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Os Bruzundangas: o retrato de um país

"A 'Bruzundanga' fornece matéria de sobra para livrar-nos, a nós do Brasil, de


piores males, pois possui maiores e mais completos". Assim escreve Lima Barreto no
prefácio de "Os Bruzundangas", obra-prima do Pré-Modernismo brasileiro.
Nesse livro, o escritor carioca forja um narrador brasileiro que viveu durante algum tempo
num país chamado "Bruzundanga"(traduzindo, mistura de coisas imprestáveis) e que
resolve nos contar suas impressões sobre o "interessante" país.
Assim, ao longo das crônicas, o narrador expressa e analisa aspectos da vida social, política
e econômica da curiosa nação, tudo isso sob uma ótica sarcástica e mordaz: os literatos
ditos "expoentes" são medíocres, alheios aos problemas do país, e escrevem numa
linguagem extremamente prolixa para simular uma erudição que não possuem; a
aristocracia é fútil e europeizante; os políticos são arrivistas e corruptos; a Constituição é
classista; a diplomacia é decorativa; a Força Armada é ridiculamente defasada; a economia
"vive aos solavancos"; os indíviduos considerados sábios não passam de ignorantes
aforistas; os "heróis" nacionais são apenas máscaras para esconder a história desprezível do
país; os artistas estrangeiros são tratados com honrarias em detrimento dos nacionais; o
nepotismo, a bajulação, os conchavos, a hipocrisia, são práticas constantes na sociedade; e
em relação ao povo, ao povo "bruzundanguense", o narrador é radical e categórico: o povo
tem o governo que merece, pois aqueles que reclamam dos políticos são os mesmos
creditam seus votos a eles!
Mas qualquer semelhança com o Brasil não é mera coincidência. Ao escrever essa obra,
Lima Barreto faz uma sátira no mais alto grau, através da qual denucia as mazelas do Brasil
- que, aliás, perduram até hoje(que o diga a Câmara de vereadores de Natal!) - de maneira
tendenciosa, direta, demarcando os alvos a serem atingidos.
Espírito inconformado, revoltado, irriquieto, adepto da literatura militante, Lima traz nessa
obra um desabafo definitivo contra toda uma estrutura viciada, decrépita e corrompida: o
Brasil da Primeira Républica dominado pelas oligarquias cafeeiras.
E toda essa denúncia é colocada numa linguagem simples, fluente, despojada, irônica,
descontraída, com críticas incisivas, ferinas e contundentes, bem daquele modo barretiano.

Bruzundanga é um país fictício, parecidíssimo com o Brasil do começo do século e o de


hoje, cheio de elites incultas dominando um povo, com racismo (javaneses lá, mulatos
como o autor cá), pobreza, obsessão com títulos e riquezas e uma literatura de enfeite, sem
sentido e desatualizada. O livro é um diário de viagem de um brasileiro que morou tempos
na Bruzundanga, conheceu sua literatura, a escola samoieda (falsa, monótona e afastada da
cultura, com autores fúteis e aconchavados com a classe dominante); sua economia confusa
que exauri a riqueza do país, sendo dominada pelos cafeeiros da província de Kaphet.
Mostra também a obsessão por títulos como os de nobreza e os de doutor, mesmo quando
seus possuidores não são nobres e são pouco letrados. A seguir critica a legislação (a
Constituição, baseada na de um país visitado por Gulliver, tem uma lei que diz que se a lei
não for conveniente a situação ela não é válida), a política (os presidentes, chamados
Mandachuvas, assim como os ministros, os heróis e os deputados, são estúpidos e vazios), o
processo democrático (tão corrupto quanto era na República Velha), a ciência, o resto da
cultura (quase nula, por vezes perto do negativo), o exército e a política internacional.
Repleto de caricaturas de personagens da vida política da época, como Venceslau Brás e o
Barão de Rio Branco, o livro é uma crítica ferina a sociedade brasileira, sua literatura
sorriso da sociedade e sua organização político-econômica.

