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FACULDADE DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

MESTRADO EM CIÊNCIAS JURÍDICO-PROCESSUAIS DISCIPLINA DE DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO LECIONADA PELO SENHOR DOUTOR RUI M. MOURA RAMOS ANO LETIVO 2003/2004

O RECONHECIMENTO E EXECUÇÃO DE SENTENÇAS ARBITRAIS ESTRANGEIRAS na Convenção de Nova Iorque, de 10 de Junho de 1958 e nos Direitos Brasileiro e Português

Leonardo Gomes de Aquino

Coimbra Março de 2004 Sumário: Este trabalho foi elaborado para os estudiosos do DIP, visando e observando os dispositivos da Convenção de Nova Iorque, de 10 de Junho de 1958, sobre o reconhecimento e execução de sentenças arbitrais estrangeiras bem como, a sua aplicação nos direitos brasileiro e português.

Summary: This work was elaborated for the scholars of the DIP, aiming at and observing the devices of the Convention of New York, of 10 of June of 1958, on the recognition and execution of foreign awards as well as, its application in the rights Brazilian and Portuguese. PALAVRAS CHAVES: Reconhecimento de sentença arbitral estrangeira; Homologação; Execução; Direito Internacional Privado; Convenção de nova de 1958; Direito Português; Direito Brasileiro. INTRODUÇÃO: Este trabalho pertence à disciplina de Direito Internacional Privado e tem como objeto o Reconhecimento e a Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras, baseados na Convenção de Nova Iorque, de 10 de Junho de 1958, que resultou da iniciativa das Nações Unidas. O estudo do Reconhecimento e da Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras terá como prisma a perspectiva do Direito brasileiro e português. Esta Convenção estabelece o regime das condições do reconhecimento e da execução das sentenças arbitrais estrangeiras, remetendo para a lei do foro no que tange aos procedimentos processuais, além de consagrar algumas regras sobre o reconhecimento das convenções de arbitragem1. Este tema desperta interesse uma vez que tal Convenção foi recentemente recepcionada pela ordem jurídica interna brasileira, através do Decreto nº 4311, de 23 de Julho de 2002, publicado no dia 24 de Agosto de 2002. Em Portugal, foi aprovado para ratificação pela Resolução da Assembléia da Republica nº 37/94, de 08 de Julho de 1994, com reserva de reciprocidade, mas só entrou em vigor em 16 de Janeiro de 1995, conforme aviso nº 142/95 do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Assim, parece-nos oportuno o estudo desta Convenção, mas para isto será necessário observarmos seus antecedentes, bem como legislações sobre arbitragem, legislações portuguesa e brasileira que remetem ao reconhecimento e à execução das sentenças arbitrais estrangeiras. 2- DISTINÇÃO ENTRE RECONHECIMENTO E EXECUÇÃO:
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Isto ocorre porque a conferência diplomática que participou da celebração da Convenção chegou à

conclusão de que era preferível regular em um só documento toda a matéria de sentenças arbitrais estrangeiras, quer o reconhecimento e execução destas sentenças, quer as condições de validade e reconhecimento das convenções de arbitragem, disto resultou o art. II. Diferentemente do que aconteceu no Protocolo de Genebra de 1923 e na Convenção de Genebra de 1927 que regularam estes assuntos separadamente.

