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EXCELENTÍSSIMA SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA DO

SUPREMO TRIBUNAL DE FEDERAL – RELATORA DA AÇÃO DIRETA


DE INCONSTITUCIONALIDADE N. 4768 - DF

A DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO DE


JANEIRO, com escritório de representação na Capital Federal localizado em SAFS –
Quadra 2 – Lote 2 – Bloco B – Sala 108 – Edifício Via Office – Brasília/DF, CEP
70.070-600, telefone (61) 3326-7317, por intermédio dos Defensores Públicos que
subscrevem a presente peça processual, vem, requerer a habilitação na qualidade de

AMICUS CURIAE

com fundamento no art. 134 da Constituição da República e arts. 138 do Código


de Processo Civil, na ADI nº4768/DF, proposta pelo Conselho Federal da Ordem
dos Advogados do Brasil, pelos fundamentos expostos a seguir:

I. BREVE RESUMO DOS FATOS

Cuidam os autos de Ação Direta de Inconstitucionalidade na


qual se objetiva que seja declarada a inconstitucionalidade, sem redução de texto do
art. 18, I, a, da Lei Complementar 75/93, e do art. 41, XI, da Lei 8.625/93, para que
seja dada interpretação conforme a Constituição da República, estabelecendo-se que
a prerrogativa do Ministério Público de tomar assento à direita e no mesmo plano
dos magistrados incida apenas quando oficie como fiscal da lei e não no seu atuar
como parte.
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II. RELEVÂNCIA DA MATÉRIA E A LEGITIMIDADE DA
PETICIONANTE PARA ATUAR NA QUALIDADE DE AMICUS
CURIAE

Trata-se da Ação Direta de Inconstitucionalidade cuja matéria é de


suma relevância para garantia da segurança jurídica e igualdade, já devidamente
apontada pela Eminente Relatora nesses autos em despacho proferido.

O art. 18, I, a da Lei complementar nº 75/1993, dispõe “sobre a


organização, as atribuições e o estatuto do Ministério Público da União”, e do art.t
41, XI, da Lei nº 8625/1993, institui “a Lei Orgânica Nacional do Ministério
Público, dispõe sobre normas gerais para a organização do Ministério Público dos
Estados e dá outras providências”, objetos dessa ação, a qual se busca a
interpretação conforme à Constituição da República, sem contudo reduzir o texto.

Busca-se uma igualdade atualmente afastada e pondera-se, que não


se trata, puramente, de discussão secundária, vez que a posição de desigualdade dos
assentos é mais do que simbólica e pode sim influir no andamento do processo
quando ambos atuam como parte. Tal fato traz à tona o imenso abismo existente
entre advogados, membros do Ministério Público e do Judiciário, com tal prática.
Não obstante nosso ordenamento jurídico prever que advogados, juízes e promotores
estão no mesmo patamar de igualdade, não havendo qualquer tipo de hierarquia
entre eles, porém ao serem colocados em uma posição de suposta superioridade,
cria-se um cenário que afeta aqueles que são os mais importantes e essenciais à
Justiça, os profissionais do Direito, que, na maioria das vezes, sofrem tratamento
desigual.

Neste sentido a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro


ressalta que nenhum cidadão pode ser preterido ou tratado com inferioridade. É
notório que a prerrogativa do Ministério Público, de ter assento o mesmo plano e
imediatamente à direita dos Juízes e Ministros, já foi objeto de questionamento por

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notória violação dessa igualdade entra as partes, sob a ótica da isonomia processual,
do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal. Cuida-se de tema com
potencialidade para impactar diretamente o rito das audiências e a disposição física
das salas em todo o País. O espaço cênico da sala de audiência expressa um
simbolismo para os destinatários do sistema de justiça e contém, no seu atual
quadro, um desequilíbrio lesivo ao sistema acusatório.

III – A DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO COMO INSTITUIÇÃO


GARANTIA E SEU PAPEL DA DEFESA CRIMINAL.

O paradigma da Defensoria Pública como órgão estruturante e


garantista dos diretos pertencentes (e localizados) no bloco de constitucionalidade de
uma camada mais vulnerável, acaba sendo determinante para os contornos do
presente litígio, sendo mais uma vez os agentes públicos da defensoria pública do
estado que manejam e efetivamente tem assento significativo nos litígios judiciais
do sistema penal.

Vale destacar que dimensão constitucional da nossa atuação no


primado do acesso à justiça como direito fundamental se materializa na própria
exigência da Lei Complementar n. 132, de 07 de 0utubro de 2009, no seu Art. 1º:

“A Defensoria Pública é instituição permanente, essencial à função


jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento
do regime democrático, fundamentalmente, a orientação jurídica, a
promoção dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, judicial e
extrajudicial, dos direitos individuais e coletivos, de forma integral e
gratuita, aos necessitados, assim considerados na forma do inciso
LXXIV do art. 5ºda Constituição Federal.”

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A função institucional da Defensoria do acesso á justiça e
toda sua carga imperativa e principiológica vem a desaguar na presente ação
constitucional de controle, contribuindo para uma mudança cênica e efetiva no
sistema de justiça com os principais personagens no processo criminal brasileiro.

A Defensoria Pública do ERJ vem somar esforços nesse


processo aberto e democrático (dialogal) do ESPAÇO CÊNICO DAS
AUDIENCIAS , fortalecendo o pedido bem esculpido pelo autor da ADI com toda
sua extensão(e efeito erga omnes), típica do processo objetivo construído pela
engenharia constitucional na busca de maior segurança jurídica nas decisões,
igualdade formal e material entre acusação e defesa, proteção aos direitos e garantias
constitucionais e a própria supremacia da constituição republicana de 1988.

Nossa atuação em defesa dos destinatários ou mesmo


usuários do serviço essencial da defensoria pública – no acesso à justiça
qualificado - , como instituição, legitima nossa contribuição no presente tema em
debate com a apresentação de sociedade aberta dos intérpretes da Constituição , na
importante e oxigenada lição de Peter Häberle, que muito influenciou a estrutura
normativa das Leis 9.868 e 9.882, ambas de 1999, que alicerça nossa atuação e
diálogo com o STF, perceba:

“Propõe-se, pois, a seguinte tese: no processo de interpretação


constitucional estão potencialmente vinculados todos os órgãos estatais,
todas as potências públicas, todos os cidadãos e grupos, não sendo
possível estabelecer-se um elenco cerrado ou fixado com numerus
clausus de intérpretes da Constituição.”

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Não é necessário construir qualquer ilação ou interpretação mais
aberta para nossa colaboração. A literalidade - que tem lá sua força interpretativa - já
evidencia nossa obrigação de contribuir ao tema, com novos argumentos, dados e
possíveis pesquisas sobre a matéria sub judice.

Eminente Ministra Relatora, nesse palco dialético que se abre,


com todas as vênias, podemos contribuir para um desfecho de efetividade máxima
da vontade constitucional e a devida filtragem constitucional para apurado sistema
acusatório.

VI. PEDIDO

Por todo o exposto, requer-se a admissão da peticionante nos autos


da ação direta de inconstitucionalidade n° 4768/DF, na qualidade de amicus curiae, para
todos os efeitos legais, inclusive para fins de sustentação oral, que desde já pede seja
deferida e as devidas intimações podem ser enviadas para nossa representação na
Capital Federal.

Pede deferimento.

Brasília, 11 de Agosto de 2019.

Pedro Paulo Lourival Carriello


Defensor Público
Representação nos Tribunais Superiores

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