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28/11/22, 11:50 SEI/CJF - 0406293 - Acórdão

CONSELHO DA JUSTIÇA FEDERAL


Setor de Clubes Esportivos Sul - Lote 09 - Trecho III - Polo 8 - Bairro Asa Sul - CEP 70200-003 - Brasília - DF - www.cjf.jus.br

ACÓRDÃO Nº 0406293

PROCESSO 0003402-07.2022.4.90.8000
RELATORA ORIGINÁRIA: Conselheira Ministra Maria Thereza de Assis Moura
RELATORA PARA O ACÓRDÃO: Conselheira Desembargadora Federal Mônica Sifuentes
INTERESSADO(S): Ajufe - Associação dos Juízes Federais do Brasil
ASSUNTO: Adicional por tempo de serviço (ATS). Absorção pelo regime de subsídios.

EMENTA

ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO (ATS). SUBSÍDIO DE MAGISTRADO. EMENDA


19/98. LEI 11.143/05. IMPLEMENTAÇÃO EM 2005. ABSORÇÃO DO ATS PELO SUBSÍDIO.
OBSERVÂNCIA, TODAVIA, DO DIREITO ADQUIRIDO À SUA PERCEPÇÃO. LIMITAÇÃO
PELO TETO DO SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL. RESTABELECIMENTO DO ATS.
PAGAMENTO DE DIFERENÇAS, CONSIDERADA A GRATIFICAÇÃO DE ACÚMULO E O
REFERIDO TETO.
1. O ajuizamento de ação coletiva dentro do prazo de cinco anos da suposta supressão do direito
interrompe o prazo  prescricional para se pleitear administrativamente o reconhecimento do direito e o
pagamento de diferenças, prazo este que ainda não retomou o seu curso, porque ainda não julgada a
demanda, na forma do art. 9º do Decreto 20.910/32 e do art. 202, I, e parágrafo único, do Código Civil.
2. O art. 39, § 4º, da Constituição, introduzido pela Emenda 19/98, instituiu o subsídio fixado em parcela
única para remunerar os magistrados. Por força do inciso X do art. 37 da Constituição, exigiu-se lei
específica para fixação do subsídio, o que ocorreu em 2005, pela Lei 11.143/05.
3. Não obstante o advento da Lei 11.143/05, dúvidas surgiram sobre quais verbas estariam englobadas no
subsídio, tendo em vista que a própria Constituição permitiu, no § 3º do art. 39, o pagamento de
gratificação natalina, do terço de férias, das diárias, da ajuda de custo e do salário-família,
cumulativamente com o novo regime de pagamento em parcela única da retribuição pelo trabalho do
agente político. Dessa forma, mesmo após 2005, diversos tribunais do País continuaram pagando o ATS
aos magistrados a eles vinculados, o que levou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a normatizar a
matéria, editando a Resolução 13, de 21/03/2006, a qual previu o ATS, expressamente, como
compreendido no subsídio dos juízes.
4. Ao proclamar a referida norma – Resolução 13/06 –, o CNJ, órgão de controle da legalidade dos atos
administrativos do Judiciário, atuou como intérprete da lei, conferindo sua integração ao direito positivo,
para disciplinar que o pagamento do ATS deveria se dar até maio de 2006. Posteriormente, em 25/09/2007,
ao julgar o PP 1069-07, o CNJ garantiu aos magistrados federais o direito à percepção do ATS até maio de
2006, limitado ao teto remuneratório. O pagamento do ATS ocorreu também para os ministros ativos e
aposentados do Supremo Tribunal Federal e seus pensionistas, por decisão administrativa tomada no PA
333.568/2008, até maio de 2006.
5. A despeito da absorção do ATS pelo regime de subsídio, deve ser preservado o direito adquirido à sua
percepção, até o valor do teto remuneratório do serviço público, como reconheceu o Supremo Tribunal
Federal ao julgar o RE 606.358/SP (Tema 257 da tabela da repercussão geral).
6. Pedidos da associação requerente deferidos para (a) determinar o restabelecimento dos ATS percebidos
pelos seus associados em maio de 2006, com reintrodução na folha de pagamento, em parcela separada,
sujeita à correção pelos mesmos índices de reajuste do subsídio, (b) o pagamento, respeitando o teto
remuneratório do serviço público – subsídio de ministro do Supremo Tribunal Federal, das parcelas
vencidas, considerando-se a gratificação de acúmulo (Lei 13.093/15).
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ACÓRDÃO

