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1 INTRODUÇÃO

A necessidade de buscar reconhecer e discorrer sobre os significados do

Ensino Religioso como auxiliador na prática pedagógica, no que se refere à

formação integral do educando das séries iniciais do Ensino Fundamental na rede

pública de ensino, surgiu ao ser constatado, principalmente por meio de

investigações bibliográficas como se deu o Ensino Religioso ao longo da história da

educação brasileira, que durante séculos serviu como uma disciplina confessional

diretamente vinculada a interesses de um determinado grupo hegemônico.

Disciplina esta que recebe atualmente um novo significado sociológico e

até político sem, contudo, deixar de contemplar um de seus maiores objetivos que é

levar o homem (aluno), através do desvendamento do Sagrado, relacionar-se melhor

consigo mesmo e com o próximo, através de uma interação ética, moral, social,

enfim, dentro de valores considerados como ideais pela própria sociedade.

Esta pesquisa apóia-se em razões de natureza técnico-científica – pois,

embora o fenômeno religioso tenha como suporte principal a fé, a perspectiva dessa

pesquisa é relacioná-la à educação que é um instrumento técnico, científico e

racional partindo do pressuposto ensino-aprendizagem; e político-acadêmica pelo

fato do Ensino Religioso Escolar (ERE) – se configurar como um tema que

atualmente perpassa pela confessionalidade

1 e alcança as mais variadas discussões

no cenário educacional atual, se tornando cada vez mais necessária sua

aplicabilidade nos moldes da lei vigente da educação, contemplando a formação de

profissionais, bem como uma prática sócio-educativa determinada por parâmetros

específicos.

Nesse sentido, pretende-se que a presente pesquisa contemple a

necessidade da discussão a respeito do significado do Ensino Religioso como um

tema contemporâneo e de grande significância no contexto pedagógico, visto que a

Pedagogia está onde ocorre a intencionalidade em educar, sendo que nessa

perspectiva sempre houve e há uma intencionalidade na formação religiosa escolar.

Entretanto, hoje se busca o desenvolvimento de uma disciplina escolar

que contemple a pluralidade existente em nosso país, bem como a exclusão de

1 Ver Glossário

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posturas proselitistas no ato de construir o conhecimento religioso na escola.

A pesquisa considerará o pedagogo, que atua nas séries iniciais do

Ensino Fundamental, em sua função generalista por desenvolver em sala de aula as

mais variadas disciplinas do currículo obrigatório, analisando a significância do

Ensino Religioso como instrumento curricular auxiliador do pedagogo na formação

integral de alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental.

Diante dessa realidade, a escola, que tem como princípios desenvolver o

aprender, o fazer, o ser e o conviver; pode encontrar no Ensino Religioso um valioso

instrumento curricular na busca pela introspecção de valores tão esquecidos pela

sociedade pós-moderna a partir da troca de experiências e conhecimentos que

circundam as profundas necessidades e inquietações humanas.

Nessa perspectiva, o Ensino Religioso, disciplina curricular obrigatória na

rede pública de ensino, entra na sociedade escolar como objeto de prevenção e

transformação. Afirmando-se como objeto preventivo no sentido de desenvolver nas

crianças uma prática equilibrada consigo mesmas, com o próximo e com o

Transcendente e transformador no sentido de moldar (ou re-moldar) práticas

incoerentes com normas e regras sociais pré-estabelecidas pelos códigos ético-

morais que regem um grupo social e que de alguma forma não tem sido discutidas e

desenvolvidas nos mais variados meios sociais onde a criança possa estar.

Atualmente, e mesmo sob tantas discussões políticas, considera-se essa

disciplina nas escolas tão necessária quanto às demais por se colocar como um

trabalho preventivo, democrático e cidadão em face do reconhecimento da

diversidade religiosa como reflexão sobre a sensibilidade do indivíduo às suas

próprias inquietações interiores e que acarretaram em sua vivência e postura no

mundo.

Diante desse quadro, propõe-se que o educador não deverá preocupar-se

apenas com o aspecto cognitivo do seu aluno, mas com sua formação emocional,

relacional (no lar e sociedade em geral), e principalmente espiritual, visto que o

homem também é espiritual – imaterial – e o ERE

multidisciplinar, vem propor, também, essa preocupação.

A análise a que esta pesquisa se propõe busca considerar o Ensino

Religioso como instrumento do trabalho pedagógico como as demais disciplinas do

2 , através de um formato

2 Ensino Religioso Escolar.

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currículo oficial observando-o em uma prática docente ética e comprometida

demonstrando que o educador que assim o faz está consciente da sua real função

pedagógica, e ainda, clarificar a compreensão da natureza e papel dessa disciplina

na Escola como uma disciplina centrada na antropologia religiosa, constituindo-se,

assim, em uma análise que considera o ser humano segundo as ciências da religião,

enquanto ser aberto, que busca e acolhe o transcendente usando o método

científico e trabalhando com as fontes das matrizes religiosas.

São consideradas, ainda, nesta análise questões históricas que

envolveram o ER durante os primeiros séculos da educação brasileira, o que fez

com que gerasse na sociedade brasileira e nas instituições responsáveis pela

elaboração das leis de educação, certos conflitos em relação ao ‘quê’, ‘porquê’ e

‘como’ ensinar a disciplina ER, bem como novas perspectivas à partir da Nova

LDBEN (1996) na busca correta de ensino com metas, objetivos, conteúdos e

metodologias traçadas verdadeiramente não com fins de valorizar dogmas e

doutrinas de determinados segmentos religiosos, mas em possibilitar

desenvolvimento saudável dos alunos do Ensino Fundamental.

Em suma, considerando todas as discussões existentes em relação à

complexidade da prática do Ensino Religioso Escolar, esta pesquisa propõe a

ponderação de uma nova visão no âmbito da valorização da disciplina como

instrumento auxiliador na tarefa pedagógica que encaminha a reflexões profundas

por parte do aluno sobre ele mesmo, sobre o outro, sobre o mundo e sua forma de

portar-se ética e moralmente diante das mais variadas contradições existentes, a

partir de uma orientação voltada para a introspecção e assimilação de necessidades

pré-existentes relacionadas ao aspecto espiritual: o conhecimento do transcendente,

considerando as mais variadas formas que o homem busca para descobri-lo e

aproximar-se dele, através das diferentes tradições religiosas; tradições essas que

são respeitadas dentro do contexto formador e plural que é a escola.

A análise a seguir apresenta-se fundamentada em pesquisas realizadas

nas mais variadas bibliografias (livros, periódicos, artigos web) referentes ao tema,

respaldado em informações atuais de autores renomados na área e em pesquisa de

campo realizada com acadêmicos do curso de Pedagogia, alunos do 1º e 7º

períodos, da Faculdade Atenas Maranhense – FAMA, objetivando investigar

essencialmente os níveis de envolvimento e conhecimento com a referida disciplina

e avaliar o envolvimento com o tema em cada nível de desenvolvimento no curso.

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2 O PORQUÊ DO ENSINO RELIGIOSO: A INERENTE ASPIRAÇÃO RELIGIOSA

DO HOMEM

Dentre os inúmeros instrumentos de que dispõe a sociedade para alcançar

tão elevado objetivo está a religião, pois somente quando se coloca a

questão da transcendência, a que se denomina Deus, encontra a

comunidade humana e cada uma das pessoas individualmente, respostas

às perguntas fundamentais que todos se colocam diante da vida. (CATÃO,

1995, não paginado).

A natureza religiosa do homem é anterior a qualquer religião. Essa

extensão religiosa estimula o ser humano a buscar de forma dinâmica sua

concretização plena e definitiva na constante superação e transcendência do que é

considerado como limite.

Como ser espiritual o homem tem a necessidade de obter respostas a

aspirações que a racionalização não consegue responder, tendo na religiosidade a

possibilidade de estar em contato com o mundo sobrenatural permitindo na busca

pela perfeição encontrar motivos fundamentais para a própria existência, como

afirma Caron (1998, não paginado):

A pessoa humana, enquanto agente do seu desenvolvimento, busca cada

vez mais a perfeição, o ideal de vida, a realização, a felicidade. Ela não

existe nem age em compartimentos e sua experiência acontece numa

determinada inserção sócio-cultural. Ela é sempre um todo, em constante

busca de razões e de valores fundamentais da vida. O transcendente é o

horizonte dessa busca.

Para a ciência, entretanto, tudo o que o homem é e sente – sua

consciência – está diretamente ligada aos órgãos e não a uma parte espiritual,

pensamento este que teve sua ascensão quando da ruptura entre materialismo e

espiritualidade a partir do século XVI, na idade média, quando muitos pesquisadores

buscaram compreender o homem e a vida a partir de uma perspectiva mais racional

e palpável.

Cientistas como Descartes e Isaac Newton buscaram afastar suas idéias

e proposições do foco da religião, criando a partir desse momento um grande

abismo entre ciência e religião.

Porém, e mesmo com inúmeros debates entre fé e ciência, alguns

estudiosos entendem que a fé (espiritualidade do homem), pode ser analisada a

15

partir da própria projeção humana na história, sendo assim possível considerar a

espiritualidade como parte inerente a existência humana, como diz Morais (1988, p.

34):

A religiosidade reflete uma contemporaneidade específica de topos

simultânea ao anuncio de um desejo de utopia. O corpo, em sua

espiritualidade, em sua religiosidade, balança entre símbolos (teologia –

ideologia) segundo os (des) compassos da realidade (vida – morte). E o faz

de um jeito apaixonado, [

logos

3 e

4

5 (2006, não paginado) afirma que mesmo que a religiosidade tenha

como principal suporte a fé, é possível se utilizar do rigor metodológico da ciência

para sistematizá-lo e comprová-lo:

Lins

No ser humano a fé e a razão estão intimamente relacionadas, de modo

que não se pode falar de uma sem outra. [

movimento de correspondência à fé, o que torna necessária a

aprendizagem, e por isto o ensino. Deste modo, o ensino religioso se

submete à fé. Razão e fé têm que estar vinculadas, pois o ser humano tem

como característica a sua capacidade cognoscitiva. É na racionalidade que

encontrará o caminho que será completado pela fé.

Há no ser humano um

]

A espiritualidade (expressa na religiosidade) é, portanto, algo inerente ao

ser humano, pois todo ser humano busca um sentido para a sua vida, ação na qual

reside a sua espiritualidade, que significa a busca da própria essência interior, caso

que se constitui uma aspiração de todo ser humano.

A aspiração religiosa, enquanto expressão de crenças em algo

sobrenatural, é uma constante em todas as sociedades conhecidas até nossos dias,

de forma a influenciar o psiquismo individual e as próprias instituições sociais

através dos tempos, revelando atitudes e modos de agir que levantaram interesses

dos mais variados estudos antropológicos, sociológicos e psicológicos.

Entretanto, tornou-se difícil “até mesmo para os antropólogos que mais

estudaram a questão, definirem religião de modo a abranger todas as organizações

3 Lugar do inconsciente; do Outro ou da manifestação da fala. O tema recorrente em literatura; motivo

que se repete com freqüência (Dicionário Michaelis).

O princípio de inteligibilidade; a razão. Segundo Heráclito, o princípio supremo de unificação,

portador do ritmo, da justiça e da harmonia que regem o Universo. Segundo Platão, o princípio de

ordem, mediador entre o mundo sensível e o inteligível.

Mestre em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1972) e doutora em

5

4

Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1989), atualmente é professora adjunta da

Faculdade de Educação da UFRJ.

16

concretas conhecidas e relacionadas com o sobenatural” (TOSCANO, 2002, p. 128),

impedindo, assim um conceito preciso sobre o termo.

Cícero, na sua obra De natura deorum, (45 a.C.) afirma que o termo

‘religio’ se refere a ‘relegere’, reler, sendo característico das pessoas religiosas

prestarem muita atenção a tudo o que se relacionava com os deuses, relendo as

escrituras. Esta proposta etimológica sublinha o caráter repetitivo do fenômeno

religioso, bem como o aspecto intelectual.

Já Agostinho de Hipona (século IV d.C.) afirma que religio deriva de

religere, "reeleger". Através da religião a humanidade reelegia de novo a Deus, do

qual se tinha separado. Mais tarde, Agostinho retoma a interpretação de Lactâncio

Segundo Lactâncio Religião vem de “religare" no sentido de relação com

entidade divina (FIGUEIREDO, 1995, p. 50) e o termo “religioso” deriva do latim

religio”, que designa a relação da pessoa com o Sagrado, supondo uma atitude de

pertencer ao ‘Outro’ com que convive intimamente em seu mundo interior.

A religiosidade, expressa na crença do Sobrenatural, ou do

Transcendente, é um fato universal em todos os tempos e culturas, levando-se a

considerar que é uma intencionalidade da consciência humana, onde o homem

como ser religioso acredita numa divindade, dentro ou fora de si, comprovando que

a religiosidade é parte inerente da sua natureza, como afirma Oliveira (2007, p.37):

6

.

A busca do ser humano de relacionamentos com o sagrado pode ser

constatada nos inúmeros elementos culturais, como festividades,

edificações, textos e monumentos, entre outros, que se manifestam como

referenciais de fé presentes no mundo.

O homem enquanto religioso é alguém que busca explicações que gerem

conforto interior e que “perscruta o desconhecido em busca de respostas a seus

questionamentos sobre o sagrado percebidos, presentes e diluídos no cotidiano”

(OLIVEIRA, 2007, p.35), e é essa reflexão religiosa que favorecerá sua capacidade

de transcender não apenas em seu espaço individual, mas também no social.

