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-4171 Obras Consultadas Les Itineraires de Jesus - Gustave Dalman O Nazareno - Sholem Asch Jesus de Nazareth - Paul de Regia Cristo Jesus - Rafael Housse Jesus Cristo - Roselly de Lorgues Jesus Desconhecido - Merencovsk Os Evangelhos Sinóticos Diversas obras mediúnicas ILUSTRAÇÕES MILTON GABBAI Direitos Autorais Reservados ÍNDICE: Prólogo 9 Evangelhos Apócrifos 13 A Tradição Messiânica 15 O Nascimento do Messias 19 Controvérsias Doutrinárias 24 Os Reis Magos 28 Exílio no Estrangeiro 33 A Cidadezinha de Nazareth 35 Jerusalém 40 Jesus no Templo 44 O Grande Templo Judaico 46 Reis e Líderes 51 As Seitas Nacionais 54 A Fraternidade Essênia 56 Costumes da ´Época 61 Jesus e os Essênios 64 O Precursor 66 Início da Tarefa Pública 70 Os Primeiros Discípulos 73 Volta a Jerusalém 75 As Escolas Rabínicas 77 Nicodemo Ben Nicodemo 79 Regresso à Galiléia 82 Na Sinagoga de Nazareth 85

A Morte de João Batista 88 Os Trabalhos na Galiléia 91 Pregaçoes e Curas 94 outros Lugares 98 ostilidades do Sinhedrin 102 Maria de Magdala 104 O) Desenvolvimento da Pregação 107 O Quadro de Discípulos 109 Consagração e Excursões 113 A Cena do Tabor 117 As Parábolas 118 O Sermão do Monte 132 Abandono da Galiléia 136 Últimos Atos no Interior 138 Últimos Dias em Jerusalém 141 O Encerramento da Tarefa Planetária 143 Prisão e Dispersão 146 Tribunal Judaico 150 O Julgamento de Pilatos 153 Para o Calvário 155 Nos Dias da Ressurreição 159 Conclusão 162 Adendo 164 9 PRÓLOGO: inúmeras são as obras escritas sobre a vida e os fatos referentes a Jes us de Nazareth — o Divino Redentor da humanidade terrena —, cada uma delas apresentando-o de certa maneira, segundo pontos de vista pessoais ou sentimentais sectários. Animando-nos a escrever este livro, outro intuito não temos que render ho menagem humilde a tão excelsa entidade espiritual, tentando uma reconstituiçã o histórica de sua última passagem pela Terra, a cuja humanidade legou a lembrança imorredoura do sacrifício da cruz e os sublimes ensinamentos do Evangelho . Não nos iludimos quanto ás dificuldades da tarefa, pois que Jesus nada escreveu de si mesmo, talvez porque sua divina presciência descortinava as deturpa

ções que sofreriam seus ensinamentos, não querendo concorrer para as mistifica ções religiosas e as inevitáveis explorações de documentos e relíquias q ue mais tarde ocorreriam; preferia, como diz um inspirado instrutor espiritual dos nossos dias, que tais alterações fossem feitas "não sobre o que escrevesse, mas somente sobre o que outros dissessem". Não havendo documentação original provinda de outra fonte, devemos at er-nos aos Evangelhos, codificados na Vulgata Latina, cujos veneráveis Autores não se preocuparam em mencionar os fatos cronologicamente; por outro lado, cad a um deles seguiu plano diferente, ou ta!vez nenhum, omitindo circunstâncias e fatos que serviriam para identificar protagonistas e situar os acontecimentos em datas e lugares apropriados. O próprio Lucas que, não tendo sido discípulo, escreveu seu trabalho lendo e ouvindo a uns e outros, anos depois do Gólgota, da mesma forma não esta beleceu a necessária ordenação histórica, a sequência justa dos fatos, prov avelmente por já encontrar dificuldade em fazê-lo, não obstante ainda viverem naque la época alguns dos "Doze": Pedro e Tiago, em Jerusalém; João, em Efeso e outros alhures. Estas falhas, entretanto, em parte se justificam, porque cada autor escreve u isoladamente, em épocas diferentes, segundo aquilo de que se lembrava e d ebaixo, ainda, da emoção do drama do Gólgota e do espírito sacrificial que a todos empolgou enquanto viveram. De outra parte, preciosas indicações e subsídios se perderam no trans itarem os pergaminhos primitivos por milhares de mãos de adeptos na Palestina e em

tais documentos foram por Jerônimo desprezados em sua quase totalidade. por último. com o vers. Este fat o. elaborando assim a codificação intitulada "Vulgata Latina" até hoje adotada. d os "Atos dos Apóstolos" que dizem. segundo João. 1. 1. repres entam exatamente aquilo que Jesus ensinou. etc. 1. como estão escritos. do cap. por suas ligações estreitas com Paulo de Tarso e de ido neidade comprovada. acerca de todas as coisas. segundo Lucas e segundo Marcos". ou cópias de cópias. 1. incumbiu de codificar o cristianismo 10 Aas 44 narrativas existentes na época (1). enquanto que o cap. todas com fôro de autenticid ade. sem exceção. a quem o papa Damaso 1. 1. ainda. porque os documentos que se salvaram e chega ram às mãos do erudito padre Jerônimo. sem contestação. visto que a estr utura fundamental. entretanto."? Não é de se concluir que os documentos q ue chegaram às suas mãos eram somente cópias.0 de Lucas. que exerceu o pontificado entre os anos 366 a 384. nos cabeçalhos: "segun do Mateus.0 do cap.outras partes e." d e Atos diz: "Fiz o primeiro tratado. certeza de que os Evangelhos. além de Marcos (que nã o o fôra) e ainda de Lucas. Mas teriam tais Evangelhos sido escritos pessoalmente pelos Apóstolos? Comparando-se o vers. segundo João. pela maior parte de cristandade. a base moral ou iniciática é idêntica em todas as quatro . mas não os originais? Não há. em quase nada desmerece seu altíssimo valor. etc. na sua integridade primitiva. Theóphilo. portanto. aceitando ele somente aqueles que constavam terem sido escritos pelos apó stolos (testemunhos de vista) a saber: João e Mateus." não é de perguntar porque Jerônimo em todos os cabeçalhos escreveu a ressalva "segundo Marcos.

não trazem maiores esclarecimentos a respeito da parte his tôrica da vida do Divino Messias. vivida com grandeza. sem nenhuma projeção de caráter político ou social. sempre. dispondo (1) Relação à pág. em todos os sentidos. passada h á quase vinte séculos. mas com simplicidade. neste século de tamanha expressão científica. pois tudo que respeita à vida de Jesus tem alto valor inici ático e edifica. preferentemente em contato com o povo ignaro e humilde. a impressão de que ainda não chego u a época de ser o assunto exclarecido pelos Instrutores Espirituais que. Mas daí não se conclua que esta última seja desinteressante no seu va lor qualitativo. de forma e de fundo. A vida dos condutores espirituais da humanidade é sempre cheia de exemplos preciosos e educativos.narrativas. da mesma forma encontraremos inúmeras divergências. quando. ainda também muito se ignore sobre assuntos atuais de alto interesse para a evolução da colet ividade . conquanto se mostrem muitas vezes até mesmo prolixos na exposição de assuntos dout rinários ou filosóficos. Têm-se. E se nos voltarmos para as obras de caráter mediúnico. que não lev am a maiores certezas. então. 13 O REDENTOR 11 os homens de poderosos meios de intercâmbio e publicidade. porque esp e lham condutas mais altas e perfeitas e traçam rumos sempre sequentes à evolu ção dos seres habitantes dos mundos inferiores. nos dias que vivemos. E nem há que admirar que muito se ignore sobre a vida de Jesus.

projeções polít icas e sociais na sua época. o cristianismo primitivo absorvido por forças poderosas que dele se apodera ram para a organização de uma religião oficial (1). como era de esperar. mas para todo o Cosmo. como código moral que exige conduta perfeita e iluminação interior. logo depois. oferecer à humanidade diretrizes espirituais mais perfeitas e definitivas. como dissemos. *** A tarefa Messiânica era sanear a Terra de suas iniquidades. porque tais não eram Seus objetivos. conquanto pr evenisse aos pósteros sobre suas consequências futuras quando disse: 'não vim trazer a paz. realmente. E. não somente par aa Terra. Indicando os caminhos luminosos do amor e da paz universais. E a projeção social. com o advento do Espiritismo — O Consolador prometido por Jesus — na inspirada e magnífica codificaç . dominadora no campo d os valores materiais o que. não importando ao Divino Cordeiro os sofrimentos f ísicos e morais que suportou. mas a divisão". A tarefa do Divino Enviado não teve. pequenina e retardada. retardou de muitos séculos a evolu ção espiritual do mundo. seus ensinamentos. esta s omente se fez sentir há pouco mais de um século. provo caram interpretações as mais diversas e contraditórias sendo. logo após a morte dos apóstolos. a influência desses ensinamentos sobre os indivíduos e sobre as massas humanas. isto é. deixou ao mundo um legado eterno que é lei. redimir os homens e encaminhá-los para Seu reino divino de luzes e de amor e foi cum prida em todos os sentidos. no seu devido sentido redencionista .humana.

sobretudo quand o vindos pela mediunidade. de le somente nos afastando para acrescentar detalhes e complementos idôneos e julgados úteis à melhor clareza e lógica do conjunto. que tem sido canal da revelação divina em todos os te mpos.ão elaborada por Kardec. aberto e refulgente. como a força que mais poderosamente realiza transformações morais. mas s omente narrá-los. no mais íntimo das almas. a dotamos o arbítrio de permanecer nas bases históricas do Evangelho codificado. incl u sive mediúnicas. O Espiritismo arrancou o Evangelho das sombras místicas das concepçõe s dogmáticas e o apresentou ao povo. como em relação à vida de Jesus os eventos foram narr . outra e mui to mais evoluida seria a humanidade. quase sempre s em transcrições e citações. mas cujas fontes e autores constam da bibl iografia contida na última página. a não ser em obras de ficção. e impulsiona os home ns para as luzes da redenção. (1) E evidente que. *** 12 EDGARD ARMOND O REDENTOR 13 Queremos também adiantar que reunimos informes de diversas origens. e. se houvesse sido promovido o conhecimento preferencia l do Evangelho e a vivência dos ensinamentos com a reforma intima. redigidos e adaptados à finalidade referida. Por estas razões e circunstâncias. ao escrever este modesto trabalho. na França. expressivo e edificante. indistintamente. Não se podem inventar os fatos.

cada vez com aspectos diferentes. S. Tomé O Evangelho de Nicodemo O Evangelho Eterno O Evangelho dos Escolhidos O Evangelho de Basilide O Evangelho de Cerinto O Evangelho dos Ebionitas O Evangelho dos Hereges O Evangelho de Eva O Evangelho dos Onósticos O Evangelho de Marcion O Evangelho do nascimento do Senhor O Evangelho de S. a redação. Julgamos assim resguardadas a paternidade das idéias e conceitos pertence ntes a outros dignos autores. O Autor Capítulo 1 EVANGELHOS APÓCRIFOS Considerados no Autênticos O Evangelho segundo os Hebreus O Evangelho segundo os Nazarenos O Evangelho dos Doze Apóstolos O Evangelho de S. se ndo de nossa autoria somente a dis— posição deles. 1974. a interpretaç ão. os comentários e as conclusões. julgamos útil fazer uma compilação de dados. aos quais apresentamos desde já nossos melhores agradecimentos pela participação. Pedro O Evangelho segundo os Egípcios O Evangelho do nascimento da Santa Virgem O Evangelho da infância do Salvador O Evangelho de S. conquanto indireta. na confecção desta obra. Matias O Evangelho da Perfeição O Evangelho dos Simonianos . uma repetição a mais.ados por centenas de autores e repetidos inúmeras vezes. e como nosso intuito não é acrescentar uma narração a m ais. Paulo.

Capítulo 2 A TRADIÇÃO MESSIÂNICA A tradição espiritual do mundo. clareza e co ncisão. ensina que a criação subordina-se aos seguintes princípios universais: um Criador. Tanto podem ter sentido extensivo como figurado.esfera dos agentes cósmicos cria dore de m undos. procuramos n a rrá-los obedecendo a uma sequência lógica que. 14 15 Apocalipse é o termo que indica as revelações feitas aos profetas da antiguidade e tanto podem referir-se a assuntos limitados. um Agente Executor e um Alento Animador. em seus setores mais altos. cujas características são método.o pensamento abstrato fora de Deus . assim discriminad os: O princípio criado gerante . Nas rehgiões: O primeiro princípio é Deus . entretanto. como gerais.esfera do pensamento divino abstrato O princípio criado criante . não representa nem se oferece como vantagem especial sobre qualquer outra. dada a vastidão dos temas e a finalidade da obra.esfera das manifestações do espírito divino na criação. Judas O Evangelho de Valentim O Evangelho da Vida ao Vivo Como nos Evangelhos não há cronologia nos acontecimentos.o Pai Criador absoluto. analógico ou místico.O Evangelho segundo os Siríacos O Evangelho de Tatien O Evangelho de S. O princípio criado imanente . O segundo princípio . Na confecção deste livro fugimos de divagações literárias para en cobrir falhas e. não nos arredamos também da feição didática.

de onde foram copiadas. O Livro de Esdras . Esta é a base fundamental das Trindades. haviam ainda: Falsos Atos dos Apóstolos.o pensamento divino derramado na criação como vida.também conhecido como Apocalipse do ano 97. Falsas Epístolas dos Apóstolos e Fa lsos Apocalipses. dentre os quais os mais conhecidos na época eram os seguinte s: O Livro de Enoch .manifestado como criação pela ação dos agentes cósmicos . Falsas Epístolas da Santa Virgem. Falsas Epístolas de Jesus Cris to.citado por quase todos os eruditos da época.é o Filho. imaginadas por algumas religiõ es como a brahmânica. O terceiro princípio . considerados falsos evangelhos pela codificação católi ca-romana. Eis as Trindades mais conhecidas: Brahma. Felipe O Evangelho de S. sis e Orus Ea. inteligência e amor . a egípcia e a persa. O Apocalipse de Baruc O Apocalipse de Elias O Apocalipse de Daniel . entre outras. Tiago o Maior O Evangelho de Judas de Kerioth O Evangelho da Verdade O Evangelho de Lencius O Evangelho de Salmon O Evangelho de Luciano O Evangelho de Hesychius As Interrogações grandes e pequenas de Maria O Código Vercelense O Código Cantabrigense *** Nota: Além destes. inclusive por religiões dogmáticas cristãs. Siva e Víshnu Osiris. Istar e Tamus As Reminiscências dos Apóstolos O Evangelho de S.é o Espírito Santo. Barnabé O Evangelho de S.

fronteira à cidade de Efeso. André O Evangelho de S. Sartolomeu O Evangelho dos Escolhidos O Evangelho de Basilide O Evangelho de Cerinto O Evangelho dos Ebionitas O Evangelho dos Hereges O Evangelho de Eva O Evangelho dos Onósticos O Evangelho de Marcion O Evangelho do nascimento do Senhor .O Apocalipse de Moisés . Alcindo Capítulo 1 EVANGELHOS APÓCRIFOS Considerados não Autênticos O Evangelho segundo os Hebreus O Evangelho segundo os Nazarenos O Evangelho dos Doze Apóstolos O Evangelho de S.dos babilônios. bispo católico do segundo século. .dos hindus. Pedro O Evangelho segundo os Egípcios O Evangelho do nascimento da Santa Virgem O Proto-Evangelho de S. Tomé O Evangelho de Nicodemo O Evangelho Eterno O Evangelho de Sto. .(A Gênese) *** O Apocalipse de João Evangelista possue todos esses sentidos e. que o revelou a Irineu. no Mar Egeu. na Asia Menor. segundo s eu discípulo Policarpo.dos egípcios. . foi escrito na Ilha de Patmos. Tiago O Evangelho da infância do Salvador O Evangelho de S.

O Evangelho de S.(A Gênese) Apocalipse é o termo que indica as revelações feitas aos profetas da antiguidade e tanto podem referir-se a assuntos limitados. Judas O Evangelho de Valentim O Evangelho da Vida ao Vivo 14 As Reminiscências dos Apóstolos O Evangelho de S. Falsas Epístolas de Jesus Cristo. O Apocalipse de Baruc O Apocalipse de Elias O Apocalipse de Daniel O Apocalipse de Moisés .também conhecido como Apocalipse do ano 97. O Livro de Esdras . dentre os quais os mais conhecidos na época eram os seguintes: O Livro de Enoch . João (não confundir com o aceito) O Evangelho de 5. Felipe O Evangelho de S. Tiago o Maior O Evangelho de Judas de Kerioth O Evangelho da Verdade O Evangelho de Lencius O Evangelho de Salmon O Evangelho de Luciano O Evangelho de Hesychius As Interrogações grandes e pequenas de Maria O Código Vercelense O Código Cantabrigense Eis as Trindades mais conhecidas: Brahma. Siva e Vishnu Osiris. Falsas Ep ístolas dos Apóstolos e Falsos Apocalipses. Isis e Orus Ea. como gerais. Barnabé O Evangelho de S. . Falsas Epístolas da Santa Virgem. star e Tamus Nota Além destes. considerados falsos evangelhos pela codificação católi ca-romana. Matias O Evangelho da Perfeição O Evangelho dos Simonianos O Evangelho segundo os Siríacos O Evangelho de Tatien O Evangelho de S. haviam ainda: Falsos Atos dos Apóstolos.citado por quase todos os eruditos da época.

segundo princípio . . em seus setores mais altos. inteligência e amor . . . O princípio criado criante – esfera dos agentes cósmicos criadores de mundos. Friga e Dinar .dos persas. Zeus. imaginadas por algumas religiõ es como a brahmânica. O Apocalipse de João Evangelista possui todos esses sentidos e. um Agente Executor e um Alento Animador. ensina que a criação subordina-se aos seguintes princípios universais: um Criador. analógico ou místico. . na Asia Menor Capítulo 2 A TRADIÇÃO MESSIÂNICA A tradição espiritual do mundo. de onde foram copiadas. Astarté e Adonis Orzmud. Ariman e Mitra Voltan. .Tanto podem ter sentido extensivo como figurado. no Mar Egeu. . a egípcia e a persa.é o Espírito Santo.o pensamento abstrato fora de Deus manifestado como criação pela aç ão dos agentes cósmicos . foi escrito na Ilha de Patmos.dos hindus.dos egípcios. bispo católico do segundo século. entre outras.dos assírios.o Pai Criador absoluto.dos babilônios. Demétrio e Dionísio BaaI. terceiro princípio .esfera das manifestações do espírito divino na criação. 16 .dos celtas. Nas religiões O primeiro princípio é Deus .dos g rgos. que o revelou a Irineu.é o Filho. Esta é a base fundamental das Trindades. fronteira à cidade de Efeso. O princípio criado imanente . assim discriminad os: princípio criado gerante . .o pensamento divino derramado na criação como vida. inclusive por religiões dogmáticas cristãs.esfera do pensamento divino abs trato. segundo s eu discípulo Policarpo.

passando a ser seu Governador Planetário. concorreu à formação do nosso globo e de todos os seres que o habitam. altos espíritos. A mesma tradição espiritual também revela que. Jesus de Nazareth. em determinadas époc as. Em conceito mais objetivo e científico. de forma grosseira e aproximada da realidade. . segundo as necessidades evolutivas do planeta. como mundo formado em um sistema planetário. por intermédio de cujos discípulos a tradição espiritua l mais antiga transferiu-se para o Mediterrâneo. Segundo essa tradiçAo o Governador Espiritual da Terra já encarnou em m eio a seus habitantes várias vezes. dos diferentes sist emas planetários e que são os governadores espirituais desses diferente s orbes. com a terceira raçamãe. corporificam seus pensamentos. corporificam e emitem ondas sucessivas de energia criadora inteligent e. delegam poderes a agentes seus — os Cristos — que. como verb os divinos. encarnaram-se nos diferentes orbes leva n do às humanidades que os habitam. germes de vida. formando os mundos materiais e os seres vivos. como Anfion e Antúlio. san tificam e presidem à formação de universos e galáxias. impulsos novos e diretrizes mais avançadas de progresso espiritual. que potenciam energias. consagrado e "f ilho de Deus vivo". Esta é. a quem Pedro se referiu quando disse: "Tu és o Cristo. por si ou como enviados do Cristo. a criação se opera de forma a lgo diferente: as Inteligências Divinas. inteligência e amor. no sentido de que evoluiu em mundos materiais o que. é o Messias — o ungido — encarnado na Palest ina. o berço da legendária quarta raça. "Cristo". que se projetam nos espaços criando os átomos. e que. a seu turno. agindo no mesmo sentido. a discriminação mística das tarefas de agentes divinos na criação dos mundos.Os agentes diretos de Deus são as Inteligências Divinas que animam. aliás. os quais se aglomeram e multiplicam dentro de leis divinas pré-existentes. executando a criação de planetas. como agentes diretos de Deus. Ele mesmo o confirma quando se intitulou "O Filho do Homem". o filho de Deus vivo". Duas na Atlântida. como Numú eJuno. satélites e astros em geral. a saber: Duas na Lemúria. Na história religiosa. na sua significação de ungido. como agente da Entidade a cuja jurisdição e depend ência a Terra se encontra.

uma na Pérsia. sacerdotes esses que. como Krisna. Os conhecimentos revelados por esses magnânimos espíritos foram conserv ados: no Oriente. refugiados na Gré cia. descendentes dos Atlantes. Nessas encarnações esses altos espíritos têm vindo ora como precurs ores intelectuais de conhecimentos filosóficos. ora como pregadores de paz e de concórdia. como Buda e uma última. com o af u ndamento desse continente. revelaram os mais adequados conhecimentos sobre a vida e a morte e deram à existência humana um elevado e sublime sentido espiritual. pelos Flâmines. a fraternidade dos homens e a paternidade de Deus. pouco antes do afundamento da última parte desse continente e para onde transportaram os documentos contendo as tradiçõe s mais antigas. por mais que se tivessem colocado afastados uns dos outros. conforme o enunciado fundamental do "amor a Deus sob re todas as coisas e ao próximo como a si mesmos". No ocidente. religiosos e artísticos. Verdadeiras no todo. até o advento de Krisna. logo em seguida transposta para o antigo Egito. ou encarnação deste mesmo. o certo é que esses altos missionários realizaram suas edificantes tarefas apontando di retrizes morais concordantes com a evolução humana de cada época.dores sociais e guias religiosos. ora como reforma. co mo exemplificador do amor universal. essas tradições. enviad o do Cristo Planetário. ou somente em parte delas. no ponto mais alto da revelação eternizada. pelos Dactylos. científicos. e onde iniciaram as bases de uma nova civilização. não obstante nem sempre compreendidos e aceitos. Na Gréci . o que prova serem sequentes e p rogressivas as revelações espirituais. berço das primeiras encarnações humanas e m nosso globo e onde se esboçaram os rudimentos da consciência dos seres primitivos dos quais descendemos. em suas montanhas e florestas. no encaminhame nto de povos bárbaros à civilização. quando então de sceram para o Ceilão. sacerdotes filiados aos cultos da antiga Lemúria. viveram. passaram à India e lã. Na Palestina veio Jesus. na Palestina. como Jesus. fundando olí os santuários denominados Torres de Silêncio". pregaram sem pre as mesmas verdades fundamentais. uma na India.

finalmente. uniformente. Isso fazia não só para prestigiar os profetas. refugiados nas suas grutas e mosteiros da Palestina. os primeiros instrutores desse povo pré. 19 Capítulo 3 O NASCIMENTO DO MESSIAS As Profecias As profecias sobre o nascimento do Messias cumpriram-se em quase todos o sd etalhes e o próprio Jesus. nos diferentes atos de sua curta vida pública de três anos. com base nos documentos descobertos nas ruínas dos templos egípcios de Mênfis. como para demonstrar que esta antecede sempre os acontecimentos relevantes da vída da humanidade que. Quanto a Jesus. os ensinamentos deixados por Moisés e q ue foram por este restaurados. que receberam e conservaram no seu sentido verdadeiro e autêntico. de Abidos. redimido por Moisés. referentes ao advento do Messias redentor. a mais alta manifestação do Plano Espiritual Superior n a Terra. principalmente pelos israelitas — o povo escravo. pelos Essênios. E. e que vem sendo pe rpetuado até nossos dias pelos cristãos de várias seitas e confissões. Esta última manifestação era esperada de há muito e houvera sido pr edita por vozes proféticas de várias partes do mundo de então. (3) proferidas em outras regiões do . Fenícia e Arábia. confirm avam outras anteriores. como canais que eram da revelação. a elas se referia sempre e lhes dava constan tes testemunhos. express am-se os mandatários siderais pela boca dos profetas ou médiuns. cõmo os cabires 18 os curetes e os talquines. preparado por mais de quarenta anos nos desertos do Sinai e do Paran para receber em seu seio o espírito radioso do Redentor.a antiga esses pioneiros eram venerados como semi-deuses e foram. a que nos referimos no Prólogo deste livro.hist órico (2) Pelos Kobdas. As profecias hebréias. seus ensinamentos estão consignados no Evangelho cristão. colaborando para seu cumprimento. de Sais e outros. que vieram pouco mais tarde e fixaram essa civilização no leIto do Nilo e a difundiram pelo Egito e a Mesopotâmia.

a ressureição. até hoje Vem se tornando motivo de controvérsias entre cristãos. em Belém. Mas. conforme referiam. foram realmente verdadeiras. (3) Vide "Exilados da Capela" . os Ruditas. onde seus assistentes já lhe haviam preparado o nascimento físico. na Arábia. a traição de Judas. soli tários dos Montes Sagros. como verdadeiras foram todas as demais que proferiram sobre. dirigido por Melchior. sem contatos humanos que. solitários do Monte Z uleiman. Lake. se todas as profecias hebréias foram confirmadas. (2) Maiores detalhes. Balthazar e Gaspar foram os visitantes piedosos que a tradiçã o evangélica chama de "Reis Magos" e que visitaram o MeninoLuz nos primeiros dias do seu nascimento. cujo 1tõ era baseado no ZendAvesta de Zoroastro e cujo chefe era Balthazar. pressentiram essa aproximação e também se prepararam para apoiar e receber condignament e tão sublime visitante. por exemplo.ed. as ator mentações e torturas na noite de sua prisão. ent ão. da qual fez centro para seus movimentos e pregações. a morte na cruz. contrário às leis naturais. custodiado pelos seus luminosos assistentes espirituais. gravadas em seus subconscientes. os sofrimentos do Messias. do mesmo Autor. Senhor de Srinagar e príncipe de Bombaim. dirigidos por Gaspar. do mesmo Autor. ou que. Essa concordância permitia supor que os profetas hebreus deixaram-se infl uenciar por essas notícias que. Zoroastro. há tanto tempo esperado. no sentido de um nascimento miraculoso. foram eles: os sacerdotes do TemploEscola do Monte Horeb. esta. e finalmente. da Palestina. por exemplo: a fixação de Jesus na Galil éia. que habitavam santuários e mosteiros isolados e inacessíveis. Buda. na Pérsia. através de uma virgem. Foram tidos como m ago s porque vieram da direção do oriente. no crucial sofrimento da redução vibratória para adaptação ao nosso mundo ma terial denso. vieram à tona no transe das revelações. onde ficavam a . seus sacrifícios. Krisna. pertencentes àqu elas correntes a que já nos referimos atrás. os Essenios. A esses iniciados foi revelado mediunicamente a próxima encarnação do Messias. entretanto. etc. ocorrera com outros missionários religiosos ou fundado res de movimentos espiritualizantes como. do nascimento virginal não o foi mas. junto ao Rio Indo. da Arábia e da Fenícia. nas montanhas desse país. aproximou-se da atmosfera terrestre. ao contrário.mundo de então. 20 Quando o excelso Missionário. no livro "Na Cortina do Tempo". quatro grupos de iniciados maiores. Melchior.

fora dos muros. fundamentalmente. da família de David. Ele era de Belém. junto às Virgens de Sião. *** A expectativa por um Messias nacional. dias antes de sua indicação. iluminação. pondo na boca de um dos magos. até então dominante e arbitrário. no Templo. tendo enviuvado de sua mulher Deborah. filha de Joaquim e Ana. Nestes casos. carpinteiro residente em Nazareth. nesse tempo. o próprio Evangelho justifica os títulos.1. cujo nome significa beleza. por causa da redução de autoridade e de prestígio do clero. e uma tarde. pois que as joven s descendentes de tais famílias tinham esse direito e podiam ser educadas primorosamente no Templo. Mateus II . Para a encarnação do anjo planetário. estando Myriam sozinha em uma das dependências do Templo. a Assíria. da tribo de Leví. à sua chegada a Jerusalém. usando de um direito que também lhe pertencia por descender da família de David. que nas grandes festividades cantavam em côro os salmos de David e os hinos rituais. que repercutia também. Moravam e m Jerusalém. a designação era feita pela sorte e a indicada foi Myria m. recordando o quanto também sofreraseuprogenitorcom essa situação e as preces que fazia pe . da família de Aarão e ela de Nazareth. da magia teúrgica e de outras espécies eram praticadas livremente. foi Myriam. a seguinte frase: "Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Vimos sua estrela no oriente e viemo s adorá-lo". a seus serviços internos. bateu às portas do Templo pedind o que lhe fosse designada uma esposa. Já estavam ambos em idade avançada quando lhes nasceu uma filha que foi chamada M yri am. virgem hebréia de família sacerdotal. cidadezinha da província da Galiléia. filha de Alfeu e ficado com cinco filhos menores. Aliás. 21 Dois anos depois. era geral na Palestina. Joseph.Caldéia. o vaso carnal escolhido e já compromissado desde antes de sua reencarnação na Terra. Com a morte de seus pais foi ela internada por parentes no Templo de Jerusalém. a India e onde a ciência da astrolog ia. caso o quisessem. consagrando-se. poder. junto ao caminho que ia para Betânia. região agravada pela pesada ocupação romana. segundo revelações mediúnicas. a Pérsia. da tribo de Judá.

guardou silêncio. recolhendo-se a prolongadas meditações e alheiamentos. dedicou-se aos afazeres domésticos sem poder. Joseph. Este fato tão relevante ocorreu no ano 747 da fundação de Roma e 1. mas estando evoluindo para termos finais a gestação e não podendo con fiar em estranhos ou parentes alí residentes.0 . Atemorizada. A partir de sua chegada a Nazareth e após as comemorações rituais das bodas. adormeceu e teve um sonho. cerimoniais que. bem se lembrava. ao qual foi dado o nome de Jesus. duraram vários dias. Este fato. no qual vozes misteriosas lhe falavam das coisas celestiais. (Fig. desde o primeiro dia. de sofrimentos e de dores que lhe estavam reservadas no futuro. para ela. também pertencente à família de David. segundo os costumes. esquivar-se à lembrança dos acontecimentos do Templo. exatamente co mo. a ponto de provocar reprovações de conhecidos. contudo. por ter sido onde Samuel sagrou a David como rei. resolveu levar a jovem espôsa para Belém (4) onde ela ficaria sob os cuidados maternais de sua tia Sara. uma visão (pois era dotada de aprimoradas faculdades psíquicas) d urante a qual um anjo a visitou e a saudou como predestinada a gerar o Messias esperado. parentes e familiares. em cuja linhagem pelas Escrituras. ou melhor dito. naquela cidade histórica. confessou seus temores a Joseph. guardou silêncio sobre o ocorrido. Foi-se retraindo o mais que pôde da vida social e das intimidades domés ticas. de c uja paternal bondade estava certa poder esperar auxílio e compreenção 22 Surpreendido pela revelação. e a vida do casal. dentro da sensatez que lhe era atr ibuto sólido. ressentiu-se daquelas apreensões e temores. Vivia como dentro de um enlêvo permanente. estava escrito nas Escrituras Santas povo. Pois foi alí. foi uma evidente confirmação da visão qu e tivera e das palavras do anjo que a visitara. Por fim. sentindo-se grávida. de alegrias sobre-humanas. e seu espírito ingênuo e místico compreendeu que sua aquiescência àquele consórcio era imper ativa. que deu-se o nascimento transcendente do Messias Redentor. o Messias nacional deveria nascer. mas seus temores aumentar am quando. foi escolhida pela sorte para esposa do pretendente Joseph.la libertação de Israel. aguardando o perpassar dos dias. como era de praxe. 1).

quando vêm à cidade a negócios. como querem várias co rrentes espiritualistas e materialistas. .da era cristã. devemos apresentar neste livro: a que se refere à concepção de Jesus e a da natureza do corpo que utilizou quando encarnado. duas. servindo também de depósito de material. tendo em vista a pobreza e a exiguidade das habitações do povo naquela época. de ti é que virá Aquele que será o soberano de Israel e cuja origem vem de longe. e o fato de que os estábulos nem sempre eram lugares destinados a conter o gado. forragem etc. *** A CONCEPÇÃO A respeito do nascimento de Jesus julgamos haver duas alternativas: aceitar a concepção sobrenatural. o que não é de se estranhar. que considera tenha ele se verificado no ano 7 de nos sa era e 747 da fundação de Roma. desprezando o calendário oficial. Nas profecias se lê. Em Belém se encontram ainda vários estábulos desse tipo. (4) Belém é nome modernizado. Bethleem-Eufrates. como consta do Evangelho de Mateus e de Lucas. adotamos o sistema de considerar o ano 1 o primeiro a partir do nascimento. (5) Contam as escrituras que o evento se deu num estábulo. da eternidade" (5) Ao narrar a vida de Jesus e devido a divergências existentes nos cale ndários. mais afastado do bulício da casa e da curiosidade dos estranhos. pelo menos. etc. embora sejas pequena ante as muitas de Judá. conforme admitimos por conveniência expositiva. segundo Miquéas: "Somente a ti. ora ainda de acomodação a pastores nômades. ou admitir o nascimento natural. Conquanto os evangelistas citados acima narrem um nascimento sobrenatura l.. oferece elementos sérios para se optar pelo nascimento natural. o nome antigo era Eufrates. para simplificar as coisas e evitar interpretações diferentes. o Evangelho em si mesmo. ora para depósito de combustível e forragem. 24 Capítulo 4 CONTROVÉRSIAS DOUTRINÁRIAS Dentre as várias controvérsias existentes sobre assuntos evangélicos. que servem. ano 33 o de sua crucificação. devido a sua importância. ora para habitação. E de se admitir que os hóspedes ten ham sido acomodados em um compartimento desses. estudado no conjunto dos seus autores.

verbalmente ou por escrito.°. O CORPO DE JESUS À primeira vista pode parecer que. com referência a esse nascimento sobrenatural. aliás.° 3: "todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio nacarne. membr o da Trindade Católica Romana. adotados por várias correntes sectári as diferentes e divergentes. da mesma forma. Capítulo 4. o erudito padre Jerônimo. em respeito às . na concordância tácita dos cinco evangelistas: Pedro. nada encontramos q ue confirme o nascimento sobrenatural. Pode-se. não fez. além de Mateus e de Lucas. como dissemos. de Mateus e de Lucas. de selecionar e codificar os Evangelhos existentes na época.Deus. Se. encarregado pelo Papa Damaso 1. com a agravante de que Lucas não foi contemporâneo dos acontecimentos. é evidente que tais informações seriam mantidas na codi ficação denominada Vulgata Latina. provindos d e apóstolos ou discípulos. aceita esta versão do nascimento nat ural. aceitar o nascimento natural. mas deles não recebia coisa diferente daquilo que eles mesmos informaram a outros. n. não é de Deus". ótimos informantes. pelo mçnos. i s to é: nenhuma referência ao nascimento sobrenatural. pois. mas tal não aconteceu. em número de 44. João. Tiago. qualquer outra consideração seria ociosa mas. teria todo empenho em prestigiar a versão de Jesus. É verdade que a seu tempo ainda viviam Tiago em Jerusalém e João em E feso. Isto parece concludente. pelo que ouviu dizer por terceiros. porque fato de tamanha importância ou signifi cação espiritual. em princípios do século IV. mais que tudo. Nas demais epístolas de Pedro e Judas. outros documentos houvessem. pois viveu vários anos após a morte de Jesus e escreveu. concluir ou. que até hoje faz fé em toda a cristandade. Judas e Marcos. Por outro lado. citaremos unicamente o que disse João em sua Primeira Epístola Universal.A primeira das duas versões consta. ao proceder ao seu importante 25 trabalho. dando ainda maior ênfase versão sobrenatural o que. mas não consta de João e de Marcos (também sinóticos sendo isso deveras estranhável. certamente que não ficaria esquecido deles. Como o nosso objetivo não é discutir o assunto.