O Conselho, por maioria, DECIDIU JULGAR PROCEDENTES os pedidos formulados


pela Associação dos Juízes Federais do Brasil AJUFE, nos termos da divergência inaugurada pela
Conselheira MÔNICA JACQUELINE SIFUENTES, no que foi acompanhada pelos Conselheiros
MARCO AURÉLIO BELLIZZE OLIVEIRA, SÉRGIO LUÍZ KUKINA, JOSÉ AMILCAR MACHADO,
MESSOD AZULAY NETO, MARISA FERREIRA DOS SANTOS e EDILSON PEREIRA NOBRE
JÚNIOR. Vencida a relatora, Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, e os Conselheiros OG
FERNANDES, ASSUSETE DUMONT REIS MAGALHÃES e RICARDO TEIXEIRA DO VALLE
PEREIRA. Relatora para o acórdão: Conselheira MÔNICA JACQUELINE SIFUENTES. Presidiu o
julgamento a Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA. Plenário Virtual, 16 a 18 de novembro de
2022. Votaram os Conselheiros MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, OG FERNANDES, MARCO
AURÉLIO BELLIZZE OLIVEIRA, ASSUSETE DUMONT REIS MAGALHÃES, SÉRGIO LUÍZ
KUKINA, JOSÉ AMILCAR MACHADO, MESSOD AZULAY NETO, MARISA FERREIRA DOS
SANTOS, RICARDO TEIXEIRA DO VALLE PEREIRA, EDILSON PEREIRA NOBRE JÚNIOR e
MÔNICA JACQUELINE SIFUENTES.

RELATÓRIO

A EXMA. SRA. MINISTRA MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA,


PRESIDENTE E RELATORA ORIGINÁRIA:
 
Trata-se de requerimento da Associação dos Juízes Federais do Brasil – AJUFE pela
qual se requer o reestabelecimento do pagamento do Adicional de Tempo de Serviço – ATS e o pagamento
retroativo das parcelas desde junho de 2006.
 
A requerente aduz, em síntese, a Emenda Constitucional n. 19/1998 (com alterações da
EC n. 41/2003) trouxe duas importantes alterações em relação ao sistema remuneratório dos servidores
públicos, em especial dos magistrados: o subsídio em parcela única (art. 39, § 4º) e o teto remuneratório
limitado ao subsídio mensal de ministro do Supremo Tribunal Federal (art. 37, inciso XI), substituindo
vantagens pecuniárias permanentes, como o Adicional por Tempo de Serviço – ATS.
 
Acrescenta que, somente com a edição da Lei n. 11.143 (com efeitos retroativos a
1/1/2005), fora fixado o subsídio de ministro do Supremo Tribunal Federal.
 
Informa que o Conselho Nacional de Justiça, por meio da Resolução CNJ n. 13/2006,
não preservou o suposto direito adquirido ao ATS (manutenção dos adicionais já adquiridos, com
percepção cumulada com o subsídio até o teto remuneratório).
 
Aponta que, por sua vez, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o tema 257 (RE
606.358/SP), em complementação ao tema 480 (RE 609.381/GO), deixou assentado que, não obstante o
teto alcance e abarque vantagens de caráter de pessoal, inclusive o ATS, não implica supressão de parcelas
adquiridas legitimamente e incorporadas ao patrimônio do servidor, que devem continuar sendo pagas,
inclusive de forma progressiva, desde que não acarretem pagamento acima do teto constitucional, no caso,
o subsídio de ministro do STF.
 
Explicita que a tese firmada no tema em questão foi: “Computam-se para efeito de
observância do teto remuneratório do art. 37, XI, da Constituição da República, também os valores
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percebidos anteriormente à vigência da Emenda Constitucional n. 41/2003 a título de vantagens pessoais


pelo servidor público, dispensada a restituição dos valores recebidos em excesso e de boa-fé até o dia 18
de novembro de 2015.”
 
