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UFCD 10381

Desenho e Conceção de Projetos de


Intervenção Social

A intervenção no Processo de
Trabalho Social

A INTERVENÇÃO
DIRETA

Curso- Técnico/a de Apoio Psicossocial

Formandos:
Elisa Dias - Estela Gonçalves – Hélder Morais

Formadora- Ana Tomé


A intervenção direta

Enquadramento
O trabalhador social no âmbito da sua atuação intervém junto do
individuo/grupo/comunidade ou instituição numa ação concretizada através de
um projeto de intervenção social. A intervenção representa uma ideia que se
transformará em ações para modificar determinada realidade/situação.
Segundo, Almeida (2002), a ideia de projeto é própria da atividade humana, da
sua forma de pensar em algo que deseja tornar real, portanto o projeto é
inseparável do sentido da ação.
Nas intervenções falamos do que se faz, mas sobretudo da forma como se faz,
o “como fazer” é o posicionamento de cada profissional, é como este se situa
perante o utente e a sua instituição, missão, funcionamento, também a sua
deontologia profissional e valores humanista. A realidade está em mudanças
constantes, assim como as dinâmicas e relações pelo que o trabalhador social
deve estar em busca constante de novos saberes, do que faz e como o faz.
Existem diferentes tipos de intervenções, estas são escolhidas consoante as
pressões e exigências dos projetos, e após compreender a situação a
trabalhar, assim como as questões que se colocam depois do diagnóstico. Os
objetivos do projeto, a sua duração, a mudança a concretizar e a avaliação da
situação a intervir são as razões principais das opções em relação às
intervenções.
As intervenções são, portanto, difíceis de separar, tantas são as variáveis nas
escolhas destas. Contudo, as intervenções mais empregues pelos
trabalhadores sociais a nível microssocial, as realizadas junto dos indivíduos,
grupos ou famílias, foram classificadas em diretas e indiretas. Esta
classificação remonta aos primeiros teóricos sobre o trabalho social, embora
seja notório que é muito difícil separar as diversas intervenções pois estas só
na prática da intervenção se complementam.
As intervenções diretas correspondem às intervenções em que o trabalhador
social e o utente estão presentes, estão frente a frente e são os dois
atores/participantes.
Estão classificadas, pelo menos seis tipos de intervenções diretas:
 Acolher-Apoiar-Acompanhar;
 Informar-Orientar-Educar;
 Persuadir-Influenciar;
 Controlar-Exercer autoridade;
 Relacionar-Criar novas oportunidades;
 Estruturar uma relação de trabalho.

1- Acolher-Apoiar-Acompanhar

Acolhimento
Este tipo de intervenções são bastante relacionais, o trabalhador estabelece
uma interação com o utente para “acolher” convenientemente. O
acompanhamento é importante para o utente pois poderá esclarecer questões
relativas à sua situação, sentir-se-á mais seguro e confiante.
O Acolhimento, representa o ato de acolher, segundo (Robertis, 2011), é “o
início da intervenção de ajuda à pessoa”, e é de extrema importância. O
trabalhador social deve ter formação específica pois as suas atitudes são
relevantes para as pessoas que estão a encarar necessidades de qualquer
ordem, e estão naturalmente apreensivas. A primeira impressão marca,
portanto, é essencial que quem presta o acolhimento o faça de forma assertiva,
respeitosa e calorosa, esta receção física deve demonstrar disponibilidade,
abertura e atenção focada em quem chega. Se o acolhimento suceder
telefonicamente a atitude do profissional deve ser igualmente assertiva,
respeitosa e calorosa além de garantir que o utente fica esclarecido ou é
devidamente encaminhado.
O acolhimento também serve para facilitar o acesso ao serviço de ação social,
assim como todas as explicações necessárias. Este serviço deve ter a máxima
qualidade, devendo apresentar disponibilidade, acessibilidade, e informações
claras, a boa organização é reveladora da capacidade da instituição.
O espaço físico onde se “acolhe” é igualmente importante, devendo ser
agradável e confortável, luminoso e deve proporcionar a confidencialidade
necessária.
Verificam-se muitas transgressões ao nível do acolhimento, pelo que é
indispensável que os utentes sejam sempre respeitados e as suas
necessidades sejam tidas em consideração por toda e qualquer instituição ou
serviço. Neste âmbito algumas instituições tomaram medidas para o evitar o
desrespeito para com o utente e as suas necessidades.
Dois exemplos do que não deve ser feito: Espaços abertos onde os utentes
esperam muito tempo pelo atendimento, onde não existe privacidade; A
demora de mais de 15 dias na marcação do atendimento tornam as situações
urgentes e geram angústia.
Por vezes as situações são problemáticas que requerem a intervenção de
diversos serviços/instituições, e o que se verifica é um “passar de um lado para
o outro” deixando o utente “largado”, quando não se dirige ao local mais
adequado à resolução da sua situação. Esta falta de vontade dos serviços em
ter uma visão global dos seus problemas, e a falta de respostas adequadas,
desperta nos utentes sentimentos de incompreensão, frustração, fúria e até
violência.
As pessoas devem ser encaminhadas adequadamente até ao local mais
indicado onde deve ser acolhido dignamente para ter as respostas necessárias
de forma eficaz. Este momento significa o início da intervenção, do processo
que deve ter seguimento e acompanhamento. A partir daqui estabelece-se uma
interação relacional entre o trabalhador e o utente. Assim, é essencial
acompanhar o utente ao longo do processo de intervenção, de uma forma
presente e próxima para que este se sinta apoiado na resolução dos seus
problemas (Robertis, 2011).

