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DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ EXMO(A). SR(A). DR(A). JUIZ(A) DE DIREITO DA VARA CÍVEL

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ

EXMO(A). SR(A). DR(A). JUIZ(A) DE DIREITO DA VARA CÍVEL DA

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DE DIREITO DA VARA CÍVEL DA Formatado: Fonte: 14 pt COMARCA DE BELÉM – PARÁ. Excluído:

COMARCA DE BELÉM – PARÁ.

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PÚBLICA

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ESTADO

DO

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¶ DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO Formatado: Fonte: 14 pt P A R Á , por

PARÁ , por meio dos Defensores Públicos ao final subscritos, vem à presença de Vossa Excelência, com arrimo no art. 134 da CF/88 e nos artigos 1º, II, e 5º, II, ambos da Lei 7.347/85, no disposto na Lei 8.078/90, na Lei Complementar 80/94, e Lei Complementar Estadual nº 054/2006, bem assim demais mandamentos constitucionais e legais aplicáveis à espécie, propor a presente

AÇÃO CIVIL PÚBLICA COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA

em face da CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE

Formatado: Fonte: 14 pt Fonte: 14 pt

da CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE Formatado: Fonte: 14 pt F U T E B O L ,

FUTEBOL , pessoa jurídica de direito privado, CNPJ nº 33.655.721/0001-99, estabelecida na Rua Victor Civita, nº 66, Bloco 1, Edifício 5, 5º andar, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, Brasil, CEP: 22775-040, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir aduzidos.

I – OBJETO DA PRESENTE AÇÃO.

1. A concessão de antecipação de tutela para suspender

a organização do Campeonato Brasileiro da série D para o ano de 2009 e a inclusão do clube campeão Paraense de Futebol profissional e do vice-campeão na disputa do campeonato brasileiro da série C de 2009, na forma do artigo 2º do

Regulamento da competição do campeonato brasileiro da série C de 2008 (em anexo);

2. Compelir a Confederação Brasileira de Futebol a

cumprir com o disposto nos artigos 5º, caput, 9º, caput e § 5º, inciso II, do art. 9º todos da Lei 10.671/2003 – Estatuto do Torcedor.

3. O cancelamento da realização do campeonato

brasileiro da série D no ano de 2009, bem como a manutenção do mesmo regulamento da série C do ano de 2008 para o ano de 2009/2010;

4. A inclusão do Campeão Paraense de Futebol

Profissional e do seu Vice-Campeão na disputa da série C do ano de 2009/2010, na forma do artigo 2º do Regulamento da competição do campeonato brasileiro da série C de 2008 (em anexo).

Tv. Padre Prudêncio, 154 - esquina da Manoel Barata - Bairro: Comércio - Belém – Pará Cep:66.019-000 - Fone: 91 3201-2700 - 3201-2684

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ DEFESA DOS II . DA LEGITIMIDADE DA DEFENSORIA PÚBLICA.

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ

DEFESA

DOS

II. DA LEGITIMIDADE DA DEFENSORIA PÚBLICA. DA

FINALIDADE

INTERESSES

COLETIVOS

EM

JUÍZO.

DA

INSTITUCIONAL DA DEFENSORIA PÚBLICA NA DEFESA INTEGRAL DOS

LEGALMENTE

NECESSITADOS.

DO

DIREITO

DO

CONSUMIDOR

DO

TORCEDOR

DO

CLUBE

VIOLADO

PELA

ENTIDADE

PRIVADA.

DA

PERTINÊNCIA TEMÁTICA PARA A PROPOSITURA DA PRESENTE AÇÃO.

A Ação Civil Pública é considerada por muitos doutrinadores instrumento processual imprescindível à proteção de interesses fundamentais.

A Constituição da República de 1988 indica o acesso à Justiça como garantia fundamental, nos termos do art. 5º, inciso LXXIV, veja-se, “O Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos”, e aponta, como instituição pública responsável para concretizar tal garantia, a Defensoria Pública, conforme previsto no art. 134 do mesmo texto.

“Integral” significa “total, inteiro, global; sem diminuições nem

restrições”.

Logo, a mera interpretação literal ou gramatical do texto constitucional indica que a assistência jurídica aos necessitados compreende a utilização de todos os instrumentos processuais capazes de proteger seus direitos e interesses, desde que devidamente regulamentados, sem restrições.

Trata-se de norma constitucional de aplicabilidade imediata e eficácia plena, em especial porque “as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata” (artigo 5º, LXXVIII, CR/88).

Apenas para que não passe em branco, até mesmo para espancar qualquer ilação de que a Defensoria Pública só possui legitimidade para atuar em defesa dos necessitados de recursos financeiros, mister ressaltar que o texto constitucional não fez qualquer restrição ao âmbito de alcance da expressão “necessitados”, motivo pelo qual não pode o intérprete restringir o alcance da norma.

Portanto, alternativa não resta senão compreender que o texto constitucional outorga à Defensoria Pública o dever de defender todo e qualquer necessitado, aí se compreendendo o que não tem recursos financeiros bem como aquele que, por questões técnicas ou circunstanciais, está em posição de hipossuficiência, isto é, de necessidade.

Desta forma, o sentido do dispositivo constitucional deve ser interpretado da forma mais ampla e extensa possível, conferindo-se à Defensoria Pública todos os instrumentos para realizar a assistência “integral” aos necessitados.

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ Uma vez percebida a afetação de interesses de necessitados,

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ

Uma vez percebida a afetação de interesses de necessitados, seja no plano individual, seja no coletivo, a norma constitucional impõe a assistência “integral”, que compreende a representação ordinária ou extraordinária, no plano administrativo ou judicial.

Tal integralidade prevista no texto constitucional não admite restrições e tem natureza cogente. Uma vez caracterizada a necessidade de assistência, terá o Defensor Público a obrigação de prestá-la, na qualidade de representante ou de substituto processual, do modo mais adequado.

A Lei 11.448/2007, que modificou a Lei 7.347/1985, ao incluir a Defensoria Pública no rol dos legitimados à propositura da Ação Civil Pública, apenas concretiza o programa constitucional de ampla assistência jurídica, dotando-o de maior abrangência ao direcionar instrumento processual da mais alta relevância para a proteção de direitos da população carente.