Conclui ter o STF assentado que a existência do teto não acarreta a supressão de
vantagens pessoais remuneratórias protegidas pelo direito adquirido, entre elas o ATS, que devem
continuar sendo pagas, observado, em qualquer caso, o teto constitucional.
 
Noticia que outros tribunais de justiça estaduais já reconheceram o direito em discussão,
como o TJRJ e o TJMG.
 
Ao final, requer:
 
a) o restabelecimento dos ATS percebidos por seus associados e associadas em maio de 2006, com
reintrodução na folha de pagamento do mês seguinte a contar da decisão, em parcela segregada e com
correção pelos mesmos índices de reajuste do subsídio no período, que somente deve ser paga até o montante
que, somado ao subsídio ou outra parcela remuneratória paga na competência, não supere o subsídio de
Ministro do Supremo Tribunal Federal;
b) o pagamento das parcelas vencidas desde junho de 2006 até a data do efetivo restabelecimento, com
correção monetária e juros de mora na forma dos atos normativos deste e. CJF, observando, sempre, a
limitação, por competência, ao teto constitucional.
 
A Secretaria de Gestão de Pessoas apresentou manifestação (0397089).
 
Os autos foram incluídos em pauta.
 
É o relatório.
 
 

VOTO - VENCEDOR

 
Acompanho a Excelentíssima Ministra Relatora, Conselheira Maria Thereza de Assis
Moura, no tocante à rejeição da preliminar de prescrição, que, de fato, não ocorreu no caso, considerando
o ajuizamento de ação coletiva pela AJUFE, com o mesmo objeto, antes de transcorridos cinco anos da
supressão do adicional por tempo de serviço (ATS).
 
No tocante ao mérito, peço licença para, respeitosamente, divergir do voto da eminente
Relatora.
 
Por força do art. 39, § 4º, da Constituição, introduzido pela Emenda 19/98, foi instituído
o subsídio fixado em parcela única para remunerar os membros de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Tendo o referido dispositivo constitucional feito remissão
ao inciso X do art. 37 da Constituição, exigiu-se lei específica para a fixação do subsídio, o que ocorreu
apenas em 2005, por força da Lei 11.143/05. A Emenda 19/98 teve sua vigência diferida, portanto.
 

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Não obstante o advento da Lei 11.143/05, dúvidas surgiram sobre quais verbas estariam
englobadas no subsídio, tendo em vista que a própria Constituição permitiu, no § 3º do art. 39, o
pagamento de gratificação natalina, do terço de férias, das diárias, da ajuda de custo e do salário-família,
cumulativamente com o novo regime de pagamento em parcela única da retribuição pelo trabalho do
agente político. Dessa forma, mesmo após 2005, diversos tribunais do País continuaram pagando o ATS
aos magistrados a eles vinculados, o que levou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a normatizar a
matéria, editando a Resolução 13, de 21/03/2006, a qual previu o ATS, expressamente, como
compreendido no subsídio dos juízes.
 
Ao proclamar a referida norma – Resolução 13/06 –, o CNJ, órgão de controle da
legalidade dos atos administrativos do Judiciário, atuou como intérprete da lei, conferindo sua integração
ao direito positivo, para disciplinar que o pagamento do ATS deveria se dar até maio de 2006.
Posteriormente, em 25/09/2007, ao julgar o PP 1069-07, o CNJ garantiu aos magistrados federais o direito
à percepção do ATS até maio de 2006, limitado ao teto remuneratório. O pagamento do ATS ocorreu
também para os ministros ativos e aposentados do Supremo Tribunal Federal e seus pensionistas, por
decisão administrativa tomada no PA 333.568/2008, até maio de 2006.
 
A despeito do reconhecimento do direito ao recebimento do ATS até maio de 2006 pelos
magistrados federais, a extinção não preservou o direito adquirido à percepção até o valor do teto
remuneratório do serviço público.
 