A Clarificação
Esta intervenção tem como objetivo compreender a natureza do problema, de
que se trata o pedido. O trabalhador social tem que perceber tudo o que
envolve o problema/necessidade do utente, este deve explicar todos os
problemas descrevendo a sua situação. Possibilita igualmente que o utente
compreenda a sua realidade, analisando diferentes aspetos da mesma com o
trabalhador social.
É importante que o utente explique bem o que pretende/necessita e que o
trabalhador, e ou o serviço informe devidamente o mesmo, esclarecendo todas
as questões e possíveis resoluções.
Portanto a clarificação é uma intervenção essencial no início do processo, mas
também é utilizada no decorrer do mesmo.
Apenas a clarificação não é suficiente para se compreender com exatidão toda
a situação/ problema pois, todas as pessoas são diferentes e reagem de
maneira diferente perante a mesma situação. Para Robertis,“a situação do
utente só tem significado pela maneira como a vive, a compreende e a analisa,
com todo o conteúdo afetivo que os factos produzem na pessoa (ou no grupo)”
(Robertis, pag.145, 2021).
A clarificação requer que o trabalhador social tenha atenção à especificidade
individual de cada utente e é fundamental que utilize a observação, a escuta, e
o. questionamento, no sentido de ser diligente na sua intervenção junto do
utente. A escuta atenta exige concentração, interesse e abertura para entender
o que é transmitido pelo utente, a observação é fundamental na perceção das
mensagens não verbais, que demonstra aquilo que a pessoa sente, como
tensão ou satisfação. Após estes procedimentos se o trabalhador social não
tiver todos os elementos necessários para a compreensão da situação, utiliza o
questionamento pertinente como esclarecimento da mesma para tentar
apresentar soluções adequadas. Este questionamento é importante para
desenvolver no utente uma visão de possíveis trajetórias para a resolução dos
seus problemas. As ações de clarificação são gratificantes para o utente que
sente assim, que têm consideração pelos seus problemas.

O Suporte
As intervenções de suporte pretendem fortalecer o utente enquanto pessoa,
através da confiança, autonomia e capacitação para a ação, fazendo com este
se liberte da ansiedade e ganhe energia para fazer algo para mudar a sua
situação.
Os métodos passam por estabelecer uma relação com o utente de forma a que
este se sinta confiante na ajuda e também que diminua as suas inquietações e
aumente ganhado confiança e esperança. Predominante o foco é a situação
atual embora ouvindo os desabafos sobre os acontecimentos passados e os
sentimentos vividos porque é libertador e o utente sente alívio em partilhar a
sua situação. Estas interações são importantes para o utente se sentir apoiado
e que recupere a sua confiança e autoestima, falar sobre as suas dificuldades e
sofrimento ajuda-o a sentir-se compreendido. A intenção é que o utente tenha
uma imagem mais positiva sobre si próprio reconhecendo as dificuldades, mas
reforçando os aspetos positivos nunca banalizando a sua situação.
O trabalhador social deve reforçar os aspetos positivos e valorizar os esforços
feitos para tentar resolver a situação e juntos vislumbrarem soluções possíveis,
estas ações ajudam na vontade de resolver a sua vida. Situar o problema
pessoal do utente num nível global faz com que este veja a situação com mais
objetividade e não com sentimentos de culpa e incapacidade. Canalizar as
reações de agressividade que os utentes sentem para estimular capacidades
dinâmicas na procura de soluções, reconhecendo-lhe competências e forças.
Apoiar o utente é voltar a dar-lhe esperança!
As intervenções de suporte no trabalho social podem ser realizadas em
pequenos grupos favorecendo as relações múltiplas, as partilhas e trocas de
experiências. Na prática estas são intervenções calorosas de apoio onde existe
uma entreajuda, solidariedade e suporte, os utentes identifica-se uns com os
outros como iguais, estabelecem relações diversas não só com o trabalhador
social.

A Compreensão de si próprio
Esta intervenção possibilita ao utente a compreensão dos seus
comportamentos afetivos e relacionais, o modo como estes o afetam a si
próprio e aos outros. Este processo deve ser um meio para um
desenvolvimento pessoal, pois a consciência de como reage, o que o afeta e
como progredir emocionalmente é uma ajuda relevante, mas nem sempre é
essencial. A resolução do problema do utente pode não passar por aí, e o
trabalhador social perante a situação optará por utilizar ou não esta
intervenção. Os trabalhadores sociais na sua formação empregam o case work,
que privilegia o desenvolvimento da compreensão de si, no próprio trabalhador
e no utente. Podemos esclarecer sinteticamente, que case work, é o trabalho
social, baseado num estudo aprofundado das histórias pessoais e das
circunstâncias e contextos dos indivíduos.