Assim essa alteração legislativa municiou a Defensoria Pública para fazer valer os direitos individuais e coletivos de um segmento que representa mais de 90% da população brasileira.

Se a Lei aumenta as atribuições da Defensoria Pública para que exerça com maior efetividade suas funções é evidente que está em conformidade e faz realizar o princípio aventado da maior eficácia possível das garantias constitucionais.

Soma-se a isso que a Lei n° 7.347/85 prescreve ser cabível a ação civil pública contra atos comissivos ou omissivos que causem danos a quaisquer direitos difusos ou coletivos, inclusive que importem danos ao consumidor, como ocorre no caso presente.

Acerca da legitimidade da Defensoria Pública em ingressar com ações coletivas já pacificou o entendimento o Superior Tribunal de Justiça no sentido de que nos termos do art 5º, II, da lei 7347/85, a Defensoria tem legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar em ações civis coletivas que busquem auferir responsabilidade por danos causados ao consumidor, senão vejamos:

“Processo REsp 912849 / RS RECURSO ESPECIAL 2006/0279457-5 Relator(a) Ministro JOSÉ DELGADO (1105) Órgão Julgador T1 - PRIMEIRA TURMA Data do

Julgamento 26/02/2008 Data da Publicação/Fonte DJe

28.04.2008

Ementa PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO COLETIVA. DEFENSORIA PÚBLICA. LEGITIMIDADE ATIVA. ART. 5º, II, DA LEI Nº 7.347/1985 (REDAÇÃO DA LEI Nº 11.448/2007). PRECEDENTE.

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ 1. Recursos especiais contra acórdão que entendeu pela legitimidade

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ

1. Recursos especiais contra acórdão que entendeu pela legitimidade ativa da Defensoria Pública para propor ação civil coletiva de interesse coletivo dos consumidores. 2. Este Superior Tribunal de Justiça vem-se posicionando no sentido de que, nos termos do art. 5º, II, da Lei nº 7.347/85 (com a redação dada pela Lei nº 11.448/07), a Defensoria Pública tem legitimidade para propor a ação principal e a ação cautelar em ações civis coletivas que buscam auferir responsabilidade por danos causados ao meio-ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico e dá outras providências. 3. Recursos especiais não-providos. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça prosseguindo no julgamento, após o voto-vista do Sr. Ministro Teori Albino Zavascki, por unanimidade, negar provimento aos recursos especiais, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão (voto-vista), Teori Albino Zavascki (voto-vista) e Denise Arruda votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Luiz Fux.”

“Processo REsp 555111 / RJ RECURSO ESPECIAL 2003/0116360-9 Relator(a) Ministro CASTRO FILHO (1119) Órgão Julgador T3 - TERCEIRA TURMA Data do Julgamento 05/09/2006 Data da Publicação/Fonte DJ 18.12.2006 p. 363 Ementa

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO JULGADO. INEXISTÊNCIA. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DEFESA COLETIVA DOS CONSUMIDORES. CONTRATOS DE ARRENDAMENTO MERCANTIL ATRELADOS A MOEDA ESTRANGEIRA. MAXIDESVALORIZAÇÃO DO REAL FRENTE AO DÓLAR NORTE-AMERICANO. INTERESSES INDIVIDUAIS HOMOGÊNEOS. LEGITIMIDADE ATIVA DO ÓRGÃO ESPECIALIZADO VINCULADO À DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO.

I – O NUDECON, órgão especializado, vinculado à Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, tem

pública

legitimidade

ativa

para

propor

ação

civil

objetivando a defesa dos interesses da coletividade

de

de

consumidores

que

assumiram

contratos

arrendamento mercantil, para aquisição de veículos automotores, com cláusula de indexação monetária atrelada à variação cambial.

II

interesses do

-

No

que

se

refere à

defesa dos

consumidor por meio de ações coletivas, a intenção

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ do legislador pátrio foi ampliar o campo da legitimação

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ

do

legislador

pátrio

foi

ampliar

o

campo

da

legitimação ativa, conforme se depreende do artigo 82 e incisos do CDC, bem assim do artigo 5º, inciso

XXXII,

dispor,

da

Constituição

Federal,

ao

expressamente, que incumbe ao “Estado promover, na forma da lei, a defesa do consumidor”. III – Reconhecida a relevância social, ainda que se trate de direitos essencialmente individuais, vislumbra-se o interesse da sociedade na solução coletiva do litígio, seja como forma de atender às políticas judiciárias no sentido de se propiciar a defesa plena do consumidor, com a conseqüente facilitação ao acesso à Justiça, seja para garantir a segurança jurídica em tema de extrema relevância, evitando-se a existência de decisões conflitantes. Recurso especial provido.

Acórdão

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, prosseguindo no julgamento, após o voto-vista do Sr. Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por maioria, conhecer do recurso especial e dar-lhe provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Carlos Alberto Menezes Direito e Nancy Andrighi votaram com o Sr. Ministro Relator. Votou vencido o Sr. Ministro Ari Pargendler. Não participou do julgamento, ocasionalmente, o Sr. Ministro Humberto Gomes de Barros.”

Então, não resta dúvida acerca da legitimidade para o ingresso da presente ação por essa Instituição.

Outro ponto que merece destaque é o fato de que a entidade privada, quando inobservou a legislação federal, violou direito fundamental ao lazer e cultura de torcedores que em sua maioria são hipossuficientes, carentes e desprovidos de recursos financeiros para constituir advogado para fazer valer seus direitos em Juízo.

O direito ao lazer é direito fundamental social previsto na

Constituição Federal no caput do artigo 6º, bem como é dever do Poder Público fomentar a prática do desporto como lazer, consoante se depreende da previsão constitucional prescrita no § 3º do artigo 217.

“Art. 6 o São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho,

a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a

proteção à maternidade e à infância, a assistência aos

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ desamparados, na forma desta Constituição. (Redação dada pela Emenda

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ

desamparados, na forma desta Constituição.(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 26, de 2000)

Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um, observados:

( ) § 3º - O Poder Público incentivará o lazer, como forma de promoção social.”

