Resumo do livro: Escrever é Preciso Capitulo II NAVEGAR É PRECISO.

A mágica aventura do escrever Os inícios do escrever são precários e incertos, como os inícios das andanças em terras inexploradas e todo começar implica temores e anseios. Também é preciso andar por caminhos tortuosos e entrecruzados, mas todos levam a Roma como levam a qualquer lugar. Navegar é preciso, transforma-se folha em branco ou a tela de um computador em barco para navegar entre as águas. Escrever requer muita imaginação e poucos conseguem manter a imaginação de quando crianças. Na canoa da psicanálise Freud ligava o escrever ao fluir de um liquído de dentro de nós, assumindo a significação simbólica do coito. E para um estudioso de Freud, Ernest Jones, existe um vinculo interior entre o fato de urinar eo de escrever, e certamente isso não acontece somente comigo O interesse da psicanálise pelo escrever não se dirige ao entendimento do que seja o escrever, mas responde ao intuito de se entender ela, a psicanálise , a si mesma. Por outro lado, nos alerta Machado (1989:35; 45-9) de que a linguagem não é vista pela psicanálise como presa a algum projeto de comunicação, mas a necessidade de ser-se reconhecido, como ato de significar , um pouco ao modo de da compreensão do mundo , de Humboldt; ou do ato doador de sentido, de Hussel; ou dos enunciados performativos, de Austin. A ação comunicativa é uma coisa; o ato lingüístico, outra, independentemente das ações que permite realizar. As palavras nunca são inocentes , inofensivas. Numa simples frase banal, como esqueci-me , esse me aí metido como complemento verbal de minha própria ação, denuncia-me como responsável por meu esquecimento. Para ilustrar o papel do analista, Machado (1989:38-9;45-53)recorre ao estatuto de corpo da folha de papel, substituto do corpo do outro, opondo certa resistência à mão que escreve. Quase vazia, quase muda, essa presença permite o movimento da expressão, do colocar-se para fora. A linearidade sucessivo-temporal da fala é substituída pela simultaneidade espacial da escrita, que descontextualizada o discurso e permite fragmentá-lo, pontuá-lo de muitas formas, enganchá-lo em leituras outras, nele amarrando temas como faz a costureira ao pontuar fazendo nós na linha que amarra sua costura. O texto escrito, ao romper com a discursividade do discurso, isto é, com a linearidade da corrente discursiva, melhor permite as muitas direções da leitura, os ritmos variados e as pausas. Nas entrelinhas de nossa escrita, assim como nos hiatos e lapsos de nossa ala, ou me nossos atos falhos, mais do que se ocultarem, manifestam as formações de nosso inconsciente. O desejo nos faz nunca idênticos a nós mesmos. A materialidade da folha nos transporta para além de nossos limites e suporta nos expressemos sem sermos interrompidos.

produz uma significação circulante . de uma linguagem que nos recuamos falar.. os muitos sentidos que as muitas possíveis leituras irão desvendar. Mas essa auto-afirmação das próprias escolhas nunca é conclusiva. A letra. 1989:162) nos cérebros criadores suspeito que a razão tenha retirado sua vigilância das portas de entrada: deixa que as idéias se precipitem desordenadamente ao interior. como na arte. ela possui historicidade. Os traços deixados pela passagem ou ação do homem sobre os elementos naturais podem s lidos. O escrever deixa. portanto escrita sem o escrever. 1989:157). para que possa surpreender-nos como algo da ordem do inusitado . . e na ruptura de como as formas que criou. é letra morta. entendendo-se por símbolo não o sinal qualquer. a finitude do material sensível torna-se suporte de uma produção que tenderá cada vez mais a encentrar em relação aos quadros e coordenadas pré-formadas.. Freud cita a Schiller (apud Machado.17-40). uma significancia que não tem ponto de partida nem ponto de chegada: ela circula disseminando sentidos (machado. são. na estrutura simbólica da linguagem. a capacidade de produzir-se e produzir seu próprio campo simbólico. sem pretender tal ou qual objetivo. antes da leitura. A oralização da escrita que lhe dá sentido. configurar. Como bem nota Charles Hanly (. a psicanálise postula que se norteie a busca da verdade por um critério. No ônibus da História A escrita não tem simplesmente uma história.. mas ai está transmitindo suas mensagens. antes da palavra dialogal que lhe dá sentido. Na obra da escrita. não o da correspondência entre um objeto e sua descrição. isto é. de ser uma relação de inculcação de idéias e estados anímicos .o ato de escrever precisa ser exercido graciosamente. pois só a virtual oralização faz do escrever um ato de significar. social e cultural. a sua e a geral. ou melhor. do saber inconsinete. 1993:129). e então é quando você percebe e examina o montão considerável que formaram A psicanálise trata de restabelecer o senso perdido das inscrições enigmáticas . levando as regiões que o tempo e o espaço não regem (Cf. a interpretação dos sonhos. Em sua obra. mas o da coerência na interpretação de uma história narrada.. A verdade do inconsciente se comunica nas entrelinhas e nas pontuações que a escuta do analista ou do suposto leitor exige da fala no divã ou da página que se escreve (machado 1992:14-31). Guattari. er interpretados. assim. sem a pressuposição de um eventual leitor. de constituir-se na constituição da história. para se tornar uma articulação de parceiros procedendo por alianças e negociações num mundo das possibilidades aberta as e das virtualidades com que o desenvolvimento histórico desafia as capacidades de auto-afirmação das próprias escolhas. isto é. mas o sinal significante de muitos sentidos possíveis. então. Sonhar e escrever se inserem. sem a intenção de serem lidos.