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A Convenção de Nova Iorque de 1958, doravante denominada “NI”, referese ao reconhecimento e a execução das sentenças arbitrais estrangeiras. Contudo, o reconhecimento se distingue da execução, uma vez que aquele se limita a atribuir à decisão o valor de sentença prolatada pela autoridade judiciária do Estado em que foi requerido o reconhecimento, ao passo que a execução visa, essencialmente, o cumprimento da obrigação decorrente da decisão arbitral pela parte sucumbente, em suma ambos são mecanismos de salvaguarda de direitos que se efetivam com a homologação, mas diferem-se substancialmente quanto ao conteúdo finalístico2. O reconhecimento pode ser entendido em sentido amplo e em sentido estrito. O reconhecimento em sentido amplo é a atribuição a um ato externo de relevância no ordenamento jurídico interno. Já, o reconhecimento em sentido estrito é a produção na ordem jurídica inter na de efeitos legais desencadeados pelo segundo direito um Direito estrangeiro ou não estadual, ou seja, o próprio reconhecimento de efeitos. O reconhecimento amplo abrange o reconhecimento em sentido estrito, a execução e outros meios de relevância. Por execução não se quer aqui significar a realização da decisão por meios coercitivos, mas a concessão a esta decisão de força executiva, designadamente por meio de uma declaração de executoriedade. Não se versa do reconhecimento de um efeito produzido pelo ato segundo um Direito estrangeiro ou não-estatal, mas da atribuição à decisão externa da força executiva que assiste a um ato interno equivalente. Não se deve pensar em execução, mas em atribuir uma força executiva. Entre outros meios de relevância conta-se o valor como título de registro, o valor probatório e a tomada em consideração como mero fato material. Podemos, dizer que o reconhecimento funciona na retaguarda, defendendo e assegurando o seu direito de defesa em uma outra jurisdição, o pedido de execução dirige-se ao exercício de um direito concreto pendente de adimplemento pelo obrigado. Preleciona STRENGER (1996, p. 313) que o reconhecimento funciona como um escudo por bloquear a introdução, novamente, em uma nova instância de dúvidas e questões que já foram decididas em sede do juízo arbitral. Já, a execução tem como finalidade apertar o ventre com a espada.

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Conforme art. 35 da Lei Modelo da CNUDCI. A legislação brasileira distingue o reconhecimento e a

execução sem, no entanto, conceituá-los.

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O reconhecimento não pressupõe a possibilidade de uma execução coercitiva, pois para que a sentença arbitral estrangeira seja executada é necessário que a mesma tenha sido reconhecida para este fim. Quando aceito o pedido de execução é por que ocorreu a recognição da validade e eficácia da sentença. O tribunal poderá ter como objeto somente o reconhecimento da sentença estrangeira, apesar de na maioria das vezes o requerimento recai sobre o reconhecimento conjuntamente com a execução da sentença. Assim, o que vem a ser este reconhecimento perante a NI? A NI é aplicável, inicialmente3, às sentenças arbitrais estrangeiras, ou seja, àquelas que não são proferidas no Estado-Parte em que o reconhecimento e a execução são pedidos. É aplicável ao reconhecimento e execução de sentenças, emergente de litígios entre pessoas singulares ou coletivas ou entre ambas, proferidas em um Estado diverso daquele em que o reconhecimento e a execução são requeridos, e nos Estados que não considere a decisão arbitral nacional como judicial. O regime processual do reconhecimento e execução de sentença arbitral estrangeira disciplinado na NI assenta-se nos princípios da liberdade processual e da não discriminação processual. Destarte, o objeto do reconhecimento é limitado e a execução só pode se concretizar com a realização deste procedimento e, para isto é necessária a verificação da legislação de onde será executada. 3- O DIREITO INTERNO: 3.1- Direito Português: A Lei de Arbitragem Voluntária (Lei nº 31/86, de 29/08) não dispõe sobre a homologação da sentença arbitral estrangeira uma vez que já existia no ordenamento jurídico português (art. 1094 a 1102, do CPC) preceito capaz de realizar a revisão e a confirmação da decisão arbitral estrangeira. Destarte, o art. 1094º, do CPC português disciplina que “Sem prejuízo do que se ache estabelecido em tratados, convenções, regulamentos comunitários e leis especiais, nenhuma decisão sobre direitos privados, proferida por tribunal estrangeiro ou árbitro nos estrangeiros, tem eficácia em Portugal, seja qual for a nacionalidade das partes, sem estar revista e confirmada”.
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Existem Estados que não reconhecem como nacionais as sentenças proferidas em seu próprio território,

quando a lei aplicável ao litígio for de outro Estado ou quando a arbitragem não se desenvolveu nesse Estado. Usamos o advérbio inicialmente porque a NI também é aplicável às sentenças arbitrais estrangeiras, proferidas em Estados-Partes, nos casos acima citados.