Atentando-se para as especificidades peculiares a cada povo de cada região do Brasil, é de conhecimento público e notório que no Pará o esporte, principalmente o futebol profissional, alcançou patamar de principal forma de lazer da maior parte da população carente do Estado.

Como divulgado amplamente na mídia, as torcidas paraenses são apaixonadas por futebol, não faltando provas de amores por seus clubes, registradas em diversas matérias jornalísticas.

Nesse sentido anotou a literatura especializada paraense:

“O sentimento:

Viver um clube é um estado de espírito de cada

pessoa, diz o professor e historiador Vicente Sales.

É um estado de espírito que se irradia entre a torcida

azulina num dia de jogo, que dá força ao braço do

nadador numa competição, que impulsiona o salto

do cestinha do basquete, que, enfim, move o atleta e

o torcedor, personagens apaixonados pelo Clube do

Remo. Uma paixão igual à do grupo de remadores que no início do século XX fez brotar o sentimento azul” Fonte: Do livro - A História do Clube do Remo -

(Ernesto Cruz) Depoimento de José Pacha (Grande Benemérito do Clube do Remo)

É público e notório também a nível nacional que o Pará possui uma das maiores médias de presença de público consumidor nos estádios nas competições nacionais realizadas.

Tolher a participação de um clube a um campeonato, de forma ilegal, é privar uma parcela da população carente de um dos poucos lazeres colocado a sua disposição.

Desta feita, o torcedor-consumidor paraense, em sua maior parte carente financeiramente e hipossuficiente ante o fornecedor, mas especificamente o torcedor do Clube do Remo, cujos torcedores instaram o órgão autor da presente ação para atuar, com a ilegalidade cometida teve, de uma só vez, violados não só direitos previstos no Estatuto do Torcedor e no Código de Defesa do Consumidor, como se irá demonstrar, mas também teve direitos

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ fundamentais sociais, individuais e coletivos inobservados, o

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ

fundamentais

sociais,

individuais

e

coletivos

inobservados,

o

que

não

é

admissível.

Então, considerando que à Defensoria Pública fora confiada constitucionalmente a tarefa de prestar assistência jurídica integral e gratuita aos

Excluído: á

Excluído: assistidos constantes das declarações em anexo

Excluído: assistidos constantes das declarações em anexo que comprovarem insuficiência de recursos, como é o caso

que comprovarem insuficiência de recursos, como é o caso dos torcedores que

procuraram a instituição / autora, bem assim considerando que foram violados direitos coletivos de torcedores-consumidores hipossuficientes, é que resta evidente a pertinência desta Instituição para ingressar com a presente.

III – DA COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA COMARCA DE BELÉM PARA PROCESSAR E JULGAR A PRESENTE AÇÃO. FORO DO LOCAL DO DANO. FORO DO CONSUMIDOR. DA PREVISÃO CONSTANTE DO ART. 1º, INCISO II, 2º E ART. 21, TODOS DA LEI 7343/85 C/C ART. 40 DO ESTATUTO DO TORCEDOR. DA NATUREZA JURÍDICA DA CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE FUTEBOL. DA EXCEÇÃO A REGRA CONSTANTE NO ART. 217, § 1º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.

O artigo 1º da lei 7.347/85 prescreve que são regidos por

esta lei as ações de responsabilidade por danos morais e patrimoniais causados ao consumidor.

Estabelece, também, o artigo 2º da lei 7.347/85 que as ações reguladas nesse diploma legal deverão ser propostas no foro do local onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e julgar a demanda.

O artigo 21 da supracitada norma reforça, ainda, que à

defesa dos direitos e interesses difusos, coletivos e individuais, no que for cabível,

a aplicação do disposto no Código de Defesa do Consumidor.

O CDC, por sua vez, no artigo 93, inciso I, prevê que é

competente o foro do local onde ocorrerá ou ocorreu o dano para julgar as ações

coletivas em defesa de violações aos direitos dos consumidores.

Importante mencionar que já decidiu o STJ no sentido de que não há exclusividade do foro do Distrito Federal para o julgamento de ação civil pública de entidade com atuação em âmbito nacional. Veja-se:

“AÇÃO CIVIL PÚBLICA. COMPETÊNCIA. CONSUMIDOR. CDC, ART. 93, II, EXEGESE. Interpretando o artigo 93, II, do CDC, já se manifestou o STJ no sentido de que não há exclusividade do foro do Distrito Federal para o julgamento de ação civil pública de âmbito nacional. Isto porque o referido artigo ao se referir à Capital do Estado e ao Distrito Federal invoca competências territoriais concorrentes, devendo ser analisada a questão estando a Capital do Estado e o Distrito Federal em planos iguais, sem conotação

Tv. Padre Prudêncio, 154 - esquina da Manoel Barata - Bairro: Comércio - Belém – Pará Cep:66.019-000 - Fone: 91 3201-2700 - 3201-2684

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ específica para o Distrito federal. (STJ, Confl. de Comp.

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ

específica para o Distrito federal. (STJ, Confl. de Comp. 17.533-DF, Rel. Min. CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, julg. em 13.09.2000, Dj, 30.10.2000).

CONSUMIDOR. AÇÕES FUNDADAS NO CDC. FACULDADE DO AUTOR DE PROMOVÊ-LAS NO FORO DE SEU DOMICÍLIO. IRRELEVÂNCIA DE, NA HIPÓTESE, DEPENDER A RESPONSABILIDADE CIVIL DE VERIFICAÇÃO DE CULPA DO PRESTADOR DO

SERVIÇO. O artigo 101 do CDC - Lei n.º 8.078/90 - autoriza

a propositura da ação no domicílio do autor, sendo

indiferente, para aplicação dessa regra, que se trate o réu do fornecedor ou prestador de serviço em geral ou de profissional liberal, em relação ao qual o parágrafo 4.º do artigo 14 condiciona a responsabilidade à verificação de

culpa. A ressalva do parágrafo 4.º do artigo 14 do CDC excepciona apenas a regra geral da responsabilidade objetiva consagrada no Código, sem afetar o disposto no artigo 101, Lei n.º 8.078/90, que derroga, em relação às ações de que trata, os preceitos gerais dos artigos 94 e 100,

IV, a do CPC, que definem o foro do domicílio do réu para as

ações fundadas em direito pessoal ou o de sua sede nas

ações em que ré a pessoa jurídica. Agravo provido para dar-

se como competente o foro do domicílio do autor. (TJSC, Ag.

de Inst. 11.422-2, Florianópolis, Rel. Des. JOÃO JOSÉ SCHAEFER, Dj, 27.05.1998).

