Revista Baiana de Saúde Pública

REVISTA BAIANA DE SAÚDE PÚBLICA Órgão Oficial da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia
EXPEDIENTE

Jacques Wagner – Governador do Estado da Bahia Jorge José Santos Pereira Solla – Secretário da Saúde Isabela Cardoso de Matos Pinto – Superintendente da SUPERH Gesilda Meira Lessa – Diretora da Escola Estadual de Saúde Pública
ENDEREÇO

Rua Conselheiro Pedro Luiz, 171 - Rio Vermelho Caixa Postal 631 CEP 41950-610 Salvador - Bahia - Brasil Tels: 71 3116-5313 Fax: 71 3334-1888 e-mail: saude.revista@saude.ba.gov.br Disponível no site: www.saude.ba.gov.br/rbsp/ Lorene Louise Silva Pinto - SESAB / UFBA Álvaro Cruz - UFBA Carmen Fontes Teixeira - UFBA Joana Oliveira Molesini - SESAB/ UCSal José Carlos Barboza Filho - SESAB/ UCSal Luis Eugênio Portela Fernandes de Souza - UFBA Marco Antonio Vasconcelos Rêgo - UFBA Ana Maria Fernandes Pitta – USP Cristina Maria Meira de Melo – UFBA Eliane Elisa de Souza Azevêdo – UEFS-BA Eliane Santos Souza – UFBA Emanuel Sávio Cavalcanti Sarinho – UFPE Fernando Martins Carvalho – UFBA Heraldo Peixoto da Silva – UFBA Jacy Amaral Freire de Andrade – UFBA Jaime Breilh – CEAS – EQUADOR Jiuseppe Benitivoglio Greco – EBMSP – BA José Tavares - Neto – UFBA Luis Roberto Santos Moraes – UFBA Maria do Carmo Soares Freitas – UFBA Maria do Carmo Guimarães – UFBA Maria Conceição Oliveira Costa – UEFS Maria Isabel Pereira Viana – UFBA Marina Peduzzi – UNICAMP-SP Mitermayer Galvão dos Reis – FIOCRUZ-BA/ UFBA Paulo Augusto Moreira Camargos – UFMG Paulo Gilvane Lopes Pena – UFBA Rafael Stelmach – HC – SP Raimundo Paraná – UFBA Reinaldo Pessôa Martinelli – UFBA Ricardo Carlos Cordeiro – UNESP Ronaldo Ribeiro Jacobina – UFBA Rosa Garcia – UFBA Sérgio Koifman – ENSP/FIOCRUZ Vera Lúcia Almeida Formigli – UFBA Lucitânia Rocha de Aleluia Ivone Silva Figueredo Pamdesign Maria José Bacelar Guimarães Maria José Bacelar Guimarães Lucitânia Rocha de Aleluia Flávio Andrade Gráfica Falcão Periodicidade - Quadrimestral Tiragem - 1.500 exemplares Distribuição gratuita

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CONSELHO EDITORIAL

SECRETÁRIA EXECUTIVA BIBLIOTECÁRIA PROJETO GRÁFICO REVISÃO E NORMALIZAÇÃO DE ORIGINAIS REVISÃO DE PROVAS REVISÃO TÉCNICA EDITORAÇÃO IMPRESSÃO

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ISSN: 0100-0233

Governo do Estado da Bahia Secretaria da Saúde do Estado da Bahia

INDEXAÇÃO Periódica: Índice de Revistas Latinoamericanas en Ciências (México) Sumário Actual de Revista, Madrid LILACS - SP - Literatura Latinoamericana en Ciências de La Salud - Salud Pública, São Paulo

Capa: detalhe do portal da antiga Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Solar do Séc. XVIII). Fotos: Paulo Carvalho e Rodrigo Andrade (detalhes do portal e azulejos).
Revista Baiana de Saúde Pública é associada à Associação Brasileira de Editores Científicos

R454

Revista Baiana de Saúde Pública / Secretaria da Saúde do Estado da Bahia. - v.32, n.2, maio/ago., 2008 Salvador: Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, 2008 Semestral. ISSN 0100-0233 1. Saúde Pública - Bahia - Periódico. I. Título. CDU 614 (813.8) (05)

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Revista Baiana de Saúde Pública

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EDITORIAL ........................................................................................................................................................................ 149 ARTIGOS ORIGINAIS

AVALIAÇÃO DO ACESSO AOS CRIADOUROS DO AEDES AEGYPTI POR AGENTES DE SAÚDE DO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO ........................................ 151 Eduardo Dias Wermelinger, Simone Cynamon Cohen, Cláudia Thaumaturgo, Adriano Anselmo da Silva, Francisco Assis França Ramos, Marcos Barbosa Souza, Marcello Barboza de Souza SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DO DENGUE EM SALVADOR (BA), 2000-2005 ...................................... 159 Adriana Souza Sampaio EFICÁCIA DE UM PROGRAMA DE DANÇA PARA PREVENIR QUEDAS ENTRE IDOSOS ........................... 168 Norberto Pena, João Lima Barbosa, Joana Carneiro Lima Fraga, Márcia Mattar, Carla Leite SABERES E PRÁTICAS DE PROSTITUTAS ACERCA DOS MÉTODOS CONTRACEPTIVOS ........................... 177 Raimunda Magalhães da Silva, Maria Alix Leite Araújo, Cristina Medeiros Pessoa, Manuela Pontes de Moraes INADEQUAÇÃO NO CONSUMO ALIMENTAR E FATORES INTERFERENTES NA INGESTÃO ENERGÉTICA DE IDOSOS MATRICULADOS NO PROGRAMA MUNICIPAL DA TERCEIRA IDADE DE VIÇOSA (MG) ..................................................................................................... 190 Wilson César de Abreu, Sylvia do Carmo Castro Franceschini, Adelson Luiz Araújo Tinoco, Conceição Angelina dos Santos Pereira, Margarida Maria Santana Silva AVALIAÇÃO DA QUALIDADE MICROBIOLÓGICA E HIGIÊNICO-SANITÁRIA DA ÁGUA DE COCO COMERCIALIZADA EM CARRINHOS AMBULANTES NOS LOGRADOUROS DO MUNICÍPIO DE TEIXEIRA DE FREITAS (BA) ............................................................................................... 203 Danielle Barros Silva Fortuna, Jorge Luiz Fortuna AVALIAÇÃO DA QUALIDADE SANITÁRIA DOS RÓTULOS DE ALIMENTOS EMBALADOS DE ORIGEM ANIMAL ........................................................................................................... 218 Augusto Amorim Bastos, Maria Helena Belinello, Tatiana Carla C. Saraiva, Ana Cristina Souto QUALIDADE DE VIDA: UM INSTRUMENTO PARA PROMOÇÃO DE SAÚDE ........................................... 232 Maryane Oliveira Campos, João Felício Rodrigues Neto ANÁLISE DO ABSENTEÍSMO CIRÚRGICO EM HOSPITAL PÚBLICO ......................................................... 241 Vagner Oliveira Bomfim, Juliana Bomfim de Carvalho Ferreira EVOLUÇÃO DA ASSISTÊNCIA EM SAÚDE BUCAL NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA DO MUNICÍPIO DO RECIFE (PE) NO PERÍODO DE 2001 A 2007 .................................................................. 253 Fernando Castim Pimentel, Petrônio José de Lima Martelli, José Luiz do Amaral Correa de Araújo Junior, Ângela Siqueira Lima, Vanessa Gabriele Diniz Santana, Cícera Lissandra Sá Vieira Macedo COMPONENTE LABORATORIAL DA VIGILÂNCIA DA SAÚDE NA BAHIA ............................................... 265 Leila Ramos, Edna Pagliarini UTILIDADE DO PPD EM VACINADOS COM BCG: ANÁLISE DE 3.227 CONTACTANTES INFANTIS DE TUBERCULOSE PULMONAR ........................................................................................................................ 273 Leonardo Vejar, José Ângelo Rizzo, Almerinda Silva, Débora Schorr, Décio Medeiros, Emanuel Sarinho CONSTRUÇÃO DE UM ÍNDICE DE MORBIDADE PARA PROFESSORAS DA EDUCAÇÃO BÁSICA ......... 282 Lauro Antonio Porto, Nelson Fernandes de Oliveira, Fernando Martins Carvalho, Tânia Maria de Araújo
ENSAIO

ATENÇÃO PRIMÁRIA E O DIREITO À SAÚDE: ALGUMAS REFLEXÕES ..................................................... 297 Marluce Maria Araújo Assis, Augusto Araújo Assis, Erenilde Marques de Cerqueira

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A RBSP é divulgada no portal de periódicos do Sistema Único de Saúde (SUS). É bem verdade que falta muito. interdisciplinar.Revista Baiana de Saúde Pública E D I T O R I A L Dentre os ganhos obtidos pela Revista Baiana de Saúde Pública (RBSP) nos últimos anos destaca-se sua classificação como periódico Qualis. enfermagem. o primeiro passo será a publicação trimestral. caminho para a indexação na base Medline (importante base de dados internacional para revistas de medicina e área de saúde) e Scielo (importante base Latino-americana). Para tanto. Nos últimos anos. especificamente junto aos programas de pós-graduação. Neste número a RBSP está fortalecida pela diversidade dos temas de seus artigos e por sua procedência de tantas outras regiões do território brasileiro. de seus programas de pós-graduação. pelo Ministério da Saúde. de grande reconhecimento pela divulgação da produção intelectual e científica dos meios acadêmicos. Questões de natureza epidemiológica. Aumentar a freqüência de nossas publicações requer mais participação de nossas Universidades. mas estamos a caminho. concedido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e concebido como sistema de avaliação da divulgação da produção intelectual dos docentes e discentes dos programas de pós-graduação. Ao instituir este processo de classificação. relacionadas à vigilância à saúde. medicina I. Avaliação da Qualidade 149 . possibilitando que a única revista de saúde pública do nordeste indexada na base Lilacs possa vir a ser classificada num futuro breve como periódico Qualis A internacional. o que esperamos ocorrer no ano de 2009. a Capes quer oferecer importante fonte de informação para as diferentes áreas do conhecimento. a cada número somam-se mais artigos científicos dos diversos estados do Brasil. medicina II e saúde coletiva. requer maior participação dos serviços de saúde. transformando em artigos o resultado do processo de trabalho. com suas experiências exitosas nas áreas da vigilância à saúde. junto aos meios acadêmicos. são tratadas nos artigos intitulados: Avaliação do Acesso aos Criadouros do Aedes Aegyti por Agentes de Saúde do Programa de Saúde da Família do Município do Rio de Janeiro. mas é o caminho para uma classificação como periódico Qualis A Internacional. e indexada na base Lilacs (Bireme). temos superado a marca de ser apenas uma revista regional. Não é o ideal para os meios acadêmicos. Situação Epidemiológica do Dengue em Salvador (BA) 2000-2005. Inadequação no Consumo Alimentar e Fatores Interferentes na Ingestão Energética de Idosos Matriculados no Programa Municipal da Terceira Idade de Viçosa (MG). A RBSP também está classificada pela Capes como periódico Qualis B nacional nas áreas de avaliação. sendo uma revista da Secretaria de Saúde do Estado. Da mesma forma. Os periódicos classificados neste sistema gozam. Isto nos faz convidar nossas Universidades e seus programas de pós-graduação para encaminhar-nos as publicações de suas pesquisas. da gestão e do cuidado.

e no ensaio Atenção Primária e o Direito à Saúde. Debate ainda a prevenção de quedas entre idosos no artigo Eficácia de um Programa de Dança para Prevenir Quedas entre Idosos e métodos contraceptivos no texto Saberes e Práticas de Prostitutas Acerca dos Métodos Contraceptivos.Microbiológica e Higiênico-sanitária da Água de Coco Comercializada em Carrinhos Ambulantes nos Logradouros do Município de Teixeira de Freitas (BA). Qualidade de Vida: um Instrumento para Promoção de Saúde. Traz ainda matérias que têm como título: Componente Laboratorial da Vigilância da Saúde na Bahia.227 Contactantes Infantis de Tuberculose Pulmonar. Discute questões de promoção da saúde nos artigos: Evolução da Assistência em Saúde Bucal na Estratégia de Saúde da Família do Município de Recife (PE) no Período de 2001 a 2007. Análise do Absenteísmo Cirúrgico em Hospital Público e Construção de um Índice de Morbidade para Professoras da Educação Básica. Avaliação da Qualidade Sanitária dos Rótulos de Alimentos Embalados de Origem Animal. José Carlos Barboza Filho Editor Associado 150 . Utilidade do PPD em Vacinados com BCG: Análise de 3.

4%. Aedes aegypti.5% não são visitados na maioria das tentativas e 27% nunca são visitados (domicílios fechados ou moradores nunca encontrados). Centro Universitário Plínio Leite (UNIPLI). eduardo. A pendência foi de 33. Lab Vetores.3%. Criadouros.32. e Centro Municipal de Saúde Lincoln de Freitas Filho. Santa Cruz. n. edw@ensp. às lajes e caixas d’água. Nova Iguaçu. Dos domicílios visitados 40% apresentaram alguma restrição de acesso para verificar a existência de criadouros. 49. em geral.wermelinger@gmail. Foram percorridos 133 domicílios na companhia dos ACS. sugerindo que os ACS podem ajudar na redução das pendências. p.br. Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca. Centro de Controle Vetores (CCV).fiocruz.8% dos domicílios são visitados na maioria das tentativas. nas lajes. Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca. Palavras-chave: Acesso. Departamento de Ciências Biológicas.com b Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental.6% desses domicílios sempre são visitados.151-158 maio/ago.2. podendo comprometer a eficácia do PSF no controle do Aedes aegypti. caixas d’água e entulhos domésticos impedem que os ACS identifiquem parte dos criadouros. PSF . Concluiu-se que as restrições de acesso encontradas nas pendências. 7. 15. c d v. Sem a companhia dos ACS. 2008 151 . a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Na rotina dos ACS. observando a pendência e as demais dificuldades de acesso.Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL AVALIAÇÃO DO ACESSO AOS CRIADOUROS DO AEDES AEGYPTI POR AGENTES DE SAÚDE DO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO Eduardo Dias Wermelingera Simone Cynamon Cohenb Cláudia Thaumaturgob Adriano Anselmo da Silvac Francisco Assis França Ramosd Marcos Barbosa Souzaa Marcello Barboza de Souzae Resumo Neste estudo foi investigada a capacidade do Agente Comunitário de Saúde (ACS) do Programa Saúde da Família (PSF) de verificar a existência de criadouros do Aedes aegypti no município do Rio de Janeiro. a pendência foi de 45. Em aproximadamente 50% há algum tipo de entulho domiciliar que dificulta a vistoria de criadouros.

Nos debates e declarações ocorridos durante o recente surto de dengue no Rio de Janeiro.ACCESS EVALUATION TO THE AEDES AEGYPTI BREEDING SITES BY COMMUNITY HEALTH AGENTS IN RIO DE JANEIRO CITY´S FAMILY HEALTH PROGRAM Abstract The accessibility to Aedes aegypti breeding sites in the urban environment was investigated in a community attended by the family health program (Programa Saúde da Família. in roof terraces. A total of 133 houses in the company of the CHA were visited. some stored material not protected from water rain was found which made inspection for possible vector breeding site difficult. In approximately 50% of houses. possibly compromising the effectiveness of PSF on vector control in the area. in general. In the CHA routine. A realização dessas vistorias é preconizada no PNCD1 e fundamental para alcançar as metas estabelecidas. Pending cases amounted to 33. 49. depende das vistorias nas edificações para identificar os locais propícios para acumular água e servir de criadouros das larvas do vetor Aedes aegypti (Diptera. PSF) community agents (CHA) in the city of Rio de Janeiro.4%in the absence of the CHA.3 %.6% of houses are always visited. Key words: Accessibility. 7. Among houses visited by CHA.8% are visited in great part of the attempts. 15. a atuação do Programa Saúde da Família (PSF) tem sido reivindicada como uma ferramenta no combate e prevenção da dengue. observing pending (not visited) and other accessibility cases. in water tanks and in domestic stored materials inhibit CHA from locating part of breeding sites. Culicidae). Breeding sites. INTRODUÇÃO Os números de casos de dengue no Brasil têm mostrado a necessidade de rever as estratégias de combate ao vetor. 40% presented some access restriction for inspection of breeding sites. As dificuldades de acesso aos focos do vetor nas edificações comprometem a identificação dos 152 . roof terraces and water tanks. Pending cases amounted to 45. Estudos sugerem que as equipes do PSF auxiliam no ganho de conhecimento e diminuição de recipientes nas comunidades. A participação das equipes do PSF no combate ao vetor já é defendida no Programa Nacional de Controle da Dengue (PNDC).5% are not visited in great part of the attempts and 27% are never visited (either closed or residents never found). Access restrictions in pending cases.2 A eficiência no controle da dengue depende da redução dos focos do vetor que. por sua vez.1 embora a eficiência dessas equipes no combate e prevenção à doença seja pouco conhecida. Aedes aegypti.

fechados ou que ofereçam resistências. não diferindo muito das cidades de São Paulo e Belo Horizonte. em função da ocupação ocasional.13 Apesar do reconhecimento das pendências e restrições de acesso como obstáculo ao controle do vetor.11. com índices que variam de 12%3 a taxas superiores a 70%4. As ruas são pavimentadas e com rede de iluminação. mas com grandes diferenças dentro da cidade.10. podendo ter elevadas taxas de imóveis fechados em alguns bairros. o PNCD preconiza a utilização de instrumento normativo legal na ação do Poder Público municipal e estadual na execução das atividades de prevenção e controle da dengue para garantir o acesso dos agentes de controle nos imóveis abandonados. n. como Paquetá (46.151-158 maio/ago.5 O PNCD reconhece a importância das pendências como entrave ao sucesso das metas reconhecidas pelo programa assim como outros pesquisadores. coleta de lixo e atendimento das equipes do PSF. No Rio de Janeiro.Revista Baiana de Saúde Pública criadouros. as pendências se acentuam em determinados períodos.32.8%). Esta ocorrência é registrada em várias cidades brasileiras. v. em particular domicílios. telefone. O potencial dos ACS como facilitadores no acesso aos criadouros pode ser uma estratégia útil que ainda não foi investigada.2. atendida pelo PSF. o senso de 2000 apontou para uma média histórica de desocupação de imóveis de 13%. Espera-se que a familiaridade dos agentes de saúde com as comunidades facilite o acesso aos focos e reduza as pendências. essas dificuldades têm sido pouco consideradas na busca de estratégias alternativas para seu enfrentamento. bairro de Santa Cruz.7 Nesse sentido. abastecimento de água. 2008 153 . Grande parte dessa dificuldade está presente nas edificações fechadas.9 que merecem especial atenção devido a seu elevado potencial produtivo como criadouros. em particular as lajes e caixas d’água. p. Nas cidades com características para veraneio. MATERIAL E MÉTODOS Foi investigada a comunidade do Barro Vermelho. denominada de pendência. Elas podem variar também dentro das grandes cidades em função do padrão de ocupação. município do Rio de Janeiro.12. representando um sério obstáculo para a eficiência das ações de controle.8 O acesso aos criadouros pode ser limitado também dentro dos domicílios. A ocupação dessa comunidade teve origem em 1988 e conta com serviços de luz. O objetivo deste estudo foi observar a capacidade dos ACS de acessar e verificar a existência de focos e suplantar as pendências em uma área atendida pelo PSF. cujos proprietários não são encontrados ou impedem o trabalho dos agentes responsáveis pelo combate ao mosquito. Criadouros não encontrados são desconhecidos para a população e podem ser a principal causa dos constantes índices elevados de infestação do vetor a despeito dos esforços de controle.6.

Do total dos domicílios (133). às lajes e caixas d’água. 15. à laje. Quando o sucesso era parcial. para comparar as pendências desses dois momentos. Dessa população. com e sem a companhia dos ACS do PSF. estimava-se uma população aproximada de 480 pessoas na área estudada. Como em todo o Barro Vermelho. Não foram observadas recusas.8% são visitados na maioria das tentativas (sucesso na maioria das visitas). Nos domicílios visitados.8% desempenham outras atividades. 7.5% raramente conseguem ser visitados (sucesso na minoria das visitas). e 27% nunca são visitados (nenhum sucesso). A comunidade do Barro Vermelho possui um histórico da dengue com 52 casos notificados de janeiro a julho de 2007. por estarem trabalhando. o acesso a toda a área construída foi anotada. 64.6% sempre conseguem ser visitados em suas visitas (sucesso total). 4. As visitas ocorreram entre 9 e 12 horas. no ano de 2007.500 m2.4% na ausência dos ACS. 47. Em sua maioria.0% declararam renda abaixo de 2 salários mínimos. os ACS declararam que 49. Todos os 133 endereços foram percorridos por dois autores deste trabalho em dois momentos. Em 40% dos domicílios visitados com os ACS foi encontrada alguma restrição de acesso dentro da casa.3% são pensionistas ou aposentados e 16. contendo 133 endereços. Na companhia dos ACS. com exceção apenas de um exclusivamente comercial. provavelmente. se é parcial (nem sempre são encontrados) ou se não existe sucesso (os moradores nunca são encontrados ou a casa está fechada). entre os que disseram ter renda. sendo 3 casos situados no perímetro da área de estudo. os ACS foram questionados sobre o número de vezes que encontraram os moradores durante suas atividades rotineiras.8% estão desempregados. os domicílios não foram acessados devido ao logradouro estar desocupado ou porque os moradores não foram encontrados.0% com emprego informal. telhado ou caixa d’água. biscateiros etc. 16.9% com emprego formal. perguntava-se se os moradores eram encontrados na maioria ou minoria das visitas (sucesso na maioria ou minoria das vezes). foram percorridas todas as edificações em uma área aproximada de 27. em geral. a ocupação tem crescido desordenadamente no espaço urbano e. os agentes chamavam os moradores e. anotando-se a taxa de sucesso em encontrá-los segundo os critérios: se o sucesso é total (sempre são encontrados). 14. (dados fornecidos pela equipe do PSF). tais como empregadores. Em aproximadamente 50% dos 154 . a cada residência. todos de domicílios.3% em companhia dos ACS e de 45. em particular. RESULTADOS A pendência foi de 33.Dentro dessa comunidade.

mas a comunidades inteiras. não seria possível ter a noção da quantidade de possíveis focos ou macrofocos (criadouro com elevada produtividade).Revista Baiana de Saúde Pública domicílios visitados. mediante o uso de instrumentos legais. conseqüentemente. poderia apontar a existência de possíveis macrofocos nesses domicílios fechados. peças automotivas. sugerindo que estes podem auxiliar na redução desse evento. disponibilizando e preconizando a utilização de instrumento legal específico. reduzindo receios e desconfianças. requer um aparato jurídico e administrativo adicional difícil de conseguir e operar com agilidade satisfatória. eletrodomésticos etc. para isso. 2008 155 . não foi possível conhecer a totalidade dos criadouros existentes na área percorrida. a orientação dos agentes responsáveis pelo monitoramento e controle do vetor no município do Rio de Janeiro é não entrar onde for detectado conflito. a pendência observada nas visitas com a presença dos ACS foi menor do que a observada sem o acompanhamento dos ACS. ferramentas. Entretanto. o instrumento legal é a única estratégia para enfrentar as pendências. Assim.32. foi encontrada alguma quantidade de material guardado como entulho. Essas limitações ao sistema de monitoramento podem oferecer dados populacionais difíceis para se analisar e detectar macrofocos “escondidos” pelas pendências. n. Somente um sistema eficaz de monitoramento da população do vetor. Os ACS são capazes de reduzir a pendência em função de sua familiaridade com os moradores. que possam existir nos domicílios fechados. o combate às pendências nas grandes cidades brasileiras. v. estima-se que 1. Apesar de não haver recusas. objetivou também reduzir os índices de pendências a menos de 10%. sem proteção das águas das chuvas. em geral no quintal. utensílios. Devido a essas restrições. lixo para reciclagem. p.5 milhões de moradores de favelas vivem sob o regime de “leis” impostas por esses grupos. servir de criadouros para o Aedes aegypti. O PNCD1 assumiu como meta reduzir a menos de 1% a infestação predial e.14 Nesses casos.8 No entanto. Projetar os resultados observados nos domicílios visitados sobre os não visitados (pendências) não seria útil porque são realidades diferentes. a restrição de acesso não é somente a um percentual de domicílios.151-158 maio/ago.2. principalmente se esta ocorrência for elevada. DISCUSSÃO Os resultados apontam as restrições de acesso na tarefa de investigar os locais que possam acumular água e. facilitando a abordagem e a recepção. tais como: sobras de materiais de construção. Já nas áreas onde existem conflitos decorrentes de grupos armados do tráfico ou de milícias. pelas limitações das armadilhas e pelas próprias restrições de acesso na área. Entretanto a eficácia do monitoramento pode ser reduzida pela elevada complexidade do espaço urbano. a despeito dessas limitações. em muitos casos. com armadilhas. Nesse município. em especial as pendências.

Contudo.10-13 Muitas vezes o acesso às lajes é esporádico e.. não raro emprestadas de vizinhos. em particular às lajes e caixas d’água. eletrodomésticos etc. com a mobilização do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e Programa de Saúde da Família (PSF)”. peças automotivas. esses entulhos são preservados porque possuem algum valor econômico.. Em geral estão no lado de fora dos cômodos internos. visto que podem aprimorar as informações nas comunidades sobre o combate2. 156 . nas ações de assistência aos pacientes e no auxílio do sistema de vigilância por meio da notificação imediata da ocorrência de casos. Não obstante os moradores reconhecerem que servem de abrigos e focos para mosquitos e roedores. lixo para reciclagem. quando necessário.1:4 No programa. A restrição de acesso às caixas d’água preocupa em função da elevada produtividade de mosquitos que as caixas d’água e reservatórios de água podem oferecer nos domicílios. O número elevado de domicílios que possuem algum tipo de entulho (50%) também merece ser apontado. tais como sobras de materiais de construção. ferramentas. utensílios diversos.] a integração das ações de controle da dengue na atenção básica.O PNCD preconiza “[. a despeito das dificuldades da adesão da população e da atuação dos agentes. como também fomentar a participação dos moradores na eliminação dos fatores de risco para criadouros. nas restrições de acesso às casas visitadas (40%). Os ACS podem não somente ajudar na redução das pendências. é obtido por escadas comumente confeccionadas de madeira. onde é comum estarem instaladas as caixas d’água.3%. cabe aos ACS atuar nas ações educativas de prevenção e controle da dengue. Nos entulhos domiciliares foram encontrados diferentes tipos de materiais. Escadas fixas só são construídas quando se planeja ampliar a residência com mais um andar. Concluiu-se também que os ACS podem contribuir na redução das pendências. podendo comprometer a eficácia do PSF na redução dos índices de infestação do Aedes aegypti na área.9 Em sua maior parte essas restrições estão nas lajes. o potencial de ajuda dessas equipes no combate do vetor merece ser investigado. não permitem uma boa vistoria para a identificação de acúmulo d’água até mesmo para os próprios moradores. raramente protegidos das águas das chuvas e.15 O percentual de 40% de casas com alguma restrição de acesso também é relevante e reforça a preocupação dessa restrição no combate à dengue. Esse fato é relevante em uma população em que 64% têm renda declarada abaixo de 2 salários mínimos e estima-se que 47% são desempregados. e nos entulhos da metade dos domicílios impedem que os ACS identifiquem parte dos criadouros. seja de imediato ou não. comumente. CONCLUSÕES Os resultados permitem concluir que as dificuldades de acesso encontradas na pendência de 33.

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088. de etiologia viral e de evolução benigna. Palavras-chave: Epidemiologia.50%. com base em dados secundários. retrospectivo. p. Salvador. Os distritos de maiores incidências foram Liberdade e Itapagipe. Trata-se de um estudo descritivo. As ações de combate devem ser intensificadas e aperfeiçoadas para que se alcance maior efetividade. 80. and serious in the hemorrhagic form. Apto. making use of a retrospective and descriptive methodology a Faculdade de Enfermagem.Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DO DENGUE EM SALVADOR (BA).32. Das amostras examinadas. 303. na forma clássica. of viral etiology and benign evolution in the classical form. Concluiu-se que a dengue ainda se apresenta como grave problema de saúde pública para o município.com v.000 hab) e os meses de maior ocorrência foram fevereiro. 2008 159 . 2000-2005 Adriana Souza Sampaioa Resumo O dengue é uma doença febril. A transmissão se faz pela picada do Aedes aegypti.2. drica_hitz@hotmail. Dengue.90/1000. Foram baixos os percentuais de isolamento viral. O objetivo deste estudo é conhecer o comportamento epidemiológico do dengue em Salvador de 2000 a 2005. aguda. Em todos os anos o maior percentual de cura/alta foi 82. Disease transmission is through the bite of Aedes Aegypti mosquito. variando de 0. 21. A população de estudo foi o total de casos registrados no SINAN entre 2000 e 2005. Água Cristalina. Tel (71) 3240-6827 / 9971-3026. 2000-2005 Abstract Dengue is a feverish acute disease. Universidade Católica do Salvador (UCSAL). março e abril. Edf. O maior número de casos confirmados foi por vínculo-epidemiológico.810-340. This study aims at investigating the epidemiologic behavior of Dengue in Salvador from 2000 through 200. Salvador. Pituba. A mortalidade e a letalidade apresentaram baixas taxas. encontrou-se que o ano de maior incidência do dengue foi 2002 (1. BA. n. CEP: 41. e grave na forma hemorrágica.34%. Endereço para correspondência: Rua Sargento Astrolábio. Em toda a série. As faixas etárias mais atingidas foram 15 a 24 e 25 a 34.25 a 8.16% foram reagentes. O IIP se manteve elevado. THE EPIDEMIOLOGIC SITUATION OF DENGUE IN SALVADOR (BA).159-167 maio/ago. merecendo especial atenção das autoridades no que se refere a seu controle.

15.088. com circulação dos sorotipos 1 e 4. 21. the year with greatest dengue occurrence was 2002 (1. Mortality rate was low. intercalando-se com a ocorrência de epidemias. In the whole series. atingindo o Rio de Janeiro e algumas capitais do Nordeste. Dengue is still a serious health problem for the city.25% and 8.91%) and 25-34 (54.1:203 O primeiro relato não confirmado sobre a ocorrência do dengue no Brasil foi em 1923. Combat actions must be intensified and improved to be more effective. a tendência bienal modificou-se devido à rápida disseminação do vírus por diversos 160 . de etiologia viral e de evolução benigna na forma clássica e grave quando se apresenta na forma hemorrágica. 40.00 hab) e Rio de Janeiro (613.000 people). em Niterói (RJ). IIP level was kept high.583.8/100.”1:207 Na década de 1990 houve uma significativa disseminação do Aedes aegypti no Brasil. Out of the total examined samples. o dengue vem ocorrendo no Brasil de forma continuada. principal mosquito vetor”. DEN-2.90/100.34% in a single year.16/100. Key words: Epidemiology.000 hab). do sorotipo DEN-2. INTRODUÇÃO O dengue como problema de saúde pública vem preocupando as autoridades sanitárias em virtude de sua circulação nos cinco continentes e do grande potencial para causar formas graves e letais. geralmente associadas com a introdução de novos sorotipos em áreas anteriormente indenes. Study population comprises total registered cases in SINAN from year 2000 to year 2005. É uma doença febril.2 Uma segunda onda foi registrada nos dois primeiros anos da década de 1990. with 24.20% respectively. aguda.42 and 19. O agente etiológico. em 1981. Greatest cure rate was 82. Salvador. Districts with higher incidence were Liberdade and Itapagipe with 1. Age ranges more affected were: 15-24 (24.50 and 1. o qual provocou a primeira epidemia de dengue hemorrágica. March and April. “Dissemina-se especialmente nos países tropicais.based on secondary data. pela primeira vez no país.37%). “Desde então. deserving special authorities’ attention regarding its control. onde as condições do meio ambiente favorecem o desenvolvimento e a proliferação do Aedes aegypti. between 0. com maiores riscos nos estados do Ceará (249. Viral isolation percentage levels were low.5%.16% were reactive. o vírus do dengue. A partir de 1994. Dengue.888. quando ocorreu o isolamento. the months with greatest occurrencebeing February.1/100. nova epidemia volta a ocorrer.000 inhabitants respectively. DEN-3 e DEN-4. no Rio de Janeiro.2 Em 1986. é um Arbovírus (vírus transmitido por inseto) e possui quatro sorotipos: DEN-1. The greatest number of confirmed cases was through epidemiologic link. e o primeiro surto documentado clínica e laboratorialmente ocorreu em Boa Vista (RO).

p. O pico epidêmico ocorreu em 1996 e em seguida observou-se um declínio. Em Santa Catarina e Rio Grande do Sul somente foram registrados casos importados.1/100.4 Na Bahia. Voltou a ser detectado em 1994.. Só não houve registro de casos no Acre e no Amapá.] em 1996 registra-se a mais alta taxa de incidência de todo o período.Revista Baiana de Saúde Pública estados e municípios. n. à deficiência dos sistemas de vigilância epidemiológica local em diagnóstico precoce e orientação de medidas de combate vetorial. a região Nordeste passou a apresentar taxas muito superiores à média nacional. enquanto a do estado foi de 259/100.7 Este estudo tem sua importância por abordar um dos grandes problemas de saúde pública em vários países do mundo. visando o processo de decisão-ação.8/ 100.5 Após a reincidência do vírus na Bahia.000 habitantes. além da grande capacidade de adaptação do mosquito transmissor e velocidade de circulação dos sorotipos do vírus. já isolado. em 1994.3 A partir de 1994. o objetivo da pesquisa é analisar o comportamento epidemiológico do dengue no município de Salvador de 2000 a 2005 e avaliar alguns indicadores da vigilância epidemiológica desta doença. então. a primeira epidemia de dengue foi detectada em 1987 e o sorotipo identificado foi o DEN-1.2. 2008 161 .4 “[. Após realização desta pesquisa e obtenção dos resultados. Em 1997. devido ao fato de coletar dados recentes sobre a morbidade da doença e áreas de risco.6 deve-se.000 hab) enquanto a do país foi de 345. a Secretaria de Saúde do município poderá estar utilizando as informações e divulgando os achados afim de enriquecer o saber sobre o tema às comunidades leiga e científica.. observadas desde sua reemergência. atingindo em 1998 seu pico máximo (564. Nessa perspectiva. Salvador sofreu explosiva epidemia nos quatro primeiros meses de 1995.000)”. A deficiência no impacto das ações de vigilância e controle do dengue. em 1981. tanto para o estado (502/100. com a introdução do DEN-2. quando a taxa de incidência atingiu 518. Em torno de 90 dias houve completa eliminação do vetor e o vírus saiu de circulação.32. ocorreu em 1998.000) quanto para Salvador (1423/100. além do DEN-2. A terceira onda.000 habitantes. com incidência nove vezes maior quando comparada ao ano de 1994.7/100. o sorotipo do DEN-1 também passou a circular intensamente.000 habitantes.159-167 maio/ago. v. devido a sua magnitude e transcendência.4:7 As ações de vigilância e controle de doenças transmissíveis têm como base a detecção precoce de casos. O estudo poderá ainda servir de respaldo para o aprimoramento e redirecionamento de medidas de prevenção e controle do dengue.

O SINAN foi implantado no país em 1993 e é composto de dois instrumentos de coleta padronizados. No ano seguinte a curva se modifica novamente. critério de confirmação. segundo o censo de 2005 (IBGE). Mediante os relatórios do SINAN foram analisados os principais indicadores epidemiológicos sob a forma de taxas e proporções: coeficiente de incidência. quando comparados aos outros meses da série. classificação final. indicando a ocorrência de uma epidemia para o período.74%. pelo programa SINAN.560. letalidade e mortalidade anuais. Em 2004.673. e para efeito das ações de saúde está dividido em doze Distritos Sanitários com área de abrangência definida. que tem uma população estimada em 2. o qual foi previamente assinado pela diretora da 1º DIRES. 2002 foi ano de maior incidência do dengue (1. com base de dados secundários dos registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).446 casos. dentre outros. PCR. A população de estudo foi constituída pelo total de casos registrados no SINAN no período de 2000 a 2005. proporção de casos por faixa etária e sexo. sexo.52/100.45 a 9. autorizando a coleta de dados. incidências por Distritos Sanitários e a distribuição mensal dos casos de dengue em Salvador.000 hab. a incidência regride a seu nível mais baixo com 9. com um pequeno aumento da incidência. variando de 2. isolamento viral.90/100. Os dados foram coletados no setor de informação da 1º Diretoria Regional de Saúde (1º DIRES). sendo registrado um total de 27. retrospectivo.088. Foram analisados também os critérios de confirmação. dentre outros. RESULTADOS Avaliando-se as incidências registradas para o município de Salvador. resultado de exame sorológico. que contêm os elementos necessários ao conhecimento da situação epidemiológica: a Ficha Individual de Notificação (FIN) e a Ficha Individual de Investigação (FII). a vigilância entomológica do dengue. mediante o envio do projeto contendo o termo de consentimento livre e esclarecido. Em fevereiro os valores 162 . ocupação.000 hab). Alguns desses elementos são: município da notificação. evolução do caso. Foram contemplados os princípios da Resolução 196/96. Os achados foram apresentados sob a forma de quadros e gráficos para análise e discussão dos resultados. escolaridade. raça/cor. O local de estudo foi o município de Salvador. No mês de janeiro os percentuais de casos foram baixos em todos os anos. Estes dados foram trabalhados em planilhas no Word e Excel. idade. identificação do sorotipo.MATERIAL E MÉTODOS Estudo descritivo.

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começaram a se elevar, exceto em 2005, cujo percentual foi igual a 1,67%. De junho a dezembro de 2000 a 2004, todos os percentuais foram baixos, exceto em junho de 2004 (13,77%) e outubro de 2000 (13,56%). O mes de março apresentou altos percentuais em todos os anos, exceto em 2005 (6,44%). No mes de abril, os valores reduziram, menos em 2004, que permaneceu elevado (16,60%). O ano de 2005 apresentou os maiores valores nos meses de julho, agosto e setembro, com variação de 10,26 a 16,47%, mudando o perfil esperado. No mes de maio, os percentuais foram elevados em 2000, 2001 e 2004, com valores entre 12,63% e 17,41%. A análise da série histórica, evidenciou um padrão definido para os meses de fevereiro, março e abril. Em 2000, a maior incidência foi encontrada no Distrito da Liberdade (233,68/ 100.000 hab), seguido do Distrito de Brotas (58,32/100.000). Nos demais, as incidências estão abaixo de 22,89/100.000 (Itapoan), com incidência mínima de 2,43/100.000 hab, em Cajazeiras. Em 2001, para 91,7% dos distritos, as incidências aumentaram, exceto para o Distrito da Liberdade, no qual houve uma redução, passando para 118,59/100.000 hab. Em 2002 as incidências apresentadas caracterizam a instalação de uma epidemia explosiva, variando de 376,53 (Cajazeiras) a 1.888,59/100 000 hab (Liberdade). Nos demais anos as incidências declinaram, apenas o Distrito do Subúrbio Ferroviário não acompanhou este padrão, apresentando, em 2003, incidência de 117,79/100.000 hab, próxima a do ano anterior à epidemia. Em 2001, o IIP foi o mais alto de toda série histórica (7,5%), sendo a incidência no mesmo ano de 88,58/100.000 hab. Provavelmente, este índice não foi determinante de uma epidemia pelo fato dos sorotipos DEN-1 e DEN-2 já estarem circulando de forma endêmica desde 1997, o que aumentou a imunidade de grupo para estes dois sorotipos, diminuindo quantitativamente os susceptíveis. Em 2002, apesar de o IIP ter diminuindo significativamente (2,2%), atingindo o menor percentual da série, o dengue se apresentou com explosiva epidemia (incidência de 1.088,90/100.000 hab), provavelmente devido à introdução do sorotipo DEN-3. Em 2003 e 2004 os IIP diminuíram progressivamente, assim como as incidências nestes dois anos. Em 2005, o índice voltou a aumentar (4,0%) o que se associou ao aumento da incidência para o mesmo ano. Os dados referentes ao índice de infestação predial do ano de 2000 não foram encontrados. Com referência à distribuição por faixa etária, os dados foram analisadas com base no total de casos ocorridos em todo o período. Foi observado que a doença atinge maior proporção na faixa etária de 15 a 24 e 25 a 34 anos, com percentuais bem próximos, 24%, 91% e 24,26%, respectivamente. Foi significativo também o percentual na faixa etária de 35 a 44 anos (16,77%). Nas faixas extremas — menores de 1 ano, 1 a 4 anos e idosos — os percentuais foram baixos; os valores não ultrapassaram 5%.