A interessante questão posta pela requerente a este douto Conselho é a seguinte: o fato
de ter sido o ATS extinto e ter surtido efeitos até pelo menos maio de 2006, significa que aquelas parcelas
que já estavam incorporadas aos vencimentos dos magistrados, anteriores a esse marco regulatório,
também deixaram de existir? Em outras palavras: a norma constitucional, ao instituir nova forma de
pagamento ao magistrado, produziu efeitos ex tunc, de modo a alcançar também as parcelas de ATS
incorporadas, como direito adquirido, em razão do tempo de serviço prestado?
 
Não trata o pedido da AJUFE, pelo que pude compreender e salvo melhor juízo, de
ressuscitar o ATS, o que dependeria, naturalmente, de emenda constitucional, mas de respeitar aquelas
parcelas já incorporadas aos vencimentos, sem deixar, no entanto, de computá-las para o limite do teto
remuneratório, que é o subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal.
 
Em seu socorro, a AJUFE traz a lume o Tema 257 da tabela de repercussão geral do
Supremo Tribunal Federal, definido no julgamento do RE 606.358/SP, com a seguinte ementa:
EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL.
SERVIDORES PÚBLICOS. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DO TETO DE RETRIBUIÇÃO.
VANTAGENS PESSOAIS. VALORES PERCEBIDOS ANTES DO ADVENTO DA EMENDA
CONSTITUCIONAL Nº 41/2003. INCLUSÃO. ART. 37, XI e XV, DA CONSTITUIÇÃO DA
REPÚBLICA. 1. Computam-se para efeito de observância do teto remuneratório do art. 37, XI, da
Constituição da República também os valores percebidos anteriormente à vigência da Emenda Constitucional
nº 41/2003 a título de vantagens pessoais pelo servidor público, dispensada a restituição dos valores recebidos
em excesso de boa-fé até o dia 18 de novembro de 2015. 2. O âmbito de incidência da garantia de
irredutibilidade de vencimentos (art. 37, XV, da Lei Maior) não alcança valores excedentes do limite definido
no art. 37, XI, da Constituição da República. 3. Traduz afronta direta ao art. 37, XI e XV, da Constituição da
República a exclusão, da base de incidência do teto remuneratório, de valores percebidos, ainda que antes do
advento da Emenda Constitucional nº 41/2003, a título de vantagens pessoais. 4. Recurso extraordinário
conhecido e provido.
 
Da leitura do acórdão da lavra da Ministra Rosa Weber, verifica-se que o leading case
refere-se a caso em que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assegurou a servidor público
estadual, agente fiscal de rendas aposentado, o direito de continuar recebendo todas as vantagens pessoais
incorporadas anteriormente à modificação do art. 37, XI, da Constituição, pela Emenda 41/03. A tese do

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recorrido era de que a supressão dessas vantagens, ainda que a pretexto de conferir efetividade ao teto
remuneratório previsto no texto constitucional, afrontaria os princípios do direito adquirido, do ato jurídico
perfeito e da irredutibilidade de vencimentos.
 
O que se discutiu naquele feito foi o direito de o autor continuar a receber, sem sujeição
a limite, o valor nominal relativo às verbas pessoais percebidas anteriormente à redação do art. 37, XI, da
Constituição, dada pela Emenda 41/03.
 
Após elencar toda a evolução da jurisprudência do STF no tocante a esse tema, o que
disse, em síntese, a Ministra Rosa Weber, foi que o autor teria direito a receber ditas parcelas, mas
sujeitando-se ao teto constitucional. Não se vê do acórdão líder nenhuma afirmação de que as vantagens
pessoais adquiridas no regime anterior tivessem desaparecido do universo jurídico. Ao contrário, é
expresso ao afirmar que elas existiram, mas se submeteriam ao teto.
 
Nesse sentido são as palavras da Ministra Rosa Weber ao consignar que “o art. 37, XI,
da Constituição da República, na redação da Emenda Constitucional nº 41/2003, é expresso ao incluir as
vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza para fins de limitação dos ganhos ao teto
remuneratório do serviço público. E tal não se discute aqui. A quaestio juris reside em saber se, ao alterar
a redação do texto do preceito constitucional, o Poder Constituinte derivado afrontou as garantias do
direito adquirido e da irredutibilidade de vencimentos.”
 