antes necessitou o homem descobrir que os traços depositados em algum suporte material podem sinalizar para algo outro que eles mesmos. Nos primeiros ensaios do escrever ainda não se revela e descobre o estilo do escrevente. ao final. pelo fato de serem apenas potenciais. a menos que se queira apenas copiar o já escrito ou dito. dizer-se par além das circunstâncias imediatas. Diz Satre (:76-89) que todo escritos começa por . que. de tais objetivos que se condenariam assim à esterilidade. Escrever é preciso para encontrar-se a si mesmo sendo mais forte do que se é. faz-se uma palavra como se faz um castelo de ária quando se é criança só pelo gosto de o fazer. espiado e policiado. em extrema solidão. para uma ação humana reconhecível nas marcas que deixou após si. mas. Não é a escrita mera transcrição gráfica da fala. a vida. Em relação do ler com o dizer algo a alguém coloca no escrever o princípio da significância oportunizada pela palavra oral. entregue a si mesmo e ao estar sozinho na própria casa antes de uma imensidão vazia.. Só com o muito escrever passa o escrevente a se reconhecer no que escreve.. apenas virtual. nua. inventaram-se palavras. científicos. a perceber o próprio estilo e torná-lo reconhecível por seus leitores. O escrevente busca no escrever a superação de seus problemas. nada se sabe do que vai escrever. ou mesmo o já pensado por nós. sabendo-se. que o introduz no coração da ordem simbólica. idéia mágica da palavra que nos faz escrever por escrever. A escritura como ato de escrever vem como o vento. se fazem mais exigentes e fazem da página que se escreve lugar mais amplo dos muitos sentidos virtuais. mas negociação de sentidos com interlocutores outros. de suas dificuldades e crises. A ação do escrever não se pode restringir a aspectos mecânicos da escrita. o ato de escrever é uma urgência de resgate e libertação. e passa como nada mais passa na vida. descobrir-se. o escrevente. para a longa e tortuosa busca do Outro de um desejo mais paciente.. o que deixa o outro. Escrever é enfrentar o desconhecido. pois os interlocutores em presença escrevem nos próprios corpos sua linguagem. Mas a submissão a determinados objetivos sociais. técnicos e. exceto ela. o estilo de sua escrita transformado em estilo de vida . não para mostrar para os outros. em deterimento. antes de escrever. No ato de escrever um dos interlocutores é um autor ausente e desconhecido. Podemos até entender a fala como uma espécie de escrita. políticos ou morais priva o escrever de sua própria dinâmica criativa. A voz é a via para se chegar ao sentido nesta mudança de posição ou de perspectiva em que se faz possível a substituição concreta do significante.. mesmo. o escrever busca achar-se. culturais. ou ao mero domínio de um código que permita a tradução da oralidade à figuração traçada na página escrita. .É o escrever que imprime significância à escrita. formaram-se conjuntos de palavras. São as crises que ele atravessa que fazem o estilo de um autor. é preciso calar nossas próprias vozes interiores para escrever. pela verbalização. no entanto. Para Kafka. num esforço de transcender a si mesmo na afirmação do próprio estilo.

onde se gera o sentido revelador do mundo. os participantes em interação. mas quer concebê-las. Sod a influencia do idealismo pós-kantiano. recriá-las. suas operações interpretativas denomina Habermas (1989:489)mundo da vida. Da experiência imaginativa se origina o ato de escrever e por ela abrem-se caminhos novos. O que quer se saiba pode ser eliminado.não existe meio mecânico algum para se escrever: nenhum atalho. As metáforas não criam sistemas de pensamento. das regiões. especificando-o. Em uma série de de famosas entrevistas concedidas a Paris Review detaquei uma frase que achei muito interessante . e os imaginários singulares. perseverá-las . É preciso que isso nos divirta.. de determinada comunidade ou grupo lingüístico. através de sua própria meditação interna. os românticos promovem a imaginação á categoria de atividade criativa primária da mente humana...Ao trabalho de se adequar entre si essas dimensões da palavra Sartre (:89) chama de estilo: estou a tentar explicar em que consiste escrever. para cada parte que aparece. No escrever a imaginação produtiva é poder ativo. eu sempre procuro escrever baseado no principio do iceberg. convocadas pelo ato de escrever. espontâneo. enoldulando-se nas regiões especificas de sabores sistematizados. São soltas e livres como borboletas voejantes aqui e acolá. nas escolas de pensamento. ter um determinado estilo. . e isto somente robustece nosso iceberg (apud Cowley:260) O imaginário do escrevente é esse reservatório onde se agregam as experiências do viver e donde a cada momento podem emergir. 44) Ao Sabor dos Ventos da Imaginação Ao lugar último onde se estrutura a ordem simbólica. através das significações puras e simples que lhe apresentamos. processo que se inicia em si mesmo. Criam-nos e neles se aninham formando-se em redes nas quais se enredam. Pertencem ao mundo da vida. a esse lugar desde onde iniciam e discutem. Sempre existe sete oitavos dele sob a água. os imaginários particulares. dos povos. nos desvende os sentidos ocultos. No ato inaugural do escrever o escrevente não se contenta em ser recipiente meramente passivo de experiências de mundo. Quem cria sistemas de pensamentos e ação e neles se enquadram são os conceitos. para fazê-las efetiva e por ela abrem-se caminhos novos e eficazes. que nos chegam através de nossas história. No imaginário central sócio-histórico do gênero humano inserem-se. E para nos divertir torna-se necessário que a nossa narração ao leitor. nas tecnologias com que regressam no mundo das preocupações diárias dos homens. de cada sujeito humano. nas distintas ciências. A gente aprende pelos próprios erros! (Faulkner..