Clemente de Alexandria e outros luminares entre os antigos padres cristãos. em sua Epístola aos Romanos 8-3. na ausência de documentação probante. que causavam agitação e tumulto entre o povo. verificando. Essa controvérsia permaneceu em toda a Idade Média. S. limitam-se. . que não houvera entendimento 26 algum entre os disputantes. como na su a natureza e consequências. mesmo. Sempre se julga desinteressante debater temas desta espécie. como. compareceu ao recinto para ouvir as conclusões f inais.argumentações dos que crêm em contrário (e são muitos) examinarem os também este assunto e os fatores que intervêm nasua conceituação. um Ponto alto no reinado do imperador Juliano — cognominado o Apóstata " — quando proliferavam seitas divergentes. desde os tempos do cristianismo primitivo. vem de longe. tanto na sua origem. surgidos no século II. Atanásio. O próprio Paulo de Tarso. porém. mandou fechá-los em um grande recinto e deu-lhes prazo de alguns dias para acertarem suas divergências doutriná rias. atingiu os dias da codificação da Doutrina dos Espíritos. de valor sempre muito relativo. os representantes de todas essas seit as divergentes cristãs. a formular suas próprias e mais ou men os respeitáveis opiniões pessoais. o Grande. Paulo era dotado de m uita cultura e viveu ainda perto do tempo de Jesus e teria elementos para afirmar essa verdade. não só p or faltarem elementos sérios de comprovação. Juliano — chefe do império romano do Oriente. que não reconheciam Jesus segundo a carne e afirmavam que Ele possuira somente um corpo aparente. Ao fim do prazo marcado. sede do império. diz: "que Deus enviou Seu Filho em semelhança de carne". também. com Roustaing. em Constantinopla. no ano de 364. A controvérsia. e permaneceu até hoje entre escritores e pregadores espíritas encarnados e desencarnados que. João Crisóstomo. como dissemos atrás. caso em que os argumentos não sairiam do campo das opiniões pessoais. dentre os quais os mais intransigentes eram os docetistas. assim como outras muitas existentes. tendo tido. porque a versão adotada pelos contestadores em nada modificaria os fatos. educado na religião cat ólica romana e dela tendo abjurado — convocou. Essa opinião foi defendida também por Marcion.

adequada a conter um espírito de Sua elevad a hierarquia. existe. conviveu com inúmera s pessoas. igual ao de outras pessoas comuns? R . ap ós Sua morte na cruz? R . como numa simples t ro ca de idéias e simples cooperação. viveu junto a Seus Pais e parentes.Existe alguma prova de que Seu corpo físico era de carne. a seu turno. numa densidade que permitiu manifestar-se de forma objetiva e tangível no nosso plano. P . cresceu. a pesada cruz de madeira.Existe nos Evangelhos alguma coisa que prove ter sido fluídico o corpo físico de Jesus? R .Mas como pôde Ele conviver com seus discípulos. de milhares de necessitados e doentes. possuia poderes para agir em todas as circunstâncias julgadas justas. de matéria mais pura. durante 40 dias. como fez v árias vezes e de forma tão natural e perfeita.Porque depois da morte. Nasceu. gerado por um vaso físico devidamente preparado e selecionado anteriormente ao nascimen to. O que existe são alguns fatos ou palavras que poderão alimen tar tal suposição. irregulares e íngremes. alimentou-se m uitas vezes em companhia de seus discípulos e seguidores. sob cujo peso caiu vá rias vezes? Só se fosse por efeitos fenomênicos. sofreu a carga vibratória. . de vibração muito mais alta. pela sua alta posição de Governador Espiritual do nosso planeta.Sim. E mesmo que assim não fosse. perguntando: P. de densidade muito menor.Por isso limitamo-nos unicamente a abordar o assunto. por vias urbanas estreitas e mal calçadas. sem dúvida. o que seria uma incrível simulação da verdade. como consta dos Evangelhos? R . P .Não. incrivelmente pesada. em termos. p .Mas como. porém de consis. sendo de carne comum. enfrentou multidões. poderia desmaterializar-se. Se não o fosse como poderia Ele ter carregado nas costas. estava utilizando um corpo fluídic o.Porque tinha um corpo de carne. Desta forma as desmaterializações e outros fenômenos narrados pelos e vangelistas se tornariam explicáveis em todos os sentidos. agora sim.tênc ia diferente. corpo. de vibração e pureza que comportasse Sua permanência em nosso plano grosseiro e impuro. foi pregado na cruz e ali desencarnou à vista de muitos. Jesus.

de Jericó. dados por César. tanto na Palestina como nos países visin hos e no Oriente. eram para um Messias nacional. Até que enfim. prescrutava os cé us. já tinham. o povo. uma estranha e imprevista conjunção de corpos celestes: aproximavam-se Júpiter. há muito tempo. Por isso. e manifestou-se em corpo fl uí dico suficientemente condensado. era sinal de acontecimentos graves. pèrfeito. ** * (6) Vide a mísrna obra citada à pág. porque as esperanças e desejos do povo. ou em Jerusalém. na expectativa das desgraças anunciadas. que estava se formando. proclamando-se rei e expulsasse os romanos invasores. podendo sobrevir cat aclismas e sofrimentos imprevisíveis. 18. após a crucificação e morte física. que descreve pormenorizadame nte os acontecimentos. enquanto viveu encarnado. também. dizer que Jesus possuía um corpo físico espec ial de carne. uma geral e profunda expectativa existia. Arábia. pois. Pérsia e Índia as sibi las. enquanto que Herodes — chamado o Grande — no seu palá cio de mármore e pedra escura. profetizado a respeito do nascimento e.Concluindo podemos. numa dessas noites frias e estreladas do inverno paleStino . delicado e puro. em toda parte. correu o aviso. de um aco ntecimento extraordinário que abalaria a vida dos homens e mudaria os destinos do mundo (6). Nas terras pagãs da Grécia. q ue assumisse o poder em Israel. por isso. de vibração superior ao comum dos homens. Saturno e Marte. noites seguidas. remordia-se de inquietações. 28 Capítulo 5 OS REIS MAGOS Algum tempo antes do nascimento. na suposição de que tal acontecimento lhe roubasse o trono e o poder. diziam eles. Mas os sacerdotes do Templo de Jerusalém sabiam que era chegada a época do nascimento do Messias de Israel e se rejubilavam esperançosos. dado pelos sábios assírios e caldeus entendidos em astrologia. ansioso e atemorizado. Egito. em dado ponto d o Zodíaco. bem sabia. Isso.

diretamente? Nessas comunidades de solitários se realizavam práticas espirituais. astrologicamente. de tal significação para a vida planetária . conquanto pequena en t re as muitas de Judá. que "viram e Ouviram". nas encostas dos mo ntes próximos. a esses Iniciados. verificaram que a profecia de Miquéas. de ti sairá aquele que será o senhor de Israel" Como também já o afirmara a profecia de Zoroastro. do qual tiveram l ogo informações diretas. sobretudo pelos Essênios. as vibrações celestiais desceram sobre Belé m e envolveram a casa humilde onde o Menino-Luz estava nascendo. Bethleem Efrata. meus filhos. não poderiam ter sido eles também avisados pelos Espíritos sobre tal acontecimento. enrodilhados nos seus mantos. mais uma vez. co mo as fazemos hoje. Mas. E os pastores rústicos. que já estais avisados do Seu nascimento. por fim. aguardando a hora do grande evento. para todo o mundo: "Glória a Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade" E assim. as forças das trevas foram vencidas *** Mas. se completava a conjunção insólita. 3 . vigilantes. Quanto aos demais. muitos deles possuiam magníficas faculdades e um acontecimento desses. existindo. o recurso da mediunidade? As sim como aconteceu com os míseros pastores. este fato foi também percebido pelos sensitivos das Escolas de Sabed oria já citadas. alguns no próprio local onde o acontecimento se deu. que formou os céus" E ainda não lhes sobrava. que viajavam por toda parte. devido às enormes distâncias em que se encontravam. feita na Pérsia. na profundidade dos espaços siderais.quando. permaneceram investigando e aguardando confirmações. que se mantinham em prece. era o que governava os fastos da nação judaica. antes que qualquer outro povo. o Verbo. e ouviram o coro inaudível dos Espíritos clamando. mesmo. o Redentor — nasceu.200 anos atrás. porque a estranha conjunção de astros se operava no signo de Piscis que. por intermédio dos adeptos da Ordem e pelos irmãos Terapeutas. porque ignoravam o local exato onde o nascimento deveria ocorrer. perceberam que a resposta estava no próprio céu. tomai-a por guia e ela vos conduzirá ao lugar Onde Ele. viram os clarões luminosos que desciam do céu. que dizia: "Oh! vós. ao de mais. já informava a respeito dizendo: "E tu. beneficiados de incrível lucidez. assim que virde s a estrela. muito remota. Adorai-o e ofertai-lhe presentes porque El e é a palavra.

seria uma belíssima tarefa de participação em acontecimento de tal grandeza As caravanas desses Iniciados maiores viajaram durante muito tempo. com isso. 30 Concluindo. lugarejo situado nas faldas do Mont e Hor. fenícios e sírios. em feliz ou proposital coincidência. como também poderia ser um Espírito visto pe la vidência que. Não é comum nos Planos Espiritua is . se encontraram. A referência citada pelos próprios viajores a uma "estrela guia" poderi a ser simplesmente simbólica. sob essa forma. serviu de guia às caravanas que buscavam aproximar-se do Menino-Luz. como era de praxe. vindo s de suas terras distantes e. que se resumiam em um . faziam seus pre para tivos e realizavam sua demorada e custosa viagem. Aos quarenta dias foi levado por sua Mãe a Jerusalém. E entre estes se colocavam os Chamados R eis Magos. entrava no pacto de Jeovah. esses detentores da s abedoria espiritual de maior responsabilidade. cost ume adotado também pelos cananeus.m Sela. Mas enquanto os "Reis Magos" estudavam o acontecimento. Para os judeus queria dizer que a criança. os desencarnados de certa categoria tomarem a forma de estrelas ou outras quaisquer? Não é sabido que os Espíritos podem ass umir as formas que desejam. a estrela em si mesma representando a conjunção de astros. onde lhe cabia pr omover os ritos da purificação. onde se reconheceram e se incorporaram a uma caravana de mulas que se aprestava para atravessar as montanhas de M oab . partiram nessa direção. ao oitavo dia. os recém-nascidos fossem circuncidados. por fim. bastando que as imaginem? Essa. como também de praxe que. e. certamente que seria revelado a todos aqueles que merecessem conhecê-lo. até mesmo. o Menino-Luz se desenvolvia: aos oito dias foi levado à Sinagoga local para ser apresentado e registrado. conquanto fosse também medida de higiene corporal. nesse ponto abandonaram a caravana e seguiram juntos para Jerusalém.. passando a ser herdeira das promessas divinas. a leste do Mar Morto. que o Messias nascera na Palestina. na Arábia. no momento oportuno. para conhecerem e adorarem o alto espírito missionário. pois.

segundo os boatos existentes e agravados com a ch egada. tanto no ato como depois. segundo a tua palavra. n . levantou-se sobre seus pés e andou. que sempre estivera preocupado com as profecias. (7). assim que toma ra conhecimento da conjunção planetária fora do comum. caindo para um dos lados e uma paralítica. Senhor. caisse sobre as brasas do Altar. ainda estremecendo. que era possuidora de parcos recursos. o véu do Templo. foi ele afastado sem perda de tempo. despertava logo a atenção e a interferência indesejável do clero judaico e dos esbirr os de Herodes. que se achava perto. à cata de algum nascimento sobre natural (como constava das profecias) e um desses espiões viu quando os três viajantes orientais. tão esperado e já ocorrido. motivou comentários e estranhezas e. luxuoso. indagando de uns e outros: "Onde está o Messias Salvador do Mundo. Herodes. o qual cortava o pescoço da ave. acompanhados de seus serviçais. o consagrou excla mando: "Agora. no caso dela. porque os meus olhos já viram a tua salvação". cuja estrela vimos no Oriente? Eviu também quando esses viajantes ilustres penetraram no Templo onde. As vi rgens de Sião cantaram hinos. Nesse momento. enquanto o velho Simeão.holocausto vivo. Tudo isso. entregue no Altar dos Holocaustos ao sacerdote em serviço. uma s o lenidade especial: Maria e José foram recebidos pelos sacerdotes Simeão de Bethel e Eleazar. alguns dos quais eram secretamente filiados à Irmandade Essênia. findo o que a vítima. em seguida a ofertante passava ao Templo propriamente dito—O Santo — para que a criança fosse consagrad a ao Senhor. fend e u-se. pesado e de enorme altura. e preces se elevaram aos céus. torcia-o para trás de forma que o sangue. era atirada em um recipi ente existente ao lado. em sigilo. os quais já sabiam quem era o menino a ser consagrado naquele dia. Por isso prepararam. rodeados de seus acólitos. tomando o Menino nos braços. tão comentada. de Jerusalém. quando primogênita que era o caso de Maria. o hol ocausto era de uma pomba. despede em paz teu servo. ao afluir. espalhara seus espiões por toda parte. porque qualquer fato ou circunstância que se relacionasse com o nascimento do Messias de Israel. ent raram na cidade. dos "Reis Magos". como medida de segurança para o Menino. No Templo havia rodízio de sacerdotes.

em Belém. e foi uma (7) Simeo tinha recebido mediunicamente a informação de que não morre ria enquanto não visse a chegada do Messias. este já estava crescido (dez meses e meio). O Dalai Lama. fizeram sobre o Menino as verificaç ões próprias das circunstâncias. fora dos muros. fizeram-lhe ofertas úteis de recursos próprios e necessários à vida material e. Aguardou a saída deles. tomaram o rumo de suas terras por outros caminhos.8) O Buda Sidarta. (. ao nascer e antes de assumir o poder religioso. obteriam informações sérias e positivas. como supunham. como consta de Mateus 1-12. sacerdot es de religiões diferentes. e dali prosseguiram eles diretamente para Belém de onde. mas os sacerdotes essênios perceberam o perigo e providenciaram a retirada dos visitantes por passagens secretas que davam p ara o campo. então. no Tibe t. prova que sua tarefa era de redenção para todos os homens e. finalmente. para segui-los e descobrir o endereço que busca vam. do Governador Planetário. testemunhava de que sua mensagem seria de extensão universal. (8) Prosternaram-se. suas anotações. após isso. advertidos em sonho dE que não deviam mais voltar a Jerusalém. por exemplo. se convenceram de que. 32 cena comovente aquela em que esses altos iniciados se viram na presença d o Senhor do Mundo. encontrado e aceito. tambÉm oferecer provas irrecusáv eis de que era a reencarnação do mesmo espírito anterior. deixando-se adorar por altos dignitários estrangeiros. era procurado. Para . após verificações cuidadosas de sua identidade e após. retiraram-se para suas longínquas terras. O fato do Divino Mestre ter sido pressentido em primeiro lugar por pastores humildes. guiados sempre por essênios terapeutas que conheciam o País a fun do. perante Ele e o glorificaram. foram conduzidos à presença do Meni no.aturalmente. Consultaram seus pergaminhos. por fim. realmente. ali estava encarna do o Messias Planetário. no Mosteiro de Lhassa. Mas quando. no caminho de Betânia. tanto no corpo físico como no espiritual e. revelou possuir os sinais característic os de sua altíssima condição missionária.

Herodes. Herodes. o que. Todos eles apoiavam os romanos e por isso eram execrados por seus compat rio tas israelitas. seu filho. mandou matar Tiago em Jerusalém e prender Pedro. Herodes Antipps. e. 33 Capítulo 6 EXÍLIO NO ESTRANGEIRO Ao tempo do nascimento.isso consultavam-se os oráculos do Estado e os lamas dotados de faculdade s mediúnicas. Era tradição nessa família de potentados cruéis. Herodes. temia pela sua própria segurança como rei. tendo mandado enforcar. como era o caso de Antipas. o Grande. o Grande. idumeu de origem. tetrarca da Galiléia (9) que mais tarde mand ou matar João Batista e tomou parte indireta no julgamento de Jesus. sobretudo. chamado o grande chefe da estirpe. esmeradamente ed ucados em Roma. Determinado o local do nascimento. como já vimos. aliás. e após isso a busca era então iniciada. tudo de acordo com as tradições e os ritos lamaicos. o Grande. a dois deles: Alexandre e Aristóbulo. etc. por motivos deconspiração. Houve quatro Herodes este. viveram em constante temor até a m o rte do déspota. como qualquer judeu. vivendo em s eus palácios de Jerusalém e de Jericó. assim como a corte herodiana. sabia do valor das pr ofecias. que assumira o governo 39 anos antes. representava um prenúncio de desgraça. Herodes Felipe gov ernador da lturéia. Estava ele assistindo a um espetáculo no anfiteatro que (9 O termo tetrarca era título dado ao príncipe que governava a quarta parte de um reino desmembrado. que ocorreu em circunstâncias trágicas. Herodes Agripa aventureiro audaz que convivia na corte dos césar es romanos. conhecia as escrituras. era judeu. que a presença d e um corvo. do chacra coronário. a quem já nos referimos. fazia também com seus pr óprios filhos.. o menino era submetido a inúmeras pro v as. face às reaç ões que o advento de um Messias nacional produziria no seio do povo. por fim. governava a Judéia. quando bem marcante. teve várias mulheres e a todas exilava ou mandava matar. o mesmo que mais tarde. temia os profetas mas. que governava a gal ile ia . inclusive exames de aura. O povo.

que se ausentasse do país para o Egito. que as profecias acusavam como local do nascimento. cujo governador era Herodes Felipe. além dos Irmãos Terapeutas. sua entrada no Templo. e alí os agasalharam no convento do monte Hermon. concentrando. ( 10) Mas como as buscas se multiplicavam. suas buscas nos arredores de Belém. e Itureia (província a orienta do Jordão). país onde José. (e já vimos como um desses espiões observou a cheg ada dos "Reis Magos". abandonado por t odos os parentes e servidores. e como foi burlado na sua investigação). diz que os Terapeutas levaram o Menino e seus Pais para a Fenícia. que viajavam con stantemente no trabalho de socorro e auxílio ao povo necessitado. a José. Não tendo podido arrancar desses ilustres viaja ntes o segredo da identidade e da localização do suposto Messias. o câncer. durante quase dois anos. onde permaneceram durante cinco anos. como já dissemos. se d esmembrara. possuiam inúmeros adeptos espalhados por toda parte. em sonho. para manter a família. até bem depois da Mor . 34 CONSTruira em Jericó. da qual morreu em pouco tempo. uma das quatro regiões em que a Palestina (antigo reino). vasculhou o país se m o menor resultado. o que foi feito com aux ílio dos Essênios que. por fim. sendo as outras: JudEa e Samaria (sob governo do Procurador Romano). de caráter mediúnico. com atrozes padecimentos. Outra versão. Vivia ele rodeado de mágicos e adivinhos (como era comum entre as cortes reais) e mantinha um exército de espiões espalhados pelo país e países visinhos. trabalhou no seu ofício de carpinteiro. Impressionado. pondo em perigo a segurança do Me nin o-Luz. duplicou sua vigilância e. local onde Herode s não tinha autoridade. quando um corvo revoluteou sobre a arena e veio e m seguida empoleirar-se numa trave do camarote onde se encontrava.e Peréa. onde foi acometido de uma terrível doença. abandonou imediatamente o circo e regressou ao seu palácio . os Espíritos protetores aconselharam.

fenícIos. Era rodeada de olivais e vinhedos. como sabemos. por isso mesmo. na esperança de que entre os mortos estivesse também o Messias esperado. após desaparecido t odo perigo. to rnou-se ela o ponto de reunião dos apóstolos e dos discípulos durante a perseguição do clero judaico que somente amainou com a morte do velho Hanan e a conversão de Saulo de Tarso. voltaram para Nazareth.000 habitantes. na disputa de cargos e de riquezas. era região desprezada pelos judeus. situada. e que. P ossuia vários poços de água e albergues para caravaneiros e erguiam ali as tendas de ferreiros. na Galiléia. viveu Myriam e após o drama do Gólgota. que desciam das encostas formando degr au s. para dentro dos quais ficavam os cômodos interiores. a 123 quilômetros de Belém. E quando verificaram que ele era de Nazareth. pouco fiéis às leis e aos ritos judaicos. Era um aglomerado de casinhas baixas. ilnio s e gregos e. (11) Nessa casa de Nazareth. Por isso os judeus diziam del es: "esse povo sentado nas trevas e nas sombras da morTE. Capítulo 7 A CIDADEZINHA DE NAZARETH A cidade de Nazareth. então exclamavam perguntando: "Pode vir alguma coisa boa de N .te de Herodes e das lutas internas que houve entre seus herdeiros. os judeus escarneciam. porém frescas no v erão e bem protegidas no inverno. Casas rústicas. mal ventiladas. •Realmente gente de sangue impuro. ficava situada em um vale fértil e belo e tinha uma População de mais ou menos 5. na maior parte encravadas nas encos ta s dos morros. onde o Menino passou os primeiros tempos de sua inf ância. Nazareth ficava bem no centro da Galiléia que. Pouso obrigatório de caravanas que vinham de Damasco ou de Jrusalém e. escuras. por ser habitada por homens rústicos. (11) (10) Este é o local onde Mateus refere ter havido uma matança de crian ças por ordem de Herodes. lugar mal frequentado e de má fama. dizendo e cuspindo de lado: "Não sa irá profeta da GaliléIa". carpinteiros e outros artífices que t rabalhavam para atender às necessidades das caravanas. quando o nome de Jesus começou a ser citado como rabi poderoso. -Mistura de sírios. por sua vez.

sobretudo os mais pobres. homens da terra. após o batismo simbólico de Jesus. usavam uma túnica de estamenh a amarrada à cintura por um cadarço de linho. academias e inúmeras sinagogas. em Je rusalém. que se deu no ano 23. de genealog ia obscura. mas era ela a re gião mais bela da Palestina. Aliás todo israelita que se presava aprendia um ofício. cujos letrados estavam sempre ao corrente das emendas e alterações que. pois eram pobres. confusa. 36 Nazareth não ficava propriamente na estrada de caravanas. quando interpelado por uma mulher do serviço da casa. após a morte de seu pai. mas a uma peque na distância desta. denominados amharets. prepara-o para salteador de estrada". naquela noite fria e triste em que o Mestre estava sendo julgado. os impuros. rústicos. se faziam nos textos. traba lhando no mesmo ofício. c ultos. quando seus irmãos afins também já se . e incultos. de genealogia pura. no pátio de Hanan. a meio dia de jumento de Nazaret h e onde havia escolas.az arethe? muito mais tarde. deCaná a segui-lo. misturada a raças impuras. sol a sol. o leiro. e este repetiu o mesmo refrão. pois te reconheço pela fala". por Schammai e Nicodemo. quase que sem exceção. Na cidadezinha todos se dedicavam ao trabalho. pelas academias maiores dirigidas por HilIel. Judas. andavam Descalços com uma sola de madeira presa aos pés. duvidando: Pode vir alguma coisa boa de Nazareth? Seus habitantes. carpinteiro e o próprio Jesus. cidade importante. Até a fala dos galileus era diferente e tida como bárbara. José. Tão difere nte que Simão Pedro. era tecelão. à beira do fogo. Nicodemo era barbeiro. Paulo de Tarso. Em toda a Palestina a sociedade era dividida em homens "puros e impuros". concorreu à manutenção da família. cumpridores exatos da Lei. por exemplo. a estrada principal passava por Séforis a capital da província. Havia um refrão dizendo: "aquele que não ensina u m ofício a seu filho. denominados chaverins. mas foi por ela imediatamente desmascarado quando ela disse: "Tu és também dessa gente. tentou negar ser seu discípulo. ao organizar-se o quadro de discípulos. Na Galiléia predominavam os homens da terra. convidaram a Natanael.

INFÂNCIA E JUVENTUDE DO MESSIAS Desde que seus pais voltaram a Nazareth. agrupados segundo as profissões e condições de "pureza e impureza". vários assentos especiais para as pessoas mais importantes do lu gar. que permaneciam com a frente voltada para a assistência. tosquiador. aos lados haviam bancos e.haviam casado. fabricantes de sandálias. vindos do exílio demorado. o men ino começou a frequentar a sinagoga local. contendo um armário para guardar os rolos das escrituras e os símbolos judaicOs. por lidarem mais particularmente com mulheres. com auxílio do hazan da sinagoga local. os gentios e nativos edomitas e moabitas. com estante. o cacho de uvas e o candelabro de sete braços. uma mesinha de pernas altas. ao fundo. on d e se colocava o hazan. por último. os sitiantes. os almocreves. e inferiores: as de tecelão. um estrado elevado. para facilitar a leitura dos rolos. estes dois últimos considerados de má fama. com tabiques de madeira separando os homens das mulher es . a saber. que eram três. à frente do estrado. que não cumpriam os ritos da Thora. os que recolhiam as sobras das colheitas e. e isso obrigou seus pais a providenciarem sua instrução primária na própri a residência. para aprender a orar segundo os ritos e se instrui r na Thora. a miniatura da arca da Thora. roupas e paramentos. Na hierarquia profissional eram consideradas profissões mais elevadas e d ignas: as de ourives. porém. vendedor d e unguentos e perfumes. os mendigos e. Depois do púlpito ficava o po vo. possuia uma inteligência fora do comum e uma seriedade que constrangia e irritava a todos. e. acompanhando a família aos sábados. curtidor. Logo abaixo existia uma cadeira de pedra chamada "o trono de Moysés". Eram os chamados "primeiros lugares" aos quais Jesus se referiu em uma de s uas parábolas. O tempo local era uma vasta sala rústica. rodeado dos sete conselheiros letrados. logo depois. não só perante os mestres como perant e os colegas. Mais afastados ficavam os sem profissão. sentado em pequenos bancos rústicos. Ele era realmente diferente das demais crianças e não as acompanhava em suas diversões e correrias. suas extraordinárias qualidades puseram-no em franca evidência. criando-lhe hostilidades de muitas espécies. que usavam túnica ritual preta. estes últimos presentes somente para . ainda mais longe. com duas ordens laterais de colunas.

se ensinavam profecias evocativas. interrompeu o hazan (12) para corrigir uma interpretação do texto lido. Numa das primeira vezes em que lá esteve. Ao deparar com o sofrimento humano em qualquer de suas formas. ao fim. mais tarde suas ma ravilhosas parábolas e alegorias. o Divin .ouvir os textos que lhes eram. seu espírito costumava. e tudo isso concorreu bastante para que pudesse idealizar. ajudav a seus pais nos trabalhos domésticos. como era natural. o Divino Enviado. esclarecendo os ouvintes. para obter conhecimento s sobre países estrangeiros. língua usad a também na Síria oriental. Quando Jesus ia ao Templo local. na cultura do horto e no apascentamento do pequeno rebanho da família e. exteriorizar-se e. Na realidade isso vinha acontecendo desde seus primeiros dias e aconteceria até os momentos trágicos do Gólgota. imprevista. causou escândalo. O Evangelho está repleto de narrativas sobre curas e "milagres" efetuados por Jesus.mente. op erava curas e fenômenos incomuns e. etc.De outra parte interrogava os dirigentes e membros das caravanas. nesses trabalhos. religiões. lendo versículo por versículo e decorando todos e les. muitas vezes só com sua presença. repetidos em aramaico. Desde criança. Naquele tempo o que mais preocupava a todos os espíritos era a vinda emin ente do Messias Nacional e. 38 Depois que passou a estudar em casa e já se desenvolvera bastante. seus costumes. pela sua pouca idade e atrevimento. para repetir quando interrogadas. à medida que seus poderes psíquicos se foram exteriorizando com o crescimento. às vezes. (12) Sacerdote ou funcionário da administração dos serviços do Temp lo e de Suas relações PÚBLICAS. Como se fos se uma autoridade sapiente. referente ao profet a Samuei e isso. nas cerimônias públicas do culto. aprende u os hábitos e os costumes do povo local. às crianças. enchendo de assombro e respeito a todos quantos os presenciavam. intervinha. maiores e mais numer osas eram as circunstâncias em que tais fatos sucediam. de um ou de outro modo.

"Se tens amor ao teu próximo". assist ia e socorria necessitados. afirmava. "sentirás em ti mesmo suas dores e alegrias e. acrescentava. o escravo podia pedir sua liberdade. porq ue a fé é uma força poderosa". porque a bondade de Deus é infinita". perguntava: "Acreditas que s ou capaz de curar-te? Se a resposta era afirmativa. realmente divina. fervorosamente. muitas vezes (como acontecia no período das pregações). "os que sofrem miséria e doença. "Bem-aventurados". essa sensibilidade extraordinária. E sempre rematava esses curtos diálogos pedindo a Deus. na certa que te curarás. dizia logo: "Então. muitas vezes. "O sofrimento". já integrado na unidade da Criação Divina. "é a fonte do amor.dos (13). que as autoridades tinham o dever de fornecer. E. Ou então: "Crês sinceramente na misericórdia de nosso Pai Celeste"? Se a resposta era afirmativa. quando era jovem. em Nazareth. as dores são cordas que n os atam ao Pai do Céu". sendo obrigado a afastarse para refazer-se. sujeito às fraquezas próprias do plano denso em que vivemos. quando doente. mas sim aceito e protegido. não devia ser devolvido ao dono. aumentou d e tal forma que. o levava ao esgotamento físico. À aproximação de sofredores e malfeitores seu coração sangrava e não sossegava enquanto não beneficiasse a todos eles. o escravo fugido que se abrigasse em u ma casa. porque estava atuando em um corpo de carne. espírito da Esfera Crística. padecia com o sofrimento dos homens e nem sempre podia esconder as próprias lágrimas.o Mes tre sentia-se tomado de compaixão e fluídos magnéticos irradiavam dele em grandes ondas. com auxílio do hazan local. que lhe era dada mediante documento escrito. Após sete anos de serviço. Como espírito de elevadíssima condição (pois era um serafim do Sé timo Céu de Amadores). respondia: "Pois então estás curado. Aos doentes. dizia Jesus. . p ela cura do doente. inclusive escravos e persegui. porque pagam nesta vida suas dívidas e grandes alegrias preparam para si mesmos na vida eterna". (13) Pela legislação de então. poderás curá-lo de seus males". com o passar do tempo. Desde quando adolescente.

Jerusalém era a capital nacional. Eis os meses do calendário hebreu.40 Capítulo 8 JERUSALÉM Ao tempo de Jesus a Palestina tinha aproximadamente três milhões de hab itantes. na mesma ordem do nosso: Shebat . Normalmente.Tammuz .Bul .Sivan . que lhe permitia certa independência. onde se aglomerava o povo pobre.Ah . e o bairro do Tepj com suas vas t íssimas dependências. e ao sul. defendida por cinco quilo. iam-se-lhe agregando todos aqueles que o desejassem. tendo atingido idade legal. (14) Março. num dos quais estava localizado o Grande Templo. etc. dominando todas as imediações e ligado à cidade alta por meio de uma larga e extensa ponte de pedra. a cidade baixa. . era de 65 a 70 mil habitantes a população da cidade. interesses. co m o de Jerusalém.Tabeth.Ziv . laços de famíl ia. situada no !. núm ero este permanentemente multiplicado pelo movimento intenso de forasteiros e peregrinos. Dividia-se em quatro províncias.Adar . que levantara no Monte Garizim. Ao passar uma caravana por determinado lugar. pela primeira vez. um enorme templo que rivalizava. no mês do Nizan (14). contendo parte da Peréa. a oriente do Jordão A Galileia. após o devido entendimento co m o guia que a comandava. Pela Páscoa do ano 12. berço dos judeus de raça pura e aristocrática. ao norte. Nessa época de todos os pontos da Palestina e de países visinhos. acompanhou sua família na peregrinaçãO de costume. famosa em todo o mundo antigo centro d á vida religiosa.metro s de muralhas e profundos vales e montes. sede do governo nacional. Jesus. a saber: A ituréi. situada às margens do Fosso de Terapion.K islev . aflui am Capital judaica caravanas inumeráveis de peregrinos que se reuniam segundo as procedências. em termos.Nizan .Elul . Possuia a cidade três bairros a saber: a cidade alta.i. residência dos ri cos. amizades.Tishri . situada sobre um altiplano de quase mil metros de altitude. aJudéia. ao centro a famosa Samaria inimiga dos judeus.

u m a um. após a cidade de Sichem. ao terceiro dia. Por esta rota. etc. Por fim subiam ao Monte das Oliveiras. Agitavam então palmas. mas sempre dentro dos muros e muitos permaneciam sem abrigo. Por isso todos viajavam em bandos ou caravanas que possuiam guardas armados para defender os viajan tes e preferiam a rota mais extensa. misturavam-se com as multidões nas ruas e no Pátio dos Gentios. armavam suas tendas. tornava-se per igosa por causa dos bandos de malfeitores romanos. com 140 quilómetros. região detestada e proibida. os peregrinos acolhiam-se. Os que acampavam. Além disso. os peregrinos atingiam a Capital. prédios públicos.A rota de Nazareth a Jerusalém. aboletand o-se à sombra de muros. do cimo do qu al a vistavam as cúpulas douradas do Grande Templo. no Templo. rumo a seus lares distantes. oh! Jerusalém !". pela via das rochas vermelhas que chamavam de Caminho de Sangue. cantando Coros. até que. (Fig. enquanto novas ca ravanas desfilavam pelas ruas. com indicações de suas origens geográficas. demandando as portas da cidade. s agrupamentos se recompunham. passando sucessivamente por Scytopol is. E isso durava dia e noite. terminadas estas. Descrever o que se passava em Jerusalém durante a Páscoa é tarefa eno rme. que infestavam os ermos. . muitas delas ricamente ornadas d e fe stões e barras de púrpura. Sebaste. herodianos e mesmo judeus. preparavam ali seus alimentos. ao chegar. 2). passando. durante todo o tempo em que ass erimônias da P áscoa se desenvolviam na cidade. Sichem ficava na Sam ar ia. muito além dos limites postos a esta obra e limitamonos a dizer que. porém mais segura. parte acampava em lugares previamente marcados pelas autoridades clericais. nas mesmas condições da chegada e iam. chegando de todas as partes e enchendo a cidade de alarido e de tumulto. expunham mercadorias à vend a. de David: "HalIel! HalIel! Haleluia! Nossos passos se detêm às tuas portas. arrancadas do arvoredo rasteiro e entoavam o "Câ ntico dos Degraus". Esse canto b em representava a alegria intensa da chegada. iniciavam visitas de negócios. Antipa tris e Nicopolis. ao chegar. parte em casa de parentes. portais de residências.

durante os dias que passou na cidade. canta ndo e tocando seus instrumentos. à saída. Quanto às crianças. estas andavam d e um lado para outro. onde também se juntavam outros parentes e conhe Cidos. não andava em outros lugares que ali dentro. que o menino estava em companhia do outro ou. só dando pela falta. mesmo. os varões iam à frente. "que ao regressar a caravana. que cada rabino fazia segundo os pontos de vista da "Escola" da linha iniciática à qual pertencia. 44 Capítulo 9 JESUS NO TEMPLO No Templo era costume sentarem-se os rabinos em bancos rústicos. De maneira que. . vindo em seguida as mulheres e os velhos. Naquele dia se aproximara de uma reunião que se realizava no pátio de N icolau de Damasco (16) onde se debatiam os problemas apaixonantes relacionados com a vinda do Messias nacional. à frente da caravana. discutindo com os doutores. os pais de Jesus se hospedavam em casa de Lia. dos saduceus ou dos fariseus. à hora da partida. Não há que estranhar esse desaparecimento porque. mas separados. com os seus bordões. para chegarem primeiro ao ponto de pouso. Jesus realmente não seguira com a caravana. livremente. às vezes correndo. a 15 quilómetros da cidade.Em Jerusalém. ávidos sempre de ouvir coment ários sobre a Lei de Moysés. 43 Foi nestas condições. vasculhando todos os cantos. e. das escolas de HilIei ou de Schamai. isto é. pensaram. havia sempre intensa balbúrdia na caravana. Parenta de M yriam. não citado. Por isso voltaram a procurá-lo e o encontraram no Templo. em um dos pátios do Templo. não estando juntos. quando ela se movia. pátios e d ependências. se aglomerava a multidão de assistentes. e que o encontraram. nos pó rticos de entrada e nos seus pátios públicos. ao fim de três dias. na marcha. um. o Templo o atraía de forma irresistível e. em companhia dos outros meninos. diz o Evangelho. talvez. os pais do menino. no primeiro pouso (15). (15) Beeroth. nas suas alegres correrias. observando tudo o quanto se passava. ao redor deles. tomando conta dos cômodos interiores e dos pátios. discutindo com os doutores". deram pela falta do menino e voltaram à cidade para procurá-lo. depois que todos chegaram ao pous o. até que esta se formasse em ordem e.

o Grande Templo era o orgulho e a glória da nação. pois que sois uma emanação do meu supremo ser. para que vos ameis uns aos outros e possais vos integrar na unidade divina que é Luz. passando a falar com extraordinária segurança e sabedoria. lhes havia dado como primeira lei o amor por Ele sobre todas as coisas e que agora. pelo Messias. jamais se exerce pela c ólera. que vigora invariavelmente em todos os mundos do imenso universo. enquanto o menino estava ao lado. também.Doze anos já se haviam passado desde quando se dera a conjunção plane tária indicial e ainda nada sucedera e nada se sabia a respeito de seu nascimento tão aguardado. calou-se. 46 Capítulo 10 O GRANDE TEMPLO JUDAICO Idealizado pelo rei David e construído no reinado de seu filho Salomão. se entreolhavam. Energia e Amor eterno". dizendo que 'Deus. o profeta da antiguidade. Pelo amor estareis em mim. por fim. enviados pelo rei Hiram em troca de mercadorias e de segurança de paz entre . diz o Pai e estar e i em vós. As escrituras não diziam que Elias deveria vir primeiro para preparar-lhe o caminho? Se já tinha vindo. Enquanto falava. dar-lhes-ia a mesma lei. enquanto os doutores presentes. Teria Ele chegado? Nada se sabia. Mas. uma equipe de técnicos fenícios. maior que um homem. Orientou sua construção. eles disseram entre si: "O Espírito Divino soprou agor a neste recinto". mas pela justiça. de súbito. sem ser percebido. sobre a vinda de Elias. o menino parecia irradiar intensa luz ao seu redor e cresc ia em estatura. p orque o menino havia esclarecido suas dúvidas e tocado profundamente suas almas. o Grande. porque então não aparecia? Israel não estava há tanto tempo sofrendo a desgraça da escravidão? Era isto que discutiam a caloradamente os velhos rabinos. como costumava fazer às vezes. "Que a lei do Pai criador e supremo doador da vida. exministro da corte de Herodes. ouvindo os comentários até que. (16) Letrado fariseu. Quando se afastou. O Messias que esperais já está entre vós e será meu verbo. estarrecidos de espanto. inter veio de súbito. o supremo criador. porém levada à suprema altura do amor por todas as criaturas e por toda s as coisas".

