hipocrisia.
hipocrisia.
Todos nós
Todos nós somos
somos egoístas
egoístas ee só só raros
raros dentre
dentre nós nós
teem aa coragem
tc.em coragem bastantebastante de de oo confessar,
confessar, chamando
chamando
sobre si
sobre si osos protestos
protestos ee as as indignações
indignações de de quem,
quem, no no
fundo, o» éé tanto
fundo, tanto ou ou mais
mais do do queque esses
esses queque oo pro- pro-
clamam.
As mais
As mais belas
belas acções,
acções, como como as as.mais abjectas e-e-
. mais abjectas
vergonhosas, proveetu
vergonhosas, provêem da da mesma
mesma origem origem psíquica,
psíquica,
como da
como da mesma
mesma terra terra se se alimentam
alimentam as as arvores
arvores que que,
vergam ao
vergam ao peso
peso do do fruto,
fruto, com
com que que saciam
saciam aa fomefome da da
pobre viandante,
pobre viandante, cc os os cipós
cipós espinhosos
espinhosos que que rastejam
rastejam
pelo chão
pelo chão ee lhe lhe rasgam
rasgam os os pés pés doridos
doridos do do caminho.
caminho.
Não disfarcemos
Não disfarcemos com com palavras,
palavras,. maismais ou ou menos
menos
bonitas, um
bonitas, um facto
facto que que todos,
todos, os os que
que de de boaboa fé fé na.
na
própria alma
propria alma procuram
procuram os os porquês
porquês da da vida,
vida, encontram
encontram
sem dificuldade.
sem dificuldade.
fj por
fi' por egoísmo
egoismo que que nosnos sacrificamos
sacrificamos pelospelos nossos
nossos
amigos, pela
amigos, pela satisfação
satisfação que que nos nos causa
causa aa suasua alegria,
alegria, <l.1
sua felicidade
sua felicidade ;; como como cc por por egoísmo
egoismo que que muitos
muitos tor- tor-
turam tudo
turam tudo ee todostodos para para lhes
lhes impor
impor aa suasua noção
noção de de
felicidade. Tão
felicidade. Tão egoísta
egoísta éé oo que que só só pensa
pensa na na satisfação
satisfação
dos próprios
dos próprios prazeres,
prazeres, como como aqueleaquele que que se se sacrifica
sacrifica
pelos outros,
pelos outros, gosando
gosando intensamente
intensamente com com oo bem bem que que
por suas
por suas mãosmãos espalha.
espalha.
I:' egoísta
I:' egoísta oo medico medico que que se se esconde
esconde parapara nãonão ver ver
sofrer, numa
sofrer, numa impotência
impotência dolorosa,dolorosa, oo doente doente que que não não
pode salvar;
pode salvar; como
como éé egoístaegoísta aquele
aquele queque até
até aoao ultimo
ultimo:
instante procura
instante procura vencer vencer aa mortemorte ee gosagosa cumcom as as espc
espc;
ranças cc com
ranças com oo reconhecimento
reconhecimento do do moribundo,
moribundo, que que
já só
já só nele
nele temtem fé. fé.
I:' egoísta
ti' egoista oo que que esconde
esconde nas nas mãos
mãos avaras
avaras oo oiro oiro
que éé aa sua
que sua única
única alegria,
alegria, comocomo éé egoísta
egoista oo prod"go
pródigo
que oo espalha
que espalha sem sem conta
conta parapara satisfação^
satisfação da da sua
sua louca
louca
fantasia, dos
fantasia dos seus
seus vicios
vícios ee dasdas suas
suas paixões.
paixões.
li' egoísta
ti' egoista oo que que pratica
pratica oo mal, mal, como
como éé egoísta
egoista oo
que pratica
que pratica oo bem;bem; oo que que prega
prega aa bondade
bondade ee oo desinte-
desinte-
resse, como
resse, como oo que que faz faz cair
cair sobre
sobre oo seu seu semelhate
semelliate oo
férreo peso
férreo peso da da maldade.
maldade.
E' egoísta
E' egoista oo que que propagandeia
propagandeia os os mais
mais altos
altos ideais;
ideais;
100
11)0

o filosotp,
filosofo, oo santo,
santo, oo poeta;
poeta; comocomo da da mesma
mesma formaforma oo
éc oo mais mais indiferente
indiferente ou ou oo mais
mais despresível,
despresível, oo mais mais
infimo semeador de mentiras.
Porque todos,todos, convençamo-nos
convençamo-nos disso, disso, apenas
apenas nos nos
seus
seus actosactos procuram
procuram aa satisfação
satisfação de de umum desejo
desejo proprio,
próprio,
todos buscambuscam oo goso goso intimo,
intimo, aa felicidade
felicidade enfim!
enfim!
Não contrariando detcitos,
Não contrariando defeitos, que que são,
são, afinal,
afinal, qualida-
qualida-
des inerentes
inerentes ãá condição
condição humana,
humana, não não sese deve
deve espa-
espa-
lhar
lhar uma uma falsa
falsa moral
moral baseada
baseada na na mentira
mentira ee no no absurdo
absurdo
mas educareducar oo ser ser humano
humano de de forma
forma aa queque aa sua
sua felici-
felici-
dade consista
consista em em criar
criar aa alegria
alegria ee oo bembem dosdos outros.
outros.
Não
Não sc se lhe
lhe dê
de uma
uma falsa
faisa noção
noção da da existência
existência ee das das
necessidades da da vida,
vida, tazendo-o
fazendo-o crer crer que
que oo seu
seu alhea-
alhea-
mento,
mento, oo seu seu desinteresse
desinteresse podem podem trazer-lhc
trazer-lhe aa ventura
ventura
ambicionada.
Não! Convençamo-lo de
Não! Convençamo-lo de que
que tem
tem oo dever
dever de de serser
feliz ne*te
neste mundo
mundo ee contribuir
contribuir com com aa parcela
parcela minima
minima
da sua sua felicidade
felicidade parapara aa soma soma total
total dodo bem
bem estar
estar ee
da alegria
alegria colectiva.
colectiva.
Façamos com que a alegria de cada mu, um, o seu
triunfo, a sua satisfação, tenham por base o bem-estar, a
alegria, a satistação
satisfação alheia.
Não preguemos aa tristeza
Não preguemos tristeza de de viver,
viver, masmas aa sua sua
beleza criadora.
Não acatemos
acatemos os os queque nos nos pregam
pregam oo desprezo
desprezo da da
felicidade terrena,
terrena, porque
porque ela ela existe
existe de de facto
facto nana tran-
tran-
quilidade
quilidade das das consciências
consciências que que podem
podem encontrar
encontrar aa natu-
natu-
ral satisfação do
ral satistação do seu
seu egoísmo,
egoisino, espalhando
espalhando aa alegria
alegria cc oo
bem
bem estar estar porpor todos
todos os os que
que os os cercam.
cercam.
tE sendo
sendo oo homem,
homem, como como vimos,
vimos, um um ser
ser fundamen-
fundamen-
talmente inteligente
inteligente ee egoísta,
egoísta, criou
criou para
para seuseu bem
bem aa
sociabilidade,
sociabilidade. Frisa-o rrisa-o bem o povo na sua filosofia
instintiva:—"Só
instintiva: — "Só se se veja
veja quemquem só só sese deseja!,,
deseja!,,
Ora aa sociabilidade
sociabilidade humana humana desenvolve
desenvolve as as faculda-
faculda-
des
des da da inteligência
inteligência ee converte
converte em em virtudes
virtudes os os proprios
próprios
defeitos. Porque, se
defeitos. Porque, se esse
esse pobre
pobre serser tão
tão desprovido
desprovido de de
meios
meios de de defesa
defesa naturais,
naturais, procura
procura oo seuseu semelhante
semelhante ee
aa ele
ele se se liga,
liga, aoao principio
principio sob sob aa fornia
fornia primitiva
primitiva de de
clan
clan ou ou tribus,
tribus, ee emem sucessivos
sucessivos estádios
estádios chega
chega àà com-com-
plicada associação de
plicada associação de interesses,
interesses, que que são
são as
as sociedades
sociedades
101

civiiisadas, esse acto espontâneo, que tão pouco con-


diz na aparência superficial, com o seu egoísmo náto,
nato,
é no fundo a sua mais concludente prova.
Sendo a inteligência o seu predicado inais
mais caracte-
rístico, o homem mais cedo reconheceu a sua impo-
tência de ser isolado perante as forças esmagantes da
Natureza que o envolve.
Contra as féras
feras munidas de garras e de prõsas,
presas, tem
apenas dois pobres braços, que embora musculosos,
não podem medir a sua força com a dos outros ani-
mais; contra o frio que enregela ou o calor causti-
cante, a sua pele, ainda que endurecida e curtida pelo
tempo, é bem frágil abrigo; para vencer na carreira
os outros animais tem apenas duas pernas e dois pés,
que por um milagre de equilíbrio o sustentam e o
inovem; para alimento não encontrará à mão mais do
que frutos, alguns bem altos, a desafiar-lhe a impotente
cubica,
cubiça, visto não ser feito para trepador nem ter asas
para voar... Isolado o homem é o inais mais infeliz dos
seres, o mais inferior e o mais exposto aos perigos.
Mas por isso que tem, como nenhuma outra espe- espé-
cie, o instinto da conservação, porque é inteligente e
porque é egoista, procura o seu semelhante 110 no tácito
acordo de mutua protecção.
Como é fácil de reconhecer este facto vendo com .
que presteza, e sem necessidade de serem obrigados,
os membros de qualquer agremiação, ou seja família,
classe ou país, perante o inimigo comum, esquecem
desavenças internas e se levantam irmanados no
mesmo pensamento de defesa, que é um sentimento
egoista, embora sagrado!
Constatamos pois, que o primeiro movimento hu-
mano para a sociabilidade é forçado pela instintiva
necessidade de defesa, e assim, quando era mais dificil
essa defesa pelos fracos meios de que dispunha para
o combate, vemo-lo cavar fossos e fazer estacarias
para proteger o arraial ou agrupamento como mais
tarde emuralhar-se nas cidades, apertá-las 110 no menor
espaço possível acavalando as casas, mal alinhando as
estreitas ruelas, porque assim o exigia a defesa.
102
ID2

•• Depois,
Depois, procura
procura oo seir seu seinelliaiite
semelhante pela pela necessidade
necessidade
intelectual
intelectual do do convívio,
convívio, que que sese desenvolve
desenvolve tanto tanto mais
mais
quanto mais
quanto mais cresce
cresce em em civilisaçâo.
civilisação.
A convivência
A convivência nem nem sempre
sempre quere quere dizer
dizer afecto;
afecto; às às
vezes nem
vezes nem significa
significa simpatia,
simpatia, mas mas éé sempre
sempre aa necessi-
necessi-
dade de
dade de.trocar impressões, de
.trocar impressões, de cambiar
cambiar conhecimentos,
conhecimentos,
de permutar
de permutar oo riso riso que
que se se comunica,
comunica, aa alegria
alegria que
que se ^e
torna mais
torna mais intensa,
intensa, as as lágrimas
lágrimas que que menos
menos custam
custam aa
chorar quando
chorar quando em em comum
comum sentidas.
sentidas.
E' bem
E' bem natural,
natural, portanto,
portanto, que oo homem
que homem procure
procure
sempre--de preferencia
stmprc preferencia aa habitação
habitação na na cidade.
cidade.
E' mesmo
E' mesmo um um facto
facto taltal nutural,
nutural, tãotão constatado
constatado por por
todas as
todas as civilisações,
civilisações, que que historicamente
historicamente conhecemos,
conhecemos,
que chega
que chega aa surpreender
surpreender oo brado brado de de estranheza
estranheza ee de de
.pânico
.pânico que que corre
corre dc de boca
boca em em boca
boca sobre
sobre oo perigo
perigo do do
uirbanismo exagerado
uirbanismo exagerado ee do do despovoamento
despovoamento dos dos cam-
cam-
pos ein
pos em benefício
benefício das das cidades...
cidades...
■ Eoi assim
Foi assim na linda
na linda Orecia Gréciaondeonde em balde
em balde o cida-o cida-
dão, oo simpático
dão, simpático professor,
professor, oo filosofo
filosofo de de clara
clara ee justa
justa
doutrina que
doutrina que era
era Plutarco,
Plutarco, chamava
chamava os os seus
seus patrícios
patrícios
ao viver
ao viver simples
simples dos dos campos,
campos, descrevia-lhes
descrevia-lhes as as vanta-
vanta-
gens da
•gens da vida
vida rural,
rural, ee clamava
clamava contra
contra aa existência
existência inteu-
inteu-
.sificada das
•sificada das cidades,
cidades, que que despovoavam
despovoavam as as províncias
província*
fazendo com
fazendo com que que faltassem
faltassem os os braços
braços parapara oo cultivo
cultivo
do pão e do vinho!
As suas
As suas lições
lições escutadas
escutadas com com respeito
respeito não não conse-
conse-
guiam desviar
guiam desviar aa corrente
corrente emigratoria
emigratoria que que jájá se
se fazia
fazia
■então, não
■então, não sõ sõ para
para cidades
cidades da da propria
própria Orecia,
Grécia, ifiasriias
para aa capital
para capital do do Império
Império essa essa RomaRoma avassaladora
avassaladora ee
magnifica.
Foi assim no soberbo domínio romano, onde era
tomado como
tomado como castigo,
castigo, sacrifício
sacrifício que que merecia
merecia oo su- su-
premo premio de ser chamado à capital, o ler um em-
prego, embora rendoso, nalgum recanto do vasto
Império.
E devemos
E devemos compreender
compreender que que assim
assim fosse,
fosse, poispois
seria uma
seria uma verdadeira
verdadeira prova prova de de coragem
coragem oo sair sair da da
super-civilização da
super-civilização da cidade
cidade eterna,
eterna, com coní osos seus
seus palá-
palá-
cios de mármore, floridos e perfumados, onde as tape-
çarias ee as
çarias as purpuras
purpuras de de Mileto
Mileto vedavam
vedavam recantos
recantos mais mais
103

íntimos; Rõma Rõina com os seus banquetes em que se be-


biam
biam os os preciosos
preciosos vinhos
vinhos de de topasico l:alerno, comendo
topasico Falçrno, comendo
os
os maismais raros
raros acepipes,
acepipes, as as mais
mais delicadas
delicadas trutas, frutas, que
que
de
detôdotodo oo mundo
mundo erameram enviados
enviados àà mesa mesa dos dos patrícios,
patrícios,
dos desfrutadores de
dos desfrutadores de todas
todas as as riquezas
riquezas da da terra
terra ;; aban-
aban-
donar
donar essa essa Roma-Augusta,
Roma-Augusta, com com os os seus
seus teatros
teatros em em
que
que se se exibiam
exibiam os os mais
mais afamados
afamados artistas artistas da da arte
arte
grega;
grega; as as suas
suas termas
termas magnificas,
magnificas, lugar lugar de de reunião
reunião da da
sociedade
sociedade culta; culta; asas suas
suas mulheres
mulheres lindamente
lindamente despidas despidas
com
com os os transparentes
transparentes ee finíssimos
finíssimos tecidostecidos de de Cós,
Cós,
cobertas de jóias, perfumadas e pintadas como ídolos; Ídolos;
as salas de
as salas de contcrcncias
conferencias onde onde os os mais
mais conceituados
conceituados
filósofos
íilosofos ee professores
professores iam iam dizer
dizer aa um um publico
publico curioso
curioso
as suas lições,
as suas lições, ee recitar
recitar asas suas
suas poesias
poesias os os maismais que-
que-
ridos poetas; deixar
ridos poetas; deixar aa Roma
Roma com com os os circos
circos ee os os seus
seus
espectáculos formidáveis, ultrapassando os limites da
nossa fantasia, roçando
nossa fantasia, roçando entre
entre aa extrema
extrema civilização,
civilização, ee
aa barbarie
barbárie feroz.;
feroz.; seria
seria na
na verdade
verdade oo maior maior dos dos sacri-
sacri-
fícios!... ' . .
Roma
Roma com com oo seuseu fausto
fausto ainda
ainda não não tornado
tornado aa atingiratingir
nas modernas civilizações,
nas modernas civilizações, devia
devia chamar
chamar aa si, si, atrafr,
atrafr,
sugar, sugestionar oo mundo
sugar, sugestionar mundo de de então,
então, que que entrava
entrava
como corrente caudalosa
como corrente caudalosa pelas pelas portas
portas escancaradas
escancaradas aa
da cidade do Tibre.
Comparando,
Comparando, então, então, oo que
que eraera aa formosa
formosa capital capital dodo
Império, com o que devia ser o resto
Império, com o que devia ser o resto do mundo, quási do mundo, quási
todo mergulhado ainda
todo mergulhado ainda na na mais
mais obscura
obscura treva, treva, deve-
deve-
mos confessar que
mos confessar que aa coragem
coragem não não devia
devia ser ser pequena
pequena
phra deixar de
pãra deixar de boa
boa mente
mente aa amávelamável ee fácil fácil vida
vida da da
cidade
cidade da da luz
luz ee do do amor
amor pelapela intolerável
intolerável intriga intriga da da
triste Judeia, aa barbaria
triste Judeia, barbaria da da Galia,
Gália, aa rudeza rudeza nor- nor-
manda, a dureza aspeta aspeca da Lusitânia...
F.m vão pregava
Fm vão pregava oo desiludido
desiludido Cincinato
Cincinato regressando
regressando
àà terra
terra ee rasgando-a
rasgando-a com com oo arado,
arado, 110 no seu
seu louvado,
louvado, mas mas
não seguido exemplo!...
não seguido exemplo!...
Debalde
Debalde o o velho
velho Catão,
Catão, oo Censor,
Censor, escrevia
escrevia oo seu seu
curioso trabalho sobre
curioso trabalho sobre aa agricultura
agricultura ee pregava pregava com com
energia contra oo luxo
energia contra luxo desenfreado
desenfreado da da urbs
urbs romana!.
romana!.
Voltar
Voltar àà terra,
terra, àà existência
existência simples
simples ee dura dura do do agri-
agri-
cultor primitivo... só
cultor primitivo... só por
por castigo,
castigo, só só por
por obrigação
obrigação
104

de escravos sem vontade, nem luzeiro de esperança,


que entremostrasse o prazer da vida.
Por mais literariamente agradáveis que tossem
fossem as
"Oeorgicas"
"Georgicas" e as "Bucólicas,, dos poetas, era preferível
lê-las estirado num comodo
cómodo triclinium k hora calma do
dia, quando os panos de seda trazidos do Oriente
pelos mascates de Tyro temperavam suavemente a luz
intensa do sol da Italia.
Itália.
No entanto, quando, pela torça
força das circunstancias,
esses filhos duma civilização tão brilhante eram coa-
gidos a acompanhar o vôo audaz da sua aguia águia triunfal,
batendo as possantes asas por todo o mundo então
conhecido, tinham o supremo bom senso de completar
a conquista férrea e violenta das armas, apossando-se
dos espíritos vencidos pela doce beleza da Arte, que
em nome da civilisação superior que representavam,
espalhavam generosamente.
Viver em Roma era o ideal de todo o romano,
como ser cidadão romano a ambição de todo o con-
quistado pelo génio latino. Mas quando se tornava im-
possível a residência na capital, cada romano se jul-
gava no dever de transportar para esses novos domí-
nios um pouco do conforto que fazia o supremo
encanto da sua querida cidade.
Cada lugar de mais demorada residência desse
grande povo, é uma documentação palpável das suas
poderosas faculdades civilizadoras. Em qualquer insi-
gnificante cidade de que hoje se ponha a descoberto
graças
gra is ao trabalho e ao sacrifício persistente e desin-,
terçado
ter- sado dosdo* sábios arqueólogos, a minaria coberta
pelo pó dos sccuios,
séculos, não deixamos de encontrar os
alicerces dumas termas, colunas truncadas, torsos de
estatuas, baixos relevos e mosaicos, como fragmentos
de loiças e vidros vindos de Roma, jóias e objectos
vários que denotam hábitos de civilização requintada,
não excedidos talvez ainda 11a
na civilização moderna, mas
tão sómente
somente postos pela industria mais ao alcance de
todos.
Onde chegava o romano tenaz e hábil, brotava a
civilização como um benéfico efeito da sua actividade.
lôi
lôó

Os povos mais barbaros


bárbaros eram assim conquistados
pela inteligência, quando tantas vezes seriam dificil-
mente vencidos pela força.
Ainda hoje, 110 no nosso proprio
próprio país, podemos vei-
em pequenas cidades de província, como por exem-
plo Évora, as ruínas do templo votado a Jupiter
Júpiter se-
gundo uns, a Diana segundo a mais corrente tradição,
erguendo as suas coluras jónicas duma pureza de linhas
que impressionam.
O templo romano era logar votado aos deuses,
mas era também ponto de reunião e lugar dos espe-
ctáculos sugestivos e cultuais.
Não só as termas e os templos se erguiam na sua
brancura marmórea e linda, como se construíam aque-
dutos e se realisavaiu
realisavam trabalhos importantes para a
agricultura, como por exemplo as albufeiras,—grandes
reservatórios para as aguas pluviais e que ainda hoje
não conseguimos refazer! —e as estradas que cruzavam
cru/avam
o império e eram um dos seus maiores dispêndios. O
romano sabia que sem vias de comunicação não pode
existir progresso e não se poupava a sacrifícios para
cruzar de estradas as terras onde pousava o seu pé
dominador. O seu primeiro cuidado de conquistador
era encetar a construção dessas magnificas calçadas
de que ainda os povos se servem e dessas solidas e
pitorescas pontes até hoje inabaláveis e que ainda em
muitos sitios se conservam altivamente em serviço
activo.
O romano dispendia como uin um pródigo sublime os
benefícios da sua inteligência e cultura, impunha os
seus hábitos de conforto, civilizando pela força do seu
espirito os mais rudes inimigos.
Por isso o sen domínio foi poderoso, tão forte
que o podemos dizer eterno, visto ter sobrevivido ;'t
própria
propria morte material.
Ha centenas de séculos que o colosso romano se
dissolveu, pulverisando-se diante da força brutal das
armas barbaras, roído pelo descontentamento e pelo
cios infelizes que 110
protesto dos no seu seio abrigava; mas
o domínio moral chegou até nós, porque as nossas
106
10Ó

modernas civilizações são


modernas civilizações sito aâ sequencia
sequencia lógica lógica do do poder
poder
da
da sua sua inteligência
inteligência avassaladora.
avassaladora.
Pois
Pois bem: bem: apesar
apesar de de nos
nos separarem
separarem tantos tantos séculos,
séculos,
devemos
devemos adaptar adaptar aos aos males
males da da nossa
nossa épocaépoca os os remé-
remé-
dios
dios ee aa praticapratica daquele
daquele grande
grande povo, povo, que que tinlia
tinha encon-
encon-
trado
trado o o verdadeiro
verdadeiro sentidosentido da da civilisação
civilisação ee que que setn
sem oo
triunfo
triunfo dos dos barbaros
bárbaros aa teria teria levado
levado aa cabo. cabo.
De
De queque serve
serve clamar
clamar contra
contra oo urbanismo
urbanismo ee pregar pregar
oo regresso
regresso àà terra terra sese aa prática
prática nos nos demonstra
demonstra que que nas
nas
circunstancias
circunstancias em em que que nosnos encontramos
encontramos dentro dentro das das
sociedades
sociedades modernas, modernas, aa vida vida só só éé tolerável
tolerável nas nas gran-
gran-
des
des ee civilizadas
civilizadas cidades?!
cidades?!
Com
Com que que direito
direito vamosvamos nós nós imporimpor aa uma unia parte
parte
dos
dos nossosnossos irmãos
irmãos aa vida vida obscura,
obscura, aa vida vida motiotona,
monótona,
aa vida
vida desoladora
desoladora ee cheia cheia de de privações,
privações, (embora (embora oo
dinheiro
dinheiro não não falte,)
falte,) que
que oo campo
campo faculta?
faculta?
Como podemos nós,
Como podemos nós, que
que temos
temos aa electricidade
electricidade às às
nossas
nossas ordens,ordens, obrigá-los
obrigá-los aa que que se se satisfaçam
satisfaçam com com aa
candeia
candeia de de azeite,
azeite, ou ou mesmo,
mesmo, oo já já antiquado
antiquado candieiro
candieiro
de petroleo?
petróleo?
Nós,
Nós, que que temos
temos oo espectáculo,
espectáculo, oo concerto,concerto, as as espo-
espo-
sições artísticas, as
sições artísticas, as escolas,
escolas, oo convívio
convívio social, social, aa confe-
confe-
rencia literária 011
rencia literária ou scientifica,
scientifica, as as bibliotécas,
bibliotecas, as as salas
salas
de leitura, oo correio
de leitura, correio diário,
diário, oo jornal,
jornal, oo telegrafo
telegrafo oo
carro eléctrico àà disposição,
carro eléctrico disposição, que que temos
temos oo ventilador
ventilador cc
oo gelo
gelo parapara abrandar
abrandar os os calores
calores do do estio,
estio, ee osos calorí-
calorí-
ficos
ficos parapara temperar
temperar os os rigores
rigores do do inverno:
inverno: temos temos oo
pão fresco aa cada
pão fresco cada refeição,
refeição, oo peixepeixe de de todas
todas as as quali-
quali-
dades,
dades, aa carne,
carne, as as frutas,
frutas, asas flores...
flores... tudotudo enfim,
enfim, quanto
quanto
representa
representa o o conforto
conforto da da civilização,
civilização, trazido trazido diaria-
diaria-
mente
mente às às nossas
nossas habitações,
habitações, que que nos nos esforçamos
esforçamos por por
tornar
tornar cada cada vez vez mais
mais agradáveis;
agradáveis; que que autoridade
autoridade po- po-
demos
demos ter ter para
para dizer
dizer ao ao nosso
nosso semelhante:
semelhante: — —vai para
vai para
oo campo,
campo, isola-te,
isola-te, sacrifica-te,
sacrifica-te, embrutece-te
embrutece-te mas mas tra-
tra-
balha essa terra
balha essa terra ingrata
ingrata ee má, má, queque sem sem oo teu teu sacrifício
sacrifício
me privará descaroavelmente
me privara descaroavelmente do do pãopão alvo
alvo para
para aa minha
minha
mesa
mesa ee do do oiro
oiro necessário
necessário para para oo meu meu gôso?!
gôso?!
EE para
para compensação
compensação desse desse sacrticio
sacrifício exigido,
exigido, oo que que
faz
faz oo citadino?
citadino? Opbre Cpbre de de ridículo
ridículo oo habitantehabitante dos dos
campos
campos que que éó no no teatro
teatro aa figura
figura tosca tosca com com que que se se
107
U)1

