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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 04ª VARA CÍVEL DO

FORO CENTRAL DA COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA –


PR.

Autos nº 0025641-54.2009.8.16.0001

B KRICK IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE MAQUINAS E


EQUIPAMENTOS LTDA E OUTROS, já devidamente qualificado nos autos em
epígrafe, que neste respeitável juízo move em face de VITÓRIA RÉGIA
EXPORTADORA LTDA, por intermédio de seu procurador infra-assinado, vem, mui
respeitosamente à presença de Vossa Excelência, em atenção ao r. despacho de seq.
703, apresentar IMPUGNAÇÃO A EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE, pelos fatos
e fundamentos que seguem:

1. DA INOCORRÊNCIA DE PRESCRIÇÃO

Conforme se verifica nos autos em apreço, a EXECUTADA foi devidamente


citada através de edital, sendo-lhe designada defensora pública que apresentou
Exceção De Pré-Executividade em mov. 701.1, arguindo a prescrição da pretensão
de cobrança, porquanto não teria ocorrido nenhuma causa interruptiva da prescrição.
A EXECUTADA alega que inexiste título executivo extrajudicial, em razão da
prescrição de valores cobrados e das tentativas de citação anteriores, concluindo ser
necessária a extinção da execução.
Em que pese a citação ficta tenha se dado somente em 2022, por força do
artigo 240,§ 1º, verifica-se a ocorrência de retroação da interrupção prescritiva à data
do ajuizamento da demanda.

Art. 240. A citação válida, ainda quando ordenada por juízo incompetente,
induz litispendência, torna litigiosa a coisa e constitui em mora o devedor,
ressalvado o disposto nos arts. 397 e 398 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro
de 2002 (Código Civil).
§ 1º A interrupção da prescrição, operada pelo despacho que ordena a
citação, ainda que proferido por juízo incompetente, retroagirá à data de
propositura da ação.
§ 2º Incumbe ao autor adotar, no prazo de 10 (dez) dias, as providências
necessárias para viabilizar a citação, sob pena de não se aplicar o disposto
no § 1º.

No caso em tela a ação foi ajuizada em 22/05/2009 e o despacho que ordenou


sua citação ocorreu em 02/10/2009 (fl. 42), contudo, a citação através de oficial de
justiça não seria a maneira adequada , visto que, a empresa Executava se encontrava
no Estado do Pará. Desta forma, o despacho deixou de produzir seus efeitos jurídicos,
visto que manifestamente foi proferido em desacordo com a legislação processual,
que expressamente determina que em se tratando de estados diferentes a citação se
dará através de carta precatória.
Considerando a obrigatoriedade desse promover a citação por meio de carta
precatória, o despacho inicial foi nulo de pleno direito.
Foi solicitado a expedição de carta precatória com a finalidade de citar a
empresa executada que tinha como sede a cidade Ananindeua no Estado do Pará, o
qual deferido no mov.1.1 fls 49, e de imediato houve o pagamento das custas
processuais para efetivar a citação (fls 50 do mov 1.1);
Em conformidade com o disposto no artigo 202 do Código de Processo Civil, a
prescrição é interrompida pelo despacho que ordena a citação da parte executada, e
há cumprimento por parte do autor de providenciar o pagamento das custas. Não há
dúvidas quanto ao momento em que a prescrição é interrompida, visto que o art. 202,
inc. I do Código Civil de 2002 indica claramente quando se dá a interrupção.
Observe-se:

Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma


vez, dar-se-á:
I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar a citação, se
o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual;

De fato, a interrupção da prescrição se dá com o despacho que ordena a


citação do Requerido, que como mencionado, se deu nos anexos acima ordenando a
expedição de Carta Precatória e com o pagamento de custas por parte da exequente,
no prazo de 10 dias – que no caso em tela, ocorreu no mesmo dia.
Desta forma, a interrupção da prescrição retroagiu à data do ajuizamento
da ação pelo Exequente, situação que ainda não havia transcorrido o lapso
temporal.
Trata-se de simples corolário lógico consubstanciada inclusive no Enunciado
417 da V Jornada de Direito Civil quando do CPC/1973 ainda, que assim dispõe:
Enunciado 417. O art. 202, I, do CC deve ser interpretado sistematicamente
com o art. 219, § 1º, do CPC, de modo a se entender que o efeito interruptivo
da prescrição produzido pelo despacho que ordena a citação é retroativo até
a data da propositura da demanda.