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O sexo mais atingido pelo dengue foi o feminino, com 17.412 casos registrados, o que representa 54,37% dos casos em todos os anos estudados. Porém é significativo o percentual de 44,49% de casos ocorridos no sexo masculino. A diferença entre os percentuais não apresentou um intervalo muito grande. Na série estudada, a maior taxa de mortalidade foi observada em 2002, com 0,35/ 100.000 hab, representando um total de 9 óbitos. Em 2000 e 2003 não foram registrados óbitos por dengue neste município. Em 2004 e 2005 as taxas foram iguais: 0,07/100.000 hab. Assim como a mortalidade, a letalidade também se apresentou com baixas taxas, sendo a maior delas 0,81%, registrada no ano de 2004. Em 2000 e 2003 não houve registro de óbitos. Nos demais anos as taxas estão abaixo de 0,50%. Do total de 32.023 casos registrados no período, 91,88% não foram confirmados; estão no sistema como casos ignorados/branco. Confirmados por laboratório, o percentual foi igual a 3,26. A confirmação por vínculo epidemiológico foi igual a 4,86%, um pouco mais elevado do que a confirmação laboratorial, ambos com valores pouco significativos. Do total de casos registrados em toda a série (32.023), foram realizados pelo LACEN 4.250 sorologias, o que dá um percentual de 13,27% de exames realizados. Das amostras examinadas encontrou-se um percentual de exames reagentes de 21,55%. Os anos de 2002, 2003 e 2004 foram os que apresentaram os maiores percentuais de positividade, com valores oscilando entre 15,11% e 38,82%. Em 2005 foi um pouco mais baixo; 12,00%. Os dados do LACEN foram bem maiores do que os registrados no SINAN em todo o período; encontraram-se registros de 35 sorologias no SINAN. Na série estudada, foram baixos os percentuais de isolamento viral realizado, com variação de 0,25% (2000) a 8,50% (2004). Também foram baixos os percentuais de casos em que o isolamento viral não foi realizado; em 2000 e 2001 não houve registros. Em 2004 e 2005 os valores se elevam: 45,34% e 62,77%, respectivamente. Os percentuais mais elevados foram para os casos ignorados/branco, com percentual de até 99,75% (2000). Os dados referentes à identificação do sorotipo foram prejudicados pelo alto percentual de casos com resultados ignorados/ branco, com valor de até 99,52%. Em 2001, os casos em que foo identificado o sorogrupo apontam para a circulação do vírus tipo 1, 2, e 3. Em 2000 não foram identificados sorotipos. Em 2002, 2003 e 2004 foi identificado apenas o sorotipo 3, e em 2005 foram identificados os sorotipos 1 e 3. Em todos os anos, os valores encontrados foram baixos e pouco significativos. No SINAN, para toda a série estudada, foi encontrado registro de isolamento viral de apenas 32 casos, e no LACEN, de 168, valor 5,3 vezes maior do que os dados do SINAN. Para ambas as fontes, o número de isolamento viral foi baixo se for considerado o total de casos registrados (32.023).

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Avaliando-se a evolução dos casos de dengue registrados no período, em 2000 e 2002 os percentuais de cura foram muito baixos (1,87 e 2,86%). Em 2001 houve uma pequena elevação (18,17%), melhorando significativamente em 2005, com percentual de 82,34%. O percentual de óbitos (letalidade) também foi baixo; 0,03 (2002) a 0,81% (2004); em 2000 e 2003 não houve registros. Observa-se alto percentual de casos ignorados/branco com valores de 97,11% (2002) e 98,13% (2000). Em 2004 houve um pequeno declínio, passando para 46,96% e chegando a 2005 com valor igual a 17,18%. As limitações do estudo foram os campos em branco ou ignorados das fichas epidemiológicas do SINAN. DISCUSSÃO A análise dos dados permitiu observar-se que a incidência do dengue no município de Salvador foi se elevando desde o primeiro ano da série histórica até 2002, quando alcançou seu ápice, indicando a epidemia ocorrida no período. No biênio posterior, as incidências foram decrescentes, voltando a se elevar em 2005, o que deixa a população e as autoridades de saúde em alerta, devido ao fato das epidemias serem precedidas de um aumento seqüencial das incidências, podendo ser previstas com antecedência.5,8 Os altos coeficientes do dengue registrados no município de Salvador durante a progressão temporal reforçam a contínua participação do município com as maiores taxas de detecção durante as ondas epidêmicas.7,9 Este padrão está intimamente associado às características climáticas da região, ao adensamento populacional e às deficiências socioeconômicas, de infra-estrutura e saneamento ambiental, além do fluxo migratório da população.6 A distribuição mensal dos casos de dengue foi irregular, quando analisada de forma detalhada, porém, observando-se a série histórica, foi possível visualizar padrões definidos para os meses característicos (fevereiro, março e abril).6,10 Em relação ao espaço, as áreas distritais que apresentaram as maiores incidências foram Liberdade e Itapagipe, ambas no ano de 2002. Neste mesmo ano, todos os distritos apresentaram altas incidências de casos de dengue. Em Salvador, são encontrados altos índices de infestação predial, tanto em áreas precárias como naquelas com melhores condições de vida,11 revelando a baixa efetividade das ações de combate vetorial, que se deve à complexidade da biologia e capacidade de adaptação do vetor, além de dificuldades operacionais.5 A elevada densidade larvária, apontada pelos altos IIP pode propiciar maior número de picadas e, conseqüentemente, , maior risco de transmissão.10

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impedindo a percepção do risco ao qual a população está exposta ao entrar em contato com mais de um sorotipo. com altos percentuais de campos ignorados/branco. que facilite seu acesso precoce aos serviços de saúde e informe a população sobre a possibilidade da ocorrência de formas graves e letais da doença. Este fato pode ser atribuído ao mau preenchimento das variáveis da ficha de investigação. provavelmente.6 Também foram observados baixos percentuais de isolamento viral. por ser a que passa maior tempo no domicílio. tanto para os dados do LACEN quanto para os dados do SINAN. provocando o absenteísmo ao trabalho.12 A oportuna e adequada atenção médica reduz em muito a letalidade desta doença. o que prejudicou a análise mais consistente dos dados avaliados. representando uma alta relevância econômica. Para a confirmação dos casos de dengue. ao fato do aedes aegypti ser um mosquito domiciliado. embora os valores fossem pouco significativos em relação ao número total de casos. conseqüentemente.4 A maioria dos casos de dengue evoluíram para cura/alta.A mortalidade e a letalidade apresentaram baixas taxas. Frente aos resultados encontrados. por meio de um plano estratégico de atendimento aos pacientes suspeitos de dengue. com objetivo de reduzir o percentual de campos ignorados/ branco. a implementação de ações de educação e comunicação em saúde para prevenção do dengue e investimento no acompanhamento e avaliação da completude das variáveis da ficha epidemiológica de investigação. Os baixos percentuais de séries sorológicas realizadas dificultaram a mensuração das incidências de infecções. atingindo esta população. o que dificultou a identificação dos sorotipos circulantes. No LACEN o número de registros foi maior. Ressalta-se que o maior percentual de ignorados/branco prejudicou a análise mais fidedigna dos dados. O maior percentual de mulheres acometidas deve-se. podendo favorecer a ocorrência do dengue hemorrágico. a realização de busca ativa de casos compatíveis com Dengue (pela equipe de vigilância epidemiológica). Com o aprimoramento do setor saúde. intensificariam o combate ao dengue e minimizariam o impacto desta sobre a população. A população feminina foi a mais atingida. 166 . por acometer pessoas em plena fase produtiva. o maior percentual foi por vínculoepidemiológico. com um total de 14 óbitos nos seis anos estudados. especialmente nas áreas silenciosas e com índice de infestação predial acima do recomendado.10 As faixas etárias de maior acometimento foram 15 a 24 e 25 a 34 anos. estimulando a busca precoce de assistência médica. o risco de surtos. maiores investimentos nas ações de controle e combate ao vetor. é possível reduzir a letalidade a valores próximos de 1%. Foram baixos os percentuais de sorologias realizadas quando comparado ao total de casos registrados. Os registros do SINAN apresentaram algumas variáveis importantes para o estudo. reduzindo o índice de infestação a menos de 1% e.

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Fisioterapeuta. em Kinesiologia e Fisiatria pela Universidade de Buenos Aires. Gleba 11. deve-se contemplar uma abordagem multidimensional do problema e não apenas observar os determinantes ligados à saúde física do indivíduo.com. Bahia. Universidade Federal da Bahia (UFBA). Prof. bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). Ar. correio eletrônico: norbertopena@terra. A amostra incluiu 30 mulheres maiores de 60 anos. da Escola de Dança da UFBA. Dra. The methodology design consisted of a controlled a Dr. RJ.ARTIGO ORIGINAL EFICÁCIA DE UM PROGRAMA DE DANÇA PARA PREVENIR QUEDAS ENTRE IDOSOS Norberto Penaa João Lima Barbosab Joana Carneiro Lima Fragac Márcia Mattard Carla Leitee Resumo As quedas e as fraturas influenciam na capacidade funcional dos idosos. Dança. Quedas. d e Médica Fisiatra pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO). Conclusivamente. Catú de Abrantes. O desenho metodológico foi um ensaio clínico controlado. The aim of this research was to verify the efficacy of a dance program in reducing the incidence of falls and to improve health subjective self-evaluations. Lote 14. Adjunto da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA). EFFICACY OF A DANCE PROGRAM IN PREVENTING FALLS AMONG THE ELDERLY Abstract Falls and fractures influence functional status among the elderly. BA CEP42800-000. para desenvolver ações destinadas a reduzir o risco de quedas. encontrou-se que. Camaçari. Não foram verificadas diferenças significativas entre os grupos em relação à incidência de quedas nem às avaliações subjetivas de saúde. Condomínio Busca Vida. Palavras chave: Idosos. O objetivo deste trabalho foi verificar a eficácia de um programa de dança para diminuir a incidência de quedas entre idosos e melhorar suas próprias avaliações subjetivas de saúde. de nível socioeconômico baixo. c Mestranda em Dança. moradoras de uma área central da cidade de Salvador. Profa. b Aluno da Escola de Dança. Brasil. em Artes Cênicas pelo Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas (PPGAC).br 168 . Endereço para correspondência: Estrada do Coco km 9.

Dance.168-176 maio/ago.Revista Baiana de Saúde Pública clinical essay. se incrementará nas próximas décadas em virtude do aumento da expectativa de vida da população brasileira. residing in a central area of Salvador. comportamentos de risco e diferenças raciais. elevando-se para 65 anos de idade quando se trata de países de primeiro mundo. fazendo uma distinção quanto ao local de residência (país) dos idosos. em Salvador (BA).12-16 As alternativas para prevenir quedas podem ser reunidas em três grandes grupos: programas destinados a incrementar força muscular e equilíbrio.1 Esta percentagem. conclusivamente. problemas nos pés. depressão. Bahia. história prévia de fraturas. estilo de vida. Brazil. p. provocam exclusão social e acarretam um aumento no orçamento da saúde de todas as nações. aged 60+. seguramente. acuidade visual comprometida. Keywords: The elderly.11 Entre os fatores de risco para quedas destacam-se: a freqüência. além de deteriorar a qualidade de vida do indivíduo e de sua família. most of who come from poor socioeconomic background.8% da população. Entretanto ainda não se conhece. INTRODUÇÃO De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) a população idosa é definida como aquela com idade igual ou superior a 60 anos. a população de residentes maiores de 60 anos representava 6. Results: No significant differences were observed among groups as to fall incidence and the improvement of health subjective selfevaluation. The authors concluded that. Falls. programas educativos e programas destinados a promover modificações do ambiente em que vivem os idosos. in order to develop actions for reducing the risk of falls among the elderly. A capacidade funcional do idoso é influenciada por determinantes sociais de saúde. dificuldade de cognição. v. 2008 169 .3-8 Também se sabe que a severidade das complicações provocadas pelas quedas aumenta com a idade9. uso de polimedicação. a multidimensional approach to the problem should be considered rather than simply concentrating on the observation of determining facts related to individual’s physical health. O censo do IBGE 2000 revelou que. medo de cair. problemas de equilíbrio. n. fraqueza muscular e higidez individual. índice de massa corpórea. Participants were 30 women.2 Dentre estes destaca-se o problema das quedas e fraturas que vem sendo estudado amplamente tanto no âmbito nacional quanto no internacional. Diversos trabalhos que relacionam quedas e fraturas informam que 30% a 37% das pessoas maiores de 65 anos cai pelo menos uma vez por ano e destes indivíduos 3% a 10% se fraturam.10 e que estas complicações. dificuldades ambientais.32. qual destes seria o mais eficiente.2. pois este limite é válido para os países em desenvolvimento. As fraturas por quedas estão associadas a perdas de densidade mineral óssea.

em relação a um grupo controle. que expressaram seu desinteresse em continuar colaborando com a pesquisa. não compreender ordens simples. que estavam clinicamente sãos e aceitaram participar da experiência. como barras para segurarse.17. Foram incluídas todas as pessoas que desejavam participar da atividade e estavam dentro dos critérios de inclusão e fora dos de exclusão e de eliminação.Em relação a programas educativos. contra-indicação médica para a atividade física.18 As modificações do ambiente em que os idosos moram. surdez. por não cumprirem 70% da atividade prevista. ficou demonstrado. A amostra foi constituída de mulheres moradoras do bairro do Calabar. As alternativas de prevenção de quedas que buscam melhorar o equilíbrio com o aumento da força muscular e da mobilidade vêm apresentando resultados com tendência positiva em comunidades de idosos. apresentando diferenças estatisticamente significativas (p<05). internados ou não. pisos antiderrapantes. que estes não conseguem modificar o risco de queda. Critérios de Eliminação: foram eliminados três participantes do grupo experimental. Salvador (BA). Características da Amostra A amostra ficou representada por 30 mulheres com as seguintes características: 170 . Critérios de Exclusão: estar fora dos de inclusão. por meio de ensaios clínicos randomizados.24-28 O objetivo deste trabalho foi verificar a eficácia de um programa de dança para diminuir a incidência de quedas e melhorar avaliações subjetivas de saúde entre idosos. Critérios de Inclusão: homens e mulheres de 60 e mais anos de idade. cegueira. iluminação adequada e outras adaptações arquitetônicas ainda não passam de tímidas iniciativas individuais e dependem de disponibilidade financeira. lesões nos pés. seqüela de acidente cerebral vascular.19-23 Algumas destas alternativas utilizam a dança para promover a capacidade funcional e melhorar o equilíbrio. e três do grupo controle. Hipótese: Um programa de dança diminui a incidência de quedas e modifica avaliações subjetivas de saúde entre idosos. sugerindo-a como uma ferramenta eficiente para diminuição de quedas. MATERIAIS E MÉTODOS Com a finalidade de controlar e detectar os elementos que constituirão a amostra e para a realização do trabalho foram utilizados questionários epidemiológicos para estabelecer a freqüência de quedas e para identificar queixas atuais e/ou antecedentes pessoais.

Do estudo só participaram mulheres voluntárias. n=5 (16.8%) manifestaram sentir dor de cabeça sempre ou quase sempre.6%) primário completo. n=18 aposentadas. Em relação à posição socioeconômica: n=7 pertenciam à classe media e n=23 à classe baixa.6%) a qualificaram como boa ou excelente e n=16(53. O nível de escolaridade da amostra ficou assim configurado: n=5(16.0%) declararam-se hipertensas. com uma idade média de X=69 anos.6%) diabéticas. que consistia na repetição de seqüências rítmicas de padrões de movimento sugeridas visualmente pelo professor e objetivavam explorar a força explosiva. e n=14(46%) disseram que seu estado de saúde era bom ou excelente. n.6%) das participantes referiram ter caído no último ano e n=3(10%) relataram fratura. o equilíbrio e a eficiência nos movimentos.32. e n=2(6. respectivamente — de n=15 participantes. O programa de dança aplicado durante um ano no Grupo Experimental incluía: a) uma preparação para a atividade.2. Portanto os resultados não podem ser generalizados. n=16(53. A experiência foi realizada em dois locais: na Escola de Dança da UFBA e no Centro Social Urbano situado no Bairro Calabar. que não aderiram à atividade.6%) disseram acordar bem dispostas. Em relação à situação ocupacional: n=2 eram aposentadas que trabalham. Em relação às queixas mais freqüentes: n=15(50%) disseram que se cansavam facilmente. A amostra foi dividida em dois grupos G1 e G2 — experimental e controle. n=6(19. Solicitadas a classificar seu estado atual de saúde n=16(54%) o classificaram como regular ou ruim.168-176 maio/ago.6%) como bastante tenso. e n=5(16. Em relação às quedas n=10(33. Na avaliação subjetiva da visão n=14(46.3%) como regular ou ruim. v. O desenho metodológico utilizado foi o de um ensaio clínico controlado. residentes no bairro. n=20(66.Revista Baiana de Saúde Pública todas eram moradoras de uma área central da cidade de Salvador. p. 2008 171 . As aulas tinham a duração de uma hora e meia e freqüência de duas vezes na semana. uma vez que os homens não foram atraídos pela atividade. O estado emocional foi classificado por n=12(40%) como tranqüilo. n=15(50%) referiram insônia freqüente.3%) como levemente tenso. n=5 (16. O grupo controle estava constituído por idosas socialmente ativas. n=7 solteiras e n=11 viúvas.6%) de nível pós-elementar. b) em um segundo momento os participantes dançavam ritmos populares do Brasil e da América Latina. n=6 pensionistas e n=4 donas de casa. Em relação às queixas atuais e antecedentes pessoais: n=18(60.6%) primário incompleto e 15(50%) analfabetos. sendo n=12 casadas.

Tabela 3. A hipótese estatística verificada era se existiria ou não associação entre os grupos. Cansa Facilmente (avaliação subjetiva) Em relação à avaliação subjetiva do cansaço o teste de Qui quadrado não verificou diferença estatística entre os grupos. Incidência de quedas Em relação à incidência de quedas o teste de Qui quadrado não verificou diferença estatística entre os grupos. estado atual de saúde e sensação subjetiva de cansaço. Estado atual de saúde (avaliação subjetiva) Em relação à avaliação subjetiva de saúde o teste de Qui quadrado não verificou diferença estatística entre os grupos. Nas três medições. 172 . Tabela 2. de imediato. Tabela 1. Foi aceita. representavam uma população que apresenta maior risco de queda e de fratura. utilizando-se o teste de Qui quadrado. não foram verificadas diferenças estatísticas significativas entre os grupos para nenhuma das variáveis (Tabelas 1. Os participantes foram informados e aceitaram os benefícios e as possíveis complicações em que sua participação implicaria. sendo maiores de 60 anos.Os participantes. Foi solicitada a aprovação do projeto ao comitê de ética da UFBA. 2 e 3). em relação às variáveis: incidência de quedas. RESULTADOS Foram analisados estatisticamente os resultados em ambos os grupos e em três momentos entre os anos de 2006 e 2007. a vontade expressa de abandonar o programa.

fato que reduz a credibilidade destas conclusões.31 O programa de dança empregado no Calabar. v.25 tenham demonstrado o poder significativo da dança para melhorar o equilíbrio. artes e literatura costumam ser utilizadas como estímulos para a promoção de saúde. Rochester. música. porém. a experiência com a dança tampouco se mostrou suficientemente transformadora para modificar a auto-percepção do estado de saúde individual. contudo. 25 de julho de 2002. Entretanto o programa de dança revelou-se instrumento facilitador de inclusão nesta população.2. CONCLUSÕES Os esforços por melhorar o equilíbrio por meio da atividade física ou de programas de dança não redundam em uma diminuição expressiva da incidência de quedas. freqüentemente. REFERÊNCIAS 1. verificaram sérias falhas metodológicas nas comunicações. 2008 173 .29 porém. em recente revisão da literatura. van Rossum. Howe. p. como estatisticamente significativa para a promoção do equilíbrio entre idosos e. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.30 Experiências com dança. dessa intervenção. Neste caso. Por outro lado. Não obstante os trabalhos de Federici.Revista Baiana de Saúde Pública DISCUSSÃO A atividade física é mencionada. Para encarar ações destinadas a reduzir o risco de quedas. promovendo um envelhecimento bem sucedido e saudável. a formação de grupos de idosas e a inclusão das participantes em uma vida associativa e saudável. Jackson. por estimular a participação em atividades sociais.32. interferiria positivamente para a redução da incidência de quedas.168-176 maio/ago. surgiu um espaço de inclusão de cidadãos à Universidade. n. Verhagen. Howe. não se revelou estatisticamente significativo para modificar a incidência de quedas entre os idosos participantes. Banks e Blair. não se pode concluir que a melhora do equilíbrio leve à diminuição da incidência de quedas entre os idosos. literatura e cinema demonstram ser importantes e gratificantes para o dia-a-dia entre idosos. Faber e Koes. Formas estéticas de expressão contribuem para o bem-estar físico e intelectual e para a interação com outros indivíduos. Bierma-Zeinstra. Brasília. Bellagamba e Rocchi24 e Zeeuwe. deve-se contemplar uma abordagem multidimensional dos determinantes sociais de saúde e não apenas observar os determinantes ligados à saúde física do indivíduo. conseqüentemente. Comunicação Social.

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postos de saúde e farmácias. Av. Fortaleza. p. 2008 177 . Anticoncepção. Fone: (85) 3477. Concluiu-se que as prostitutas são informadas quanto à importância do preservativo na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e do HIV. 65 (94. 8 (11.32.br v.Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL SABERES E PRÁTICAS DE PROSTITUTAS ACERCA DOS MÉTODOS CONTRACEPTIVOS Raimunda Magalhães da Silvaa Maria Alix Leite Araújob Cristina Medeiros Pessoac Manuela Pontes de Moraesc Resumo Este estudo teve como objetivo analisar saberes e práticas de prostitutas com os métodos anticoncepcionais em Fortaleza (CE).1%) o anticoncepcional oral hormonal. dentre eles: 12 (17.1%) o anticoncepcional oral. a b c Mestrado em Saúde Coletiva da Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Endereço para correspondência: Raimunda Magalhães da Silva.811-905. Entre os métodos mais usados. colocando em prática as orientações para prevenção e promoção da saúde e vivem em situação socioeconômica desfavorável.2. Os preservativos eram adquiridos na APROCE. rmsilva@unifor.2%) afirmaram usar camisinha em todas as relações sexuais e apenas uma aceitava a oferta de dinheiro pelo sexo sem proteção. Barra do Ceará e Serviluz/Farol. 69 (100%) colocaram o preservativo masculino e 36 (52. Mestrado em Saúde Coletiva da Universidade de Fortaleza (UNIFOR). realizada em janeiro de 2007. n.4%) o anticoncepcional hormonal injetável.177-189 maio/ago. Washington Soares 1321. Palavras-chave: Prostituição. Estudantes de Enfermagem da UNIFOR. Edson Queiróz.2%) gostariam de associá-lo a outro método. CE. com 69 prostitutas cadastradas na Associação das Prostitutas do Ceará (APROCE). Doenças sexualmente transmissíveis.3280. Aplicou-se um questionário com mulheres que trabalhavam nos bairros do Centro.6%) o dispositivo intra-uterino (DIU) e 7 (10. Trata-se de uma pesquisa descritiva. CEP: 60. Acerca dos métodos anticoncepcionais. 69 (100%) conheciam o preservativo masculino e 67 (97. Pesquisadora do CNPq.

6%) with intra uterine device (IUD) and 7 (10. pelo qual o homem teria acesso a seu corpo mediante pagamento por seus serviços sexuais. sustento familiar. Trata-se na verdade de um jogo sexual. Out of these. ocidentais e orientais. 65 (94. Contraception.PROSTITUTES’ KNOWLEDGE AND PRACTICES WITH CONTRACEPTIVE METHODS Abstract This aimed atanalyzing prostitutes’ knowledge and practices with contraceptive methods in Fortaleza – Ceará. no entanto. Key words: Prostitution. apresentando-se como um exercício de poder. putting into effect the orientation to prevent and promote health. INTRODUÇÃO A prostituição é considerada uma profissão antiga e praticada mais comumente por mulheres. A questionnaire was applied to women who worked in Barra do Ceará. 69 (100%) were acquainted with the condom and 67 (97. em todas as sociedades. apresentando grande rotatividade 178 . já que busca seu sustento. The contraceptives were obtained in APROCE. Concerning contraceptive methods. Centro and Serviluz/Farol. mas por interesse financeiro. no qual a pessoa “aluga” seu corpo em troca de algum bem.3 As prostitutas trabalham em geral por conta própria. desemprego. 8 (11. os portos. sem amor. Apart from that. they live in unfavorable socioeconomic environment. Trata-se. health centers and pharmacies.1%) were acquainted with oral hormonal contraceptive.1 No Brasil. as casas de “massagem”. We concluded that the prostitutes are aware of the importance of contraceptives to prevent sexually transmitted disease and HIV. Among the most used methods. 69 (100%) used condom and 36 (52.2%) would like to associate it with another method. financeiro ou não.2%) said they used condom in every sexual relation and only one accepted money offer to have sex without protection. de um contrato de locação. influência de familiares e amigas) e simbólicas (posicionam-se com certa intensidade de poder em seu núcleo familiar).1%) with oral contraceptive. estudo acerca da representação social de profissionais do sexo revela que a prostituição acontece por questões estruturais (necessidades básicas. sendo o corpo o objeto. 12 (17.4%) would like to associate it with contraceptive hormonal injection. As parcerias costumam variar. os bares. os postos de combustíveis. as rodovias e os garimpos. os hotéis. It is a descriptive research carried out in January 2007 with 69 prostitutes registered in APROCE (Associação das Prostitutas do Ceará). as praças. desde os tempos mais remotos. em locais insalubres e muitas vezes perigosos como as ruas.2 A prostituição também se configura como uma prática de autonomia e decisão da mulher em relação aos homens. Sexually transmitted diseases. pois a pessoa não se “aluga” por prazer.

Ocorre que. durante a atividade da prostituição. entretanto as prostitutas precisam conhecer e ter acesso a esses métodos. Como as prostitutas vivem da prática do sexo. violências. discriminação social. n. destacam-se a disponibilização de métodos contraceptivos. e estão expostas a preconceitos. porque não dizer indispensável. p. como maior número de parceiros sexuais. Atuam também em ambientes inadequados. as mais novas se preocupam mais com a prevenção da gravidez do que com as DST. à qual deve ser assegurado o direito de escolher de forma livre e por meio da informação. agressões. a utilização do preservativo nas relações sexuais é muito importante. bem como de prevenção das DST entre as prostitutas.5. o espaçamento entre eles e a escolha do método anticoncepcional mais adequado são opções que cabem à mulher. é possível que. em especial na atenção básica. aumenta a vulnerabilidade e mesmo o risco de exposição às DST e ao HIV/Aids.6 Isso pode ser decorrente de fatores diretamente ligados ao exercício da profissão entre as mais novas. Salienta-se também que durante o atendimento sejam trocadas informações necessárias para a tomada de decisão com relação à escolha do método. v. que devem ser disponibilizados na rede pública de saúde. as prostitutas recebam pouca atenção ou não se sintam à vontade para identificar o tipo de atividade que exercem. considerando ser inquestionável que estão mais expostas às DST e à gravidez indesejada ou não planejada.Revista Baiana de Saúde Pública geográfica. Portanto faz-se necessário que o ingresso dessas mulheres no programa de planejamento familiar seja facilitado e que estes serviços possam disponibilizá-los. É importante que as autoridades sanitárias desenvolvam trabalhos de promoção à saúde e aos direitos sexuais e reprodutivos. considerando a possibilidade de maiores agravos nessa população. adaptando-os às características e condições de vida próprias do exercício da prostituição.32. Essa situação aumenta a vulnerabilidade. o acolhimento e a escuta devem permear todo processo de atenção dispensada à prostituta na rede pública. 2008 179 . sem discriminação. dificuldade de exigir o uso do preservativo nas relações sexuais. à assistência especializada e ao acesso aos recursos que permitam optar livre e conscientemente por ter ou não ter filhos. inclusive o HIV/Aids.177-189 maio/ago. O número. Dentre as ações de saúde desenvolvidas entre as prostitutas. sem proteção. consumo de drogas ilícitas e de bebidas alcoólicas.7 Por outro lado.2. Estes devem ser usados de forma livre e informada. geralmente. Planejamento familiar é o direito que toda pessoa tem à informação. e ainda ao risco de serem contaminadas pelas doenças sexualmente transmissíveis (DST). Para tanto. coerção ou violência. em razão do estigma de que são vítimas e da dificuldade de acesso aos órgãos de saúde pública.4 Estudos realizados com prostitutas encontraram que as mais jovens representam população de maior risco para aquisição de DST e que o uso de substâncias psicoativas.

com prostitutas cadastradas na Associação das Prostitutas do Ceará (APROCE). e esta dificuldade está muitas vezes relacionada às questões socioculturais que envolvem a prostituição e a falta de habilidade do profissional de saúde em lidar com essas questões. saúde reprodutiva. os profissionais de saúde devem ter competência e habilidades para ir além do conhecimento técnico-científico e levar em conta os aspectos culturais que influenciam na escolha do método e atender as necessidades de saúde sexual e reprodutiva dos clientes. Diante desta perspectiva. Cada bairro dispõe de educadoras sociais que. visando desenvolver atividades educativas para a promoção da saúde e do aconselhamento. são bairros de fácil acesso e as prostitutas são mais receptivas. pautada nos seguintes argumentos: têm o maior número de mulheres cadastradas. acompanhamento dos filhos. preconceitos e percepções errôneas acerca da sexualidade. Nesse sentido. folders informativos e próteses penianas para 180 . A escolha desses locais ocorreu por sugestão da própria APROCE. quando necessário. O estudo foi desenvolvido em três bairros na cidade de Fortaleza (CE): Centro. Os serviços parecem ignorar sua existência. A relevância deste estudo consiste na proposta de dar visibilidade ao problema da anticoncepção entre prostitutas. político e educativo de relevância em prol da melhoria da qualidade de vida e de trabalho dessas mulheres. procurou-se conhecer os saberes e as práticas das prostitutas com os métodos contraceptivos em Fortaleza (CE).744 prostitutas cadastradas e desenvolve um trabalho social. especialmente entre as prostitutas. MATERIAL E MÉTODOS Trata-se de um estudo descritivo. quinzenalmente. Esta associação possui 3. Na prática os profissionais vivenciam muitas dificuldades na abordagem de alguns temas que envolvem o exercício da sexualidade. No campo da anticoncepção.8 No geral as prostitutas não recebem uma assistência adequada dos profissionais nos serviços de saúde. O trabalho educativo das educadoras sociais é desenvolvido por meio de palestras e com a utilização de recursos do tipo álbuns seriados. precisariam estar preparados para lidar com mitos.quando impede que recebam orientações contextualizadas a seus estilos de vida e se sintam acolhidas em suas dúvidas acerca das formas de prevenção e assistência. vão a campo desenvolver trabalho educativo acerca de métodos contraceptivos e prevenção das DST/HIV/Aids junto às mulheres. auxiliando-as na escolha e no uso dos métodos contraceptivos. Barra do Ceará e Serviluz/Farol. dentre outros. Devem ajudar na tomada de decisão e desenvolver durante todo o atendimento um acolhimento respeitoso.

Quanto ao número de filhos.32. para que as participantes pudessem discorrer livremente sobre os temas abordados. bares. Fortaleza (CE). as educadoras sociais da APROCE acompanharam as pesquisadoras ao campo em todas as entrevistas.Revista Baiana de Saúde Pública demonstração do uso do preservativo. 53 (76. respeitando suas peculiaridades. saberes e práticas em relação aos métodos anticoncepcionais e à negociação do sexo protegido. n. A população do estudo foi composta de mulheres que vivem da prostituição e são cadastradas na APROCE. foram definidas três tardes. composto de dados sociodemográficos. Para o trabalho de campo.177-189 maio/ago. cabarés nos referidos bairros e aceitaram participar do estudo. RESULTADOS Caracterização dos aspectos sociodemográficos e reprodutivos A Tabela 1 apresenta a faixa etária e o total de filhos das 69 entrevistadas. A coleta de dados ocorreu no mês de janeiro de 2007. 2008 181 . Tabela 1. Os dados foram analisados e apresentados de forma descritiva em tabelas. As pesquisadoras tiveram o cuidado de aplicar os questionários individualmente e afastadas das educadoras. Destas. 22 (31. pois estes eram os dias em que elas iam aos referidos locais realizar o trabalho educativo. com múltiplas variáveis.7%) tinham de um a quatro. p. Distribuição das prostitutas de acordo com a faixa etária e número de filhos. em comum acordo com as educadoras. Os questionários foram aplicados nos ambientes de trabalho das mulheres. Foram entrevistadas todas as mulheres que se encontravam nos locais determinados para as entrevistas. O estudo recebeu aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade de Fortaleza (UNIFOR). A amostra foi composta por 69 mulheres que faziam programas sexuais em praças.1%) acima de 36 anos. 2007 v. utilizando-se um questionário. devido à dificuldade de acesso a essa população. Vale salientar que. 29 (42%) tinham entre 18 e 25 anos.2.9%) entre 26 a 35 anos e 18 (26. A presença dessas pessoas com certeza facilitou a execução do trabalho de campo.

0) entre 2 e 5 anos e 19 (27. Entre os métodos hormonais. 20 (29. 64 (92. 50 (72. No que se refere ao número de programas/dia.4%) usavam somente o preservativo. Todas as mulheres referiram o uso do preservativo.1%) entre cinco e seis dias. No que se refere à negociação do uso do preservativo.1%) delas exerciam também outra profissão. 20 (29%) fazem os programas às tardes e às noites.5%) exerce a atividade há mais de 6 anos. 29 (42.1%) nos três turnos. Verificou-se que 24 (34. o anticoncepcional hormonal oral foi citado por 67 (97. 12 (17.5%) só às noites e 18 (26. 37 (53. 24 (34. Quanto aos turnos de trabalho.41%) que não satisfaz (Tabela 2). 19 (27.2%) das mulheres.8%) já freqüentaram o serviço de Planejamento Familiar e que apenas 8 (11.5%) entrevistadas e 27 (39.Das participantes do estudo. 18 (26.0%) trabalhavam de cinco a sete dias da semana.2%) nunca fizeram e citaram como principal motivo o medo.6%) disseram que os parceiros não aceitavam e/ou dificultavam usar a camisinha em todas as relações.6%) responderam que o dinheiro satisfaz suas necessidades e 32 (46. 14 (20.8%) fazem até quatro programas por dia (Tabela 2).5%) há menos de um ano (Tabela 2). prevalecendo a de doméstica e de faxineira (Tabela 2). Quanto ao valor cobrado por programa.3%) gostam e cinco (7. Sobre o conhecimento acerca dos métodos contraceptivos. DIU). A maioria das mulheres 30 (43. referenciaram a laqueadura 61 (88. 14 (20. o DIU 55 (79. O tempo de prostituição variou de menos de um a 28 anos.6%). a maioria das prostitutas cobra de 10 a 30 reais (79. injetável.5%) fazem de cinco a seis programas/dia. e 68 182 . sendo o preservativo masculino o mais citado 69 (100%).3%) haviam feito laqueadura tubária e 30 (43. Ao serem questionadas sobre a consulta ginecológica. 37 (53.2%) gostam de alguns aspectos da prostituição.8%) fizeram exame de prevenção do colo uterino e 5 (7.6%) entre três e quatro dias.9%) das mulheres como forma de prevenção contra DST/HIV/Aids. Para 65 (94.7%) e o diafragma 15 (21. mesmo que associado a outro método.7%) associavam o preservativo a outros métodos contraceptivos (anticoncepcional oral. No que diz respeito ao número de dias e aos horários dos programas.4%).5%) referiram não gostar do que fazem.1%) mulheres.6%) ainda freqüentam esse serviço atualmente. 49 (76. A família tinha conhecimento da profissão de 39 (56. 37 (53.7%) Entre os métodos mais usados também se destacou o preservativo masculino (Tabela 3). pôde-se perceber que as prostitutas tinham maior informação sobre os métodos de barreira. A seguir.4%) entre um e dois dias. o preservativo é utilizado em todas as relações. Com o propósito de evitar a gravidez. O uso do preservativo foi citado por 51 (73. 28 (40.

32. 11 (16%) referiram já ter apresentado sintomas. p. Fortaleza (CE). Distribuição das prostitutas quanto à profissão.2. 2008 183 . n. 2007 v. 1 Papilomavírus humano (HPV).Revista Baiana de Saúde Pública (98. Tabela 2. 3 sífilis e 2 outros tipos de DST não especificadas.6%) dessas mulheres não aceitavam o sexo desprotegido. A maioria das entrevistadas. mesmo após a oferta de um valor maior em dinheiro. declarou que nunca apresentou sinais e/ou sintomas de DST.177-189 maio/ago. cujos diagnósticos foram: 5 gonorréias. 58 (84%).

6 184 .4 A idade é um componente que muito concorre na relação entre as mulheres que vivem da prostituição. É importante entender-se que. altos índices de desemprego. de maneira geral. Distribuição das prostitutas em relação à adesão ao serviço de planejamento familiar e uso de métodos contraceptivos. pois as mais jovens têm maior possibilidade de ganhar mais dinheiro. o que pode estar associado ao grande número de mulheres jovens. principalmente crianças e adolescentes pobres ou dependentes de substâncias psicoativas. expulsão de suas casas pelos pais e influência de amigas.6 Mais da metade das participantes do estudo tinha menos de seis anos na prostituição. por serem mais atraentes para os homens. as mulheres começam a se prostituir muito jovens. Fortaleza (CE).Tabela 3. A inserção na prostituição pode ser decorrente de fatores socioeconômicos e da dificuldade de encontrar outros tipos de atividades laborais em virtude da baixa escolaridade. O estudo mostra que em algumas situações elas necessitam deixar os filhos com as avós para irem trabalhar ou pagar a alguém para cuidar deles ou mesmo deixá-los sob a responsabilidade dos irmãos mais velhos. pois a grande maioria tinha filhos. falta de qualificação profissional. 2007 DISCUSSÃO Observou-se com este estudo que é grande o percentual de mulheres que iniciam a vida na prostituição ainda jovens e constituem família.

