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Copyright

© 2015 André Luis Fernandes Limeira, Carlos Alberto dos Santos Silva, Carlos Vieira,
Raimundo Nonato Souza Silva

Direitos desta edição reservados à


EDITORA FGV
Rua Jornalista Orlando Dantas, 37
22231-010 — Rio de Janeiro, RJ — Brasil
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Todos os direitos reservados. A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui
violação do copyright (Lei no 9.610/98).

Os conceitos emitidos neste livro são de inteira responsabilidade dos autores.

1a edição, 2012. 1a edição revista, 2014. 2a edição, 2015.

Revisão de originais: Sandra Frank


Editoração eletrônica: FA Studio
Revisão: Aleidis de Beltran e Fatima Caroni
Capa: aspecto:design
Ilustração de capa: Fesouza
Conversão para eBook: Freitas Bastos

Limeira, André Luis Fernandes


Gestão contábil financeira / André Luis Fernandes Limeira... [et al.]. – 2. ed. – Rio de Janeiro :
Editora FGV, 2015.
196 p. - (Gestão empresarial (FGV Management))
Em colaboração com Carlos Alberto dos Santos Silva, Carlos Vieira, Raimundo Nonato Souza
Silva.
Publicações FGV Management.
Inclui bibliografia.
ISBN: 978-85-225-1649-0
1. Contabilidade gerencial. 2. Análise econômico-financeira. I. Silva, Carlos Alberto dos
Santos, 1947- . II. Vieira, Carlos. III. Silva, Raimundo Nonato Souza. IV. FGV Management. V.
Fundação Getulio Vargas. VI. Título. VII. Série.
CDD – 657.7
Aos nossos alunos e aos nossos colegas docentes,
que nos levam a pensar e repensar nossas práticas.
Sumário

Capa
Folha de Rosto
Créditos
Dedicatória
Apresentação
Introdução
1 | A contabilidade e o sistema de informação contábil
Fundamentos da contabilidade
Usuários das informações contábeis
A informação contábil
Objetivos da contabilidade
Conceitos básicos da contabilidade
Limitações da contabilidade
A contabilidade financeira e a contabilidade gerencial
Estrutura conceitual para apresentação das demonstrações contábeis
Limitações na relevância e na confiabilidade das informações
2 | Estrutura das demonstrações contábeis
Informação e demonstrações contábeis
Balanço patrimonial
Avaliação dos ativos
Avaliação do passivo
Procedimentos necessários para elaboração do balanço patrimonial
Apresentação analítica do balanço patrimonial
Demonstração do resultado do exercício (DRE)
Demonstração do resultado abrangente total
Demonstração dos fluxos de caixa
Método indireto
Método direto
Demonstração das mutações do patrimônio líquido
Demonstração do valor adicionado
Notas explicativas
Relatório da administração
Relatório dos auditores independentes
3 | Elaboração das demonstrações contábeis e composição do
patrimônio líquido
Critérios de elaboração das demonstrações contábeis
Patrimônio líquido e sua composição
Capital social
Reservas de capital
Reservas de lucros
Reserva legal
Reservas estatutárias
Reserva para contingências
Reserva de lucros a realizar
Reservas de lucros para expansão (retenção de lucros)
Reserva de Incentivos fiscais
Reserva especial para dividendo obrigatório não distribuído
Lucros e prejuízos acumulados
Fatores que modificam o patrimônio líquido
Ajustes de avaliação patrimonial
4 | Análise econômico-financeira
Objetivos da análise econômico-financeira e principais usuários
Preparação do balanço patrimonial para a análise dinâmica
Composição do capital circulante líquido (CCL)
Necessidade de capital de giro (NCG)
Saldo em tesouraria (ST)
Efeito tesoura (ET)
Critérios de análise econômico-financeira
Análise vertical
Análise horizontal
Indicadores econômico-financeiros
Índices de estrutura de capital
Índices de liquidez
Índices de lucratividade e rentabilidade
Índices de prazos médios
Conclusão
Referências
Os autores
André Luis Fernandes Limeira
Carlos Alberto dos Santos Silva
Carlos Vieira
Raimundo Nonato Souza Silva
Apresentação

Este livro compõe as Publicações FGV Management, programa de educação


continuada da Fundação Getulio Vargas (FGV).
A FGV é uma instituição de direito privado, com mais de meio século de
existência, gerando conhecimento por meio da pesquisa, transmitindo
informações e formando habilidades por meio da educação, prestando assistência
técnica às organizações e contribuindo para um Brasil sustentável e competitivo
no cenário internacional.
A estrutura acadêmica da FGV é composta por nove escolas e institutos, a
saber: Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape),
dirigida pelo professor Flavio Carvalho de Vasconcelos; Escola de
Administração de Empresas de São Paulo (Eaesp), dirigida pela professora
Maria Tereza Leme Fleury; Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE),
dirigida pelo professor Rubens Penha Cysne; Centro de Pesquisa e
Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc), dirigido pelo
professor Celso Castro; Escola de Direito de São Paulo (Direito GV), dirigida
pelo professor Oscar Vilhena Vieira; Escola de Direito do Rio de Janeiro (Direito
Rio), dirigida pelo professor Joaquim Falcão; Escola de Economia de São Paulo
(Eesp), dirigida pelo professor Yoshiaki Nakano; Instituto Brasileiro de
Economia (Ibre), dirigido pelo professor Luiz Guilherme Schymura de Oliveira;
e Escola de Matemática Aplicada (Emap), dirigida pela professora Maria Izabel
Tavares Gramacho. São diversas unidades com a marca FGV, trabalhando com a
mesma filosofia: gerar e disseminar o conhecimento pelo país.
Dentro de suas áreas específicas de conhecimento, cada escola é responsável
pela criação e elaboração dos cursos oferecidos pelo Instituto de
Desenvolvimento Educacional (IDE), criado em 2003, com o objetivo de
coordenar e gerenciar uma rede de distribuição única para os produtos e serviços
educacionais produzidos pela FGV, por meio de suas escolas. Dirigido pelo
professor Rubens Mario Alberto Wachholz, o IDE conta com a Direção de
Gestão Acadêmica pela professora Maria Alice da Justa Lemos, com a Direção
da Rede Management pelo professor Mário Couto Soares Pinto, com a Direção
dos Cursos Corporativos pelo professor Luiz Ernesto Migliora, com a Direção
dos Núcleos MGM Brasília e Rio de Janeiro pelo professor Silvio Roberto
Badenes de Gouvea, com a Direção do Núcleo MGM São Paulo pelo professor
Paulo Mattos de Lemos, com a Direção das Soluções Educacionais pela
professora Mary Kimiko Magalhães Guimarães Murashima e com a Direção dos
Serviços Compartilhados pelo professor Gerson Lachtermacher. O IDE engloba
o programa FGV Management e sua rede conveniada, distribuída em todo o país
e, por meio de seus programas, desenvolve soluções em educação presencial e a
distância e em treinamento corporativo customizado, prestando apoio efetivo à
rede FGV, de acordo com os padrões de excelência da instituição.
Este livro representa mais um esforço da FGV em socializar seu aprendizado
e suas conquistas. Ele é escrito por professores do FGV Management,
profissionais de reconhecida competência acadêmica e prática, o que torna
possível atender às demandas do mercado, tendo como suporte sólida
fundamentação teórica.
A FGV espera, com mais essa iniciativa, oferecer a estudantes, gestores,
técnicos e a todos aqueles que têm internalizado o conceito de educação
continuada, tão relevante na era do conhecimento na qual se vive, insumos que,
agregados às suas práticas, possam contribuir para sua especialização,
atualização e aperfeiçoamento.
Rubens Mario Alberto Wachholz
Diretor do Instituto de Desenvolvimento Educacional

Sylvia Constant Vergara


Coordenadora das Publicações FGV Management
Introdução

O mundo dos negócios evolui rapidamente em meio a um período que pode ser
considerado a nova economia, amparado pelo avanço tecnológico constante.
Paradigmas têm sido constantemente quebrados a uma velocidade ímpar, pois
são completamente novas as determinantes de valor que movem o competitivo
ambiente empresarial.
Nessa contínua mudança, percebe-se o crescimento de diversos ambientes de
negócios, até mesmo em função da redução de outros, movidos pela percepção
de valor, aspecto de grande importância para os consumidores de forma geral.
Como consequência, nota-se também o nascimento de múltiplos segmentos, que
até pouco tempo permaneciam de certa forma inexplorados.
O nascimento ou crescimento de um ambiente de negócios pressupõe a
existência de uma organização que, sustentada pelo investimento inicial e pela
contínua geração de lucros, garante não só a geração de rendimentos para seus
acionistas como, principalmente, a geração de empregos e a consequente
movimentação da economia.
Diante dos desafios de uma eficiente gestão baseada em resultados, os
executivos necessitam tomar decisões rápidas e eficientes, de forma a alavancar
negócios. Esses momentos resultam na avaliação de diversas hipóteses que
apresentam cenários com características distintas, como:

fusão, aquisição ou incorporação de empresas;


redução ou incremento de portfólio de produtos;
novos investimentos;
novos projetos de inovação.
Qualquer uma dessas decisões implicará investimentos, que trarão
crescimento na onerosidade em função dos recursos contratados, recursos esses
necessários para o processo de crescimento contínuo. A decisão de contratação
ou não de novas fontes de recursos ocorrerá com base em números captados
diretamente de um eficiente sistema de informações.
Nesse momento entram os conceitos de contabilidade, regidos pela ciência
contábil e que representam a base principal para qualquer sistema de
informações confiável e de ampla utilização.
Por isso, afirmamos que nada existiria sem o advento dessa ciência que, a
cada dia, se moderniza e se reveste de características irrestritas. A utilização da
contabilidade torna-se cada dia mais ampla, principalmente devido à atual
necessidade de transparência na divulgação dos resultados das empresas como
fator preponderante para a fidelização dos acionistas, clientes e até mesmo dos
empregados.
Este livro objetiva apresentar a importância da contabilidade no meio
empresarial como ferramenta fundamental para o processo decisório. Nossa
intenção é demonstrar o volume de informações geradas pela contabilidade
através da interpretação dos relatórios que compõem as demonstrações
contábeis. Tais relatórios possuem informações de grande utilidade para tomada
de decisões em diversas linhas de avaliação do negócio. Você perceberá, ao
longo da leitura, como extrair as informações das demonstrações contábeis, qual
o critério adotado universalmente para avaliação dos investimentos societários e
que indicadores de desempenho mapeiam a situação econômica, financeira e
operacional da empresa.
Gestão contábil financeira apresenta um conteúdo dividido em quatro
capítulos, nos quais propomos a discussão ampla do tema, numa sequência
lógica e interligada, que possibilitará o contato com a temática contábil, tão
importante para as organizações em um ambiente de permanentes mudanças.
Vejamos, então, como estão divididos os temas.
O primeiro capítulo tem a finalidade de apresentar as funções básicas da
contabilidade. No processo contábil, verificaremos como os fatos contábeis se
transformam em demonstrações contábeis e quais usuários utilizam essas
informações para suas decisões, que têm finalidades múltiplas. Veremos,
também, os conceitos básicos que movem o sistema contábil, divididos pelas
respectivas demonstrações contábeis. Todos os conceitos são seguidos de
exemplos ilustrativos. Encerramos o capítulo apresentando a nova estrutura
conceitual básica da contabilidade (framework), devidamente aprovada pela
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Conselho Federal de
Contabilidade (CFC). Tal estrutura é apresentada por meio de pronunciamentos
do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), que criam as regras para o
entendimento da ciência contábil, bem como apresentam as características
qualitativas das demonstrações contábeis e suas limitações.
O segundo capítulo tem como finalidade apresentar e discutir as cinco
demonstrações contábeis exigidas pela Lei das Sociedades por Ações (Lei no
6.404/1976 alterada pela Lei no 11.638/2007) utilizadas como base de
informação. As demonstrações serão analiticamente apresentadas, evidenciando
cada uma das contas contábeis que as compõem, bem como sua finalidade e
utilização. Discutiremos amplamente as seguintes demonstrações contábeis:

balanço patrimonial;
demonstração de resultados do exercício;
demonstração do resultado abrangente;
demonstração dos fluxos de caixa;
demonstração das mutações do patrimônio líquido;
demonstração do valor adicionado;
notas explicativas.

Ao final do capítulo discutiremos os relatórios contábeis que complementam


as informações a serem divulgadas pelas empresas e que observam as instruções
da referida lei, quais sejam:

relatório da administração;
parecer dos auditores independentes;
parecer do conselho fiscal.

O terceiro capítulo tem como finalidade apresentar uma metodologia prática


para elaboração das demonstrações contábeis e discutir o patrimônio líquido e
sua composição. Desenvolvemos o modelo de registro das transações por meio
da tabela “simulação patrimonial”, com o intuito de substituir os razonetes, bem
como a linguagem do “débito” e “crédito”, pela avaliação das origens e
aplicações de recursos por meio da soma e/ou diminuição de cada conta.
O quarto capítulo promoverá uma discussão de análise econômico-financeira
a ser preparada considerando os índices específicos para cada uma das
demonstrações contábeis. Os índices ou indicadores serão apresentados em
quatro blocos, de forma a permitir uma visão da performance das organizações a
partir dos conceitos que cada um apresenta:

índices de estrutura de capital;


índices de liquidez;
índices de lucratividade e rentabilidade;
índices de prazos médios.

Além disso, estudaremos a importância da aplicação das análises vertical e


horizontal na avaliação da situação econômica e financeira das empresas.
Optamos por apresentar o exemplo de uma empresa fictícia denominada
Estrela Solitária S/A, permitindo a você observar e estudar o impacto dos
diversos índices citados, considerando dois períodos simultaneamente.
Desejamos a você uma excelente sessão de estudos. Utilize os conceitos
apresentados na gestão da sua empresa. Não se esqueça de que o conceito de
continuidade da sua e de todas as organizações está fortemente ligado aos
conceitos de um sistema de informações contábeis que, sendo criteriosamente
divulgado e analisado, permite uma eficiente e rápida tomada de decisões.
Boa leitura!
1

A contabilidade e o sistema de informação


contábil

Neste primeiro capítulo, mostraremos a você os fundamentos da contabilidade,


sua evolução ao longo do tempo, assim como a importância e a contribuição que
ela concede aos gestores na atualidade. Mostraremos, também, que é a
contabilidade uma das ciências mais completas existentes, única capaz de
promover registros de todos os fatos mensuráveis nas organizações.

Fundamentos da contabilidade

A contabilidade, cujo principal objetivo é gerar informações acerca da


situação econômica, patrimonial e financeira da entidade, representa uma
atividade de extrema importância no processo de gestão das organizações. As
informações são geradas por meio das demonstrações contábeis, cujos dois
principais relatórios são o balanço patrimonial e a demonstração de resultado.
O conceito de balanço, cujo formato se parece com uma balança, que é uma
palavra de origem latina, surgiu há alguns séculos, originado da necessidade de
criação de maiores controles por parte das empresas. Agrupando os itens de
forma adequada, chegou-se à conclusão de que eles deveriam ser colocados nos
lados da balança da seguinte forma:

do lado esquerdo, os itens que geravam as atividades;


do lado direito, as origens dos recursos obtidos para serem aplicados no lado
esquerdo.
Como primeiro exercício, pequenos demonstrativos foram preparados,
conforme o quadro 1 permite visualizar.
Quadro 1
DEMONSTRAÇÃO

Item Valor Item Valor


Caixa 3.000 Valores a pagar 3.000
Valores a receber 4.500 Patrimônio líquido 12.500
Imóveis 8.000
Total 15.500 Total 15.500

A ideia principal da demonstração era evidenciar a situação patrimonial da


empresa naquele momento.
Em seguida, surgiu a necessidade de um ajuste no formulário criado, pois
haviam sido recebidas receitas oriundas de aluguel de algumas salas do imóvel
que se encontravam disponíveis. Tal fato alterou o formulário significativamente,
pois o caixa aumentou, o que deveria ser também demonstrado do outro lado e,
como não se tratava de valores a pagar, foram considerados patrimônio líquido.
O formulário passou a apresentar a situação demonstrada no quadro 2.
Quadro 2
DEMONSTRAÇÃO – SEGUNDA VERSÃO

Item Valor Item Valor


Caixa 3.500 Valores a pagar 3.000
Valores a receber 4.500 Patrimônio líquido 13.000
Imóveis 8.000
Total 16.000 Total 16.000

Nesse momento percebeu-se a necessidade de anotar um registro que


demonstrasse os valores recebidos e que alteraram o caixa, porém somente mais
tarde surgiu uma forma eficiente para essas anotações, que se tornaram a base
para a demonstração de resultados do exercício.
Dessa forma, surgiu o conceito de ativo (o lado esquerdo) e de passivo (o lado
direito) e, por consequência, o objetivo da demonstração, que passou a se
chamar balanço patrimonial. Assim como as demais demonstrações, que serão
estudadas com detalhe no próximo capítulo, o balanço patrimonial é resultado da
aplicação do método de partidas dobradas, que preza o conceito de duplo
registro, a saber:

a indicação de onde estão aplicados os recursos, ou as aplicações;


a indicação da origem desses recursos.

Em outras palavras, o método de partidas dobradas diz que para todo crédito
(ou origem) existe um débito (ou aplicação) correspondente, balanceando a
situação.
Como exemplo de um lançamento contábil observando o método de partidas
dobradas, citamos uma aquisição de estoques, com pagamento a ser efetuado no
prazo de 30 dias, no valor de R$ 20.000,00. Dessa forma, teremos o seguinte:
Ativo Passivo
Estoques R$ 20.000,00 Fornecedores R$ 20.000,00

A simplicidade da informação gerada foi aperfeiçoada e aprofundada ao longo


dos séculos. Entretanto, não perdeu o objetivo principal, que sempre foi o de
mostrar a situação patrimonial das organizações, bem como a apuração periódica
de seus resultados econômicos, a saber, lucros ou prejuízos.
Nos tempos atuais, a informação contábil é de extrema importância para a
segurança dos processos decisórios, sejam eles envolvendo compra de ativos, até
fusões, incorporações e/ou aquisições de outras organizações. Podemos afirmar
que, sem a utilização do sistema de informação contábil, as decisões a serem
tomadas pelas organizações diariamente demandariam muito mais tempo dos
executivos.
Define-se a contabilidade como “um sistema de informações e avaliação
destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza
econômica, financeira e de produtividade com relação à entidade objeto de
contabilização” (Perez Junior e Begalli, 1999:67).
Iudícibus e Marion (1999:17) citam que:
A função fundamental da Contabilidade [...] tem permanecido inalterada desde os primórdios. Sua
finalidade é prover os usuários dos demonstrativos financeiros com informações que os ajudarão a
tomar decisões. Sem dúvida, tem havido mudanças substanciais nos tipos de usuários e nas formas de
informação que têm procurado. Todavia, esta função dos demonstrativos financeiros é fundamental e
profunda. O objetivo básico dos demonstrativos financeiros é prover informação útil para a tomada de
decisões econômicas.

É interessante observar a forma contábil e compará-la à forma de um sistema


de informação. A tecnologia da informação nos indica a transformação dos
dados em informações, como a figura 1 permite visualizar.
Figura 1
SISTEMA DE INFORMAÇÃO

Se verificarmos a forma como o sistema contábil se compõe, concluiremos


que existe uma transformação de fatos contábeis em demonstrações contábeis,
da mesma forma como num sistema de informação, que apresenta as
características mostradas na figura 2.
Figura 2
SISTEMA DE INFORMAÇÃO CONTÁBIL

O sistema de informação contábil pode ser explicitado como se segue.


Fatos contábeis correspondem a transações diversas ocorridas em uma
organização. Como exemplos podemos citar, entre outros:

compra e venda de mercadorias;


pagamento de salários;
recebimentos de vendas efetuadas;
aquisições de imobilizado;
contratação e pagamento de empréstimos;
despesas incorridas;
impostos pagos ou a pagar.

Tais fatos contábeis são, portanto, eventos que podem ser mensurados de
forma econômica e financeira, trazendo com eles os seguintes conceitos:
regime de caixa, que se refere aos eventos financeiros e, basicamente, aos
registros de caixa. No caso, a receita só é reconhecida contabilmente quando
ocorre a entrada de dinheiro, e o mesmo acontece com a despesa. O regime de
caixa talvez tenha tido muita utilidade há algumas décadas, mas não
atualmente, pois não capta a realidade das operações empresariais em que
ocorrem múltiplas situações de compras e vendas a prazo;
regime de competência, que se refere aos eventos econômicos, ou seja,
promove o registro de todos os fatos na ocasião de seu fato gerador,
independentemente de terem ou não sido pagos e/ou recebidos. O regime de
competência veio trazer uma clareza maior para as demonstrações contábeis,
pois não induz a erros de interpretação em função do registro de todos os
eventos ocorridos na empresa.

Podemos afirmar que os eventos econômicos transformam-se em eventos


financeiros, a não ser que inadimplências ocorram no percurso. Como exemplo,
citamos vendas efetuadas a prazo que, após o vencimento, não foram pagas pelo
cliente, gerando, dessa forma, uma perda devidamente contabilizada após o
necessário instrumento de protesto ocorrido.
Os fatos contábeis são divididos em duas categorias, a saber:

fatos permutativos, que não alteram a situação patrimonial das empresas. Como
exemplos, podemos citar uma compra de estoques a prazo e o pagamento de
um empréstimo contratado. Ambos os exemplos envolvem somente eventos
patrimoniais, sem alteração em lucros e/ou prejuízos;
fatos modificativos, que alteram a situação patrimonial das empresas. Como
exemplo citamos a venda de produtos além dos custos incorridos na operação,
o que gera uma alteração patrimonial com apuração do lucro, que alterará o
patrimônio líquido.

Esses fatos contábeis necessitam ser registrados. Registro corresponde à


utilização dos livros contábeis obrigatórios, como o diário e o razão, onde os
fatos são registrados, sempre de forma diferenciada, como (Perez Junior e
Begalli, 1999):

no livro diário as transações são registradas de forma cronológica;


no livro razão as transações são registradas analítica e separadamente por tipo
de evento.

Deve ser mencionado que o registro dos fatos contábeis nos livros
obrigatórios é feito mediante a utilização de uma codificação chamada de
“contas contábeis”. O conjunto de contas contábeis, organizadas de forma
racional e planificada, constitui o “plano de contas” de uma empresa, objeto de
estudo do próximo capítulo.
O plano de contas de uma empresa deve ser dimensionado de forma coerente
com o tamanho da mesma e com a quantidade de lançamentos contábeis
efetuados nos períodos, evitando-se uma quantidade de contas contábeis maior
do que a necessária.
Demonstrações contábeis constituem os retratos da situação econômica e
financeira das empresas perante a sociedade. Segundo a Lei das Sociedades por
Ações (Lei no 6.404/1976 e suas recentes alterações pela Lei no 11.638/2007), as
demonstrações contábeis são:

balanço patrimonial;
demonstração de resultado do exercício;
demonstração do fluxo de caixa;
demonstração das mutações do patrimônio líquido;
demonstração do valor adicionado;
demonstração do resultado abrangente;
notas explicativas.

As demonstrações contábeis apresentam informações úteis aos usuários e são


interligadas. Na seção que trata da informação contábil, mostraremos a
interligação dos dois primeiros demonstrativos contábeis; a interligação
completa entre todos os demonstrativos citados acima será mostrada no próximo
capítulo deste livro.
Como falamos, o registro dos fatos contábeis ocorre em função do fluxo de
recursos das empresas, explicitado na figura 3.
Figura 3
FLUXO DE RECURSOS DAS EMPRESAS
As origens são consideradas os créditos das empresas.
Nas demonstrações contábeis, podemos observar, por exemplo, que:

no balanço patrimonial, representam o passivo e o patrimônio líquido;


no demonstrativo de resultados do exercício, representam as receitas e o lucro.

As aplicações são consideradas os débitos das empresas.


Nas demonstrações contábeis podemos observar, por exemplo, que:

no balanço patrimonial, representam o ativo;


no demonstrativo de resultados do exercício, representam as despesas e os
custos.

Se verificarmos que os recursos das empresas são obtidos com os sócios ou


com bancos, fornecedores e outros, chegaremos aos conceitos de capital próprio
(recursos dos sócios) e capital de terceiros (recursos de outros, externos à
empresa).
Em paralelo, observemos que as aplicações podem ser feitas para o giro
contínuo, como:

estoques;
contas a receber;
aplicações de curto prazo;
caixa ou disponível;

ou em imobilizado, como:

máquinas;
veículos;
prédios, entre outros.
Chegamos, assim, aos conceitos de capital de giro e capital fixo. Este último
representa o imobilizado.
Veja, na figura 4, o fluxo de recursos das empresas, agora separado em itens
de origens e itens de aplicações, conforme citado acima.
Figura 4
ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS

Uma vez compreendido o fluxo de recursos das empresas, torna-se necessário


entender quem são os usuários das informações contábeis.

Usuários das informações contábeis

De acordo com estudo da Fipecafi (1995:59), define-se usuário como


toda pessoa física ou jurídica que tenha interesse na avaliação da situação e do progresso de
determinada entidade, seja tal entidade empresa, ente de finalidades não lucrativas, ou mesmo
patrimônio familiar.

Os usuários das informações contábeis podem ser:

internos, que são os proprietários, diretores, gerentes e supervisores das


empresas;
externos, que são os acionistas, governo, fornecedores, clientes, entidades
financeiras, entre outros.
Cada usuário está interessado em um determinado tipo de informação,
conforme ilustra o quadro 3.
Quadro 3
USUÁRIOS DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL E A INFORMAÇÃO DESEJADA

Usuário Natureza Informação desejada


Alta e média administração Interno Análise de forma geral
Empregos em geral Interno Medição de desempenho
Acionistas Externo Fluxo de dividendos
Governo Externo Recolhimento de tributos
Fornecedores Externo Análise para concessão de crédito
Clientes Externo Pós-venda dos bens adquiridos
Entidades financeiras Externo Análise para concessão de crédito

Como você observou, a necessidade de informações varia segundo o tipo de


usuário, razão pela qual a contabilidade as organiza de forma a atender a todos.

A informação contábil

As demonstrações contábeis serão amplamente estudadas no próximo


capítulo; assim, indicaremos aqui apenas o conceito principal de cada uma.
Observe o seguinte:

o balanço patrimonial indica a situação econômica e financeira de uma


empresa em certo momento, ou seja, o resultado das transações que envolvem
seus bens, direitos e obrigações;
a demonstração de resultado do exercício indica o resultado do confronto entre
receitas, custos e despesas;
a demonstração do fluxo de caixa indica informações sobre a movimentação e
o saldo de caixa e equivalentes de caixa;
a demonstração das mutações do patrimônio líquido indica as variações
ocorridas no patrimônio líquido das empresas, bem como a causa delas e o
efeito que tiveram sobre esse patrimônio;
a demonstração do valor adicionado, exigida para empresas de capital aberto,
indica o valor da riqueza gerada pela organização e sua distribuição entre os
elementos que contribuíram para a geração dessa riqueza;
a demonstração de resultados abrangentes indica mudanças no patrimônio
líquido, resultado de outras transações.

As demonstrações contábeis resumem informações diversas, que observam os


objetivos da contabilidade.

Objetivos da contabilidade

A informação contábil explicitada destina-se a duas finalidades:

controle, que é o processo pelo qual a empresa se certifica que está agindo de
acordo com os planos traçados;
planejamento, que é o processo pelo qual se decidem as ações a serem
empreendidas no futuro.

Tais finalidades são complementares, já que o controle das atividades atuais é


a base de dados para o planejamento futuro.
Da mesma forma, como controle admite-se que a informação contábil será
resultado do registro e acompanhamento de todo o ciclo operacional das
empresas, que se resume nas atividades citadas na figura 5.
Figura 5
CICLO OPERACIONAL DAS EMPRESAS
Fonte: Perez Junior e Begalli (1999:80).

No capítulo 4 deste livro, veremos em detalhes como mensurar o ciclo


operacional em dias e em moeda, além de como otimizá-lo.