A religião, partindo desses princípios torna-se, então, um tema passível

de discussões tanto no âmbito filosófico, como no antropológico e no psicológico por

estar intrínseca à natureza humana de se voltar a um ser superior que o formou,

6 Nasceu na África do Norte e foi discípulo de Arnóbio. Escreveu livros apologéticos explicando o

cristianismo em termos que eram compreensíveis para pagãos intelectualizados, enquanto defendia-o

contra idéias de filósofos pagãos (Fonte: Wikipédia).

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Deus, o qual responde a variadas denominações de acordo com cada cultura. É o

ato de formalizar através de um conjunto de práticas a busca de uma ligação com

algo transcendente.

A busca humana por um Ser Superior está intimamente ligada a sua

própria história e também a história da educação, sendo assim, crucial refletir sobre

sua capacidade de transcender e historicizar em seu contexto sociocultural.

Desde os tempos mais remotos percebe-se a religiosidade humana em

diferentes culturas como instrumento de desenvolvimento pessoal e interpessoal e

até mesmo como meio de influência ideológica e de justificativas de poder, essas

contradições sobre o objeto Religião levantaram uma série de abordagens até

mesmo contraditórias entre vários estudiosos e cientistas que desenvolveram

pesquisas a respeito da religiosidade humana.

Augusto Comte, filósofo francês, fundador da Sociologia e do Positivismo,

“negou a autenticidade e validade da religião histórica, mas estruturou seu

pensamento em torno de uma ‘religião positiva’” (OLIVEIRA, 2007, p. 37).

Já Herbert Spencer, filósofo inglês e um dos representantes do

positivismo, “estimulou a religiosidade na perspectiva da etnologia, da história e da

antropologia”, ou seja, a religiosidade a partir do estudo de fatos e documentos

levantados pela etnografia no âmbito da antropologia cultural e social, buscando

uma apreciação analítica e comparativa das culturas religiosas.

Esses dois teóricos se utilizaram da abordagem religiosa para consolidar

suas posturas e suposições.

O cientista Carl Jung, que se destacou por articular o pensamento

antropológico-religioso e psicológico-religioso – aliado com a filosofia, sociologia,

teologia, entre outras áreas do conhecimento – contribuiu, para a compreensão da

religião enquanto fenômeno, afirmou:

Deus é uma experiência primordial na vida dos seres humanos e, desde

épocas imemoriais, a humanidade se entrega a um esforço inaudito para

expressar e explicar, de algum modo, essa experiência inefável, a fim de

integrá-la à sua vida, mediante a interpretação e o dogma [

2007, p. 40.

]. (OLIVEIRA,

Jung afirmava acreditar em Deus e tinha pensamentos fundamentados na

psicologia ocidental, concebendo o espírito como uma função da psique.

18

Para muitos estudiosos a dimensão religiosa é um caminho para se

penetrar no sentido mais profundo da existência humana possibilitando

organizações de idéias e práticas, e nesse sentido, considerando o conhecimento

religioso como patrimônio da humanidade torna-se relevante considerá-lo na sua

forma institucionalizada como um conhecimento escolar, o que para Costella (2004,

p.104):

] [

universo da cultura, ao integral acontecimento do pensamento e da ação do

não pode prescindir da sua vocação de realidade institucional aberta ao

homem: a experiência religiosa faz parte desse acontecimento, com os fatos

e sinais que expressam o fato religioso, como todos os fatos humanos,

pertencem ao universo da cultura e, portanto, tem uma relevância em sede

cognitiva.

Em um documento da Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Rio

de Janeiro, elaborado no final da década de 70, encontra-se a seguinte citação: “A

Educação Religiosa é um grande fator de liberação e de humanização dos

educandos, pois contribui essencialmente para a compreensão do mundo e da vida

à luz da fé” (SEEDUC RJ, [s/d], p.15 apud LINS, 2006, não paginado), nesse

sentido, entende-se que para que ocorra o desenvolvimento total na formação de um

indivíduo, que é o agente na construção do seu conhecimento, vale a existência da

religião na forma institucionalizada de Ensino Religioso, exatamente porque,

conforme autores da psicologia infantil e da adolescência como Erikson

7 e Giussani 8 ,

o ER é fator presente no desenvolvimento integral da pessoa, não podendo ser

descartado.

A religião, além de ser um fato integrante da formação plena da pessoa,

estabelece ainda esta ligação com o ser divino, criador, de tal modo que as coisas

passam a ser entendidas numa perspectiva que perpassa o subjetivo para o

objetivo. A experiência religiosa se faz necessária, tanto do ponto de vista espiritual

como do cognitivo, afetivo, social e moral, para que uma criança se desenvolva, é o

que apontam pesquisas que analisaram escolas religiosas e não-religiosas,

destacando-se a discussão apresentada por McKinney (2006 apud LINS, 2006).

7 Erik Homburger Erikson (Frankfurt, 15 de junho de 1902 — Harwich, 12 de maio de 1994) foi um

psiquiatra responsável pelo desenvolvimento da Teoria do Desenvolvimento Psicosocial na Psicologia

e um dos teóricos da Psicologia do desenvolvimento.

Luigi Giovanni Giussani (Desio, 15 de outubro de 1922 — Milão, 22 de fevereiro de 2005), foi um

padre católico, educador e intelectual italiano; autor de numerosos ensaios que foram traduzidos em

diversas línguas.

8

19

A partir do prisma da filosofia religiosa, Penna (1999, p.27) faz o seguinte

comentário:

Sobre os efeitos produzidos pela presença da religiosidade na cultura e no

próprio indivíduo, tanto os apontam os que operam no estrito domínio da

filosofia da religião como os que se situam nas áreas da psicologia, da

sociologia e de outras ciências sociais. Não custa recordar o registro, em

espaço anterior, da função integradora especialmente realçada pelos

sociólogos, bem como, num plano estritamente ético, a célebre advertência

de Dostoievski quando apontou para o fato de que “se Deus não existe,

então tudo se torna permitido”, conseqüência terrível, dado que, se tudo é

permitido, a convivência humana se tornará impossível.

Assim, se a religião for compreendida como elemento da cultura, será

possível percebê-la necessária na formação de alunos da educação básica, já que a

educação está inserida na cultura.

A aspiração religiosa inerente ao homem permite um aperfeiçoamento

que ultrapassa os limites do cognitivo para alcançar o campo da moralidade, do

emocional e fundamentalmente do seu relacionamento consigo mesmo a partir da

sua relação com o Sagrado e as possibilidades positivas que esse relacionamento

favorece.

Assim compreendido, o conhecimento religioso sistematizado torna-se

objeto de uma reflexão crítica de uma dimensão universal da natureza humana que

é a religiosidade, devendo ser compreendida com compromisso histórico diante da

vida e do transcendente, objetivando contribuir para o estabelecimento de novas

relações do ser humano consigo mesmo e com o Outro a partir do progresso da

ciência e da técnica.

Entretanto, a configuração do ER passou durante séculos por inúmeros

percalços quanto à sua natureza e forma de existir no cenário educacional brasileiro

como transmissão de religião, ou de uma religião – o que gerou uma compreensão

e

aceitação equivocadas pela forma inicial como se apresentou e como continuou a

ser figurada na educação, como será abordado no capítulo a seguir.

20

3 TRAJETÓRIA DO ENSINO RELIGIOSO NO BRASIL

O percurso do Ensino Religioso [

muito acidentada, que perpassa inúmeros debates institucionais e legais

tanto para a construção da legislação quanto para a aplicação do que foi

decidido. Cada palavra dos decretos ou leis sempre esteve envolvida pela

disputa entre Estado e instituições religiosas. (OLIVEIRA, 2007, p. 49).

tem uma história longa e certamente

]

Durante séculos, a história do Ensino Religioso no Brasil foi marcada por

um caráter confessional vinculado a interesses de um determinado grupo

hegemônico, onde essa disciplina era diretamente influenciada por ideologias e

concepções filosóficas que foram sustentadas pela própria que Igreja da situação

durante os séculos inicias da educação no Brasil gerando, assim, uma série de

entraves em relação a responsabilidade do Estado referente ao próprio ER, bem

como inúmeras polêmicas sobre o que, o por que e como deve, de fato, se dar o

Ensino Religioso.

Para Leite e Praça (1995):

Um resgate histórico do Ensino Religioso no Brasil, possibilita-nos uma

visão dos elementos constituintes do processo. Tais elementos são objetos

de reflexão na tentativa de se buscar novas concepções para prática

pedagógica do profissional de educação na referida área. Diante deste

despertar da religiosidade no Brasil e no mundo, é fundamental o despertar

de consciência no que diz respeito à história de nossa prática.

Desde os primórdios da história brasileira percebe-se que o Ensino

Religioso está profundamente ligado a própria história da educação no Brasil, e

Saviani (2002, p. 67) aponta, em uma análise sobre a trajetória do ER, uma ligação

“de ponta a ponta na história da educação brasileira”, onde segundo ele, teve suas

origens em uma “simbiose entre educação e catequese materializada na obra dos

jesuítas”.

Dessa forma, torna-se imprescindível fazer uma abordagem de todo o

contexto que cerca o ER, envolvendo toda a conjuntura política, social e

educacional, para que dessa forma seja possível situar-se em relação a identidade,

papel e conseqüências desse componente curricular cercado de tantas polêmicas e

que propõe hoje uma ação religiosa coerente no âmbito escolar, diferente do modo

21

como ele foi tratado durante séculos – como um elemento eclesial dentro do

contexto escolar – como afirma Junqueira (2002, não paginado):

A história do ensino religioso antecede as discussões brasileiras e este

componente curricular é o resultado de longas disputas na política

educacional internacional. Desde a sua origem foi, na realidade, um

instrumento para interferir na formação de idéias da população. Discutir o

ensino religioso ainda é algo estranho, pois permanecem os que insistem

em considerá-lo como um processo para educar na religião.

3.1 O Ensino Religioso no Período Colonial

Com a chegada dos colonizadores europeus ao Brasil, houve a

necessidade de implantar ‘novos conceitos’ aos nativos, sendo que esses novos

conhecimentos se deram através da educação; educação essa que se tornou

responsabilidade da Igreja através dos jesuítas, marcando a fase da educação sob

motivo religioso, parceria esta firmada entre o Estado e a Igreja.

O Ensino Religioso no Brasil colonial tinha um caráter de imposição em

relação ao próprio conteúdo doutrinário, com o objetivo de “não fugir do esquema

europeu, fiel às normas do Concílio de Trento, a salvaguardar as verdades

fundamentais da fé católica” (FIGUEIREDO, 1995, p.59):

O projeto colonizador inclui a conquista dos gentios à fé católica, além da

atenção especial aos escravos. Estes terão na religião dos brancos as

formas propícias para se manterem no Estado de submissão e docilidade

favoráveis aos objetivos da metrópole. (LUSTOSA, 1992, p.20)

Dessa forma o início do Ensino Religioso é marcado por um contexto de

busca pelos próprios interesses por parte do ‘educador’ (colonizador), onde seus

olhos estavam “demasiadamente dilatados pela cobiça” (MOOG, 1974, apud

CAIRNS, 1995) e não preocupados com seus educandos, é que nasce não somente

uma educação repleta de objetivos, métodos e provavelmente até conteúdos de

ensino equivocados, mas, um sistema de educação defeituoso que rasteja por

séculos até os nossos dias.

O Ensino Religioso toma, então, posição central na educação escolar

brasileira, onde jesuítas, franciscanos e beneditinos têm lugar de destaque nessa

fase; marcando culturalmente, social e politicamente a educação religiosa brasileira.

22

No que diz respeito à metodologia de ensino utilizada pelos

catequizadores, não havia uma preocupação em levar os educandos a utilizarem o

saber adquirido de forma crítica a fim de associar as práticas ao dia-a-dia; o

aprendiz não era levado a meditar e assimilar o conteúdo, pois, o método utilizado

primava pela memorização antes da assimilação (FIGUEIREDO, 1995), basicamente

com a exposição de perguntas e respostas, o que resultou em uma ‘adoção’

irrefletida de costumes europeus, tornando o nativo frágil, vulnerável do ponto de

vista político, social, econômico e histórico.

A partir da segunda metade do século XVIII, inicia-se a Reforma

Pombalina e mais especificamente no ano de 1759 os jesuítas são expulsos do

Brasil exatamente pelos conflitos ideológicos, políticos e econômicos que surgiram

entre a Igreja e o Estado, marcando essa fase por uma extrema desorganização do

modelo educacional e a influência do racionalismo iluminista no cenário educacional.

nas escolas em que o trivial consiste no ‘aprender a ler e

escrever’, o texto do catecismo é tomado como cartilha para o ensino da língua”

(FIGUEIREDO, 1995, p. 60), o Ensino Religioso continuou sob responsabilidade da

religião católica, aos índios, escravos e subalternos.

Entretanto, “[

]

3.2 O Ensino Religioso no Império (Monarquia Constitucional)

A fase da Monarquia Constitucional é marcada por muitos fatos

marcantes. Durante essa fase, a família real chega ao Brasil e esse fato promove

grandes mudanças, a partir disso, Reino Unido, principalmente na educação.

Porém, o Ensino Religioso continua subjugado ao protecionismo da

metrópole, devido ao regime regalista do Padroado que se manteve impregnando as

ideologias do próprio Estado na educação religiosa, respaldado pela Carta Magna

de 1824, em seu artigo 5º, que declara Religião Católica Apostólica Romana, como a

religião oficial do Império; o que concorreu para o “fortalecimento da dependência ao

poder político por parte da Igreja” (FONAPER, 2004, p. 13) e da acentuação da

23

O Ensino Religioso, em conseqüência da Constituição do Império, continua

sob o protecionismo do Estado, tendo à frente um Imperador que jura

manter a Religião Católica Apostólica Romana, oficialmente. Assim, o

regalismo chega ao seu apogeu, fazendo evoluir o processo de

dependência e subordinação da Religião ao Estado.

