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Palavras-chave:

MAI: 2005

NBR 8222

5 páginas

r a s - c h a v e : MAI: 2005 NBR 8222 5 páginas

Execução de sistemas de prevenção contra explosão e incêndio, por evitar sobrepressões decorrentes de arcos elétricos internos em transformadores e reatores de potência

Origem: Projeto NBR 8222:2004 ABNT/CB-24 – Comitê Brasileiro de Segurança contra Incêndio CE-24.301.04 – Comissão de Estudo de Proteção contra Incêndio em Instalações de Geração e Transmissão de Energia Elétrica NBR 8222:2005 – Explosion prevention and fire extinguishing systems for transformers and reactors - Procedure Descriptors: Fire. Explosion. Transformers. Reactors. Safety. Fire protection Esta Norma cancela e substitui a NBR 8222:1983 Válida a partir de XXXXXX

Incêndio. Explosão. Transformador. Reator. Proteção contra incêndio. Sobrepressão.

Sumário

Prefácio Introdução

1 Objetivo

2 Referências normativas

3 Definições, símbolos e abreviaturas

4 Requisitos gerais

5 Requisitos específicos

6 Ensaios

Prefácio

Introdução

a)

documentos isolados;

b) atualizar as informações sobre todas as tecnologias disponíveis;

c) colaborar para a consolidação de normas de âmbito internacional (IEC ou ISO) específica sobre o assunto.

Na leitura do conjunto, a NBR 13231 é considerada a Norma principal, onde estão contemplados:

a) os aspectos gerais e específicos da elaboração de projetos de implantação de instalações;

b) os aspectos gerais do projeto, instalação, manutenção e ensaios dos sistemas.

Nas NBR 8222, NBR 12232 e NBR 8674 estão contemplados os aspectos específicos de cada tipo de sistema.

A ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas – é o Fórum Nacional de Normalização. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (ABNT/CB) e dos Organismos de Normalização Setorial (ABNT/ONS), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas por representantes dos setores envolvidos, delas fazendo parte: produtores, consumidores e neutros (universidades, laboratórios e outros).

Os Projetos de Norma Brasileira, elaborados no âmbito dos ABNT/CB e ABNT/ONS, circulam para Consulta Nacional entre os associados da ABNT e demais interessados.

Nos últimos anos, o ABNT/CB-24 recebeu sugestões no sentido de atualizar o conjunto das NBR 13231:1994, NBR 8222:1983, NBR 12232:1992 e NBR 8674:1984, em particular no que diz respeito aos seguintes aspectos:

adequar a formatação das normas para que possam ser percebidas como fazendo parte de um conjunto e não como

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NBR 8222:2005

1 Objetivo

Esta Norma fixa os requisitos específicos mínimos exigíveis para o projeto, instalação, manutenção e ensaios de sistemas fixos automáticos de prevenção contra explosões e incêndios por evitar sobrepressões decorrentes de arcos elétricos internos em transformadores e reatores de potência.

Os requisitos gerais para a elaboração de projetos de implantação de instalações estão descritos na NBR 13231.

Este tipo de sistema não elimina a conveniência de instalação de dispositivos tradicionais para evitar a propagação de fogo, tais como: bases de concreto drenadas e protegidas, barreiras não combustíveis e paredes corta-fogo, bem como dos dispositivos móveis de extinção.

Este tipo de sistema se aplica a todos os tipos de transformadores imersos em óleo, autotransformadores, reatores e também às suas partes individualizadas que contêm óleo, tais como comutadores de derivação sob carga e caixas de buchas e de cabos.

incêndios que

podem decorrer quando ocorre uma falha e arco elétrico interno ao transformador ou reator protegido.

O início do arco elétrico resulta geralmente de uma avaria na isolação. Esta pode ser causada, entre outras razões, por

sobrecargas, surtos de manobra ou atmosféricos, deterioração gradual de isolação, baixo nível de óleo, umidade, acidez no óleo, etc. Tal arco elétrico envolve, em geral, correntes elétricas elevadas. O contato do arco elétrico com o óleo isolante produz uma considerável quantidade de gases auto-inflamáveis e explosivos. A formação de gases dentro do volume fechado do equipamento protegido faz com que a pressão cresça de forma muito acelerada. Se não houver um dispositivo que alivie a pressão interna antes que ela exceda o valor suportável pelo tanque este se romperá.