Conceitos básicos da contabilidade

Para melhor entendimento das demonstrações contábeis, torna-se necessário o


conhecimento dos conceitos que se seguem. Dividiremos os conceitos pelos
demonstrativos contábeis (Marion, 2005).
Na demonstração de resultados do exercício, temos os gastos, que se
apresentam da forma como na figura 6.
Figura 6
GASTOS

Gastos são todos os consumos de bens e serviços, adquiridos à vista ou a


prazo, efetuados pelas empresas. Conforme suas características podem dividir-se
em custos, despesas, perdas e investimentos.
Em princípio, todo gasto, em algum momento, gera um desembolso.
Desembolso deve ser conceituado como a saída de recursos financeiros para
aquisição de bens e serviços ou pagamento de obrigações assumidas
anteriormente.
Vejamos exemplos para os itens citados:

custos são os gastos (consumo de bens e serviços) efetuados com o objetivo de


gerar bens ou prestação de serviços. Podemos exemplificar como:
matérias-primas, mão de obra, custos indiretos etc.;
insumos utilizados na produção de bens e serviços e demais insumos, como
energia elétrica, depreciações e outros podem ser classificados em estoques,
investimentos ou imobilizado;
estoques: bens adquiridos ou produtos destinados a revenda;
despesas representam o consumo de bens e serviços, adquiridos à vista ou a
prazo, com o objetivo de gerar receitas. Como exemplos, citamos:
despesas de vendas, tais como fretes, comissões, propaganda, entre outras;
despesas administrativas, tais como salários e encargos do pessoal
administrativo, aluguéis;
despesas financeiras, tais como juros e encargos;
despesas tributárias, tais como imposto de renda e contribuição social;
perdas correspondem aos gastos anormais ou involuntários efetuados pelas
empresas que não geram novos bens ou serviços e tampouco receitas. Podem
ser citadas a inadimplência de clientes, a perda total de veículos avariados etc.;
investimentos correspondem à aquisição de bens que serão ativados. Como
exemplos, podemos citar:
bens destinados à geração de renda, tal como aluguéis;
imobilizado: bens destinados ao uso nas atividades produtivas (máquinas e
equipamentos) ou administrativas e comerciais (móveis e utensílios).

Assim, afirma-se que os custos e as despesas são considerados itens referentes


a operações continuadas das empresas; as perdas são consideradas operações não
continuadas ou descontinuadas.
Por outro lado, as receitas representam os valores que uma empresa recebe ou
tem direito a receber, provenientes de suas operações de vendas, de prestação de
serviços ou de aplicações financeiras. Como exemplos de receitas, podemos
citar:

receita de vendas de produtos;


receita de vendas de serviços;
receitas de aluguéis;
receitas financeiras.

O encontro das receitas com as despesas e os custos gera lucro ou prejuízo,


conforme explicitado na demonstração de resultados do exercício. Esse resultado
representa a riqueza gerada pela empresa em certo período e irá incorporar o
patrimônio líquido, no balanço patrimonial.
O balanço patrimonial indica uma equação em que o ativo equivale ao
passivo, que é resultado do somatório de passivo e patrimônio líquido, como o
quadro 4 permite visualizar.
Quadro 4
EQUAÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL

Passivo
Ativo
Patrimônio líquido

Como ativo entende-se a aplicação de recursos, que as empresas utilizarão


para geração de benefícios econômicos e financeiros futuros. Dessa forma, o
ativo representa os bens e os direitos da entidade.
Como exemplo de bens, citamos os estoques; como exemplo de direitos, as
duplicatas a receber.
Como veremos no próximo capítulo, o ativo terá seus valores alterados cada
vez que ocorrer o reconhecimento contábil de uma receita, bem como pela
obtenção de recursos com terceiros (capital de terceiros) ou com os acionistas da
empresa (capital próprio).
Como passivo entendem-se as origens de recursos que são financiados por
terceiros e que representarão desembolsos futuros. Citamos, como exemplos, os
empréstimos, os pagamentos a fornecedores, os impostos a pagar, os salários a
pagar, entre outros.
São entendidos como patrimônio líquido os recursos financiados pelos
acionistas. Ele representa, de forma estática, as obrigações das empresas para
com seus sócios.
A figura 7 indica com clareza a geração de riqueza apurada pela
demonstração de resultados do exercício por meio do lucro, que é incorporado
ao patrimônio líquido logo em seguida. Deve ser também observado o fato de
que os estoques transformaram-se em custos de produtos vendidos após a devida
baixa pelas vendas dos produtos.
Figura 7
INTERLIGAÇÃO ENTRE O BALANÇO PATRIMONIAL E A DEMONSTRAÇÃO DE
RESULTADOS DO EXERCÍCIO

Podemos então deduzir que ambas as demonstrações estão interligadas pela


geração de lucros obtidos no período.
Entretanto, muitas vezes há ocorrências qualitativas, não mensuráveis, que
acabam por evidenciar certas limitações da contabilidade.
Limitações da contabilidade

O método da contabilidade a torna capaz de registrar fatos que são


mensurados monetariamente com muita clareza, conforme exposto. Dessa
forma, pode ocorrer que algumas decisões tomadas pelos usuários das
informações contábeis sejam influenciadas por aspectos qualitativos que
normalmente escapam do alcance da contabilidade.
Estamos aqui nos referindo a variáveis como investimentos sociais, custo de
oportunidade e agregação de valor para os clientes, entre outras, que não
conseguem ser mensuradas pela contabilidade
Tais limitações, no entanto, não invalidam o método contábil; apenas indicam
ao usuário que as informações devem ser utilizadas levando-se em conta as
limitações do método que as gerou.

A contabilidade financeira e a contabilidade gerencial

Como vimos até aqui, a contabilidade financeira apura e prepara a elaboração


das informações econômicas e financeiras das empresas, divulgando-as a uma
vasta clientela denominada usuários externos, entre os quais citamos: bancos,
fornecedores, clientes, governo e entidades reguladoras. Como consequência,
observa-se que é a contabilidade financeira direcionada por regras e normas,
citadas anteriormente, e pelos postulados contábeis que serão citados a seguir.
No entanto, os empresários necessitam utilizar uma informação contábil mais
gerencial e mais detalhada, que será a base de dados para o processo decisório
diário. Tais decisões são reações aos efeitos que as variáveis do macroambiente
causam nos negócios e englobam informações que incluem, entre outros:

clientes e mercados;
inovações em produtos e serviços;
qualidade total, tempo de processamento e custo dos processos internos
críticos;
capacidade dos funcionários e dos sistemas das empresas.

As decisões têm reflexos diretos na lucratividade das organizações e garantem


sua continuidade, por meio da geração contínua de novos recursos.
Percebe-se claramente que a contabilidade gerencial está dimensionada para
atender a duas funções fundamentais: o controle e a decisão. Como auxílio ao
controle, a contabilidade gerencial contribui mediante o fornecimento de
informações para o estabelecimento de padrões, orçamentos e outros tipos de
previsões. Como auxílio às tomadas de decisões, contribui por meio de
alimentação de informações relevantes, que dizem respeito às consequências de
curto e longo prazos sobre medidas de eliminação de portfólio de produtos e de
departamentos, ampliação de atividades, terceirização etc.
As principais diferenças entre a contabilidade financeira e a contabilidade
gerencial estão apresentadas no quadro 5.
Quadro 5
DIFERENÇAS ENTRE A CONTABILIDADE FINANCEIRA E A CONTABILIDADE GERENCIAL

Fatores Contabilidade financeira Contabilidade gerencial


Principais Investidores e credores. Administradores de vários níveis da
usuários organização.
Liberdade de Postulados e pressupostos contábeis. Nenhuma restrição além do custo x benefício.
escolha
Enfoque no Avaliação histórica. Visão do passado. Orientação para o futuro. Orçamentos e
tempo registros históricos.
Relatórios Resumidos. Preocupação com a empresa Detalhados. Preocupação com partes da
como um todo. empresa.
Objetivos dos Análise financeira. Planejamento, controle, avaliação de
relatórios desempenho.
Prazos Menos flexíveis Mais flexíveis
Bases de Moeda corrente. Várias bases correntes. Índices.
mensuração
Visão da Empresa como um todo. Interesse nas partes.
empresa
A informação é Precisa e objetiva. Rápida, com aproximações.
A informação Objetividade. Utilidade.
busca

Diante do exposto, pode-se concluir que as diferenças entre contabilidade


financeira e contabilidade gerencial giram em torno da utilização das
informações geradas pelos diversos usuários e de seus diferentes objetivos.

Estrutura conceitual para apresentação das demonstrações


contábeis
Conforme mencionado, a Lei das Sociedades por Ações foi modificada pela
Lei no 11.638/2007. A partir dessa alteração, vários pronunciamentos foram
emitidos; no entanto, em janeiro de 2008, o Comitê de Pronunciamentos
Contábeis (CPC) emitiu um pronunciamento (CPC 00), atualizado em dezembro
de 2011 (CPC 00 (R1)), que define a estrutura conceitual básica para a
elaboração das demonstrações contábeis. Os demais pronunciamentos serão
citados nos capítulos seguintes do livro.
A finalidade dessa estrutura conceitual é:

dar suporte ao desenvolvimento de novos Pronunciamentos Técnicos, Interpretações e Orientações e à


revisão dos já existentes, quando necessário;
dar suporte à promoção da harmonização das regulações, das normas contábeis e dos procedimentos
relacionados à apresentação das demonstrações contábeis, provendo uma base para a redução do
número de tratamentos contábeis alternativos permitidos pelos Pronunciamentos, Interpretações e
Orientações;
dar suporte aos órgãos reguladores nacionais;
auxiliar os responsáveis pela elaboração das demonstrações contábeis na aplicação dos
Pronunciamentos Técnicos, Interpretações e Orientações e no tratamento de assuntos que ainda não
tenham sido objeto desses documentos;
auxiliar os auditores independentes a formar sua opinião sobre a conformidade das demonstrações
contábeis com os Pronunciamentos Técnicos, Interpretações e Orientações;
auxiliar os usuários das demonstrações contábeis na interpretação de informações nelas contidas,
elaboradas em conformidade com os Pronunciamentos Técnicos, Interpretações e Orientações; e,
proporcionar aos interessados informações sobre o enfoque adotado na formulação dos
Pronunciamentos Técnicos, das Interpretações e das Orientações.

A referida estrutura não é um Pronunciamento Técnico propriamente dito e, portanto, não define
normas ou procedimentos para qualquer questão particular sobre aspectos de mensuração ou
divulgação. Nada nesta Estrutura Conceitual substitui qualquer Pronunciamento Técnico, Interpretação
ou Orientação [CPC 00 (R1)].

Portanto, o objetivo do Pronunciamento Conceitual Básico – Estrutura


Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro – é
apoiar como fonte para as premissas básicas e fundamentais na preparação e
utilização das demonstrações contábeis através daqueles pronunciamentos
técnicos.
Assim, para observar e preparar a elaboração e apresentação das
demonstrações contábeis, o CFC aprovou a Resolução no 2011/1.374 – NBC TG
Estrutura Conceitual. A referida NBC foi publicada no Diário Oficial da União
em 16 de dezembro de 2011. Essa resolução entrou em vigor em 1o de janeiro de
2011. Dela, devem-se observar os seguintes aspectos:

premissa subjacente da continuidade;


características qualitativas fundamentais (relevância e representação fidedigna)
e características qualitativas de melhoria (comparabilidade, verificabilidade,
tempestividade e compreensibilidade).

Antes de prosseguirmos com o estudo da premissa subjacente e características


qualitativas, fazemos uma breve explanação sobre a antiga característica
qualitativa de confiabilidade, a característica essência sobre a forma e a
característica da prudência (conservadorismo).
A característica qualitativa confiabilidade foi redenominada de representação fidedigna; as
justificativas constam das bases para conclusões.
A característica essência sobre a forma foi formalmente retirada da condição de componente separado
da representação fidedigna por ser isso considerado uma redundância. A representação pela forma
legal que difira da substância econômica não pode resultar em representação fidedigna, conforme
citam as Bases para Conclusões. Assim, essência sobre a forma continua, na realidade, bandeira
insubstituível nas normas do IASB.
A característica prudência (conservadorismo) foi também retirada da condição de aspecto da
representação fidedigna por ser inconsistente com a neutralidade. Subavaliações de ativos e
superavaliações de passivos, segundo os Boards mencionam nas Bases para Conclusões, com
consequentes registros de desempenhos posteriores inflados, são incompatíveis com a informação que
pretende ser neutra [CFC, 2011].

Premissa subjacente à elaboração dos relatórios contábil-financeiros: a


elaboração dos relatórios contábil-financeiros tem como premissa a continuidade
(going concern) da entidade. A entidade foi concebida como algo em marcha, ou
seja, suas operações irão ocorrer por um futuro previsível. E qualquer ameaça a
essa continuidade deverá ser informada aos diversos usuários da contabilidade
(stakeholders) interessados na informação contábil. Caso a empresa entre num
processo de liquidação, as demonstrações contábeis deverão ser elaboradas em
bases diferentes daquelas entidades em continuidade.
Como exemplo de ameaça à continuidade de uma entidade pode-se
mencionar: determinada empresa vendeu 90% da sua receita para um
determinado cliente e esse cliente solicitou uma concordata. Portanto, caso a
empresa não consiga rapidamente localizar potenciais novos clientes, a
continuidade da empresa ficará sensivelmente ameaçada. Portanto, a omissão do
fato da continuidade pode influenciar as decisões que os usuários tomam com
base na informação contábil-financeira.
As características qualitativas são consideradas os atributos que fazem as
demonstrações contábeis se tornarem úteis aos seus usuários. Foram definidas de
modo a ter mais utilidade, fornecendo informações que auxiliem o processo
decisório no melhor entendimento das empresas que as apresentam.
De acordo com o CPC 00 (R1), de dezembro 2011, as características
qualitativas, separadas em dois grupos, são as reputadas como mais úteis e
fundamentais (A) e as que também auxiliam na escolha quando de alternativas
equivalentes em termos de relevância e representação fidedigna (B).
As características qualitativas das demonstrações contábeis podem ser
visualizadas no quadro 6.
Quadro 6
CARACTERÍSTICAS QUALITATIVAS

(A) Reputadas como mais úteis e fundamentais


Característica Descrição
Relevância As informações são relevantes quando fazem a diferença nas decisões econômicas dos
usuários, ajudando-os a avaliar o impacto de eventos passados, ou corrigindo as suas
avaliações anteriores (valor confirmatório), ou ajudando-os nos processos para predizer
resultados futuros (valor preditivo). A relevância depende da natureza e da materialidade
do item em discussão.
Representação Diz respeito a três atributos: a informação precisa ser completa, neutra e livre de erro.
fidedigna Para ser completa, precisa conter o necessário para que o usuário compreenda o
fenômeno sendo retratado. Para ser neutra, precisa estar desprovida de viés na seleção
ou na apresentação, não podendo ser distorcida para mais ou para menos. Para ser livre
de erro, precisa que o processo para obtenção da informação tenha sido selecionado e
aplicado livre de erros. No caso de estimativa, ela é considerada tendo representação
fidedigna se, além disso, o montante for claramente descrito como estimativa e se a
natureza e as limitações do processo forem devidamente reveladas.
(B) Características que também auxiliam na escolha quando de alternativas equivalentes em termos de
relevância e representação fidedigna
Característica Descrição
Comparabilidade Permite a identificação e compreensão de similaridades e diferenças entre os itens.
Comparabilidade implica, também, fazer com que coisas diferentes não pareçam iguais
ou coisas iguais não pareçam diferentes. Comparabilidade é diferente da consistência,
pois é o objetivo, enquanto a consistência é um auxílio na obtenção desse objetivo.
Verificabilidade
Implica diferentes observadores poderem chegar a um consenso sobre o retrato de uma
realidade econômica, podendo, em certas circunstâncias, representar uma faixa de
possíveis montantes com suas respectivas probabilidades. Pode ser direta ou indireta e,
às vezes, se restringir à análise das premissas subjacentes a uma estimativa sobre o
futuro.
Tempestividade Significa estar a informação disponível a tempo de influenciar o usuário em sua decisão.
Compreensibilidade Significa que a classificação, a caracterização e a apresentação da informação são feitas
com clareza e concisão, tornando-a compreensível. Os relatórios contábil-financeiros são
elaborados na presunção de que o usuário tem conhecimento razoável de negócios e
que age diligentemente, mas isso não exclui a necessidade de ajuda de consultor para
fenômenos complexos.

Limitações na relevância e na confiabilidade das informações

As limitações apresentadas no pronunciamento contábil são três, a saber:


tempestividade, equilíbrio entre custo e benefício e equilíbrio entre
características qualitativas. Tais limitações, que podem ser visualizadas no
quadro 7, referem-se a todas as características qualitativas, não só àquelas
sugeridas pela interpretação textual do pronunciamento.
Quadro 7
LIMITAÇÕES NA RELEVÂNCIA E NA CONFIABILIDADE DAS INFORMAÇÕES

Limitações Descrição
Tempestividade Quando há demora indevida na divulgação de uma informação, é possível que
ela perca a relevância. A administração da entidade necessita ponderar os
méritos relativos entre a tempestividade da divulgação e a confiabilidade da
informação fornecida. Para fornecer uma informação na época oportuna pode
ser necessário divulgá-la antes que todos os aspectos de uma transação ou
evento sejam conhecidos, prejudicando assim sua confiabilidade. Por outro
lado, se para divulgar a informação a entidade aguardar até que todos os
aspectos se tornem conhecidos, a informação pode ser altamente confiável,
porém de pouca utilidade para os usuários que tenham tido necessidade de
tomar decisões nesse ínterim. Para atingir o adequado equilíbrio entre a
relevância e a confiabilidade, o princípio básico consiste em identificar qual a
melhor forma para satisfazer as necessidades do processo de decisão
econômica dos usuários.
Equilíbrio entre Limitação de ordem prática, em vez de uma característica qualitativa. Os
custo e benefícios decorrentes da informação devem exceder o custo de produzi-la.
benefício
Equilíbrio entre Na prática, é frequentemente necessário um balanceamento entre as
características características qualitativas. Geralmente, o objetivo é atingir um equilíbrio
qualitativas apropriado entre as características, a fim de satisfazer aos objetivos das
demonstrações contábeis. A importância relativa das características em
diferentes casos é uma questão de julgamento profissional.
Fonte: Perez Junior e Begalli (2009:36).

A aplicação de forma adequada do conjunto de conceitos citados deve fazer


com que as demonstrações contábeis apresentem informações verdadeiras e
apropriadas da posição patrimonial e financeira da empresa.
Por fim, deve ser também citado o conceito geral de visão verdadeira e visão
adequada. Estamos nos referindo à apresentação adequada, segundo a qual a
essência econômica deve prevalecer sobre a forma jurídica.
Assim, a aplicação das características qualitativas e de normas de
contabilidade aceitas resulta em demonstrações contábeis que devem refletir o
que se entende como apresentação verdadeira e adequada das informações de
uma entidade.
Como você viu, a contabilidade é um sistema de informações relevantes para
as empresas em seus processos decisórios.
Para situar você no contexto da ciência contábil, abordamos sua origem e
evolução, os principais conceitos, as demonstrações contábeis, os pressupostos
básicos, assim como as características dos usuários que necessitam dessas
informações.
Abordamos, também, as principais diferenças entre a contabilidade financeira
e a contabilidade gerencial.
No próximo capítulo, estudaremos com detalhes as demonstrações contábeis e
as informações por elas geradas.
2

Estrutura das demonstrações contábeis

A dinâmica dos mercados financeiros e dos mercados de capitais exerce papel


fundamental no desenvolvimento econômico e na evolução das atividades
empresariais. Aliado a isso, cabe destacar que a busca constante de melhoria na
administração das entidades passa pelo conhecimento da contabilidade, sem o
qual a gestão e o conjunto de informações necessárias para o processo da tomada
da decisão ficariam inviabilizados. Tendo por objetivo demonstrar as mutações
na estrutura patrimonial de entidades com finalidades lucrativas, caberá à
contabilidade contemplar os diversos usuários interessados em informações
sobre determinada entidade com demonstrações contábeis que permitirão aos
mesmos conhecer sua situação econômica e financeira e, dessa forma, tomar
suas decisões. Neste capítulo, apresentaremos o produto final da contabilidade,
ou seja, o conjunto de relatórios que tem por finalidade evidenciar as
modificações ocorridas na estrutura do patrimônio em decorrência dos fatos
associados às tomadas de decisões por parte dos gestores e demais responsáveis
pela administração e condução da entidade, cabendo também ficarem
evidenciadas nos relatórios as mutações decorrentes de eventos não associados
ao conjunto das decisões.

Informação e demonstrações contábeis

Para que as demonstrações contábeis tenham credibilidade e, ao mesmo


tempo, gerem confiança por parte dos usuários, a informação deverá ser
completa, demonstrando com fidedignidade todas as operações e outros fatos,
sem erros em sua elaboração. Para tanto, o reconhecimento das transações e
acontecimentos deverá ser registrado com base na substância e realidade dos
fatos econômicos, e não de forma puramente legal, com total neutralidade e com
o cuidado na elaboração das demonstrações contábeis. Estamos comprometidos
com a fidedignidade, transparência e responsabilidade da informação a ser
passada sobre a situação econômico-financeira, de modo a atender à demanda
dos investidores que, ao alocar seus recursos em determinada atividade, buscam
maximizar sua riqueza. As entidades com finalidade lucrativa nascem tendo por
objetivo remunerar seus investidores, ou seja, nascem da alternativa de
investimento por parte de determinadas pessoas. A variabilidade na estrutura
patrimonial dessas entidades tem como fundamentação o processo de decisão
por parte dos tomadores de decisão, fatores tecnológicos, políticas
governamentais, concorrência, abertura de mercado e tantos outros que poderão
impactar, de maneira positiva ou negativa, a estrutura do patrimônio da entidade.
Compete à contabilidade elaborar demonstrações para que as decisões possam
ser tomadas com o propósito de dar continuidade ao processo de gestão da
entidade e contemplar os investidores e demais interessados com informações
para que os mesmos possam decidir de modo a atender a suas demandas
individuais ou coletivas. As demonstrações contábeis representam o produto
final da contabilidade. Delas fluem valiosas informações, evidenciando a
realidade de uma estrutura patrimonial que é fruto de determinada gestão.
As demonstrações contábeis são relatórios acompanhados de informações
complementares, que correspondem a determinado período, contendo aspectos
qualitativos e quantitativos como consequência dos métodos aplicados na
contabilização dos respectivos fatos. Geram informações financeiras sobre a
entidade, sendo que seu principal objetivo é proporcionar informações sobre a
posição financeira e o desempenho – além de demonstrar as modificações em
sua posição financeira – que possam atender a um vasto número de usuários na
tomada de decisão.
As demonstrações contábeis são geradas em decorrência do registro de um
grande número de fatos e eventos, que são agregados em grupos e subgrupos em
função da sua natureza. Ao término serão apresentadas as demonstrações
contábeis que são:

balanço patrimonial;
demonstração do resultado;
demonstração do resultado abrangente;
demonstração das mutações do patrimônio líquido;
demonstração dos fluxos de caixa;
demonstração do valor adicionado;
notas explicativas, compreendendo o resumo das políticas contábeis
significativas e outras informações explanatórias.

As demonstrações interagem entre si e possuem objetivos definidos,


conforme apresentado nas próximas seções.

Balanço patrimonial

O balanço patrimonial proporciona informações referentes à posição


patrimonial e financeira da entidade em uma determinada data, evidencia as
fontes de financiamentos representadas pelo capital próprio (capital social mais
ou menos o resultado acumulado e pelo capital de terceiros). O capital próprio é
representado pelo patrimônio líquido (PL) enquanto o capital de terceiros é
representado pelo passivo. Essas fontes dão origem aos investimentos da
entidade, ou seja, ao seu ativo. Temos que o balanço patrimonial da entidade é a
relação de seus ativos, passivos e patrimônio líquido em uma data específica.
Conforme pronunciamento CPC 00 (R1), itens 4.8/4.23, temos:
(a) ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual se espera
que fluam futuros benefícios econômicos para a entidade.
(b) passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos passados, cuja liquidação se
espera que resulte na saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos.
(c) patrimônio líquido é o interesse residual nos ativos da entidade depois de deduzidos todos os seus
passivos.

Os elementos que compõem a estrutura do balanço patrimonial, os bens, os


direitos, as obrigações e os elementos do patrimônio líquido são representados
por contas patrimoniais. No ativo temos os bens e os direitos, que serão
representados dentro da estrutura do balanço patrimonial em função do grau de
liquidez de cada conta; no passivo representaremos as obrigações em função do
grau de exigibilidade; e o patrimônio líquido será a diferença entre o ativo e o
passivo.
A representação do balanço patrimonial é feita considerando o ativo ao lado
do passivo e do patrimônio líquido, como demonstrado no quadro 8.
Quadro 8
FORMAÇÃO E REPRESENTAÇÃO DA ESTRUTURA PATRIMONIAL

Balanço patrimonial
Ativo Passivo + patrimônio líquido
Bens Obrigações

Representam tudo que a empresa possui em termos Representam os débitos – tudo que a
corpóreos ou incorpóreos. empresa tiver a pagar.
Direitos Patrimônio líquido

Representam os créditos – tudo que a empresa tiver Representa a diferença entre o total do
a receber. ativo menos o passivo.

De forma bastante objetiva, podemos interpretar o balanço patrimonial pela


ótica das origens e aplicações de recursos, conforme o quadro 9 permite
visualizar.
Quadro 9
ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS NA FORMAÇÃO DA ESTRUTURA PATRIMONIAL

Balanço patrimonial
Ativo Passivo
Bens Obrigações
Caixa
Aplicações de Origens de Fontes de
Investimentos Liquidez Exigibilidade
recursos recursos financiamentos
Patrimônio
Direitos
líquido
Capital
Total Total

A informação deverá ser gerada de modo a atender a um conjunto


heterogêneo de usuários, fato que nos leva a estruturar as demonstrações
contábeis de modo a lhes permitir extrair as informações necessárias para a
tomada da decisão.
Na estrutura do balanço patrimonial, os ativos e passivos foram divididos em
grupos, cada grupo dividido em subgrupos, sendo que dentro de cada subgrupo
encontramos as respectivas contas, que representam os diversos elementos da
estrutura patrimonial – no caso do ativo, os bens e os direitos; no passivo, as
obrigações com terceiros e o patrimônio líquido.
Tanto no ativo quanto no passivo teremos os elementos circulantes e não
circulantes, que serão representados como grupos de contas separados no
balanço patrimonial, exceto quando uma apresentação baseada na liquidez
proporcionar informação confiável e mais relevante.
Quando essa exceção for aplicável, todos os ativos e passivos devem ser
apresentados por ordem de liquidez.
Qualquer que seja o método de apresentação adotado, a entidade deve
divulgar o montante esperado a ser recuperado ou liquidado em até 12 meses ou
mais do que 12 meses, após o período de reporte, para cada item do ativo e
passivo.
O CPC 26 (R1) não prescreve a ordem ou o formato que deva ser utilizado na
apresentação das contas do balanço patrimonial; entretanto, na Lei das S/A, no
ativo, as contas são dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos
elementos nelas registrados, isto é, dos itens de maior para os de menor liquidez.
A doutrina contábil adota critério semelhante para o passivo: ordem decrescente
de exigibilidade.
Para tornar a informação ainda mais clara, devemos apresentar as informações
do balanço patrimonial de acordo com o grau de liquidez e nível de
exigibilidade, conforme os quadros 10 e 11.
Quadro 10
REPRESENTAÇÃO DE ACORDO COM O GRAU DE LIQUIDEZ E NÍVEL DE EXIGIBILIDADE

Balanço patrimonial
Ativo Passivo
Caixa Fornecedor
Bancos Financiamentos a pagar
Duplicatas a receber Patrimônio líquido
Mercadorias Capital
Veículos Reserva de lucro
Imóveis Prejuízo acumulado
Total Total

Quadro 11
REPRESENTAÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL DE FORMA SINTÉTICA
Balanço patrimonial
Ativo Passivo + patrimônio líquido
Ativo circulante Passivo circulante
Disponível Obrigações
Créditos Passivo não circulante
Estoque Obrigações
Impostos a recuperar Patrimônio líquido
Ativo não circulante Capital social
Realizável a longo prazo Reservas de capital
Investimentos Reservas de lucro
Imobilizado Ajustes de avaliação patrimonial
Intangível Prejuízo acumulado
Total Total

Conforme pronunciamento CPC 26 (R1), item 66, a entidade deve classificar


um ativo como circulante quando:

esperar realizar o ativo, ou pretender vendê-lo ou consumi-lo durante o ciclo


operacional normal da entidade;
o ativo for mantido essencialmente com a finalidade de negociação;
esperar realizar o ativo no período de até 12 meses após a data das
demonstrações contábeis;
o ativo for caixa ou equivalente de caixa, a menos que sua troca ou uso para
liquidação de passivo seja restrita durante pelo menos 12 meses após a data das
demonstrações contábeis.

A entidade deve classificar todos os outros ativos como não circulantes.