Essa primeira fase do Ensino Religioso no Império é, assim, marcada por

uma prática proselitista exacerbada devido à dependência da igreja em relação ao

Estado, tornando ambas, uma força política de grande influência (direta) na vida da

população.

É inegável, porém, que nesse período houve uma certa melhora na

qualidade da educação (mais especificamente no Rio de Janeiro), mas isso se deve

à ‘mega estrutura’ montada para receber a Coroa Portuguesa.

A fundação da primeira escola pública do Brasil, o colégio D. Pedro II e a

criação de uma série de escolas religiosas possibilitam, porém, a disseminação mais

maciça do Ensino Religioso em instituições formais de ensino.

Já na segunda fase da Monarquia, no Segundo Reinado, o cenário do ER

é marcado pelo enfraquecimento das relações entre Igreja e Império, o que

possibilita novos avanços em relação a essa disciplina, possibilitando a abertura

para o conhecimento religioso de uma forma mais abrangente através da própria

abertura que ocorreu a partir de 1810 “com, no território, em consequência do

Tratado com a Inglaterra para a efetivação de interesses comerciais (FIGUEIREDO,

1995 p. 63).

Com a entrada dos protestantes no país ocorre um despertar e interesse

da população pela leitura da Bíblia, principalmente na região sul. Outro grande

instrumento para a disseminação do ER no Brasil nesse período foi a Escola Bíblica

Dominical, trazida primeiramente por protestantes suíços para o Rio de Janeiro.

Além disso, outro fator agravante “é a influência política da maçonaria que

começou a ser organizada em âmbito nacional e que influencia diretamente a

política educacional nortear até mesmo setores políticos na transmissão de idéias de

distinção entre a catequese – que deveria se configurar como tarefa da família e da

igreja – e a instrução religiosa é deveria ser realizada de forma complementar na

escola, por fazer parte do ensino global.

24

Os equívocos em relação ao que é próprio da escola e o que é da

competência da comunidade de fé ou Igrejas são evidentes. Há contínuas

queixas no sentido de que os párocos descuidam o dever da educação

religiosa, deixando as para as escolas. Por outro lado, é parte do programa

de reforma do Clero insistir no papel da formação religiosa da juventude. Na

prática, o Ensino Religioso é compreendido e tratado como catequese, é

ainda considerado como um componente curricular e se efetiva através do

uso de manuais de catecismo nos padrões tridentinos, em se tratando da

seleção de conteúdos em vista de uma fiel ortodoxia. As formulações da fé

católica privilegiam a tradição romana. (BRAGA, 2001, p. 25).

No que se refere a leis específicas, a primeira vez em que foram

manifestas questões relativas ao Ensino Religioso foi em 15/10/1827, não de forma

direta, mas no nas entrelinhas de uma lei relativa a educação escolar, onde essa lei

determinava a criação de "escolas de primeiras letras” em todas as cidades, vilas e

lugares mais populosos do Império e especificamente no artigo 6º citava que o

currículo das aulas a ser ministrado às crianças, deveria incluir princípios de moral

cristã e de doutrina católica

3.3 O Ensino Religioso na República

Com a chegada dessa nova fase política no Brasil as mudanças entre as

ligações entre Igreja e Estado foram abruptas; e Rui Barbosa, jurista e figura

influente no cenário educacional brasileiro, profundamente direcionado pelo

positivismo, propõe na elaboração da Carta Magna a laicização do Estado como

afirma Beozzo (1986, p. 281):

O decreto 119-A do Governo Republicano Provisório (17/01/1890) abole o

Padroado e estabelece a separação Igreja e Estado. O Episcopado

brasileiro reage com a Carta Pastoral coletiva de 19/03/1890 destacando as

vantagens para a Igreja contidas no Decreto 119-A. Mas a constituição de

1891, ao abordar a questão do Ensino Escolar, criando as competências

para os Estados e para o Governo Central, diz em seu artigo 72 parágrafo

6º: “será leigo o ensino ministrado nos estabelecimentos públicos”. Esta

clausula provoca inúmeros debates e posicionamentos em defesa da

liberdade do ensino, da liberdade de consciência, da liberdade religiosa, e

da igualdade de direitos. Multiplicam-se os argumentos a favor e contra

“laicização do ensino público”.

25

O padroado, que durante 400 anos, manteve-se como sustentáculo

político do ER é extinto pelo então decreto 119-A e o lugar do o Ensino Religioso é

alvo novamente de uma série de discussões referentes a compreender e definir seu

lugar nas escolas públicas.

De um lado, as idéias positivistas que alegavam que a religião na escola

pública contrariava o princípio de liberdade religiosa – o que de fato ocorria se

formos considerar o monopólio da Igreja Católica sobre a referida disciplina –, e do

outro, a Igreja Católica que defendia que a liberdade não está relacionada à

neutralidade, no sentido de que a escola leiga não deveria ser necessariamente

materialista.

Todavia, como afirma Saviani (2002, p. 67): “a igreja católica, entretanto,

não se conformou com essa situação e procurou organizar-se, tendo em vista a

reintrodução do ensino religioso nas escolas.

Começa, então, uma fase de extremos debates na história do Ensino

Religioso no Brasil, devido à interpretação dada ao único dispositivo da primeira

Constituição da República a orientar a educação brasileira que determinava que

“será leigo o ensino ministrado nos estabelecimentos oficiais de ensino

(Constituição, Decreto 119 “A”, de 07 de janeiro de 1890 apud PCN, 2005), a Igreja

Católica começa a implantar em todo o país “escolas paroquiais, escolas primárias,

colégios católicos, onde o Ensino Religioso é trabalhado de forma a desafiar a nova

situação” (LOPES, 2004), que baseada nas idéias positivistas, alegam que a religião

na escola contesta o princípio de liberdade religiosa assegurado na Constituição.

Entretanto, e sob tantas discussões, a Constituição de 16 de julho de

1934, decreta a obrigatoriedade do ER às instituições de ensino da rede oficial,

sendo facultativa a matrícula dos alunos, o que foi considerado um marco nas

concepções do ER no Brasil e se mantendo nas Constituições até a de 1988:

O ensino religioso será de matrícula facultativa e ministrado de acordo com

os princípios da confissão religiosa do aluno, manifestada pelos pais e

responsáveis, e constituirá matéria dos horários nas escolas públicas

primárias, secundárias, profissionais e normais. (BRASIL, 1934, Art. 153).

Porém, e mesmo com a forma da lei apresentada Figueiredo (1995, p. 65)

afirma que na prática o ER não contemplou muitas mudanças, principalmente

metodológicas:

26

], [

escolas, até mesmo da rede pública, com exceção de determinados

estabelecimentos que adotam a leitura das Sagradas Escrituras ou o estudo

porém, o método da doutrinação continuou a ser aplicado em muitas

da História Sagrada.

Em 1937, no Estado Novo, sob a Reforma Francisco Campo o Ensino

Religioso perde seu caráter de obrigatoriedade. Com essas lutas, em defesa do

espaço do ER na escola pública, o segmento católico não poupa esforços em uma

renovação na prática pedagógica dessa disciplina e começa a preocupar-se “com a

qualificação de recursos humanos, seleção e adoção de novos métodos e o

emprego de recursos didáticos mais flexíveis” (FIGUEIREDO, 1995, p. 69), mas

mesmo assim, o ER continua sendo visto como catecismo escolar.

Com a Constituição de 1946, a luta entre pioneiros da educação nova e

católicos são retomadas de forma acirrada:

Os religiosos católicos assumem o debate retomando o argumento de que a

escola leiga não educa apenas instrui. Opondo-se a um pretenso

monopólio, já que este nunca teve condição de assumir a educação de

fato.O que está sendo criticado pelos católicos é, aparentemente, o velho

tema republicano da laicidade do ensino. (ARANHA, 1989. p. 204).

E do outro lado os liberais contra-atacavam, como cita Neskier (1989, p.

335):

A doutrina contida nas encíclicas, segundo os defensores do ensino leigo,

estava influenciando demais os defensores do ensino religioso. Daí o

contra-ataque: deveria o Brasil seguir as orientações das encíclicas papais

ou fazer o que regia a Constituição? Teriam força de lei as encíclicas?

Anísio Teixeira assim se manifestou: Em sociedade democrática, fundada

na igualdade e na livre informação, não é possível a subordinação

hierárquica que o sistema de controle das escolas pelas famílias exigiria.

Esse sistema, com efeito, imporia o controle confessional, delegando as

famílias à sua Igreja o controle da educação

Nas décadas de 50 e 60, o ER passa a ser composto por novos

elementos pedagógicos que, por mais que demonstrassem seguir uma prática

escolar mais holística, ainda estava carregada da linguagem eclesial. Porém,

maiores critérios foram utilizados na estruturação dessa disciplina, tais como: planos

de aula como nas demais disciplinas; linguagem mais acessível aos alunos; clareza

nos métodos pedagógicos; valorização, introdução e aplicação de recursos e

procedimentos didáticos.

No período da Terceira República, surge, após muitos debates, a Lei de

Diretrizes e Bases da Educação Nacional 4024/61 a partir de dois Projetos de Lei:

de “Clemente Mariani” e o “Substitutivo Lacerda”, que regulamenta o referente à

27

Educação e Cultura na Constituição de 1946 e as inúmeras iniciativas que a partir de

1945 visavam a modernização do ensino do Brasil e especificamente ao ER:

O Ensino Religioso é regulamentado na LDB 4024/61, com as seguintes

orientações:

a)

O Ensino Religioso constitui disciplina dos horários das escolas oficiais;

b)

De acordo com a confissão religiosa do aluno, manifestada por ele, se

for

capaz, ou pelo seu representante legal ou responsável;

c)

É de matrícula facultativa;

d)

Será sem ônus para os poderes públicos;

e)

A formação de classes para o Ensino Religioso independente de número

mínimo de alunos;

f) O registro dos professores de Ensino Religioso será realizado perante a

autoridade religiosa respectiva. (NERY, 1993, p.13).

Até o final da década de 60 e início dos anos 70, embora houvesse

destaque para uma renovação da prática do ER, a disciplina continua a ser vista

como elemento eclesial, até mesmo devido a luta de poderes entre a

monopolizadora histórica da disciplina e o Estado, na formulação e prática do Ensino

Religioso, como aponta Figueiredo (1995, p. 82):

Em nenhum momento é ventilada a idéia da possibilidade de uma prática

ecumênica, em se tratando do Ensino Religioso nas escolas da rede estatal.

Pelo contrário, até o final desse período, os termos “catequese escolar”,

“religião na escola” e até mesmo “catecismo na escola” são naturalmente

empregados. Os programas de Ensino Religioso publicados, oficialmente,

por algumas Secretarias Estaduais de Educação, são elaborados por

equipes de catequese, ligadas aos Secretariados Diocesanos de

Catequese, instalados nas capitais dos respectivos Estados.

Em 1971, com a promulgação da Lei 5692/71 (Lei de Diretrizes e Bases

para o Ensino de 1º e 2º graus), o Ensino Religioso foi inserido nos horários

regulares como componente das áreas de Moral e Cívica, Artes e Educação Física,

como objeto de direcionamento para o civismo e a moral de acordo com as

indicações (ou imposições) do militarismo da época; e recebe destaque exatamente

por a partir daquele momento estar sob a competência do Conselho Federal de

Educação, por fazer parte do núcleo comum.

Mesmo com a integração oficial do ER junto ao sistema educacional, na

prática, ficou à margem dele permanecendo como “apêndice da conjuntura escolar,

discriminado, questionado, embaraçado e até considerado uma pedra de tropeço na

infra-estrutura do sistema (FIGUEIREDO, 1995, p. 103).

28

3.3.1 Novas Tendências: O Ensino Religioso na Constituição de 1988

Em 1985, no início do processo constituinte, o tema Ensino Religioso trás

à tona mais uma vez discussões a respeito da real necessidade e valor desta

disciplina, desencadeando uma mobilização em prol da reformulação do ER no

Brasil. Por um lado aqueles que se opunham à inclusão desta disciplina como parte

do sistema escolar, e de outro, aqueles que consideravam o Ensino Religioso como

um instrumento curricular necessário à formação integral dos alunos, defendendo

mudanças conceituais e práticas da disciplina.

Em 1988, através do artigo 210, parágrafo 12 do Capítulo III da Ordem

Social, o Ensino religioso foi garantido por Lei na Constituição Federal nos seguintes

termos: “O Ensino Religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos

horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”.

Nota-se que com essa nova redação o Ensino Religioso ficou limitado ao

Ensino Fundamental, estando a Educação Infantil e o Ensino Médio fora das

obrigações do Estado quanto à disciplina e anulando conquistas de constituições

anteriores e principalmente na Lei de Diretrizes e Bases Nacionais 5.692/71, que

incluía o antigo 2º grau, hoje Ensino Médio.

É importante ressaltar que a regulamentação sobre o Ensino Religioso da

Constituição de 1988, teve a participação de vários projetos gestados por quatro

instâncias: professores (as), coordenações estaduais, entidades confessionais e por

decretos federais, permitindo assim, que a partir desse momento o ER deixasse de

ser concebido, de fato e de verdade, como objeto de responsabilidade da Igreja para

de fato ser assumido pelos próprios educadores.

Contudo, a partir de então, pairou uma grande dificuldade em reconhecer

a identidade do ER e, por conseguinte a forma metodológica adequada a sua

consolidação no universo escolar, em conseqüência da forma em que o Ensino

Religioso estava assegurado na Constituição de 1988.