Permite a colocação com até oito horas de antecedência do ato sexual. e pela capacitação desigual e insuficiente dos profissionais para atuarem nessa área. Para muitas. o que pode contribuir para o aumento da morbidade e mortalidade materna.12 O preservativo masculino é mais popular que o feminino e ambos são distribuídos pela APROCE. Percebeu-se que há certo conhecimento por parte das entrevistadas sobre os métodos contraceptivos.11 As mulheres participantes da pesquisa. Para as mulheres que mantêm familiares e amigos alheios a suas atividades profissionais. sendo os preservativos masculino e feminino bastante familiares. Mesmo sendo distribuídos gratuitamente pela associação. é o alto custo e a dificuldade de acesso.13 É possível que mesmo estando disponível. demonstraram interesse em associar mais de um método contraceptivo. reservada a um âmbito privado.10 O pequeno número de usuárias no serviço de planejamento familiar pode ocorrer devido à limitação dos métodos contraceptivos oferecidos pelo serviço. p. Mesmo com o uso de outros métodos contraceptivos pelas prostitutas. estes métodos são em quantidade insuficiente. este não seja utilizado em função das mulheres v.177-189 maio/ago. a garantia de anticoncepção adquire papel fundamental e a falta de acesso aos métodos pode levar a gravidez não planejada e até a possibilidade de abortos provocados. Entretanto o número de prostitutas que fazem uso do preservativo feminino é reduzido. estar na prostituição é motivo de vergonha e elas tentam manter essa realidade dissociada de sua vida familiar. no geral. a dupla proteção deve sempre ser estimulada. A atenção ao planejamento familiar no Brasil continua a ser marcada pela indisponibilidade dos métodos nos serviços públicos de saúde. pois o aspecto físico depende muito da condição estética e de saúde destas mulheres. Estudo mostra que a rentabilidade cai a partir de 30 anos. pois este é reconhecido como método efetivo de barreira contra as DST.5%) de mulheres cujos familiares desconheciam a atividade de prostituição.32. Isso pode decorrer do fato de receberem os preservativos da APROCE e dos trabalhos de prevenção das DST/HIV/Aids realizados pelo governo e sociedade civil após o advento da Aids. O preservativo feminino apresenta muitas vantagens especialmente para as prostitutas. n. isso pode decorrer do fato de não saber usá-lo. Outra vantagem é permitir maior autonomia na decisão por relações sexuais mais seguras. segundo as entrevistadas. em geral. o temor de serem descobertas é uma preocupação constante e fonte adicional de estresse. totalmente distante de sua vida pública. estão com o corpo em melhor forma. No caso das prostitutas. por não conhecer seu próprio corpo.2. quando usado adequadamente. 2008 185 . porém.Revista Baiana de Saúde Pública As mais jovens. o que possibilita à mulher já sair de casa protegida. Uma das desvantagens desse método.9 Encontrou-se um percentual considerável 30 (43. aumentando as possibilidades de melhorar os rendimentos.

principalmente nas relações estáveis. Negociar o uso da camisinha com os parceiros ainda é difícil. Isto ocorre quando as mulheres identificam os clientes como já “antigos” ou “sadios”. culturais. mesmo não participando diretamente da aplicação dos questionários. Uma das principais dificuldades para a implementação dessas ações é 186 . especialmente quando são pessoas em quem confiam. devido à presença constante das educadoras sociais da APROCE que. Neste panorama. Entretanto o alto percentual de uso de preservativo deve ser analisado com cautela.14 As altas taxas de infecção por HIV e outras DST entre trabalhadoras do sexo em vários países indicam que os programas de prevenção e assistência para esta população são inexistentes ou ineficientes. afirmou usar o contraceptivo em todas as relações sexuais e que não aceitariam dinheiro para abrir mão de seu uso. Ressalta-se que é possível estas mulheres estarem com um nível de conhecimento elevado acerca da importância do uso do preservativo para a prevenção das DST/HIV/Aids.2%). mesmo com as ameaças evidentes de infecção pelo HIV. Nesses casos. 65 (94. alegando que deixava de usar com certos parceiros por achar que eles eram conhecidos.6 Percebeu-se que um percentual considerável das entrevistadas. ficavam em uma área próxima e isso pode ter influenciado nas respostas das prostitutas. sendo capazes de criar estratégias de transformação e mudanças em seus comportamentos sexuais para se protegerem da AIDS. o uso do preservativo fica como uma opção dos clientes e não uma exigência.12 A restrita mudança nas práticas sexuais femininas. as prostitutas apresentam como agravante sua condição “marginal” na sociedade. Elas são consideradas reservatórios de infecção e não recipientes em potencial. devido aos inúmeros trabalhos preventivos desenvolvidos pelos órgãos governamentais em parceria com as organizações não governamentais. O número de mulheres contaminadas pelo HIV tem aumentado em todo mundo e fatores biológicos.10 Por outro lado. antigos e de confiança. aponta para o fato de que a maioria das mulheres precisa evoluir no que se refere à prevenção.cederem aos apelos dos clientes. sociais e econômicos contribuem para esse incremento.13 No que se refere à atividade sexual. uma pessoa motivada fortalece a disposição do outro para engajar-se de forma mais efetiva na busca da transformação. pois poderia gerar algum constrangimento e problemas junto à instituição. com risco de adoecer. Entretanto uma revelou contradição. o que faz com que tenham dificuldade no acesso a serviços de saúde e programas de prevenção. o uso do preservativo se impõe como a única estratégia capaz de amenizar a propagação da epidemia entre as prostitutas. As mulheres encontravam resistência e enfrentavam medos e insegurança.

maior poder de decisão e respeito por si mesmas. livres da discriminação e do preconceito. ressalta-se o papel da educadora da Associação. Percebeu-se que uma grande maioria das prostitutas referiu usar o preservativo em todas as relações sexuais o que.177-189 maio/ago. em prol da saúde e da qualidade de vida dessas mulheres.2. as participantes afirmaram que sabiam sobre DST/AIDS.32. CONCLUSÃO Nos últimos anos. no que se refere a resultado de pesquisa. Há necessidade de atuação mais efetiva do Estado e da sociedade de modo geral. Assim. Além da alta adesão ao uso do preservativo masculino. v. 2008 187 . pouco se tem produzido. para se abordar o assunto. e urge a necessidade de acompanhamento sistemático dessas mulheres nos locais de trabalho ou em outros lugares que contemplem as exigências da profissão. Nesse sentido. o que pode ter contribuído para aumentar a adesão das mulheres ao uso do preservativo. são necessárias informações e orientações adequadas. porque. informar as mulheres sobre os métodos contraceptivos. Pretendeu-se com este estudo despertar a atenção dos profissionais de saúde para a problemática desse grande número de mulheres que vive na prostituição. Para abordar assuntos muitas vezes considerados polêmicos. propiciar maior conscientização da importância da saúde sexual. incontestavelmente. Portanto. desconhece-se como essa questão do uso do preservativo se desenvolve efetivamente na prática. Por sua vez. n. assim. muitas foram as ações de prevenção das DST/HIV envolvendo as prostitutas. A prostituição é um problema que se agrava cada vez mais. seu modo de vida e suas práticas de risco. sofre discriminação social e institucional. para se alcançar êxito nestes programas é importante conhecer o perfil da população alvo. contribui para a prevenção da gravidez. melhor escolha e emprego correto. Este argumento poderá ser forte para justificar a omissão do Estado e da Sociedade perante a questão biopsicossocial da prostituição. proporcionando. Por outro lado. muitas parecem estar conformadas com a situação e com a idéia de que é o único meio de trabalho capaz de suprir suas necessidades financeiras e sociais. direcionando-se as ações ao encontro de suas características e necessidades próprias. mediante palestras e álbuns seriados.14 Trata-se de uma temática que requer o desenvolvimento de novas investigações. p. o que aumenta sua situação de vulnerabilidade para adquirir DST/HIV/Aids e gravidez. É possível que essas mulheres estejam apresentando um comportamento mais autêntico. tem-se que recorrer a referenciais dos estudos sobre a prostituição em geral. que é promover o conhecimento de medidas preventivas para o autocuidado.Revista Baiana de Saúde Pública a resistência usual destas mulheres à abordagem e ao acompanhamento pelos serviços de saúde.

Brasil. 10.10/ 11(30/31):169-88. 6. Cenchi OE.10(1):58-66. Nupec. Prostituição infantil: uma questão de Saúde Pública.6(2):75-87. ciência e profissão 2003. A prostituição infantil. Competência profissional e assistência em anticoncepção. incluindo o planejamento familiar como uma fonte básica de controle e melhoria da qualidade de vida das prostitutas. facilidade de acesso aos serviços e aos métodos contraceptivos. Prostitutas cidadãs: movimentos sociais e políticas na área de saúde HIV/AIDS. 9. Molina AMR. Oltramari LC. esclarecimento de mitos e dúvidas. Representações sociais da prostituição na cidade do Rio de Janeiro.(30):427-38. 2004. Ministério da Saúde. 1993. R. 2005. NUPEC/UFPI-CBIA. In: Spink MJ. 8. REFERÊNCIAS 1.39(5):795-801. Portaria nº 48. 1995. Episteme 2003/04. Gomes R. Teresina: Halley. Cad. 7. Camargo BV. de 11 de fevereiro de 1999. Saúde Públ. Prostituição juvenil: uma condição existencial em busca de seus sentidos.Vislumbra-se ainda a real necessidade da ação integrada de equipe multidisciplinar na atenção à saúde da mulher. Essas mulheres necessitam de um atendimento por equipe multidisciplinar. 188 .32(1/ 2):53-68. p. Representações sociais de profissionais do sexo sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e contracepção. Oltramari LC. Ano Internacional da Mulher. Castro R. Profissionais do sexo e identidade: um levantamento das publicações relacionadas à prostituição no Brasil.23(2):22-9. 1994. 5. Psicologia: Teoria e Prática 2004. Ciênc. Rodrigues MT. Rev. Moura ERF. 3. 4. organizador. Alvarez GO. seus aspectos e a realidade bauruense. enfatizando a importância da dupla proteção para a prevenção das DST e conseqüente melhoria da qualidade de vida. Psicologia. Mulher-menina: um estudo da exploração sexual feminina infantojuvenil em Teresina. Silva RM. Sociais 2001. Brasília (DF).149-187. 2. Revista do Instituto de Pesquisas e Estudo: divisão jurídica 2005. São Paulo: Brasiliense. Saúde Públ. O conhecimento no cotidiano: as representações sociais na perspectiva da psicologia social. Alvares SC.

Enferm. Enferm.2008. Trindade MP Schiavo MR. O uso do preservativo masculino e feminino . 4(1):74-9.11. Doenças Sex. DST – J. v. entre alunos de enfermagem na Universidade de Fortaleza. Bandeira VMP Diógenes MAR.13(5):17-22. n.2:413-9. 2001. Camiá GEK. 2008 189 . Diagnósticos de enfermagem em mulheres que freqüentam serviços de planejamento familiar. p. R.6.2007 e aprovado em 9. Marin HF. Brás. UERJ 2006. 12.32. 2001.9(2):26-34. Padian N. Prostitute women and AIDS: epidemiology. AIDS 1988. Recebido em 19. Latino-Am. R. 14. ao HIV/AIDS. Transm. Comportamento sexual das mulheres em relação .2.Revista Baiana de Saúde Pública 11. 13.177-189 maio/ago.

Verificou-se elevada inadequação no consumo de vitaminas (vitamina C. Endereço para correspondência: Rua João dos Santos. O consumo mediano de cálcio foi cerca de 1/3 do valor recomendado. Drs. 230. MG. A prevalência de inadequação de ferro foi baixa entre os idosos. A. Palavras-chave: Idoso.com.2% e 79.05). sugerindo a necessidade de implementação de ações de assistência social e educacional para melhorar o quadro nutricional deste grupo. Para avaliar o consumo alimentar. B2 e B6). Alimentação. baixa renda.3% dos idosos. Foi aplicado um questionário para avaliar as variáveis socioeconômicas e de saúde. edentulismo. uso de medicamentos e sedentarismo interferiram negativamente no consumo de energia (p<0. Departamento de Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG). wilsonprofessor@oi. utilizou-se a média obtida a partir da soma do consumo encontrado entre o recordatório de 24 horas e o questionário de freqüência alimentar semi-quantitativo (QFCA-s). Consumo alimentar. CEP: 37-925-000.br 190 . Profs. Nova Brasília. Piumhi. Epidemiologia. Os resultados mostram uma ingestão alimentar deficiente em vários nutrientes. B1. A ingestão de proteínas foi afetada negativamente pelo edentulismo e sedentarismo. A ingestão de energia e proteína ficou abaixo da necessidade estimada para 94. Os fatores. morar sozinho ou com três gerações. a b Mestre em Ciências da Nutrição pelo Departamento de Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG).ARTIGO ORIGINAL INADEQUAÇÃO NO CONSUMO ALIMENTAR E FATORES INTERFERENTES NA INGESTÃO ENERGÉTICA DE IDOSOS MATRICULADOS NO PROGRAMA MUNICIPAL DA TERCEIRA IDADE DE VIÇOSA (MG) Wilson César de Abreua Sylvia do Carmo Castro Franceschinib Adelson Luiz Araújo Tinocob Conceição Angelina dos Santos Pereirab Margarida Maria Santana Silvab Resumo O presente estudo teve como objetivo avaliar o consumo alimentar de idosos matriculados no Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI) de Viçosa (MG) e os possíveis fatores que interferem negativamente sobre o mesmo.

2 o Brasil possui 14. especialmente no grupo dos idosos. perda da capacidade funcional e alterações das funções metabólicas.1 A partir da década de 1960. An elevated inadequacy in the consumption of vitamins (vitamin C.5 milhões de idosos (pessoas com 60 anos ou mais). Food. edentulism. bem como a ocorrência e 3 distribuição de doenças numa população. means were obtained from the sum of the 24 hour recording consumption and the semi-quantitative feed frequency questionnaire (SQFFQ). Este é marcado por uma redução progressiva dos tecidos ativos. Food consumption. que não necessariamente acarretarão a ocorrência de enfermidades. Investigar os hábitos alimentares e o consumo de nutrientes. Protein intake was affected negatively for edentulism and sedentarism. Average calcium consumption was about 1/3 of the value recommended.190-202 maio/ago. Key words: Elderly. ao qual todo ser vivo está submetido. O interesse nas relações entre dieta e doença vem aumentando nas últimas décadas. p. a alimentação equilibrada torna-se fundamental para a manutenção e/ou recuperação da saúde deste grupo populacional.2. são passos fundamentais da epidemiologia nutricional na busca do entendimento das relações existentes entre a alimentação e as doenças. Epidemiology. 2008 191 .05). living alone or within a three generation family.32. The prevalence of iron inadequacy was low among the elderly. associado à queda na taxa de fecundidade.Revista Baiana de Saúde Pública FOOD CONSUMPTION INADEQUACY AND INTERFERING FACTORS IN ENERGY INTAKE OF THE ELDERLY ENROLLED IN THE CITY OF VIÇOSA’S (MG) THIRD AGE PROGRAM Abstract The present study was designed to evaluate food consumption of the elderly enrolled in the City of Viçosa´s (MG) Third Age Program (CTAP) and possible factors negatively interfering upon it. Low income.3% of the elderly. realizado pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o Censo de 2000. são poucos os estudos sobre o consumo alimentar.2% and 79. A. v. To evaluate food consumption. Results show deficient food intake as to several nutrients. Energy and protein intake remained bellow the requirement estimated for 94. n. B2 and B6) was verified. use of medicines and sedentarism were factors negatively interfering in energy consumption (p<0. Considerando as mudanças na capacidade funcional dos tecidos e maior risco para desenvolvimento de doenças. teve início o processo de envelhecimento brasileiro. A questionnaire was applied to evaluate socioeconomic and health variables. suggesting the need of implementation of social and educational assistance actions in order to improve this group’s nutritional scenery. B1. No Brasil. INTRODUÇÃO O envelhecimento é um processo natural.

isolamento social.7. são mais importantes que os fisiológicos. como a diminuição do metabolismo basal.5 Destacam-se também os fatores psicossociais. Os fatores socioeconômicos. colón-reto. Os fatores sociais. é de extrema importância a realização de investigações que retratem a realidade alimentar da terceira idade. ou seja. não só ao baixo peso e obesidade. Certamente. no qual foram avaliados a inadequação da ingestão de nutrientes e os fatores interferentes na ingestão energética de idosos matriculados no Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI) de Viçosa (MG). bem como a associação existente entre o consumo de sódio e a pressão arterial. alterações no funcionamento digestivo.8 O efeito do consumo deficiente ou excessivo de nutrientes está relacionado. 192 . também podem afetar negativamente o consumo alimentar. econômicos e nutricionais que envolvem o tema. absorção e utilização dos nutrientes. este conhecimento constituirá em material fundamental para a elaboração de estratégias que melhorem o quadro de saúde dos idosos. muitas vezes.Entretanto. uma vez que muitos desses alteram a ingestão. culturais. Atualmente são conhecidas as relações entre alguns nutrientes e doenças específicas.7 O freqüente uso de medicamentos na terceira idade também deve ser considerado. então. tais como o consumo de gorduras saturadas e colesterol e o risco de doenças coronarianas. digestão. mas também a diversas doenças. tais como: depressão.9-13 Frente à mudança demográfica que o Brasil experimenta e à escassez de informações sobre a situação alimentar dos idosos.6 Já as alterações fisiológicas. o teor de nutrientes que a compõem torna-se. cada vez mais importante. dependência para realizar atividades da vida diária e comprometimento da capacidade cognitiva. alterações na percepção sensorial e diminuição da sensibilidade a sede. pobreza. CASUÍSTICA E MÉTODOS Trata-se de estudo transversal. assim como as interações entre eles tornam esta análise bastante complexa. localizada no estado de Minas Gerais. o consumo adequado de fibras e a redução do risco de câncer de boca. estudar o consumo alimentar de uma população não é tarefa que se execute sem esforço. redistribuição da massa adiposa. O objetivo deste estudo foi avaliar o consumo alimentar e os fatores interferentes na ingestão energética de idosos matriculados no Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI) na cidade de Viçosa. Investigar a qualidade da dieta. faringe.4 Diversos fatores podem afetar o consumo alimentar dos idosos. especialmente as crônicas não transmissíveis. desintegração social.

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Casuística A unidade amostral deste estudo foi o idoso, definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como indivíduo com idade igual ou superior a 60 anos, matriculado no Programa Municipal da Terceira Idade (PMTI) de Viçosa-MG. O referido Programa tem como objetivo principal promover a melhoria da qualidade de vida dos idosos. No PMTI, os idosos participam de atividades educativas (palestras), físicas, recreação, atendimento médico, odontológico e nutricional. Para todas as variáveis estudadas obteve-se amostra mínima de 163 idosos, que foi calculada considerando uma freqüência máxima esperada de idosos igual a 12% e um erro amostral de 5%.14 Participaram deste estudo 164 idosos matriculados no PMTI de Viçosa (MG), que corresponde a 11,7 % do total de idosos matriculados no PMTI. Estes foram selecionados aleatoriamente pelo seu número de matrícula, utilizando-se a tábua de números aleatórios. A coleta de dados foi realizada por um único entrevistador no Ambulatório de Atendimento Nutricional do Núcleo de Saúde Pública do Departamento de Nutrição e Saúde da Universidade Federal de Viçosa. Métodos O consumo de macro e micronutrientes dos idosos participantes deste estudo foi avaliado utilizando-se a média obtida com base em dois tipos de inquéritos dietéticos, ambos aplicados uma vez em cada participante: o Recordatório de 24 horas e o Questionário de Freqüência de Consumo Alimentar Semi-quantitativo (QFCA-s). A inadequação da ingestão de micronutrientes pelos idosos foi calculada com base nas Ingestões Dietéticas de Referência (Dietary Reference Intakes - DRIs) do Institute of Medicine/Food and Nutrition Board, considerando a Necessidade Média Estimada (Estimated Average Requirement - EAR) como ponto de corte, exceto para o cálcio, o qual foi avaliado tendo-se como parâmetro de comparação, a Ingestão Adequada (Adequate Intakes - AI).15-18 Para o cálculo da inadequação da ingestão de macronutrientes (carboidratos, lipídeos e proteínas) e energia utilizou-se as recomendações Institute of Medicine/Food and Nutrition Board.19 Por meio de um questionário foram coletados dados sobre algumas variáveis socioeconômicas (renda, escolaridade, composição familiar) e de saúde (prática de atividade física, tabagismo, ingestão de álcool, saúde oral e uso diário de medicamentos) para verificar sua possível interferência sobre o consumo de energia. O estudo foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Viçosa (MG) — processo nº 643/02. Os idosos selecionados e que aceitaram participar do estudo, assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Com relação aos idosos analfabetos foi exigida a assinatura de um familiar ou responsável.

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Os dados foram analisados utilizando-se os softwares Epi Info versão 6.02 e Sigma Stat versão 2.0. Para analisar as variáveis categóricas foi aplicado o teste do Qui-quadrado (c2). Aplicou-se o teste de aderência de Komolgorov-Smirnov às variáveis contínuas. Para a comparação de dois grupos, onde a distribuição não foi simétrica, utilizou-se o Teste de Mann-Whitney e para comparar três ou mais grupos utilizou-se o teste de Kruskal Wallis complementado pelo Procedimento de Comparações Múltiplas de Dunn’s. O nível de significância adotado foi igual ou inferior a 0,05 ou 5%. RESULTADOS Participaram deste estudo 44 homens e 120 mulheres. No PMTI a maioria dos idosos matriculados (69%) é do sexo feminino. A idade mediana dos idosos foi igual a 68 anos, sendo a mínima igual a 60 anos e a máxima 90 anos. Apesar do PMTI oferecer atividades físicas orientadas, a prevalência de sedentarismo foi elevada, sendo significativamente maior entre os homens (49,5%) em relação às mulheres (54,2%) (p=0,0056). O edentulismo (perda total dos dentes) atingiu 81,7% dos idosos. O uso diário de medicamentos foi relatado por 81,1% dos idosos, sendo maior entre as mulheres (88,3%) em relação aos homens (61,4%) (p=0,0003). Os idosos utilizavam em média 2,35 medicamentos/dia (feminino=2,60 e masculino=1,68, p=0,008). Com relação à composição familiar, 12,3% dos idosos moravam sozinhos, 17,9% com cônjuge, 47,5% com filhos e 22,2% com filhos e netos. Um percentual de 45,4% dos idosos vivia com uma renda familiar per capita inferior a um salário mínimo (SM), 40,1% entre um a dois SM e 14,5% acima de 2 SM. A Tabela 1 mostra a mediana e a freqüência de inadequação do consumo de micronutrientes. Com exceção do ferro e colesterol, todos os outros micronutrientes apresentaram elevada prevalência de inadequação entre os idosos. A prevalência de inadequação foi maior entre homens para vitamina C, vitamina A, vitamina B2. Já as prevalências de inadequação de vitamina B1, B6 e ferro foram maiores entre as mulheres. No entanto, não houve diferença significativa entre as proporções de inadequação em relação ao sexo. A ingestão média de carboidratos foi superior à ingestão dietética de referência (IDR = 130g/dia) para ambos os sexos (Tabela 2). Ao todo 74,4% dos idosos ingeriam mais que 130 gramas de carboidratos por dia. A ingestão média de proteínas foi baixa. Ao todo 84,1% dos idosos apresentaram ingestão de proteínas abaixo do recomendado para o sexo masculino (56 g/dia). Já entre as idosas 75% ingeriam menos proteína que o recomendado (46 g/dia). Considerando a ingestão de proteínas por quilograma de peso corporal observou-se que 79,3% dos idosos apresentaram ingestão média diária abaixo do recomendado (0,8 g/kg/peso corporal), sendo a ingestão média do sexo masculino e feminino igual a 0,61± 0,20 e 0,64 ± 0,24 g/dia, respectivamente (Tabela 2). A presença de edentulismo e sedentarismo associou-se negativamente com a ingestão de proteínas (p<0,01).

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Tabela 1. Inadequação da ingestão de nutrientes de idosos do PMTI, de acordo com o sexo, Viçosa (MG), 2002

Tabela 2. Ingestão média diária de macronutrientes, de idosos do PMTI, Viçosa-MG, 2002.

De acordo com as IDRs,19 a distribuição percentual aceitável de macronutrientes deve estar entre 45-65%, 20-35%, 10-35% para carboidratos, lipídeos e proteínas, respectivamente. A Tabela 2 mostra a distribuição percentual média de macronutrientes para os idosos avaliados. Todos apresentaram ingestão percentual de macronutrientes dentro das faixas recomendadas. A ingestão média de fibras totais foi igual a 16,8 ± 5,8 g/dia para o sexo masculino e 15,5 ± 5,11 g/dia para o sexo feminino. Apenas 9,2% das mulheres atingiram a recomendação diária de fibras totais (21 g/dia) e todos os homens ficaram abaixo da recomendação para o sexo masculino (30 g/dia).

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NAF= não faz atividade física. Legenda: ED=edêntulo.05). **p<0. NUMED= não usa medicamento.01. Entre as idosas. todos ficaram abaixo da EER. Kruskal-Wallis complementado por Dunn’s. Os idosos que moravam sozinhos (CF1) ou em domicílios com três gerações (CF4) apresentaram menor ingestão de energia em relação aos demais e o grupo de idosos que vivia somente com o(a) parceiro(a) apresentaram maior ingestão sem diferença significativa (p>0. teste de Mann-Whitney. sedentários e que usavam algum medicamento diariamente. 2002 196 . CF2= casal.05). 2002 * p<0. 94. Gráfico 2. Viçosa (MG). Entre os idosos edêntulos. de acordo com o quartil de renda.A maioria dos idosos apresentou ingestão energética inadequada. CF4=3 gerações.05. Viçosa (MG). sendo que houve diferença significativa entre o quarto quartil e os dois primeiros (Gráfico 1). segundo variáveis sociais e de saúde. * Q4> Q1 e Q2 (p<0. UMED= usa medicamento. No PMTI a ingestão energética dos idosos associou-se positivamente com a renda. AF= faz atividade física. Mediana de ingestão energética de idosos do PMTI. Mediana de ingestão de energia de idosos do PMTI. CF3=2 gerações. NED= não edêntulo. a ingestão de energia foi significantemente menor (Gráfico 2).2% ingeriam energia abaixo da EER (valor recomendado) e entre os homens. CF1= mora sozinho. Gráfico 1.

favorecendo a ingestão inadequada de vitaminas.27.21. frequentemente observada neste grupo populacional. Cervato. Carvalho. v.28 Velasquez-Melendez. uma vez que houve uma importante redução nos parâmetros de avaliação da adequação da dieta utilizados na última década. p. 2008 197 . Patterson e Fernández21 encontraram médias iguais: 11.190-202 maio/ago.24 A baixa prevelência de inadequação no consumo de ferro observada neste estudo deve ser analisada com cuidado. sendo a mediana de ingestão igual a 414 mg/dia para homens e 240mg/dia para mulheres. especialmente na forma cru. Fornes e Maucci 20 também encontraram baixos valores de ingestão de cálcio. Garcia. o que pode causar importante prejuízo aos idosos. especialmente em mulheres após a menopausa. Existem evidências de que pessoas com perda total dos dentes ou com próteses mal ajustadas apresentam dificuldades para mastigar e engolir. 20.26 A ingestão de cálcio pelos idosos do PMTI ficou abaixo do valor recomendado (Tabela 1). a elevada prevalência de edentulismo pode limitar o consumo de hortaliças e frutas crus. Os poucos estudos sobre o consumo de vitaminas em idosos. evitando alimentos de consistência firme.32.5% não sabiam que a falta de cálcio favorecia a ocorrência da osteoporose.1 mg/dia) e Lasheras. A carência de ferro está associada a uma diminuição da imunidade celular e conseqüente aumento da susceptibilidade a infecções. Martins.3 e 9. como carnes ou vegetais e frutas crus. Portanto a ingestão adequada de nutrientes é fundamental para a manutenção da saúde em qualquer fase da vida. Fonseca e Pedrosa29 realizaram um estudo com 95 idosos piauienses no qual 62.18 A ingestão média de ferro encontrada entre os idosos do PMTI foi menor a encontrada por outros autores.Revista Baiana de Saúde Pública DISCUSSÃO Várias patologias têm sua origem na deficiência ou excesso de nutrientes.2. Outros estudos também encontraram ingestão média de cálcio abaixo das recomendações para ambos os sexo. Gonzáles. bem como a utilização de diferentes metodologias dificultam a comparação dos resultados. Martins. A ingestão deficiente de cálcio durante a vida está associada com aumento do risco de osteoporose. Fornes e Maucci20 encontraram níveis de ingestão de ferro igual para ambos os sexos (10.23 Além disso a baixa renda dos idosos dificulta o acesso a diversos alimentos ricos em vitaminas e minerais. passando de 10mg/dia (RDA/89) para 6mg/dia para homens e 5mg/dia para mulheres (EAR/DRI-s.25. Velasquez-Melendez. é decorrente da baixa ingestão de hortaliças e frutas. Entre os idosos do PMTI. respectivamente.20 O baixo consumo de vitaminas encontrado é semelhante ao de outros estudos. Cervato. n.21 Segundo Jaime e Monteiro22 a ingestão deficiente de vitaminas e minerais.0 g/dia para homens e mulheres. 2002).

23. doenças crônicas que diminuem a capacidade funcional do rim e do fígado reduzem as necessidades de proteínas. A baixa ingestão média de proteínas observada no PMTI foi diferente de outros estudos que encontraram médias de ingestão diária entre 60 e 70 g/dia. Garcia. no qual os idosos moram com filhos e netos. Moriguti.1%).1 g/dia. náuseas. Patterson e Fernández21 encontraram um consumo médio de de 14.1. a ingestão protéica de idosos é assunto controverso. Dessa forma. o uso de próteses mal ajustadas tornam a alimentação uma atividade desconfortável. uma vez que a capacidade mastigatória diminui. respectivamente.21. o controle da ingestão de lipídios. diminuição do paladar) também contribuem negativamente para o consumo alimentar. pois este grupo etário apresenta uma alta prevalência de doenças cardiovasculares. Paiva. Estes resultados sugerem que esse arranjo familiar. Entretanto não foi investigado neste estudo a composição de lipídeos ingeridos. alguns efeitos adversos dos medicamentos (anorexia.01). Gonzáles.34 As medianas de renda per capita dos grupos CF1. Mattos e Martins30 evidenciaram consumo médio de 24 g/dia de fibras em indivíduos com idade entre 20 e 88 anos.04 e 13. pobreza e descuido. Segundo Ferriolli.6 a alta prevalência de baixo peso entre idosos eleva as necessidades de ingestão de proteínas. sendo estas a maior causa de mortalidade entre eles.35 198 . O baixo consumo de energia observado entre os idosos que moravam sozinhos (CF1) e em domicílios com três gerações (CF4) pode ser decorrente da solidão. Segundo Campos. Lasheras. Uchoa e Lima-Costa33 em idosos da região metropolitana de Belo horizonte (72. pode estar associado às condições econômicas da família.11 A ingestão de colesterol e o percentual de lipídeos consumido estava dentro das recomendações.34. Tannus e Rigo et al.O consumo elevado de gordura aumenta o risco de doenças cardiovasculares. CF2 e CF3 foram significantemente maiores que a do grupo CF4 (p<0. Por outro lado.7 g/dia para homens e mulheres. Monteiro e Ornelas 7 o uso frequente de medicamentos pode prejudicar os processos de digestão. mesmo com o uso de próteses.28 A perda dos dentes pode comprometer a ingestão alimentar.. Além disso. aumentando o risco de baixo peso entre idosos.31. Entre os idosos. Outros autores encontraram uma média igual 4.8 A maioria dos idosos do PMTI moravam em domicílios multigeracionais. especialmente de origem animal. Miranda. absorção e utilização dos nutrientes. Além disso.32 A prevalência do uso de medicamentos entre os idosos do PMTI foi um pouco superior a encontrada por Loiola Filho. deve ser incentivado.28 A ingestão inadequada de fibras encontrada no PMTI pode estar associada ao edentulismo que dificulta a mastigação de vegetais crus.

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Mestre em Higiene e Processamento de Produtos de Origem Animal pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Universidade do Estado da Bahia (UNEB). 2008 203 . s/nº . constatou-se a presença de coliformes termotolerantes acima do número permitido por lei.203-217 maio/ago.32.br v. Este trabalho tem como objetivo geral avaliar a qualidade microbiológica e higiênico-sanitária da água de coco comercializada em carrinhos ambulantes com serpentina para refrigeração. Coliforme termotolerante. de 16 diferentes carrinhos ambulantes equipados com serpentina para refrigeração. As amostras da água foram submetidas a pesquisa de coliformes termotolerantes. Ambulante.1%) houve crescimento de bactérias aeróbias mesófilas e em 11 (34. p.4%).2.2% classificados como BOA. Departamento de Educação – Campus X. podendo servir de veículo de contaminação dos alimentos e bebidas. A atividade ambulante é geralmente exercida por pessoas não treinadas. pela técnica de semeadura em profundidade.995-000. Endereço para correspondência: Prof. classificando estes produtos como impróprios para o consumo humano.8% apenas REGULAR e somente 6. 43. M. Av. Das 32 amostras de água de coco analisadas. utilizando a técnica do Número Mais Provável (NMP) e a contagem padrão em placas de bactérias aeróbias mesófilas. CEP: 45. Os métodos empregados foram baseados nos recomendados pela Associação Americana de Saúde Pública. Palavras-chave: Água de coco. a b Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Kaikan. em 25 (78.5% classificados como PÉSSIMO. nos logradouros do município de Teixeira de Freitas (BA). 37. Nenhum foi classificado como EXCELENTE. obtiveram-se os seguintes resultados: 12. jfortuna@uneb. n. Jorge Luiz Fortuna. Ao avaliar as Boas Práticas de Higiene dos ambulantes.Universitário. manipuladas e processadas. Teixeira de Freitas-BA. Sc.Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL AVALIAÇÃO DA QUALIDADE MICROBIOLÓGICA E HIGIÊNICO-SANITÁRIA DA ÁGUA DE COCO COMERCIALIZADA EM CARRINHOS AMBULANTES NOS LOGRADOUROS DO MUNICÍPIO DE TEIXEIRA DE FREITAS (BA) Danielle Barros Silva Fortunaa Jorge Luiz Fortunab Resumo O consumo da água de coco verde no Brasil é crescente e significativo. Foram analisadas 32 amostras de água de coco in natura. Docente da disciplina Microbiologia do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).5% como RUIM.

devido às diversas contaminações que podem ocorrer durante seu deslocamento sob elevadas temperaturas e prolongado tempo. 37. busca a modernização e profissionalização nos processos de plantio. pois depende da logística do fruto in natura até estes locais.1 Este crescimento vem estimulando a produção agrícola do coco verde que.5% were graded as VERY BAD. A popularização desta bebida desencadeou um aumento progressivo de seu consumo. thermotolerant coliforms presence was evidenced above allowed number. pela extração da água do fruto in natura. para garantir ainda mais o crescimento do mercado. serving as possible vehicle of foods and drinks contamination. in 25 (78. cuja grande demanda é suprida. Water samples were subject to the Most Probable Number (MNP) thermotolerant coliforms research technique and to pour plate technique for mesophil bacteria standard aerobic plate count. When assessing itinerant merchants’ Good Practices in Hygiene. only 43. This study aims at. principalmente.2 O consumo em locais distantes de sua região de origem sempre foi problemático. O apoio da mídia foi fundamental para disseminar a importância e os benefícios que o consumo proporciona à saúde humana.1%) there was aerobic mesophil bacteria growth and in 11 (34.MICROBIOLOGICAL QUALITY AND HYGIENIC-SANITARY ASSESSMENT OF COCONUT WATER IN STREET CARTS IN TEIXEIRA DE FREITAS CITY Abstract Coconut water consumption in Brazil is increasing and noteworthy. The itinerant activity is generally performed by untrained people. 32 in natura manipulated and processed coconut water samples were analyzed from 16 different coil refrigerated itinerant carts. Out of the 32 samples of coconut water analyzed. com este incentivo. distribuição e comercialização.5% as BAD. Key words: Coconut water. assessing microbiological and hygienicsanitary quality of coconut water of sold in coil refrigerated itinerant carts in Teixeira de Freitas (BA) city streets. Thermotolerant coliforms.3 204 .8% as REGULAR and exclusively 6. the following results were obtained: 12.4%).2% classified as GOOD. colheita. basically. None was graded as EXCELLENT. INTRODUÇÃO O consumo da água de coco verde no país é crescente e significativo. Methods recommended by the American Public Health Association were employed. Itinerant. o que ocasiona comprometimento da qualidade do produto. classifying these products as inappropriate for human consumption.

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A crescente acessibilidade do consumidor de cidades não litorâneas à água de coco deve-se, além da ampliação logística do produto, às criativas maneiras que os comerciantes encontraram para disponibilizar esta iguaria nos centros urbanos. Exemplo disso é a recente criação de carrinhos ambulantes que apresentam serpentina de refrigeração, destinados à comercialização da água de coco. Entretanto é importante salientar que a atividade ambulante é geralmente exercida por pessoas não treinadas que, ao manusearem o alimento, por desconhecimento e/ou maus hábitos de higiene, podem servir de veículos de contaminação dos alimentos e bebidas. É necessário e urgente que este profissional, mesmo que atue de maneira informal no mercado de trabalho, tenha consciência dos danos que pode causar à saúde do consumidor, da importância de seu papel e de como deve exercer seu ofício para atender às recomendações das leis sanitárias vigentes. Tendo em vista a importância da venda de alimentos por ambulantes para a população, ressaltando as boas condições higiênico-sanitárias para a garantia da Segurança Alimentar na manipulação dos alimentos, este trabalho tem como objetivo geral avaliar a qualidade microbiológica e higiênico-sanitária da água de coco comercializada em carrinhos ambulantes com serpentina para refrigeração nos logradouros do município de Teixeira de Freitas (BA) e verificar sua conformidade com as leis sanitárias vigentes. A pesquisa tem como objetivos específicos: (1) verificar a presença de coliformes termotolerantes nas amostras de água de coco coletadas, com o uso da técnica do Número Mais Provável (NMP); (2) enumerar bactérias aeróbias mesófilas das amostras de água de coco mediante a Contagem Padrão em Placas; e (3) investigar as condições higiênico-sanitárias dos vendedores ambulantes de água de coco. METODOLOGIA Foram analisadas 32 amostras de água de coco in natura, manipuladas e processadas, coletadas em 16 diferentes carrinhos ambulantes equipados com serpentina para refrigeração, comercializadas nos logradouros do município de Teixeira de Freitas, localizado no extremo sul da Bahia. Foram coletadas duas amostras de água de coco in natura, comercializadas em copos descartáveis de 300 ml, adquiridas pela compra direta com os ambulantes dos carrinhos, durante a primeira quinzena de junho de 2007, uma no período da manhã, entre nove e onze horas e outra no período da tarde, entre quinze e dezessete horas. As amostras foram acondicionadas em frascos de vidro devidamente esterilizados em autoclave e encaminhadas em recipiente isotérmico para o Laboratório de Microbiologia da Universidade do Estado da Bahia – Campus X, Teixeira de Freitas (BA), para a realização imediata da análise.