Quando o ciclo operacional normal da entidade não for claramente identificável,
presume-se que sua duração seja de 12 meses.
Conforme pronunciamento CPC 26 (R1), item 69, a entidade deve classificar
um passivo como circulante quando:

esperar liquidar o passivo durante o ciclo operacional normal da entidade;


o passivo for mantido essencialmente para a finalidade de negociação;
o passivo for exigível no período de até 12 meses após a data das
demonstrações contábeis;
a entidade não tiver direito incondicional de diferir a liquidação do passivo
durante pelo menos 12 meses após a data de divulgação.
Os demais passivos serão classificados pela entidade como não circulantes.
No patrimônio líquido, incluímos os recursos aportados pelos investidores,
assim como os recursos gerados pela própria entidade, ou seja, os lucros
formalmente incorporados à atividade como fonte de financiamento. No
patrimônio líquido deveremos incluir:

capital social;
reservas de capital;
ajustes de avaliações patrimoniais;
reservas de lucros;
ações em tesouraria;
prejuízo acumulado.

Avaliação dos ativos

De acordo com o art. 183 da Lei no 6.404/1976 e suas subsequentes


modificações, os elementos dos ativos serão avaliados conforme apresentado a
seguir.
Art. 183. No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios:
I. as aplicações em instrumentos financeiros, inclusive derivativos, e em direitos e títulos de créditos,
classificados no ativo circulante ou no realizável a longo prazo:
(a) pelo seu valor justo quando se tratar de aplicações destinadas a negociação ou disponíveis para
venda; e
(b) pelo custo de aquisição ou valor de emissão, atualizado conforme disposições legais ou contratuais,
ajustado ao valor provável de realização, quando este for inferior, no caso das demais aplicações e os
direitos e títulos de crédito;
II. os direitos que tiverem por objeto mercadorias e produtos de comércio da companhia, assim como
matérias-primas, produtos em fabricação e bens em almoxarifado, pelo custo de aquisição ou produção,
deduzido de provisão para ajustá-lo ao valor de mercado, quando este for inferior;
III. os investimentos em participação no capital social de outras sociedades, ressalvado o disposto nos
arts. 248 a 250, pelo custo de aquisição, deduzido de provisão para perdas prováveis na realização do
seu valor, quando essa perda estiver comprovada como permanente, e que não será modificado em
razão do recebimento, sem custo para a companhia, de ações ou quotas bonificadas;
IV. os demais investimentos, pelo custo de aquisição, deduzido de provisão para atender às perdas
prováveis na realização do seu valor, ou para redução do custo de aquisição ao valor de mercado,
quando este for inferior;
V. os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva
conta de depreciação, amortização ou exaustão;
VI. (revogado);
VII. os direitos classificados no intangível, pelo custo incorrido na aquisição, deduzido do saldo da
respectiva conta de amortização;
VIII. os elementos do ativo decorrentes de operações de longo prazo serão ajustados a valor presente,
sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante.

Para efeito do disposto no art. 183 da Lei no 6.404/1976, §1o, alterado pela Lei
no 11.941/2009, considera-se valor justo:
(a) das matérias-primas e dos bens em almoxarifado, o preço pelo qual possam ser repostos, mediante
compra no mercado;
(b) dos bens ou direitos destinados à venda, o preço líquido de realização mediante venda no mercado,
deduzidos os impostos e demais despesas necessárias para a venda, e a margem de lucro;
(c) dos investimentos, o valor líquido pelo qual possam ser alienados a terceiros;
(d) dos instrumentos financeiros, o valor que se pode obter em um mercado ativo, decorrente de
transações não compulsórias realizadas entre partes independentes; e, na ausência de um mercado
ativo para um determinado instrumento financeiro:
1) o valor que se pode obter em um mercado ativo com a negociação de outro instrumento financeiro
de natureza, prazo e risco similares;
2) o valor presente líquido dos fluxos de caixa futuros para instrumentos financeiros de natureza, prazo
e risco similares; ou
3) o valor obtido por meio de modelos matemático-estatísticos de precificação de instrumentos
financeiros.

De acordo com o §2o do art. 183 da Lei no 6.404/1976, a diminuição do valor


dos elementos do ativo imobilizado e intangível será registrada periodicamente
nas contas de:
(a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos
sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ação na natureza ou obsolescência;
(b) amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da
propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existência ou exercício de duração
limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado;
(c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo
objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração.

Conforme pronunciamento CPC 01 (R1), periodicamente a entidade deverá


efetuar uma análise sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado e
no intangível, a fim de que sejam:
registradas as perdas de valor do capital aplicado quando houver decisão de
interromper os empreendimentos ou atividade a que se destinavam ou quando
comprovado que não poderão produzir resultados suficientes para recuperação
desse valor;
revisados e ajustados os critérios utilizados para determinação da vida útil
econômica estimada e para cálculo da depreciação, amortização e exaustão.

Os estoques de mercadorias fungíveis destinadas à venda poderão ser


avaliados pelo valor de mercado, quando esse for o costume mercantil aceito
pela técnica contábil.

Avaliação do passivo

Os elementos dos passivos serão avaliados conforme definido no art. 184 da


Lei no 6.404/1976:
I. as obrigações, encargos e riscos, conhecidos ou calculáveis, inclusive o imposto sobre a renda a
pagar com base no resultado do exercício, serão comutados pelo valor atualizado até a data do balanço;
II. as obrigações em moeda estrangeira, com cláusula de paridade cambial, serão convertidas em moeda
nacional à taxa de câmbio em vigor na data do balanço;
III. as obrigações, os encargos e os riscos classificados no passivo não circulante serão ajustados ao seu
valor presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante.

Procedimentos necessários para elaboração do balanço patrimonial

Após a verificação do saldo atual das contas patrimoniais e de resultado, faz-


se a análise detalhada da posição individual de cada elemento e, nada mais
havendo a ser feito, apura-se o resultado, a fim de apresentar a demonstração do
resultado e o balanço patrimonial correspondente ao referido período.

Apresentação analítica do balanço patrimonial

Conhecer a situação econômico-financeira é fundamental para a tomada de


decisões a respeito de determinada entidade. O balanço patrimonial apresentado
a seguir é uma das peças necessárias dentro do conjunto do produto final da
contabilidade.
Balanço patrimonial
Ativo
Ativo circulante
Disponibilidades
Caixa
Bancos conta movimento
Aplicações de liquidez imediata
Créditos
Duplicatas a receber
(–) Ajuste a valor presente
(–) Perda estimada em créditos de liquidação duvidosa
Outros créditos
Títulos a receber
Aplicações financeiras
Adiantamentos a empregados
Estoque
Matérias-primas
Produtos em processo de fabricação
Material de embalagem
Produtos acabados
Mercadorias
Material de escritório
(–) Provisão para ajuste a valor de mercado
Despesas do exercício seguinte
Prêmios de seguros a apropriar
Juros a apropriar
Ativo não circulante
Realizável a longo prazo
Créditos
Duplicatas a receber
Outros créditos
Depósitos judiciais
Depósitos compulsórios
Valores a receber de pessoas ligadas
Investimentos
Participações permanentes em outras sociedades
(–) Provisões estimadas
Propriedades para investimentos
Imóveis de renda
Imobilizado
Veículos
Móveis e utensílios
Prédios
(–) Depreciação acumulada
Intangível
Marcas e nomes de produtos
Fundos de comércio
Desenvolvimento de software
Goodwill
(–) Amortização acumulada
(–) Perda por irrecuperabilidade
Total do ativo
Passivo
Passivo circulante
Obrigações
Fornecedores
Duplicatas descontadas
(–) Encargos financeiros a transcorrer
Salários a pagar
Impostos a recolher
Passivo não circulante
Exigível a longo prazo
Obrigações
Empréstimos a pagar
Financiamentos a pagar
Debêntures a pagar
Impostos a recolher
Patrimônio líquido
Capital social
Capital subscrito
(–) Capital a subscrever
Reservas
Reservas de capital
Reservas de lucro
Ajustes de avaliação patrimonial
(–) Ações em tesouraria
(–) Prejuízo acumulado
Total do passivo + patrimônio líquido

Apresentamos a formação da estrutura patrimonial de uma entidade, seus


elementos ativos, passivos e patrimônio líquido, a lógica de enquadramentos e
avaliação desses diversos elementos.

Demonstração do resultado do exercício (DRE)

Essa demonstração apresentará informações relativas a um determinado


período de apuração, enquanto no balanço patrimonial a informação corresponde
ao dia da apresentação. Na demonstração do resultado, a informação
corresponde ao intervalo de tempo entre os dois balanços. Na DRE,
encontraremos todos os elementos que se caracterizam como receitas e despesas
reconhecidas dentro do período. O confronto entre as receitas e as despesas
evidenciará o resultado da entidade no respectivo momento da apuração. O
resultado, quer dizer, o lucro ou o prejuízo do exercício será determinado pela
diferença entre as receitas reconhecidas menos as despesas incorridas.
O quadro 12 apresenta a representação simplificada da demonstração de
resultado.
Quadro 12
REPRESENTAÇÃO SIMPLIFICADA DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO

Demonstração do resultado
Receitas
(–) Despesas
(=) Lucro ou prejuízo do exercício
Como disposto no art. 187 da Lei no 6.404/1976, serão apresentados na
demonstração do resultado do exercício:
I. a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos;
II. a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e dos serviços vendidos e o lucro
bruto;
III. as despesas com vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e
administrativas e outras despesas operacionais;
IV. o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas;
V. o resultado do exercício antes do imposto de renda e a provisão para imposto;
VI. as participações de debenturistas, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na
forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de
empregados, que não se caracterizem como despesa;
VII. o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ações do capital social.

A Lei no 11.941/2009, no art. 187, inciso IV, substituiu a expressão “receitas e


despesas não operacionais” por “outras receitas e despesas”, ficando, dessa
forma, em consonância com as normas internacionais; eliminou-se a expressão
“não operacional”. Os ganhos ou as perdas na venda de ativos não circulantes
que fazem parte do investimento, imobilizado ou intangível irão compor outras
receitas ou outras despesas.
É importante destacar a diferença entre o reconhecimento das receitas e o
fluxo de caixa, as entradas de recursos provenientes das receitas geradas. O fato
de haver receitas não se caracteriza, necessariamente, como fluxo positivo para
nosso caixa, visto que as receitas serão reconhecidas quando da sua ocorrência e
não quando do recebimento dos recursos. O fato de haver receita não significa
que a entidade possua liquidez, sendo necessário, muitas das vezes, buscar fontes
de financiamentos para atender a sua demanda de recursos. Equilibrar as receitas
com a demanda de fluxo positivo de caixa não é tarefa nada fácil. Requer uma
política extremamente racional de realização das vendas e respectivas cobranças,
um esforço muito grande por parte dos gestores.
A contabilização dos fatos é feita com base no regime de competência. As
receitas serão reconhecidas quando de sua ocorrência e não quando de seu
recebimento, assim como os gastos relacionados a essas receitas serão
reconhecidos quando de sua ocorrência e não quando de seu pagamento. Pode-se
perceber que o resultado da entidade em determinado período é apurado
confrontando-se as receitas e os ganhos gerados, independentemente de seu
recebimento, com as despesas, os encargos ou as perdas incorridos,
independentemente do respectivo pagamento.
O quadro 13 apresenta a representação analítica da demonstração do resultado
com os diversos grupos de contas integrantes de sua estrutura.
Quadro 13
REPRESENTAÇÃO ANALÍTICA DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO (CLASSIFICADO
POR FUNÇÃO)

Receita operacional líquida


(–) Custo
(=) Lucro bruto
(–) Despesas operacionais
Despesas administrativas e gerais
Despesas comerciais
(+/–) Outras receitas e despesas operacionais
(+/–) Resultado da equivalência patrimonial

Receitas de aluguéis
(+/–) Resultado financeiro
Despesas financeiras
Receitas financeiras

(=) Resultado operacional líquido


(+) Outras receitas
(–) Outras despesas
(=) Resultado líquido antes da contribuição social e imposto de renda
(–) Contribuição social sobre o lucro líquido e imposto de renda
(=) Resultado do exercício depois dos impostos
(–) Participações
(=) Resultado líquido do exercício

Ao término dessa demonstração, no caso das sociedades por ações, é


obrigatório demonstrar o lucro ou prejuízo por ação do capital social.
Vamos descrever a composição dos diversos grupos de contas integrantes
dessa demonstração:

receita operacional líquida;


custo;
lucro bruto;
despesas operacionais – necessárias à estrutura de funcionamento da entidade,
estão associadas às atividades principais e secundárias;
outras receitas e despesas operacionais;
resultado financeiro;
resultado operacional líquido;
outras receitas ou outras despesas;
resultado líquido antes da contribuição social e do imposto de renda;
contribuição social sobre o lucro e imposto de renda – tributos;
participações – distribuição, a quem de direito, da parte que lhe cabe no
resultado da empresa;
resultado líquido do exercício – representa o lucro líquido da empresa
proveniente daquele período de apuração.

É obrigatória a indicação do lucro ou do prejuízo por ação, por força do


disposto no art. 187, inciso VII, da Lei no 6.404/1976.

Demonstração do resultado abrangente total

Resultado abrangente total é a mudança no patrimônio líquido, durante o


período, que resulta de transações e outros eventos que não os derivados de
transações com os proprietários na sua capacidade de proprietários. A seguir,
detalharemos cada elemento que o compõe:

resultado do período – é o total das receitas deduzido das despesas, exceto os


itens reconhecidos como outros resultados abrangentes no patrimônio líquido;
ajuste de reclassificação – é o valor reclassificado para o resultado no período
corrente que foi inicialmente reconhecido como outros resultados abrangentes,
no período corrente ou em período anterior;
o resultado abrangente total compreende todos os componentes da
demonstração do resultado e da demonstração dos outros resultados
abrangentes.

O quadro 14 permite visualizar a estrutura da demonstração do resultado


abrangente total.
Quadro 14
ESTRUTURA DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ABRANGENTE TOTAL

Resultado líquido do exercício


Outros resultados abrangentes
(+/–) Acréscimos/decréscimos de PL que não transitaram pelo resultado nem vieram de sócios
(+/–) Ajustes de avaliação patrimonial
(=) Resultado abrangente total do exercício

A linha outros resultados abrangentes compreende itens de receita e despesa


(incluindo ajustes de reclassificação) que não são reconhecidos na demonstração
do resultado como requerido ou permitido pelos pronunciamentos, interpretações
e orientações emitidos pelo CPC. Os componentes dos outros resultados
abrangentes incluem:

variações na reserva de reavaliação quando permitidas legalmente (veja


pronunciamentos técnicos CPC 27 – Ativo imobilizado e CPC 04 (R1) – Ativo
intangível);
ganhos e perdas atuariais em planos de pensão com benefício definido,
reconhecidos conforme item 93A do Pronunciamento Técnico CPC 33 –
Benefícios a empregados;
ganhos e perdas derivados de conversão de demonstrações contábeis de
operações no exterior (veja Pronunciamento Técnico CPC 02 (R2) – Efeitos
das mudanças nas taxas de câmbio e conversão de demonstrações contábeis);
ajuste de avaliação patrimonial relativo aos ganhos e perdas na remensuração
de ativos financeiros disponíveis para venda (veja Pronunciamento Técnico
CPC 38 – Instrumentos financeiros: reconhecimento e mensuração);
ajuste de avaliação patrimonial relativo à efetiva parcela de ganhos ou perdas
de instrumentos de hedge em hedge de fluxo de caixa (ver também
Pronunciamento Técnico CPC 38).

Apresentamos a formação e estrutura da demonstração do resultado da


entidade e demonstração do resultado abrangente total, os tipos de receitas,
ganhos, custos, despesas e perdas, além de critérios de reconhecimento das
receitas e despesas.
Demonstração dos fluxos de caixa

Essa demonstração substitui a demonstração das origens e aplicações de


recursos. Sua obrigatoriedade se deu pela Lei no 11.638/2007, art. 176, inciso IV,
e as normas para sua elaboração foram definidas por meio do Comitê de
Pronunciamentos Contábeis (CPC 03). O art. 1o da Lei no 11.638/2007 altera o
§6o do art. 176 da Lei no 6.404/1976 ao determinar que companhias fechadas
com patrimônio líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2 milhões não serão
obrigadas à elaboração e publicação dessa demonstração.
Por meio da demonstração dos fluxos de caixa, teremos condição de
identificar as modificações ocorridas no fluxo de disponibilidades da entidade
durante determinado período. É importante lembrar que quando nos referimos a
fluxo de caixa não estamos falando somente da conta caixa, mas também dos
equivalentes de caixa, como: numerários em mãos, depósitos bancários
disponíveis, aplicações de curto prazo e aplicações de alta liquidez.
No caso da demonstração das origens e aplicações de recursos, o objetivo era
determinar a variação no capital circulante líquido de certo período. A
demonstração do fluxo de caixa tem por objetivo apresentar os fatos que
acarretam modificação no nível de disponibilidade, que é a base para avaliação
financeira da entidade e sua capacidade de arcar como os pagamentos das suas
obrigações. Será possível identificar:

onde a entidade conseguiu captar os recursos;


quanto dos recursos financeiros foi gerado internamente;
como foi financiada a expansão com a compra de ativos imobilizados;
se a entidade está se expandindo em ritmo mais acelerado do que sua geração
de recursos;
se a política de distribuição de dividendos está em equilíbrio com a geração
operacional;
quais os movimentos financeiros com os acionistas e os financiadores.

Por meio da demonstração do resultado, a entidade apura seu resultado que,


por sua vez, não evidencia necessariamente o real fluxo de caixa operacional do
período, uma vez que o reconhecimento das receitas e das despesas é feito em
consonância com o regime de competência.
Sua elaboração poderá ser feita por meio do método direto ou indireto, sendo
que a diferenciação ocorre no fluxo de caixa operacional.
A entidade deve apresentar seus fluxos de caixa decorrentes das atividades
operacionais, investimentos e financiamento da forma que seja mais apropriada a
seus negócios. A classificação por atividade proporciona informações que
permitem aos usuários avaliar o impacto de tais atividades sobre a posição
financeira da entidade e o montante de seu caixa e equivalentes de caixa. Essas
informações podem também ser usadas para avaliar a relação entre essas
atividades.
Um único fato pode incluir fluxos de caixa classificados em tais atividades.
Por exemplo, quando o desembolso de caixa para pagamento de um empréstimo
inclui tanto os juros quanto o principal, a parte dos juros pode ser classificada
como atividade operacional, mas a parte do principal deve ser classificada como
atividade de financiamento.
O quadro 15 permite visualizar a demonstração dos fluxos de caixa em que os
recebimentos e pagamentos são registrados nas três atividades distintas.
Quadro 15
DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA

Atividades operacionais
Os fluxos de caixa advindos das atividades operacionais são basicamente derivados das principais atividades
geradoras de receita da entidade. Portanto, eles geralmente resultam de transações e de outros eventos que
entram na apuração do lucro líquido ou prejuízo. Exemplos de fluxos de caixa que decorrem das atividades
operacionais são:
recebimentos de caixa pela venda de mercadorias e pela prestação de serviços;
recebimentos de caixa decorrentes de royalties, honorários, comissões e outras receitas;
pagamentos de caixa a fornecedores de mercadorias e serviços;
pagamentos de caixa a empregados ou por conta de empregados;
recebimentos e pagamentos de caixa, por seguradora, de prêmios e sinistros, anuidades e outros
benefícios da apólice;
pagamentos ou restituição de caixa de impostos sobre a renda, a menos que possam ser
especificamente identificados com as atividades de financiamento ou de investimento;
recebimentos e pagamentos de caixa de contratos mantidos para negociação imediata ou disponíveis
para venda futura.
Atividades de investimentos
A divulgação em separado dos fluxos de caixa advindos das atividades de investimento é importante em
função de tais fluxos de caixa representarem a extensão em que os dispêndios de recursos são feitos pela
entidade com a finalidade de gerar lucros e fluxos de caixa no futuro. Somente desembolsos que resultam em
ativo reconhecido nas demonstrações contábeis são passíveis de classificação como atividades de
investimento. Exemplos de fluxos de caixa advindos das atividades de investimento são:
pagamentos em caixa para aquisição de ativo imobilizado, intangíveis e outros ativos de longo prazo.
Esses pagamentos incluem aqueles relacionados aos custos de desenvolvimento ativados e aos ativos
imobilizados de construção própria;
recebimentos de caixa resultantes da venda de ativo imobilizado, intangíveis e outros ativos de longo
prazo;
pagamentos em caixa para aquisição de instrumentos patrimoniais ou instrumentos de dívida de outras
entidades e participações societárias em joint ventures (exceto aqueles pagamentos referentes a títulos
considerados equivalentes de caixa ou aqueles mantidos para negociação imediata ou futura);
recebimentos de caixa provenientes da venda de instrumentos patrimoniais ou instrumentos de dívida
de outras entidades e participações societárias em joint ventures (exceto aqueles recebimentos
referentes aos títulos considerados equivalentes de caixa e aqueles mantidos para negociação imediata
ou futura);
adiantamentos em caixa e empréstimos feitos a terceiros (exceto aqueles adiantamentos e
empréstimos feitos por instituição financeira);
recebimentos de caixa pela liquidação de adiantamentos ou amortização de empréstimos concedidos a
terceiros (exceto aqueles adiantamentos e empréstimos de instituição financeira);
pagamentos em caixa por contratos futuros, a termo, de opção e swap, exceto quando tais contratos
forem mantidos para negociação imediata ou futura, ou os pagamentos forem classificados como
atividades de financiamento; e
recebimentos de caixa por contratos futuros, a termo, de opção e swap, exceto quando tais contratos
forem mantidos para negociação imediata ou venda futura, ou os recebimentos forem classificados
como atividades de financiamento.
Atividades de financiamentos
A divulgação separada dos fluxos de caixa advindos das atividades de financiamento é importante por ser útil
na predição de exigências de fluxos de caixa futuros por parte de fornecedores de capital à entidade.
Exemplos de fluxos de caixa advindos das atividades de financiamento são:
caixa recebido pela emissão de ações ou outros instrumentos patrimoniais;
pagamentos em caixa a investidores para adquirir ou resgatar ações da entidade;
caixa recebido pela emissão de debêntures, empréstimos, notas promissórias, outros títulos de dívida,
hipotecas e outros empréstimos de curto e longo prazos;
amortização de empréstimos e financiamentos;
pagamentos em caixa pelo arrendatário para redução do passivo relativo a arrendamento mercantil
financeiro.

Fonte: transcrito de CPC 03 (R2) – Demonstração dos fluxos de caixa, itens 14, 16 e 17.

Há dois modelos de fluxo de caixa: o direto e o indireto.

Método indireto
Esse método tem uma grande capacidade informacional, permitindo visualizar
a relação entre o lucro e o caixa. Há, também, a possibilidade de identificar e
analisar o efeito das políticas de administração do capital circulante sobre o
fluxo de caixa.
Nessa evidenciação, é efetuada uma forma de conciliação entre o resultado
obtido na demonstração do resultado e o caixa gerado pelas atividades
operacionais. Tal informação é muito importante para o entendimento da
situação da empresa e para efetuar projeções.
O quadro 16 apresenta o modelo de papel de trabalho para elaboração do
fluxo de caixa.
Quadro 16
MODELO DE PAPEL DE TRABALHO PARA ELABORAÇÃO DA DEMONSTRAÇÃO DO
FLUXO DE CAIXA

Variações no caixa
Contas Ano anterior Ano atual Origens Aplicações
Ativo
Ativo circulante
Disponível
Créditos
Mercadorias
Ativo não circulante
Investimentos
Participações societárias
Total ativo
Passivo
Passivo circulante
Empréstimos a pagar
Contas a pagar
Passivo não circulante
Patrimônio líquido
Capital
Reserva de lucro
Total passivo + PL
Total das variações

O quadro 17 permite visualizar o modelo analítico da demonstração dos


fluxos de caixa pelo método indireto.
Quadro 17
MODELO ANALÍTICO DA DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA PELO MÉTODO
INDIRETO

Fluxo de caixa das atividades operacionais


Lucro líquido do exercício
Despesas (receitas) que não afetam o caixa:
Provisão para créditos de liquidação duvidosa
Depreciação e amortização
Variações monetárias de longo prazo líquidas
Equivalência patrimonial
Variações no ativo circulante
Créditos de clientes
Outros créditos
Estoques
Pagamentos antecipados
Variações no passivo circulante
Fornecedores
Salários a pagar
Tributos e contribuições sociais
Outras contas a pagar
Caixa líquido gerado pelas atividades operacionais
Fluxo de caixa das atividades de investimentos
Adições em investimentos
Aquisição de bens do ativo imobilizado
Acréscimos do ativo intangível
Venda de bens do ativo imobilizado
Caixa líquido utilizado nas atividades de investimentos
Fluxo de caixa das atividades de financiamento
Aumento do capital
Obtenção de empréstimos e financiamentos
Pagamentos de financiamentos
Pagamento de dividendos
Caixa líquido gerado pelas atividades de financiamento
Variação do caixa (aumento ou diminuição)
Saldo atual
Saldo anterior
Variação do caixa

Método direto
Na elaboração do fluxo de caixa pelo método direto, faz-se uma descrição de
entradas e saídas no disponível durante o exercício. Vejamos sua estrutura por
meio do quadro 18.
Quadro 18
MODELO ANALÍTICO DA DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA PELO MÉTODO
DIRETO

Fluxos das atividades operacionais


Recebimento de duplicatas
Recebimento de juros
Recebimento de aluguel
Pagamentos a fornecedores
Pagamentos de impostos, taxas e contribuições
Pagamentos de despesas operacionais
Fluxos das atividades de investimentos
Recebimento do principal de empréstimos concedidos
Recebimento do resgate de investimentos temporários
Recebimento da alienação de participações societárias
Desembolso de empréstimos e financiamentos concedidos
Pagamento na aquisição à vista de participações societárias
Pagamento na aquisição à vista de imobilizados
Fluxos das atividades de financiamentos
Aporte de capital em espécie
Recebimento de empréstimos obtidos
Recebimento de financiamentos obtidos
Pagamento do principal de empréstimo obtido
Pagamento do principal de financiamento obtido
Variação do caixa (aumento/diminuição)
Atual
Anterior
Variação do caixa

Apresentamos a estrutura da demonstração dos fluxos de caixa e os


respectivos critérios de elaboração e avaliação das fontes de financiamentos e
investimentos.

Demonstração das mutações do patrimônio líquido

Por meio dessa demonstração teremos condições de identificar as


modificações ocorridas nos elementos que compõem o patrimônio líquido da
entidade, bem como os fatos que as causaram.
Os diversos tipos de operações patrimoniais podem afetar ou não o
patrimônio líquido. São operações que afetam o total do patrimônio:

acréscimo pelo lucro ou redução pelo prejuízo líquido do exercício;


redução por dividendo;
acréscimo por integralização de capital;
acréscimo pelo recebimento de valor que exceda o valor nominal das ações
subscritas e integralizadas ou o preço de emissão das ações sem valor nominal;
redução por ações próprias adquiridas ou acréscimo por sua venda;
acréscimo ou redução por ajustes de exercícios anteriores.

São operações que não afetam o total do patrimônio líquido:

aumento de capital com utilização de lucros e reservas;


redução do saldo de lucros acumulados para formação de reservas, tais como
reserva legal, reserva estatutária, reserva para contingência e outras;
reversão de reservas de lucros para a conta de prejuízo acumulado;
compensação de prejuízos com reservas e outros.

O Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC 26 (R1)) determina que a


entidade apresente na demonstração das mutações do patrimônio líquido:
(a) o resultado abrangente do período, apresentando separadamente o montante total atribuível aos
proprietários da entidade controladora e o montante correspondente à participação de não
controladores;
(b) para cada componente do patrimônio líquido, os efeitos das alterações nas políticas contábeis e as
correções de erros reconhecidas de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 23 – Políticas
Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro;
(c) para cada componente do patrimônio líquido, a conciliação do saldo no início e no final do período,
demonstrando-se separadamente as mutações decorrentes:
I. do resultado líquido;
II. de cada item dos outros resultados abrangentes;
III. de transações com os proprietários realizadas na condição de proprietário, demonstrando
separadamente suas integralizações e as distribuições realizadas, bem como modificações nas
participações em controladas que não implicaram perda do controle [CPC 26 (R1), item 106].
O patrimônio líquido deve apresentar o capital social, as reservas de capital, os ajustes de avaliação
patrimonial, as reservas de lucros, as ações ou quotas em tesouraria, os prejuízos acumulados, se
legalmente admitidos os lucros acumulados e as demais contas exigidas pelos pronunciamentos
técnicos emitidos pelo CPC [CPC 26 (R1), item 106B].