Logo após a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil,

em 1988, foi lançado o primeiro projeto de regulamentação do Capítulo da

Educação, ou seja, o da elaboração de uma Nova Lei de Diretrizes e Bases

da Educação, da autoria do Deputado Otávio Elísio Alves de Brito (PMDB

MG), passando depois por muitas modificações. Recebeu mais de 1.260

emendas incorporadas pelo relator Deputado Jorge Hage (PMDB-BA). Este

projeto, de N°1.258C/88, foi o que obteve a maior participação da sociedade,

principalmente da parte dos profissionais da educação. É sucedido pelo

substitutivo da relatora Deputada Ângela Regina Heinzen Amin (PDS-SC).

29

Em 13 de maio de 1993, o projeto foi encaminhado ao senado,tendo como

relator o Senador Cid Sabóia, recebendo N° 101/93 e aprovação pela

comissão de Constituição e Justiça, em 20 de novembro de 1994. Na

legislatura de 1995 o Senador Darcy Ribeiro (PDT-RJ), indicado como novo

relator, apresentou outro projeto, de sua autoria, que passou a tramitar no

Congresso Nacional, de forma paralela ao da Câmara. Este último vinha

circulando, desde 1992, com amplo envolvimento da sociedade.

Tal projeto foi subscrito pelos Senadores Maurício Correa (PDT-DF) e Marco

Maciel (PFL-PE), no Senado Federal, sendo aprovado em fevereiro de 1996,

designado como "Substitutivo do Senador Darcy Ribeiro”. O projeto N°

1.258C/88 (Jorge Hage/ Ângela Amin), tendo sido preterido ao do Senado,

fez com que o Substitutivo do Senador Darcy Ribeiro fosse apresentado à

Câmara. Nesta, recebeu como relator o Deputado José Jorge (PFL-PE), que

conseguiu sua aprovação, em 17 de novembro de 1996, com 349 votos a

favor, 73 contra, 4 abstenções.

Ao término do ano letivo, sem tempo hábil de a sociedade tomar

conhecimento, ou seja, em 20 de dezembro de 1996, o Senhor Presidente da

República, Fernando Henrique Cardoso, sancionou a LDB sob o N° 9.394,

publicada no Diário Oficial da União, do dia 23/12/96, divulgada como "Lei

Darcy Ribeiro. (CARON, 1998, p. 18).

9 , uma organização voluntária

composta por membros das mais variadas religiões (professores, estudiosos,

pesquisadores de ER), com o objetivo de discutir a natureza e a finalidade do Ensino

Religioso no Brasil.

O fórum teve como principais objetivos garantir o Ensino Religioso na

LDB de 1996 e, também, a produção e publicação dos Parâmetros Curriculares

Nacionais para o Ensino Religioso (PCNER), o que veio ocorrer em 1997

demarcando as diretrizes fundamentais desta disciplina, direcionando o seu estudo

em seus aspectos filosóficos, sociológicos, históricos e psicológicos, ou seja, a

religiosidade em sua diversidade de formas e manifestações – de forma

interconfessional.

Nessa nova perspectiva, o ER deixa de ser entendido como estudo de

uma religião e obriga o Estado a administrar de fato a educação integral por se

responsabilizar, também, pela dimensão religiosa de seus cidadãos.

Assim, o Ensino Religioso volta a ser objeto de discussão, sua marca

registrada no cenário educacional brasileiro, e alvo de novas polêmicas em relação

aos setores contrários à permanência ou inclusão no sistema escolar e referente aos

argumentos e propostas em vista de sua permanência no currículo.

Em 1995, é constituído o FONAPER

9 Fórum Nacional Permanente para o Ensino Religioso.

30

3.3.2 O Ensino Religioso após a Lei 9394/96 (LDBEN)

10 , que inicialmente

11 e nem a Igreja Católica – a instituição religiosa,

que como foi citado anteriormente, historicamente mais lutou com o Estado pelo

monopólio da disciplina no Brasil – que estabelecia em seu artigo 33 o Ensino

Religioso como disciplina obrigatória no ensino fundamental das escolas públicas,

porém, não haveria remuneração do Estado aos professores dessa disciplina: “O

ensino religioso, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais

das escolas públicas de ensino fundamental, sendo oferecido, sem ônus para os

cofres públicos”.

O “lobby” (SAVIANI, 2002, p. 67) dos representantes religiosos contra

essa isenção de responsabilidade financeira do Estado foi intensivo e, então, em 22

de julho de 1997 foi sancionado o substitutivo Nº. 9475 do artigo 33, de autoria do

deputado padre Roque Zimmerman, que removeu o impedimento dos professores

de ensino religioso fossem remunerados com recursos públicos:

não agradou nem ao FONAPER

Em dezembro 1996, é sancionada a Lei Darcy Ribeiro

Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da

formação básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das

escolas públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à

diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de

proselitismo. (Redação dada pela Lei nº 9.475, de 22.7.1997).

§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os procedimentos para a

definição dos conteúdos do ensino religioso e estabelecerão as normas

para a habilitação e admissão dos professores.

§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas

diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do

ensino religioso.(

1 LEI Nº 9.394, 1996, art. )

Essa mudança é vista como um marco essencial na legislação,

primeiramente porquê o ER começa a ser tratado com disciplina integrante da

formação do cidadão e deixar explícito o respeito à pluralidade existente no Brasil, o

respeito às diferenças culturais e religiosas que compõem a sociedade brasileira

como um todo.

Embora para alguns legisladores e autores o Ensino Religioso nas escolas

ainda seja visto como forma de manipulação religiosa e não como área do

10 Sancionada em 20 de dezembro de 1996 a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Nº

9394/96.

11 Ver Glossário, p.66.

31

conhecimento, a abertura dada pela LDB foi um avanço quanto às discussões sobre

a inclusão e forma de ministrar essa disciplina, bem como os benefícios que ela

pode trazer para o desenvolvimento das crianças quando bem trabalhada em sala

de aula.

Já para Dickie e Lui (2007, p. 240):

A relação estabelecida pela lei entre a responsabilidade do Estado, o não

proselitismo e a existência de uma entidade civil que atue como consultora

sobre os conteúdos é, ao mesmo tempo, o substantivo que legitima o

ensino religioso e problematiza sua realização. Realização essa dependente

da interpretação da lei que vai obedecer a um jogo de poder entre o Estado

e “a religião”, esta última assumindo diferentes configurações nos dois

estados que são o foco deste trabalho. É importante assinalar que o

Fonaper estimulou a criação, nos diferentes estados, de Conselhos para o

Ensino Religioso (Coner), que assumiram ser a “entidade civil” considerada

pela lei como assessora das Secretarias de Educação para os conteúdos do

ensino religioso.

Mas, torna-se necessário destacar e compreender um pouco mais as

indicações da lei para o ER a partir da nova LDB. Far-se-á algumas considerações

consideradas relevantes:

I.O ER é facultado ao aluno, mas seu oferecimento é obrigatório no

ensino fundamental das escolas públicas (federal, estadual e municipal);

II. No § 2º, alguns autores, como Brandão (2005, p. 91), questionam e até

afirmam não existir uma “entidade civil, constituída pelas diferentes

denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino

religioso”, entretanto o FONAPER

12 é atualmente o responsável por

questões pertinentes ao ER.

Em 1998, com a Resolução 02/98

13 , por meio de discussões entre

professores e o Conselho Nacional de Educação, o ER recebeu de fato o conceito

de área do conhecimento.

O ER finalmente recebe o respaldo da lei de ser um instrumento essencial

para a formação saudável do cidadão, porém ao designar responsabilidades às

instituições formais de ensino em definir os seus conteúdos de ER abre margem

para observações positivas e negativas.

Positivas, porque o Estado Maior não interfere diretamente na formulação

e utilização de conteúdos ministrados, dando liberdade aos Conselhos Estaduais de

Educação de definirem o que ensinar de acordo com a realidade de cada Unidade, o

12 Fórum Permanente do Ensino Religioso.

13 Ver: Anexo A, p. 72.

32

que pode ser benéfico a partir de uma pesquisa prévia e apurada das reais

necessidades dos alunos de determinada localidade. E negativa, do ponto de vista

que os conteúdos programáticos das demais disciplinas seguem a linha definida

previamente pelo MEC, dando a sensação que o ER como disciplina integrante do

currículo nacional fica desprotegido, em relação às demais disciplinas, podendo dar

espaço a muitos equívocos quanto à elaboração de conteúdos.

Após mais de uma década de promulgação da nova redação ao artigo 33

nota-se uma lacuna de ordem política, epistemológica e pedagógica na instituição e

implementação da disciplina. Uma série de discussões polêmicas ainda envolve o

ER causando confusão e preconceito, devido ainda, a lutas de poder em relação à

disciplina por parte de determinadas denominações religiosas, como é o caso do

acordo entre o Vaticano e o governo brasileiro que tramita na Câmara e vem

causando rejeição até de algumas alas da própria Igreja Católica Romana e críticas

de especialistas, por considerar que o acordo fere dois princípios constitucionais: o

da laicidade [separação entre Estado e Igreja] e o da isonomia

ensino religioso a uma determinada religião, por determinar o seguinte:

A República Federativa do Brasil, em observância ao direito de liberdade

14 , privilegiando o

religiosa, da diversidade cultural e da pluralidade confessional do País,

respeita a importância do ensino religioso em vista da formação integral da

pessoa.

§1º. O ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de

matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas

públicas de ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade

cultural religiosa do Brasil, em conformidade com a Constituição e as outras

,

leis vigentes, sem qualquer forma de discriminação. (GUIMARÃES NETO

2009, não paginado).

15

Para uma parte da banca parlamentar e para a Coordenadoria de Ensino

Fundamental do MEC, o emprego da expressão "católico e de outras confissões

religiosas" pode abrir espaço para discriminação na rede pública de ensino.

O fato é que as discussões que circundaram o ER no Brasil desde os

primeiros anos de vida da educação brasileira, parecem estar longe de se extinguir,

o que acaba por desviar o foco do sentido real da disciplina para a formação integral

dos alunos do ensino fundamental.

14 Ver Glossário, p. 67.

15 Secretário-geral do Itamaraty, até 20 de outubro de 2009. Posteriormente, designado como

ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência.

33

4 O ENSINO RELIGIOSO NA ESCOLA PÚBLICA: SEU LUGAR NA FORMAÇÃO

DE ALUNOS DAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL

Como citado no capítulo anterior, a partir da Lei 9475/97, o Ensino

Religioso perde seu caráter confessional, para se tornar inter-religioso, pluralista,

democrático assim como se configura o espaço escolar.

Nesse sentido, abrem-se portas para que o educando elabore seu próprio

processo de construção da espiritualidade, contemplando os fundamentos de

alteridade

que é o ambiente escolar.

16 , solidariedade e cooperação dentro do espaço formador e transformador

Sobre o significado da escola, Luckesi (1994, p. 164-165) nos diz:

A escola é uma instância de luta pela transformação da sociedade. Com

isso, estamos entendendo que a escola é um lugar onde, também, se dão

as contradições sociais que ocorrem na sociedade em que ela está situada

e, por isso, ela participa dos processos sociais.

A escola é o espaço igualitário para a institucionalização da educação,

sendo encarregada de transmitir “os conhecimentos elaborados pela história dos

homens” (PIMENTA, 2005, p. 172), como é afirmado por Figueiredo (1995, p. 34):

A Escola, como lugar privilegiado de educação, está chamada a optar por

um projeto educativo que facilite a efetivação da síntese do dinamismo da

vida com as potências do ser humano, sem perder de vista o sujeito de todo

o processo, a buscar, aí, meios qualificados à sua realização, do seu “vir a

ser”.

Ao ser considerado o sentido do termo público, nota-se que ele está

relacionado à bem comum, assim, entende-se que na esfera pública há o

reconhecimento de que indivíduos privados têm seus interesses materiais e

espirituais respeitados, o que é delineado por Pimenta (2005).

Ou seja, a escola pública é o espaço que abraça todas as dimensões

humanas no sentido de encaminhar o educando em uma identidade própria, seja ela

no aspecto material, cognitivo ou espiritual.

Assim, e considerando que o Ensino Religioso é uma variável dentro das

contradições sociais, não se pode negar que a escola, que é um espaço onde essas

contradições e diferenças se encontram e buscam coexistir de forma totalizada, é

16 Ver Glossário, p. 66.

34

um espaço ideal para que a formação também do aspecto espiritual do cidadão seja

estruturado, assim como as demais áreas do desenvolvimento humano, pois, como

se afirma nos PCNER (2007, p.22): “O conhecimento religioso é um conhecimento

disponível, por isso, a Escola não pode recusar-se a socializá-lo”.

O valor do Ensino Religioso como uma oportunidade para a formação da

consciência crítica dos alunos diante da sociedade, bem como a sua contribuição

frente aos desafios da modernidade e da pós-modernidade no processo de

reconhecimento de que o eu, sem o outro, não evolui e só no desenvolvimento e

fortalecimento relacional do “nós” é que se dá a construção da sociedade, na

tentativa de vincular os valores e a prática do mesmo em favor do bem estar social,

é na escola que vai refletir-se com maior intensidade, exatamente por não haver

prioridades a uma doutrina, mas ao fenômeno religioso como instrumento formador.

A Pós-Modernidade é marcada por princípios básicos visualizados

claramente, que são o de valorizar o presente e o aparente, onde a tarefa educativa

é desafiante, pois, se faz necessário educar nesse ambiente, onde se relativizou o

ser, a razão e o valor, onde em uma proposta educativa é necessário propor a

verdade e os valores, não de forma impositiva, mas dialogada e democrática afim de

educar não apenas para o hoje, mas de forma positiva, comprometida e

permanente.

