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Separação de poderes

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(Redirecionado de Teoria da separação dos poderes)

Um modelo de separação de poderes.

A teoria da separação dos poderes de Montesquieu, na qual se baseia a maioria


dos Estados ocidentais modernos, afirma a distinção dos três poderes
(executivo, legislativo e judiciário) e suas limitações mútuas.[1] Por exemplo, em uma
democracia parlamentar, o legislativo (Parlamento) limita o poder do executivo
(Governo): este não está livre para agir à vontade e deve constantemente garantir o
apoio do Parlamento, que é a expressão da vontade do povo. Da mesma forma, o
poder judiciário permite fazer contrapeso a certas decisões governamentais
(especialmente, no Canadá, com o poder que a Carta dos Direitos e Liberdades da
Pessoa confere aos magistrados).
O conceito da separação dos poderes, também referido como princípio de trias
politica, é um modelo de governar cuja criação é datada da Grécia Antiga. A
essência desta teoria se firma no princípio de que os três poderes que formam o
Estado (poder legislativo, executivo e judiciário) devem atuar de forma separada,
independente e harmônica, mantendo, no entanto, as características do poder de ser
uno, indivisível e indelegável.[2]
O objetivo dessa separação é evitar que o poder se concentre nas mãos de uma
única pessoa, para que não haja abuso, como o ocorrido no Estado Absolutista, por
exemplo, em que todo o poder concentrava-se na mão do rei. A passagem
do Estado Absolutista para o Estado Liberal caracterizou-se justamente pela
separação de Poderes, denominada Tripartição dos Poderes Políticos.

Conceito
Existe uma questão que sempre atormentou os teóricos institucionais do ocidente:
como assegurar o controle do exercício do poder governamental de tal modo que
não seja possível, a este, destruir os valores para cuja promoção ele foi criado?
Aliada a essa visão, aqueles que historicamente advogavam em nome do
constitucionalismo foram enfáticos em reconhecer o papel estratégico a ser
desempenhado por uma estrutura governamental na sociedade; contudo, atentaram
também para o fator essencial de se limitar e controlar o exercício desse poder.[3]
Dentre todas as teorias políticas que visaram a amenizar essa dicotomia —
relevância da função/limitação de poder — a doutrina da "separação dos poderes"
foi a mais significativa, vindo a influenciar diretamente os arranjos institucionais do
mundo Ocidental. Adquirindo, inclusive, o status de um arranjo que virou verdadeira
substância no curso do processo de construção e de aprimoramento do Estado de
Direito, a ponto de servir de "pedra de toque" para se afirmar a legitimidade dos
regimes políticos.[nota 1]

Formalismo e funcionalismo
No estudo da etimologia do conceito, Vile demonstrou que, simplesmente enquanto
teoria do governo, a "separação de poderes" falhou abruptamente em proporcionar a
estabilidade do sistema político. Sendo assim, a esse conceito — e com o passar
dos anos – foram combinadas outras ideias da área política, tais como a teoria do
"governo misto", "ideia de balanço" e a concepção de pesos e contrapesos (ou
controlos e equilíbrios, de checks and balances, em inglês); culminando no
complexo de teorias constitucionais que dão o substrato teórico para os modernos
sistemas políticos do Ocidente.[3]
Na busca por uma definição "pura" do conceito que não esteja imbuída destas
mutabilidades posteriores, Vile[4] propõe o seguinte:


Uma doutrina 'pura' da separação dos poderes pode ser formulada da seguinte maneira: é
essencial para o estabelecimento e manutenção da liberdade política que o governo seja
dividido em três ramos ou departamentos, o legislativo, o executivo e o judiciário. Para cada
um destes ramos há uma função governamental identificável correspondente, legislativa,
executiva ou judicial. Ademais, as pessoas que compõem estas três agências do governo
devem se manter separadas e distintas, sendo nenhum indivíduo autorizado a ser, ou estar, ao
mesmo tempo membro de mais de um ramo […] ”
Uma análise desta definição permite-nos inferir sua similitude com a visão Clássica
do conceito, proposta pelo Barão de Montesquieu,[5] para quem:
Há em cada estado três tipos de poderes, o poder legislativo, o poder executivo das coisas que
dependem do direito das nações e o poder executivo daqueles que dependem do direito civil.
Pelo primeiro, o príncipe ou o magistrado faz leis por um tempo ou para sempre, e corrige ou
abroga aqueles que são feitos. Pelo segundo, ele faz paz ou guerra, envia ou recebe
embaixadas, estabelece segurança, evita invasões. Pelo terceiro, punha os crimes ou julga os
diferentes indivíduos. Este último será chamado de poder judicial; e o outro, simplesmente o
poder executivo do estado.
Quando na mesma pessoa ou no mesmo corpo de magistratura o poder legislativo está unido ao
poder executivo, não há liberdade; porque pode-se temer que o mesmo monarca ou senado
possa fazer leis tiranistas, executá-las tiranicamente.
Ainda não existe liberdade, se o poder judicial não for separado do poder legislativo da
executivo. Se fosse unido ao poder legislativo, o poder sobre a vida e a liberdade dos cidadãos
seria arbitrário; pois o juiz seria legislador. Se ela se juntasse ao poder executivo, o juiz poderia
ter a força de um opressor.
tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo dos principais ou dos nobres, ou do
povo, exercesse esses três poderes: o de fazer leis, o de executar as resoluções públicas, e o de
julgar os crimes ou as divergências dos indivíduos".
O poder executivo deve estar nas mãos de um monarca; porque essa parte do governo, que
quase sempre precisa de ação momentânea, é melhor administrada por um que por vários; Em
vez disso, o que depende do poder legislativo, muitas vezes é melhor ordenado por vários, do
que por um.
Que, se não houvesse monarca, e o poder executivo confiado a um certo número de pessoas
retiradas do corpo legislativo, não haveria mais liberdade; porque os dois poderes seriam unidos,
as mesmas pessoas tendo às vezes e podendo sempre ter parte no um e no outro.
— Montesquieu, O Espírito das Leis, Livro XI[6][7]

Esta visão específica da "separação dos poderes" pode ser conceituada como uma
definição "formalista" do conceito; denominando, por conseguinte, seus adeptos de
formalistas.[8]
Analisando-se a questão sob a perspectiva histórica,[9] percebe-se que foi a
experiência do absolutismo e a desconfiança nos magistrados do rei que deram
causa a dogmatização e ao endurecimento do princípio da "separação de poderes".
Talvez por essa desconfiança, não prosperou a concepção hegeliana. Na Filosofia
do Direito de Hegel, o poder executivo abrange a esfera judiciária. Coerente com a
tensão entre universal e particular que perpassa sua filosofia, o poder Legislativo
produz a universalidade (as leis), a partir do jogo das demandas particulares dos
grupos de interesse sociais. O poder executivo é guiado pelo universal (o conjunto
de leis) para atuar na particularidade dos acontecimentos sociais, incluindo-se aí a
resolução dos conflitos judiciais. O monarca é o terceiro poder, representando o
singular, sancionando as leis do legislativo e demandando alterações nas leis
existentes, quando julgadas defasadas ou incompatíveis com a realidade particular
da época.[10]
Contudo, vivemos hoje uma consolidação do Estado de Direito (rule of Law), no qual
se tem demonstrado eficaz o sistema de checks and balances.
Sendo assim, e passada a conjuntura histórica na qual a concepção clássica de
"separação de poderes" foi criada e solidificada, demonstra-se imprescindível para o
pesquisador do Direito ultrapassar essa barreira teórica; repensando o paradigma
institucional criado pelo conceito em perspectiva temporalmente adequada, vez que
sua sobrevivência enquanto princípio dependerá de seu fit[nota 2] às exigências da
sociedade aberta dos formuladores, intérpretes e realizadores da Constituição.
Imprimindo mais substrato a esse tema, Vile propõe uma visão funcionalista [11] acerca
do conceito de "separação de poderes", tomando uma visão mais flexível da
assertiva de que "cada ramo do governo deve ficar adstrito ao exercício do 'poder'
que lhe foi explicitamente conferido pela Constituição". Sendo esta, por excelência, a
maneira de dar molde ao conceito da maneira mais coerente com a natureza do
moderno governo constitucional.