O quadro 19 permite visualizar o modelo da demonstração das mutações do


patrimônio líquido.
Quadro 19
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Capital realizado Reservas Prejuízo acumulado Total


Saldo inicial
Eventos
...
...
Saldo final

Apresentamos a estrutura e os critérios para elaboração da demonstração das


mutações do patrimônio líquido.

Demonstração do valor adicionado

Normalmente, quando investimos buscamos agregar valor à nossa estrutura


patrimonial, ou seja, proporcionar aumento de nossa riqueza. Como é do
conhecimento da grande maioria das pessoas que a estrutura de crescimento dos
patrimônios dependerá de sua capacidade de gerar individualmente riqueza em
determinado período, temos que o valor adicionado ou valor agregado será
representado pela riqueza que cada patrimônio cria, e o somatório das
importâncias agregadas representa a soma das riquezas criadas.
O produto interno bruto é calculado pelo somatório dos valores agregados que
os agentes econômicos geram, estes representados pelas pessoas físicas, jurídicas
com fins lucrativos, entidades sem fins lucrativos, governo, associações,
fundações e outros. A soma dos diversos valores agregados representará a
riqueza gerada de um país.
A demonstração do valor adicionado indicará quanto da riqueza gerada caberá
a cada um dos agentes que contribuíram para sua formação, ou seja, quanto
caberá aos sócios ou acionistas, aos financiadores (capital de terceiros) e aos
empregados, bem como a parte que pertence ao governo.
Do conjunto das demonstrações contábeis apresentadas não se pode inferir a
parcela de riqueza criada, já que as demonstrações financeiras evidenciam, para
seus usuários, um conjunto de informações de natureza fundamentalmente
econômico-financeira. A demonstração do resultado evidencia as informações no
contexto de fluxo de receitas e despesas. O balanço patrimonial, assim como as
demais demonstrações, evidencia as fontes de financiamentos, suas alocações e o
patrimônio. Em síntese, segundo Silvério das Neves e Paulo Eduardo Viceconti
(2001:72):
(a) a demonstração do resultado do exercício identifica apenas qual a parcela da riqueza criada que
efetivamente permanece na empresa na forma de lucro; logo, não identifica as demais gerações de
riquezas (valores adicionados ou agregados);
(b) as demais demonstrações financeiras também não são capazes de indicar quanto de valor (riqueza)
a entidade está adicionando ou agregando às mercadorias ou insumos que adquire;
(c) as demonstrações mencionadas não identificam, ainda, quanto e de que forma foram distribuídos os
valores adicionados ou agregados (ou seja, não identificam de que forma foram distribuídas as
riquezas criadas pela empresa).

A elaboração da demonstração do valor adicionado se fará com base no saldo


das contas fornecidas pela contabilidade e constantes das demonstrações
publicadas. A dificuldade que o usuário externo tem para elaborar a
demonstração do valor adicionado reside no fato de que as empresas não têm o
hábito de apresentar a formação dos custos dos produtos ou serviços vendidos
nem dos estoques, assim como as despesas. Para decompor esses custos e
despesas é preciso saber:

o custo da matéria-prima;
o custo da mão de obra;
o custo dos gastos gerais de fabricação;
a origem dos elementos que estão sendo aplicados no processo de formação dos
custos;
se os materiais aplicados foram adquiridos no mercado ou gerados
internamente;
se os serviços são de terceiros ou foram obtidos internamente;
os elementos que compõem as despesas de vendas;
os elementos que compõem as despesas administrativas;
os elementos que compõem as despesas financeiras;
os elementos que compõem outras despesas operacionais.

Vale destacar que ao valor dos insumos adquiridos de terceiros utilizados no


processo produtivo deve-se somar o valor do imposto sobre circulação de
mercadorias e serviços (ICMS) e do imposto sobre produtos industrializados
(IPI), excluído na elaboração da demonstração do resultado. O valor a ser
destinado ao governo, representado pelos custos tributários, será a diferença
entre os impostos e contribuições incidentes sobre as receitas e os respectivos
valores incidentes sobre os itens considerados “insumos adquiridos de terceiros”.
Cumpre ainda ressaltar que na elaboração da DVA deve ser utilizado o regime de
competência – nesse caso os impostos incidentes sobre as vendas devem ser
confrontados com os impostos incidentes sobre os produtos vendidos e não sobre
as compras.
O quadro 20 permite visualizar o conjunto de elementos que compõem a
demonstração do valor adicionado da empresa, conforme apresentado pelo
Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC 09).
Quadro 20
MODELO DA DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO

1 – Receitas
1.1 – Vendas de mercadorias, produtos e serviços
1.2 – Outras receitas
1.3 – Receitas relativas à construção de ativos próprios
1.4 – Prov. p/ créd. liq. duvidosa – reversão/(constituição)
2 – Insumos adquiridos de terceiros (incluem ICMS, PIS, Cofins e IPI)
2.1 – Custos dos produtos, mercadorias e serviços
2.2 – Materiais, energia, serviços de terceiros e outros
2.3 – Perdas/recuperação de valores ativos
2.4 – Outros (especificar)
3 – Valor adicionado bruto (1 – 2)
4 – Depreciação, amortização e exaustão
5 – Valor adicionado líquido produzido pela entidade (3 – 4)
6 – Valor adicionado recebido em transferência
6.1 – Resultado da equivalência patrimonial
6.2 – Receitas financeiras
6.3 – Outros
7 – Valor adicionado total a distribuir (5 + 6)
8 – Distribuição do valor adicionado
8.1 – Pessoal
8.1.1 – Remuneração direta
8.1.2 – Benefícios
8.1.3 – FGTS
8.2 – Impostos, taxas e contribuições
8.2.1 – Federais
8.2.2 – Estaduais
8.2.3 – Municipais
8.3 – Remuneração de capitais de terceiros
8.3.1 – Juros
8.3.2 – Aluguéis
8.3.3 – Outras
8.4 – Remuneração de capitais próprios
8.4.1 – Juros sobre capital próprio
8.4.2 – Dividendos
8.4.3 – Lucros retidos/prejuízo do exercício
8.4.4 – Participação dos não controladores nos lucros retidos

A demonstração do valor adicionado deverá apresentar, de maneira detalhada,


a riqueza criada pela entidade.
A receita corresponde ao faturamento bruto e inclui os valores dos tributos
incidentes sobre essas receitas, ou seja, o ICMS, o IPI, o Programa de Integração
Social (PIS) e a Contribuição para Fins Sociais (Cofins). Na demonstração do
valor adicionado, o IPI será computado no total da receita, diferentemente do
que acontece na demonstração do resultado do exercício.
As outras receitas são representadas pela alienação de ativos não circulantes,
como a venda de imobilizados, participações societárias e outras transações
incluídas na demonstração do resultado do exercício que não evidenciem
transferência à companhia de riqueza criada por outras entidades.
As receitas relativas à construção de ativos próprios e os juros pagos ou
creditados que tenham sido incorporados aos valores dos ativos de longo prazo,
diferentemente dos critérios contábeis, farão parte da demonstração do valor
adicionado.
Os materiais e serviços apresentados logo abaixo das receitas compreendem
os gastos com terceiros, consumidos na formação do custo de produção das
mercadorias vendidas ou dos serviços prestados no referido período. São
também considerados os outros materiais e serviços que, nesse caso, estão
representados pelas despesas administrativas e outras despesas com vendas.
No modelo apresentado, trabalha-se com o conceito de valor adicionado
líquido, pois considera-se a depreciação retenção de valor adicionado para repor
capital físico.
Ao valor adicionado recebido em transferência adicionaremos o resultado da
equivalência patrimonial e as receitas financeiras.
Apresentamos a estrutura e os critérios para elaboração da demonstração do
valor adicionado.

Notas explicativas

As notas explicativas contêm informação adicional em relação à apresentada


nas demonstrações contábeis. Elas oferecem descrições narrativas ou
segregações e aberturas de itens divulgados nessas demonstrações e informação
acerca de itens que não se enquadram nos critérios de reconhecimento nas
demonstrações contábeis.
De acordo com a Lei no 11.941/2009 e a Lei no 6.404/1976, art. 176, §5o, as
notas explicativas devem:
I. apresentar informações sobre a base de preparação das demonstrações financeiras e das práticas
contábeis específicas selecionadas e aplicadas para negócios e eventos significativos;
II. divulgar as informações exigidas pelas práticas contábeis adotadas no Brasil que não estejam
apresentadas em nenhuma outra parte das demonstrações financeiras;
III. fornecer informações adicionais não indicadas nas próprias demonstrações financeiras e
consideradas necessárias para uma apresentação adequada [Lei no 6.404/1976, art. 176, §5o].

O rol de notas explicativas apresentadas, que não elimina a necessidade de


divulgar outras informações relevantes aqui contempladas, compreende:

ações em tesouraria;
ágio/deságio;
ajustes de exercícios anteriores;
alteração de método ou critério contábil;
ativo contingente;
capacidade ociosa;
capital social;
capital social autorizado;
continuidade normal dos negócios;
critérios de avaliação;
debêntures;
demonstração em moeda de capacidade aquisitiva constante;
demonstrações condensadas;
demonstrações contábeis consolidadas;
destinações constantes em acordo de acionistas;
dividendo por ação;
dividendos propostos;
empreendimentos em fase de implantação;
equivalência patrimonial;
estoques;
eventos subsequentes;
fundo imobiliário;
imposto de renda e contribuição social;
incorporação, fusão e cisão;
instrumentos financeiros;
investimentos societários no exterior;
juros sobre o capital próprio;
lucro ou prejuízo por ação;
obrigações de longo prazo;
ônus, garantias e responsabilidades eventuais e contingentes;
opções de compra de ações;
plano de aposentadoria e pensão;
programa de desestatização;
provisão para créditos de liquidação duvidosa;
Refis;
remuneração dos administradores;
reservas – detalhamento;
reserva de lucros a realizar;
retenção de lucros;
seguros;
transações com partes relacionadas;
variação cambial;
vendas ou serviços a realizar;
voto múltiplo.

Apresentamos a estrutura e os critérios para elaboração das notas explicativas.


Relatório da administração

Deverá ser publicado juntamente com as demonstrações contábeis do


encerramento do exercício social, fornecendo dados e informações
complementares para que os usuários possam melhor compreender a entidade e,
assim, tomar suas decisões com maior fundamentação.
O quadro 21 evidencia o modelo do relatório da administração.
Quadro 21
MODELO DE RELATÓRIO DA ADMINISTRAÇÃO

Senhoras e senhores acionistas,

Apresentamos, a seguir, relatório das principais atividades no exercício de 2t10, juntamente com as
demonstrações contábeis elaboradas em conformidade com a legislação societária, acrescidas de
demonstrativos complementares e anexos que consideramos importantes para mostrar o desempenho da
nova companhia para a sociedade, parceiros e clientes.

[Poderemos comentar sobre:

cenário econômico no qual se insere a atividade empresarial;


indicadores de qualidade e produtividade;
desenvolvimento tecnológico;
política social;
política ambiental;
eventos subsequentes e expectativas com relação ao futuro;
planos de expansão;
desempenho em relação aos concorrentes, responsabilidade social etc.;
dados estatísticos em geral.]

Registramos nossos agradecimentos aos membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal pelo
apoio prestado ao debate e encaminhamento das questões de mais interesse da companhia. Nosso
reconhecimento à dedicação e ao empenho do quadro funcional, extensivamente a todos os demais que,
direta ou indiretamente, contribuíram para o cumprimento da missão da companhia.

Apresentamos a estrutura e os critérios para elaboração do relatório da


diretoria.

Relatório dos auditores independentes

O relatório dos auditores reflete seu entendimento acerca dos dados que
examinaram, de uma forma padrão e resumida, que dê aos leitores em geral uma
noção dos trabalhos que realizaram e, principalmente, o que concluíram.
Trata-se de parecer, que independe dos diretores e funcionários da entidade,
sobre as demonstrações contábeis.
A seguir, é apresentado, no quadro 22, um modelo de parecer dos auditores
independentes.
Quadro 22
MODELO DE RELATÓRIO DOS AUDITORES INDEPENDENTES

Ao Conselho de Administração e acionistas da companhia,

1. Examinamos os balanços patrimoniais da companhia levantados em 31 de dezembro de 2011 e 2010,


apresentados sob os títulos da legislação societária e em moeda de capacidade aquisitiva constante, bem
como as respectivas demonstrações de resultado, das mutações do patrimônio líquido e da demonstração
do fluxo de caixa correspondentes aos anos findos naquelas datas, elaborados sob a responsabilidade de
sua administração. Nossa responsabilidade é expressar uma opinião sobre essas demonstrações contábeis.
2. Nossos exames foram conduzidos de acordo com as normas brasileiras de auditoria e compreenderam: (a)
o planejamento dos trabalhos, considerando a relevância dos saldos, o volume das transações, os sistemas
contábeis e os controles internos da companhia; (b) a constatação, com base em testes, das evidências e
dos registros que suportam os valores e as informações contábeis divulgadas; (c) a avaliação das práticas e
das estimativas contábeis mais representativas adotadas pela administração da companhia, bem como das
demonstrações contábeis tomadas em conjunto.
3. Em nossa opinião, as demonstrações contábeis, conformes com a legislação societária, mencionadas no
primeiro parágrafo, representam adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e
financeira da companhia em 31 de dezembro de 2011 e 2010, o resultado de suas operações, as mutações
de seu patrimônio líquido e as modificações no fluxo de caixa referentes aos anos findos naquelas datas, de
acordo com as práticas contábeis emanadas da legislação societária brasileira.
4. A nosso ver, as demonstrações contábeis em moeda de capacidade aquisitiva constante, mencionadas no
primeiro parágrafo, refletem adequadamente, em todos os aspectos relevantes, a posição patrimonial e
financeira da companhia nas referidas datas, os resultados das suas operações, as mutações do seu
patrimônio líquido e as variações no fluxo de caixa, e estão de acordo com os princípios fundamentais de
contabilidade aplicados no Brasil.
5. Essas informações foram por nós examinadas de acordo com os procedimentos de auditoria mencionados
no segundo parágrafo e, em nossa opinião, estão adequadamente apresentadas, em todos os aspectos
relevantes, em relação às demonstrações contábeis tomadas em conjunto.

Rio de Janeiro,
(Dados dos responsáveis pela auditoria)

Como você observou, este capítulo teve como objetivo demonstrar a


importância das demonstrações contábeis no processo de gestão das empresas. A
interpretação dos relatórios que as compõem é de vital importância para o gestor,
que, baseado nas informações obtidas, poderá tomar decisões sobre a situação
econômica e financeira da organização, política de investimentos, captação de
recursos, custeio dos produtos, distribuição dos resultados, bem como contribuir
significativamente para o desenvolvimento do planejamento orçamentário.
Apresentamos detalhadamente o que significa e quais os objetivos de cada
relatório componente das demonstrações contábeis, e que tipo de informações é
possível obter dessas ferramentas. Demonstramos, de acordo com a legislação
em vigor (Lei no 11.638/2007 e Lei no 11.941/2009) e com os pronunciamentos
do CPC, o balanço patrimonial, a demonstração de resultado do exercício, a
demonstração dos fluxos de caixa, a demonstração das mutações do patrimônio
líquido, a demonstração do valor adicionado e as notas explicativas. Além
desses, evidenciamos o relatório da administração e o modelo do relatório dos
auditores independentes. A partir da leitura deste capítulo, você terá
embasamento suficiente para compreender o que apresentaremos nos capítulos
seguintes, ou seja, a elaboração das demonstrações contábeis, o patrimônio
líquido e sua composição e os critérios de análise econômico-financeira.
3

Elaboração das demonstrações contábeis e


composição do patrimônio líquido

Este capítulo abordará as técnicas para elaboração das demonstrações contábeis


e a composição do patrimônio líquido. Nosso objetivo é expor o conteúdo da
contabilidade em linguagem prática por meio da apresentação dos lançamentos
contábeis em uma tabela denominada simulação patrimonial.
Desenvolvemos a simulação patrimonial com o intuito de substituir os
razonetes, bem como a linguagem do “débito” e “crédito” no registro das
transações, objetivando facilitar a aprendizagem da contabilidade por meio da
soma e/ou diminuição dos recursos de cada conta, com o pensamento focado nas
fontes e aplicações de recursos. Elaboramos a tabela simulação patrimonial
inspirados no modelo desenvolvido por Szuster et al. (2013:34), tratado como
matriz de lançamentos, em que os autores enfatizam que “através da Matriz de
Lançamentos conseguimos tornar mais imediato o raciocínio realizado nos
razonetes”.
A partir da tabela simulação patrimonial serão elaboradas as demonstrações
contábeis fundamentais: balanço patrimonial, demonstração de resultado,
demonstração dos fluxos de caixa e demonstração das mutações do patrimônio
líquido.

Critérios de elaboração das demonstrações contábeis

Como vimos no primeiro capítulo, a contabilidade é a ciência que tem por


objetivo registrar as transações ocorridas na entidade para gerar informações em
níveis econômico e financeiro que auxiliem os gestores na tomada de decisões.
Essas informações são geradas por meio das demonstrações contábeis, que
norteiam os usuários internos sobre os rumos que devem ser trilhados pela
organização, e os usuários externos sobre as decisões de investimentos, captação
de recursos, avaliação da liquidez, grau de endividamento, lucratividade,
rentabilidade, entre outros.
Apresentaremos o processo de elaboração das demonstrações contábeis por
meio de dois exemplos hipotéticos, o da empresa comercial BETA e o da
empresa industrial GAMA.
Considerando o uso da tabela simulação patrimonial para o registro das
transações, faremos sua aplicação integral elaborando a demonstração de
resultado, o balanço patrimonial, a demonstração dos fluxos de caixa e a
demonstração das mutações do patrimônio líquido em 31/12/x5 da empresa
comercial BETA, baseados nos seguintes dados:
Saldos do balancete de verificação da empresa BETA em 30/11/x5:
BALANCETE DE VERIFICAÇÃO – EMPRESA BETA

Contas Ativo Contas Passivo + PL


Caixa 3.500 Fornecedores 1.000
Clientes 4.500 Empréstimos 2.500
Estoques 1.000 Capital 4.000
Lucros acumulados 1.500
9.000 9.000

Informações adicionais:

o estoque inicial de mercadorias é composto de 20 unidades por $ 50,00 cada.


A empresa adota o custo médio ponderado móvel para avaliação do estoque;
distribuição do lucro acumulado no encerramento do exercício, da seguinte
maneira:

Dividendos provisionados 25%:


Reservas de lucros 75%:

Transações realizadas no mês de dezembro/x5:


1. compra de 30 unidades de mercadoria para revenda por $ 60 cada, sendo
pagos 40% à vista e o restante em 90 dias;
2. venda de 40 unidades do estoque disponível por $ 80 cada, sendo 80% à vista
e 20% a prazo;
3. recebimento de 50% do saldo de clientes;
4. compra de 20 unidades de mercadoria para revenda por $ 65 cada, com
pagamento à vista;
5. pagamento de despesas administrativas no valor de $ 85;
6. pagamento dos juros sobre empréstimos referentes a 0,6% do capital
financiado;
7. venda de 25 unidades do estoque disponível por $ 100 cada, sendo 90% à
vista e 10% a prazo;
8. pagamento referente a gastos com propaganda e publicidade no valor de $
190;
9. pagamento de 50% da dívida com fornecedores;
10. aplicação de 80% da disponibilidade financeira em fundos de investimentos;
11. transferência do resultado do exercício para a conta lucros acumulados.

Apresentação dos saldos iniciais da simulação patrimonial:


Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros Resultado
acumulados
Saldos em 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
30/11/x5
9.000 9.000

Registro de cada transação na simulação patrimonial:


1. Compra de 30 unidades de mercadoria para revenda por $ 60 cada, sendo
pagos 40% à vista e o restante em 90 dias:

aumento de bens no ativo – conta estoque;


aumento de obrigações com terceiros no passivo – conta fornecedores;
diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros Resultado
acumulados
Saldos em 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
30/11/x5
1. Compra –720 1.800 1.080
mercad.
Saldo final 2.780 4.500 2.800 2.080 2.500 4.000 1.500 0
10.080 10.080

2. Venda de 40 unidades do estoque disponível por $ 80 cada, sendo 80% à vista


e 20% a prazo:

aumento de bens no ativo – conta caixa;


aumento de direitos no ativo – conta clientes;
aumento de receitas no resultado – conta vendas;
aumento de despesas no resultado – conta custo das mercadorias vendidas;
diminuição de bens no ativo – conta estoque.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros Resultado
acumulados
Saldos em 30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
1. Compra –720 1.800 1.080
mercadoria
2. Venda 2.560 640 3.200
mercadoria
2.1. Baixa estoque -2.240 –2.240
Saldo final 5.340 5.140 560 2.080 2.500 4.000 1.500 960
11.040 11.040

3. Recebimento de 50% do saldo de clientes:

aumento de bens no ativo – conta caixa;


diminuição de direitos no ativo – conta clientes.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros Resultado
acumulados
Saldos em 30/11/x5 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
1. Compra –720 1.800 1.080
mercadoria
2. Venda 2.560 640 3.200
mercadoria
2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240
3. Recbto. clientes 2.570 –2.570
Saldo final 7.910 2.570 560 2.080 2.500 4.000 1.500 960
11.040 11.040

4. Compra de 20 unidades de mercadoria para revenda por $ 65 cada, com


pagamento à vista:

aumento de bens no ativo – conta estoque;


diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros Resultado
acumulados
Saldos em 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
30/11/x5
1. Compra –720 1.800 1.080
mercadoria
2. Venda 2.560 640 3.200
mercadoria
2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240
3. Recbto. clientes 2.570 –2.570
4. Compra – 1.300
mercadoria 1.300
Saldo final 6.610 2.570 1.860 2.080 2.500 4.000 1.500 960
11.040 11.040

5. Pagamento de despesas administrativas no valor de $ 85:

aumento de despesas no resultado – conta despesas administrativas;


diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros Resultado
acumulados
Saldos em 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
30/11/x5
1. Compra –720 1.800 1.080
mercadoria
2. Venda 2.560 640 3.200
mercadoria
2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240
3. Recbto. clientes 2.570 –2.570
4. Compra -1.300 1.300
mercadoria
5. Pgto. desp. adm. –85 –85
Saldo final 6.525 2.570 1.860 2.080 2.500 4.000 1.500 875
10.955 10.955

6. Pagamento dos juros sobre empréstimos referentes a 0,6% do capital


financiado:

aumento de despesas no resultado – conta despesas financeiras;


diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros Resultado
acumulados
Saldos em 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
30/11/x5
1. Compra –720 1.800 1.080
mercadoria
2. Venda 2.560 640 3.200
mercadoria
2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240
3. Recbto. clientes 2.570 –2.570
4. Compra – 1.300
mercadoria 1.300
5. Pgto. desp. adm. –85 –85
6. Pgto. desp. fin. –15 –15
Saldo final 6.510 2.570 1.860 2.080 2.500 4.000 1.500 860
10.940 10.940

7. Venda de 25 unidades do estoque disponível por $ 100 cada, sendo 90% à


vista e 10% a prazo:

aumento de bens no ativo – conta caixa;


aumento de direitos no ativo – conta clientes;
aumento de receitas no resultado – conta vendas;
aumento de despesas no resultado – conta custo das mercadorias vendidas;
diminuição de bens no ativo – conta estoque.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros Resultado
acumulados
Saldos em 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
30/11/x5
1. Compra –720 1.800 1.080
mercadoria
2. Venda 2.560 640 3.200
mercadoria
2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240
3. Recbto. clientes 2.570 –2.570
4. Compra – 1.300
mercadoria 1.300
5. Pgto. desp. adm. –85 –85
6. Pgto. desp. fin. –15 –15
7. Venda 2.250 250 2.500
mercadoria
7.1. Baixa estoque –1.550 –1.550
Saldo final 8.760 2.820 310 2.080 2.500 4.000 1.500 1.810
11.890 11.890

8. Pagamento referente a gastos com propaganda e publicidade no valor de $


190:

aumento de despesas no resultado – conta despesas comerciais;


diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros Resultado
acumulados
Saldos em 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
30/11/x5
1. Compra –720 1.800 1.080
mercadoria
2. Venda mercad. 2.560 640 3.200
2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240
3. Recbto. clientes 2.570 –2.570
1.300
4. Compra –
mercadoria 1.300
5. Pgto. desp. adm. –85 –85
6. Pgto. desp. fin. –15 –15
7. Venda 2.250 250 2.500
mercadoria
7.1. Baixa estoque –1.550 –1.550
8. Pgto. desp. com. –190 –190
Saldo final 8.570 2.820 310 2.080 2.500 4.000 1.500 1.620
11.700 11.700

9. Pagamento de 50% da dívida com fornecedores:

diminuição de obrigações com terceiros no passivo – conta fornecedores;


diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fornec. Emprést. Capital Lucros Resultado
acumulados
Saldos em 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
30/11/x5
1. Compra –720 1.800 1.080
mercadoria
2. Venda 2.560 640 3.200
mercadoria
2.1. Baixa estoque –2.240 –2.240
3. Recbto. clientes 2.570 –2.570
4. Compra – 1.300
mercadoria 1.300
5. Pgto. desp. adm. –85 –85
6. Pgto. desp. fin. –15 –15
7. Venda 2.250 250 2.500
mercadoria
7.1. Baixa estoque –1.550 –1.550
8. Pgto. desp. com. –190 –190
9. Pgto. – –1.040
fornecedores 1.040
Saldo final 7.530 2.820 310 1.040 2.500 4.000 1.500 1.620
10.660 10.660
10. Aplicação de 80% da disponibilidade financeira em fundos de investimentos:

aumento de direitos no ativo – conta fundos de investimentos;


diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fundos Fornec. Emprést. Capital Lucros Resultado
acumulados
Saldos em 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
30/11/x5
1. Compra –720 1.800 1.080
mercad.
2. Venda 2.560 640 3.200
mercad.
2.1. Baixa –2.240 –2.240
estoque
3. Recbto. 2.570 –2.570
clientes
4. Compra – 1.300
mercad. 1.300
5. Pgto. –85 –85
desp. adm.
6. Pgto. –15 –15
desp. fin.
7. Venda 2.250 250 2.500
mercad.
7.1. Baixa –1.550 –1.550
estoque
8. Pgto. –190 –190
desp. com.
9. Pgto. – –1.040
forneced. 1.040
10. Aplic. – 6.024
fundos 6.024
Saldo final 1.506 2.820 310 6.024 1.040 2.500 4.000 1.500 1.620
10.660 10.660

11. Transferência do resultado do exercício para a conta lucros acumulados:

aumento de patrimônio líquido – conta lucros acumulados;


diminuição no resultado – lucro líquido.
Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Clientes Estoques Fundos Fornec. Emprést. Capital Lucros Resultado
acumulados
Saldos em 3.500 4.500 1.000 1.000 2.500 4.000 1.500 0
30/11/x5
1. Compra –720 1.800 1.080
mercad.
2. Venda 2.560 640 2.200
mercad.
2.1. Baixa –2.240 –2.240
estoque
3. Recbto. 2.570 –2.570
clientes
4. Compra – 1.300
mercad. 1.300
5. Pgto. –85 –85
desp. adm.
6. Pgto. –15 –15
desp. fin.
7. Venda 2.250 250 2.500
mercad.
7.1. Baixa –1.550 –1.550
estoque
8. Pgto. –190 –190
desp. com.
9. Pgto. – –1.040
forneced. 1.040
10. Aplic. – 6.024
fundos 6.024
11. Transf. 1.620 –1.620
lucro
Saldo final 1.506 2.820 310 6.024 1.040 2.500 4.000 3.120 0
10.660 10.660

Após todos os lançamentos efetuados na simulação patrimonial,


imediatamente podemos constatar o somatório dos saldos das contas do ativo
igual ao somatório dos saldos das contas do passivo e patrimônio líquido.
O próximo passo na sequência dos registros das transações efetuados na
simulação patrimonial é a elaboração das demonstrações contábeis. Iniciaremos
pela elaboração da demonstração dos fluxos de caixa, relatório que demonstra os
fatos que geraram mutações no disponível da entidade durante o exercício.
Para elaboração desse relatório, tomaremos como base a primeira coluna da
simulação patrimonial, que demonstra a movimentação da conta caixa.
Apresentaremos a demonstração dos fluxos de caixa pelo método direto,
atendendo às determinações do CPC 03, que, em seu sumário, item 13, apresenta
a seguinte posição:
As entidades são encorajadas a divulgar os Fluxos de Caixa decorrentes das atividades operacionais
usando o método direto, o qual proporciona informações que podem ser úteis para estimar fluxos de
caixa e que não estão disponíveis para o uso do método indireto.