É nessa perspectiva que o Ensino Religioso, articulado às demais

disciplinas do contexto escolar e em respeito à forma de ser abordado de cada

aluno, contribuirá para uma visão renovada de mundo, do ser humano e de

sociedade, pois ER é uma disciplina que perpassa a dimensão dos conteúdos e

fatos e alcança a área das atitudes, por auxiliar o educando a interagir na sociedade

de forma responsável e atuante.

Ao tentar compreender o papel do Ensino Religioso na formação integral

dos educandos do ensino fundamental, entende-se que o desenvolver pedagógico

desse componente está vinculado a propiciar subsídios para que o aluno elabore o

seu próprio processo de construção de espiritualidade de forma ética,

fundamentados na busca do saber e na necessidade de transcendência.

No ato de considerar os elementos religiosos que se apresentam

historicamente como revelados e elaborados, o educando terá a possibilidade de ser

orientado na formação da sensibilidade em relação ao mistério, à resolução de

questionamentos referentes a problemas existenciais da experiência humana, como:

35

“Quem sou? De onde vim? Para onde vou?”. A escola é um lugar onde aluno pode

encontrar instrumentos que o orientem na atitude de ultrapassar contradições,

respostas isoladas e auxiliar na estruturação de suas concepções de mundo.

Assim, é necessário compreender que a função da Escola, no que se

refere à articulação do ER, difere da de uma comunidade de fé ou Instituição

religiosa, pois, seu papel está na articulação de respostas em relação às indagações

referentes ao ser alguém que busca razões de ser; de estar no mundo e sobre sua

convivência com os demais (FIGUEIREDO, 1995); nesses fundamentos é que se

direciona a questão religiosa na Escola pública.

Portanto, o vínculo essencial entre a escola e Ensino Religioso encontra-

se na democratização desse componente, o que permeará o “aprofundamento para

a autêntica cidadania” (FONAPER, 2007, p.29) por possibilitar o diálogo e a

superação de contradições entre culturas, como afirma Carneiro (2006, p.115): “O

] [

ensino religioso deve contribuir para que o aluno transite da consciência ingênua

para a consciência crítica da realidade, na busca da transformação do mundo”.

4.1.

O

ER

como

componente

curricular:

objeto,

objetivos,

metodologias, conteúdos, diretrizes, avaliação e o projeto político pedagógico

O desafio de discutir a identidade pedagógica do Ensino Religioso encontra-

se no fato de que, no decurso de sua história, ele não foi concebido como

integrante de uma área maior como a educação. Propor e discutir

características pedagógicas para esse componente curricular significa

analisá-lo e compreendê-lo segundo o conjunto de teorias e doutrinas da

educação. (OLIVEIRA, 2007, p. 99).

Ao contrário dos últimos 500 anos, onde as fontes de Ensino Religioso se

reduziam às legislações, a disciplina hoje é cercada de atenções quanto a um novo

enfoque na articulação da sua forma pedagógica, considerando concepções de

educação, escola, professor, currículos e processos de ensino-aprendizagem, sendo

que Oliveira (2007, p. 99), considera dois enfoques principais na formação dos

componentes curriculares para o ER: o enfoque social sobre os processos de

ensino-aprendizagem e a compreensão do processo de desenvolvimento na

elaboração do conhecimento.

36

Assim, destaca-se que o ER tem no conhecimento do fenômeno religioso

a base para a sua elaboração educativa pluralista que visa envolver o coletivo

escolar em um processo crítico de reflexão dos significados da dimensão religiosa,

ou seja, o intuito do ER é através da descoberta gradual do fenômeno religioso no

cotidiano escolar e social possibilitar não só informação, mas transformação.

O Ensino Religioso é um elemento do currículo, por estar alicerçado nos

princípios da cidadania, do entendimento do outro enquanto outro, da

formação integral do educando. Pois, mesmo que muitas pessoas neguem

ser religiosas, é um dado histórico que toda pessoa foi preparada para ser

religiosa, do mesmo modo que foi preparada biologicamente para falar

determinada língua, gostar disto ou daquilo, comer, existir-se de uma forma,

pois o ser religioso é um dado antropológico, cultural. No substrato de cada

cultura sempre está presente o religioso. (JUNQUEIRA; OLIVEIRA, 2006,

4.1.1Objeto

não paginado).

O objeto do Ensino Religioso é o fenômeno religioso, pois, como visto no

primeiro capítulo a religião é um fenômeno humano. Deste modo, o objeto da

disciplina envolve o mundo do sagrado, o universo religioso do ser humano, do

ponto de vista das mais variadas perspectivas e culturas humanas, compreendendo

algumas funções sociais que as tradições religiosas desempenham no individual e

no coletivo.

Ao buscar aprofundamento no fenômeno religioso, evita-se a

absolutização da experiência religiosa particular, e conseqüentemente práticas

proselitistas 17 .

4.1.2 Objetivos

É possível definir que o grande objetivo do Ensino Religioso é ajudar o

aluno a compreender, de forma positiva, como as diversas manifestações religiosas

interferem na realidade humana, levando-a para além de seus limites, valorizando o

17 Ver Glossário, p. 66.

37

pluralismo e a diversidade cultural existente no meio social e auxiliando na

“compreensão das diferentes formas de exprimir o transcendente na superação da

finitude humana” (OLIVEIRA, 2007, p. 106).

Figueiredo (1995) agrupa os objetivos do ER determinando-os a partir de

três tipos de relações: a) Em relação à Escola como ambiente de educação; b) Em

relação à família e à sociedade; c) Em relação aos educandos.

Assim, para que o objetivo macro seja alcançado, o Fonaper traçou os

objetivos gerais do Ensino Religioso para o Ensino Fundamental (FONAPER, 2004,

p.30,31):

Proporcionar o conhecimento dos elementos básicos que compõem o

fenômeno religioso, a partir das experiências religiosas percebidas no

contexto do educando;

Subsidiar o educando na formulação do questionamento existencial, em

profundidade, para dar sua resposta devidamente informado;

Analisar o papel das tradições religiosas na estruturação e manutenção

das diferentes culturas e manifestações socioculturais;

Facilitar a compreensão do significado das afirmações e verdades de fé

das tradições religiosas;

Refletir o sentido da atitude moral, como conseqüência do fenômeno

religioso e expressão da consciência e da resposta pessoal e comunitária

do ser humano;

Possibilitar esclarecimento sobre o direito à diferença na construção de

estruturas religiosas que têm na liberdade o seu valor inalienável.

Assim sendo, é possível constatar que a proposta do ER é formar e

informar o educando, tendo uma prática pautada em princípios democráticos que

visem o pleno desenvolvimento dos educandos.

4.1.3 Conteúdo e Metodologias

A partir da nova proposta efetivada para o ER na LDBEN 9394/96, foi

elaborado de forma empenhada um novo esquema de organização na orientação

38

dos processos de ensino-aprendizagem nessa disciplina, baseando-se “no

pressuposto de que o Ensino Religioso é um conhecimento humano e, enquanto tal

deve estar disponível à sociabilização” (FONAPER, 2004, p.38).

No que se refere à seleção e organização dos conteúdos do ER, a

estrutura comum é originada a partir de quatro respostas norteadoras para o sentido

da vida além morte, que são destacadas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais

do Ensino Religioso (FONAPER, 2007, p.32), e que seguem a idéia de que esta

definição, bem como suas diretrizes e propostas devem partir da consciência da

presença dessas respostas nas diversas culturas, saberes e conhecimentos:

a Ressurreição;

o Reencarnação;

o Ancestral;

o Nada.

Com base nessas respostas os Parâmetros Curriculares Nacionais do

Ensino Religioso sugerem os seguintes critérios para o conhecimento religioso:

A) Culturas e Tradições religiosas: nessa constante o estudo do fenômeno

religioso é direcionado a partir da razão, onde são analisados valores e

funções da tradição religiosa, como: “tradição e ética; teodicéia

religiosa natural e revelada” (OLIVEIRA, p.113); existência e destino do

homem nas mais variadas culturas;

B) Escrituras Sagradas: textos sagrados orais e escritos considerando

18 ; tradição

todos os escritos relacionados à propagação das mais variadas práticas

religiosas;

C) Teologias: compreende o agrupamento de afirmações sobre o

transcendente, transmitidos e organizados, sistematicamente ou não, aos

fiéis;

D) Ritos: relaciona as mais variadas celebrações de tradições religiosas;

19 : envolve a moral humana; a interiorização de valores na busca

do próprio “eu”.

E) Ethos

Dessa forma, os blocos de conteúdos estabelecidos para o ER buscam o

respeito à pluralidade na escola brasileira e devem levar em consideração a

caracterização do público-alvo (alunos), bem como seu contexto histórico e cultural,

18 Ver Glossário, p. 67.

19 Ver Glossário, p. 66.

39

no sentido de favorecer a liberdade religiosa e a alteridade

20

.

As interações pedagógicos-didáticas que, nos diversos exercícios

educativos, se articulam, organizam e estabelecem, de forma não linear,

pelo observar/refletir/informar compõem o percurso metodológico que, como

estratégia, encaminha e propõe as relações com as culturas e tradições

religiosas no cotidiano do Ensino Religioso, partindo sempre do convívio

social dos estudantes a fim de respeitar a tradição religiosa já trazida de

suas famílias e salvaguardar a expressão religiosa de cada um (FONAPER,

1997 apud OLIVEIRA, 2007, p. 115).

No que se refere à metodologia, assim como ocorre nas demais

disciplinas, é necessário pensar a operacionalização do trabalho docente,

considerando que o ato de constituição do conhecimento se dá a partir da relação

sujeito-objeto (onde, no Ensino Religioso o sujeito é o aluno e o objeto é fenômeno

religioso). Nesse sentido, cabe ao docente se “abastecer” de instrumentos ou

métodos que o auxilie nessa juntura baseados na concepção de educação que

orienta a escola e a prática docente.

Os princípios que norteiam a organização e utilização da metodologia do

ER são a observação, a reflexão e a informação, no sentido do professor rever suas

convicções quanto à função e importância desta disciplina para o (a) educando(a) e

assim fomentar em sala de aula a participação, o envolvimento dos educandos de

forma dinâmica, criativa e celebrativa.

4.1.4 Avaliação

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais a avaliação deve

ser contínua e sistemática, e é parte integrante e intrínseca do processo educativo

devido a ela corresponder ao acompanhamento da aprendizagem e não à aquisição

dos conteúdos, como é afirmado pelo Fonaper (2000, p.32):

20 Ver Glossário, p. 66.

40

Na educação e especialmente no Ensino Religioso, a avaliação tem um

sentido amplo; além de sustentar e orientar a intervenção pedagógica como

parte integrante e intrínseca ao processo educativo, envolve outros

aspectos: sociabilidade, afetividade, postura, compromisso, integração,

participação na expectativa da aprendizagem do educando e de sua

transformação. No caso do Ensino Religioso isso se observa nas atitudes

de reverência para com o Transcendente do outro, de respeito à alteridade

e ao direito do outro de ser diferente, o desenvolvimento da capacidade de

tolerância, assumindo sua identidade pessoal com segurança e liberdade.

A avaliação no Ensino Religioso se dá de forma processual, permeando

os objetivos, os conteúdos e o próprio tratamento didático dado aos conteúdos,

estando definida sob o projeto político pedagógico de cada escola.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso destacam que

devem ser consideradas as três etapas no processo avaliativo do ER, são elas: a

inicial, a formativa e a final.

Na avaliação inicial sugere-se que seja feito um reconhecimento na

escola dos grupos culturais e religiosos identificados nas mais variadas crenças dos

alunos, ou seja, descobrir qual é a confissão religiosa de cada família e

conseqüentemente dos alunos.

A avaliação formativa, que ocorre sistemática, organizada e formalmente

é

caracterizada pelo acompanhamento do processo de aprendizagem considerando

o

desenvolvimento cognitivo e etário individual dos alunos. Uma forma prática de

perceber como ocorre o processo avaliativo nessa fase é a percepção das

capacidades dos alunos em perceberem as diferenças e interagir mesmo em meio

às variações religiosas de forma dialogada em uma construção e reconstrução

constante do fenômeno religioso.

Já a avaliação final diz respeito ao escopo dos resultados de uma

determinada fase de aprendizagem, onde se averigua os conteúdos essenciais

apreendidos e a partir disso traça os novos a serem trabalhados, exatamente devido

ao fato de que a avaliação está diretamente ligada ao trabalho docente e ao avaliar

o que o aluno aprendeu, o professor tem a possibilidade de avaliar o que, de fato,

conseguiu ensinar.

Nesse sentido a avaliação em ER deve ser um instrumento utilizado por

professores e educandos na orientação e redimensionamento de todo o processo de

ensino-aprendizagem. Deve ser tratada como objeto de reconhecimento e como

“porta de entrada” na identificação de problemas a serem solucionados de forma

democrática e prazerosa ao longo do processo.

41

A avaliação no Ensino Religioso contempla em sua dimensão processual: o

conhecimento (o saber); a participação (o saber fazer); a atitude de vida (o

saber ser); a relação (o saber conviver), enfim, elementos que implicam a

crescente abertura e criação de espaços para a vivência das experiências

religiosas. (GOMES, 2003, p. 127).

Assim, como foi citado anteriormente por Gomes, considerando que essa

disciplina, assim como as demais, tem o intuito de desenvolver não apenas

conteúdos conceituais, mas também, os procedimentais e, principalmente, os

atitudinais, sugere-se que a avaliação processual se utilize de instrumentos como,

um diário individual do aluno pelo professor, ou port-fólio elaborado pelos próprios

alunos, por exemplo. Esses tipos de instrumentos apontam em direção a um

acompanhamento e avaliação contínuos no processo de desenvolvimento dos

alunos em relação ao ER na escola.