Os simples vetígios deixados pela ação humana no mundo material. se forem nossas. No exigir-se para escrever. poderiam ser lidos. a obra escrita está à mercê dele. e se faz agora presença ativa de recontrução interpretativa à busca de relacionar o texto escrito aos próprios horizontes dos sentidos. os traços impressos num suporte material podiam sinalizar para algo outro que eles mesmos. e então busque leituras a elas adequadas. O escrever na história da escrita. Aquela desafiante presença.. tácita. Em outras palavras. Em sua famosa obra A Imaginação Sociológica. A o se independizar de seu autor o texto escrito passa a ser regido por suas relações com o leitor.a fim de pensar sobre elas. É nessa imaginação que destingue o cientista social do simples técnico .A OBRA DO ESCREVER NO PÉRIPLO DE SEU ENCONTRO COM O LEITOR Desde o momento em que chega as mãos do leitor. tanto do uso inteligível de uma mesma língua. a doleitor. Wright Mills (:227-33) caracteriza a imaginação como capacidade de passar de uma perspectiva a outra. Inaugura-se. do papel da normatividade do discurso exigida mesmo pelas formas mais soltas da poesia e inesperável da atenção ao que acontece no contexto mutante. Inicia-se a história de escrita antes da história e antes da escrita. isto é. III. pois quase sempre as idéias originais se apresentam assim. Só então sinais impressos no mundo físico puderam transformar-se em símbolos. elemento fundante do mundo humano da significação. muda e expectante. e devemos desenvolve -las. passam ao estatuto de símbolo aberto a uma pluralidade de significados. marca e representação. contudo. No entanto. havend o escapado ao domínio do autor. escrever é exercer a imaginação criativa como um artesanato em que são ferramentas indispensáveis o dicionário e a gramática. exige não que facão leituras para depois inseri-las no texto. dede que agora itencionalmente priduzidos. A pesquisa. inicialmente. de seu estatuto de sinal. como nas distintas capacidades de perceber virtuais sentidos. . inseparável. Mas graças a autonomia de seu imaginário o escrevente autonomiza sua obra da exigência de uma verdade pré-dada.. o que entendemos por escrita e inaugura-se a historicidade humana como capacidade de produzir sempre de novo seu próprio campo simbólico. Antes precisou o homem descobrir que as pegadas. submetendo-a ao exame de uma comunidade de leitores. assim. mas que tenha o pesquisador bem-definidos seus propósitos. até a mais sisuda das ciências o imaginário joga papel fundamental. Vimos que o ler precede ao escrever. Temos que nos apegar a imagens e noções vagas. a presença tática do leitor estão pressupostas as condições de legibilidade.

substituídas por combinações de símbolos representativos dos menores elementos fonéticos a que se pode reduzir a palavra. ao contrário das outras línguas. nelas. isto é. podiam representar. está também dividido em elementos distintos: as consoantes e as vogais. indiferenciada. O significante não só se vai encontrar separado do referente e do significado. Para passar da mnemotécnica á escrita fonética foi necessário ajustar os signos escritos à língua falada pela constatação de que aqueles signos não evocavam apenas a realidade que representavam. em um sistema logográfico referido ao som das palavras. numa convenção que supunha já capacidade de abstração por parte tanto de quem escrevia como dos que liam. abstraído de qualquer determinado significado. A escrita determina a fala. Nessa primeira forma de escrita. a determinados grupos mais ou menos coesos e excludentes. a transformação desse sistema pictográfico. tomando os fenícios o alfabeto consonântico necessitaram adaptá às -lo características de sua língua. ao mesmo passo que se tornavam a escrita e a leitura reservadas a uma única categoria de profissionais treinados e formados por longo tempo. por assim dizer. um objeto simplesmente significante. os escribas. Os desenhos e figuras esquemáticas da escrita cuneiforme na Mesopotâmia não expressavam palavras mas de imediato as realidades expressas por palavras. as moléculas do discurso linguístico. O fonetismo suplantava assim a ideografia. entendendo-se como um objeto em si.O alcance social. a imagem física de um objeto passava a representar todos os objetos da mesma espécie.. resultava de uma abstração dos atributos físicos das anteriores formas de escrita. Em oposição a essas formas anteriores das escritas ideográficas e hieroglíficas e da escrita chinesa . da gravura. que não se aplica a nenhum objeto ou fenômeno real. como a moeda de relação á mercadoria. cujo referente são os objetos ou os fatos em si. A base física da escritura é a mesma que a do desenho. depois. ambos igualmente materializados que estão na escrita. o som e a coisa. mas se há de referir a determinadas formações sociais e. sendo que. Os gregos. por meio de diversas combinações. Consociam-se agora na escrita da imagem e a palavra. O alfabeto grego forneceu uma completa tabelas de elementos atômicos dos sons acústicos que. Dá-se. fazendo com que língua e realidade se construam sem se colocarem frente a frente como objeto e sujeito. A partir daí o escrever conhece avanços radicais do sentido da simplificação e da abrangência. cognitivo e personalizante da escrita não pode ser aquilatado na referencia a uma sociedade global. concretas e figurativa. Dessa forma a escrita alfabética. Vinculam-se a estreitamente o conceito. expressivo. tendo assim a escrita suas raízes no desenho no desenho significante. A China oferece o exemplo único da invenção de uma língua especificamente elaborada no cruzamento da escrita com a fala. a escrita alfabética vem marcar uma autonomia ideal e fonética de frente ao que designa . a pictográfica. cujos radicais não eram consoantes mas vogais. .. da pintura. é a grafia que está encarregada da função sêmica. mas a palavra com que ela se designa. cultural. foi essa a grande contribuição grega. Mas isso não se fez de repente.

