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DFUA- LABORATÓRIO DE ELETRICIDADE E MAGNETISMO- 2022/23

Atividade Experimental 4 — Medição do campo magnético

Objetivos
• Calibrar uma sonda de efeito de Hall com recurso a um solenoide-padrão.
• Verificar qualitativamente a variação do campo magnético ao longo do eixo de uma
bobina.
• Verificar o princípio da sobreposição do campo magnético criado por duas bobinas, na
configuração de Helmholtz, com correntes paralelas e antiparalelas.
• Determinar a variação percentual do campo entre duas bobinas na configuração de
Helmholtz.

Introdução

I. Produção de campos magnéticos a partir de correntes elétricas: o


solenoide padrão
Correntes elétricas e cargas em movimento produzem campos magnéticos. Um solenoide,
do ponto de vista físico, pode considerar-se como um conjunto de anéis idênticos colocados
paralelamente e percorridos pela mesma corrente, 𝐼𝑠 . No caso de um solenoide de raio ℛ e de
comprimento ℓ infinito é fácil calcular, usando a Lei de Ampère, a expressão do campo
magnético no seu interior, 𝐵𝑖𝑛𝑡,𝑠 . Neste caso, o campo magnético tem apenas componente
longitudinal (i.e. paralela ao eixo principal do solenoide), cuja intensidade é dada por
𝑁𝑠
𝐵𝑖𝑛𝑡,𝑠 = 𝜇0 𝐼𝑠 , (1)

sendo 𝑁𝑠 /ℓ o número de espiras por unidade de comprimento do solenoide. A constante 0 é a


permeabilidade magnética do vácuo e tem o valor de 4  10-7 N∙A-2. A expressão anterior pode
considerar-se válida para um solenoide finito, cujo comprimento é muito maior que o raio (ℓ >
> ℛ ). Um enrolamento deste tipo designa-se solenoide-padrão.

II. Medição de campos magnéticos por meio de uma sonda de efeito de


Hall
Na medição de um campo magnético utiliza-se o fenómeno conhecido por Efeito de Hall.
Na presença de um campo magnético, a força magnética que atua na corrente que atravessa o
semicondutor obriga a que os portadores de carga positivos sofram deflexão na sua trajetória,
acumulando-se na face superior do semicondutor (Fig. 1). O excesso de carga positiva na face
superior do semicondutor em relação à face inferior produz uma diferença de potencial entre
elas, designada tensão de Hall, 𝑉𝐻 , à qual está associado um campo elétrico, 𝐸⃗ .

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Uma vez estabelecido este campo elétrico 𝐸⃗ , as cargas em
movimento, ao atravessarem o semicondutor, para além da força
magnética ficam agora sujeitas também a uma força elétrica, 𝐹𝑒 , que
se opõe à força magnética. Uma vez atingido o equilíbrio é possível
saber a relação a tensão de Hall, VH, a corrente de Hall, 𝐼𝐻 , que
Figura 1: Efeito de Hall
percorre o material, e a intensidade do campo magnético, 𝐵. Prova-se
que 𝑉𝐻 é proporcional a 𝐼𝐻 e a 𝐵:
𝑉𝐻 ∝ 𝐼𝐻 𝐵. (2)
A equação (2) diz-nos que para medir campos magnéticos com uma sonda de Hall é
necessário determinar a constante de proporcionalidade entre VH e B, ou seja, a constante
de calibração da sonda de Hall. Para isso recorre-se a um solenoide-padrão onde é conhecido o
valor do campo magnético no seu interior quando percorrido por uma dada corrente IS.

III. Bobinas de Helmholtz


Quando duas bobinas iguais de raio, R, e espessura
d com R >> d, são colocadas coaxialmente uma distância
igual ao seu raio (Fig.2), o campo magnético é
aproximadamente uniforme ao longo do eixo entre as
bobinas quando estas são percorridas por correntes de
igual intensidade e sentido. Esta montagem é conhecida
por configuração de Helmholtz.
Figura 2: Bobines de Helmholtz
A partir da expressão do campo magnético no ligadas em série. As setas indicam o
centro de um anel de corrente (centrado em x = 0), é sentido da corrente em cada bobina.
possível calcular uma expressão para o campo
⃗ (𝑥),
magnético criado pela bobina com N espiras (anéis) num ponto x genérico do seu eixo, 𝐵
2
⃗ (𝑥) = 𝑁 𝜇20𝐼 𝑅2 3/2 𝑥̂ .
𝐵 (3)
2 (𝑅 +𝑥 )