000 pessoas e de onde os assistentes podiam abrigar-se nas cerimônias rituais e holocaustos maiores. o Grande. Na sua forma geral o Templo era constituído de dois retângulos concên tricos. por fim. no tempo d e Oiro. Ao fim da esplanada surgia uma construção interna. já no corpo central do Templo. Sua arquitetura lembrava a dos Templos egípcios e fenícios. Todos os lados desses retângulos eram formados por galerias e colunas. Penetrando por qualquer destas entradas. construído todo em volta do corpo central do Templo e que comportava 140. Nenhum estrangeiro podia ultrapassar esse pát io sob pena de morte. no primeiro retângulo tinha 3 passeios com 4 fileiras de 41 colunas de mármore em todo comprimento. Haviam 4 portas a oeste. segundo alguns autores. reparado por Herodes. que comportava 10. levando a uma ponte de grande extensão que ligava o Templo à Oidade Alta.000 pessoas. reconstruido por Zorobabel. com amplos pórticos. atingia-se o Pátio dos Gentios. O s lados do retângulo exterior tinham 470 metros de comprimento no sentido norte-sul e 380 no sentido leste-oeste. Tinha propo rções monumentais e era ornamentado com um luxo extraordi nário. A construção. um dos chefes do povo escravizado na Babilônia. vinha uma esplanada cha mad Pátio dos Israelitas. de 100 3 a 1006 Ao. subia-se uma larga esc ada e atingia-se o Pátio das Mulheres que comportava 14. O povo transitava pelas galerias laterais que tinham. A sudoeste havia uma porta.000 pessoas. cada uma delas. foi destruido pelos caldeus em 587 AO. comportando 50.os remos. subia-se ao Atrio Superior dos Homens. separados por enormes pátios. A porta cent ral. Penetrando nesse edifício central pelo lado leste. dois passeios de 9 metros de largura. por uma escada circular de 15 degraus. levou três anos somente. d e 185 por 110 metros. tida como sagrada. 2 a sul e 2 a leste. formando estas achamada Porta Dourada. Desse pátio.000 pessoas e terminava em uma monumental porta de bronze com 22 metros de altura e q . cada uma delas medindo 6 m etro s de circunferência. Em seguida. danificado por Pompeu em 63 AO e. aos lados da qual ficavam os alojamentos dos sacerdotes de serviço e de guarda dos objetos de uso nos diferentes r ituais do culto.

na construção geral. 50 As portas do Templo eram guardadas rigorosamente por sentinelas. permanecendo sempre velada por uma cortina púrpura-roxa. onde permaneciam os levitas. o SantoSanto rum que era um quadrado de 10 metros de cada lado. azuis. simbolizando os quatro elementos da Natureza: terra. rec oberto de espessas lâminas de bronze ao qual se atingia. ocupada pelos romanos e da qual suas sentinelas vigiavam. a saber: a da frente. Dai passava-se ao Pátio dos Levitas. como a antiga Arca da Aliança do povo no deserto e onde ninguém entrava a não ser o sumo sacerdote. até ali trazidas por sacerdotes auxiliares. com 45 met ros de largura e que se dividia em três partes. subindo uma rampa larga de 8 metros. ardia sobre esse altar u m braseiro tido como sagrado. ar. Das imensas colunas do Templo desciam cortinas vermelhas. movido pela curiosidade. enquanto o sacerdote de serviço oficiava. quando tomou Jerusalém. a Fortaleza Antonia. no ano 63. por último. e. que consumia a carne das vítimas. e ao seu lado existia um enor me tanque de água. havendo se . segundo a tradição. decorado de placas de ouro e cuja porta. recoberta de ouro. brancas e roxas. depois do batismo de J oão. De manhã à noite. também. Atrás desse pátio erguia-se o Santuário propriamente dito. penet rou Pela força nesse santuário. quando este o tentou. Jesus foi transportado pelo Espírito do Mal. só se abria à hora dos sacrifícios. a do meio. tudo o quanto se passava nos pátios ext eriores do Templo.ue à noite se fechava. noite e dia. completamente escuro. porém nada encontrou. contendo ao centro o Altar dos Sacrifícios. para ficar conhecendo o segredo que ali existia. E no ângulo noroeste estava encravada. fogo e água. uma vez por ano (17). No ângulo sudeste do Templo elevava-se a Torre chamada Pináculo ou Lus b el para onde. sendo este um dos motivos determinantes do ódio que mereciam os invasores por parte dos sacerdotes e povo. (17) O general romano Pompeu. com 80 metros de largura. conforme era corrente. chamada — O Santo — onde estava situado o Altar dos Perfumes. com suas muralhas de 21 metros de altura e sua torre de 36 metros. no deserto.

51 Capítulo 11 Reis e Líderes A esse tempo. descendente dos Macabeus. que na época era Kaifa. ao ser a cidade destruida pelos romanos. a de Phabi e a de Hanan.vero policiamento interno e externo. em regime de plena corrupção. cuja família absorvi a a maioria dos cargos importantes. mas. três famílias disputavam periodicamente. tetrarca da Ituréia (18). em todas as oportunidades. mas o Imperador romano negou tal desejo. tetra rca da Galiléia e Herodes Felipe. após a conquista de Pompeu no ano 63 Ac. cujo comandante era um dos sacerdotes subordinados ao sagan do Templo. o ambicioso Herodes — f uturamente chamado O Grande — conseguiu proclamar-se rei dependente de Roma e governar despoticamente vários anos. até o dia de sua morte trágica. à époc a de Jesus. por Tito Vespasiano. Normalmente este er a ob tido por eleição. realizado pelos Guardas do Templo. ou por acomodações vantajosas entre eles. com a morte deste rei e após várias lutas internas. mais tar de. aesteira e a cleric al. ue se vinha mantendo nos cargos há vinte anos. Seu pensamento era formar uma estirpe real do seu nome e. o cargo de sumo-sacerdote: a de Boetus. no ano 70. concedendo-lhes somente o título de governadores. a custo de as e régias ofertas aos romanos. era ainda um Hanan que ocupava o cargo. em seu testamento dividiu o país em três partes e as legou a seus três f ilhos o mesmo título de reis. pelo voto dos sacerdotes de hierarquia mais elevada. . mas. revezando-se. A conquista se deu quando o país era governado pelo r ei nativo Hircano. quase sempre membro da família do SumoSacerdote. No seu ódio contra as correntes dominadoras. Assim. Eram aristocráticas e poderosas e dentre elas sobressaía a d Hanan. ma ldita seja a família de Hanan. Horodes Antipas. maldita seja a família de Phabí. Arquelau 52 foi indicado como etnarca da Judéia e da Samaria. gritando: maldita seja a família de Boetus. decaiu rapidamente de seu antigo poderio. Essa família já dera muitos sacerdotes e. os procuradores romanos punham o cargo em leilão anualmente. A Palestina. a saber. o povo. genro de Hanan. e subsequente trans formação em província do Império. as invectivava.

Enquanto os rabis encarnavam os sentimentos reliosos predominantes. ent eada de Tibério. assassin ado em Alexandria a mandado de Tibério. ciência. por is so mesmo. nesse tempo. enquanto que os rabis eram fariseus. lutas. no Medi terrâneo. Aventureiro e ambicioso sem escrupulos. os intérpretes da Lei que. como da Diáspora. Todos os povos adoram arte. os sumo. mas sim. passando a Judéia e Samaria a serem gover nadas por um Procurador do Império. quase sempre da corrente dos saduce us . sempre vigiados pelo Sinedrin. o terceiro dos quais foi Pilatos. sem ligações partidárias. pelas suas crueldades e desmandos. capital litorânea.Porém. usavam vestes franjadas e cintas de couro na testa e nos braços. Isso. por ser muito rendoso. quando não se encerrava diretamente na Fortaleza Antonia. Levavam o povo para onde queriam. desprezavam tudo isto e somente adoravam seu Deus Jeovah. Os sumo-sacerdotes eram aristocratas. o Templo era o centro vital da vida judaica. obtida por seu ancestral Abraão. o imperador atual. Como já dissemos. esporte. Os líderes espirituais do povo não eram. normalmente. fosse demitido pelos romanos e exilado nas Gálias. como seria natural que fosse. mas quando vinha a Jerusalém. sendo seguidos fanaticamente e. mas os judeus. o melhor aquinho ado. com o deus nacional. aceitou casar-se com Cláudia. aliás.sacerdo tes. e os sumosacerdotes eram os senhores do Templo. após essa divisão. Pilatos pediu o governo de Judéia. s egundo as circunstâncias. Normalmente. . glórias mundanas. de fama pouco honrosa. tanto para os habitantes da Palestina. riquezas. os sacerdotes representavam o poder político. com aliança remota. Pilatos pertencera ao exército de Germânico. o Procurador vivia em Cesaréia. principalmente nos dias em que aumentava o afluxo de peregrinos (o que sempre pressagiava t umu ltos) hospedava-se no Palácio de Herodes. seu primeiro patriarca. lhes vinha de sua destina ção de povo escolhido. na realidade. com plenos poderes sobre seus súdi tos. os rabis. filho de Augusto. não tardou que Arquelau. que se limitavam à interpretação da Lei c onsignada na Thora. a edificação mais luxuosa. Após o casamento. homens do povo.

os os Zelotes e os Essênios. eram submetidas a castigos eternos. Usavam os cabelos penteados de forma arred onda da e em geral usavam tintura. Etnarca. OS FARISEUS O termo vem de perischins que significa separados. como já dissemos atrás. OS SADUCEUS O termo vem de Sadic — o Justo — ou de Sadoc. levavam ao máximo rigorismo o culto exterior e a expressão li teral dos textos. esforçavam-se por impor ao povo regras e rituais que jamais pertenceram aos ensinamentos de Moysés. título dado a quem governava uma prov íncia. Não criam na fatalidad e ou no destino e também discordavam dos fariseus em atribuirem . Como todas as províncias romanas. foi contra eles que Jesus dirigiu grande parte de suas apóstrofes e advertências. a Palestina gozava de liberdade religio sa e judiciária. na sua divisão t erritorial. Eram fatalistas. que eram de alç ada dos romanos. príncipe ou funcionário que governava a quarta parte de um reino desmembrado. Ricos e orgulhosos . Criam também que as almas dos virtuosos voltavam a animar novos c orpos. justiça. dos q uais se diziam e julgavam fiéis seguidores. O Sinhédrio escorchava o povo com tributos de toda sorte. Eram livres pensadores. esta exercida pelo tribunal do Sinhédrio. termo grego significando para os romanos. a saber: os Fariseus. os melhores cultuadores e intérpretes da Thora. além daqueles que eram devidos aos romanos invasores e aos reis locais. Tiveram sua origem no Egito. após a morte. enquanto que as dos malfeitores e dos heréticos.(18) Tetrarca. De outra parte. existiam diferentes seitas influindo na vi da da Nação. distinguidos Os fariseus eram considerados os verdadeiros judeus da época. materialistas e céticos. coloca ndo sempre sob a vontade de Deus a boa ou a má conduta dos homens. Criam na imortalidade da alma e na ressureição. Dotados de mentalidade estreita. somente não tinha poderes para decretar penas de morte. que eram pagos religiosamente. representados pelo Procurador de César. 54 Capítulo 12 AS SEITAS NACIONAIS Ao tempo do nascimento de Jesus.

no culto. um dos hierofantes qu e o acompanharam ao Monte Nebo. porque dela vieram os elementos que mais decisiva e definitivamente concorreram para o desencadeamento das revoltas de 70 e 1 17 AD contra os romanos invasores e que tiveram como resultado primeiramente o cerco e a destruição de Jerusalém e do Temp lo e. e consequente expatriação dos que sobreviveram às repr esálias romanas. diziam. filho de Moysés. Eram os remanescentes da seita nacionalista fundada por Jesus de Gamala — o gaulonita — e vinham numa linha direta dos Mac a beus. porém suas riquezas e prestígio o s colocavam nos postos mais altos da administração e da sociedade. mais tarde. a ressureição e. 56 Capítulo 13 A FRATERNIDADE ESSÊNIA . OS ZELOTES. pe la grande influência que este exercia na vida da Nação. o epílogo desastroso do extermínio em massa da população. como segue: (19) O termo deriva do nome Essen. Eram menos numerosos que os fariseus. OS ESSÊNIOS (19) Seita dissidente que. decorrente. onde faleceu no seu exílio voluntário. ou zeladores Sua influência era sempre ocasional. Por isso eram pacíficos e acomodados e não se deixavam empol gar pela geral expectativa da vinda de um Messias Nacional.sacerdote.a Deus a boa ou má conduta dos homens. a s penas e recompensas futuras e. o cargo de sumo. Disputavam sempre.mente. e com frequente vantagem. deve guiar-se p el o livre arbítrio e é o único autor de sua infelicidade Ou ventura. . por sua importância histórico-religiosa merece um capítulo à parte. Mais tarde esta seita adquiriu extraordinária importância na vida pol ítica do País. os mais nacionalistas de todos os chefes e reis da antiguidade nacional. Negavam a imortalidade da alma. não permanente como a dos dois ant eriores. O homem. somente admitiam as práticas fixadas pela Lei.

que ali encarnaram. na legendária Atlântida. desprezando as riquezas. apoiaram a Jesus. onde eram considerados sábios e santos. se muito reduzida era sua influência nas rodas do Governo.. Detentores. Assim. segundo parecia. seu número entretanto não e ra conhecido com exatidão e. desceram também para auxiliá-lo e preparar-lhe os caminho s. das tradições de sabedoria herdadas dos ant epassados. como anacoretas. que o amparou desde jovem até os últimos instantes de sua tarefa redentora. fenícias e árabes. João Batista era essênio e. muito profunda e ampla era a que exercia no seio do povo humilde. os familiares. e assim como a Fraternidade dos Profetas Brancos. as posições e os bens do mundo.. Viviam afastados do mundo. para su a imortal missão sacrificial. por parte dos que desejavam ingress ar nela. devidamente qualificados. na Palestina. Conquanto menos numerosos. para dar cumprimento à sua tarefa de Precursor do Messias. em seus mosteiros nas montanhas palestinas. eram os herdeiros diretos e possuiam arquivos autênticos e fiéis. as virtudes e a conduta reta dependiam da continência e do domínio das paixões inferiores. há séculos. os Essênios. Abstinham-se do casamento e adotavam crianças orfãs como filhos. na Fenícia. porque discordavam dos rumos que o clero judaico imprimira aos ensinamentos mosaicos dos quais eles. eles. fê-lo atendendo orden s que de há muito aguardava. os ess ênios. arquivos preciosos e conhecime ntos relacionados com o passado da humanidade. os apóstolos. em toda Palestina. assim. . outros espíritos. quando desceu para as margens do Alto Jord ão. os discípulos. Uma das mais marcantes dessas tarefas coube à Fraternidade dos Essênios . Viviam em comunidades. em mosteiros e grutas nos al can tilados circunvizinhos. conservavam os essênios. vindo do Mosteiro do Monte Hermon. possuidores de altos poderes espirituais. Exigiam a reversão dos bens pessoais à Ordem. esperando a sua vez.Quando o Governador Planetário encarnou como Jesus de Nazareth. apoiou os M issionários Anfion e Antúlio. e a Fraternidade Kobda apoiou os que difundiram as verdades espirituais no Egi t o e na Mesopotâmia. Segundo eles.

ao fim desse primeiro ano começavam a tomar parte em alguns a tos coletivos. Jericó. os aprendizes eram proibidos de praticar suas regras na vida exterior. Havia cidades como por exemplo.Vestiam túnicas brancas ou escuras e quando viajavam não carregavam bag agem nem alforges. no que. como já dissemos. por todos os lugares por onde andassem. sob a designação de terapeutas. trabalhavam ativamente em suas respectivas profissões e ti nham pautas de trabalho a executar periodicamente. baseada no saber. Na comunidade. não tinham vícios e viviam sobriamente. empreendendo estudos adequados e viajando diariamente por mui tos lugares. espalhando as luzes d as verdades espirituais e as práticas do atendimento contra obsessores. pode-se dizer. agiam como precursores dos futuros cristãos dos primeiros tempos. em cuja qualidade consolavam os famintos. roupas ou objetos de uso porque. encontrariam acolhimento por parte de m embros da Ordem. Esta exigia que em todas as vilas e cidades houvesse um membro da Ordem denominado — O Hospitaleiro que prov iddenciava a hospedagem dos itinerantes. fora ou dentro das organizações da Ordem. onde grande part e da população pobre e de classe média era filiada a essa Fraternidade.. assistindo os hecessitados em seus próprios lares. Os que revelavam faculdades psíquicas eram separados para o exercício d o intercâmbio com o mundo espiritual e ao exercício da medicina. em bem do próximo. abrigos. cuja aquisição era obrigatória para todos os filiados à Ordem. Os essêniosentregavam-se francamente e com a máxima dedicação à p rática da caridade ao próximo. às quais só poderiam Comparecer dois anos mais tarde. na idade e nas virtudes morais. curavam os doentes. exceto as refeições em comum. provendo-os do necessário. após darem garantias seguras so bre a Pureza e a retidão de suas ações. mantendo hospitais. No primeiro ano da iniciação. no lar ou na sociedade a que pertenciam. como hoje em dia são popularizadas pelo Espiritismo. leprosários. etc. mantendo orfanatos. seu espírito de . a dotando crianças. Entre eles havia uma hierarquia altamente respeitada. Não comiam carne.

por meio de uma substância fluídica. Na hierarquia espiritual.tolerância e sua castidade probatória. amar a verdade e jamais criticar ou acusar alguém. pelo menos. Após a morte. as almas piedosas habitariam esferas felizes. enquanto que as almas eram individuais. No ato da aceitação assumiam o compromisso de Servir a Deus. enterrados nas montanhas palestinas. "porque o poder" diziam eles "vem somente de D eus ". por serem parcelas infinitesimais do Deus Criador e uniam-se aos corpos como prisioneiras. porque a condenação implicava na eliminação das fileiras da Ordem. difundiam ensinamentos concordantes com a tradição espiri tual que vinha de milênios e em muito pouco diferiam daquilo que se ensina hoje nas comunidades espiritualistas. observar a justiça entre os homens e jamais prejudicar o Próximo sob qualquer pretexto. como essênio eram José de Arimathéa. a família de Jesus e inúmeros outros que na vida do Mestre desempenharam papéis relevantes. *** É sabido que João Batista era essênio. enquanto que as ímpias eram relegadas a regiões infernais. deviam exercê-lo sem arrogância e orgulho e jamais tentar distinguir-se dos outros pela ostentação de riqueza. Nicodemo. como também o próprio Jesu s que conviveu com essa seita. o de Moysés era o que me recia maior veneração. imortais e indestrutíveis. onde sempre encontrav a ambiente espiritualizado e puro. apoiar firmemente os que observavam as leis e de agir sempre com boa fé e bondade. No terreno filosófico ensinavam que o corpo orgânico era destrutível e a matéria transformável e perecível. Como se vê. oriunda da vida universal. frequentando assiduamente seus mosteiros. após o nome de Deus. que constit uia a vida do próprio ser (perispírito). à qual o faltoso só podia volver após duras e longas expiações e purificações físicas e morais. apto a lhe fornecer as energias de que carecia nos primeiros tempos da preparação para o desem penho de sua transcendente missão. . ce m membros adultos. Ao desempenharem qualquer cargo de autoridade. ornamentos e vestuários. sobretudo em relação 58 aos dependentes e servos. mesmo sob ameaça de morte. Para julgar uma transgressão grave exigiam a reunião de.

no século passado. Após a morte no Calvário e no decorrer das primeiras décadas. pode-se ainda citar Filon de Alexandria. não somente sobre fatos. foi em grande parte com base nos mosteiros essênios. participando. sobretudo em Regia o qual. em parte em Flavius Josepho. a seu turno. este autor assegura que a influência maior dos essênios era no n orte da Palestina e nas imediações do Mar Morto. Além destas fontes. como chefe. e. que assistiu a destrui ção de Jerusalém no ano 70. e conservados por seu discípulo Essen. mas nem mesmo sobre a existência dele s. extinguindo gradativamente suas próprias atividades. mas isso se explica porque.a última atitude pública tomada pelos essênios teve lugar no ano 105. foram escondidos em gr utas e lugares secretos das montanhas. desvalido. O que se completou c om o extermínio da nação judaica no ano 117 AD. em parte. circunstâncias quaisquer em que estivessem presentes. como também Jesus. frequentemente. ainda ao tempo de Moysés. veio a elevação do suposto messias Bar Cocheba. de essênios. a co munidade essênia foi se integrando no cristianismo. (21) (20) Significa pobre. se referia a escribas e fariseus. Assim como haviam apoiado anteriormente os Nazarenos e os Ebionitas (20) . enquanto cooperaram nessa difusão. Os documentos contendo suas tradições religiosas. a revolta geral contra os romanos e a exterminação do povo judaico.Mas observe-se que os evangelistas e os apóstolos em geral. episódios. contemporâneo dos aconte . em to da a Palestina e em outras províncias romanas. o historiador judeu agregado ao Estado Maior de Tito Vespasiano. Ele mesmo que. que a considerava heré tica e rebelde. Depois. na bibliografia. além do trabalho dos apóstolos. alguns deles estando sendo agora descobertos nesses lugares. ao declarar-se a revolta final do povo judeu. junto ao Mar Morto. elaboradas desde in ício. que o cristianismo se difundiu mais rapidamente na Palestina. correndo o t e mpo. que ainda existiam na Asia Menor. nas suas organizações assistenciais e no concurso diário e ininterrupto dos Terapeutas. queriam evitar que sobre ela se desencadeassem maiores perseguições. (21) Alguns destes comentários têm base em obras citadas ao fim do livr o. todos guardaram silêncio a respeito dos essenios. reconhecendo o profeta Elxai. obteve informações. sabendo que a comunidade dos essênios merecia a hostilidade do clero judaico. nascido 4 anos após a morte de Jesus.

bem como entregar parte da primeira colheita de suas plantaç ões e a primeira cabeça do gado de seus rebanhos. silenciosos. que se subordina vam diretamente ao Sgan (diretor) do Templo. 60 Capítulo 14 COSTUMES DA ÉPOCA Todos os pátios do Grande Templo sempre regorgitavam de gente e. pom bos). carneiros. óleos. Cobravam os tributos devidos ao Templo. As horas da noite eram cantadas por sacerdotes especiais que. mais especialmente. todos judeus respeitados e reputados autores. e atentos à rigorosa disciplina a que estavam sujeitos. dos seriiços internos. todos diretamente subordinados ao referido Sgan. vestidos de branco. destinados aos holocaustos. para cada uma. 62 . descalços. a se u turno diretamente subordinado ao poderoso sumosacerdote. encarregados. enfim. os sacerdotes de graus maiores e os sacerdotes menores. arômatas. Além disso havia ainda os trombeteiros. um exército de servidores que vivia no Templo e do Templo. em permuta com moeda nacional. bem como com o seu sangue. pois os israelitas eram obrigados a pagar dízimos.cimentos e Justus de Tiberiades. tanto em dinheiro como em espécies. Os sacerdotes mercadejavam com muitas coisas: animais (bois. as tecedeiras. Havia três categorias de sacerdotes com atribuições especiais: o sumo -sacerdote. circulavam os sacerdotes menores. no caso. moedas estrange iras trazidas pelos peregrinos e negociantes. os inúmeros acólitos e auxiliares do comp licado cerimonial. utilizados nas cerimônias de purificação. os sacrificadores. os acendedores de lâmpadas. no mei o da turba. os fiscais dos sacrifícios. entoavam melodia diferente e a guarda se revezava rigorosamente nos períodos determinados. O holocausto ritual dependia do ato que se celebrava. os levitas e demais auxiliares do Templo. perfumes. Negociavam ainda com a carne dos animais sacrificados. os supervisores do serviço inte rno. q ue corria para os fundos do Templo em canalizações apropriadas.

pa ra uso de sua casa e seus inúmeros admiradores. da purificação das mulheres. no t empo em que morava em Jerusalém. redundavam em benefício da classe sacerdotal elevada. vendas de produtos consumidos no s holocaustos. Este holoc austo se denominava "oferta queimada". sempre que possível. uma fábrica de essências e óleos perfumados. era considerado como sagrado e só podia ser fornecido pelos sumo. as ervas para os arômatas. se ndo menino e 60 dias. Magdalena. deles. se afastavam os comprador es. em devotada e fervorosa discípula de Jesus. Os sacerdotes declaravam imundos os produtos dos mercadores e campones es qu e deixavam de pagar os tributos devidos ao Templo. para que a fumaça subisse ao deus. segundo os recursos da família).por exemplo. quando a cidade regorgitava de peregrinos vindos de todas as partes do mundo então conhecido onde havia colonias judaicas. mais tarde.sacerdo tes. e de mercadores estrangeiros. sendo menina). donativos. oferendas. a cidade transformava-se em um colossal mercado. Se o holocausto era de expiação ou de ação de graças. Os judeus usavam e abusavam de perfumes e no próprio templo havia alamb iq ue para a fabricação. o sacerdote tomava as vítimas do sacrifício (cabritos ou pombos. por parto (30 dias após. Nos dias de Páscoa e outras festas nacionais. vivendo dificultosamente ou de propinas mesquinhas. que p ara ali acorriam a negócios. os quais ficavam excomungados e. abr ia-lhes o pescoço e aspergia o altar com o sangue. Todos os dízimos. possuia no seu horto do Jardim das Oliveiras. . a hetaira famosa. o incenso. A farinha para o pão ritual. o sacerdote tomava uma das aves e a arrojava viva ao brazeiro. por medo. do qual o Templo era o centro mais movimentado pelo vu lto e complexidade dos interesses a ele vinculados. enquanto jogava uma parte sobre o brazeiro. os óleos. enquanto que os sac erdotes menores arcavam com todo o peso dos serviços. que se transformou. para o que o Templo mantinha fabricações próprias. inclusive os de carne e sangue para adubo. o linho para as vestes do sacerdote e tudo o mais de uso deles.

guichês. por impróprios ou insuficientes. como também havia celas denominadas de "caridade silenciosa e cega" que não possuiam funcionários atendentes. lamentações. uma impressionante.Ao redor do Templo e em seus pátios enxameavam os cambistas e os escrib as (22). campainhas. quando fez sua . por serem da classe daqueles que o Templo recusava . repartições na forma de tabiq ues e balcões. tudo esta va ali representado em larga escala. prepotência. (22) Classe de funcionários criada na côrte do Rei David e do Rei Salom ão destinados a anotar os anais do Reino e servir de secretários do Rei. sentados às suas mesinhas baixas. alvarás para sacrifícios. Reinava em todo o Templo verdadeiro tumulto e um estridor contínuo. vendendo escrita e pequenos rolos de papiros com transcrições das Escrituras. que usavam nos braços e. porém desoladora impressão. empunhando cutelos e macetes. mist u rado de vozes humanas. rebanhos de animais que chegavam para serem vendidos. destinados a essas transações e recebimento de donativos. Em repartições próprias eram recebidas as dádivas expontâneas em dinheiro. sendo os donativos jogados para dentro do balcão. enquant o sacerdotes hábeis e ligeiros. os animais que vinham sendo trazidos para os holocaustos. empastados de sangue. bolsinhas de couro contendo o "schema" (capítulos da Thora). mistificação religiosa. com penas de ganso presas atrás das orelhas. com seus aventais de couro. cobiça. disputas intermináveis de negócios e interpretações rel igiosas. oferecendo. 64 Capítulo 15 JESUS E OS ESSÊNIOS Há no Evangelho uma lacuna histõrica. Ambição. exposições de matéria relig iosa pelos rabis mais populares no Pátio dos Gentios e outros rumores. para custeio de órf ãos. no Pátio dos Levitas. ao mesmo tempo em que outros eram t ranspo rtados para junto do Altar dos Sacrifícios. abatiam uns após out r os. bem como de gente que entrava e saía. do clero judeu. um profundo silêncio sobre os f atos da vida de Jesus. O Templo regorgitava de mesas. mugidos de animais. na testa. coro e recitações de salmos. no período que vai dos doze.

foi se integrando na sua missão divina. correntes poderosas e puras de sentimentos. Afora os primeiros tempos de Nazareth. afinidades vibratórias. ficou em parte sujeito às leis físicas reinantes n o planeta. embora sabendo ser a crucificação uma morte infamante? Sujeitou-se. como também aos costumes e regras sociais do país onde nasceu. Compreendemos que o Divino Mestre. às contingências do meio e seu espírito. e obras de caráter mediúnico também confirmam tais referências.se até mesmo torturar e crucificar pelos homens b árbaros do seu tempo. mas de compreensão. a juventude de Jesus transcorreu no r .lhe fornecidos pelos essênios. não por carência de amor. apesar de ser um Messias. com segurança e tranquilidade. e nessa fase delicada naturalmente que necessitaria de amb ientes favoráveis. que desde a morte de Moysés se organizaram e vinham se preparando para essa tarefa de apoio. sob o nome de Profeta Issa. porém. não há docu mentação idônea que confirme tais notícias. não se sujeitou a afrontas. após ela. quando iniciou su a pregação pública. para o desempenho na Terra de uma missão de redenção humana. Tendo ele todo o poder e sendo servido por legiões de espíritos auxiliares. foram . entretanto. Pois esse ambiente. Não foi preciso que se o protegesse contra Herodes? Também era preciso que se o protegesse contra o mundo ambiente. nos seus santuários das montanhas e pela poderosa corrente espiritual que formavam através de todo o país. através a infância e a juventude. O mesmo não sucede. aos trinta anos. onde teria pregado contra o regime de castas. que não encontrou nem mesmo no se io de sua família. preparando -se assim. no Egito e na !ndia. para o mundo grosseiro e bárbaro que o rodeava. declinaram em s uas atividades até a extinção anos depois. porque sabiam que essa encarnação messiânica na Palestina seria a última de sua grand iosa série no atual período cósmico. deixando. somente a os poucos. ao contato das quais seu poderoso Espírito se fosse abrindo. A tradição consigna sua presença em alguns lugares fora da Palestina como. Os essênios. calúnias e hostilidades. para a gloriosa tarefa. pois. por exemplo. quanto aos essênios. todavia. suficientemente espiritualizados.primeira peregrinação a Jerusalém. havendo inúmeras co mprovações de sua estadia nos santuários dessa comunidade. ungido do Alto . essa proteção espiritual.

Zacarias externou sua estranheza. Espantado com a aparição e duvidando no que via. animado do espírito de Elias e precursor daquele que estava para vir". ao tempo.a família. seguindo o rito. viu à sua frente um espírito angélico. então. tomou ele as brasas rituais. já utilizava como for ça irresistível do seu grande amor pelos homens. na Fenícia e dos Montes Moab e Nebo na Judéia. e enquanto dominava. da qual descendia o sacerdote Zacarias. derramou-as sobre o altar e. João nascera seis meses antes de Jesus e era filho de Zacarías e Izabel . prima de Myriam e. Mas. Mas no dia em que tocou a Zacarias oferecer os sacrifícios no Altar dos Perfumes dentro do "Santo". assumiu a responsabilidade de sustentação do la r no trabalho da carpintaria. repartira o serviço sacerdotal entre 24 famí lias escolhidas. mais ou meno s próximos de Nazareth. e ram bastante velhos e não possuiam filhos. do Monte Hermon. sua delicada sensibilidade foi resguardada e pode ele desenvolver aos poucos sua extraordinária capacidade espiritual que. até que o menino nascesse (23). que se deu no ano 23 quando. a 7 quílometros de Jerusalém e. ao seu tempo. ouviu que o anjo dizia que "lhe nasceria um filho que seria g rande aos olhos do Senhor. conforme as profecias já haviam anunciado antes. tocara o serviço à 8. Nesses santuários. 66 Capítulo 16 O PRECURSOR Que circunstâncias influiram para o início da vida pública de Jesus? Para responder devemos recuar no tempo e assistir ao nascimento de João Batista. quando as trombetas soaram no adro. um ano antes do nascimento de Jesus.malmente em sua casa até a morte de José. quando se levantou. verteu sobre as brasas os perfumes e prosternou-se. Moravam na aldeia de Karen. uma reencarnação de Elias. Nesse período fazia frequentes visitas aos santuários essênios do Monte Carmelo e do Monte Tabor. O termo "animado do espírito de Elias" dá bem a entender a lei da Reenc arnação visto que João foi. muito antes do início de sua vida pública. parente de Jesus. a custo. enquanto os levitas e a multidão cantavam o salmo da vinda do Messias. a de Abias. que se revezavam semanalmente no serviço do templo móvel e. de fato. . portanto. considerando sua avançada velhice e isso levou o Espírito a declarar que ele ficaria mudo e surdo pela sua falta de fé. O Rei David. o seu assombro.

um abismo de ódio e revolta ia-se aprofundando cada vez mais entre ambas as partes. cheios de ânsi a e desespero. E quando esta chegou. logo depois. também. a que elas se referiam. dominado por i n suportável fanatismo religioso. as Inteligências Espirituais que custodiavam a exce lsa entidade encarnada. Já tinha havido a conjunção planetária indicial e o Esperado. ao cogitar a família sobr e o nome a ser-lhe dado. iniciasse o batismo da purifica ção (um dos ritos essênios) e anunciasse ao mundo a presença do Messias esperado. deram ordem a João para que descesse para as margens do Alto Jordão. em relação a os fariseus. Jesus. Para os romanos os judeus eram um povo atrasado. nessa época. e a própria classe privilegiada dos sacerdotes em muitos pontos estava sujeita. para que se cumprissem também as profecias e a "voz clamante". morrido Izabel e Zacarias. libertando Israel? "O povo estava à espera" — diz Lucas — "desse grande acontecimento e. E a pergunta insistente era proferida em todas e quaisq uer circunstâncias: porque então ele não aparecia? Porque não empunhava o cetro de comando e expulsava o invasor. suas legiões aguerridas ocupavam todo o território nacional e seus funcion ários tinham em mãos os postos administrativos de maior importância. Os invasores. no caso de ter nascido. como a tempestade prestes a . viesse mesmo do deserto e onde. coletavam para Roma pe sa dos impostos. quando a hora chegou. Em toda a Palestina. na Fenícia. A esse tempo tudo estava favorável ao advento: os romanos já haviam tra nsformado a orgulhosa e rica Israel em simples colonia. para o Messias prometido. bárbaro. pronto para assumir sua magnífica tarefa libertadora.(23) Realmente. os judeus se voltavam. j á deveria ser um homem adulto. aos conquistadores da nação. o velho sacerdote repentinamente recuperou a fala e determinou que se lhe desse o nome de Jochanan. no dia do nascimento de João. durante 27 anos preparou-se para sua tarefa. João ficou orfão e foi levado. regularmente e com o máximo rigor. que eram maioria. então. Havendo. Com os saduceus — que eram céticos — ainda se entendiam de alguma forma mas. pelos essênios (a cuja comunidade o sacerdote e sua mulher pertenciam) para o Mosteiro do Monte Hermon. aguardando a hora de começá-la. assim como també m o fazia Jesus.

recolherá o trigo ao celeiro e queimará a palha.desencadear-se sobre a terra envolta em ódio. o povo acudiu pressuroso e alvoroçado. A Divind ade guardava silêncio e o povo. que o machado já está posto à rai z das árvores". o trovão rolou do deserto . trazendo à s almas multiplicadas esperanças quando a "voz clamante. por si só. bramindo: "fazei penitência . E as trevas se iluminaram de claridades novas. João Batista. sobretudo. sua aparência austera mas. como essên io que era. aplanai os caminho s que o reino dos céus está próximo". Seus trajes sumários. atemorizado e superticioso. as profecias estavam então recebendo integral cumprimento. que ninguém conhecia. As Escrituras diziam que o Messias seria precedido de Elias. bastava para incendiar as imaginações e acelerar os corações. pois. do deserto" acrescentava: "preparai os caminhos do Senhor. era a reencarnação de Elias e . João repe tia trechos proféticos do Livro de Enoch. o grande profe ta da antiguidade. Falava do Messias com grande segurança. Ora. Como falava muito de fogo dizendo: "Eu batizo com água. Havia quatro séculos que em Israel não aparecia profeta algum. não pregava contra a Thora. nu m fogo que nunca se apaga. assim sendo... o qual o ungiria e o consagraria. os olhos encovados fixos na multidão. disposto a ouvir sua mensagem e cumprir à risca suas recome ndações. então queria dizer que o dia terrível da vinda do Messias tinha chegado. pensaram que ele era Elias — o profeta que fora arrebatado ao cé u em um carro de fogo — o que. cortará a árvore estéril e a lançará a o fogo". como o próprio Jesus confirmou. suas palavras terr íveis e seus olhos chamejantes. produziam enorme impressão. mas Ele batizar á com fogo (referindo-se ao Messias). 68 João. limitando-se a exigir pureza e arrependimento. e começou a pregar. se voltava. dando a entender claramente que e le já estava presente e isso. a respeito do Messias . seu físico agigantado e esquelético. E com sua voz poderosa. cada vez com mais ânsias. Quando. limpará a eira. Por isso o alvoroço cresceu . l á ao norte. por outro lado. desceu para o rio. para as esperanças do Messias.

entrega-os aos vermes". tornando-se a ssim agradáveis a Deus". manda-os para as trevas. para que todos ouvissem : — "Eu não sou o Messias. Ele afirmava que João era o cabeça de um partido considerável. isso impressionava grandemente o povo. batizando e pregando a penitência dos pecados e exortando o povo a purificar seus sentimentos. João. aos saduceus o seu ceticismo e aos escribas seu espírito de vergonhoso mercantilismo. de grande piedade. mas eledizia bem alto. formou-se logo um acampamento para abrigar as mul tidões que não cessavam de chegar diariamente para vê-lo e ouví-lO. mergulhando as pessoas nas águas do rio. a quem vedes. bolotas de árvores (gaf anhotos) e. que exortava os judeus a abraçarem as virtudes. demonstrava indômita coragem profligrando a ação dos fariseus e suas corrupções. e ali. antes da criação do mu ndo. cujos membros eram inteiramente devotados às suas ordens e que movimentava essas forças contra a dominação romana e contra Herodes A ntipas. seu nome já tinha sido pronunciado pelo Senhor". devido ao crescente prestígio que já adquirira em toda a P alestina. Antes que o sol e os sinais celestes fossem criados. E João sabia o que dizia. Para o historiador Flávius Josepho. nutrindo-se de mel silvestre. despoja de seus tronos os reis. do norte para o sul. após promessa firme de arrependimento de erros passados e compromisso de vida mais reta e perfeit a daí por diante. E rematava. em suas pregações. "João Batista era um h omem justo. elevando os bra ços numa atitude dramática: "O Filho do Homem. a vida austera que levava. porque já conhecia Jesus. a exercerem a justiça e a receberem o batismo. como em outros lugares por onde passara. em honra ao Messias. raizes vegetais. E assim. Usava as abluções essênias na forma de batismo. Pregav a quase abertamente a revolta contra a situação reinante. já citado. de encontros que tiveram há algum tempo. não sou digno de d esatar as correias de suas sandálias". dia po . Outros pensavam que ele era o próprio Messias e ficavam aterrorizados com suafigura estranha e impressionante. no deserto da Jud éia. A arrebatadora eloquência de João realmente arrastava após si. ia o profeta terrível descendo o rio. no s antuário essênio de onde viera. à margem ocidental do Mar Morto. até que parou em Bethabara.que diziam: "Escolhido Ele foi e oculto de Deus.