Sendo assim. O desenvolvimento das dimensões da oralidade em outro percurso do ensino escolar deve realizar-se no espaço da cultura escrita baseado não mais apenas na codificaçãodo sons da fala por meio da notação alfabética. Mas a significância só se dá com o diálogo com o Outro. em que a educação assume novas relevâncias enquanto provocação de aprendizagens significativas. Por isso segundo Chartier (1990:127). 1995:39-40). O cristianismo apóia-se numa revelação escrita e traz consigo indeclinável vocação para a universalidade. Com o aumento do mercado do leitor surgem novas possibilidades de interpretação em recombinações e associações das muitas leituras possíveis. No vasto campo que se criava com a passagem da escrita ao domínio público em que se estabeleciam as noções contemporâneas de indivíduo e sociedade. que resulta a sistematização das categorias gramaticais.informações. Importante não é a escrita em si mesma. normas comunitariamente aceitas e expressões criativas originais e personalizantes (Cf. novas relações se estruturam entre oralidade e escrita. cada individuo podia agora opinar . mas na capacidade de participar da mais ampla publicidade crítica da comunicação ampliada e de armazenar e manipular conhecimentos. também as mais altas manifestações da vida intelectual na humanitas utilitária e realista.. das estratégias do escrever. A escrita necessita ser lida e interpretada por leitores surgidos da situação de falantes capazes de narrar. o pensamento humano deu um salto: sem depender de nada e de ninguém. o objeto que lhe serve de suporte e a prática que de Le se apodera. assim a base da cultura latina a ponto de a palavra letras designar não só os caracteres do alfabeto. A escrita dá uma existência objetiva e autônoma às utilidades da língua. Illich:35-54). Havelock:15-34. O texto escrito se independiza de seus portadores materiais de forma a se destinguirem dois tipos de dispositivos: os que decorrem do estabelecimento do texto. . As letras ou humanidades são o vinculo necessário ao anúncio da mensagem evangélica a todos os povos. é um espaço de reconstrução social da realidade. permitindo fazer-se uma ciência do escrito voltada para o aprendizados das letras e dos conjuntos de letras dos textos. das personalidades e da cultura. podia formular suas questões filosóficas sem ter que para isso recorrer a tradição dos mitos (Gaarder. Na formação do povo romano e de seu império exerceu a escrita papel cruscial tornando-se. e os que resultam da passagem à forma impressa produzida por decisão editorial ou pelo trabalho da oficina. a reconstituição do processo pelo qual obras adquirem sentido exige considerar as relações estabelecidas entre três pólos: o texto. a do especialista em pintar as letras capitais. a do livreiro. mas o que com ela podem as pessoas fazer (Cf. Ambas individualizam-se ao serem contrapostas em tensão mútua e criativa. das intenções do autor. Olson:7-14) A escrita não é uma simples codificação da linguagem oral. Facilmente preservada no tempo e no espaço. então surgem as profissões associadas aos livros: a do copista. a escrita se torna instrumento de uma tradição cumulativa arquivada e da reflexão particular e silenciosa..

embora não usei mais a palavra para exercícios de memória poética. essa sim seria o gelo. Buscando a reconstituição da presença.Sócrates certamente é um oralista. Observa Lévy (:94) que . houve uma revolução na industria do livro. de onde foi breve o passo para o procedimento tipográfico. ele. e que poderiam nunca ter ocorrido em nações antiqüíssimas. mas sim como um instrumento prosaico adequado para quebrar o charme da tradição épica ou lírica. replica a Theuth: . impedindo-nos de estar presentes a seus signos. Segundo Rosseau A arte de escrever não se funda absolutamente na de falar. graças ao manejo de uma sintaxe e de um vocabulário conceitual estranho à oralidade primária. segundo Platão.. Rosseau não condena a escritura de maneira absoluta. segundo circunstancias totalmente independente da duração dos povos. (:121-386) . como a Álgebra. (Cf. ilustrando. o grau zero da fala.Os bibliotecários. a escritura de uma língua morta. Gnerre:50-62).. Até o século XV. reunindo os melhores exemplares. Da experiência com os Nhambikuara do Brasil Central. Lévi Strauss concluí que Ainda que a escrita não haja sido suficiente para consolidar o conhecimento. Desligada de toda língua particular. Também entre os pensadores ocidentais são freqüentes as recusas à escrita. a iniciar pela que encontramos no Fedro (:275) onde Sócrates.. Uma língua sem as vogais.. transcrevendo. cuja rápida difusão seria vital para a posterior história do livro. Nesse posicionamento Rosseau certamente se inspirou em Vico no que se refere ao estágio da linguagem metafórica da poesia e do canto antecedendo a etapa da linguagem articulada nos signos. que nascem mais cedo ou mais tarde. Também no inicio do século ocorreram duas novidades de origem chinesa: o papel e a xilogravura. Funda-se necessidades de uma outra natureza.. a iniciativa dos monges que estenderam por toda a Europa intenso trabalho de compilação de manuscritos. condena a escritura como negação da presença e doença da fala. ela foi talvez indispensável para fortalecer a dominação . E se baseou em Warburton e Condillac ao afirmarem eles a precedência da linguagem da ação sobre a fala. e outra é ser capaz de entender que dano ou proveito pode ela trazer aos que dela se hão de servir.. especialistas assemelhados aos atuais editores de texto conferiam o trabalho do escriba em cada cópia. Mas Rosseau contata que a miragem de sua imediatez a própria fala que esquiva e nos expropria. num movimento dividido mas coerente. ela ainda remete a phoné ou língua geral. uma coisa é ser capaz de engendar uma arte. As resistências do escrever.