Europn,
simbolisa o lôrpa, o pacóvio, tanto na velha Europa
como na joven América...
Se é o pobre, o trabalhador humilde e ignaro, que
vem ao povoado com a desconfiança natural de quem
lhe não conhece senão os enganos, é o saloio, o cam-
póuio que faz rir os alfenins da cidade.
Sc é rico, é o fazendeiro, o lavrador, que adulam
somente para lhe arrancarem das algibeiras fornecidas
o oiro ambicionado.
A mais insignificante costureira das cidades olha
com
coin ironia a pobre menina que se sente acanhada
fora dum meio que lhe dizem inferior, embora se
conheça mais ajuizada e mais instruída de que as suas
criticas.
O provinciano é sempre aos olhos do habitante da
cidade, um exótico necessário, para que ele possa con-
tinuar a sua existência mais fácil e agradável.
Ha
lia alguma justiça, ha alguma razão, ha alguma
verdade ou compreensão da psicologia humana em
tal procedimento, que contrasta com as catilinarias que
os moralistas pregam contra as cidades, donde são os
primeiros a não quererem sair?
Isto não cé razoavel
razoável nem lógico, pois o que é bom
para uns ha de fatalmente sê-lo para os outros, aliás a
justiça será uma palavra sem sentido.
Não falseemos a Natureza, não contrariemos a scien-
cia não—vamos de encontro aos seus preceitos sagrados!
A Natureza tez
fez todo o sêr providencialmcnte egoísta
porque sem este instinto nenhum entraria na luta
pela vida, de que resulta a natural selecção.
A siencia indica-nos o caminho por onde devemos
seguir para chegar ao nosso fim de felicidade colectiva
sem de forma alguma usar da violência,- que irrita e
não convence.
A'força,
A'força como escravos sem vontade... nem para
o céu a maior parte da gente desejaria ser levado.
Convicto, de bôa vontade, não ha inferno que não
pareça um paraíso. Como sempre, na filosofia natural
do povo encontramos razões que apoiam os nossos
acertos, pois lá diz nos seus aforismos; "O que é de
ioâ
108

gosto regala a vida,, "Quem corre por gosto não


cança,,.
Portanto, todos aqueles que tenham a verdadeira
sciencia de dirigir os povos, não decretarão medidas
violentas para obrigar o regresso à terra e criar amor
à agricultura!
Não! Isso seria contraproducente.
O que cé preciso é criar o prazer de viver no campo,
é criar a alegria da vida rural, dar-lhe bem estar, con-
forto e convívio.
A urbanitc
urbanite aguda, de que fatalmente sofrem todas
as sociedades num momento dado do seu desenvolvi-
mento material, combate-se pela educação, que hoje os
povos mais ponderados preferem que se faça no uo campo
ou nos pequenos meios urbanos, oò mais possível em cm
contacto com a Natureza, de que os moços e as moças
se tornarão verdadeiro amigos embora dela os afaste a
corrente da vida. De facto, pôr a mocidade em conta-
cto com a Terra, a boa mãe criadora, fazendo-lhe nas-
cer o gosto pelos prazeres simples e fortes do campo,
é o melhor meio de tornar cada vez menos perigoso o
urbanismo exagerado. Se juntarmos a esse gosto pela
vida em pleno ar, o cultivo da inteligência que cria
um
uni inundo novo de prazeres delicados e gostos supe-
riores, formamos auto-educação, que é a verdadeira
libertação do individuo.
No entanto, os governos, que em todo o mundo
tanto se estão preocupando com os perigos do urba-
nismo, são quási sempre os que mais o favorecem
com a ccntralisaçao
centralisação exagerada de todos os poderes,
gosos c estudos nas grandes capitais.
Causas do urbanismo

Vimos como o urbanismo é um fenómeno social


que tem preocupado o homem em todas as civilisações
quo se intensificam nuin
num grande excesso dc de cultura c
numa grande exigência dc de bem-estar.
O povo, atraído pela vida de intensidade nervosa
que as cidades de si irradiam, como fócos
focos de luz que
atraem e matam as incautas borboletas nocturnas,
foge dos campos Ie do seu trabalho persistente e mo-
nótono correndo para as cidades, sem ordem nem cui-
notono
dado, perdendo nesse voluntário êxodo qualidades
adquiridas em séculos de vida enraizada e forte, em
contacto com a terra. Assim se descaracteriza por
completo.
São, de facto, elementos activos, que por essa
perda de contacto com a terra perdem a sua força e
se cxgotam
exgotam na acção imediata, ajudando apenas à
grande fermentação racial que vai influir na civilização
em conjunto.
Como já tivemos ocasião de ver, estudando o urba-
nismo c a atracção invencível de Roma na civilização
latina, as grandes cidades foram sempre o laboratório
onde o povo dum país realisa a sua acção externa,
iócos, por assim dizer, de nacionalismo a exteriorisar-
se
sc e a gastar-se num desdobramento de energia que
traz o enfraquecimento dessas próprias cidades que a
no
no

preparam, quando as energias do povo se concentram


demasiadamente na acção exterior.
Lisboa, por exemplo, foi sempre o meio concentra-
dor das energias do povo português para a sua acção
externa, tanto mais violenta quanto se exercia sobre
um núcleo pequeno de seres humanos.
Foi
Foi assim
assim 110
no período
período das
das descobertas
descobertas ee da
da grande
grande
colonização portuguesa e é assim ainda hoje, em que
aa vida
vida da
da (Capital
apitai se
se intensifica
intensifica ee erradia
erradia uma
uma força
força
expansiva que a tornam uma das grandes capitais do
mundo, cabeça formidável duma Nação a estender-se
ainda em posse directa por quatro partes do globo e
aa reflectir-sc
reffectir-sc nas
nas suas
suas grandes
grandes colonias
colónias dc
de emigrantes
emigrantes nana
América.
A função das cidades é absolutamente diversa da
função dos campos, não se podendo exagerar a conde-
nação das primeiras pois que são centros irradiadores
de civilização, nos velhos como nos países novos.
E' evidente que o seu desenvolvimento em ex-
cesso é um perigo se não tiver a contrabalançar-lhe
aa acção
acção uma
uma grande
grande actividade
actividade productiva
produetiva nos
nos campos,
campos,
Pois
pois que a terra éo único reservatório dar-lhe força que
alimenta sem fadiga a humanidade e que uma vez
estancada faria regressar à barbaria, pela fome e pelo
c
desespero, as civilisações inais
mais requintadas.
A
A guerra
guerra veio
veio praticamente
praticamente demonstrar
demonstrar esta
esta ver-
ver-
dade e foi ela 11111 um dos factores mais seguros da propa-
ganda pelo regresso à terra, pois na ansia ânsia do sofri-
mento e da morte a humanidade tocou-a de perto e
com ela reviveu para o trabalho e para a esperança
como o Anteu Antcu da tabula.
fabula.
Sob o ponto de vista da moral, é o urbanismo,
também, um grande perigo, como querem dizer alguns
apostolos,
apóstolos, que descrevem as cidades com as tintas
carregadas com que a Biblia nos mostra a velha Go-
morra a arder pelos seus pecados sem perdão, pin-
tando a vida campestie
campestre com as tintas dôces
doces das buço-
liças
Ucas arcadicas?!... Não se pode, em boa verdade,
concordar com uma nem com a outra opinião, porque
ambas são exageradas e... já o diziam os espertos

111
Ill

latinos: no no meiomeio termo


termo éé que que está está aa sabedoria...„
sabedoria.. .„
A edcnica
A édemea inocência
inocência campesina
campesina éé tão tão lendária
lendária ee tão tão
falsa
falsa como
como os os lindos
lindos contos
contos dc de fadas,
fadas, queque tanto
tanto nos nos
divertem...
divertem.. . mas não nos convencem.
As pastorinhas
As pastorinhas ingénuas
ingénuas como como aa Grisélia
Grisélia da da lindís-
lindís-
sima
sima lenda
lenda medieval,
medieval, que que àà forca
força de de inocência
inocência ee de de
bondade consegue
bondade consegue vencer vencer as as traças
traças ee malas-artes
inalas-artes do do
próprio diabo... são
proprio diabo... são motivos
motivos poéticos
poéticos que que nemnem já já
sequer nos
sequer nos comovem.
comovem. For For mais
mais que que queiramos
queiramos ver ver oo
campo, pelos
campo, pelos quadrinhos
quadrinhos adoráveis
adoráveis de de Watcau
Watcau ee as as
poesias maviosas
maviosas de de queque aa "Marília,,
'Marília,, éé um um tão
tão adorá-
adorá-
vel especimen,
vel espécimen, nós nós nãonão podemos
podemos tomar tomar aa serio
serio aa ino-
ino-
cência dos
cência dos campos.
campos. O O ser
ser humano
humano cc sempre sempre oo mesmo mesmo
animal dc de instintos
instintos barbaros,
bárbaros, que que só só aa Educação,
Educação
ainda mais
ainda mais dodo que que aa Instrução,
Instrução, pode pode domar
domar ee discipli-
discipli-
nar.
nar. Ora
Ora aa incultura,
incultura, oo abandono,
abandono, aa promiscuidade
promiscuidade cc
misci
miséria ia em
em que que vivevive aa pobre
pobre gentegente do do campo,
campo, não não
lhes da
lhes da aso
aso aa compreenderem
compreenderem preceitos preceitos ee noçõesnoções abs- abs-
tracts
tratas de de moral,
moral, que que osos povos
povos civilisados
civilisados vão, vão mais
mais ou ou
menos
menos similarmente, codificando sob o nome de
similarmente, codificando sob o nome de reli-
reli-
gião ou filosofia.
Sc alguma
Sc alguma têem, têem, éé filha
filha dodo proprio
próprio instinto,
instinto queque aa
maior
maior parte
parte das
das vezes
vezes briga
briga escandalosamente
escandalosamente com com as as
convenções das das sociedades
sociedades mais mais avançadas.
avançadas.
Afirmam os
Afirmam os apologistas
apologistas da da inocência
inocência campesina,
campesin.i,
que
que nos nos grandes
grandes centroscentros urbanos
urbanos aa imoralidade
imoralidade éé'
maior
maior porque
porque oo individuo
individuo mais mais facilmente
facilmente se se furta
furta aos
aos
comentários de visinhos e conhecidos, mas é também
necessário concordar
neccssáiio concordar que que ha ha factos
factos naturalissimos
naturalissimos
entre
entre os povos do campo que na cidade
os povos do campo que na cidade seriain
seriam verbe-
verbe-
íados como
rados como impudicos.
impudicos. Será Será inocência
inocência nuns nuns cc hipo-
hipo-
crisia nos
crisia nos outros?
outros? Pode Pode ser.ser. Mas
Mas áá luz luz dum
dum critério
critério
justo
justo ee despido
despido de de preconceitos,
preconceitos, tuna uma sociedade
sociedade só só
pode considerai-se
considerar-se moralisada quando é composta por
indivíduos, que sabendo
vidtios, que sabendo oo que que éé oo bem bem ee oo mal,mal semsem
constrangimento, ou receio da policia de costumes,
praticam o
praticam o bem
bem ee respeitam
respeitam aa justiça,
justiça, esteja
esteja ouou nãonão
esteja prevista
esteja prevista nos nos codigos,
códigos, porque
porque acima acima de de todas
todas as as
•us teem
leis teem aa suasua consciência,
consciência, que que lheslhes indica
indica oo verda-
verda-
deiro caminho.
deiro caminho. EstamosEstamos ainda ainda muito
muito longelonge de de atingir
atingir
112

este ideal, é certo! Mas para o conseguirmos não po-


demos deixar o homem abandonado ãà sua incultura e
primitivismo, porque as mais-altas e mais belas noções
de moral não estão inatas no coração humano, mas
somente se alcançam após séculos de civilização e
cultura, quando o espirito se eleva acima de todos os
mesquinhos interesses materiais e pode construir as
mais formosas teorias filosóficas.
E sob o ponto de vista da saúde
saude fisica, é a vida dos
campos superior à das cidades? Se levarmos para os
campos rigorosos preceitos de higiene, é evidente que
éc muito superior à vida febril, e por demais densa,
dos ineios
meios urbanos. Mas se no campo o homem viver
em pocilgas abjectas e na promiscuidade com os ani-
mais domésticos, se beber agua dos charcos, se não
conhecer o uso dos banhos, sc se não afastar para longe
se viver em contacto directo com a terra
os despejos, sc
cheia de micróbios das piores doenças, é mais que
certo que todo o cortejo de infecções, de que uma
rigorosa higiene mais ou menos preserva as cidades,
o não pouparão, apesar das vantagens do ar que res-
pira. A prova está na vida miserável e triste do pobre
e indefeso camponês de algumas afastadas regiões que
nesta hora adeantada da civilização, ainda continua
mergulhado na mais densa treva da ignorância! Ve-
mo-lo errar pelos campos impotente para os cultivar
desprovido dos meios de combate que a sciencia
põe nas nossas mãos, abatido pelo desanimo, vergado
pelo impaludismo, tremulo de febre, louco de terrores
e preconceitos, que só a ignorância mantém!
Vemos os seus pobres filhos morrendo como flo-
res sem viço, ou disformes, feios, entristecidos e
esquivos, como animais do mato, os que conseguem
escapar à morte! Pela ignorância e deseducação c um
pobre no meio de um tesouro; é um doente no meio
da saúde
saude e da força; é um triste no meio da Natureza
em festa! E' um escravo porque não sabe libertasse
libertar-se
pelo trabalho inteligente, pela previdência, pela econo-
mia bem orientada, que não é de modo algum a mi-
séria, o desconforto, a privação,
113
1B

O ser liumaiiu,
Oser humano, para se elevar moralmente e estimar
t respeitar a vida, necessita da Arte que enobrece a
existência, da alegria, do amor e do conforto!
A saúde
saude moral não se mantém muitas vezes no
habitante do campo porque a monotonia e a tristeza
dum viver sem compensações espirituais o mergulha
num invensivcl tédio, que lhe desorganisa o sistema
nervoso apresentando tantos exemplos de histeria ec
neurastenia, que a sciencia medica comprova.
Conhecendo bem de perto a vida da província em
Portugal, c mnum pouco a do interior do Brasil, especial-
elevadas—porque a vivemos e por-
mente a das classes elevadas—porquea
que nunca deixamos de a sentir atravez das confiden-
cias de amigas que contamos por todo o país, amigas
desconhecidas muitas, mis mas amigas, sem duvida, bem
certas, porque representam corações reconhecidos pela
campanha que de ha muito vimos fazendo pela eleva-
ção social e moral do nosso sexo—podemos bem dizer
o que é a vida triste das senhoras, que residem nas
provindas c nas colonias
colónias portuguesas.
A vida das altas classes rurais teve em Portugal,
como ainda hoje a mantém a Inglaterra—o único país,
talvez, que conseguiu fugir à pulverização territorial —
um brilho e- um encanto excepcional.
província em Portugal e do inte-
Houve terras de provinda
rior do Brasil, que se poderiam considerar umas peque-
nas cortes cheias de fausto, de elegância e de cultura.
Vila Rica foi aqui um explendido exemplo nos tempos
coloniais.
A extinção dos vínculos (medida aliás justíssima
porque nada mais injusto do que os privilégios here-
ditários) e a dos conventos de ordens contemplativas
— opulentos morgadios colectivos onde se abrigavam
todos os que não podiam, fóra,fora, manter o lugar que
os seus nomes impunham,—pulverisaram, por assim
dizer, os grandes domínios rurais e imprimiram à vida
provinciana uma nova orientação.
O povo deixou de ser o servo adstricto áà gleba e
ponde aspirar a tudo porque a tudo se pode chegar
na concorrência social em que alguns factores princi-
S
14
114

pais actuam, como


pais actuam, como aa inteligência,
inteligência, oo trabalho
trabalho ee oo
dinheiro.
dinheiro. Assim Assim oo queque ainda
ainda ontem
ontem era era oo senhor
senhor in-in-
contestado,
contestado, fossem fossem quais
quais fossem
fossem as as suas
suas qualidades,
qualidades,
não comprendeiiu que
não comprendt que oo terreno
terreno lhe lhe faltava
faltava debaixo
debaixo
dos
dos pés pés ee nãonão soube
soube adaptar-se
adaptu-se às às novas
novas formulas
formulas ee
ideais
ideais da da sociedade.
sociedade. O Daí
aí oo desiqiii
destquilibrio
librio da da vida
vida d<de
que principalmente veem
que principalmente vêem aa sofrer
sofrer asas mulheres,
mulheres, que que nana
sua qualidade de
sua qualidade de elementos
elementos sociais
sociais passivos
passivos mal mal se
se
podem defender dum
podem defender dum mal mal queque nao
não provocaram,
provocaram. hin- Km-
quanto
quanto o o homem
homem se se escapou
escapou pelapeli frequência
frequência das das esco-
esco-
las, pelo funcionalismo,
las, pelo funcionalismo, pela pela carreira
carreira militar
militar ee ate
até pela
pela
sacerdotal,
sacerdotal, aa uma uma existência
existência estagnada
estagnada ee inútilinútil po'rque
porque
lhe faltava oo safcer
lhe faltava saber ee oo amor
amor àà terra
terra para
para lhe
lhe irir pedir
pedir
aa força
força criadora
criadora ee triunfante
triunfante da da fortuna,
fortuna, que que aspera-
aspera-
mente guarda, aa mulher
mente guarda, mulher começou
começou aa viverviver intermináveis
intermináveis
ee inúteis
imiteis dias
dias de
de proiundissimo
proiundissimo tédio, tédio, apertada
apertada entre
entre
preconceitos e falsas noções de moral convencional,
tendo
tendo umauma única
única ee longínqua
longínqua esperança
esperança 110 no horisonte:
horisonte:
o problemático casamento!
Casamento tanto mais mai* difícil, quanto na- nas províncias
de Portugal estão
de Portugal estão ainda,
ainda, de de certo
certo modomodo vivazes
vivazes as a>
antigas ideias de
antigas ideias de casta
casta ee uma
uma senhora
senhora ele de família
família aris-
aris-
tocrática não casa, senão num esforço de ele rebelião ou
ile ambição, com
ile ambição, com pessoas
pessoas que que não
não são são do do seu
seu meio.
meio.

Uma vez,
Uma vez, era
era por
por umauma dessas
dessas incomparáveis
incomparáveis ma- ma-
nhãs translúcidas ee formosas
nhãs translúcidas formosas das das primaveras
primaveras em em
Portugal. Dir-se-hia
Portugal. Dir-se-hia que
que oo solsol vinha
vinha mais
mais límpido
límpido ee
mais tépido
mais tépido duma
duma longa
longa tnvessia
tnvessia através
através dodo espaço.
espaço.
O azul
O azul lavado
lavado ee intenso
intenso dava-nos
dava-nos aa sensação
sensação embria-
embria-
gante
gante ee felizieliz de
de vivermos
vivermos num num mundo
mundo muito
muito novo,
novo,
sem poeiras
sem poeiras ee semsem tristezas.
tristezas. I1'oda
oda aa passarada
passarada cantava
cantava
aa sua
sua alegria
alegria de de viver
viver ee os os campos
cnnpos lavado-
lavados pelas
pelas
ultimas chuvas, oireciam e nevavam-se das ilores flores sin-
gelas dos
gelas dos prados
prados ee das
das flores
flores prometedoras
prometedoras das das arvo-
arvo-
res, ,.
res, ,. Visitávamos
Visitávamos de de surpresa
surpresa uma
uma família
íamilia amiga,
amiga, que
que
m
m

residii tradicionalmente mim desses solares armoria-


do'-, que se encontram dispersos, e já muitos cm ruí-
nas, por todos os recantos de Portugal. Eram cinco as
jovens senhoras que se consumiam de aborrecimento
num viver duma monotonia esmagante, adentro daque-
las paredes do velho e lavrado granito.
Apesar da excitação e da alegria causadas por esse
belo passeio matinal através dos campos, que estreme-
ciam de seiva criadora e cantavam a alegria triunfante
da vida não era possível deixar de esfriar o nosso en-
tusiasmo ao chegar às onze horas ao velho solar e en-
contrarmos a família ainda mal acordada para a labuta
do dia. Apenas o pai tinha saído de manhã a vigiar as
obras num muro que as ultimas chuvas tinham arrui-
nado e a mãe dava aasi ordens para o almoço.
As meninas, quando o sol já muito alto ia jaelo pelo
céu azul descrevendo a sua magnifica derrota, esjsa- espa-
lhando a vida, a luz e o calor, com os vidros e as
Ihaudo
persianas das janelas bem calafetadas, os cortinados
ix-rsianas
bem corridos, as portas bem cerradas, dormiam ainda
um sono agitado e mau. Acordavam depois empalide-
cidas, com dóresdores de cabeça, anemicas,
anemicis, sofrendo dos
nervos e do estômago, de mil queixas que as inuti- iniiti-
lisavam.
Escancarando as janelas, e fazendo entrar o sol cria-
preguntava-lhes surpresa: — Mas que ideia é esta
dor |)reguntava-lhes
de dormirem no campo até esta hora?!
- Pois o que queres que se faça durante estes
dias sem fim fim?!
?!
- Passear, criar saúde, beber o ar puro da manhã...
— Passear?!... Eartas de terras cavadas estamos
uns! Quanto menos tempo estivermos acordadas me-
litis!
nos as vemos, menos nos aborrecemos. ..
—- De modo que vocês, dormem
dormem... ...
— Para matar o tempo!...
Ei;.
Eis a triste verdade, infelizmente ! — que ainda
hoje se be nota em muitas ce muitas casas relativamente
abastadas das províncias portuguesas, onde a mulher
não é educada para o seu verdadeiro papei papel de diri-
gente social, que já mesmo desempenhou cm tempos
If)
11f)

idos. Porque a antiga senhora portuguesa, tanto 11a


na me-
trópole como nas colónias, era o verdadeiro eixo quo que
fazia girar toda a vida complexa da família provin-
ciana.
Não tinha tempo de se aborrecer, porque muitís-
simas vezes nem sequer tinha cm casa para dirigir os
trabalhos agrícolas, o marido, o pai, os irmãos, cuja
vida mais dispersiva os levava para os campos san-
grentos da guerra para as navegações, para as conquis-
tas, para a colonização de todos esses mundos, que
dia a dia lhes iam surgindo debaixo dos pés. 1Habitua-
habitua-
dos depois a esse viver forte e áspero, ao voltarem ao
remanso do lar não os satisfazia a vida serena do
agricultor; procurando nas caçadas, nas pescarias c
nas grandes feiras barulhentas, excitação e distracção
que lhes faltavam.
A senhora, a dona da casa, que aliava, mais vezes
do que se supõe, a uma grande energia para o traba-
lho, um razoável cultivo literário, chamava a si o au-
xilio de todas as outras mulheres: filhas, parentes,
protegidas, que viviam na sua companhia, ec todas
juntas tinham bastante que girar e labutar para desem-
penhar o seu programa de trabalho.
Era necessário madrugar para dar ordens aos cria-
dos, distribuir os serviços, cuidar das sementeiras e
das colheitas.
Necessitava não desprezar o cultivo do linho, c
que era preciso trabalhar em casa desde a maceração
e a espadelagem até ao fiado e áà cora das meadas.
Depois, o proprio
próprio tecido que se fazia muitas vezes
sob a sua direcção e se convertia no*
nos lençóis bem al-
vos e nas toalhas enramalhetadas que iam abarrotar os
arcazes de madeira que vinham do Brasil, ou de couro
e pregarias, que os homens da família traziam da India
índia
e de Macau.
Todos
l odos os vestidos, por mais belos e preciosos que
fossem as peças de seda de que os talhavam, eram
feitos em família, como os enxovais e todas as roupas
de casa. Não contando ainda com as conservas e os
doces
dõces a fazer para a fartura das mesas ricas em toda a
117

roda do ano, que enchiam armários e dispensas, e tão


gabados e saboreados seriam nas grandes festas de
família.
A mulher era a verdadeira providencia da casa e
de todos os que a rodeavam.
Era ela que sabia receitas para todas as circuns-
tancias da vida ; que armazenava as boas hervas úteis;
que sabia preparar xaropes e cosimentos ; que tinha ã;i
mão os diversos chás, que a mediei a recomendava.
1: isto não ia fora da grande missão que através
dos scculos
séculos sempre á;í mulher foi confiada, pois tem-
pos de obscurantismo houve, em que a medicina, tão
elevada hoje, apenas se conservava na- nas frágeis mifys
mãos
femininas e era o segredo dessas pobres feiticeiras,
que tão cruelmente pagavam na fogueira a loucura de
serem mais úteis do que os seus semelhantes!. . .
lira ela, a mulher, a mãe de família
famiiia que visitava os
doentes, que sustentava as pobres parturientes, que
lhes baptisava os filhos e lhes dava os enxovais, que
cuidava das flores e olhava pelos findos íruetos e pelas se-
menteiras.
Depois, as senhoras das classes abastadas das pro-
víncias, tinham ainda as distracções
d^tracções das visitas conti-
nuadas c demoradas, porque a convivência era muito muilo
maior, tornada mais intima pela propriaprópria falta de comu-
nicação e de transportes.
Com o desenvolvimento industrial, com a desa-
mortização dos morgadios; com as transformações
sociais, enfim, a mulher foi a pouco a pouco deixando
os velhos hábitos e obrigações, sem que ninguém a fi-
zesse compreender que a sua missão não terminara,
antes se transformara, criando-ihe
eriando-lhe deveres mais eleva-
dos e mais tile
uteis,
is, social e moralmente falando.
Matar o tempo! IfV. o verdadeiro crime cometido
por muitas senhoras cujo de destino
'ino as leva para a vida
rural, sem que para isso ninguém as tivesse disposto e
preparado!
São existências perdidas, são forças inutilizadas,
são criaturas sacrificadas sem proveito.
proveito, Essas
líssas mulheres,
que deviam ser a grande força do progresso, apenas

teem como ideal íhgir,


tugir, seja como fór,
for, a essa vida que
as enerva c as irrita. É acaso teem culpa de serem tão
infelizes quanto infelizes fazem também os que as
cercam ?
De modo algum ! A culpa tem-na só quem as educa
superficialmente, quem lhes ensina prendas c bagatelas
que poderão servir-lhes na vida fútil duma sociedade
banal, mas que são um verdadeiro estorvo para uma
existência prática de agricultoras.
Regresso á Terra