A seguir, apresentamos a demonstração dos fluxos de caixa da empresa


BETA.

Demonstração dos fluxos de caixa (método direto) – empresa BETA


Itens $
Fluxo de caixa das atividades operacionais 4.030
Compra de mercadorias –3.060
Vendas de mercadorias 7.380
Pagamento de despesas administrativas –85
Pagamento de despesas financeiras –15
Pagamento de despesas comerciais –190
Fluxo de caixa das atividades de investimentos –6.024
Aplicação em fundos de investimentos –6.024
Fluxo de caixa das atividades de financiamentos 0
Variação do saldo de caixa –1.994
Saldo inicial dos fluxos de caixa 3.500
Saldo final dos fluxos de caixa 1.506

Uma vez apresentada a demonstração dos fluxos de caixa, daremos início à


elaboração da demonstração de resultado, que evidencia a situação econômica da
entidade. Tomaremos como base os dados apresentados na coluna de resultado
da simulação patrimonial.
A seguir, apresentamos a demonstração de resultado da empresa BETA:
Demonstração de resultado – empresa BETA
$
Receita bruta 5.700
(–) Impostos sobre vendas –
(–) Abatimentos comerciais –
(–) Devoluções de vendas –
Receita líquida 5.700
(–) Custo das mercadorias vendidas –3.790
(=) Lucro bruto 1.910
(–) Despesas operacionais –275
Com vendas –190
Administrativas –85
Outras receitas e despesas –
(=) Resultado antes das receitas/despesas financeiras 1.635
Receitas financeiras –
Despesas financeiras –15
(=) Lucro antes do IR e CSLL 1.620
(–) IR e CSLL –
(=) Lucro líquido do exercício 1.620

Elaboraremos na sequência, baseados nas informações apresentadas na


simulação patrimonial, o balanço patrimonial, que evidencia informações
referentes à situação patrimonial e financeira da entidade. Por meio do balanço
patrimonial temos condições de avaliar se a entidade tem maior dependência de
recursos próprios ou recursos de terceiros no financiamento do ativo, além de
verificar em que grupo do ativo a empresa efetua as maiores aplicações – se em
capital de giro ou ativo não circulante.
Os lucros acumulados, conforme relatado nos dados da empresa BETA, serão
distribuídos em dividendos, reserva legal e reservas para investimentos, da
seguinte forma:
Lucros acumulados:
Dividendos provisionados (25%)
Reservas de lucros (75%)

Assim sendo, o balanço patrimonial é apresentado a seguir:

Balanço patrimonial – empresa BETA


Ativo Passivo +PL
Ativo circulante 10.660 Passivo circulante 4.320
Caixa 1.506 Fornecedores 1.040
Aplic. fin. (Fundos) 6.024 Empréstimos 2.500
Clientes 2.820 Dividendos a pagar 780
Estoque 310
Ativo não circulante 0 PL 6.340
Capital social 4.000
Reservas de lucros 2.340
Total do ativo 10.660 Total do passivo + PL 10.660

Para finalizar, elaboraremos a demonstração das mutações do patrimônio


líquido.
Conforme informado, os lucros acumulados do período foram distribuídos na
forma de dividendos e reinvestidos por meio da constituição de reservas de
lucros, conforme apresentado a seguir:
Lucros acumulados: $ 3.120
Dividendos (25%)
Reservas de lucros (75%) $ 2.340

Apresentamos a demonstração das mutações do patrimônio líquido da


empresa BETA:

Demonstração das mutações do patrimônio líquido – empresa BETA


Itens Capital social Reservas de lucros Lucros acumulados Total
Saldo inicial 4.000 1.500 5.500
Lucro líquido 1.620 1.620
Reservas de lucros 2.340 –2.340 0
Dividendos a distribuir –780 –780
Saldo final 4.000 2.340 0 6.340

Apresentaremos, a seguir, outro exemplo, baseado numa empresa com


atividade industrial, a fim de demonstrar a elaboração das demonstrações
contábeis fundamentadas no registro das transações efetuadas na simulação
patrimonial.
As transações apresentadas referem-se à empresa hipotética GAMA, de
atividade industrial:
1. constituição da empresa GAMA com integralização do capital, no montante
de $ 10.000, em dinheiro;
2. captação de empréstimo bancário, no montante de $ 5.000;
3. aquisição de máquinas para serem utilizadas na fabricação do produto, no
montante de $ 4.500, à vista;
4. aquisição de matéria-prima para fabricação do produto, no montante de $
3.000, a prazo;
5. transferência de 80% da matéria-prima disponível para fabricação do produto;
6. pagamento de mão de obra direta agregada na fabricação do produto, no valor
de $ 2.000;
7. pagamento de gastos gerais de fabricação, no valor de $ 1.600, referente a
seguro da fábrica, manutenção das máquinas e aluguel do galpão da fábrica;
8. produção encerrada no período correspondente a 70% dos produtos em
elaboração;
9. venda à vista de 60% dos produtos acabados, por $ 5.000;
10. pagamento de propaganda e publicidade, no montante de $ 1.000;
11. pagamento de juros sobre empréstimos correspondente a 5% do montante
captado;
12. venda do estoque remanescente dos produtos acabados por $ 4.000, a prazo;
13. pagamento de despesas administrativas, no montante de $ 1.000;
14. pagamento de 40% da dívida com os fornecedores;
15. recebimento de clientes correspondente a 70% do saldo de contas a receber;
16. aplicação de 80% da disponibilidade financeira em fundos de investimentos.

Informações adicionais:

IR e CSLL incidentes sobre o lucro de 30%;


distribuição do lucro da seguinte forma:

Dividendos provisionados
Reserva legal
Reserva estatutária
Reserva para investimentos

Registro das transações na simulação patrimonial:

1. Constituição da empresa GAMA com integralização do capital, no montante


de $ 10.000:
aumento de bens no ativo – conta caixa;
aumento de obrigações com acionistas no PL – conta capital social.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Capital
1. Integral. capital 10.000 10.000
Total 10.000 10.000
10.000 10.000

2. Captação de empréstimo bancário, no montante de $ 5.000:

aumento de bens no ativo – conta caixa;


aumento de obrigações com terceiros no passivo – conta empréstimos.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Capital Emprést.
1. Integral. capital 10.000 10.000
2. Captação emprést. 5.000 5.000
Total 15.000 10.000 5.000
15.000 15.000

3. Aquisição de máquinas para serem utilizadas na fabricação do produto no


montante de $ 4.500, à vista:

aumento de bens no ativo – conta máquinas e equipamentos;


diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Máq. Capital Emprést.
equip.
1. Integral. capital 10.000 10.000
2. Captação emprést. 5.000 5.000
3. Aquisição máquinas –4.500 4.500
Total 10.500 4.500 10.000 5.000
15.000 15.000

4. Aquisição de matéria-prima para fabricação do produto, no montante de $


3.000, a prazo:
aumento de bens no ativo – conta estoque de matéria-prima;
aumento de obrigações com terceiros no passivo – conta fornecedores.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Máq. EMP Capital Emprést. Fornec.
equip.
1 Integral. capital 10.000 10.000
2. Captação emprést. 5.000 5.000
3. Aquisição máquinas –4.500 4.500
4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000
Total 10.500 4.500 3.000 10.000 5.000 3.000
18.000 18.000

5. Transferência de 80% da matéria-prima disponível para fabricação do


produto:

aumento de bens no ativo – conta estoque de produto em processo;


diminuição de bens no ativo – conta estoque de matéria- -prima.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Máq. EMP EPP Capital Emprést. Fornec.
equip.
1. Integral. capital 10.000 10.000
2. Captação emprést. 5.000 5.000
3. Aquisição máquinas –4.500 4.500
4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000
5. Transf. mat.-prima –2.400 2.400
Total 10.500 4.500 600 2.400 10.000 5.000 3.000
18.000 18.000

6. Pagamento de mão de obra direta agregada na fabricação do produto, no valor


de $ 2.000:

aumento de bens no ativo – conta estoque de produto em processo;


diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Máq. EMP EPP Capital Emprést. Fornec.
equip.
1. Integral. capital 10.000 10.000
2. Captação emprést. 5.000 5.000
3. Aquisição máquinas –4.500 4.500
4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000
5. Transf. mat.-prima –2.400 2.400
6. Pgto. mão de obra –2.000 2.000
Total 8.500 4.500 600 4.400 10.000 5.000 3.000
18.000 18.000

7. Pagamento de gastos gerais de fabricação, no valor de $ 1.600, referente a


seguro da fábrica, manutenção das máquinas e aluguel do galpão da fábrica:

aumento de bens no ativo – conta estoque de produto em processo;


diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Máq. EMP EPP Capital Emprést. Fornec.
equip.
1. Integral. capital 10.000 10.000
2. Captação emprést. 5.000 5.000
3. Aquisição máquinas –4.500 4.500
4. Aquisição mat.-prima 3.000 3.000
5. Transf. mat.-prima –2.400 2.400
6. Pgto. mão de obra –2.000 2.000
7. Pgto. gastos gerais –1.600 1.600
Total 6.900 4.500 600 6.000 10.000 5.000 3.000
18.000 18.000

8. Produção encerrada no período correspondente a 70% dos produtos em


elaboração:

aumento de bens no ativo – conta estoque de produto acabado;


diminuição de bens no ativo – conta estoque de produto em processo.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Máq. EMP EPP EPA Capital Emprést. Fornec.
equip.
1. Integral. capital 10.000 10.000
2. Captação 5.000 5.000
emprést.
3. Aquisição –4.500 4.500
máquinas
4. Aquisição mat.- 3.000 3.000
prima
5. Transf. mat.-prima – 2.400
2.400
6. Pgto. mão de obra –2.000 2.000
7. Pgto. gastos –1.600 1.600
gerais
8. Transf. prod. – 4.200
acabado 4.200
Total 6.900 4.500 600 1.800 4.200 10.000 5.000 3.000
18.000 18.000

9. Venda à vista de 60% dos produtos acabados, por $ 5.000:

aumento de bens no ativo – conta caixa;


aumento de receitas no resultado – conta vendas;
aumento de despesas no resultado – conta custo das mercadorias vendidas;
diminuição de bens no ativo – conta estoque de produtos acabados.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Máq. EMP EPP EPA Capital Emprést. Fornec.
equip.
1. Integral. capital 10.000 10.000
2. Captação 5.000 5.000
emprést.
3. Aquisição –4.500 4.500
máquinas
4. Aquisição mat.- 3.000 3.000
prima
5. Transf. mat.- – 2.400
prima 2.400
6. Pgto. mão de –2.000 2.000
obra
7. Pgto. gastos –1.600 1.600
gerais
8. Transf. prod. – 4.200
acabado 4.200
9. Venda 5.000 5.000
mercadorias
9.1. Baixa do – –2.520
estoque 2.520
Total 11.900 4.500 600 1.800 1.680 10.000 5.000 3.000 2.480
20.480 20.480

10. Pagamento de propaganda e publicidade no montante de $ 1.000:

aumento de despesas no resultado – conta despesas comerciais;


diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Máq. EMP EPP EPA Capital Emprést. Fornec. Resultado
equip.
1. Integral. capital 10.000 10.000
2. Captação 5.000 5.000
emprést.
3. Aquisição –4.500 4.500
máquinas
4. Aquisição 3.000 3.000
mat.-prima
5.Transf. mat.- – 2.400
prima 2.400
6. Pgto. mão de –2.000 2.000
obra
7. Pgto. gastos –1.600 1.600
gerais
8. Transf. prod. – 4.200
acabado 4.200
9. Venda 5.000 5.000
mercadorias
9.1. Baixa do – –2.520
estoque 2.520
10. Pgto. prop. –1.000 –1.000
publ.
Total 10.900 4.500 600 1.800 1.680 10.000 5.000 3.000 1.480
19.480 19.480

11. Pagamento de juros sobre empréstimos correspondente a 5% do montante


captado:
aumento de despesas no resultado – conta despesas financeiras;
diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Máq. EMP EPP EPA Capital Emprést. Fornec. Resultado
equip.
1. Integral. capital 10.000 10.000
2. Captação 5.000 5.000
emprést.
3. Aquisição –4.500 4.500
máquinas
4. Aquisição 3.000 3.000
mat.-prima
5. Transf. mat.- – 2.400
prima 2.400
6. Pgto. mão de –2.000 2.000
obra
7. Pgto. gastos –1.600 1.600
gerais
8. Transf. prod. – 4.200
acabado 4.200
9. Venda 5.000 5.000
mercadorias
9.1. Baixa do – –2.520
estoque 2.520
10. Pgto. prop. –1.000 –1.000
publ.
11. Pgto. juros –250 –250
Total 10.650 4.500 600 1.800 1.680 10.000 5.000 3.000 1.230
19.230 19.230

12. Venda do estoque remanescente dos produtos acabados por $ 4.000, a prazo:

aumento de bens no ativo – conta clientes;


aumento de receitas no resultado – conta vendas;
aumento de despesas no resultado – conta custo das mercadorias vendidas;
diminuição de bens no ativo – conta estoque de produtos acabados.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Máq. EMP EPP EPA Clientes Capital Emprést. Fornec. Resultado
equip.
1. Integral. 10.000 10.000
capital
2. Captação 5.000 5.000
emprést.
3. Aquisição –4.500 4.500
máquinas
4. Aquisição 3.000 3.000
mat.-prima
5. Transf. – 2.400
mat.-prima 2.400
6. Pgto. –2.000 2.000
mão de
obra
7. Pgto. –1.600 1.600
gastos
gerais
8. Transf. – 4.200
prod. 4.200
acabado
9. Venda 5.000 5.000
mercadorias
9.1. Baixa – –2.520
do estoque 2.520
10. Pgto. –1.000 –1.000
prop. publ.
11. Pgto. –250 –250
juros
12. Venda 4.000 4.000
mercadorias
12.1. Baixa – –1.680
do estoque 1.680
Total 10.650 4.500 600 1.800 0 4.000 10.000 5.000 3.000 3.550
21.550 21.550

13. Pagamento de despesas administrativas, no montante de $ 1.000:

aumento de despesas no resultado – conta despesas administrativas;


diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Máq. EMP EPP EPA Clientes Capital Emprést. Fornec. Resultado
equip.
10.000 10.000
1. Integral.
capital
2. Captação 5.000 5.000
emprést.
3. Aquisição –4.500 4.500
máquinas
4. Aquisição 3.000 3.000
mat.-prima
5. Transf. – 2.400
mat.-prima 2.400
6. Pgto. –2.000 2.000
mão de
obra
7. Pgto. –1.600 1.600
gastos
gerais
8. Transf. – 4.200
prod. 4.200
acabado
9. Venda 5.000 5.000
mercadorias
9.1. Baixa – –2.520
do estoque 2.520
10. Pgto. –1.000 –1.000
prop. publ.
11. Pgto. –250 –250
juros
12. Venda 4.000 4.000
mercadorias
12.1. Baixa – –1.680
do estoque 1.680
13. Pgto. –1.000 –1.000
desp. adm.
Total 9.650 4.500 600 1.800 0 4.000 10.000 5.000 3.000 2.550
20.550 20.550

14. Pagamento de 40% da dívida com os fornecedores:

diminuição de obrigações com terceiros no passivo – conta fornecedores;


diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Máq. EMP EPP EPA Clientes Capital Emprést. Fornec. Resultado
equip.
1. Integral. 10.000 10.000
capital
2. Captação 5.000 5.000
emprést.
3. Aquisição –4.500 4.500
máquinas
4. Aquisição 3.000 3.000
mat-prima
5. Transf. – 2.400
mat.-prima 2.400
6. Pgto. mão –2.000 2.000
de obra
7. Pgto. –1.600 1.600
gastos
gerais
8. Trans. – 4.200
prod. 4.200
acabado
9. Venda 5.000 5.000
mercadorias
9.1. Baixa do – –2.520
estoque 2.520
10. Pgto. –1.000 –1.000
prop. public.
11. Pgto. –250 –250
juros
12. Venda 4.000 4.000
mercadorias
12.1. Baixa – –1.680
do estoque 1.680
13. Pgto. –1.000 –1.000
desp. adm.
14. Pgto. –1.200 –1.200
fornecedores
Total 8.450 4.500 600 1.800 0 4.000 10.000 5.000 1.800 2.550
19.350 19.350

15. Recebimento de clientes referente a 70% do saldo de contas a receber:

aumento de bens no ativo – conta caixa;


diminuição de direitos no ativo – conta clientes.
Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Máq. EMP EPP EPA Clientes Capital Emprést. Fornec. Resultado
equip.
1. Integral. 10.000 10.000
capital
2. Captação 5.000 5.000
emprést.
3. Aquisição –4.500 4.500
máquinas
4. Aquisição 3.000 3.000
mat.-prima
5. Transf. – 2.400
mat.-prima 2.400
6. Pgto. mão –2.000 2.000
de obra
7. Pgto. –1.600 1.600
gastos
gerais
8. Transf. – 4.200
prod. 4.200
acabado
9. Venda 5.000 5.000
mercadorias
9.1. Baixa do – –2.520
estoque 2.520
10. Pgto. –1.000 –1.000
prop. publ.
11. Pgto. –250 –250
juros
12. Venda 4.000 4.000
mercadorias
12.1. Baixa – –1.680
do estoque 1.680
13. Pgto. –1.000 –1.000
desp. adm.
14. Pgto. –1.200 –1.200
fornecedores
15. Recbto. 2.800 –2.800
clientes
Total 11.250 4.500 600 1.800 0 1.200 10.000 5.000 1.800 2.550
19.350 19.350

16. Aplicação de 80% da disponibilidade financeira em fundos de investimentos:


aumento de direitos no ativo – conta fundos de investimentos;
diminuição de bens no ativo – conta caixa.

Ativo Passivo + PL
Eventos Caixa Máq. EMP EPP EPA Clientes Fundos Capital Emprést. Fornec. Resultado
equip.
1. Integral. 10.000 10.000
capital
2. Captação 5.000 5.000
emprést.
3. Aquisição –4.500 4.500
máquinas
4. Aquisição 3.000 3.000
mat.-prima
5. Transf. – 2.400
mat.-prima 2.400
6. Pgto. mão –2.000 2.000
de obra
7. Pgto. –1.600 1.600
gastos
gerais
8. Transf. – 4.200
prod. 4.200
acabado
9. Venda 5.000 5.000
mercadorias
9.1. Baixa do – –2.520
estoque 2.520
10. Pgto. –1.000 –1.000
prop. publ.
11. Pgto. –250 –250
juros
12. Venda 4.000 4.000
mercadorias
12.1. Baixa – –1.680
do estoque 1.680
13. Pgto. –1.000 –1.000
desp. adm.
14. Pgto. –1.200 –1.200
fornecedores
15. Recbto. 2.800 –2.800
clientes
–9.000 9.000
16.
Aplicação
fundos
Total 2.250 4.500 600 1.800 0 1.200 9.000 10.000 5.000 1.800 2.550
19.350 19.350

Após efetuarmos os registros das transações na simulação patrimonial,


iniciaremos a elaboração do balancete de verificação.

Balancete de verificação – empresa GAMA


Contas Saldos devedores Contas Saldos credores
Caixa 2.250 Capital 10.000
Máquinas e equip. 4.500 Empréstimos 5.000
Estoque (MP) 600 Fornecedores 1.800
Estoque (PP) 1.800 Vendas 9.000
Estoque (PA) 0
Clientes 1.200
Fundos de invest. 9.000
CMV 4.200
Desp. propaganda 1.000
Desp. juros 250
Desp. administrativas 1.000
25.800 25.800

O próximo passo é elaborar a demonstração dos fluxos de caixa. Para tanto,


tomaremos como base a primeira coluna da simulação patrimonial.

Demonstração dos fluxos de caixa (método direto) – empresa GAMA


Itens $
Fluxo de caixa das atividades operacionais 750
Vendas de produtos 7.800
Custo de mão de obra –2.000
Gastos gerais de fabricação –1.600
Despesas comerciais –1.000
Despesas financeiras –250
Despesas administrativas –1.000
Pagamento aos fornecedores –1.200
Fluxo de caixa das atividades de investimentos –13.500
Aquisição de máquinas e equipamentos –4.500
Aplicação em fundos de investimentos –9.000
Fluxo de caixa das atividades de financiamentos 15.000
Integralização de capital 10.000
Captação de empréstimos bancários 5.000
Variação do saldo de caixa 2.250
Saldo inicial dos fluxos de caixa 0
Saldo final dos fluxos de caixa 2.250

Partiremos, agora, para a elaboração da demonstração de resultado. A base


utilizada é a última coluna da simulação patrimonial, a coluna de resultado.

Demonstração de resultado – empresa GAMA


$
Receita bruta 9.000
(–) Impostos sobre vendas –
(–) Abatimentos comerciais –
(–) Devoluções de vendas –
Receita líquida 9.000
(–) Custo das mercadorias vendidas –4.200
(=) Lucro bruto 4.800
(–) Despesas operacionais –2.000
Comerciais –1.000
Administrativas –1.000
Outras receitas e despesas –
(=) Resultado antes das receitas/despesas financeiras 2.800
Receitas financeiras –
Despesas financeiras –250
(=) Lucro antes do IR e CSLL 2.550
(–) IR e CSLL –765
(=) Lucro líquido do exercício 1.785

O lucro líquido do exercício, conforme relatado nos dados da empresa


GAMA, será distribuído em dividendos, reserva legal, reserva estatutária e
reservas para investimentos da seguinte forma:
Lucro líquido:
Dividendos provisionados (25%)
Reserva legal (5%)
Reserva estatutária (15%)
Reserva para investimentos (55%)

Com base nessas informações, podemos elaborar o balanço patrimonial da


empresa GAMA:
Balanço patrimonial – empresa GAMA
Ativo Passivo + PL
Ativo circulante 14.850 Passivo circulante 8.011,25
Caixa 2.250 Fornecedores 1.800
Aplic. fin. (fundos) 9.000 Empréstimos 5.000
Clientes 1.200 Dividendos a pagar 446,25
Estoque (PA) 0 IR e CSLL a pagar 765
Estoque (PP) 1.800 PL 11.338,75
Estoque (MP) 600 Capital social 10.000
Ativo não circulante 4.500 Reserva legal 89,25
Imobilizado 4.500 Reserva estatutária 267,75
Máquinas e equip. 4.500 Reserva para investimentos 981,75
Total do ativo 19.350 Total do passivo + PL 19.350

Para finalizar, elaboraremos a demonstração das mutações do patrimônio


líquido da empresa GAMA.

Demonstração das mutações do patrimônio líquido – empresa GAMA


Itens Capital Reserva Reserva Reserva p/ Lucros Total
social legal estatutária investimentos acumulados
Saldo inicial – – – –
Integralização de 10.000 10.000
capital
Lucro líquido 1.785 1.785
Reserva legal 89,25 –89,25 0
Reserva estatutária 267,75 –267,75 0
Reserva para 981,75 –981,75 0
investimentos
Dividendos a –446,25 –446,25
distribuir
Saldo final 10.000 89,25 267,75 981,75 0 11.338,75

Com os dois exemplos apresentados, certamente conseguimos demonstrar que


o uso da tabela simulação patrimonial contribui para tornar o entendimento da
contabilidade mais prático, fácil e acessível.
No próximo tópico, descreveremos os itens componentes do capital próprio
da entidade, representado pelo patrimônio líquido.

Patrimônio líquido e sua composição

O patrimônio líquido, definido pelo CPC 00 (R1) em seu item 4.4, é o


“interesse residual nos ativos da entidade depois de deduzidos todos os seus
passivos”. Também pode ser entendido como os recursos dos proprietários
investidos na empresa ou, simplesmente, a diferença entre o ativo e o passivo de
uma entidade.
Pela teoria da entidade contábil, o patrimônio líquido de uma empresa
pertence a ela, e não aos sócios, exceto a parte do lucro que é distribuída
(dividendos). Essa teoria pressupõe, evidentemente, uma entidade em
continuidade, pois na hipótese de descontinuidade o patrimônio líquido
pertenceria aos sócios.
Vale salientar que embora o patrimônio líquido seja definido como interesse
residual, consta no Pronunciamento Técnico CPC 00 (R1) que ele pode ter
subclassificações no balanço patrimonial. Na sociedade por ações, por exemplo,
recursos aportados pelos sócios, reservas resultantes de retenções de lucros e reservas representando
ajustes para manutenção do capital podem ser demonstrados separadamente. Tais classificações podem
ser relevantes para a tomada de decisão dos usuários das demonstrações contábeis quando indicarem
restrições legais ou de outra natureza sobre a capacidade que a entidade tem de distribuir ou aplicar de
outra forma os seus recursos patrimoniais. Podem também refletir o fato de que determinadas partes
com direitos de propriedade sobre a entidade têm direitos diferentes com relação ao recebimento de
dividendos ou ao reembolso de capital [CPC 00 (R1), item 4.20].

Consta ainda nesse pronunciamento técnico que


a constituição de reservas é, por vezes, exigida pelo estatuto ou por lei para dar à entidade e seus
credores uma margem maior de proteção contra os efeitos de prejuízos [...] [e que] a existência e o
tamanho de tais reservas legais, estatutárias e fiscais representam informações que podem ser
importantes para a tomada de decisão dos usuários [CPC 00 (R1), item 4.21].

O montante pelo qual o patrimônio líquido é apresentado no balanço patrimonial depende da


mensuração dos ativos e passivos. Normalmente, o montante agregado do patrimônio líquido somente
por coincidência corresponde ao valor de mercado agregado das ações da entidade ou da soma que
poderia ser obtida pela venda dos seus ativos líquidos numa base de item-por-item, ou da entidade
como um todo, tomando por base a premissa da continuidade [mencionada antes] [CPC 00 (R1), item
4.22].

De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1), item 106B, o


patrimônio líquido é formado pelo
capital social, as reservas de capital, os ajustes de avaliação patrimonial, as reservas de lucros, as ações
ou quotas em tesouraria, os prejuízos acumulados, se legalmente admitidos os lucros acumulados, e as
demais contas exigidas pelos Pronunciamentos Técnicos emitidos pelo CPC.

Capital social
Corresponde a todo o investimento realizado na empresa pelos sócios ou
acionistas, incluindo o capital inicial e a integralização de novos recursos, bem
como a parte do lucro e outras reservas não distribuídas e incorporadas ao capital
em virtude de decisões dos sócios. De acordo com o art. 182 da Lei no
6.404/1976, “a conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por
dedução, a parcela ainda não realizada”. Capital subscrito é aquele prometido
pelos acionistas. No momento em que os acionistas entregam à empresa as
parcelas prometidas em bens ou direitos, tem-se a realização ou integralização
do capital.
Vale ressaltar as ações em tesouraria. Em determinado momento a empresa
poderá efetuar a compra de suas próprias ações. O registro contábil das ações
que foram adquiridas pela própria empresa, ou seja, ações em tesouraria, será
lançado como dedução do patrimônio líquido.
Menciona-se ainda que, em conformidade com o CPC 08, a contabilização
dos aumentos de capital através de captação de recursos e as operações de
compra e venda de ações próprias devem ser tratadas em conjunto com os custos
necessários para realizar essas operações.

Reservas de capital
São as que não se originam do resultado do exercício, isto é, não são apuradas
e, portanto, não transitam pela demonstração de resultado do exercício. As
reservas de capital não decorrem das operações da companhia, mas de operações
como o ágio na emissão de ações. A Lei no 11.638/2007 revogou expressamente
a possibilidade de classificação, como reserva de capital, das contas que
registravam prêmio na emissão de debêntures e também aquelas resultantes de
doações e subvenções para investimentos (ver, a seguir, a destinação de parcela
do lucro decorrente de doações ou subvenções governamentais à conta de
reserva de incentivos fiscais).
Ressalta-se que
o prêmio recebido na emissão de debêntures normalmente faz parte das condições de sua negociação,
em função da atratividade desse papel ou da sua precificação, como a fixação de taxa de juros acima da
média do mercado. Nesse caso, o prêmio recebido configura uma receita não realizada, que deveria ser
classificada como [...] [receita diferida], para apropriação ao resultado em função do prazo das
debêntures e do reconhecimento também no resultado das despesas de juro [CVM, 2008].

Ele corresponde, economicamente, a uma redução da taxa efetiva de juros


dessa dívida. Assim, no plano de contas, a classificação das reservas de capital,
como definido no §1o do art. 182 da Lei no 6.404/1976, com redação alterada
pela Lei no 11.638/2007, será composta de:

ágio na emissão de ações;


alienação de partes beneficiárias;
alienação de bônus de subscrição.

