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A Comissão de defesa da Escola Pública, Democrática e de Qualidade, posta

de pé em 1998 e

reconstituída em Maio de 2002, agrupa um conjunto de cidadãos, professores, educadores, auxiliares de acção educativa, pais e estudantes, unidos em torno do mesmo objectivo: defender uma Escola pública, democrática e de qualidade, como um espaço de liberdade e crescimento, cuja finalidade central seja a formação do Homem e, só depois, do trabalhador. Tais objectivos pressupõem a demarcação em relação a todas as instituições subordinadas ao capital financeiro (desde o Banco Mundial, ao FMI, à OCDE, e à UE e suas directivas).

Não pretendemos substituir-nos a qualquer organização, seja ela de carácter sindical, partidário ou associativo em geral, mas sim contribuir para o desenvolvimento de um quadro de unidade entre todos os movimentos que leve à sobrevivência e construção desta Escola.

Comissão de Defesa da Escola Pública

escolapublicablog@gmail.com Mobilização para impedir a destruição da Escola

Mobilização para impedir a destruição da Escola Pública, cuja matriz radica no 25 de Abril!

Abril 2011 - A CDEP publicou um documento, respondendo ao apelo das

organizações que convocaram a Marcha em Defesa da Escola Publica para o dia

2 de Abril, iniciativa que acabou por não se realizar, no qual explicitou ser

urgente a mobilização para conseguir o seguinte:

Deter o encerramento de mais escolas e a formação de mega-agrupamentos

O restabelecimento de horários adequados à função docente

A

garantia

dos

30

mil

postos

de

trabalho

ameaçados

e

a

vinculação

profissional,

de

acordo

com

a

lei

geral,

dos

professores

 

e

restantes

trabalhadores das escolas

A abertura do concurso nacional para a colocação dos docentes

A garantia de uma avaliação justa e formativa

O restabelecimento das formas de organização democrática nas escolas

A garantia de condições de formação científica, pedagógica e humanista inicial e em exercício que habilitem todos os docentes a um desempenho à altura das exigências de construção do futuro

A reposição do Orçamento para a Educação necessário ao normal funcionamento das escolas e à reposição dos salários dos seus funcionários

O movimento que se anunciava para conseguir estas exigências foi interrompido pelas

forças políticas que, temendo não conseguir impor os PECs, dissolveram a Assembleia

da República e meteram o povo português na armadilha do programa da “Troika.

A sociedade portuguesa está agora confrontada com um Governo comprometido com

este programa, cujo conteúdo são todas as medidas dos PECs do Governo anterior, ainda mais brutais e isto numa situação em que todas as instituições democráticas estão subvertidas, a começar pela Assembleia da República. A própria Constituição está ameaçada de esvaziamento, em relação aos conteúdos que plasmam as conquistas do 25 de Abril.

Mais do que nunca é necessária a mobilização de todos para defender os conteúdos da Escola Pública, cuja matriz radica na Constituição da República! Os professores já mostraram por mais do que uma vez a sua força. Cabe à FENPROF potencializa-a, recusando qualquer concertação com este governo, unindo todos em torno da exigência da retirada dos ataques, começando pela garantia dos postos de trabalho e do restabelecimento da democracia nas escolas.

CONTACTOS: Carmelinda Pereira (966368165) / Adélia Gomes (963264728) / Paula Montez

(967636341)

CONTACTOS: Carmelinda Pereira (966368165) / Adélia Gomes (963264728) / Paula Montez (967636341)

Análise do programa do Governo - Educação

 

Programa de Governo Educação

 

Comentário - CDEP

1º. O futuro de Portugal está indissociavelmente ligado ao que de bom ou mau for realizado no plano da qualidade da educação e da formação. Este desafio centra-se, antes de mais, no domínio cultural, mas concretiza-se na afirmação cívica dos portugueses e na qualificação dos recursos humanos. Por isso, o Governo entende como decisiva a opção estratégica de potenciar a articulação progressiva entre as políticas de educação e formação.