O objetivo deste tipo de

sistema é evitar a explosão do transformador ou reator e conseqüentemente os

A taxa de aumento da pressão interna no tanque, dependendo das correntes envolvidas, situa-se na faixa de 0,05 bar a 1

bar por milisegundo. Os transformadores e reatores atuais, por sua vez, suportam valores de sobrepressão da ordem de grandeza de 1 bar a 2 bar. Se estes valores forem superados poderá haver o rompimento do tanque, ou das buchas ou do comutador de derivações sob carga. Se houver este rompimento, os gases explosivos que se formaram no interior do equipamento protegido entrarão em contato com o oxigênio do ar dando início ao fogo. Ao mesmo tempo, a temperatura da superfície do tanque de óleo rapidamente alcança o ponto de inflamação de óleo e o óleo do transformador incendeia- se.

Deve-se notar que os tempos totais de interrupção dos sistemas de proteção envolvendo disjuntores são da ordem de grandeza de 50 ms a 80 ms o que não é suficiente para eliminar o arco antes que já tenham sido produzidas as sobrepressões de valores elevados.

Nas instalações de geração a situação é mais severa pois a inércia do gerador pode alimentar o arco elétrico por 1 s e 2 s, quando ele não é protegido por um disjuntor. Essa situação é o pior cenário para prevenir uma explosão no tanque do transformador.

Os sistemas de prevenção tratados nesta Norma buscam impedir que a sobrepressão interna resultante do arco elétrico interno atinja valores maiores que a suportabilidade do equipamento protegido. O princípio pode envolver, entre outros, a despressurização das partes internas, a condução dos gases produzidos para local onde possam queimar em segurança, sem afetar as pessoas e equipamentos próximos e a criação de fluxo de gases para resfriar o óleo e para eliminar gases explosivos.

2 Referências normativas

As normas relacionadas a seguir contêm disposições que, ao serem citadas neste texto, constituem prescrições para esta Norma. As edições indicadas estavam em vigor no momento desta publicação. Como toda norma está sujeita à revisão, recomenda-se àqueles que realizam acordos com base nesta que verifiquem a conveniência de se usarem as edições mais recentes das normas citadas a seguir. A ABNT possui a informação das normas em vigor em um dado momento.

NBR 13231:2005 - Proteção contra incêndio em subestações elétricas de geração, transmissão e distribuição

3 Definições, símbolos e abreviaturas.

As definições, símbolos e abreviaturas adotadas nesta Norma são as descritas na seção 3 da NBR 13231.

4 Requisitos gerais.

4.1 Aspectos relevantes ao dimensionamento

No projeto, instalação e operação do sistema de prevenção devem-se levar em consideração todos os tipos de curtos- circuitos que possam ocorrer no interior do tanque do transformador ou outro equipamento protegido. A tabela 1 mostra valores típicos de correntes de curto-circuito que poderiam ocorrer no interior de transformadores em que houve uma falha interna e criação de um arco elétrico. Estes valores podem ser utilizados como referência para a realização dos ensaios de verificação da capacidade do sistema de prevenção em evitar a explosão e o incêndio, prescritos nesta Norma.

NOTA: No que diz respeito aos valores de referência para as correntes de arco que podem ocorrer, deve ser considerado que as normas ABNT e IEC sobre transformadores tratam apenas de curtos-circuitos externos e prevêem ensaios com várias aplicações de curto-circuito com valores de correntes equivalentes a 25 vezes o valor da corrente nominal com duração de 0,25 s a 2,0 s. Para curtos-circuitos originados fora do transformador, a corrente é limitada pela impedância do transformador. No caso de um curto-circuito interno pode não haver como limitante a impedância do transformador. Os valores da tabela 1 indicam as ordens de grandeza das correntes e durações nas situações de arco interno.

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Tabela 1 – Ordens de grandeza das correntes de curto-circuito máximas típicas para arcos internos em transformadores e reatores de potência

Faixa de potência do transformador

Faixa de tensões no enrolamento de maior tensão

Ordem de grandeza das correntes de curto-circuito

Ordem de grandeza das durações das correntes de curto-circuito

MVA

kA eficazes simétricos

kV

s

Até 5 MVA

1 a 15

5

1 a 2

10 a 50 MVA

Em estudos

Em estudos

Em estudos

> 50 MVA

Em estudos

Em estudos

Em estudos

4.2 Princípios de operação e componentes típicos

Estes sistemas buscam impedir que a sobrepressão interna resultante do arco elétrico interno atinja valores maiores que a suportabilidade do equipamento protegido. O princípio pode envolver, além da despressurização de volumes internos, a condução dos gases produzidos para local onde queimem em segurança e a criação de fluxo de gases para resfriar o óleo

e para eliminar gases explosivos.