Reservas de lucros
Consistem na retenção de parte do lucro com finalidade específica.Com a
alteração realizada pela Lei no 11.638/2007 no art. 199 da Lei das Sociedades por
Ações, o saldo da reserva de lucros não poderá ultrapassar o capital social e, uma
vez atingido este limite, tal valor deverá ser distribuído como dividendos aos
acionistas ou utilizado para integralização ou aumento de capital da companhia,
exceto nos montantes aplicáveis às contingências de lucros a realizar e
contingências de incentivos fiscais.
As reservas de lucros são discriminadas a seguir:

reserva legal;
reserva estatutária;
reservas para contingências;
reservas de lucros a realizar;
reservas de lucros para expansão;
reservas de incentivos fiscais;
reserva especial para dividendos obrigatórios.

Reserva legal
Do lucro líquido do exercício, 5% serão aplicados, antes de qualquer outra
destinação, na constituição de reserva legal, que não poderá exceder 20% do
capital social. A reserva legal tem por finalidade assegurar a integridade do
capital social e somente poderá ser utilizada para compensar prejuízos ou
aumentar o capital. Vale ressaltar os seguintes parágrafos do art. 193 da Lei no
6.404/1976:
§1o. A companhia poderá deixar de constituir a reserva legal no exercício em que o saldo dessa reserva,
acrescido do montante das reservas de capital de que trata o §1o do artigo 182, exceder de 30% (trinta
por cento) do capital social.
§2o. A reserva legal tem por fim assegurar a integridade do capital social e somente poderá ser utilizada
para compensar prejuízos ou aumentar o capital.

Reservas estatutárias
As reservas estatutárias são constituídas por determinação do estatuto da
companhia e como destinação de uma parcela dos lucros do exercício.
Como definido na Lei das S/A:
Art. 194. O estatuto poderá criar reservas desde que, para cada uma:
I. indique, de modo preciso e completo, a sua finalidade;
II. fixe os critérios para determinar a parcela anual dos lucros líquidos que não será destinada à sua
constituição;
III. estabeleça o limite máximo da reserva.

Reserva para contingências


Art. 195. A assembleia geral poderá [...] destinar parte do lucro líquido à formação de reserva com a
finalidade de compensar, em exercício futuro, a diminuição do lucro decorrente de perda julgada
provável, cujo valor possa ser estimado.
[...]
§2o. A reserva será revertida no exercício em que deixarem de existir as razões que justificaram a sua
constituição [...] [Lei no 6.404/1976, art. 195].

Note-se que, na constituição dessa reserva, o fato gerador ainda não ocorreu,
o que a distingue de provisão para contingências.
Reserva de lucros a realizar
Essa reserva é constituída como uma destinação do lucro do exercício, sendo,
todavia, optativa sua constituição.
Tal reserva evidencia a parcela de lucros não realizada financeiramente. Seu
objetivo é evitar a distribuição de dividendos sobre essa parcela. Entretanto, a
Lei no 11.638/2007 alterou o art. 197 da Lei das S/A, para dispor que “o lucro,
rendimento ou ganho líquidos em operações ou contabilização de ativo e passivo
pelo valor de mercado, cujo prazo de realização financeira ocorra após o término
do exercício social seguinte”, poderão ser considerados para o cálculo da parcela
do lucro realizado.
Com a nova redação da Lei no 6.404/1976, dada pela Lei no 11.638/2007, o
procedimento de cálculo da reserva de lucros a realizar passa a ser em função do
dividendo obrigatório e não mais das diversas reservas de lucro. A reserva de
lucros a realizar será constituída quando não existirem lucros realizados
suficientes para o pagamento do dividendo obrigatório. Portanto, antes do
cálculo da reserva de lucros a realizar, os dividendos obrigatórios devem ser
calculados, pois são parâmetros a serem utilizados nessa reserva (Iudícibus et al.,
2010:352).

Reservas de lucros para expansão (retenção de lucros)


Essa reserva visa atender aos projetos de investimentos da companhia,
conforme disposto no art. 196 da Lei no 6.404/1976.
De acordo com Iudícibus et al. (2010:352), “essa retenção deverá estar
justificada com o orçamento de capital da companhia, ser proposta pela
administração e aprovada em assembleia geral. Entretanto essa reserva não pode
ser constituída em detrimento do pagamento do dividendo obrigatório”.
O art. 196 da Lei no 6.404/1976, em seu §1o, ressalta que esse orçamento
deverá compreender todas as fontes de recursos e aplicações de capital, fixo ou
circulante, e poderá durar até cinco exercícios, salvo no caso de execução, por
prazo maior, de projeto de investimento.

Reserva de Incentivos fiscais


De acordo com a nova lei societária:
A assembleia geral poderá, por proposta dos órgãos de administração, destinar para a reserva de
incentivos fiscais a parcela do lucro líquido decorrente de doações ou subvenções governamentais para
investimentos, que poderá ser excluída da base de cálculo do dividendo obrigatório (inciso I do caput
do art. 202 desta Lei) [Art. 195-A da Lei no 6.404/1976].

A partir do exercício de 2008, conforme pronunciamento técnico CPC 07 e


Deliberação CVM no 555 de 12 de novembro de 2008 que o aprova, as doações e
subvenções recebidas pela companhia deverão transitar pelo resultado e terão
seus registros contábeis determinados em função das constituições estabelecidas
para recebimento dessas doações e subvenções.
A criação dessa reserva visa permitir que as companhias abertas, a partir de
regulação da CVM, registrem as doações e subvenções para investimento não
mais como reserva de capital, e sim no resultado do exercício (de imediato ou
em bases diferidas, como mencionado acima) como estabelece a norma
internacional. Para que a companhia não perca o benefício fiscal da subvenção,
está previsto no art. 195-A da lei societária que a parcela do lucro líquido que
contiver esse benefício fiscal possa ser excluída da base de cálculo do dividendo
obrigatório; caso contrário, a empresa estaria distribuindo recursos recebidos
através de subvenção.
A nova redação do art. 199 da lei societária determina que o saldo da reserva
de incentivos fiscais, em conjunto com os saldos das reservas de contingências e
de lucros a realizar, “não poderá ultrapassar o capital social. Atingindo esse
limite, a assembleia deliberará sobre aplicação do excesso na integralização ou
no aumento do capital social ou na distribuição de dividendos”.

Reserva especial para dividendo obrigatório não distribuído


Essa reserva é constituída para que a empresa possa vir a pagar, no futuro, os
dividendos que deixou de distribuir por falta de condições financeiras, conforme
a Lei no 6.404/1976, art. 202.
Nesse caso,
os lucros que deixarem de ser distribuídos [...] serão registrados como reserva especial e, se não
absorvidos por prejuízos em exercícios subsequentes, deverão ser pagos como dividendo assim que
permitir a situação financeira da companhia [Lei no 6.404/1976, art. 202, §5o].

Lucros e prejuízos acumulados


A partir das modificações incorporadas à lei societária pela Lei no
11.638/2007, foi extinta a possibilidade de apresentação de saldos a título de
lucros acumulados no balanço patrimonial, o que não significa que a referida
conta deva ser extinta dos planos de contas dessas entidades, porque ela recebe o
resultado do exercício e destina o total desse resultado a outras contas.
Em suma, o lucro líquido do período deverá ser distribuído na forma de
dividendos e retido na conta de reserva de lucros e não mais na conta lucros ou
prejuízos acumulados.

Fatores que modificam o patrimônio líquido


Em que pese à grande dependência dos recursos provenientes do mercado de
capitais, é inegável que a principal fonte de financiamento do patrimônio líquido
é o lucro. A cada exercício social, a empresa apurará o resultado das operações.
Esse resultado é calculado pela diferença entre receitas e despesas, podendo ser
lucro ou prejuízo. A parcela retida do resultado e enviada para o patrimônio
líquido, inicialmente para a conta lucros e prejuízos acumulados, é que o
fortalecerá.
À medida que a empresa obtém resultados positivos, a situação econômica se
fortalece. Assim, a constante obtenção de lucro contribui para uma situação
econômica mais sólida. De modo inverso, o prejuízo enfraquece a situação
econômica. Ressalva-se que a parcela do lucro não distribuída aos proprietários é
retida na empresa na forma de reservas fortalecendo sua situação econômica.
Por outro lado, o patrimônio líquido pode também ser acrescido com novos
investimentos de capital quando a situação econômica (e mesmo a situação
financeira) exigir dos sócios uma intervenção a fim de equilibrá-la.
Resumindo, veja na figura 8 as principais causas de variação do patrimônio
líquido.
Figura 8
PRINCIPAIS CAUSAS DE VARIAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Ajustes de avaliação patrimonial
A conta ajustes de avaliação patrimonial foi introduzida na contabilidade
brasileira pela Lei no 11.638/2007 para receber as contrapartidas de aumentos ou
diminuições de valor atribuído a elementos de ativo e passivo.
Desse modo, a lei societária em vigor prevê, no §3o de seu art. 182, que
serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do
exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de
valor atribuídos a elementos do ativo [...] e do passivo, em decorrência da sua avaliação [a valor justo].

É oportuno salientar que a conta ajuste de avaliação patrimonial não


corresponde a uma conta de reserva, uma vez que seus valores não transitam
pelo resultado do exercício. Sendo assim, ela não deverá ser considerada quando
do cálculo do limite referente à proporção das reservas de lucros em relação ao
capital (Iudícibus et al., 2010:348).
Como você observou, este capítulo teve como objetivo apresentar os
mecanismos para elaboração das demonstrações contábeis e simplificar a forma
de registrar as transações, por meio da matriz de lançamentos, em que
apresentamos a ótica do débito e crédito de forma simplificada por meio das
origens e aplicações de recursos. Demonstramos também o patrimônio líquido e
a sua composição e detalhamos todas as contas que compõem esse grupo do
balanço patrimonial.
Observamos a importância de interpretar os relatórios que compõem as
demonstrações contábeis e como utilizar as informações para a tomada de
decisões. No próximo capítulo, vamos abordar os critérios que devem ser
adotados para análise das demonstrações contábeis.
4

Análise econômico-financeira

O objetivo deste capítulo é apresentar a relevância da análise fundamentalista


das demonstrações contábeis para o processo decisório das organizações através
da aplicação dos critérios de análise horizontal, análise vertical e indicadores
econômico-financeiros. Espera-se que, ao término da leitura, você seja capaz de
perceber a importância das informações contidas nos relatórios que compõem as
demonstrações contábeis das empresas, bem como de aplicar os critérios de
avaliação utilizados em análise fundamentalista, objetivando desenvolver um
relatório técnico sobre o desempenho econômico, financeiro e operacional das
empresas.

Objetivos da análise econômico-financeira e principais usuários

Conforme você verificou, no primeiro capítulo procuramos demonstrar que o


principal objetivo da contabilidade é prover informações para planejamento e
controle, evidenciando dados referentes à situação patrimonial, econômica e
financeira de uma empresa que suportam o gestor no processo de tomada de
decisões. Essas informações são apresentadas por meio dos relatórios que
compõem as demonstrações contábeis. No segundo capítulo, foram apresentadas
as ferramentas que compõem as demonstrações contábeis, compostas pelos
seguintes relatórios: balanço patrimonial, demonstração do resultado do
exercício, demonstração das mutações do patrimônio líquido, demonstração dos
fluxos de caixa e demonstração do valor adicionado, além das notas explicativas,
que são parte integrante das demonstrações contábeis e que devem
complementar os critérios de cálculo e mensuração dos itens que afetam o
resultado e o patrimônio da entidade. Já no terceiro capítulo, foram explicitadas
as técnicas de elaboração das demonstrações contábeis e os itens componentes
do patrimônio líquido das organizações.
A análise fundamentalista respalda-se nos assuntos tratados nesses dois
últimos capítulos e, diante das informações absorvidas, procede-se, então, ao
desenvolvimento de um relatório técnico sobre a situação econômica e financeira
da empresa.
O processo de análise é direcionado conforme o interesse do usuário da
informação contábil e financeira. A comunicação da informação contábil tem
como objetivo fundamentar o processo decisório de todas as partes relacionadas
com a entidade – tais como os gestores, fornecedores, instituições financeiras,
governo, investidores, colaboradores e toda a sociedade.
Pela ótica da empresa, os usuários das demonstrações contábeis são divididos
em dois grupos: usuários internos e usuários externos, conforme a seguir
discriminado.

usuários internos – correspondem aos responsáveis pela gestão da organização,


ou seja, os executivos que estão intimamente relacionados com o processo
decisório;
usuários externos – correspondem aos bancos, fornecedores, clientes,
investidores, governo, empresas subsidiárias, concorrentes, entre outros.

Na realidade, o que se busca é extrair informações acerca da saúde financeira,


estrutura de captação de recursos, lucratividade, rentabilidade e desempenho
operacional, úteis para o processo decisório. Os interesses são múltiplos e,
apenas para que você tenha uma ideia, são a seguir relacionados os principais
envolvidos com a análise das demonstrações contábeis:

sócios/acionistas – retorno sobre o capital, avaliação do custo de oportunidade,


payback, lucratividade e determinação do fator de solvência, e grau de risco;
fornecedores – pelo fato de serem um dos principais financiadores do capital de
giro da empresa, necessitam avaliar sua estrutura patrimonial a fim de
determinar o fator de risco e a capacidade de solvência;
instituições financeiras – necessitam avaliar a estrutura patrimonial da empresa
com o intuito de determinar a capacidade de endividamento e o fator de
liquidez, visando obter maior segurança nas operações de financiamento,
desconto de duplicatas e outras operações financeiras;
clientes – necessitam conhecer a situação econômica e financeira de seus
fornecedores para garantir o fornecimento dos bens e serviços adquiridos, bem
como os prazos a serem cumpridos;
governo – necessita obter informações sobre os resultados gerados pela
entidade para avaliação da tributação e arrecadação de impostos, taxas e
contribuições;
acionistas minoritários – desejam extrair informações sobre o fluxo regular de
dividendos;
empregados – necessitam avaliar a estrutura financeira para verificar a
capacidade de pagamento de salários e a situação econômica para análise das
perspectivas de crescimento.

Para que o processo de análise alcance o resultado desejado, é fundamental


que as informações fornecidas tenham sido elaboradas de acordo com as normas
contábeis em vigor, apresentando, assim, total grau de confiabilidade. Nesse
caso, o relatório dos auditores independentes exerce papel importante. No
entanto, tal relatório é obrigatório apenas para as companhias abertas. É por
meio do relatório de auditoria que os auditores atestam a fidedignidade das
informações contidas nas demonstrações contábeis e verificam os controles
internos das empresas. É importante ressaltar que muitas empresas limitadas
também são auditadas, mas não por questões legais. A auditoria independente
para essas empresas normalmente atende a demanda de cotistas com o objetivo
de não serem lesados na distribuição de dividendos, de bancos ao avaliarem a
concessão de créditos, e fornecedores quando analisam o risco de financiamento
das compras realizadas a prazo. Todas estas informações necessitam de bases
confiáveis para serem avaliadas; portanto, o relatório dos auditores
independentes representa ferramenta fundamental para validação das
informações contidas nas demonstrações contábeis.
O relatório preparado pela diretoria possui também seu grau de importância,
pois é por meio desse documento que a alta cúpula fornece informações aos
acionistas sobre os diversos aspectos do desempenho e das perspectivas da
sociedade, relativas a estratégias de vendas, compras, expansão, produtos,
legislação, política financeira, recursos humanos, resultados atingidos e
estimativas globais. Em suma, esse relatório retrata todas as informações
julgadas relevantes para o processo de interpretação e análise econômica e
financeira da companhia.
Para a realização da análise econômica e financeira, devem ser tomados como
base os seguintes relatórios:

balanço patrimonial (BP);


demonstração dos resultados do exercício (DRE);
demonstração das mutações do patrimônio líquido (DMPL);
demonstração dos fluxos de caixa (DFC);
demonstração do valor adicionado (DVA);
notas explicativas;
relatório da administração;
relatório dos auditores independentes.

As notas explicativas representam informações que complementam as


demonstrações contábeis, como critérios contábeis de avaliação de
investimentos, avaliação e mensuração de estoques, métodos de depreciação,
taxas de juros, garantias prestadas a terceiros, características das ações que
compõem o capital social, eventos subsequentes à data do balanço que tenham
efeitos relevantes sobre a situação da entidade, entre outros.
De posse das demonstrações contábeis e informações complementares,
recomenda-se a realização de ajustes com o intuito de padronizar as
demonstrações para análise. Entre os itens a ajustar destacam-se as duplicatas
descontadas e os empréstimos a diretores e subsidiárias.
As contas do ativo e passivo circulante devem ser classificadas em dois
grupos: financeiro e cíclico.
O ativo circulante financeiro envolve os itens que representam
disponibilidades (caixa e bancos) e aplicações financeiras.
O passivo circulante financeiro engloba as contas representativas de dívidas
em curto prazo que não fazem parte das atividades diárias da empresa.
Normalmente, estão sujeitas a juros (empréstimos bancários, duplicatas
descontadas, impostos renegociados, imposto de renda a recolher).
O ativo circulante cíclico ou operacional compreende as aplicações de
recursos em contas que estejam relacionadas com a atividade de compra,
transformação e venda. Está relacionado com o ciclo operacional da empresa
(clientes/duplicatas a receber, estoques, adiantamento a fornecedores etc.).
O passivo circulante cíclico ou operacional compreende as contas que
identificam os financiadores normais da atividade da empresa, constituindo
fontes espontâneas de recursos (fornecedores, salários e encargos a pagar,
impostos a recolher sobre vendas).
A análise econômica e financeira deve ser discriminada da seguinte forma:
como análise econômica, considera-se o estudo do resultado (lucro ou prejuízo)
gerado nas operações da empresa, em um processo dinâmico. Já a análise
financeira abarca o estudo do capital de giro avaliando a capacidade da empresa
em saldar suas dívidas, ou seja, o estudo de liquidez, solvência e endividamento,
em um processo estático.
Na avaliação do capital de giro, também tratado como working capital,
observa-se alguma confusão entre ele e o capital circulante líquido. Na realidade,
o capital circulante líquido representa a folga ou a escassez de recursos de uma
organização em curto prazo, representando, assim, o que se pode chamar de
“grande caixa” da organização, demonstrado pela diferença entre o ativo
circulante e o passivo circulante. Por outro lado, o capital de giro abarca todo o
ativo circulante e o realizável a longo prazo da entidade. Portanto, por essa
abordagem obtém-se uma visão estratégica de longo prazo, que é um dos
aspectos mais relevantes da análise do capital de giro.
Nesse tipo de análise pode-se também determinar se a empresa opera com
capital de giro próprio ou de terceiros, identificado da seguinte forma: se uma
empresa apresenta, em seu balanço patrimonial, um montante de ativos
realizáveis superior ao de passivos, significa que possui capital de giro próprio.
Isso ocorre pelo fato de o capital próprio (patrimônio líquido) ser suficiente para
cobrir o investimento efetuado no ativo não circulante, considerado aqui o
somatório de investimentos, imobilizado e intangível, e haver sobra de recursos
próprios, que está sendo utilizada para financiar os ativos realizáveis. Essa
parcela de recursos próprios aplicada ao financiamento dos ativos realizáveis
representa o capital de giro próprio. Já o capital de giro de terceiros configura-se
quando o ativo não circulante (investimentos, imobilizado e intangível,
excetuando-se o realizável a longo prazo, não considerado para esta análise) é
financiado pela totalidade do capital próprio e por uma parcela de recursos de
terceiros. Como o capital próprio não é suficiente para financiar os investimentos
“permanentes” (investimentos, imobilizado e intangível), há a necessidade de
complementar tais investimentos com recursos de terceiros. Essa parcela
complementar de recursos de terceiros, utilizada no financiamento dos ativos
não circulantes, representa o capital de giro de terceiros.
Uma versão mais aprofundada da análise financeira pode ser feita pela análise
da dinâmica do capital de giro da empresa. Para a utilização do modelo dinâmico
de análise financeira, é necessário reagrupar as contas do balanço patrimonial em
ativos circulantes e não circulantes e, do mesmo modo, passivos circulantes e
não circulantes. Os ativos circulantes devem ser classificados em circulantes
operacionais (ou cíclicos) e em circulantes financeiros (ou erráticos). Os ativos
não circulantes são representados pela soma dos ativos realizáveis de longo
prazo com os investimentos, imobilizado e intangível. Do mesmo modo, os
passivos circulantes devem ser classificados em circulantes operacionais (ou
cíclicos) e em circulantes financeiros (ou erráticos).
Os passivos não circulantes são representados pelas origens de recursos de
longo prazo, tais como debêntures e financiamentos bancários. O patrimônio
líquido é considerado uma fonte de recurso de longo prazo. O passivo
permanente (PP) é definido como origens de recursos de longo prazo, composto
pelo somatório do grupo de contas do passivo não circulante (PNC) e do
patrimônio líquido (PL).
O ativo circulante operacional (cíclico) é o investimento que tem origem nas
atividades operacionais da empresa, como comprar, produzir e vender, enquanto
o passivo circulante operacional (cíclico) é a fonte de recursos denominada
passivo de funcionamento, representado este pelas contas operacionais (cíclicas)
que apoiam o desenvolvimento das empresas em seus aspectos operacionais de
compras, produção e venda.
O ativo circulante financeiro representa as contas de natureza financeira, com
os valores de disponibilidade imediata, tais como: caixa, banco e aplicações
financeiras bem como os recursos de curto prazo da organização. Já o passivo
circulante financeiro ou oneroso representa as fontes de financiamento referentes
a empréstimos bancários, descontos de duplicatas e outras operações
relacionadas ao ciclo financeiro da empresa.

Preparação do balanço patrimonial para a análise dinâmica

O balanço convencional é elaborado em conformidade com as normas


estabelecidas pela Lei no 11.638/2007, conforme apresentado no quadro 23.
Quadro 23
GRUPOS INTEGRANTES DO BALANÇO PATRIMONIAL

Ativo Passivo e patrimônio líquido


Ativo circulante (AC) Passivo circulante (PC)
Ativo não circulante (ANC) Passivo não circulante (PNC)
Patrimônio líquido (PL)

Para efeito de análise dinâmica do capital de giro, o balanço patrimonial


deverá ter a seguinte configuração mostrada no quadro 24.
Quadro 24
CONFIGURAÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL

Aplicação de recursos Origem de recursos


Ativo circulante financeiro (ACF) Passivo circulante financeiro (PCF)
Ativo circulante operacional (ACO) ou ativo Passivo circulante operacional (PCO) ou passivo
circulante cíclico (ACC) circulante cíclico (PCC)
Ativo não circulante (ANC) Passivo não circulante (PNC)

Composição do capital circulante líquido (CCL)

O capital circulante líquido (CCL), conforme a abordagem dinâmica, é


composto pela diferença entre os passivos não circulantes e o patrimônio líquido
e os ativos não circulantes. No ativo não circulante estão incluídos os subgrupos:
ativos realizáveis a longo prazo, investimentos, imobilizados e intangíveis.
Assim, o CCL pode ser demonstrado pelas seguintes equações:

visão clássica:

CCL = AC (–) PC
visão estratégica:

CCL = (PNC + PL) (–) ANC

Necessidade de capital de giro (NCG)

A necessidade de capital de giro (NCG), ou investimento operacional em giro


(IOG), representa os valores investidos em ativos operacionais, especialmente
em estoques e créditos com clientes, cujo valor pode ser obtido pela diferença
entre o ativo circulante operacional (ACO) e o passivo circulante operacional
(PCO). A necessidade de capital de giro (NCG) é elemento fundamental para
avaliar a situação financeira das empresas. Seu valor revela o montante de
recursos para manter o giro dos negócios. As contas que compõem a NCG
representam operações de curto prazo e de retornos rápidos, que são totalmente
diferentes das contas que compõem o ativo não circulante, pois este resulta de
decisões de longo prazo, com uma perspectiva bastante lenta para a recuperação
do capital investido. Quaisquer alterações nas políticas de compra, estocagem e
crédito podem produzir efeitos imediatos sobre o fluxo de caixa e na necessidade
de capital de giro, corroborando, assim, a importância desse tipo de análise para
caracterizar o equilíbrio financeiro de curto prazo das organizações. Se o saldo
dessa variável for positivo, indica que um volume significativo do capital de giro
líquido está na forma de aplicações em ativos operacionais, como estoques e
contas a receber. Por outro lado, se for negativo (origem de recursos), entende-se
que os recursos destinados ao capital de giro estão na forma de ativos líquidos,
ou seja, em disponibilidades. A mensuração da NCG pode ser demonstrada pela
seguinte fórmula:
NCG = ACO (–) PCO

Saldo em tesouraria (ST)

Uma importante função da gerência financeira de uma empresa é acompanhar


a evolução do saldo em tesouraria, a fim de evitar que permaneça
constantemente negativo (origem) e crescente. A maioria das empresas que
opera com saldo em tesouraria crescentemente negativo apresenta uma estrutura
financeira inadequada, revelando uma dependência excessiva de empréstimos de
curto prazo e descontos de duplicatas que poderá levá-las até mesmo ao estado
de insolvência. De modo geral, essas empresas enfrentam sérias dificuldades
para resgatar seus empréstimos de curto prazo quando os bancos, por qualquer
motivo, recusam-se a renová-los.
Por intermédio do saldo em tesouraria pode-se identificar o grau de utilização
de recursos de terceiros de curto prazo para financiar as necessidades de capital
de giro da empresa. Caso o saldo seja positivo, deduz-se que a organização
possui folga financeira, ou seja, possui recursos financeiros aplicados em curto
prazo. Se o saldo for negativo, significa que os recursos financeiros de curto
prazo estão financiando as atividades operacionais da empresa, isso porque o
saldo em tesouraria pode sinalizar o grau de adequação da política financeira
empregada pela administração. Quando positivo, indica disponibilidade de
recursos para garantir a liquidez de curtíssimo prazo do empreendimento. Caso
seja negativo, pode evidenciar dificuldades financeiras iminentes, em especial,
por ocasião da manutenção de saldos negativos sucessivos e crescentes. O
acompanhamento da evolução do saldo em tesouraria no decorrer de exercícios
sociais sucessivos, bem como das causas das eventuais alterações de tendências
percebidas, representa o cerne do modelo da gestão dinâmica do capital de giro.
O resultado da tesouraria deve ser analisado com cautela, pois, uma vez que
exista folga financeira, esta deve representar o saldo em aplicações financeiras
ou, até mesmo, o saldo de outros ativos com alta liquidez e apropriada
remuneração. O mesmo não poderia ser dito para a tesouraria positiva, formada
por elevados saldos em contas confusas, como outros créditos, adiantamentos,
entre outras, que poderiam esconder recursos cujas realizações jamais se
consolidarão. Do mesmo modo, uma tesouraria positiva, com elevados saldos
em disponibilidades, expressa a inoperância da gerência de recursos financeiros,
tendo em vista que os recursos disponíveis deveriam estar aplicados em outros
ativos da empresa para a obtenção de maior rentabilidade.
O saldo em tesouraria (ST) é demonstrado pela seguinte fórmula:

ST = ACF (–)PCF

Efeito tesoura (ET)


O efeito tesoura é um indicador que evidencia o descontrole no crescimento
das fontes onerosas de recursos no curto prazo e ocorre quando o saldo em
tesouraria apresenta-se em crescente negativo (origem) a cada exercício,
variando em níveis superiores ao crescimento da necessidade de capital de giro.
Desse modo, quando a necessidade de capital de giro cresce percentualmente a
uma taxa superior ao capital de giro (CDG), observa-se a ocorrência do efeito
tesoura, que representa a fragilização das condições de solvência da empresa.
Caso o saldo em tesouraria se mostre crescentemente negativo, evidencia-se
que a empresa poderá caminhar a passos largos para a insolvência. É importante
observar que o fato de, em um único ano, o saldo em tesouraria ficar negativo
não é preocupante. O problema é quando, ao longo de um período de pelo menos
três anos, observa-se a tendência de diminuição ou perda do saldo. O efeito
tesoura, portanto, é consequência de saldo de tesouraria cada vez mais negativo
(origem de recursos), variando em proporção superior à necessidade de capital
de giro.
A tabela 1 exemplifica o efeito tesoura (ET).
Tabela 1
EXEMPLO DO EFEITO TESOURA

Anos NCG CDG


2011 100 80
2012 120 90
2013 150 100

(*) Aritmeticamente os valores são negativos (origem de recursos).