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Os métodos empregados foram baseados nos recomendados pela Associação Americana de Saúde Pública — American Public Health Association (APHA). As amostras da água foram submetidas à pesquisa de coliformes termotolerantes utilizando a técnica do Número Mais Provável (NMP)4 e à contagem padrão em placas de bactérias aeróbias mesófilas, pela técnica de semeadura em profundidade (pour plate).5, 6 O resultado obtido como NMP/ml da amostra permitiu avaliar a qualidade microbiológica da água de coco, conforme os padrões estabelecidos pela Resolução RDC nº 12, de 2 de janeiro de 2001.7 Para cada amostra coletada de água de coco foi feita a medida de temperatura e de pH. A determinação de temperatura foi realizada utilizando-se um termômetro digital portátil, do tipo espeto, com um intervalo de determinação de temperatura de -10°C a 110°C no ato da coleta das amostras. O pH foi determinado utilizando-se um pHmetro digital portátil (Corning pH-10 Mite®), no próprio Laboratório, após a retirada da alíquota de 10 ml para a obtenção das diluições. Para avaliar as Boas Práticas de Higiene dos manipuladores foi utilizado um instrumento de medição de qualidade. Um pequeno guia de verificação ou check-list (Figura 1) do

Figura 1. Modelo da ficha de avaliação higiênico-sanitária dos manipuladores de água-de-coco comercializada em carrinhos nos logradouros do município de Teixeira de Freitas (BA). Jun. 2007. 206

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tipo entrevista direta com os 16 responsáveis pela manipulação dos cocos, dos respectivos carrinhos ambulantes, sobre a prática de higiene-sanitária, no que diz respeito ao produto a ser comercializado. Além disso, foram observadas as principais etapas da comercialização rotineira da água de coco in natura pelos ambulantes, desde o armazenamento do fruto e sua abertura até o acondicionamento nos copos plásticos descartáveis. RESULTADOS E DISCUSSÃO Das 32 amostras de água de coco analisadas, a temperatura no momento da coleta variou entre 4,1°C e 20,5°C e pH de 4,25 e 6,30. Das 32 (100%) amostras, 27 (84,38%) apresentaram temperatura acima do padronizado por lei (máximo de 5,0°C), conforme a RDC nº 218. Quatorze (43,75%), tiveram pH fora dos padrões preconizados pela literatura científica (4,55,5).8 O efeito da temperatura do produto não só acelera o crescimento microbiológico como também altera a aparência e o sabor da água. Tal desenvolvimento pode estar relacionado com a composição nutricional da água de coco.9 Ocorreu em 25 (78,1%) o crescimento de bactérias aeróbias mesófilas e em 11 (34,4%), constatou-se a presença de coliformes termotolerantes acima do número permitido por lei (Tabela 1). Estes resultados possibilitaram a classificação destes produtos como impróprios para o consumo humano. De acordo com a RDC nº 12, os sucos e refrescos in natura, incluindo água de coco, caldo-de-cana, de açaí e similares, isolados ou em misturas, tolera o número máximo de 10² de coliformes a 45°C (coliformes termotolerantes) por mililitro (ml).7 Não há um padrão para bactérias aeróbias mesófilas para estes produtos. Com relação aos resultados obtidos na contagem de bactérias aeróbias mesófilas, é importante observar que, segundo a legislação vigente, a detecção deste grupo de microrganismos numa amostra de água de coco não a torna imprópria para o consumo humano, mas permite uma avaliação das condições higiênico-sanitárias das amostras analisadas.10 Os cocos encontravam-se armazenados dentro e fora do carrinho. Do lado de dentro foi constatada a presença de lixo. Do lado de fora, os comerciantes os deixavam expostos sobre a tampa do carrinho, sob o pretexto de ser uma boa estratégia de venda, atraindo os consumidores. Algumas vezes, os cocos ficavam pelo chão, no meio-fio da calçada urbana. A higienização dos cocos nem sempre era feita, e quando ocorria, utilizavam pano úmido. O lixo (casca de cocos e copos descartáveis) geralmente se encontrava acondicionado em sacos de lona ou caixotes de papelão, que eram recolhidos pelo caminhão de coleta de lixo da Prefeitura. A limpeza dos carrinhos e serpentinas, geralmente, segue um esquema estabelecido pelo vendedor ambulante, de acordo com sua própria idéia de “necessidade”, o

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Alguns utilizam xampu. Resultados das análises das amostras de água-de-coco coletadas dos carrinhos ambulantes nos logradouros do município de Teixeira de Freitas (BA). geralmente. alternadamente.que varia entre dois em dois dias. por exemplo. outros somente água. uma vez por semana a uma vez por mês. A limpeza do carrinho é feita com detergente e água na maior parte dos casos. Interessante notar que alguns vendedores dão maior prioridade à limpeza dos carrinhos. que é lavada somente uma vez por mês. Tabela 1. 208 . Na serpentina. em vez da serpentina. é utilizada água fria e água fervente. Junho / 2007. limpando-os toda semana.

7% dos vendedores usavam adornos nas mãos.2. Estes resultados revelam oportunidades das mãos funcionarem como carreadoras de microrganismos para os alimentos comercializados. manipulavam alimento e dinheiro ao mesmo tempo. 2007. a lavagem das mãos compreendia apenas o uso de água. unhas e mãos sujas.11 Assim como em outro estudo.3% tinham os cabelos protegidos. Alguns destes resultados contrastam com os encontrados na cidade de São Paulo. já que este não apresenta torneira e/ou pia (Gráfico 1).13 v. Teixeira de Freitas (BA).8% apresentavam unhas limpas e aparadas. roupas. porém apresentavam algum esquema de limpeza do carrinho. nos quais os percentuais foram de 83% dos manipuladores usando adornos nas mãos e 30% apresentando unhas limpas e aparadas. Ao mesmo tempo. p. 94.32. a freqüência de higienização das mãos encontrada foi muito baixa. como manipulação do dinheiro. no momento da coleta.5% têm algum local para higienização das mãos. Jun. Resultado dos itens analisados na observação (check-list) dos ambulantes comerciantes de água de coco. para 39%. 62. 81. medidas que propiciam a contaminação por microrganismos patogênicos. porém este local não é no carrinho.Revista Baiana de Saúde Pública Neste trabalho verificou-se que 18. foram observados entre os comerciantes diversos procedimentos de higiene inadequados. todos não usavam luvas. 43. 62. 2008 209 . n.12 Em outra pesquisa. Gráfico 1.203-217 maio/ago.7% dos pontos de venda não apresentavam pessoas distintas para manipulação de alimentos e de dinheiro. uso de panos sujos para limpar as mãos.5% receberam algum tipo de treinamento.

Dos fatores de risco citados. mas está sujeita a rompimentos e. 10 (62. Williams e Paulson16 encontraram baixo percentual de uso de luvas no preparo dos alimentos. estudos realizados com alimentos comercializados por ambulantes em diversas regiões demonstraram que este tipo de produto pode representar um risco para a saúde pública. Uma pesquisa realizada entre manipuladores de alimentos no município de Teixeira de Freitas (BA) constatou que 57.1% dos entrevistados não lavavam as mãos durante a manipulação dos alimentos comercializados. Entretanto foi verificado que na maioria dos carrinhos 15 (93. impulsionado pelo desemprego e busca de uma alimentação rápida e de baixo custo.18 Em estudo sobre a qualidade microbiológica de amostras de água de coco vendidas por ambulantes na cidade de São José do Rio Preto (SP). aumentando os níveis de umidade e nutrientes necessários para seu desenvolvimento. No Brasil. sendo. equipamentos e noções de higiene. pode facilitar o crescimento de microrganismos na pele. na produção e preparação de alimentos por pessoas não capacitadas. foi indicada como um fator de risco relacionado às altas contagens de bactérias aeróbias mesófilas.15 Quanto ao uso de luvas no preparo de alimentos. coli acima do permitido em 8. Dolan. A lavagem adequada das mãos seria mais eficiente para a remoção ou diminuição dos microrganismos. não mostraram relação significativa entre o não uso de luvas e as altas contagens de bactérias indicadoras encontradas nos alimentos.14 As informações sobre os procedimentos realizados pelos manipuladores que comercializavam água de coco nos carrinhos. um fenômeno crescente. Fendler. considerada potencialmente capaz de causar enfermidades veiculadas por alimentos. extraídas do questionário aplicado aos comerciantes durante a coleta das amostras. constataram a presença de E. foram analisadas em conjunto com os resultados das análises microbiológicas.8%). portanto. principalmente. 60. entretanto. entretanto. de fato. a respeito dos coliformes termotolerantes. sem lavar as mãos. Os resultados demonstraram qualidade microbiológica inadequada. evidenciando prováveis deficiências nas diversas etapas do processo.Dentre os vendedores ambulantes entrevistados. pois tapam as mãos. Esta atividade implica.7% disseram nunca ter recebido nenhum tipo de treinamento para manipulação correta dos alimentos. existem controvérsias sobre sua eficácia com relação à higiene dos alimentos. falta de cuidados higiênico-sanitários e 210 . a manipulação dos alimentos e do dinheiro pela mesma pessoa.3% das amostras analisadas. A luva funciona como uma barreira física. as condições higiênico-sanitárias estavam em desacordo com o exigido pela RDC nº 218.5%) afirmaram ter recebido treinamento informal para manuseio dos cocos.17 O comércio ambulante de bebidas e alimentos é.

sua comercialização nas condições atuais de higiene põe em risco a saúde do consumidor. utensílios e da própria unidade de produção. uma vez que a água de coco apresenta-se estéril dentro de seu próprio invólucro natural.203-217 maio/ago. no mais amplo sentido. 2008 211 . 24 A desinformação do consumidor deve merecer preocupação específica dos profissionais higienistas alimentares.21. Neste sentido. Assim. Esse treinamento se caracterizaria como um conjunto de ações educativas organizadas com a finalidade específica de aprimorar uma competência ou conjunto de competências de um indivíduo ou do grupo. em particular sua contaminação. Caso contrário..19 Devido à rápida proliferação dos carrinhos ambulantes com serpentina para comercialização de água de coco em Teixeira de Freitas (BA). e o consumo cada vez maior deste produto. à utilização de utensílios mal protegidos e a outros perigos do ponto de vista da saúde pública. programas de treinamento sobre esta temática. n. alicerçando-se em legislação que seja: v. observa-se que os vendedores ambulantes transferem para os carrinhos suas formas de convívio doméstico com os alimentos e fômites. constituem-se em risco à saúde. em que os resultados das análises microbiológicas apresentaram contaminação elevada por coliformes termotolerantes.20 Sabe-se que os alimentos contaminados por microrganismos durante todas as etapas do processo produtivo podem acarretar as conhecidas Doenças Veiculadas por Alimentos (DVA). bolores e leveduras. p. As atividades exercidas nos carrinhos ambulantes guardam semelhanças com as atividades que se realizam no âmbito doméstico. Assim. o público está sujeito à ingestão de alimentos inadequados. Se seus hábitos incorporam higiene. Há estudos que apontam o manipulador de alimentos como o veículo implicado. Os serviços de fiscalização municipais.2. deveriam ser constantemente implementados com vistas a diminuir os riscos à saúde pública. deve-se buscar sua educação sanitária. uso de material descartável etc. que deverá abranger não somente a educação formal.23. respeitando os hábitos e a cultura alimentar e que sejam seguros nos aspectos higiênico-sanitários.32. dirigidos aos manipuladores de alimentos. principalmente durante os dias mais quentes. por si só.22 sendo a carência de conhecimentos relativos aos cuidados higiênico-sanitários a principal causa. A presença de bactérias indicadoras de contaminação fecal significa necessariamente contaminação por manipuladores. estaduais e federais devem ser ampliados e receber recursos compatíveis com sua missão social. Torna-se relevante o treinamento dos manipuladores.Revista Baiana de Saúde Pública sanificação dos equipamentos. mas envolver os hábitos e costumes tradicionais que.3 A segurança alimentar implica na garantia do acesso aos alimentos em quantidade adequada (qualidade nutricional). Os resultados deste estudo são concordantes com o estudo deste mesmo produto comercializado na cidade de Salvador (BA). para evitar o comprometimento dos alimentos. eles são transferidos para o atendimento ao público.

ser de fácil compreensão entre os usuários.25 O processamento industrial da água de coco virtualmente elimina todos os microrganismos que possam causar algum tipo de doença humana. 50-69% (REGULAR). fundamentada nos mais modernos conhecimentos científicos e aplicada mais com um sentido educativo do que punitivo. Para tanto. mostrando que não há um fator específico que determine as condições higiênico-sanitárias dos comerciantes ambulantes de água de coco em carrinhos. 30-49% (RUIM). Esta é uma ferramenta que nos permite fazer uma avaliação preliminar das condições higiênico-sanitárias de um estabelecimento de produção de alimentos. consumidores. é fundamental. 70-89% (BOA). o papel dos órgãos competentes.2% classificados como BOA (Gráfico 2 e Gráfico 3). visando mudar a conduta. Para isso.8% apenas REGULAR e somente 6. norma e/ou padrão de classificação quantitativa referente às Boas Práticas de Higiene. Torna-se importante observar que não há. pelo menos a médio prazo. não houve alta contaminação por coliformes termotolerantes na água de coco. é de fundamental importância uma campanha de educação em saúde. Ao lado dessas medidas. assessorados por profissionais da área de alimentação. ou seja.5% foram classificados como PÉSSIMO.28 obteve-se os seguintes resultados: 12. associada a uma refrigeração adequada durante o transporte e armazenamento. até o momento.26 Para avaliar as Boas Práticas de Higiene dos ambulantes foi utilizado na pesquisa um instrumento de medição de qualidade. a bebida fresca é mais barata que a industrializada. 37.5% como RUIM. Nenhum foi classificado como EXCELENTE. Sendo assim. adotaram-se os seguintes intervalos de classificação referentes à higienização: <30% (PÉSSIMO). dos consumidores e dos próprios produtores. e 90-100% (EXCELENTE). A segurança dos produtos frescos depende fundamentalmente da prevenção de sua contaminação. Já em carrinhos/manipuladores que apresentaram avaliação higiênicosanitária de RUIM a PÉSSIMO. porém sempre com seriedade e rigor.uniforme e abrangente. para este estudo. recomenda-se a realização de 212 . um guia de verificação ou check-list. baseado na RDC nº 275. Além disso. Entretanto as características sensoriais deste produto in natura ou envasada a fresco são consideradas superiores à da bebida pasteurizada ou comercialmente estéril. Os resultados obtidos neste trabalho permitiram constatar-se que se torna de grande importância as Boas Práticas de Higiene em toda a cadeia produtiva e a adequação dos padrões de higiene alimentar no manuseio dos alimentos. fiscais etc.27 Com base neste check-list de observação dos ambulantes referente à higienização. 43.17 Ressalta-se que mesmo em alguns carrinhos/manipuladores que apresentavam condições higiênico-sanitárias de REGULAR a BOA foi detectada alta contaminação por coliformes termotolerantes na água de coco. principalmente os relacionados a sua capacitação no que diz respeito às Boas Práticas de Higiene. mas sim um conjunto de fatores. coerente com a realidade socioeconômica do país.

Jun. Porcentagem dos itens contemplados na observação (check-list) dos ambulantes comerciantes de água de coco. 2008 213 . Gráfico 3. provenientes de uma manipulação imprópria dos produtos alimentícios. CONCLUSÕES Este estudo possibilitou verificar que os ambulantes desconhecem as técnicas adequadas de manipulação bem como os procedimentos para assegurar a inocuidade dos alimentos e que as ações para o controle de qualidade dos alimentos tornam-se necessárias. Teixeira de Freitas (BA). p. Classificação dos carrinhos que comercializam água de coco nos logradouros do município de Teixeira de Freitas-BA. No v. 2007. Jun.203-217 maio/ago.Revista Baiana de Saúde Pública treinamentos dos manipuladores de alimentos.2.32. 2007. após avaliação higiênico-sanitária. a fim de minimizar ou sanar as altas contagens de bactérias aeróbias mesófilas e coliformes termotolerantes. Gráfico 2. n. Teixeira de Freitas (BA).

principalmente para alimentos sujeitos a uma intensa manipulação como o coco verde. se faz necessário fornecer condições para que todos os profissionais.caso da venda do coco verde.htm] Acesso em [25 de março de 2007]. é necessário maior rigor na produção.br/noticias/ 100504. Face às características intrínsecas do produto. para que o produto final esteja de acordo com as normas sanitárias vigentes. Galiza M. sejam informados sobre os principais fatores de risco de contaminação. Os hábitos praticados pelos manipuladores desempenham um papel de grande importância para a sanidade dos produtos. para a prevenção das toxinfecções alimentares. 214 . CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). [on line] Extraído de: [http://memoria. e. ratifica-se a relevância do treinamento dos comerciantes ambulantes. comercialização. à presença de perigos na matéria-prima e ao crescente consumo de água de coco no país. Juntamente com este trabalho de capacitação aos manipuladores. Espera-se que a divulgação deste estudo junto aos órgãos competentes como a Vigilância Sanitária instigue maior fiscalização quanto ao comércio ambulante de alimentos. procedimentos e manuseio dos equipamentos e do produto. é interessante que seja elaborado um manual de normas padrão para a manipulação e comercialização da água de coco em carrinhos ambulantes com serpentinas. principalmente. aliada às ações de educação sanitária por meio de treinamento sobre as Boas Práticas de Higiene no preparo de alimentos. ou mesmo a simples desinformação são os principais responsáveis pela ocorrência de Doenças Veiculadas por Alimentos. Conseqüentemente. analisar os dados e em seguida propor alternativas. espera-se que este trabalho seja o início de sucessivos estudos sobre os alimentos comercializados por vendedores ambulantes nos logradouros de Teixeira de Freitas (BA). além de maiores estudos sobre a segurança alimentar em toda a sua cadeia produtiva. destaca-se o treinamento dos profissionais envolvidos em sua manipulação. Além disso. reconheçam a importância da higiene nesses processos. Sendo assim. para que se possa conhecer a real situação deste segmento. desde a área de produção à manipulação do alimento. É importante salientar que a negligência e/ou desinteresse.cnpq. proporcionando ao consumidor um alimento com segurança alimentar satisfatória. REFERÊNCIAS 1. com informações gerais sobre limpeza. voltada à conscientização do problema de sanidade do alimento e suas repercussões para o consumidor. Água de coco em pó facilita a difusão dos benefícios do produto in natura. distribuição e manipulação deste produto.

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Campinas: Universidade de Campinas (Únicamp). v. Genta TMS.Revista Baiana de Saúde Pública 26. 2008 217 . Health Sci. Brasil. 2005. 2002. 2005.32. Sci.2008 e aprovado em 4. Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 275. Avaliação das boas práticas através de check-list aplicado em restaurantes self-service da região central de Maringá.2008. n. p.7.2. Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ministério da Saúde (MS). Regulamento Técnico de Procedimentos Operacionais Padronizados Aplicados aos Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos e a Lista de Verificação das Boas Práticas de Fabricação. 28.203-217 maio/ago. 27. Maurício AA. Recebido em 19. Act. Descontaminação da superfície do coco verde por métodos físicos e químicos e desenvolvimento de Listeria monocytogenes em água de coco fresca. Matioli G. Brasília. Walter EHM. de 21 de janeiro de 2002. estado do Paraná. [Dissertação].27(2):151-6.1.

081. iogurte e leite líquido de diversas marcas. frango congelado. informações nutricionais e ingredientes. Vigilância sanitária. Rua Basílio Gama. Brasil.ARTIGO ORIGINAL AVALIAÇÃO DA QUALIDADE SANITÁRIA DOS RÓTULOS DE ALIMENTOS EMBALADOS DE ORIGEM ANIMALa Augusto Amorim Bastosb Maria Helena Belinelloc Tatiana Carla C. aderência do rótulo. de origem animal. conforme convênio n° 022. Foram analisados rótulos de ovos. lote. legibilidade. Um maior controle sanitário das informações contidas nos rótulos de alimentos poderá tornar o consumidor mais consciente de seus direitos. instruções sobre armazenamento e conservação. por intermédio do Centro Colaborador ISC/Anvisa. Secretaria Municipal de Saúde de Salvador. Tels: (71) 3230-6907/9918-6933. data de fabricação/envase. preparo ou uso. Instituto de Saúde Coletiva/Centro Colaborador ISC/ANVISA. registro no Ministério da Agricultura. Palavras-chave: Alimentos de origem animal. mel. inscrição “Indústria Brasileira”.40110 -170. Universidade Federal da Bahia (UFBA). E-mail: augustobas@yahoo. mel e lingüiça calabresa. no qual as unidades de observação foram os rótulos de alimentos de origem animal comercializados em supermercados das cidades de Barreiras e Salvador (BA).br 218 . identificação do produtor. Este é um estudo descritivo. Verificou-se que a maioria dos rótulos atendia a legislação em vigor. Bahia. CEP . Alimentos com pior qualidade da rotulagem foram ovos. Rotulagem de alimentos. importante instrumento de informação ao consumidor e da segurança sanitária e alimentar. Canela. b c Endereço para correspondência: Augusto Amorim Bastos. lingüiça calabresa.com. carimbo do serviço de inspeção. coerência e clareza. d Secretaria Municipal de Saúde de Barreiras. visibilidade. Saraivad Ana Cristina Soutob Resumo Neste estudo avalia-se a qualidade das informações e dos rótulos de alimentos embalados. Instituto de Saúde Coletiva (ISC). Salvador. Inconformidades encontradas foram falta do número de lote e visibilidade das informações. As categorias analíticas foram: tipo de alimento. s/n 3º andar. validade. a Este estudo foi financiado com recursos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

honey and sausage. production/packaging date.Revista Baiana de Saúde Pública HEALTH QUALITY ASSESSMENT OF LABELS FROM PACKED FOOD OF ANIMAL ORIGIN Abstract The purpose of this study is to evaluate information and the label quality of packed animal food. Egg. validade. características. obrigando-o a fornecer informações ao consumidor. It is a descriptive study carried out with labels of animal origin food available in supermarkets in Barreiras and Salvador. 2 A criação do CDC representou um avanço para o controle do risco sanitário de produtos de interesse da saúde. condições ideais de transporte. ingredients and nutritional information. lot.3 Portanto a vigilância da rotulagem desempenha importante papel no controle sanitário de alimentos com vistas à proteção da saúde da coletividade. De acordo com as exigências legais. data de fabricação. corretas. v. an important instrument for consumer information and food and health safety. formas de preparo e consumo. origin inscription. Worst label quality foods were eggs. de origem animal. Food labeling. It was observed that most labels were in conformance with the legislation. Key words: Animal origin foods. label adherence. A better health control of food label information can make consumer more conscious of his rights. legibility.1.2. responsabilizando o produtor pela qualidade. storage and preservation instructions.218-231 maio/ago. número de registro no Ministério da Agricultura (MA). producer identification. quantidade. yogurt and liquid milk of several brand names were analyzed. Non-compliance was observed in the lot number and information visibility.32. sausage. inspection stamp. preços e outras informações inerentes ao produto exigidas pela legislação específica. 2008 219 . ao reforçar a legislação de proteção e defesa da saúde. frozen chicken. lote. expiration date. os rótulos destes alimentos devem apresentar: nome. instructions for preparation or usage. Brazil. carimbo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) do MA. visibility. INTRODUÇÃO Inúmeros alimentos embalados. register in the Ministry of Agriculture. não obstante as normas sanitárias e do Código de Defesa do Consumidor (CDC). n. completas e precisas sobre o alimento exposto à venda. Sua atribuição é detectar possíveis erros que podem ocasionar agravos à saúde da população. especialmente no que se refere à informação na rotulagem. consistency and clarity. visíveis. composição. Analytical categories were: type of food. são colocados à venda no mercado brasileiro sem a devida observância do recomendado pela legislação em vigor. Health surveillance. honey. armazenamento e conservação. p. quando o rótulo não leva ao consumidor informações claras. both cities located in the state of Bahia. identificação civil do produtor.

localizada na região extremo-oeste desse estado. é essencial para a garantia da qualidade das informações de rotulagem. descrever o risco sanitário decorrente da deficiência nos dizeres de rotulagem daqueles alimentos.4. segundo o tipo de alimento e empresas produtoras. A escolha destes alimentos foi feita com base em: 1) denúncias realizadas por consumidores junto aos serviços de vigilância sanitária sobre a não-conformidade das rotulagens. MATERIAL E MÉTODOS Este é um estudo descritivo. Os alimentos examinados foram ovos. Ademais. valores nutricionais.6-8 Desta forma. falta do número de registro5 e uso de mensagens confusas que podem levar o consumidor a erros ou riscos à saúde. lingüiça calabresa. frango congelado. num total de quinze estabelecimentos. 2) alimentos de grande consumo10 e/ e/ou que integram a cesta básica. iogurte integral e desnatado com e sem polpa de fruta. competência da vigilância sanitária. de bens materiais e imateriais relacionados à saúde. de origem animal.9 Este trabalho tem como objetivo principal avaliar a qualidade. de todas as marcas encontradas.4. expostos à venda no comércio varejista de alimentos.Estudos têm demonstrado deficiências nas informações de rótulos de alimentos no que se refere à composição química. escolhidos entre aqueles de caráter varejista. legibilidade. coerência e clareza das informações. acessibilidade a serviços de atendimento ao consumidor. do MA e CDC. o controle sanitário. definida de acordo com o Decreto Lei n 399. Essas cidades foram escolhidas devido à conveniência operacional e o interesse de profissionais de saúde que ali residiam. presumivelmente esperado. de 30 de abril de 1938. de grande porte e elevada popularidade. visibilidade. entre maio e junho de 2003. indicação de ausência ou presença de alimentos provenientes de organismos geneticamente modificados. Os dados foram coletados pelos autores. ou situados em bairros 220 . do ponto de vista sanitário. dos rótulos de produtos alimentícios embalados. capital do estado da Bahia e a cidade de Barreiras. responsabilidade do produtor e prestador de serviços.11 Não foi realizada amostragem devido à indisponibilidade de cadastro de supermercados e de listagem dos produtos existentes nesses estabelecimentos. Os objetivos específicos são: avaliar o tipo e a qualidade das informações constantes nos rótulos de acordo com as normas do Ministério da Saúde (MS). avaliar o rótulo quanto a sua aderência. em sete supermercados de Barreiras e oito de Salvador. no qual as unidades de observação foram rótulos de alimentos de origem animal selecionados de supermercados de Salvador. selecionadas independentemente dos fabricantes. a qualidade reporta-se à noção de atributo intrínseco.4 denominação de origem. leite líquido desnatado e integral.5 ausência de rótulo em alimentos clandestinos. mel.

carimbo do Serviço de Inspeção Federal (SIF) ou no Serviço de Inspeção Estadual (SIE). tipos de alimentos que seriam estudados. Os formulários empregados para a coleta de dados foram preparados pelos autores.32. ostentação da informação de forma visível. Em seguida. na legislação sanitária e de defesa do consumidor (Apêndice A). Realizaram-se também reuniões para padronizar os procedimentos de coleta. ingredientes (se pertinente). Em geral. ligação gratuita. os pesquisadores procuravam o responsável pelo estabelecimento e informavam sobre a coleta de dados. estes procedimentos foram realizados sem a presença de funcionários dos supermercados. aderência do rótulo. identificação do produtor (nome. nítida.12 A visibilidade foi definida como a informação aparente. Os dados coletados. compreensível ao entendimento do consumidor12. agrupados nestas categorias de análise. coerência e clareza das informações.CNPJ).218-231 maio/ago. foram: tipo de alimento. registrando os dados em formulários elaborados para a pesquisa. 2008 221 . Inicialmente. informações nutricionais. manifesta. visibilidade. se dirigiam às seções onde estavam expostos os alimentos de interesse. a legibilidade. apresentando os propósitos da pesquisa. com base na revisão de literatura. d) legibilidade como informação que se pode ler.2. v. individualmente. p. lote. ligação paga. clareza como informação inteligível. home page. O formulário foi estruturado com base nos seguintes construtos: identificação do produto. Não houve recusa de participação na pesquisa. Foram considerados os seguintes requisitos: a) b) c) adequação e coerência em relação às recomendações técnicas. coerência e clareza da informação. visibilidade. preparo e instrução de uso (quando necessário). data de fabricação/ envase. Permissão para a realização da pesquisa foi solicitada previamente. modo de apresentação e conduta nos estabelecimentos. do rótulo e informação sobre o atendimento ao consumidor. perceptível ou que se pode ver. Em todos os dados coletados também foram observadas. n.Revista Baiana de Saúde Pública ou locais de intensa movimentação e alta densidade demográfica. a importância do estudo. e-mail. inscrição “Indústria Brasileira”. armazenamento e conservação. segurança sanitária. caixa postal. Encaminhou-se uma carta a cada estabelecimento. sem manchas ou borrões. a identificação dos pesquisadores de campo. número de registro no Ministério da Agricultura e Abastecimento. dispensando qualquer esforço para a sua localização na embalagem. incluindo-se uma cópia do instrumento utilizado para o registro dos dados. apresentada aos olhos do consumidor. endereço e Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica . prazo de validade. qualidade da informação. legibilidade.

“energia” e “saúde”. Verificou-se um universo maior de marcas de iogurte em relação às demais marcas dos alimentos estudados. Para a maioria da população. 11. o que ainda favorece a comercialização de alguns produtos de origem clandestina. constitui-se em alimento “inofensivo”. Como o objetivo principal deste trabalho foi avaliar a qualidade das informações dos rótulos de alimentos embalados de origem animal como um instrumento de informação ao consumidor. indicação de suplementação de cálcio e vitaminas e por causa do desenvolvimento tecnológico e modernização das sociedades. o que leva à omissão da rotulagem completa do produtor. Isso implica em problemas sanitários. Afinal. tanto na produção como na comercialização varejista. frango congelado (14. Os dados foram digitados no programa Excel. Isto é sugestivo de que pode haver produtos de comercialização clandestina em ambas as cidades.5%). Isto pode evidenciar o crescimento da produção deste tipo de alimento e seu maior consumo em nossa sociedade. e carimbo do SIF ou SIE. Todavia faltavam esses registros nos demais. IDENTIFICAÇÃO DO PRODUTO A totalidade dos rótulos de iogurte. justifica-se a não divulgação dos nomes comerciais e as respectivas marcas dos produtos alimentícios estudados que apresentaram irregularidades.Devido a sua importância sanitária. os ovos eram comercializados com embalagens sem nenhuma rotulagem. mel (17.1%). Vale ressaltar que a ausência desse registro nos rótulos de lingüiça calabresa pode ser resultante da prática da comercialização fracionada no varejo. Nos sete supermercados visitados na cidade de Barreiras.1% para ovos e 10. lingüiça calabresa (11. Os produtos foram examinados apenas uma vez para cada marca. A análise foi realizada estimando-se freqüências simples das variáveis do estudo por tipo de alimento. e a comercialização ser realizada em pequenas quantidades e em períodos sazonais.0%). uso infantil. sendo os mais comuns o iogurte (29.0% para o mel (Tabela 1). 222 . versão 2000. RESULTADOS E DISCUSSÃO Foram coletados dados dos rótulos de 117 marcas comerciais de diversos tipos de alimentos. foram observadas e registradas as informações específicas relativas a instruções de uso e preparo adequado dos alimentos. leite líquido (19. para muitos consumidores. leite líquido e frango congelado apresentavam registro no MA. 31. especificamente. pelo fato de sua produção ser mais comumente artesanal.8% nos rótulos de lingüiça calabresa. o mel tem um significado cultural de “pureza”. Portanto foram excluídos do estudo.1%) e ovos (7. inclusive em sua rotulagem. ocasionado provavelmente pelo apelo comercial.7%). O mel. ainda se encontra com pouco controle sanitário.7%). e os resultados foram confrontados com o previsto na legislação.

visando provavelmente dar credibilidade ao produto. trazia em seu rótulo inscrições visíveis da seguinte expressão: “Só Jesus Salva”. n. Entretanto. portanto. Tabela 1. sendo. p. A título de exemplo. 2008 223 . que estava aguardando o registro e carimbo por parte do órgão competente regulador.2.218-231 maio/ago. isento de “risco”. Distribuição da conformidade dos rótulos por categorias de análise e tipo de alimento v.Revista Baiana de Saúde Pública “saudável” e “nutritivo”.32. encontrou-se mel clandestino com a informação no rótulo.

quando necessárias. da relevância dessa informação para a segurança alimentar. Gonzalez. iogurte (14. Isto permite agilizar providências para a retirada do produto do mercado e a conseqüente eliminação ou redução de danos e agravos à saúde da população. Entre os alimentos com menores percentuais de falta desse dado estão o frango congelado (11.0% de mel. que também apontava a ausência do número de lote como principal irregularidade relativa a informações de rotulagem. Tal dispositivo significa um equívoco. visto que o número de lote representa maior controle da produção. 91. Resultado semelhante também foi encontrado no estudo de Graciano.9% e 77. que exige a apresentação dessa informação. O mel foi o que apresentou maior percentual (60. Verificou-se que apenas 28.8%. e sua massiva divulgação nos principais meios de comunicação. O Código de Defesa do Consumidor. A legislação sanitária em vigor faculta a indicação do lote por meio da data de fabricação. Todos os rótulos de alimentos apresentaram falhas em relação à menção da data de fabricação ou envase. induzindo o consumidor a fazer uso do produto com a finalidade curativa. lingüiça calabresa (15. A inscrição Indústria Brasileira esteve presente em 61. que o produto não possui.5% dos rótulos de lingüiça calabresa.4%).8%). por parte de consumidores e produtores. respectivamente (Tabela 1). no Estado de São Paulo. ovos (22. à exceção do frango congelado. curativas ou terapêuticas e pelo fato de poder significar um apelo comercial. com 76. de 20 de setembro de 20021 proíbe esta prática.4% de iogurte e 94. 259. face ao reconhecimento. servindo para identificação do produto e sua conseqüente rastreabilidade. certamente contribuiu para a consolidação dessa prática na sociedade brasileira.8%). no período de janeiro de 1998 a junho de 1999. 80.1% do total de rótulos de frango congelado (Tabela 1). por se tratar de alimento que está ressaltando propriedades medicinais. Jorge e Silva5. 224 . Entre os de menor freqüência de conformidade estavam lingüiça calabresa e ovos. Com a atual expansão internacional dos mercados de produtos alimentícios.3%). Isto representa um avanço e uma conquista do exercício da cidadania.0%) (Tabela 1). embalagem ou validade mínima. SEGURANÇA SANITÁRIA Em todos os rótulos observados foi encontrado o registro do prazo de validade (Tabela 1). a referência do país produtor de origem é importante para o consumidor e autoridades sanitárias.2%) e leite líquido (47.Encontrou-se um rótulo de mel com um nome comercial que sugere uma ação terapêutica. para o devido controle da qualidade e a adoção de medidas de saúde pública. A Resolução nº.6% dos alimentos de origem animal estudados apresentavam o número do lote em suas rotulagens.

ovos. sendo salutar na prevenção de agravos e doenças ocasionadas por inadequações de armazenamento e conservação de alimentos. principalmente com os rótulos de mel (Tabela 1). o que evidencia a falta de clareza. É importante ressaltar que a referida norma foi substituída pela Resolução nº. não foi avaliado se a informação nutricional estava de acordo com a norma específica. 77. cujo tratamento exige controle na dieta alimentar (diabetes). n.2. revelam que a maioria dos indivíduos pesquisados apresentavam dificuldades na compreensão de termos técnicos e informações numéricas. mel apresentaram índices menores quanto a este requisito legal (95. principalmente. Os rótulos de frango congelado foram os que apresentaram maior percentual (88. o que não aconteceu com os demais alimentos. QUALIDADE TÉCNICA DO RÓTULO A Tabela 1 demonstra que foi baixo o percentual de irregularidades nos rótulos dos alimentos quanto à legibilidade.Revista Baiana de Saúde Pública Todos os rótulos de leite líquido e ovos apresentaram informação nutricional. Entretanto observaram-se deficiências no que tange à visibilidade da informação nas rotulagens v.218-231 maio/ago. respectivamente). glicose ou corante”. Trata-se de uma informação técnica que o produtor disponibiliza.8.9% e 65. Todos os rótulos de iogurte apresentaram informações sobre ingredientes utilizados no processo de fabricação (Tabela 1).0%. Isto pode significar riscos para consumidores que têm doenças metabólicas. Vale observar que. Esta informação pode levar o consumidor diabético a acreditar que este alimento pode ser consumido sem restrições por conta desta falsa informação.14 vigente na época da coleta dos dados. lingüiça calabresa e.12 sobre o entendimento por parte dos consumidores das informações de rotulagem. Este item é relevante para orientar a população sobre a forma de armazenar e conservar os alimentos. açúcar. apenas iogurte e frango congelado apresentaram informações sobre armazenamento e conservação em 100. 76. Foi encontrado um rótulo de mel com a seguinte informação: “não contém aditivos.2%) de informações quanto a critério de preparo e instruções de uso. sobretudo nutricional. 2008 225 . neste estudo. Este item pode ser necessário para os consumidores que sejam alérgicos a algum ingrediente ou substância que constitua o alimento. As rotulagens de leite líquido. 360. 40. a Resolução nº. p. de 23 de dezembro de 2003. Este requisito não foi observado nos rótulos de frango congelado e ovos porque estes não são produzidos com o uso e manipulação de ingredientes.15 De acordo com a Tabela 1. de 21 de março de 2001.0% de seus rótulos. importante para a manutenção da integridade do produto.8%. Apenas mel apresentou maior percentual de irregularidade. visando a manutenção de sua qualidade e características originais.7%.32. Estudos7.

com 44. Também não explicita local para impressão e contraste de cores que facilitem a visibilidade das informações contidas nas rotulagens de alimentos embalados.2%. Ovos foi o tipo de alimento que mais atendeu a este critério. que vem possibilitando condições especiais de esterilização e de proteção contra a luz e o ambiente externo. É interessante destacar que os rótulos de várias marcas — principalmente aquelas destinadas às crianças — têm uma profusão tão grande de cores e imagens que se torna difícil a leitura.0%. A maioria dos produtores de alimentos que necessitam de refrigeração (iogurtes.0% e 52. Cowburn e Stockley7 destacam que o tamanho das impressões nos rótulos é uma das razões citadas por consumidores para a não leitura da rotulagem nutricional.4%. respectivamente. nos rótulos. 226 . Esses aspectos deverão ser incorporados nas normas futuras. quando estavam próximas ao lacre da embalagem. Da mesma forma. material mais resistente a água. principalmente em supermercados de bairros periféricos. com apenas 28. exatamente naqueles sem registro. comprometendo sua função de comunicação. Por exemplo. respectivamente (Tabela 1). é ainda muito comum o produtor embalar seus produtos em caixas forradas com filmes de plástico. utilizando a própria embalagem ou empregando. Observou-se também que alguns alimentos apresentavam o rótulo em locais inadequados. com o rótulo solto em seu interior. Ovos e mel apresentaram os menores percentuais de regularidade. Enfatiza-se que a legislação relativa à rotulagem não especifica a dimensão da fonte de letra adequada a uma fácil leitura. no caso do frango. Não foram constatadas muitas irregularidades na aderência dos rótulos às embalagens. com percentuais de regularidade de apenas 29. Verificou-se que 49. 45. frango congelado.7% da totalidade dos produtos analisados encontravam-se com pouca visibilidade. Houve problemas de aderência nos rótulos de mel. mel e leite líquido também apresentaram rotulagens com problemas desta natureza. as informações nutricionais e tantas outras importantes simplesmente são omitidas. frangos) já providenciou as necessárias adequações.8% de seus rótulos com boa visibilidade das informações (Tabela 1). No caso dos ovos. o que dificultava a visualização. traduzindo o amadorismo de muitos produtores.4% e 90. apresentando 88. O pequeno tamanho das letras e o pouco contraste entre a cor do fundo e a do texto também dificultavam a visualização.dos alimentos estudados.9% de seus rótulos sendo considerados de boa visibilidade. formavam pregas. Assim. O iogurte foi o tipo de alimento que apresentou o menor índice. Os produtores de leite se serviram do avanço tecnológico da embalagem tetrapak. Salienta-se a identificação de embalagens de iogurte em placas de seis potes (inclusive com dizeres advertindo que o produto só pode ser vendido em placas) sendo os potes vendidos separadamente.