de reflexão. exerce a função de construir/atualizar a língua. naquele instante. O leitor presente no ato de escrever No ato de escrever a presença do leitor. O resgate da mão no escrever significa introduzir insidiosa e sorrateiramente uma subversão de nossa cultura. enquanto atividade concreta de uma tecné. intervenção racional por via tecnológica. onde as coisas aparecemfeitas. Bachelard. Desta forma o escrevente é o seu primeiro leitor/parceiro na significância que só a interlocução empresta à fala ou à escrita. Cada novo leitor . passível de ser lido. que resgata e valoriza a categoria da manualidade. como pode ser de segundos. denunciando de imediato o grupo a que se filia.Rosseau quer ao mesmo tempo a exterioridade do sistema da escrita e assinalar-lhe a eficiência maléfica sobre o corpo da língua. Ler e escrever se tornam assim mutuamente provocadores numa cadeia que não se sabe por onde começa desde que pela circularidade da significância se introduzem eles no coração da ordem simbólica. A folha do papel não é apenas suporte passivo é campo aberto a concriatividade do escrever e do ler. Na leitura estão implicados o sujeito que escreve deixando no escrito suas marcas e os sujeitos ao ler atualizarem. introduz ao texto sua maneira de pontuar. suas maneiras de divergir/divertir-se. que até pode ser de séculos. não por fazer. ou até o mesmo leitor em uma situação ou outra. Somente com a negação do ato inaugural/criativo do escrever se po considerar a escrita de como mera transição da língua falada. suas pausas de devaneio. dizendo-se a si mesmo coisas que jamais a saberia se não as confiasse ao corpo do mundo da folha. em contraste com a visão ocular. de maneia análoga ao que se passa com a fala e a língua. Persistem os linguistas clássicos em limitar a língua à fala. correspondente ao ato individual da escrita. convite e incitamento `a intercomplementariedade de atos separado por um hiato de tempo. naquela brecha estreita que se situa entre o ato de escrever e o texto escrito. Observa Machado (1989:11-9) que Saussure se refere à língua. faz com que quem escreve escreva de si . à fala e à escrita apenas a imagem da língua. relegando a escrita a uma posição secundária e confundindo a descrição que fazem da língua com a competência lingüística do usuário da língua. . Por vezes o autor se esconde no texto. pode ser apenas tácita e expectante. dão vida outra ao que foi escrito. ato individual. o escrever capaz de construir/atualizar a escrita. mas da ciência: por vezes o autor se esconde por traz do texto que lê. enquanto a fala. Falta aí um quarto termo. Os próprios lingüistas só podem fazer sua ciência com o apelo ao uso da escrita. expressando sentimentos e idéias que não experimentaria se não escrevesse ou dissesse a alguém. um inicio da derrocada do império do olhar. exalta a intervenção do sujeito da configuração do objeto do conhecimento. mera reduplicação. ou pretendendo dar a entender que o enunciado não é dele.

como as de certas experiências heréticas de autodidaxia. signos as margens do texto. estaria o leitor sujeito a errâncias desencontradas. Assim. Exercer um poder sobre o livro é exercer o poder que o livro detém na sociedade. Os primeiros inscrevem o texto as convenções sociais e literárias que permitam situá-lo. Na representação discursiva pura e simples acentua-se o reconhecer. como no caso dos leitores chineses. produtiva. uma atividade exigente de outro domínio sintático da língua. mas é construir sentidos que o leitor inscreve na polissemia. o ler e o escrever requerem uma aprendizagem propositada. e desconsidera as potencialidades de singnificações plurais e móveis ligadas às maneiras de ler. . coletivas ou individuais. não o ler. uma irrupção no simbólico. evidentemente. a interpretação inteiramente arbitrária e destoante.A escrita traz implícita uma ordem de leitura. pelo fato de ser publicado. Se o livro pode transformar a visão do mundo social. Há línguas em que o uso das habilidades de decodificação silábica inicialmente treinadas servem melhor pra a leitura silenciosa. exigidas pelo escrever. ou com as patologias da Psicanálise surpeende. rompe com a censura. o livro se torna público. Para Goulemot (:115-26). intimas ou públicas. de reconhecer a pontuação sintática que as habilidades léxicas outras. classificá-lo e entendê-lo e garantam a leitura pretendida pelo autor. Sem a certificação cultural do meio em que ingressa. dispositivos de enquadramento. determinadas atitudes do leitor. sejam nos dispositivos da mecânica do texto impresso. Nada mai tranquilizante do que saber-se em boa companhia. inventiva. Por isso a leitura em voz alta leva à aprendizagem da leitura. Mas. ejetá-la de sua realidade figurativa tanto quanto da sonora. E há erros de leitura que são extremamente eficientes. Uma leitura que ignore os suportes do texto não presa seu estatuto de prática cultural criadora. certas afinidades entre o leitor e autor. nas virtualidades significantes do texto. Ao contrário da língua falada. uma postura. comentado. quer pela editoração e formas tipográficas. e aos protocolos depositados no texto quer por seu autor. do imaginário cativo da forma. ilustrado. nada mais gratificante do que um clima de camaradagem. simples representação. não de imediato à aprendizagem do escrever. A leitura oralizada supre na oralização a incapacidade de decompor convenientemente as palavras e as frases. dado seu caráter instituído independentemente de suas formas de codificação. Diferentes são os dispositivos agregados ao texto: uns acompanham o texto desde as mãos do autor para que cumpra os objetivos que lhe propõe. Isso supõe. outros são acrescentados quando da edição e impressão dele. sobretudo quando se transforma ele em modelo de vida. mesmo porque a leitura é sempre uma errância à busca de sentidos. Para ler é preciso ir além da letra. Não é produzir um sentido esperado . supostas sejam elas no escrever. ilustrações se fazem obstáculos à leitura compreensiva. Trata-se na verdade da produtividade da linguagem na combinatória dos elementos que produzem os sentidos. ler é produzir sentidos em sequencia articulados. os indicativos da forma de ler que se apendem à letra escrita.

