Você está na página 1de 9
® AASP Associaglo dos Advogsdos de Sao Paulo EXCELENTISSIMA SENHORA MINISTRA CARMEN LUCIA, DO E, SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, M. D. RELATORA DA ACAO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE N° 4768/2012 ADI N° 4768/2012 ASSOCIAGAO DOS ADVOGADOS DE SAO PAULO — AASP, inscrita no CNJP sob n° 62.500.855/0001-39 e sediada na cidade de So Paulo, 4 Rua Alvares Penteado, 151, vem, respeitosamente, & presenca de Vossa Exceléncia, por seus advogados abaixo assinados, nos autos da AGAO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE, com pedido cautelar, proposta pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil contra a Camara dos Deputados, 0 Senado Federal e a Presidéncia da Repiblica, requerer sua admissio na qualidade de AMICUS CURIAE, pelos motivos que a seguir passa a expor: A AASP € uma entidade sem fins lucrativos, fundada em 1943, € que tem, dentre suas finalidades, a defesa dos direitos, interesses € prerrogativas de seus associados € dos advogados em geral (artigo 2° do seu Estatuto Social), contando com aproximadamente 90 (noventa) mil associados. ® AASP Associagzo dos Advogados de So Paulo No caso vertente, a Ago Dieta de Inconstitucionalidade discute a constitucionalidade do art. 18, 1, alinea “a” da Lei Complementar n° 75/1993 ¢ do art. 41, inciso XI, da Lei n° 8.625/1993. ‘Tais dispositivos concedem aos membros do Ministério Publico a prerrogativa de se sentarem “wo mesmo plano ¢ inediatamente @ dinita” (LC n° 75/93) ou, “a déreitd” (Lei n° 8.625/1993) dos juizes de primeiro grau ou dos presidentes dos drgios judiciérios, perante os quais oficiem. A impugnagio aos dispositivos em referéncia acaba por remeter a assunto relevante para toda a sociedade mas, de forma muito especial, para a classe dos advogados, cuja defesa dos interesses é a principal atribuigiio da Associagao dos Advogados de Sao Paulo — AASP. De fato, os advogados € os drgios de classe que os representa so os maiores interessados e sio os mais afetados pelas normas impugnadas nesta Adin, que, em Ultima anilise, versam sobre a violagio ao principio da paridade de armas e do devido proceso legal. Ha que se ressaltar que os contornos da Acio Direta de Inconstitucionalidade, nos termos regulados pela Lei n° 9.868/99 (§1° do ge art. 7°), preveem a intervencio de terceiros, seja na condicio de assistente simples ou na de “amicus curiae”. | yy ut) AASP Assoclagto dos Advogados de Sto Paulo ‘Ante 0 exposto, requer-se a admissio da Associagio dos Advogados de Sio Paulo no presente feito € 0 secebimento da manifestacio anexa, a fim de contribuir para o melhor desfecho possivel da questio juridica versada nestes autos. A AASP ratifica sua intengio de participar do processo da maneia mais ampla possivel, juntando documentos, estando presente em eventuais audiéncias piblicas a serem designadas por Vossa Exceléncia, sustentando oralmente, sendo-Ihe concedida a faculdade mais ampla possivel de trazer subsidios titeis para o debate de tio importante tema para a sociedade brasileira ‘Termos em que, Pede deferimento Brasilia, 26 de marco de 2013 R LCM) S€tgio Rosenthal Luis Carlos Moro Preshlente OAB-SP n° 109.315 Alberto G bem — 828. S30 Pa OAB-SP 0°132.969 OAB-SP n°,1, ® AASP ‘Associagao dos Advogados de SS0 Paulo Agao Direta de Inconstitucionalidade n. 4768 Autora: Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e Outros Manifestante: Associagao dos Advogados de Sao Paulo — SP - AASP Excelentissima Senhora Relatora, Ministra Carmen Lucia Col. Supremo Tribunal Federal, D.D. Ministros, © Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil propos esta Acio Direta de Inconstitucionalidade objetivando a declaragio de inconstitucionalidade, sem reducio de texto, do att.18, inciso I, alinea “a” da Lei Complementar 75/93 € do artigo 41, inciso XI, da Lei 8.625/93, atribuindo-se interpretagio conforme a Constituicio para que a prerrogativa do Ministério Pablico, insculpida em tais dispositivos, seja aplicada tio somente aos casos em que o parquet atue como fiscal da Lei, excluindo-se tal possibilidade quando 0 membro do Ministério Piblico oficie na qualidade de parte. Com muita propriedade expde a Autora da ADin que a prerrogativa concedida aos membros do Ministério Piiblico, sobretudo quando atuam como Partes, fere o principio da isonomia, quebra a igualdade de tratamento a ser necessariamente conferida a todos os protagonistas que ® AASP Assoclagto dos Advogados ide Sto Paulo atuam na esfera jurisdicional e nio se compadece com o principio republicano, além de violar os principios da ampla defesa, do contraditério € do devido processo legal. Feita esta breve sintese, pede vénia a AASP para ratificar todos os argumentos trazidos na inicial e tecer algumas outras consideragdes juridicas, que corroboram a inconstitucionalidade dos dispositivos em apreco. i) Da Inconstitucionalidade Formal do art. 18, inciso I, alinea “a” da Lei Complementar 75/93 € do artigo 41, inciso XI, da Lei 8.625/93. ‘Tanto a Lei Complementar 75/93, quanto a Lei ordinaria 8625/93 previram, como prerrogativa do membro do Ministério Publico, o direito de sentar-se numa dada posigao (A direita do magistrado ¢, por uma das leis, no mesmo plano) na sala de audiéncias. De modo assemelhado, a Lei Complementar 132/209, conferiu a prerrogativa aos advogados integrantes da Defensoria PUiblica de sentarem-se no mesmo plano do Ministério Publico (art.4°, §7°).. 