2008 227 . porém. não se observou grande quantidade de desvios.0% de regularidade. ou de forma mais acelerada.. QUALIDADE DA INFORMAÇÃO Alimentos como frango congelado e ovos não apresentaram irregularidades quanto à clareza das informações. que não mostrava essas informações com adequada visibilidade. mel. Informações sobre o atendimento ao consumidor Apesar de não ser exigido nenhum tipo de serviço de atenção ao consumidor na rotulagem de alimentos. que lingüiça calabresa. A maioria dos rótulos dos frangos congelados trazia informações específicas de rotulagem. Esta informação. Verificou-se. Esta recomendação para o descongelamento poderá comprometer a integridade nutricional e sanitária do produto. leite líquido e iogurte ainda apresentam percentuais menores que 100. a oferta desse tipo de serviços pelos fabricantes v.4%. o que representou 29. com o uso do microondas. pela legislação em vigor. Pelo contrário.2. Troque a água constantemente. Portanto. Também quanto à coerência. leva o consumidor a erro. Assim. siga as seguintes regras: [. sob refrigeração. 35. Entretanto encontraram-se cinco marcas de frango congelado. n. o que pode permitir sua contaminação e omitir informações de rotulagem.” O descongelamento deve ser feito gradativamente. pode-se considerar que estes dois itens não se constituem objeto de grande preocupação no que consiste em ocorrência de irregularidades.218-231 maio/ago. “para não haver perdas de nutrientes”. como afirma o fabricante.] Para um descongelamento rápido. ou use o microondas. este não deveria orientar seu consumidor a proceder ao descongelamento embalando o frango em saquinho plástico e o deixando em uma bacia com água. pôde-se constatar que o setor produtivo vem se esforçando para atender seus consumidores com informações claras e inteligíveis a respeito dos produtos colocados no mercado. Ressalta-se que apenas leite líquido e lingüiça calabresa apresentaram rotulagem que atendia em sua totalidade à coerência das informações (Tabela 1).Revista Baiana de Saúde Pública Nos frangos congelados observados. além de comprometida quanto a sua coerência e clareza. p. que recomendava o seguinte: “Descongelamento: Para conservação de todas as características sensoriais do Frango Caipira X congelado. embale o frango num saquinho plástico e o ponha em uma bacia com água. que neste caso são as próprias embalagens.3% encontravam-se com suas embalagens perfuradas. Um destes produtos apresentava uma informação equivocada em relação ao descongelamento. não sendo evidenciado neste estudo grande percentual de inadequações (Tabela 1)..32. para não ocorrer perdas nutricionais.

Além da obediência rígida a regras. da realidade da qualidade da rotulagem de alimentos. podendo contribuir para a redução de problemas relativos à segurança no consumo de alimentos.2% do total de rótulos das lingüiças calabresa informações sobre a disponibilidade de serviço de caixa postal. É possível que fatores socioeconômicos e regulatórios contribuam para a permanência desta prática. é imprescindível a divulgação para a sociedade. o que requer fiscalização sistemática. o consumidor adquire o produto sem nenhuma informação pertinente. Estas ações poderão não só tornar o consumidor mais consciente de seus direitos como também. Pôde-se observar que produtos com menor tecnologia envolvida na produção. devido à ausência de rótulos na embalagem. respectivamente (Tabela 1). por ser um canal aberto para melhorar a qualidade do produto e a satisfação do consumidor. apresentaram menor disponibilidade de serviços de ligações gratuitas para esclarecimentos aos consumidores. foi encontrado em 69. como a pouca informação sobre o risco sanitário. mesmo em supermercados. Ressalta-se que o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) tem importante papel na aproximação entre produtor e consumidor. A rotulagem. baixo poder aquisitivo e nível de escolaridade. Quanto aos demais tipos de SAC. e insuficiente controle sanitário por parte dos órgãos competentes.1%). especialmente em relação a não ter sido usado o processo aleatório de amostragem. com apenas seis (30.1% dos rótulos de iogurte encontrou-se informação do endereço eletrônico do produtor (e-mail). a não verificação do uso e compreensão das informações da 228 . Apesar das limitações deste estudo.5% das embalagens de leite líquido havia indicação de endereço de página na Internet (Tabela 1). Os endereços eletrônicos e acesso a páginas na Internet também foram encontrados como meios de comunicação disponibilizados pelos produtores. a não inclusão de outros tipos de alimentos de origem animal de grande consumo pela população. seguramente.foi também checada (Tabela 1). é importante veículo de informação em saúde para a sociedade. Todavia esse acesso fica restrito aos consumidores de nível educacional ou poder aquisitivo diferenciado. por meio da mídia em geral. além de atender a objetivos mercadológicos e de marketing. Desta maneira. CONSIDERAÇÕES FINAIS Um adequado controle sanitário de alimentos requer a disseminação de informações para o consumidor e o público em geral. Verificou-se também a permanência da prática cultural da venda de ovos a granel na cidade de Barreiras. e em 43. como mel e ovos. constituem-se no fator principal na tarefa de controle da qualidade dos produtos comercializados.0%) e um (11. nem sempre possível de ser realizada com a abrangência e a qualidade requeridas. em um país de dimensões continentais como o Brasil. Em 37.

Aprova o Regulamento Técnico sobre rotulagem de alimentos embalados. p. Constituição da vigilância sanitária. Facult.Revista Baiana de Saúde Pública rotulagem pelos consumidores. 15-40. Higiene Alimentar 2000. v. Dra. Resolução RDC nº.14:21-7.gov.218-231 maio/ago. Ainda assim. Vilma Santana. REFERÊNCIAS 1. 4. 8. Brasil. Dra. Rozenfeld S. Lei nº. p. a despeito das falhas ainda observadas quanto à identificação dos lotes e à qualidade do rótulo (visibilidade da informação). visando maior rigor na obrigatoriedade da declaração do número de lote nas rotulagens de alimentos embalados. pelo apoio para a elaboração deste trabalho. este estudo recomenda: adoção de providências relativas à alteração da legislação. In: Rozenfeld S. a exemplo da indústria farmacêutica. principalmente este último. Esses achados podem servir de instrumento para informações aos serviços de controle sanitário de alimentos. Profa. Costa EA.br/e-legis]. AGRADECIMENTOS A todos os colegas do Centro Colaborador Instituto de Saúde Coletiva /Agência Nacional de Vigilância Sanitária. pelas valiosas sugestões e correções do texto final. 5. de 11 de setembro de 1990. 2. e a avaliação apenas da existência de informações nutricionais.32.44:18-28. alimentos nacionales e importados. Rui M. sem a comprovação com análises laboratoriais. Evaluacion de etiquetas de . Fundamentos de vigilância sanitária. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Uzcátegui M. 259.anvisa. devido à prática de fracionamento em alguns supermercados.2. que os órgãos responsáveis pelo controle sanitário dediquem maior atenção aos ovos. A Profa. Brasil. 3. acredita-se que tenha contribuído para demonstrar alguns aspectos positivos. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. 12 set 1990. n. bem como algumas das principais deficiências relativas à rotulagem de alimentos embalados de origem animal. Brasília (DF): Diário Oficial da União.078. Villasmil M. nossos sinceros agradecimentos. Jorge LIF. Rev. 2008 229 . de 20 de setembro de 2002. Rio de Janeiro: Fiocruz. Ministério da Saúde. observou-se uma preocupação do setor de produção de alimentos de origem animal em atender ao preconizado na legislação vigente no Brasil. 2000. organizador. Vit P Plaza R. acesso em [25 de fevereiro de 2003]. Ministério da Justiça. Por fim. Extraído de [http://www. Ediná Alves Costa. Graciano RAS. mel e lingüiça. Silva MLP Avaliação crítica da rotulagem . Farmacia 2002. praticada pela indústria alimentícia brasileira. especialmente a sua Coordenadora. Gonzalez E.

2008 e aprovado em 8. de 21 de março de 2001. Saúde Públ. Análise comparativa da legislação sobre rótulo alimentício do Brasil. influenced by claims about fat on food labels. Vigilância sanitária: proteção e defesa da saúde.br/pecas/texto. 2005. acesso em [2 de junho de 2003].anvisa.6. Cowburn G. 13.senado.asp?id=501].63:256-64. J. Nutr. R. acesso em [13 de abril de 2003].unicamp. 2001. Nutr. 2004.1.jus. 230 . . constante do anexo desta Resolução. Aprova o Regulamento Técnico para Rotulagem Nutricional obrigatória de alimentos e bebidas embalados. Public.com. 2005. Williams. Extraído de [http://www. Williams P Consumer understanding and use of health claims for foods. 12.gov. Jus Navigandi 2002.8. 40. Extraído de [http://www. 10. 2005. 11.gov. Ver.br]. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Análise comparativa do consumo de alimentos: América Latina e União Européia [Dissertação]. Stockley L. Celeste RK. Health Nutr. de 23 de dezembro de 2003.57.anvisa. 15. Ação contra fabricantes de pneus: informações claras e objetivas sobre o produto.2008. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.br]. acesso em [25 de fevereiro de 2003]. São Paulo: Hucitec. tornando obrigatória a rotulagem nutricional. Sampaio MFA.8:21-8.5. 360. Tibúrcio FC. Mercosul.br]. Eur. 7. Ministério da Saúde. Aprova o regulamento para execução da Lei n° 185.59:148-51. Chan C. Campinas (SP): Universidade Estadual de Campinas. de 30 de abril de 1938. Extraído de [http:// www. acesso em [21 de abril de 2007]. Clin.br]. Patch C.35:217-23.gov. que institui as comissões de salário mínimo. Recebido em 8. Reino Unido e União Européia. 8. acesso em [25 de fevereiro de 2003]. Extraído de [http://www. 9. P Australian consumers are sceptical about but . libdigi. Consumer understanding and use of nutrition labelling: a systematic review. Brasil. Costa EA. de 14 de janeiro de 1936. Aprova Regulamento Técnico sobre Rotulagem Nutricional de Alimentos Embalados. Decreto-Lei n° 399. Brasil. 2001. Resolução RDC nº. Resolução RDC nº. Brasil. Extraído de [http:// www. 14. Ministério da Saúde.

n. p.2.32.Revista Baiana de Saúde Pública Apêndice A Formulário para coleta de dados sobre a rotulagem de alimentos v.218-231 maio/ago. 2008 231 .

As políticas públicas colocam a PS como além de evitar doenças e prolongar a vida. pesquisadores. MG. (38)99134988.maryane@yahoo. administradores e políticos. b Médico. Instrumentos de medida. Professor Doutor do Departamento de Clínica Médica da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES). Palavras-chave: Qualidade de vida.com. Mestranda em Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES). economists. no racionamento de recursos. managers and politicians. Promoção de saúde. Saúde pública. researchers. Entretanto faltam medidas de diagnóstico da situação real da QV da população brasileira para subsidiar medidas de PS. Rua: Bernardino Souto. LIFE QUALITY: AN INSTRUMENT FOR HEALTH PROMOTION Abstract Life’s Quality (LQ) is an ending measure that has been enthusiastically used by clinics. A QV está diretamente relacionada com a promoção de saúde (PS). Life Quality is directly related to health promotion (HP). economistas. Neste artigo reflete-se sobre a avaliação da QV como um instrumento para a promoção de saúde. Diante disso. n° 25. Montes Claros. joão. O método utilizado foi descritivo-reflexivo com dados fundamentados em revisão de literatura. oliveiracampos. Os resultados mostram que a QV tem sido avaliada com instrumentos genéricos e específicos.br 232 . considera-se que há um interesse crescente pela avaliação da QV. buscam meios e situações que ampliem a qualidade de vida.felicio@unimontes. em intervenções ou avaliação das políticas públicas.ARTIGO ORIGINAL QUALIDADE DE VIDA: UM INSTRUMENTO PARA PROMOÇÃO DE SAÚDE Maryane Oliveira Camposa João Felício Rodrigues Netob Resumo A qualidade de vida (QV) é uma medida de desfecho que tem sido entusiasticamente utilizada por clínicos. Tel: (38)32166482. Health promotion’s objective is promoting Life Quality and reducing health and risks’ vulnerability Fisioterapeuta. a Endereço para correspondência: Maryane Oliveira Campos. (38)3224-8372. A PS tem como objetivo promover a QV e reduzir a vulnerabilidade e riscos à saúde relacionados a seus determinantes e condicionantes. (35)3831-2290. buscando dar subsídios à PS na definição de prioridades.400-208.br. CEP: 39. 202. Vila Regina. apto. Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

tanto nas práticas assistenciais quanto nas políticas públicas. em 1948. definiu saúde como não apenas a ausência de doença ou enfermidade.2 A qualidade de vida é uma importante medida de impacto em saúde. Key words: Life quality. consiste na v. A Organização Mundial de Saúde (OMS). INTRODUÇÃO Qualidade de vida (QV) é uma medida de desfecho que tem sido entusiasticamente utilizada por clínicos. A visão entre condições sociais. superando o modelo de intervenção e passando para práticas intersetoriais e conhecimentos interdisciplinares. A PS parte do conceito ampliado e positivo de saúde. QV e saúde aproxima os clássicos da medicina social da discussão que vem apresentando o PS como sua estratégia central. in intervening or assessing public policies. mental e social.8 No campo da saúde pública a PS vem ganhando destaque. mental e social” dos sujeitos. elege como objetivo a defesa da vida e o desenvolvimento humano. Não é um conceito novo. pesquisadores. there seems to be an increasing interest in Life Quality assessment so as to subsidize health promotion in terms of defining priorities.7. mas também a presença de bem-estar físico.6 Diante deste contexto. There is no measure of the general Brazilian population. mas aumentar as chances de saúde e QV. tem como foco o processo social de sua produção. in the regulating resources. Results show that Life Quality has been assessed by means of generic and specific instruments. Recentemente tem sido reforçado o uso da qualidade de vida como um conceito necessário na prática dos cuidados e pesquisa em saúde.3-5 O interesse pela mensuração da QV é relativamente recente. p. Apresenta-se com foco centralizado em não apenas diminuir o risco de doenças. Public health.1 Para medir diretamente a saúde dos indivíduos. A discussão em torno da PS vem se firmando como um ponto de confluência de superação do modelo biomédico que apresenta como enfoque a doença. besides avoiding diseases and prolonging life. n. This article presents a reflection about Life’s Quality assessment as an instrument to health promotion. economistas. têm-se desenvolvido e testado instrumentos estruturados e simplificados. mas tem crescido sua importância por uma série de razões. administradores e políticos. 2008 233 . The descriptive-reflexive method was used along with data from reviewing the literature.2.Revista Baiana de Saúde Pública as related to their determiners and conditioners.32. acarretando uma intervenção multi e intersetorial sobre os chamados determinantes do processo saúde-enfermidade. As thus. capazes de reconhecer os estados de “completo bemestar físico. providing means and situations to improve life quality. although public policies place health promotion as a way of. nos campos de prevenção de doenças e promoção da saúde (PS). Measuring instruments. a QV está diretamente associada ao termo PS. Health promotion.232-240 maio/ago.

. sem fazer referência a disfunções ou agravos. 234 .essência das políticas públicas saudáveis. e a organização política e econômica do sistema assistencial”. apresenta-se uma discussão com dados fundamentados na revisão de literatura. exposto por Gianchello18:14. tempo para trabalho e lazer.6 Um outro conceito é qualidade de vida ligada à saúde (QVLS). os conceitos fundamentais de HRQL seriam igualmente a percepção da saúde. expectativas. QUALIDADE DE VIDA Os especialistas no assunto diferem ao conceituar QV. é similar: “[.. tratamentos.10. a QV foi definida como “[. Na conceituação recente adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS)16:1405. Para tanto. ponderado pelas deteriorações funcionais. psicológicas e físicas. Para Auquier.” É o principal indicador para a pesquisa avaliativa sobre o resultado de intervenções. bem como os danos a elas relacionados. psicológicas. Entretanto. funções sociais e oportunidades influenciadas pela doença.] valor atribuído à vida. agravos..MG submetida e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual de Montes Claros. Este trabalho é parte da dissertação de mestrado intitulada Qualidade de Vida e Fatores de Risco para as Doenças Crônicas não Transmissíveis em Montes Claros . no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais ele vive. como meio-ambiente. aparentemente influenciada por estudos sociológicos. uma tentativa de definição engloba desde estado de saúde.15 São identificadas duas tendências na conceituação do termo QV: um conceito genérico e outro ligado à saúde.. e em relação a seus objetivos. No primeiro caso. padrões e preocupações”.. as percepções e condições sociais que são induzidas pela doença.. 10-14 Não existe um consenso sobre o que constitui QV. Um aspecto importante que caracteriza estudos que partem de uma definição genérica do termo QV é que as amostras estudadas incluem pessoas saudáveis da população. quando a QV é relacionado à saúde engloba dimensões específicas do estado de saúde. relacionamentos. tratamento e outros agravos. as funções sociais.] a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida.] é o valor atribuído à duração da vida quando modificada pela percepção de limitações físicas. Sendo a QV uma importante medida de impacto de saúde. recursos econômicos. nunca se restringindo a amostras de pessoas portadoras de agravos específicos. com Parecer n° 677.6-9 Este artigo objetiva fazer uma reflexão sobre a avaliação da QV como um instrumento para a promoção de saúde. Simeoni e Mendizabal17 e também Gianchello18. QV apresenta uma acepção mais ampla. há um interesse recente de sua mensuração nas políticas públicas.17:14 A versão inglesa do conceito de health related quality of life (HRQL).1. é o “[. assim como uma variedade de domínios.

Podem ser específicos para uma determinada população. sendo mais apropriadas a estudos epidemiológicos.2. Reprodutibilidade é a medida de consistência dos resultados. validade de critério e validade de construção. p. Os instrumentos genéricos são utilizados na avaliação da QV da população em geral. ou para uma determinada situação.24 CONSIDERAÇÕES ESTATÍSTICAS A qualidade de vida. The Medical Outcomes Study 36-Item Short Form Health Survey (SF-36). mesmo que se leve em conta a necessidade de revitalizar culturalmente esses instrumentos no tempo e no espaço. 2008 235 . Em relação ao campo de aplicação.23. INSTRUMENTOS DE MEDIDA DE QUALIDADE DE VIDA Diversos instrumentos têm sido propostos. Nottingham Health Profile (NHP). Os instrumentos de medida de qualidade de vida podem ser divididos em dois grupos: genéricos e específicos. determinados aspectos da QV. Um número crescente de instrumentos tem sido construído para medi-la. atualmente existe crescente interesse em transformar a QV em uma medida quantitativa. validade e sensibilidade às alterações. Rand Health Insurance Study (Rand HIS). proporcionando maior capacidade de detecção de melhora ou piora do aspecto em estudo. Validade é a propriedade de um instrumento de medir o que realmente se pretende medir. entre outros.19-24 Os instrumentos específicos são capazes de avaliar. planejamento e avaliação do sistema de saúde.25 v. usam-se questionários de base populacional sem especificar enfermidades. sendo administrados por entrevistadores ou auto-administráveis. McMaster Health Index Questionnaire (MHIQ).20. n.232-240 maio/ago.22. enfermidade. levando a resultados similares. Sua principal característica é a sensibilidade de medir as alterações. portanto.32.Revista Baiana de Saúde Pública Não obstante a ausência de uma definição consensual.23. Avaliação da Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde (WHOQOL-100). Os mais freqüentemente utilizados no mundo são: Sickness Impact Profile (SIP). Os principais tipos de validade que devem ser considerados na seleção ou construção de uma medida de qualidade de vida são: validade de conteúdo. de componente passível de mensuração e comparação. Sensibilidade a mudanças é definida como a habilidade da escala de registrar alterações devido a um tratamento ou mudanças associadas à própria história natural da doença. quando o questionário é repetido em tempos diferentes ou por observadores diferentes. por meio de instrumentos estatísticos. em decorrência da história natural ou após determinada intervenção. trata-se.1 Todos os instrumentos utilizados devem apresentar características básicas de reprodutibilidade. de forma individual e específica.

participação e parceria. 236 . da comunidade (reforço da ação comunitária). ambiente. cidadania. cultura. habitação. do sistema de saúde (reorientação do sistema de saúde) e de parcerias intersetoriais. entre outros. são valores socialmente definidos. O diálogo entre as diversas áreas do setor sanitário. a Carta de Ottawa. condições de trabalho. realizada em 1986. Isto é. seja pelas soluções propostas. não-governamental e a sociedade. França.7 COMO A MEDIDA DE QUALIDADE DE VIDA PODE SUBSIDIAR A PROMOÇÃO DE SAÚDE? Outros países como Reino Unido. educação. assegurar meios e situações que ampliem a QV “vivida”. Espanha e Turquia4. decisão sobre as prioridades em assistir determinados setores. Alemanha. outros setores do Governo. acesso a bens e serviços essenciais. lazer.27 em análise da situação de saúde. seja pelos problemas. Ou seja. desenvolvimento. setor privado. importando em valores e escolhas. por sua vez. saúde. O Ministério da Saúde. integrada e intersetorial.6.28 Proporcionar saúde significa. preconiza que a PS apresenta-se como mecanismo de fortalecimento e implantação de uma política transversal.8 A Carta de Ottawa foi um marco importante. instituída na 1ª Conferência Internacional sobre Promoção de Saúde. solidariedade. ampliem a capacidade de autonomia e o padrão de bem-estar que.26 a expressão promoção de saúde está associada a um conjunto de valores: qualidade de vida. A medida da QV na população brasileira geraria informações que poderiam ser usadas para rastreamento e identificação das necessidades de saúde da população. eqüidade. inspirada pelos princípios da Declaração de Alma Ata (1978) e pela meta “Saúde para todos no ano 2000”. Refere-se também a uma combinação de estratégias: ações do Estado (políticas públicas saudáveis). compõem redes de compromisso e coresponsabilidade quanto à QV da população. de indivíduos (desenvolvimento de capacidades e habilidades pessoais). Em um dos primeiros documentos fundadores da promoção da saúde atual.29-31 apresentam estudos sobre QV na população em geral. trabalha com a idéia de responsabilização múltipla.PROMOÇÃO DE SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA A promoção de saúde passou a ganhar destaque no campo da Saúde Pública a partir da década de 1980. democracia. alocação de recursos e comparar estados de saúde de diferentes tipos de tratamentos realizados. Canadá e Estados Unidos. A Política Nacional de PS tem como objetivo promover a qualidade de vida e reduzir a vulnerabilidade e riscos à saúde relacionados a seus determinantes e condicionantes — modos de viver. além de evitar doenças e prolongar a vida. Seu marco conceitual e sua prática foram desenvolvidos predominantemente por Organizações Internacionais e por estudiosos da Europa Ocidental.

Boisaubert B. Rheumatol. 2008 237 . Sendo o país marcado por diferenças regionais e culturais.35:275-81. agravos ou intervenções.17:13-35. REFERÊNCIAS 1. 2007. v. o uso disseminado e sistemático de versões brasileiras validadas.Revista Baiana de Saúde Pública A QV medida com instrumentos específicos para situações ligadas à saúde subseqüente à experiência de doenças. Thomas KJ. p. Qualidade de vida e saúde: um debate necessário.20(2):580-8. R. Ciência & Saúde Coletiva 2000. Cad. em intervenções ou na avaliação de políticas públicas. Há o desafio da promoção de saúde diante da multidisciplinaridade e complexidade de fatores intervenientes no processo saúde-enfermidade.32-34 Assim. Brazier JE. Harper R. o uso de instrumentos de medida de qualidade de vida no campo da saúde o colocaria em consonância com pesquisas internacionais para o avanço teórico e metodológico na área. a medida da QV tem sido proposta como um instrumento para verificar a saúde da população e incentivar medidas de promoção de saúde. Minayo MCS. Rao S. Keininger DL. A comparative review of generic quality of life instruments. Quality of life measures./abr. 4. n. No Brasil. J. 2. 2004.118:622-9. Qualidade de vida e saúde: aspectos conceituais e metodológicos.232-240 maio/ago. Méd. Coons SJ. Há um interesse crescente pela avaliação. como problemas neurológicos pós-traumáticos. transplantes. Seidl EMF. Feeny DH. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS No âmbito da saúde coletiva e das políticas públicas. 1993. Hays RD. Carr AJ. Guyatt GH. de instrumentos genéricos e específicos facilitaria a compreensão da QV em âmbito nacional. et al. buscando dar subsídios à PS na definição de prioridades. Measuring health-related quality of life. uso de insulina e outros medicamentos de uso prolongado. mar. Quality of life and escales measuring. pode contribuir na tomada de decisão pelos gestores. Jones NMB. Buss PM. Intern. 1996. a medida da QV é irreversível. Ann. Hartz ZMA. Med.5(1):7-18. 5. Os resultados obtidos podem ser comparados entre diversas populações e até mesmo entre enfermidades. Br. 6. A avaliação quantitativa pode ser usada em ensaios clínicos e estudos de modelos econômicos. O’Cathian A. Zannon CMLC. no racionamento de recursos. Pharmacoeconomics 2000. Saúde Públ. Patrick DL. Int.32. implantação de novas políticas e práticas de intervenção.2.28:58-462. clínicos e usuários dos sistema de saúde. Brousse C.

5(1):7-18. 1997. méthodologiques de la qualité de vie liée à la santé. 11.7-48. PM. Artthr. Redefining health: living with cancer. 14. bras. Cerqueira MT. Hartz ZMA. Qualidade de vida e saúde: um debate necessário. Grant I. Patrick DL.5:391-2. J. Apud Minayo MCX. Gianchello AL. Quality of survival of patients following mastectomy. 18. Intern. Oncol. Med.7.5(1):7-18. Quality of life measures.37:295-304. Sci. The World Health Organization quality of life assessment (WHOQOL): position paper from the World Health Organization. Med. Apud Minayo MCX.21(5):235-54. Med. Rev. 1978. 9. Qualidade de vida e saúde: um debate necessário. Med. J. Farndon J. 238 . Br. Generic and disease-specific measures in assessing health status and quality of life. Promoción de la salud y educación para la salud: retos y perspectivas. Singer MK. Life quality of patients with chronic obstructive pulmonary disease. Buss PM.41:1403-10. Hartz ZMA. 1982. Genebra: Editorial de La Universidad de Puerto Rico. Buss. Psychol. O conceito de saúde: ponto cego da epidemiologia? R. Sci. La promoción de la salud y la educación para la salud em América Latina: un análisis sectorial. Wilson R. 1995. In: Organización Mundial de la Salud. 2005. 17. Systems 1996.5(1):163-77. Deyo RA.27:5217-32. 13. Promoção da saúde e qualidade de vida. Mendizabal H. Epidemiol. Arch. Care 1989. 10. 19.35:275-81. Kirwan JR. Soc. Buss PM. Auquier P Simeoni MC. 2005. Heaton R. 2000. Med. The WHOQOL Group. p. Almeida Filho N.3(1):4-20. 1996. 1980. Prevenir 1997. Holman H. Soc. 16. Hutchinson A.23:137-45. 1979. Ciência & Saúde Colet. Health outcomes research in Hispaniccs/ Latinos. Ciência & Saúde Colet. Thompson PW. Flanagan J. Fries JF. Rheumatol. A research approach to improving our quality of life.142:473-8.33:138-47. Approches théoriques et . 15. Spitz P Kraines RG. Measurement of patient outcome in . 12. arthritis.33:77-86. Rheum. Clin. Carr AJ. Ciência & Saúde Coletiva 2000. 1993. Am. McSweeney A. 8.

30. How to use articles about healthrelated quality of life. Jaeschke R.232-240 maio/ago. 27. J. Med. Etter JF. In: Brasil. v. 21. BMC Public Health 2006. 26. 1995. Validation of a Frenchlanguage version of the MOS 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36) in young healthy adults. Carta de Ottawa. Sci. Secretaria de Vigilância em Saúde. Textos Básicos de Saúde). Juniper E. Brasília. Ministério da Saúde/IEC. Chron. Comparative measurement sensitivity of short and longer health status instruments. Heyland DK. Townsend M. Ergor G. Ministério da Saúde. How shoud we measure function in patients with chronic heart and lung disease? J. 23. Rao S.38:517-24. 1995. Katz JN. Thompsom PJ. Bullinger M. Leplége A. Kivircik B. Secretaria de Atenção à Saúde. et al. Secretaria de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde.2. Rougemont A. Minas Gerais 2003. Departamento de Análise de Situação em Saúde. Coons SJ.48:1051-60. The outcomes movement and health status measures. Soc. 2006.30:917-25.Revista Baiana de Saúde Pública 20. Política Nacional de Promoção da Saúde.6:247. p.277:1232-6. Qualidade de vida como medida de desfecho em saúde.17:13-35. Dis. Clin. Guyatt GH. Cook DJ. 1986.41:1359-66. Jones NL. Rodrigues-Neto JFR. Epidemiol. 2006. Liang MH. Jama 1997. Unal B. 29. Brasil. R. XII. Sullivan MJ.24:13-28. Adelaide. 28. p. Med. Demiral Y. Brasil. Keininger DL. WHO. Semin S. Brasília. 24. n.32. Ferreira GC. Med. Care 1992. Pharmacoeconomics 2000. Fossel AH. Normative data and discriminative properties of short form 36 (SF-36) in Turkish urban population. Naylor D. German translation and psychometric testing of the SF-36 health survey: preliminary results from the IQOLA project. J. Barr JT. Berman LB.11-18. Ministério da Saúde/FIOCRUZ. Larson MG. A comparative review of generic quality of life instruments. 22. Perneger TV. Phillips CB. (Série B. Saúde Brasil 2006: uma análise da situação de saúde no Brasil. Akvardar Y. 2008 239 . 31. 25. Promoção de saúde: Cartas de Ottawa.13(1):46-53. User is guides to the medical literature. Hays RD. Health 1995. 1995. Guyatt GH. Sundsvall e Santa Fé de Bogotá. Brasília. Allied.

33:89-103.41(10):1383-94. 33. 1993. 240 . Soc.2008.32.8. Sci. Ebrahim S. Raimex S. Erickson P Health Policy. Patrick DL. Clinical and public health perpectives and applications of healthrelated quality of life measurement. Med.3.2008 e aprovado em 8. Revue Prevenir 1997. Justifications et difficultés éthiques du concept de qualité de vie. Quality of life: health care evaluation . Nova York: Oxford University Press. 34. and resource allocation. Recebido em 17. 1993.

o porte desses procedimentos e suas implicações para o funcionamento do bloco operatório em uma unidade pública conveniada ao Sistema Único de Saúde. these procedures’ condition and implication as to the functioning of the surgical block in a public unit within the Unified Health System.2. Sampling consisted of data from 914 individuals within the period from January to July 2006. obtendo-se taxas de absenteísmo de 69. surgical areas involved. Feira de Santana. Gestão de recursos. Das 2.br v. only 914 had been programmed. Concluiu-se que é importante que o hospital desenvolva um sistema de gerenciamento integrado e informatizado. apenas 914 foram programadas. p.Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL ANÁLISE DO ABSENTEÍSMO CIRÚRGICO EM HOSPITAL PÚBLICO Vagner Oliveira Bomfima Juliana Bomfim de Carvalho Ferreirab Resumo Este estudo teve o propósito de investigar o quantitativo de cirurgias programadas e suspensas. BA. ANALYSIS OF THE SURGICAL ABSENTEEISM IN A PUBLIC HOSPITAL Abstract This study aimed at investigating the amount of programmed and suspended surgeries.73% dos casos. n.968 surgeries.03%. Das cirurgias suspensas apenas 7. (75) 91119290.com. Bahia. 2008 241 .00% foram remarcadas e realizadas posteriormente.: (75) 32233734. Palavras-chave: Administração de serviços de saúde. realize uma profunda reforma e ampliação dos centros de custos vitais como centro cirúrgico. Getúlio Vargas. E-mail: wbomfim@terra. 1085/906 Centro. Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Out of 2. no período de janeiro a julho de 2006. as áreas cirúrgicas envolvidas.32. rates of absenteeism attaining a b Hospital Geral Clériston Andrade.968 cirurgias. Endereço para correspondência: Av. terapia intensiva e unidades de cirurgia-dia. a retrospective observational study was undertaken in a public hospital having instructional specific training activities in Feira de Santana. A cirurgia de pequeno porte foi mais freqüente com 40.241-252 maio/ago. Utilizou-se um estudo observacional retrospectivo em hospital público com atividades de ensino e especialização em Feira de Santana (BA). que venham a adequar o hospital a seu real e efetivo papel de atendimento em urgência e emergência combinadas com as atividades de ensino. Tel.

Os pressupostos acima. Esta prestação de serviços tem sua legitimidade no respeito aos princípios de equidade. da intervenção ambiental e de políticas externas ao setor saúde. O absenteísmo ou taxa de suspensão de cirurgias tido como indicador hospitalar de qualidade e produtividade é um importante auxiliar para o gestor na identificação de não 242 . Among canceled surgeries. just 7.73% of cases. obrigatoriamente. mediante as chamadas Leis Orgânicas da Saúde nº. Management. Resources Management. Small extent surgery was most frequent with a rate of 40. sobretudo. objetiva a garantia de satisfação do usuário. quebrando expectativas de solução e melhoria de sua condição de saúde. mas. conduzem não apenas ao benefício de uma organização ou instituição de saúde. efetividade e aceitabilidade emanados da Constituição Federal de 1988 e viabilizados pela criação do Sistema Único de Saúde (SUS). evidenciando uma transgressão a pressupostos gerenciais administrativos já consagrados.00% had been rearranged and accomplished later.03%. It was agreed that it is important that the hospital develops an integrated and computerized management system. A realização de um procedimento cirúrgico envolve. o cancelamento de uma cirurgia implica numa elevada perda de insumos financeiros pela unidade de saúde. podendo representar uma ineficiente gestão de um centro de custos hospitalares além de atrasos em seu cronograma interno de cirurgias e realização de outros procedimentos envolvendo os usuários da unidade hospitalar. longe de representar apenas um horário disponível em um setor vital de uma unidade hospitalar — o centro cirúrgico — acarreta uma perda de qualidade do serviço a ser prestado ao paciente. materiais e tecnológicos. Ademais. Key words: Health Service. qualidade. além de uma grande soma de recursos humanos. alterações outras como mudança do perfil psicológico dos pacientes e de recursos financeiros necessários para a submissão a tais procedimentos.69. provides for an extensive process of vital cost centers reorganization and expansion: as the surgical center. intensive care unit and day hospital units – which should match the hospital’s real and effective role in urgency and emergency assistance combined with instructional training activities. 8080/90 e 8142/90 e das Normas Operacionais Básicas-NOAS editadas em 1991 e 1993. a descoberta e o cumprimento da missão deste prestador de serviço de saúde na comunidade que o abriga. Outrossim. A suspensão de um ato cirúrgico. é importante a identificação do perfil institucional. eficiência. INTRODUÇÃO A prestação de serviços de saúde é uma atividade complexa afetada por uma série de fatores internos e ambientais que podem comprometer seus resultados finais. compreendendo-se aí o campo da assistência.

determinar as causas do absenteísmo cirúrgico neste hospital. p. pois. para fazer frente a essa nova realidade.] vínculos afetivos entre cada usuário e uma equipe e/ou profissional”. os “[. em sua grande maioria muito carente de recursos.3 inegavelmente.4 Os diversos mecanismos ou meios elaborados na perspectiva de realização de um ato cirúrgico contrapõem-se à suspensão de uma cirurgia com possibilidade de sentimento de frustração. justificando-se a análise dessas taxas neste estudo e suas implicações como fator de satisfação dos usuários dos serviços de saúde.32.7:113 O contexto financeiro é sobremaneira modificado pela interrupção da capacidade laborativa deste usuário. .6 perdendo.avaliar o nível de satisfação dos pacientes e dos trabalhadores de saúde envolvidos no atendimento hospitalar.241-252 maio/ago. A resposta à expectativa do ato cirúrgico se evidencia de várias maneiras. 2008 243 .2 Além disto. quer seja de urgência ou de emergência. . o paciente e seus familiares vivenciam uma adequação de suas referências financeiras e emocionais. implicando em ônus significativo. A mobilização dos vários recursos. seja sociais e/ou financeiros. com prejuízo para todos os familiares. OBJETIVOS .. expressam-se pela percepção de vivências negativas relacionadas ao v. visto sob uma ótica de ameaça ou dano físico e emocional.Revista Baiana de Saúde Pública conformidade técnica e/ou administrativa. Outros elementos citados. quer seja programado e autorizado pelo paciente e responsável. seja psíquicos. com penalização de sua estrutura familiar. tais como: tristeza. ansiedade.identificar o número de cirurgias programadas e suspensas em um hospital público. n. implicando em um novo estado psíquico e com a expectativa de uma melhor qualidade de vida.5..1 A identificação ou diagnóstico de patologias que conduzam a um tratamento cirúrgico permite a elaboração de diversos aspectos psicoafetivos pelo indivíduo como um mecanismo de adaptação à doença ou à indicação cirúrgica. expressa inegavelmente uma agressão ao indivíduo. Não raras vezes o paciente é o mantenedor dessa estrutura na qual a interrupção por um ato cirúrgico acarreta significativa redução da renda. mágoas e ressentimentos vivenciados pelo paciente e que nem sempre são avaliados e devidamente tratados pela equipe multiprofissional.2. podendo acarretar em maior ou menor sucesso da cirurgia. REFERENCIAL TEÓRICO Um procedimento cirúrgico. proporciona modificações funcionais no paciente. angústia. além de muitas vezes conduzir a um estado de segregação social. quadros psicossomáticos vários. como o componente psíquico. como alterações de órgãos e aparelhos.

Estas leis de mercado são amplamente influenciadas pelas necessidades e especificidades humanas.16 e em muitos casos sua capacidade instalada seja subutilizada. o prestador de serviços de saúde é entendido nesse contexto como a instituição de saúde com todos os seus recursos materiais. 10 Estas necessidades dos clientes encontram atualmente obstáculos para um melhor padrão de qualidade em face de elementos como as limitações das leis de mercado voltadas para o setor saúde. de graduação e pós-graduação).diagnóstico e perda da auto-estima com o subseqüente isolamento social. aceitabilidade e eqüidade15. com suas características extremamente corporativas. sobretudo.8 O significado de determinada patologia.11 Outro elemento de suma importância decorre da inadequação dos currículos acadêmicos em seus diversos níveis (técnicos. sua resolubilidade enquanto doença de curso benigno e o temor acerca de neoplasias malignas proporcionam um profundo mal-estar psíquico que acaba impactando em na relação do indivíduo com o outro. da pessoalidade das relações e das emoções. bem como a multiplicidade de profissionais envolvidos na prestação do serviço. independente dos custos de produção. no Brasil. 244 .12. obtendo assim níveis de excelência nos procedimentos administrativos e clínicos e no atendimento às necessidades dos clientes. estima-se gastar pouco mais de 80 dólares per capita com a saúde. pois. preocupados com o comportamento das pessoas e não apenas com seus conhecimentos.9. sobretudo em regiões menos favorecidas como o norte e nordeste do país.13 A suspensão de um ato cirúrgico envolve o agravamento da escassez dos recursos destinados à Saúde Pública no Brasil e seu crônico mau aproveitamento. humanos. ainda que os primeiros sejam dotados de menor eficiência. Os custos operacionais e financeiros gerados pela suspensão das cirurgias repercutem na unidade hospitalar especificamente em seus instrumentos de determinação.14 É oportuno citar que os custos de manutenção e funcionamento dos hospitais públicos giram em torno de 6 a 10 vezes mais elevados quando comparados com os custos dos hospitais privados. financeiros e tecnológicos otimizados. Deve-se. divergindo dos aspectos humanos. Tal fato evidencia a grave crise de gestão traduzida por precariedade da assistência hospitalar. no caso os trabalhadores da saúde e os pacientes. considerar ainda que. implicando na necessidade de revê-los e torná-los mais flexíveis e centrados nas necessidades dos pacientes. Estes objetivos proporcionam a eliminação ou a minimização de riscos com a maximização de benefícios aos pacientes. a concorrência limitada do respectivo setor. Por outro lado. distanciados da vivência de valores éticos e limitados apenas à prática das técnicas terapêuticas. Desta forma poder-se-á formar profissionais com perfis compatíveis com as novas realidades e. tendo como objetivo a garantia de satisfação de seus clientes internos e externos.