“A compreensão de si mesmo é um processo dinâmico que não para


nunca, que falta sempre completar. Diz respeito às emoções bem como
ao intelecto e trata-se de um processo difícil e doloroso, pois implica o
reconhecimento e aceitação destes aspetos da nossa personalidade que
seria preferível esconder e ignorar.”
(J. Haines silks and Methods in a Social Work, london, éd.Constable, 1975, p.91, cit in
Robertis, 2021, p.148)

Nesta intervenção distinguem-se dois tipos: compreensão dinâmica do


passado num primeiro nível e a compreensão mais próxima da prática social,
num segundo nível.
A compreensão dinâmica do passado, desde a origem, infância, experiências
passadas, tipos de relações estabelecidas com os outros. Esta forma é próxima
a uma ajuda psicoterapêutica, no entanto os trabalhadores sociais encontram
muitos utentes com problemas de conflitos no passado e no seio familiar.
Frequentemente as pessoas têm comportamentos repetitivos, como depressão,
insucesso, e outros, isto, apesar da intervenção na consciência dos seus
comportamentos, portanto é necessário “aprofundar o conceito de resiliência”.
Fazer ver ao utente que que todos temos a capacidade de ultrapassar mesmo
o pior dos traumas/problemas graves, passar uma visão mais positiva de que
tudo pode ser superado. Poderá levar ao pedido de ajuda psicoterapêutica por
parte do utente ao reconhecer essa necessidade, ou noutros casos o próprio
com a intervenção consegue mudar o comportamento e aceitar melhor as
situações recorrentes ou a relação com os outros.
A reativação das situações passadas provoca uma crise que promove em
pouco tempo a compreensão de si e a procura de uma vida e de relações
harmoniosas. As pessoas ficam mais disponíveis para aceitar adotar outros
comportamentos, quando surge uma situação repentina como acidente e
hospitalização, ou um conflito agudo como separações, guarda dos filhos etc.,
nestes momentos é mesmo importante equilibrar a sua nova situação.
“A situação de crise é sem dúvida um período ótimo para mudar, quando os
modos de funcionamento estabelecidos desde há muito tempo foram
quebrados e outros tipos de resposta são necessárias ”. (M. du Ranquet,
Nouvelles perspectives…, op. cit., p.159)
O segundo nível de intervenção na promoção da compreensão de si, consiste
em fazer o utente perceber a influencia que os seus comportamentos/atitudes
possuem nos outros, pois afetam as respostas que lhes são dadas. Nesta
intervenção o foco está na situação vivida no presente, e como esta revela o
seu comportamento e o dos outros, e as reações provocadas pelas inter-
relações. Aqui apela-se às “capacidades de identificação e de empatia” é
preciso que sejam capazes de verbalizar além de sentir, temos que ter em
conta que são capacidades que nem todos têm ao mesmo nível.
Utiliza-se com frequência esta intervenção com grupos ou com vários
elementos da mesma família, pois permite não só analisar a situação como
confrontar o comportamento do próprio utente com a reação que este provoca
nos outros. Nestes contextos, os participantes podem desenvolver a
compreensão de como se relacionam com os outros, e aceitação de que os
outros são pessoas diferentes de si. É essencial para demonstrar que todos
são seres diferentes e únicos.
A empatia representa não apenas a capacidade de se colocar no lugar do
outro, como a flexibilidade para deixar por instantes o eu e imaginar-se no
papel do outro, se não conseguir perceber o que o outro sente não conseguirá
mudar facilmente.

O Acompanhamento
O conceito de acompanhamento no trabalho social, surgiu recentemente nos
anos 80, foi muito utilizado na área da deficiência, nos serviços de inserção, de
alojamento e na luta contra o sobre-endividamento. É muito empregue no
âmbito da exclusão pelos meios associativos, o acompanhamento social
necessário está inserido nas leis de proteção social, embora não especifiquem
as competências de quem acompanha, assim muitas vezes é quem realiza a
inserção social (trabalhador social, associações, CCAS e outros).
A falta de indicações concretas em relação aos “acompanhantes” faz com que
surjam inconvenientes como a multiplicidade de intervenientes
(acompanhamentos distintos) que podem ser atribuídos devido à situação
requerer diferentes mecanismos específicos, também; um sentimento
depreciativo nos trabalhadores sociais perante a falta de qualificação de
voluntários e não-profissionais a efetuarem o seu trabalho.
O acompanhamento social foi considerado uma intervenção social de ajuda à
pessoa pois isoladamente não resolve a complexidade das situações e das
práticas dos trabalhadores sociais. O acompanhamento tem uma dinâmica
importante pois permite “a partilha, e o fazer com” na medida em que se vai
desenvolvendo.
De acordo com Equipa Heliokos, “Reflexion autor de l’accompagnement”, in
Lien social, nº 68, Toulousse, março de 1990, citado por Robertis, (2021, p.
152)

A função de Acompanhamento implica:


uma noção de proximidade e de presença- estamos lado a lado,
estamos com, apoiamos o outro;

uma noção de participação ativa do interessado- acompanhamo-lo no


seu caminho, aquele que ele próprio traçou e daí uma noção de
autodeterminação e de livre escolha;

uma ideia de movimento, o outro está em evolução, mesmo se não


sabemos com antecedência para onde vai, e é preciso procurar com ele
o caminho para o conseguir;

uma noção de individualização, cada pessoa é diferente, cada situação


é única mesmo que possa se reagrupada em categorias precisas;

uma ideia de passagem, de tempo limitado, de momento partilhado, mas


de separação após avaliação do caminho percorrido.

2- Informar- Orientar-educar
Nestas intervenções o trabalhador social utiliza todas as suas competências e
conhecimentos para responder às necessidades dos utentes que procuram
apoio, prestando-lhes esclarecimentos a nível de recursos e organismos
existentes, legislação, ajudas, e direitos dos utentes, por outro lado também
promover formação nas áreas da alimentação, saúde, organização doméstica,
cuidados infantis, etc.

