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MODELOS DE PETIÇÕES TRIBUTÁRIAS - Anulatória de Auto de Infração

 
Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito da  __ Vara Federal da Seção Judiciária do ________ –
Circunscrição de ___________
 
 
                                               DM, pessoa jurídica de direito privado com sede matriz em _______/___ na
Av. ___________, no. ___, inscrita no CNPJ sob o n.º _______/____-___ e filial em ___________/__ na Rua
_____, no. ____, inscrita no CNPJ sob o n.º ___________/____-__, vem, mui respeitosamente, à presença de
Vossa Excelência, por intermédio de advogados (ut instrumento de procuração em Anexo 1/2), com escritório
profissional em _______/__ na Rua ________, n. ___ – Bairro _____, CEP _______-___, onde recebem
intimações e notificações, interpor
 
Declaratória c/c Anulatória de Débito Fiscal
 
contra a União Federal,  pessoa jurídica de direito público, o que faz com base nos fundamentos de fato e de
direito que passa a expor.

I - PRELIMINARMENTE

 
 
                                               A presente demanda pretende anular crédito tributário constituído através de
auto de infração de n.º 13xxx.xxxxxx/xx-65, instaurado contra a ora autora em 12 de abril de 1999
relativamente ao PIS no período de janeiro/93 a dezembro/97 (Anexo 6).
 
                                               Esta possibilidade através da presente ação está prevista na Lei de Execuções
Fiscais, através do artigo 38:
 
   “Art. 38. A discussão judicial da dívida ativa da Fazenda Pública só é admissível em
execução, na forma desta lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de
repetição de indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do
depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e
multa de mora e demais encargos.”
 
                                               Pela sistemática da legislação, porém, o procedimento de depósito a que se
refere a parte final do dispositivo NÃO se reveste de procedimento obrigatório, sendo mera opção do
contribuinte dele se beneficiar ou não. Explica-se.
 
                                               O Código Tributário Nacional - datado de 25 de outubro de 1966  - prescreveu,
por meio do inciso II do artigo 151, que o depósito do montante integral do crédito tributário suspende sua
exigibilidade.        
 
                                                Respeitando esta regra tributária, a Lei de Execuções Fiscais - datada de 22
de setembro de 1980 - determinou a exigibilidade do depósito preparatório em sede de ação anulatória, o que
impediria o ajuizamento da execução. 
 
                                               Observa-se, assim, que o depósito prévio é medida impeditiva de ajuizamento
de execução fiscal da dívida cuja anulação se postula. Jamais a LEF pretendeu obstar a interferência judicial em
débitos fiscais/tributários, de modo que é irrelevante tal depósito meramente para fins de interposição da ação
mencionada. 
 
                                               Observe-se que o Superior Tribunal de Justiça, referindo-se à ação anulatória
prevista no dispositivo legal supra, já decidiu que “com o trânsito em julgado da decisão que beneficiou o
contribuinte, tem este o direito de levantar integralmente os depósitos efetuados para suspender a exigibilidade
do crédito tributário” (in RSTJ 84/114 - os grifos são nossos).
 
                                               Como se vê, o depósito prévio funciona como elemento suspensivo da
exigência do crédito tributário, e não como condição da ação.
 
                                                Este, inclusive, é o entendimento sumulado do extinto TFR, não importando
assim a inexistência de depósito em qualquer desobediência legal:
 
     “Súmula 247. Não constitui pressuposto da ação anulatória do débito fiscal o depósito de
que cuida o art. 38 da Lei 6.830, de 1980.”
 
                                               Assim, a presente ação merece ser conhecida e posta à análise deste MM.
Juízo, posto que o depósito prévio traduz-se em faculdade do autor da medida, como impeditivo de
procedimento executório, cuja não observância não pode prejudicar o livre acesso ao Poder Judiciário:
 
      “O depósito prévio não é condição essencial à admissibilidade da ação anulatória de
débito fiscal e sim providência que inibe a Fazenda Pública de promover a cobrança do
crédito tributário, enquanto não decidida.”
      (TFR-4ª Turma, Ag 55.980-RJ, rel. Min. Armando Rollemberg, j. 4.5.88, v.u., DJU
25.4.89, p. 6.056, 2ª col. em.)
 