132/2009 tivesse igualmente 4 legislagao de regéncia do Ministério Piblico, © que aconteceria se a aludida Lei Complementar i) i contemplado 0 direito de o Defensor Piiblico sentar-se a direita do magistrado | ( € no mesmo plano? ® AASP Assoclagto dos Advogados de Sa Paulo Haveria certamente um conflito de normas, mas a ser resolvido por qual critério? © uso do critério temporal levaria & conclus que cada entidade que fizesse veicular seu estatuto por tiltimo teria uma prerrogativa, mais nova e revogadora da dos demais (cg, um novo Estatuto dos Advogados ou dos Defensores, revogando a Lei Complementar que disciplina o Ministério Pablico). Jao recurso a0 critério da especialidade seria ainda mais tortuoso, pois se cabe a uma Lei Complementar dispor das prerrogativas do MP, cabe & outsa dispor sobre os defensores publicos e ainda a uma Lei ordindria dispor sobre os direitos dos advogados, cada qual, inequivocamente, dotada de especialidade, no que tange A entidade e prerrogativas a que se destina a regular. E todas elas, caso disciplinassem conflitantemente a configuracao da sala de audiéncias, setiam incompativeis entre si. Na verdade, regular a formatagio da sala de audiéncias nao é uma prerrogativa funcional, quer do Ministério Pablico, quer da Defensoria Publica, mas, por 6bvio, da Magistratura. E dessa conclusio decorre a inconstitucionalidade formal das Leis impugnadas nesta ADin, que padecem ou de vicio de iniciativa ou de extrapolagio de competéncia. 5 isto que se conclui da leitura dos dispositives constitucionais, que se pede vénia para a seguir transcrever: s lial @ AASP Assoclagto dos Advogados de Sao Paulo “Art 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, dispord sobre 0 Estatuto da Magistratura, observadas os seguintes “Art. 96. Compete privativamente: I - aos tribunais: 4) eleger seus érgios dretivos e elaborar seus regimentos internos, com_observancia das normas de proceso e das garantias processuais das partes, dispondo sobre a competincia e 0 funcionamento dos respectivos érgdos jurisdicionais ¢ administrativos; b) organizar suas secretarias e servigos auxiliares ¢ as dos juizos que thes forem vinculades, velando pelo exercicio da atividade correicional respectiva;” Parece claro que a organizacio das salas de audiéncia e das secretarias é competéncia privativa dos ‘Iribunais. Por outro Jado, tal matéria, ao ser disciplinada, deverd levar em conta a estrita observincia das normas de processo e das garantias processuais das Partes, tema este que voltaremos mais adiante. Do exposto, testa concluir que as Leis impugnadas nesta Adin invadiram seara alheia, ¢ foram editadas, inclusive, com vicio de iniciativa, devendo, pois, ter sua inconstitucionalidade declarada. ii)Da violagto 20 principio do devide processo 14-4 legal, da ampla defesa e do contraditério. A teforcar a argumentagao trazida pela Autora, vale consignar que 0 tratamento dispensado a advogados periesrerhiae 7 meee © .Promorores,.. yar { ® AASP Assoclagto dos Advogados de Sto Paulo notadamente quando se da a atuacio do MP na qualidade de parte, viola, de modo claro, © principio da paridade de armas, ao dispor de tratamento privilegiado a uma parte em detrimento da outra, Importante consignar que 0 contraditério implica na igualdade de oportunidades e no tratamento estritamente isondmico, 0 que no se sucede quando 20 Ministério Piblico é dado sentar-se em posi¢io diferenciada, com os privilégios dai decorrentes e ainda trespassando a impressio de estar atuando como agente piblico isento e equidistando, quando, na verdade, atua de modo parcial ¢ com viés claro de defender um dado interesse que considera digno de tutela. Esta situagio, por vezes, ao passar uma durea de “autoridade” aos leigos, rol no qual se encontram as testemunhas, os membros do Jiri, os peritos ¢ assistentes técnicos, entre outros, pode influir no resultado dos julgamentos. FE. essa mera possibilidade, a par da sua frequéncia mais ou menos acentuada em que tal ocorra, ja impoe a necessidade de revisio deste cenario. As garantias processuais sio sempre conferidas as Partes, de modo isonémico, zelando para um contraditério real e justo, pois s6 assim é possivel atender 0 principio do devido proceso legal, na sua perspectiva substantiva. Nao por outra razdo que o artigo 96 da Constituicio regimentos internos, devem observancia estrita “das normas de processo ¢ das Federal foi categ6rico ao determinar que os ‘Tribunais, 20 elaborirem seus ij _garantias processuais das partes”. } a Lie ep 01012905 So Paulo SP 8 ven. or ® AASP Assoctagdo dos Advogados ie S80 Paulo Postas essas consideracées, espera a Associacao dos Advogados de Sio Paulo — AASP, que a presente acko direta de inconstitucionalidade seja julgada procedente, para os fins nela colimados. Pede deferimento. Brasilia, 26 de marco de 2013 Ao komt OAB-SP n° 156.828 Ly C45 s Luis Carlos Méro Alberto Gosson_ OAB-SP n° OAB-SP n? 109.315 (03) 3291 8200 « 9 sem asinora

Você também pode gostar