O excesso tie cie urbanismo inanifesta-sc


nianitesta-sc na velha
Europa
i:\iropa pelo causasso cjne dá aa vitla
pêlo causasso que dá vkla 1111>not011a
monótona do* dos
campos em oposição ao nervosismo e àk ambição de
disfrntar os maiores benefícios ec gosos materiais, fenó-
meno que se manifesta sempre que no seu evolucio-
nai" contínuo a humanidade se encontra em período-,
nar
de civilização,
de civilizarão, que
que fatalmente
fatalmente provocam
provocam oo excesso
excesso do do
urbanismo, absorvendo e desiquilibrando a vida do
campo. . .
Vimos como nas velhas sociedades de Civilização civilização
intensa
intensa oo excesso
excesso de de urbanismo
urbanismo éé uma uma concentração
concentração
de
de forcas irradiantes, que provoca mecanicamente aa
loiças irradiantes, que provoca mecanicamente
expansão pela emigração.
Quando, porém,
porem, as energias dum povo se concen-
tram demasiadamente
tram demasiadamente na na vida
vida urbanaurbana ee numa
numa accao
acção
exterior desiquilibrante, torua-se necessário o regresso
kà terra
terra caída
caída cm
em abandono,
abandono, liste liste fenómeno
fenómeno podepode dar-se
dar-se
naturalmente, pela forca foiça das circunstancias prementes
ee imediatas
imediatas cc pode
pode ser ser conscientemente
conscientemente provocado,
provocado,
se a sua eclosão íôr fôr perigosamente demorada.
Hm Portugal está-se
liin Portugal está-se já já esboçando
esboçando um um salutai
salutar mo-
mo-
vimento de regresso ák terra provocado pela valoriza-
ção dos
ção dos sen>
seus produtos
produtos após após aa crise crise improdutiva
improdutiva da da
guerra
guerra ee pela
pela perturbação
perturbação irritadairritada que que oo elemento
elemento
operário está dando às grandes cidades.
120
120

Estes são os fenómenos naturais que devem ser


reforçados socialmente pela direcção inteligente dos
que tomam sobre si o difícil encargo de governar.
Acompanhando quanto possível os movimentos
naturaes que as circunstancias impõem às sociedades,
compete aos dirigentes dar-lhes consciência e finali-
dade. Sem isso todos ainda os melhor, idealisadcidealisados
tornam-se desconexos, improdutivos c irregulares.
Como tivemos ocasião de dizer a educação da
mulher é o primeiro passo a dar para se conseguir um
inteligente c perseverante movimento de regresso
à terra.
A mulher 6 a mãe de tamilki-,
familki-, ée o elemento estável
e enraízador, a mulher é, por assim dizer, a base tra-
dicional da raça.
Nas sociedades dispersivas c egoístas que se têem têeiu
acentuado desde o . século XIX, a mulher perdeu
muitas das suas qualidades tradicionais e não soube
ainda adquirir outras, compensadoras, que a elevem e
exaltem na família e, consequentemente, na sociedade.
A mulher 6,em
é,em geral, educada para os outros, para
agradar, para divertir, para ser entregue ao esposo
como um presente, o brinquedo dum momento, logo
posto de parte por já visto c conhecido. É tempo,
porem de se educar para si propria,
própria, em primeiro lu-
gar, depois para a sociedade, que tanto dela necessita.
th quando a mulher fôr considerada como um ser sêr
autónomo
autonomo e livre, terá de saber dirigir a sua casa,
como mandar cultivar as suas propriedades, como va-
lorisar os seus cabedais, como procurar o seu norte
sem auxilio de outra bússola alem do seu proprio próprio
critério.
A falsamente chamada questão feminista, que mais
não é senão uma parte da grande questão social que
tão mal compreendida e desvirtuada tem sido, é ape-
nas a aspiração da mulher para tomar o seu lugar, que
a pouco c pouco lhe foi roubado, nas sociedades
egoístas cm que a força subverteu o direito.
Hoje — felizmente! — todos os grandes espíritos
estão coninosco!
comnosco! Todos aqueles que lutámos e com ii,
121

çánios
çámos a apostolar no meio da indiferença de uns, da
má vontade de outros e da ironia de quàsi todos,
temos a consolação de ver as nossas palavras e as
nossas ideias, repetidas pelos homens mais representa-
tivos da sociedade. A mulher reclama, em toda a parte
do mundo, o direito de viver consigo propria própria e para
a sua propria
própria alma. E
ri quando a deixem, elacia saberá en-
cher com os seus proprios
próprios pensamentos a vida monó-
tona do campo. Encontrará nos seus livros e no tra-
útil e fecundo, as companhias mais úteis e que
balho util
melhor a podem divertir.
Muitos livros encontra hoje a mulher que a
orientem nos trabalhos e no viver util do campo: não
os falsos livros em que os filosofos
filósofos do século XVIII ec
princípios doXIXtaziam
do XIX faziam da vida campestre descrições
mentirosas, que na realidade era impossível encontrar,
criando assim aborrecimentos e desilusões; mas livros
verdadeiros e úteis que as ensinem a fazer da sua
casa o centro amável de todos os que as rodeiam, eotnocomo
a tirar o lucro de todas as coisas de que se pode fazer
uma
nina pequena industria.
Enbelezar, falseando a verdade, a vida eampezina é
prestar um mau serviço social. A mentira só serve
para criar desilusões e revoltas.
E' necessário que a mulher conheça o que a vida
rural tem de bom, pois como a vida das cidades,
ela tem coisas boas e coisas más. Para tudo lia com-
pensações, e em toda a parte podemos e devemos en-
contrar meio de tirar o maior partido de tudo o que
nos rodeia criando a felicidade propria
própria e com ela a de
todos sobre que possa exercera
exercer a sua beneíica
benéfica influencia.
Assim a mulher será no campo uma grande força
civilizadora, como indiscutivelmente o foi em tempos
idos.

Mas só por si a mulher não é bastante para solu-


cionar o problema assustador do êxodo para as
cidades.
Mi
ill

Um
Uin outro meio existe que ela bem compreenderá
e auxiliara
auxiliará proporcionalmente; um meio que está de
acordo com a ra/ãorazão e com a lógica, não contrariando
de modo alburnalgum as características a que me reteri referi
atraz, e que são as qualidades inerentes ao ser hu-
mano:— o egoísmo, a inteligência ce a sociabilidade.
Lste meio é6 levar para o campo todos os bene-
liste
fícios da civilizarão, é tornar aí a vida tanto, otr od mais,
agradável, socialisar- e aproxi-
agradavel, do que nas cidades; é socialism
mar não só as classes abastadas como todas as pobres pobre*
criaturas, que vivem esmagadas pelo trabalho da terra,
sem fac;a ter da vida uma
sein um conforto espiritual que as faca
ideia mais nobre.
Nesta ordem de ideias, temos, em primeiro logar
de enfrentar corajosamente o problema do ensino pri-
mário e da escola, encarando a professora rural não só
como a mestra de primeiras letras das crianças, mas
também como a guia e orientadora do povo e em espe-
cial, das mães.
A professora rural, que é a pobre creatura que
aceita como 11111
um castigo a sua colocação fóra
fora da cidade
só porque não teve bastantes empenhos para fazer
proteger a sua colocação urbana, deve desaparecer
liara
para dar lugar a uma entidade completamente diversa
tornando-se cônscia da grande missão que tem de
cumprir.
:
lbalando
alando dcSSte
deste modo do professorado rural penso
no meu país, mais do que no Brasil porque não julgo
conhecer suficientemente este país para avançar afirma-
ções categóricas neste sentido.
Pois a professora rural no meu país é a pobre
menina d*, de tamilia modesta e quasi sempre pouco culta
que sai da Kscola Normal com a vaidade académica
dos inferiores, julgando ter conquistado o direito áA
consideração admirativa do mundo, quando apenas
merece a sua expectativa sôhresobre o valor a provar em
obras reais.
Sem conhecimentos práticos nem uma forte com-
preensão da responsabilidade que vai tomar tomar- sobre «5 us
seus ombros, ela vai ser Ser atirada sem preparo algum
■JJ

para
para as as mais
mais estranhas
estranhas ec mais mais diversas
diversas regiões
regiões do do
pais.
Caída
Caída tuim tuim meio
meio bisonho
hisonlio ee desconfiado
desconfiado éé imediata-
imediata-
inenle
mente posta posta numa
mima situação
situarão em em queque sósó umauma grande
grande in- in-
teligência, uma grande prática da vida social ce um
grande
grande fundo fundo de de energia
energia moralmoral ee bondade
bondade pode pode salvá-la
salvá-la
da inveja de
da inveja de uns
uns ee da da hostilidade
hostilidade dos dos outros.
outros. As As
mulheres
mulheres olham-na olham-na com com inveja,
inveja, os os homens
homens procuram
procuram
conhecer
conhecer as as Vias
suas qualidades
qualidades para para avaliar
avaliar dasdas suas
suas fra-
fra-
quezas e a pobre —muito cheia da sua pequenina
bagagem scientífica-—ou
scientífica—ou se isola desconfiada, ou se
baualisa.
banalisa. tan Lm qualquer dos casos anda mal.
A' professora rural.como
A' professora rural.como éé recrutada
recrutada no no nosso
no^so país,
país,
falta
falta quariquasi tudotudo parapara serser umum elemento
elemento civilizador
civilizador no no
campo, desde a idade até aos
campo, desde a idade até aos conhecimentos neces- conhecimentos neces-
sários
sários para para preencher
preencher um um lugar
lugar queque devia
devia seiser umum ver-
ver-
dadeiro sacerdócio de
dadeiro sacerdócio de lições
lições ee orientação
orientação moral moral entre
entre
o povo rude de que vai educar os filhos filhos.
Para evitar este
l\ara evitar este malmal aa professora
professora rural rural deverá
deverá ser ser
de futuro colocada
de futuro colocada em em condições
condições tais tais dede defesa
defesa moral
moral
ee de
de aproveitamento,
aproveitamento, que que corresponda
corresponda em em absoluto
absoluto ás as
necessidades
necessidade*, que o momento social exige.
Partindo
Partindo do do princípio
princípio geralmente
geralmente aceite aceite de de que
que aa
vida
vida no no campo
campo é6 um um continuo
continuo sacrifício
sacrifício espiritual,
espiritual,
começaríamos por pagar esse sacrifício generosamente.
Assim
Assim aa professora
professora ruralrural gosaria,
gosaria, alem
alem das das vantagens
vantagens
duma
duma boa boa habitação
habitação ee respectivo
respectivo terreno
terreno hortícola,
liortícula.um um
ordenado
ordenado superior superior ao ao da da professora
professora urbanaurbana que que tem
tem
outros
outros meios meios de de auferir
auferir lucros
lucros alemalem dos dos profissionais
profissionais
com
com liçõeslições particulares
particulares ee outros outros empregos
empregos que que na.nas
horas vagas pode exercer, meios.exteriores
horas vagas pode exercer, meios.exteriores de cultura de cultura
ee distração
distração em em museus,
museus, bibliotecas
bibliotecas ee sociabilidade.
sociabilidade.
A professora rural
A professora rural éé uma
uma isolada
isolada intelectual
intelectual e, e, por-
por-
que não convém que o seja, é necessário
que não convém que o Seja, é necessário que se lhe dêem que se lhe dêem
meios materiais para
meios materiais para continuar
continuar aa sua sua instrução
instrução ee não não
ficar atrazada 110
ficar atrazada no meio
meio da da civilização
civilização para para fazer
fazer parte
parte
útil
util dada qu.il
qual tem
tem de de preparar
preparar os os seus
seus discípulos.
discípulos.
Mas
Mas comocomo aa instrução
instrução media,
media, geral
geral que que éé aa Lscoln
líscola
Normal, não
Normal, não pode
pode preparar
preparar uma uma mulher
mulher de de vinte
vinte ee
poucos anos para o desempenho duma tão grande
124

missão, à professora que pretenda ser aproveitada para


desempenhar o seu mister numa escola rural tem de
exigir-se-lhe alguns cursos de especialidades indispen-
sáveis a quem tem de viver no campo com a cons-
ciência da missão que está a desempenhar.
lisses cursos práticos de especialisação devem ser
todos aqueles que a tornem nina pessoa util útil 110
no meio
do ignorante, de que deve ser a guia g«iia e a providencia.
l.°—Um
1.°—Um curso de agricultura pratica e elementar
com o conhecimento de todas as pequenas industrias
agrícolas e suas dependente^
dependentes de modo a poder, não só
orientar como crear niicleos
núcleos de pequenas industrias
rurais, especialmente entregues às mulheres, como a
avicultura nas suas variadíssimas formas de industrial-
mente sc se explorar, a jardinagem, a horticultura, a
sericicultura,
sericicultura, o cultivo e exploração das frutas verdes,
secas e em conservas e tantas outras que repeti-las a
quem tão bem as conhece e enumera-las seria apenas
impertinência pedante.
2.° — Conhecimentos práticos de trabalhos manuais
sob o ponto de vista de industrias caseiras, regionais,
como as rendas, bordados, tecidos e muitos outros
trabalhos que industralisados
industralis;'dos podem tornar-se verda-
deiras fontes de riqueza familiar.
3.° — Curso de enfermagem sob um largo ponto de
vista geral e da higiene preventiva e profilática.
Assim preparada para bem desempenhar uma boa
parte da sua missão, a professora rural tem ainda de
ser bem dotada de equilíbrio moral e de saúde de
modo a poder ser uma boa mestra de civismo e dar
um
11111 salutar exemplo de dignidade nacional.
Um
U111 outro meio temos ainda de fazer canalizar para o
campo limitas
muitas energias, hoje desaproveitadas,
desaproveitadas,que ode
que é o de
fazer irradiar para fóra
fora das cidades os asilos e casas de
educação gratuita.
líin
lim geral os internatos são péssimos meios educa-
tivos, seja qual fôr a sua classe ou o seu preço, por-
que é na família que a criança deve ter o seu 1111 meio,
io
embora a cultura lhe seja dada em estabelecimentos
apropriados. Mas ha circunstancias especiais, que nos
12T

fazem aceitar o internato como um meio que se não


pode dispensar para a educação e instrução infantil e
assim o aproveitá-lo nas melhores condições nos
parece de boa orientação.
Os asilos existentes nas pequenas cidades do inte-
rior todos deveriam ser convertidos cm escolas agríco-
las e profissionais criando-se oiicinas das pequenas
industrias regionais conforme o meio em que estives-
sem localisados.
O asilo, a escola ou o colégio que criam pobres
seres deslocados do seu meio, sein sem utilidade nem fina-
lidade, são apenas laboratórios onde se preparam —
especialmente para as moças moças- os miseráveis destinos
que vemos tão frequentemente ostentar-se na socie-
dade, ofendendo o decoro das mulheres honestas e
fazendo recair sobre elas uma inferioridade moral de- de
que são as primeiras vitimas.
Um outro meio está sendo posto em pratica em
Portugal fortalecendo cada vez mais o amor á terra e
o enraizamento do seu povo, que é a protecção à ideia
do "Casal de Família,, do "Casal dos Órfãos da Guerra,,
"(,asal do Soldado,, que todos se resumem no
do "(Casal
intuito de dar uma iestabilidade
habilidade maior à família
rural.
O sistema da enfiteuse que tão explendidos resul-
tados tem dado sempre para o desbravar dos campos
maninhos está a ser contrariado em Portugal em
benefício do pequeno proprietário livre, com leis que
obrigam a remição dos fóros. foros, listas leis, porem não se
entendem ainda com paises países novos como o brasilBrasil onde
o regimen da pequena propriedade aforada terá de ser
iniciada em algumas regiões com as mesmas vantagens
tòcm mostrado ainda hoje, na charneca alentejana.
que tècm
Tudo quanto possa servir para chamar e fixar à
terra os elementos que o excesso de urbanismo depau-
tísica e moralmente, sem utilidade
pera e estraga, física
social ou racial é um caso que merece ser estudado e
devidamente protegido.
Nas sociedades novas, como o Brasil, as cidades
são, como também já vimos, centros absorventes de
12b
1 It)

energias externas, que necessitam de ser canalisados


com inteligência e disciplina.
Não êé só nos
no^ velhos países,
países cansados
cangados de civili&açã
civilizac.au,>,
como também nos países novos, que o excesso de urba-
nismo começa a tornar-sc
tornar-se perigoso, como uma concen-
tração cie
de força excessiva, que é necessário irradiar
par»
para os campos, evitando assim o congestionamento
da urbe e as correlativas dificuldades, motivadas pela
falta de trabalho, carestia da alimentação, falta de habi-
tações e outras, que criam o nervosismo irritado e
perigoso das multidões descontentes.
Sendo as cidades nos países novos de imigração
constante um como regulador da vida social, todo o
cuidado dos governantes deverá ser aqui 110 no Brasil,
como nos países similares, o canalizar essas correntes
imigratórias para a cultura intensa da terra para que
todas as suas energias vão convergir sobre a agricul-
tura e industrias a ela inerentes, pois que ene a terra,
tanto ou mais ainda do que na liuropa,Europa, necessita de
braços e de carinho dos que a vão arrancar ao seu
primitivo abandono.
O imigrante, homem do campo, nina vez desenrai-
zado do seu <^cu proprio
próprio torrão, dificilmente se prende a
outro que não seja aquele em que nasceu e a que o
ligam as primeiras, e mais intensas, impressões da
vida.
Tudo
Tuclo o choca e desorienta numa muna transplantação
que não seja bem vigiada e cuidada, pois a propria própria
fisionomia exterior da Natureza o irrita em oposição ás às
ideias aduuiridas
adquiridas desde a infância e que a sua falta de
instrução e cultura não deixam bem compreender.
O simples mudar de instrumentos de trabalho, a
diferença de estações, 0os1- costumes a propria própria
vegetação e produção diversa da que desde pequeno
conheceu, o isolamento forçado, tudo o faz. fugir
da vida rural nos países de imigração e dirigir-se áà
cidade onde encontra distracções e facilidades ime-
diatas, que o fazem sofrer menos o contraste com o
passado, sempre visto com olhos de carinhosa ternura,
por peor
pcor que tenha sido.
127

Ao português, por exemplo, tem-se


tein-se lançado muito
cm cara o sen seu desamor pela agricultura vindo cie éle
qiubi sempre de regiões fundamentalmente rurais.
quási
Mas que admira que cie, ele, o pequeno e simples
aldeão todo impregnado do bucolismo terno da sua
terra, em que cada árvore representa o trabalho de
próprio fumo elevando-se
muitas gerações, em que o proprio devando-se
das pequeninas chaminés brincadas do seu hr lar repre-
senta a tradição do seu próprio sangue em muitos
amor ligado à terra, se sinta hostilizado
séculos de amôr
por esta Natureza que o esmaga, que o entristece ce o
absorve ?!
• Emigrando
(imigrando quási sempre isolado, o português já
comercio a.i
desde os tempos coloniais que prefere o comércio
indústria e a indústria urbana à agricultura.
Mercanteando, servindo, sofrendo e gosandoa seu
modo, o português não compreende a terra para cul-
tivar senão aquela doce e linda terra de amores que
lhe fica na alma como um badalar de saudades num
crepusculo longínquo.
crepúsculo
Para que êle se prenda á terra de imigração — e
isto é mais o interesse do Brasil do que o de Portu-
gal — é necessário que se sinta proprietário, que se
conheça alguém com dominio e com direcção. Então
ele faz propriedades magnificas, funda cidades, é6
sim, êle
o grande agricultor que o Brasil ce os Estados
Listados Unidos
apreciam e aproveitam.
Para, até certo ponto, evitar o que é realmente um
mal para os países imigrantes, a concentração urbana
dos colono-.,
colonos, lorna-se
torna-se necessário que os dirigentes em
geral, e em especial os grandes proprietários agrícolas,
os fazendeiros, criem ao imigrante um ambiente
quanto possível simpático ao seu coração e ao seu
espírito pela semelhança de costumes que o liguem ao
da Pátria de oiigem nos eiementos étnicos que mais
convém aproveitar.
convcui
Sob o ponto de vista brasileiro, êsseesse elemento é,
sem dúvida nenhuma, o português, que revigorará
cada vez mais a vida lusitana, preparando os dois
povos irmãos para a grande acção conjunta do futuro.
128

Quanto mais
Quanto mais oo Brasil
Brasil mergulhar
mergulhar na na tradição
tradição portu-
portu-
guesa
guesa ee revigorar
revigorar os os velhos
velhos costumes
costumes dos dos verdadeiros
verdadeiros
fundadores da
fundadores da nacionalidade,
nacionalidade, chamando
chamando àà sua sua vida
vida
rural os
rural os valores
valores raciais
raciais que
que oo fortaleçam
fortaleçam etnicamente,
etnicamente,
mais
mais fácil fácil lhe
lhe será
será combater
combater oo urbanismo
urbanismo exagerado
exagerado
que éé um
que um perigo
perigo em em todatoda aa parte
parte ee mormente
mormente num num
país da
país da grandeza
grandeza deste,deste, que
que absorve
absorve os os rios
rios de
de sangue
sangue queque
paraêle
paraêle correm correm de de toda
toda aa parte
parte dodo mundo,
mundo, aumentando
aumentando
as suas
as suas cidades
cidades desporporcionalmente
desporporcionalmente aos aos campos
campos cuja cuja
riqueza está
riqueza está ainda
ainda mal mal explorada
explorada por por falta
falta de
de braços
braços cc
de corações
de corações que que amem
amem aa terra.
terra.
Vemos, pois,
Vêmos, pois, que
que oo regresso
regresso àà terra
terra cc uma
uma necessidade
necessidade
premente tanto
premente tanto nos nos velhos
velhos países
países tradicionais
tradicionais em em que
que
o homem
o homem se se sente
sente cansado
cansado de de por
por ela ela sese sacrificar,
sacrificar,
tomo nos
como nos paises
paises novos
novos onde
onde ainda
ainda se se não
não habituou
habituou aa
querer-llic.
querer-lhe.
C) problema
O problema está está posto
posto nestas
nestas condições
condições ee oo que que cé
necessário
necessário éé favorecerfavorecer por por todas
todas as as formas
formas oo regresso
regresso
;t;t terra,
terra, orientando-o
orientando-o com com critério
critério cc inteligência.
inteligência.
Para que
Para que isto
isto suceda
suceda sem sem violência
violência éé necessário
necessário
que
que as as populações
populações rurais rurais se
se tornem
tornem mais mais cultas
cultas dodo que
que
as da
as da cidade
cidade pois pois para
para oo serem
serem teem teem maismais tempo
tempo ee
menos distracção.
menos distracção. Que Que as as escolas
escolas se se multipliquem,
multipliquem,
que os
que os livros
livros sc se espalhem,
espalhem, que que cadacada núcleo
núcleo de de agri-
agri-
cultores tenha
cultores tenha aa sua sua associação,
associação, aa sua sua bibliotéca,
biblioteca, aa suasua
sala dc
sala de leitura,
leitura, ee enquanto
enquanto aa maioriamaioria fôr fôr analfabeta,
analfabeta,
lenha quem
tenha quem dia dia aa diadia ouou semana
semana aa semana,
semana, lheslhes leia
leia
tudo quanto
tudo quanto possa
possa interessar
interessar ee instruir,
instruir, ee lhes
lhes vá
vá também
também
contando os
contando os progressos
progressos que que aa Humanidade
Humanidade não não pára
pára
de realizar.
rt urgente
F urgente que que oo campo
campo se se torne
torne :: — —não
não o o desterro
desterro
mal sofrido
mal sofrido dos dos que que nãonão conseguem
conseguem empregar-se
empregar-se nas nas
cidades, mas
cidades, mas oo lugar lugar onde
onde melhor
melhor nos nos corre
corre aa
existência,
existência, mais mais docedoce ee mais
mais alegre
alegre aa vida vida sese apre-
apre-
senta.
Para isso
Para isso instituam-se
instituam-se as as grandes
grandes festasfestas rurais;
rurais;
conservem-se
conservem-se as as romarias,
romarias, que que sãosão osos restos
restos dosdos cul-
cul-
tos da
tos da Natureza
Natureza aos aos quais
quais oo nosso
nosso bom bom povo povo se se ape-
ape-
gou com
gou com tanta tanta inteligência
inteligência ee critério,
critério, queque séculos
séculos
de fanatismo
de fanatismo miàtico
mistico não não conseguiu
conseguiu destrui-las.
destrui-las.
129
129

Conscrvem-sc as tradições do passado mas, a par


delas, vão-sc criando novos ideais e novos símbolos,
cm harmonia
h.irmonia com a moderna filosofia espiritual e
coin.os
comos novos interesses da civilizarão.
civilização.
As festas educativas, como por exemplo a da
Arvore, dê-se o verdadeiro significada espiritual e por
assim dizer, religioso, mão
não se consentindo que delas se
faça um brinquedo para ignorantes, que chegam por
vezes ao cumulo de arrancar e incendiar velhas arvo-
res sagradas, num dia, para 110no outro fingirem de civi-
lizados, organizando uma festa para plantar vergonteas
que mal poderão chegar ao que as outras foram.
E
í: não só é necessário que a festa da Arvore entre
11a
na consciência nacional; é preciso também criar as festas
encantadoras da Ave, dos Renovos, das Flores e das
Colheitas e com elas chamar ao campo os citadinos,
ansiosos de ar e liberdade, criando assim no mutuo
convívio a troca de simpatias que a todos una no
mesmo desejo de bem estar c de progresso.
Ao cinematógrafo pode dar-se um destino útil apro-
veitando-o
vcitaiido-o para educar c distrair as populações cam-
pesinas que por meio dele podem aprender os melho-
res cultivos, conhecer os maquinismos mais aperfei-
çoados e mais novos, as indústrias mais rendosas,
mostraudo-lhe os lugares onde mais exploradas são.
Esta ideia é tão
tcão lógica que ainda há dias encontrei
num jornal do Rio a seguinte noticia;
noticia:

Ensino Agrícola por moio


meio do cinomalografo
cinemalografo

Paris, 10- "0 gabinete francês aprovou a adopção


10—"O
do si tema de ensino agrícola, nas herdades do país,
sistema
por meio do cinematógrafo. Deste modo, será desti-
nada uma verba anual de 500 mil francos para a com-
pra de aparelhos cinematográficos, destinados às
escolas agrícolas ec a todos os centros onde possa ser
permitido aos agricultores assistir às exibições do
cinema, com demonstrações dos métodos sciêntificos
9
130
'130

empregados nos diversos ramos da agricultura. O


dinheiro para esse fim será o da arrecadação da per-
centagem sobre os resuhados
resultados do sistema de apostas
nas corridas, autorizado pelo governo.,,
Por esse meio conhecerão as vantagens da Asso*
ciação e o resultado da economia e da previdência
dos seguros, efabulando-se, para que o compreendam
melhor, historias simples em que o operário por meio
das sociedades pode tornar-sc o senhor da sua casinha
e do seu campo, rodeada de flores ílôres e de frutos, ter os
seus animais, viver alegre e satisfeito, e contar na
velhice com o seu pecúlio, que o livrará da horrível
contingência das doenças ec da mendicidade.
Pelo animatografo podem conhecer os perigos da
falta de higiene e aprender os seus preceitos mais
intuitivos, os efeitos perniciosos do terrível alcoolismo,
do fumo, do ópio, do jogo e doutros vícios que inferio-
risam o homem.
Assim como poderão conhecer a história do seu
semelhante através das idades c o seu imenso esforço,
ó
o seu inenarrável trabalho dia a dia, hora a hora suado
para a libertação pela sciencia
scien.cia que uos
nos dá o progresso,
Podem dar-se-lhe por este meio noções gerais,
embora simples, da botânica e sua aplicação e utili-
dade, de zoologia, de mineralogia e de geografia,
ec outras, para que não desconheça completamente este
pequenino globo, que é a nossa habitação que o
homem, á custa da sua inteligência e trabalho, consegue
cada vez mais tornar agradável e lindo.
w\ par disso será necessário mostrar-lhe a arte sob

todas as suas mais delicadas formas para que conheça
e respeite a obra humana, distraindo-o com as obras
literárias mais célebres c não esquecendo também as
tradições do tempo passado. Enfim, é necessário que
o homem do campo entre definitivamente na civilisa-
çâo,
ção, de que é um elemento imprescindível, fazendo-o
aprender pelos olhos o que só pelo ouvido dificil-
mente se aprende, sem um grande preparo intelectual.
Masque esses cinematógrafos sejam factores educa-
tivos e civilizadores,' utilizando-os para distrair e
131

também para instruir e não mercancia de industria-


lismo feroz, que sem consciência nem pudor estão
a perverter e a estupidificar mais a sociedade, ainda
tão inferior oe tão baixa, ra sua grande maioria.
O cinematógrafo tem um grande papel a representar
na educação futura, mas será preciso que não seja uma
exploração, mas um meio educativo como já é na
Bélgica,
v
onde quási todas as escolas dele se utilizaram
para complemento do ensino falado.
para'complemento
As representações apropriadas são duma capital
importância, porque o teatro c a forma inais mais sugestiva
da Arte; mas a arte séria e honesta tendo como base
a sciencia, que é a libertadora do homem, a dispensa-
dora de todas as graças, a semeadora de todas as
venturas.
A sciencia! Eu creio nela firmemente; e porque
nela creio é que desejo a sua vulgarisação e aplicação
imediata querendo que a mulher a conheça e utilize
para seu bem e para felicidade das gerações futuras-
A sciencia está chamando a mulher de todo o
mundo a um alto destino!
A mulher, a tradicional amiga da agricultura, deve
estar pronta a atender ao apelo, mas estudando e
conhecendo bem o seu proprio próprio valor, compreendendo
a missão que o destino lhe reserva e o que a socie-
dade lhe vem pedir!
Que saiba
saiba oo qne
que aa terra
terra lhe
lhe deve
deve nono passado
passado parapara
que mais
mais aa ameame nono futuro
futuro compensador,
compensador, ee chamechame aa
esse fecundo amor o coração do homem seu compa-
nheiro.
A sciencia
sciencia aplicada
aplicada às às industrias,
industrias, aa queque ela
ela já
já deve
deve
a simplificação
simplificação dos dos seus
seus trabalhos
trabalhos caseiros,
caseiros, seja
seja nono
futuro, aa sua
sua guia
guia segura
segura cc aa sua
sua mestra
mestra beinbem amada.
amada.
Para aa mulher,
mulher, como
como para
para oo homem,
homem, não não pode,
pode, nãonão
deve haver limites
deve haver limites na
na instrução.
instrução. EE as
as populações
populações rurais,
rurais,
tanto ouou mais
mais ainda
ainda dede que
que asas urbanas,
urbanas, necessitam
necessitam ser ser
instruídas
instruídas ee educadas
educadas dc de modo
modo aa bem
bem compreenderem
compreenderem
o papel
papel importante
importante que que aa civilização
civilização lhes
lhes exige
exige pois
pois aa
instrução
instrução temtem dede ser
ser um
um bem
bem geral;
geral; ee cada
cada um
um que
que vá vá
até onde intelectualmente poder chegar.
132

A Humanidade é una, ec o sacrifício duma das


suas partes só redunda 110 no mal comum.
A sciencia não é, nem pode continuar a ser, o
património de um sexo, nem duma classe, porque ela
é a grande mestra comum, a grande libertadora da
humanidade colectiva.
Que nós todos, e principalmente as mulheres,
acreditemos nela ec lhe sigamos as verdades, e todos
os perigos, até o tão proclamado do urbanismo, desapa-
recerão ent
em breve! Tornando o campo agradavcl agradável
somente viverá na promiscuidade, 110 no barulho, na febre
citadina, quem de todo não puder ter um lindo recanto
de paisagem, onde se abrigue e onde tenha a certeza
da fartura e da paz, que tanta falta faz nas grandes
cidades enervadas e doentes. Vede o que a prós-
pera agricultura e as industrias agrícolas dos listados
Unidos devem ás suas inteligentes e laboriosas cultiva-
doras!
A' mulher compete a missão de ligar à terra o
coração dos homens! E que mulher, mais do que as
do nosso país e a do Brasil, filho da nossa expansão
civilizadora, merecerá ser chamada à consciência desse
grande papel social, ela que tanto fez 110no passado para
auxiliar o enorme esforço da raça?
As mulheres de Portugal, as mulheres fortes deste
povo de heróis, as filhas, as esposas, as mães e irmãs
de emigrantes, teem mantido intacto' e ardente o amor
sagrado da terra dos avós, que pela liberdade verte-
ram sem avareza o-seu sangue generoso.
E a mulher do Brasil que lhe recebe os filhos,
presos por invisíveis laços a um passado distante, a
uma terra longínqua que ela não conhecerá jamais, luta
em amor e carinho por enraizar esses corações vadios
por criar novos hábitos, gostos e interesses a esses
emigradores de imaginação ardente e coração onde a
saudade tem sempre moradia:—a saudade dos que
deixou, talvez para sempre! Saudade intolerável dos
que deixaria, se porventura voltasse à terra mãe!...
Podemos bem afirmá-lo: —Sem a mulher a ideia
da Patria
Pátria não existiria já. Ai da Patria
Pátria de que a mulher
133

se desprende sem
se desprende sem interesse,
interesse, ou ou dela
dela sese afasta,
afasta, porpor não
não
corresponder já já ao
ao seu
seu ideal!
ideal!
No entanto, éé necessário
No entanto, necessário que que elaela deixe
deixe de de serser aa
formiga
formiga laboriosalaboriosa que que no no seio
seio da da terra
terra oculta
oculta oo seu seu
imenso
imenso labor, labor, ee venlia
venha àà luz luz dodo dia
dia exercer
exercer oo seu seu ver-
ver-
dadeiro
dadeiro destino.destino. Não Não liaha razão
razão parapara queque continue
continue aa
esconder
esconder nos nos velhos
velhos cortiços,
cortiços, áá moda moda antiga,
antiga, aa mara-
mara-
vilha
vilha do do seu seu esforço
esforço inteligente.
inteligente.
Assentada comodamente sôbre
Assentada comodamente sobre aa maquina
maquina de de semear
semear
ou
ou de de lavrar,
lavrar, dirigente
dirigente de de industrias
industrias agrícolas,
agrícolas, cons-
cons-
ciente
ciente do do altoalto papel
papel social,
social, ela ela éé hoje,
hoje, finalmente,
finalmente, aa
dominadora
dominadora pelo pelo trabalho
trabalho inteligente
inteligente dessa dessa terra
terra aspera
áspera
que
que até até aqui
aqui aa temtem somente
somente escravisado!
escravisado!
E', enfim, aa dona
E', enfim, dona da da terra!
terra! EE comocomo os os proprietários
proprietários
teem
teem sido sido sempre
sempre os os mais
mais fortes,
fortes, cia,
cia, chamada
chamada ao ao seu
seu
verdadeiro
verdadeiro papel papel de de cultivadora
cultivadora ee guarda guarda territorial,
territorial,
será,
será, no no futuro,
futuro, aa melhor
melhor fiadora
fiadora dos dos destinos
destinos sociais!...
sociais!...
Minhas senhoras, éé aa vós
Minhas senhoras, vós principalmente
principalmente que que cabecabe
oo dever
dever de de cuidar
cuidar da da terra
terra ee transformar
transformar em em alegria
alegria ee
fartura
fartura oo apavorado
apavorado horror horror da da hora
hora presente,
presente, prégando
pregando
pelo exemplo oo regresso
pelo exemplo regresso àà terra,
terra, movimento
movimento salvadorsalvador
que
que se se torna
torna urgente
urgente realisar
realisar em em condições
condições de de triunfo
triunfo
e de
de felicidade
felicidade colectiva.
colectiva.
Se
Se aa mulhermulher portuguesa
portuguesa oo quizer quizer comcom todatoda aa suasua
alma enérgica de
alma enérgica de acção,
acção, àà qualqual tanto
tanto deve
deve aa raçaraça qneque
se impôs ao
se impôs ao mundo,
mundo, num num desdobramento
desdobramento de de força
força tal,
tal,
que chega aa parecer-nos
que chega parecer-nos uma uma tantasia
fantasia de de efabuladores
efabuladores
de lenda, ela
de lenda, ela tornará
tornará dessedesse lindo
lindo rincão
rincão da da Europa,
Europa,
que
que éé aa Patria
Pátria tradicional
tradicional da da raça,
raça, oo pomar
pomar ee oo jardimjardim
do velho mundo,
do velho mundo, porta porta triunfal
triunfal de de entrada
entrada por por onde
onde
todos
todos os os americanos,
americanos, do do sul sul ee do do norte,
norte, desejarão
desejarão
penetrar na na velha
velha terra
terra dos
dos seus
seus avós.
avós.
Nada
Nada ali ali nos
nos falta
falta para
para sermos
sermos os os primeiros,
primeiros, senão senão
aa vontade
vontade enérgica,euergica, aa persistência,
persistência, aa alegria alegria de de bem
bem
fazer,
fazer, queque só só aa educação
educação ee aa acção acção feminina
feminina traz traz às
às
sociedades mais mais avançadas.
avançadas.
EE se
se vós,
vós, senhoras
senhoras brasileiras,
brasileiras, oo quizerdes
quizerdes também,
também,
quanto
quanto vos vos ficará
ficará devendo
devendo aa imposição
imposição futurafutura desta
desta
Pátria
Pátria àà qual qual nósnós tanto
tanto queremos
queremos ee tanto tanto desejamos
desejamos
engrandecida
engrandecida pois pois que que elaela representa
representa uma uma dasdas maismais
134

belas manifestações das qualidades raciais do nosso


povo.
E ele que diz sorrindo numa síntese tão simplista
como graciosa: "Portugal é um ovo, o Brasil uma eira»
há de agradecer-vos que guardeis carinhosamente o
recheio precioso do nosso ovo e façais desta grande
eira a fartura do mundo.
Bem sabeis, minhas senhoras, que uma das maiores
acusações, que é feita ao nosso sexo é... o sermos
espíritos de contradição! — Pois bem, é agora o mo-
mento de convertermos em facto esta acusacãoacusação e de
de cotrariarmos energicamente a opinião e o descon-
solo masculino trabalhando com energia, com fé íé e,
sobretudo, com alegre disposição, para transformarmos
em alegria a tristeza que vai pelo mundo. Senhoras
portuguesas e brasileiras, minhas irmãs pela raça, a
nossa terra tudo espeta
espera de seus filhos, para ser grande
entre as maiores! Para de facto nos tornarmos as
mulheres dignas deste Brasil acolhedor e admirável
onde nos sentimos como se na nossa terra estivésse-
mos. E para que os dois grandes países sejam a força
civilizadora que temos direito de esperar que venha a
ser, não se faz só mister de soldados e de navios, mas,
tanto ou mais, de trabalho honesto e continuado, dt* de
instrução e educação que transformem cada um de nos-
sos filhos num verdadeiro propagandista e num verda-
deiro defensor das suas Pátrias em qualquer parte em
que se encontrem. Pela educação, que lhe dermos
façamos com que as qualidades nobilíssimas da
raça se manifestem em toda a parte para maior gloria
e maior brilho da união de todos os lusitanos do
mundo!
Fazer com que este sonho, entrevisto por todos os
nos os grandes avós, se realise, eis a missão das
mulheres da raça portuguesa, eis a nossa missão, senho-
ras brasileiras e portuguesas.
As pequenas
As pequenas industrias
industrias regionais
regionais portuguesas
portuguesas
Meus Senhores:

Depois de ouvir aqui (')as palavras tão simples, tão


claras e sugestivas do Sr. Lisboa de Lima digno
Comissário Geral da Exposição Portuguesa 110 no Rio de
Janeiro, pensei que seria ocasião de vos dizer alguma
coisa sobre um assunto que tanto nos interessa a todos.
li porque o pensei e comuniquei a pessoas amigas,
na maneira como foi acolhida a minha ideia reconheci
que não era de todo inútil.
Poi
Foi o motivo porque solicitei da digna directoria
desta Câmara o favor de nos abrir as suas salas para
uma simples conversa de amigos, que não é uma
conferencia, nem sequer uma palestra, mas serão de
(amilia, quando um
família, quando um de
de nós
nós volta
volta de
de longo
longo viajar
viajar ee quere
quere
dizer o que viu e aprendeu por esse mundo de Cristo.
Ora o que pensei em dizer-vos, não o aprendi por
longínquas paragens,
paragens, nem
nem com
com desvairadas
desvairadas gentes,
gentes., inas
inas
no cantinho adorado da nossa terra, percorrendo com
muita fé e muita ternura as nossas províncias, pondo-
me em contacto com os que trabalham, lutando e
pugnando pela valorisação de tudo quanto é nosso.
Disse-nps
Disse-nos aqui o Sr. Comissário Geral quanto foi •
intenso o trabalho e a propaganda para que se possa
dizer hoje, com a certeza de não ser desmentido ama-
di;er

PjCtinara Portuguesa de Co.nercio e Industria do Rio de Janeiro^


VOCamara Janeiro
138
138

nhã, quando
nhã, quando se se abrir
abrir oo nosso
nosso pavilhão
pavilhão de de exposição,
exposição,
que
que aa concorrência
concorrência de de produtos
produtos portugueses
portugueses será será aa
maior ee aa mais
maior mais variada
variada de de quantas
quantas vieramvieram aa este este
grande Brasil
grande Brasil comcom oo propósito
propósito de de lhelhe demonstrar
demonstrar
quanto
quanto éé amimado
amimado ee acarinhado
acarinhado por por todas
todas as as nações
nações
do mundo,
do mundo, como como uma uma das das mais
mais radiosas
radiosas ee consola-
consola-
doras certezas
duras certezas da da continuidade
continuidade da da civilização
civilização euro- euro-
peia, nesta
peia, nesta joven
jovcn América,
América, que que éé aa nossa
nossa filha
filha pre-pre-
dilecta.
O Sr.
O Sr. Comissário
Comissário Cerai Cerai da da Exposição
Exposição Portuguesa
Portuguesa
disse-nos aqui,
disse-nos aqui, ee tem-no tem-no repetido
repetido em em toda toda aa
parte,
parte, oo que que representa
representa para para os os portugueses
portugueses esta esta
demonstração das
demonstração das nossas
nossas amistosas
amistosas relações.
relações.
E dito
E dito por
por S. S. Ex."
Hx." nãonão éé necessário
necessário repeti-lo
repeti-lo aos aos
brasileiros,
brasileiros, mas mas tão tão somente
somente explicar
explicar aosaos portugueses
portugueses
alguns factos,
alguns factos, que
que parecerão
parecerão estranhos
estranhos aa quem quem de de ha ha
muito está
muito está afastado
afastado de de Portugal,
Portugal, ou ou para
para estes
estes assuntos
assuntos
não tem
não tem dirigido
dirigido aa sua sua atenção.
atenção.
Vou-me referir
Vou-me referir tãotão sónienb
somente às às pequenas
pequenas industrias
industrias
regionais artísticas,
regionais artísticas, porque
porque éé delas
delas que
que ha ha anos
anos venho
venho
cuidando
cuidando em em missão
missão oficial,
oficial, ee pelo
pelo voluntário
voluntário ee pessoal
pessoal
interesse que
interesse que sempre
sempre lhes lhes dediquei,
dediquei, como
como um um dosdos mais
mais
seguros factores
seguros factores do do resurgimento
resurgimento nacional
nacional pela pela tra- tra-
dição.
Tratamos, pois,
Tratamos, pois, de de rendas,
rendas, bordados,
bordados, tecidos,
tecidos, tape-tape-
çarias, olaria
çarias, olaria regional,
regional, obrasobras de de verga,
verga, de de filigrana
filigrana ee
outras pequenas
outras pequenas indústrias
indústrias que que já
já hoje
hoje começam
começam aa ser ser
em Portugal "grandes
em Portugal "grandes indústrias,,
indústrias,, no no resultado
resultado econó- econó-
mico, sem
mico, sem porpor isso
isso perderem
perderem aa sua sua bela
bela qualidade
qualidade de de
industrias artísticas,
industrias artísticas, regionais
regionais ee caseiras.
caseiras.
Parecrá estranho
Parec-rá estranho que que venhamos
venhamos dizer dizer que que isso isso
que aí
que aí vein
vem representa
representa oo fruto fruto duma
duma grande
grande ee intensa
intensa
propaganda, promovida
propaganda, promovida pelo pelo Comissariado
Comissariado ee feita feita
por intermédio dos
por intermédio dos seusseus agentes
agentes e, e, sobretudo,
sobretudo, da da
imprensa, que
imprensa, que bembem orientada
orientada ee dirigida
dirigida dumaduma forniaforma
inteligentemente patriótica,
inteligentemente patriótica, pela pela jornalista
jornalista Virginia
Virgínia
Quaresma, levantou aA ideia
Quaresma, levantou ideia dada concorrência
concorrência aa esta esta
exposição, como
exposição, como unia uma verdadeira
verdadeira devoção
devoção de de patrio-
patrio-
tismo?!
Toda
Toda aa imprensa
imprensa portuguesa
portuguesa se se movimentou
movimentou neste neste
139

sentido, não só a de Lisboa e Pôrto,


Porto, como a de todos
os recantos das províncias, escrevendo sobre o assunto
os profissionais do jornalismo, como os artistas, os
escritores, os nomes mais consagrados de Portugal.
A propaganda para que a exposição portuguesa do
Rio fosse um expoente dos valores industriais, morais,
intelectuais e comerciais de Portugal foi uma verda-
deira cruzada cujo sentido é necessário que ressalte
olhos,~para que bem comovidamente
nitido aos vossos olhos,"para
o possais sentir.
E eu vos digo porquê, meus irmãos portugueses,
que longe das vossas terras tanta saudade tendes
curtido, que por vezes os olhos se vos turvam de
máguas e não tomais 110 no verdadeiro sentido os ges-
tos dos que de lá vos seguem com tanto carinho
e fé.
E' que a vinda de tantos e tantos expositores ao
Brasil, como tereis ocasião de verificar pelos vossos
próprios olhos, especialmente na:, pequenas industrias
proprios
regionais artísticas, não representa um gesto de
cubica ou mercantilismo inferior, mas tão sómçjite
cubiça sómejite
o desejo patriótico de vos trazer a oferta graciosa
dos seus primores; porquanto não precisam hoje
essas industrias, que são sempre, e em toda a parte,
esse um dos seus grandes
de limitada produção — e é êsse
valores — de procurar novos mercados; tão grande é
a procura que já têm não só no proprio
próprio local em que se
exercem, como nos mercados de Lisboa e Pôrto. Porto.
Devido, em parte, á paralização durante quatro
anos de guerra, das industrias similares nos outros países
da Europa, devido também á crise financeira que desva-
lorizou a nossa moeda em face de algumas outras, o
que é certo é não haver «stock,, destes produtos em
Portugal e o que dia a dia se vai produzindo, tem ime-
diata e compensadora colocação, pois não faltam na
nossa terra os coleccionadores nem os mascates que de
todos os países são enviados ao nosso, que se tornou
assim um invejável centro de produção.
Bastam, pois, estas simples palavras para que á
facilidade da vossa inteligência e á vossa pratica de
tacilidade
140

cuidar
cuidar em em assuntos
assuntos de de oferta
oferta ee procura,
procura, seja seja umaunia coisa
coisa
palpável
palpavel o o esforço
esforço que que oo comissariado
comissariado realisou realisou para para
conseguir trazer para
conseguir trazer para oo deslumbramento
deslumbramento dos dos vossos
vossos
olhos
olhos ee para
para oo orgulho
orgullio dos dos vossos
vossos corações
corações lusitanos
lusitanos
isso
isso queque aí aí vem
vem ee desde desde já já sabemos
sabemos que que vos vos vaivai
enclier
encher de satisfação.
EE falo-vos
falo-vos com com tantatanta maior
maior convicção
convicção quanto quanto éé
eerto
eerto que que aa esta
esta obra obra apenas
apenas tenhotenho ligado ligado oo meu meu
coração
coração de de mulher
mulher portuguesa,
portuguesa, que que acima
acima de de tudo
tudo põe põe
oo orgulho
orgulho de de oo serser ee oo desejo
desejo de de que
que justiça
justiça se se faça
faça
quando
quando haja haja de de fazer-se,
fazer-se, nenhuma
nenhuma ligaçãoligação moral moral ou' ou'
material tendo com
material tendo com aa obra obra dodo comissariado.
comissariado.
Acostumada
Acostumada aa julgar julgar pela
pela minha
minha propria
própria consciên-
consciên-
cia
cia ee aa verver pelos
pelos meus meus proprios
próprios olhos,olhos, sem sem outro
outro
interesse,
interesse, queque não
não sejam
sejam os os da
da minha
minha PatriaPátria.e .e osos deste
deste
Brasil, que éé dela
Brasil, que dela oo mais
mais belobelo prolongamento
prolongamento moral, moral,
entendi
entendi de de meumeu dever
dever vir vir dizer-vos
dizer-vos duma duma forma forma es- es-
pontânea, clara
clara ee simples
simples oo que que me me parece
parece que que deveis
deveis
saber, isto é:
Que
Que o o facto
facto só só por
por si,
si, do
do envio
envio dos dos produtos
produtos que que

— emem breve
breve idesides verver — — desmente
desmente em em absoluto
absoluto aqueles aqueles
que
que emem superficiais
superficiais juisos juisos apregoam
apregoam oo desamor desamor ee aa
indiferença
indiferença da da metrópole
metrópole pelos pelos filhos
filhos que que no no Brasil
Brasil
labutam
labutam com com tanta
tanta coragem,
coragem, tantatanta fé fé ee tanta
tanta honra
honra por por
manter
manter bembem altoalto oo nome
nome português
português ee afirmarafirmar as as gran-
gran-
des qualidades
qualidades da da raça.
raça.
E' preciso não
E' preciso não confundir
confundir aa poucapouca ou ou nenhuma,
nenhuma, ou ou
mesmo nociva, acção
mesmo nociva, acção dos dos governos
governos com coin oo sentimento
sentimento
do povo, de
do povo, de nós
nós todos,
todos, da da nação
nação em em si si propria,
própria, comocomo
organismo
organismo vivo vivo queque trabalha,
trabalha, queque sente,
sente, que que sofre,
sofre, que
que
aina
ama ee queque pensa.
pensa.
Os governos (os
Os governos (os nossos
nossos como
como os os de
de todos
todos os os povos
povos
só em momentos
só em momentos excepcionais
excepcionais da da história
história éé que que refle-
refle-
ctem completamente oo sentir
ctem completamente sentir dosdos governados.
governados. Felizes Felizes
os homens que
os homens que têem
têem aa sorte sorte de de viver
viver num num desses
desses
momentos geniais dos
momentos geniais dos povos
povos em em que que aa ideiaideia da da raça
raça
toma corpo ee alma
toma corpo alma ee se se integra
integra nos nos seus
seus dirigentes!...
dirigentes!...
Portugal
Portugal teveteve já já esse
esse momento
momento nos nos dois dois grandes
grandes
séculos
séculos dada suasua Historia
Historia ec com com eleseles realizou
realizou oo maior maior
assombro dos dos tempos
tempos modernos.
modernos.
mmmmmm