CONSUMIDOR. COMPETÊNCIA. CPC. ART. 101, IV, B. CDC, ART. 101, INCISO I. A ação de responsabilidade pode ser proposta no domicílio do autor (artigo 101,inciso I). (STJ, Ag. Reg. 191.676/98, SP, Rel. Min. NILSON NEVES, julg. em 18.02.1999, Dj. 26.04.1999).”

Não fossem tais previsões, o Estatuto do Torcedor, no art. 40, reforçando o previsto na lei de ação civil pública, aduz que a defesa dos interesses dos torcedores em juízo observará, no que couber, a mesma disciplina da defesa dos consumidores em Juízo, remetendo a incidência do caso à legislação consumerista.

Desta maneira, conforme será demonstrado pela narrativa dos fatos, restará transparente que as lesões aos direitos coletivos relatados se exaurem nesta Comarca de Belém e aqui devem ser dirimidos.

Outro ponto louvável de debate é acerca da natureza jurídica da entidade privada ré na presente ação.

Busca nesse ponto se perquirir qual a correta classificação societária da própria CBF.

Em seu estatuto extrai-se, logo no artigo primeiro, que se trata de uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, de caráter

Tv. Padre Prudêncio, 154 - esquina da Manoel Barata - Bairro: Comércio - Belém – Pará Cep:66.019-000 - Fone: 91 3201-2700 - 3201-2684

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ desportivo, com personalidade jurídica e patrimônio próprio, com sede

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ

desportivo, com personalidade jurídica e patrimônio próprio, com sede e foro no Rio de Janeiro.

No mesmo artigo, o texto social determina que se regerá pelos artigos 20 e 23 do Código Civil Brasileiro 1 [Capítulo II, Seção III – Das Associações ou Associações Civis] e pelas disposições legais que lhe forem aplicáveis emanadas pela Federation Internacionale de Football Association - FIFA, sendo vedada 2 qualquer ingerência estatal em seu funcionamento.

Atualmente, bem sabemos, vigem os artigos 53 e seguintes do Novo Código Civil 3 [Título II, Capítulo II – Das Associações] cuja hermenêutica é exatamente a mesma, a despeito da lei atual referir-se a fins não econômicos 4 .

Merece nota o fato de que a antiga codificação civil não definia o conceito de “associação”, cujo alcance era traçado pela Doutrina e Jurisprudência como aquelas entidades que, apesar de poderem buscar o lucro (como as atuais), não têm por objetivo a sua remuneração ou distribuição, além de aterem-se ao “bem social” proposto em seu texto. 5

Desta forma não se mostra difícil inferir que a CBF é uma “associação”, outrora regida pelo artigo 20 e atualmente sob abrigo do artigo 53, dos diplomas civis codificados, respectivos, pelo que não possui foro privilegiado quando demanda judicialmente.

Por fim importante sustentar que o ajuizamento da presente na Justiça Estadual é exceção a regra prevista no art. 217, § 1º da CR/88.

Trata-se de ação coletiva interposta pela Defensoria Pública do Estado do Pará a fim de salvaguardar o interesse de torcedores consumidores do Clube do Remo.

A regra citada prescreve que só se poderá ingressar em Juízo comum após se esgotaram todas as instâncias da Justiça Desportiva.

Contudo, tal regra não se aplica ao caso em análise, pelo fato dessa instituição não poder ingressar naquela instância com a finalidade de

1 Lei no. 3.071, de 1 o . de janeiro de 1916.

2 grifamos

3 Lei 10.406 de 10 de janeiro de 2002.

4 Não há consenso quanto a qual seria a melhor expressão (não econômicos ou não lucrativos), mas o que se revela importante é a inteligência que dali se extrai, qual seja a não distribuição dos resultados. Há um PL no. 6.960/02, de autoria do Dep. Ricardo Fiúza, propondo a mudança da redação do art. 53 do CC para “fins não lucrativos”.

5 Felipe L.Ezabella : Diferentemente da legislação anterior, em que as associações eram disciplinadas juntamente com as sociedades civis e não havia uma distinção propriamente dita entre elas, o Novo Código Civil bre um capítulo exlcusivo para tratar das associações, tendo excluído de nosso ordenamento as sociedades civis de fins econômicos – in Revista Brasileira de Direito Desportivo, segundo semestre de 2003. Tv. Padre Prudêncio, 154 - esquina da Manoel Barata - Bairro: Comércio - Belém – Pará Cep:66.019-000 - Fone: 91 3201-2700 - 3201-2684

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ salvaguardar direitos coletivos, nem tampouco os torcedores possuírem legitimidade

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ

salvaguardar direitos coletivos, nem tampouco os torcedores possuírem legitimidade nem interesse de agir para instaurar uma demanda naquele órgão.

Sim, pois norma constitucional que exige o exaurimento da via administrativa como forma de permitir o ingresso em juízo (artigo 217, § 1º da CR/88) tem por escopo evitar que clubes e jogadores tumultuem os campeonatos desportivos através de ações judiciais a todo instante.

Interpretação em contrário, isto é, entender que a Defensoria Pública do Estado do Pará tivesse que esgotar as instâncias da justiça desportiva, significaria ferir de morte o preceito constitucional insculpido no artigo 5º, XXXV (“a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”).

Portanto, a melhor interpretação a ser dada ao artigo 217, § 1º da CR/88, como forma de compatibilizá-lo com o artigo 5º, XXXV, CR/88, é a de que tal dispositivo é dirigido ao atletas e clubes, que podem ingressar com ações perante a justiça desportiva, e não dirigidos àqueles entes estatais com legitimidade ativa para propositura de ação civil pública.