                                               Ademais, a Constituição Federal contém regra explícita no sentido de que:
 
   “Art. 146. Cabe à lei complementar:
    ...
    III – estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre:
    ...
    b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários;”
 
                                               Ora, Excelência, o que a Lei de Execuções Fiscais – Lei Ordinária de n.º
6.830/80 – está fazendo é restringir o dispositivo contido no artigo 151, II do CTN. Ora! Esse artigo trata das
circunstâncias que extinguem o crédito tributário. E este inciso, mais especificamente, trata da suspensão
através do depósito do montante integral.
                                                 
                                               Como se vê, então, além de tal situação ser de competência PRIVATIVA da Lei
Complementar (o que a Lei de Execuções Fiscais n.º 6.830/80 não é), ela já está devidamente tratada pelo
Código Tributário Nacional, que foi recepcionado como lei complementar pela CF/88.
 
                                               Ou seja, a Lei de Execuções Fiscais não poderia nem ter restringido o livre
acesso ao Poder Judiciário nem ter disposto sobre o crédito tributário. Assim, a única interpretação válida
quanto à  parte final de seu art. 38 é que a exigência do depósito na ação anulatória diz respeito meramente ao
art. 151 II do CTN (suspensão da exigibilidade do crédito), e não a condição da ação.     
 
 
II - DOS FATOS
 
 
                                               Em meados de setembro de 1998, a autora foi intimada pelo Fisco Federal a
apresentar documentos e livros fisco-contábeis relativos aos exercícios de 1993 a 1997. Na ocasião, referida
documentação encontrava-se em poder do Fisco do Estado do ______.
 
                                               Assim, por óbvio a empresa deixou de atender à notificação, comunicando o
fato à autoridade competente e requerendo dilação de prazo pra esta apresentação.
 
                                               Não obstante a empresa tivesse informado à Fazenda Nacional que os
documentos estavam em posse do Estado do _____, a autoridade administrativa federal deixou de solicitá-los a
quem efetivamente estava em sua posse. Requereu ao mesmo Fisco ____, porém, cópia APENAS das GIA’s-
ICMS apresentadas pela empresa em tal período, as         quais foram devidamente fornecidas (Anexos 3/4).

                                               Na seqüência, em 12/04/99 foi lavrado Termo de Verificação Fiscal em


face da empresa (Anexo 5). Neste, os senhores fiscais fizeram o seguinte: do valor da Base de
Cálculo Contábil informado nas GIA’s, deduziram a receita informada pela empresa. Sobre esta
diferença, aplicaram percentual a título de ‘arbitramento de lucro’ e, do resultado obtido, exigiram
IRPJ, CSLL, IR-fonte, Cofins e PIS, respectivamente através dos autos de infração n.º
13xxx.xxxxx/xx-30, 13xxx.xxxxxx/xx-01 (Cofins) e 13xxx.xxxxxx/xx-65 (PIS – Anexo 6).

 
                                               Este último auto, relativo ao PIS, exigiu a título desta Contribuição o valor de
R$ 163.099,70, mais R$ 122.324,82 relativos a multa e R$ 102.774,46 a título de juros, somando R$
388.198,98 de exigência fiscal, nos termos dos demonstrativos de apuração em Anexo 7.                       
 
                                               Contra esta exigência, a empresa apresentou defesa administrativa em 18 de
maio de 1999 (Anexo 8). E, considerando os argumentos expostos nesta reclamação, o Delegado da Receita
Federal de _______ manifestou-se pela necessidade de privilegiar a VERDADE MATERIAL (a qual, aliás,
constitui um dos princípios do processo administrativo). Neste sentido, propôs a realização de diligência para
“averiguar a consistência dos argumentos da contribuinte quanto a possível equívoco na determinação dos
valores mensais da receita bruta da empresa (bases da contribuição) que foram extraídas das GIA’s-ICMS”. E,
assim, em setembro de 1999 a empresa foi novamente intimada a apresentar os livros e notas fiscais relativos
ao período de 1993 a 1997 (documentos em Anexo 9).        
 
                                               Como referidos documentos já haviam sido devolvidos pelo Fisco Estadual
naquela data, a empresa pôde finalmente atender à intimação (Anexo 10). Desta forma, comprovou que não
houvera apresentado tais documentos em ocasiões anteriores por mera impossibilidade física, uma vez que não
estavam em seu poder.                          
 