141

E porque
porque aa raça
raça sente
sente em em si si propria
própria energias
energias para para
se renovar
renovar cmcm sonho
sonho ee em em acção,
acção, éé que
que temos
temos espe-espe-
rança de que outro grande momento se aproxima para
o qual,
qual, consciente
consciente ou ou inconscientemente,
inconscientemente, todos todos esta-esta-
mos trabalhando!
Espera-o, pois, meus
Espera-o, pois, meus senhores,
senhores, que que não não duvideis
duvideis
mais dodo carinho
carinho ee do do interesse
interesse dos dos irmãos,
irmãos, que que sese
encontram em em Portugal,
Portugal, porque
porque de de facto
facto oo sentimento
sentimento
do povo português
do povo português pelospelos queque andam
andam pelopelo mundo
mundo aa
mourejar ee aa espalhar,
espalhar, em em honra
honra ee em em proveito
proveito oo nomenome
sagrado da da nossa
nossa Patria,
Pátria, éé imenso!
imenso!
Não ha linda velhinha das nossas aldeias da Serra
ou
ou dada Beira-Mar,
Beira-Mar, queque nãonão reze
reze todas
todas as
as noites
noites aoao serão
serão
por aqueles
aqueles que
que partiram
partiram ee hão hão dede voltar
voltar umum dial...
dia!...
Não ha
ha moça
moça queque não
não cante
cante nasnas desgarradas
desgarradas das das
romarias, nas
nas mondas
mondas ee nas nas ceifas,
ceifas, aquelas
aquelas inúmeras
inúmeras
quadras queque oo folclore
folclore luso-brasileiro
luso-brasileiro recolhe
recolhe com com
todo oo cuidado,
cuidado, lembrando
lembrando as as continuas
continuas relações
relações de de
amores em que sempre vivemos. Não ha família de
Portugal que
que nãonão tenha
tenha uma uma recordação
recordação do do Brasil,
Brasil,
uma saudade
saudade ou ou um
um nome
nome aa enlear-se
enlear-se emem seuseu proprio
próprio
nome, como
como nãonão haha familia
família brasileira
brasileira que
que nãonão sinta
sinta no
no
seu sangue o calor dos beijos de Portugal.
Que importa,
importa, pois,
pois, que
que osos governantes
governantes nem nem sempre
sempre
compreendam as necessidades e desejos da Colonia? Colónia?
Compreendem-nos ee sentem-nos sentem-nos bem bem os os gover-
gover-
nados.
Ao vosso entusiasmo, ao calor com que respondeis
sempre a tudo quanto seja prestigiar o nome português
ec elevar em "laus-perene,, de almas o santo nome de
Portugal, a metrópole respende resprnde com o esforço, o
carinho ee oo interesse
interesse que que vem vem mostrando
mostrando em em vosvos
prestigiar aos olhos dos estrangeiros já não só nos
valores intelectuais e morais que vos envia, como no
entusiasmo comcom queque concorreu
concorreu á;í exposição
exposição para para queque
possais afirmar
afirmar queque aa vossa
vossa Patria
Pátria éé hoje
hoje uma uma nação
nação
que não só produz o que de melhor e de mais belo
entra nos mercados mundiais, como se prepara para
viver com honra á luz do dia, honrando os seus filhos
em qualquer parte do mundo em que se encontrem, por
142

mais cultas c civilizadas que sejam as nações que os


hospedem.
Longe vai o tempo em que Portugal, embora
forçando a nota da modéstia, se calava quando compa-
ravam a sua instrução á de países ainda mergulhados
ms trevas medievais, como a Russia.
Rússia.
Hoje é assim ! Portugal, ou por outra, a nação, o
povo, a raça portuguesa, reconheceu-se a si propria,própria,
sabe o que vale e o que o inundo lhe deve e sorri
com despreso dos que lhe apontam os seus analfabetos
como símbolo de incultura, quando incultura é supôr supor
que se é instruído só por saber ler.
Saber ler é ter na mão uinum elemento de cultura e
quando oo povo
povo português
português oo necessita
necessita não
não lhe
1 lie custa
custa
muito a adquiri-lo, esteja onde estiver, porque é uma
das raças mais inteligentes do mundo.
E' evidente que nós faremos o possível por impedir
a saída dos nossos irmãos da terra pátria em condições
de inferioridade, sejam elas quais forem, mas não tere-
mos duvidas
duvidas de
de dizer
dizer corajosamente
corajosamente que
que oo mais
mais anal-
anal-
fabeto dos portugueses leva vantagem a outros emi-
grantes, que
que ignoram
ignoram aa lingua
língua dos
dos países
países que
que procuram
procuram
ou não têein a facilidade de compreensão e adaptação
que têein os nossos.
Dizer-se mesmo que o ensino em Portugal é infe-
rior, é tomar ao pé da letra o que nós mesmo dizemos
ou por forçarmos a melhoria do que temos ou por
aquela'fonna
aquela'forma de delicadeza adoptada outrora entre nós,
que fazia oferecer um "criado,, em cada filho e uma
humilde "choupana,, em cada palacio.
palácio. O que c hoje o
nosso ensino e o valor das nossas escolas, especial-
mente das escolas industriais secundarias e supe-
riores, com orgulho o vereis na próxima exposição e
delas podereis então falar sem inedo medo de desmen-
tido.
Mas, não querendo desviar a vossa atenção do
assunto desta pequena palestra, parece-ine
parece-me que jã já
compreendereis o moti o porque vamos dizendo: que
foi na verdade um grande esforço patriótico a reunião
desse magnifico mostruário do muito que de bom e
143

de belo se produz na terra portuguesa e que veio cm


boa hora para demonstrar o amor com que seguimos
de lá os que vivem e trabalham neste país imenso, que
é uma das melhores obras do esforço da raça c nós,
portugueses, temos tanta honra e tanto orgulho ein em
ver engrandecido e respeitado, como os seus proprios
próprios
filhos.
Entrando propriamente 110no assunto que tomámos
por tema desta conversa:
convém: "As pequenas industrias
regionais artísticas de Portugal,,, devemos frisar, que
em muito se deve o seu ressurgimento ao interesse e
á propaganda das senhoras portuguesas, não só pela
produetos regionais para o
aceitação que deram aos productos
seu proprio
próprio uso e adorno das suas casas, como dire-
ereaudo trabalho, dirigindo escolas, ou movi-
ctamente ereando
mentando a propaganda de forma a tornar conhecida
em todo o mundo a arte regional portuguesa.
Não devemos deixar de fazer aqui justiça á inicia-
tiva dc
de duas senhoras da alta sociedade portuguesa,
que não só pitzeram
puzeram de parte os preconceitos de classe
produtos de arte
abrindo um escritório de venda de produgtos
regional em Lisboa, como fizeram mais, que chega
a vizinhar a iniciativa de homens americanizados, man-
daram ha dois anos para S. Paulo productos
produetos em tal
quantidade e belesa que na CamaraCamará Portuguesa de
Comercio, daquela explendida cidade brasileira se poude
fazer uma exposição que causou o assombro dos
estranhos ie o desvanecimento dos nossos patrícios. As
senhoras D. Adelaide de Almeida e D. Claudina Franco
dos Santos, com o seu escritório "A Arte no Lar„, Lar,,,
que no seu palácio junto da antiga Alcáçova dc de I).
D.
Manuel, recebem diariamente tudo quanto a Lisboa
hoje vai procurando arte e beleza, tem um logar bem
digno de menção na campanha de propaganda das
nossas pequenas industrias artísticas
Outras senhoras, e entre elas a poetisa Albertina
Paraíso, mereceriam ser aqui lembradas, como elementos
de valor nesta propaganda, se isto fôsse fosse um rela-
tório e não somente um apanhado de ligeiras notas
como protexto para nos reunirmos einem família. Entrando,
ma«i

144

pois, definitivamente no
pois, definitivamente no assunto,
assunto, começaremos
começaremos pelas pelas
rendas,
rendas, que que sãosão hoje
liojc uma
uma das das mais
mais belas
belas produções
produções
portuguesas
portuguesas cc entre entre elas,
elas, pela
pela "renda
"renda de de bilros,,
bilros,, queque
tem longínquas tradições
tem longínquas tradições entreentre nós.
nós.
A renda de
A renda de bilros
bilros queque se se fazia
fazia lia
lia séculos
séculos em em
todo o litoral português, manteve-se
todo o litoral português, manteve-se até há meio até há meio
século
século na na manifesta
manifesta inferioridade
inferioridade das das indústrias
indústrias que que
não
não saíam saíam da da produção
produção popular,
popular, sem sem ensino
ensino nem nem
incentivo.
iucentivo.
Quando
Quando se se diz
diz queque uma
uma indústria
indústria regional
regional representa
representa
aa tradição
tradição popular,
popular, isto isto não
não éé aa expressão
expressão da da verdade,
verdade,
em toda a sua completa nitidez e simplismo.
A arte popular
A arte popular descreve
descreve oo mesmomesmo idêntico
idêntico ciclociclo dos
dos
contos,
contos, das das quadras,
quadras, da da musica
musica ee de de tudo
tudo quanto
quanto oo
folclore colecciona e estuda.
Não
Não há há nada
nada que que mais
mais claramente
claramente demonstre
demonstre oo
simplismo
simplismo das das pessoas
pessoas que que teem
teem umauma cultura
cultura mediana,
mediana,
como
como o o quererem
quererem convencer
convencer oo públicopúblico de de que
que oo povo
povo
tem uma arte própria, por êlc próprio
tem uma arte própria, por êlc próprio inventada sem inventada sem
cultura prévia, por graça de Deus!
Não
Não éé assim,
assim, nem nem foi foi nunca
nunca assimassim! O O espirito
espirito
humano segue uma trajectória disciplinada
humano scfcue uma trajectória disciplinada a que não a que não
há fugir. É
há fugir. É por
por selecção
selecção que que se se formam
formam as as élítes
elites do
do
pensamento da arte e do valor próprio.
É dessas élítes
É dessas elites que que partem
partem todas todas as as iniciativas,
iniciativas,
todas
todas as as formas
formas superiores
superiores do do espírito
espírito cc éé quando
quando
descem
descem às às massas
massas que que se se vulgarizam
vulgarizam cc se se conser-
conser-
vam.
Vcem
Vcem dc de novo
novo as as "élítes,,
"elites» que que asas encontram
encontram des- des-
prestigiadas
prestigiadas ce as as elevatn
elevam daudo-lhe
daudo-lhe nova nova bi beleza
leza ee nova
nova
forma, para dc
forma, para de novo
novo cairem
cairem na na massa
massa que que as as adapta
adapta aa
sua força inconsciente.
É
É oo que
que sucede
sucede com com os os cantos
cantos ee contos
contos populares,
populares,
(que todas as
(que todas as nações,
nações, qua qua ido
ido entram
entram num.pcriodo
num.periodo de de
força e cultura renovadora precisam
força e cultura renovadora precisam integrar no pró- integrar no pró-
prio movimento, ee com
prio movimento, com tudotudo quanto
quanto religiosamente
religiosamente
procuramos
procuramos no no povo,
povo, porque
porque ele ele éé oo único
único que que sabe
sabe
conservar
conservar aa tradição,
tradição, exactamente
exactamente porque porque representa,
representa,
em certos momentos,
em certos momentos, aa estabilidade
estabilidade da da incultura
incultura que que
se não renova.
145

(>ra
Ora c o que sucede com as nossas
nossa? rendas c outras
artes, como iremos ver:
vêr:
A renda portuguesa, salvo um ou outro produto
trabalhoso saído dos conventos ou da habilidade
individual de alguma senhora de família distinta, não
conseguiu impòr-se pela moda; nenhuma noticia se en-
contrando além das que a história proclama como mo-
tivo de revolta feminina contra as leis suntnarias
suntuarias de
alguns reis.
As próprias rendas admiráveis do tesouro de S.
Roque, foram mandadas comprar em Flandres e em
França pelo rei D. João V.
No entanto as senhoras que ajudaram a coloni-
zação que os portugueses realizaram por todo o mundo,
não se esqueceram de levar nos seus arcazes e baús
de couro tacheado, os piques, as almofadas c as linhas
finíssimas para que as suas donzelas e escravas apren-
dessem a arte de tecer maravilhas com os bilros a
voltear entre os dedos hábeis. F assim nós vamoi vamos
encontrar nas ilhas as rendeiras tradicionais, na Indiaíndia
portuguesa e aqui 110no Brasil, especialmente no norte,
onde a renda cearence se pôde classificar uma pequena
indústria regional de tradição portuguesa.
No entanto os últimos 50 anos foram para a renda
em Portugal o momento Insto ico da sua grande traiis
histórico trans-
formação e elevação.
Pela teoria qne
que vimos enunciando, sem pruridos
a erudição, a renda portuguesa, que tinha descido
dos conventos e das famílias de tratamento para o
povo, mecanicamente se elevou 110 no dia em que
as classes cultas a foram buscar ao conservantisino
conservantistno
tradicional desse mesmo povo, que cé o reservatório
de todas as energias, a fonte pura e fresca onde
todas as raças têem de mergulhar para rejuvenescer
e progredir..
progredir.,
Porque o segredo da tradição e a lòrça
força inteligente
do tradicionalismo não é voltar a ser infantilmente o
que fomos, mas sobre isso que fomos criarmos nova
energia e novo idealismo, dentro da psicologia da raça.
Pois bem, as rendas portuguesas teem já hoje um
10
146

logar honra bem marcado entre as mais afamadas


lagar de lionra
rendas do mundo.
Longe
l.ongc vai o tempo em que a condessa do 'Casal, .asai,
mulher do governador da praça, encantada com a
habilidade das mulheres de Peniche, dava ãà indústria
o primeiro impulso de arte e de modernização, man-
dando vir piques e rendas de França para ali serem
imitadas.
imitadas
Começou assim Peniche a distinguir-se com a sua
renda entre as mais terras terra> rendiferas do pais, quási
todas no litoral, numa interessante aproximação do
trabalho rude dos homens do mar, com longas ausên-
cias perigosas na faina de pescadores e o labor pa-
ciente da mulher, tazendo
fazendo crescer sobre a almofada a
espuma branca da sua renda trabalhosa.
Começando Peniche a criar fama pela execução e
finura dos seus trabalhos, logo que em Portugal se
falou na criação tie de Escolas
liscolas Industriais, obteve a fun-
dação de uma, especializada, que foi entregue à
direcção artística de D. I). Maria Augusta Bordalo Pi-
nheiro irmã de artistas ilustres e ela propria própria uma
artista.
Pouco tempo ali se pôde demorar, mas dèsse desse pouco
resultou uma feliz modificação nos desenhos usados ec
um maior alargamento nos trabalhos que se começa-
ram, desde aí, a fazer
lazer na Escola e consequentemente a
passagem para as at> rendeiras particuhres.
particulares.
O que melhor, porém, resultou desse desãe contacto da
artista com as;is artifices
artífices da renda, foi o crear ela pró-
pria um tipo novo de rendas que por tantos anos fez
executar naquela sua linda oficina da rua do Tesouro
Velho, onde se reuniu tudo que em Lisboa há de
melhor e hoje, com a sua morte, tão lamentavelmente
se encontra fechada!
Da limitada produção que dèsse desse pequenino sacrario
sacrário
de arte safu, exemplares raríssimos
rarissimo$ que são hoje peças
de museu, alguns vêem para a Exposição, marcando
um dos élos
elos da cadeia, que explica a evolução admi-
rável da renda portuguesa.
Vem a seguir a actual renda de Peniche, que
147

prima pelos desenhos delicados e pela finura da cxe* exe-


eução,
cução, que tem toda a graça aristocrática dos seus
per£ ;mi lios de arte. Estas sao
pergami-lios são bem conhecidas
conhe:idas
no Brasil, que as não confunde nem desprezou nunca
mesmo quando não eram ainda os produtos dmna duma
luxuosa indústria.
Vila do Conde mostra uin desejo tão simpático
de produzir
produzir muito
muito ee bom,
bom, que
que aa sua
sua concorrência
concorrência seráserá
das melhores da Exposição.
A renda
renda adquiriu
adquiriu aliali um
um cunho
cunho próprio;
próprio; éé mais
mais
ornamental, mais insinuante, e vai batendo corajosa* corajosa-
mente
mente oo "record,,
"record,, dada produção,
produção, da da beleza
beleza ee variedade
variedade
nos desenhos.
Vila dodo (Conde
onde ée uma
uma terra
terra que
que caminha
ciminha por por si
si ec
sabe valorizar os seus produtos.
Quando para lá conseguimos uma cscoh escol \ de dese-
nho ja jà as suas rendeins exportavam a« produção magní-
fica das
da? suas oficinas onde truballnmtrabalham crianças desde
os
os seis anos até às velhinhas que
seis anos até às velhinhas que guard
guard mimi oo lar
lar apro-
apro-
veitando o tempo a entrelaçar os fios dos seus
bilros.
É que as mulheres de Vila do Conde, de Azurara
e dada Póvoa
Póvoa são são da
da mesma
mesma raça
raça tenaz
tenaz ee forte,
forte, que
que faz
faz
de cada pescador um herói.
E nessa regi.,
regiãoa que se criou a já hoje grande indús-
tria dos tapetes de Beiriz, que pelo seu desenvolvimento
Beiriz.que
mecânico não pertence às pequenas indústrias, mas
delas deriva directamente, indústria que entre parên-
tesis devemos frisar, se deve em grande grinde parte à inicia-
tiva duma senhora e quási ao trabalho exclusivo femi-
nino.
Seguem-se, as rendas de Viana do Castelo, Setúbal,
Lagos, e todas as antigas terras rendeiras que se esfor-
çam por vencer, na concorrência
concorrêneii que as -is grandes indús-
trias, com os seus elevados salários, fazem a estas que
só se se pod-
podem in manter
manter nono recolhimento
recolhimento da da vid
vid ii familiar
familiar
011 nos asilos para crianças pobres, como sucede 11a
ou na
Bélgica e nós devemos também fazer.
Os Açores e a Madeira, se bem que em trabalho
inferior aos seus bordados e crivos, também produzem
148
14«

bonitas rendas de bilros e de "Irlanda,,, com larga


venda nos Estados Unidos.
Para valorização desta pequena indústria, que hoje
se exerce em muitas casas particulares de Lisboa e
outras terras, entrando 110
nutras no mercado sem "controle,,,
muito tem contribuído a propaganda, o ensino nas
escolas industriais e a criação de pequenas oficinas
particulares como a que a "Cruzada das Mulheres Por-
tuguesas,, mantém em Eermiuhão para as pequenas
camponesas, nas horas vaga-vagas do seu trabalho agrícola.
Em bordados a branco, em bordados sobre "tule,,
e em crivos, impossível será exceder-se o que se faz
na Madeira e nos Açores, representando uma indústria
forma florescente, que o--
por tal fórma o* próprios homens a exer-
cem ou a ajudam, desempenhando os trabalhos casei-
ros, para que as mulheres com eles não percam tempo.
Pela maneira como essa indústria está organizada
nas ilhas, embora continue fazendo parte das peque-
nas indústrias pela execução caseira dos bordados é
já uma grande indústria, em lucros que influem 11a na
economia geral.
Em tapeçarias ides vér a ressurreição desses belos
e tão afamados tapetes de Arraiolos, outrora larga-
mente usados nas casas opulentas, nas igrejas c nos
cor,ventos.
conventos.
orientais.dcsenhos originais outros,
Cópia de tapetes orientais,desenhos
lodos esses magníficos espécimes que se guardavam
nos museus, estão sendo renovados com 11111 um carinho
que bem demonstra o interesse da hora que passa
liara o nosso país.
para
Os tapetes de Arraiolos são, como todos sabem, o
trabalho longo e paciente de bastidor, pois cada ponto
representa o esforço compreensivo duma operaria que
escolhe as cores e tem de seguir o desenho com inte-
ligência.
Por mais aparentemente belo que seja o trabalho
èle substituc para o verdadeiro espi-
mecânico, nunca ele
rito educado em arte, o trabalho manual, variado, es-
pontâneo e gracioso.
A reconstituição dos tapetes de Arraiolos está
149

sendo uma obra de carinho e de arte em que também


avulta a acção feminina, não só nas senhoras que fun-
daram uma nova Oficina-Escola em Arraiolos, como
nas que em Évora têem têcm no Asilo desenvolvido essa
indústria, que implica, por sua vez, a ressurreição do
colorido com tintas vegetais, de que se ia perdendo o
segredo, processos de tratar lã e a escolha da própria
tela sobre que se borda.
Em tecidos que a moda já hoje consagrou como
tapetes dos mais originais e interessantes, devo falar
dos bem conhecidos do norte ec centro de Portugal em
lã e urdiduras de linho, de que o inteligente e artístico
critério que está hoje presidindo à nossa renovação
milagres.
artística, tem feito verdadeiros mihigres.
Essas cobertas em tecidos aveludados, que se ia-
ziam
z.iam em Trás-os-Montes e serviam para as camas de
tantas gerações de avós, são hoje magníficos tapetes
nas casas artísticas de Lisboa.
Os baicheiros com que se almofadavam os aparelhos
das montadas em que as senhoras viajavam por essas
serranias das Beiras e Trás-os-Montes, estão hoje sendo
adoptados em panos para mesas, tapetes, passadeiras,
sobre-portas e.e tudo quanto o conforto e a arte dum
povo civilizado reclama.
Não posso, nem devo alougar-me por mais tempo,
fazendo um relatório especificado do que são hoje as
novas pequenas indústrias regionais, mas, abusando
da vossa benévola atenção desejo ainda íalar-vos
falar-vos com
muito carinho do que se produz,
produz no recanto edénico da
terra beirã.
Ali naquela pequena região entre Vizeu, Tondela e
Mangualde, tecedeiras recolhidas nas suas casinhas po-
bres, movendo os seus pequenos teares, que já foram
das mães e das avós, tecem os linhos, que de novo
se
-e semeiam nos campos, pondo a sua mancha azul de
céu entre o florido de variadas côres.
cores.
Com uma persistência de tradicional profissão, os
desenhos em relevo continuam, nas toalhas e nas
cobertas, que a indústria mecânica mal pôde imitar.
São também as tecedeiras, que fabricam êsses
esses tape-
15Ô

tes em linho e lãs coloridos, alguns em tonalidade


sóbria, aproveitando para fundo a própria urdidura,
descnlios tradicionais e outros, que sem perderem
com desenhos
o característico têem a elegância da arte culta.
Os bordados ligeiros que as mulheres do campo de
Tibaldinho e Alcafache executam sobre algodão leve,
dão uma frescura e uma graça de folar ao seu branco
engomado e frágil.
É também dessa região, tão nossa, tão sentimen-
talmente portuguesa, a indústria dos cestos de Vil-de-
Moinhos em que hoje se exporta para todo o país o
doce de ovos afamado, de que as freiras de Vizeu dei-
xaram a receita.
Esses cestinhos, tão pitorescos, ainda hoje se fa-
zem iguais aos que Nossa Senhora leva enfiado no
braço na fuga para o Egito... no retábulo de Jorge
Afonso, que se encontra no museu Grão Vasco.
Os barros negros de Molelos, que os nossos avos
lusitanos já fabricavam assim, com uma nova graça e
indústrias
modalidade artística também fazem parte das indústria*;
regionais dessa região abençoada...
E tudo isso e muito mais, que é hoje pro-
curado avidamente pelos compradores estrangeiros
conseguiu a propaganda trazer, para ser mostrado na
Exposição, mais comeom o fito em vós do que pensando
nos alheios elogios.
E neste ponto muito especial deve-se fazer ressal-
Almeidi
tar a perseverança e esforço de Francisco de Almeida
Moreira, o verdadeiro animador das pequenas indústrias
beiras, desde as mantas que pomos sobre as nossas
mesas, aos tapetes, às louças e aos barros de Molelos,
aos bordados, aos cestos e tudo mais, de que von vos
poderieis^vêr se fosseis de longada até
falei e melhor poderieis'ver
essa linda cidade de Vizeu.
Meus senhores, e meus patrícios, queria ainda
falar-vos das nossas filigranas de Gondomar e outras
que são a obra de paciência e de carinho das nossas
laboriosas mulheres ^queria falar-vos do ressurgimento
das nossas faianças antigas, tão características, tão
belas e tão sugestivas! Essas faianças que são a per-
m
m

feita reprodução dos produtos que já só os coleccio-


nadores conheciam das fábricas do Rato, Bica do
Sapato, Viana, Juncal ec tantas outras, que atestam o
nosso glorioso passado artístico.
Queria também falar-vos do mobiliário florido do
Alentejo ee do do nosso
nosso austero
austero mobiliário
mobiliário tradicional,
tradicional, que que
tanta grandeza
grandeza ee tanta tanta elegância
elegância própria
própria imprimiu
imprimiu ao ao
rocócó francês, por demais arrebicado para a alma se-
rena e forte dos portugueses. Queria falar-vos dos bor-
dados a azul e vermelho com que as mulheres de
Viana do do Castelo
Castelo opulentam
opulentam as as suas
suas camisas
camisas de de linho,
linho,
com uma elegância bizantina, e que o esforço inteli-
gente duma duma senhora
senhora adaptou
adaptou às às roupas
roupas luxuosas
luxuosas das da*
mesas ricas...
E para
para falar
falar de
de tudo,
tudo, teria
teria dede ir
ir continuando
continuando inde- inde-
finidamente, como aquelas "Mil e uma Noites,, da Prin-
cesa Árabe,
Árabe, poispois lá lá ficou
ficou também
também muito muito queque nãonão po-po-
demos trazer...
trazer...
E, assim,
assim, meus
meus senhores,
senhores, só só vos
vos digo
digo queque aa expo-
expo-
sição
sição queque vaivai abrir
abrir éé tudotudo quanto
quanto acabo
acabo de de vos
vos anun-
anun-
ciar em em descoloridas
descoloridas frazes frazes ee tudo
tudo mais
mais queque vereis
vereis ee
representa em em carinho
carinho ee em em interesse
interesse os os corações
conições dos dos
vossos irmãos que de lá vos acompanham em pensa-
mento
mento ee lá lá vos
vos esperam
esperam sempre...
sempre... PorquePorque nos nos lares
lares
portugueses há há sempre
sempre ausentes
ausentes que que se se esperam.
esperam.
EE dos
dos que que ficaram,
ficaram, muitos muitos estãoestão aa estas
estas horas
horas
sonhando
sonhando 110 no momento
momento de de vir,
vir, neste
neste trabalho
trabalho imenso
imenso
de urdidura em
de urdidura em que
que se se desenha
desenha ee tecetece oo magnífico
magnffico ta- ta-
pete da da civilização
civilização lusitana,
lusitana, de de aquém
aquém ee além-Atlântico!
além-Atlântico!
Não
Não há há português
português que que não
não deseje
deseje virvir prodigalizar-se
prodigalizar-se
nesta grande
grande "Eira,,,
"Eira,,, que que éé oo Brasil;
Brasil; ce não
não háhá "brasi-
"brasi-
leiro,,, que não
leiro,,, que não deseje
deseje voltarvoltar ao ao "Ovo,,
"Ovo,, recheiadinho
recheiadinho
de graça e amor, que é Portugal!
EE assim
assim podemos
podemos ee devemos devemos continuar
continuar aa nossa nossa
grande
grande obra obra civilizadora
civilizadora de de irmãos
irmãos sempre
sempre ligados
ligados no no
mesmo
mesmo grandegrande pensamento
pensamento de de amor
amor ee de de orgulho
orgulho pelapela
nossa Pátria
Pátria cc pelo
pelo nosso
nosso sangue,
sangue, na na certeza
certeza dum dum fu- fu-
turo cada vez
turo cada vez mais
mais digno
digno do do nosso
nosso passado.
passado.
O novo idealismo da raça

através da moderna literatura portuguesa


Lncontraudo-me
tncontraiido-me aqui, nesta camaradagem frater-
nal em que todos os valores se conjugam para uma
grande ascensão, a marcar a nova marcha histórica da
raça para um futuro de natural
natura! expansão e imposição,
permitam-me
permitam-iue que lhes venha falar da moderna litera-
tura portuguesa, ligando-a naturalmente à;\ evolução so-
cial do país e às transformações da sua vida interna e
externa, pois só assim se pode compreender, na reali-
sação da sua mais alta e mais bela função.
Para quem só exteriormente e superficialmente
conhecer a vida portuguesa, é difícil apreender-lhe
apreeuder-lhe o
sentido pelo
pelu conjunto, na aparência desarmonico, da
sociedade. Só estudando e sentindo bem a fundo a
palpitação espiritual da raça se apreenderá com nitidez
o futuro em que todos pomos os olhos, como se fos-
semos um povo de iluminados, caminhando em gloria
e beleza, e mal nos apercebendo dos percalços que por
vezes nos magoam, mas não conseguem amortecer a
nossa fé inquebrantávelmente messiânica.
Estudando e explicando a evolução intelectual, espe-
cialmente literária,
litera/ia, que é a forma de melhor exteriori-
sação, pondo em contacto o pensamento e as tendên-
cias da
di elite intelectual coin
com a grande alma colectiva
do povo, facilmente se explicam e se tornam compreen-
síveis actos individuais e acontecimentos da vida por-
tuguesa, que à primeira vista parecem obscuros, e es-
capam a uma analise superficial.
156
156