Sua conclusão é a de que essas parcelas continuam hígidas, porque já incorporadas ao
patrimônio do servidor em questão. E porque hígidas e presentes na composição do seu vencimento, ou
subsídio, elas se somam às demais para efeitos de se submeterem ao teto constitucional.
 
Eis a parte relevante do seu voto:
(...) Nessa linha, a Constituição não só autoriza como exige o cômputo – para efeito de
incidência do teto remuneratório sobre os proventos de aposentadoria recebidos pelo autor –, de adicionais
por tempo de serviço (quinquênios), sexta parte, prêmio de produtividade e gratificações, ainda que
qualificados neste feito de forma incontroversa, pelas partes, como vantagens de natureza pessoal por ele
percebidas antes do advento da Emenda Constitucional nº 41/2003.
14. Anoto, em qualquer hipótese, que a limitação, ao teto, da despesa efetiva da Administração com a
remuneração de uma única pessoa não se confunde com a supressão do respectivo patrimônio jurídico, do
valor correspondente, uma vez preservado o direito à percepção progressiva sempre que, majorado o teto,
ainda não alcançada a integralidade da verba. A incorporação de vantagens permanece, assim, hígida, e
apenas não oponível ao corte exigido pelo imperativo da adequação ao teto constitucional.
15. No caso concreto, o acórdão recorrido, ao excluir as vantagens ditas pessoais, nomeadamente, adicionais
por tempo de serviço (quinquênios), sexta parte, prêmio de produtividade e gratificações, da base de
incidência do teto remuneratório estadual – o chamado sub teto –, afrontou, data venia, o art. 37, XI e XV, da
Constituição da República .
 
Consignou-se, portanto, com base no acórdão colacionado acima, que a verba relativa ao
ATS, como vantagem de natureza pessoal, vigorou até a efetiva implementação do regime de subsídio. A
partir daí, não se computou mais o tempo de serviço para fins de adicional, mas, por outro lado, também
não se anulou o que já estava incorporado, porque a norma não teve, como nem poderia ter, efeito ex tunc,
sob pena de se ferir o direito adquirido e o ato jurídico perfeito, institutos jurídicos que recebem a mesma
proteção constitucional (art. 5º, XXXVI, da Constituição).
 
No voto da eminente Ministra Relatora deste requerimento, consta que o autor do caso
analisado era servidor estadual aposentado, que não recebia seu benefício pelo regime de subsídio, e isso
seria suficiente para não aplicar o que foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal ao caso concreto. Com
a máxima vênia, esse fato não é relevante, na medida em que também o autor passou a se submeter, como
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qualquer outro servidor, ao teto constitucional. Ademais, a instituição do regime de subsídio, por si só, não
teve efeitos pretéritos, no sentido de desconstituir os direitos adquiridos e atos jurídicos formal e
materialmente constituídos sob a regência do modelo anterior.
 
Constata-se, portanto, que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de
direito adquirido àqueles magistrados que tinham vantagens de caráter pessoal de percebê-las, não
obstante o pagamento da remuneração por meio de subsídio, desde que seja respeito o teto do serviço
público, que é o subsídio de ministro do próprio tribunal.
 
Desse modo, pedindo novamente as mais respeitosas vênias à ilustre Ministra Relatora,
julgo procedente o pedido da requerente para determinar o restabelecimento dos ATS percebidos pelos
seus associados em maio de 2006, com reintrodução na folha de pagamento, em parcela separada, sujeita à
correção pelos mesmos índices de reajuste do subsídio, e o pagamento, respeitando o teto remuneratório
do serviço público – subsídio de ministro do Supremo Tribunal Federal.
 
Deverão, ainda, ser pagas as parcelas vencidas, também observado o teto remuneratório
a cada mês, nos termos em que pedido. Para fins de observância do teto constitucional, deverá ser
considerada a gratificação de acúmulo (Lei 13.093/15), o que implica redução do retroativo a ser pago, a
partir do termo inicial indicado no requerimento.
 
É como voto.