A informação
Esta intervenção pretende transmitir ao utente conhecimentos e saberes que o
permitam fazer escolhas e fazer valer os seus direitos ao ter conhecimento dos
mesmos. O trabalhador entregará toda a informação que o utente necessite
para a resolução do seu problema assim como todo o tipo de questões que
possam dele ocorrer. Normalmente a informação é legislativa e administrativa;
respeitante aos organismos e recursos à disposição da população.
A informação legislativa e administrativa elucida para os direitos previstos na
legislação consoante o seu caso (desemprego, deficiência, rendimento mínimo,
apoio a terceira pessoa, etc.); informa igualmente como funcionam os
organismos que aplicam a legislação (moradas, telefones, formulários a
preencher, documentos solicitados, como proceder perante os mesmos, etc.).
A complexidade da legislação social e procedimentos das entidades, faz com
que utentes com menos desenvoltura e conhecimentos não tenha acesso aos
seus direitos, é fundamental ter alguém que o assista. Na prática, o utente só
“em posição de dependência” e “fazendo-se assistir” é que consegue fazer
valer os seus direitos e procurar soluções para os seus problemas.
Muitos organismos foram criados para fornecer informações para que os
utentes possam se encaminhar sozinhos, mas é recorrente o pedido de ajuda
aos trabalhadores sociais para estas intervenções(informar).
É importante assegurar que o utente compreendeu efetivamente as
informações legislativas e administrativas, pois estas são complicadas e utente
pode não perceber, mas não o demonstrar, cabe ao trabalhador social
certificar-se disso. Prestar informação corretamente é obrigação de todo o
trabalhador social e apesar de pretender a autonomia e responsabilização do
utente, deve, no entanto, perceber que determinados utentes não conseguem
sozinhos e precisam de algum acompanhamento.
É também crucial que os trabalhadores sociais conheçam bem os recursos e
organismos que estão à disposição da população para que a possam informar
devidamente, é comum que quem necessita de determinados equipamentos
não tenha sequer conhecimento da existência dos mesmos. Verifica-se cada
vez mais, reuniões com o propósito de prestar à população informação sobre
os seus direitos, mudanças legislativas, ou sobre equipamentos existentes ou
novos, estas devem atender ao tipo de público porque a forma como a
informação é divulgada têm que adaptar os recursos às circunstâncias para eu
todos fiquem esclarecidos.
Atualmente os novos profissionais são preparados para: “elaborar, gerar e
transmitir informação” no domínio de competências n.º 3 – Comunicação,
profissional no trabalho social. Estas são importantes competências que irão
permitir: saber informar; construir e dirigir análises; saber utilizar as novas
tecnologias; saber argumentar; etc.

A orientação
Orientar é saber situar-se no tempo e no espaço, no trabalho social
corresponde a ações que facilitam o acesso aos recursos disponíveis e ações
de fortalecer uma escolha. Estas intervenções, no âmbito da educação
destinam-se a orientar por exemplo jovens no seu percurso escolar e
profissional; no âmbito dos beneficiários do rendimento mínimo a orientação
informa das possibilidades profissionais existentes e das suas aptidões no
sentido de tomarem decisões sensatas. Ao nível judicial, as medidas de
observação e orientação servem para a recolha dos elementos necessários
para uma decisão de um juiz de menores ou de outro âmbito.
Estas intervenções aplicam-se também, para garantir que as pessoas têm
acesso a recursos/equipamentos existentes, através dos direitos sociais. Há
que certificar-se que as informações estão sempre atualizadas e são e que as
diligências efetuadas tenham sempre seguimento.

Acesso aos direitos


O direito institui a ordem social geral e global, define regras objetivas e impõe
deveres ou confere direitos e poderes aos indivíduos, aplicando-se a todos e é
executado pelo poder político através da polícia ou poder judiciário. O direito
social engloba o direito ao trabalho e o direito à proteção social, e também
todas as áreas como o consumo, saúde, velhice, infância, família, educação e
formação, habitação e meio envolvente. Os direitos fundamentais são os que
estão na Declaração dos Direitos do Homem e do cidadão, os principais são:
igualdade dos direitos entre homens e mulheres; dever de trabalhar; direito ao
emprego; direito à greve.
O aumento do desemprego causado pela crise económica e a mundialização,
trouxe precariedade, instabilidade e pobreza fazendo com que surgisse uma
legislação laboral para tentar resolver os problemas no âmbito do trabalho. Na
luta contra a pobreza e a exclusão de qualquer tipo multiplicaram-se os
mecanismos de ação social, havendo sobreposição em alguns casos o que
torna os serviços indecifráveis e não acessíveis a quem realmente precisa
deles. A dimensão jurídica e o direito são áreas relevantes do trabalho social, e
constituem grande parte da formação dos profissionais, devido ao papel do
trabalhador social de informar, explicar, ajudar a conhecer, e acompanhar os
utentes no acesso aos seus direitos. Esta intervenção requer conhecimentos
concretos da legislação e de direito, e também conhecimentos do contexto
institucional da ação social, assim como dos respetivos procedimentos
administrativos.
Como existe uma evolução natural o trabalhador social deve informar-se
constantemente pois deve estar atualizado, porque a informação, a orientação,
e o acompanhamento são instrumentos fundamentais para esta intervenção de
acesso aos direitos.