14º. Inverter a situação a que o País foi conduzido implica, como pressuposto essencial, contrariar o crescente estatismo a que está sujeita a educação em Portugal.

Todos estamos de acordo com este parágrafo. Para a CDEP a realização de um tal desiderato implica cumprir as linhas programáticas contidas na Lei de Bases do

Sistema Educativo, de 1986, cuja matriz decorre dos princípios consignados na Constituição da República Portuguesa; e é em coerência com esses princípios que colocámos como preâmbulo a este documento as medidas consideradas prementes para repor os estragos feitos

ou

programados pelo governo de Sócrates/União Europeia.

O

conteúdo destes dois parágrafos (14º e 15º) é somente o

cumprimento das linhas programáticas contidas nos tratados de Maastricht e de Lisboa, sobre a transformação dos serviços públicos da responsabilidade do Estado em serviços

15º. O quase monopólio da escola pública que hoje existe, em todos os níveis de ensino, não é o modelo desejável. Não por ser pública, mas pelo facto de há muito estar sujeita a limitações no seu funcionamento e na sua cultura, que contrariam o princípio constitucional da liberdade de ensinar e aprender, de escolher e de aceder a um bem que toda a população portuguesa sustenta.

denominados de “carácter geral”. A este propósito, sublinhamos que a Comissão Europeia publicou “um guia sobre os mercados públicos socialmente responsáveis”, visando “contribuir para uma economia social de mercado equitativa”. Isto quer dizer uma economia onde públicoe privadoestão em pé de igualdade, ambos financiados por dinheiros públicos, o que implica a privatização da Escola Pública, de acordo com o princípio básico dos tratados da UE: “a concorrência é livre e não falseada”.

O

processo de financiamento do privado já está em marcha,

16º. Um maior equilíbrio entre as organizações pública, social e privada, enquanto destinatários das políticas educativas e do esforço de financiamento, é um objectivo que importa alcançar.

através do desenvolvimento dos contratos de Associação público-privado. Mais medidas certamente irão ser tomadas, para chegar a este objectivo. Os professores sabem como foi lançada a empresa pública “Parque Escolar”, e o que ela desenha em termos de privatização dos edifícios escolares. E é o Programa da

“Troikaque estabelece a exigência de privatização até onde a resistência dos trabalhadores e das populações o permitir, de todos os edifícios públicos, para “pagar a dívida”. O chamado “cheque ensino” – tão defendido pelos defensores da privatização vai estar na ordem do dia? Um equilíbrio entre a organização pública (social) e privada

é

a subversão da matriz da Escola Pública portuguesa,

Baseando-se nestes princípios fundamentais, o Governo levará à prática, em matéria de educação e formação, as seguintes medidas:

18º - A avaliação do desempenho das escolas, com publicitação dos resultados e criação de um sistema de distinção do mérito e de apoio às que demonstrem maiores carências;

assente na Constituição, uma Escola assegurada pelo Estado, onde o ensino particular assume o carácter de supletivo do público.

Como vai ser feita esta avaliação? Como vão apoiar as escolas que “demonstrem maiores carências”? Todos sabemos que o Orçamento do Estado para 2011 tem um corte na Educação de 803 milhões de euros, que irá reflectir-se essencialmente no próximo ano lectivo. A ele se acrescenta, no

compromisso com a Troika, um corte de 140 milhões de

 

euros para 2012.

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Na filosofia que impõe “combater o estatismo” e colocar o público e o privado em pé de igualdade, se na EP já há um tão grande défice de recursos humanos (professores, terapeutas, psicólogos) para responder às diferenças dos alunos, o que se pode concluir é que este apoio especial será a capa da Escola a duas velocidades. A Escola do Méritopara prosseguimento de estudos e a “Escola para formar cidadãos de segunda. Não será para este objectivo o exame no sexto ano de escolaridade?