Por país
Alemanha
Ver também: Poder judiciário da Alemanha
Brasil
A composição dos poderes do Estado brasileiro, que adotou a teoria
de Montesquieu em sua Constituição, funciona da maneira tripartite: o Legislativo,
o Executivo e o Judiciário, independentes e harmônicos entre si.[12] Cada um desses
Poderes tem sua atividade principal e outras secundárias. Por exemplo, ao
Legislativo, cabe, principalmente, a função de produzir leis e fiscalizá-las, e
administrar e julgar em segundo plano. Ao Judiciário, cabe a função de dizer
o direito ao caso concreto, pacificando a sociedade, em face da resolução dos
conflitos, sendo, sua função atípica, as de administrar e legislar. Ao Executivo, cabe
a atividade administrativa do Estado, é dizer, a implementação de o que determina a
lei, atendendo às necessidades da população,
como infraestrutura, saúde, educação, cultura. Sendo sua função secundária as de
legislar e julgar.

Esfera

Federal Estadual Municipal

Poder Executivo Poder Executivo


Executivo Poder Executivo Municipal
Federal Estadual

Poder Legislativo Poder Legislativo


Poder Legislativo Poder Legislativo Municipal
Federal Estadual

Poder Judiciário Poder Judiciário Poder Judiciário Municipal


Judiciário
Federal Estadual (inexistente)

Executivo
Ver artigo principal: Poder Executivo do Brasil
O Poder Executivo tem a função de governar o povo e administrar os interesses
públicos, de acordo com as leis previstas na Constituição Federal. No Brasil, país
que adota o sistema presidencialista, o líder do Poder Executivo é o Presidente da
República, que tem o papel de chefe de Estado e de governo. O Presidente é eleito
democraticamente para mandato com duração de quatro anos e possibilidade de
uma reeleição consecutiva para igual período.
Ao tomar posse, o chefe do Executivo tem o dever de sustentar a integridade e
a independência do Brasil, apresentar um plano de governo com programas
prioritários, projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas de orçamento.
Cabe, ao Poder Executivo, executar as leis elaboradas pelo Poder Legislativo, mas o
Presidente da República também pode iniciar esse processo. Em caso de relevância
e urgência, adota medidas provisórias e propõe emendas à Constituição, projetos
de leis complementares e ordinárias e leis delegadas.
O Presidente da República também tem o direito de rejeitar ou sancionar matérias e,
ainda, decretar intervenção federal nos Estados, o estado de defesa e o estado de
sítio; manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus
representantes diplomáticos; celebrar tratados, convenções e atos internacionais,
sujeitos a referendo do Congresso Nacional. Compete, ao cargo, a concessão
de indulto e a comutação de penas, ou seja, substituir uma pena mais grave,
imposta ao réu, por outra mais branda.
Para concorrer ao cargo, o candidato ou candidata deve cumprir alguns requisitos:

 ser brasileiro nato;


 ter a idade mínima de 35 anos, completos antes do pleito;
 ter o pleno exercício de seus direitos políticos;
 ser eleitor e ter domicílio eleitoral no Brasil;
 ser filiado a uma agremiação ou partido político;
 não ter substituído o atual presidente nos seis meses antes da data marcada
para a eleição.
Em caso de viagem ou impossibilidade de exercer o cargo, o primeiro na linha
sucessória a ocupar o cargo de presidente é o seu vice. Em seguida, vêm o
presidente da Câmara dos Deputados, o presidente do Senado Federal e o
presidente do Supremo Tribunal Federal, sendo a sucessão exclusividade do vice-
presidente da república.
Legislativo
Ver artigo principal: Poder Legislativo do Brasil
É o poder do Estado ao qual, segundo o princípio da separação dos poderes, é
atribuída a função legislativa. Por poder do Estado, compreende-se um órgão ou um
grupo de órgãos pertencentes ao próprio Estado porém independentes dos outros
poderes.
Nos Estados modernos, o poder legislativo é formado por:

 um parlamento em nível nacional;


 parlamentos dos estados federados, nas federações;
 eventuais órgãos análogos ao parlamento, de regiões e outras entidades
territoriais às quais se reconhece autonomia legislativa.
O poder executivo (representado, por exemplo, pelo Presidente da República) fica
encarregado de sancionar ou vetar o projeto de lei.

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