A Assistência material
Esta intervenção possibilita ao utente resolver momentaneamente uma
situação financeira precária, ou algumas dificuldades. A maioria dos
organismos possuem orçamentos que têm determinadas verbas para acudir às
necessidades materiais dos utentes, em situações de grandes dificuldades
(Câmaras municipais, Segurança Social, Cruz Vermelha, Cáritas, etc.), estes
fundos podem ser: públicos, semipúblicos ou privados, consoante a entidade.
Os tempos atuais de precariedade fizeram surgir inúmeras associações
humanitárias que prestam assistência e auxílio aos mais carenciados/
desprotegidos, as ajudas podem ser monetárias ou através de serviços como
colocação de crianças em instituições, ou de bens essenciais como bens
alimentares, vestuário, mobiliário ou alojamento temporário.
A assistência material está reservada apenas a casos excecionais, pois não faz
parte dos direitos dos utentes e como tal, só é atribuída em casos devidamente
justificados e os pedidos têm que ser decididos por uma comissão. Os
trabalhadores sociais são intermediários entre o utente e o organismo que o
poderá auxiliar, portanto importa a exatidão dos factos/situação para a
concessão da assistência material, tem de avaliar se o pedido é ou não
justificado, tem que escrever um relatório. O trabalhador nestas situações deve
ter um bom discernimento e clarificar os seus critérios e as suas atitudes
nestas intervenções.
Os assistentes sociais de serviço social são os profissionais mais competentes
para serem os mediadores nestas intervenções.
Nesta intervenção o utente fica dependente de um organismo, e também fica
numa posição de objeto porque tem que expor todos os motivos do seu pedido,
e fica dependente da decisão de atribuição ou recusa.
A assistência material, suscita comportamentos de ordem pessoal, em relação
ao dinheiro, aos seus valores e normas, o que pode interferir com os seus
critérios e razões profissionais para aceitarem ou recusarem determinado
pedido de ajuda material. Esta assistência é sempre procedida da avaliação da
situação do utente ou clarificação dos critérios profissionais e pessoais, que
originam esta escolha.
Determinadas formas de assistência material podem ser proveitosas quando se
trabalha com grupos, conseguindo transportes gratuitos ou salas de reunião
gratuitas, empréstimo ou doação de material, tarifa reduzida em certos serviços
ou acesso gratuito como piscinas, museus ou cinemas.

A Educação
Em França existem inúmeras profissões com essência educativa, mas entre as
profissões com componente educativa a profissão de assistente social não faz
referência à mesma.
O que se verifica em todo o lado é uma dispersão destes profissionais devido à
sua certificação e disparidades em termos de atuações dos mesmos. As
rivalidades interprofissionais fazem com que diferentes trabalhadores sociais
atuem na mesma situação/intervenção de conteúdo educativo. Consoante a
técnica utilizada assim será a designação dos profissionais, como é o caso dos
Técnicos da Intervenção Social e Familiar (TISF); os delegados para o
acompanhamento das prestações sociais; os conselheiros em economia social
e familiar; os educadores técnicos e também os animadores socioculturais.
Noutros casos os profissionais designam-se consoante a categoria com a qual
trabalham: educadores de crianças e jovens; educadores sociais; educadores
de deficientes; educadores de pessoas dependentes; educadores para a
proteção judicial da juventude e da integração. Podem ser também mediadores
familiares; mediadores de casais; conselheiros conjugais; mediadores pré-
delinquentes; mediadores de adultos saídos das prisões etc. Na realidade, “é
difícil precisar e definir as intervenções educativas dos trabalhadores sociais
pois o campo é muito vasto e cobre práticas e profissões diversificadas e
dispersas”. (Robertis, 2021, p.160).

Objetivos das intervenções educativas


O sistema educativo: família, escola e formação profissional, é apoiado por dois
eixos que são interdependentes e complementares (a aquisição de saberes e a
socialização). A transmissão dos conhecimentos e comportamentos de uma
geração para outra, adquire diferentes modalidades consoante as culturas, as
normas sociais e os conhecimentos essenciais não são iguais, mas a sua
transmissão ás gerações futuras é decisiva para a continuidade do grupo
social.
As normas sociais são colocadas em causa quando surgem problemas e são
contestadas com o aparecimento de outras regras ou quando surgem
mudanças sociais e económicas. Perante as mudanças são inevitáveis as
consequências a nível dos valores dos comportamentos e dos hábitos e
também no sistema educativo no âmbito da socialização das normas sociais.
Neste conflito de valores e normas, situam-se algumas das intervenções
educativas dos trabalhadores sociais que têm uma posição oposta às normas
vigentes, alimentam-se da aquisição de conhecimentos e socialização ou
aquisição de comportamentos em conformidade as normas sociais em vigor.
Nestas intervenções os trabalhadores sociais, consoante a população com a
qual trabalham, atendem a três objetivos que se interligam:
 Levar conhecimentos e favorecer a aprendizagem de comportamentos
ligados aos papéis sociais exercidos pelos adultos;
 Desenvolver as capacidades encobertas das crianças e dos jovens
através de diversas atividades;
 Reinserir no meio social habitual os jovens e adultos que estão em
rutura com as normas sociais e com a lei.
Tipos de intervenções educativas em trabalho social

Transmissão de um saber e um saber-fazer: são direcionadas aos


adultos na tentativa de os tornar capazes de exercer diversos papéis
sociais. A transmissão do saber-fazer implica uma relação do tipo da
aprendizagem através do exemplo, convidando o outro a segui-lo, estas
intervenções educativas podem ser individuais ou em grupo.