Para melhor compreensão desse Juízo acerca do objeto da presente, importante mencionar como se desenrolaram os fatos no presente caso.

IV – DOS FATOS.

O campeonato Brasileiro da série C é a terceira divisão do futebol brasileiro, prevendo estatuto do torcedor que é direito do torcedor que o regulamento do campeonato seja divulgado até 60 (sessenta) dias antes do início da competição.

Em 08.04.08, a CBF enviou às Federações Estaduais expediente comunicando (doc. em anexo) acerca da necessidade de reformulação técnicas e comerciais na estrutura do campeonato brasileiro da série C e acerca das modificações expostas, que segundo o expediente teriam validade a partir do próximo ano de 2009.

Adiante se será demonstrada que o meio utilizado para tal comunicação não obedeceu à forma prevista na norma federal.

Posteriormente a CBF divulgou o regulamento da série C (doc. em anexo) em 07.05.08, meio normativo idôneo para alterar o regulamento da série C do ano de 2007, sendo que em tal regulamento nos artigos 34 e 35 há previsão somente da criação da série D em 2009 e de que consoante

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ anteriormente divulgado em 08.04.08, o campeonato brasileiro da série

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ

anteriormente divulgado em 08.04.08, o campeonato brasileiro da série C seria disputado por 20 clubes, vejamos a redação:

“Art. 34 – Fica regimentalmente estabelecido desde já, conforme anteriormente oficializado pela Presidência da CBF, através de ofício emitido em 08/04/08, que o Campeonato Brasileiro da Série C de 2009 será disputado por vinte clubes. Art. 35 – Fica também regimentalmente estabelecido desde já, conforme anteriormente oficializado pela Presidência da CBF, através de ofício emitido em 08/04/08, que será realizado o Campeonato Brasileiro da Série D a partir de 2009, com a participação de 40 clubes.”

Assim, na referida norma não há previsão acerca dos critérios de descenso e qualificação para disputa do campeonato brasileiro da série D.

Não fosse isso, a exatamente 02 dias do começo do campeonato da série C – 2008, fora encaminhada às federações Oficio DCO – 381/08 com a finalidade de “evitar dúvidas” sobre os critérios de participação dos clubes na série C/09, a partir da série C/08, documento em anexo, mas que, em verdade, alterou o regulamento do campeonato de forma inidônea.

Ainda não satisfeita, a entidade privada, após o começo do campeonato brasileiro da série C, em 18 de julho de 2008, encaminhou ofício DCO 401/08 (doc. em anexo) as Federações Estaduais, informando que a CBF estará realizando o campeonato brasileiro da série D, a partir de 2009, com 40 clubes participantes.

Mais uma vez questiona-se o fato também do meio normativo utilizado para alterar o regulamento da competição, como melhor será explorado adiante.

Cumpre mencionar também que os regulamentos dos campeonatos brasileiros da série C dos anos de 2006 e de 2007 foram substancialmente alterados ano a ano e que o regulamento de 2008 também possuiu alteração, inclusive a constante nos artigos mencionados acima que tentou criar a série D e alterar a formula de disputa do campeonato brasileiro da série D.

Agindo assim a entidade privada violou direitos fundamentais previstos em nossa Carta Magna, bem como violou diversas normas federais, o que deve ser reparado pelo Poder Judiciário, para que prevaleça a supremacia constitucional e o princípio da legalidade, como adiante se demonstrará.

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ V – DO DIREITO. a) DA INOBSERVÂNCIA DO ESTATUTO

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ

V – DO DIREITO.

a)

DA

INOBSERVÂNCIA

DO

ESTATUTO

DO

TORCEDOR. VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 5º, CAPUT, 9º, CAPUT, § 4º DO ART.

ART. 9, TODOS DA LEI 10.671/2003. DA

E INCISO II,

DO

§

5º, DO

VIOLAÇÃO DO DIREITO DO TORCEDOR CONSUMIDOR DO CLUBE DO REMO. DA INOBSERVÂNCIA DA FORMA PRESCRITA EM LEI DO ATO ADMINISTRATIVO QUE ALMEJA A ALTERAÇÃO DO REGULAMENTO DA COMPETIÇÃO/SÉRIE C.

O Estatuto do Torcedor, Lei 10.671 de 15 de maio de 2003,

fora promulgado pelo Executivo com a finalidade de acabar com diversas violações de direitos e inúmeras demonstrações de desrespeito que se via até pouco tempo no Brasil na prática desportiva, que é efetivo exercício de lazer.

Referida norma estabelece em seu art. 1º o seu campo de incidência: Art. 1º Este Estatuto estabelece normas de proteção e defesa do torcedor.

Define-se torcedor como toda pessoa que aprecie, apóie ou se associe a qualquer entidade de prática desportiva do País e acompanhe a prática de determinada modalidade esportiva (art. 2º).

Sendo essa lei mais específica, poderia surgir dúvida a respeito da aplicação do CDC nas relações de que o estatuto trata, mas o legislador deixou claro que os direitos presentes nessa lei não excluem os que emanam do CDC. Muito pelo contrário. Trata-se de direitos adicionais os que ali se encontram.

Em dois momentos foi manifestada essa intenção: no art. 3º, que equiparou, para todos os efeitos legais, a fornecedor a Entidade Responsável pela Organização da Competição (que chamaremos de EROC), bem como a entidade de prática desportiva detentora do mando do jogo (que chamaremos de clube).

O mesmo ocorre no art. 14, que atribui a responsabilidade

pela segurança do torcedor antes, durante e após a partida ao clube detentor do

mando de jogo, mas sem excluir a incidência dos artigos 12 e 14 do CDC, que tratam de responsabilidade por fato do produto e serviço.

Ademais, o art. 7º do CDC não exclui outros direitos do consumidor decorrentes de tratados ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação interna ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas competentes, bem como que derivem de princípios gerais de direito, analogia, costumes e equidade.