É que a literatura para nós não é apenas a beleza


da forma, nem a simples exteriorisação dos sentimen-
tos e das ideias individuais, mas a mais humana e
comunicativa expressão das aspirações da raça e a
mais firme indicação da sua vida nacional.
Para muitos povos a literatura é uma forma de
arte exteriorisada, pouco ou nada revelando as tendên-
cias raciais. Por vezes, quando se julga que ela repre-
senta a expressão do sentir dum povo, sucede que era
apenas o pensamento duma elite intelectual e desna-
cioualisada.
cionalisada.
Em Portugal não sucede assim! O movimento
profundo da alma nacional desetirola-se
desenrola-se nitidamente
na sua literatura, dando-nos a compreensão da sua vida
histórica e social, e exprimindo flagrantemente o>os seus
períodos de elevação c de queda moral.
Eis o motivo porque não vemos uma escola literá-
ria suceder a outra escola, ou contra ela reagindo
francamente, mas sim vemos largos períodos de evo-
lução literária, que se liarmonisam
harmonisam com a grande vida
expansiva da raça, por vezes comportando mais duma
escola e tendências intelectuais e morais, que chegam
a dar a estranhos a aparência de se contradizerem.
Não é nossa intenção fazer um curso de literatura,
mas tão somente mostrar, através da alma e da obra
dos poetas, as modernas tendências e aspirações idea-
listas da sociedade portuguesa, mal conhecidas momen-
taneamente no Brasil.
Por circunstancias fortuitas, e quasi
quási todas de carac-
ter puramente material, o mercado de livros no Brasil
tomou-se aos novos escritores portugueses, que
tornou-se difícil aus
deixaram de ser lidos e compreendidos, não só pelo
publico propriamente brasileiro, como até pelos portu-
gueses, que embora vivendo em saudade e orgulho
longe da Pátria, não têem
téem tempo de seguir de perto a
vida intelectual, bastante intensa 110
no nosso país, se no
mercado faltarem como de facto faltaram durante
algum
alguin tempo, as obras modernas e a propaganda de
fraternidade intelectual fôr menos intensa.
Vamos pois dizer algumas palavras sobre o movi-
157

mento literário, que consideramos decisivo para a


compreenção da moderna evolução do idealismo da
raça, que começa em João de Deus e a chamada Escola
raça.
de Coimbra.
Seria longo, e porventura obscuro para a maioria,
explicar quanto o Romantismo e o Ultra-Romantismo
se haviam aíastado do verdadeiro e profundo caracter
írancame.Ue
da raça portuguesa, criadora e iniciadora, francamente
oposta à imitação literária, que só em períodos de
decadência se faz sentir.
Ora o romantismo foi um nm movimento de franca ec
servil importação estrangeira, especialmente copiado
da França.
Mais apropriadamente, até, se lhe
llie pode chamar uma
adaptação feita sem critério nem sensibilidade nacio-
nal, com um idealismo mesquinho, primário, girando em
volta de meia dúzia de sentimentos e de paixões, que
só conseguiu tornar ridículas.
próprio patriotismo, de que a literatura roinantica
O proprio romântica
abusou em todos os países, em Portugal não deixou
um traço fundo de sinceridade ! Os poetas românti-
cos dão-nos hoje a impressão de só terem sentido
manifestações balofas de sentimentos incompletosincompletos,
própria inferioridade, sem obe-
satisfazendo-se com a propria
decerem a uma critica inteligente, abusando duma in-
felicidade lamecha, que é absolutamente contrária ao
espírito de acção e de força, que é uma das mais no-
bres características do espirito português.
Chorando e gemendo em volta do amor e das suas
pequenas máguas em nenhum atingiu êle a grandeza
épica da tragédia, que na alma portuguesa ultrapassa,
por vezes a capacidade do sentir humano, como no
real amor de Pedro e a linda Ignez.
lgnez.
Para reagir contra o romantismo, de que apenas se
tradicionalista,
salvam:—Garrett com a sua intuição tradicional sta, indo
buscar ao povo as rimas do seu "Romanceiro,,, Her-
culano procurando na historia o sentido nacional,—
foi necessário renovar o espirito nacionalista e apro-
ximá-lo francamente das raízes populares.
Depois de se criar o grande e fecundo amor pela
158

terra-mater, o espirito português necessitou para rea-


gir, uede pòr-se em contacto com o grande período de
ahrir-se francamente a todas as
criação quinhentista, e abrir-se
modernas correntes ieuropeias,
uropeias, sem servilismo de imi-
tação, mas reflectindo preocupações profundas sobre
a ideia religiosa, filosófica e scientific
scientiíica.!.
A obra formidável que tinhatinlia de tornár
tomar estes três
aspectos para bem preencher o seu fim, dando ao pie-
guismo romântico um golpe mortal, foi realizada pelos
Coimbr.i e continuada pelo movimento
dessidentes de Coimbra
que deles partiu, envolvendo na sua acção profunda-
mente nacionalista os líricos que depois surgiram, es-
pecialmente João de Deus, o mais popular e o mais
profundamente impregnado do puro sentimentalismo
português.
Por intuição mais do que por raciocínio ou pensa-
mento filosófico, João de Deus reaiisou,
realisou, como ninguém,
a aproximação da poesia culta à forma verdadeiramente
popular, que lhe dá a naturalidade no dizer, a ingenui-
dade no sentir, a profundeza na dor e a vaga ansie-
dade no sonho e na aspiração paia para qualquer coisa
superior, que aproxima essa poesia, duma forma quasi
instintiva, com a verdadeira literatura popular, na sua
bela forma estética, que é a expressão esp mtanca das
qualidades da raça.
f: é nessa forma renovada, pura de todas as sujei sujei-
çoes de escola, tocando de novo a profundidade do
ções
sentimento racial e iniciando o ingresso da preocupação
da Alma no reliogiosismo humano — - que é a caracte-
rística mais profunda deste novo período da civilisação
portuguesa que João de Deus é verdadeiramente
grande.
A poesia que vamos ler e que ele intitulou Tris-
tezas té a expressão dum sentimento que se não define
e na sua forma tão simples e tão espontânea, toda a
nova preocupação espiritual do momento se manifesta
bem nitidamente.
so

TRISTEZAS
TRISTEZAS

Na marcha da vida
Que vae a voar
Por esta descida
Caminho do mar,
Caminho da morte
Que me lia-de arrancar
O grito mais forte
Que eu posso exalar;
O ai da partida
Da patria,
pátria, do lar,
Dos meus e da vida,
Da terra e do ar;
Já perto da onda
Que ine
me ha-de tragar,
Embora
bmbora se esconda
No fundo do mar;
De noite e de dia
Me alveja no ar
O fumo que eu via
Subir do meu lar!
Que sonhos
bonhos doirados
Me estão aa"lembrar!
"lembrar!
Masjtempos passados
Não'podem
Não "podem voltar!
Carreira da vida,
Que vaes a voar
Por esta descida,
Vae mais devagar; •
Que eu vou deste mundo,
Talvez, descançar,
E nunca do fundo
Dos mares voltar!...
160

Tudo nesta doce poesia nos revela a sensibilidade


a ternura e a profundeza do pensamento e do senti-
mento português.
E'
I;' toda a alma dum povo que se aproxima sem
revolta da tragedia maxima
máxima da vida, que eé a morte,
numa resignação de certeza de qualquer coisa que fica
para álcm
além do ser consciente.
João de Deus é por exemplo na poesia o Desa-
lento c einem outras que ferem a mesma sensibilidade,
não um poeta individual, mas uma das formas porque
a alma da raça se poude
ponde exprimir c comunicar com
todas as outras expressões do seu obscuro sentir.
O grande poeta que foi João de Deus, no verdadeiro
sentido da palavra, porventura até inconsciente da sua
formidável acção patriótica, aproximou-sc na sua nova
forma de lirismo do maior período da poesia portu-
guesa, que foi o quinhentista.
Aproveitando o soneto, cuja forma os anteriores
poetas do romantismo tinham deixado cair cm desuso,
João de Deus fundiu-o numa peça admirável de sensi-
bilidade e dando-lhe
daudo-lhe um sentimento que se liarmonisa
harmonisa
com a profundidade sentimental da vida de hoje, fc-lo
fê-lo
atingir a perfeição modelar.
Ao próprio Antero, o poeta máximo da nova era
literária, se estendeu a influência dêste
deste movimento es-
pontâneo de renovação e aproximação com o periodo
em que o lirismo português mais alto subira, e que
João de Deus iniciara duma fornia
forma admirável, sendo
èlc
èle próprio, o grande e Santo Antero, que o expressa
no
110 seu estudo "O lirismo de João de Deus c o seu
soneto,,.
O Soneto A Vicia
Vida que serve de abertura ao poema
que assim intitulou, está todo impregnado da ânsia e
da tristeza divina da alma em face da realidade amar-
gurada.
Tudo nele é perfeição na forma e simplicidade na
maneira profunda de sentir a dòr e a amargura espon-
tânea das coisas irremediáveis:
mi

A
A VIDA
VIDA

Foi-se-mc
Foi-se-me pouco a pouco amortecendo
A luz que nesta vida me guiava,
Olhos fitos na qual até contava
Ir os degraus do túmulo descendo.
Em se ela anuveando, em a não vendo,
Já se me a luz de tudo amiveava;
anuveava;
Despontava ela apenas, despontava
Logo em minha
Logo em minha alma
alma aa luz
luz que
que ia
ia perdendo.
perdendo.
Alma gémea
Alma gémea dada minha,
minha, ee ingénua
ingénua ee pura
pura
Como os anjos
Como os anjos do
do céu
céu (se
(se oo não
não sonharam...)
sonharam...)
Quiz mostrar-me
Quiz mostrar-me que
que oo bem,
bem, bem
bem pouco
pouco dura!
dura!
Não sei se
Não sei se me
me voou,
voou, se
se ma
m'a levaram;
levaram;
Nem saiba eu nunca a minha desventura
Contar aos que
Contar aos que iuda
iuda em
em vida
vida não
não choraram...
choraram...
Também
Também em em Antéro
Antero se se pode
pode bembem reconhecer
reconhecer esta
esta
primeira fase do movimento, que nos conduz com
muita firmeza ao
muita firmeza ao sentimento
sentimento ee àà expressão
expressão nacionalista
nacionalista
do momento atual.
Antero renovou aa sua
Antéro renovou sua alma
alma ee aa sua
sua expressão
expressão dc de
português antes de
português antes de ter
ter adquirido,
adquirido, como
como depois
depois suce-
suce-
deu, toda aa cultura
deu, toda cultura filosófica
filosófica contemporânea
contemporânea ee pro pro-
curado individualmente uma
curado individualmente uma nova
nova verdade.
verdade.
Nas suas tão
Nas suas tão simples
simples quadras
quadras ao ao Mondego,
Mondego, que que são
são
dos seus primeiros
dos seus primeiros tempos
tempos de de Coimbra,
Coimbra, encontramos
encontramos
já expressa aa nova
já expressa nova forma
forma do do lirismo
lirismo português
português relacio-
relacio-
nado com oo passado
nado com passado através
através dumdum sentimento
sentimento popular
popular
cheio
cheio dede ternura
ternura pelas
pelas forças
forças naturais
naturais ee pelas
pelas coisa>
coisa>
que adquirem alma, pensamento e individualidade
que adquirem alma, pensamento e individualidade em em
toda
toda aa nossa
nossa verdadeira
verdadeira poesia
poesia popular:
popular:
Lindas águas do Mondego,
For cima olivais do monte!
Quando as águas vão crescidas
Ninguém passa além da ponte !
1*2

Ó rio, rio da vida,


Quem te íôra atravessar!
Vais tão cheio
clieio de tristezas...
Ninguém te pode passar.
Mas dize tu, ó Mondego,
Pois todos levam seu fado,
Tu que foges e eu que fico
Qual de nós vai mais pesado?
Tu, ao som dos teus salgueiros
Levas as tuas areias...
Eu, ao som dos meus desgostos,
Levo estas negras ideias...

Nesse escultural soneto A Sulamite o amor abre-se


em
cm pureza,
pureza, num
num lirismo
lirismo que
que sese eleva
eleva ee eleva
eleva aa
alma das coisas em comunicação tão intima com a
Natureza, que toda a sua expressão é religiosa como
místico da vontade, à guarda
uma prece, no abandono mistico
de Deus:
Quem anda lá por fora, pela vinha,
Na sombra do luar meio encoberto,
Subtil nos passos e espreitando incerto,
Com brando respirar de criancinha?
Um sonho me acordou... não sei que tinha...
Pareceu-me senti-lo aqui tão perto...
Seja alta noite, seja num deserto,
Quem ama até em sonhos adivinha...
Moças da minha terra, ao meu amado
Correi, dizei-lhe que eu dormia agora,
Mas que
que pode
pode irir contente
contente ee descansado,
descansado,
Pois se tão cedo adormeci, conforme
LE meu costume, olhai, dormia embora,
Porque o meu coração é que não dorme...
lf>3

Antero, porém, realisa


Antéro, porém, rcalisa aa terceira
terceira aproximação
aproximação nc ne-
cessária, entrando no
cessaria, entrando no movimento
movimento com com aa maxima
máxima cul- cul-
tura
tura ee a'maxima
a'máxima civilização
civilização suassuas contemporâneas.
contemporâneas. Com Com
êle, o poeta culto por excelência,
êle, o poeta culto por excelência, aparece uma preo- aparece uma preo-
cupação
cupação mais mais alta,
alta, que
que éé aa integração
integração do do pensamento
pensamento
português
português 110 no movimento
movimento de de ideias
ideias queque se se vaivai produ-
produ-
zindo no estrangeiro, mas não o
zindo no estrangeiro, mas não o servilismo das formasservilismo das formas
importadas
importadas sem sem compreensão
compreensão nem nem ideal
ideal proprio,
próprio, como
como
sucedera com o romantismo.
É Antero que
É Antéro que primeiro
primeiro realisa
realisa essaessa aproximação
aproximação
necessária
necessária da da cultura
cultura estrangeira,
estrangeira, 110 no seu
seu aspecto
aspecto filo-
filo-
sófico
sófico ee religioso,
religioso, queque passando
passando através
através da da sua
sua alma
alma ee
do sentimento
do senti português procurou
mento português procurou aa nova nova verdade
verdade
religiosa.
O facto mais
O facto mais importante
importante do do novo
novo idealismo
idealismo portu-
portu-
guês e a mais bela manifestação da
guês e a mais bela manifestação da civilização da raça civilização da raça
éé esta
esta inquieta
inquieta buscabusca dumaduma ideia
ideia religiosa,
religiosa, duma duma cer-cer-
teza metafísica, feita
teza metafísica, feita pelo
pelo sentiu
sentiu ento,
ento, pela
pela alma
alma ee pela
pela
inteligência
inteligência ee cultura cultura dumdum homem
homem de de génio
génio comocomo foi foi
Antero,
Antéro, grande grande entreentre os os maiores
maiores ein em toda
toda aa parte
parte do do
mundo.
inundo.
Não
Não éé possível
possível numanuma simples
simples conferencia
conferencia estudar
estudar aa
génese
génese da da ideia
ideia religiosa
religiosa de de Antéro
Antero ee explicar
explicar aa suasua
verdade,
verdade, mas mas bastar-nos-há
bastar-nos-há dizer dizer que que ela
ela éé aa base
base do do
novo espiritualismo português,
novo espiritualismo português, como como que que oo alicerce
alicerce
sobre
sobre que que se se começou
começou aa elevarelevar oo período
período de de grandeza
grandeza
que
que sese aproxima
aproxima ee 110 no qual,
qual, embora
embora ainda ainda obscuramente
obscuramente
na maioria, todos
11a maioria, todos crêem
crêem em em Portugal,
Portugal, para para bembem se se
compreender
compreender aa necessidade
necessidade de de mostrar,
mostrar, através
através da da poe-
poe-
sia do poeta
sia do poeta máximo,
máximo, o. o. sentimento
sentimento que que anima
anima essa
essa
religiosidade nova.
Por exemplo nos
Por exemplo nos dois
dois sonetos
sonetos Redenção
Redenção aa. almaalma poi-
por-
tuguesa integra-se 110
tuguesa integra-se no sentimento
sentimento das das coisas
coisas ee eleva-se
eleva-se
na sua aspiração
na sua aspiração religiosa.
religiosa.
Essa aproximação com
Essa aproximação com aa cultura
cultura universal
universal ee com com aa
tradição
tradição do do povo
povo português,
português, aa que que se se juntou
juntou uma uma
intensa criação nova,
intensa criação nova, foi foi igualmente
igualmente feita feita por
por Oliveira
Oliveira
Martins
Martins oo grande
grande filosofo
filosofo critico
critico do do movimento.
movimento.
Na "História da
Na "Historia da Civilização
Civilização Ibérica,,
Ibérica,, mostra,c
mostra,c provaprova
com
com muitamuita clareza,
clareza, aa existência
existência duma duma civilização
civilização da da
164

Península
Peninsula c define a alma da tia nova civilização c o
espirito que a anima.
Toda a sua obra, tnesmo
mesmo quando não concordamos
com o espirito imediato que a dirige, é um factor de
muita importância no movimento que se vem acen-
tuando cada vez com mais firmeza.
Oliveira Martins, mesmo quando quere contra-
riar o movimento expansivo da raça, preferindo ao
largo manto enfunado a todos os ventos da ambi-
ção idealista do Infante D. Henrique, o capelo
estreito do Regente, não consegue senão exaltar as
qualidades expansivas da raça e dar a certeza dum
renovamento místico que nos conduz a um novo
período de imposição civilizadora. Ajudando o movi-
mento e dando-llie,
dando-lhe, com a sua critica cheia de bom
senso, o contacto directo com o grande publico, que
necessita do riso pira
para destruir e do bom senso para com-
preender, surge Ramalho Ortigão. A sua prosa duma
beleza cristalina e sem largos vòos,
voos, é como um banho
lustral que limpa a sociedade portuguesa dos últimos
ridículos do romantismo e a impulsiona para uma
acçãp huinana
humana e fecunda.
É à sua critica, cheia de sensibilidade patriótica,
que principalmente se deve a ligação intima das novas
gerações com a alma do povo, sob o ponto de vista
da arte e dos costumes regionais.
Ramalho Ortigão é o revelador da paisagem e da
beleza da vida popular na sua rude e forte sensibili-
dade das coisas. Foi com êle, percorrendo as paisa-
gens montesinas, abeirandornos das ondas que veem vêem
morrer nas areias finas das nossas praias, correndo
feiras e romarias, que Portugal começou a reconhecer
reconl.ecer
c a compreender a arte e a tradição artística, que o
povo escondera, humilhado pelo desprezo dos que se
diziam cultos, para melhor a guardar como uma das
mais belas coisas da sua continuidade tradicional, fòrça
força
que já hoje pesa beneficamcnte
beneficamente 110 no movimento de
resurgimento nacional que vimos estudando.
Com Eça de Queiroz vein vem a renovação da forma
literária, que tomou sob os seus dedos nervosos,
lCn
Kit

inspirado
inspirado pela pela critica
critica amarga
amarga dum dum grande
grande orgulho
orgulho inte-
inte-
lectual que
lectual que se se sente
sente amesquinhado
amesquinliado pelo pelo meio meio conse-
conse-
guindo aa mais
guindo mais bela
bela forma
forma estctica
estética queque aa arte
arte ee oo senti-
senti-
mento
mento moderno moderno podem podem adquirir,
adquirir, ligando-se
ligando-se numa numa
pureza que
pureza que vaivai para
para além
além do do assunto
assunto ee do do momento
momento
que viveu,
que viveu, atéaté àà grande
grande tradição
tradição da da raça.
raça.
A personalidade critica
A personalidade critica ee amargurada
amargurada de de Eça
Eça ce aa
sua sensibilidade
sua sensibilidade estética
estética em em face
face dada natureza
natureza ee da da
verdadeira alma
verdadeira alma dodo povo
povo português,
português, tornam
tornam compreensí-
compreensí-
vel
vel oo lirismo
lirismo em em prosa
prosa dede Fialho
Fialho de de Almeida,
Almeida, todo todo
impregnado dum
impregnado dum forte
forte regionalismo
regionalismo ee duma duma plastici-
plastici-
dade amorável
dade amorável ou ou caricatural,
caricatural, que que será será eterna
eterna em em
alguns trechos
alguns trechos das das suas
suas paisagens
paisagens ee em em algumas
algumas figu- figu-
ras
ras tão tão vividas,
vividas, tão tão realistas
realistas como como os os barros
barros de de
Machado de
Machado de Castro,
Castro, maravilha
maravilha da da sensibilidade
sensibilidade artís- artís-
tica do
tica do povo
povo português.
português.
A par destes
A par destes grandes
grandes valores
valores construtivos
construtivos da da raça
raça
vêem as
veem as duas
duas maiores
maiores sensibilidades
sensibilidades literárias,
literárias, que que
são Guerra
são Guerra Junqueiro
Junqueiro ee Gomes
Gomes Leal. Leal.
Apanhados
Apanhados por por este
este grande
grande movimento
movimento de de criação
criação
ee transtormação
transformação da da ideia
ideia religiosa,
religiosa, oo génio génio incons-
incons-
ciente que
ciente que os os domina
domina eleva-os
eleva-os na na manifestação
manifestação do do seu
seu
lirismo
lirismo cheiocheio de de pureza
pureza ee de de simplicidade
simplicidade tradicional.
tradicional.
Em Gomes
Em Gomes Leal Leal oo misticismo
misticismo religiosoreligioso atingeatinge oo
máximo da
máximo da pureza
pureza ee dada simplicidade
simplicidade lirica lirica cmcm algumas
algumas
das mais lindas
das mais lindas paginas
paginas da da Historia
Historia as de Jesus.
Jesus.
Aquele que
Aquele que foi
foi oo autor
autor irreverente
irreverente de de tantas
tantas poesias
poesias,
de revolta
de revolta éé na na sua
sua comunhão
comunhão coin com as as criancinhas
criancinhas dum dum
lirismo suave, como
lirismo suave, como se se tivesse
tivesse de de ser ser recitado
recitado num num
mistério religioso
mistério religioso do do Natal,
Natal, numa
numa igreja
igreja para para aa almaalma
simples do povo.
Basta dizer algumas
Basta dizer algumas quadras
quadras dessadessa Historia
Historia sem sem
par, para que da sua pureza e simplicidade
par, para que da sua pureza e simplicidade lirica st- lirica se
tire' aa ligação,
tire' ligação, embora
embora inconsciente,
inconsciente, com com aa tradição
tradição
popular:
Ó pombas que
Ó pombas que andais
andais voando
voando
Sobre as
Sobre as nuvens,
nuvens, ee as as bandeiras,
bandeiras,
Regatos! que
Regatos! que ides
ides regando
regando
Os verdes pés
Os verdes pés dasdas roseiras,
roseiras,
lfifi
I6f»

evangelistas
Evangelistas da Igreja!
Nos vossos nichos sósinhos,
Ein biblia adeja
Eni cuja bíblia
O vôo dos passarinhos,
Ó
O crianças pequeninas!
Com olhos cheios de luz,
Koinanzeiras
Roinanzeiras purpurinas,
Como as chagas de Jesus !
Madonas de olhos profundos!
Como céus espirituais,
Ou como dois vastos mundos,
Para chorar os mortais,
Estrelas ! celeste côro
coro !
Que andais rolando nos ceus,
céus,
Como grandes rodas de ouro
Do antigo carro de Deus,
Ouvi a história sem par,
Que eu rimei às criancinhas,
f!
E liei de fazer decorar
Aos lirios e às andorinhas.
Podia ler-Ihes outras poesias dessa pequenina ma-
ravilha de sensibilidade e de pureza, mas basta êsteeste
prefacio, que é como o resumo do "mistério,, que vai
passar como um rufiar de asas de anjo no novo
momento da raça, que para eles eram ainda saudade
e vaga aspiração.
Guerra Junqueiro que tem um lirismo todo
impregnado de ternura pela terra no seu livro os
Simples
bimples e amoroso em algumas das suas boas
próprio e atinge a grandeza cio
poesias, sai de si proprio do génio,
interprete da ansiada alma da raça no poema A
Pátria.
Patria.
A sua sensibilidade literária e a sua rara capaci-
dade de interpretação deixain-no penetrar de toda a
momentânea desgraça nacional e fazem com que atinja
mmmm

167

a grandeza genial ec formidável dessas paginas, que


são gritos duma dor e duma revolta, que só por si
demonstram a fôrça
força vital do povo que as ponde pro-
duzir e compreender.
Começou com o Finis Patriae Patríae o grito doloroso
da raça, que momentaneamente sentiu perdida a espe-
rança, olhou espavorida o futuro e gritou na tortura
dum sofrimento incomportável o seu odio ódio aos que a
empurraram para
para aa miséria
miséria ee para
para aa vergonha:
vergonha:
LiÍL negra a terra, é negra a noite, é negro o luar
Na escuridão, ouvi, ha sombras a falar.
Li essas
essas sombras
sombras avançam
avançam no no seu
seu sudário
sudário enchar-
enchar-
cado de lágrimas.
As choupanas
choupanas dosdos camponezes,
camponezes, aa infância
infância miserá-
miserá-
vel, os emigrantes desamparados, os campos sem cul-
tura, o luto e a dor, a fome, a vergonha e a miséria,
miséria...
naufrágios e procelas, hospitais e escolas ein em ruinas,
cadeias que
que desmoralisam,
desmoralisam, condenados
condenados que que espiam
espiam aa
culpa da sociedade que os empurrou para o crime,
todos vêem,
vêem, perturbadores
perturbadores ee trágicos
trágicos, reclamar
reclamar justiça.
justiça.
As fortalezas
fortalezas desmanteladas
desmanteladas bradam
bradam oo horror
horror ao ao
inimigo, seja
seja éle
éle qual
qual fôr,
fôr, que
que esquece
esquece aa gloria
gloria do
do seu
seu
passado incomparável.
Os monumentos arrazados gemem :
A alma das pedras sacrosantas,
Chorando, àà noite,
noite, faz
faz horror!...
horror!... ..
As estatuas
As estatuas dos
dus heróis
heróis na
na sua
sua voz
voz de
de bronze,
bronze, gri-
gri-
tam o seu desespero formidável:

Que resta enfim da nossa gloria?