Reeducação, reinserção social-desenvolvimento pessoal: Estas


intervenções educativas são centradas na pessoa e na sua socialização,
normalmente estão fora do meio natural (crianças colocadas em
instituições, em residências pós- penais e em centros de acolhimento),
os educadores poderão também exercer com crianças/adolescentes em
ambiente familiar. Este tipo de intervenção educativa baseia-se numa
relação privilegiada criança-adulto, o educador centra-se na
criança/jovem e no seu projeto educativo individualizado, o seu
procedimento é de compreender o comportamento da criança a partir da
sua história pessoal ou da análise da situação presente. A prioridade do
educador é a evolução da criança e as suas intervenções têm o objetivo
de favorecer o seu desenvolvimento e alargar as suas oportunidades.
Habitualmente estas crianças e jovens são aqueles com os quais a
família e a escola fracassaram no papel educativo e encontram-se fora
das organizações sociais habituais. Nestas intervenções de reeducação
e reinserção social, os trabalhadores sociais são conduzidos a substituir
as figuras parentais.

Práticas educativas críticas: Por vezes são necessárias práticas


educativas diferentes em oposição ás normas sociais admitidas, muitos
trabalhadores sociais opuseram –se ás normas sociais quando a
situação dos utentes o exigia, estas práticas são reprimidas por um lado,
mas são divulgadas numa literatura crítica. Neste âmbito destacam-se
duas orientações, a que na prática suporta o desvio das normas sociais
e a que numa prática coletiva procura novas formas de
consciencialização e transformação da realidade social. A Prática de
intervenção de interesse coletivo (grupo, comunidade ou bairro)
pretende consciencializar as pessoas, fazê-las analisar a sua situação e
encontrar formas de a transformar. Algumas práticas educativas
diferentes são concebidas a partir das ideias de Paulo Freire, que as
colocou em prática um pouco por todo o mundo. Em França fazem-se
intervenções diversas intervenções individuais ou em grupo para que os
utentes tomem consciência da sua situação e os meios para a
transformar.
3- Persuadir-Influenciar
Nas interações e relações que estabelecemos somos influenciados e
exercemos influência nos outros, as influências podem ser conscientes ou não,
voluntária ou escolhida, podem ser mais ou menos manipuladores e mais ou
menos subtis. No trabalho social as intervenções quando são devidamente
realizadas exercem uma influência consciente e desejada no utente para que
este faça algo que modifique a sua situação. As intervenções dos profissionais
são escolhidas para influenciar o utente numa determinada direção, parecem ir
contra a liberdade de escolha e por isso são muitas vezes rejeitadas ou são
realizadas em silêncio. O conselho, a confrontação e a persuasão são três
tipos destas intervenções.

O conselho
Esta forma de intervenção pretende influenciar o utente para que este organize
adequadamente a sua vida e as suas atividades. Os trabalhadores sociais
normalmente estão na presença do utente e têm tendência a aconselhar sobre
a melhor maneira de resolução dos problemas, como agir etc., mas o seu
parecer deve ser enquanto perito competente pois a sua resposta terá impacto.
O trabalhador social não possui necessariamente competências em todos os
domínios o que é problemático quendo se trata de tomar decisões na vida dos
utentes como neste tipo de intervenção. As soluções apresentadas pelos
profissionais têm como base os seus valores, normas e referências, e podem
divergir das dos utentes, quando isto acontece o utente enfrenta um dilema.
Importa desmistificar o saber o perito da opinião, e mostrar que todas as
pessoas são únicas e diferentes.

A Confrontação
Esta intervenção tem como finalidade confrontar a pessoa com as
consequências dos seus atos e preveni-la sobre o efeito que determinados
comportamentos acarretam. O trabalhador social tenta dissuadir o utente e
confronta-o com as consequências futuras, esta intervenção é útil com utentes
ou famílias que possuem uma limitada visão do futuro. Muitas pessoas vivem o
dia a dia sem planificar o seu futuro, e leva-las a refletir sobre as possibilidades
e consequências e aceitar a responsabilidade das suas decisões e dos seus
atos.
Estas intervenções pretendem que o utente tome decisões conscientes e com
conhecimento de causa e seja responsável pelas suas ações, não pode haver
por parte do trabalhador social um “livrar-se de toda e qualquer”
responsabilidade e censurar o utente. O importante é assegurar ao utente uma
completa aceitação de si próprio como pessoa mesmo que não concorde com
as suas atitudes e decisões.
A Persuasão
O trabalhador social nesta intervenção tenta influenciar/convencer o utente a
concentrar-se nas propostas apresentadas, através da sua convicção e poder
de persuasão, recorrendo aos argumentos favoráveis, aos prós e contras das
soluções possíveis. O estatuto privilegiado do trabalhador social ao fazer parte
duma instituição de bem, e a opinião que o utente tem deste enquanto pessoa
e profissional, fará com que o utente se deixe persuadir mais facilmente, por
vezes, os profissionais fazem até promessas. Este tipo de intervenção não é só
por si prejudicial, depende do contexto, da situação, dos interesses e das
pessoas é necessário que seja avaliada.