as inferioridades da conduta moral e as vantagens da purificação e advertia-os sobre a inutilidade do ato se não houvesse a intenção íntima da reforma mor al. de onde olhava ansiosamente a multidão que continuava a afluir ao rio para ser batizada. por isso. segundo o mesmo historiador. se o desejasse. os reis corruptos e o clero. 70 Capítulo 17 INÍCIO DA TAREFA PÚBLICA A aproximação de João e sua parada em Bethabara era o sinal para Jesu s de que sua hora também chegara e. dos defeitos e alívio das fadigas da alma. para eles. representava a entrada na legião dos destinados à redenção. A imersão. João antes de imergir os batizandos na ág ua do rio tinha com eles uma conversa coletiva durante a qual. fosse considerado por Josephus um revolucionário. cansado dos labores do dia. sendo natural que. não se cansava ele de repetir. multidões consideráveis e em breve sua fama se espalhou por toda a nação e regiões vizinhas. abandonou sua casa de Nazareth e partiu ao encontro do Precursor. levantar as massas do povo e lançá-las em qualquer direção. primeiramente os homens e depois as mulheres. Esse foi. Segundo as regras que seguia. o prestígio popular que já adquirira representava realmente poder pol ítico. o batismo só teria valor se a intenção fosse transformada em atos . se assentara so b re uma pedra alta junto à Casa do Passador (funcionário que dirigia a balsa de passagem). Jesus se aproximou e João imediatamente o reconheceu. com o compromisso de arrependimento dos erros do passado e de radical mudança de sentimentos e atitudes no futuro (24) João fazia-lhes um sermão sobre os erros. em separado. O compromisso era prestado no sentido de o indivíduo melhorar-se es . esclarecia-os a respeito daquele ato místico e simb ólico que. podendo ele. Numa tarde em que o Batizador.r dia. como já explicamos. o principal motivo que levou Herod es a mandar prender João. Pregava abertamente contra os romano s. significava para o espírito c ulpado limpeza das impurezas. do ponto de vista político. Somente após isso é que fazia a imersão das pessoas na água do rio.

na sua qualidade de rabi de Israel que realmente o era. a outros mandava prender e outros. fazendo seguir seus passos e analisar cuidadosamente suas pregações. João retrucou que ele é quem deveria ser batizado por Jesus. Naquele dia já fora ele interrogado insidiosamente por alguns levitas env iados do Templo. o dos Hebreus. que queriam saber quem ele era e que autoridade tinha para falar sobre a vinda do Messias. o Sinhédrio. ainda. Dito isso entrou no rio e João então derramou sobre ele a água purificadora. por isso . Diariamente surgiam no país pregadores e rabis vindos de muitas partes. muitos entre o povo e discípulos de João. sempre os vigiava de perto. que as sombras do crepúsculo enalteciam. e com o dedo indicavalhes as franjas da túnica depositada no chão. fugir do mal e desviar-se do passado criminoso. perdoar as ofensas recebidas. ele mais de uma vez lhes havia respondido que era simplesmente uma voz que anunciava a sua vinda. para que as Escritu ras recebessem integral cumprimento. Jesus chegou e disse que vinha ali para ser batizado. As Reminiscências dos Apóstolos e o . viram que o rio resplandeceu de luzes. respondia que fazia isso por sua própria conta. ali presente s. mas só o davam àqueles qu haviam p assado por severas provas que os habilitavam ao ingresso na comunidade. e quando lhe per gun tavam com que autoridade batizava o povo em nome do Messias. mas Jesus então explicou que era preciso que assim fosse. pois. Alguns dos Evangelhos apócrifos a saber: o dos Ebionitas. na forma de uma pomba. c ada qual pregando a lei de Moysés a seu modo e alguns de forma verdadeiramente inconveniente para os interesses do clero e. onde havia sempre espiões do Sinhéd rio.piritualmente. Naquele momento. a uns advertia. e os céus se abriram e uma entidade espiritual. Seu trabalho era árduo e por vezes perturbado por disputas de caráter r eligioso. eram mortos ou consumidos. (24) Os essênios usavam o batismo. o Sinhédrio se apressou em mantê-lo debaixo de vistas. O Código Vercelense. que se levantavam no meio da turba. Quando João apareceu. enquanto que uma voz se fazia ouvir dizendo: "Este é meu filho amado em quem me comprazo ". Quando. desceu sobre Jesus. daquela forma perempt ória que utilizava. ao lado. dado o efeito enorme que produziu na multidão. que queriam saber das intenções verdadeiras do profeta.

sentados debaixo de uma grande figueira. à sua aproximação. Em caminho encontraram-se com Felipe. ao fundo da casa. todos galileus. aliás. m ovidos por irretivel impulso. o espírito do Cristo Planetário. em Betsaida. Mas à insistência do amigo. de p . junto ao Kineret. para que o Messias crescesse e desenvolvesse livremente a sua tarefa de redenção. do ano 150. o profeta. naquele instante. ali estariam vendo pela última vez. aos q uais logo depois agregou-se Simão. o Governador Planetário. voltando em seguida a Nazareth. da esfera dos Amadores. excl amou. ir-se diminuindo at é a morte. No dia seguinte. tornando-se integralmente apto para a realização de sua sacri ficial tarefa na Terra. filho de Jonas. contou-lhe que se tornara discípulo do Messias esperado. o que evoluira pelas encarnações humanas. Seja como for. eu te gerei hoje". Dias depois foram todos a Caná e compareceram a uma festa de bodas. foram juntos até Jesus e Natanael é também recebido e incorporado ao grupo dos primeiros discípulos. que ali permanecia com seus discípulos atendendo ao povo. naquele instante — o Filho do Homem . devendo ele daí por diante. em perfeita sintonia com o Cristo Planetário. Felipe foi a Caná. No dia següinte partiram para a Galiléia. tornando-se seus primeiros discípulos. após despedirem-se do profe ta que. Jesus recolheu-se ao santuário de Moab e s eis semanas depois voltou a Bethabara e. como afirmou a seus discípulos. seguiram a Jesus e. cidadezinha perto de Nazareth. foram aceitos. ao que Natanael contestou com o refrão conhecido: "poderá vir alguma coisa boa de Nazareth?". João e André. que o Mestre também chamou e as sim chegaram à casa da sogra de Simão. percebe-se que Jesus. apontando-o "Eis o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo". narram o acontecimento de forma difere n te e dizem que a voz que soou no espaço clamara: "Tu és meu Filho bem amado. onde se hospedaram. após o devido entendimento.Código Cantabrigense. e então dois de seus discípulos. isto é. na Terra. Esta é a versão de David (*) de Paulo e dos que asseveram que Jesus recebeu ali. — reintegrou-se em todo o poder do Espírito Crístico. visita r a um amigo chamado Natanael e. Capítulo 18 OS PRIMEIROS DISCÍPULOS Abandonando as margens do rio. Jesus de Nazareth.

somente permaneceram junto dele os doze primitivos. interveio da forma conhecida. porém. Foram eles. Simão. at:ingindo até o número de setenta e dois. Seguiram o curso do Baixo Jordão.700 quilómetros quadrados de superfície. O lago tinha 6 quilómetros de comprimento. Destes d oze. Quando sua Mãe pediu-lh e intervir. após o "milagre" de Caná achava-se em Kfarn aum. por fim. deixando a Samaria à direita. Aos poucos foi-se completanto o quadro dos discípulos até por fazer o n úmero de doze que. Jesus resolveu peregrinar com seus dis cípulos até Jerusalém. Judas de Kerioth também o abandonou e. Thiago (o menor). que assim quiz honrá-los e ajudá-los. convertendo água em vinho. ao que eles respon deram: para onde iremos. e estava 200 metros abaixo do nível do Mediterrâneo. correspondia ao número das tribos de Israel. Ele primeiramente lhe respondeu "que sua hora inda não tinha chegado" mas para satisfazêla. ao veriificar tal fato. situada às margens do lago também chamado Genezareth e Mar do Jardim dos Príncipes. lfoi substituído por Mathias. também. A estes primeiros cdiscípulos muitos outros se agregaram no decorrer das pregações. rodeado de jardins e pomares perfumados. cidade importante. como narra o Evangel ho. a seu pedido. nos últimos dias. o Zelote. Como a Páscoa anual se aproximava. a Mãe de Jesus. Numa deter mina da ocasião. tornando-se trabalhosa e até mes mo perigosa. Jesus. localizad o em vale paradisíaco. Judas Thadeu e Judas de Kenioth. 3. se somente Tu tens as palavras da vida eterna?". porque faltava vinho. além dos já citados. muitos se afastaram e. pela onda de hostilidades e ameaças que se acumularam contra Jesus e. os seguintes: Thiago (o maior) . aliás. depar . pouco distante.5 de largura e 1 . após a crucificação.a rentes afastados de Myriam. Capítulo 19 VOLTA A JERUSALÉM Estava-se no ano 31. Jesus perguntou aos discípulos citados se também não desejavam partir. pela sorte. (25). por não compreenderem ou não conco rdarem com a doutrina que pregava. quando a tarefa tomou aspecto difícil. porque eram pobres e onde. Jesus realizou seu primeiro "milagre" público. e ao atingirem o Monte das Oliveiras. Thonné. Matheus.

mas esta era a primeira vez que o fazia como rabi de Israel. poi s. onde estava em pleno funcionamento o serviço sacrificial de holocaustos. acompanhando as peregrinações da família . o Senhor da Paz. crentes ou não no Deus Jeovah. podiam entrar. agitou-a no ar e expulsou dali todos os traficantes. e ali estaria também o prestígio quase místico de que gozavam todos os profetas e rabis. da compaixão e do amor extremado a todos os seres. Jesus e sua comitiva dirigiram-se diretamente ao Templo. e também porque Ele possuia força espiritual necessária para agir sobre aqueles homens por muitos meios. duravam dias e todos. compreendese q ue atrás do látego estariam as tremendas vibrações do seu poderoso espírito e a força concentrada de todos os agentes do mundo in visível ligados à sua tarefa planetária. assim. Antes mesmo que começasse a falar ao povo. porque a hierar quia espiritual de Jesus sobrepairava muito acima de qualquer violência. e tão poderosa a força moral que naturalmente se irradiaria do Divino Mestre.ou ele novamente com a cidade sagrada e seu magestoso Templo. Assim se justificaria a passagem do Evangelho pela qual Ele pediu a seus d íscípulos uma corda. de rutilantes cúpulas de ouro. onde iniciou suas pregações de costume. comumente. a exoressão viva da retidão. no Pátio dos Gentios. foi ferido na sua sensibilidade pelo enorme alarido que vinha dos fundos do Templo e do Pátio dos Levitas. Mas tal era o escândalo das contravenções sacerdotais à própria Lei de Moysés. cheia de gente e de rumores os mais diversos. pureza. Jesus. segundo narra o Evangelho. como o fazia com leprosos. acompanhado de seus discípulos e já em plena responsabilidade e consci ência de sua tarefa religiosa. até onde podiam en trar israelitas e extrangeiros. que os sacerdotes. doçura. Se tal realmente aconteceu. Imagine-se. é pouco de crer. não revidaram também com violência. além de parentes e convidados. limitando-se a perguntar: "que sinal fazes tu para mostrar que tendes auto-ridade para a . enquanto houvesse. cegos e paralíticos. os costumes e ferindo a classe sacerdotal no seu ponto mais vulnerável — a dos interesses materiais — é claro que Jesus estaria acumulando sobre sua cabeça tempestades que não tardariam a se desencadear. usando dos recursos materiais que tinham ao seu dispor. Chegando à cidade. penetran do naquele ambiente e deparando com semelhante espetáculo! Como deveria ter sido ferida sua extraordinária sensibilidade espiritual ao contato daqueles sentimentos bárbaros. comer e beber. Já ali estivera há vários anos. Mas se realmente aconteceu. daquelas vibrações negativas e venenosas! (25 As festas de casamento. sempre prontos a obedecer às suas vontades. Enfrentando.

Capítulo 20 AS ESCOLAS RABÍNICAS Já vimos. Os rabis mais afamados tinham maior número de discípulos e às suas es colas eram entregues os rapazes das melhores famílias para se educarem e aprenderem uma profissão. por exemplo. como ameça ou bravat a próprias de homens comuns. negar. O Evangelista João diz que o Mestre estava se referindo ao templo do seu próprio corpo. a posse de poderes mai s que suficientes para qualquer reconstrução de edifícios na Terra da qual Ele. De outra parte. entretanto. Nicodemo. Era muito respeitado o refrão popu lar que dizia: "aquele que não ensina uma profissão a seu filho. corporificada na Thora e. que os verdadeiros condutores do p ovo eram os rabis. fora o organizador no iníci o de sua formação. Os conhecimentos transmitidos a esses discípulos eram amplos e abrangiam . da parte de Jesus. Não se deve. de certa forma. que não hostilizava a Thora limitando-se a mostrar onde estava a verdade. não aceitava a p ossibilidade de Jesus usar de violência. não só para honrá-los. Ben Zakai. operavam em rodízio e acompanhavam-nos às cerimônias de cu lto. ou de vida pública. que ao fim de três dias ressuscitaria. Schamai e outros poucos. no Espaço. pertencentes a diferentes "Escolas" ou partidos. como para se instruirem. essa Escola era a mais ortodoxa. pela exposição anterior. como de fato ressuscitou. Os discípulos viviam em casa dos rabis. porque não se pode conceber um espírito da envergadura moral do Mestre a utilizar estes termos. havia grande empenho em se conseguir um lugar em suas casas para os moços judeus dessas famílias importantes.gir como estás agindo?" ao que Jesus teria respondido dizendo: "destruí este templo e eu o levantarei em três dias". a mai s aproximada dos ensinamentos pregados por Jesus. servindo-os pessoalmente e ajudan do nos trabalhos domésticos. em sua maioria filiados à Escola de Hillel. seu Governador Espiritual. mais arraigada à letra da Lei. dando assim a entender — caso isso não seja uma das i númeras interpolações acrescentadas ao Evangelho. quando da organização da Vulgata — que também ele. ao mesmo tempo em que se instruiam. Gamaliel (d iscípulo de HilIel). coisa também di fícil de se crer. João. o mais famoso e autorizado l íder fariseu. prepara-o para salteador de estrada" Quando se tratava de algum sábio de renome como.

astronomia. nos limites da autoridade e da jurisdição dos hazans das sinagogas. . que defendeu Jesus em várias oportunidades e que melhor compreendeu sua qualidade de Messi as Planetário. inclusive as profecias e os salmos. gestos adequ ados ou não. seus costumes e legislação. visando. para esclarecerem o povo sobre o que era legal ou ilegal. para intervenção no s casos de emergência. higiene. era um dos rabis mais afamados de Jerusalém. cruzamentos. principalmente. era um espírito de evolução mais avançada. também. Capitulo 21 NICODEMO BEN NICODEMO Nicodemo. com Jeovah como deus único.. palavras. Compreendiam a História de Israel. a primeira religiã o monoteista do mundo. mormente no que se referia à vinda tão esperada do Messias nacional. etc. agricultura. e conselhos ao povo para a cura de moléstias em geral. visando as relações sociais. além da parte religiosa propriamente dita que. motivo pelo qual foi citado pessoalmente no Evangelho de João. em geral. o único rabi de maior projeção. vestuário. e interessava-se vivamente pelos acontecimen t os religiosos e sociais de sua pátria. o que mais se exigia sobre plantações. para a marcação de datas de festividades nacionais e tudo mais que se i ncluia. apesar de sacerdote de segundo grau. para obterem conhecimentos sobre as ervas necessárias à manipulação de perfumes e remédios. se resumia na Thora. estudavam a fundo a Thora e todos os livros concernentes ao culto e às concepções religiosas nacionais. sobre alimentação. e normas de conduta. às regras sobre pureza e impureza . botâ nica. medicina. Na parte religiosa. Conquanto seguisse fielmente as ordenações da Thora. legislação civil em vigor.as regras e normas ditadas pela ciência daquela época. enfim tudo o quanto era conhecido e oficializado em relação à ciência e à religião judaica. para poderem ensinar aos camponeses o que mais con vi nha.

Nicodemo era membro do Sigihédrio. Por estas informações e outras. Nicodemo esforçou-se em conseguir uma entrevista com Ele. Cumprindo sua missão. que tira os pe cados do mundo" e o consagrou como o Messias esperado. porém fanático e de alma mística. porém. as funções de Tribunal Superior. O Evangelho não diz onde tal entrevista realizou-se. tinha conhecimentos muit o acima dos vulgares e possuia poderes psíquicos extraordinários. em sua maioria. inteirar-se da verdade e dar parecer sobre o profeta. feita pelo Batista e que. Judas fo i enviado por Nicodemo para examinar os acontecimentos.Além de rabi fariseu. Judas seguiu o Mestre e conseguiu ver-se aceito no rol dos seus discípulos. de saduceus. órgão político do Colégio Sacerdotal que funcionava. no momento. na organização político-judaica. junto à Mu . a cuja f rente. como par a formar juizo correto e seguro sobre a doutrina que pregava e sobretudo para esclarecer-se a respeito de sua propagada investidura messia nica. acumulando. dizendo não ser digno de nem mesmo amarrar o cordão de sua sandália. e era composto. estava a poderosa família de Hanan. também. em geral. era o problema de maior Importância e atualidade em toda a nação judaica. aluno brilhante. nem mesmo aos mais renomados. Judas passou vários dias à roda de João. não só para conhecê-lo pessoalmente. a uma casa pobre. pois. era também Nicodemo presidente da sinagoga e da congregação dos cirineus. sujeito a transes e outr as perturbações psíquicas. o que lhe conferia prestígio muito maior no senado-tribunal. Assim. quando o profeta ungiu Jesus com o batismo. quando Jesus veio a Jerusalém nessa segun da viagem. Entre os discípulos de Nicodemo estava Judas de Kerioth. naquela época. como. com o braço estendido e dizendo aos discípulos e ao povo ali reunido: "Eis o Cordeiro de Deus. Assim que o Batista surgiu no Alto Jordão. obtidas de inúmeras fontes Nicodemo d esde logo compreendeu que aquele rabi galileu não era igual aos outros que conhecia. todos concordam que Nicodemo foi levado à presença de Jesus. sondando a opinião dos escribas e fariseus po rventura presentes. mas. ouvir opiniões. havendo diversas ver sões e suposições. aliás. pes soalmente. apontando-o em seguida. já como rabi. Era dos mais entusiastas e devotados à pessoa de Jesus e constantemente i nformava Nicodemo sobre tudo o quanto se passava. como poder legislativo. anunciando o Messias. ouvindo e vendo. também ocorria com Pau lo de Tarso.

evoluindo e não ressurge. por isso. pois que Jesus não convivia com os poderosos. Por isso é que. Como sacerdote do Templo. em seus muros arruinados se agasalhavam centenas de pessoas do baixo povo que nela cav ava m nichos mais ou menos amplos e neles residiam em condições precárias. Mostrou que a . filiado à Fraternidade Essênia. Jesus demonstroulhe que o espírito renasce várias vezes. tendo em vista que tanto sua pregação como seus atos. sem testemunhas e em lugar discreto. Nicodemo ali compareceu à hora marcada. a pouca distância da fonte de Siloé e. chamado o leproso. o que ressuscitou. Os próprios discípulos procuravam subtraí-lo aos contatos com os agentes do clero para preservar-lhe a vida. na cidade baixa. Passava os dias no Templo. pois que. Tendo o aguadeiro Hillel cedido sua casa. Era celibatário e em sua casa. rodeado de seus discípulos. não desejava Nicodemo que a visita a fazer a Jesus fosse divulgada e. Comumente se acolhia em casa de Simão. retirava-se para lugares diferentes e às vezes. relativamente espaço sa e confortável (em relação às demais). pelo amor e pela sabedoria. os ricos e os gozadores. pai de Lázaro. colidiam muitas vezes com os costumes e regras determinadas pelo Sinhédrio. Na cidade rumorosa e super lotada de gente. naquela noite trágica de sua pris ão. mas o Filho do Homem não tinha onde repousar a cabeça". ligados a Jesus na crença da redenção prometida. no Monte dasOliveiras. mais tar de. que evolui para conquistar.ralha de David. no local onde se situara a antiga cidade de David. tinha direito de fazê-lo no Pátio dos Gentios. tido e havido como homem trabalhador. mesmo. e. uma só vez. caminho da Betân ia. hospedava conhecidos e amigos galileus. ao relento. no Bet-Ini. si mplesmente. pregando e consolando o povo. desconhe cidos. como era admitido pelos fariseus. foi preciso que o sgan do Templo pagasse a Judas o segredo do lugar onde Jesus estava repousando. muitas vezes. pediu que fosse levado a Ele à noite . à tardinha. Nessa entrevista (João3-1 a 21). o reino de Deus. membro do Sinhédrio e homem de responsabili dade s partidárias. como rab i. honesto e caridoso. Essa muralha ficava na parte sul. Um dos mais bem aquinhoados em espaço era o aguadeiro HilIel. Por isso é que dizia que: "os animais têm suas tocas. Jesus não tinha pouso fixo e dormia.

Era verão e. destinado a um sacrifício redentor que. penetrou na Sarnaria. beneficiaria a toda a humanidade. fruto do renascimento espiritual. a berto no horto que o Patriarca oferecera. captadas nos terraços abertos. ou tentan do restringir a hostilidade sacerdotal desencadeada contra Ele. a terra ímpia. refe riu . para os quais eram enca minhadas as águas de chuva. de existência privilegiada. pregando em vários lugares do baixo Jordão e. em torno delas . e disso deu relevantes testemunhos em outras oportunidades. a seu filho José (o que foi vendido aos egípcios) e ficava a pouco mais d e um quilômetro das portas da cidade de Sicar. mas de conduta comum. em Jerusalém. que o espírito. na sua viagem. pertence a todos os homens. com o desembaraço que lhes vinha da experiê ncia do seu passado de povo nômade. o prestígio pessoal de Jesus cresceu muito na men te do Rabí. aumenta em toda Palestina a falta de água. Quando a sêca era intensa e longa. (26) Nota-se nessa entrevista muitos termos e conceitos usuais do Espiritis mo. sobretudo na noite de seu julgamento. Uma dessas fontes perenes era o conhecido "Poço de Jacob". principalmente no Sinhédrio. com escribas discutidores e agora sentava-se . Acabara de defrontar-se. tendo o povo de utilizar-se das reservas conservadas em poços subterrâneos. tomando sua defesa. a todas as nações e raças e não a um só povo. há séculos atrás. hoje Neplusa. com rabinos. nessa época. por volta do meio dia. buscando as margens do Jordão Preciosas e raras eram. impura. em seguida. odiada pelos judeus. em suas consequências. situados debaixo das residências. respondendo a perguntas. como era o caso dos judeus. liberto pela Verd ade.se também à sua qualidade de Filho de Deus. até mesmo essas reservas escasseavam e a população imigrava de vários lugares. (26). se aglomeravam os retirantes. 82 Capítulo 22 REGRESSO A GALILÉIA Após a Páscoa.transformação espiritual é o que importa obter e não as glórias efêmeras do mundo material. que a salvação. Após essa entrevista. na Sarnaria. as fontes que não secavam e. seguindo para o interior da Judéia. À sua borda chegou Jesus. pois. é como o vento que sopra onde quer. com expoentes da classe sacerdotal . Jesus retirou-se da cidade. armando tendas e formando acampamentos provisórios.

lhe de beber uma água cujo poço nunca se extinguia e . o sol para todos? E não é o doente o que mais precisa de médico? Sentou-se . após beber e dar de beber a João. pela estrada das caravanas que se estendia mais à esquerda. Saindo da cidade. viu logo. ostentando. então. pois que a vida somente recomeçava à hora nona. inimiga dos de sua raça. atr avessando o seu solo ardente e adusto. até que. porque Ele tinha poder para dar. ao mesmo tempo. à luz crua do sol. vice-rei do Egito. à. de cores vivas. veio para ela. ficou imóvel. receiosa e desconfiada. Desceu o balde. Jesu s pediu-lhe de beber. por isso. coberta de idolatria. como todos o faziam. seus mantos amplos. Coberto de pó e fadiga. para aguardar o regresso dos discípulos que haviam seguido adiante. com seu cântaro àcabeça eobaldede haurir água enfiado no braço esquerdo. Chegando ao poço e deparando com Jesus ali sentado. borda daquele poço. in decisa. para comprar alimentos na cidade. nunca havia movimento . mãos adejando aos lados. de evitá-la.ali. encheu-a de água e apresentou-a a Jesus. Era um poço profundo. afastou-se logo para o lado oposto. enquan to que. ansiando por ela. que se tratava de um judeu. Ao invés. as longas filas de camelos e burricos. Desciam lentamente pelo trilho estreito e serpenteante que vinha desde as portas da cidade. num balanço ritmado e harmonioso. pois . orgulhosa. disse à samaritana que aquele encontro para ela representava uma felicidade. movida de repente por um irresistível impulso. tomou da vasilha. naquela região desprezada. o qual. a essa hora quente do meio dia (hora sexta). que recolheu e transmitiu os detalhes da comovente cena. trasladado com tanto aparato. Jesus sentou-se no muro do poço. Porém.se para ele afim de se suprirem de água. se aproximavam rinchando. quando ia derramá-la no cântaro. fugindo ao sol causticante. pressurosos. todos permaneciam dentro de suas casas. de degrau. Surpresa com o fato insólito de um judeu descer de sua classe para pedir água a uma samaritana. o reais jovem. tirou a água e. pelos seus trajes e figura. aproximava-se uma mulher samaritana. por José. as mulheres do povo dirigiam. ou à sombra das árvores. Junto dele somente permaneceu João. Não nasce. habitada outro ra por Jacob e onde estava seu túmulo. nessa região mal afamada. de mais de trinta metros e. infes tada de salteadores. seu filho. gente hostil. na nureta de pedra que circundava o poço e lhe servia. pela manhã e à tarde. sentindo de longe o refrig ério da água. porém.

como o queriam os judeus. mas sim com simplicidade e pureza. que Jesus recebeu a notícia. durante os quais receber am de suas mãos generosos benefícios espirituais. acudiram pressurosos e o levaram para dentro da cidade. passando prime iramente por Caná e prosseguindo para Nazareth. em que não haveria l ugares especiais para cultuar a Deus. assustada.que vertia para a eternidade. se em Jerusalém. Ao regressar à cidade. Apressando-se. devendo este ser adorado em toda parte. a mulher quiz retirar-se. compreensivamente . e como ela. arrostando com todas as consequências e prosseguindo até o fim. onde habitava sua Mãe. como faziam os samaritanos. transmitida por um discípulo. Amedrontada. . da presença daquele profeta. Ele firmemente lhe disse: "O Messias sou eu que falo contigo". E como ela. porque Deus é espírito". sobretudo pelo fato de se r o visitante um judeu. o que ela prometeu fazer. Para Jesus isso significava que sua hora definitiva tinha soado e que dever ia agora entregar-se abertamente ao seu trabalho de redenção humana. entre outras coisas lhe perguntasse onde é que se deveria a dorar a Deus. ela informou primeiro a seu marido e de pois aos demais moradores. prosseguindo. que dali se avistava em grande maj e stade (onde pontificava Simão. contou que lhe havia feito revelações de muitas coisas e se dizia o Messias e convidava a todos para que comparecessem perante Ele. para que os esclarecesse nas verdades de Deus. Jesus explicou-lhe que 'a hora viria e já tinha chegado. chamado o Mago). Ele lhe disse q ue era a água da vida imortal do espírito. em espírit o e verdade. seguiu então diretamente para a Galiléia. E quando a mulher. ou com práticas idólatras e supersticiosas. hospedando-o por dois dias. Capítulo 23 NA SINAGOGA DE NAZARETH Foi quando se afastava de Sicar. de que João Batista fora preso por Herodes. e não com formalidades exageradas ou espetaculosas. ou se no seu tmplo nacional do Monte Garizin. Surpreendidos. respondeu que já ouvira falar assim e era sabido que o Messias esperado por todos mudaria todas as coisas. lhe perguntasse que água era aquela. mas ele pediu-lhe que levasse a not ícia aos outros moradores da cidade para que também fossem eles esclarecidos sobre isso. curiosa. como fazi am em Jerusalém.

Jesus. começava o re pouso legal. acompanhado de seus discípulos.*** Era agora um sábado. cobriu-se com o tallit — manto ou véu das orações —. até o por do sol seguinte. referente aos profetas. foi convidado pelo hazan a fazer a prega ção do dia. dia importante do ritual judeu. Seus Constantes períodos de ausência nos mosteiros e nas viagens e seu natural caráter concentrado e recolhido. cumpriu o ri to e compareceu à sinagoga local onde chegara. ficava sem remédio e sem socorro (salvo o do próprio lar). dar vista aos cegos. levantando-se de novo. para a maioria dos presentes na Sinagoga. abriu-o na passagem de Isaias. exceto para a parte final. porém. fizeram com que. ou se feria num acidente. como seria obrigatório. mas em at en ção ao fato de ser um rabi. lido o texto. fechando-se nelas. j á marcado. Jesus. Havia uma lista de i númeras coisas que era proibido fazer. notícia de sua presença na cidade. que cabia. durante o qual não se podia efetuar atividade alguma e a própria alimentação já deveria estar previamente preparada. aos hóspedes de hon ra como. regressando a suas casas. Jesus era considerado. soava um sino. seus parentes e discípulos. Nas vésperas. som ente era permitido comparecer à sinagoga local na manhã seguinte. devolvesse o rolo ao servente e passasse a comentá-lo. naquele dia. se alguém quebrava um membro ou torcia um pé. anunciar aos cativos sua libertaçã o. interpretando o sentido. lido o texto. Nesse dia. que tratava do advento do Messias e que dizia: "O Espírito do Senhor est á sobre mim e me uniu para que anuncie a boa nova aos pobres. já então. para curar os de coração aflito. O normal era que o pregador. bem como sua fama de profeta. 86 O costume era que os Conselheiros da cidade fossem convocados em rodízi o semanal para esse trabalho. sob o olhar inquiridor e desconfiado da assistência até que. parecesse quase um estranho. nessas ocasiões. e todos começavam imediatamente a largar suas ocupações. ou se dava ou tro sinal. tomou o rolo de pergaminho das mãos do servente e. libertar os oprimidos e apregoar o tempo das graças e dos galardões do Senhor". acompanhado de sua Mãe. Levantou-se Ele. como tal se apresentando. sentouse e permaneceu em silêncio alguns momentos. ao invés de ler o texto referido. pois. ao crepúsculo. . e dirigiu-se ao banco do pregador. como o fazemos ainda hoje em nossos templos.

entretanto de eleger mais dois discípulos que foram Thiago — o Menor — e Judas Thadeu (27) . 88 Capítulo 24 A MORTE DE JOÃO BATISTA João Batista permanecia sempre às margens do rio. Com isso os ouvintes se enfureceram. sua m ãe. governador da província. a graça de Deus é dada mais facilmente a estrangeiros. o que levou Jesus a declarar que ninguém é profeta entre os seus e que. sabendo do isolamento em que vivia. na mesma sinagoga. atendendo ao povo e p regando o arrependimento dos erros. quando pregava. Depois disso. e seus ensinamentos os únicos verdadeiros. Compreendido isso. acompanhando os mais exaltados. dali se guindo para Kafarnaum. porém. seu tio materno. o carpinteiro? — Não é o mesmo cuja mãe e irmãos conhecemos? Formou-se um tumulto e Jesus retirou-se sem mais palavras. levantaram-se então os protestos gerais: — Quem é este que fala desta forma? — Não é este. Ele.acrescentou simplesmente: "Hoje está se cumprindo esta escritura que acabais de ouvir". pelos ensinamentos que m inistrava e que não eram concordantes com aqueles que estavam acostumados a ouvir. por isso. Myriam. arrastaram Jesus para fora e tentaram jog á-lo de uma ribanceira existente ali perto. batizando e ensinando a doutrina da redenção pelo amor. porventura. o filho de José. que ficou sendo o centro de suas andanças e pregações. e. pediu-lhe que tamb ém aceitasse em sua companhia Cleofas. contrariou novamente os assistentes. na sua corte luxuosa e perverti da de Tiberíades. no sábado segui nte. e abandonou em s eguida a cidade. (27) Judas Thadeu era seu irmão afim. Sua fama correra mundo e crescia dia po r dia. interpretando o texto do dia. porque as Escrituras eram privilégio de Israel. usando de seus poderes. que se encarregaria dos afazeres materiais referentes à sua pessoa. sobrinho de José. não antes. Herodes Antipas. demorou-se ainda alguns dias em Nazareth e. como dizendo e deixando bem claro que Ele era o ung i do ao qual as Escrituras se referiam. onde tudo servia para afastar o tédio . "passou entre eles" como diz o Evangelho. sem conforto e das durezas e dificuldades da missão que apenas iniciava.

que durou dois anos. Apesar de algemado por um pulso e preso à parede do c árcere. insuflado por Herodíades. demonstrações de seu poder de profeta. tornando-se assim um guia perigoso do povo. porém inescrupulosa. mas aproveitou a oportunidade para reiterar as críticas que fizera ao rei pelo seu ato culposo e compareceu à sua presença. Através de seus discípulos. e mui to dada aos costumes libertinos greco-romanos de banquetes. Sob o temor da popularidade do profeta e a pressão de sua mulher. podia. João exaltou-se e respondeu que mais valeria ao rei entrar . irmão de Antipas e vivia maritalmente com este. Porém. Mas Herodes o interrompeu dizendo que sabia da fama que tinha e desejava que ele desse ali. separar o joio do trigo e queimar o mau grão que para nada serve. já estava presente no País. dias atrás. que permaneciam d o lado de fora. aproximar-se de uma janelinha existente na porta da cela e falar com seus discípulos. Nessa prisão. João não se recusou. que eram muitos. no entanto. circos. Durante os anos em que esteve encarcerado. no caminho da salvação. abandonara seu marido Felipe. na presen ça de todos. (28) Como judeu. para que então suas palavras tivessem valor. como sempre fazia. João mandou várias vezes seus discípulos a Jesus. com os outro s. sua figura estranha impressionou profundamente Hero des e à sua côrte e João. mandou Herodes que João fosse levado à sua presença. etc. para dar-lhe conta de sua situação e saber o que se passava com ele. orgias. João gozou de liberdade relativa. pois que não lhe era lícito viver com a mulher de seu irmão. que se dava por ofendida. João seguia atentamente o quanto se pass . mandou prendê-lo e transportá-lo mais tarde à fortaleza de Macaerus n os limites do desertos árabes. reaf irmou. Como era de esperar. O Precursor havia incorrido. por momentos o rei ficou atemoriza do com as ameças de João. no ódio de Herodíades que. n a ocasião. e mandar e receber mensagens. falou-lhe das coisas que pregava ao povo e das esperanças do Messias nacional que. fugindo ao pecado do adultério. que movime ntava as multidões de crentes.insuportável. demonstrou desejos de conhecer o profeta severo. po dendo falar com seu discípulos. de temperamento místico. Era mulher inteligente. para cumprir sua missão divina de remir os homens dos seus erros.

entediado pela rotina. apegou-se à oportunidade de satisfazer seu ód io.visitantes e funcionários romanos. menina de dezesseis anos. 1 a 5. passar uns tempos na fortaleza. porém rep udiou-a para viver com sua cunhada Herodíades. onde. o batismo. Esses discípulos de João em geral. não aconteceu. num cerimonial em que entram o pão e o vinho. passado tempos. diariamente se banqueteavam. Por isso. maltratado. uma vez por semana. residente em A lexandria. Da fimbria da túnica de estopa pendia a franja de rabí. Em um desses festins. (29) Na prisão. filha deHerodíades. era um verdadeiro homem do deserto: alto. E já estava acorrentado há dois anos. numa bandeja. como prêmio. esquelético. vs. referem-se a Apoio. sob a denominação de "Sabeos". alegórico e místico. procurou furtar-se a ele. ali presente. não porque duvidasse de sua condição de Messias. seus discípulos tomassem o rumo certo. mas para que após sua morte (que sabia próxima). declarou ao rei que poderia dançar para ele desde que. Herodes assustou-se com o pedido. criada junto às tribos do deserto. quando Herodes veio com uma grand e comitiva formada de cortesões. e seus olhos. pressurosa. mas ela recusou várias vezes até que. a maior ia não o fez e conservou-se fiel à memória de João e até hoje ain da existem.ava na Galiléia e no País a respeito de Jesus. moreno-amarelado. mas a menina. (29) Existem na Àsia Menor. por insinuação de sua mãe a qual. dançasse para ele as danças estranhas e voluptuosas daquele po vo. exigindo reparações pesadas. fazem. Também o próprio livro Os Atos dos Apóstolos: XVI I.24 a 28 e XIX. mas ainda dotado de fort e e agigantada constituição. porque se alguns deles vieram para Jesus. na forma essênia. não se despregavam do interlocutor enquanto falava. a cabeça do profeta enca rcerado. s . negavam que Jesus fosse o Messias es perado. desejou que a pequena Salomé. discípulo de João. é óbvio. com acento poderoso. realizando os ritos que o profeta estabeleceu. a aparência de João tornar-se-ia ainda mai s estranha e impressionante. o rei árabe moveu-lhe guerra e o derrotou. guardam o domingo e. (28) Herodes havia se casado com a filha do rei árabe Aretas. o que aliás. na corte de seu pai. vs. lhe mandasse trazer ali. q ue pareciam dois carvões em brasa. oficiais de serviço.

as Escrituras. e punham em evidência a que dizia: "voz que clama no deserto. Jesus. estabeleceu em Kfarnaum seu centr od e atividades públicas. para seu glorioso destino: um se apagando. sentado a uma guarita. naqueles tempos remotos. na boc a da ponte de encostamento de barcos. mais tarde. humildemente. também. lá em baixo. rigorosamente. A mesma margem. . cumpria assim. cometidas séculos antes e. que. Herodes concordou e. entrou na sala do banquete. situadas às ma rgens do lago do Kinereth. dali partia para pregar nas vizinhas cidades de Salmanuta. curava os doentes." João Batista resgatava com sua morte por degolação as culpas de Elias . bem como nas regiões vizinhas. era important e centro comercial. o Messias de Israel. edificada por Herodes em homenagem a Ti . o chefe de sua guarda desceu ao cárcere. uma alfândega e uma corte de soldados romanos.empre insinuada por sua mãe. Capítulo 25 OS TRABALHOS NA GALILEIA Como vimos. por todos esses lugares espalhava a Boa Nova da salvação. ficava Tiberíades. conforme as lera na sinagoga d e Nazareth. que presenciaram a morte do seu mestre. o coro sombrio e lúgubre. Era ali que. Betsaida e outras. Magdala. apresen tando à menina a cabeça sangrenta e ainda semi-viva. pois que. . cantavam salmos e pro fecias. cujos olhos a fitavam muito abertos. conforme predissera a seus discípulos. Horrorizada. muito a contragosto. se engrandecesse e caminhasse. pô-lo em brios pela palavra dada e então. preparai os caminhos. a incomensurável luz do Gólgota. cidade pagã. saindo de Nazareth. vindo do pátio da f ortaleza. mandou degolar o profeta e o carrasco. logo após a dan ça. *** KFARNAUM Kfarnaum ficava à beira do lago e. a todos le vando a palavra da compaixão e da esperança. abandonava o cenário para que o verdadeiro Enviado. permanecia o cobrador de impostos chamado Levy. Corazin. possuia um porto de pesca. enquanto elevou-se no ar. libertava os oprimidos. fugiu da sala. cantado pelos discípulos. espetacularmente. foi apóstolo com o no me de Matheus. bem mais para o sul. pela morte e outro acendendo para a posteridade.

possuia alguns barcos de pesca. repartida ao meio e encaracolada nas pontas. como os outros rabis do povo. cuja mãe. da mesma cor da barba. Muitos se curavam somente ao entrar em contato com sua aura poderosa. pedindo socorro para seus males. Tinha a testa alta e ampla.) Jesus. por . mas robusto. tendo sido preciso que o centurião (30) comandante da coorte romana. Thiago e João. estatura acima da mediana. sua face empalidecia e suas vestes ful guravam. em GRANDE porcentagem. uma capa e nesta. fizesse para isso importante donativo. (Matheus VII I — Vers. rosto ovalado. Usava vestes brancas. emoldurado por uma bar ba fina. o povo nem mesmo tinha conseguido construir a sinagoga l ocal. o mesmo ao qual o Evangelho se refere como tendo recebido uma graça de Jesus. cintas de couro nos braços e na testa. ou quando s e emocionava por qualquer circunstância. repousou alguns dias em casa da sogra de Simão Bar J onas. Era esbelto. 5-13. sem mangas. Nessas horas. usava sobre a camisa e a túnica. tendo por cima uma túnica azul clara. gente pobre e tão sobrecarregada de impostos que. se tornava assalariada dos ricos e dos comerciantes . Raros possuiam recursos próprios. visto ser homem pi edoso e simpatizante da religião judaica. têmporas encovadas. como por exemp l o acontecia em relação aos dois Zebedeus. usava cabelo caindo pelas costas. Não usava. ali chegando. influenciando a todos que se aproximassem. grande poder magnético irradiava dele e se espalhava a seu redor. sombreando o rosto. sendo apontados a dedo. castanho-avermelhada. mormente quando era de noite. sobrecílios e cíl ios compridos. ou tocando suas vestes como. compridas até os pés. olhos grandes. quatro borlas azuis que eram as franjas rituais de rabi. um halo de luz ou de fluidos fortíssimos o envolvia. claros. Salomé. Quando a multidão o rodeava. tez morena como a de sua Mãe. Nesse tempo tinha ele quase 32 anos. A maior parte do povo de Kfarnaum era formada de pescadores e hortelãos.bério. o césar romano. Pela sua pobreza. Segundo o costume da época e do local.