Que éé da
da altivez—Jogou-se
altivez—Jogou-se aos
aos dados...
dados...
Que
Que éé do
do estandarte?—Ei-lo
estandarte?—Ei-lo em
em bocados...
bocados...
Que
Que éé da
da nação?-
nação?—Morreu na historia!
Morreu na historia!
E na entenebrecida ânsia da nossa duvida, a Alma
Alma
da Pátria:
168

Pressente na mudez cavernosa do pânico,


Que a hora dos trovões profundos vai falar...
A Marcha do Odio
Ódio que foi a sequência do mes-
mo espirito de revolta, é como uma oração de fé, que
se repete sempre que alguém atraiçoa o ideal sagrado
da raça.
A\as
Mas se o Finis-Patriae é o grito da decadência
momentânea dum povo, que pelo peto desproporcionado
esforço da sua grandeza perde a noção das coisas, já j;í
nas primeiras paginas da Pátria nos aparece engran-
decido na sua imensa agonia. Na extraordinária con-
cepção deste poema encontramos a compreensão ideo-
lógica e perfeita da alma lusitana, consciente da sua
decadência, mas encaminhando-se para o resurgimento
que se manifesta na propria
própria violência com que exprime
a injusta desgraça e sente a hora libertadora qneque se
aproxima.
Se o génio português teve em Camões o ex-
poente máximo duma época de glória, a Pátria
de Guerra Junqueiro resume nas suas paginas, tão
aparentemente contraditórias, o conjucto
conjueto extraordi-
nário do sonho de uma grande raça atraiçoada por
egoísmos e mesquinhos interesses numa acção impa* impa-
triotica de jogo de azar, vexante e criminoso.
O doido genial, o velho, o trágico guerreiro e
marinheiro, que avassalou o mundo,
inundo, grita na escu-
ridão :
„ Ó nau gigante, 6ó nau soturna,
O
Galera tragica
trágica e noturna,
Que levas, dize, 110
no porão?...

t a nau fantasma responde no pavor de uma con


£ con-
fissão criminosa:
Dentro do esquife amortalhada
Levo uma Pátria assassinada
No meu porão!...
mmtmmmmmmmm

16Q
169

E que Pátria?.di-lo
Pátria?...— di-lo "Astrologos,,
"Astrólogos,, a figura
simbólica que representa o momento de aspiração e de
desanimo, que resalta de toda a obra de reconstrução
histórica e de pensamento impregnado de desgraça, de
Oliveira Martins:
li Pátria! A máis
l que Patria! mais formosa e linda
Que ondas do mar e luz do luar viram ainda !...
E essa Pátria, sentindo-se apertada entre os pro-
blemas da politica europeia e os limites que o mar lhe
punha ao lado, abriu as largas e possantes asas do
sonho e desdobrou-se e cresceu e tornou-se tamanha,
que nenhum povo moderno a ponde igualar.
Epopeia inaudita! Herói, ele a viveu,
Sonhador, a cantou: Ésquilo
Esquilo e Prometeu!
Inda em hinos de bronze, ein estrofes marmóreas
Vibra eterno o clangor dessas passadas glorias...

E depois vem o desastre e vem a dôr despropor-


cionada à capacidade de sofrimento e o povo, doido
sublime, proclama e grita a sua miséria, a sua saudade
e desesperança:
Em noite sem lua, numa nau sem leme, fui descobrir
mundos,
Mundos pelo mar...
O vento sopra, o vento sopra...
Quanta areia negra faz turbilhonar!
— Mundos a voar... Mundos a voar...
Por manhã doirada, galeão doirado vinha cheio
d'oiro!...
Rubins scintilantes,
Pérolas, diamantes...
Vinha cheio d'oiro...
O vento sopra, o vento sopra...
Que cinzas de campas se alevanta ao ar...
— Meu oiro a voar... meu oiro a voar...
170

Castelos nas
Castelos nas praias,
praias, galeras
galeras nas
nas ondas,
ondas, reinos
reinos d'alem-
cTalem-
mar!...
O vento sopra,
O vento sopra, oo vento,
vento, sopra...
sopra...
Que bandos de
Que bandos de nuvens!...
nuvens!... Vão-se
Vâo-se aa desmanchar!...
desmanchar!...
Castelos..
Castelos....galeras... reinos d'alem-mar...
galeras... reinos d'alem-mar...
Foi um
Foi um sonho
sonho lindo...
lindo... foi
foi um
um sonho
sonho lindo...
lindo... Como
Como
éé boin
bom sonhar!...
sonhar!...
Acordei sem alma...
Acordei sem alma... Quem
Quem me me encontra
encontra aa alma...
alma...
Quem m'a torna
Quem 111'a torna aa dar!
dar!
Mas.apesar
Mas,apesar dede tudo,
tudo, esse
esse canto
canto não
não éé um
um Deprofundib
Deprofundis
de enterro,
de enterro, porque
porque aa hora
hora perturbada
perturbada ee mámá vai
vai passar.
passar.
A alma santa,
A alma santa, aa alma
alma imensa
imensa da da Pátria
Pátria liberta-se
liberta-se
pela violência sagrada
pela violência sagrada dada revolta
revolta ee encontra
encontra — —final-
final-
mente!—o
mente!—o velho velho corpo
corpo esfarrapado
esfarrapado ee miserável
miserável ee ftí-lo
fá-lo
renascer numa grande
renascer numa grande ee pura
pura alvorada
alvorada dede luz.
luz.
EE oo velho
velho guerreiro,
guerreiro, inconsciente
inconsciente ee esquecido
esquecido do do
beii passado, perdido
seu passado, perdido oo nome
nome na na escuridão,
escuridão, transfigu-
transfigu-
ra-se
rasse ee retempera-se
retempera-se na na dôr
dôr para
para aa consciência
consciência do do seu
seu
destino futuro:
Ó dôr,
Ó dôr, filha
filha de
de Deus,
Deus, mãe
mãe do
do Universo!
Universo!
A hora grande,
A hora grande, aa hora
hora imensa,
imensa,
Já por um
Já por um fio
fio está
está suspensa...
suspensa...
Não tarda muito
Não tarda muito que
que ela
ela dê
dê 1...
1...
Carne medrosa, porque
Carne medrosa, porque treines
tremes?...
?...
Ó alma ansiosa,
Ó alma ansiosa, porque
porque gemes?
gemes?
Porquê?!...
Porquê ?!...

Arde na dôr,
Arde na dôr, carne
carne maldita!
maldita!
Revive em dôr,
Revive em dôr, alma
alma infinita!
infir.ita!
Na dôr bemdita
Na dôr bemdita espera
espera ee crê
crê !...
!...
A geração
A geração que
que imediatamente
imediatamente se se seguiu
seguiu trouxe
trouxe
desta dôr ee desta
desta dôr desta revolta
revolta aa consciência
consciência dum
dum novo novo
ideal de
ideal de Pátria
Pátria ridimida
ridimida ee grande,
grande, comungando
comungando na na
religião da
religião da Raça,
Raça, nono respeito
respeito do
do passado
passado ee na
na iéié no
no
futuro. •
171

Com ela entramos na tasefase do enternecimento pela


terra e na .ânsia
ânsia dum nacionalismo resultante da
reacção das ideias enunciadas.
Dessa ternura apaixonada
apaixonada, mas ainda doentia, é
António
Antonio Nobre o mais extraordinário interprete, por-
que é a maior sensibilidade criando o maior de todos
os líricos portugueses, na vibratilidade produzida pelas
coisas exteriores. O seu lirismo enternece-se por coisas
que são verdadeiramente Portugal e toda a sua poesia
descritiva se torna carinho e adoração, como se fôsse
fosse
água benta de prece.
Na Ladainha das Lanchas duin dum regionalismo tão
sentido, toda a força lirica da sua alma se enternece
na simplicidade desse quadro, que é a vida e a alma
do proprio
próprio povo.
António
Antonio Nobre é a mais vibratil das sensibilidades
e o seu lirismo, mesmo quando é amoroso reflecte o
momento de desgraça e protecção de que é o mais
completo interprete:
Oh, as lanchas dos poveiros
A sairem a barra, entre ondas e gaivotas!
Que extranho é!
Fincam
f incam o remo n'agua, até que o remo torça,
Á espera da maré,
Que não tarda ahi, avista-se lá fora!
E quando aa onda
E quando onda vem,
vem, fincando-o
fincando-o aa toda
toda aa íòrça,
força,
"Agora! agôra!
Clamam todos à uma. «Agora! agora! aagora!"
'ura ! »
E,_ a pouco e pouco, as lanchas vão saindo
(As
fAs vezes, sabe Deus, para não mais entrar. ..)
lindo!!
Que vista admirável! Que lindo! que lindo
Içam a vela, quando já tem mar,
Dá-lhes o vento e todas, âà porfia,
Dâ-lhes
• Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas;
Rozario de velas, que o vento desfia,
A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas...

A esta geração
A esta geração pertence
pertence Alberto
Alberto Osprio
Osprio de
de Castro,
Castro,
que estendeu
que estendeu aa sua
sua ternura
ternura pelas
pelas nossas
nossas coisas
coisas aa todo
todo
172

esse
esse imenso imenso Portugal
Portugal que que sese desdobra
desdobra pelospelos mares
mares
além ee faz
além faz dada sua
sua poesia,
poesia, duma
duma sensibilidade
sensibilidade quásiquási
doente, o reflexo da imensa e vaga saudade congenita congénita
da raça.
da raça. Saudade
Saudade da da terra
terra cmcm queque nascemos,
nascemos, da da vida
vida
que
que vivemosvivemos ee se se identifica
identifica comcom aa nossa
nossa alma
alma porpor tal
tal
forma, que
forma, que toda
toda aa existência
existência sofremos
sofremos desse
desse sofrimento
sofrimento
que éé prazer
que prazer ee éé dôr,
dôr, que
que éé desesperança
desesperança ee conforma-
conforma-
ção.
ção. .. .. Dessa
Dessa ânsia
ânsia de de viver
viver oo futuro
futuro nono desgosto
desgosto de de
irremediavelmente ter perdido o passado passado!!
Saudade do proprio próprio futuro que não vivemos ainda
ee das das coisas
coisas queque nãonão vimos,
vimos, cc oo nosso
nosso sangue
sangue já já so-
so-
freu ee já
freu já viu
viu pelo
pelo mundo,
mundo, tão tão pequeno
pequeno para para oo nosso
nosso
desejo e para o nosso sonho!
Como reflexo desta sensibilidade, vibrando através
de todos
de todos os os mares
mares ee de de todos
todos os os continentes
continentes por por onde
onde
aa alma
alma lusitana
lusitana se se dispersa,
dispersa, vamos
vamos ler ler algumas
algumas poesias
poesias
dum exotismo que
dum exotismo que coloca
coloca oo seu seu autor
autor num
num logar
logar que
que
aa literatura
literatura dos dos últimos
últimos séculos
séculos da da nossa
nossa decadência
decadência
tinha deixado vago.
Este poeta, que para o grande publico ainda ficará
por muito tempo
por muito tempo um um estranho,
estranho, vem vem iniciar
iniciar nana poesia,
poesia,
como oo grande
como grande artista
artista que
que éé Wenceslau
Wenceslau de de Moraes
Moraes oo
fez na
fez na prosa,
prosa, aa ligação
ligação sentimental
sentimental com com os os cronistas
cronistas ee
os poetas dos
os poetas dos séculos
séculos XV XV ee XVI,
XVI, que
que souberam
souberam vèr, vêr,
sentir ee sofrer
sentir sofrer oo exotismo
exotismo perturbador
perturbador das das terras
terras dodo
Oriente.
Ainda
Ainda 110 no século
século XVII,XVII, apesar
apesar da da decadência
decadência da da
época, os
época, os poetas
poetas ee prosadores
prosadores que que vinham
vinham parapara oo Bta-
Bra-
sil marcavam
sil marcavam oo momento momento da da vida
vida ee da
da acção
acção colectiva
colectiva
da raça, escrevendo
da raça, escrevendo ee sentindo
sentindo aa febre
febre dodo exilio.
exilio.
Depois é que a literatura cai por tal forma 11a na bana-
lidade importada
lidade importada que que nenhum
nenhum reflexo
reflexo lhe
lhe encontramos
encontramos
do continuo desdobramento,
do continuo desdobramento, que que nunca
nunca deixámos
deixámos de de
ter, não
ter, não só só partilhando
partilhando aa existência
existência pelas
pelas nossas
nossas
colónias, como
coíonias, como emigrando
emigrando por por toda
toda aa face
face da
da terra.
terra. -•
A sensibilidade artística
A sensibilidade artística dosdos poetas
poetas ee dosdos prosa-
prosa-
dores não
dores não acompanhava
acompanhava aa acção acção oo assim
assim as as nossas
nossas
crónicas de
crónicas de feitos
feitos que
que continuaram
continuaram aa ser ser heroicos
heróicos como
como
outrora, passaram aa ser
outrora, passaram ser relatórios
relatórios oficiais
oficiais minados
minados de de
traça pelas repartições do Estado.
173

Com o renovamente intelectual da raça, os poetas


e os prosadores reflectindo o estado dalnia
dalma dos exila-
dos voluntários, sofrendo na continuidade doutros
longínquos sonhos, aparecem com Wenceslau de Mo-
raes e Alberto Osorio
Osório de Castro. Vejamos primeiro
este'
este na serenidade com que se entregou à paz augusta
da mãe Natureza:

Do "Auto do Niniano"
Niniana"
Acto IV —Stena
— Scena III!

Ao homem,
liomem, Niniana, o sonho de que vai?
Hoje é minh'alma, emfim, serena ate à morte.
C)
O sonho é uma prisão radiosa de cristal,
Uma prisão, porem, que enfraquece o mais forte.
Sofri toda a paixão e toda a dor humana,
Ansiei pela verdade e pelo eterno bem,
f:E não vi que a verdade cas
eras tu Niniana,
Que a bondade eras tu somente, minha mãe!
Não via que eras tu a suprema beleza,
Que todo o humano ideal só de ti distanciava!
Perdoa, minha mãe, perdoa, Natureza.
Ai! liberta do sonho a pobre carne escrava!
Ai! liberta da alma a pobre chaga viva!
Pede o pródigo filho o teu perdão de mãe.
Dispersa enfim meu ser, minha mãe compassiva.
NINIANA
NINIANA

Alma afina!
afinal serena, à paz eterna vem.
ÉE todo o cançasso da alma que se esgotou a dese-
jar c a sofrer a desilusão da vida.
Todo o português sente, no fim do seu muito lidar,
a desproporção enorme do seu sonho com a realidade
que consegue dominar.
A poesia seguinte é uma evocação que nos faz
174

viver momentaneamente aa tragedia


viver momentaneamente tragedia imensa
imensa de
de que
que as
as
pedras de Diu
pedras de Diu foram
foram as
as testemunhas
testemunhas impassíveis.
impassíveis.
EE dentro
dentro do
do nosso
nosso coração
coração ergue-se
ergue-se um
um cântico
cântico
vitorioso
vitorioso áá grande
grande raça,
raça, que
que soube
soube dispersar
dispersar em
em
lieroismo
heroísmo ee glória
glória oo seu
seu bravo
bravo sangue!
sangue!

DIU
DIU

Na fina, rasa,
Na fina, rasa, alvadia
alvadia paisagem
paisagem
Do Kathiawar,
Do Kathiawar,
O Castelo
O Castelo dede sangue
sangue ee de
de earnagem
earnagem
Fica
Fica aa dormir
dormir seu
seu sono
sono secular.
secular.
Trovejavam ha ha pouco
pouco osos Baluartes,
Baluartes,
Ultima salva ao
Ultima salva ao Visorei
Visorei que
que sai,
sai,
EE aa grita,
grita, oo desfraldar
desfraldar dos
dos estandarte
estandarte ,,
O troar dos
O troar dos pelouros,
pelouros, ruge
ruge ee cai.
cai.
Cai, como aa noite
Cai, como noite palida
pálida sangrando.
sangrando.
A Fortaleza imóvel
A Fortaleza imóvel contra
contra oo mar
mar
FÉ só
só um
um sangue
sangue morto
morto coagulando,
coagulando,
Um sangue eterno
Um sangue eterno enegrecendo
enegrecendo oo ar.
ar.
O Golfo de
O Golfo de Cambaya
Cambaya
Em frente... aa noite,
Em frente... noite, oo mole
mole arfar
arfar da
da vaga...
vaga.
Diu, atraz, aa perder-se
Diu, atraz, perder-se emem sombra
sombra vaga,
vaga,
Na névoa ee aa espuma
Na névoa espuma lívida
lívida da
da praia...
praia...
Sousa Coutinho, oo Cunha,
Sousa Coutinho, Cunha, oo Rumccão,
Rumecão,
Sultão Balidur, Dom
Sultão Bahdur, Dom Fernando,
Fernando, Silveira,
Silveira,
Dormem
Dormem nana paz
paz da
da hora
hora derradeira,
derradeira,
No mesmo pó
No mesmo pó irmão.
irmão.
A grande paz
A grande paz dada morte
morte envolve
envolve tudo.
tudo.

Só oo muro
muro ficou
ficou guardando
guardando oo mar,
mar,
Contorno inútil, para
Contorno inútil, para sempre
sempre mudo,
mudo,
De uma erupção
De uma erupção lunar.
lunar.
1M

Num flamejar sulfureo, ultimo ê frio,


O Castelo ilumina-se, a Cidade
Eleva aos céus um minarete esguio...
na sombra e a imensidade...
E tudo cai 11a

Em Portugal até os poetas decadentes são influen-


ciados pelo movimento de renovação e ligação ao
passado que se impõe instintivamente a todas as
grandes sensibilidades. Camilo Pessanha, o maior de
todos, na sua poesia, de tão pura arte, dá-nos a documen-
tação duma sensibilidade dolorida, que vem ainda
do momento de amargura e descrença da geração a
que pertence, mas já se sente toda impregnada de
portuguesismo na sua ternura pelas coisas e infinita
saudade cotn
com que a vida nos persegue.
Vejamos, por exemplo, êsteeste soneto, quási ao acaso
escolhido entre as poucas, mas tão belas poesias do
do seu livro Clepsydra:
Clcpsydra:
O meu coração torna para traz,
D'onde vais a correr, desatinado?
Meus olhos incendidos que o pecado
Queimou... voltai horas de paz.
Vergam da neve os olmos dos caminhos,
A cinza arrefeceu sobre o brazido.
Noites da serra, o casebre transido...
Scismai meus olhos como dois velhinhos...
Extintas primaveras evocai-as:
—Já vai florir o pomar das maceiras,
Hemos de enfeitar os chapéus de maias
Socegae,
Socegac, esfriae, olhos febris,
—E hemos de ir cantar nas derradeiras
Ladainhas...
Ladainhas.. . doces vozes senis...

Vindo dessa geração e desse momento de arte,


Eugénio de Castro, que foi um dos inieiadores
iniciadores do
176

decadismo português, progressivamente dele se foi


distanciando, caindo francamente no classicismo.
É já pura égloga a poesia Ao prateado Mondepo,
Mondego,
que marca a transição da sua forma poética, iigando-o
ligando-o
ao lirismo tradicional que vimos apontando:
Pára, Mondego ! não prosigas,
Prateado rio, não caminhes para o mar;
Ouve da minha boca as palavras amigas,
Que te podem salvar...
De ambicioso que és até parece
Que tens um frágil coração humano,
À
A Ambição te subjuga e te endoidece,
Rio, quer's ser oceano !
Julgas ir para o sol e vacs
vaes p'ra as trevas :
Chegado lá,
A água doce que levas
Salgada se tornará...
Antes que a tua alma chore arrependida,
Pára ambicioso! para o mar não vás,
Que és sobre a areia como nós na vida,
Que não podemos voltar atra/...
atraz...
Olhos n'uni
n'um traiçoeiro, fementido norte,
Não ouves dos mochos os fataes presagios;
Onde a vida buscas vaes achar a morte,
Eras bom e doce e vaes fazer naufrágios!
Deixaste as serras límpidas, honestas,
E as aldeias viçosas,
Deixaste a paz amiga das florestas
E vaes beijar cidades crapulosas !

A corrente moderna toma consciência desse renovo


idealista da raça e cria com o religiosismo metafísico,
a fôrça
força impositiva do ideal sonhado-
177

Teixeira de Pascoaes caminha na fronlc deste


movimento e impõe-se como um alto valor sentimental,
que dá finalidade às aspirações da raça e lhe fixa os
vagos sofrimentos:

Tenho, às vezes, saudades do ITituro


Futuro
Como se èle já fôra
fora decorrido...
Misterioso sentimento escuro
De quem, antes da vida, houvesse já vivido
Mais adeante, numa das su'as sifas mais
«si? belas elegias, o
pensamento metafísico faz-se expressão sentimental e
a aspiração torna-se certeza .:
Que mistério profundo
protuudo envolve cada coisa,
Que sombra dolorida!
E nela transparece a imagem misteriosa
Que ha de ter, ante Deus, a aparição da Vida...
Na
N'a Natureza paira um sonho imenso,
Uma alina
alma que nós sentimos invisível.-..
Na luz,
h\z, no som, na cor, em tudo quanto penso,
Ha o quer que é de vago, etéreo, inatingível...
Neste vago ideal que em tudo existe,
Anda a sombra dum Deus que ninguém vê ;
Esse Deus que me torna iluminado e triste
E que me faz chorar sem cu
eu saber porquê.
Com Teixeira de Pascoaes devemos agrupar os no-
vos que pertencem à fase elegíaca e ainda de sofrimento
sofrimeulo
sentimental, com menor intelectualidade, que são, en-
tre muitos outros, Correia de Oliveira, Eausto
Fausto Guedes
Teixeira, Augusto Gil, Mario
Mário Beirão.
Mas, para seguir na lógica do nosso raciocínio
temos ainda de voltar à geração anterior a esta, àquela
a que pertenceu Cesário Verde, o interprete mais
completo duma nova poesia objectiva, que fica bem
classificada a par da prosa de Fialho, numa
mima ligação es-
piritual do momento que os inspirou.
12
178

Esta poesia, dum sentimento forte,e


fortc.e arejado, dá-nos
c
flagrância
pequenas maravilhas de fiagrancia realista, com um
sabor
abor a terra c à vegetação que se ligam a uma grande
ternura pelo povo humilde que a revolve com os seus
braços e a ama com o seu coração primitivo. Ora ve-
jamos esta, que foi uma das suas últimas poesias, na
completa posse do seu pensamento e emoção:
Bom
bom sol! As sebes d'cncosto
Dão inadresilvas cheirosas
Que entontecem como um mosto.
Floridas, às espinhosas
Subiu-lhes
Subiu-ihes o sangue ao rosto.

Cresce o relevo dos montes,


Como seios ofegantes;
Murmuram como umas fontes
Os rios que dias antes
Bramiam galgando pontes.
E os campos, milhas e milhas,
Com povos tTespaço
cTespaço a espaço,
Fazem-sc asàs mil maravilhas :.
Dir-sc-ia o mar de sargaço,
Glauco, ondulante, com ilhas!
Com Cesário Verde veem os poetas amorosos da
terra, aqueles que a sentem c a fazem reverdecer e
produzir num bucolismo natural e humano.
Paulino de Oliveira num dos aspectos mais inte-
ressantes do seu talento e da sua sensibilidade lirica
dá-nos na poesia O Trigo e em outras da mesma fase,
a expressão de máxima ternura que enraiza à terra-
-mater o coração dos portugueses, que não a esquecem
nunca, embora frequentemente a abandonem, no fata-
lismo dispersivo da alma lusíada:
Na baixa camposa
(Que é árida e.c nua)
O chão levantando,
179

O chão preparando,
Sc arrasta morosa,
Caminha a charrua,
Arando,
Lavrando.

Na glória do dia,
Aos campos lavrados
(Num gesto que enleia)
O grão à mão cheia
O homem confia,
O trigo aos punhados
Espalha,
Semeia.

P'ra não ficar solto,


No campo indifr'ente
O grão que arremessa,
A grade atravessa
O solo revolto...
E a leve semente
Enterra
Depressa.

Refresquc-a a chuvada,
O sol a conforte,
Do tempo aos boléus
Do alto dos céus !...
A seara c confiada
Aos transes da sorte,
A graça
De Deus!

E asssim vão-se meses


De inteiro abandono
E o grão repousado,
180

Na geira enterrado,
(Quem sabe os reve/es I?...)
Dormita num sono
Profundo,
Sagrado.

A par deste amor forte, duma religiosidade pagã,


pela terra fecunda, pela mãe criadora e acolhedora,
surge imediatamente a poesia patriótica^ dum renovo
exterior e duma fé messiânica que naturalmente nos
conduzem para a grande fé nacionalista da raça.
Essa poesia renovadora traz em si propria
própria o orgu-
lho santificado do grande passado.
Do grupo de poetas que palpitam na fé dum fu-
turo maior e na saudade magnifica dum grande pas-
sado devemos destacar Afonso 1Lopes opes Vieira, um
dos poetas portugueses que teem sentido com mais
inteligência o momento messiânico da raça. Vejamos a
poesia seguinte em que o mar entra como elemento
natural da alma portuguesa :
Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.
Na praia, de bruços,
fico sonhando, fico-me escutando
o que em mim sonha e lembra e chora alguém:.
e oiço nesta alma minha
um longínquo rumor de ladainha,
c soluços,
de além...

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

São meus Avós rezando,


que andaram navegando e que se fòram.
foram.
olhando todos os céus :
181

sãc tjue em mim choram


são eles xjue
seu fundo e longo adeus,
e rezam na ânsia crua dos naufrágios;
choram
cliot un de longe em mim, e eu oiço-os bem,
choram ao longe cm mim sinas, presságios,
presságiob,
de alem, de alem...
Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

Naufraguei cem vezes já...