Portanto, para que a diferença algébrica entre o CDG e a NCG reflita o efeito
tesoura (veja tabela 1) foi trabalhado em módulo, ou seja, o ST de 2011, igual a
20 (negativo), é 20 (positivo) e assim por diante. Quanto aos valores do saldo em
tesouraria, estes representam a diferença algébrica entre o valor do capital de
giro e o da necessidade de capital de giro, e não estão na mesma escala
matemática das variáveis (NCG e CDG) representadas no gráfico da figura 9.
Figura 9
VARIÁVEIS DO EFEITO TESOURA
Fonte: figura com dados gerados pelo autor para o exemplo citado.

Pelo gráfico, observa-se que, nos três anos (2011 a 2013), o capital de giro
(CDG), que é uma origem de recursos, não conseguiu financiar a necessidade de
capital de giro (NCG), que é uma aplicação, pois os valores da NCG (conforme
tabela) são maiores do que o CDG. O gap apresentado no gráfico da figura 9,
portanto, é justamente o Saldo em Tesouraria (ST), evidenciando uma origem de
recurso, ou seja, um recurso complementar do qual a empresa se utilizou para
financiar o restante da NCG.
Os saldos de tesouraria (gap de $ 20, $ 30 e $ 50), referentes ao período de
2011 a 2013, foram financiados por origens de recursos mais onerosas, aquelas
financiadas por passivo circulante financeiro como empréstimos bancários.
Normalmente as empresas financiam o gap do saldo em tesouraria com recursos
de curto prazo e, como dito, normalmente esses são mais onerosos.
Na sequência, apresenta-se um conjunto de representações gráficas da
empresa ZHF, para exemplificar os conceitos relacionados à administração de
capital de giro.
A empresa ZHF Ltda. apresenta as variáveis de administração de capital de
giro, no período de 2011 a 2013, indicadas no quadro 25.
Quadro 25
VARIÁVEIS DE ADMINISTRAÇÃO DE CAPITAL DE GIRO

Itens 2011 2012 2013


1. ACF 50 200 300
2. PCF 120 290 430
3. ST* = ACF (–) PCF –70 –90 –130
4. ACO 100 120 180
5. PCO 70 80 120
6. NCG = ACO (–) PCO 30 40 60
7. AC = ACF + ACO 150 320 480
8. PC = PCF + PCO 190 370 550
9. CCL = AC (–) PC –40 –50 –70
10. ANC 150 180 290
11. PNC 70 80 160
12. PL 40 50 60
13. PP = (PNC + PL) 110 130 220
14. Total do ativo 300 500 770
15. Total do passivo e patrimônio líquido 300 500 770

* ST, na representação gráfica, será apresentado em módulo. Portanto em 2011 o módulo de 70 (negativo) é
70 (positivo).

Suponhamos que, a cada ano (de 2011 a 2013), a empresa:

vem apresentando aumento no volume de vendas de bens e aumentando seu


imobilizado – máquinas;
toma empréstimos de curto prazo (mais onerosos) para financiar seu giro
comercial (curto prazo) e também parte de seus ativos não circulantes
(imobilizado – máquinas);
incorre em juros de curto prazo que representam, em média, 40% das vendas.

Figura 10
REPRESENTAÇÕES GRÁFICAS
Fonte: figura desenvolvida pelo autor, com os dados gerados pelo autor.
Obs.: o saldo em tesouraria se apresenta como margem de segurança quando o ativo circulante financeiro é
maior que o passivo circulante financeiro (ACF > PCF).
Dessa forma, podemos resumir que a empresa ZHF Ltda. não tem capital de
giro (CDG), pois o passivo permanente (PP = PNC + PL) é menor que o ativo
não circulante (ANC) no período de três anos (PP < ANC). Portanto, quando não
há capital de giro é porque não houve sobra de recursos de longo prazo para
financiar as aplicações (ativos) da empresa.
Como observado no parágrafo anterior e nas representações gráficas (figura
10), a cada ano houve aumento do ativo não circulante (ANC) – imobilizado,
máquinas –, porém seu crescimento de longo prazo está sendo financiado pelo
passivo circulante financeiro (PCF), por meio do saldo em tesouraria (ST).
Pelo fato de a empresa apresentar crescente necessidade de capital de giro
(NCG) a cada ano, e considerando-se, por exemplo, a necessidade de compra de
mais estoques, o saldo em tesouraria (ST) está sendo utilizado para financiar a
necessidade de capital de giro total, uma vez que inexiste capital de giro, e
também para financiar parte do ativo não circulante (ANC).
Nesse caso, o saldo em tesouraria (ST) está gerando desequilíbrio financeiro,
pois, como já explicitado, esse é um recurso de curto prazo (origem) e está
financiando o ativo não circulante de longo prazo.

Critérios de análise econômico-financeira

São três os critérios utilizados em análise econômico-financeira:

análise vertical;
análise horizontal;
indicadores econômico-financeiros (indicadores de desempenho).

A seguir, trataremos de cada um desses critérios.

Análise vertical
Trata-se de metodologia de análise que mostra a participação percentual de
cada um dos itens das demonstrações contábeis em relação ao somatório de seu
grupo e, conforme cita Ribeiro (2009b:135), “este processo é também conhecido
por análise por coeficientes”.
Com esse instrumento, pode-se visualizar, de modo objetivo e direto, a
representatividade de cada componente das demonstrações contábeis,
identificando aqueles que mais contribuem para a formação do conjunto objeto
da análise.
A análise vertical é de grande importância, principalmente quando aplicada à
demonstração de resultado do exercício, porque possibilita detectar a
composição percentual das receitas, custos e despesas, evidenciando aquelas que
mais influenciaram na formação do lucro ou prejuízo. Conforme citam Perez
Junior e Begalli (1999:195), “essa análise em períodos sucessivos pode fornecer
uma base para a projeção de uma demonstração de resultados”.
A seguir, apresentam-se, no quadro 26, os dados do balanço patrimonial da
empresa fictícia Estrela Solitária S/A referentes ao exercício de 2010, que
servirão de base para exemplificarmos a análise vertical.
Quadro 26
BALANÇO PATRIMONIAL DA EMPRESA ESTRELA SOLITÁRIA S/A (ANÁLISE VERTICAL)

Ativo 2010 % Passivo + PL 2010 %


Ativo circulante 16.600 38,0 Passivo circulante 15.800 36,1
Disponível 900 2,0 Empréstimos e financiamentos 5.400 12,3
Aplicações financeiras 2.700 6,7 Fornecedores 5.600 12,8
Clientes 7.200 16,4 Provisões sociais e tributárias 2.500 5,7
Estoques 5.800 13,2 Dividendos 2.300 5,2

Ativo não circulante 27.200 63,2 Passivo não circulante 5.000 11,4
Realizável a longo prazo 2.000 4,5 Empréstimos e financiamentos 2.800 6,4
Investimentos 11.100 25,3 Debêntures 2.200 5,0
Imobilizado 10.000 22,8
Intangível 4.100 9,4 Patrimônio líquido 23.000 52,5
Capital social 12.000 27,4
Reservas de lucros 11.000 25,1

Ativo total 43.800 100,0 Passivo + PL total 43.800 100,0

No quadro 27, apresentam-se os dados da demonstração dos resultados do


exercício da empresa fictícia Estrela Solitária S/A referentes ao exercício de
2010, que servirão de base para exemplificarmos a análise vertical.
Quadro 27
DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS DO EXERCÍCIO DA EMPRESA ESTRELA SOLITÁRIA
S/A (ANÁLISE VERTICAL)

2010 %
Receita operacional líquida 45.800 100,0
(–) CMV 16.100 35,2
Lucro bruto 29.700 64,8
(–) Despesas operacionais 13.100 28,6
Comerciais 5.700 12,4
Administrativas 5.300 11,6
Financeiras 2.100 4,6
Lucro operacional 16.600 36,2
(–) IR e CSLL 5.300 11,6
Lucro líquido do exercício 11.300 24,7

No balanço patrimonial, verifica-se o percentual que representa cada conta ou


grupo de contas em relação ao ativo ou passivo total. Na demonstração dos
resultados do exercício, faz-se a comparação de cada conta de despesa ou
subtotal com a receita operacional líquida. Assim, pode-se avaliar a relevância
ou representatividade de cada conta ou grupo em relação aos valores totais.
Com base nas demonstrações contábeis da empresa Estrela Solitária S/A,
pode-se concluir sobre uma série de fatores, como:

as contas mais significativas do ativo são clientes (16,4%) e investimentos


(25,3%);
as contas mais relevantes do passivo são fornecedores (12,8%) e empréstimos e
financiamentos (12,3%); já do patrimônio líquido, é o capital social (27,4%);
o custo das mercadorias vendidas representa 35,2% do faturamento (receita
operacional líquida) da empresa;
as despesas operacionais (comerciais, administrativas e financeiras)
representam 28,6% do faturamento da empresa;
a margem bruta do produto, a margem operacional e a margem líquida da
empresa representam 64,8%, 36,2% e 24,7%, respectivamente.

Uma vez demonstrada a importância da análise vertical, apresentaremos, a


seguir, o segundo critério de análise econômico-financeira – a análise horizontal.
Análise horizontal
A análise horizontal é efetuada tomando-se por base dois ou mais exercícios
sociais, com a finalidade de observar a evolução ou involução dos componentes.
Observe que é na análise horizontal que você pode identificar o comportamento
dos diversos itens do patrimônio e, principalmente, dos índices, permitindo a
análise de tendência. Segundo Perez Junior e Begalli (1999:195), “a análise
horizontal enfatiza as modificações ou evoluções em cada conta das
demonstrações financeiras em relação a uma demonstração básica, geralmente a
mais antiga da série, a fim de caracterizar tendências”. No quadro 28
apresentamos os dados do balanço patrimonial da empresa fictícia Estrela
Solitária S/A referentes aos exercícios de 2010 e 2009, que servirão de base para
exemplificarmos a análise horizontal.
O quadro 29 apresenta os dados da demonstração dos resultados dos
exercícios da empresa fictícia Estrela Solitária S/A referentes aos exercícios de
2010 e 2009, que servirão de base para exemplificarmos a análise horizontal.
Com as demonstrações estruturadas da forma anterior, você poderá fazer
diversas análises comparativas, tanto da variação dos valores de cada conta ou
grupo de contas ao longo dos exercícios quanto da variação dos índices
apresentados pela empresa nos períodos analisados.
A avaliação das modificações das contas poderá ser realizada por meio da
comparação com:

variações históricas da própria empresa;


taxas de crescimento da economia;
taxas de crescimento do setor a que pertence a empresa;
taxa de variação da inflação oficial;
variações nas contas idênticas das demonstrações contábeis de concorrentes.

Quadro 28
BALANÇO PATRIMONIAL DA EMPRESA ESTRELA SOLITÁRIA S/A (ANÁLISE
HORIZONTAL)

Ativo 2010 % 2009 % Passivo + PL 2010 % 2009 %


Ativo circulante 16.600 133 12.500 100 Passivo circulante 15.800 146 10.800 100
Disponível 900 150 600 100 Empréstimos/financiamentos 5.400 174 3.100 100
Aplicações financeiras 2.700 113 2.400 100 Fornecedores 5.600 133 4.200 100
Clientes 7.200 131 5.500 100 Provisões sociais/tributárias 2.500 108 2.300 100
Estoques 5.800 145 4.000 100 Dividendos 2.300 192 1.200 100

Ativo não circulante 27.200 118 23.000 100 Passivo não circulante 5.000 106 4.700 100
Realizável a longo prazo 2.000 111 1.800 100 Empréstimos/financiamentos 2.800 112 2.500 100
Investimentos 11.100 116 9.600 100 Debêntures 2.200 100 2.200 100
Imobilizado 10.000 119 8.400 100
Intangível 4.100 128 3.200 100 Patrimônio líquido 23.000 115 20.000 100
Capital social 12.000 100 12.000 100
Reservas de lucros 11.000 137 8.000 100

Ativo total 43.800 123 35.500 100 Passivo + PL total 43.800 123 35.500 100

Quadro 29
DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS DO EXERCÍCIO DA EMPRESA ESTRELA SOLITÁRIA
S/A (ANÁLISE HORIZONTAL)

2010 % 2009 %
Receita operacional líquida 45.800 139 33.000 100
(–) CMV 16.100 134 12.000 100
Lucro bruto 29.700 119 25.000 100
(–) Despesas operacionais 13.100 124 10.600 100
Comerciais 5.100 119 4.300 100
Administrativas 5.300 110 4.800 100
Financeiras 2.700 108 2.500 100
Lucro operacional 16.600 115 14.400 100
(–) IR e CSLL 5.300 110 4.800 100
Lucro líquido do exercício 11.300 118 9.600 100

A análise horizontal, conforme demonstrado, representa um critério


interessante na análise econômico-financeira, gerando uma informação
complementar à análise vertical. Entretanto, o critério mais completo e profundo,
que gera o maior volume de informações para o analista, é o critério de
indicadores econômico-financeiros. A seguir, apresentaremos detalhadamente
esse critério de análise.

Indicadores econômico-financeiros
O nível de segurança que se obtém de um relatório técnico acerca da situação
econômico-financeira de uma entidade está intimamente relacionado ao período
que se utiliza para avaliação. Isso quer dizer que o gestor deve valer-se das
demonstrações contábeis de, pelo menos, dois exercícios sociais, e delas extrair
os diversos indicadores que lhe forneçam as informações desejadas.
Ao usuário interno (gestor) da empresa importa, fundamentalmente, detectar
problemas e pontos fortes existentes para, a partir daí, traçar estratégia no
sentido de corrigir as falhas ou aproveitar as oportunidades. Já aos usuários
externos (credores, investidores, fornecedores, entre outros) interessa avaliar a
viabilidade ou não da aplicação de recursos na empresa, concessão de créditos e
captação de recursos. Ou seja, a necessidade de informação do analista é que
determinará os indicadores a serem avaliados e os caminhos a serem seguidos.
Em um empréstimo de curto prazo, por exemplo, o gerente de um banco –
interessado fundamentalmente em receber os valores referentes aos empréstimos
concedidos – privilegiará os aspectos de liquidez, para avaliação de solvência, e
endividamento, para determinação do fator de risco. Já em se tratando de
empréstimo de longo prazo, o gerente dará ênfase também à capacidade de
geração de lucro e à eficiência operacional da empresa, ou seja, ao enfoque da
lucratividade e rentabilidade. De acordo com Perez Junior e Begalli (1999:196),
“um dos principais instrumentos para se avaliarem certos aspectos dos
desempenhos – passados, presentes e futuros – da empresa é a análise de índices
econômico-financeiros”.
Os índices ou indicadores estabelecem a relação entre contas ou grupo de
contas das demonstrações contábeis visando evidenciar determinado aspecto da
situação econômico-financeira de uma empresa. No entanto, cabe ressaltar que
não é só a análise por meio de alguns índices que apresenta um resultado final
sobre o desempenho da empresa. Para que seja desenvolvido o relatório final,
torna-se necessária a utilização de vários componentes de análise específicos
sobre a estrutura financeira e econômica da entidade. Dessa forma, o índice não
deve ser considerado isoladamente, mas sim pelo aspecto dinâmico e dentro de
um contexto mais amplo, onde outros indicadores e variáveis devem ser
interpretados. Exemplificando, um elevado grau de endividamento não significa,
necessariamente, que a empresa esteja à beira da insolvência. Há empresas que
convivem com níveis altos de endividamento sem comprometer sua solvência, já
que há outros fatores que podem atenuar essa condição, como uma concentração
maior desse endividamento no longo prazo através de fontes menos onerosas de
recursos.
Para melhor compreensão da influência de cada indicador na análise, você
verá índices de estrutura de capital, de liquidez, de lucratividade, de
rentabilidade, de prazos médios e necessidade de capital de giro. Cada um deles
será, a seguir, discriminado:

índices de estrutura de capital – avaliam a segurança oferecida pela empresa


aos capitais de terceiros e revelam sua política de captação de recursos, bem
como a alocação deles nos diversos itens do ativo;
índices de liquidez – medem a posição financeira da empresa em termos de
capacidade de pagamento;
índices de lucratividade – demonstram as margens geradas sobre o faturamento
líquido na avaliação do resultado;
índices de rentabilidade – avaliam o desempenho global da empresa no que
tange ao retorno gerado aos investidores, análise do custo de oportunidade do
capital e determinação de payback;
indicadores de prazos médios – revelam a política de compra, estocagem e
venda da empresa;
necessidade de capital de giro (NCG) – mostra a carência de capital de giro ou
folga de caixa da empresa.

Você verá, a seguir, no quadro 30, um exemplo de balanço patrimonial da


empresa fictícia Estrela Solitária S/A, cujos dados servirão de base para o estudo
dos indicadores econômico-financeiros.
Quadro 30
BALANÇO PATRIMONIAL DA EMPRESA ESTRELA SOLITÁRIA S/A (INDICADORES
ECONÔMICO-FINANCEIROS)

Ativo 2010 2009 Passivo + PL 2010 2009


Ativo circulante 16.600 12.500 Passivo circulante 15.800 10.800
Disponível 900 600 Empréstimos e financiamentos 5.400 3.100
Aplicações financeiras 2.700 2.400 Fornecedores 5.600 4.200
Clientes 7.200 5.500 Provisões sociais e tributárias 2.500 2.300
Estoques 5.800 4.000 Dividendos 2.300 1.200

Ativo não circulante 27.200 23.000 Passivo não circulante 5.000 4.700
Realizável a longo prazo 2.000 1.800 Empréstimos e financiamentos 2.800 2.500
Investimentos 11.100 9.600 Debêntures 2.200 2.200
Imobilizado 10.000 8.400
Intangível 4.100 3.200 Patrimônio líquido 23.000 20.000
Capital social 12.000 12.000
Reservas de lucros 11.000 8.000

Ativo total 43.800 35.500 Passivo + PL total 43.800 35.500

Obs.: montante de compras: $ 54.000 em 2009 e $ 72.000 em 2010.

No quadro 31 você verá um exemplo de demonstração dos resultados do


exercício da empresa fictícia Estrela Solitária S/A, cujos dados servirão de base
para o estudo dos indicadores econômico-financeiros.
Quadro 31
DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS DO EXERCÍCIO DA EMPRESA ESTRELA SOLITÁRIA
S/A (INDICADORES ECONÔMICO-FINANCEIROS)

2010 2009
Receita operacional líquida 45.800 33.000
(–) CMV 16.100 12.000
Lucro bruto 29.700 25.000
(–) Despesas operacionais 13.100 10.600
Comerciais 5.700 4.300
Administrativas 5.300 4.800
Financeiras 2.100 2.500
Lucro operacional 16.600 14.400
(–) IR e CSLL 5.300 4.800
Lucro líquido do exercício 11.300 9.600

Com base nos relatórios apresentados, aplicaremos os indicadores de análise


econômico-financeira e discriminaremos cada índice.

Índices de estrutura de capital


Os índices de estrutura de capital avaliam a segurança que a empresa oferece
aos capitais de terceiros e revelam sua política de captação de recursos e de
alocação deles nos diversos itens do ativo. O ativo de uma empresa é financiado
pelos capitais próprios (patrimônio líquido) e por capitais de terceiros (passivo
circulante e passivo não circulante). Quanto maior for a participação de recursos
de terceiros nos negócios de uma empresa, maior será o risco ao qual os credores
(capitais de terceiros) estarão expostos. Os principais indicadores de estrutura de
capital para avaliação do grau de endividamento e fator de risco de uma empresa
são apresentados no quadro 32.
Quadro 32
ÍNDICES DE ESTRUTURA DE CAPITAL

Endividamento geral EG
Composição do endividamento CE
Imobilização do capital próprio IPL
Imobilização de recursos não correntes IRNC
Passivos onerosos sobre ativo Posa

Cada um deles será, aqui, discriminado.

ENDIVIDAMENTO GERAL (EG)


(PC + PNC) ÷ Ativo total

onde PC = passivo circulante e PNC = passivo não circulante.

Esse índice demonstra a estrutura de capital da empresa apontando, assim, seu


grau de endividamento. É por meio desse indicador que se identifica se a
empresa tem maior dependência por capital próprio ou capital de terceiros no
financiamento do ativo. Quanto maior a dependência de capital de terceiros,
maior será o risco oferecido às instituições financeiras na concessão de créditos.
Entretanto, é importante ressaltar que determinadas empresas convivem bem
com endividamento elevado, principalmente quando esse endividamento
apresenta um viés de longo prazo, ou quando, mesmo que de curto prazo, esses
recursos são compostos por passivos não onerosos. Nesse caso, o fundamental é
manter uma boa política de administração de prazos de pagamento com os
bancos e fornecedores.
A Estrela Solitária S/A apresenta um endividamento geral (EG) de 43,6% em
2009 [($ 10.800 + $ 4.700) ÷ $ 35.500 × 100] e 47,5% em 2010 [($ 15.800 + $
5.000) ÷ $ 43.800 × 100]. Logo, pode-se concluir que:

a empresa deve, em curto e longo prazos, o correspondente a 43,6% de seu


ativo em 2009, aumentando para 47,5% em 2010;
há uma predominância de capital próprio no financiamento do ativo, muito
embora a captação de recursos de terceiros venha aumentando ao longo dos
anos analisados;
dos recursos investidos no ativo, 43,6% em 2009 provêm de terceiros
(fornecedores, bancos, governo) e o restante (56,4%) são provenientes de
recursos próprios (patrimônio líquido). Em 2010, a dependência de capital de
terceiros aumentou para 47,5%, reduzindo assim a participação de capital
próprio para 52,5%.

Pelos indicadores apresentados nos dois exercícios pode-se concluir que a


empresa vem aumentando a dependência de capital de terceiros no
financiamento do ativo, sinalizando, assim, um aumento do grau de
endividamento, o que contribui para elevar seu fator de risco. Entretanto, cabe
ressaltar que a situação ainda é confortável, pois nos dois anos ainda há maior
predominância de capital próprio.
A análise da adequação desse índice para a empresa dependerá, entre outros
aspectos, de comparações com os índices apresentados por outras empresas do
mesmo setor econômico – conhecida como análise setorial –, da tendência
demonstrada na análise de diversos exercícios, da composição do endividamento
(curto ou longo prazo) e, ainda, do custo financeiro dessas dívidas.

COMPOSIÇÃO DO ENDIVIDAMENTO (CE)


PC ÷ (PC + PNC)
O índice de composição do endividamento tem o objetivo de demonstrar a
política adotada quanto à forma de captação de recursos de terceiros, ou seja, se
a empresa concentra a maior parte de suas dívidas no curto ou no longo prazo.
Admite-se que quanto maior a concentração de endividamento no curto prazo,
maior será o risco oferecido pela empresa a seus credores. Por outro lado, um
endividamento com perfil de longo prazo, principalmente para o financiamento
do ativo não circulante, propicia à empresa situação mais confortável, podendo
sinalizar, portanto, eficiente política de captação de recursos.
A Estrela Solitária S/A apresenta uma composição do endividamento (CE) de
69,7% em 2009 [$ 10.800 ÷ ($ 10.800 + $ 4.700) × 100], ou seja, 69,7% do
endividamento da empresa concentram-se no curto prazo. Ou, ainda, de cada $
100 de dívidas totais, $ 69,7 estão concentradas no passivo circulante, o que
configura elevado endividamento de curto prazo. Já em 2010, a composição da
dívida é de 75,9% [$ 15.800 ÷ ($ 15.800 + $ 5.000) × 100], demonstrando
crescimento da concentração do endividamento no curto prazo. Pode-se, então,
concluir que, das dívidas totais da empresa, 75,9% vencerão dentro dos
próximos 12 meses.

IMOBILIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (IPL)


(ANC – RLP) ÷ PL

onde ANC = ativo não circulante; RLP = realizável a longo prazo; e PL =


patrimônio líquido.

É importante lembrar que o ativo não circulante é composto por quatro


subgrupos: realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível.
Para esses dois indicadores em questão – imobilização do patrimônio líquido e
imobilização de recursos não correntes – não levaremos em consideração o
realizável a longo prazo.
O índice exprime o quanto dos ativos investimentos, imobilizado e intangível
da empresa é financiado pelo seu patrimônio líquido, evidenciando, dessa forma,
a maior ou menor dependência de aporte de recursos de terceiros para
manutenção de seus negócios. A correta administração dos recursos de uma
empresa pressupõe uma adequada relação dos prazos das aplicações dos recursos
com os prazos das origens desses recursos. Assim, convencionou-se dizer que os
ativos investimentos, imobilizado e intangível são financiados pelo patrimônio
líquido ou por financiamentos de longo prazo. Em princípio, o ideal é que as
empresas imobilizem a menor parcela possível de seus recursos próprios. Assim,
não ficarão na dependência de capitais de terceiros para a movimentação normal
de seus negócios. O gestor deve atentar para os casos em que a empresa possui
financiamentos de longo prazo para novos investimentos, como expansão ou
modernização de seu parque fabril. Nesses casos, o índice de imobilização do
capital próprio poderá apresentar-se em níveis muito elevados. A política de
obtenção de fontes de longo prazo, porém, revela a decisão gerencial dos
gestores.
A Estrela Solitária S/A apresenta uma imobilização do capital próprio (IPL)
de 106% em 2009 [$ 21.200 ÷ $ 20.000 × 100], o que indica que a empresa está
imobilizando a totalidade do seu capital, necessitando, ainda, complementar tais
investimentos com recursos de terceiros. Já em 2010, o IPL ficou em 109,6% [$
25.200 ÷ $ 23.000 × 100]; logo, a dependência por capital de terceiros para
complementar esses investimentos aumentou, devendo-se observar se os
financiamentos de longo prazo estão financiando o permanente a um custo
compatível com sua capacidade de gerar lucros.
Diante da situação apresentada, haverá a necessidade de se aplicar mais um
indicador, o grau de imobilização de recursos não correntes, a fim de se verificar
se os recursos de terceiros de longo prazo foram suficientes para complementar
os investimentos efetuados nos ativos investimentos, imobilizado e intangível.

IMOBILIZAÇÃO DE RECURSOS NÃO CORRENTES (IRNC)

(ANC – RLP) ÷ (PL + PNC)

Esse indicador demonstra qual o percentual de recursos não correntes


(passivo não circulante e patrimônio líquido) que foi revertido para aplicação
nos ativos investimentos, imobilizado e intangível. Na prática, esse indicador
tem papel fundamental quando o capital próprio (patrimônio líquido) demonstra-
se insuficiente para cobrir as aplicações de recursos efetuadas em investimentos,
imobilizado e intangível, o que faz com que a empresa necessite captar recursos
de terceiros em longo prazo para financiar tal aplicação.
A Estrela Solitária S/A demonstra um indicador de imobilização de recursos
não correntes (IRNC) de 85,8% em 2009 [$ 21.200 ÷ ($ 20.000 + $ 4.700) ×
100]. Como os recursos próprios não haviam sido suficientes para cobrir os
investimentos efetuados nos ativos investimentos, imobilizado e intangível,
houve a necessidade de recorrer a capital de terceiros de longo prazo para
complementar tais investimentos. Pelo indicador apresentado, podemos concluir
que os recursos de terceiros de longo prazo foram suficientes para complementar
os investimentos efetuados nos ativos investimentos, imobilizado e intangível,
não havendo a necessidade de envolver os recursos de terceiros de curto prazo
no financiamento desse ativo, o que demonstra adequada alocação de recursos.
Em 2010, o índice apresenta-se em 90% [$ 25.200 ÷ ($ 23.000 + $ 5.000) ×
100], retratando a mesma situação identificada em 2009.

PASSIVO ONEROSO SOBRE ATIVO (POSA)

(PCF + PNC) ÷ Ativo total

onde PCF = passivo circulante financeiro.


Esse índice mostra a participação das fontes onerosas de capital no
financiamento dos investimentos totais da empresa, revelando sua dependência
de instituições financeiras. Supõe-se que todo exigível em longo prazo (passivo
não circulante) seja oneroso; caso contrário, deve ser feita a exclusão da parcela
não onerosa. Você deve observar que, quanto maior for esse índice, maiores
serão as despesas financeiras incorridas, impactando o resultado do exercício.
A Estrela Solitária S/A apresentou um passivo oneroso sobre ativo (Posa) de
15,8% em 2009 [($ 3.100 + $ 2.500) ÷ $ 35.500 × 100], o que significa que
15,8% das aplicações efetuadas no ativo estão sendo financiados por recursos
onerosos de terceiros. Em princípio, este não é considerado um índice elevado.
Entretanto, deve-se ponderar o custo financeiro incidente sobre os $ 2.500 de
financiamentos em longo prazo, bem como sua finalidade. Observe que o gestor
deve adotar um padrão como referência para análise. Os padrões são divulgados
periodicamente através dos normativos das instituições financeiras. Em 2010, o
Posa foi de 18,7% [($ 5.400 + $ 2.800) ÷ $ 43.800 × 100], também
representando um índice relativamente baixo.