Ainda, veja-se que nos termos do que dispõe a jurisprudência em comento:

APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE


COBRANÇA DE ALUGUEIS. PRAZO PRESCRICIONAL TRIENAL. ART.
206, § 3º, I, DO CC. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE NÃO
CONFIGURADA. ART. 219 DO CPC/1973 (ATUAL ART. 240 DO
CPC/2015). DESPACHO QUE ORDENA A CITAÇÃO. INTERRUPÇÃO
DA PRESCRIÇÃO QUE RETROAGE À DATA DA PROPOSITURA DA
AÇÃO. CITAÇÃO VIA POSTAL, POR MANDADO E POR EDITAL. AUTOR
QUE EMPENHOU ESFORÇOS PARA LOCALIZAR O DEVEDOR. INÉRCIA
DESMOTIVADA DA PARTE NÃO
CARACTERIZADA. PRESCRIÇÃO AFASTADA. SENTENÇA CASSADA.
RECURSO CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. 1. O cerne da questão
recursal cinge-se em saber se os alugueis e encargos anteriores à data
20.05.2008 estão ou não prescritos. 2. A cobrança dos alugueis e demais
encargos abrange o período de agosto de 2007 a julho de 2008 e a ação foi
ajuizada em 29.12.2008 (fl. 4). O despacho que determinou a citação da
parte apelada foi proferido em 17.02.2009 (fl. 38). 3. Avista-se que somente
em 22.09.2018, isto é, 9 (nove) anos após o ajuizamento da ação
(29.12.2008), a fiadora apelada foi regularmente citada por oficial de justiça
(fls. 153/154). A empresa apelada e seu representante legal foram citados
por edital, conforme ordenado pelo juízo a quo às fls. 325/326, o qual foi
disponibilizado no diário da justiça em 17.02.2021 (fl. 330), ou seja, 12 (doze)
anos depois de protocolizada a inicial. 4. O prazo prescricional para pretensão
relativa a alugueis de prédios urbanos ou rústicos prescreve em 3 (três) anos,
a teor do art. 206, § 3º, I, do Código Civil. 5. O despacho que ordena
a citação tem o condão de interromper o prazo prescricional com efeitos
retroativos à data da propositura da ação, desde que a parte tome as
providências necessárias à viabilização do ato citatório, no prazo de 10 (dez)
dias, não ficando prejudicada pela demora imputável exclusivamente ao
serviço judiciário. Cumpre assinalar que a legislação processual não
impõe ao autor realizar a citação, mas o dever de prover os meios
necessários à sua consecução. 6. A fiadora apelada foi citada por oficial de
justiça em 22.09.2018 (fls. 153/154) e os demais apelados foram citados por
edital em 17.02.2021 (fls. 329/330), ou seja, após transcorrido o prazo
prescricional trienal. Não obstante, a interrupção da prescrição sob a
vigência do CPC/1973, aplicável ao caso (art. 14, caput, do CPC/2015),
operava-se com o despacho que ordenava a citação fato que ocorreu
em 17.02.2009 (fl. 38). Com efeito, o despacho que ordenou
a citação interrompeu o curso prescricional, retroagindo seus efeitos até a
data da propositura da demanda, quando o apelante promoveu no prazo e na
forma legal a citação. 7. Nesse cenário, deduz-se que
a prescrição intercorrente não se configurou, pois a parte apelante buscou
insistentemente meios de encontrar a parte apelada, tendo respondido a
tempo e modo devidos todas as intimações emanadas do juízo singular para
providenciar a sua localização, não sendo o caso de inércia desmotivada da
parte, apta a caracterizar a prescrição. Precedentes das e. Câmaras cíveis
deste tribunal. 8. Apelo conhecido e parcialmente provido para cassar a
sentença impugnada e reconhecer a inexistência da prescrição intercorrente,
nos termos do voto explanado, determinando o retorno dos autos ao juízo de
origem para que julgue o mérito da ação. (TJCE; AC 0001365-
69.2008.8.06.0001; Terceira Câmara de Direito Privado; Relª Desª Jane Ruth
Maia de Queiroga; Julg. 11/05/2022; DJCE 20/05/2022; Pág. 113)