 
MÔNICA SIFUENTES
Conselheira
 
 
VOTO - VENCIDO
 
A EXMA. SRA. MINISTRA MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA,
PRESIDENTE:
 
A controvérsia cinge-se a se saber se o adicional por tempo de serviço – ATS adquirido
pelos juízes federais até maio de 2006 pode ser pago em acréscimo ao subsídio, mas limitado ao teto.
 
Preliminarmente, no que se refere à prescrição, a Associação dos Juízes Federais do
Brasil – AJUFE juntou aos autos cópia dos autos 0050718-69.2010.4.01.3400, cujos pedidos eram os
seguintes:
"[...]
b) A procedência do pedido, declarando-se que não se aplica, em respeito ao direito adquirido, o disposto no
inciso III, letra a, do art. 30 da Resolução nº 13/2006, do Conselho Nacional de Justiça, aos magistrados que
percebiam o adicional por tempo de serviço (ATS) à data em que expedido o mencionado normativo;
c) A condenação da União a incorporar, nos vencimentos dos magistrados representados, o adicional por
tempo de serviço por eles percebido, quando expedida a Resolução nº 13/2006 do CNJ, bem como a pagar-
lhes as parcelas indevidamente suprimidas, atualizadas e acrescidas de juros de mora legalmente previstos."
 
A entidade defende que a propositura dessa demanda, antes de transcorridos cinco anos
da supressão do ATS, configuraria causa de interrupção da prescrição, que ainda não retomou o seu curso,
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na forma do art. 9º do Decreto n. 20.910/1932 e do art. 202, inciso I, e parágrafo único do Código Civil.
 
De fato, segundo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, "o ajuizamento de ação
coletiva tem o condão de interromper o transcurso do prazo prescricional para a propositura da ação
individual" (AgInt no AREsp n. 1.794.938/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma,
julgado em 19/9/2022, DJe de 21/9/2022).
 
Logo, não há prescrição.
 
Todavia, no que se refere ao mérito, tenho que os pedidos se mostram improcedentes.
 
O regime de subsídios foi imposto aos magistrados, a partir da EC n. 19/1998, nos
termos do art. 39, § 4º, da Constituição Federal.
"Art. 39. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão conselho de política de
administração e remuneração de pessoal, integrado por servidores designados pelos respectivos Poderes
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Vide ADI nº 2.135)
[...]
§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e
Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de
qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória,
obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
[...]
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
[...]
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser
fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral
anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19,
de 1998) (Regulamento)
XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração
direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos,
pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais
ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo
Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no
Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados
Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de
Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos
Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do
Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 41, 19.12.2003)
[...]"
 
Considerando que se trata de uma norma de eficácia limitada, seus efeitos se
implementaram tão somente a partir de julho de 2005, com a edição da Lei n. 11.143, de 26 de julho de
2005, que dispôs sobre o subsídio de ministro do Supremo Tribunal Federal.
 
A propósito:
"PREVIDENCIÁRIO. EX-COMBATENTE. APOSENTADORIA. LIMITE. TETO REMUNERATÓRIO
NÃO AUTOAPLICÁVEL. ART. 37, XI, DA CF/88. EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 19/98. ANÁLISE

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DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE. OFENSA CONSTITUCIONAL


INDIRETA.
[...]
2. O sistema remuneratório instituído pelo art. 37, XI, da Constituição da República dependeria, para sua
plena eficácia, da edição de lei fixando os subsídios dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, o que veio a
ocorrer, efetivamente, com a edição da Lei nº 11.143/2005.
[...]
4. Agravo regimental a que se nega provimento (RE 609766 AgR, Relator(a): LUIZ FUX, Primeira Turma,
julgado em 20/09/2011, DJe-191 DIVULG 04-10-2011 PUBLIC 05-10-2011 EMENT VOL-02601-02 PP-
00220).
 
Por sua vez, o Conselho Nacional de Justiça editou a Resolução n. 13, de 21 de março de
2006, esclarecendo quais verbas foram absorvidas pelo subsídio, dentre elas, o adicional por tempo de
serviço – ATS, tanto na esfera federal, quando na estadual.
 