Já vimos também que os rabis recebiam instrução completa. juizes. subdivisão de uma legião. em outra. que era comando de um tribuno. Tinham costumes à parte. Não cumpriam. jurisdiç ão e atributos executivos municipais. nisto demonstrando serem mais evoluidos que os judeus. pronunciando sentenças corporais. menos penas de morte. cidade da Fenícia. O mesmo fato estava representado em murais nas mais antigas catacumbas. cuidavam mais particularmente de ouvir as interpretações da Lei. vários servidores do culto. entretanto. secretários e um schamasch (auxiliar do templo). o ritual dos sacrifícios de sangue. aconteceu com a mulher que sofria de hemorragias. narra que essa mulher era d e Páneas. um conselho de ancíãos.e xemplo. numa atitude de súplica e. se nas sinago gas das grandes cidades. como já dissemos. justament e para poderem atender ao povo como mestres religiosos. nas cidades pequenas. posto que correspondia a um coronel dos exérci tos atuais. a referida mulher. aos sábados. estendendo a mão direita. a organização interna comportava. orientadores sociais e conselheiros em geral. tornando-se a princ ipal autoridade local. Tinham. nas suas sinagogas. (31) Os galileus seguiam os ritos da Thora e frequentavam Jerusalém nas festiv idades nacionais. mas eram rebeldes a certas formalidades e exigências impostas pelo clero e não seguiam à risca muitos dos prece itos. (31) Euzebio de Césares. além do rabi. delegados. a rigor. comandante de u ma centúria — 100 homens —. um hazan. conforme relata o Evangelho. chamada mais tarde Cesaréa de Felipe. As sinagogas funcionavam como pequenas repúblicas: tinham um presidente . diante da porta da casa onde residia. em sua "História". Informa que no seu tempo. eram da alçada real. hav ia 2 estátuas de bronze representando uma. Já anteriormente nos referimos ao cerimonial nos templos e. (30) Centurião era posto de oficial do exército romano. comissões de trabalho socia l e um conselho de anciãos. encarregado de ouvir e julgar as partes e dar sentenças que competia ao hazan executar (pois tais sinagogas tinham atribuições executivas municipais). e. . que nas provínc ias. por exemplo. o hazan acumulava todas as atribuições. expedindo decretos-leis.

Nas sinagogas ou tribunais. é que. diferente dos demais. é que Jesus iniciou suas pregações e somente mais tarde. sacerdote. consideravam-se eruditos. quando se apresen tou por duas vezes na sinagoga de Nazareth. conquanto não fossem sac erdotes. p orque pregava de forma heterodoxa. devido à sua fama de profeta. quando o auditório aumentou enormemente. p ertenciam ao partido fariseu. nas sinagogas. O dialeto que ele usava era o siríaco-hebreu um romano do tronco aramaico que. o que vale dizer. falava . é que passou a pregar nas praças públicas e ao ar livre. naquele tempo. com o próprio Jesus. Perceberam logo que Jesus era um pregador perigoso. às curas que fazia e aos fenômenos tidos como milagres — que produzia. teve de enfrentar a animosidade dos doutores da lei que. na parte já marcada como o texto do dia. ou pastor ou orador acadêmico. Já vimos o que havia acontecido dias atrás. Normalmente. sendo ouvido em silêncio pelos assistentes. fato esse que deveria repetir-se várias vezes no decurso de suas pregações futuras. Mas. juristas. quando o mestre. revolucionária. expõe livremente suas idéias. era usado em toda a Palestina. tomava da mão do servente o rolo das Escrituras. como er a de esperar. representavam o oficialismo religioso da Capital. entrava acompanhado de seus discípulos (o qu e era costume entre os rabis). com a sua presença. tinham grande autoridad e. de maior ou menor renome ou capacidade. justamente por causa dessas interpreta ções como já o dissemos atrás. Nessas sinagogas do interior do país. e como. do Sinhédrio. qualquer assistente tinha o direito de interpel ar o orador e era comum surgirem tumultos quando as opiniões de muitos divergiam. ou quando os oradores pregavam matérias considerada s contrárias à Thora e aos costumes nacionais. teólogos. sem interrupçõ es. às margens do rio. em sua maioria. nesse tempo.95 Capítulo 26 PREGAÇÕES E CURAS Entre os judeus em geral. e passava então a interpretar o assunto. em outros lugares. segundo seu elevado e sábio critério. linguistas. o sistema das pregações era mu ito diverso do usado hoje. desde o primeiro dia. — a "para scha".

entretanto. exatamente como o Espiritismo deve exigir hoje na evangelização de seus adeptos. a doutrina que p regava exigia realizações objetivas e imediatas. Ele preg ava a libertação e a igualdade espiritual em relação aos poderosos. Por isso. como irmãos que todos eram. sobre o dos homens. quando ouviram-no dizer que "seu reino não era deste mundo". paz e ju stiça. E dentre os decepcionados. hoje configurad as em ideologias igualitárias de caráter político que levam. fraternalmente. E os próprios discípulos pensavam assim. exigia ação. Num país onde a maioria do povo era escravo do salário do dia. tendo sido. Além disso. todos os mise ráveis e desvalidos o seguiam e o amavam e seu prestígio aumentava diariamente. terrív el a decepção da quase totalidade deles. retirava-se para lugares solitários e ensinava qu ase sempre a céu aberto. mas decisões e transformações íntimas e ações no plano colet ivo. que não aceitava nenhum intermediário entre a criatura e o Criador. a doença e a escravidão. à eterna dominação do mais forte! Por isso. t raria a libertação de Israel do jugo estrangeiro e acabaria com a miséria. reino de harmonia. porque ensinava u m a religião sem sacerdotes e sem ritos exteriores. e jamais reverenciava ou prestava obediência a qualquer das escolas rabínicas oficiais. os sacerdotes ensinavam que somente os filhos de Abraão mer eciam as graças do céu. Jesus tinha capacidade para promover a maior revolução social. filosóficas.com autoridade própria. Por isso Jesus dizia sempre: "pelos frutos conhecereis as árvores e aquela que não der bom fruto deve ser cortada e lançada fora". resultados. dentre as que tinham sido tentadas. filhos do mesmo Pai. que até hoje existem. A doutrina pregada por Jesus enraivecia o clero judaico. baseado na esperança de que sendo Ele. o maior d e todos foi Judas de Kerioth. possuia saber profundo. E dava testem unho disso. Oferecendo o Reino de Deus. não concepções teóricas. assim deven do proceder uns com os outros. De fato: bem dist anciada do espiritualismo clássico e das religiões dogmáticas. mesmo quando filiadas ao cristianismo. cerebrai s. fatos. enquanto Ele dizia que todos os . As mesmas idéias que acenderam no mundo terríveis revoluções. o Messias nacional. porque nem sempre usava os templos para suas preces e pregações. portanto. tornava-se odiado pelo clero e por todos aqueles que viviam à custa dos templos.

e a situação tornou-se verdadeiramente dramática quando um dos presentes. aliás. libertava o doente ou o obsedadode seus compromissos cármicos. As vezes. ou ainda. somente. Todos perceberam. dizendo simplesmente "estás curado". pelo fato de que nestas curas há interferência nas própria s leis divinas que regulam esses casos. E o espanto culm inou quando Jesus. sereno e seguro de si mesmo. que ali estava um profeta legítimo . universale eterna. operava curas à distância. ora utilizava seu imens o poder de Verbo Divino. curava vários doentes ou um grupo deles. rabi de Nazareth: és o Santo de Deus". então. por compaix ão. o que não é da alçada de qualquer Espírito. ou "tua fé te curou". mas Jesus desprezava formal idades e. ora apelava para sua fé. não de palavras. por elevado que seja. convidado a faz er a leitura ou a pregação do dia. mas de atos concretos e poderes espirituais fora do comum. *** As curas e "milagres" feitos pelo Mestre em Kfarnaum e em outros lugares. De um lado. que se julgava superior aos demais. dirigiu-se para a tribuna e formulou a prece nos seguintes termos: "Bendito sejas. logo que convidado. apontando para Ele gritou: 'Eu sei quem tu és. Era praxe que o visitante. dizendo: "se tiverdes fé. se excusasse. ordenou ao espírito que se afastasse do homem. usando da palavra. sucedia em toda parte onde chegava pela primeira vez). É claro que somente Ele poderia fazer tal coisa visto que. claramente. a fraternidade universal ! Não a religião domina dora de um pequeno grupo ou de um pequeno povo. Como aceitar semelhantes heresias e ilusões? Em sua primeira visita à sinagoga de Kfarnaum sua atitude impressionou fo rtemente a assistência (como. estendendo os braços em sua direção. como há vários exempl os citados no Evangelho. só aceitando quando o diretor do culto reiterasse o convite.homens são filhos de Abraão e que Deus criaria seus filhos até das pr óprias pedras. Senhor. e ram aparentemente de processos diferentes: ora impunha as mãos sobre os doentes. da paz e do amor". para que eles sejam também beneficiados". sendo imediatamente obedecido. sua fama crescia dia a dia e de toda parte corria gente à sua p . do no do Universo. criador da luz e das trevas. mas a religião do homem terreno. pensem nos vossos entes queridos. o privilégio de poucos e o egoísmo de uma raça e de outra. Por isso. em certos caso s. naquele dia. tomado pelo espírito. ou "vai e não peques mais".

realmente. sacudindo os coraç ões. quando a medicina já conquistou maiores conhecimentos não só sobre a etiologia como na terapêutica. sem saberem mesmo muito bem de onde provinham. ao passar. principalmente derivadas da ignorância e da imundície. Por isso.rocura. rodeava-o logo a miséria e o sofrimento humanos. A ciência ainda estava na infância. que lhes desse alívio. nos dias de hoje. que a tendência do po vo é procurar confiadamente a curandeiros e charlatões. rabis e curandeiros ou magos. bem alto. o pó dos desertos e dos terrenos fortemente calcáreos. esperançados em curas às vezes impossíveis. para que o olhar do Rabi sobre eles pousasse. . transgredia as normas. a indolência natural do povo e sua arraigada superstição religiosa. seus filhos pequenos. aglomerando-se à volta deles. Na Palestina as mudanças bruscas de temperatura. por onde Ele passasse. Quando vemos. no seio das fam ílias pobres. as sêcas implacáveis . Nunca se negava. agindo. juntamente com as febres. sua sombra os cobrisse. E quando Ele passava pelas ruas ou pelas estradas empoeiradas. aos gritos e lamentos tristes. permanecia. a ignorância e a promiscuidade (tão comuns entre os povos orientais). tinha poderosos meios de cura e de auxílio. que pululavam por tod a parte. tudo concorria para que as moléstias se alastrassem e dominass em por toda parte. suplicando. nada h á de estranhável que naqueles dias remotos corressem desesperadamente para junto de Jesus que. e se. e em todas as oportunidades procurava edificar as almas e redimí-las de si mesmas. por m uito tempo. o povo saía às portas e as mulheres levantavam nos braço s. não havia médicos profissionais à disposição dos pobres e os tratamentos e curas ainda eram mais da alçada de sacerdotes. as moléstias de olhos e a lepra. como os da Judéia. e muitos atiravam-se ao chão de olhos postos n'Ele para qu e. as disenterias. um halo de luz e de felicidade a iluminar os olhos de todos os que o viam e uma esperança nova no peito. E onde quer que Ele estivesse ou chégasse. Naqueles tempos imperavam as doenças de toda espécie. sobretudo nos ambientes ainda retardados.

porque os sacerdotes eram obrigados a fornecer ao doente atestado de sua cura. Ele. multiplicadas em cadeia. que o Espiritismo também pode explicar como condensações fluídicas. na Decápolis). desli gando os doentes de suas provações cármicas. etc. Diz o Evangelho que efetuou também muitos "milagres" como. Todos os sábados comparecia à sinagoga local. efetuando curas aos sábados . na sinagoga. dizendo-lhes: "ide e não pequeis mais". por exemplo. como homem. podendo eles. reintegrar-se no convívio da família e da sociedade.os hábitos e os costumes como. E até mesmo não levantou de seus esquifes os que se tinham como mortos? Isso foi para provar que a vida é eterna e que os corpos humanos são meras contingências das reencarnações punitivas. da ausência de virtudes e que nestas existe somente claridade.e ra para que o benefício fosse completo. desprezando os exageros das regras sobre a pureza. apresentaram-lhe um operário que sofrera um acidente e tinha como consequência. e duas multiplicações de pães (uma das quais na cidade de Julia. purificava o corpo e espírito. daí por diante. A Pesca Maravilhosa. vêm da prática dos erros. queria significar ao povo que as trevas. morta. que a caridade estav aa cima dos formalismos estéreis e que. ao mesmo tempo em que fazia o bem. na certa. em que fez se gura demonstração do seu poder de vidência o qual. seria possibilidade natural. nos pr imeiros degraus da escada evolutiva. Quando limpava os leprosos e mandava que se apresentassem aos sacerdotes . a mão sêca. em Kfarnaum . como era direito e dever de um rabi interessado na boa orientação dos crentes e um dia. e quando devolvia a vista aos cegos. com isso t ambém demonstrava que a misericórdia divina. para o Divino Mestre. para pregar ao povo na ci dade onde estivesse no momento. cessan do seu isolamento em lugares solitários. como todos os sofrimentos. possuiria em imensa amplitude.. pedindo-lhe qu . como costumava responder aos fariseus. 98 Capítulo 27 OUTROS LUGARES Em Kfarnaum e seus arredores. por exemplo. era o senhor do sábado e não s eu escravo. era para demonstrar. quando concedida. efetuou inúmeras curas e beneficiou multid ões de suplicantes. o que.

consolando-os e esclarecendo-os nas promessas. dizendo: "Dai a César o que é de César". parando e olhando-o firmemente. Todos os sábados surgiam dificuldades e discussões. sempre que possível. ao que Jesus. por ser exato respeitador das leis visto que assim pregava. porque Jesus andava sempre acompanhado de doentes. Estas reclamações eram sempre atendidas por Jesus que. Senhor. Este modo de confundir os opositores em público. despertava enorme rancor da parte dos fariseus porque. respondeu: "Deus anda sempre junto daqu eles que têm o coração humilde. Deixa a tentação dos bens perecíveis e vem comigo". visto que eram todos assalariados. por fim.se ma is. logo depois. destinado a todos aqueles que cumprissem suas leis universais e eternas. saudando-o. Então Levy. e todas as vezes que Jesus por ali passava. entre os pescadores e escravos. de cujos impostos era arrendatário. Durante os primeiros tempos em que ali esteve. pondo a nu suas hipocrisias. alegando que aquelas reuniões prejudicavam o rendimento do trabalho dos homens. convidandoo. fazia suas pregações. miseráveis. no cabeço da ponte do porto. ouvia as pregaçõe s. ouvia o que diziam e. mu dava o lugar das pregações. nestes casos. exultante. de dentro de sua guarita. porém eu ficarei de fora . todos acorriam para junto Dele para ouvir suas palavras de s alvação e. com malícia. saia da guarita e inclinava-se respeitosamente. desvalidos de toda espécie e jamais deixava de atendê-los pacientemente. de cada encontro. curvou-se ainda mais e disse incisivamente: "creio que o dia da salvação vem. por ser um homem impuro e cheio de imperfeições". de preferência no porto. perguntando-lhe se lhe era lícito curar no sábado. como tu pregas. O publicano Levy. para . via essas coisas. Ele curou o doente ali mesmo. a movimentação era tão considerável. ao que Je sus respondeu "Respondei primeiro: que será melhor fazer num dia de sábado. que os capatazes intervieram e reclamaram junto às autoridades. sobretudo. na resposta justa e hone sta aos seus ataques. Mas os fariseus intervieram imediatamente. muito mais que isso. Jesus saía engrandecido e eles diminuidos.e o curasse. não só c urando-os de seus males como. tantas vezes repetidas. do próximo Reino d e Deus. Assim que se aproximava. um benefício ou um dano? Salvar alguém da morte ou deixar mor rer?" E como os interpelados não encontrassem resposta hábil e justa. até que um dia aproximou. abandonou o seu posto no mesmo instante e o seguiu.

não podia. o povo se reuniu em volta dele. e os fariseus. Jesus. como já explicamos. estou cansado de sofrer". portanto. O piso desses terraços era feito de galhos secos trançados. eram construidas. e tendo Jesu s aceitado. sustentando uma camada ou duas de terra socada e cozida ao sol. abriu-se nele um buraco e fizeram descer por ele um paralítico deitado em uma padiola. então. muitos ficando de fora. entraram ta mbém para ver o que Ele fazia. muitas coisas extraordinárias aconteciam e também porque sabiam que as casas das alde ias montanhosas ou encostadas a morros. eram baixas e possuiam.repartir o pão em sua casa. não podendo entrar pela po rta obstruida pela multidão. Os homens que conduziam o doente paralítico. buscando sempre motivos para comprometê-lo. até que Jesus. dizendo: "Não disse o Senhor. por Oséas: Prefiro a misericórdia aos s acrifícios? Eu não vim chamar os justos à penitência. E quando o depositaram aos pés de Jesus. que se encontravam na cidade. saindo. em l ugar de telhado um terraço aberto. Por causa disso surgiu um grande escândalo entre os fariseus. encravadas nas encostas. que não o largavam. sentar-se e comer com gente dessa espécie. quebraram a terra cozida. pedindo: "Socorre-me Rabi. em casa da sogra de Pedro. afastaram os galhos e desceram-no com a padiola. tomado de compaixão. para aquela mesma noite. e também porque os cobradores de impostos eram considerados ladrões e gente impura. Os terraços das casas comumen te se uniam formando blocos de resistências ligadas entre si. e ante aquela f . segundo a Lei. E se aglomeraram vários deles frente à casa de Levy. quando presente Jesus. subiram ao terraço. E no outro dia. E Jesus estava fazendo sua pregação de costume. quando a caliça do fo rro da sala começou a cair. o doente moveu para Ele os olhos macerados e tristes. por não haver lugar. um rabi. protestaram em honra de seu rabi morto. reclamando em alta s vozes. que captava a chuva e servia também de dormitório no verão. os esclareceu sobre o fato. honrando-o com a sua presença. porque era dia de jejum e alguns discípulos de João Batista. mas sim os pecadores". O fato não alarmou os assistentes porque. pelo vão aberto. convocou a vários de seus colegas de profissão e os discípulos do Mestre.

porventura. o rdenou. não havendo resposta pronta. incisi vo e seguro: Para que saibais que o Filho do Homem tanto pode fazer uma coisa como outra. E. olhai e vêde": E voltando-se para o doente. Isso deu margem a novas reclamações e represálias da parte dos fariseus. porque estavam com fome. Mas. permitiu que colhessem espigas num trigal maduro e as comessem. farís eus. solícita. Então Jesus passou a levar seus discípulos para os campos e pomares pr óximos. a medida das hostilidades dos inimigos foi-se enchendo e a notícia de que aquele Rabi era um contraventor da Lei foi sendo espalhada pelos fariseus.é tão intensa. CAPITULO 28 HOSTILIDADES DO SANHEDRIN Relatórios circunstanciados desses acontecimentos eram enviados constante . não sabiam que o próprio rei David. segundo a Lei. dando margem a que muitos de seus seguido re s ou simpatízantes fossem se afastando. meu filho". em um sábado. amedrontados. muitas portas se fechando e muitos cortavam caminho para se desviarem dele. por se apropri arem de trigo ainda não colhido e não separada a parte destinada aos póbres. estremunhad o e vacilante. toma tua cama e vai para tua casa". esclarecendo-os. Mas Jesus. instruindo-os pessoalmente na sua doutrina de redenção pelo amor. Mas os fariseus presentes se escandalizaram com tais palavras p orque. Com estas coisas. num sábado.lhe: "Levanta-te. disse ao doente: 'Teus pecados te são perdoados. e assim clamavam em vozes altas. como era costume. penetrou no Templo de Abiatar e comeu os pães destinados às cerim onias do culto? E ante o silêncio constrangido dos opositores. tendo Jesus. estando com fome. repetiu a frase decisiva dizendo que o homem não foi feito para o sábad o. sob o maior assombro dos presentes. fora da cidade. protestando. só o podia Deus. colocou a padiola às costas e foi-se embora pelo corredor que a multidão. o paralítico levantou-se. acrescentou. mas sim o sábado para o homem. lhe abriu até a porta. sacrifícios no Templo. perdoar pecados. encarando-os. ou se não operavam circuncisão nesse dia? E se eles. perguntado se nos sábados os sacerdotes não realizavam. pe r guntou: O que julgais mais difícil: perdoar os pecados deste doente ou curá-lo?" E.

à hora marcada . Com esses elementos.mente ao Sanhedrin. deu ordens a seus escravos para que a todos os convidados oferecessem água para as abluções usuais. menos a Jesus. Em seguida. conhecedoras a fundo daThora. enquanto o povo foi ali se aglomerando. costumes e praxes estabelecidas pelo Sinhedrio e em pleno vigor na Palestina e na Di áspora. que também estavam sempre presentes. já suficientes para desencadear represálias violen tas. todos os hazans dirigentes de sinagogas e outras autoridades dependentes de sua jurisdição. às reuniões e às pregações de Jesus. inclusive alguns doutores da lei. elaborou um plano de ação que pôs imediatamente em execução. da oportunidade magnífica para obter vantagens. foram ori entados no sentido de reunir provas. rabi fariseu. como sempre ocorria. aumentado visivelmente as pressões contra Ele e seus disc ípulos. porém aceitou-o e. como contra as regras de conduta. onde sua chegada causou muito alvoroço. co mo homens do povo. Ele e seus discípulo s pararam em uma praça. todos os rabis fariseus e saduceus. e arrolar o maior número possível de testemunhas sobre as transgressões feitas. em Jerusalém. cumprindo as instruções do Sinhédrio. compareceu à sua casa. todos os escribas e doutores da Lei. t anto contra a Thora. pessoas eruditas. à sombra de algumas árvores. também. sabendo que Jesus não se atinha a formalidades e aos ritos da puri ficação pessoal. Havendo. Conhecendo a fama do profeta galileu. não só para conhecer tão afamado rabi como. que o convidou para uma ceia em sua casa. Assim. valia-se Simão. nas proximidades do Monte Tabor. e assim foi feito. o Sanhedrin. para pedir-lhe graças e curas de suas moléstias. envoltos em pano alvo de linho e todos se escandalizaram por v e . Cansados da viagem. certamente. comprometendoo ante testemunhas de indiscutível idoneidade. para descansar. Simão. isto é. acompanhado de seus discípulos. situada a sudeste de Nazareth. por sua vez. em todas as províncias e ci dades. de certa forma indeciso pela imensa popularidade do rabi galileu no seio do povo. dos seus atritos verbais com os faris eus de outras partes e. que eram constantemente procurados e interrogados por agentes oficiais. no sentido de acumular provas contra Jesus. Em consequência. aproximou-se dele um homem rico. mandou apresentar-lhe os pãesinhos de costume. convidou amigos influentes da cidade. Jesus percebeu logo que o convite tinha outras intenções. Jesus retirou-se para a cidade de Naim. Simão. pelos fariseus locais e pelos espiões daquele tribunal. com urgência. pois. Nesse local.

então. Agora. penetrou no recinto uma mulher jovem e bela. onde se aglomerara o povo e onde também estavam. sem lavar as mãos. inclusive filhos dos príncipes dos sacerdotes em Jerusalém. dizendo: — Ele se diz profeta e no entanto não sabe que está sendo homenageado por uma prostituta. Foi logo por todos identificada como sendo Myriam. virando-se para Simão. abrindo um frasco de óleo perfumado. que observava a cena em silêncio. atirou-se a seus pés. sem terem sido lavados.. — Certamente. compreendeu logo o que se passava e. porventura ignora que tal aproximação profana é vedada pela Lei? Mas Jesus. à beira do Lago. que trazia pendurado ao pescoço por fina corrente de ouro (o que era hábito entre as mulheres ricas) derramou o perfume nos pés do rabi e. pr opos-lhe o seguinte caso: "Um homem tinha dois devedores de quantias diferentes e a ambos perdoou. natural de Magdala. que se achava um tanto afastado dos outros e. — Além disso. e. da mesma forma. ci da de situada ao sul de Kfarnaum. limpou-os com se us bastos e perfumados cabelos arruivados. 104 Capítulo 29 MARIA DE MAGDALA Nessa altura do ágape. os convivas. ou reclamar contra essa falha da hospedagem. sem interrupção. localizou Jesus. E então começaram a interpelá-lo sobre isso. logo em seguida. irônicos. verificou-se um tumulto à porta da casa.r Jesus partí-los assim mesmo. conveio Jesus. chorando. respondeu Simão. interpretava os te xtos que lhe eram postos pelos interrogantes. onde possuia uma casa grande e rica. pondera comigo: tu me convid . Era naquela ocasião a hetaíra mais famo sa e influente de toda a Palestina e contavam-se às centenas seus admiradores da classe alta. Vendo ela que os pés de Jesus estavam sujos de pó e detritos dos caminh os. sendo rabi. mas o que dela sai" e. Enquanto isso. com sua indiscutível superioridade moral. Qual dos dois lhe deveria ser mais g rato? — Naturalmente o que devia maior quantia. reconhecendo-o. que não tiveram autorização para entrar na sala do banquete. afastando os criados que tentavam detê-la. uns em seguida a outros. os discípulos. sussurravam entre si. acrescentava outro. juntos.. respondendo Jesus que "n ão é o que entra pela boca que faz dano. com evidente desprezo para os demais convidados. vestida de panos de cores diferentes e olh ando em torno. em seguida.

*** Após permanecer ali alguns dias. mas para confirmá-las. aceitei também a sua homenagem. Mas seus discípulos eram constrangidos a responder perguntas insistentes feitas por fariseus da cidade. Com isto. anda por toda parte. disse-lhe: "Levanta-te. mas seus atos destroem suas palavras. Jesus voltou para Caná e Nazareth. teus pecados te são perdoados. onde foi acompanhado pela multidão que estava na rua e que. no entanto. Vai em paz" . Além disso. como é costume e como fizeste com os demais convidados. — Sim. mas julgamos que são inspirados por Satan. mas entre o povo que te ama e de ti espera a salvação e socor ro para suas necessidades". Outras vezes interrogavam em outros termos: — Vosso rabi não para. desencaminhando o povo. demonstrou maior gratidão?". E vem agora esta mulher e me lava os pés com suas lágrimas. é um grande profeta e opera milagres. manife stava sua alegria dizendo: "teu lugar. e nada reclamei. Ambos são pois devedores e a ambos. continuando suas pregações. respondiam os discípulos. e obra sempre para o be m de todos. pois. e convidaste amigos teus para testemunhos do que fosse dito ou feito. pregando e curando e faland . com o propósito oculto de verificar a minha conduta e as minhas palavras. que lhes punham questões nestes termos: — Não compreendemos o vosso rabi: Ele conhece profundamente a Lei e os profetas. Apesar de sabê-la pecadora.aste a esta ceia. dirigindo-se à pecadora. E em seguida retirou-se da casa de Simão. Mesmo assim aceitei teu convite. amigo de Levy. A decepção do rabi fariseu foi tamanha que ficou mudo. vim à tua casa e tu não me mandaste dar água par a lavar as mãos e os pés. enquanto Jesus. obrigaste-me a partir o pão sem lavar as m ãos. e quanto aos seus milagres. Que dizeis? — Ele sabe o que faz. não é entre os teus inimigos. ond e ficou algum tempo e depois novamente para Kfarnaum. en xuga-os com seus cabelos. transgride a Lei a cada passo. como também é de praxe. Qual dos dois. indo hospedar-se na casa do pub licano Jochanan. rabi. unge-os com perfume. comprometendo-me. o mesmo sucedend o a todos os demais. não os negamos. levantando lanternas nas mãos. como vês perdoei. retrucavam os interrogantes. diz que não veio para destruí-las. filha.

já morto. Ele prega a purificação. então. A essa reunião compareceu também Simão. falou-lhes com bondade e narrou-lhes a parábola do reino divino em si mesmo mas. porventura quer levantar o povo? — Nada disso. Que tem ele em vista? Transgride a Lei e os costumes. o arrependimento dos pecados e a redenção pelo amor ao próximo. Voltando-se os interrogantes para os mais cultos e prestigiados fariseus e doutores da Lei presentes. aos quais interrogaram perguntando: — Por acaso vosso rabi. Os fariseus. qu e perdoasse pecados. que acab avam por fugir deles. mesmo assim os discípulos se mostravam atemorizados e a partir daí. prega contra a Thora e os sacerdotes do Te m plo . Mas Jesus. começou a perder a fé no seu rabi. sacerdote.o no reino que não é deste mundo. tomando conhecimento do que se dizia a do quanto ocorria. o fariseu de Naim. mas não perdoava pecados. para não comprometerem ainda mais o seu rabi. os ânimos de inúmeros moradores foram se acirrando contra Jesus. naqueles dias. reunindo seus discípulos. filhos do mesmo Pai Celeste. terminada a investigação. para investigar oficialmente a conduta do rabi galileu e. é que fazia curas e milagres que os sacerdotes não podiam fazer. espalhavam pela cidade a versão de que Ele era insp irado por Satan e.. ou intérprete da Lei. pelo menos. Judas. instalaram lo g o uma espécie de tribunal investigador e convocaram testemunhas da cidade e das vizinhanças. e alguns d iscípulos de João Batista. chegaram à cidade alguns delegados do Sin hédrio. por si mesmos. perguntavam: — Sabeis de algum rabi ou sacerdote que. moradores na cidade. perdoava pecados de alguém? E os discípulos de João confessavam que não: — Nosso rabi mandava que se arrependessem. hajam perdoados pecados? E os interrogados unanimemente respondiam: — Jamais conhecemos alguém. pois somos todos irmãos. — Porventura então acha que os judeus são irmãos dos samaritanos he réticos e dos pagãos impuros? E assim tentavam confundir e comprometer também os discípulos. por isso. rabi. E assim. E.. E aconteceu que. respondiam os discípulos. os delegados do Sinhédrio concluiram que .

pouco tempo depois. sentar-se à mesa e repartir o pão com pessoas impuras e blasfemar contra Deus. realmente. de forma definitiva. perdoando pecados. quem comer deste pão viverá eternamente ". Ele falou que era o pão do céu que deveria ser comido. junto ao caminho do mar. Quando fizeram aquele simulacro de julgamento. Capítulo 30 O DESENVOLVIMENTO DA PREGAÇÃO Jesus escolheu Kfarnaum para centro de suas atividades públicas devido à sua importância e também porque dava assim testemunho das Escrituras. dizendo: "Eu sou o pão vivo que desceu do céu. ao qual. um transgressor da Lei e dos costumes de Israel. quando diziam: "E a terra que foi angustiada. considerando as circunstâncias de estarem seus discípu los a temorizados com a situação e também porque sua hora ainda não tinha chegado. se entregou. o que sujeitava a Ele e a seus discípulos servirem de escárneo público em muitos lugares por onde pa ssavam. essa propaganda também cooperou para o afastamento de muitos discípulos. não compreenderam qu e se referia ao sacrifício do Qólgota. muitos dos discípulos menores se afastaram dele. e acrescentou: "E o pão que vos darei será a minha própria carne. não será ente nebrecida. além do Jordão. envileceu nos primeiros tempos. principalmente por não respeitar o sábado. com receio da situação mas quando. que realizou grande parte de seus "mil agres" e curas e aí também tomou corpo e se organizou. O povo que andava em trevas viu uma grande luz e sobre os que habitavam na terra da sombra e da morte resplandeceu uma luz". e julgaram que tinha enlouquecido.9). em pregação posterior. dando-o como transgresso r da Lei. que sacrificarei pela salvação do mundo". (Isa i as . a campanha de hostilidades desencadeada contra Ele pelos escrib as e fariseus. Foi nessa região e imediações. mas nos últimos se enobreceu. abandonou a cidade mais uma vez. E como já corria mundo a propaganda feita contra Ele pelos fariseus. acus ando-o de ser cúmplice de Satan. na Galiléia dos g entios.Jesus era. *** Era certo que essas acusações e maus juízos não vinham da gente pob . Mas Jesus. como agentes do clero judaico.

inquieta. Mas o Divino Enviado. Chegaram quando Ele estava pregando ao povo em casa da sogra de Simão e . sabendo o que estava ocorrendo em Kfarnaum. respondeu: "minha mãe e meus irmãos são aqueles que fazem a vontade d e meu Pai. com palavras esclarecedoras e corajosas . Assim. mas alguns assistentes. e não queria deixá-lo exposto às represálias do Sinhédri o. esperando. Essas notícias chegaram logo a Nazareth de onde sua Mãe. por mais respeitáveis que fossem. pelo vulto da multidão. foi até onde Ela estava e ali p restou-lhe as honras devidas e. sempre desejaram que Ele permanecesse em casa e discordavam de suas atividades religiosas. dias antes de seu consórcio com José. fez-se acompanhar de alg uns de seus filhos afins e seguiu para lá. para que Jesus fosse avisado. ao contrário. Tinha idade suficiente para saber da extensão do poder e da força de vi olência do Sinhédrio. são as que ligam as almas entre si e não aos corpos físicos. Nunca encontrara apoio e compreensão espiritual naqueles irmãos afins q ue. Ele. não podendo entrar. que crêem em mim e seguem os meus ensinamentos". que te procuram". ligadas por interesses fortes às áreas do governo e com essas classes é que estav a o poder que o povo temia. na repressão de movimentos religiosos que contrariavam as diretrizes e as regras do Templo. bem claramente.re. lembrando-se dos vaticínios que lhe foram feito s. nem que fosse por algum tempo. como já dissemos atr ás. após terminar a pregação. não poderia ater-se a interes ses meramente humanos e sentimentais. tão dedicado ao serviço do povo humilde. reconhecendo-os. que as únicas lig ações verdadeiras e permanentes. no lar somente contou desde o início com a cooperação de sua Mãe. com isso querendo dizer. conhecia a se nsibilidade de seu coração. quando lhe disseram: "estão aí fora tua Mãe e teus irmãos. mas da classe média e superior. Por isso. acom panhava seus passos perigosos. e. com o intuito de trazê-lo de volta para casa. pois que. transmitiram a notíci a para o interior da casa. sempre à espera de acontecimentos infelizes. penetrando nos pensamentos piedosos de sua Mãe e na s disposições hostís de seus familiares e discordando deles. quando ainda no Templo. o povo humilde. pararam fora. estendendo o braço para os que o escutavam. integrado na sua divina missão.

de decepção e angústia. a juntou com tristeza: "Entretanto. quando Jesus declarou que seu reino não era deste mundo. perdendo a fé". sorrindo. mas Pedro adiantando-s e. E Jesus. passou a se desmembrar rapidamente quando a situação tornou-se perigosa. debandaram um pouco mais tarde. permaneceram fiéis ao lado do Mestre e.seu irmão TIAGO — O Maior .seu irmão TIAGO—O Menor — JUDAS TADEU — SIMÃO. Capítulo 31 O QUADRO DOS DISCÍPULOS O grupo numeroso de seguidores que foram chamados "Os quinhentos da Ga lil éia". quando vinham de uma reunião na sinagoga local. como seguem: 110 SIMÃO BAR JONES . ao qual acrescentamos detalhes necessários.filho de Zebedeu JOÃO . silenciaram. chegando à casa da sogra de Pedro. foram interpelados por Je sus nos seguintes termos: "E vós não quereis também partir"?. Senhor? Deixar-te para seguir a quem? Voltar para as trevas de onde viemos? Tu só tens a palavra da vida eterna e sabemos que Tu és o Filho de Deus". reduzindo-se a setenta e dois. Mas. estes tamb ém. em grande parte. Os discípulos. ali os reuniu reservadamente e os consagrou um por um. respondeu por eles dizendo: "Partir para onde. lendo no coração de Judas o que nele se passava. mas os doze. pelos nomes que dai por diante conservaram até a morte. um de vós voltou seu coração para a descrença. tomados de emoção.tambem chamado Natanael . então lhe disse: "Por isso mesmo vos separei um por um e vos julguei dignos de minhas preferências". formando o quadro final dos apóstolos.sossegou seu coração angustiado. Mas.denominado Pedrod ANDRÉ . primeirame nte admitidos. O ZELOTE — TOMÉ DE TOLEMAIDA— MATHEUS — Levi FELIPE DE BETSAIDA — BARTOLOMEU .

da execução de E stevam. fixando-se em seguida junto ao Lago Moeris. partiu para o Egito. onde Paulo também esteve preso e foi executado. onde construiu uma colonia cristã que foi um valioso núcleo de cristianização do norte da Áf rica.filho de Zebedeu e Salomé e irmão de João.JUDAS DE KERIOTH — Nota . segundo obras mediúnicas de respeito.O Maior . mais tarde. que ali estava exilado e onde ditou a epístola que tem o seu nome. Pescador de profissão. acompanhado de João. TIAGO . Eis os destinos que tomaram e o fim que tiveram: PEDRO . que ali dirigia uma importante escola iniciática.a este quadro acrescentou-se. Permaneceu com Pedro e Matias em Jerusalém. sendo seu corpo le vad o para Efeso e dali para Roma. TIAGO . Respeitando a maioridade de Pedro e as recomendações de Jesus.Também conhecido como Zebeu. desencarnando no ano 67. eles se reuniram em casa de Maria de Nazareth e distribuiram entre si as tarefas da propaga ção. elegeram -no para dirigí-los. por fim. juntamente com outros companheiros. no 4ar Neg ro. dali partiu para Efeso. logo depois.Evangelizou na lturéia. reunindo-se depois a André. Após cessarem as perseguições por parte do Sinhédrio. perma necendo os primeiros tempos junto a Filon de Alexandria. e onde consta ter sido martirizado. seguida. após a morte de Jesus. sem nenhum grau de hierarquia. sendo morto na Frígia. send o morto por perseguidores do cristianismo. . na Palestina e nos países visinhos. mais tarde. foi a Roma. Matias que substituiu Juda s de Kerioth. diácono grego e inspirado pregador. nos conhecimentos.Foi um dos poucos que permaneceram largo tempo na comunidade crist ã de Jerusalém. morte esta. na idade. com 87 anos. num período de tempo de quase dez anos. somente no sentido moral. por sorteio entre os apóstolos. onde conviveu largo tempo com os messianitas locais. Fez algumas viagens de propagação do Evangelho entre os gentios em Antióquia e outros lugares e. FELIPE . Mas. junta ndo-se a João. a contar do Gólgota.O Menor . *** Os apóstolos eram muito diferentes entre si. para onde seguira. nas virtudes e no caráter.