do desejante. delimitação do tema que se irá abordar . A constituição do tema/hipótese É condição para a pesquisa uma dúvida precisa e bem determinada. É. A forma do tema na pesquisa não é forma de preposição acabada. b) a convocação de uma comunidade argumentativa. a forma da hipótese. o que não pode é deixar-se de ter uma assunto em vista. que se provocam através dele em dialógica produção de significados. corporal. Não existe. ou não. O tema da pesquisa é o objeto dela. o centramento em um delimitado tema. ou melhor. que perpasse todos os momentos da pesquisa em causa. portanto. Mas o tema não será verdadeiro senão estiver ancorado na estrutura subjetiva. . E quando se chega ao assunto. assunto. o escrever sem a introlocução de sujeito que interagem. isto é. o escrever se faz pesquisar. Começamos de fato a pesquisar quando começamos a escrever a partir de um tema. O assunto pode justificadamente mudar. formulada de maneira a poder conduzir explícita e sistematicamente a pesquisa. Estabelecer o tema em uma pesquisa é. c) o desenvolvimento da interlocução dos saberes no trabalho da citação. um pólo preciso das muitas variações ou modulações de saberes que irradiam a partir de um mesmo ponto. uma concentração. demarcar um campo específico de desejos e esforços por conhecer. persegue um tema preciso. mas é significância que eles adquirem ao se inscreverem na ordem simbólica pela qual os homens se entendem criando seus mundos. isto é. d)a afirmação de um estilo. Escrever à procura de um assunto. deve partir do desejo trabalhado do próprio pesquisados. apenas se enuncia uma hipótese à busca de verificar-se. O PRINCÍPIO DA PESQUISA Escrever é iniciar uma aventura que não sabe onde vai nos levar. justamente o que se procura. O que importa. IV. Nele não se afirma ou nega algo. ambas diversamente mediadas pela variabilidade das técnicas de suporte. . Os possíveis caminhos para a pesquisa é ler previamente todos os livros. Na pesquisa o escrever se torna regrado. A ampliação dos horizontes da liberdade criativa do escrever é contraponto da invenção criadora no próprio cerne da recepção do texto lido. de juízo definitivo.O que faz a escrita não são simples sinais gravados num suporte físico.ESCREVER. Pesquisar é buscar um centro de incidência. se saiba não ser mais possível abandonar. da experiências de trabalho na área. sim. Mas no pesquisar o escrever está polarizado. sem que o assunto seja o mais importante. sob a forma de hipóteses. hipótese. é a metáfora. de nova pergunta feita à experiência antecedente do conhecimento que se tem a partir de práticas desenvolvidas ou de leituras feitas. por entender nosso mundo e nele sobre ele agir de maneira lúcida e conseqüente. Pergunta precisa. Não pode ser imposição alheia. assim. título pouco importa. armazenar indefinidamente dados e documentos. Resulta a hipótese da capacidade de inventar: um pouco de inspiração e muito de transpiração. conduzido por intencionalidades precisas: a) a tematização. f)apresentação clara e precisa da pesquisa. e)validação discursiva e certificação social. depois de algum tempo. que.