Confira-se:
Art. 4º Estão compreendidas no subsídio dos magistrados e por ele extintas as seguintes verbas do regime
remuneratório anterior:
[...]
III - adicionais:
a) no Poder Judiciário da União, o Adicional por Tempo de Serviço previsto na Lei Complementar nº 35/79
(LOMAN), art. 65, inciso VIII;
b) no Poder Judiciário dos Estados, os adicionais por tempo de serviço em suas diversas formas, tais como:
anuênio, biênio, triênio, sexta-parte, "cascatinha", 15% e 25%, e trintenário.
[...]"
 
Em sequência, o Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADI 4580, ao apreciar a
constitucionalidade do art. 4º, inciso III, “b”, da citada resolução, que tratava dos adicionais de tempo de
serviço – ATS devidos a magistrados estaduais, firmou o entendimento de que as parcelas relativas ao
adicional por tempo de serviço foram absorvidas com a instituição do subsídio.
 
A propósito:
"Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 4º, III, “B”, DA RESOLUÇÃO 13 DO CONSELHO NACIONAL DE
JUSTIÇA QUE INCLUI SOB O TETO REMUNERATÓRIO DA MAGISTRATURA OS ADICIONAIS
POR TEMPO DE SERVIÇO. CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. AÇÃO JULGADA
IMPROCEDENTE.
1. A ANAMAGES dispõe de legitimidade ativa ad causam para fazer instaurar o processo de controle
abstrato de constitucionalidade na hipótese singular de o diploma normativo disciplinar matéria de interesse
exclusivo da magistratura de qualquer Estado-membro.
2. Com a instituição do regime de subsídio, as parcelas relativas ao adicional por tempo de serviço foram sob
ele incluídas.
3. Ação direta julgada improcedente (ADI 4580, Relator(a): EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em
23/08/2019, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-195 DIVULG 06-09-2019 PUBLIC 09-09-2019)."
 
Apesar de não haver efeito vinculante, uma vez que o dispositivo da ação direta estava
direcionado à alínea “b”[1], está claro que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é remansosa no
sentido de que os adicionais de tempo de serviço foram absorvidos pelo regime de subsídios.
 
E o julgamento do RE 606.358, de Relatoria da Min. Rosa Weber, que espelhou o Tema
n. 257, em nada mudou o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, pois não se
reconheceu o direito ao recebimento de vantagens pessoais acrescidas ao subsídio.
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28/11/22, 11:50 SEI/CJF - 0406293 - Acórdão

 
No caso concreto julgado pelo Supremo Tribunal Federal, o autor era um servidor
estadual aposentado que não recebia seu benefício pelo regime de subsídio. A questão resolvida envolvia o
teto constitucional e, tão somente, fixou-se a tese de que vantagens pessoais devem ser consideradas para
fins de limitação de pagamento, em atenção ao previsto o art. 37, inciso XI, da Constituição Federal (EC n.
41/2003).
 
A propósito, transcrevo trecho do voto proferido pela Ministra Relatora:
“Entendo que se inclui, sim, para efeito de observância do teto constitucional, qualquer verba remuneratória
paga com recursos públicos, ainda que pertinente a vantagens pessoais. Nessa linha, a Constituição não só
autoriza como exige o cômputo – para efeito de incidência do teto remuneratório sobre os proventos de
aposentadoria recebidos pelo autor –, de adicionais por tempo de serviço (quinquênios), sexta parte, prêmio
de produtividade e gratificações, ainda que qualificados neste feito de forma incontroversa, pelas partes,
como vantagens de natureza pessoal por ele percebidas antes do advento da Emenda Constitucional nº
41/2003.”
 
Logo, considerando que adicionais de tempo de serviço foram absorvidos pelo subsídio,
premissa que não foi revista pelo Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE n. 606.358 (Tema 257),
entendo que o pleito da entidade de classe não deve ser atendido.
 
Ante o exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA dos pedidos.
 
Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA
Presidente
 

Autenticado eletronicamente por Desembargadora Federal MÔNICA JACQUELINE SIFUENTES,


Conselheira Presidente do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, em 22/11/2022, às 21:28, conforme
art. 1º, §2º, III, b, da Lei 11.419/2006.

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Processo nº0003402-07.2022.4.90.8000 SEI nº0406293

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