5 O ENSINO RELIGIOSO COMO INSTRUMENTO AUXILIADOR DO TRABALHO

PEDAGÓGICO

Considerando que a disciplina Ensino Religioso está a serviço do

aperfeiçoamento da religiosidade e que esse aguçar dá sentido às experiências

humanas do sentir, do saber e do agir em relação a si mesmo e aos outros, pois a

busca e o encontro com o transcendente são vistos como fonte de superação dos

limites de uma pessoa, o ER contribui com o cidadão e na formação do cidadão,

devido ser uma oportunidade de possibilitar e permear a realização do ser humano.

Ao desenvolver essa superação a escola, faz com que o estudante não

seja somente um aprendiz de conhecimentos, mas principalmente, um aprendiz da

vida, para a vida e na vida.

Partindo da compreensão do que é o fenômeno religioso e como ele é

desenvolvido na organização escolar, é possível verificar que esta disciplina é uma

importante aliada na prática pedagógica por direcionar-se a questões pertinentes à

interação dos educandos na sociedade de forma responsável e atuante.

A atmosfera ideal no desenvolvimento pedagógico do componente

curricular ER exige um natural aprofundamento na própria relação entre alunos-

professor e alunos-alunos por necessitar de reflexões críticas e democráticas.

42

Dessa forma, ao encontrar espaço para o aprofundamento das relações,

a sala de aula terá a possibilidade de vivenciar maior abertura para que a própria

prática educativa ocorra de forma saudável.

Outro fator que torna esta disciplina um importante auxiliador no trabalho

pedagógico é que ao adequar-se às necessidades dos educandos (em métodos,

recursos, conteúdos etc.) o educador se vê na possibilidade de conhecer seus

alunos profundamente (competências, habilidades, características pessoais etc.) o

que em outros segmentos educativos poderá ser utilizado de forma

multidimensional.

Outros fatores são enumerados como indicativos de quais formas o

Ensino Religioso pode auxiliar no trabalho pedagógico:

Busca de equilíbrio nas relações;

Conhecer o aluno não só no aspecto cognitivo para intervir

positivamente;

Influência ético-moral, o que será explicitado em todo o convívio

escolar e externo do aluno;

Abertura de consciência para as diferenças existentes a fim de poder

dividir essa consciência através do processo de ensino-aprendizagem.

Nesse sentido, ao desenvolver essa disciplinar curricular no ambiente

escolar, o educador tem em suas mãos um componente que perpassa a informação

indicando rumo e sentido a certas informações, pois o educando que tem a liberdade

de dialogar e construir caminhos com o outro e consigo mesmo, levará esta prática a

todos os aspectos e envolvimentos da sua vida, inclusive no que se refere ao

aspecto educacional.

5.1 O pedagogo, enquanto professor generalista, frente à sistematização de

conhecimentos religiosos

Ao longo dos anos e principalmente após a Lei 9394/96, como foi dito

anteriormente, muitos passos foram dados em direção ao Ensino Religioso na

Escola Pública no Brasil. Porém, o “como” trabalhar esta disciplina esbarra no

43

“quem” a desenvolve e a valorização da disciplina de Ensino Religioso nas escolas

está diretamente ligada ao encaminhamento pedagógico que é dado pelo professor

em sala de aula.

É de conhecimento geral que nas séries iniciais do Ensino Fundamental

da Rede Pública, os professores – e aqui se considera os graduados em Pedagogia

– exercem uma função generalista. Nessa fase do ensino, a função pedagógica é

considerada generalista por sua formação fornecer a aptidão necessária ao trabalho

didático com conteúdos relativos à Língua Portuguesa, Matemática, Ciências,

História e Geografia, Arte, Educação Física e Ensino Religioso.

É sabido, ainda, que o professor generalista na formação inicial tem

pouco espaço para que os conteúdos específicos das diferentes áreas do

conhecimento sejam trabalhados em profundidade. Por esse motivo torna-se difícil a

um professore generalista possuir a mesma competência nessa disciplina que um

especialista.

Devido a essas questões, se faz pertinente uma reflexão sobre o

professor que atua nas séries iniciais do Ensino Fundamental, em particular com a

disciplina de Ensino Religioso, onde são levantados os seguintes questionamentos:

Qual a formação inicial do professor que trabalha o Ensino Religioso na Educação

Infantil e Anos Iniciais? Este professor possui os conhecimentos básicos para

lecionar esta disciplina que lhe compete na sua formação? Quais as dificuldades

encontradas para lecionar o Ensino Religioso?

Nos últimos anos essas e outras questões que circundam a formação do

professor para o Ensino Religioso, têm sido foco nos debates sobre educação, tanto

no que se refere aos aspectos políticos como aos pedagógicos que envolvem essa

disciplina.

Essa preocupação é decorrente dos grandes desafios que são impostos à

educação por conta dos avanços tecnológicos e científicos ocorridos em nossa

sociedade e que tem provocado mudanças no desenvolvimento intelectual, social e

cultural afetando diretamente os envolvidos no processo educativo. O homem, nesse

contexto, está cada vez mais distante de sua espiritualidade que deixa em xeque os

valores pessoais e sociais, como cita Sampaio (2004 p. 30): "[

uma crise global profunda, onde o vazio existencial e afetivo favorece a miséria, a

Estamos vivendo

]

violência, a corrupção, o medo, resultado de fragilidade das relações e dos valores

humanos”.

44

Algumas Instituições de Ensino Superior já incluem a disciplina

Metodologia do Ensino Religioso como componente curricular dos cursos de

Pedagogia o que tem possibilitado à formação dos pedagogos a integração e

aprofundamento de discussões discussão sobre o fenômeno religioso às demais

áreas do conhecimento e reformando a postura que por muito tempo gerou

distorções no encaminhamento pedagógico desta disciplina.

Assim, com essa nova perspectiva, espera-se que os profissionais que

atuam com o Ensino Religioso na Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino

Fundamental da Rede Pública de ensino, tenham o conhecimento essencial da

Cultura e Tradições Religiosas; Textos Sagrados; Teologias; Ritos e Ethos, de forma

empenhada e ética na sua prática educativa.

Oliveira enumera algumas competências necessárias ao profissional da

educação responsável por sistematizar os conhecimentos religiosos:

] [

conhecimento e aprofundamento permanente de outras experiências

religiosas além da sua; consciência e espírito sensível voltados à

complexidade e pluralidade da questão religiosa; disposição ao diálogo,

com capacidade de articulá-lo à luz das questões suscitadas no processo

de aprendizagem dos estudantes; uma vivência de reverência à alteridade;

capacidade de ser o interlocutor entre escola e comunidade, reconhecendo

que a escola propicia a sociabilização do conhecimento religioso

sistematizado, ao passo que a família e a comunidade religiosa são os

espaços privilegiados para a vivência religiosa e para a opção de fé

formação adequada ao desempenho da ação educativa; abertura ao

(FONAPER, 1997 apud OLIVEIRA, 2007, p. 124).

Diante das características listadas como requisitos para alguém que

ministra a disciplina de Ensino Religioso atualmente, constata-se a urgência no

adequado reconhecimento na formação dos professores para o ER a fim de

desenvolver a formação integral dos educandos a fim de dirimir equívocos na própria

forma pedagógica como o a disciplina ainda é concebida no contexto escolar.

O quadro ainda vigente é que o professor das Séries Iniciais na sua

formação inicial não tem o domínio desta área do saber, sendo necessário que este

se comprometa individualmente com o seu aperfeiçoamento técnico por meio de

uma formação continuada, buscando novos caminhos para a sua prática

pedagógica, pois, como diz Freire: “Ninguém nasce educador ou marcado para ser

educador. A gente se faz educador, a gente se forma como educador,

permanentemente, na prática e na reflexão da prática” (1991, p. 58).

Outra questão a respeito da sistematização do ER na escola pelo

pedagogo que atua nas séries iniciais é a falta de material de apoio atualizado,

45

diferente do que já existe no mercado, com novas sugestões de conteúdos e

estratégias metodológicas, o que certamente, auxiliaria no aumento do dinamismo

das aulas.

Entende-se que nenhum processo educativo é eficiente sem a presença

do educador; ele é o agente ativo no processo educativo na reflexão e estruturação

de saberes e essa atuação é intrínseca à identidade e formação do professor.

De acordo com Meneghetti e Teixeira (2006), no que se refere à formação

de professores para o ER, o Brasil ainda está caminhando a passos lentos, pois

existem poucos cursos de graduação na área e algumas universidades têm em seus

currículos disciplinas que preparam os alunos de Pedagogia Séries Iniciais para

desenvolverem Ensino Religioso em suas práticas educativas e outra questão são

os debates sobre qual curso seria mais adequado para a formação de educadores

para o Ensino Religioso. Será possível ao docente formado numa licenciatura em

Ciências da Religião trabalhar o ER numa perspectiva pluri-religiosa, enfocar o

fenômeno religioso como construção sociocultural e aliar a esses conhecimentos as

habilidades e competências necessárias a atuar nas séries iniciais?

Entende-se, com esses questionamentos, que a formação em ER no

currículo de formação do pedagogo se faz necessária, assim, devido à necessidade

do professor estar preparado e ser sensível, também, ao pluralismo religioso e

cultural – e trabalhando a partir de um ponto de vista mais universal para o ser

humano e não para uma confissão religiosa – aliando à sua formação pedagógica.

O professor que ministra o Ensino Religioso não é aquele que dá

respostas doutrinais às perguntas dos alunos, mas aquele que os questiona e os

ajuda na construção de suas verdades de fé, nas suas crenças e nas convicções

religiosas e os auxilia a construir um sentido para a sua vida.

Assim, como os demais professores na unidade escolar, é uma pessoa

que, em relação com os estudantes e com os conhecimentos próprios dessa área do

conhecimento deve demonstrar competências e habilidades para atender a

pluralidade cultural e religiosa brasileira, sem ser tendencioso a uma influência

religiosa específica e, ainda, dominar os Parâmetros Curriculares Nacionais do

Ensino Religioso.

Dessa forma, a sistematização de conhecimentos religiosos a partir do

fenômeno religioso, pautado numa prática direcionada pela Nova Lei da Educação,

requer profissionais para uma ação educativa, na qual o conhecimento religioso

46

escolar é direcionado como objeto da pluralidade da cultura brasileira e do respeito,

estando esse pressuposto atrelado à bagagem teórica que esse profissional recebe

na elaboração de sua identidade pedagógica, ou seja, na sua formação inicial.

6 O ER NA FORMAÇÃO DOCENTE: EM DEFESA DOS FUNDAMENTOS

METODOLÓGICOS DE ENSINO RELIGIOSO NOS CURSOS DE LICENCIATURA

EM PEDAGOGIA

No capítulo anterior discorreu-se a respeito do Ensino Religioso enquanto

disciplina normal do currículo da Educação Infantil e das séries iniciais do Ensino

Fundamental da Rede Pública, e como tal exige-se o devido preparo teórico-

metodológico por parte dos professores a fim de que concebam em sua prática uma

nova forma de Ensino Religioso pautada no fenômeno religioso.

Entretanto, o conhecimento de conceitos e métodos está intrinsecamente

atrelado à formação inicial recebida pelos professores das séries iniciais e

posteriormente, à sua formação continuada.

é, um profissional

qualificado para atuar em vários campos educativos para atender demandas sócio-

educativas de tipo formal e não formal e informal, decorrentes de novas realidades”.

E, considerando o Ensino Religioso como uma dessas “novas realidades”,

caracterizando-se como disciplina que busca intervir na pluralidade e pela

pluralidade através do fenômeno religioso, faz-se necessário que os cursos de

Licenciatura em Pedagogia considerem a qualificação desse pedagogo de forma a

habilitá-lo em todas as “demandas sócio-educativas”.

Como afirma Libâneo (2001, p.22), “[

]

o pedagogo [

]

No Maranhão, a Lei Nº 8.197 de 06 de dezembro de 2004

habilitação para docência em ER:

21 , garante a

Art. 4º - São habilitados a lecionar o Ensino Religioso em escolas públicas

de ensino fundamental os professores:

I - titulados em nível médio e/ou superior que tenham realizado curso

de extensão de 120 (cento e vinte) horas na área do Ensino Religioso,

para atuar na docência da educação infantil e/ou nos 4 (quatro) anos

iniciais do ensino fundamental;[

].

(MARANHÃO, 2004, grifo nosso).

21 Ver na íntrega no Anexo B, p.75.

47

Dessa forma, ao ser propiciado ao educador em formação os

pressupostos necessários à qualidade na definição prática e teórica da disciplina,

permiti-se a “constituição de profissionais com sensibilidade, discernimento e

equilíbrio na mediação das relações com o fato religioso em suas diversas

manifestações no cotidiano educativo” (Oliveira, 2007, p. 124).

Embasando-se nesses fundamentos, foi realizada uma pesquisa com

alunos ingressantes e concluintes do curso de Licenciatura Plena em Pedagogia a

fim de verificar questões relativas à disciplina de Ensino Religioso, bem como o

envolvimento teórico-metodológico dos acadêmicos com o tema, objetivando

verificar a validade ou não da inclusão dos fundamentos metodológicos do ER nos

cursos de Pedagogia.

6.1 O processo da pesquisa

O trabalho de campo ocorreu no período de outubro e novembro de 2009,

compreendido a aplicação de questionários aos alunos do 1º e 7º períodos do Curso

de Licenciatura Plena em Pedagogia da Faculdade Atenas Maranhense – FAMA,

situada à Avenida São Luís Rei de França, nº. 32, Turu, São Luís – MA.

Os questionários aplicados foram elaborados baseados no art. 33 da Lei

de Diretrizes e Bases Nacionais alterado pela lei nº 9.475/97, e nos Parâmetro

Curriculares Nacionais Ensino Religioso, que são as fontes principais dessa

pesquisa.