Além de responsável jurídica e institucionalmente por sua pesquisa está o pesquisador assujeitado à estrutura dela. que são: a) A tradução do tema/hipótese da pesquisasob a forma de um título desafiante. explicitar essas teorias escondidas nas práticas que se relatam e inseri-las num universo mais amplo de práticas correlacionadas. Enunciar uma hipótese é ter uma proposta de encaminhamento do tema. etc. numa conversa disciplinada quanto possível. Existem três tipos de interlocutores: os do campo empírico. c) A indicação. só por aí dela se fazendo sujeito. ele mesmo. ele deve se aplicar a alguns requisitos mínimos. para depois tentar cimentá-los em obras completa. mais difícil se torna de tanta coisa fazer resulte algo com o mínimo de unidade e coerência. Pergunte-se coisa por vez. Em síntese: da mesma forma que no escrever. b) A decomposição do tema em subtemas. Acontece que quanto mais material se tem. Quanto ao pesquisador.cabe ao pesquisador convocar uma específica comunidade de argumentação em que efetive o unitário processo de interlocução e certificação social de saberes postos à discussão em cada tópico a ser desenvolvido. por mais concretas e simples. no entanto. por seu compromisso social de assumir como seu texto que vai produzir. os horizontes não se excluem de um modo absoluto. A convocação de uma comunidade argumentativa Cumprida a primeira tarefa de desenar seu tema de sua pesquisa. não existem soltas e desgarradas. pelo que aprendeu na e da vida. em cada capitulo. seja ele uma dada experiência de vida ou de trabalho: alunos. e é assumir o compromisso de aduzir e considerar argumentos que confirmem ou infirmem a proposição enunciada. muito menos social. Tendo os assuntos definidos. os do campo teórico. podem ser muito úteis aos objetivos da pesquisa. não tem que complicar as coisas. como as linguagens. E cada tópico necessita ser trabalhado na forma mais completa possível naquele momento. se faz necessário simplificar para poder-se enfrentá-lo.. . professores. Bem iniciá-la é certamente o desafio maior. as pessoas gostam de falar sobre suas práticas. b) as práticas.. a)testemunham do campo empírico os que habitam. os papos informais é bom que existam. os interessados à escuta. mesmo por isso.. seus próprios desdobramentos de maneira untaria. conversar agora é preciso. Um desafio. pelo que já conhece do tema e. sem a qual não seria ela uma prática humana. qualquer prática existe uma teoria ou concepção dela. Queira ou não. sobretudo. É preciso que adquira ele sua própria forma de desenvolvimento. aquilo que no momento interessa saber. coerente e consistente. como requer uma pesquisa à diferença de possíveis outros escreveres. que. de alguns tópicos sobre o que argumentar. umaperspectiva dos procedimentos heurísticos adequados. Trata-se de obter depoimentos naquele momento relevantes para o tema. por seu interesse em dele mais e melhor aprender. essa a função de horizontes . o pesquisador estará a todo momento palpitando: pelo que é e pelo que pensa. na pesquisa também a questão é começar.como se pesquisar fosse primeiro amontoar cacos.

. de autêntico trabalho. ou conceitos teóricos. nem se fundamenta ele num absoluto transcedente. ao mesmo compasso. O próprio pesquisador. não de alguém que escreva /pesquise em lugar de aprendiz. congruência e consistência. o trabalho da citação. onde estimula a produção do material de pesquisa colocando questões muito concretas de forma a decompor a densidade das experiências e práticas. A medida que a pesquisa define sua estrutura e toma corpo. Já fizemos referência a eles quando. isntitucional e pessoalmente por outra obra. em duas fases: a fase da exploração. evidentemente. Andamento da pesquisa: o trabalho da citação Não se inventa do nada o conhecimento. nem de alguém que o convoque para trabalho alheio. Outra é a situação em que o destinatário do texto não é uma determinada pessoa. Qualquer proposição necessita ser posta em discussão numa busca cooperativa de acordos sobre a verdade. desde a enunciação de seu tema/hipótese em título adequado e da configuração dela em capítulos e tópicos específicos. nem num órgão ou dispositivo inato.Pesquisar é puxar os cordões que ligam entre si as práticas de um mesmo campo empírico em sua continuidade histórica e. relê seu escrito e o reescreve. situa~ção em que se desenrola uma complexa estratégia de interações que também envolve os leitores. em que a obra do trabalhador se exerce para além dos materiais e recursos estocados para os oportunos usos. em oposição ao sujeito monológico da filosofia da consciência. que ele domina de animador. que o leitor é está pontuando nosso escrever/pesquisar. Na orientação agragam-se os aspectos instrumentais. mas uma comunidade de leitores. os pequenos segredos que só a prática compartilhada aponta. O estudante/aprendiz de pesquisa trabalha em pesquisa sua. Aponta Michel Legrand (:245-7) para o papel ativo do orientador. é seu primeiro leitor à medida que lê. isto é. Mas se faz ele possível graças à historicidade de gênero humano com seus processos de aprendizagem social na reconstrução de modelos e categorias. Trata-se. os entrelaçam com os cordões que vinculam e conduzem os entendimentos que de tais práticas se alcançam no campo teórico. a escreve passo a passo e assujeita-se à orientação de alguém que trabalhe na sua própria linha de pesquisa. pra quem realiza sua pesquisa sob patrocínio e controle de uma instituição de ensino. d) São os leitores que que não esperam pela escrita realizada para lê-la. a pesquisa exige uma comunidade de pesquisadores. com a indicação de conversas e leituras apropriadas. nem se fundamenta ele num absoluto trancedente. estará a leitura pontuadora/orientadora atenta a que se desenvolva ela com unidade. Desdobra-se ele em duplo personagem: o que se expõe no escrever e o que se mira no que escreveu e tenta entendê-lo nas muitas perspectivas do leitor. um outro responsável jurídica. Além disso. no primeiro capítulo. e a fase das hipóteses e da interpretação. as instruções para uso de determinadas técnicas de trabalhos. ao lado de sua competência na linguagem enquanto tesouro social . continuidade. que interpretam as mudanças operadas nas situações sociais concretas de frente à natureza imutável. impõe a presença e -se atuação de um leitor. portanto. como a universidade através de seus programas específicos. Percebendo-se a pesquisa como trabalho de uma comunidade convocada de testemunhos sobre tem proposto se faz ela uma combinatória de citações ou de reescritas sob o ponto de vista de outro autor.