Ademais, devidamente observado na jurisprudência abaixo:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-


EXECUTIVIDADE. PRESCRIÇÃO DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO PARA O REDIRECIONAMENTO DO FEITO.
NÃO OCORRÊNCIA. INCLUSÃO DE SÓCIO. DISSOLUÇÃO IRREGULAR.
NECESSIDADE DE INSTAURAÇÃO DO INCIDENTE DE
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. IRDR Nº
0017610-97.2016.4.03.0000. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por
homologação, o termo inicial do prazo prescricional para o Fisco exercer a
pretensão de cobrança judicial do crédito tributário declarado, mas não pago,
é a data da entrega da declaração ou a data do vencimento, o quer for
posterior, em conformidade com o princípio da actio nata, tema já pacificado
no âmbito do egrégio Superior Tribunal de Justiça. 2. Deveras, nos casos de
tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como aquele da situação
dos autos, o e. Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que a
constituição definitiva do crédito ocorre com a entrega da declaração de
contribuições e tributos federais. DCTF, conforme o disposto na Súmula nº
436: a entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito fiscal,
constitui crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte
do Fisco. Uma vez constituído o crédito tributário, coube, ainda àquela c.
Corte, nos termos do artigo 543-C, do Código de Processo Civil de 1973, fixar
o termo a quo do prazo prescricional no dia seguinte ao vencimento da
obrigação tributária declarada e não paga ou na data da entrega da
declaração, o que for posterior (RESP 1.120.295/SP, Rel. Ministro Luiz Fux,
Primeira Seção, julgado em 12/05/2010, DJe 21/5/2010). 3.
A interrupção da prescrição, seja pela citação do devedor, seja pelo
despacho que a ordenar (conforme redação dada ao artigo 174, I, do
CTN pela LC nº 118/2005), retroage à data do ajuizamento da ação, sendo
esse, portanto, o termo ad quem de contagem do prazo prescricional,
conforme decidiu a Primeira Seção do STJ, no julgamento do RESP
1.120.295/SP, submetido ao art. 543-C do CPC/73. 4. In casu, o despacho
citatório foi proferido em 12/01/2005, portanto antes da entrada em vigor
da Lei Complementar 118/05, em 09.06.2005, aplicando-se ao caso
concreto a redação original do art. 174, parágrafo único, I, do CTN. 5. No
caso dos autos, verifica-se pela CDA nº 80.4.04. 052932-43 que o crédito
mais remoto, o vencimento ocorreu em fevereiro de 2000. Assim,
conclui-se não ter ocorrido a prescrição, posto que não transcorreu
prazo superior a cinco anos, já que a ação foi ajuizada em 17/12/2004, o
despacho citatório foi proferido em 12/01/2005 e a citação ocorrida em
22/11/2006. 6. No tocante a prescrição para o redirecionamento do feito em
relação ao sócio, o C. STJ no julgamento do RESP. 1.201.993/SP (Tema
444), pela sistemática dos recursos repetitivos, analisou e decidiu acerca do
início da contagem da prescrição para o redirecionamento da Execução
Fiscal. 7. A constatação de dissolução irregular pela não localização da
empresa por oficial de justiça se deu em 08/07/2007 (ID 722842. Pág. 39).
Somente a partir da diligência negativa do Sr. oficial de justiça, a exequente
pode constatar a ocorrência da dissolução irregular da empresa, nos termos
da Súmula n. 435/STJ. 8. O pedido de redirecionamento da execução em
face do sócio responsável pela empresa executada ocorreu em 02/04/2008
(ID 722844. Pág. 1/7). Conforme se vê, não houve o decurso de prazo
superior a cinco anos, entre a data da constatação da dissolução irregular e
o pedido de redirecionamento da execução fiscal. 9. O redirecionamento da
execução fiscal depende de prova do abuso de personalidade jurídica, na