6.2 Dados

Os resultados dos questionários aplicados a 23 alunos do 7º e 15 alunos

do 1º períodos da Faculdade Atenas Maranhense serão agrupados e trabalhados

em gráficos sendo apresentados em termos percentuais, dispostos de forma

comparativa; e em separado serão tratadas questões dissertativas livres realizadas

no mesmo questionário:

48

6.2.1Quais são as informações a respeito da disciplina de Ensino Religioso segundo

a LDB, que você tem conhecimento?

Ensino Religioso segundo a LDB, que você tem conhecimento? Gráfico 1 – Informações que os acadêmicos

Gráfico 1 – Informações que os acadêmicos do 7º período têm a respeito do

Ensino Religioso.

do 7º período têm a respeito do Ensino Religioso. Gráfico 2 – Informações que os acadêmicos

Gráfico 2 – Informações que os acadêmicos do 1º período têm a respeito do

Ensino Religioso.

49

6.2.2 Você sabia que o Ensino Religioso é disciplina obrigatória na Educação Infantil

e Ensino Fundamental da Rede Pública (Estadual e Municipal) de ensino?

da Rede Pública (Estadual e Municipal) de ensino? Gráfico 3 – (7º Período) Acadêmicos que sabem

Gráfico 3 – (7º Período) Acadêmicos que sabem que o

Ensino Religioso é disciplina obrigatória na Escola

Pública.

Religioso é disciplina obrigatória na Escola Pública. Gráfico 4 – (1º Período) Acadêmicos que sabem que

Gráfico 4 – (1º Período) Acadêmicos que sabem que o

Ensino Religioso é disciplina obrigatória na Escola P

Pública.

50

6.2.3 Você considera necessária a formação docente também na área do Ensino

Religioso (constando, por exemplo, a disciplina Metodologia do Ensino Religioso na

grade curricular dos cursos superiores de formação de professores – Pedagogia)?

superiores de formação de professores – Pedagogia)? Gráfico 5 – (7º Período) Acadêmicos que consideram

Gráfico 5 – (7º Período) Acadêmicos que consideram

necessária a formação docente também em ER.

consideram necessária a formação docente também em ER. Gráfico 6 – (1º Período) Acadêmicos que consideram

Gráfico 6 – (1º Período) Acadêmicos que consideram

necessária a formação docente também em ER.

51

6.2.4 Após a conclusão do seu curso, você pretende atuar na rede pública de ensino

(Estadual e Municipal) através de contratos, concursos etc.?

e Municipal) através de contratos, concursos etc.? Gráfico 7 – (7º Período) Acadêmicos que pretendem

Gráfico 7 – (7º Período) Acadêmicos que pretendem

atuar na Rede Pública de ensino após conclusão do

curso.

atuar na Rede Pública de ensino após conclusão do curso. Gráfico 8 – (1º Período) Acadêmicos

Gráfico 8 – (1º Período) Acadêmicos que pretendem

atuar na Rede Pública de ensino após conclusão do

curso.

52

6.2.5 Você conhece as Leis e Diretrizes para o ER no Maranhão?

Você conhece as Leis e Diretrizes para o ER no Maranhão? Gráfico 9 – (7º Período)

Gráfico 9 – (7º Período) Acadêmicos que conhecem leis

e diretrizes do ER no Maranhão.

que conhecem leis e diretrizes do ER no Maranhão. Gráfico 10 – (1º Período) Acadêmicos que

Gráfico 10 – (1º Período) Acadêmicos que conhecem leis

e diretrizes do ER no Maranhão.

53

6.2.6 Você conhece os conteúdos a serem trabalhados no ER, de acordo com os

Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso?

os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Religioso? Gráfico 11 – (7º Período) Conhecem os conteúdos a

Gráfico 11 – (7º Período) Conhecem os conteúdos a

serem trabalhados em Ensino Religioso.

os conteúdos a serem trabalhados em Ensino Religioso. Gráfico 12 – (1º Período) Conhecem os conteúdos

Gráfico 12 – (1º Período) Conhecem os conteúdos a

serem trabalhados em Ensino Religioso.

54

6.2.7 Já ouviu falar ou sabe o que é fenômeno religioso?

6.2.7 Já ouviu falar ou sabe o que é fenômeno religioso? Gráfico 13 – (7º Período)

Gráfico 13 – (7º Período) Acadêmicos que têm noção a

respeito do significado de fenômeno religioso.

noção a respeito do significado de fenômeno religioso. Gráfico 14 – (1º Período) Acadêmicos que têm

Gráfico 14 – (1º Período) Acadêmicos que têm noção a

respeito do significado de fenômeno religioso.

55

6.2.8 Em uma escala de 1 a 10, qual a sua opinião a respeito da importância do

Ensino Religioso como componente curricular na Escola Pública?

Religioso como componente curricular na Escola Pública? Gráfico 15 – (7º Período) Valor dado pelos acadêmicos

Gráfico 15 – (7º Período) Valor dado pelos acadêmicos à importância do

Ensino Religioso na Escola.

acadêmicos à importância do Ensino Religioso na Escola. Gráfico 16 – (1º Período) Valor dado pelos

Gráfico 16 – (1º Período) Valor dado pelos acadêmicos à importância do

Ensino Religioso na Escola.

56

6.3 Proposta apresentada a partir dos resultados a pesquisa

A pesquisa foi realizada com acadêmicos do curso de Pedagogia que são

membros das mais variadas confissões religiosas. Aqueles que se declararam sem

religião definida, somaram menos de 5% dos entrevistados.

Um dado importante a ser destacado é que dos trinta e oito alunos

entrevistados, enfatiza-se que 89% pretendem ingressar no serviço público como

professor (a) das séries iniciais do Ensino Fundamental após concluir o curso de

Pedagogia, sendo imprescindível, assim, aos cursos de Licenciatura em Pedagogia

direcionar atenção, também, ao preparo teórico-metodológico em Ensino Religioso,

visto que este educador das séries iniciais também será o responsável pelo

direcionamento desta disciplina em sala de aula.

Diante dos dados apresentados e da constatação teórica gerada através

da pesquisa bibliográfica prestada neste trabalho, constata-se que acadêmicos do

curso de Licenciatura Plena em Pedagogia têm conhecimento teórico-prático em

Ensino Religioso abaixo da média necessária para o desenvolvimento pedagógico

dessa disciplina na Educação, e fundamentalmente, nas séries iniciais do Ensino

Fundamental, o que contrasta, em tese, com o que nos afirma Libâneo (2001, p. 44):

Pedagogo é o profissional que atua em várias instâncias da prática

educativa, direta ou indiretamente ligadas à organização e aos processos

de transmissão e assimilação ativa de saberes e modos de ação, tendo em

vista objetivos de formação humana.

Dessa forma, tem-se como proposta, baseando-se na pesquisa

apresentada, a inclusão dos Fundamentos Metodológicos do Ensino Religioso por

constatar-se nas palavras de Wachs (2007, não paginado) que essa inclusão

possibilitará aos futuros docentes novas perspectivas em relação à disciplina:

] [

e prática, entre a competência de aprender-aprender e saber-fazer. Nessa

inter-relação, o estudante, futuro professor, deve aprender a interpretar o

seu fazer, a compreender o processo de aprendizagem que se desencadeia

num ato educativo e avaliar os procedimentos adequados de uma atividade

Compreendo que a disciplina deve saber mesclar a relação entre teoria

educativa.

E, ainda, Wachs (2007, não paginado), apresenta como principais

objetivos para a inclusão dessa disciplina nos cursos de formação de professores

para a Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental:

57

Auxiliar o estudante a compreender os principais fundamentos da área

do conhecimento do Ensino Religioso e a legislação referente à mesma.

Auxiliar o estudante a compreender a dimensão da pluralidade religiosa

presente na escola e o caráter inter-religioso da disciplina.

Capacitar o estudante para o planejamento e a condução de atividades

educativas relacionadas à área do conhecimento do Ensino Religioso.

Instrumentalizar o estudante através da realização de narração de

histórias, jogos, gincanas culturais, música.

Auxiliar na condução de atividades educativas através das práticas de

ensino.

Assim, como profissional que atuará em várias instâncias da prática

educativa, o aluno de Pedagogia necessita de parâmetros, também em Ensino

Religioso, por constatar-se que esses acadêmicos visam ingressar na docência da

Rede Pública de ensino; e para atuarem em uma nova perspectiva de forma a

quebrar paradigmas e adentrar em novos conceitos a respeito dessa disciplina

necessitam de vivências pedagógico-didáticas no sentido de promover o Ensino

Religioso em uma dimensão contemporânea, plural, transdisciplinar e

interdisciplinar.

Desse profissional espera-se que esteja disponível para o diálogo e seja

capaz de articulá-lo a partir de questões suscitadas no processo de

aprendizagem do educando. Cabe a esse educador escutar, facilitar o

diálogo, ser interlocutor entre Escola e Comunidade e mediar conflitos.[

Frente a isso, faz-se necessário uma formação específica onde sejam

contemplados, entre outros, os conteúdos: Culturas e Tradições Religiosas;

Escrituras Sagradas; Teologias comparadas; Ritos e Ethos, garantindo-lhe a

formação adequada ao desempenho de sua ação educativa. (FONAPER,

2004, p. 28).

58

7 CONCLUSÃO

É inegável a necessidade de se reconhecer e discorrer sobre o lugar do

Ensino Religioso, na contemporaneidade, como instrumento auxiliador na prática

pedagógica, no que se refere à formação integral do educando das séries iniciais do

Ensino Fundamental da Rede Pública, por considerar-se que a religiosidade é

imanente à natureza humana e, assim, não deverá ser descartada da formação de

educandos da Educação Básica;

A história do Ensino Religioso no Brasil confunde-se com a própria

história da educação brasileira e atualmente, recebeu através da Lei Nº 9394/97, um

novo significado sociológico e até político sem, contudo, deixar de contemplar um de

seus maiores objetivos que é levar o homem (aluno), através do desvendamento do

Sagrado relacionar-se melhor consigo mesmo e com o próximo, através de uma

interação ética, moral, enfim, dentro de valores considerados como ideais pela

própria sociedade;

O Ensino Religioso, hoje, se configura como um tema que perpassa a

confessionalidade e alcançando as mais variadas discussões no cenário

educacional, se tornando cada vez mais necessária sua aplicabilidade nos moldes

da lei vigente da educação contemplando a formação de profissionais, bem como

uma prática sócio-educativa determinada por parâmetros específicos;

Assim, torna-se relevante considerar a significância do ER na formação

de educandos das séries iniciais do Ensino Fundamental, por ser possível notar em

nossos dias uma grande desvirtuação de valores e de práticas éticas e morais,

sendo o ER um instrumento possibilitador no desenvolvimento do aprender, do

fazer, do ser e do conviver. Configurando-se dessa forma como um valioso

instrumento curricular na busca pela introspecção de valores tão esquecidos pela

sociedade pós-moderna a partir da troca de experiências e conhecimentos que

circundam as profundas necessidades e inquietações humanas;

Faz-se necessária a abertura a uma nova visão no âmbito da valorização

da disciplina de Ensino Religioso como instrumento auxiliador na tarefa pedagógica

que encaminha a reflexões profundas por parte do aluno sobre ele mesmo, sobre o

outro, sobre o mundo e sua forma de portar-se ética e moralmente diante das mais

variadas contradições existentes, a partir de uma orientação voltada para a

59

introspecção e assimilação de necessidades pré-existentes relacionadas ao aspecto

espiritual: o conhecimento do TRANSCENDENTE, considerando as mais variadas

formas que homem busca para descobri-lo e aproximar-se dele, através das mais

variadas tradições religiosas; tradições essas que são respeitadas dentro do

contexto formador e plural que é a escola;

A partir de pesquisas realizadas com acadêmicos do curso de Pedagogia

da Faculdade Atenas Maranhense foi possível observar que a maioria intenciona

ingressar na atividade pedagógica da Rede Pública de educação; informaram, ainda,

estar cientes da obrigatoriedade do Ensino Religioso no currículo oficial, mas, em

contrapartida demonstraram pouco envolvimento teórico-metodológico com a

referida disciplina, o que se ultima a possibilidade da continuidade de uma prática

equivocada enquanto futuros docentes.

Dessa forma e diante do que foi exposto, considera-se atual e

indispensável que os cursos de licenciatura em Pedagogia vislumbrem o ER como

parte da formação integral dos educandos e, assim, cooperem na manutenção dos

Fundamentos Metodológicos do Ensino Religioso a fim de que os desencontros e

desacertos que configuraram por séculos na prática pedagógica dessa disciplina no

Brasil sejam corrigidos por meio de uma qualificação, também nessa área, visto que

é o pedagogo o principal profissional responsável por atender as ações educativas

da sociedade.

60

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65

GLOSSÁRIO

ALTERIDADE – Caráter daquilo que é, ontologicamente, outro. Qualidade do que é

outro.

CATEQUESE – Ensino Religioso, sistemático adotado pelas igrejas cristãs, visando

ao aprofundamento teórico e prático da fé evangélica. Instrução metódica e oral

sobre coisas religiosas:

CONFESSIONALIDADE – Relativo a, ou próprio de confissão. Relativo a uma

crença religiosa.

CULTURAS – O complexo dos padrões de comportamento, das crenças, das

instituições e de outros valores transmitidos coletivamente e típicos de uma

.O conjunto de características humanas que não são

inatas, e que se criam e se preservam ou aprimoram através da comunicação e

sociedade; civilização.

cooperação entre indivíduos em sociedade

ETHOS – Modo de ser, temperamento ou disposição interior, de natureza emocional

ou moral. O espírito que anima uma coletividade, instituição, etc. Aquilo que é

característico e predominante nas atitudes e sentimentos dos indivíduos de um

povo, grupo ou comunidade, e que marca suas realizações ou manifestações

culturais.