Regressando à configuração de Helmholtz, o campo magnético total criado pelas duas


bobinas é dado pela expressão:
2
𝜇0 𝐼 𝑅 𝜇 𝐼 𝑅2
⃗ 𝐻 (𝑥) = 𝑁
𝐵 2 2 )3/2
0
𝑥̂ + 𝑁 2 (𝑅2 +(𝑥−𝑥 2 )3/2
𝑥̂, (4)
2 (𝑅 +(𝑥−𝑥 1) 2)

em que x1 e x2 são as posições dos centros das duas bobinas. Note que a origem da variável x é
agora o zero da régua do suporte das bobinas de Helmholtz (ver Figuras 2 e 5a)).

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Procedimentos

1. Calibração da sonda de Hall

Realização experimental
1.1. Ligue o interruptor da unidade de controlo da sonda de Hall (C), representada na
Figura 3 (A luz verde deve acender-se). Ligue um voltímetro (V) aos terminais da sonda
de Hall (na unidade de controlo).

1.2. Observe, no voltímetro, a tensão de Hall amplificada. Na ausência de campo


magnético VH deve ser nula. Se tal não acontecer, anule a tensão residual atuando no
potenciómetro colocado na unidade de controlo (Botão vermelho Z). Uma vez ajustado
o botão para anular a tensão residual não pode alterar mais a posição deste até ao
fim da realização de todo o trabalho prático.

Figura 3: Sonda de Hall e unidade de controlo

1.3. Monte o circuito da figura seguinte, utilizando o solenoide padrão. A montagem do


reóstato de 330  como indicado facilita o controle da corrente no solenoide padrão.

Figura 4: Montagem experimental para a calibração da sonda de Hall.

1.4. Registe o valor de 𝑁𝑠 /ℓ para o solenoide padrão que está a usar.

𝑁𝑠 /ℓ ± ∆𝑁𝑠 /ℓ =

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1.5. Coloque a sonda no interior do solenoide, procurando um ponto do eixo do solenoide
que maximize a aproximação de solenoide infinito. Diga em que consiste esta
aproximação e qual o ponto escolhido. Justifique.

1.6. Utilizando o reóstato, faça variar a corrente Is que percorre o solenoide, para assim
gerar vários valores de campo magnético no interior do solenoide (𝐵𝑖𝑛𝑡,𝑠 ). Registe a
tensão VH para os diferentes valores de IS na tabela seguinte. (Nota: no mínimo obtenha
dez valores diferentes de Is).

I s  I s
/_________
VH   VH
/________
Bint,s   Bint,s
/________

Tratamento e análise dos dados


i. Utilizando a equação (1), determine os valores 𝐵𝑖𝑛𝑡,𝑠 correspondentes aos valores
medidos para Is completando a tabela anterior.
ii. Represente graficamente 𝐵𝑖𝑛𝑡,𝑠 vs VH.
iii. As representações gráficas dos resultados deverão mostrar uma proporcionalidade linear
entre as grandezas 𝐵𝑖𝑛𝑡,𝑠 e VH (eq. (2)). Caso esta condição não se verifique, repita a
experiência.
iv. Determine a equação de ajuste (reta de calibração) aos pontos experimentais e o erro
associado aos respetivos parâmetros gráficos.

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2. Medição do campo magnético ao longo do eixo de uma bobina
Realização experimental
2.1. Posicione as duas bobinas na configuração de Helmholtz (ver Fig. 2 e 5 a)). Tenha o
cuidado de as colocar afastadas dos extremos do suporte e mantenha-as fixas nessa
disposição até completar o trabalho prático.

Figura 5: a) Montagem experimental das bobines de Helmholtz; b) Sonda de Hall.