Resumo

Os Bruzundangas
(LIMA BARRETO)

Os Bruzundangas é um romance de Lima Barreto, escritor pré-moderno


que fala da Bruzundanga é um país de ficção, localizado nas zonas
tropical e subtropical, é um lugar muito parecido com o Brasil, onde se
encontra, elites pouco cultas dominando e explorando o povo. Desta
forma, o narrador que é um brasileiro que morou uns tempos nesse país, vai fazendo de
forma satirizada uma crítica a todas as organizações institucionais e algumas pessoas desse
país.
Logo no início da obra, o narrador faz referência à arte de furtar, seguindo sua narrativa
crítica contra os samoiedas que é uma escola literária do país que só valoriza o cânone
literário, deixando de lado a literatura oral e copiando hábitos e comportamentos de outros
lugares que nada se enquadram com o país, como ocorria com a literatura brasileira da
época.
Neste país, as pessoas valorizam muito os títulos de nobreza, que está dividida em dois
grupos: os doutorais e os palpites, assim chamados porque todos querem ser doutores a
qualquer preço, ainda que seja através do palpite de ter sido nobre, para dessa forma
poderem usufruir das vantagens sociais que apenas esse grupo desfruta.
Na Bruzundanga, todos que exercem o poder se beneficiam dele de alguma forma e assim,
segue o narrador estrangeiro fazendo a crítica a todas as instâncias sociais como a política;
a economia confusa que destrói a riqueza do país, que é dominada pelos cafeeiros da
província de Kaphet.
Critica a legislação, a Constituição, baseada na de um país visitado por Gulliver, tem uma
lei que diz que se a lei não for conveniente à situação ela não é válida, os presidentes, que
são chamados de Mandachuvas, assim como os ministros, os heróis e os deputados;
também critica o processo democrático que é corrupto; a ciência através da medicina; o
exército e a política internacional.
Percebe-se na obra, as semelhanças com o Brasil do passado e ainda mais agravado nos
dias atuais.

Os Bruzundangas são uma coletânea de crônicas publicadas na imprensa por Lima Barreto.
Essas crônicas revelam seu humor refinado e a sua sintonia com a realidade.
Em Os Brunzundangas o nosso mestre da sátira na literatura brasileira, simula uma viagem
de um narrador brasileiro ao país dos bruzundangas, o qual em tudo assemelha-se ao Brasil
do início do século passado e o de hoje, cheio de elites incultas que dominam um povo, de
pobreza, obsessão por títulos e riquezas e uma literatura de enfeite, sem sentido e
desatualizada.
O livro é um diário de viagem de um brasileiro que morou tempos na Bruzundanga,
conheceu sua literatura, a Escola Samoieda que tinha uma educação falsa, monótona e
afastada da cultura, com autores fúteis e aconchavados com a classe dominante; e que era
regida por duas leis, consideradas leis dos "estatutos poéticos": "1ª - Sendo a poesia o meio
de transportar o nosso espírito do real para o ideal, deve ela ter como principal função
provocar o sono, estado profícuo ao sonho. / 2ª - A monotonia deve ser sempre procurada
nas obras poéticas; no mundo, tudo é monótono.".
O personagem de destaque nessas crônicas é o Visconde de Pancome que é uma caricatura
de um personagem real de nossa História, o Barão de Rio Branco.
A Bruzundanga tinha uma economia confusa que tendia a esgotar a riqueza do país e que
era dominada pelos cafeeiros da Província de Kaphet. O povo tinha verdadeira obsessão por
títulos, fossem os da nobreza ou o de doutor, mesmo quando seus possuidores não fossem
nobres e tão pouco letrados. O ensino superior fascinava a todos na Bruzundanga. "Os seus
títulos, como sabeis, dão tantos privilégios, tantas regalias, que pobres e ricos correm para
ele. Mas só são três espécies que suscitam esse entusiasmo: o de médico, o de advogado e
o de engenheiro."
A Legislação da Bruzundanga também era criticada, pois a Constituição que elaboraram,
inicialmente seguiu os moldes da do País dos Gigantes, embora depois tenha sofrido várias
alterações. As várias interpretações da Lei maior deste país, aliás, se devem em grande
parte a um artigo inserido nas disposições gerais que afirma que "toda a vez que Um artigo
desta Constituição ferir os interesses de parentes de pessoas da situação ou de membros
dela, fica subententido que ele não tem aplicação no caso." Contudo, além deste artigo que
permite que os dispositivos constitucionais não sejam seguidos à risca, há um artigo que
nunca foi desrespeitado: o que estabelece as condições para eleição do presidente. Segundo
este artigo, na Brunzundanga, o presidente, também chamado de "mandachuvas", deveria
unicamente saber ler e escrever sem manifestação de nenhum sinal de inteligência ou
vontade própria. Os ministros não deveriam entender nada das coisas da pasta que iriam
dirigir, o que se exigia deles é que fossem bons especuladores, agiotas, sabendo organizar
trusts, etc, e os deputados; estes não deveriam ter opinião alguma, apenas aquelas dos
governadores das províncias que os elegeram. As províncias não poderiam escolher
livremente seus governantes; as populações tinham de escolher entre certas e determinadas
famílias, aparentadas pelo sangue ou afinidade.
Repleto de caricaturas de personagens da vida política da época, como Wenceslau Brás e o
Barão de Rio Branco, o livro é uma crítica ferina a sociedade brasileira, sua literatura
sorriso da sociedade e sua organização político-econômica.