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ Inúmeros, então, são os dispositivos legais no presente caso

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Inúmeros, então, são os dispositivos legais no presente caso em relação os quais a entidade privada insiste em inobservar, violando direitos dos torcedores, em especial para o presente caso, dos paraenses do Clube do Remo, o que não pode ser tolerado pelo Poder Judiciário.

Inicialmente, cumpre destacar que não foram obedecidos os princípios da publicidade e transparência na organização das competições, insculpidos no caput do art. 5º do Estatuto do Torcedor, veja-se:

“Art. 5 o São asseguradas ao torcedor a publicidade e transparência na organização das competições administradas pelas entidades de administração do desporto, bem como pelas ligas de que trata o art. 20 da Lei n o 9.615, de 24 de março de 1998.”

A regra contida no citado artigo visa assegurar a

transparência dos atos praticados pelas entidades a fim de que o torcedor tenha

conhecimento de todo o mecanismo burocrático praticado nos bastidores do desporto.

Assim, em consonância ao CDC, o estatuto do torcedor visa dar eficácia a princípios e garantias como a publicidade e transparência ao torcedor, ou seja, não poderá ser omitido qualquer tipo de informação que seja importante para o torcedor.

Além de publicar na rede mundial de computadores (internet) os dados sobre o evento esportivo, também serão afixados na porta do estádio ou ginásio a: I - a íntegra do regulamento da competição; II - as tabelas da competição, contendo as partidas que serão realizadas, com especificação de sua data, local e horário; III - o nome e as formas de contato do Ouvidor da Competição de que trata o art. 6º; IV - os borderôs completos das partidas; V - a escalação dos árbitros imediatamente após sua definição; e VI – a relação dos nomes dos torcedores impedidos de comparecer ao local do evento desportivo.

No caso sob análise, como exposto anteriormente, antes do

regulamento fora divulgado às Federações expediente informando a possível realização do campeonato brasileiro da série D no ano de 2009.

Por outro lado, importante destacar, no regulamento do campeonato, instrumento normativo idôneo para tratar acerca da formula de disputa do campeonato e suas especificidades, não há previsão de descenso para o campeonato da série D.

Melhor esclarecendo, Excelência, o referido regulamento apenas se limitou a prever que o campeonato brasileiro de futebol da série C se realizaria com 20 clubes e o da série D com 40 clubes, a partir de 2009, omitindo

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ a informação, os parâmetros, e as regras que regulariam

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a informação, os parâmetros, e as regras que regulariam se haveria descenso e como seria feito e a forma de participação do campeonato da série D.

Outros dispositivos legais violados foram o art. 9, caput, e §4º, do mesmo artigo. Vejamos as disposições:

“Art. 9 o É direito do torcedor que o regulamento, as tabelas da competição e o nome do Ouvidor da Competição sejam divulgados até sessenta dias antes de seu início, na forma

do

parágrafo único do art. 5 o . )

(

§ 4 o O regulamento definitivo da competição será divulgado, na forma do parágrafo único do art. 5 o , quarenta e cinco dias antes de seu início.”

O Estatuto do Torcedor prevê que até sessenta dias antes

do começo da competição deva ser publicado o regulamento da competição.

Tal norma é a lei da competição, regendo a participação dos clubes, devendo conter a forma de disputa, ascenso e descenso, bem como o número de participantes e os critérios de inclusão/participação de clubes na competição.

Como dito, essa previsão visa dar, também, transparência e publicidade das regras do jogo ao torcedor, evitando que condutas que eram corriqueiras no passado aconteçam novamente, como, por exemplo, um clube desportivo ser beneficiado por falta de previsão legal de determinada situação fática.

No caso em tela, antes de publicar o regulamento da competição, a entidade privada comunicou por meio de expediente em 08.04.08 a possível realização do campeonato brasileiro da série D.

Incorreu em ilegalidade a CBF quando não observou a norma prescrita em lei, qual seja a normatização das regras do campeonato por meio de regulamento.

Após a publicação do regulamento em maio de 2008, dois dias antes do começo do campeonato, voltou a CBF a encaminhar, pela forma incorreta, Oficio DCO – 381/08 e em 18 de julho de 2008, após o começo da competição encaminhou ofício DCO 401/08, esclarecendo as possíveis dúvidas dos clubes que em tese participariam da série D.

Ocorre, Excelência, que a entidade privada não poderia ter agido ao arrepio da norma federal.

Portanto, não fora obedecido o Estatuto do Torcedor, uma vez que a forma prescrita em lei não foi observada, posto que todas as minúcias

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ deveriam ter sido publicadas no regulamento e não por

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deveriam ter sido publicadas no regulamento e não por meio de ofício às Federações, bem assim o prazo de 60(sessenta) dias foi, também, ignorado por aquela confederação, o que não se pode admitir.

Os comunicados encaminhados a destempo não possuem

validade jurídica.

Acerca da forma dos atos administrativos já dissertaram diversos doutrinadores.

Forma do ato administrativo é o meio pelo qual se exterioza

a vontade administrativa. Para ser válida a forma do ato deve compatibilizar-se

com o que expressamente dispõe a lei ou ato equivalente com jurídica. O aspecto relativo à forma válida tem estreita conexão com os procedimentos administrativos. O ato administrativo é o ponto em que culmina a seqüência de atos prévios (é um produto do procedimento), há que ser observado um iter (procedimento), até mesmo em homenagem ao princípio do devido processo legal. Torna-se viciado o ato (produto) se o procedimento não foi rigorosamente observado. Ex: licitação. Outros exemplos: Se a lei exige a forma escrita e o ato é praticado verbalmente, ele será nulo; se a lei exige processo disciplinar para demissão de um funcionário, a falta ou vício naquele procedimento invalida a demissão.

Como anotado por José dos Santos Carvalho Filho, a forma

e

procedimento se distinguem, a forma indica apenas a exteriorização da vontade

e

o procedimento uma seqüência ordenada de atos e vontades, porém, a doutrina

costuma caracterizar o defeito em ambos como vício de forma. Ex: portaria de demissão de servidor estável sem a observância do processo administrativo prévio (art. 41, § 1º, II, da CF); ou, contratação direta de empresa para realização de obra pública em hipótese na qual a lei exija o procedimento licitatório.