2.2. Registe a posição de cada uma das bobinas (b1 e b2) em relação a uma das
extremidades do suporte, a espessura d e o raio R das bobinas:
𝑥𝑏1 ± ∆𝑥𝑏1 = 𝑥𝑏2 ± ∆𝑥𝑏2=

𝑅𝑏1 ± ∆𝑅𝑏1 = 𝑅𝑏2 ± ∆𝑅𝑏2=

𝑑𝑏1 ± ∆𝑑𝑏1 = 𝑑𝑏2 ± ∆𝑑𝑏2=

2.3. Monte um circuito-série com uma fonte de 15 V, uma das bobinas (b1), um reóstato
e um amperímetro, fazendo substituir o solenoide padrão pela bobina b1 (ver Fig. 4).
Ajuste a corrente elétrica para um valor de 0,50 A, o qual é mantido fixo ao longo da
experiência.
2.4. Introduza a sonda de Hall na abertura feita paralelamente ao eixo das bobinas, e
posicionando o terminal S (sonda de Hall) da sonda na posição zero da régua do
suporte das bobinas de Helmholtz (x = 0 na Figura 5 a)).
2.5. Meça a tensão de Hall, VH, posicionando a sonda de Hall em 4 pontos distintos ao
longo do eixo da bobina, começando no centro da bobine extremidade b1 (𝑥 = 𝑥1 na
Figura 2), 𝑥 = 𝑥1 + 𝑑/2, 𝑥 = 𝑥1 + 𝑅/2 e 𝑥 = 𝑥2 − 𝑑/2. Tenha o cuidado de não
bater com o terminal S na parede do suporte. Registe cada par de valores (posição x,
tensão de Hall, VH) na tabela seguinte:

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x  x
/________
VH  VH
b1
/_________
B1   B1
/_________
x  x
/________
VH  VH
b2 /_________
B2   B2

/_________

2.6. Desligue os terminais de b1 e ligue os terminais de b2. Ajuste a corrente para o mesmo
valor que no ponto 2.3 e repita os pontos 2.4 e 2.5, medindo e registando (na tabela
anterior) o valor da tensão de Hall para os mesmos valores de coordenada x.
2.7. Desligue a fonte.

Tratamento e análise dos dados


i. Utilizando a equação de ajuste determinada na calibração da sonda de Hall, determine o
valor do campo magnético correspondente a cada um dos valores de VH medidos
anteriormente, e complete a tabela anterior para cada uma das situações:
a. b1 com corrente/ b2 sem corrente
b. b1 sem corrente / b2 com corrente
ii. Discuta para uma das bobinas, se o campo magnético medido ao longo do eixo satisfaz a
equação 4, quando apenas uma bobina está ligada.

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3. Verificação do princípio da sobreposição para o campo magnético

Realização experimental
3.1.Ligue as duas bobinas em série, certificando-se de que a corrente percorre as duas
bobinas no mesmo sentido, como na Figura 2.

3.2.Ajuste a corrente elétrica, I, para o valor usado em 2.3 da secção anterior.

3.3.Meça a tensão de Hall para os mesmos valores de coordenada x, da secção anterior.


Registe os valores medidos na tabela seguinte.

x  x
/________
VH VH
b1 + b2
/_________
B  B
/_________

3.4.Mude a polaridade na ligação de uma das bobines, e registe o valor da tensão de Hall
medida quando posiciona a sonda à meia distância entre elas, 𝑥 = 𝑥1 + 𝑅/2.

𝑉𝐻 ± ∆𝑉𝐻 =

Tratamento e análise dos dados


i. Utilizando a equação de ajuste determinada na calibração da sonda de Hall, determine o
valor do campo magnético correspondente a cada um dos valores de VH medidos e
complete a tabela anterior.

ii. Adicione os valores dos campos magnéticos obtidos anteriormente para cada uma das
bobinas [B1(x) + B2(x)]. Compare esta soma com os valores obtidos no ponto anterior.
Conclua, se a sua experiência verifica o Princípio da Sobreposição do campo magnético.

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iii. Discuta o significado da medição feita em 3.4.

iv. Discuta quais os fatores que poderão explicar as diferenças entre as observações e os
resultados esperados nos dois pontos anteriores.

v. Determine a variação percentual registada no campo magnético entre os pontos 𝑥 = 𝑥1 +


𝑑/2 e 𝑥 = 𝑥1 + 𝑅/2. Discuta a afirmação acima referida:

“(…) o campo magnético é aproximadamente uniforme ao longo do eixo entre as bobinas


quando estas são percorridas por correntes de igual intensidade e sentido .”

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