4- Controlar-Exercer uma autoridade


Estas intervenções envolvem o exercício da autoridade do trabalhador social, e
têm origem no desempenho do seu papel ou estatuto, é importante que os
utentes entendam bem esta autoridade. É fundamental que cada trabalhador
social exerça assertivamente a sua autoridade e a utilize de forma adequada
para influenciar e modificar a situação dos utentes. Os utentes não podem ser
desprovidos dos seus direitos, apesar dos trabalhadores sociais estarem numa
posição de autoridade, estes são livres para fazerem as suas escolhas de vida,
e podem até recusar qualquer intervenção.
Mesmo numa posição de poder e apesar das suas competências e desejo de
ajudar, os trabalhadores sociais podem fracassar porque o utente pode não
querer ser ajudado, pode faltar aos encontros ou pode não abrir a porta a
visitas ao domicílio.

O trabalho de acompanhamento
Esta forma de intervenção é praticada com frequência em higiene mental, em
doentes estabilizados, e utentes que já tiveram comportamentos aditivos,
consiste em visitas ao domicílio ou diálogos. Realizam-se em pessoas que se
encontram em situações instáveis ou de fragilidade que já não são
acompanhadas regularmente. Pretende-se efetuar uma vigilância discreta
como forma de prevenir a deterioração da situação ou intervir de forma rápida
caso seja necessário, é habitualmente proposto a utentes com problemas que
reaparecem ciclicamente. Os encontros de acompanhamento espaçados no
tempo servem para reforçar o equilíbrio e possuem um efeito estabilizador, são
importantes para um trabalho mais intensivo se surgirem novos problemas e
também para os utentes que não pediriam ajuda em caso de dificuldade.
As exigências e os limites
Os trabalhadores sociais nestas intervenções podem ter exigências de respeito
pelos compromissos e pelo contrato; exigências em relação a horários e pela
regularidade nos encontros. Também precisam exigir por parte do utente,
esforço, que este assuma determinadas responsabilidades e cumpra as
obrigações. A finalidade é estimular o utente e o mobilizar a agir, as exigências
devem ser realizáveis.
São igualmente estabelecidos um quadro de limites, implicando regras a
respeitar, trabalhando a frustração para criar novas dinâmicas. Alguns grupos
como os jovens têm dificuldades em lidar com a imposição de limites, cumprir
regras, não sabem lidar com frustrações, estas intervenções são de grande
importância.

O Controlo
As intervenções de controlo têm como objetivo a dissuasão e controlar os
comportamentos dos utentes para que não se repitam, exercendo uma força
dissuasiva com a sua presença junto dos mesmos, através das intervenções
educativas. Esta autoridade é legitimada pela lei num mandato legal, acontece
por exemplo com jovens delinquentes ou junto de famílias que revelam
incapacidades para conseguir o bem-estar das crianças e jovens. Estas
intervenções ajudam também a despistar as dificuldades que possam surgir,
pretendem fazer o utente aderir às normas sociais. Intervenções de controlo
erguem problemas aos trabalhadores sociais pois fazem questionar a prática
social e os seus valores éticos. O controlo para fins de despistagem e
prevenção de problemas ou dificuldades que se possam evitar obedece a
critérios e é necessário um bom conhecimento das situações, muitas vezes
este trabalho é feito pelos assistentes sociais para os alunos, o controlo aplica-
se de forma completa através de equipas pluridisciplinares.

5- Estabelecimento de relações-Criar novas oportunidades


Nestas intervenções o trabalhador social tem como finalidade motivar o utente
para experienciar novas formas de vida social, fazer com este alargue as suas
relações utilizando igualmente outras formas de intervenções como o apoio, a
informação, a educação e o conselho.
A intervenção vai no sentido de estimular o utente a aproveitar instituições e
equipamentos que estão no seu meio, e mobiliza-lo para participar ativamente
na vida social e no seu meio profissional.
Estabelecimento de relações
A relação estabelecida com o trabalhador social é importante para utente e a
pode ser aproveitada para inserir outras relações com pessoas diferentes e
instituições. Alargar o círculo relacional, participando em grupos de
associações, fazer atividades que permitam comunicar com outros utentes na
sua situação, estas experiências são muito enriquecedoras. Poderá ser uma
mais valia nas relações que o utente estabelece com as instituições e
equipamentos da sua área ou entidades empregadoras.

Abertura e a descoberta
Estas intervenções destinam-se a estimular o utente a explorar outras
possibilidades, competências, ou outros grupos que não seria provável de o
fazer, o que desenvolverá diferentes experiências.
Em relação ao próprio poderá mostrar aptidões que não ainda demonstrado,
como capacidades artísticas, manuais, capacidades de planificação e
organização, de animação, liderança ou capacidades técnicas. Relativamente
ao meio social, explorar tudo o que nunca utilizou como instituições,
equipamentos, grupos, tudo o que existe à sua volta e que lhe permita disfrutar
da vida social. Importa é auxiliar a que o utente adquira uma abertura,
explorando e descobrindo mais sobre si e sobre o seu meio social.