Uma das configurações existentes consiste em dispor-se, em uma das entradas de óleo do equipamento protegido, de um dispositivo acionado diretamente e apenas pela sobrepressão interna ao tanque. Este dispositivo deve ser rápido o suficiente para que, ao ocorrer um arco interno de duração e magnitude das ordens de grandeza indicados na tabela 1, ele alivie a sobrepressão antes que ela atinja os valores suportáveis pelo equipamento protegido.

A ordem de grandeza do tempo necessário para que o dispositivo opere e seja iniciado o processo de despressurização é

de 10 ms. O processo total de despressurização não deve tomar mais que 50 ms. Estes valores devem ser comprovados

nos ensaios prescritos nesta Norma.

Um exemplo de dispositivo com estas características é o que emprega câmaras de despressurização e disco de ruptura. Estes sistemas devem ter alta velocidade de operação e podem ser especificados e calibrados para operar quando uma pressão preestabelecida é atingida.

Em um sistema típico, após a ruptura do dispositivo que inicia a despressurização, o óleo e gases formados pelo arco são ejetados por um duto apropriado até alcançar um reservatório coletor inferior, no caso de volumes maiores de óleo, ou um tanque de separação de óleo e gás, no caso de volumes intermediários. Neste segundo caso, pode haver uma outra tubulação saindo do tanque, levando apenas os gases para serem queimados em local seguro. Este tipo de sistema pode ter partes adicionais, tais como:

a) obturador de isolamento do ar para evitar que os gases inflamáveis entrem em contato com o oxigênio do ar;

b) obturador no caminho entre o conservador e o tanque, para evitar que o volume de óleo do conservador desça;

c) sistema auxiliar para injeção de gás neutro, após a despressurização, para resfriar o óleo e para empurrar os gases

explosivos para o exterior do tanque;

d) detectores de fogo.

Neste tipo de sistema, após a despressurização é iniciado um processo para o resfriamento do óleo. O sistema de resfriamento é acionado por um dos sinais oriundos do sistema de proteção elétrica em acréscimo a um dos sinais dos dispositivos que iniciam a despressurização como, por exemplo, os discos de ruptura. Quando os dois sinais são registrados, a válvula do cilindro de um gás neutro como, por exemplo, o nitrogênio, é ativada e o gás é injetado para o equipamento ou sua parte protegida. O fluxo de gás neutro agirá no sentido de resfriar o meio também para pressionar os gases explosivos para o exterior, criando uma atmosfera interna segura.

O sistema de prevenção contra explosões e incêndios pode ter como retaguarda um sistema de extinção de incêndios do

tipo “drenagem e agitação” por fluxo de gás neutro. Neste caso o sistema de retaguarda deve ser ativado por dois sinais, sendo o primeiro proveniente de um dos detectores de fogo e o segundo de uma das proteções elétricas do transformador.

A injeção do gás neutro deve causar a agitação do óleo da parte protegida, reduzindo a temperatura superficial abaixo do

ponto de fulgor e então extinguindo o fogo em menos de 5 min. Deve-se resfriar as partes aquecidas e prevenir qualquer reinício de combustão.

A título de referência, a pressão do cilindro de gás neutro situa-se na faixa de 150 bar a 200 bar. Caso exista, o cilindro

deve ser provido com um atuador a prova de vazamentos (menos de 0,25% de perdas por ano). Este cilindro deve ser capaz de proporcionar uma injeção de gás por pelo menos 45 min, tempo considerado suficiente para resfriar as partes aquecidas e para prevenir o reinício da combustão.

Quando existentes, os detectores de fogo devem ser à prova de vibração, sendo a temperatura de atuação na faixa de 135ºC a 150ºC. Os detectores de fogo devem ser localizados na cobertura do tanque, no comutador de derivações sob carga e perto das buchas.

4.3 Controle remoto

O sistema deve ser monitorado de uma sala de controle. O sistema deve ser provido com uma caixa de controle que

permita:

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a) colocar o sistema na posição “ fora de serviço”, quando forem necessários trabalhos de manutenção;

b) operar o sistema tanto no modo “automático” como no modo “manual”;

c) verificar a atuação de cada sinal (abertura dos discos de ruptura, abertura do disjuntor do transformador, válvula obturadora, detectores de fogo);

d) verificar a operação normal da caixa de controle por um teste de lâmpada.