JUDAS DE KERIOTH Após a participação que teve na prisão e morte de Jesus. partiu para a Etiópia. o dom que permite perceber e aceitar determinadas coisas da vida espiritual antes que os olhos as vejam e quando ficam além dos sentidos f ísicos.MATEUS . o discípulo Marcos. onde na cidade de Srinagar existia o Santuário-Escola de Gaspar. onde desencarnou. para onde m ais tarde. como sucedeu na reunião realizada em Jerusalé m. onde trabalhou em companhia de Felipe e depois na Grécia. junto ao Mar Negro. onde morreu. tendo sido preciso fazê-lo colocar a mão sobre uma de suas chagas. doz e anos depois. SIMÃO . segundo uns. Evangelizou também na Índia.Permaneceu junto aos trabalhos da congregação na P alestina. Os primeiros arautos do cristianismo no norte da África foram Zebeu e Mateus. fé. outro dos conhecidos Reis Magos. aos quais também se reuniu. ANDRÉ DE TIBERIADES . quando o Mestre compareceu. ou Tomé Dídimo. Não possuia. junt o ao Mar Negro. o mais velho deles e já então desencarnado.Era o terceiro apóstolo em i dad e depois de Pedro. após o Calvário. no caminho consciente da certeza e da fé. descambava sempre para a dúvida e a negação. onde fazia a propagação evangélica. indo ao extremo de duvidar da própria evidência. indo até Cachemir. na Etiópia. junto à subida .O Zelote .Irmão de Pedro . onde ficava o Santuário-Escola de Baltazar. TOMÁS DE TOLEMAIDA. Matias também seguiu. em uma reunião de apóstolos. um dos chamados Reis Magos. JUDAS TADEU . Até mesmo as impressionantes e admiráveis realizações de Jesus perm aneciam para ele no terreno da dúvida. Mateus prosseguiu até o reino da Rainha Candace. enforcou-se numa figueira. BARTOLOMEU DE NAIM -Também conhecido como Natanael. evangeliz ou na Armê nia. tendo ido até Per s épolis. afinal. materializado. onde foi m orto. inicialmente. onde foi morto. recebeu do Plano Espiritual demonstrações diretas de fatos espirituais que o colocaram.Trabalhou na Mesopotamia e na Pérsia. Depois evoluiu e na Pérsia.Seguiu para o Ponto Euxino.Anteriormente chamado Leví. Espírito crítico e analítico. mais tarde. às margens do rio I ndo.

onde suas pregações atrairam a ira dos poderosos. pela vidência e audição. então.Pescador de profissão. ingênuo e carinhoso. como expiação do seu inominável crime. expandiu-se e a tingiu sua plenitude. Capítulo 32 CONSAGRAÇÃO E EXCURSÕES Os apóstolos. sua mediunidade. homens do povo. cumprindo-se assim o que Jesus dele dissera: que viveria mais que qualquer dos outros. produzindo as obr as que conhecemos: o Evangelho que tem o seu nome. no Vale do Inon na parte baixa da cidade de Jerusalém. JOÃO . as três epístolas conhecidas e o Apocalipse. ao tempo de Jesus. conhecia alguma coisa de contabilidade. porque permaneceu ju nt o de Maria de Nazareth. que possuiam alguma instrução e cultura rabínica e Levy. Mariade Betânia e Ma ria de Magdala. conquanto e. já manifestada em Nazareth. estavam todos no vigor da idade. até sua morte. permanecen d o em Jerusalém até a dispersão dos apóstolos. em compensação. era alg o infantil. em reunião na casa da sogra de Pedr o. a servir como enfermeiro dos leprosos. todos os demais eram pes so as humildes. foi com Pedro para Roma. Após a morte das três Marias. indo.Filho de Zebedeu . p ara a Ilha de Pátmos. Jesus os consagrou colocando as mãos sobre cada um deles e . Foi o apóstolo que mais durou. idealismo e honrados.Substituiu Judas por sorteio. após a morte de Jesus. onde criou uma escola de iniciação cristã que foi frequentada por vários líderes do cristianismo dos primeiros te mpos. porém revelações mediúnicas esclarecem que dedicou o resto dos seus atormentados dias. Era o mais jovem dos apóstolos e doze anos mais moço que Jesus. Em Pátmos. incultas. MATIAS . Foi o que mais tardiamente se moveu para o trabalho. morrendo em Pátmos. na casa desta.do monte do Calvário. entre v inte e trinta anos e. Maria de Nazareth. em seguida. o Zelote e Judas de Kerioth. Viveu até o ano 70. juntando-se a Mateus. sendo exilado para Efeso. com as extraordinárias manifestações do Plano Espiritual Superior. além de numerosas mensagens que a codificação Católica Romana recusou por não julgá-las convenientes ao sentido e aos interesses dessa religião. No ponto mais alto das deserções. que por força de sua profissão de cobrador de impostos para os romanos. para a Etiópia. cheios de fé. quando seguiu. que ficava fronteira à cidade. sinceros e extremame nte fiéis ao Divino Mestre. exceção feita a Simão.

transmitindo-lhes poderes mediúnicos para expelir espíritos malígnos e curar doentes em seu nome. *** Jesus. Após o regresso. eram muito mais adiantados que os hebreus e mais desenvolvidos intelectualmente. atravessando a fronteira da Galiléia. formando grupos de dois e três. visitou as cidades de Tiro e Sidon . espiritualmente. assumisse o governo da nação israelita. . Tendo em vista a atmosfera de hostilidades que se formara e. Os fenícios. na certa. que viajavam para outras terras além das Colunas de Hercules (hoje Gibraltar). do ponto de vista material. o Rei Messias. impedia ativid ades livres e pacíficas. Mas a população da classe média e as autoridades locais se amedrontar am com o fato. quando Jesus. viriam de Jerusalém. permanecendo os grupos ausentes por espaço de três m eses. e eram extremamente desapiedados com eles. E assim foi feito. que alvoroçou enormemente a multidão. onde produziu-se o "milagre" da multiplicação dos pães. que viviam da escravatura e do comércio. eram artífices e neg ociantes ousados. lugares amaldiçoados. Mas. eram muito atrasados. Instruiu-os sobre as tarefas a executar como apóstolos (mensageiros Seus) na pregação do Reino de Deus. também chamados cananeus. Conheciam o mar e a navegação. pela estrada das caravanas. onde os homens valiam menos que as bestas dos cam po s e eram atrelados aos arados. pela esperança desencadeada de uma vida mais feliz e farta no futuro. Criaram o alfabeto latino. ferozes e insensíveis. Jesus resolveu então fazer com seus discípulos. ao peso do chicote dos capatazes. que deveriam realizar pelo mundo então conhecido e dando-lhes regras rigorosas de conduta. nem tinham sentimento algum de fraternidade huma na. temendo represálias que. como os filisteus. e muitas colonias nas costas do Med iterrâneo. acompanhado de seus discípulos. chegando até às costas da Inglate rra atual. uma excursão a Fení cia. indicando a cada grupo os rum os que deveriam tomar. as mais importantes. após a consagração mandou que se separassem. pedindo que se p assasse para outro lugar. foram todos para Bet-Zeida. sem repouso. e então mandaram uma delegação a Jesus. na margem oposta ao Jordão . traficavam com escravos.

Floresciam as indústrias dos tecidos de púrpura. cada qual exibindo um rito mais bárbaro e sangrento. afim de poderem. Quando a visão daquelas cenas se tornou insuportável para a sensibilida de de Jesus e dos discípulos eles rumaram para a lturéia de Felipe. quando estivessem sós. sobre os m o ntes de escórias das fábricas. as mulheres. formava o trio de deuses pagãos de cultos os mais impiedosos e repugnantes daquele período histórico bár baro. anos mais tarde. para que morressem de fome. ou vindos até ali para serem vendidos nos mercados das cidades. aguentavam pouco tempo e adoeciam gravemente sendo. O mesmo sucedia com a fabricação de vidros e metais. que tinham enorme acei tação nos mercados estrangeiros. passando por Gedêra.Para ali afluiam constantemente rebanhos de escravos. onde chegaram durante as festas de Zeus. onde tudo era feito sem a menor proteção e de onde só eram retirados para serem jogados fora. nas suas viagens apostolares. para que nã o fugissem. para cujas usinas eram remetidos os velhos. até morrerem. comprados ou seques tr ados nas colonias litorâneas despoliciadas. enrijecessem a fibra de seus espíritos. os fracos e as crianças que. ou na fabricação de vidro. Por toda parte Jesus levou seus discípulos •para que se instruissem. e os atrelavam com correntes nas rodas de água que faziam girar os moinhos pestilentos. sem nenhuma proteção contra o calor. para roupagens de mulheres ricas. enfrentar as dificuldade . com Astaroth e Melkar. então. entre outros fins. furavam os olhos dos escravos. E nas fábricas de púrpura. pelas pr óprias condições do trabalho incessante e insalubre. trazidos do mar em botes tripulados por pescadores escravizados e dali levados aos tintureiros. eles próprios. Havia naqu e la cidade deuses e idolos de muitos povos pagãos. quase os mesmos que. onde eram moidos os caramujos produt or es da tinta. E morriam como moscas. jogados fora. nos monturos. quando passou por Antiochia e Seleucia. escandalizaram e despertaram a ira de Paulo de Tarso. também escravos. co nhecessem o mundo. Era essa a terra do deus Moloch o devorador de crianças e adolescentes que. cortinas e mantos reais. O mesmo sucedia nas fundições de bronze. que lidavam nas cubas escaldantes.

O sistema oriental de narrar as coisas é diferente do nosso. como também sacrificariam a Ele o Filho do Homem. o Tabor apresentava suas encostas cobertas de vegetação mais ou menos rasteira. onde pôs-se a orar. uma idéia central e uma conclusão lógica e decorrente. onde deixou esses dis cípulos para trás e avançou até o ponto mais alto. as misérias e as maldades humanas. ao Monte Tabor. seu irmão. atravessando o Jordão e deixando Naim um pouco ao norte. certo. Jesus determinou que os discípulos permanecesse m ali enquanto Ele. O mo nte tão celebrado se levanta no extremo oriental da planície de Esdrelon e tem 400 metros de altura. e enquanto as colinas vizinhas eram de snudas. pois. o mesmo que os homens sacrificaram. Jesus pronunciou ali o Sermão do Monte. Narra o Evangelho que os discípulos viram quando um grande esplendor en vo lveu Jesus. com a qual se remata o assunto de forma completa. onde passaram o resto da noite. Nessa volta é que os discípulos lhe perguntaram se era. um de cada lado. fazendo-se acompanhar de Simão Pedro. E como num soneto: expõe-se o assunto ou a idéia central e nos últimos dois versos fecha-se a expos . como estava escrito. 118 Capítulo 34 AS PARÁBOLAS Voltando novamente a Kfarnaum. ao cair da noite. chegaram. é considerado perfeito quando possui um-preâmbulo.s. be m como grande número de suas parábolas. O discurso. que seria imolado para salvação d o mundo. subiu ao cimo do monte. Atingida a base do monte. o qual mostrou-se acompanhado de Moysés e Elias. Thiago e João. para nós. que Elias viria anunciar o Messias. em cujas faldas estava situado o mosteiro essênio desse nome. respondendo Jesus que tal coisa já acontecera na pessoa de João Batista . 117 Capítulo 33 A CENA DO TABOR Quando voltavam para a Galiléia. A visão foi de curta duração e logo apagou-se e desceram de novo para o sopé do monte.

em 72. como é natural. a maior parte dos ensinamentos que Jesus transmitiu. porém o Evangelho somente guardou algumas delas (naturalmente aquelas das quais os apóstolos se lembraram) e que podem ser agrupadas em três classes. procurando sempre promover as transformações morais dos ouvintes. porém supersticioso. após a destruição de Jerusalém pelos romanos. até que o que queria dizer ficasse bem claro e compreensível. século e meio depois. Utilizando-se de motivos naturais. mas punha-a em evidência várias vezes durante a exposição. ligados à vida do povo comum. a pesca. parábola (uma alegoria dentro da qual se disfarça uma idéia important e) servia tambem para tornar Indelevel na memoria do rusticos que a ouviam. Nesse jogo de imagens é que se podia conhecer os mais sábios pregadores . como recurso de imaginação para os ensinamentos que difundia entre o povo ignaro e simples. Dentre os rabis que também usaram as parábolas. a colheita. puderam recompor mais tarde.os mais acessíveis. O oriental. porém Jêsus assim fazia. tornando. Gamaliel. a se meadura. e os próprios discípulos. As parábolas são uma forma e um exemplo desse modo de narrar e Jesus. para obrigar os ouvintes a estabelecerem comparações com o presente em que viviam. pelo menos naqueles tempos remotos. comparando-a com outras coisas. Os profetas antigos e os rabis também usaram da parábola. graças a elas. segundo o sentido: (32) . análogas ou não. não analisava a idéia fundamental logo de início. os substratos da doutrina que ensinava. de memória. Por isso suas palavras tinham a cor e o aspecto das regiões em que eram pronunciadas e ninguém deixava de compreender o que Ele dizia. com digress ões várias. com uma chamada "chave de ouro". com suavidade e amor. um dos doutores da Lei que red iiram a Mischná. empregava-as magistralmente. em labné. d ando esperança e alegria.ição da idéia. Zakai e Schamai e. ainda as encontramos na boca do Rabi Meír. Muitas foram as parábolas que Jesus pronunciou nas suas andanças missio nárias pela Palestina. como por exemplo. em nada se preocupava co mi sso. estavam os grandes mest res HilIel. mas nem sempr e para ensinar. referia-se quase sempre ao passado.

Mateus 22.31.51 .16.Mateus 21 .10 VIDA RURAL O semeador Marcos 4.Lucas 19 .Lucas 14.31 ASSUNTOS DOMÉSTICOS E DE FAMÍLIA Os dois filhos .1..Lucas 18 ..11.2.Mateus 25 ..13O homem previdente ..Mateus 13 .USOS E COSTUMES SOCIAIS Os dez talentos .15..1. peixes.25.9.Lucas 14 .7.Lucas 18 .25.Lucas 15 .14.13 As dez virgens .Mateus 24 . na forma objetiva e na ordem aqui estabelecida.Lucas 12 .14.19..4.Mateus 25..30.Lucas 15.12.Lucas 16.30 .8 O bom samaritano .24 Viúva oprimida . não deixou parábola sobre pesca.32 O credor incompassivo . *** Daremos agora uma síntese de interpretações no sentido espiritual..14 O rico e o pobre .1.Lucas 16. fora das referências feitas nas pregações.37 O rico avarento .28.16.44.Lucas 12 .1.Marcos 4-21. USOS E COSTUMES SOCIAIS Os Dez Talentos .53 A candeia .20-Lucas 8.15 O trigo e o joio O grão de mostarda A figueira estéril Obreiros da vinha Lavradores maus A ovelha desgarrada A figueira que secou A semente que brota O bom pastor Apesar de Jesus ter agido e vivido junto ao lago do Kineret e ter tido vá rios discípulos pescadores.21 Fariseu e publicano .Lucas 14 .35 O filho pródigo .8.35 O bom e o mau servo .48 Mordomo infiel .14 Os primeiros lugares .Lucas 8.Mateus 18.26 As bodas .35 O reino dos céus ..18 A dracma perdida .35.Lucas 10 .45.. etc.

Mas os homens bem aquinh oado s de recursos. Veste Nupcial *** O Senhor enviou seu filho à Terra. e tanto maior será a obrigaço de assi m se proceder. segundo nossa maturidade e s piritual. quanto maior o volume ou a extensão dos bens recebidos. de conhecimentos. continuando a viver de suas ambições e interesses materiais e alguns de les. não o receberam. para que se fizesse a confraternizaç ão dos homens. preguiçosos ou gozadores. que devem ser utilizados. Desses bens. Os talentos que o Senhor distribui são dons de fortuna. . mais esforçados e diligentes. limitam-se a conservar o que recebera m. mais ainda lhe será dado e. O conceito final da parábola deve ser a sentença: "a cada um será dad o segundo suas obras". nem lhe deram atenção. Na parábola. em esferas trevosas. onde imperam o sofrimento e as privações. utilizando-se dos poderes de que dispunham. dois dos beneficiários aplicaram bem os recursos que lhes foram confiados. utilizando-o em benefício próprio. perseguiram e mataram os arautos da Boa Nova. para o devido aprendizado.se em aumentá-los. compartilhados e transmitidos a toda a humanidade. e todos foram convidados a tão divina realização. de compreensão mais estreita. Os dois primeiros prestaram boas contas e foram recompensados. egoísta e mesquinha. uns. mandando o Senhor que os bens que recebera lhe fossem tirados e doados aos que apresentaram resultados sa tisfatórios porque: "ao que muito tem. mandou o Senhor que fosse ele posto fora do reino. de posição so cial. porque quem não se esforça não merece recompensa e. mais ainda. quando não os delapidam. espalhando-os em torno. empenham. necessários às nossas nece ssidades e experiências evolutivas. tendo sido o Evangelho pregado por toda parte. imobilizou a sua parte. enquanto que os egoistas. nada produzindo. ao que tem pouco. enquanto que um terceiro. mas o últi mo não o fez e foi castigado. esse mesmo lhe será tirado".O Senhor nos entrega os bens da Criação. Cada um recebe o que precisa e jamais lhe é exigido esforço maior do que pode suportar. para que deles também outros se beneficiem. nos utilizamos de forma diferente.

O Rico Avarento . acomodados e rebeldes. O Bom Samaritano Um viajante judeu foi assaltado na estrada e ali deixado como morto. Nota — As con clusões são as mesmas da parábola intitulada "Juizes iniquos". armado dos poderes da Justiça humana. para livrar-se da importunação. O banquete de início oferecido a todos. mantida pela fé. Passar am por ele várias pessoas. colocou sobre ela o ferid o. por fim. Esta parábola põe em evidência a necessidade de jamais se esmorecer n o recurso da prece. até que. inclusive um sacerdote. segundo os conceitos humanos. e confirma a promessa: "batei e abrir-se-vos-á". e muitos dela se beneficiaram. mas ninguém se comoveu nem o acudiu. não são as que prevalecem espiritualmente e nenhum valor têm para o julgamento de Deus. significa a comunhão dos que foram iniciados nas verdades eternas e a estes é que foi entregue a veste nupcial. então. por fim atendeu a viúva. E assim. Também semelhante a "O amigo importuno". este.5. por ser julgada inferior e herética. entre bons e maus. da qual dependia sua subsistência. Lucas 11. é o agente do mal que tenta solapar a obra grandiosa da evangelização do mundo. em magníficas demonstrações de fé e desprendimento. e ao qual muitos não comparecer am. e o estranho que l á penetrou clandestinamente. passou um samaritano . Qual cumpriu o preceito da lei que manda amar a Deus e ao próximo? Esta parábola serve para mostrar que as separações de classe. apeou de sua montaria. nem mesmo a Deus. M uitos foram os chamados. Viúva Oprimida Homem prepotente e incredulo. e o Juiz. apesar de não temer nem respeitar a ninguém. abu sa va dessa justiça e menosprezava direitos e interesses daqueles que de suas funções dependiam. pac íficos e violentos. uma viúva constantemente o solicitava para que julgasse uma dema nda. conduziu-o a uma hospedaria e pagou ao estalajadeiro para cuidar dele. Nota — A significação desta parábola é quase a mesma a que se ref erem os títulos: "Convite desprezado" e "As bodas". confiando sempre na justiça de Deus. mas poucos os escolhidos.A mensagem foi então transmitida ao povo humilde. raça desprezada pelos judeus.

confessava suas faltas e arrependia-se delas. mo rreu. Na parábola. Mas. Jesus. Fariseu e Publicano Oravam em uma sinagoga. quando muitas vezes acontece justamente o contrário. modesta. exaltado.Um lavrador rico teve uma grande colheita e. segundo a lei. A parábola demonstra que somente os bens espirituais são duradouros e p revalecem sobre a vida e a morte. na mesma noite. alardeava seus méritos e sua devoção. perfumando-se e. onde ao mesmo tempo. porque se exaltava. e seus bens. Aconselha também que não convidemos para nossas reuniões familiares. relegado a um plano secundário. ninguém gosta de ficar ignorado. pedindo a proteção de Deus. sim. eles brilharão como c hama viva. . Este era O ensinamento de Jesus. procurar pôr-s e em evidência entre as pessoas mais importantes. enfeitando-se. para evitar dissabores e juizos desfavoráveis. de nada valiam. na vida espiritual. em posiç ão discreta e digna. o primeiro cheio de p res unção. Assim. aconselha a não se proceder dessa forma. como morto. seria. para não suporem que visamos retribuições mas. se a isso formos obrigados. Vaidade ou arnorpróprio poderão fazer-nos supor que nossa presença se ja agradável e honrosa para os outros. p orque se humilhava. humildemente. substituindo-os por outros maiores. por quem foram aproveitados. no local. enquanto o outro. pensava ele: minha alma descansará segura. um fariseu e um publicano. O primeiro. guardaria todos os seus vultosos ben s. "aqueles que se exaltam serão humilhados". nos céus. humilhado e o segundo. coloquemo-nos modestamente. não tendo onde guardá-la. vestindo-se com as melhores roupas. e se tivermos méritos verdadeiros. das quais não . somente pessoas ricas e importantes. gente simples. Os Primeiros Lugares Quando se é convidado a uma festa ou cerimônia. mandou demolir seus celeiros insuficientes. nos céus. perante Deus. seria. O exaltamento de si próprio poderá trazer amargas humilhações porqu e. já que para ele. somente nos expondo. que refletia a Justiça de Deus. a tendência geral é de cada um se colocar em posição de destaque. chamando a atenção para estas circunstâncias e hábitos.

respondendo ao rico que. neste caso. não foi. não elimina as consequências de umaá conduta. cada um se colocando nos lugares ou condições que lhes compete. enquanto que o pobre agora é que recebia a sua. um assistente espiritual e xplicou que ele já havia recebido na Terra sua recompensa. então. O Rico e o Pobre O rico vivia a banquetear-se e o pobre. muito menos o fariam em se tratando de um morto A parábola é rica em ensinamentos: mostra queo arrependimento. em todos os casos e circunstâncias. mas este. as condições morais das pessoas. Jesus falava de hábitos e condições sociais. Mas. na certa que a levariam em conta. E quando o rico reclamou. somente em b e nefício e gozo próprios. ao que o assistente respondeu que se não acreditavam nessas leis e ensinamentos que lhes esta vam ao alcance. nem põe paradeiro à ação das leis divinas. não podendo ser transpostas. para que mudassem de hábitos e de crença. segundo seu graude evolução e seus atos. para matar a fome. queria alertar seus familiares qu e ainda estavam na Terra e pedia que os avisassem sobre como era a vida espiritual. insistiu dizendo que se a advertência lhes viesse de um parente morto. e as diferentes condições da vida espiritual são assegurad as por fronteiras vibratórias que as delimitam e separam. E morreram ambos e então tudo mudou: o rico foi para as esferas inferiore s e o pobre elevou-se à outra. do lado de fora. DOMÉSTICAS E FAMILIARES Os Dois Filhos O pai ordenou a um dos filhos que fosse trabalhar na vinha. O rico. devemos proceder com modéstia e equanimidade. que a posse de bens e de fortuna estabelecem e. prome tendo ir. que os bens materiais nodevem ser utilizados egoisttcamente. a aguardar algumas migalhas que lhe viessem às mãos. se não agiam de acordo com essas leis. mais luminosa e feliz. lastimando-se do que acontecia. mais q ue tudo. era inútil qualquer outro aviso. forçad o pelas circunstâncias. o assi stente replicou dizendo que isso não era necessário porque.se poderá esperar retribuição alguma. enquanto que o outro. levando em consideração. havia a Lei e os profetas. mesmo havendo . e que as diferentes condições dos espíritos após a morte são irreversíveis. que já tinham revelado essas verdades e que. na Terra.

entrando no Reino. A parábola põe em destaque o ensinamento de que devemos perdoar aos nos sos devedores. iludido pelo mundo material. desprezam o chamamento e furtam-se ao cumprimento do dever. não suce derá com os que. Arrependido. da mesma forma. regressou ao lar. da decisão justa e do esforço em proceder bem. Os que procedem como o filho que se arrependeu. têm o mérito da honesti dade. mas o mesmo não fez em relação a um outro que também lhe devia. promovendo o pai uma festa de comemoração pela sua volta. inexperiente. pedindo sua prisão. mas foi recebido com alegria. porém o que importa é que se capacitem disso. para também merecermos perdão de nossas faltas. faz-se surdo aos conselhos. até que os sofrimentos e as vicissitudes inev itáveis lhe despertem o entendimento e o façam voltar-se para as realidades do mundo espiritual. porém. Face ao Evangelho redentor. com a experiência que dá a sabedoria. Na parábola torna-se evidente que maus sentimentos são próprios de mu itos. que exigiu sua parte dos bens da família por antecipação e partiu para outros lugares: queria conhecer o mundo e libertar-se do esforço contínuo do trabalho familiar .recusado de início. arrependeu-se e foi. porque a fam ília o recuperou ainda mais valioso. O Filho Pródigo Era o filho mais moço de um lavrador rico. este voltou atrás. arrependamse. cobrar na Justiça a dívida que havia perdoado. não importa a natureza do pecado. chegando a passar fome e exercer trabalhos repu gnantes para manter-se vivo. disposto até mesmo a ser assalariado do pr óprio pai. recorrendo à Justiça. ouvindo e vendo. mas a decis ão pessoal de reformar-se e o esforço em redimir-se. esbanjou em pouco tempo o que o Pai lhe dera. volta as costas a Deus. foi explorado por muitos. Assim sucede com todo aquele que. devendo-se compreender bem que as leis de Deus se exercem com to . cancel ando o perdão que dera e mandando. como os demais servos. o mesmo. deixa-se l ev ar pelas suas atrações enganosas. pelo que receberão sua recompensa. Quando o caso chegou ao conhecimento do Senhor. decidam-se a melhorar e atender ao chamamento do Alto. para Deus. O Credor Incompassivo O trabalhador de uma propriedade obteve de seu Senhor o perdão de suas d ívidas.

se não formos fiéis na manipulaç ão de bens materiais perecíveis. na vida espiritual. Bem aventurado será aquele a quem o Senhor confiar a mordomia de sua casa e que assim pr oceder.do rigor e cada um colhe o fruto dos seus atos. 126 O Bom e o Mau Servo Os bons servos devem estar sempre vigilantes para atender ao seu Senhor qu a ndo este vier para casa. o administrador de um homem rico foi chamado às c ontas e. do mundo espiritual? E se não formos fiéis na aplicação do bem alheio. Assim será. e para benefício do próprio culpado que. para que o mal não se multiplique maleficiando outro s. como poderemos receber. como da execução das suas tar efas e dos testemunhos a serem dados em relação ao próximo. tem oportunidade de reconsiderar e se emendar. Mas a parábola adverte quanto ao erro. ocorrendo. somos obrigados muitas vezes a agir com rigor e castigar o que erra. porque quem não é fiel no pouc o. com isso visando captar a boa vontade deles o que. como castigado será aquele que abusar de suas funções. não poderá sê-lo no muito. em mundos baixos c omo o nosso. quando vier o Filho do Homem pa ra julgamento do mundo. A regra é perdoar sempre e não julgar como juiz mas. o que a nós compete ? . assim. conseguiu. naquele mundo. sem hora marcada ou sabida. realmente. Mordomo Infiel Havendo sido desonesto. ainda. como poderemos sê-lo na de bens verdadeir os. o chamado "acréscimo de misericórdia" para bene fício dos que o merecerem. Não há propriamente. convocou os devedores da propriedade e mandou que confessassem dívidas me nores que as verdadeiras. mas o ressarcimento delas pela prática de atos meritórios. antes que viesse a demissão e os castigos. e tanto a respeito de si mesmo. e aque le a quem muito se confiou muito mais lhe será exigido que a outro qualquer. porque — "a quem muito foi dado muito será pedido". seja à hora que for. em certos casos. perdão de faltas cometidas.

pois. nas trevas. quando recolhe a rede e os devolve ao mar. que é renúncia e sacrif ício. porque não se acende uma candeia para colocá-la debaixo de um velador. ou ainda adquirir . inclusive jóias de grande valor. Nesta parabola . perdeu uma e se pôs a procurá-la por toda parte. Assim será no fim do período evolutivo que vivemos. É preciso. era r ecebido por um cortejo de virgens . quando os justos se rão separados dos maus e estes lançados novamente no mar dos sofrimentos e das sombras . O Homem Previdente Quem quiser encaminhar-se na vida espiritual. não pelo valor seria moeda das menores entre todas — mas pelo praser de reencontrar aquele bem que completava o seu patrimônio. demonstrando com isso grande alegria. Assim também sucede com as verdades espirituais redentoras dos homens. para n ão parar no meio do caminho e deixar de alcançar o fim da viagem. deve primeiramente examinar-se. e muitas das recepcionistas est avam com suas lâmpadas apagadas e sem azeite para acendélas ficando.A parábola põe em destaque a verdade de que não podemos servir com o mesmo zelo a dois senhores — a Deus e a Mamon — As Dez Virgens Nas cerimonias nupciais . com lampadas acesas. na vida espiritual. prontos a acender as lâmpa das. para que todos vejam a luz. O Reino dos Céus O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido. até que a achou. Assim. que ela n ão revele. como as de um bom peixe que o pescador separa dos ruins. a capacidade de perseverar e dedicar-se. para que possamos penetrar no Reino de Deus. . para verificar as disposições íntimas. quando chegar a hora do banquete espiritual. o noivo chegou de repente. impedidas de entrar na casa. o noivo ao chegar ao lugar da bodas . para a conquista do qual deve-se empenhar tudo o quanto se possue. pelas quais se paga bom preço. mas sim em lugar alto.se qualidades. nos páramos celestes. devemos perseverar na conquista da Verdade até encontrá-la. estarmos sempre preparados. para não ficarmos de fora. a sinceridade. porque esta é indispensável a todos e nada há que possa ficar oculto. A Candeia Os que já possuem as luzes do conhecimento espiritual não devem soneg á-lo aos que ainda permanecem na ignorância ou na impiedade. A Dracma Perdida Uma mulher tinha dez dracmas. 128 . por isso.

VIDA RURAL O Semeador O semeador, no seu trabalho, lança as sementes, que vão tendo diferente s destinos; uma parte é comida pelas aves, outra queimada pelo sol, outro sufocada pelo mato e uma, mais feliz, cai em terra boa e brota e cresce e dá frutos abundantes. A parte comida pelas aves representa a interferência das forças do mal no coração dos homens fracos; a queimada pelo sol representa o enfraquecimento e a derrota do homem ante as vicissitudes da vida; a que fo i sufocada pelo mato indica que as ambições do mundo, as riquezas, as ilusões dominaram-no, tornando-lhe a vida estéril; e a q üe foi lançada em boa terra é o que compreendeu, assimilou os ensinamentos divinos, cresceu e expandiu-se no serviço do bem, engrande" decendo-se. O Trigo e o Joio Os bons obreiros semeiam a boa semente mas, terminado o trabalho e enqua nto descansam, os inimigos do bem semeiam o mal; de forma que a seara apresenta sempre o bom produto misturado com o mau. E ambos , to davia, crescem juntos e não se deve separar um do outro, a não ser quando a seara amadurece e chega a hora da colheita quando, ent ão, o joio pode ser separado e queimado, enquanto o trigo, limpo, é recolhido aos celeiros. À hora justa, assim como o trigo e o joio, os homens serão também sep arados, e os sinos já estão tocando, avisando a chegada dessa hora... O Grão de Mostarda Semente das menores entre as sementes, entretanto, a da mostarda cresce, de senvolve-Se, lança o broto e ultrapassa as demais hortaliças, chegando ao porte de uma árvore onde as aves fazem seus ninhos. A parábola compara esse grão à virtude da humildade que, mesmo parece ndo insignificante, produz resultados espirituais de extraordinário valimento. A Figueira Estéril Plantada em um horto, e não dando frutos, o senhor da propriedade mandou cortar a árvore; mas o hortelão pediu que esperasse mais um pouco, para que a adubasse convenientemente. A parábola não conta o resultado, mas é evidente que quer referir-se

ao fato de que, mesmo sendo estéril de bons atos, com o adubo do conhecimento, os homens podem melhorar, esmerando-se também em atend er ao s preceitos do Evangelho, que é o adubo das almas. Obreiros da Vinha O dono de uma vinha contratou trabalhadores em diferentes horas do dia pa g ando, à tarde, salário igual a todos eles; e ante as reclamações feitas pelos que trabalharam mais tempo, explicou que ele e ra competente para julgar o valor do trabalho de cada um, independentemente das horas trabalhadas. Espiritualmente, isso significa que o chamamento de Deus — o dono da vin h a — soa sempre, a qualquer hora, e todos os que atendem recebem salário pela qualidade do trabalho produzido; em pouco tempo o tr abalhador diligente e devotado, mesmo quando tratado à última hora, pode realizar trabalho muito mais meritório que outros que trabalharam mais tempo. Por isso, a parábola declara que — "os últimos serão os primeiros" desde que, obviamente, executem trabalho bom, segundo o julgamento de Deus. Lavradores Maus Alguns lavradores arrendaram uma propriedade com a condição de cuidare m dela, fazê-la produzir e prestarem contas fielmente. Ao tempo da colheita, o proprietário mandou receber a parte do arrendamen to que lhe competia, mas todos os portadores enviados, e até mesmo seu próprio filho, foram maltratados ou assassinados pelos arrendat ários. Na parábola, é possível que Jesus estivesse se referindo ao clero jud aico ou a outros que recusassem a sua mensagem , ou a Ele mesmo, como filho de Deus : e os maltratassem como realmente o fizeram criando, a ssim, entraves à propagação do Evangelho, considerada sua natureza de ensinamento universal. A Ovelha Desgarrada Assim como um pastor se aflige e sai à procura de uma só de suas ovelhas que não tenha penetrado no redil e por fim a encontra, e alegra-s e e a traz de volta, porque todas merecem o seu cuidado e por

todas se sacrifica, assim também quando um homem se desvia do caminho certo, a palavra do Senhor o alcança e, se é ouvida, o fato é comemorado porque "há sempre alegria no céu quando um pecador se arrepende" e pelo Evangelho se redime. Nota - Parábola semelhante à da dracma perdida. A Figueira que Secou Passando por uma figueira que não tinha frutos, porque não era tempo deles, Jesus a amaldiçoou e ela logo secou. Os discípulos extrann haram o fato e confessaram mais tarde que não entenderam o gesto de Jesus. Se não era tempo de frutos, porque foi amaldiçoada.? Mas consideremos que ele estava com os discípulos, em trabalho de ensinamento, nos campos próximos da cidade. O que fez foi para advertí-los de que, como discípulos, deviam produzir sempre bons frutos , sem preocupação de tempo, data ou lugar; sempre aptos a fornecer o alimento espiritual de que os homens careciam; caso contrário, poderia suceder que, à hora de maior necessidade, não se encontrassem preparado s para prestar a cooperação indispensável. A Semente que Brota O trabalhador lança a semente à terra e a cuida de noite e de dia, e a semente brota e o broto nasce e cresce, sem ele saber como. Mas é porque essa é a Lei de Deus na Natureza e sempre que o homem se conduz de acordo com essa lei, colhe bons resultados; e quando chega a hora da ceifa, esta é feita sem mais demora. E a ceifadora é a morte. O Bom Pastor As ovelhas conhecem o pastor, ouvem a sua voz e o seguem para onde as levar; mas não seguem a estranhos, porque não conhecem a sua voz. Jesus é o bom pastor que se sacrifica por suas ovelhas , e morre por elas . Tem outris rebanhos em outros lugares , mas cuida delas com amor e as levará ao redil com segurança , para que nenhuma se perca e p ara que haja um só rebanho e um só pastor. O SERMÃO DO MONTE