A forma é uma garantia jurídica para o administrado e para a administração. É pelo respeito à forma que se possibilita o controle do ato administrativo, quer pelos seus destinatários, quer pela própria administração, quer pelos demais poderes do Estado. Em regra a forma é escrita, porém a Lei 9.784/99 consagra em seu art. 22 praticamente o informalismo do ato administrativo.

Excepcionalmente, admitem-se ordens verbais, gestos, apitos (policial dirigindo o trânsito), sinais luminosos. Há, ainda, casos excepcionais de cartazes e placas expressarem a vontade da administração, como os que proíbem estacionar em ruas, vedam acesso de pessoas a determinados locais, proíbem fumar etc. Até mesmo o silêncio pode significar forma de manifestação de vontade, quando a lei fixa um prazo, findo o qual o silêncio da administração significa concordância ou discordância.

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ Esses fundamentos já serviriam para que o objetivo que

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Esses fundamentos já serviriam para que o objetivo que se almeja com a presente pudesse ser alcançado, não fosse as outras irregularidades cometidas pela ré. Vejamos o que mais há.

O

inciso II,

10.671/2003 prescreve que:

do

parágrafo 5º do

art. 9º

da lei federal

“Art. 9 (

§ 5 o É vedado proceder alterações no regulamento da competição desde sua divulgação definitiva, salvo nas

hipóteses de:

( ) II - após dois anos de vigência do mesmo regulamento, observado o procedimento de que trata este artigo.”

)

A mais grave ilegalidade cometida pela CBF está no fato de

que a entidade alterou o regulamento em 2008 prevendo a existência da série D

do campeonato de 2009 sem observar o prazo previsto no inciso II acima trasncrito.

Como se pode observar, os regulamentos ano a ano sempre foram alterados pela entidade.

O regulamento de 2006 possui uma redação. O de 2007 fora

severamente alterado pela entidade. O de 2008 por sua vez é o que mais tem de ilegal, posto que prevê regra para ser aplicada no ano seguinte, o que é defeso por lei.

Tal conclusão se chega após a análise de uma simples leitura dos regulamentos anexados à presente.

Se quisesse realizar o campeonato da série D, a CBF deveria manter o regulamento na íntegra dois anos antes da sua realização, o que não fez.

Ademais, Excelência, deve se considerar que a não participação dos clubes prejudicados tendo como causa as ilegalidades cometidas pela ré acarretarão enormes prejuízos em sua administração e finanças, eis que precisaram entabular acordos publicitários e comerciais para participação no campeonato e inclusive iniciar previamente os contatos para formação do elenco de profissionais.

Além do mais, caso os clubes prejudicados tenham que participar, indevidamente, da série D, seus contratos comerciais e de publicidade serão em realizados em valores inferiores aos que aufeririam se estivessem, como deveriam estar, na séria C do campeonato, dada a maior visibilidade de tal série no meio esportivo e na mídia.

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ Assim, a redução de receita dos clubes prejudicados refletirá

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Assim, a redução de receita dos clubes prejudicados refletirá em menor quantidade de investimento em contratações de atletas e administração da estrutura esportiva que precisam manter.

Conseqüentemente, Excelência, refletirá diretamente nos interesses dos torcedores-consumidores, pois terão que ver seus clubes, amados clubes, participar indevidamente de série de inferior qualidade do campeonato brasileiro, o que representa menor qualidade nas partidas de futebol que assistiriam, bem como a qualidade dos estádios e dos espetáculos seriam bem inferiores.

Portanto, no final das contas, os maiores prejudicados pelas ilegalidades praticadas pela ré serão os torcedores-consumidores e não os clubes.

Assim, agiu a CBF como sempre vinha agindo antes da edição do Estatuto da CBF, de forma arbitrária, levando-se em conta os interesses maiores dos clubes mais bem sucedidos do país.

Ocorre que com a promulgação e vigência dessa norma, tais condutas devem ser afastadas, sob pena de se concordar com ilegalidades e arbitrariedades, o que não é aceito em um Estado Democrático de Direito.

Desta feita, ante as ilegalidades cometidas, merecem ser revistos os atos praticados, devendo ser sanadas por esse Poder Judiciário as irregularidades cometidas, para que não haja prejuízo maior ao torcedor- consumidor como já demonstrado na presente, devendo esse MM. Juízo julgar procedentes os pleitos aqui sustentados, por ser medida de razão e justiça.

VI. DO PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA

Excelência, presentes ainda os requisitos autorizadores da antecipação dos efeitos da tutela pretendida. Vejamos por que.

A mera análise perfunctória dos fatos e fundamentos já expostos na presente peça inicial é capaz de convencer o Juízo acerca da verossimilhança das alegações. As violações aos dispositivos legais são claras e inequívocas.

Ademais, há prova inequívoca do que aqui se alega, consubstanciada nos documentos que seguem em anexo e que demonstram à farta as ilegalidades praticadas pela ré.

Mister ressaltar, ainda, que há fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação, pois permitir o prosseguimento do Campeonato Brasileiro da série C sem a participação dos clubes prejudicados, dentre eles o Clube do Remo, significa inviabilizar que sejam incluídos em tal série no meio do

Tv. Padre Prudêncio, 154 - esquina da Manoel Barata - Bairro: Comércio - Belém – Pará Cep:66.019-000 - Fone: 91 3201-2700 - 3201-2684

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ campeonato, o que frustraria por completo o resultado prático

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campeonato, o que frustraria por completo o resultado prático da presente demanda.

Portanto, Excelência, não conceder a antecipação dos efeitos da tutela pretendida no presente momento, isto é, antes do início do campeonato de 2009, significa praticamente inviabilizar a participação dos clubes prejudicados pelas ilegalidades praticadas pela ré aquando do julgamento do mérito da lide, que será pela procedência dos pedidos da inicial.

Como se isto não bastasse, a não participação dos clubes prejudicados em vista das ilegalidades cometidas pela ré terão acarretarão enormes prejuízos em sua administração e finanças, eis que precisaram entabular acordos publicitários e comerciais para participação no campeonato e inclusive iniciar previamente os contatos para formação do elenco de profissionais.