forma de excesso de poder ou de infração à Lei, contrato social ou estatuto,
ou na hipótese de dissolução irregular da empresa, nos termos do art. 135,
III, do Código Tributário Nacional. 10. Conforme entendimento jurisprudencial
pacificado, apesar de ser encargo da empresa o recolhimento de tributos, o
mero inadimplemento ou atraso no pagamento não caracteriza a
responsabilidade tributária disposta no artigo 135, III, do CTN. 11. O mesmo
não ocorre quando há dissolução irregular da sociedade, devidamente
comprovada por meio de diligência realizada por meio de oficial de Justiça,
posto haver o descumprimento de deveres por parte dos sócios
gerentes/administradores da sociedade, nos termos da Súmula n. 435 do
STJ. 12. No caso, o sócio, ora agravante, tinha poderes de administração, à
época do fato gerador e da dissolução irregular da empresa, conforme se
constata pela Ficha Cadastral expedida pela JUCESP. No entanto, com o
julgamento do IRDR nº 0017610-97.2016.4.03.0000, confirma-se a
necessidade de instauração do incidente de desconsideração da
personalidade jurídica no caso concreto. 13. No entanto, com o julgamento
do IRDR nº 0017610-97.2016.4.03.0000, confirma-se a necessidade de
instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica no
caso concreto. 14. Por fim, quanto a impenhorabilidade do veículo, conforme
se verifica através do ID 722836-págs. 12/13, a penhora recaiu sobre os
direitos que o Agravante possui sobre o veículo FORD/FIESTA 1.6 Flex,
ano/modelo 2005/2005, placas DNW 7875, avaliado em R$ 16.000,00
(dezesseis mil reais), alienado em favor do B/V FINANCEIRA S/A. 15. No
caso, constata-se que pelo documento (ID 722867), que o agravante
atualmente exerce a profissão de corretor de imóveis. 16. De acordo com a
ficha cadastral da JUCESP, o agravante integra a empresa Muttare Imóveis
Ltda. juntamente com os sócios Marcelo Vasconcelos Lebedenco e Rodrigo
Silva Paccini. Seu objeto social é: corretagem na compra e venda e avaliação
de imóveis, corretagem no aluguel de imóveis, gestão e administração da
propriedade imobiliária. Verifica-se, ainda, pela Certidão de Propriedade de
Veículo fornecida pelo Detran (ID 722845-pág. 1), que a empresa Muttare
Imóveis Ltda. não possui veículos registrados em seu nome. 17. Deste modo,
razão assiste o agravante, uma vez que o veículo é útil e necessário para o
exercício da sua profissão de Corretor de Imóveis, indispensável para sua
sobrevivência, bem como de sua família. 18. Agravo de instrumento
parcialmente provido. (TRF 3ª R.; AI 5009112-87.2017.4.03.0000; SP; Quarta
Turma; Rel. Des. Fed. Marcelo Mesquita Saraiva; Julg. 19/10/2022; DEJF
04/11/2022)

Desta forma, não há o que se falar sobre prescrição, visto que os prazos
conforme demonstrados e provados na presente petição estão alinhados com a norma
processual civil.

2 DA REGULARIDADE DA CITAÇÃO EDITALÍCIA

Os requisitos para que se proceda a citação por edital estão delimitados no


artigo 246 e seguintes do CPC. No caso em tela, o exequente tentou exaustivamente
realizar a citação do Executado entretanto não logrou êxito, justificando-se a citação
ficta, legalmente prevista.

3 DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS

Diante de todo o exposto, requer-se:

a) Seja afastada a prescrição arguida pela Executada, conforme


argumentos demonstrados;
b) Quanto ao mérito, requer-se seja julgada integralmente improcedente a
Exceção De Pré-Executividade, tendo em vista que ausente qualquer irregularidade
na presente execução;
Termos em que,
Pede-se deferimento.

Curitiba, 30 de novembro de 2022.

RICARDO MAGNO QUADROS


OAB/PR 37.002

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