18. processos e de resultados.18. o tratamento. propiciando maior produtividade e satisfação dos usuários internos (trabalhadores da saúde) e pacientes. os processos como os meios diagnósticos. ao tempo em que objetive mecanismos e processos na prática administrativa. que permitam repensar seus modelos de gestão. que se utiliza dos serviços públicos de saúde. as que necessitam de pronta intervenção pela equipe de saúde. humanos e o tipo ou modelo administrativo da unidade. Cirurgias de pequeno porte. no sistema de saúde e em sua capacidade de atendimento à população.2. mormente a mais carente. embora necessitem de recursos e/ou equipamentos de v. definida como o número total de cirurgias suspensas divididas pelo número total de cirurgias programadas no período estudado multiplicado por 100 (cem). Cirurgias de urgência/emergência. Deve-se entender como estrutura os recursos materiais. A metodologia utilizada foi a análise da taxa de suspensão de cirurgia ou absenteísmo cirúrgico. Tudo isto implica numa maior e efetiva qualidade gerencial.32. e os resultados como as mudanças oriundas dos cuidados adquiridos pelos clientes internos (trabalhadores da saúde) e a satisfação dos usuários externos (pacientes). aquelas que. unidade de saúde pública. suas práticas de trabalho e de atenção à saúde. tendo como população alvo todos os pacientes que tiveram cirurgias programadas (914).19 O estudo foi um desenho observacional retrospectivo realizado no período de janeiro a julho de 2006. p.241-252 maio/ago. definidas como aquelas agendadas para uma determinada oportunidade. a reabilitação e educação do paciente. tendo a qualidade de atenção à saúde identificada e otimizada nos aspectos de estrutura. As variáveis utilizadas para o estudo foram: . indicador este de parâmetro de qualidade gerencial hospitalar. n. Os dados foram extraídos dos livros de agendamento do centro cirúrgico.Cirurgias eletivas. sob pena de agravamento da patologia ou implicar em risco iminente de morte. 19 MATERIAL E MÉTODOS Este estudo foi desenvolvido em um centro cirúrgico do Hospital Geral Clériston Andrade na cidade de Feira de Santana. mediante o preenchimento de questionário específico.Revista Baiana de Saúde Pública controle e análise dos gastos e nos sistemas de controle de patrimônio hospitalar.17 Mais importante que evitar o absenteísmo cirúrgico ou a suspensão de cirurgia é identificar suas causas. sendo excluídos os procedimentos cirúrgicos de urgência/emergência e os pacientes residentes em outros municípios que não Feira de Santana. cujas questões foram elaboradas para atender aos objetivos determinados pelo estudo. Desta forma será possível interligar equipes profissionais multidisciplinares. 2008 245 . referência em alta complexidade na macro-região centro norte da Bahia. gestores ou gerentes das unidades.

Cirurgias de Ginecologia. abdome. as que necessitam de grandes recursos/equipamentos e internação em hospital. Número e percentual de cirurgias eletivas e de urgência realizadas no HGCA. A análise estatística baseou-se em média e distribuição percentual. as que tratam de patologias cirúrgicas em crianças. protocolo 006/2005.A. não precisam de internação hospitalar. Cirurgias de Pediatria.4%) eventos e as restantes 545 (59. O estudo contou com a aprovação do Serviço de Educação Continuada do H. bem como do Comitê de Ética em Pesquisa da localidade (UEFS. conforme a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. aquelas que tratam das patologias cirúrgicas do trato ano retais. Cirurgias de médio/grande porte.G. Cirurgias de Ortopedia. Cirurgias de Proctologia. as que tratam de patologias decorrentes de traumas ou alterações da região bucomaxilofacial. Cirurgia Bucomaxilofacial.968 cirurgias. sendo identificadas 2./jul. cabeça e pescoço.0. as que tratam de patologias do aparelho genital feminino.050.um centro cirúrgico. Gráfico 1.000-06). aquelas que tratam de patologias do aparelho ósteoarticular.0.054 caracterizadas como cirurgias de urgência e 914 procedimentos eletivos ou programados (Gráfico 1).6%) atingiram as cirurgias realizadas (Gráfico 2). Deste total de procedimentos operatórios. RESULTADOS E DISCUSSÃO Ao longo de sete meses foram coletados dados referentes a 2. Cirurgia Geral. os de pequeno porte foram responsáveis por 369 (40.C. Após a coleta os dados foram tabulados no programa SPSS 9.2006 246 . jan. CAAE 0002. aquela que trata de patologias de tórax. Feira de Santana. utilizando-se o software Words for Windows para o processamento de texto e Excel para a confecção de tabelas e gráficos.

/jul. jan.Revista Baiana de Saúde Pública Gráfico 2.91% a 33%. muito diferente do referido na literatura especializada. Contudo ocorrem situações alheias a sua vontade que modificam radicalmente este processo e trazem.2006 v.14 Neste estudo a taxa de suspensão de cirurgia atingiu 69. deveriam seguir seu curso rotineiro que é sua realização e posterior recuperação e reabilitação da saúde do cliente. 2008 247 .2. jan. trauma de ordem psíquica e física. uma vez programadas. Número e percentual de cirurgias de pequeno e médio/grande porte realizadas no HGCA. financeiro e social. Número e percentual de cirurgias realizadas e suspensas e total de programadas no HGCA. segundo situação da cirurgia. Feira de Santana/BA.8 Todas essas mudanças são enfocadas na literatura sob um aspecto clínico. p. por si só. Feira de Santana/BA. além de profundas modificações em seu contexto familiar. de alterações da pessoa do cliente. mesmo considerando que estas análises sejam focadas em unidades hospitalares com perfil de ensino e assistência.32.241-252 maio/ago.03% (631)./jul. bem como sob o aspecto institucional. 2007 Obviamente as cirurgias. implicando em uma maior ou menor taxa de absenteísmo cirúrgico. Tabela 1. n. em que as taxas variam em torno de 19. Os dados encontrados são motivo de extrema preocupação e da necessidade de aprofundar estudos específicos na identificação das causas do absenteísmo nesta unidade hospitalar (Tabela 1). na dependência também das características loco-regionais e do perfil epidemiológico da unidade hospitalar.

As taxas de suspensão de cirurgias sofreram maiores elevações nos meses de janeiro e junho do período estudado.8%) e falta de guias de internação pelo SUS (13. a cirurgia geral destacou-se com maior número de suspensões.9% (189 cirurgias).Os dados evidenciaram ainda a remarcação de 10. 2006 As cirurgias de pequeno porte apresentaram taxa de suspensão de 29. como o não comparecimento ao hospital. 248 . Entre todas as especialidades cirúrgicas envolvidas. cuja taxa foi de 70. Vale ressaltar que as taxas identificadas pela literatura dizem respeito às causas do absenteísmo cirúrgico.1% (442). no transcurso do tempo do estudo. Os outros 28. Neste estudo o absenteísmo por motivos de ordem estrutural atingiu 71. jan.1% (64) de todas as cirurgias suspensas sem. colpites e doença inflamatória pélvica (DIP)./jul. destacando-se a falta de vaga nas unidades de internação (29. destacando-se as doenças cardiovasculares e ginecológicas como mais prevalentes — hipertensão. quando comparada com as de médio a grande porte.2% decorreram de problemas relacionados com os pacientes e de ordem clínica. falta de sala de cirurgia (28. seguida da clínica ginecológica e da odontologia bucomaxilofacial. terem sido realizados estes procedimentos cirúrgicos eletivos.4%). conforme identificado na Tabela 3. entre outras. entretanto.6%). (Gráfico 3). denotando talvez a capacidade de realização de procedimentos menores com maior resolubilidade quando comparado com as cirurgias maiores (Tabela 1). conforme se identifica na Tabela 2.8% dos casos identificados. a suspensão por motivos clínicos do paciente ou causas de ordem administrativa. Número e percentual de causas geradoras de suspensão de cirurgias no HGCA. Gráfico 3. bem como também não foram identificados mecanismos gerenciais que modificassem substancialmente estes números. Feira de Santana/BA. devendo ser mais bem aclarados os motivos dessas elevações.

32. Feira de Santana/BA.4) dos questionários respondidos (Tabela 4). jan. n.2.2% (Md=20. Número e percentual de cirurgias realizadas. segundo mês. em toda a estrutura física ambulatorial e na unidade de internação. Feira de Santana.7% (Md=18. 2008 249 .Revista Baiana de Saúde Pública Tabela 2. Na análise realizada pelo software Statistical Packcage for Social Science (SPSS) 9.3% dos usuários e em 30.20 Esta necessidade foi referida como regular por 25.0 utilizou-se como referência estatística a medida de tendência central (Ma.jul. 24.7) dos pacientes classificaram a assistência de enfermagem como regular. 2006 A pesquisa de satisfação dos usuários realizada evidenciou a necessidade de melhorias no centro cirúrgico. verificou-se que as cirurgias maiores. Para a média de cirurgias suspensas distribuídas ao longo dos meses e por especialidades cirúrgicas.241-252 maio/ago. jan. Identificou-se na pesquisa de satisfação a necessidade de aprimorar a comunicação interprofissional e interdisciplinar. 46. entendida como a superação de novas modalidades da práxis científica.2006 Tabela 3. mas. Número e percentual de cirurgias realizadas e suspensas e total de programadas no HGCA segundo a especialidade. tornando as disciplinas integradas e auxiliares entre si. sobretudo. O sistema de marcação de cirurgia foi avaliado pelos pacientes e pelos trabalhadores da saúde como ruim em 24. Md). suspensas e total programadas no HGCA.5) classificaram como regular a assistência médica.jul. apresentou-se como a de suspensão mais v.3% (Md=18. uma vez que parte significativa do absenteísmo decorreu da limitação de leitos e da falta de integração entre os setores administrativos e o centrocirúrgico. como a colecistectomia (grande porte).7% dos questionários aplicados entre os trabalhadores da saúde envolvidos no estudo (Tabela 4). p.

0%) no período de janeiro a julho.6%) e da ginecologia (71. aliada a uma organização estruturada e mobilizada em torno de um objetivo deve.7%). Tabela 4. CONCLUSÃO No momento em que o financiamento da saúde requer aporte significativo de recursos face aos altos custos que se elevam dia-a-dia decorrentes de uma medicina cada vez mais tecnicista e cara.4%).2006 Os dados citados não se apresentam de maneira uniforme ao longo dos meses e sem que tenha havido relação entre o tipo ou porte de cirurgia e o mês de ocorrência do absenteísmo cirúrgico. Identificou-se uma média de cirurgias suspensas de 90 ± 33 (69. fraturas de mandíbulas (38. histerectomias (37.4%). uma profunda reforma e ampliação dos centros de custos vitais como centro cirúrgico.6%). terapia intensiva e unidades de cirurgia-dia. 250 . carecendo aprofundar estudos que permitam explicar as distribuições encontradas. Nesse particular é importante que o hospital desenvolva um sistema de gerenciamento integrado e informatizado. A satisfação do cliente. que possam adequar o hospital a seu real e efetivo papel de atendimento em urgência e emergência combinado com as atividades de ensino. Percentual de satisfação dos trabalhadores de saúde e pacientes do HGCA. jan. a cirurgia pediátrica apresentou uma taxa de suspensão maior (85. fraturas de malar (31. é de suma importância que os gestores elaborem mecanismos gerenciais que reduzam significativamente as taxas de absenteísmo numa unidade de custos importante como o centro cirúrgico. em números percentuais. Feira de Santana.4%).freqüente por especialidade na amostra estudada (26. segundo a Gestão Estratégica de Qualidade com ênfase nos processos e fluxos de trabalho.6%). seguida de hérnias inguinais (18. seguida da odontologia bucomaxilofacial (76.jul.4%) e colpoperineoplastias (18.2%). pois. merecer um planejamento estratégico e uma reorientação de pressupostos básicos como perfil e missão de uma unidade prestadora de serviço de saúde pública.

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Percebeu-se que o aumento da produção total da atenção odontológica básica não acompanhou o ritmo do crescimento do número de equipes de saúde bucal. Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães – Fundação Oswaldo Cruz Secretaria de Saúde – Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho – PE Endereço para correspondência: Fernando Castim Pimentel.32. Em relação às ações de promoção e prevenção. Graças. (81) 8737-3027.2. Os resultados mostraram que os procedimentos odontológicos básicos apresentaram um baixo crescimento ao longo de sete anos. Programa saúde da família. Palavras-chave: Saúde bucal. Serviços de saúde bucal. Recife/PE. Tel. CEP: 52050010. os procedimentos preventivos superam os curativos em praticamente toda a série histórica. 802. Sistemas de informação. mas o perfil dos procedimentos realizados pelas equipes demonstra o início de uma reorientação do modelo de atenção à saúde bucal no Recife e o Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA) do Sistema Único de Saúde (SUS) se constitui em um importante instrumento nesse processo de mudança. 342. No grupo das práticas individuais. 2008 253 . apto. Trata-se de um estudo descritivo. quando comparado proporcionalmente à evolução das equipes de saúde bucal e à produção odontológica dessas mesmas equipes.253-264 maio/ago.com. nota-se que as equipes de saúde bucal são as principais responsáveis por esse tipo de ação no município.br v. p. n. no qual os dados relativos aos procedimentos odontológicos da rede ambulatorial do Recife foram obtidos do Sistema de Informação Ambulatorial do Ministério da Saúde. Rua do Futuro.Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL EVOLUÇÃO DA ASSISTÊNCIA EM SAÚDE BUCAL NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA DO MUNICÍPIO DO RECIFE (PE) NO PERÍODO DE 2001 A 2007 Fernando Castim Pimentela Petrônio José de Lima Martellia José Luiz do Amaral Correa de Araújo Juniora Ângela Siqueira Limaa Vanessa Gabriele Diniz Santanaa Cícera Lissandra Sá Vieira Macedob Resumo O presente estudo tem como objetivo analisar a evolução da assistência realizada pelas equipes de saúde bucal no município do Recife (PE) no período de 2001 a 2007. a b Departamento de Saúde Coletiva. E-mail: nandocastim@yahoo.

oral health teams are the main responsible for this type of action in 2007. voltadas para a promoção.450 pessoas. representando um aumento superior a 195%. em média. de 6 de março de 2001. prevenção e tratamento dos agravos à saúde. when compared proportionally to the evolution of the oral health teams and their odontological production. preventive overcame curative procedures in practically all historical series. Com esse incentivo. o MS passou a financiar as ESB na proporção de 1:1 com relação à ESF. cada ESB passou a cobrir. that basic odontological production increase did not accompany oral health teams growth. In relation to the promotion and prevention actions.190. although the profile of procedures conducted by the teams demonstrates the beginning of a reorientation in the oral health attention model in the city of Recife and SIA / SUS constituted an important instrument in the change process. It is evident.2 Atualmente. Key words: Oral health. de dezembro de 2002 até dezembro de 2005. o número de Equipes de Saúde Bucal implantadas no país alcança 16. Nesta oportunidade. INTRODUÇÃO O Ministério da Saúde (MS) pretende reorientar o modelo assistencial por meio de um conjunto de ações individuais e coletivas. imprimindo uma nova dinâmica para a consolidação do SUS. a Equipe de Saúde da Família (ESF) contou com a participação oficial de uma ESB para cada duas ESF. houve um grande aumento no número de ESB na Estratégia de Saúde da Família em todo Brasil (8. Information systems. Pela Portaria Nº 267. 3. de 28 de dezembro de 2000. Essas medidas representaram um grande avanço para a expansão da saúde bucal na atenção básica.3 254 .444. com a Portaria Nº 673. Family health program. Dental health services.1 A regulamentação da Equipe de Saúde Bucal (ESB) na Estratégia de Saúde da Família ocorreu por meio da Portaria Nº 1. It is a descriptive study and the data from odontological procedures of Recife’s outpatient system were obtained from the Ministry of Health Outpatient Information System.THE EVOLUTION OF ORAL HEALTH CARE IN THE FAMILY HEALTH STRATEGY IN RECIFE-PE FROM 2001 TO 2007 Abstract The aim of this study was to analyze the evolution of care conducted by the oral health teams of Recife city from 2001 to 2007. In the group of individual practices.342). then. situadas no primeiro nível de atenção. The study showed that the basic odontological procedures presented a low growth in seven years. de 30 de junho de 2003. Dois anos depois.

para isso. 2008 255 . banco de dados do Ministério da Saúde. por permitir o acompanhamento da programação da produção ambulatorial odontológica e a construção de alguns indicadores quantitativos das ações desenvolvidas. assistência e reabilitação. as secretarias municipais de saúde devem potencializar a utilização de instrumentos de gestão como o Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA) do Sistema Único de Saúde (SUS).. A consulta a esse sistema permite o acompanhamento e a avaliação da produção ambulatorial odontológica8.253-264 maio/ago. pois ainda se observa que “[.2. Este artigo é um produto da pesquisa Analisando a Política de Atenção Básica em Recife-PE: um Olhar sobre a Estratégia Saúde da Família e o Programa de Saúde Ambiental. em níveis significativos.32. Parecer N° 78/05. financiada pelo Conselho Nacional de Pesquisas (CNPq) e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães (CPqAM). se houve aumento quantitativo ou mesmo alguma mudança nos tipos de procedimentos oferecidos à população com a introdução da ESB na ESF. sendo de grande importância na avaliação das equipes de saúde bucal. para acompanhar a atuação dos serviços de saúde bucal e orientar seu processo de trabalho.] a atenção à saúde bucal no Brasil tem-se caracterizado pela insuficiência de procedimentos coletivos e preventivos individuais e pela baixa cobertura de procedimentos curativos e de urgência”. Os dados relativos aos procedimentos odontológicos da rede ambulatorial do Recife foram obtidos no SIA-SUS. atualmente. neste estudo. MATERIAL E MÉTODOS Trata-se de um estudo descritivo de corte transversal que corresponde a uma série histórica de sete anos dos procedimentos odontológicos realizados na atenção básica do município do Recife (PE) no período de 2001 a 2007. Busca-se conhecer o perfil das práticas oferecidas à população e identificar se demonstram indícios de reorientação do modelo de atenção em saúde bucal. a participação da equipe odontológica na Estratégia de Saúde da Família ainda é focalizada no atendimento clínico ambulatorial básico. na medida em que não responde. demonstrando ser ineficaz. p. curativa e tecnicista. orientando a organização da saúde bucal nos municípios.8 Pretende-se. o SIASUS.4: 94 Embora a Política Nacional de Saúde Bucal5 estabeleça em suas diretrizes a atenção integral com a realização de atividades de promoção.. analisar a evolução das ações realizadas pelas equipes de saúde bucal no município do Recife no período de 2001 a 2007. apesar da expansão do número de ESB. v. questiona-se.6 com característica individual. n.7 Assim. aos problemas de saúde bucal da população.Revista Baiana de Saúde Pública Entretanto. Esse sistema de informação foi implantado em 1991. utilizando-se. prevenção.

o modo de registro selecionado foi a “quantidade apresentada”. 1005115 e 1005136): – preventivos – aplicação de flúor.fundamentais no processo de planejamento das ações e organização da atenção à saúde bucal nos municípios. aplicação de cariostático. sendo também possível identificar os tipos de atividades priorizadas pelas equipes de saúde bucal da cidade do Recife (PE) no período de 2001 a 2007. amálgama ou cimento de ionômero de vidro. passaram a compor o elenco de procedimentos odontológicos básicos individuais (códigos 1001101. os procedimentos foram agrupados da seguinte forma: 1 – Ações de promoção e prevenção – constituídas pelas visitas domiciliares. 1001102. – cirúrgicos – exodontia de dente permanente ou decíduo. escovação dental supervisionada. 1004101. 2 – Procedimentos individuais – este item agrupou desde aplicação tópica de flúor até moldagem/adaptação/acompanhamento de prótese dentária (códigos 0302201 a 0305101). 0401103). Para a análise dos dados coletados. resina fotopolimerizável. além de três procedimentos do grupo 10 que. por conter todos os procedimentos informados ao sistema. silicato. curetagem subgengival. procedimentos coletivos como aplicação tópica de flúor gel. 1001101 e 1001102). 1005115 e 1005136). 0102301. remoção de cálculo supragengival. restaurações de compósito. dentre outros (códigos 0301101 a 0301105). desde a NOAS/01. controle da placa. Na coleta dos dados. pulpotomia de dente decíduo/ permanente. e restauração a pino em dentes decíduos ou permanentes (códigos 0303101 a 0303115. inserção/condensação substância restauradora por dente (códigos 0302201 a 0302208). o que facilita a análise. Para a coleta dos dados. atividades educativas realizadas pelo cirurgião-dentista e pelo THD (códigos 0102301. atividades educativas e procedimentos coletivos descritos a seguir: – – – visitas domiciliares realizadas pelo cirurgião-dentista e pelo Técnico de Higiene Dental (THD) – (códigos 0102304 e 0401107). independente do teto estipulado. 0401102. Para isso. remoção de resto radicular (códigos 0304101 a 0304107. 256 . foram utilizados gráficos e tabelas elaborados pelo programa Microsoft Excel. – restauradores – capeamento pulpar direto. escariação por dente. procurou-se comparar a evolução do total dos procedimentos odontológicos do município realizados pela rede pública com aqueles produzidos apenas pelas equipes de saúde bucal. aplicação de selante.

737) desses procedimentos no município. Enquanto a produção total do município aumentou apenas 1. especialmente devido aos procedimentos coletivos realizados pelas ESB.8% (51. passando para 82. chegando a representar apenas 37. que correspondia a 4. respectivamente) e uma baixa quantidade de atividades educativas (13. passou para 25. p. em 2001.32. atividades educativas e procedimentos coletivos.3% em v. mostra que as ESF vêm assumindo a responsabilidade por esse tipo de procedimento. houve um grande salto na quantidade dessas ações.4%). 2008 257 .7 e 41. na qual estão incluídas as visitas domiciliares.046) em 2007.8%. Em 2005.9% (282. aumentando sua participação para 87. Dentre as ações de promoção e prevenção realizadas pelas ESB.5% do total de procedimentos.253-264 maio/ago. Observou-se um crescimento dos procedimentos em saúde bucal realizados pelas equipes até o ano de 2002.74% no período de estudo. observa-se no Gráfico 2 uma predominância dos procedimentos coletivos e visitas domiciliares (44. decrescendo até o ano de 2004. Evolução do N° de ESB.0% (18.5%) no ano de 2001. Esse aumento torna-se bastante expressivo ao se comparar com o aumento do número de ESB (144.421) dos procedimentos da atenção básica em 2001. que apresentava 45 equipes implantadas em 2001. tornando possível perceberse sua participação em 95. Tabela 1. A análise dos procedimentos de promoção e prevenção.2. eram responsáveis por 48. como pode ser visto no Gráfico 2. o percentual de procedimentos coletivos aumentou. já que.Revista Baiana de Saúde Pública RESULTADOS A análise dos procedimentos odontológicos produzidos na atenção básica do município do Recife permitiu observar-se crescente participação dos procedimentos realizados pelas ESB (Tabela 1). Ao longo dos anos.967) em 2007 (Gráfico 1). a produção das ESB. n. passando para 110 equipes em 2007.6% desses procedimentos. o que representa um aumento de 448% da produção realizada por essas equipes. procedimentos odontológicos básicos produzidos no Recife e pelas ESB no período de 2001 a 2007 Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais – SIA/SUS (DATASUS).4% (66.

enquanto as visitas domiciliares apresentaram uma gradual redução. quando passou a apresentar uma tendência declinante de 2004 a 2007. mas crescente. observou-se que aqueles relativos aos procedimentos preventivos. O número de procedimentos cirúrgicos também mostrou um crescimento em sua participação até 2004. os procedimentos odontológicos individuais realizados pelas equipes representavam 3.3%. É interessante notar a participação quase exclusiva dos procedimentos coletivos realizados pelas equipes em 2005: representaram 99. com uma representação de 47.3% em 2007.2007. 258 . participação desses procedimentos realizados pelas ESB. Ao se detalhar os procedimentos odontológicos individuais realizados na Estratégia de Saúde da Família (Gráfico 3). evidenciou-se uma pequena. Em geral.1% das ações de promoção e prevenção. seguido dos procedimentos restauradores e cirúrgicos. os quais representavam 71.9% dos procedimentos individuais em 2001. diminuíram seu percentual para 51. Participação dos procedimentos de promoção e prevenção realizados pelas ESB no total de procedimentos realizados pelos serviços públicos do Recife no período de 2001 a 2007 Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais – SIA/SUS (DATASUS). os procedimentos individuais preventivos representaram. As atividades educativas se destacaram apenas no ano de 2003. Os procedimentos restauradores apresentaram um aumento gradual até 2004. a maior parte dos procedimentos clínicos. quando ultrapassaram as demais ações.4% dos procedimentos individuais realizados em Recife. Em relação aos procedimentos odontológicos individuais. permanecendo sem grandes variações até 2007. Gráfico 1.6% em 2007. Em 2001. quando comparado ao que foi realizado por todo o município no período do estudo.1% das ações nesse mesmo ano. Essa participação foi aumentando e chegou a 20. chegando a representar apenas 2. ao longo dos anos.

253-264 maio/ago. n. v. 2008 259 .Revista Baiana de Saúde Pública Gráfico 2. Gráfico 3. PI rest – procedimentos individuais restauradores. p. Percentual de participação dos diferentes tipos de procedimentos coletivos realizados pelas ESB do Recife de 2001 a 2007 Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais – SIA/SUS (DATASUS) PI prev – procedimentos individuais preventivos.2. Participação dos tipos de procedimentos individuais realizados pelas ESB do município do Recife de 2001 a 2007 Fonte: Sistema de Informações Ambulatoriais – SIA/SUS (DATASUS).32. PI cirurg – procedimentos individuais cirúrgicos.

as quais envolvem visitas domiciliares. e no município B. o crescimento do número de ESB no município (144.6: 301 os quais afirmam que “[. e a despeito do crescente aumento da produção das ESB. a expansão de 57. as atividades educativas influenciam positivamente as pessoas que têm acesso a elas. constatou-se que as ESB foram os principais responsáveis por esse tipo de prática. que observou um crescimento de 20%. observou-se um aumento de 1. Não obstante participarem com 15.74% no período de sete anos. Outros autores também evidenciaram esse aumento da produção odontológica em outros municípios.] a participação da equipe odontológica no PSF é limitada e focalizada. Tal fato refletiu na quantidade e no tipo de procedimentos realizados no Recife: aumento explosivo dos procedimentos coletivos (223. observou-se que a produção ambulatorial odontológica total ampliou-se em apenas 1. as atividades educativas ainda são muito realizadas pelas ESB do Recife. a produção das ESB representou 99.8%.4%).. na maioria das vezes. no período de 2001 a 2007. no ano anterior. Tais fatos corroboram o início da mudança do modelo de atenção à saúde bucal na cidade do Recife.5%). que levou ao fechamento das UBT. de 1995 a 2001. quando. Com o surgimento dos indicadores do Pacto da Atenção Básica em janeiro de 2005.DISCUSSÃO Ao se analisar a evolução dos procedimentos odontológicos básicos realizados no município do Recife (PE). verificando e incentivando aqueles que cumpriam as metas pactuadas.1% do total de procedimentos coletivos do município. para o estado de Pernambuco..1% da oferta de serviços ambulatoriais.6% dos procedimentos coletivos em 2007. Devido a tal substituição. a quantidade desses procedimentos era de apenas 18. Pôde-se verificar. Em relação às ações de promoção e prevenção realizadas pelos serviços de saúde bucal do município. Verificou-se ainda a substituição das Unidades Básicas Tradicionais (UBT) pelas Unidades de Saúde da Família (USF) com saúde bucal. sendo priorizados atualmente os procedimentos coletivos em detrimento dos demais. o que contraria as afirmações de Oliveira e Saliba. neste estudo. a exemplo de Barros e Chaves8 que.9 o Ministério passou a ter melhor controle das ações de saúde realizadas pelos municípios. acompanhado de um aumento ainda maior da produção dessas equipes (448. em estudo semelhante realizado em dois municípios da Bahia. Emmi e 260 . número pouco significativo quando comparado aos resultados encontrados por Silva2.541. atividades educativas e procedimentos coletivos. Nesse período. Consideradas de grande impacto na saúde bucal da população e elo de ligação entre profissionais e comunidade.011) no ano de 2005.74%. no atendimento clínico ambulatorial básico”. observaram no município A um aumento de 138. entre os anos de 2002 e 2005.

ao observar. A redução das visitas domiciliares realizadas pelas ESB.2. que passaram de 41. em alguns municípios. em Recife. Patriota14 também concorda com esses resultados.. nos anos de 2001 e 2002. Corrobora esta afirmação os resultados da pesquisa realizada por Andrade e Ferreira12 que. Ao questionarem os usuários sobre os fatores que melhoraram e que consideram de relevância após a inclusão das ESB. com exceção de 2004. a despeito da diminuição dos procedimentos individuais preventivos. que um dos fatores que contribuem para a transformação das práticas da Odontologia em Saúde Coletiva. observaram o despreparo das ESB e a falta de treinamento e capacitação ao realizarem as atividades educativas.Revista Baiana de Saúde Pública Barroso10 avaliaram as ações de saúde bucal no programa saúde da família no distrito de Mosqueiro (PA). ao avaliarem a inserção da odontologia na Estratégia de Saúde da Família do município de Pompeu (MG). Isso demonstra que. “A prática profissional ainda continua amarrada a uma demanda reprimida crescente de atendimento cirúrgico-restaurador. p. fato esse de grande significância para a mudança do modelo de atenção em saúde bucal.13: 50 A análise do percentual de procedimentos individuais realizados pelas ESB mostra que.8% em 2001 para 2. Mendes e Prado Júnior. a exemplo de Vilarinho. Frazão11 demonstrou. 2008 261 .7% no referido período. porém. que as atividades educativas sejam realizadas não somente com grande freqüência. É preciso. mesmo dentro dos consultórios. o que reforça o caráter substitutivo das práticas assistenciais em saúde bucal.32.253-264 maio/ago.] contribuem para a acessibilidade aos serviços e representam um instrumento valioso para cumprir a nova dinâmica imposta pelo PSF”.1% em 2007.”8: 42 v. observaram que os mais citados foram as orientações sobre higiene bucal. é representado pela maior participação do pessoal auxiliar odontológico (PAO) nas ações de promoção. sem perceber melhorias na condições de saúde da sua comunidade. como se viu no Gráfico 3. enquanto os demais cresceram apenas 6. mas também com a qualidade necessária para mudar os hábitos da população. em seus estudos.13 os quais verificaram que os procedimentos restauradores e cirúrgicos superaram os procedimentos preventivos em Teresina (PI). decorre do fato de terem sido realizadas em maior número quando da implantação da estratégia. esses ainda superam os procedimentos curativos (restauradores e cirúrgicos) ao longo dos anos de referência. ou seja. seja nas palestras. Entretanto os resultados encontrados neste estudo diferem daqueles expostos por outros autores. nas visitas em casa ou na própria consulta. que os procedimentos básicos preventivos superaram os procedimentos básicos curativos no período de 2001 a 2005: os primeiros apresentaram um crescimento de 43%. As visitas domiciliares “[. n. há uma predominância das práticas individuais preventivas realizadas pelas equipes de saúde bucal..

por procedimentos curativos.16:54 É importante salientar o valor dos sistemas de informação. conseqüentemente.Os dados deste estudo também se opõem aos estudos de Oliveira15 sobre o modelo de atenção em saúde bucal apresentado por 57% dos municípios de Pernambuco no ano de 2001. evidenciado neste trabalho.3%). controle e avaliação das ações realizadas pelos serviços odontológicos municipais ainda é um problema sério a ser enfrentado pelos gestores.2%).6%) e periodontais (9.3%) e restauradores (18. em um município do interior da Bahia. Entretanto alguns fatos reforçam a reorientação do modelo de atenção à saúde bucal presenciada pelo município do Recife: o crescimento da participação das ações de promoção e prevenção nos últimos anos. pois a falta de mecanismos de acompanhamento. econômicos e psicológicos deles advindos. em mais de 50%. há que se ampliar o investimento de recursos na promoção de saúde e na prevenção primária. em 2001. quando comparado proporcionalmente à evolução das ESB e à produção odontológica dessas mesmas equipes. seguidas dos procedimentos cirúrgicos (23. os procedimentos individuais preventivos responsáveis por aproximadamente 50% dos procedimentos clínicos. ampliação da qualidade da cobertura do PSF com incorporação de odontólogos e consecução de parcerias dentro e fora do setor Saúde sobressaem-se como algumas das estratégias com capacidade de reduzir os tratamentos odontológicos mutiladores e. isto devido à opção de substituição das Unidades Básicas Tradicionais pelas Equipes de Saúde Bucal. Para melhorar o nível de saúde bucal da população de Cuiabá — e também de Mato Grosso e do Brasil —. os problemas sociais. As ações educativas de higiene oral e nutrição. e a diminuição lenta da quantidade de procedimentos cirúrgicos. os quais produziram uma assistência básica composta. além do controle e avaliação de suas 262 . e menor participação dos procedimentos preventivos individuais (11. especialmente o SIA-SUS. a saúde bucal ainda necessita de muito investimento por parte dos demais níveis de governo. pode ser decorrente de maior enfoque nas ações de promoção e prevenção por parte dos profissionais e/ou aumento dos procedimentos restauradores.6%). É interessante apontar que o decréscimo do percentual de procedimentos cirúrgicos realizados pelas ESB a partir de 2004. Barros e Chaves8 encontraram. fluoretação da água. Apesar dos avanços. maior participação das primeiras consultas odontológicas (37.17 CONCLUSÃO Os resultados apresentados neste estudo mostraram que os procedimentos odontológicos realizados na atenção básica do município apresentaram um baixo crescimento ao longo de sete anos.

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Brasil.22(55):48-54.12(4):329-36. 264 . 2006. Vilarinho SMM. Patriota CMM. São Paulo 1998.4.15(2):47-55. Ferreira EF. Univ. Prado Júnior RR. Recife (PE): Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães. Estado de Mato Grosso. Cobertura das ações de saúde bucal no Recife no período de 2000 a 2005. Oliveira LMA.11(1):155-60. 2002. [Monografia de Residência]. Avaliação da inserção da odontologia no Programa Saúde da Família de Pompéu (MG): a satisfação do usuário. saúde bucal. Tomita NE. Ciência & Saúde Coletiva 2006. 12. 16.8. Saúde bucal em Pernambuco: acesso e utilização dos serviços odontológicos do SUS em 2001. Recife (PE): Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães.2008. R. Perfil dos cirurgiões-dentistas integrantes do Programa Saúde da Família em Teresina (PI). Odonto Ciência 2007. Recebido em 15. 13. Scatena JH. Epidemiologia e Serviços de Saúde 2006. Volpato LER. Assistência odontológica e universalização: percepção de gestores municipais.2008 e aprovado em 25. a partir do banco de dados do Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SIASUS). Andrade KLC.11(1):123-30. Odontol. Leal RB. 14. [Monografia de Residência]. Mendes RF. 17. R. 15. Análise da política de saúde bucal do Município de Cuiabá.11. Ciência & Saúde Coletiva 2006. Frazão P A participação do pessoal auxiliar odontológico na promoção da .

Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB). Its aim was to subsidize the definition of strategies in order to implement the laboratorial component in Sanitary Surveillance actions in accordance with Health Department’s established norms within a context in which individual assistance prevails. Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde (SUVISA). Amaralina. Laboratórios de Saúde Pública. n. Visou subsidiar a definição de estratégias para implementar o componente laboratorial das ações de Vigilância da Saúde. Endereço para correspondência: Av. 2008 265 .2.Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL COMPONENTE LABORATORIAL DA VIGILÂNCIA DA SAÚDE NA BAHIAa Leila Ramosb Edna Pagliarinic Resumo Este artigo apresenta antecedentes sobre a política de laboratórios de saúde pública bem como os resultados do levantamento dos laboratórios instalados no estado da Bahia. Mestre em Saúde Comunitária pelo Instituto de Saúde Coletiva c (ISC).32. p. atendendo às normas operacionais estabelecidas pelo Ministério da Saúde em um ambiente no qual permanece a hegemonia da assistência individual. chandani. utilizando as informações contidas no Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES) do Ministério da Saúde. Public Health Laboratories. Key words: Laboratories. epagliarini@gmail. Sanitary Surveillance. 04. Palavras-chave: Laboratórios. a Texto elaborado em 2006 por profissionais da Coordenação de Acompanhamento e Avaliação do Laboratório Central de Saúde Pública do Estado da Bahia (LACEN). Amaralina. Coordenadora de Acompanhamento e Avaliação. Universidade Federal da Bahia (UFBa).265-272 maio/ago. b Sanitarista do Laboratório Central de Saúde Pública do Estado da Bahia (LACEN). SANITARY SURVEILLANCE LABORATORIAL COMPONENT IN THE STATE OF BAHIA Abstract This article presents the past records of public health laboratory policies as well as the results of a survey on installed labs in the state of Bahia. Brasil. Vigilância. Bahia. Salvador. by means of the information from Health Department’s CNES (National Health Establishment Register).leila@gmail.com v. Bahia CEP: 41900-020.com Farmacêutica do LACEN/SUVISA/SESAB. 27 ap.

o Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (LACENBa)d enfrenta o grande desafio de utilizar os instrumentos legais disponíveis para gerenciar suas atividades na perspectiva da saúde coletiva..] um conjunto de redes nacionais de laboratórios. equidade e acessibilidade. 266 .INTRODUÇÃO Nos últimos anos assistimos à incorporação de novas tecnologias que têm contribuído para a determinação de novas formas de organização dos serviços de saúde na busca de ganhos em eficiência. para as análises de produtos submetidos à Vigilância Sanitária.]”1:3. O Relatório da Oficina de Vigilância Sanitária para a XII Conferência Nacional de Saúde. Finaliza propondo o fortalecimento da rede de laboratórios públicos mediantee financiamento para expansão da capacidade instalada e manutenção bem como para a incorporação tecnológica. por agravos ou programas. Em 2001 o Departamento de Descentralização da Gestão da Assistência da Secretaria da Assistência à Saúde do Ministério da Saúde editou o “Manual de Apoio aos Gestores do SUS – Organização da Rede de Laboratórios Clínicos” propondo um modelo estruturado em níveis de complexidade articulados. tanto no que tange aos exames para Vigilância Epidemiológica como. organizadas em subredes. em 2003. instituindo formas de financiamento e responsabilidades dos gestores. vigilância sanitária e assistência médica.2:3 d O Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) é integrante da estrutura da Superintendência de Vigilância da Saúde da SESAB. No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) também tem se perseguido racionalidade da organização dos serviços laboratoriais que proporcione melhor relação custo/ efetividade pautada nos princípios da universalidade. No ano seguinte. definido como [... há ainda escassez de investimento e de cobertura para responder as necessidades [. em setembro de 2004. principalmente. expõe a situação ao afirmar: “Em relação aos 28 laboratórios oficiais de controle de qualidade em saúde. Posteriormente. cujo financiamento não é garantido nem previsto em instrumento legal. Vigilância Sanitária e Ambiental. bem como a Vigilância da Saúde do Trabalhador.2 que dispõe sobre a organização do Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública (SISLAB). de forma hierarquizada por grau de complexidade das atividades relacionadas à vigilância em saúde – compreendendo a vigilância epidemiológica e vigilância em saúde ambiental. Enquanto os esforços se concentram no apoio laboratorial voltado para a resolutividade da assistência individual.. tendo suas atividades voltadas para atender à Vigilância Epidemiológica. o Ministério da Saúde baixou portaria GM nº 2031/2004. a NOAS 01/02 tratou especificamente da Assistência Laboratorial.