Jesus estabeleceu o sistema fundamental de sua doütrina que. positivamente. acompanhado de seus discípulos. se agruparam de um lado e os amharets — os homens da terra. a mais ou menos 50 metros de altura. representa um código de moral religiosa de alta significação espiritualizante e que é a parte culminante de sua pregação. ampliou mandan — no matar — o rancor.° mandamento—o adutério — condenando qualquer pensamento. a dos limpos de coração. por si só. Nesse sermão que. uns que compareciam para. afirmando. fi nalmente. Havia ali escribas e intérpretes da Lei. mais afastados. saudando para um e outro lado. disfar çadamente. Referindo-se aos Dez Mandamentos da Lei de Deus. a d os que choram.Junto à cidade de Kfarnaum havia um morro — o Kurun Hatin — com vast a plataforma em um dos flancos. quando Jesus chegou.n&. que Seu reino não era deste mundo Pregou as oito Bem aventurança. futuramente.que são: a dos pobres de espírito. porque o admiravam e queriam apre nde r a doutrina consoladora que Ele pregava. rodeado de seus discípulos. recebidos por Moisés n o Sinai.a reconciliação com os inimigos. À medida que chegava. Naquela tarde. n ganaeida. por ordem do Sinhédrio. tendo o grupo de doentes ao lado. permaneceram de outro. outros. contradiz formalmente a suposição geral de ser um Messias polít ico. a dos pacifi cadores e a dos perseguidos e injuriados. mas-jue perrn. sendo sabido que o rabi galileu ia pregar naquele monte. viria a ser chamada de Cristianismo. a dos que têm fome de justiça. que podia conter centenas de pessoas. os ch averins. vigiar a Jesus. a dos mansos de coração. O sol descia lentam ente para o poente rubro de luz e a expectativa da mult idão tocava ao máximo. como faziam por onde quer que Ele andasse. abrigou-se ao fundo. da própria cidade e das imediações. Nele. a dos misericordiosos. aumentou o6. a multidão ia-se separando instintivamente. gente da alta. a1ooU dese . Aos poucos formou-se uma grande assistência. Cobriu-se com o tallit e começo u logo a pregar. sob um dos ciprestes ali existentes. e a maioria por ser necessitada e sempre esperar atendimento às suas dores e sofrimentos morais e materiais. par a lá se dirigiu muita gente. há vários séculos atrás.aneciam ainda como base religiosa dos judeus. como desejo e esperança da Nação. enquanto passava e.

jo contrários à fidelidade conjugal. a simulação. nossas falhas espirituais. porque o Pa i as provê.condenou a pena de Talião. 134 Seja feita a Tua vontade assim na Terra como no céu — Encarnados ou desencarnados. profunda e perfeita. expressamos somente o des ejo de santificá-lo em nós próprios pelos nossos atos. os primeiros edificando sua vida es piritual sobre a rocha da fé e do amor e os últimos sobre as areias movediças e ilusórias do mundo material. Deus está sempre presente. ensinou o Pai Nosso. visto que os homens são todos irmãos. e proteção contra as tentações do mundo e as influências maléficas". "que contém um ato de fé. Ao falar sobre a prece. estendeu o conceito dsinceridade e da honestidade. a expansão do Reino de Deus e a submissão do homem à Sua vontade soberana e justa. bastando afirmar as coisas como elas são: "seja o teu falar sim sim não-não". e mostrou o destino glorioso dos fiéis e o castigo dos insensatos. recomen dando a tolerância e o perdão sistemáficos. ensinou o desprendime nto dos bens do mundo. Na conceituação espírita eis a interpretação desta prece Pai Nosso que estás no céu santificado seja o Teu nome — Como o nome de Deus é santificado por si mesmo. mas de amor verdadeiro ao próximo. Venha a nós o Teu reino — Como o Reino não virá a nós. submetemo-nos às leis e à vontade de Deus . para a necessidade da oração. na fraternidade univers al e na paternidade de Deus. que manifesta três desejos da alma: a glorifica ção do Senhor. virtudes e pensamentos. de amor e de confiança em Deus. segundo os méritos e as conveniências evolutivas de cada um. condenou também a hipocrisia. ao qual se deve assistir sem alarde. inclusive para os inimigos. nossos erros e fraquezas. também. render culto a Deus sem exibição. na prece declaramos o nosso propósito de conquistá-lo. chamou a atenção para os falsos profetas enganad ores. tornando-nos dignos dele. como. a nós cabe subir. proibindo os juramentos em nome próprio ou da Divindade. mas não desce. que são transitórios. expressa três pedidos diferentes a saber: para nossa miséria material. porque a caridade não deve ser ato de ostentação. como também não se inquietarem os homens com as necessidades materiais da vida. essa singela e comovente ora ção.

o clamor elevou-se e diziam eles que aquilo era um absurdo. simplesmente. exceto em caso de prevaricação. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje — Não devemos nos preocupar em amealhar fortuna material porque o necessário. ignorância. para que nossa conduta seja perfeita e progridamos. nas reencarnações. faz que ela . aos que vos maldizem e cal un iam. e como todos erramos.em todos os sentidos. por ignorância das leis espirituais. conside rando-se os textos escritos e oficiais em vigor. segundo nosso programa encarnativo. e dependem de nossa própria conduta e livre arbítrio. e que não eram poucas. e não a Deus. porque nos cabe a m ar nosso próximo como a nós mesmos. pensamentos e atos e não do perdã o de Deus. escandalizados. mas eu. porém. sempre nos será dado. falando sobre o divórcio (tema sempre apaixonante e delicado) J esus disse: "Foi dito pelos antigos que quem deixar sua mulher dê-lhe carta de divórcio. que não existe por si mesm o. *** A impressão deixada pelo sermão foi extraordinária e se manifestou de muitas formas: os chaverins. est e será o único meio de nos livrarmos do mal. murmuravam entre si. por fim. o Reino de Deus. Não nos deixes cair em tentação e livra—nos do mal — Enquanto n ão evoluirmos. Quando Jesus disse: "amai aos vossos inimigos. sem base nas necessidades e conveniências da vida real. E quando. fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem" (o que era fundamento de sua doutrina de amor e de perdão). Perdoa as nossas dividas assim como perdoamos aos nossos devedores. devemos perdoar nossos irmãos daquilo que nos fizerem. justamente c om o intuito de confundir a Jesus. perfeição espiritual e. desconhecimento ou desprezo do Bem. consultando os rolos das escrituras que levavam em mãos. derrotando a ignorância e conquistando virtudes morais cristãs. um ensinamento impraticável. apontando as divergências que porventura manifestasse sobre a Thora. vos digo que quem rep udiar sua mulher. não ficaremos livres das tentações do mund o inferior e cabe a nós libertarmo-nos dessas falhas. sendo. ficaremos livres de todos estes males e conquis t aremos paz interior. Evangelizando-nos. Todos nossos erros e transgressões às leis de Deus devem ser resgatados nas vidas sucessivas.

E quando. no seu post o. despedia-a. gritaram que Ele estava pregando a subversão da ordem e a desorganização do trabalho. o povo o env olveu. simplesmente. acusando-o de estar aconselhando ao povo o desint er esse pelo trabalho. que se marcavam no rosto de todos. a Deus e a Mamon. que a doutrina que pregava enfraq uecia os homens. quando não queria mais a mulher. e os filhos que houvesse com a concubina. quiz afastar-se. Para evitar a expulsão. um opróbio) a esposa muitas vezes providenciava uma concubina para o marido. aclamando-o e foi necessário que os discípulos o arrancassem dali. comete adultér io neste ponto os fariseus. que significava sua liberdade e autorização legal para casar-se de novo. quando falou que não se pode servir a dois senhores. para não ser considerada ad últera e ficar ameaçada de apedrejamento. Quando. cuidando da casa. a seu bel-prazer. nos casos de esterilidade (que para os judeus. o que redundaria em malefícios sociais para a nação. pois. e gritos de júbilo e exclamaç ões explodiam entre eles. Quererá Ele ser maior que Moisés?" Essa indignação dos chaverins em parte se explicava porque. e a dissolução do vínculo se dava à vontade dele. continuando. carentes de tudo. . quase carregando-o nos braços. os chaverins prorromperam em gritos. glorificando a Jesus. naquele tempo. era uma desgra ça. incompatível com a existência da naco judaica. o efeito foi radicalmente oposto: nasceram alegrias e esperanças novas. o marido era incontestavelmente o senhor e a mulher propriedade sua. dando-lhe uma carta de div órcio. Mas para o lado dos homens do povo e dos miseráveis. eram considerados seus próprios. prosseguindo. desvirilizava-os. em entendimento prévio. porque a esterilidade dava ao marido o direito de repudiar a mulher sem mais formalidades. os escribas e os doutores da Lei não puderam mais conter-se e exclamaram bem alto: "de onde tirou Ele isso? Iss o é contrário a lei de Moisés. amparando-se a outro homem.cometa adultério e o homem que se casar com a repudiada. Jesus falou sobre o modo pelo qual o Pai Celestial alimenta as aves e veste as flores do campo. Jesus. tratava-se. exausto. alterava os valores morais conhecidos: transformava os defeitos em virtudes. na Palestin a e países visinhos. de uma doutrina rev olucionária. terminado o Sermão.

emudecessem. Jesus despediu-se da Galiléia e foi para a Judéia.136 Capítulo 36 ABANDONO DA GALILÉIA Como viu que se aproximavam os dias derradeiros. assim. Acrescentou que teria. Como já dissemos. chegando até a Cesaréia de Felipe onde os di scípulos. na certa que não era o Messias reden tor de Israel. conduzidos por . mas sim por inspiração do Alto. tomados de surpresa e indecisão. pensavam a respeito. o u tros pensavam que Ele era o profeta João Batista. que estava Próximo que tudo isso acontecesse e que. como estava predito. a Judéia era uma terra calcárea. Pedro adiantou-se e respondeu que Ele era o Cristo. nas vésperas da festa dos Tabernáculos. E conrn. que renunciassem a si próprios. construída em estilo romano. e que ressuscitaria ao terceiro dia. sairam a passear. diziam dele. como os antigos. que voltara ao mundo. oliveiras e figueiras. Responde ram que ouviram muitas versões: uns diziam que. havendo ainda outros que afirmavam que Ele era o próprio Elias . e que. Foi com eles para o norte. Então Jesus perguntou o que eles. Jesus perguntou o que. devia ser um profeta poderoso. se real mente desejavam ser seus discípulos. admirados daquela grande cidade. o Filho de Deus vivo. Ao regressarem. tomassem cada um a sua cruz e o seguissem. de ir para Jerusalém. sob tendas. a o que Jesus logo esclareceu dizendo que Pedro não dissera aquilo por conhecimento próprio. essa revelação seria a base sobre a qual se desenvolveria a propagaç ão de seus ensinamentos na Terra. onde sofreria a morte pela m ão dos homens. que todo o povo esperava. ter virtudes de espírito e dons proféticos. como Ele fazia milagres. mais d i retamente. pois que seu reino n ão era deste mundo. os próprios discípulos. em cujo centro geográfico está a cidad e de Jerusalém. a Kfarnaum. à instrução pessoal dos discípulos. como Ele era pobre e vivia rodeado de pobres. misturando-se com o povo. dedicou-se Jesus. porventura. árida. terra de vinhedos. demo nstrando. A festa dos Tabernáculos era celebrada em memória dos quarenta anos que os israelitas viveram no deserto. outros diziam que. que vinha na frente para anunciar o Messias verdadeiro. Regressando. em seguida.

iniciado no Sinhédrio uma investigação oficial contra Ele. Durante aqueles meses de inverno. como um pedido coletivo do povo para que chovesse na próxima semeadura. Nesses dias. apesar de já estar muito avolumada contra Ele a campanha dos sacerdotes. derramavaa junto ao altar e. a inda. sua conduta e seus ensinamentos públicos. unicamente clamando por paz e pela redenção de tod os. tomava água na Fonte de Siloé. era sempre rodeado por muita gente e . *** Chegando a Jerusalém. às vezes agressiva destes. ou qualquer outro lugar reservado. comparecendo diariamente ao Templo e. pela tarde. ou nos terraços existentes no cimo das casas. retirava-se para o Monte das Oli veiras. desaparecendo para os lados da cidade baixa onde. onde pernoitava. deviam viver em tabernác ulos. Os homens sãos. hostil. afinal. Jesus penetrou no Templo. o sacerdote. ameaçador para o regime sacerdotal. Acerbas discussões tinha Ele que sustentar com seus opositores solertes. e. em redor deste. quando a festa ia em mei o e começou logo a pregar no Pátio dos Gentios. na tentativa nunca conseguida de. circulava sete vezes. Após os trabalhos e as canseiras do dia. havendo sido . e era doloroso ver a atitude mordaz.m esmo. permaneceu na cidade. no último dia. Por outro lado. pregando e curan do. durante os sete dias da festa. empunhando ramos. que eram tendas armadas nos vinhedos. No Templo de Jerusalém havia cerimônias diárias e. a ponto de criar sérias preocupações ao sumo-sacerdote. serena e piedosamente. e também como ação de graças pela última colheita.Moisés. quando entrava no Templo. surgiam tumultos provocados pelos agentes do Templo. invariavelmente. enquanto Ele. tornava-se cada vez mais um elemento julgado perigoso. sempre acompanhado de seus discípulos fiéis e comumente era visto na ca . em procissão. obterem prova s contra Ele. seu nome foi se tornando cada vez mais popular. convivia em meio aos necessitados. abria os braços ao povo. na maior parte do tempo. como corria livremente a notícia de que Ele era considera do o Messias de Israel.

A todos abençoou e forneceu instruç ões pormenorizadas. marginou o Jord ão pela Sarnaria.para as povoações do sul da Judéia e o último. Em seguida. findos os quais foi para Betnia da Judéia. Em Jericó. os convidados descorteses. para as comarcas do Além Jordão. região que percorreu rapidamente. quanto aos gentios.outro.sa de Simão — o leproso— no Beth-Ini. do filho pródigo e do bom uso das riquezas. n a rocha da fé. atravessando o rio. as pregações sobre o número dos eleitos. indefinidamente. que já inte rpretamos atrás. narrou a parábola do Bom Samaritano. voltou . ali permanecendo alguns dias. pregando e operando curas. Repartiu-os em três grupos a saber: um. hosp edando-se na casa de Lázaro e de suas irmãs Marta e Maria. São desses dias as curas da mulher encurvada. subiu o rio até as alturas de Scitópolis. recomendando que se limitassem a pregar aos filhos de Israel. profundamente místico e obediente.lhes: "Não vos regozijeisde que os espíritos malignos hajam fugido ao vosso mandado. quando então advertiu-os contra o orgulho di zendo. entre Jop e e Cesaréia do Mar. para pregar no litoral.mente até o fim. Ao passar por Jericó. narraram-lhe os acontecimentos da pregação e das viagens feitas e as curas que operaram e os espírit os malignos que tinham conseguido expulsar. Jesus ouviu-os paciente. até o caminho de Tiberíades. 138 Capítulo 37 ÚLTIMOS ATOS NO INTERIOR Ao fim do inverno foi para a Peréia. porque se conseguissem instilar nesse povo. juntamente com os dozes apóstolos. bem o sabia Ele. aguardando o regresso dos discíp u los. Quando estes chegaram. voltou a Peréia. haveria novas oportunidades. na Peréia e na Ituréia. os preceitos elevados de sua doutrina de amor e salvação universal. pelo esforço de outros emissários. visitou a Zaqueu a convite deste. evangelizarem o povo. convocou a grande número de seus aderentes e entr e êles elegeu 70 discípulos para. pregando. e sobre as condições exigidas para ser discípulo. como t ambém as parábolas da ovelha desgarrada e da dracma perdida. Nessa localidade permaneceu dois meses. foi com os apóstolos a Jerusalém e em seguida. sobre os primeiros lugares. pelo que fizestes de bom" Dali. estaria ela fundamentada. no futuro. e desse ponto. mas sim de que vossos nomes estejam insc rito s no céu.

(34). já dissera que aquela enfermidade não era de morte. livre. por que Lázaro já havia morrido e estava encerrado na tumba. Respondendo ao emissário disse: "esta enfermidade não é de morte. vem para fora". Jesus então concentrou-se em prece e logo depois exclamou: "Lázaro.para o sul em plena atividade missionária. viram o corpo estendido sobre uma mesa baixa dentro da gruta. viverá e todo aquele que vive e crê em mim. disse à Maria: "Teu irmão ressuscitará". Dois dias depois seguiu para lá. estava o corpo. Jesus. Lázaro saiu. Logo ao chegar. envolto nos panos mortu ários que lhe embaraçavam os passos. o farise u e o publicano. mas somente em estado semel h ante à morte. no qual provavelmente fora posto pelos espíritos desencarnados. dizendo que este estava em perigo e pedia socorro. não morrerá jamais". nenhum corpo material. oj u iz iníquo. ou em estado cataléptico. ressuscita. veio um emissário das irmãs de Lá zaro. há quatro dias. Não queria dizer com isso que Lázaro estava morto e que ressuscitaria s eu corpo físico porque. onde. Manda que removam a lage que fechava a po rta e. mandou que lhe tirassem essas faixas e assim. Como a Páscoa se aproximava. Mas Jesus corrigiu dizendo: "Eu sou a ressureição e a vida. em uma caverna de pedra. isto feito. Aquele que crê em m im ainda que morto. para testemumunha r o poder espiritual do Messias e como motivo de ensinamento sobre a imortalidade da alma. ao norte da capital. Ao que ela respon deu que sim. quando lhe levaram o aviso em Beta bara. perguntou onde haviam depositado o corpo e o conduziram a um l ocal fora do povoado. permanecendo algum tempo na aldeia de Efraim. no último dia. em transe. os trabalhadores da vinha. depois de realmente morto. o jovem rico. Ele também foi se aproximando de Jerusal ém. entrando de novo na Peréia. querendo dizer que o corpo não estava morto. desfeito. onde encontrou as irmãs desoladas. A esse chamamento. mas foi ordenada para glória de Deus e de seu Filho". então. viram o corpo estremecer e ir se levantando aos poucos. que ressuscitaria como todos. São desses dias o episódio dos dez leprosos. caminhando para fora. viu a . Aliás. Em chegando. Umatarde em que estava em Betabara.

Os acompanhantes cantavam hinos e aleluias em honra de Jesus. Somente um grande e verdadeiro Profeta po deria fazer coisa semelhante e o povo provavelmente se levantaria para aclamar esse rabi como seu chefe espiritual. na su a ingenuidade. ao defrontar o edifício. Jesus se deteve e pediu a dois dos discípulos que fossem adiante e lhe trouxessem um jumento. de um só lado. que haviam arrancado do a rvoredo no caminho. para resgatar Israel de seus sofrimentos e assumir seu reinado no Templo. clamando: Hos ana! Eis o nosso rei messias! O filho de David! Dançavam à frente do cortejo. *** De Betânia. Mas nada disso aconteceu. agitando ramos. em sinal de alegria. os sacerdotes do Templo ficaram assustados e temerosos de suas consequências na mente do povo.(34) Maria de Betânia. para que entrasse na cidade montado. Este acontecim ento ainda mais reforçou. os discípulos estenderam no seu lombo algumas capas e Jesus sentou-se sobre elas. conforme estava predito nas Escrituras.se para o Templo. não confundir com Maria Magdala. também esperavam que naquele momento Jesus declarasse a libertação de Israel. inaugurando seu reinado de Mes sias nacional. no espírito deles. Jesus partiu para a cidade. com uma só palavra ou um só gesto. penetrando na cidade e encaminhando. à medida que o povo ia sabendo que era o rabi de Nazareth que vinha chegando. a qualquer momento. Ao aproximar-se da cidade. a decisão de eliminar concorrente de tal envergadura que. faltando cinco dias para a Páscoa.Jesus e atirou-se a seus pés. e assim a procissão prosseguiu. 140 Quando a tremenda notícia da "ressurreição" chegou a Jerusalém. derrubasse o reinado dos Hanan e o poderio dos invasores romanos. e. Assim foram até ao Templo onde a multidão esperava que houvesse algum acontecimento extra ord inário e que Jesus. Jesus desceu do jument . pouco distante daquela aldeia. e quand o o animal foi encontrado e veio. que foi se engrossando no caminho. Formou-se um cortejo. Nota . poderia t r ansformar-se em muito séria ameaça política.

Com isso. por fomentar desordens. após aguardar longo tempo. nomear uma comissão para interrogar o Rabi sobre suas pregações e dar parecer com urgência. originário da cidade de Jopa. porque lhe tomaram o bote. para indenização de impostos n ão pagos. bem como suas declarações referentes à tarefa messiânica. viera para Jerusalém incógnito e trabalhava na cidade baixa. Quanto a Jesus. Como represália. para evitar possíveis demonstrações populares. ultimamente. de acordo com a Thora. também. Capítulo 38 ÚLTIMOS DIAS EM JERUSALËM Na véspera desse dia. ainda mais se acirrou contra Ele o ódio dos sacerdotes. e Jes us confirmou tudo o quanto ensinara antes. para tomar ciência dos últimos acontecimentos ocorridos desde a suposta ressurreição de Lázaro. debaixo do rumor estrídulo da fanfarra da legião. com não menor aparato. Ali já se revoltara contra as autoridades. 142 Às vésperas da Páscoa quando. no vale do Kidron. deliberou prel imin armente. onde exercia o ofício de remador de botes. a multidão se dispersou desiludida. havia desusado aparato militar.o. pelos soldados romanos. que se fechara no seu palácio. falador. Na cidade. o Sinhédrio havia se reunido para providenciar sobre desordens provocadas na cidade baixa por um patriota exaltado chamado Bar Aba e. mais que de costume. O Evangelho não o diz. penetrou no Templo em silêncio e. Tinha sido preso na véspera. truculento. chegara Herodes Antipas. porém Marcos (14-3) e Lucas (22-12) re . ao invés de ser aplacado. entrando na Fortaleza Antonia e no mesmo dia. Mas. assando o matzot (pão chato e carne de carneiro) e o seder (bebida composta de vinho e ervas) foi discuti do sobre o local onde a ceia se realizaria. O encontro com a comissão deu-se no próprio Templo. o mesmo sucedendo com a guarda do Templo porque. para fugir do povo que o odiava. juntamente com vários de seus apaniguados. um dos seus membros mais acatados. junto aos cameleiros das car avanas. três dias antes. mas fala sobre um cenáculo. Pilatos — o procurador romano — tinha chegado d e Cesaréia do Mar e seu cortejo atravessara a cidade. Bar Aba era um homem do povo. aceitando proposta de Nicodemo. mas dotado de muita coragem e espírito de iniciativa. fez-se salteador de estradas. no mesmo dia. o Sinhédrio resolvera prendê-lo somente após as festa s. os discípulos deveriam preparar a ceia tradicional. em cujo novo ofício ganh ou fama mas. Era ignorante.

porque Jesus não tinha entrada em casas ricas. discretamente. E. ao aguadeiro Hillel. anunciou. em Kfarnaum. Jesus retirou-se para um lugar reserva do e silencioso e mandou que os discípulos velassem. mas que antes que o galo cantasse três vezes. em seguida. Nada há a estranhar sobre esse local. Com a partida de Judas ficaram todos mais na intimidade e Jesus deu aos do z e as últimas recomendações. sua morte e o julgamento da humanidade no tempo justo e. Capítulo 39 O ENCERRAMENTO DA TAREFA PLANETÁRIA Judas de Kerioth — Desde o dia em que. Chegando ao jardim do Gat Shemen. não só por ser considerado revolucionário perigoso. De caminho. todos seriam post os à prova e falhariam. que "o que tinha a fazer. desrespeitador da Lei. com uma rapidez terrível. Já nos referimos atrás.ferem-se a um carregador de água. João (13-27). Nessa ceia. nos dias futuros. sabend oq ue Judas já havia entrado em entendimento com os sacerdotes do Templo para entregá-lo às suas mãos. como o incumbido desse problema. partiram todos para o Monte das Oliveiras. V. Ou vindo isso. aconteceu. permanecendo por ali ao redor dele. os discípulos protestaram fidelidade e Simão asseverou que o seguiria até a morte e jamais o abandonaria. como também porque seu convívio mais constante era com os pobres e os miseráveis da Cidade Baixa. naquela noite. Para esse local os di scípulos levaram todos os preparativos e ali a ceia se realizou. fizesse logo". o que realmente horas depois. a . Judas começou. fez suas promessas e instruções finais. essênio que morava em um dos nichos da muralha de David. recomendou a este. todas as coisas se precipitaram. Mas Jesus re spondeu que gostaria que assim fosse. ele o negaria também três vezes. advertiu aos discípulos que. espiritualmente. mais uma vez. naquela noite. para que se cumprisse também nisso as Escrituras que diziam: "ferirei o pastor e as ovelhas se dispersarão". herético. inclusive sobre o e nvio do Paracleto e do Consolador. realmente. e onde se agasalhavam os galileus e os essênios quando vinham a Jerusalém. despediu-se deles e. porque a hora das aflições tinha ch egado. até o momento triste da cruz. Jesus foi declarado transgressor da Lei e inspirado por Satan. a partir desse instante.

o rei nacional. aprofundando. Foi um dos que mais depressa estendeu sua capa no chão para que o Messia s passasse. ao chegar ao Templo. onde foi logo posto na presença do Sgan Jochanan. sem o perceber. não tinha sido ludibriado nas suas esp eranças. encheu-se novamente de esperanças. tanto no círculo dos próprios discípulos. Assim sendo. que Jesus. Com a exuberância de gestos que lhe era própria. como no meio do povo e. assim. ficou hirto e frio. pensava ele. junto à Porta Dourada.afastar-se dele. um suor viscoso caía-lhe da teja sob re o rosto enquanto espuma amarelada como fel começou a escorrer pelos cantos dos lábios brancos e cerrados. que o con hecia como discípulo de Jesus e que aproximou-se rapidamente. Quando viu. dia por dia. das quais já se vinha tornando um alvo vunerável. fazendo-se discípulo daquele rabi? Encostado a uma das colunas da galeria do Templo. tomou-o por um braço e o levou consigo para o interior. repuxava os cabelos e a barba e batia no peito murmurando: infeliz. já não mais sabia se Jesus era ou não o Messias esperado. descendo do jumento silenciosamente e desaparecendo no meio da multidão que enchia o Templo. um dos que mais alto gritou: "Hosanas ao Filho de David Glõria ao nosso Rei-Messias". apavorado.se nele. Tinha errado mais uma vez. seus esforços. mais dançou à frente do cortejo. Mas estava sendo observado por um sacerdote menor do Templo. Jesus de Nazareth não podia ser o salvador de Israel. sendo simplesmente um profeta do povo humilde. nada fez para assumir o poder que o povo estav a pedindo. naquela Páscoa. um dos que. um grande desespero apoderou-se dele e maldisse em altas vozes. cantando hosanas. Penetrou. superintendente . assim. meditava profundamente sobre tudo o quanto via e ouvia. nesse momento as forças do Mal. sua decepção f oi profunda e todos os seus sonhos de ambição e glória desmoronaram. porém doentia. na sua enorme alegria. com a entrada auspiciosa de Jesus em Jerusalém. no campo da invigilância. se apoderaram dele. por fim. Possuidor de maior cultura que os demais discípulos e dotado de imagina ção fértil. vendo o povo confraternizar com os discípu los no caminho da Betânia. até que. a sua infelicidade. no terreno tormentoso da dúvida. sua dedicação de vários anos? Não perdera todo o seu tempo. infeliz! Penetrando.

valia 8 dinheiros. sendo as outras. porém o que o Sinhéd rio desejava era retirar o rabi da circulação naqueles dias da Páscoa. Também se sabe que recebeu o dinheiro.200 libras. valia 103 libras. convencido por u ma série de argumentos. maneh de prata. à ceia pascoal. vJia 400 libras. virando-se para ele disse. lá se foi ele. três dias depois. mecanicamente obedeceu.5 libras. A estes argumentos e com a promessa de que nenhuma referência se faria a ele no p rocesso. mas o canal medianinico revelou em nossos dias que. mina. levantando-se em silêncio e saindo. talento de ouro. viveu tod as as suas horas debaixo de um transe permanente e doloroso. Judas aceitou o acordo e passou a estar. daquele momento em d iante. para cumprir as Escrituras." (35) Prometeu entregar seu rabi no momento oportuno e. que sabia já estar iniciado contra seu Mestre e seus discípulos. à disposição do Sinhédrio. valia 7 libras. a capa esvoaçante a se enrolar nas pernas magras. result o u a traição nefanda que o Evangelho perpetuou na sua narrativa. quando Jesus. Shekel de prata. d everia ser entregue ao Sinhédrio para ser morto. valia 4 libras. Judas. para afastar-se logo de Jerusalém. o levou discretamente à presença do vel ho e astuto Hanan. Jesus foi vendido por 30 siclos. as seguintes: denário ou dracma. maneh de ouro. sem poder dormir nem comer. por fim. o pobre discípulo infeliz. e já passada. a crise nervosa que o envolvera. barba e cabelos revoltos.. conforme estava também predito n estes termos: "trinta siclos de prata serão o seu preço. para evitar que houvesse tumulto e os romanos chacinassem o povo. num murmúrio que só ele ouviu "o que tens de fazer fazeo logo". Com os olhos vermelhos esaltados das órbitas.. Judas relutou em trair o Mestre sendo.geral do Templo que. na presenç a de Hanan. a sua vez. Assim. para remate de uma tarefa q . como era costume acontecer. Da conversa que tiveram e do entendimento que foi feito em segredo. receberia umas trinta m oedas de prata. em parte. presa fácil de forças tremendas que o domin aram completamente. a caminho do Templo. valia 2. algumas delas citadas na Bíblia. dentre eles este de que o próprio Jesus já declarara a seus discípulos que. talento de prata. Siclo era uma das moedas judaicas da época. (35) 1 siclo de prata valia 1/7 da atual libra esterlina. mais ou menos 4 libras. valia 6. a partir daí. e que ele.

n o plano espiritual. impulsivo e sujeito. não tolerava distúr bio algum. Salva-me. o discípulo q ue mais sofreu durante a vida encarnada de Jesus e aquele que até hoje carrega nas costas a cruz desta fanática e ignara maldição popul ar.ue o transtornava além de toda compreensão. como muitos que vemos nos dias d e hoje. exclamava. Moreno. Dentro do drama crístico. visionário. tropeçando pelo caminho. estava na cidade. Era o único judeu entre os doze. faze-o logo. Judas era oleiro e natural de Kerioth. como já disse mos. barba grisalha. deste tormento E a figura majestosa do velho Hanan estava à sua frente.. ou coisa parecida. allto. e afogava em sangue qualquer tentativa ou gesto de rebeldia ou independência por parte . E o Mestre. a carga terrível da maldição." Mas era o Maligno. bem caracterizado de médium descontrolado. com o peso insuportável dos pensamentos de ódio e vingança que. como já dissemos. um tipo bem definido. tendo vindo de Cesaréia do Mar. a transes e perturbações psíquicas.. Segundo o que se sabe. povoação sit uada a 35 quilómetros a sul de Jerusalém. A coorte romana tinha sido reforçada por causa do ajuntamento de povo na Páscoa. ano por ano. 146 Capítulo 40 PRISÃO E DISPERSÃO Pilatos. em toda a cristandade se manifestam. Ele. como responsável e representante de César. — Não aguento mais. quando qualquer tumulto poderia degenerar em rebelião contra Roma. conspiração alguma. E assim penetrou no Templo. Sen hor. compreendeu ele depois. já lhe foi tirada das costas e hoje Judas é um espírito liberto. esta foi a parte que tocou a Judas. na sua voz cansada e triste acrescentava: "o que tens de fa zer. tão cheio de lances dolorosos e heróicos. profundamente místico. magro. dizendo. vai depressa . de há muito. untuoso : "nós o prenderemos somente durante os dias de festa". consciente do tremendo erro que cometera. dotado de imensa humildade. era um indivíduo sempre inqui eto. gesticulador. dando aos sacerdotes a indicação de que o r abi naquela noite estaria com os discípulos no Jardim do Gat Shemen após a ceia. que caminhava angulosamente. que o estava empurrando para a desgraça eterna. Como já dissemos. severo.

para uma reunião em segredo em sua casa. Imediatamente julgou haver ligação estreita entre os dois acontecimento s e. nesse ínterim. que tinha prerrogativas. ressalvando sua responsabilidade de delegado de César. mandou pedir ao sumosacerdote. logo depois da Pásc oa. antes do início das festividades.dos judeus. e que o sumo sacerdote ficava responsável pela sua a presentação ao Procuratorium. já tendo sido. para assegurar a ordem. tendo-se dado a deserção de Judas e seu compromisso com o Templo. soube ser Jesus um profeta que gozava de extrema popularidade em todo o país. tomando informações. pela manhã. a entrega do rabi galileu. Foi então que soube da entrada espetacular de Jesus na cidade. como por temer represálias do povo e tumultos que os romanos. Estava ao par do ódio que estes devotavam aos invasores romanos e de suas aspirações de libertação política. sem qualquer complicação maior. para ser julgado por ele. julgaria Bar Aba e queria ao mesmo tempo julgar o rabi. no cerco que mandara fazer ao local onde estavam. no dia da ceia. ficou atemorizado. acompanhad o de uma multidão que o aclamava rei-messias. em algum lugar. Dias antes mandara prender o salteador Bar Aba. segundo corria. Com seus planos assim transtornados. Pilatos insistiu avisando que no dia seguinte. Mas. aguardando julgamento. juntamente com o agitador Bar Aba. no cárcere. pregando doutrinaestranha e hosti l às Leis e costumes. te rritorial e economica pela mão do Messias nacional que. como já acontecera em outras ocasiões. sufocariam impiedosamente. pronto para assumir o poder. caso houvesse . contemporizou e. como era sabido e certo. muitos foram mortos e o chefe estava agora ac o rrentado. Cuidava agora de aproveitar a intervenção dos roma nos para precipitar a prisão. Por isso. já estava presente. Kaifa convocou às pressas os membr os saduceus do Pequeno Sinhódrio. não só p or se tratar de um rabi de Israel. julgou poder prender o rabi em segredo. Esta insistência de Pilatos era de caráter meramente policial-preventiv a. genro de Hanan. justificando-a. Por isso. que tinha vindo à Capital com numeroso grupo de bandoleiros. Mas o sumo-sacerdote Kaifa. ao cair da noite. no seu pretório. mesmo. declarado elemento perigoso por parte do Sinhédrio. sob pena de serem todos julgados cúmplices e responsáveis pelo que sucedesse. derramando sangue.

2. o rabi fariseu Nicodemo.porque entre a convocação. mais valia entregar o preso. Nicodemo insistiu. Por estas e outras irregularidades. mas somente alguns sad uc eus. compareceu à reunião. a come çar das seis. 4. sobre toda a nação e. nas mesmas condições. anunciando o segundo quarto da guarda. nove horas. a escolta dirigiu-se para o Gat Shemen. à última hora. E encerrou a reunião decretando a prisão e a entrega de Jesus a Pilatos .°) . só com sua pre sença. dizendo que se o crime imputado ao rabi galileu era de n atureza religiosa. ladeou o problema. e seriam quase onze horas da noite quando. José de Arimathéa.°) . pessoa achegada ao Procurador e res pe itada pelo Sinhédrio. protestava contra aquela reunião de j ulgamento. foi reunida às pressas . que morresse um só que todos eles. não era da alçada dos romanos. Nicodemo tomou fra ncamente a defesa de Jesus. ali representando. fornecedo r das tropas romanas e. retrucando que havia uma ameaça séria sobre todo o colégi o sacerdotal. com seu motivo claramente revelado. imediatamente. foram dadas ordens e uma escolta formada de guardas do Templo e de romanos.° grau. Apesar do sigilo da convocação.°) . porque a reunião só seria legal na própria sede do Sinhéd rio e não alí. Jesus ali penetrara no momento em que soavam ao longe as trombetas do T empl o. fortemente apoiado por Arimathéa. e a própria reunião.porque nenhuma reunião de julgamento tinha valor quando realizada à noite. isto é.°) . guiada por Judas. mas Kaifa prosseguiu. em constante . ali permaneceu Jesus desde então. Em consequência. habilmente. transformava o julgamento em investigação e prosseguiu. não convocado. mostrando as irregularidades da convocação e do julgamento que queriam fazer: 1. mais valia. essênio do 3. homem rico. compareceu também.porque não foram convocados todos os membros do Sinhédrio.pela improprieda de do local. deveria transcorrer u m prazo legal que não fora obedecido. Desde o princípio. todo o partido fariseu. neste caso. por isso mesmo. dizendo que nesse caso. acentuou incisivo.distúrbios. porque a noite era dividida em quatro vigílias d 3 horas. Kaifa então. que resistir. 3.

oração. Cruciantes foram para Ele tais momentos, quando sabia que se aproximavam ra pidamente os últimos atos de sua dolorosa tarefa planetária. Pedira aos discípulos que permanecessem também em prece, para ajudá-lo naquele transe, mas estes, dominados por estranho torpor, adormeceram todos. Por duas vezes foi até eles, e os acordou, ped indo que velassem, mas eles voltaram a adormecer, irresistivelmente. Por duas vezes ajoelhou-se, tocou com os lábios as ervas do chão e supl icou ao Pai pela sorte deles, que eram os depositários e os futuros propagadores de sua obra de redenção humana e por fim, dirigindo-se aos três que estavam mais perto — Pedro, João e Thiago — e que lutavam contra o sono, disse-lhes: — Podeis repousar agora, porque a hora chegou. Já estava vendo a aproximação da escolta e pronunciou então com ele s a oração dos israelitas: "ainda que caminhe no vale das sombras da morte, não terei nenhum temor porque tu oh! Senhor! estarás comigo". E ouviram-se já os passos da escolta se aproximando e, nas meias- sombras que o luar fazia nos galhos do arvoredo, avançavam os vultos escuros dos guardas e legionários, cujas armaduras refletiam a luz clara que descia do céu. Jesus então acordou a todos os discípulos, exclamando: — Levantem-se, meus amados. A hora chegou em que o Filho do Homem va i ser entregue. (36) E os discípulos foram despertando, estremunhados, para se defrontarem at ônitos, com a escolta já parada a poucos passos. A sua frente estava Judas, com o semblante desfeito, mas resoluto, como quem tem o am par o do desespero. — A quem procurais? perguntou Jesus. — A Jesus de Nazareth, responderam. — Sou eu. Ao mesmo tempo, Judas aproximou-se de Jesus e beijou-o na face. Esse era o sinal combinado para dizer aos romanos que aquele era o homem a prender, porque os guardas do Templo, que estavam na frente, e q ue conheciam Jesus como um profeta poderoso, permaneciam imóveis, dominados pela majestade que já agora irradiava dele.