Índices de liquidez
Os índices de liquidez apontam a capacidade financeira da empresa para
honrar os compromissos para com terceiros, ou seja, a capacidade da empresa
para liquidar suas dívidas. Evidenciam quanto a empresa dispõe de recursos
(capital de giro) em relação às obrigações assumidas no mesmo período. Os
índices de liquidez mais aplicados em análise econômico-financeira são: liquidez
imediata, liquidez corrente, liquidez seca e liquidez geral. Cada um fornece
informações diferentes sobre a situação financeira da empresa. Em geral,
presume-se que quanto maior for a liquidez, melhor será a situação financeira da
empresa. Entretanto, não podemos aplicar isso como regra. Você deve ter em
mente que um alto índice de liquidez não representa, necessariamente, boa saúde
financeira. O cumprimento das obrigações nas datas previstas depende de uma
adequada administração dos prazos de recebimento e de pagamento (índices de
atividade). Assim, uma empresa que possui altos índices de liquidez, mas
mantém mercadorias estocadas por períodos elevados, recebe com atraso suas
vendas a prazo ou mantém duplicatas incobráveis na conta clientes poderá ter
problemas de liquidez, ou seja, poderá ter dificuldades para honrar seus
compromissos nos vencimentos. Discriminaremos, a seguir, no quadro 33, os
indicadores de liquidez.
Quadro 33
ÍNDICES DE LIQUIDEZ

Liquidez imediata
Liquidez corrente
Liquidez seca
Liquidez geral

LIQUIDEZ IMEDIATA (LI)


Disponível
PC

Também conhecido como liquidez instantânea, esse índice mede a capacidade


financeira da empresa para honrar seus compromissos de curto prazo contando
apenas com suas disponibilidades (caixa e bancos). Muller e Antonik (2008:131)
informam que esse índice “mostra a capacidade imediata de cobertura do passivo
circulante com as disponibilidades”. A liquidez imediata apresenta sempre um
índice inferior à unidade, pois não é considerado normal a empresa manter um
saldo de caixa e bancos em nível elevado visando garantir pagamentos que
vencerão no curto prazo. Pode-se concluir, por esse indicador, que, uma vez em
crescimento, a empresa pode estar imobilizando recursos em tesouraria deixando
de gerar recursos no giro dos negócios.
A Estrela Solitária S/A apresentou uma liquidez imediata, em 2009, de 0,06 ($
600 ÷ $ 10.800). Isso equivale a dizer que a empresa poderá dispor de $ 0,06 de
recursos disponíveis (caixa e bancos) para pagar cada $ 1,00 de dívidas de curto
prazo (passivo circulante), sinalizando uma eficiente gestão de fluxo de caixa
pelo fato de manter uma parcela reduzida de recursos em tesouraria para fazer
frente ao seu endividamento circulante. Em 2010, a liquidez imediata da
empresa apresentou-se no mesmo patamar, ou seja, 0,06 ($ 900 ÷ $ 15.800),
indicando a mesma avaliação.
LIQUIDEZ CORRENTE (LC)

AC
PC

A liquidez corrente é um dos índices mais utilizados em análise financeira.


Indica de quanto a empresa poderá dispor em termos de capital de giro (recursos
de curto prazo, como disponibilidades, aplicações financeiras, clientes e
estoques) para pagar suas dívidas circulantes (fornecedores, empréstimos,
provisões sociais, provisões tributárias, dividendos, entre outras). De acordo com
Muller e Antonik (2008:131) “o índice de liquidez corrente mostra a capacidade
de liquidez ou pagamento da empresa”.
A Estrela Solitária S/A apresentou uma liquidez corrente, em 2009, de 1,16 ($
12.500 ÷ $ 10.800), o que significa que a empresa poderá dispor de $ 1,16 de
capital de giro (recursos de curto prazo) para pagar cada $ 1,00 de dívidas de
curto prazo (passivo circulante), revelando-se com capacidade de solvência. Em
2010, a liquidez corrente da empresa apresentou-se em 1,05 ($ 16.600 ÷ $
15.800) indicando que, muito embora tenha ocorrido queda da capacidade de
pagamento, a empresa ainda apresenta capital de giro suficiente para honrar suas
dívidas circulantes.
LIQUIDEZ SECA (LS)

AC – Estoque
PC
Esse índice é uma medida mais rigorosa para avaliação da liquidez da
empresa, tratado por muitos especialistas como “teste do ácido”. Indica de
quanto a empresa poderá dispor em termos de capital de giro, sem levar em
consideração seus estoques, para fazer frente a suas dívidas de curto prazo.
É natural que, ao aplicar esse índice em empresas comerciais ou industriais,
ou até mesmo em empresas de serviço que necessitem de estoque para
desempenhar sua atividade (empresas do ramo hospitalar, por exemplo, que
dependem de materiais médicos e medicamentos para atender os pacientes), o
indicador se apresente abaixo da unidade. Isoladamente, esse índice não diz
muita coisa. Seu maior objetivo é identificar o grau de dependência do estoque
para saldar as dívidas de curto prazo. Significa dizer que um indicador de
liquidez corrente muito elevado pode estar comprometido por um alto grau de
dependência do estoque, que para se realizar depende de mercado. Dessa forma,
conclui-se que nem sempre a liquidez corrente muito elevada retrata uma
situação financeira confortável; a necessidade de se avaliar o estoque, que
representa um dos principais componentes do capital de giro, é relevante, a fim
de não se obter uma visão míope sobre a capacidade de liquidez da empresa.
A Estrela Solitária S/A apresentou, em 2009, uma liquidez seca de 0,79 [($
12.500 – $ 4.000) ÷ $ 10.800], o que demonstra que a empresa apresenta
dependência de seus estoques para saldar suas dívidas de curto prazo.
Paralelamente, conforme comentado, é fundamental verificar o grau de
dependência do estoque para saldar suas obrigações. Com base no indicador
apresentado, o grau de dependência do estoque é de 32% [(1,16 – 0,79) ÷ 1,16],
o que é considerado um fator aceitável, não comprometendo, assim, o fator de
liquidez da empresa. Em 2010, a empresa apresenta uma liquidez seca de 0,68
[($ 16.600 – $ 5.800) ÷ $ 15.800], gerando um grau de dependência do estoque
de 35% [(1,05 – 0,68) ÷ 1,05], acompanhando o patamar apresentado em 2009.

LIQUIDEZ GERAL (LG)

AC + RLP
PC + PNC
onde RLP = realizável a longo prazo.
A liquidez geral, ou índice de solvência geral, é uma medida da capacidade da
empresa para honrar todas as suas obrigações (de curto e longo prazos)
contando, para isso, com seus recursos realizáveis em curto e longo prazos.
A Estrela Solitária S/A apresentou uma liquidez geral de 0,92 [($ 12.500 + $
1.800) ÷ ($ 10.800 + $ 4.700)], ou seja, para cada $ 1,00 de dívidas totais, a
empresa dispõe de $ 0,92 de recursos de curto e longo prazos. Embora o
indicador se apresente abaixo da unidade, isso não representa um fator
preocupante em função de a empresa estar financiando o ativo com boa parcela
de recursos de longo prazo – o que é uma boa política de captação – e pelo fato
de, no gargalo (curto prazo), apresentar folga financeira, revelando-se com
capacidade de solvência. Em 2010, a liquidez geral apresentou-se em 0,89 [($
16.600 + $ 2.000) ÷ ($ 15.800 + $ 5.000)], o que demonstra uma ligeira queda
pelo fato de a empresa ter aumentado ainda mais a captação de recursos de longo
prazo no financiamento do ativo.

Índices de lucratividade e rentabilidade


A partir deste momento, passa-se a utilizar, para a análise aqui realizada, não
somente o balanço patrimonial, mas também a demonstração dos resultados do
exercício. Os índices de lucratividade têm a finalidade de avaliar as margens
auferidas no resultado da empresa, sejam relacionadas ao produto ou à eficiência
do negócio. Já os índices de rentabilidade têm por objetivo avaliar o desempenho
final da empresa. Todos os índices de lucratividade e rentabilidade devem ser
considerados “quanto maior, melhor”. Os principais índices de lucratividade e
rentabilidade utilizados são apresentados no quadro 34.
Quadro 34
ÍNDICES DE LUCRATIVIDADE E RENTABILIDADE

Margem bruta
Margem operacional
Margem líquida
Giro do ativo
Rentabilidade do patrimônio líquido
Rentabilidade dos investimentos

A seguir discriminaremos cada indicador.


MARGEM BRUTA (MB)

Lucro bruto
×100
Receita operacional líquida
A margem bruta representa a lucratividade auferida sobre a mercadoria,
produto ou serviço comercializado pela empresa. Numa análise complementar,
esse indicador revela o percentual remanescente do faturamento líquido após a
dedução do custo das mercadorias ou produtos vendidos ou dos serviços
prestados para cobrir as despesas operacionais e ainda, se possível, gerar lucro.
A Estrela Solitária S/A apresentou, em 2009, uma margem bruta de 75,8% [($
25.000 ÷ $ 33.000) × 100]. Significa dizer que a empresa obteve 75,8% de
lucratividade sobre o produto comercializado, ou seja, há uma sobra de 75,8%
do faturamento líquido para arcar com as despesas operacionais e ainda gerar, se
possível, lucro. Em 2010, apresentou uma margem bruta de 64,8% [($ 29.700 ÷
$ 45.800) × 100], o que demonstra redução da lucratividade auferida sobre o
produto e menor parcela do faturamento líquido para absorção das despesas
operacionais.

MARGEM OPERACIONAL (MO)


Lucro operacional
×100
Receita operacional líquida
A margem operacional avalia o ganho operacional da empresa em relação a
seu faturamento líquido. Esse indicador mensura a eficiência operacional do
negócio, medido exclusivamente em função das suas operações normais
(comerciais, administrativas e financeiras) realizadas para manutenção da
atividade-fim.
A Estrela Solitária S/A apresentou, em 2009, uma margem operacional de
43,6% [($ 14.400 ÷ $ 33.000) × 100], ou seja, a empresa obteve 43,6% de
retorno operacional sobre seu faturamento líquido. Já em 2010, gerou margem
operacional de 36,2% [($ 16.600 ÷ $ 45.800) × 100], o que representa queda de
eficiência no negócio.

Margem líquida (ML)


Lucro líquido
×100
Receita operacional líquida

A exemplo do índice anterior, a margem líquida é uma medida da


lucratividade obtida pela empresa. Entretanto, esse índice demonstra o retorno
líquido da empresa sobre seu faturamento líquido, diferindo da margem
operacional em função de deduzir do lucro operacional o impacto do imposto de
renda e da contribuição social sobre o lucro, além das participações no resultado.
A Estrela Solitária S/A apresentou uma margem líquida de 29,1% em 2009 [($
9.600 ÷ $ 33.000) × 100], ou seja, um retorno sobre o faturamento líquido
equivalente a 29,1%. Em 2010, a margem líquida auferida foi de 24,7% [($
11.300 ÷ $ 45.800) × 100], acompanhando a queda refletida na margem
operacional.

GIRO DO ATIVO (GA)

Vendas líquidas
Ativo total

Esse indicador demonstra se o faturamento líquido gerado no período foi


suficiente para cobrir o investimento total realizado na empresa. Seu maior
objetivo é avaliar quantas vezes a empresa recuperou o montante aplicado no
ativo por meio de vendas durante um determinado período. Gitman (1997:115)
ressalta que “geralmente, quanto maior o giro do ativo total da empresa, mais
eficientemente seus ativos foram usados”. Esse índice é bastante dependente do
setor de atuação da empresa, não sendo possível estabelecer padrões, e sua
análise deve sempre ser combinada com a análise dos indicadores de
lucratividade apresentados anteriormente.
A Estrela Solitária S/A demonstrou, em 2009, um giro do ativo de 0,93 ($
33.000 ÷ $ 35.500). Significa dizer que a empresa vendeu $ 0,93 para cada $
1,00 investido, ou seja, o faturamento líquido não foi suficiente para recuperar os
investimentos totais efetuados. Já em 2010, o giro do ativo é de 1,05 ($ 45.800 ÷
$ 43.800), o que significa que o faturamento líquido gerado durante o período foi
suficiente para cobrir os investimentos efetuados.

RENTABILIDADE DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO (RPL)


Lucro líquido
×100
Patrimônio líquido

A rentabilidade do patrimônio líquido, também conhecida como retorno sobre


o capital próprio, mede a remuneração dos capitais próprios investidos na
empresa, ou seja, quanto foi adicionado ao patrimônio líquido decorrente do
resultado do período. Esse indicador é muito conhecido como return on equity
(ROE) e, embora esta seja uma expressão em inglês, por hábito também é
utilizada no mercado nacional. Do ponto de vista de quem investe em uma
empresa, o RPL ou ROE é considerado o índice mais importante. A rentabilidade
do patrimônio líquido permite, além de avaliar a remuneração do capital próprio,
analisar se esse rendimento é compatível com outras alternativas de aplicação,
como fundos de investimentos, aluguéis e ações de empresas concorrentes. Um
investidor, por exemplo, avaliando a rentabilidade do patrimônio líquido, poderá
optar por uma aplicação no mercado financeiro em vez de aplicar em uma
empresa que está oferecendo baixa rentabilidade. Esse tipo de análise resulta na
avaliação do custo de oportunidade do capital aplicado pelo investidor, pois
avalia a remuneração que se deixa de auferir em função de oportunidade de
investimento descartada.
A Estrela Solitária S/A apresentou, em 2009, uma rentabilidade do patrimônio
líquido de 48% [($ 9.600 ÷ $ 20.000) × 100], o que significa que os acionistas
obtiveram uma remuneração de 48% sobre o capital investido na empresa. Em
2010, a rentabilidade aumentou para 49,1% [($ 11.300 ÷ $ 23.000) × 100]. A
partir do indicador apresentado nos dois exercícios, pode-se proceder à avaliação
do custo de oportunidade do capital comparando-se o retorno gerado sobre o
capital próprio com a rentabilidade do mercado financeiro de renda fixa e
concluir se é vantajoso aplicar recursos nessa empresa.

RENTABILIDADE DOS INVESTIMENTOS (RI)

Lucro líquido
×100
Ativo total
A rentabilidade dos investimentos também é chamada de return on
investments (ROI) ou poder de ganho e reflete o quanto a empresa está obtendo
de retorno em relação aos investimentos totais. Conforme cita Ribeiro
(2009b:171), “este quociente evidencia o potencial de geração de lucros por
parte da empresa”. Por meio desse índice pode-se, também, determinar o
payback do negócio, ou seja, em quanto tempo se recuperam os investimentos
totais efetuados na entidade.
A Estrela Solitária S/A apresentou, em 2009, um retorno sobre os
investimentos de 27% [($ 9.600 ÷ $ 35.500) × 100], ou seja, o lucro líquido do
exercício representa 27% do total investido na empresa. Adicionalmente, pode-
se concluir que a empresa consegue recuperar os investimentos totais efetuados
no ativo (payback) em aproximadamente 3,7 anos (100% ÷ 27%), considerando-
se apenas o resultado gerado em suas operações. Em 2010, o retorno sobre os
investimentos apresentou-se em 25,8% [($ 11.300 ÷ $ 43.800) × 100] com um
payback de 3,9 anos (100% ÷ 25,8%).

Índices de prazos médios


Os indicadores de prazos médios, também conhecidos como índices de
atividade, demonstram a dinâmica de alguns itens relevantes do patrimônio, isto
é, quantos dias eles levam para girar durante o exercício (rotação). Não devem
ser analisados individualmente, mas sempre em conjunto. A análise dos prazos
médios constitui importante instrumento para você conhecer a política de
compra, estocagem e venda adotada pela empresa. A partir dela, é possível
constatar a eficiência com que os recursos estão sendo administrados (estoques,
fornecedores e clientes). De acordo com Gitman (1997:111), “os índices de
atividade podem ser usados para medir a rapidez com que as contas circulantes –
estoques, duplicatas a receber e duplicatas a pagar – são convertidas em caixa”.
Todos os indicadores de prazos médios pressupõem que os valores utilizados
como numerador (estoques, fornecedores e clientes) não sofrem grandes
alterações durante o exercício. Assim, por exemplo, se a conta estoques
apresenta o valor de $ 300,00 no balanço patrimonial, pressupõe-se que a
empresa mantém um estoque médio desse valor durante o exercício.
Os índices de prazos médios comumente utilizados são apresentados no
quadro 35.
Quadro 35
ÍNDICES DE PRAZOS MÉDIOS

Prazo médio de compras


Prazo médio de estoques
Prazo médio de recebimentos
Ciclo operacional
Ciclo financeiro
PRAZO MÉDIO DE COMPRAS (PMC)

Fornecedores
×360
Montante de compras

O prazo médio de compras, também conhecido por prazo médio de


pagamento, exprime quanto tempo a empresa leva para pagar aos fornecedores
suas obrigações decorrentes das compras de matérias-primas ou mercadorias.
Assim, pode-se dizer que o prazo médio de pagamento corresponde ao número
de dias que decorre, em média, entre a compra e o respectivo pagamento. Quanto
mais dilatado for o prazo médio de pagamento, mais satisfatória será a situação
da empresa, pois estará financiando seu giro com recursos não onerosos. Caso o
montante de compras (MC) não seja fornecido, este valor poderá ser
determinado da seguinte forma:

MC = CVM + estoque final – estoque inicial

A Estrela Solitária S/A apresenta um prazo médio de compras de 28 dias [($


4.200 ÷ $ 54.000) × 360], o que quer dizer que a empresa leva, em média, 28
dias para liquidar seus compromissos junto aos fornecedores. Em 2010, a
empresa apresenta um prazo médio de pagamento de 28 dias [($ 5.600 ÷ $
72.000) × 360], equivalente ao do exercício de 2009, mantendo, dessa forma, o
período médio para liquidar suas obrigações para com os fornecedores.

PRAZO MÉDIO DE ESTOQUES (PME)


Estoques
×360
Custo das mercadorias vendidas

O PME exprime quantos dias a empresa leva, em média, para realizar seus
estoques. O estoque se realiza por meio do giro que, por sua vez, ocorre em
função das vendas. Assim, o prazo médio de estoque é o tempo decorrido entre a
compra e a venda das mercadorias. Esse índice torna-se ainda mais relevante
quando comparado a empresas de um mesmo segmento, pois, conforme salienta
Gitman (1997:113), “o giro resultante é significativo somente quando comparado
ao de outras empresas pertencentes à mesma indústria ou ao giro passado dos
estoques da empresa”. Deve-se levar em consideração que, quanto menor for o
período de manutenção dos estoques, maior será o giro e, consequentemente, a
empresa reduzirá seus custos de estocagem e armazenagem.
A Estrela Solitária S/A apresentou um prazo médio de estoques, em 2009, de
120 dias [($ 4.000 ÷ $ 12.000) × 360], ou seja, a empresa mantém a mercadoria
em estoque, em média, por 120 dias desde a compra até a venda, o que, em
geral, representa um período bastante elevado. Em 2010, o prazo médio de
estoques apresenta-se em 130 dias [($ 5.800 ÷ $ 16.100) × 360], aumentando
ainda mais o período de manutenção das mercadorias em estoque, o que
certamente contribui para o aumento do custo de estocagem, relacionado não só
ao custo de armazenagem como também ao custo financeiro.

PRAZO MÉDIO DE RECEBIMENTOS (PMR)

Clientes
×360
Receita operacional líquida

O prazo médio de recebimentos retrata quanto tempo a empresa leva para


receber dos seus clientes, indicando o tempo decorrido entre a venda e o efetivo
ingresso dos recursos. Quanto menor for o prazo de recebimento, melhor para a
empresa, pois tais recursos contribuirão para a redução da necessidade de capital
de giro, podendo resultar até mesmo numa folga de caixa. Esse indicador,
conforme abordado por Gitman (1997:113), “é útil na avaliação das políticas de
crédito e cobrança”. Deve-se ressaltar que, no montante de clientes, deverão
estar contidos os créditos de curto e longo prazos.
A Estrela Solitária S/A apresentou, em 2009, um prazo médio de
recebimentos de 60 dias [($ 5.500 ÷ $ 33.000) × 360]. Logo, a empresa leva, em
média, 60 dias para receber de seus clientes. Em 2010, verifica-se uma melhora
do prazo médio de recebimentos, reduzido para um período de 57 dias [($ 7.200
÷ $ 45.800) × 360].

CICLO OPERACIONAL (CO)


CO = PME + PMR

Indica o período decorrido entre a compra da mercadoria ou matéria-prima e


o recebimento efetivo referente às vendas efetuadas. Graficamente, pode ser
representado pela figura 11, para o exercício de 2010.
Figura 11
CICLO OPERACIONAL

CICLO FINANCEIRO (CF)

CF = CO – PMC
Exprime o período decorrido entre o momento do pagamento aos
fornecedores referente à compra da mercadoria ou matéria-prima e o efetivo
recebimento referente às vendas efetuadas aos clientes. O ciclo financeiro tem
como intuito demonstrar o período em que a empresa necessita, ou não, de
financiamento complementar do seu ciclo operacional, gerando, assim,
necessidade de capital de giro ou folga de caixa.
A figura 12 permite visualizar o ciclo financeiro.
Figura 12
CICLO FINANCEIRO

O ciclo financeiro é gerado pela diferença entre o ciclo operacional (PME +


PMR) e o prazo médio de compras (PMC), e corresponde ao período decorrido
entre o pagamento ao fornecedor e o momento em que a empresa recebe
efetivamente do cliente. Para esse período (ciclo financeiro), a empresa pode
necessitar ou não de financiamento complementar. Caso necessite de
financiamento complementar, este normalmente é suportado por capital próprio
ou por recursos de terceiros onerosos (o que é mais comum). Um dos pontos
fundamentais para uma eficiente gestão financeira concentra-se na administração
dos prazos médios expressos através do ciclo financeiro.
A Estrela Solitária S/A apresentou um CF de 159 dias [PME (130) + PMR
(57) – PMC (28)]. Significa que a empresa paga seus fornecedores 28 dias após
a compra e somente 159 dias após esse pagamento recebe o montante referente
às vendas realizadas para os clientes. Para financiar seus clientes por 57 dias e
arcar com um ciclo financeiro de 159 dias a empresa poderá, então, utilizar-se de
recursos próprios, recorrer a desconto de duplicatas ou a outros empréstimos
para capital de giro.
Como você pôde observar, este capítulo tratou de apresentar os principais
critérios utilizados em análise fundamentalista, apontando os indicadores mais
relevantes para que se possa desenvolver uma análise conclusiva sobre a
capacidade de liquidez, estrutura de capital, alavancagem financeira e
rentabilidade gerada sobre o capital aplicado. Espera-se que, após a leitura e
estudo deste capítulo, você seja capaz de realizar avaliações de solvência,
determinação do risco, lucratividade do negócio, payback e custo de
oportunidade do capital, o que certamente lhe respaldará em decisões de
investimentos, política de captação de recursos e avaliação financeira. É
importante salientar que a análise econômico-financeira de uma entidade por
meio dos indicadores de desempenho apresentados também contribuirá para o
bom desenvolvimento do planejamento orçamentário.
Conclusão

Durante a elaboração do livro, nosso maior objetivo foi evidenciar a função da


contabilidade como ferramenta fundamental para o processo decisório das
organizações. Procuramos demonstrar que tipo de informações o gestor
consegue extrair dos relatórios que compõem as demonstrações contábeis e
como utilizar tais informações para o planejamento, controle e geração de
resultados.
Buscamos, também, apresentar a criação e o desenvolvimento da ciência
contábil ao longo dos séculos, desde a ideia inicial de um simples registro até as
mais recentes atualizações, ocorridas em função das alterações na Lei das
Sociedades por Ações com o advento das Leis no 11.638/2007 e no 11.941/2009.
No Brasil, a partir de 2010, houve um grande avanço da contabilidade em
função do processo de convergência das normas brasileiras às normas
internacionais de contabilidade. Tal fato vem contribuindo de maneira
significativa para que o Brasil passe a adotar a linguagem universal da
contabilidade, utilizando normas semelhantes às aplicadas nas principais
economias do mundo.
Em cada capítulo, procuramos apresentar, de forma detalhada, a estrutura da
contabilidade, as informações geradas nos relatórios que compõem as
demonstrações contábeis, os critérios para elaboração das demonstrações
contábeis e os indicadores de desempenho aplicados para análise econômico-
financeira. Com o intuito de tornar mais clara e eficiente a fixação dos conceitos,
desenvolvemos, no capítulo de encerramento do livro, um exemplo prático de
uma empresa fictícia em que aplicamos os critérios de análise econômico-
financeira para avaliação. Por meio de análise vertical, análise horizontal e
indicadores de desempenho desenvolvemos comentários sobre a situação
econômica, financeira e operacional dessa empresa.
Desejamos finalizar sua leitura retornando ao ponto de partida deste livro, em
nossa introdução, e uma vez mais enfatizar a eficácia da informação contábil no
ambiente empresarial. Todo o processo decisório das empresas depende de uma
consulta aos resultados gerados através da área de contabilidade, que recheia o
sistema de informações das empresas com análises de natureza econômica e
financeira, sejam elas oficiais ou de cunho estritamente gerencial. Citamos
situações desde a aquisição de novos equipamentos para ampliação de atividades
comerciais e industriais, passando por adicionamento de valor para os clientes,
até a aplicação de investimentos em participações societárias objetivando a
diversificação e expansão dos negócios. Demonstramos que a diversidade de
informações extraídas das demonstrações contábeis contribui para o
embasamento técnico suficiente para se proceder à aplicação dos indicadores de
desempenho a fim de se obter a percepção sobre o desempenho das
organizações, bem como sobre a situação econômico-financeira, que respaldam
as projeções orçamentárias e o planejamento estratégico.
A contabilidade tornou-se, assim, a base de informações das organizações e a
maior prestadora de serviços a seus clientes internos e externos. Dessa forma, ao
término da leitura você terá condições de utilizar a ferramenta contábil como
base fundamental para decisões de captação de recursos, concessão de créditos,
financiamento de operações, avaliação das melhores alternativas de
investimentos, entre outras decisões, buscando alavancar as operações de seu
negócio.
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Os autores

André Luis Fernandes Limeira

Mestre em ciências contábeis pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro


(Uerj). Contador pela Faculdade de Ciências Contábeis e Administrativas
Moraes Júnior/Mackenzie. Atuou como auditor da Deloitte Touche Tohmatsu.
Foi professor da Escola Naval e de diversas universidades nos cursos de
administração e ciências contábeis. Coordenador acadêmico dos MBAs em
gestão empresarial e gestão financeira, controladoria e auditoria do FGV
Management. Professor convidado do FGV Management. Coautor dos livros
Contabilidade para executivos e Gestão de custos.

Carlos Alberto dos Santos Silva

Mestre em ciências contábeis pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro


(Uerj), doutor em administração de empresas pela Florida Christian University
(FCU), especialista em administração de empresas pela Faculdade de Economia
São Luiz (SP), onde também graduou-se em economia e contabilidade. Foi
diretor financeiro da Alcatel Telecomunicações do Brasil e executivo financeiro
de Laboratórios Anakol e Letraset Brasil. Coautor dos livros Controladoria
estratégica, Gestão de clínicas e hospitais, Gestão de custos e Contabilidade
para executivos. Professor convidado do FGV Management.

Carlos Vieira
Mestre em ciências contábeis pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro
(Uerj). Especialista em finanças pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro (PUC-Rio). Pós-graduado em ciências contábeis pelo Instituto Superior
de Estudos Sociais Clóvis Bevilácqua e graduado em economia pela
Universidade Gama Filho. Professor convidado do FGV Management. Consultor
de empresas nas áreas de contabilidade e finanças.

Raimundo Nonato Souza Silva

Doutor em engenharia de produção pela Universidade Federal do Rio de


Janeiro (UFRJ) e mestre em ciências contábeis pela Fundação Getulio Vargas
(FGV). Pós-graduado em contabilidade e graduado em ciências contábeis pelas
Faculdades Integradas Colégio Moderno (Unama). Professor do Departamento
de Contabilidade da UFRJ. Coautor dos livros Gestão de custos: contabilidade,
controle e análise, Gestão empresarial com ênfase em custos e Contabilidade
para executivos. Professor convidado do FGV Management.

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