4.4 Condições gerais de operação

As distâncias elétricas entre as partes do sistema e partes energizadas não devem ser menores que as especificadas na NBR 13231.

5 Requisitos específicos

Sistemas utilizados em grandes transformadores podem incluir acessórios ou partes adicionais como:

a) prevenção de explosões e incêndios em buchas de óleo;

b) prevenção de explosões e incêndios em caixas de cabos com óleo;

c) monitoramento de continuidade elétrica com alarmes associados;

d) bateria seca autônoma com alarmes de baixa carga associados;

e) advertência audível;

f) aquecedores dos quadros;

g) válvula de injeção de gás neutro manual.

6 Ensaios

A comprovação da eficiência do método de proteção deve ser feita, quando prevista nesta Norma, através de ensaios.

6.1 Ensaios de tipo

6.1.1 Ensaio para verificação da capacidade do sistema de prevenção de evitar a explosão e o incêndio sob condições de arco interno

Não há atualmente experiência suficiente para definir, de forma completa, as condições deste ensaio em laboratório.

Para os efeitos desta Norma, os ensaios estão em estudo e o objetivo do texto a seguir é explicitar os princípios e critérios de desempenho que permitam que fabricantes e usuários estabeleçam, quando necessário e em comum acordo, condições para o ensaio. Com a experiência adquirida, deverá ser possível, nas próximas revisões desta Norma, especificar um ensaio de tipo completo.

O ensaio “ideal” consiste em simular em laboratório de alta potência um certo número, por exemplo três, de curtos- circuitos e arcos no interior de um tanque de transformador ou reator, para verificar como se comportaria o sistema de prevenção contra explosão e incêndio instalado no equipamento a proteger.

Deve ser aplicada uma corrente de valor e duração compatíveis com as que aconteceriam em uma situação real (ver tabela 1). Como as energias de arco podem influenciar no processo, pode ser estabelecido que as aplicações serão feitas com 25 %, 50 % e 100 % da máxima corrente de arco. As durações devem ser escolhidas de forma a, onde possível, aplicar-se um valor I 2 x T constante.

Devem ser tomados cuidados para que a corrente circule por toda a duração especificada para o ensaio. Não deve haver “apagamentos” da corrente em qualquer uma das fases por onde a corrente deva circular. Estes apagamentos podem ocorrer devido à alta capacidade dielétrica do óleo ou devido à utilização de fontes de corrente com potência insuficiente. No caso de eventuais “apagamentos”, estes não devem ocorrer por mais que 20% da duração total especificada para o ensaio.

A iniciação do arco deve ser feita por fios finos fusíveis com seção reta da ordem de 1,5 mm 2 . O circuito deve ser calibrado

para verificar se, durante a aplicação do arco, a corrente permanecerá senoidal. O fio fusível deve ser colocado em

posições previamente discutidas entre fabricante, comprador e laboratório.

NOTA: A gama de transformadores compreende desde unidades com relativamente pequeno volume de óleo até grandes volumes e potências. Para que o ensaio seja técnica e economicamente exeqüível em laboratório, é necessário que o transformador ou dispositivo que o simule tenha potência limitada até certo valor, por exemplo, da ordem de 20 MVA. Pode ser utilizado para o ensaio um tanque de antigo transformador. É desejável que as partes internas do transformador tenham geometria próxima daquela de um transformador novo, porém os enrolamentos e partes em geral não precisam estar operativos, já que a corrente não circulará pelos enrolamentos. Devido aos volumes de óleo envolvidos, o laboratório deve dispor de meios para que, em caso de falha do equipamento sob ensaio, as conseqüências de eventual incêndio sejam controláveis.

s para que, em caso de falha do equipamento sob ensaio, as conseqüências de eventual incêndio
s para que, em caso de falha do equipamento sob ensaio, as conseqüências de eventual incêndio
s para que, em caso de falha do equipamento sob ensaio, as conseqüências de eventual incêndio

NBR 8222:2005

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O desempenho do sistema, no ensaio, deve ser da forma como especificado nesta Norma ou, se não especificado, conforme previamente acordado entre fabricante e comprador. Os principais critérios a observar são:

a) o não rompimento das partes protegidas;

b) a operação dos dispositivos em tempo infe rior aqueles que garantiriam o não rompimento por sobrepressões;

c) a não ocorrência de explosões ou fogo ou derramamento de óleo.

garantiriam o não rompimento por sobrepressões; c) a não ocorrência de explosões ou fogo ou derramamento