Estas. e f Não chegou a ser operacionalizada em decorrência da mudança do modelo de financiamento das ações de saúde. p. Define também metas para o cumprimento obrigatório em doze meses. Neste sentido. conveniados e privados. comportam sub-redes estruturadas por unidades laboratoriais classificadas em: centros colaboradores (CC).606/2005. por sua vez. se defrontam com o desafio de definir estratégias para implementar o componente laboratorial de Vigilância da Saúde. atendendo às normas operacionais do Ministério da Saúde em um ambiente no qual permanece a hegemonia da assistência individual e de tal monta que o repasse do fator de incentivo FINLACEN não se deu na forma prevista pela Portaria 2.3 para classificação dos laboratórios centrais. o Ministério da Saúde editou a Portaria nº 2. o Comitê Consultivo de Vigilância Sanitária da Comissão Intergestora Tripartite apresentou minuta de documento para discussão sobre a categorização das ações do componente laboratorial da Vigilância Sanitáriae tendo em vista a lacuna existente e a necessidade do aperfeiçoamento da pactuação do Termo de Ajuste e Metas (TAM)f . mais especificamente Vigilância Epideminológica e Vigilância Ambiental. laboratório de referência regional (LRR). estabelecendo modelo de financiamento para ações de Vigilância da Saúde. as ações de Vigilância Sanitária não podem ser terceirizadas.2. v. dentre as quais o cadastramento dos estabelecimentos. o presente estudo é desdobramento do cadastramento da rede de laboratórios públicos da Bahia. As iniciativas vão ao encontro das necessidades dos LACENs que. atribuídos conforme auto-avaliação. Instrumento de pactuação de ações de Vigilância Sanitária firmada entre os estados e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). de Vigilância Sanitária.Revista Baiana de Saúde Pública Esta Portaria prevê a organização do Sistema em quatro redes nacionais de laboratórios: Vigilância Epidemiológica. enquanto coordenadores da política estadual. ao tempo em busca subsidiar a definição de políticas de Vigilância da Saúde. No mesmo ano. e determina o fator de incentivo — FINLACEN — a ser transferido fundo a fundo.606/2005. e de Assistência Médica de Alta Complexidade. uma das metas obrigatórias estabelecidas pela Portaria MS nº 2. n. laboratório de referência municipal (LRM).265-272 maio/ago.32. laboratórios locais (LL) e laboratórios de fronteira (LF). laboratório de referência estadual (LRE). 2008 267 . cronograma de supervisão e fluxo de informações sobre a produção de exames. cujas redes estão sob a gestão da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS).606/2005. de Vigilância em Saúde Ambiental. do Ministério da Saúde. laboratório de referência nacional (LRN). Esta Portaria institui cinco portes e cinco níveis para os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACENs). Vale ressaltar que dada a sua natureza. Dando seguimento.

LACENs passaram a ser incluídos no Sistema do CNES como “tipo de estabelecimento” pela Portaria SAS/MS nº 717/2006. em Centro de Saúde: Posto e Centro de Saúde. em Clínica: clínica e Policlínica. dentre esses. As Fichas de interesse foram impressas e organizadas por Macrorregião de Saúde. em Hospital: geral. Micro-região e municípios e os dados obtidos foram consolidados.3% na Sul. utilizando o programa Excel. RESULTADOS O levantamento evidenciou a existência de 1078 laboratórios cadastrados no CNES no estado da Bahia. bem como conforme o nível de complexidadeh . justamente Macrorregiões com maior percentual de municípios sem apoio diagnóstico laboratorial: 19. área geográfica integrada pela capital do estado e municípios com grande concentração populacional e serviços de saúde. em quadros e gráficos. em cuja Ficha do CNES registra “ambos”.6% dos laboratórios estão em Salvador (Macrorregião Nordeste). confirmando a tendência de atuação em escala.MATERIAL E MÉTODOS Realizado.4% na Centro Leste e 33.8% na Nordeste. perfazendo um total de 95 municípios (22. acessado. o levantamento dos laboratórios instalados no estado da Bahia utilizou como fonte de dados o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde. h i O registro considerou o maior nível de complexidade que consta na coluna “classificação” acima mencionada. editada após a conclusão da pesquisa.8%) sem qualquer serviço de diagnóstico laboratorial. segundo o “Tipo de unidade” onde se encontra instalado o laboratório (SADT isolado. Unidade Básica de Saúde e Unidade Mista). inclusive o Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (LACEN-Ba)i com maior concentração (34%) na Macrorregião Nordeste (Gráfico 1). especializado. todos considerados laboratórios clínicos. Quando observada a distribuição por microrregiões. Assim é possível que no decorrer da pesquisa o cadastro tenha sido acrescido de novos estabelecimentos. Foram excluídos os que ofertam serviço laboratorial terceirizado. os registrados como “Laboratório Clínico (Patologia Clínica)” no campo ”Serviços e Classificação”. tem-se que 17. 268 . As Fichas Reduzidas do CNES de todos os estabelecimentos de cada um dos 417 municípios foram consultadas com a intenção de identificar os estabelecimentos classificados no campo “Atendimento Prestado” como “Serviços de Apoio Diagnóstico e Terapêutica (SADT)” e.5% em Feira de Santana (Macrorregião Centro-leste) e 5. porém incluídos os que têm serviço próprio e terceirizado. g Cada município foi acessado uma única vez. 6.2% em Itabuna (Macrorregião Sul). 22. via internetg. no período de 7 de agosto a 26 de setembro de 2006.

Dentre os SADT isolados 40 são públicos. a maioria nas Macros Oeste. M3-automatizado) para conhecer a incorporação tecnológica da oferta laboratorial e assim gerar dados que permitam o desenho de alternativas de organização dos serviços. regiões cuja cobertura da rede assistencial é precária. M2-semiautomatizado. 2006 Também foi pesquisado o nível de complexidade (M1-manual.6% do total (Tabela 1). Em termos gerais. No que se refere ao “Tipo de unidade”.Revista Baiana de Saúde Pública Gráfico 1.32. 527 (48.9%) são SADT isolados.3%) em clínicas e 142 (13. Concentração de laboratórios isolados por Macrorregião.6%) estão instalados em unidades hospitalares. 2008 269 . 122 (11. e Centro Leste com maior concentração de M1 (Gráfico 2). enquanto 287 (26.2. Distribuição de Laboratórios por Macrorregião. n.2%) em Centros de Saúde. Bahia. visando a otimização dos recursos disponíveis. v. com maior percentual de laboratórios M3. 2006. Sudoeste e Norte.265-272 maio/ago. Bahia. prevalecem os laboratórios M2 e apenas duas macrorregiões apresentam disposição diferente: Extremo Sul. Tabela 1. p. o que significa 7.

Barra. Bahia. portanto.Gráfico 2. um estadual e um federal (Tabela 2) que estão em Juazeiro. Barreiras. Lençóis e Maraú. Bahia. constata-se cinco SADT isolados públicos M3 (automatizados). sob gestão municipal. Complexidade dos SADTs isolados conforme vínculo organizacional. Irecê e Salvador (todos sedes de microrregião). 2006 Tabela 3. 2006 270 . Tabela 2. Sete são os laboratórios M3 instalados em Centros de Saúde (Tabela 3) e. Morpará.Bahia. Laboratórios por nível de complexidade. localizados nos municípios Gloria. dos quais três sob gestão municipal. Caldeirão Grande. Riachão de Jacuípe. 2006 Fonte: CNES/DATASUS/MS Considerando em conjunto o nível de complexidade e o vínculo organizacional. Laboratórios instalados em Centros de Saúde segundo a complexidade e vínculo organizacional.

recebendo o investimento necessário). 2008 271 . parece mais viável o componente laboratorial da Vigilância Epidemiológica. a Rede de Vigilância Ambiental tem financiamento. o LACEN-Ba vem desenhando sub-redes para alguns agravos. e a rede de laboratórios de Vigilância Sanitária necessita de definição de política de financiamento para investimento e manutenção. mobilizando recursos para a desconcentração de exames. em termos gerais. Dispõe sobre a organização do Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública. Coordenação Geral dos Sistemas de Informação. para cada laboratório público existem doze privados com uma relação de 1:5. Ministério da Saúde. Esta ampliação. 2. o que poderá significar um aumento da capacidade analítica. v. será necessária a criação de novos tipos de estabelecimentos no Sistema do CNES / MS para a incorporação adequada de laboratórios integrantes do SISLAB. Brasília. mesmo estando sob gestão municipal. bem como formação de profissionais qualificados para análises de produtos de interesse para a saúde coletiva. Brasil. A concretização do SISLAB no âmbito estadual ainda exigirá muitos esforços. A construção do SISLAB na Bahia deve considerar as particularidades de cada uma das redes: a de laboratórios de Vigilância Epidemiológica já conta com financiamento garantido. podendo se constituir em embriões desta rede. Independentemente da situação apresentada. de 23 de setembro de 2004. REFERÊNCIAS 1. exigirá melhoria da estrutura administrativa do Laboratório Central e aperfeiçoamento das atividades de coordenação e acompanhamento para garantir a sustentabilidade da rede. p.265-272 maio/ago. Ademais.Revista Baiana de Saúde Pública DISCUSSÃO Não obstante as limitações do CNES foi possível constatar que. Manual Técnico do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – Versão 2. Departamento de Regulação. Portaria nº 2. Avaliação e Controle. 2006. que não são laboratórios centrais. tampouco laboratórios clínicos. entretanto. Brasília. 2004.32. n. possam vir a atender os requisitos necessários e se constituírem em referências para a região (referência regional. Ministério da Saúde. mas enfrenta a carência de profissionais. Secretaria de Atenção à Saúde. j Dentre esses estão o LACEN e o laboratório do Instituto de Ciências da Saúde. visto que os doze laboratórios M3 públicosj acima referidos estão distribuídos em seis das oito macrorregiões. sinalizando que das quatro redes previstas.6 de laboratórios isolados público / privado conveniado. com ampliação do acesso. Uma avaliação técnica e administrativa criteriosa permitirá avaliar aqueles que.2. este último vinculado à Universidade Federal da Bahia.031/GM. Brasil. disponibilidade de profissionais e processos automatizados para diagnóstico e controle de doenças e vários procedimentos de análise já descentralizados.

Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde. 2005. Extraído de [www. Brasil. Relatório da Oficina de Vigilância Sanitária para XII Conferência Nacional de Saúde.8. Classifica os Laboratórios Centrais de Saúde Pública e institui fator de incentivo. Brasília. 2002. Ministério da Saúde. Brasília.2008 e aprovado em 25. Portaria nº 2.cnes. Norma Operacional da Assistência à Saúde / SUS – NOAS-SUS 01/02. 2004. Portaria nº 70/2004. Comitê Consultivo de Vigilância Sanitária. 2005. Síntese do Relatório da Oficina “Subsídios para Consolidação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária”. acesso em [25 de setembro de 2006].gov.datasus. de 28 de dezembro de 2005. 5. Portaria nº 717/ 2006. 10. Ministério da Saúde. 9. Anual de Apoio aos Gestores do SUS. Brasília. Ministério da Saúde. Estabelece os critérios e sistemáticas para habilitação de laboratórios de referência nacional e regional para as redes nacionais de laboratórios de Vigilância Epidemiológica e Ambiental em Saúde. Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. 2004. 11. Ministério da Saúde. 7. 4. Secretaria de Assistência à Saúde.2008.anvisa. acesso no período [7 de agosto a 26 de setembro de 2006]. Brasil. 2003.3. GT Categorização das Ações de Vigilância Sanitária. Secretaria de Atenção à Saúde. Brasil. Brasil. de 23 de dezembro de 2004. Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva.br]. Brasil. Brasília. ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ministério da Saúde. 272 . de 27 de fevereiro de 2002. 6.606/2005. Brasil. Brasília. Ministério da Saúde. Departamento de Descentralização da Gestão da Assistência.br]. 8. Organização da Rede de Laboratórios Clínicos. 2006.gov.8. Extraído de [www. 2001. de 28 de setembro de 2006. Recebido em 7.

16. de acordo com dados oriundos da cidade de Santiago do Chile. 13. Fax: 081-32312122.227 CONTACTANTES INFANTIS DE TUBERCULOSE PULMONAR Leonardo Vejar a José Ângelo Rizzob Almerinda Silvab Débora Schorrc Décio Medeirosc Emanuel Sarinhoc Resumo Apesar de ainda ser disseminada a informação de que a vacina BCG pode interferir na resposta ao teste tuberculínico. 327. 202. apenas em 6. 2008 273 .sarinho@gmail.969 (90.006. Pesquisadores do Centro de Pesquisas em Alergia e Imunologia da Universidade Federal de Pernambuco. Apesar do fato de 2. E-mail: emanuel.53% quando BP2+ e em 20. p. visando comparar o teste tuberculínico (PPD) de contactantes intradomiciliares de tuberculose com a bacteriologia do escarro do caso índice (CI).2. não interfere na interpretação do teste tuberculínico. A relação entre PPD positivo e bacteriologia foi a seguinte: 10. Parnamirim.227 contactantes considerados foram crianças de 0-14 anos. Pesquisadores do Centro de Pesquisas em Alergia e Imunologia da Universidade Federal de Pernambuco. Avenida Parnamirim.59% quando BP3+.com c v. O objetivo deste estudo é testar a hipótese de que a vacina BCG. Fone: 081-3231-2122.14% quando BP1+.273-281 maio/ago. realizado com base em registros do Programa de Tuberculose Infantil do Chile no período de 10 anos. Estudo de coorte retrospectivo. Os 3. RecifePE.32. apto. Professores da Universidade Federal de Pernambuco.6%) crianças apresentarem uma ou mais cicatrizes de BCG. aplicada nos primeiros meses de vida. A cultura em todos os casos foi positiva (CP) e a bacterioscopia classificada como negativa (BN) ou positiva (BP) com gradações semi-quantitativas de 1+ até 3+ como classicamente é realizada na análise de escarro em tuberculose.23% dos casos houve a b Pediatra Pneumologista do Ministério da Saúde do Chile. O número de casos índices foi de 1. A vacina BCG foi averiguada pela presença de cicatriz. a experiência do Sistema de Saúde chileno sugere o contrário.68% quando BN e CP. tanto de tuberculose pulmonar (TP) quanto da doença na forma extra-pulmonar (TE). sendo TP 868 e TE 138. n. ao registrar adequado controle da doença. Endereço para correspondência: Emanuel Sarinho. CEP 52060-000.Revista Baiana de Saúde Pública ARTIGO ORIGINAL UTILIDADE DO PPD EM VACINADOS COM BCG: ANÁLISE DE 3.

BCG. A pobreza. either with the pulmonary (PT) or extrapulmonary (ET) forms of the disease. where there is adequate disease control. This study suggests that BCG vaccine do not interfere significantly with the PPD test interpretation in the investigation of children with contact with tuberculosis patients. This is a 10 year period retrospective cohort study done from records of the Chilean Children Tuberculosis Program aiming to compare the tuberculin test (PPD) of domiciliary contacts of tuberculosis patients with the sputum bacteriology of index the case (IC).14% when PB 1+.53% when PB2+ and 20. Bacterioscopia. Foi estimado que no início do século XXI 15 milhões de pessoas estejam doentes e 5 milhões tenham falecido por tuberculose em suas diferentes manifestações. Teste Tuberculínico. USEFULNESS OF PPD IN BCG VACCINATED PERSONS: ANALYSIS OF 3. o surgimento da AIDS e formas associadas a germes resistentes estão relacionadas a esta situação.23% the tuberculin test was positive when the domiciliary case was NB. 13.59% when PB3+.6%) of children had one or more BCG scar. Palavras-chave: Tuberculose infantil. Although 2969 (90. Key words: Children Tuberculosis.2 Nas crianças. The relation of a positive PPD test to microbiology was as follows: 10.68% when there was a NB and a PC. a 274 . Tuberculin Test. in only 6. The culture was positive in all cases (PC) and the sputum smear for bacilli classified as negative (NB) or positive (PB) with semi-quantitative graduations from 1+ to 3+ as classically done in sputum examinations for tuberculosis. PPD. disagrees with this idea. Sputum Smear. The BCG vaccination was diagnosed from the arm scar presence. PPD.227 CHILDREN WITH CONTACT WITH PULMONARY TUBERCULOSIS Abstract Although it still disseminated the notion that BCG vaccine may interfere with the response to tuberculin test.teste tuberculínico positivo quando o contactante intradomiciliar apresentou bacterioscopia negativa. 16. o estudo dos contactantes e a vacinação BCG.1 As estratégias de controle da tuberculose são a identificação e eliminação das fontes de contágio. the Chilean health system experience. 868 PT and 138 ET. migrações. The age range of the 3227 children with contact with a case was from 0 to 14 years. INTRODUÇÃO A tuberculose pulmonar é um problema mundial de saúde e tem características de uma verdadeira pandemia. There were 1006 index cases. Este estudo sugere que a vacina BCG não interfere de forma importante na interpretação do PPD na investigação de crianças contactantes de tuberculose.

pela baixa efetividade da pesquisa maciça diante da diversidade das formas de apresentação. que pudesse sustentar ou refutar a hipótese da utilidade diagnóstica da reação de PPD em crianças vacinadas com BCG nos primeiros anos de vida. nesta situação. CASUÍSTICA E MÉTODOS O estudo foi realizado na região sudeste de Santiago do Chile. dos quais ainda tivemos acesso a seus antecedentes clínicos e bacteriológicos.5 e este fato serve de base para a investigação dos contactantes. O Chile é um país que vem realizando um efetivo controle epidemiológico da tuberculose.000. com taxa de nascidos vivos em torno de 20.000 crianças/ ano.000 habitantes. 2008 275 . a taxa de Tuberculose em 1997 foi em torno de 20/100. o teste tuberculínico poderia perder seu valor diagnóstico. v. sentiu-se a necessidade de uma pesquisa ampla de campo. A hipótese a ser testada é a de que a maior carga bacilar do caso índice aumenta a probabilidade da reação positiva ao PPD no respectivo contactante vacinado.273-281 maio/ago.9 mas ainda não suficientemente baixa para dispensar o Teste Tuberculínico como recurso de grande valor no inquérito populacional.300.32.6-8 Este argumento foi o que justificou a realização desta pesquisa em crianças contactantes de adultos bacilíferos que eliminavam quantidades variáveis de bacilos. com registro de casos e rede laboratorial confiáveis. Obtivemos dados da presença de cicatriz de BCG e exames das crianças e dos casos índices. n.2. quando positivo. sugere presença de infecção pelo bacilo de Koch. de acordo com o recomendado pela Organização Pan-americana de Saúde. na área em estudo. Foram analisados dados obtidos nos livros de registro do programa de Tuberculose infantil no período compreendido entre 1987 e 1997. Os contactantes infantis de adultos com tuberculose foram referidos para este estudo desde clínicas de atenção primária até a clínica de pneumologia pediátrica instalada no hospital de referência.Revista Baiana de Saúde Pública forma de pesquisa mais eficiente tem sido o estudo dos contactantes. a metade da prevalência atual no Brasil. No entanto sua interpretação em vacinados é difícil e controvertida. Parte essencial do estudo dos contactantes é o teste tuberculínico de Mantoux que. Segundo alguns autores. cuja população em 1999 superava 1. Após reunião dos autores. Optamos por esse período histórico porque. p. com dados confiáveis. sendo mais de 97% vacinados com BCG. sendo então o país escolhido para obtenção da fonte histórica de dados.3 A prevalência de infecção tuberculosa e da doença clínica em crianças em contacto íntimo com o adulto com exame de escarro positivo é bem maior que na população em geral4.

que serve de modelo elaborativo para a Tabela 3.6%). positiva ++ (P2+) quando houve 1 a 10 bacilos em campo de 50 aumento. Em dois terços dos casos. A grande maioria dos contactantes apresentou uma ou mais cicatrizes de BCG (90.388 casos índices segundo forma e resultado de exames bacteriológicos oriundos de escarro A Tabela 2 demonstra a classificação dos casos índices segundo ponderação convencional e a probabilidade de contágio.4% foram outras pessoas do convívio extradomiciliar. por via intradérmica.006 com 3.O Teste Tuberculínico de Mantoux foi realizado injetando-se 0. e positiva +++ (P3+) quando houve mais de 10 bacilos em campo de 20 aumento. A média de contactantes por caso índice foi de 2.227 contactantes menores de 15 anos dos quais 1. em um terço. 276 . foram parentes próximos que viviam com eles. a qual demonstra que a positividade dos contactantes ao Teste Tuberculínico variou em função da contagiosidade dos casos índices. e em somente 1. positivas + (P1+) quando houve menos que 1 bacilo em campo de 100 aumento. Foram consideradas negativas quando não existiram bacilos álcool ácido resistente em 100 campos observados.3 As informações relacionadas ao PPD foram incorporadas ao Programa EPI INFO 6 para análise estatística.2 UT). Tabela 1. considerando-se positivo induração > 9mm2. no quadrante anterior externo do antebraço esquerdo. As baciloscopias foram realizadas no hospital de referência de acordo com as normas do programa de Tuberculose e recomendações da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). A Tabela 1 demonstra a forma de apresentação da tuberculose e a freqüência de positividade da bacteriologia de escarro dos vários casos índices.1ml (PPD RT23 . Distribuição de 1. RESULTADOS O total de casos índices foi de 1.6. Como medida desta probabilidade foi escolhida a proporção de contactantes (vacinados com BCG) em cada nível de carga bacilar. os possíveis transmissores foram os pais das crianças.234 abaixo dos 6 anos de idade.

273-281 maio/ago. estabelecendo-se então todo o enfoque da situação e. Porcentagem de contatos menores de 15 anos. De acordo com esta visão. entrega-se a primeira dose da medicação. A Tabela 3 demonstra claramente que a contagiosidade dos casos índices é praticamente zero quando a tuberculose é extrapulmonar e vai progressivamente aumentando quando o cultivo é positivo e quando a bacterioscopia é positiva em uma a três cruzes. Correlação positiva com o PPD. n. amostras para a bacterioscopia (de pouco rendimento) e o Teste tuberculínico (Teste com PPD). a norma é que todo contactante tenha o resultado do estudo familiar em três dias.9952. se for o caso. 2008 277 . realizam-se radiografias. A regressão simples calculada é altamente significativa com r2 = 0. Este último é mais sensível para pesquisar a infecção em crianças.10 Ainda há autores que têm apoiado a possibilidade de que a vacina BCG interfira na interpretação do PPD.32. e aumenta diretamente na proporção dos contatos com Teste Tuberculínico de Mantoux positivos. p. v.2. A análise estatística demonstra que a carga bacilar aumenta em sentido crescente para os intervalos construídos. Nossa hipótese de trabalho e também nossa experiência tem sido de que o PPD mantém sua capacidade de apoio no diagnóstico frente à vacina BCG.Revista Baiana de Saúde Pública Tabela 2. Classificação dos casos índices segundo ponderação convencional e a probabilidade de contágio Tabela 3. segundo escala de carga bacilar COMENTÁRIOS No Sistema de Saúde Chileno.

pouco tempo de seguimento após a vacinação e não foi considerada adequadamente a exposição ao bacilo de Koch. mas representa menos de 5% destas crianças. o grupo sem cicatriz de BCG não se constituiu num grupo homogêneo em que poderíamos assegurar que haviam sido realmente vacinados. pois não eliminam os bacilos de Koch. foi demonstrado. sem uma notificação exata das formas de tuberculose e sem classificação segundo escala da carga bacilar. E nesta pesquisa atual. Em outros estudos de uma população não exposta de Santiago do Chile. provavelmente em decorrência da vacina BCG. foi decidida sua exclusão nesta pesquisa.A maior restrição aos resultados apresentados poderia ser a constatação de um número relativamente alto de casos índices. Em um estudo do tipo caso-controle. realizado em Recife. foram incluídas todas as pessoas da área que se consultaram durante estes 11 anos. Este grupo de comparação representa os pacientes não expostos ao bacilo de forma intra-domiciliar que apresentam viragem tuberculínica quando positivos ao Teste com PPD. Em estudos realizados no Chile12-17 foram encontrados mais enfermos de tuberculose. se tem encontrado uma percentagem de 8. Como raramente as cicatrizes vacinais de BCG se esvaem e algumas crianças apresentam cicatrizes tênues e difíceis de interpretar. classe de idades restritas. Em relação ao grupo de contactantes que não apresentam cicatriz de BCG. de forma aceitável. Temos considerado que os pacientes com tuberculose extrapulmonar não bacilíferos funcionam como grupo comparativo não transmissível.8%. além disso. foram usados outros valores de corte para a avaliação da positividade ao PPD. pela análise multivariada. também foi exaustivamente pesquisada a existência de outros adultos. Estes valores são semelhantes ao encontrado em nosso grupo de comparação. que o fato da criança apresentar cicatriz de BCG prévia não foi associado com uma resposta positiva ao teste com PPD. de PPD positivo (considerando positivo 6mm) em crianças vacinadas com BCG. Neste estudo.11 Podemos estabelecer que uma variável a ser considerada seria a intimidade que o contactante apresenta com o caso índice. e foram examinados os efeitos da vacina sobre a resposta ao Teste com PPD considerado como positivo a partir de 10mm. a seu redor. comparando a vacina BCG aplicada no período neonatal e a resposta ao teste tuberculínico em contactantes de bacilíferos. para os contactantes estudados. quando os pais eram os casos índices. quando o Teste tuberculínico encontrava-se positivo. também os pais eram os casos índices em mais de dois terços dos casos positivos à baciloscopia. que pudessem ser bacilíferos. 278 . realizados com número menor de pacientes. Esta restrição é compensada quando se compara o contato correspondente em cada escala de risco.6-8 Na maioria desses estudos. Em outras pesquisas há sugestões de que a vacina BCG possa modificar o resultado do Teste com PPD.

Revista Baiana de Saúde Pública Alguns estudos sugerem que. ao serem expostas intimamente a um caso fonte com exame de escarro positivo. em que o valor positivo de leitura pode ser reduzido para 6 mm. A exposição da criança a uma carga bacilar considerável. 4. Organización Panamericana de Salud. é incapaz de distinguir a infecção tuberculosa da persistência à reação pós-vacinal. considerar positivo além deste valor pode levar a uma possível perda da sensibilidade do exame.90(6):624-8. A simples medida do teste tuberculínico. é quem mais influencia no Teste Tuberculínico. É importante reiterar a necessidade da realização correta da bacterioscopia do caso índice no momento de estudar os contactantes. com exceção dos recém-nascidos e crianças com HIV. A leitura dos exames deve ser feita por leitor experiente e considerar como positivo um nível de induração maior que 10 mm. Arch Dis Child. Manual de los métodos y procedimientos para los programas integrados de TBC. Tuberculosis.32. Mynak ML. também nas crianças. 2. Ravoglione MC. Farga V.273-281 maio/ago.2. Enfim. Mathew JL.18 É importante sempre estudar a criança no contexto de sua exposição ao bacilífero e no contexto clínico. REFERÊNCIAS 1. consideramos importante aceitar as proposições da Organização Mundial de Saúde. Kumar L. Se o número de bacilos à bacterioscopia é elevado. deve-se ampliar a investigação e o acompanhamento clínico do grupo familiar a ser estudado. 2ª ed. esta pesquisa com 3. 1992. Jindal SK.227 crianças vacinadas com BCG contactantes intradomiciliares de casos de tuberculose pulmonar demonstrou correlação direta entre a positividade ao Teste com PPD e a carga bacilar positiva dos casos índices. 3. fazendo com que este seja considerado um exame importante na investigação de contactantes. OPS Pub Cientif. Singh M. Global epidemiology of tuberculosis morbidity and of a worldwide epidemics. JAMA 1995. uma medida do teste com PPD desta magnitude. 1987.19 Devemos aqui insistir na importância do emprego da técnica adequada ao ser realizado o Teste Tuberculínico. Epidemiología. para valorizar. demonstrada por uma regressão simples. Portanto. mesmo em vacinados. independente de vacina BCG prévia. 2008 279 . Santiago do Chile: Pub Téc Mediterráneo. 2005 jun. p. n. as crianças contactantes podem ser investigadas com teste tuberculínico independente de ter recebido a vacina BCG previamente ou não. Prevalence and risk factors for transmission of infection among children in household contact with adults having pulmonary tuberculosis. especialmente em escolares revacinados com BCG. Sneider DE. Kochi A.273:220-62. v.

Tapia J. 16.1):1-6. 15. 6. Santiago. Espinoza P Reacción . 8. Ross G. 1988. Gomes T. J Trop Pediatr. Singh M. Burr C. Montenegro C. Rev Chil Pediatr 1990. Saez M. Arch Dis Child. Zuñiga. Booster effect of tuberculin skin testing in healthy six years old children vaccinated with bacilus Calmette Guerin at birth. 10. Tbc en niños. Díaz M. Véjar L. Prevalence and risk factors for transmission of infection among children in household contact with adults having pulmonary tuberculosis. Rev Chil Ped 1973. 7.15(4):255.59:250-3. 12. Ibáñez S. TBC pulmonar infantil. Ledesma O. [60].50(1):32-6. Ibáñez S.578-1. Tuberculosis infantil.53:565-9. 280 . Campelo AR. Rev Chil Inf 1998. Neonatal BCG vaccine and response to the tuberculin test in BCG vaccinated children in contact with tuberculosis patients in Recife. Rivero S.67(supl. Véjar L. Valenzuela P Control de los niños contactos de tbc infantil en el área norte de . Mallol J. Kumar L. Santiago de Chile entre 1988 y 1993. Brazil. y cols. (7). Rev Chil Ped 1996.61(5):252-7. Rev Chil Pediatr 1973. 14. Cruz M. Véjar L. Respuesta cutánea a 2 y 10 UT de tuberculina. Rev Chil Pediatr 1990. Ximenes RA. Ryan M. 11. Rev Chil Pediatr 1994. Ferrer X. Maia Filho V.65(6):338-42. Mynak ML.44(4):307. Situación Epidemiológica de la tbc en Chile. 2004 feb. 1998. Tbc pulmonar en lactante 59 casos. 2005 jun. 17.44(4):319-23. Jindal SK.5. Clerc N. Sarinho E. Chile. Girardi G. Sepúlveda R. Rev Chil Ped 1988. Experiencia de 7 años en tbc pulmonar infantil.90(6):624-8. Talesnik G. Sorensen R. Militão de Albuquerque MF. División de Salud de las Personas.61(3):133-8. Quezada A. 13. Rev Chil Ped 1982. Solar E. Programa Nacional de Control de la Tuberculosis. 9. tuberculínica en lactantes sanos vacunados con BCG al nacer. Mathew JL. Lewinsohn D. Ministerio de Salud. Pediatric Infeccious Diseases J.

2008 e aprovado em 27. Bierrenbach AL. Da Paixão AC. Recebido em 21. p. Pereira SM.13(5):285-93. Use of purified protein derivative to assess the risk of infection in children in close contact with adults with tuberculosis in a population with high Calmette-Guérin bacillus coverage. Ichihara MY. Tuberculin reactivity in a population of schoolchildren with high BCG vaccination coverage. Dourado I.2008. 19.Revista Baiana de Saúde Pública 18. Brito SC.273-281 maio/ago. 2001 nov. v.32. Cunha SS.2. Barbieri MA. Barreto ML.20(11):1061-5. Pediatr Infect Dis J.9. n. 2008 281 . Cuevas LE. Rev Panam Salud Publica 2003 may.1. Almeida LM. Rodrigues LC.

Av.: (071) 3336-3052. 282 . Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Medicina da Bahia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Bahia. O objetivo deste artigo foi descrever o processo de construção de um indicador de morbidade entre professoras. diagnósticos médicos. Observou-se a possibilidade de realizar essa análise com dois componentes. Análise fatorial. Índice de morbidade. acidentes do trabalho e problemas de saúde recentes. Departamento de Estatística do Instituto de Matemática da UFBA. Ensino. 601. O índice de morbidade foi definido com três níveis. apto. a Pesquisa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – auxílio individual número 475564/2003-0.ARTIGO ORIGINAL CONSTRUÇÃO DE UM ÍNDICE DE MORBIDADE PARA PROFESSORAS DA EDUCAÇÃO BÁSICAa Lauro Antonio Portob Nelson Fernandes de Oliveirac Fernando Martins Carvalhob Tânia Maria de Araújod Resumo Um indicador sumário foi elaborado para mensurar a morbidade entre as professoras de Vitória da Conquista. Palavras-chave: Saúde dos trabalhadores. Endereço eletrônico: lauroporto@uol. Marte.com. Bahia. Tel. as nove variáveis correlacionadas com o segundo componente correspondiam a sintomas vocais habituais e diagnósticos médicos. Para a análise fatorial exploratória restaram 21 itens. com base em inquérito de morbidade referida realizado em 2001. Ed. d Departamento de Saúde da Universidade Estadual de Feira de Santana. distúrbios psíquicos. O índice foi construído através de análises de componentes principais e de agrupamentos. Salvador. Vitória. As 95 variáveis pré-selecionadas eram relativas a problemas vocais. 2022. O índice atendeu a exigência de ser unidimensional e satisfez algumas das propriedades gerais de um bom indicador: clareza quanto ao que tentou medir. Epidemiologia. As doze variáveis correlacionadas com o primeiro componente eram perguntas do Questionário de AutoResposta (SRQ-20) de rastreamento de distúrbios psíquicos. Sete de Setembro. fax (Faculdade de Medicina da Bahia): (071) 3283-8854. Análise de agrupamentos. CEP: 40080-004.br. Foram estudadas 933 professoras de escolas públicas municipais e particulares. ausência de assunções ideológicas e extracientíficas e ausência de inclusão de parâmetros arbitrários. b c Endereço para correspondência: Lauro Antonio Porto.

medical diagnoses.2. The index was constructed using principal components analysis and cluster analysis. permitindo considerar sua riqueza de detalhes sem se emaranhar em um sem número de respostas simultâneas3. Bahia1. INTRODUÇÃO Para explorar a variedade dos dados de um inquérito de morbidade referida e de características do trabalho realizado entre professores de Vitória da Conquista. 2008 283 . Key words: Occupational health. Morbidity index. um índice evita os vieses de representação de um construto baseado em um item único e.32.282-296 maio/ago. Bahia. mental disorders. Morbidity index complied with the demand of being one-dimensional and satisfied an important part of general properties of a good index: clarity as to what it intended to measure. The index was defined in three levels. Cluster analysis. Brazil. nunca capta completamente sua riqueza e sua complexidade4. A justificativa funda-se na oportunidade de sintetizar as manifestações do adoecimento de uma categoria profissional.Revista Baiana de Saúde Pública CONSTRUCTION OF A MORBIDITY INDEX FOR ELEMENTARY AND MIDDLE SCHOOL FEMALE TEACHERS Abstract A summarized index was developed to measure the morbidity of elementary and middle school female teachers from Vitória da Conquista. no ideology and no extra-scientific assumption. Factor analysis. p.2 foi elaborado um indicador sumário para representar a morbidade deste grupo de trabalhadores. Public county schools and private schools teachers were studied. fazendo um contraponto aos estudos em que o objeto de estudo é fragmentado através da descrição individual dos principais problemas de saúde. é um dispositivo eficiente de redução de dados para a análise de múltiplos itens. no arbitrary parameters. por outro lado. work accidents. The 95 pre-selected variables were related to vocal problems. totalizing 933 teachers. This paper aimed at describing in detail the process of construction of this morbidity index. The twelve variables correlated with the first component were questions from the Self Reporting Questionnaire (SRQ-20) of scanning of mental disorders. ao reduzir um fenômeno social real. Epidemiology. the nine variables correlated with the second component corresponded to customary vocal symptoms and medical diagnosis. in a self-reported morbidity survey carried out in 2001. v. It was observed the possibility to make this analysis with two components. and recent health problems. Sendo baseado em vários itens de um questionário. n. Teaching. Mas um índice. Twenty one tested items remained to the exploratory factor analysis. Um índice de morbidade permitirá a análise de um indicador sumarizado do adoecimento dos docentes.

xadrez. pela inexistência de um cadastro fidedigno destes estabelecimentos1.2. foi identificada uma série de trabalhos que descreveram queixas. e de 250 dos 272 professores estimados nas escolas particulares. volume. Foram excluídos deste estudo os 34 professores do Ensino Médio (das escolas particulares) porque não há escolas municipais dessa modalidade e os 89 homens porque representaram apenas 8. síndromes e doenças mais freqüentes entre professores1. Contudo as limitações usuais da extensão de um texto publicado impedem que em um mesmo manuscrito sejam expostos o longo e intrincado processo de construção do índice e seu emprego prático em uma situação de pesquisa. Bahia. com exclusão do Ensino Médio.7-19. em um questionário respondido anonimamente por professores de todas as escolas públicas municipais e das dez maiores escolas particulares de Vitória da Conquista. Dos 1.Em outro artigo5 este índice de morbidade foi apresentado juntamente com um estudo exploratório da associação entre as demandas sofridas pelas professoras no desempenho de seu trabalho (ritmo.6% dos docentes.235 professores elegíveis para participarem da pesquisa. sala de leitura e aqueles dedicados exclusivamente a direção ou coordenação). Este estudo teve o objetivo de descrever o processo de construção do índice de morbidade entre as professoras de Vitória da Conquista. Com base nestas referências. artes. 211 não responderam aos questionários (perda de 17%). lesões por esforços repetitivos e distúrbios osteomusculares relacionados com o trabalho (LER/DORT). Na seleção das condições mórbidas a serem incluídas no índice. Restaram 747 professores das escolas municipais e 186 das escolas particulares. sinais. 102 por não devolução do questionário. excluindo-se os professores cujas atividades não seguiam o padrão usual de sala de aula (professores de educação física. 91 por recusa. sintomas. da Educação Básica: Educação Infantil (Pré-Escola e Alfabetização) e do Ensino Fundamental. Ensino Fundamental. MÉTODOS A coleta dos dados deste estudo foi realizada de setembro a novembro de 2001. Alfabetização. tempo de realização do trabalho e existência de solicitações conflitantes) e o suporte social (nível de interação social de auxílio mútuo dos trabalhadores entre si e com os coordenadores)6 e a ocorrência de morbidade. Obteve-se o retorno de 808 professores das escolas municipais da população efetiva estimada de 963 professores. Ensino Médio). Foi realizado um censo dos professores da Educação Básica (Pré-Escola. 284 . os grupos de doenças mais comuns entre os professores são: doenças do sistema respiratório. varizes de membros inferiores e distúrbios psíquicos não-psicóticos. 9 por licenças e 9 por não terem recebido o questionário. informática.

ele deve representar apenas uma dimensão. sim ou não. foram classificadas em seis grupos. Entre suas orientações. variáveis do Quadro 2).32.Revista Baiana de Saúde Pública As perguntas do questionário relacionadas a sinais. ou seja. atribuição de escores a respostas específicas. o caminho adotado inicialmente foi estabelecer uma ponderação entre os blocos de itens constituintes de cada índice.282-296 maio/ago. referidos ao período de exercício da profissão. As variáveis selecionadas inicialmente para a composição do índice de morbidade. procedimento em relação aos dados faltantes e validação do índice. Possibilidades de construção de um índice de morbidade Babbie3 descreve os passos para a construção de um índice: seleção dos itens. definição da quantidade de indivíduos classificados em cada categoria. ponderadas pelo inverso de sua pontuação máxima. a menos que existam fortes razões para ponderações distintas. b. Por isto. ponderação dos escores específicos correspondentes a cada resposta. pontuação mínima: 0. desta maneira. pontuação máxima: 21. v.2. p. os itens devem ter pesos iguais. 2008 285 . sendo uma medida composta. de modo semelhante ao que é feito no Questionário de Auto-Resposta (Self Reporting Questionnaire – SRQ-20)20 de rastreamento de distúrbios psíquicos. exceto quanto aos diagnósticos médicos. 218/02). índice de problemas vocais (ivoz: escala bimodal de respostas. pontuação mínima: 0. pontuação máxima: 15. Há também uma sugestão de que. os que têm maior número de itens ficam sobrevalorizados em relação àqueles com menos itens. discriminados nos Quadros 1 a 6. Contudo. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Registro n. em virtude de o número de questões ser diferente entre os grupos de problemas. em um total de 95. n. preferivelmente. sintomas e doenças estavam referidas a manifestações habituais ou recorrentes e àquelas presentes no período de quatro semanas anteriores à data do preenchimento do instrumento. a aproximação mais simples para o índice de morbidade é compô-lo pela soma da pontuação das variáveis referentes a cada um dos grupos de problemas descritos nos Quadros 1 a 6. variáveis do Quadro 1). Assim. inclui-se a referência à necessidade de unidimensionalidade na construção de um índice. exame das relações entre as variáveis. compondo o índice de morbidade (imorbid) pela soma da pontuação das variáveis-índices referentes a cada um dos grupos de problemas. para igualar sua influência no índice sintético: a. índice de diagnósticos de tratamentos com otorrinolaringologista (iorl: indicação dos problemas identificados em consulta com otorrinolaringologista.