Além do mais, caso os clubes prejudicados tenham que participar, indevidamente, da série D, seus contratos comerciais e de publicidade serão em realizados em valores inferiores aos que aufeririam se estivessem, como deveriam estar, na séria C do campeonato, dada a maior visibilidade de tal série no meio esportivo e na mídia.

Assim, a redução de receita dos clubes prejudicados refletirá em menor quantidade de investimento em contratações de atletas e administração da estrutura esportiva que precisam manter.

Tudo isso, Excelência, reflete diretamente nos interesses dos torcedores-consumidores, pois terão que ver seus clubes, amados clubes, indevidamente participar de série de inferior qualidade do campeonato brasileiro, o que representa menor qualidade nas partidas de futebol que assistiriam, estas consideradas como verdadeiros espetáculos por quem torce e consome o futebol.

Portanto, no final das contas, os maiores prejudicados pelas ilegalidades praticadas pela ré serão os torcedores-consumidores e não os clubes.

Assim, considerando a incidência dos pressupostos para a concessão da tutela antecipada, nos termos do art. 273, inciso I, do C.P.C., a autora requer a concessão de antecipação de tutela, na forma do art. 12 da lei 7343/85, para suspender a organização do Campeonato Brasileiro da série D para o ano de 2009, e a inclusão do clube campeão paraense de futebol profissional e do vice-campeão na disputa do campeonato brasileiro da série C de 2009, na forma do artigo 2º do Regulamento da competição do campeonato brasileiro da série C em anexo, na forma do art. 12 da lei 7347/85.

Excelência, após a análise de todos os argumentos trazidos na presente ação, curial informar a Vossa Excelência que a presente não tem como escopo “promover uma virada de mesa” como muitos desportistas e

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ jornalistas poderão divulgar e valorar após o ingresso da

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jornalistas poderão divulgar e valorar após o ingresso da presente em Juízo, mas sim de ação que busca incessantemente sanar uma ilegalidade latente que paira no regulamento divulgado pela CBF, a qual, indiretamente, tolheu a maior parte da população carente do Estado em continuar exercendo um dos principais direitos fundamentais sociais: O direito ao lazer.

V. DO PEDIDO

Em face do esposado, e diante das provas colacionadas ao conhecimento de Vossa Excelência, a Defensoria Pública do Estado do Pará REQUER:

1. A autuação da presente ação e dos documentos

acostados que ora a instruem, bem como o seu recebimento e processamento nos termos da lei pertinente;

 
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2. A concessão de antecipação de tutela, na forma do art.

12 da lei 7343/85, para suspender a organização do Campeonato Brasileiro da série D para o ano de 2009, e a inclusão do clube campeão paraense de futebol profissional e do vice-campeão na disputa do campeonato brasileiro da série C de

2009, na forma do artigo 2º do Regulamento da competição do campeonato brasileiro da série C em anexo, na forma do art. 12 da lei 7347/85;

3. A citação, por meio de Carta precatória, da

Confederação Brasileira de Futebol – CBF - no endereço acima citado para, se assim entender, oferecer resposta a presente, sob pena de lhe ser decretada a revelia, nos termos do art. 319 do Código de Processo Civil;

nos termos do art. 319 do Código de Processo Civil; 4. Compelir a Confederação Brasileira de

4. Compelir a Confederação Brasileira de Futebol a

cumprir com o disposto nos artigos 5º, caput, 9º, caput e § 5º, inciso II, do art. 9º da Lei 10.671/2003 – Estatuto do Torcedor;

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5. A condenação da Confederação Brasileira de Futebol

na obrigação de fazer de cancelamento da realização do campeonato brasileiro da série D no ano de 2009, bem como a manutenção do mesmo regulamento da série C para o ano de 2009/2010;

6. A condenação da Confederação Brasileira de Futebol

na obrigação de fazer de inclusão, do Campeão Paraense de Futebol Profissional e do seu Vice-Campeão, na disputa da série C do ano de 2009/2010, na forma do

artigo 2º do Regulamento da competição do campeonato brasileiro da série C em anexo;

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numeração Formatado: Fonte: Cor da fonte: Automática 7. A condenação da Confederação Brasileira de Futebol ao

7. A condenação da Confederação Brasileira de Futebol

ao pagamento de multa diária de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais) em caso de

descumprimento das obrigações de fazer e não fazer determinadas liminarmente ou por sentença, na forma do art. 11 da lei 7347/85;

ou por sentença, na forma do art. 11 da lei 7347/85; 8. A intimação do Ministério

8. A intimação do Ministério Público para atuar como

custus legis, na forma do § 1º, art. 5º da lei 7347/85;

custus legis, na forma do § 1º, art. 5º da lei 7347/85; Tv. Padre Prudêncio, 154
custus legis, na forma do § 1º, art. 5º da lei 7347/85; Tv. Padre Prudêncio, 154

Tv. Padre Prudêncio, 154 - esquina da Manoel Barata - Bairro: Comércio - Belém – Pará Cep:66.019-000 - Fone: 91 3201-2700 - 3201-2684

DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARÁ Formatado: Sem marcadores ou numeração A produção de todas

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A produção de todas as provas necessárias à

demonstração do alegado, bem como a oitiva de testemunhas, cujo rol

oportunamente será apresentado; Dá-se ao valor da causa a quantia de R$300,00 (trezentos reais) para meros efeitos processuais como determina a legislação.

9.

Pede deferimento,

Belém (PA), 20 de outubro de 2008.

9. Pede deferimento, Belém (PA), 20 de outubro de 2008. Excluído: 16 ¶ ¶ Excluído: ¶
9. Pede deferimento, Belém (PA), 20 de outubro de 2008. Excluído: 16 ¶ ¶ Excluído: ¶

Excluído: 16 16

Excluído: ¶

Alexandre Martins Bastos Defensor Público OAB/PA 11.107

Vladimir Pereira Koenig Defensor Público OAB/PA 10.842

Tv. Padre Prudêncio, 154 - esquina da Manoel Barata - Bairro: Comércio - Belém – Pará Cep:66.019-000 - Fone: 91 3201-2700 - 3201-2684