destacando para que possamos assimilar -a. para fazer uma citação é necessário que haja uma leitura prévia de muitas fontes. de nossas conversas cotidianas e nossas experiências. melhor o contexto. Em todo caso. Os passos andados. a segurança se produz na incerteza dos caminhos. como em toda a obra de arte. Há o primeiro momento de recorte. não do saber as respostas. enquanto tal.Em seus valores de uso cada palavra se apaga para se fazer significadamente em abertura para determinados usos na frase e. Mas também podemos ressaltar as leituras que fazemos do mundo. a sublinhamos. Na pesquisa. um transplantar. os atos de ler e de escrever no ato de reescrever. A sistematização e validação dos saberes e a arrumação final da pesquisa Cumpre a pesquisa uma função construtivo-organizadora dos enunciados. Não se trata de uma transcrição mecânica. correlacionando-os entre si na composição de um sistema mais amplo. O próprio autor. Quando transpomos uma palavra de sua língua de origem para outra língua. Sem um entendimento da pesquisa enquanto tal. O que o pesquisador necessita é de saber o que procura. pelo qual a leitura retira do texto um fragmento. A apresentação do texto na perigrafia dele Não é a lógica da inteireza do texto direta e imediatamente acessível ao leitor. em outro contexto. obra solidária e socialmente certificada. Por isso a primeira leitura e o do todo permitindo a leitura capaz de destacar a significância de cada elemento. Daí porque o trabalho da citação é sempre trabalho a muitas mãos e a pesquisa se faz uma combinatória de muitas conversas. mas de uma recriação em tempo e lugar outro. as frases adquirem significados outros ao se inserirem em outros contextos de discursos.. de uma cópia. a colocamos entre aspas para distingui-la e revalorizá-la em seu novo lugar. assim. não as regras pré-definidas. de que o texto intertextual é a obra. força operante. Na citação conjugam-se. por sua vez. não é possível inteligentemente percebê-la. A citação é a dinâmica. E quando citamos à letra uma passagem. O pesquisador deve trabalhar a harmonia das partes entre si mesmos e no todo. de ablação. da vida. de forma que cada âmbito tenha suas próprias consistências e coerências `a densidade da tessitura do texto todo. o estilo e a versatilidade do método A criatividade e a persistência do pesquisador se deve a unidade de seu estilo. E quando sublinhamos esse fragmento ou o transcrevemos. ma do saber a pergunta certa. Voltamos então atrás e nos fixamos naquela passagem e a extraímos de seu contexto. . Quando lemos algo em especial nos chama a atenção. Consistem em saber sempre procurar o caminho mais curto e mais simples para o melhor resultado. e também se tornam imprescindíveis a retomada de tópicos relevantes. Se exige que a citação seja autêntica com referência localizada e fiel a seu lugar de origem. a leitura pratica uma ato de citação ao desagregá-lo do texto e destacá-lo do contexto. Ler e escrever é sempre um reescrever. e se preocupar em escolher a aplicação das técnicas certas. para que sua obra tenha unidade e coerência deve realizar o reequelibramento dela nas partes que a compõem. enquanto unidade de significantes.

mas. A capa externa pode ser completada por informações adicionais sobre o autor ou sobre o text. oferecendo-lhe visão se um conjunto organizado em partes e subpartes. ou bibliografia. vale dizer. aponta para novas interrogações. Por sua vez. Citações e bibliografia se autoexigem e reclamam em reciprocidades inclusivas. circunscrito em limites estáveis como cidade fortificada o texto se qualifica por sua compactez e autonomia. É necessário que apareçam as fontes de origem. como os dos autores citados e o do desenvolvimento de temas específicos. deve também poder ser lida para que anuncie o que está por dentro e indique suas vias de acesso e suas ligações com suas referencias externas. o nome próprio do livro que corresponde a citação dele em sua extensão.Não basta a capa da função de invólucro protetor do miolo do relatório. O prefácio é o último ato social do escrever. Apresentação de índices especiais. a percepção dos principais temas abordados. O título denotativo. como seu referente. bem-tratado. mas que também conota a lógica de sua produção e exige o nome do autor. V. a passagem da produção para a circulação do texto. o Índice Temático oportuniza leituras transversais da pesquisa. O sumário ou Índice destingue e especializa os momentos não mais da escrita que sem ele se desorientaria. ou no final do capítulo respectivo. regrados e sistemáticos: escolarizados. É na perigrafia que o texto se expõe ao mesmo tempo em que se protege.ESCRITA E PESQUISA NA UNIVERSIDADE A escrita requer processo artificiais de aprendizagem. . ou do livro. intencionados. da leitura. bem como local e data em que se expõe ele à publicidade crítica. real ou fictício. aquelas comprovam que esta foi de fato percorrida e esta. capítulos e tópicos. A o final do trabalho apresenta-se um sumário das conclusões a que chegou na pesquisa. É importante ressaltar que o tema não se exaure nunca e. constitui-se a página de rosto como referente legal e institucional tanto do lugar social ocupado como das citações que dele se façam. é um inventário das citações. O autor então conta de suas motivações iniciais. a bibliografia. agora. A introdução nada mais é do que uma remontada dos caminhos andados. se faz corpo. ou antes da bibliografia. de como chegou a seu tema e de como o trabalhou através de que caminhos. Uma maneira de ampliar os espaços da citação e da bibliografia é o uso de notas indicadas por referencias no texto e colocadas ao pé da página. Nunca conclusivas as conclusões devem apontar para novos horizontes de pesquisa. A precisa referencia da citação a bibliografia lhe confere sua autenticidade e fidelidade e autencidade do autor. Sob o ponto de vista da salvaguarda dos direitos autorais e dos indicativos da autonomia do escrito no cumprimento das formalidades exigidas. ao repertório de suas citações. ou sobre a editora responsável. Se a hipótese foi fecunda se desdobra agora em outras. ele finaliza a escritura ao mesmo tempo que marca a entrada dela no universo da publicação. se articula e encerra em si mesmo. portanto. O Índice Onomástico de muito facilita a localização dos autores e respectivas citações.

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