2001. 286 . 2001. pontuação máxima: 20.Quadro 1. índice de distúrbios psíquicos (idp: escala bimodal de respostas. Bahia. sim ou não. Variáveis selecionadas para a composição do índice de morbidade referentes aos problemas com a voz e de garganta em professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. passo da seleção em que a variável foi excluída. c. variáveis do Quadro 3). Quadro 2. pontuação mínima: 0. Variáveis selecionadas para a composição do índice de morbidade referentes aos problemas identificados em consulta com otorrinolaringologista em professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. Bahia. passo da seleção em que a variável foi excluída.

e. passo da seleção em que a variável foi excluída. Quadro 4. d. n. pontuação máxima: 15. pontuação máxima: 6. pontuação mínima: 0. Variáveis selecionadas para a composição do índice de morbidade referentes aos diagnósticos médicos durante a carreira em professoras do ensino básico de Vitória da Conquista.2. índice de diagnósticos médicos durante a carreira de professor (idiagn: escala bimodal de respostas. 2008 287 . f.32. Bahia. Variáveis selecionadas para a composição do índice de morbidade referentes ao indicativo de distúrbios psíquicos com base no Questionário de Auto-Resposta (SRQ-20) em professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. pontuação mínima: 0. 2001. passo da seleção em que a variável foi excluída. p. 2001.Revista Baiana de Saúde Pública Quadro 3. sim ou não. variáveis do Quadro 5). e índice de problemas de saúde nos quinze dias antes do preenchimento do questionário dentre os mais freqüentes entre os professores (ipr15d: v. variáveis do Quadro 4). Bahia.282-296 maio/ago. índice de acidentes do trabalho (iactr: indicação dos problemas.

2001. variáveis do Quadro 6). Quadro 6. O índice sintético de morbidade foi calculado como: (Equação 1). pontuação mínima: 0. Variáveis selecionadas para a composição do índice de morbidade referentes aos problemas de saúde (dentre os mais freqüentes entre as professoras) nos quinze dias antapreenchimento do questionário em professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. passo da seleção em que a variável foi excluída. 2001. Variáveis selecionadas para a composição do índice de morbidade referentes aos acidentes de trabalho (acidentes ocorridos no ambiente de trabalho ou no deslocamento casaescola-casa) em professoras do ensino básico de Vitória da Conquista.indicação dos problemas. pontuação máxima: 18. Bahia. 288 . Quadro 5. passo da seleção em que a variável foi excluída. Bahia.

3. 2008 289 . porque Uebersax24 considerou que esta função interna é uma aproximação muito grosseira. 4.27. O uso da correlação tetracórica em lugar da correlação convencional de Pearson é justificada porque esta última se aplica a variáveis intervalares e. p. Ela foi usada. extração dos componentes principais utilizando-se a regra de Kaiser25 (retenção dos autovalores maiores que 1). exclusão das variáveis em que a proporção de professoras que relataram cada um destes sinais. Esta forma de construção do índice foi abandonada porque foi avaliada como frágil.Revista Baiana de Saúde Pública Foi estabelecida uma classificação em níveis ordenados com base em pontos de corte definidos empiricamente por quartis.edu/~skolenik/stata/”. as variáveis são dicotômicas22.282-296 maio/ago.unc. análise de agrupamentos para a identificação de subconjuntos de professoras com semelhanças em relação aos componentes extraídos na análise precedente. Os passos adotados na seleção das variáveis foram: 1. desenvolvida por Kolenikov21.2 com nenhum dos componentes extraídos e a proporção não explicada conjuntamente pelos componentes ultrapassou 70%.2. alternativas mais adequadas estando disponíveis nos pacotes estatísticos. versão 10. rotação ortogonal varimax dos componentes principais e exclusão das variáveis para as quais a correlação de cada um dos itens não alcançou 0. n. v.32. no presente estudo. análise fatorial com as variáveis remanescentes. O pacote estatístico empregado foi o Stata23. estes critérios foram adaptados do que foi empregado por Boeckel e Sarriera26. A aproximação por fim empregada na construção do índice de morbidade foi a análise de componentes principais na matriz de correlação tetracórica. pois a utilização da soma de variáveis manifestas gera uma medida de um construto de baixa qualidade e ineficiente no aproveitamento das informações disponíveis. inclusão inicial das 95 variáveis listadas anteriormente. o qual apresenta a distribuição gráfica dos autovalores e componentes. calculada com a função polychoricpca. em vez da função interna tetrachoric do Stata. 5. sendo o módulo de Kolenikov mais acurado. 2. sintomas ou doenças era inferior a 5%. análise fatorial com as variáveis remanescentes e definição do número de componentes com base no gráfico de sedimentação (scree plot)26. o procedimento acompanhou os passos adotados pela Fundação SEADE (Sistema Estadual de Análise de Dados) na definição do Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS)28. A função polychoricpca foi instalada pelo comando Stata “net from http:// www.

para formar grupos progressivamente maiores. foram incluídos os 21 itens remanescentes. RESULTADOS As 53 variáveis com proporção inferior a 5% das professoras com relato de sinais. caracterização dos níveis do índice de morbidade em relação aos componentes extraídos. A análise demonstrou a presença de seis componentes com autovalores superiores a 1. tomando a distância valor absoluto (distância de um ponto da reta de números reais ao zero desta reta real) como medida da dissimilaridade. Das duas grandes categorias de métodos de agrupamento. 4. No método hierárquico de aglomeração. O método de vinculação das observações por suas médias ponderadas atribui igual peso a cada agrupamento independentemente do número de observações que ele contenha. Os passos adotados na análise de agrupamentos foram: 1. aos pares. que especificam o que comparar entre grupos que contêm mais de uma observação. Os fatores foram extraídos da análise de componentes principais. na matriz de componentes rotados. assim.A condução da análise de agrupamentos obedeceu às orientações de Hamilton29. A análise de agrupamentos divide as observações em grupos. padronização das variáveis pela amplitude: divisão de cada variável por sua amplitude. 3. a correlação de cada um destes itens não alcançou 0. é usada como uma aproximação exploratória para o desenvolvimento de tipologias empíricas. grupos pequenos são fundidos. vinculação das observações por suas médias ponderadas. explicando 73% da variância total das respostas das 290 . sintomas ou doenças foram excluídas (passo 2 da seleção das variáveis). tendendo. Outras 21 variáveis foram excluídas (passo 3 da seleção das variáveis) porque. com base em suas dissimilaridades quanto a um número de variáveis e. utilizando-se a regra de Kaiser25. por partição e hierárquico. Para a análise fatorial exploratória. até ser alcançado um ponto especificado de parada ou chegarse a um único grupo.2 com nenhum dos componentes extraídos e a proporção não explicada conjuntamente pelos dois componentes ultrapassou 70% (Quadros 1 a 6). geralmente. Há vários métodos para a vinculação das observações. feitura do dendrograma com dissimilaridades abaixo de um valor de corte estipulado na medida da distância valor absoluto. 2. Os resultados do agrupamento são visualizados em um gráfico denominado dendrograma ou diagrama de árvore. baseada na resposta de 933 professoras. a funcionar melhor na detecção de agrupamentos de tamanhos desiguais. o último é mais apropriado à aproximação exploratória.

Ou seja. Após a retenção de dois componentes e a realização da rotação ortogonal varimax.7 na medida da distância valor absoluto com os dados resultantes da rotação da matriz de componentes. 2008 291 . foi definido após uma análise de agrupamentos. p. O último fator a ser considerado no gráfico de sedimentação (Gráfico 1) é aquele imediatamente além da linha aproximadamente reta próxima ao eixo das abscissas. o terceiro 7%. Sedimentação dos componentes após análise de componentes principais na matriz de correlação tetracórica. somando 51% de explicação.282-296 maio/ago. o último fator a considerar é o componente 2. o quarto 6% e os demais 5% cada um. de rastreamento de distúrbios psíquicos. O primeiro componente explicou 35%. circundados no Gráfico 1). para a identificação de subconjuntos de professoras com semelhanças internas (e dissimilaridades entre os subconjuntos) em relação aos dois componentes extraídos na etapa precedente. v. As observações foram fundidas pelas médias ponderadas29 até o número de grupos que melhor caracterizou a relação entre demanda e morbidade. o primeiro componente passou a explicar 28% e o segundo 23%. a qual define o sedimento27. o segundo 15%.2. as nove variáveis correlacionadas com o segundo componente correspondiam a sintomas vocais habituais ou recorrentes e doenças diagnosticadas por médico (Tabela 1). n. As doze variáveis correlacionadas com o primeiro componente eram perguntas do Questionário de Auto-Resposta (SRQ-20)20.32. Neste caso. A tabulação da freqüência das professoras por agrupamento mostra a distribuição apresentada na Tabela 2. Gráfico 1. que correspondeu ao valor de corte 0. observou-se a possibilidade de realização da análise fatorial com dois componentes (1 e 2. 2001. Bahia. a linha do sedimento vai do componente 3 até o componente 21. com três níveis. O índice de morbidade. portanto. professoras do ensino básico de Vitória da Conquista.Revista Baiana de Saúde Pública professoras.

Bahia. O agrupamento 1. No outro extremo situa-se o agrupamento 2.Tabela 1. Correlações entre as variáveis que permaneceram na etapa final da análise fatorial exploratória e os dois componentes principais extraídos nessa análise no estudo sobre as professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. Pode. tendo sua concentração entre seis e nove. as relações entre os níveis do índice de morbidade e os dois componentes extraídos. com a definição de três agrupamentos. com 23% das professoras. Bahia. Tabela 2. e quatro ou mais problemas vocais. Os Gráficos 2 e 3 apresentam. apresenta uma concentração dos indivíduos com respostas negativas ou com até três respostas afirmativas às doze variáveis selecionadas do questionário de rastreamento de distúrbios psíquicos e sem problemas vocais ou com até sete dos nove problemas vocais selecionados (Gráfico 2 e 3). professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. 2001. respectivamente. Número absoluto e relativo de professoras por agrupamento. com 40% das professoras estudadas (Tabela 2). O agrupamento 3. ser considerado como o grupo de referência. deste modo. 292 . que reúne os indivíduos com um mínimo de quatro respostas afirmativas às questões de rastreamento de distúrbios psíquicos. 2001. com o menor grau de morbidade.

imorb_3: maior. 2001. COMENTÁRIO FINAL A avaliação do índice de morbidade foi desenvolvida em outro artigo5. v. ausência de assunções ideológicas e extracientíficas e ausência de inclusão de parâmetros arbitrários. Freqüência dos itens indicativos de distúrbios psíquicos segundo os níveis do índice de morbidade. Gráfico 2. e que satisfez parcialmente as propriedades gerais de um bom indicador assinaladas por Musgrove:30 clareza quanto ao que tentou medir. imorb_2: intermediário. Aponta-se aqui. Bahia.32. 2008 293 .282-296 maio/ago. resumidamente.Revista Baiana de Saúde Pública constituído por 36% das professoras. imorb_2: intermediário. níveis do índice de morbidade: imorb_1: menor. imorb_3: maior.2. que o índice atendeu a exigência de ser unidimensional3. 2001. Bahia. p. Gráfico 3. Freqüência de problemas vocais segundo os níveis do índice de morbidade. professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. professoras do ensino básico de Vitória da Conquista. representando apenas a dimensão da morbidade. níveis do índice de morbidade: imorb_1: menor. n. reúne os indivíduos com um nível intermediário de distúrbios psíquicos e uma freqüência baixa ou intermediária de problemas vocais.

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b Enfermeira. Sistema de Saúde. Integralidade. Professora assistente da Uefs. In this way. Concluiu-se que ainda existe uma distância muito grande entre o mundo cotidiano e a saúde enquanto direito fundamental. ACM. the text is developed by focusing the discussion on the right to health from the point of primary health care as considered in the Alma-Ata Declaration and as articulated to postulates contained in the public health system proposals (SUS. Feira de Santana-BA. Endereço para correspondência: Rua C. Direito à Saúde. do Núcleo de Pesquisa Integrada em Saúde Coletiva (Nupisc).br Telefones: (75) 3221-4264. Pesquisadora do Nupisc. Professora Titular da Uefs. articulating it to the Basic Health Attention (PHA) proposal. Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb). c d Advogado.Revista Baiana de Saúde Pública ENSAIO ATENÇÃO PRIMÁRIA E O DIREITO À SAÚDE: ALGUMAS REFLEXÕESa Marluce Maria Araújo Assisb Augusto Araújo Assisc Erenilde Marques de Cerqueirad Resumo O presente ensaio tem como objetivo refletir sobre o direito à saúde.32. Enfermeira. assegurado na legislação brasileira. Formado pela Uefs. enquanto prática integral na “porta de entrada” dos serviços de saúde. 8804-4900. Para tanto. BASIC ATTENTION AND THE RIGHT TO HEALTH: SOME REFLECTIONS Abstract The present essay aims at reflecting about the right to health. Pesquisadora do CNPq. Ex bolsista de Iniciação Científica do Nupisc. Conj. 3224-8162. E-mail: marluce. Coordenadora/ pesquisadora do Nupisc. n. as a possibility to guarantee this right. 121.036-000. 2008 297 . v. Mestre em Saúde Coletiva pela Uefs.Unified a Este ensaio é parte da base teórica do Projeto Atenção Básica à Saúde no Processo de Descentralização da Saúde na Bahia. CEP: 44. o texto é desenvolvido recortando a discussão de direito à saúde a partir dos cuidados primários de saúde propostos na Declaração de Alma Ata e articulados às proposições contidas no postulado do Sistema Único de Saúde (SUS). Doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo (USP).assis@pesquisador. as an integral practice of health services “gateway”. Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Medicina e Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba). p. Bairro Mangabeira.cnpq. da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs).297-303 maio/ago. como uma possibilidade de assegurar este direito. articulando-o à proposta de Atenção Primária à Saúde (APS). Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde. n.2.

em especial da saúde.2: 27 estabelece os direitos sociais e explicita o direito à saúde: Art. colocadas ao alcance de famílias e da comunidade. desde então. viuvez. Integrality. período em que houve mobilizações das sociedades do mundo inteiro. No entanto é preciso deixar claro que a conquista dos direitos sociais. e direito a segurança em caso de desemprego. situa-se o cenário pós segunda guerra mundial. O documento referido vem influenciando. velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. Os cuidados primários foram definidos na Declaração de Alma Ata3 como cuidados essenciais de saúde baseados em métodos e tecnologias práticas. Os vários países. habitação. Tal 298 . como orientadores de políticas de Estado que assegurem os direitos de sobrevivência à pessoa humana. Health System. INTRODUÇÃO Para iniciar uma discussão sobre Atenção Primária à Saúde (APS) e o direito à saúde.1 A Declaração dos Direitos Humanos. de acordo com as análises de Sussekind.Health System). a very great distance still remains separating daily world and health as an essential right. vestuário. capazes de contemplar as necessidades mais complexas que fazem parte do contexto social. para o reordenamento dos sistemas de saúde. editada em 1948. guaranteed by Brazilian legislation. XXV – todo homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar. a fim de proporcionarem um nível de saúde para todos. pela representação de seus governos. Right to Health. Esta declaração foi um marco. invalidez. só pode ser legitimado na prática social por meio de políticas de responsabilidade estatal para a concretização da igualdade em situações reais. cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis. introduzindo a participação comunitária como estratégia essencial desse modelo. inclusive alimentação. cientificamente bem fundamentadas e socialmente aceitáveis. doença. passaram a discutir e concretizar os direitos sociais como responsabilidade do Estado. político e econômico das populações. no que se refere a “imagem objetivo”. At last. questionando as condições das pessoas humanas e a necessidade de garantia efetiva dos direitos humanos. independentemente de classe social. propondo uma nova abordagem na organização e racionalização dos recursos disponíveis nos cuidados primários à saúde. A declaração de Alma-Ata3 sintetizou as discussões em torno das estratégias que deveriam ser adotadas no contexto mundial. Key words: Basic Health Attention. os ordenamentos jurídicos mundiais.

que envolve determinações econômicas.3 fundamentado por Bobbio. Ao fazer uma analogia do direito à saúde com o pensamento de Bobbio. que são de responsabilidade do poder público (Estado). A situação brasileira é parte deste global. Nesse sentido. p. articulando-o à proposta de APS. por isso. e nos níveis de atenção que demandam dos vários setores sociais. e na terceira geração. com sua especificidade. classificado nas três gerações. a segunda. incluindo o poder público. constitui uma vinculação v. inexiste determinação de seus titulares. O direito de primeira geração é caracterizado pela titularidade individual e pela possibilidade de ser oposto à vontade do Estado e que. n. o presente ensaio tem como objetivo refletir sobre o direito à saúde. o de segunda geração se relaciona às medidas preventivas de promoção à saúde ou de combate às doenças. cuja apreensão ultrapassaria os limites do setor saúde. 2008 299 . no cenário mundial.4 teve como base a idéia de direitos fundamentais de terceira geração. Estabeleceu-se como meta a garantia do acesso à saúde para todas as pessoas.297-303 maio/ago. construída no final da década de 1970. para promoverem um ambiente de justiça social. se torna um direito que não pode ser cedido e nem negociado. prevenção e reabilitação. enquanto prática integral na “porta de entrada” dos serviços de saúde. portanto. por meio de reivindicações que emergiram de movimentos sociais e das necessidades que vão se apresentando em diferentes contextos no mundo globalizado. constituindo-se no início de um processo hierarquizado de atenção. políticas. como uma possibilidade de assegurar este direito. apresentando a APS como primeiro nível de contato com os serviços.Revista Baiana de Saúde Pública abordagem propôs uma compreensão sobre cuidados fundamentais que deveriam ser garantidos a todas as pessoas. consistem em poderes que se efetivam por intermédio da imposição de obrigações a outros. sociais e culturais. Esses cuidados expressam a necessidade de ação urgente de todos os governos e sujeitos sociais envolvidos com o setor saúde. Com o slogan “Saúde para todos no ano 2000”. tomou como eixo orientador a saúde como direito. SAÚDE COMO DIREITO E A DECLARAÇÃO DE ALMA ATA Observa-se que a proposta de Alma Ata. os direitos sociais. como primeiro momento do processo de atenção à saúde. na medida em que tais métodos e tecnologias seriam implementados nos serviços de proteção.4 pode-se afirmar que a saúde está articulada ao direito fundamental.2.32. Diante do exposto. os direitos individuais e coletivos. da construção do direito à saúde. Bobbio4 classifica os direitos fundamentais em 3 (três) gerações: a primeira dá significado e concretude às liberdades das pessoas na dinâmica social. esse movimento passou a ser desencadeador.

integralidade (existência de uma integração na relação profissional-usuário. ao mesmo tempo em que defende a eqüidade (igualdade de insumo e acesso por necessidades iguais). Para isso. Nessa perspectiva. abrangendo a totalidade psicofisiológica e social. busca materializar um sistema de saúde orientado pelo direito fundamental do ser humano e responsabilidade do Estado em prover e garantir a saúde. Outra dimensão seria a focalização na família como uma nova abordagem sobre o sujeito do processo saúde/doença.7 que estabelece um processo continuado de atenção pelo provimento de recursos e de estratégias em longo prazo.direta e orgânica aos poderes (governos) instituídos. psicológicos e sociais das doenças. A autora ainda acrescenta a necessidade da coordenação. apreendendo de forma ampliada os determinantes biológicos. passa-se a pensar no reordenamento do sistema de saúde. em uma idéia de direito difuso (direito de todos – conforme a Constituição Federal de 1988). A família é compreendida como sujeito social principal e considerada unidade social no processo do cuidado em saúde.6 Aliada a esse Projeto de Saúde transformador — “a Reforma Sanitária” —. a integralidade enfatiza a responsabilidade pela prestação de serviços. O Projeto da Reforma Sanitária brasileira que passa a ser construído também no final da década de 1970. A produção de Starfield7 mostra este novo caminho. redefinindo a lógica de acesso dos usuários aos serviços e o papel da APS na rede de atenção. a partir de 1994. Este 300 . não sendo possível determinar a titularidade. por meio de políticas econômicas e sociais integrativas. tomando corpo na década de 1980. inserido numa organização institucional que englobe ações de promoção. tendo em vista a manutenção e garantia da continuidade dos serviços. proteção e recuperação da saúde). Sendo assim. diretrizes de descentralização (reestruturação do poder com autonomia e co-participação entre os níveis federativos) e participação social (instâncias problematizadoras de exercício da democracia e da atualização de identidade das lutas de saúde no país). regulamentado na Lei Orgânica da Saúde em 1990. como um todo indivisível. para priorizar os mecanismos de gestão. que traduz a capacidade de garantir o acesso e a utilização dos serviços de saúde às pessoas que demandam atenção e implica na maior proximidade possível entre as instituições de saúde e a comunidade. desdobrado na aprovação de um Sistema Único de Saúde (SUS) em 1988. para que possa atender ao conjunto de necessidades de uma população numa área delimitada. Esta perspectiva influenciou a criação da Estratégia Saúde da Família (ESF) como orientadora da APS. o primeiro contato que se dá na rede seria a “porta de entrada”. e o de terceira geração diz respeito às dimensões individuais e coletivas de atenção à saúde.5 As proposições contidas no postulado do SUS incorporam o princípio da universalidade (acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de atenção). uma dimensão fundamental é a “longitudinidade”.

10. Seria uma mudança radical do modelo médico-centrado para um que situasse o usuário no centro do processo. na “porta de entrada”.] cerca de 80% dos problemas de saúde da população”. Ou seja. destacando a necessidade de ampliação dos laços relacionais para desenvolver afetos e potencializar o processo terapêutico. 2008 301 . ou seja. com participação cidadã. e sim pelas necessidades que são estabelecidas pelos usuários. considerando que. uma recusa à objetivação dos sujeitos e talvez a uma afirmação da abertura do diálogo.” v. portanto. É. a capacidade de perceber as singularidades e de investir na capacidade individual e coletiva de fazer escolhas. com capacidade para resolver “[. de fato.. a resolubilidade envolve aspectos relacionados à rede de atenção à saúde. é preciso pensar a integralidade como eixo orientador da APS. à conduta profissional e à relação equipe de saúde/usuário. O vínculo-responsabilização frente aos desafios do processo saúde/doença é a incorporação ao ato terapêutico da valorização do outro. por meio de um sistema organizado de forma hierarquizada e resolutiva que. Nesse sentido. Deste modo. A APS precisa estar inserida neste contexto. Como aponta Mattos:3:57 “[. concebendo-a como um caminho para a concretização do SUS. vislumbrando atender de forma dialógica e flexível as demandas/necessidades dos usuários.Revista Baiana de Saúde Pública modelo de saúde foi incorporado pelo Estado brasileiro como prioritário para a reconstrução do sistema de saúde. a preocupação com o cuidado e o respeito com a visão de mundo de cada um. o qual deve orientar as ações de saúde. causando tensões que impulsionam novas reformas nos modos de fazer/agir/pensar em saúde. ser cúmplice das estratégias de promoção. prevenção. REFLEXÕES FINAIS A discussão apontada acima abre possibilidades para inserir a questão do acesso aos serviços de saúde. a universalização da atenção se traduz em um sistema segmentado e desarticulado no âmbito interno do sistema público e na cadeia organizativa do sistema como um todo.9 Santos e Assis. de acordo com Brasil.12:9 Em síntese.32. para se constituir em “porta de entrada” do sistema. em especial.297-303 maio/ago. traduzidas em demandas por atendimento médico.8 Por fim.2. cujas necessidades ocorrem em função desse ambiente. discutem o vínculo como um dos componentes da integralidade.11 no entanto. deflagra-se a co-responsabilização.. As inúmeras discussões acerca deste tema têm lançado desafios às concepções dos modelos de atenção à saúde. a orientação comunitária propõe o reconhecimento do contexto econômico. seja referenciado e contra-referenciado. cura e reabilitação dos usuários. teria que trabalhar com qualificação e responsabilização da equipe e dos gestores. O acesso é definido não em função de uma oferta de serviços organizada e hierarquizada. n...] a integralidade implica uma recusa ao reducionismo. na prática. social e cultural em que vivem as famílias. p.

No entanto é um processo pleno de contradições. 302 . o que corresponde ao ideal de igualdade. envolvendo o processo saúde-doença em suas múltiplas dimensões. o direito à saúde pode ser avaliado em duas dimensões: uma que depende das exigências das pessoas face às necessidades coletivas. 2. Além disso. Organización Mundial da Saúde (OMS). conformados e interpenetrados por interesses individuais. a construção histórica das práticas de saúde é desdobrada em diversas formas organizativas dos serviços de saúde. a fiscalização de produtos pela Vigilância Sanitária. o postulado da APS como estratégia política de governo tem sido colocado em diferentes projetos que tomam como lócus da atenção e como espaço operacional de intervenção estratégica o Programa Saúde da Família (PSF). Bartolomei CEF. REFERÊNCIAS 1. Este é o desafio colocado para a APS. pois as realidades são diferenciadas neste mundo complexo e contraditório. se submete ao pleno desenvolvimento do Estado democrático de direito. Por fim. porém. sem deixar de considerar a multiplicidade de interesses. 3. Delduque MC. em especial na APS. Atención Primaria de Salud. Sussekind A. a segunda dimensão diz respeito à garantia da oferta de atenção à saúde a todos os que dela necessitem. Alma Ata (URSS). que as obriga a submeterem-se à normalização institucional. Rio de Janeiro: Campus. e que.65:184-91. 1992. Informe conjunto del Director General de la Organización Mundial de la Salud e del Director Ejecutivo del Fondo de las Naciones Unidas para la Infância. O legado constitucional que assegura o direito à saúde envolve a liberdade individual do cidadão brasileiro para optar entre as distintas alternativas de serviços ofertados pela rede de atendimento. Bobbio N. Estas opções. 6 sept. 4. Carvalho MS. consensos e dissensos.No Brasil. permeado por conflitos. A saúde é um direito? Saúde em Debate 2003. Rio de Janeiro: Freitas Barros. 1978. sociais e econômicos. Direitos sociais na constituinte. Conferencia Internacional sobre Atención Primaria de Salud. por sua vez. se tornam restritas se a pessoa humana não tiver a plena consciência de seus direitos como cidadão. que depende de cada cenário e de cada contexto social. no plano coletivo. Persiste ainda uma distância muito grande entre o mundo cotidiano e as proposições de saúde para todos. 1986. como a vacinação. entre outros. o tratamento das doenças de notificação compulsória. orientadas pela Declaração de Alma Ata e pelo legado Constitucional. A era dos direitos.

Carvalho GI. Santos L.2:7-14.2008. Paidéia e modelo de atenção: um ensaio sobre a reformulação do modo de produzir saúde. [Tese]. 1998. 9. 2004. Mattos RA (Orgs. Mattos RA. Sistema Único de Saúde: comentários à Lei Orgânica de Saúde (Lei 8. Brasília: Ministério da Saúde/Unesco/DFID. Brasília.3:815-23. Assis MMA. 6.7. Olho Mágico 2003. Villa TCS.142/90). 11. 1997. Ciência & Saúde Coletiva 2003. 10. 12. 8. Santos AM. Starfield B. DF. 2a ed. Ribeirão Preto (SP): Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Assis MMA.2:313-25. serviços e tecnologia.2. v. Brasil. 2008 303 . 7. Revista Baiana de Saúde Pública 2005. Assis MMA. Os sentidos da integralidade: algumas reflexões acerca de valores que merecem ser defendidos.080/90 e Lei 8. p. Rede de relações dos protagonistas da prática de saúde bucal no Programa Saúde da Família de Alagoinhas-BA. Acesso aos serviços de saúde: uma possibilidade a ser construída na prática. 13.2007 e aprovado em 14. Atenção Primária. Rio de Janeiro: Abrasco.). Assis MMA.32. As formas de produção dos serviços de saúde: o público e o privado.297-303 maio/ago. Os sentidos da integralidade na atenção e no cuidado à saúde. Ciência & Saúde Coletiva 2006. Portaria nº 1. Nascimento MAA. Recebido em 7.886/GM. São Paulo: Hucitec. Santos AM.Revista Baiana de Saúde Pública 5. n. In: Pinheiro R. Ministério da Saúde. Equilíbrio entre necessidades de saúde.39-64. 1995.1:53-61. 2001. Campos GWS. p. Da fragmentação à integralidade: construindo e (des)construindo a prática da saúde bucal no Programa Saúde da Família de Alagoinhas-BA. 2a ed. Aprova as normas e diretrizes do Programa de Agentes Comunitários e do Programa de Saúde da Família. Normas e Diretrizes do Programa de ACS e do PSF.8.

Relato de experiências: apresentando experiências inovadoras (8 a 10 laudas). Editorial: de responsabilidade do editor. solicitados pelos editores (8 a 10 laudas). CATEGORIAS ACEITAS: 1. solicitados pelos editores (1 a 4 laudas). 2.3 Revisão: artigos com revisão crítica de literatura sobre tema específico. nome do orientador e local disponível para consulta. 8. 6.1 Pesquisa: artigos apresentando resultados finais de pesquisas científicas (10 a 15 laudas). Artigos originais 1. 5. programas e relatórios técnicos (5 a 8 laudas). 304 . 1. Comunicações: informes de pesquisas em andamento. 7.NORMAS PARA PUBLICAÇÃO A Revista Baiana de Saúde Pública (RBSP). 4. dia e local da defesa. 1. Resenha de livros: resenhas de livros publicados sobre temas de interesse. Documentos: de órgãos oficiais sobre temas relevantes (8 a 10 laudas). Carta ao editor: carta contendo comentários sobre material publicado (2 laudas). 3. de acordo com as normas da RBSP publicadas. Teses e dissertações: resumos de dissertações de mestrado e de teses de doutorado/livre docência defendidas e aprovadas em universidades brasileiras (máximo 2 laudas).2 Ensaios: artigos com análise crítica sobre um tema específico (5 a 8 laudas). Os resumos devem ser encaminhados com o título oficial da tese. podendo ser redigido por convidado por solicitação deste. dedica-se a publicar contribuições sobre aspectos relacionados aos problemas de saúde da população e à organização dos serviços e sistemas de saúde e áreas correlatas. de periodicidade semestral. Serão aceitas para publicação as contribuições escritas preferencialmente em português. publicação oficial da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB). obedecendo a ordem de aprovação pelos editores.

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ORIENTAÇÕES AOS AUTORES INSTRUÇÕES GERAIS PARA ENVIO Os trabalhos a serem apreciados pelos editores e revisores seguirão a ordem de recebimento e deverão obedecer aos seguintes critérios de apresentação. Devem ser encaminhadas à secretaria executiva da revista uma cópia impressa. As páginas devem ser formatas em espaço duplo com margem de 3cm à esquerda, fonte Times New Roman, tamanho 12, página padrão A4, numeradas no canto superior direito (não numerar as páginas contendo tabela, gráfico, desenho ou figura). Podem também ser enviados para o e-mail da revista, desde que não contenham desenhos ou fotografias digitalizadas. Uma cópia em disquete deverá ser entregue com a versão final aceita para publicação. ARTIGOS Folha de rosto: deve constar, o título (com versão em inglês), nome(s) do(s) autor(es), principal vinculação institucional de cada autor, orgão(s) financiador(es) e endereço postal e eletrônico de um dos autores para correspondência. Segunda folha: iniciar com o título do trabalho sem referência à autoria e acrescentar um resumo de no máximo 200 palavras, com versão em inglês (abstract). Trabalhos em espanhol ou inglês devem também ter acrescido o resumo em português. Palavras-chave (3 a 8) extraídas do vocabulário DECS (Descritores em Ciências da Saúde/ www.decs.bvs.br) para os resumos em português e do MESH (Medical Subject Headings / www.nlm.nih.gov/mesh) para os resumos em inglês. Terceira folha: Título do trabalho sem referência à autoria e início do texto com parágrafos alinhados nas margens direita e esquerda (justificados), observando a seqüência: introdução, incluindo justificativas, citando os objetivos no último parágrafo; material e métodos; resultados; discussão; e referências. Digitar em página independente os agradecimentos, quando necessário.

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TABELAS, GRÁFICOS E FIGURAS Obrigatoriamente, os arquivos das tabelas, gráficos e figuras devem ser digitados em arquivos independentes e impressos em folhas separadas. Estes arquivos devem ser compatíveis com processador de texto “Word for Windows” (formatos: PICT, TIFF GIF, BMP). O número de tabelas, , gráficos e, especialmente, ilustrações deve ser o menor possível. As ilustrações, figuras e gráficos coloridos somente serão publicados se a fonte de financiamento for especificada pelo autor. No texto do item resultados, as tabelas, gráficos e figuras devem ser numeradas por ordem de aparecimento no texto, com algarismos arábicos e citadas em negrito (e.g. “... na Tabela 2 as medidas ..) Tabela (não utilizar linhas verticais), Quadro (fechar com linhas verticais as laterais). O título deve ser objetivo e situar o leitor sobre o conteúdo, digitado após o número da Tabela, Gráfico, etc., e.g.: Gráfico 2. Número de casos de AIDS no Brasil de 1986 a 1997, distribuído conforme a região geográfica. Figuras reproduzidas de outras fontes já publicadas devem indicar esta condição na legenda. ÉTICA EM PESQUISA Trabalho que tenha implicado em pesquisa envolvendo seres humanos ou outros animais deve vir acompanhado de cópia de documento que atesta sua aprovação prévia por um Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), além da referência em material e métodos. REFERÊNCIAS Preferencialmente, qualquer tipo de trabalho encaminhado (exceto artigo de revisão), deverá ter até 30 referências. As referências no corpo do texto deverão ser numeradas em sobrescrito, consecutivamente, na ordem em que forem mencionadas a primeira vez no texto. As notas explicativas e/ou de rodapé são permitidas e devem ser ordenadas por letras minúsculas em sobrescrito. As referências devem aparecer no final do trabalho, listadas pela ordem de citação, seguindo as regras propostas pelo Comitê Internacional de Editores de Revistas Médicas, disponíveis em: http:// www.icmje.org ou www.abec-editores.com.br (Requisitos uniformes para manuscritos apresentados a periódicos biomédicos/Vancouver).

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Exemplos: a) LIVRO Acha PN, Szyfres B. Zoonosis y enfermedades transmisibles comunes al hombre y a los animales. 2ª. ed. Washington: Organizacion Panamericana de la Salud; 1989. b) CAPÍTULO DE LIVRO Almeida JP Rodriguez TM, Arellano JLP Exantemas infecciosos infantiles. In: Arellano JLP Blasco , . , AC, Sánchez MC, García JEL, Rodríguez FM, Álvarez AM, editores. Guía de autoformación en enfermedades infecciosas. Madrid: Panamericana; 1996. p. 1155-68. c) ARTIGO Azevêdo ES, Fortuna CMM, Silva KMC, Sousa MGF Machado MA, Lima AMVMD, et al. Spread and , diversity of human populations in Bahia, Brazil. Human Biology 1982;54: 329-41. d) TESE E DISSERTAÇÃO Britto APCR. Infecção pelo HTLV-I/II no Estado da Bahia [Dissertação]. Salvador (BA): Univ. Federal da Bahia; 1997. e) RESUMO PUBLICADO EM ANAIS DE CONGRESSO Santos-Neto L, Muniz-Junqueira I, Tosta CE. Infecção por Plasmodium vivax não apresenta disfunção endotelial e aumento de fator de necrose tumoral-a (FNT-a) e interleucina-1b (IL-1b). In: Anais do 30o. Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Salvador, Bahia; 1994. p.272. f) DOCUMENTO EXTRAÍDO DE ENDEREÇO DA INTERNET [autores ou sigla e/ou nome da instituição principal]. [Título do documento ou artigo] Extraído de [endereço eletrônico], acesso em [data]. Exemplo: COREME, Comissão de Residência Médica do Hospital Universitário Professor Edgard Santos (HUPES) da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Regimento Interno da COREME. Extraído de [http://www.hupes.ufba.br/coreme], acesso em [20 de setembro de 2001]. Não incluir nas “Referências” material não-publicado ou informação pessoal. Nestes casos, assinalar no texto: (i) FF Antunes Filho, Costa SD: dados não-publicados; ou (ii) JA Silva: comunicação pessoal, 1997. Todavia, se o trabalho citado foi aceito para publicação, incluí-lo entre

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gráficos.gov. seguido da expressão latina In press e o ano. Endereço para remessa de trabalho: Revista Baiana de Saúde Pública Escola da Saúde Pública Prof. relatórios técnicos. Seguir as orientações para referências.ba. com informações introdutórias curtas e precisas. relato de fato histórico. resumo de trabalho final de curso de pósgraduação. Francisco Peixoto de Magalhães Netto Rua Conselheiro Pedro Luiz. o(s) autor(es) deve(m) utilizar linguagem objetiva e concisa. delimitando o problema ou a questão objeto da investigação. Quando o trabalho encaminhado para publicação tiver a forma de relato de investigação epidemiológica. As contribuições encaminhadas só serão aceitas para apreciação pelos editores e revisores se atenderem às normas da revista. título do trabalho ou livro e periódico ou editora). nº 171 Rio Vermelho – Salvador – Bahia CEP 41950-610 TEL/FAX 0XX 71 3116 5313/3334 1888 saude. citando os registros de identificação necessários (autores. tabelas e figuras. comunicação.revista@saude.br 308 . resenha bibliográfica e carta ao editor.as referências.

171 . _________________________________________________________________________________ 309 . On prie da dévolution de ce formulaire pour étre assuré l’envoi des prochaines publications.RBSP Rua Conselheiro Pedro Luiz. Please fill blank and retourn it to us in order to assure the receiving of the next issues. FRANCISCO PEIXOTO DE MAGALHÃES NETTO .Rio Vermelho CEP 41950-610 Caixa Postal 631 Tel 71 3116-5313 Fax 71 3334-1888 Recebemos e agradecemos Nous avons reçu We have received _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ Desejamos receber Il nous manque We are in want of _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ Enviamos em troca Nou envoyons en echange We send you in exchange _________________________________________________________________________________ Favor devolver este formulário para assegurar a remessa das próximas publicações.SESAB SUPERINTENDÊNCIA DE RECURSOS HUMANOS E EDUCAÇÃO EM SAÚDE .Revista Baiana de Saúde Pública SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DA BAHIA .SUPERH ESCOLA ESTADUAL DE SAÚDE PÚBLICA PROF.EESP REVISTA BAIANA DE SAÚDE PÚBLICA .

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