E a pergunta foi repetida: — A quem procurais? E os guardas continuavam imóveis, terrificados, até que o comandante ro mano da escolta, impacientando-se, avançou e, colocando a mão no ombro de Jesus, prendeu-o, enquanto os soldados romanos o rodeavam e amarravam-lhes as mãos às costas. Enquanto isso Jesus falou, perguntando: — Porque viestes a mim como a um salteador, de noite, com espadas e bast ões? Não estava eu diariamente junto de vós, no Templo, ensinando ao povo? Mas certamente ignorais que tal coisa sucede para que a s Escrituras se cumpram. E acrescentou : Esta é a vossa hora, a hora do poder das trevas. E dirigindo-se ao chefe romano, pediu: — Se é a mim que buscas, deixa ir a estes outros, que são meus disc ípulos. Em seguida dalí O levaram ladeira abaixo, enquanto os discípulos, fugir am, espavoridos, desaparecendo nas sombras da noite, uns para Betânia, outros para diferentes lugares e Pedro e João acompanhando o c ortejo, de longe. Assim também se cumpriu a profecia do Senhor, pela boca de Zacarias, qua n do disse: "Ferirei o pastor e o rebanho se dispersará"! Dalí foi levado pela escolta ao sumo-sacerdote, que estava à espera em sua casa, o qual, sem perda de tempo, com aviso de extrema urgência, convocou o Sinhédrio para aquela mesma noite; sua ansiedade e ra devido desejar fazer o julgamento legal, antes de entregar o preso a Pilatos na manhã seguinte. (36) "Filho do Homem" para os judeus queria dizer Messias como está no livro de Daniel, o profeta do exílio. 150 Capítulo 41 TRIBUNAL JUDAICO O Grande Sinhédrio era composto de 72 membros pertencentes, pelo terço, a três ordens distintas de membros, a saber: a dos príncipes sacerdotes, que incluia o Sumo-Pontífice em exercício, seus antecessore s e parentes mais ilustres, descendentes de Abrão, todos ambiciosos e céticos saduceus; a dos escribas, que incluia sábios inter pretadores da Thora, fanáticos do sentido literal da Lei, pertencentes, na maior parte, ao partido fariseu; e a dos anciãos, recrut ada entre os varões notáveis, civis e sacerdotes, pertencentes a um

ou outro dos partidos, indiferentemente. O Grande Sinhédrio funcionava à entrada do Templo, no recinto chamado C âmara das Pedras Lavradas mas, naquela noite, devido à urgência, ainda reuniu-se na casa de Kaifa em um grande salão, com asse ntos colocados em meia lua, com um trono ao centro, para o sumo- sacerdote; ao lado deste estavam dois lampadários e dois serventes com archotes, os juizes conselheiros e o promotor. Estavam presentes Kaifa, com seu mantode púrpura; no seu lugar, o velho H anan, seu filho Eliezer, Jochanan, o sgan do Templo, e outros ex-pontífices, filhos de Hanan, todos ostentando também mantos de púr pura, porém mais curtos, com capinhas nos ombros. Junto ao pontífice, além dos serventes, estavam dois escribas, com seus estilete s em punho e lâminas de cera à frente, sobre mesinhas baixas. Os Conselheiros do Tribunal postavam-se ao lado, em separado; eram home ns v eneráveis, dotados de grande saber e suas palavras eram sempre acatadas com respeito, mesmo quando não devessem ser atendidas, co mo era o caso presente. Faceando o assento do sumo-sacerdote estavam os bancos dos rabis presente s, cujos discípulos também compareciam a êsses julgamentos como recurso de aprendizado. Sombras, fulgurações de luzes nos móveis da sala e a púrpura dos ma ntos, eram as tintas que davam ao ambiente um aspecto lúgubre e dramático, que contrastava fortemente com as vestes brancas e a serena co mpostura do rabi galileu, quando este foi levado pelos guardas e posto à frente do sumo-sacerdote, à uma hora da manhã daquela noite fria. Para funcionar em crime de morte, o Sinhédrio precisaria dos votos de 23 membros presentes e mais 12 apurados até 48 horas depois; porém alí, àquela hora, não havia mais que uns 20 deles, pertencent es às três ordens. Mesmo assim o tribunal funcionou. As testemunhas foram sendo trazidas rapidamente: primeiramente o próprio Judas, que foi recusado porque, como delator, não podia testemunhar. Depois um homem do povo, que disse ter Jesus declarado que der rubaria o Templo e o reconstruiria em três dias sem auxílio humano; e outra, que depôs, dizendo que ouvira do rabi galileu

(37) Nos julgamentos. portanto. elementos para condenação. levantando-se de seu trono. vindo sobre as nuvens do céu". mas os Conselheiros intervieram logo. Então Kaifa gritou: blasfemou! e rasgou seu manto em várias tiras e os outros juizes rasgaram também os seus mantos. porém mais tarde foi reservado para o príncipe. o Filho de Deus". as testemunhas deveriam ver os réus. porém. malevolamente. repetindo: blasfemou! — Que necessidade há de mais testemunhas? perguntou. esta também foi recusada porque testemunhava sobre o mesmo fato já declarado . não estavam visíveis e havia archotes colocados aos lados de Jesus. bastaria ouvi r o próprio acusado para formar juizo sobre a transgressão. leg al e Kaifa perguntou ao Tribunal: — Qual o veredictum? — Filho da morte. (38) Primitivamente os reis eram ungidos com óleo ao assumir o poder e er am chamados "machiach" (ungidos).a profecia de que do Templo não ficaria pedra sobre pedra. E ele. Mas eu agora vos digo que. Não havia. (37) Mas Kaifa. 152 A essa hora já havia mais de 23 juizes presentes. vereis o Filh o do Homem sentado à direita do Poder. exclamou: — "Em nome de Deus vivo eu te conjuro dizer se tu és o Messias. Menahem e Bar Cocheba receberam este título. Este termo. Por isso. A última testemunha disse que Jesus interpretava a Lei de forma pessoal. e dirigindo-se diretamente a Jesus. dizendo que qualquer i sraelita podia interpretar a Lei segundo a sua compreensão. quando a lei dizia que "duas testemunhas provam um fato quando são acordes e o narram da mesma form a". desde que não ofendesse a Deus. enviada por Jeovah. mas sem serem vistas por este. descendente de David. que viria salv ar a raça. pronunciou a sentença: . pois. levantou-se e disse que neste caso. calmamente. para poder ser facilmente id entificado. Jesus. no profundo silêncio que se fez. responderam. de hoje em diante. (38) E. respondeu: "Tu o disseste. de forma diferente. número. naquela noite.

naquela manhã. juntamente. tendo corrido já a notícia de que Bar Aba — o conspirador e salt eador. conspirador. Capítulo 42 O JULGAMENTO DE PILATOS No relatório sobre Jesus. pedia ela. destinado a libertar o país da ocupação estrangeira. Jeshua de Nazareth. — Que os poderes do céu resolvam a seu favor ou contra ele. seria julgado naquela manhã e. feito a Pilatos. O julgamento deu-se no pretórium. na sua voz sibilante. aglomerou-se às portas do pátio. Ao entrar. leram a denúncia. reunião de armas proibidas e de gente para realizar um levante popular contra os romanos naquela Páscoa". ao lhe trazerem o rabi escoltado e de mãos amarradas para julgamento. erroneamente. então. ataque a viajantes em estradas e a casas rica s para roubar. (40) . quando terminou o julgamento e Jesus foi levado da sala e entregue ao chefe da escolta romana que o havia prendido. uma multidão composta. atar racado. acrescentou o velho Hanan. de partidários do prim eiro. Por isso. (39) E quando vinham os guardas trazendo o outro preso — Jesus — um escravo ajoelhou-se ante Pilatos e entregou-lhe uni bilhete de sua esposa Cláudia Prócula (enteada de Tibério) intercedendo a favor de J esus: "Não ergas a mão contra o homem justo". com o que também concordaram. pedindo sua libertação. por seus agentes. Quando parou frente a Pilatos. — Açoite e cruz — proclamou Pilatos. Mas. Concluiu ele. e que o co rpo permaneça na cruz para os corvos. segundo for verdadeira ou falsa a sua qualidade de profeta. cabeludo e cuja enorme cabeça pendia para um lado. véspera da Páscoa. e como ele ignorasse a significação do termo. empurrado. que era: "chefia de bando armado. ele im aginava muito claramente a situação: conspiração contra Roma. seja entregue a Pilatos. *** As luzes da madrugada do dia 14 do Nizan. feroz. um ritus de ódio repuxava-lhe a boca do lado esquerdo. explicaram-lhe que era o título religioso de um herói nacional judeu. em sua maioria. era posta em evidência sua qualidade de Messias nacional. revolucionário. com ele o rabi de Nazareth. que se tratava de um agit ador. que era uma plataforma elevada no pát io aberto do interior do palácio de Herocles — antigo — onde se hospedava o Procurador.— Que o rabi galileu. vinham tin gindo o horizonte. A escolta trouxe em primeiro lugar o conspirador: um homem hercúleo.

desde a Galiléia. Deixemo-lo entregue ao seu próprio poder. não só pelo que tinha ouvido ali como pelo pedido de sua esposa. Se de fato o fosse. . a mult idão formada de aderentes de Bar Aba.(39) Os crucificados eram realmente abandonados nas cruzes e os corvos de le s se alimentavam por muitos dias. dirigiu-se à multidão dizendo bem alto: — Ele se intitula Messias. assumiria o poder nacional como o Rei-Messias". Mas. Pilatos já havia percebido que estava enganado em relação ao preso e seu objetivo passou a ser. voltou-se para os assistentes e. dirigindo-se aos mensage i ros do Templo. — Não vês que te acusam de tudo isso? Nada tens a dizer em tua defesa ? perguntou a Jesus. — De que acusais este homem? perguntou Pilatos. mais além. do vosso rei? Mas Hanan interveio logo. Nos degraus de uma escadaria ali fronteira estavam de pé o velho Hanan. o Promotor do Sinhédrio e outros assistentes diretos do sumosacerdote e. declarou: — Em homenagem à vossa festa. em silêncio e mandou ler a denúncia. E Pilatos. Pilatos examinou o preso parado à sua frente. o rei dos judeus? perguntou Pilatos. — Es então. mantê-lo preso durante as festas e soltá-lo depois. Mas este guardou silêncio e permanecia imóvel. Crucif icai-o. — Tu o dizes. a lei romana autorizava que fosse retirado e e ntregue. então. responderam. atrás das grades do portão do pátio. quem desejais que ponha em liberdade — Bar Aba ou o vosso rei? Mas o velho Hanan. — Não encontro culpa neste homem. indeciso ainda. porém. "chefe espiritual do levante organizado por Bar Aba. respondeu Jesus. quando o corpo e. teria poder para libertarse a si mesmo. incisivo e maldoso: — Ele não é nosso rei. — Blasfemou contra Deus. gritou a multidão. dar-lhe um casti go severo. de olhos baixos. — Libertai Bar Aba. A esta altura. No caso de êxito. É um impostor.ra reclamado por alguém. Alvoroça o povo e o incita à re volta. julgando-se seguro de seu intuito. para ainda mais influir sobre a decisão. perguntou ao povo — Que quereis que eu faça. então. Nosso rei é César. lembrando-se que era costume so l tar um preso em cada Páscoa. por toda a nação.

mandando cobrir a Jesus. entrançaram um ra mo de espinheiro. o rab i já foi entregue a Pilatos. semi-nu. a seu serviço. — Isto não está mais em nosso poder. assim não abriu a sua boca". agrupados. com os espinhos enterrando na carne. distante dali a lgumas centenas de metros. comt a di zer que estava de acordo com a condenação. respondeu o Sgan Jochanan. bofetadas. portanto da jurisdição política do rei. que se achava. (41). O sumo-sacerdote praticou um homicídio. lavou as mãos numa bacia de água. o profeta gali leu. será recordada como um crime execrável até o fim dos tempos. à vista de todos e determinou fosse o preso levado. Despreza das foram as leis da Thora. mandou levar-lhe o preso de presente. Mas enquanto estes fatos aconteciam. como um cordeiro foi levado ao matadouro e como a ovelha muda perante seus tosquiadores. E o excelso condenado ia assim de um para outro dos seus algozes em silên cio. como já dissemos. ao Templo. para que visse o que era ser rei dos judeus debaixo do guante rom ano. pedira por Ele. Capítulo 43 PARA O CALVÁRIO Começou então a atormentação: açoites.Pilatos. protestar contra o fato e pedir a libertação do preso. correra a notícia da condenação do rabi e muitos rabis fariseus se reuniram e foram. fing i u colaborar na farsa. insistiram êles. pelo que via. açoitado e depois crucificado como rei dos judeus. porque esse. compreendeu logo o perigo e. foi condenado por crime de sedição. livro doutrinário judeu. sofrendo tudo sem protestos. sob a fé de duas testemunhas! Irrita e nula foi a sentença do Sinhédrio. Mas Herodes. acrescentara m. que não gostava de Herodes e sabendo que o preso era galileu . esperto. para se divertirem. (41) O Talmud. (40) Uma mulher judia. com um manto de púrpura. porém não abriu a sua boca. A memória deste feito. Maldição sobre a casa de Hanan! Maldição sobre os filhos de Beitus! (42) . era o único motivo que poderia justificar tal condenação. hospedado em seu palácio da praça Hasmoneana. zombarias Os soldados da guarda legionária. Mas Pilatos. Porventura não estava também predito por Isaias: "Ele foi oprimido. entregando a Edon uma alma de Israel. e assim o devolveu a Pilatos. formando uma coroa e a puzeram na cabeça do preso inerme. temendo a Pilatos. declara que Jesus. que estava semi-nu. percebendo o perigo da situação.

recebendo sobre o dorso. mostrando na fronte. mas os guardas. Vinha curvado sob o peso da cr uz. com imenso esforço. Jesus caia sob o peso da cruz e o chicote. De espaço a espaço. dos espinhos. tinham querido ajudar. silvava e continuava a bater até que ele. muito grande e pesada para Ele. dobrado para a frente. estava exausto. desta vez.Os rabis se retiraram e. os fios de sangue já coagulado. um homem que ia cruzando o caminho Simão de Cirene. impotentes. para não se imiscuirem os romanos na festa nacional. que foi mais tarde membro da comunidade judaica-cristã de Jerusalém. Enquanto a notícia corria. por estar nesses dias vivendo às expensas do Templo. atravessou resoluto a fila dos guardas e sustentou a cruz nas mãos até que Jesus se refizesse. Judas Kerioth tendo consegui do varar o posto da guarda. filiado essênio. Alguns homens do povo. am igo de Nicodemo. jogaram a cruz nas . nesse mesmo instante. em pura e selvagem exibição de força. Suas vestes se colavam ao corpo ferido e suarento e seus pés iam deixando marcas sangrentas no chão por onde passava. pensando que queriam tomar o preso. Mas. Avan çava com grande esforço. não mais se levantou e foram inúteis os aço ites e a gritaria dos soldados. pedindo misericórdia para o flagelado. ia-se juntando gente no percurso e havia mulhe res que choravam. o povo debandou para cumprir os ritos da Páscoa e ent ão os portões se abriram e saiu a escolta romana trazendo Jesus para a morte. então. os olhos em fogo e atirou com á saco de dinheiro sobre sua mesa de trabalho exclamando: — Não quero o dinheiro maldito. (pois ignorava o quanto se havia passado naquela noite). toda vez que se retardava. apiedados. Pouco mais tarde. contínuas vergastadas do açoi te. Na última vez que caiu. Ficai com o dinheiro da abominação. Tinham-lhe devolvido as vestes de uso comum. mas os guardas os repeliram com violênc ia. surpreendido com o que via. caindo-lhe pelo rosto. que o comandante da escolta desferia. irritados com as contínuas paradas e tendo recebido ordens prévias de agirem com rapidez. entrou no gabinete do Sgan com o semblante desfeito. se levantava de novo.

olhando. gemendo. despiram-no. alarmando a cidade. brutalmente. socando a terra em volta. levantavam o madeiro. E as horas continuavam a escoar-se naquele triste e lúgubre cimo do morro . Quem subira ao morro já se retirara desanimado. deitaram-no sobre ela e a horrenda tortura começou. sob as vistas indiferentes dos soldados da escolta. amontoados. enquanto o di a ia tombando lentamente nos horizontes longínquos do deserto. mais afastado. seus braços frágeis não mais aguentavam o peso do corpo. algumas com os condenados ainda vivos. em pé. pregados nelas. O corpo to rturado estremecia de dor e a angústia da morte lhe embranqueceu o rosto. mas os lábios estavam cerrados e da boca não saiu nenhuma queixa. com o ma rtelo a bater. atropelando os presos. metendo cunhas.. até o alto do G ólgota — a Praça das Caveiras — colina não muito distante dali e onde se crucificavam os condenados. que salvasse o rabi. E então começou a tremenda agonia do excelso crucificado. o sangue escorria das feridas dos pregos. um grupo de mulheres que choravam em silêncio.. parou o cortejo. os soldados tomaram a cruz dos ombros d e Simão. enquanto os soldados. deitaram-na no chão imundo e trouxeram Jesus. colo c ando a ponta inferior sobre o buraco do chão. sob açoite. mas os mais interessados o fizeram e defrontaram com várias cruzes erguidas. Havia duas quase juntas. Junto à cruz somente permanecia a guarda e. perdidas as últimas esperanças de um milagre fulminante do céu. onde o crucificado estremecia de dor e negra espuma saialhe da boca. avermelhados por um sol rubro e escaldante. para fixá-lo melhor. aos trancos. Muitos dos acompanhantes não subiram o morro. por causa das impurezas e d os esqueletos que ali haviam. que ficava repuxado para baixo.costas de Simão e foram tangendo a ambos. cravando os pregos nas mãos e nos pés. Atingindo o ponto. E deu de soprar um vento forte. que uivava nos morros e nas árvores e o céu foi-se escurecendo. para o lado sul. onde estavam dois condenados do bando de Bar A ba e para ali os guardas seguiram. Foi quando se ouviu seu murmúrio . Mas o tempo foi passando e tudo cessou e um grande silêncio caiu pesadam e nte sobre a terra.

angustiado, pedindo água; um dos guardas colocou uma esponja na ponta de uma lança, embebeu-a em vinagre e levou-a à altura de seus lábios arroxeados- E os soldados, zombando, riam de seu gesto de repuls e nquanto Jesus exclamava: "Perdoa-lhes, Pai; não sabem o que fazem". E estendendo a vista para mais distante demorou-se no grupo das mulheres, q ue rodeavam Myriam, sua Mãe, formado por Maria de Magdala, Maria Cleophas, além de João e Thiago; sentindo que o momento final chegara, Jesus concentrou-se de novo em si mesmo e exclamou: — Pai, faça-se a tua vontade e não a minha. Em um último esforço, levantou o corpo, ergueu a cabeça, mur murando: — Tudo está consumado. Era a hora nona. Um guarda adiantou-se e feriu o corpo em um lado para ver i ficar se realmente estava morto; pois estava também predito por Zacarias: "e olharão para mim, a quem transpassaram"; "e farão pran to sobre Ele"; "e chorarão amargamente, como se chora sobre o primogênito". (12-10). (42) A família de Hanan, como já declaramos, descendia da estirpe dos B eitus, de Alexandria. O pontificado ficou 50 anos nessa família e cinco filhos seus foram sumo-sacerdotes e quando, em confirmaç5o às p alavras de Jesus, o Templo foi destruido até os alicerces pelos romanos, no ano 72, ainda era um Hanan que exercia o pontificado. Capítulo 44 NOS DIAS DA RESSURREIÇÃO Ele tinha dito que, ao terceiro dia, ressuscitaria; e ressuscitou. Enquanto agonizava na cruz, Arimathéa e Nicodemo providenciavam o sepu lta mento condigno do seu corpo. O primeiro, como fornecedor das tropas romanas e homem rico, tinha boas relações no Proc uratorium. Foi a Pilatos e solicitou o corpo, que lhe foi prontamente concedido. À undecima hora, acompanhado de Nicodemo, dois discípulos deste, Simã o de Cirene e dois essônios amigos, foram ao Gólgota. Permaneciam ali junto à cruz três mulheres, Thiago e João; a Mãe do Rabi estava de pé, olhando o corpo na cruz, do qual nem por um momento desviara a vista enquanto durara a agonia, para que Ele não pensa

sse, naquela hora terrível, que o abandonava com os seus pensamentos, engolfando-se na própria dor; e que dor! Agora compreendia e m toda sua extensão a profecia do Anjo, antes quefosse mãe do Messias, "que seu coração seria transpassado de muitas espadas". Out ra, a ex-pecadora de Magdala, estava caida aos pés da cruz, completamente inconsciente; e a terceira era Salomé dos Zebedeus em cujos olhos ainda se notava o espanto e o medo pelo que acontecera assim tão depressa; na sua ingenuidade, chegara mesmo a sonhar com um reinado terrestre no qual seus dois filhos teriam primazia de cargos importantes. Os discípulos estavam também de pé, f ixando o Mestre morto, dominados por profundo abatimento. E a contrastar com as expressões amarguradas, os soldados romanos, como sem pr e brutais e indiferentes, conversavam agrupados a poucos passos dali. Apresentada a ordem, o corpo foi entregue e a cruz arriada, retirados os pr egos e o corpo, envolto em um lençol, foi levado rapidamente morro abaixo e carregado para um horto próximo, pertencente a José de A rimathéa e onde havia mandado construir um túmulo para si mesmo, bastante amplo, com uns degraus que desciam a duas peças internas cavadas na rocha. 160 — Darei meu túmulo ao santo rabi, disse ele, para que seu corpo ali rep ouse no sono da morte. As mulheres que acompanharam o corpo, e os discípulos, ficaram de fora, e nquanto lá dentro o corpo era ungido como de praxe, trabalhando os amigos rapidamente porque o sábado estava a cair; em segui da retiraram-se, cerrando a entrada com uma age de pedra. Quando vinham descendo para a cidade, junto aos muros, deram com o corp o de Judas, enforcado, pendente em uma figueira velha. (43). No dia seguinte, bem cedo, Kaifa, temendo que os discípulos roubassem o c orpo para simular que o rabi havia realmente ressuscitado, como prometera, pediu ao Procuratorium uma guarda de solda

dos romanos e a colocou à porta do túmulo e funcionários do Templo selaram a porta com o selo do sumo-sacerdote. Assim, o sábado foi transcorrendo lentamente mas, à noite, um grupo de essênios, chefiados por Arimathéa, seguiu secretamente para o horto, penetrou na gruta, por uma abertura existente aos fundos e fo i então iniciado um estranho cerimonial: preces apenas murmuradas e prolongadas concentrações, até que aos poucos, o sepulcr o foi sendo envolvido por uma nevoa leitosa, dentro da qual, de súbito, brilhou violenta fulguração vinda de cima, como uma língua de fogo, que desceu sobre o corpo e o consumiu, restando ali, sobre a age de pedra somente o lençol que o envolvia. Era quase madrugada e aquela fulguração despertou os guardas que, atemo rizados se afastaram do horto; no mesmo ato, os selos foram arrancados e derrubada a pedra que fechava a entrada da escavação . No dia seguinte, domingo pela manhã, quando a Mãe de Jesus e outras mul heres foram visitar o túmulo, deram com ele aberto e, olhando para dentro, somente viram o lençol estendido sobre a lage de ped ra; e então Maria de Magdala, desorientada, afastou-se do grupo e deu com o Rabi que caminhava para ela; e querendo atirar-se a seus pés, ouviu que lhe dizia: "não me toques" e, logo em seguida: "ainda não subi para meu Pai. Diz a todos que vão para Galil éia e que lá estarei com eles". Com isso ficou provada sua ressurreição. Ainda na capital, Jesus apareceu materializado a dois discípulos (dos 72 que consagrou em Jericó) e que vinham de Emaús para a cidade; bem como, por duas vezes, a vários dos doze, reunidos em uma casa , para tomar decisões, na segunda das quais, estando presente Tomé, que não acreditara no que lhe disseram os outros, fé-l o tocar com a mão em seus ferimentos, para provar-lhe que ressuscitara. Então partiram todos para a Galiléia, onde o Mestre continuou a mostrar -se a eles por muitos dias, realizando a segunda "pesca maravilhosa", reafirmando a designação de Pedro para a chefia do grupo e, como se aproximava o Pentecoste (44) ordenou-lhes que voltassem à capital, onde se daria a descida do espírito sobre eles. E ali estando todos ao quadragésimo dia de sua ressurreição, corporif icou-se, sentou-se à mesa com eles e fez-lhes suas despedidas

L (43) Ao sair do Templo. batendo nos peitos. bem visíveis. recomendando que se espalhassem pelo mundo difundindo seus ensinamentos. Se elas fossem escritas uma por uma. desceram até eles. viúvas e órfãos.finais. permanecessem olhando p ar a cima. As primícias eram para o Templo e os restos eram deixados no chão para os peregrinos. o Evangelista na sua m aneira simbólica: — "Muitas coisas há que fez Jesus. porque permaneceis assim. levitou -s e para o céu. nem no mundo inteiro caberiam os livros que se escrevessem". por várias razões dentre outras: . também os cantos dos campos cultivados. b em como. encherão o mundo de felicidade. determinando a Pedro que apascentasse Seu rebanho. que assim seja". e prometendo que jamais os abandonaria. com intraduzível emoção. assombrados. mirando os céus? E ste Jesus que vistes agora subir para Deus. (44) Era a festa da colheita. todos eles. dizendo: "varões galileus. que durava sete semanas e seu ponto alto se d ava no mes de Sivan. realmente. dois anjos. volverá novamente para vós e permanecerá convosco para sempre". Sim. exclamara m: "do mais profundo dos nossos corações. aos olhos deles e aos poucos desapareceu. lugar onde tanto sofrera na noite da prisão e deu-lhes novas instruções. Judas matou-se e o dinheiro devolvido foi depois destinado pelo Sinhédrio à compra do campo de um oleiro. le vo u-os ao jardim do Gat Shemen. para cemitério de estrangeiros (versão oficial). em seguida. alucinado pelo erro que cometera e não suportand o tamanho remorso. quando aceitas. Senhor. nas ime diações da cidade. Em seguida. *** E ao encerrar a narrativa destes fatos disse João. E. E como os discípulos. como Messias. 162 Capítulo 45 COMCLUSÃO Os materialistas negam que Jesus haja morrido na cruz. porque as consequências morais do que Ele fez e disse.

no seu julgamento e na morte. Por isso. desta forma. tanto em Jerusalém como na Galiléia. na sua pureza original. para que o povo pensasse que de fato ressuscitou e. mais tarde. nos lares e em recantos humildes e pobres. na pessoa de Nicodemo . no Concílio de Nicéa. com a organização de uma cleresia muito semelhante àquela que o próprio Jesus combatera no seu tempo. c) Segundo alguns. e que as coisas com Ele sucederam como convinha que fossem. onde o Evangelho é testemunhado com renúncia e sacrifício.a) Porque a morte na cruz só se dava três a quatro dias após a crucificação. o que também mostramos como não é verdade. porém avultou a ação dos essênios. Jesus foi retirado do sepulcro pelos essênios. representada por Arimathéa e outros. igualmente como sucede com o Espiritismo. a Doutrina dos Espíritos. e também que Jesus não era um homem comum. após o sepultamento. Por último queremos também considerar que nos derradeiros tempos de sua pregação. pelas razões já expostas. destinada a reviver no mundo. oferecendo cultos suntuosos e f rios. foi a ação da maior parte dos discípulos. as únicas vozes que se levantaram em defesa do Divino Mestre foram estas. Como naquela época e. tomando até refeições com eles. que sempre o apoiaram. mas foi visto depois por vários discípulos. vivendo em um corpo comum. mas nas ruas. como era necessário. veio há pouco mais de um século. transformad a em força política para servir de apoio ao Império Romano decadente. b) Porque. Essa doutrina foi em grande parte deturpada por seus próprios seguidores. seu corpo desapareceu. a doutrina que pregara vencesse no mundo. os ensinamentos redentores que Ele transmitiu. apagada e ausente. dos quais mui ligeiras alusões se faz nos Evangelhos. a terceira revelação. Mas o Espiritismo explica o fenômeno das materializações. e não segundo as regras do mundo. quando Jesus ali permaneceu somente três horas. No julgamento perante o Sinhédrio. Jesus não permanece nos templos de pedra. oficializada. porém mais tarde exuberante de devo tar nent e de desprendimento.

Esta foi a razão dela haver declarado heréticos os ensinamentos das Escolas de Siracusa. os essênios nem o foram pela simples lembran ça. Por isso aqui lhes deixamos nossa modesta. Depois da morte de Jesus. sua primeira mulher). com justiça. a eles t ambém se deve isto. permitir na Palestina a propaganda da heresia cristã. que taxava de heresia tudo o quanto divergisse do estabelecido. Foi do terraço de sua casa que ela viu Jesus pela primeira vez. à margem do lago do Genezareth. pelos pósteros. cidade de prazeres. a Thora (conjunto de livros e preceitos) era o ensinamento d ado na Academia do Sinhédrio. com mais de 14. o mesmo pensando em relação ao trabalho de propaganda realizado pelos apóstolos e discí pulos que. aliás. Acima de tudo. Como. por isso. mas sim de Sultana e Tadeu. estava a sua pregação sobre a desnecessidade do sacerdócio para as ligações com Deus. por gregos. como o de qualquer outro. à pequena distância. mas reverente homenagem. cujo au tor fora por ele. até levá-la a inscrever-se no rol de seus discípulos mais chegados. quando el e passava pela estrada. porém estes. a inutilidade do sacrifício cruento dos an imais e os ritos e formalidades exageradas usadas no culto. de Alexandria e de Pérgamo. 3 —A cidade de Magdala. pessoa imp o rtante na colonia grega local. habit ada. mulheres dissolutas. de Pafos. negociante rico. 164 ADENDO 1 — Entre os diferentes motivos que tornaram Jesus odiado pelo Sinhédri o.000 habitantes e uns trezentos barcos pesqueiros. vindo de Damasco. essè primeiro encontro influiu poderosamen te no seu destinofuturo. na sua maior parte. pois.e se seu corpo não permaneceu na cruz. acompanhado de seus apóstolos e seguidores. era um import an te entreposto de pesca. crucificado. Os apóstolos foram todos santificados. Maria de Magdala cedeu sua casa do lago para ne la . Maria era filha de Stefanus. eram perseguidos a ferro e fogo dentro e fora da Palestina? 2 — No capítulo 31 O Quadro dos Discípulos — notar que o apóstolo Judas Tadeu não era irmão de Jesus (filho de José e de Débora. Sinhédrio.

°. o dos palácios — habitado por romanos e gregos. além disso. após o Gólgota. nesse pie doso trabalho permaneceu vários anos. formand o-se várias seitas e terminando pela fundação da Igreja Católica Romana. que algum dia cairão em abismos. deu-se a multiplicação desses agrupamentos. 4— Quando. 5 — O primeiro século do cristianismo foi aquele em que Jesus assistiu diretamente os apóstolos nas suas dificuldades da propaganda. por alguns terapeutas essênios que a assistiram até que morresse. mas segui vós por aqueles que lhes apontei. são cegos que conduzem outros cegos e. Jesus surpreendia divergências entre os apóstolos ou discípulos e estes se inquietavam pelos falsos ensinamentos que eram espa lhados por terceiros. congregaçõ es e santuários. E tudo girava em torno ao déspota fundador da dinstia que tem o seu nome . criaram-se na Palestina e fora dela. mantendo-lhes a fé e as energi as físicas. havendo. anteriormente habitada por João Batista e por André de Tiberíades e alí foi encontrada. surgindo . a assistir leprosos que viviam em suas redondezas e. os teatros e os circos. onde se localizavam os templos pagãos. enquanto que vós. a necessidade da disciplinação dos trabalhos e da hierarquização dos dirigéntes e. para onde convergiam aqueles que desejavam seguir os ensinamentos que os apóstolos transmitiam e onde imperavam o amor. ainda. No século 2. refugiouse em uma das grutas do grupo chamado "As Abuelas". por certo. maior aglomeração de habitantes. onde expirou Herodes. já se haviam manifestado entre os apóstolos desde o século 1. seguramente que entrareis no meu Reino". as termas. no deserto daJudéia.°. sobre interpretações doutrinárias e métodos de propagação Essas divergências foram se multiplicando até o século 3. em Jerusalém. tempos depois.se instalar um santuário-escola e dedicou-se. a e sperança e a fé em uma vida melhor no futuro. aliá s. as divergências que. e que surgiam a cada passo. o Grande. que absorveu esse cristianismo nascente. Durante esse período. Mãe do Mestre. inspirando-os na conduta e nas atividades. Após a morte de Maria de Betânia e de Maria. no esforço de propaganda. o Mestre lhes dizia. seguindo pelo caminho certo. por inspiração mediúnica ou qualquer outro meio: "Os outros to mam rumos errados.°. então. e o herod iano— onde se situavam as repartições do governo. era dividida em tres bairros: O das sinagogas — onde se reuniam os templos mais importantes e conhecidos. 6 — A cidade de Jericó. dentro e fora da Palestina.

Começaram a regressar à Palestina vário anos depois. de todos os apóstolos o mais dinâmico e organizador.e que. surgiram dissensões entre propagadores e adeptos. Isso de fato aconteceu com as perseguições movidas pelo Sinhédrio. que seguiam as doutrinas expostas pelos diferentes evangelhos discriminados à página 11 desta obra. por fim. por exemplo. Alexandria. os ensinamentos cristãos começ aram a ser deturpados e o próprio Paulo de Tarso. refugiando-se em Antióquia. devido a essas diferenças de interpretações doutrinarias. as ovelhas se dispersariam". Damasco e Roma. por tanto tempo. o que aliás.Edgard Armond A aplicação das cores na assistência espiritual. inclusive sobre a exigência do celibato. para tratamento de d oenças de fundos orgânico e espiritual PSIQUISMO . As dissensões cresceram e culminaram mais tarde na criação de inúme ras seitas cristãs.coordenada pelo Com. Edgard Armond Nove fasc íc ulos contendo as aulas da Escola de Aprendizes do Evangelho CROMOTERAPIA . O êxito de sua tarefa deu-lhe grande prestígio. como também organizava congregações. havendo em algumas cidades. 8— Jesus havia advertido que morto o pastor. INICIAÇÃO ESPÍRITA . no afã de melhor difundir o Evangelho de Jesus. congregações que seguiam a Paulo e a outras que seguiam a Ped ro. em Efeao. após a morte d o velho Hanan e a conversão de Paulo de Tarso. da circuncisão e a proibição da mate rnidade e com a alegação de que os doze Apóstolos eram iletrados e não estavam em condições de interpretar convenientemente os ensinamen tos de Jesus. a cujo serviço devotara sua vida. para torná-los mais adequ ados ao entendimento dos gentios. valendo-se de s ua cultura rabínica e escriturística. fazia interpretações diferentes dos ensinamentos. redundou e m benefício. nem sempre semelhantes às da Palestina. conforme já o dissera antes o profeta Ezequiel. o primeiro pregando a independência do cristianismo em relação ao judaismo e o último seguindo a linha traçada pela congre gação. 7—Já em meados do primeiro século. 9— Em meados do primeiro século. de grande valia para médiun . conquanto nem sempre ob tivesse o apoio da congregação de Jerusalém. infelicitou a nação israelita. de respeito a várias regras da Thora judaica. por haver ajudado a propagação. quando vários discípulos e apóstolos se exilaram da Palestina.Edgard Armond Explicações sobre es mecanismos da mente. com a doutrina já em franca expans ão. como.

Edgard Armond O relato do degredo de um grupo de espíritos que vieram para o exílio terrestre RELEMBRANDO O PASSADO .Edgard Armond A vida de Jesus. evolução.Edgard Armond A afinidade espiritual através dos milênios PASSES E RADIAÇÕES . história do pensamento religioso EXILADOS DE CAPELA . Emmanuel.Edgard Armond Um manual prático para aplicaç ão dos métodos avançados de cura espiritual O ESTRANHO CASO DE ROSE RÁMIRES . Evangelho.Edgard Armond Mensagens de espíritos de elevada hierarquia (Bezerra.Edgard Armond A experiência do au tor coloca da à disposição de todos aqueles que pretendem um desenvolvimento harmonioso da mediunidade NA SEMEADURA (2 volumes) .Edgard Armond Informações práti cas para implantação de sessões doutrinárias bem orientadas. narrado de forma roinanceada.Edgard Armond A história de um grupo de iniciados atlantes que sobrevivem ao afundament o da Pequena Atlântida e levam seus ensinamentos para o mundo de pós-dilúvio TRABALHOS PRÁTICOS DE ESPIRITISMO . até seu sacrifício na cruz HORA DO APOCALIPSE . ALMAS AFINS . a classificação da m ediunidade e os métodos de desenvolvimento NA CORTINA DO TEMPO .Edgard Armond Um tratado completo sobre a faculdade mediúnica. desde a preparação espiritual para encarnação do Mestre. As duas vidas de uma jovem.Edgard Armond Uma coleção de pequenas informações e instruções acerca da Doutrina. mediunidade.Edgard Armond Algumas experiências de t rinta anos de trabalho em contato com o sofrimento nos planos espiritual e físico MEDIUNIDADE . hoje no Brasil e ontem na Rússia O REDENTOR . Gandhi. .s e estudiosos da mediunidade DESENVOLVIMENTO MEDIÚNIDO .Edgard Armond Um caso de dupla personalidade.

cari. e a cura do obsidiado através dos trabalhos de assistência espiritual. onde é retratado com clareza o momento histórico em que atuou o "Kardec Brasileiro".Ismael.) sobre os momentos de transição para o terceiro milênio ÀS MARGENS DO RIO SAGRADO .abordados em linguagem jornalística. . etc . CAMINHOS DE LIBERTAÇÃO — Valentim Lorenzetti Coletânea de crônicas publicadas pelo autor no jornal "Folha da Tar.como casamento. em fins do século passado. Bezerra.Mariluz Valadão Vieira A primeira de uma série de obras sobre evangelização de crianças à luz da Doutrina Espírita BEZERRA DE MENEZES. A atuação de um espírito em busca de vingança. Assuntos de interesse geral .F. principalmente para o campo da reforma interior. de todos os tempos.Edgard Annond Um livro que mostra os pontos de concordância entre os ensinamentos elevados do Oriente e as práticas da Doutrina Espírita EVANGELIZAÇÃO INFANTIL . GUIA DO APRENDIZ — Edgard Armond Instruções para aqueles que pretendem abraçar o aspecto religioso da Doutrina Espírita. O MÉDICO DOS POBRES .dade. SALMOS . Toda a trama ligando encarnados e desencarnad os.Edgard Armond As grandes verdades espirituais. etc.j vel "Jardim" até o "Intermediário" ou pré-mocidade.j de". EVANGELIZAÇÃO INFANTIL — Marlluz Valadão Vieira Série de 4 fascículos com todo o programa para moral cristã. de São Paulo. ensinando ao homem o c aminho da redenção AMOR E JUSTIÇA — Edgard Armond História de uma obsessão. Acquarone Um livro completo sobre a vida e a obra do Dr. desde o ní. "centro forte".

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