Utilização e a criação de equipamentos da envolvente e participação


nestes
No âmbito destas intervenções a organização da vida e lazer é particularmente
Importante para as crianças e jovens, pois existem muitos equipamentos
recreativos ou desportivos e que estes devem aproveitar. Existem igualmente
estruturas e atividades para adultos e seniores que estes podem usufruir em
lazer e criar novas relações. As atividades desportivas e de lazer proporcionam
experiências estimulantes de diversão e prazer.
Os trabalhadores sociais se se depararem com um contexto desprovido de
equipamentos e instituições, deve promover a criação de novos grupos,
estimulando a tomada de consciência nos utentes das necessidades individuais
e coletivas. Leva-los a agir, a participar e criar, surgindo daqui novos
dinamismos e vontade de satisfazer as necessidades coletivas.
6- Estruturar uma relação de trabalho com o utente
Estas intervenções destinam-se a estruturar uma relação de trabalho com o
utente e tem como finalidade, proverem-se da preparação dos meios, para que
a relação de ajuda com a pessoa possa construir-se, e para que os objectivos
de mudança possam ser executados, continuados e alcançados se possível. O
trabalhador social tem a responsabilidade de estruturar uma relação de
trabalho, consoante a situação específica do utente, conforme a avaliação
diagnosticada e ainda consoante os limites e as possibilidades oferecidas pelo
organismo empregador.
Definimos o trabalho social em termos de método e de processo, mas para que
ele se desenvolva, é preciso tempo e espaço e o mesmo acontece ao
desenvolvimento da ação. Para que este processo tenha lugar, é necessário
que esteja evidenciado e os objetivos explicados. Existem pelo menos, três
formas de intervenção que tendem criar uma relação de ajuda.

A estruturação no tempo
Consiste em explicar ao utente a regularidade dos encontros e a duração
deste, também a duração total da ação consumada. O ritmo dos encontros será
muito variável, estes serão conforme a situação e a etapa do processo
metodológico na qual se encontrarão nesta fase, a frequência destas podem
ser semanais, quinzenais ou mensais, conforme a problemática de cada
situação. No contexto de trabalho de grupo, por regra geral as reuniões têm
lugar de 15 em 15 dias, ou todas as semanas, caso contrário o espaçamento
demasiado longo entre as reuniões poderia alimentar o desenvolvimento dos
sentimentos e afetar o desempenho interno do grupo. Quando um grupo está
centrado na tarefa, num quadro bastante formal e com vários participantes,
pode ser vantajoso estruturar o tempo dentro da própria reunião: ordem do dia,
tempo disponível para tratar de cada ponto e hora de conclusão da reunião.
Esta organização do tempo, é uma boa estratégia para que o grupo realize a
tarefa que foi fixada, mesmo que seja pertinente reduzir a interação e a
comunicação entre os membros. É habitual que estas intervenções de grupo
tenham a duração pré estabelecida, mas por vezes, este limite no tempo é
fixado a título experimental e pode ser renovado a pedido do grupo se a
experiência se mostrar convincente.
No entanto, o trabalhador social poderá achar útil demarcar limites se o mesmo
achar que o utente é monopolizador e que procura reter o interlocutor de forma
excessiva. Os diálogos individuais variam entre3/4 de hora a uma hora, mas a
duração por vezes é menos e raramente mais, pois a disponibilidade e a
concentração exigida do trabalhador social têm limites que devem ser
respeitados.

A utilização do espaço
Na intervenção destinada a organizar uma relação de trabalho, a escolha do
lugar de encontro com a pessoa tem uma influência direta na relação que se
estabelece entre o trabalhador social e o utente. A maioria dos trabalhadores
sociais tem pelo menos dois locais de intervenção habituais: na própria
organização ou no domicílio do utente, ou noutro lugar público. Em todos os
casos, o espaço no qual o encontro se desenvolve terá um significado e um
efeito diferente na relação. Quando o encontro se dá no local de trabalho do
trabalhador social, “o espaço faz parte do território dele”, enquanto o utente se
desloca e encontra-se num sítio estranho, o mesmo acontece ao trabalhador
social quando vai ao domicílio do utente. Contudo, o trabalhador social, pode
intervir na escolha do lugar, servindo-se do espaço para atingir objetivos
precisos, poderá propor à pessoa pouco motivada para vir da próxima vez a um
encontro no serviço e aproveitara a mudança de lugar como meio de participar
mais ativamente no processo em curso, ou propor uma visita regularmente no
seu gabinete ou fazer-lhe uma visita ao domicílio, no sentido de compreender
melhor a situação aquando de uma entrevista em conjunto com a família no
seu próprio território. No sentido de definir melhor as dificuldades de
comunicação na família, pode convidar mãe e filhos para um passeio num local
de relaxamento ou lazer, tirando proveito de outras formas a utilização do
tempo livre.
A focalização em objectivos de trabalho
Outra forma de construir uma relação de trabalho com o utente, é definir
objetivos específicos direccionados a atingir tarefas a realizar.
As finalidades da mudança com a pessoa são em função da sua situação e dos
seus desejos. Em algumas ocasiões é confrontada com vários problemas e
com dificuldades em várias áreas da sua vida, neste caso pode ser benéfico
escolher um só problema em particular, aquele que a pessoa considerar mais
importante e urgente onde se irá canalizar todos os esforços de mudança. Esta
escolha tem como objetivo atingir que o trabalhador social e o utente
concentrem toda a sua energia e dinamismo no ponto certo, sendo o objetivo
do trabalhador social orientar o utente a nunca perder o foco o porquê de
trabalharem em conjunto. Esta focalização em torno do objetivo de mudança, é
de extrema importância no sentido de os utentes tornarem-se autónomos e
terem a responsabilidade de cumprirem os objetivos a que se propõem.
Bibliografia

Robertis, Cristina (2021). Metodologia da Intervenção em trabalho social


https://repositorio.iscte-iul.pt/bitstream/10071/6348/3/textofinal.pdf

crédito imagens: https://www.google.com/search?q=Interven


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