25º - A aposta numa progressiva transferência de competências para a Administração local, especialmente no Pré-escolar e Ensino básico, sem prejuízo das funções de coordenação e de avaliação a nível central;

As autarquias irão ficar com a responsabilidade de assegurar todo o Ensino Pré-escolar e o Ensino Básico, desde os recursos materiais aos contratos de todos os trabalhadores. Para o Governo central ficarão apenas as funções de coordenação e avaliação. Isto quer dizer que os concursos nacionais irão terminar e ficará a porta aberta aos contratos individuais de trabalho selados pelo Director do Agrupamento e, também, a porta aberta à parcialidade. Entregar as escolas a um Poder local, também ele amputado de recursos, com cortes orçamentais, obrigado a despedir 3% dos seus

trabalhadores e na mira da aplicação de um plano que visa encerrar um grande número de Freguesias.

26º - A promoção do crescimento e qualificação da rede social de ensino pré-escolar em articulação com as autarquias locais, as instituições privadas de solidariedade social (IPSS) e a iniciativa privada, de forma a atingir uma taxa de cobertura média de 90% no grupo etário dos 3 aos 5 anos;

27º - o aperfeiçoamento do actual modelo de recrutamento, vinculação e gestão dos recursos humanos, de modo a seleccionar os mais competentes em termos pedagógicos e científicos, bem como a reduzir o considerável número de docentes sem carga lectiva atribuída e o excessivo número de destacamentos e requisições;

Seleccionar os mais competentes” no quadro de mega- -agrupamentos (verticalização terminologia do Governo), integrados no Poder local, sob a tutela dos directores. São estes que vão seleccionar os “professores de excelência” ou, quem sabe, favorecer os amigos e os “da sua cor”! É a partidarização da escola, feita em nome do combate aos professores sem preparação para ensinar.

É

certamente por detrás deste enunciado que se irão justificar o tão

 

propalado exame de acesso dos jovens professores, a quem as escolas de formação inicial não terão garantido uma formação à altura das funções a exercer.

É

inquestionável que o ensino de qualidade exige a garantia de

condições de formação científica, pedagógica e humanista inicial e em exercício que habilitem todos os docentes a um desempenho à altura das exigências de construção do futuro. Para podermos responder a esta exigência é imprescindível que as escolas de formação de professores não estejam dependente dos critérios da rentabilização pelo lucro. A experiência já demonstrou os maus resultados da formação de professores em muitas escolas privadas, um

processo que já se está a generalizar a todas, quer públicas quer privadas, uma vez que estão cada vez mais dependentes do auto- financiamento.

 

Mas tal medida é o contrário das directivas da União Europeia para o ensino, e das políticas educativas postas em prática por todos os governos ao serviço da manutenção do sistema capitalista em acelerada decomposição.

O

exame aos professores depois de terem sido habilitados para o

28º - O Governo precederá à revisão e racionalização da estrutura orgânica, dos serviços no respeito pelas regras de funcionamento da Administração Pública e da autonomia das escolas. Dar-se-á corpo, de forma progressivamente mais intensa, à subsidiariedade da função autárquica para com a função central, através, sobretudo, de uma política de descentralização de competências e em nome de um maior envolvimento das comunidades locais e das famílias na vivência e no sucesso do sistema de ensino.

ensino, por essa escolas, é penalizar a jusante os resultados que deveriam ser controlados a montante, e, em simultâneo, dividir para reinar. Será a promoção das EP de excelência nos bairros social e economicamente favorecidos. Aquelas onde os pais têm capacidade e

disponibilidade para interferir na gestão e organização da escola dos filhos e de suprir os défices de recursos. A maioria das restantes serão escolas sem condições de trabalho e enorme défice de recursos. É o oposto à equidade apregoada. É o fim da garantia de uma escola com

meios para permitir o desenvolvimento das crianças em todas as dimensões do ser humano, consagradas na Constituição.

os

 

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41º - A criação dum espaço europeu do ensino superior, consubstanciado na Declaração de Bolonha, constituirá, ainda, neste quadro de valores, referências e mutações, uma nova e importante linha mestra de orientação para o desenvolvimento do nosso ensino superior.

47º - O de assegurar a liberdade de ensino, pressupondo-se para esse efeito a observância de regras que garantam a aproximação à igualdade de tratamento entre o ensino superior público e não público, fomentando a competitividade entre ambos e uma crescente ligação ao mercado de trabalho.