FENÔMENO RELIGIOSO – Algo que se mostra, revela ou manifesta-se na

experiência humana; é o resultado do processo de busca que o homem realiza

na procura do transcendente. O fenômeno religioso pode ser explicitado pela

existência de um núcleo em que se realizam experiências, vivências,

acontecimentos, busca de um sentido, de um significado último, que atingem a

vida em sua globalidade, em sua radicalidade, com intensidade.

INTERCONFESSIONAL – Comum a várias confissões.

66

ISONOMIA – Estado daqueles que são governados pelas mesmas leis. Igualdade de

todos perante a lei, assegurada como princípio constitucional.

LAICIZAÇÃO – Ato de tornar leigo, ou laico.

MAÇONARIA

Sociedade

parcialmente

secreta,

cujo

objetivo

principal

é

desenvolver o princípio da fraternidade e da filantropia.

PROSELITISMO – Conseguir adeptos para serem convertidos a uma outra religião,

crença ou doutrina.

PROSELITISTA – Indivíduo convertido a uma doutrina, idéia ou sistema; sectário,

adepto, partidário.

REGALISMO – Doutrina que defende a ingerência do chefe de Estado em questões

religiosas.

TEODICÉIA – Termo cunhado por Leibniz para designar a doutrina que procura

conciliar a bondade e onipotência divinas com a existência do mal no mundo.

APÊNDICE

67

68

APÊNDICE A – Questionário elaborado e desenvolvido com alunos do 1º e 7º

períodos da Faculdade Atenas Maranhense – FAMA.

Faculdade Atenas Maranhense – FAMA

CURSO DE PEDAGOGIA

Tema: O Ensino Religioso como instrumento curricular auxiliador do pedagogo na

formação dos educandos nas séries iniciais do Ensino Fundamental da rede pública.

Graduanda: Nathália de Jesus F. da Silva

Questionário para acadêmicos de Pedagogia referente ao conhecimento e

reconhecimento do Ensino Religioso na Escola.

DADOS DOS ENTREVISTADOS:

PERÍODO:

Confissão Religiosa:

TURNO:

1. Quais são as informações a respeito da disciplina de Ensino Religioso segundo a

LDB, que você tem conhecimento?

2. Você sabia que o Ensino Religioso é disciplina obrigatória na Educação Infantil e

Ensino Fundamental da Rede Pública (Estadual e Municipal) de ensino?

SIM

NÃOda Rede Pública (Estadual e Municipal) de ensino? SIM 3. Após a conclusão do seu curso,

da Rede Pública (Estadual e Municipal) de ensino? SIM NÃO 3. Após a conclusão do seu

3. Após a conclusão do seu curso, você pretende atuar na rede pública de ensino

(Estadual e Municipal) através de contratos, concursos etc.?

SIM

NÃOe Municipal) através de contratos, concursos etc.? SIM 4. Em uma escala de 1 a 10,

e Municipal) através de contratos, concursos etc.? SIM NÃO 4. Em uma escala de 1 a

4. Em uma escala de 1 a 10, qual a sua opinião a respeito da importância do Ensino

Religioso como componente curricular na Escola Pública? Em poucas palavras,

justifique, por favor.

5. Você considera necessária a formação docente também na área do Ensino

Religioso (constando, por exemplo, a disciplina Metodologia do Ensino Religioso na

grade curricular dos cursos superiores de formação de professores – Pedagogia.)?

Em poucas palavras, justifique, por favor.

SIM

SIM NÃO 69 6. Em sua opinião, qual a contribuição do ER na educação dos educandos

NÃO

SIM NÃO 69 6. Em sua opinião, qual a contribuição do ER na educação dos educandos

69

6. Em sua opinião, qual a contribuição do ER na educação dos educandos da

Educação Infantil e do Ensino Fundamental?

7. Suponhamos que você seja aprovado em um concurso para atuar nas séries

iniciais da Rede Pública Municipal e/ou Estadual de ensino e você ficasse, também,

responsável por ministrar o Ensino Religioso na turma onde você foi lotado

7.1 Quais os conteúdos e métodos seriam direcionados por você nessa disciplina?

7.2 Seria equivocado, em sua opinião, você se utilizar das suas experiências

religiosas para ministrar as aulas de religião na escola?

8. Quais são, em sua opinião, alguns requisitos importantes para ser professor da

disciplina Ensino Religioso? Justifique.

9. Você conhece?

Leis e diretrizes para o ER no Maranhão?

SIM

Conteúdos a serem trabalhados no ER, de acordo com os PCNER?

SIM

Já ouviu falar ou sabe o que é fenômeno religioso?

SIM

NÃOJá ouviu falar ou sabe o que é fenômeno religioso? SIM NÃO NÃO 10. A respeito

ouviu falar ou sabe o que é fenômeno religioso? SIM NÃO NÃO NÃO 10. A respeito
ouviu falar ou sabe o que é fenômeno religioso? SIM NÃO NÃO NÃO 10. A respeito

NÃO

NÃO

ou sabe o que é fenômeno religioso? SIM NÃO NÃO NÃO 10. A respeito da formação
ou sabe o que é fenômeno religioso? SIM NÃO NÃO NÃO 10. A respeito da formação
ou sabe o que é fenômeno religioso? SIM NÃO NÃO NÃO 10. A respeito da formação

10. A respeito da formação e docência do Pedagogo em Ensino Religioso há ainda

algum aspecto importante que você gostaria de comentar ou ressaltar? Em caso

positivo, o quê? Por quê?

Obrigada por sua contribuição

na participação deste questionário!

ANEXOS

70

ANEXO A – RESOLUÇÃO 02/08.

22

RESOLUÇÃO CEB Nº 2, DE 7 DE ABRIL DE 1998

,23, 24

71

Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o

Ensino Fundamental.

O Presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de

Educação, tendo em vista o disposto no Art. 9º § 1º, alínea “c” da Lei 9.131, de 25 de

novembro de 1995 e o Parecer CEB 4/98, homologado pelo Senhor Ministro da

Educação e do Desporto em 27 de março de 1998,

RESOLVE:

Art. 1º A presente Resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacionais

para o Ensino Fundamental, a serem observadas na organização curricular das

unidades escolares integrantes dos diversos sistemas de ensino.

Art. 2º Diretrizes Curriculares Nacionais são o conjunto de definições

doutrinárias sobre princípios, fundamentos e procedimento da educação básica,

expressas pela Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação,

que orientarão as escolas brasileiras dos sistemas de ensino na organização,

articulação, desenvolvimento e avaliação de suas propostas pedagógicas.

Art. 3º. São as seguintes as Diretrizes Curriculares Nacionais para o

Ensino Fundamental:

I - As escolas deverão estabelecer como norteadores de suas ações

pedagógicas:

a) os princípios éticos da autonomia, da responsabilidade, da

solidariedade e do respeito ao bem comum;

22 Publicada no D.O.U. de 15/4/98 - Seção I – p. 31

23 Alterada pela Resolução CNE/CEB n.º 1, de 31 de janeiro de 2006
24

Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rceb02_98.pdf>.

72

b) os princípios dos Direitos e Deveres da Cidadania, do exercício da

criticidade e do respeito à ordem democrática;

c) os princípios estéticos da sensibilidade, da criatividade e da diversidade

de manifestações artísticas e culturais.

II - Ao definir suas propostas pedagógicas, as escolas deverão explicitar o

reconhecimento da identidade pessoal de alunos, professores e outros profissionais

e a identidade de cada unidade escolar e de seus respectivos sistemas de ensino.

III - As escolas deverão reconhecer que as aprendizagens são

constituídas pela interação dos processos de conhecimento com os de linguagem e

os afetivos, em conseqüência das relações entre as distintas identidades dos vários

participantes do contexto escolarizado; as diversas experiências de vida de alunos,

professores e demais participantes do ambiente escolar, expressas através de

múltiplas formas de diálogo, devem contribuir para a constituição de identidade

afirmativas, persistentes e capazes de protagonizar ações autônomas e solidárias

em relação a conhecimentos e valores indispensáveis à vida cidadã.

IV - Em todas as escolas deverá ser garantida a igualdade de acesso

para alunos a uma base nacional comum, de maneira a legitimar a unidade e a

qualidade da ação pedagógica na diversidade nacional. A base comum nacional e

sua parte diversificada deverão integrar-se em torno do paradigma curricular, que

vise a estabelecer a relação entre a educação fundamental e:

a) a vida cidadã através da articulação entre vários dos seus aspectos

como:

1. a saúde

2. a sexualidade

3. a vida familiar e social

4. o meio ambiente

5. o trabalho

6. a ciência e a tecnologia

7. a cultura

8. as linguagens.

b) as áreas de conhecimento:

1. Língua Portuguesa

2. Língua Materna, para populações indígenas e migrantes

3. Matemática

4. Ciências

5. Geografia

6. História

7. Língua Estrangeira

8. Educação Artística

9. Educação Física

73

10. Educação Religiosa, na forma do art. 33 da Lei 9.394, de 20 de

dezembro de 1996.

V - As escolas deverão explicitar em suas propostas curriculares

processos de ensino voltados para as relações com sua comunidade local, regional

e planetária, visando à interação entre a educação fundamental e a vida cidadã; os

alunos, ao aprenderem os conhecimentos e valores da base nacional comum e da

parte diversificada, estarão também constituindo sua identidade como cidadãos,

capazes de serem protagonistas de ações responsáveis, solidárias e autônomas em

relação a si próprios, às suas famílias e às comunidades.

VI - As escolas utilizarão a parte diversificada de suas propostas

curriculares para enriquecer e complementar a base nacional comum, propiciando,

de maneira específica, a introdução de projetos e atividades do interesse de suas

comunidades.

VII - As escolas devem trabalhar em clima de cooperação entre a direção

e as equipes docentes, para que haja condições favoráveis à adoção, execução,

avaliação e aperfeiçoamento das estratégias educacionais, em consequência do uso

adequado do espaço físico, do horário e calendário escolares, na forma dos arts. 12

a 14 da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996.

Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

ULYSSES DE OLIVEIRA PANISSET

Presidente da Câmara de Educação Básica

ANEXO B – Lei no Maranhão sobre o Ensino Religioso.

25

74

GOVERNO DO MARANHÃO

LEI Nº 8.197 DE 06 DE DEZEMBRO DE 2004.

Dispõe sobre o Ensino Religioso nas Escolas Públicas do Ensino Fundamental, no

âmbito do Estado do Maranhão, em conformidade com o disposto na Lei Federal nº

9.475/97 e na Lei de Diretrizes e Bases na Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), e

dá outras providências.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO MARANHÃO,

Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléia Legislativa do Estado

decretou e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º - O Ensino Religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação

básica do cidadão e constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de

ensino fundamental, assegurando o respeito à diversidade cultural religiosa do

Brasil, vedadas quaisquer formas de proselitismo.

Art. 2° - Habilitam-se para lecionar o Ensino Religioso em escolas públicas, as

quatro séries iniciais do Ensino Fundamental, os professores que apresentarem:

a) Diploma de nível médio na modalidade normal;

b) Diploma de Curso Normal Superior ou de Curso de Licenciatura para o Magistério

das séries iniciais do Ensino Fundamental.

Art. 3º - Para atuar na docência do Ensino Religioso, nas quatro séries finais do

Ensino Fundamental, estão habilitados os professores portadores de:

a) Diploma de Curso de Licenciatura em Ciências da Religião;

b) Diploma de Curso de Licenciatura em qualquer área do currículo, que tenha

realizado, pelo menos, Curso de Extensão de Educação Superior, em Ensino

Religioso;

Art. 4º - (Vetado).

Art. 5º - Comprovam-se as titulações, referidas nos arts. 2º e 3º desta Lei, mediante

a apresentação de diploma e certificado expedidos por instituição de ensino

credenciada e que possua o curso devidamente reconhecido pelo sistema de ensino

competente.

25 CGE

www.cge.ma.gov.br/documento.php?Idp=1379 >.

-

Controladoria

Geral

do

Estado

do

Maranhão.

Disponível

em:

<

75

Art. 6º - A admissão a concurso para provimento de vaga de Ensino Religioso

obedecerá a esta Lei e às normas para esse fim estabelecidas.

Art. 7º - Para a definição dos conteúdos programáticos do Ensino Religioso, sob a

forma de Princípios e Diretrizes, o Conselho Estadual de Educação ouvirá entidade

civil, constituída de representantes das diferentes denominações religiosas.

Art. 8º - Para integrar a entidade civil prevista no artigo anterior, as instituições

interessadas deverão credenciar seu representante junto ao Conselho Estadual de

Educação, obedecendo regulamentação específica desse órgão.

Art. 9º - (Vetado).

Art. 10 - A presente Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogam-se as

disposições em contrário, em especial a Lei nº 7.715, de 21 de dezembro

de 2001.

Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e a execução da

presente Lei pertencerem que a cumpram e a façam cumprir tão inteiramente como

nela se contém. O Excelentíssimo Senhor Secretário-Chefe da Casa Civil a faça

publicar, imprimir e correr.

PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DO MARANHÃO, EM SÃO LUÍS, 06 DE

DEZEMBRO DE 2004, 183º DA INDEPENDÊNCIA E 116º DA REPÚBLICA.

JOSÉ REINALDO CARNEIRO TAVARES

Governador do Estado do Maranhão

PEDRO RONALD MARANHÃO BRAGA BORGES

Secretário Chefe da Casa Civil

EDSON NASCIMENTO

Secretário de Estado da Educação