Os Bruzundangas é um romance de Lima Barreto, escritor pré-moderno que fala da


Bruzundanga é um país de ficção, localizado nas zonas tropical e subtropical, é um lugar
muito parecido com o Brasil, onde se encontra, elites pouco cultas dominando e explorando
o povo. Desta forma, o narrador que é um brasileiro que morou uns tempos nesse país, vai
fazendo de forma satirizada uma crítica a todas as organizações institucionais e algumas
pessoas desse país.
Logo no início da obra, o narrador faz referência à arte de furtar, seguindo sua narrativa
crítica contra os samoiedas que é uma escola literária do país que só valoriza o cânone
literário, deixando de lado a literatura oral e copiando hábitos e comportamentos de outros
lugares que nada se enquadram com o país, como ocorria com a literatura brasileira da
época.
Neste país, as pessoas valorizam muito os títulos de nobreza, que está dividida em dois
grupos: os doutorais e os palpites, assim chamados porque todos querem ser doutores a
qualquer preço, ainda que seja através do palpite de ter sido nobre, para dessa forma
poderem usufruir das vantagens sociais que apenas esse grupo desfruta.
Na Bruzundanga, todos que exercem o poder se beneficiam dele de alguma forma e assim,
segue o narrador estrangeiro fazendo a crítica a todas as instâncias sociais como a política;
a economia confusa que destrói a riqueza do país, que é dominada pelos cafeeiros da
província de Kaphet.
Critica a legislação, a Constituição, baseada na de um país visitado por Gulliver, tem uma
lei que diz que se a lei não for conveniente à situação ela não é válida, os presidentes, que
são chamados de Mandachuvas, assim como os ministros, os heróis e os deputados;
também critica o processo democrático que é corrupto; a ciência através da medicina; o
exército e a política internacional.
Percebe-se na obra, as semelhanças com o Brasil do passado e ainda mais agravado nos
dias atuais.

Os
Bruzundangas
Resumos Literarios Por Algosobre
conteudo@algosobre.com.br
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[Lima Barreto]

Sátira. Bruzundanga é um país fictício, parecidíssimo com o Brasil do começo do século e


o de hoje, cheio de elites incultas dominando um povo, com racismo [javaneses lá, mulatos
como o autor cá], pobreza, obsessão com títulos e riquezas e uma literatura de enfeite, sem
sentido e desatualizada. O livro é um diário de viagem de um brasileiro que morou tempos
na Bruzundanga, conheceu sua literatura, a escola samoieda [falsa, monótona e afastada da
cultura, com autores fúteis e aconchavados com a classe dominante]; sua economia confusa
que exauri a riqueza do país, sendo dominada pelos cafeeiros da província de Kaphet.
Mostra também a obsessão por títulos como os de nobreza e os de doutor, mesmo quando
seus possuidores não são nobres e são pouco letrados. A seguir critica a legislação [a
Constituição, baseada na de um país visitado por Gulliver, tem uma lei que diz que se a lei
não for conveniente à situação ela não é válida], a política [os presidentes, chamados
Mandachuvas, assim como os ministros, os heróis e os deputados, são estúpidos e vazios], o
processo democrático [tão corrupto quanto era na República Velha], a ciência, o resto da
cultura [quase nula, por vezes perto do negativo], o exército e a política internacional.
Repleto de caricaturas de personagens da vida política da época, como Venceslau Brás e o
Barão de Rio Branco, o livro é uma crítica ferina a sociedade brasileira, sua literatura
sorriso da sociedade e sua organização político-econômica.