Uma, foi na nau S. Bento
e vi morrer, no trágico tormento,
dona Eionor
Lionor dc
de Sá :
vi-a nua, na praia áspera e feia,
com os olhos implorando
— olhos de esposa e mãe
e vi-a, seus cabelos desatando,
cavar a sua cova e enterrar-se na areia.
E
P sozinho me fui p'la praia além...

Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.

Escuto em mim,—oiço
mim,- oiço a grita
da rude gente aflita:
—Senhor Deus, misericórdia!
—Virgem Mãe, misericórdia
misericórdia!!
Doidos de fome e dcde terror varados,
gritamos nossos pecados
e sai de cada boca rouca e louca
a confissão!
—Senhor
-Senhor Deus, misericórdia!
-Misericórdia, Virgem Mãe !
E o vento geme
no bulcão
sem astros;
anoitecemos sem leme,
amanhecemos sem mastros!
E o mar e o céu, sem fim, além...
alem...
Chora no ritmo do meu sangue, o Mar.
182

A este grupo pertence também Paulino de Oli-


veira que
que na
na poesia
poesia que
que vamos
vamos ler
ler As
As Naus
Naus da
da índia
índia
como em em outras
outras muitas
muitas desta
desta interessante
interessante tase
fase da
da
sua obra,
obra, quasi
quasi toda
toda escrita
escrita no
no Brasil,
Brasil, na
na saudade
saudade
intensa da Pátria distante e no deslumbramento da
acção portuguesa nesta imensa terra, íaz faz perpassar um
clarão de
de grandeza
grandeza épica
épica no
no enfunar
enfunar das
das estrofes
estrofes que
que
vão como as velas das naus a navegar no sonho e na
ambição heróica
lieroica da raça.

naus da India
As rtaus índia

São três
três as
as Naus...
Naus... Lá
Lá vão
vão elas,
elas,
Sob remotas estrelas,
A vogar...
Mares nunca navegados,
Mistérios indesvendados,
indesvendados,
A rasgar...
Mais,
Mais que os ventos do quadrante
E um Eldorado distante
A tentar...
I.eva-as o génio da Ideia
E o valor duma Epopeia
A enfunar...
Lá vão as Náus,
Naus, lá vão elas,
Sob outros climas e estrelas,
A dobrar...
Cedem ondas pavorosas...
Abrem-se Afiicas famoeas,
Africas famosas,
Par em par.
Novas terras, águas novas,
Que p'ra muitos foram covas
De enterrar...
Rolam vagas, cantam versos,
Baloiçantes como berços
A embalar...
183

Aos ventos todas as velas,


Por bonanças e procelas
A marear...
Velas de alma, asas de sonho...
Que importa o tempo medonho
A fuiiar!?...
furiar! ?...

Cruz nos panos estampada


Rubra cruz doutra Cruzada
A fluctuar...
Naus heróicas, naus do Gania
Gama ;
Que de longe a India
Índia chama,
A acenar...

Rompem ilhas de esplendores,


I: arquipélagos de dôres
dores
A penar...
Cantam na tolda saudades,
f: na quilha tempestades
A quebrar. ..
No vago fundo azulado
Vem o sonho realisado
A aurorear...
Praias da Índia famosas,
Terras da índia gloriosas,
A brilhar!...

1: assim, naturalmente chegamos à mais moderna


geração em que o instinto da raça se torna já imposi-
ção
ção realisada,
realisada, não
não já
já esperanças
esperanças ee saudades,
saudades, mas
mas cer-
cer-
tezas que
que são
são uma
uma força
força que
que corresponde
corresponde àà evolução
evolução
do povo, num conjunto admirável.
Os poetas e prosadores da moderna geração veem vêem
coin certezas métafisicas
metafísicas e um ideal patriótico con-
creto, provando exuberantemente o renovo do mo-
mento que se vai jà desenhando com a mais com-
pleta certeza na acção.
Portugal sente-se agitado duma aspiração magnifica
de fôrça
força e a sua propria
própria inquietação politica o prova.
184

Os moços, os que se sentem já ligados ao futuro


pelo pensamento de reacção, sofrem a liora
hora estranha
da anciedade em que as certezas ainda estão tocadas
do sentimento em que a propria
própria morte é uma espe-
rança de grandeza.
João de Castro, aquele que entre os novos mais fun-
damente encarna o sonho imenso duma Pátria redi-
mida, duma raça vitoriosa, dum Portugal maior,
impondo de novo ao mundo uma civilização ibérica,
escreve na prisão a Ode a D. Sebastião como um
desafio ao espirito mesquinho da politica portuguesa,
como um grito de revolta e de sacrifício contra os
baixos idealismos e os interesses grosseiros que mo-
mentaneamente dominam o mundo:
Arrancar! Arrancar!
Teu grito de paixão
Acorda em mim de novo a Raça inteira.
Seja a minha alma a forma derradeira
Km que venhas gritar
A redenção!
Seja a minha alma o altar...
Entrego-te, Senhor, mais que ninguém
A crença messiânica em teu sonho;
Nem no
uo desastre nem na dôr suponho,
Tão grande é minha esperança,
Não esteja a proteger-ine do além
A tua alma, da morte em que descança.

Tu és aquela cruz que toda a raça


Deve ter ante os olhos—imortal...
Tu és a grande esperança que não passa,
E o Cristo da desgraça,
E a lembrança tristíssima do mal.
185

No renovamento patriótico que traz naturalmente


oo Nacionalismo
Nacionalismo politico,
politico, aa figura
figura simbólica
simbólica de de D.
D. Se-
Se-
bastião transfigura-se
transíigura-se e eleva-se
elcvn-se como o povo a sen-
tiu e a santificou.
Sc
Se éé certo
certo que que sob
sob oo critério
critério histórico
histórico éé perfeita-
perieita-
inente discutível aa acção,
mente discutível acção, oo pensamento
pensamento ee até até oo carac-
carac-
ter fisiológico
fisiológico ee psicológico
psicológico do do moço
moço rei,rei, perante
perante aa
alma
alma ec aa crença
crença nacional
nacional eleele assume
assume aa perfectibilidade
perfectibilidade
sabre-natural
sobre-natural dum Cristo da raça que morre no sonho sonlio
de Gloria
Gloria dumdum Império,
Império, que
que naturamente
naturamente éé aa aspiração
aspiração
da Peninsula.
Península.
D. Sebastião
Sebastião já já não
não tem
tem defeitos
defeitos nem
nem pode
pode sofrer
sofrer
a crítica
crítica das
das paixões
paixões humanas,
humanas, porque
porque perante
perante aa aspi-
aspi-
ração ansiada d3 Patria Pátria ele se tornou o símbolo puri-
ficado. Nada é grande se a lenda o não toca da sua
beleza'imaterial
beleza imaterial e um povo que soube criar, em plena
Renascença, já a entrar no racionalismo frio dos tem-
pos que que se
se lhelhe seguiram,
seguiram, uma uma tãotão alta
alta expressão
expressãode de
sonho ee de de grandeza
grandeza nacional,
nacional, éé bembem umum povo
povo eleito,
eleito,
um
um povopovo de de iluminados
iluminados que que temtem uma
uma alta
alta missão
missão aa
cumprir e hade de triunfar.
D. Sebastião é o nosso Rei Artur e a espiritualisa-
ção desdessaa iigura
figura simbólica de chefe, vivendo e mor-
rendo no sonho sonlio dum império imenso para a Pátria, é
a criação
criação dodo povopovo queque oo compreendeu
compreendeu na na sua
sua propria
própria
grandeza maxima,
máxima, como na sua morte em tragica trágica
beleza.
O messianismo literário, que se desdobra e impõe
num messianismo
messianismo politico politico queque faz
faz aa força
força da da ideia
ideia
nacionalista, tomou em Portugua! Portugual a sua expressão num
sebastianismo purificado
puriticado e grande, que é o sentimento
do mundo lusíada,
do mundo lusíada, inanisfestando-se
manisfestando-se exuberantemente
exuberantemente
em toda aa mocidade
em toda mocidade que que já já éé um
um valor
valor nana sociedade
sociedade
portuguesa.
F.is em
em largos
largos traços
traços aa evolução
evolução da da ideia
ideia naciona-
naciona-
lista através da moderna literatura portuguesa, impon-
do-se naturalmente
naturalmente até até chegar
chegar âà concentração
concentração de de
força politica que é hoje.
O Nacionalismo Português,
O Nacionalismo Português, libertado
libertado de de quaisquer
quaisquer
interesses e transigências de partidos políticos é uma
186

força imposta pelo ideal colectivo da Nação, que em-


bora não compreenda nitidamente o novo messianismo
da raça, sente que é dele que partirá o período de ci-
vilização lusitana que vagamente todos esperamos.
Vemos, pois, que o movimento de renovação nacio-
nalista vem, numa larga ondulação, convergindo para
o mesmo fim e produzindo, não só a acção intelectual
com a nova forma literária já definida em crença, como
a forma politica qne que dará a sua definitiva grandeza
civilizadora.
Portugal sente-se agitado numa renovação ec numa
aspiração de força que a sua propria
própria inquietação poli-
afirmai".
tica vem afirmar.
Eis, pois, explicado o idealismo em que os moços
se sentem já ligados ao futuro pela energia do pensa-
mento de reacção, que tomou a forma politicamente
nítida do Nacionalismo.
E aqui está, meus senhores, o que entendi de meu
dever dizer-vos revelando um movimento que não po-
deis conhecer pela imperfeita propaganda que se tem
podido fazer, sempre contrariada pelos elementos oli-ofi-
ciais que obedecem a uma politica, que já hoje não
corresponde à vontade nem ao idealismo grande da
raça.

Ao regressar a Portugal, depois duma ausência de


oito meses passados no deslumbramento da grande
vida da nação brasileira, um livro viemos encontrar,
entre muitos que documentam a enorme actividade
mental da raça, que entra como uma das mais claras
demonstrações de tudo quanto fica dito nesta confe-
rencia, acerca do movimento profundamente nacio-
nalista do povo português, que as mais altas mentali-
dades sentem e dirigem intelectualmente para o futuro,
passando atravez duma hora de descalabro com a fé
iluminada dos que teem certezas metafísicas, que não
podem ser vencidas por desgraças materiais e passa-
geiras.
Quero referir-me á reconstrução carinhosa do
livro, primitivamente português Amadis de Qaula
(jaula que
18/
187

Afonso Lopes Vieira foi buscar às traduções espanho-


las e liinpando-o carinhosamente de toda aã poeira e
de todo o espirito estranho o veio entregar purificado
ao grande tezouro da Nação, ao encanto da nossa
língua
lingua e da nossa alma, que nele revive em toda a
pureza da sua sensibilidade amorável e cavalheiresca
Bela obra de puro nacionalismo lusitano fez o
poeta que mais sente e vive com a sensibilidade da
sua inteligência de hoje a alma do passado, vibrando
atravez
atravcz de gerações sucessivas a mesma ideia e o
mesmo sentimento que se transfigura em cm grandeza
épica quando a Pátria substituí
substitue em paixão de sacri-
fício o amôr
amor de homem ec mulher.
E está tão profundamente impregada do sonho
expansivo c dominador da raça a geração de ele hoje que
a alma portuguesa chora de desespero ante a indife-
rença coin
com qtic
que se abandona o sonho irridentista de
iWarrocos,
Marrocos, que nenhum português se consola de ver
perdido apesar dos três últimos scculos
sceulos de desgraça
nunca bem aceite nem confessada em desesperança.
A prova está neste soneto que Antonio
António Sardinha
publica neste momento e é um seguro indicio do
nacionalismo profundo queçue está preparando o futuro
de Portugal.

Nossa Senhora do Africa

(A VIRGEM DA SÉ DE CEUTA)

Santa Afaria
Maria de Africa, morena,
Nossa Senhora épica da Raça
Olhando o azul do Estreito com que pena
Por ver que é outra a gente que lá passa!

No eterno exílio a que ela se condena,


Tem sempre a mesma lusitana graça.
Recorda em seu altar uma açucena,
Armada de bastão e de couraça.
188

Santa Maria de
Santa Maria de Africa
Africa trigueira,
trigueira,
Scismando sobre ossadas
Scisfnando sobre ossadas portuguesas,
portuguesas,
Guarda por nós
Guarda por nós oo Algarve
Algarve de
de Alem-Mar
Alem-Mar
Pode bein
Pode bem ser
ser que
que Deus
Deus ainda
ainda queira
queira
Que
Que àà sombra
sombra dessas
dessas velhas
velhas fortalezas
fortaleza*
A tua
A tua voz
voz nos
nos volte
volte aa comandar!
comandar!

• . '.
Ás nm/keres Portuga/
mulheres de Portugal
Senhora;

As palavras que ides ler não são mais do que o


cumprimento duma promessa feita do outro lado do
Atlântico aos vossos filhos, maridos, pais e irmãos que
me ouviram com os olhos envidraçados pelas lagrimas,
que orgulhosamente queriam esconder, quando lhes
falei das mulheres de Portugal, do seu sentimento c
continuo,
da sua grandeza na historia, do seu sacrifício contínuo,
da sua ternura e da sua paixão, do seu talento e da
sua energia na luta e no trabalho, dando à acção
externa dos homens o equilíbrio estável duma Pátria,
atravez
fonte indestrutível da vida, que mantém a raça atrave/.
de todos os desastres e de todos os perigos, sempre a
no desdobramento admirável da
mesma, tenaz e forte, 110
acção espalhada pelo mundo.
O que venho dizer-vos, em breves palavras de
sentimento, para fechar este livro que desejo que
fique como o marco de referencia a oito meses vividos
no deslumbramento da alvorada duma grande nação
110
do futuro, que o nosso sangue fecundou e ajuda a
engrandecer, não c ainda o que tenho a dizer—e 11111 um
dia breve o direi—aos homens que em Portugal teem
tido a responsabilidade do muito que para os vossos
filhos tem vindo em sofrimento e diminuição de valor
na emigração desacompanhada e desprote-
colectivo 11a
gida que tem sido a do povo português, que assim
mantém o melhor colonisador do mundo.
mesmo se mantein
102

O que venho trazer-vos nestas palavras tão claras


c simples, como é clara e simples a alma grande da
nossa raça, êé a afirmação sentimental de quanto vale
no Brasil essa Colonia
Colónia Portuguesa, admirável de força,
de honestidade e de compreensão, que consegue viver
na sua alma saudosa todo o orgulho de raça, sem um
momento de hesitação ou descrença, na "a certeza mes-
siânica dum futuro maior para nossa Mãe Pátria.
O que vos venho trazer, Senhoras, é a carinhosa
mensagem que os vossos filhos ausentes por meu
intermédio enviam ás às santas Mães
Alães de
cie Portugal, àquelas
que nenhum português esquece por unis afastado que
se encontre, por mais alto ou mais baixo que o desti-
no o coloque na arena da vida.
Afastados materialmente do nosso convívio pela
distancia e pela falta duma acção persistente e disci-
plinada, que ligue no mesmo pensamento e no mesmo
fim todo o sangue de Portugal, disperso pelo mundo,
eles conseguem viver sempre comnosco pela força
invencível da saudade, e comnosco conseguem realizar
o sonho orgulhoso da raça, que se desdobra numa grande
imposição das qualidades e aparentes defeitos, que
formam o caracter da civilização portuguesa, que de
dia para dia mais se aproxima dum glorioso destino!
O que
qne hoje vos venho dizer não é aquilo que de
facto é preciso que se diga, e eu propria
própria o direi, aos
homens que a serio governem esta terra, dirigindo
aetoxs para um
todos os seus aeto's uni alto fim de realização
nacional; o que hoje venho trazer-vos é apenas o
cumprimento duma promessa, que representa o encargo
sentimental que os nossos irmãos gentilmente depn-
zeram 110
no meu coração de mulher portuguesa e de mãe,
para que aos vossos directamente chegasse!
As palavras de ternura ce de infjnita saudade que
me comprometi a entregar-vos num ofertorio
ofertório sagrado,
são corno
como os ex-votos que se dependuram nas paredes
da igreja milagrosa da nossa infanda,
infância, representando o
reconhecimento duma esperança consoladora, vencendo
o momento amargurado do perigo!
Os nossos irmãos, os nossos filhos, esses que do
IQ3
193

nosso convívio se afastam, — não pelo prazer incons-


ciente de viverem numa terra melhor do que a nossa,
porque todos sabem que para os portugueses não
existe outra que a nossa valha em beleza e em opu-
lência,—mas pela fatalidade da raça que nos impelé impele
sempre para o futuro, sempre para a imposição dum
destino, que vimos a fixar ha oito séculos e ainda não
atingiu oo máximo
máximo do do nosso
nosso esforço,
esforço, pediram-me
pediram-me que que
vos trouxesse
trouxesse aa certeza
certeza de de que
que não
não esquecem
esquecem nu.ica
nu.ica oo
afecto sagrado
sagrado dasdas suas
suas mães,
mães, símbolo
símbolo bem bem chegado
chegado áá
alma da grande mãe, que c a Pátria!
Seja qual fôr a situ
situição
ição dos nossos irmãos que em
toda a parte em que se encontram a.irmam a conti-
nuidade do do grande
grande sonhosonho lusíadi.
lusíadi. eles
eles não
não separam
separam
nitidamente
nitid rniente na sua saudade os dois grandes a.ectos
que mais instintivamente marcam a ligação do pas-
sado ao sonho do futuro, a lembrança da mãe e o
orgulho da Pátria!
Compreendem ee sentem sentem como
como ninguém
ninguém quanto
quanto de- de-
vem em força tradicional ao amor instintivo das mães
portuguesas, que que aa bem
bem dizer
dizer são
são aa cadeia
cadeia de
de élos
elos mais
mais
apertados
apertados queque nos
nos ligam
ligam àsàs forças
forças tradicionais
tradicionais da da raça.
raça.
Todos osos homens,
homens, seja seja qual
qual for
for aa nação
nação aa que
que per-
per-
tençam, teem
teem pela
pela mãemãe oo carinho
carinho ee aa veneração
veneração nn itu-itu-
ral, mas
mas nono homem
homem português
português esteeste sentimento
sentimento éé tão tão
p ofundo
ofundo ee tão
tão resistente
resistente queque osos destingue
destingue entre
entre todos,
todos,
porque éé mais
mais do
do que
que amor,
amor, éé paixão!
paixão! ÉÉ maismais do do que
que
paixão, éé adoração,
adoração, éé respeito
respeito ee éé oo orgulho
orgulho instintivo
instintivo
da raça em sua fonte de pureza!
Também a mulher é já caracterizada pelos sociolo- sociólo-
gos como aquela que mais comummente põe acima de
todos os sentimentos humanos a ternura apaixonada e
sacrificada pelos
pelos filhos!
filhos!
E é porventura desta intima e forte ligação do pas-
sado, que
que se
se continua
continua 110 no futuro,
futuro, que
que veem
vêem as as quali-
quali-
dades mais
mais resistentes
resistentes dd )) nosso
nosso povo,
povo, essas
essas qualidades
qualidades
que se sentem apoucadas e até por vezes são contra-
producentes adentro
adentro da da Pátria
Pátria ee tão
tão grandes
grandes nosnos tornam
tornam
vividas 1iaa aspiração e na saudade duma vida exterior
trabalhosa ee autónoma.
autónoma.
13
194
104

Róis
Pois bem, senhoras, o momento chegou em que o
nosso amor e o nosso orgulho pelos tilhos filhos da nossa
alma, e do nosso sangue, já não pode ser tão sómente somente
a ternura dos afectos familiares, que até hoje teem con-
seguido manter através de tudo a ligação moral da
gente portuguesa, largamente dispersada pelo mundo, inundo,
tem de ser também acção disciplinada e forte que
dê equilíbrio ao esforço conjunto de toda a nação.
A nossa missão adentro do Portugal maior e reno-
vado, que os nossos filhos sonham, já não pode ser
instinto somente, mas orgulho e certeza inteligente
no futuro!
A obra dos portugueses no exterior e, principal-
mente, no Brasil, é daqueles factos morais tão grandes,
tão fundamentais e determinantes para o caminhar da
humanidade, para a civilização, que não ha sociologosociólogo
que a não reconheça, não ha sábio que a não marque
definitivamente nos seus estudos e trabalhos, não ha
ninguém que a não veja c respeite.
É graças
graças aoao esforço
esforço inteligente
inteligente ee ao ao sacrifício
sacrifício
instintivo ce continuo dos homens que partem pelo
mundo, levados pela ambição ou pelo cumprimento do
dever, que
que aa nossa
nossa lingua
língua sese espalha
espalha ee mantém
mantém uma
uma
das mais faladas da civilização europeia, que a nossa
Pátria é a terceira em domínio
domiuio colonial, que a nossa
historia continua e que o futuro nos dà certezas ma-
gnificas, que todos os outros povos invejam! Mas,
doloroso é confessá-lo, todo êsse esse esforço e sacrifício
da raça
raça sese apouca
apouca ec inferiorisa
inferiorisa com
com aa incompreensão
incompreensão ee
incapacidade com que adentro do país se tem encarado
o problema da nossa expansão racial apoucando-a c
inferiorisando-a, aqueles mesmos que tinham o dever
de a orientar, aproveitar e disciplinar!
A própria energia do povo, lutando adentro de
fronteiras pelo renovamento da Pátria, em seu trabalho
e progresso, sofre da desorientação, indisciplina e
incapacidade dirigente ; mas esse mal que é aqui dolo-
roso e atraza o caminhar seguro duma nação, que
aspira á máxima grandeza, é, em tace face do problema
exterior, 11111
um crime de que todos nós somos responsa-
195
i05

veis perante a grande justiça universal da raça. Por-


que os nossos filhos, Senhoras, os filhos dos nosso* nossos
filhos, os descendentes desta raça que tornou possfvel
o renascimento da Europa e fez surgir para a vida
maior da civilização o Continente Americano, neces-
sitam da certeza do nosso valor atual atitai para sc
se orgulha-
rem dada sua
sua origem
origem ee auxiliarem
auxiliarem aa grandeza
grandeza ee expansão
expansão
da raça.
raça.
E vós, Senhoras, tanto corno
como os homens, porque a
terra portuguesa é o vosso donrinio,
domínio, porque o passado
glorioso da raça muito vos deve, porque aos homens
do vosso sangue deveis a continuidade de sacrifícios
que fazem a grandeza da Patria,Pátria, sois hoje chamadas a
uma nova compreensão do vosso destino que é o
dever dede aumentar
aumentar aa fôrça
força expansiva
expansiva ee dominadora
dominadora da da
raça com
com oo esforço
esforço persistente
persistente ee disciplinado
disciplinado duma
duma
obra de cultura interior, com o trabalho de educar e
criar novas gerações mais fortes para a luta e para a
conquista do do sonho
sonho da da raça,
raça, de
de tornar
tornar produtiva
produtiva ee
acolhedora esta terra
acolhedora esta terra sagrada,
sagrada, que
que éé aa divina
divina compen-
compen-
sação dos ausentes!

Houve
Houve um um momento
momento na na moderna
moderna vidavida portuguesa
portuguesa
em
em queque as as mulheres
mulheres poderiam
poderiam ter ter tido
tido uma
uma acção
acção
grande
grande ee decisiva
decisiva nana marcha
marcha ascendente
ascendente da da nacionalida-
nacionalida-
de; mas quiz
de ; inas quiz aa fatalidade
fatalidade das
das coisas
coisas mesquinhas
mesquinhas da da vida,
vida,
que sempre teem
que sempre teem retardado
retardado as as nossas
nossas realizações,
realizações,
deixando
deixando para para osos outros
outros aa gloriosa
gloriosa alvorada
alvorada dasdas ideias
ideias
que
que nós nós antevemos,
antevemos, que que aa parte
parte feminina
feminina da da nação,
nação,
que representava momentaneamente
que representava momentaneamente aa elite elite feminina
feminina
dirigente, sofresse da
dirigente, sofresse da incompreensão
incompreensão de de uns
uns ee dasdas
paixões mesquinhas de
paixões mesquinhas de outros,
outros, não
não deixando
deixando que que aa
maioria, então unificada
maioria, então unificada porpor umum sentimento
sentimento comum,
comum,
entrasse ,'no desempenho
entrasse ,'no desempenho da da sua
sua verdadeira
verdadeira missão
missão
social perante oo problema
social perante problema da da guerra,
guerra, atravez
atravez dodo inte-
inte-
resse português, que
resse português, que éé em
em todos
todos os os momentos
momentos oo que que
nos pode
pode ee deve
deve orientar.
orientar.
196
19ft

Aprovcitando-se o movimento sentimental e belo


que a guerra provocou, impunha-se às mulheres por-
tuguesas a continuação do esfôrço
esforço realizado, criando
com
com os os elementos
elementos espontaneamente
espontaneamente congregados
congregados aa
obra dede assistência
assistência aos
aos emigrantes,
emigrantes, considerando
considerando sol*
sol"
dados dada Pátria
Pátria todos
todos aqueles
aqueles que
que partem
partem no
no sonho—
sonho—
tantas vezes
vezes ilusório
ilusório!—de pessoalmente procurarem
1—de pessoalmente procurarem aa
felicidade, mas realizando sempre uma acção exterior,
de engrandecimento
engrandecimento na na expansão
expansão dodo nome
nome português,
português,
mesmo quando
quando sofrem,
sofrem, mesmo
mesmo quando
quando são
são desgraça-
desgraça-
dos cc vencidos!
vencidos!
Perante a ideia sagrada da nacionalidade, o homem
só vale isolado pelo que lhe traz em gloria, pelo que
lhe dá em esfôrço
esforço e em paixão, pelo que conseguir
elevá-la dentro do seu proprio
próprio sacrifício e grandeza,
grandeza;
sem nada esperar dela senão a certeza de a ver maior.
A opôr
opor ao egoismo improdutivo do individuo
acusando o ponto final das raças nas civilizações que vão
morrer, é necessário que exista o grande c fecundo
egoismo da raça, mantendo a energia das nacionalida-
des, que
que se
se impõem
impõem atravez
atravez de
de todos
todos osos sacrifícios
sacrifícios
para as maximas
máximas realizações colectivas.
Se as mulheres portuguesas tivessem sentido bem
quanto a sua missão era enorme e indispensável ao
país, não só durante a guerra como logo após, no
equilíbrio perturbado da paz; se os governos tivessem
compreendido, como deviam, o g:sto de beleza que
de todo o inundo trouxe a Portugal a s