O governo propõe-se aprofundar o processo de Bolonha no ensino superior, processo que só visa desresponsabilizar o Estado dos encargos que tem que assumir com a EP, obrigando os alunos a pagar propinas cada vez mais altas, a partir do 1º ano do “Mestrado”.

Isto será feito no quadro do novo modelo de gestão das universidades, que passarão a ser cada vez mais empurradas para a passagem para fundações de direito privado. Com a criação destas fundações, os docentes, funcionários e estudantes perderão o direito a decidir sobre a vida das escolas e ficarão dependentes do Conselho de Curadores.

A leitura deste programa não deixa qualquer dúvida de que se trata de continuar, de forma ainda mais aguda, o processo de desmantelamento da Escola Pública, agora sem qualquer roupagem sobre a defesa dos serviços públicos. Claro e taxativo, o programa revela em toda a linha a via do processo de privatização do ensino. Continua a pôr em prática o encerramento das escolas (mais 266 no próximo ano lectivo), com o consequente processo de desertificação do país, a constituição dos mega-agrupamentos, visando com ambas as medidas reduzir drasticamente o número de professores. Trata-se de encontrar todos os meios para efectuar o corte de 803 milhões de euros no Orçamento para a Educação, mais cerca de 400 milhões, nos próximos anos, de acordo com a subordinação total aos compromissos com a Troika. Podem estar de imediato em causa os postos de trabalho de cerca de 20 mil professores,segundo a FENPROF. Estarão certamente em causa os postos de trabalho de muitos dos restantes trabalhadores como auxiliares da educação, terapeutas, psicólogos imprescindíveis na constituição de equipas educativas para responder a todas as crianças. Note-se, também, que em nome do reforço da autoridade na Escola o que está a ser anunciado é o reforço do poder do Director que, segundo o programa do PSD, deverá ser um gestor nomeado. Para saber ensinar é necessário conhecimento e arte. Arte é criatividade. E criatividade foi tudo o que o Governo anterior estiolou na vida das escolas e que este se propõe prosseguir, com as escolas descaracterizadas, organizadas em mega-agrupamentos, dirigidas por um gestor, nas mãos do qual ficará a sorte de cada um dos seus trabalhadores. Que o digam já os professores precários, sujeitos muitas vezes ao arbítrio do Director da Escola, transformada em feudo. Que ensino é este, que em nome do sucesso escolar põe ênfase nas disciplinas de Português e de Matemática, omitindo as áreas de educação artística e a música? Que democracia é esta que prepara a escola a duas velocidades, uma para os mais favorecidos e outra para os restantes? Trata-se de uma ofensiva contra a própria Constituição da República, uma ofensiva a que os professores estão habituados, e que num passado recente levou a mobilizações históricas. Serão essas mobilizações que é necessário retomar, mas com todos os outros sectores da população. Mobilizações que exigem a independência completa das organizações dos trabalhadores.

A CDEP ajudará, com os meios democráticos ao seu alcance, a realizá-las e reafirma a defesa das reivindicações que formulou em Abril passado, às quais adiciona:

A retirada de todas as medidas contidas no Programa de governo do PSD/CDS, que não fazem senão aprofundar os ataques aos professores, em simultâneo com o processo de desmantelamento da Escola Pública, nomeadamente:

A prova de ingresso na carreira.

A municipalização do ensino.

O reforço do poder dos gestores das escolas.

A continuação do processo de encerramento das escolas e a formação de mega agrupamentos.

Os contratos com o Ensino privado.

A criação de dois tipos de formação inicial: uma, para as crianças filhas de famílias com capacidade financeira e

o suporte cultural que lhes permita aceder a formação de nível superior; outra, paras crianças oriundas de meios sociais débeis quer a nível cultural, quer a nível económico , a quem será precocemente proposto um currículo mais pobre, de carácter profissionalizante, em vez de uma descriminação positiva nos meios para garantir condições de aprendizagem adequadas.»

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