                                               Com esta apresentação, então, a empresa derrubou os argumentos do
Fisco quanto ao arbitramento do lucro. Desta forma, em decisão de primeira instância, o lançamento foi
julgado procedente em parte, onde readequou-se o valor da base de cálculo e excluiu-se a exigência quanto a
este arbitramento de lucro.
 
                                               E, ainda, o prolator da Decisão n.º 1xx/200x (Anexo 11) elaborou planilha
demonstrativa dos valores englobados no AI 13xxxxxxxxx/xx-65 - PIS, apontando inclusive valores que haviam
sido recolhidos A MAIOR pela autuada. Quanto a este aspecto, a decisão determinou o abatimento de tal
montante quando da mensuração dos valores a serem exigidos:
 
   “FUNDAMENTAÇÃO
    ...
    -as importâncias constantes das colunas ‘valores não recolhidos’, que estão entre
parênteses, representam recolhimentos a maior da contribuinte. Caberá ao órgão de origem
alocar ou imputar tais pagamentos nos débitos em aberto do presente processo...

    CONCLUSÃO

    Diante do exposto, e considerando que o processo se reveste das formalidades legais,
DECIDO, no uso da competência prevista no artigo 211, inciso II, do Regimento Interno da
Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF 227, de  03 de setembro de 1998,
julgar PROCEDENTE em parte o auto de infração da Contribuição para Programa de
Integração Social PIS-Faturamento, relativo a períodos de  apuração compreendidos entre
janeiro de 1993 e dezembro de 1997, lavrado contra a empresa DM,CNPJ xx.xxx.xxx/xxxx-
xx.
 
 
    Determino a exoneração de 7.195,49 UFIR (correspondente a R$ 6.553,65) e R$
149.871,97 da contribuição lançada, e que se prossiga na cobrança do crédito tributário
remanescente, inclusive multa de ofício e de juros de mora, atualizados até a data de seu
pagamento do seu pagamento, nos termos da legislação em vigor.
    Caberá à DRF xxxxx imputar ou alocar nos débitos em aberto deste processo os valores
recolhidos a maior pelo contribuinte, conforme exposto ao final do tópico ‘fundamentação’.”
 
                                               Neste sentido, o valor inicial da exigência quanto à Contribuição para o PIS, de
R$ 163.099,79 (Anexo 6 – campo 5.) foi reduzido para R$ 6.806,04 (Anexo 12 – DARF)
 
                                               E, tendo em vista a apresentação da documentação fiscal da empresa (que
ensejou a improcedência do arbitramento dos lucros), bem como a readequação da BC, a procedência
apenas parcial do lançamento se deu não apenas quanto à Contribuição para o PIS, mas também quanto ao
Cofins, IRPJ, IR-fonte e CSLL.
 
                                               A empresa foi intimada desta decisão de 1ª Instância em 14/03/2000, contra a
qual caberia a interposição de recurso ao Conselho de Contribuintes. Todavia, como já é de conhecimento de
Vossa Excelência, esta interposição está condicionada ao depósito de 30% do montante exigido.
 
                                               Assim, não tendo a empresa condições de  arcar com o mesmo, deixou de
exercer seu direito ao duplo grau de jurisdição administrativa. Desta forma, recebeu o DARF para pagamento
do débito fiscal relativo ao PIS (Anexo 12), no valor total de R$ 18.674,60 (aí incluídos multa e juros).
 

                                               O que ocorre é que esta cobrança deixou de considerar parte da Decisão
DRF/xxx n.º 1xx/200x, que determinou a alocação dos valores pagos a maior pelo contribuinte  -  e
que, acaso feita, zeraria o valor a ser pago pelo contribuinte quanto ao PIS entre jan/93-dez/97.

 
                                               Desta forma, a presente ação anulatória pretende ver reconhecido este direito
– ao abatimento dos valores pagos a maior pela empresa, nos termos da própria decisão recorrida, o que
acabará por anular o valor exigido pelo Fisco através de DARF.
 
                                               E, ainda, a exigência fiscal conteve erros tanto na aplicação da multa quanto
dos juros de mora incidentes quanto à contribuição para o PIS, de forma a desrespeitar tanto a Constituição
Federal como o Código Tributário Nacional.
 
                                               São, assim, estes os fatos que instruem a presente ação.

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