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34 que “A sentença arbitral estrangeira será reconhecida ou executada no Brasil de conformidade com os tratados internacionais com eficácia no ordenamento interno e. 1095º. no Brasil o órgão responsável unicamente pela homologação é o Supremo Tribunal Federal. conforme o nº 2. de 23/07) também estabeleceu esta questão dispondo em seu art. Enquanto o legislador português estatuiu esta prevalência no CPC.. do CPC. deixaram claro.) que podem ser conferidas pelo regimento interno a seu Presidente”. estritamente de acordo com os termos desta lei” e. o CPC de ambos os países terá caráter subsidiário em relação ao sistema convencional (tratados e convenções). conforme o art. o tribunal da “Relação do distrito judicial em que esteja domiciliada a pessoa contra quem se pretenda fazer valer a sentença. 36 deste diploma legal deverá ser aplicado “à homologação para reconhecimento ou execução de sentença arbitral estrangeira. na sua ausência. o mesmo se procederá após a homologação no Brasil da decisão arbitral estrangeira.. cabendo-lhe: I. doravante Reg. a guarda da Constituição. 102. 483 e 484 do Código de Processo Civil”.307/96. prescreve que “Compete ao Supremo Tribunal Federal.O DIREITO INTERNACIONAL: 5 . Nestes países esta homologação (revisão e confirmação) é meramente formal. o disposto nos arts. do CPC português. promulgada em 05. no que couber. originalmente: (. o brasileiro o fez na própria lei especial (lei de arbitragem). Int. 4.10. no art. do STF. observando-se com as necessárias adaptações o disposto nos artigos 85º a 87º”.Competente para tal revisão em Portugal é. Desta maneira. 1094.. alínea “h”: a homologação das sentenças estrangeiras (. § único.processar e julgar.).1998. do CPC remete ao regimento interno do Supremo Tribunal Federal. Já.. do art. No direito brasileiro. O art. precipuamente. nos termos do art.2. A sentença arbitral estrangeira só terá os seus efeitos reconhecidos no direito português quando decorrida a sua revisão e confirmação. A lei de arbitragem (Lei 9. Em síntese ambos os legisladores. Assim. 3.Direito Brasileiro: O legislador brasileiro preferiu adotar uma posição diferenciada pois. a predominância ao direito internacional ou à lei especial sobre o sistema estabelecido na lei comum (CPC). da própria Constituição da República Federativa do Brasil. os efeitos da sentença enquanto ato jurídico probatório se produz automaticamente não sendo necessário o seu reconhecimento. 483.

do Protocolo). a Convenção de Genebra de 1927. da Convenção de Genebra). 1º). como o fato do Protocolo só garantir a execução interna das sentenças arbitrais pronunciadas no território nacional e que pelo menos uma das partes pertencesse a um dos Estados contratantes. pois nos restringiremos aos tratados e as convenções de maior abrangência tais como o Protocolo de Genebra de 1923. 4. o processo de execução conduzia ao duplo exequatur. entre eles Portugal e Brasil. a doutrina vem apontando quatro problemas como a exigência de uma dupla reciprocidade tanto pessoal como territorial. do Protocolo de Genebra). 2º. O primeiro passo foi à celebração do Protocolo de Genebra de 1923.No que tange ao direito internacional as eventuais convenções bilaterais onde Portugal e o Brasil façam parte não serão abordas. a Convenção e o Protocolo acabaram por formar um único bloco na questão da arbitragem internacional e o reconhecimento e execução de sentença arbitral estrangeira. a NI. primeiro no país de origem e depois 6 . por último.O Protocolo de Genebra de 1923 e a Convenção de Genebra de 1927: A procura pela uniformização dos tramites legais para o reconhecimento e execução das sentenças arbitrais estrangeiras para otimizar os procedimentos de administração da justiça e a concretização do resultado pratico pretendido se iniciou durante a década de 20. a Convenção Interamericana sobre a Arbitragem Comercial Internacional (Convenção do Panamá) de 1975. 1º. de 24 de Setembro relativo ao reconhecimento da convenção de arbitragem e. Desta maneira.1. que teve a ratificação de 30 Estados. 1º e 3º. esta será a do lugar que regulará o processo arbitral. incluindo a constituição do tribunal arbitral (art. Entretanto. assim aplicava-se apenas às decisões proferidas no territorial de um Estado contratante e com as partes pertencentes aos Estados contratantes (art. A Convenção de Genebra de 1927 veio exatamente suprir esta lacuna ao estabelecer que a sentença arbitral estrangeira proferida como conseqüência de compromisso arbitral ou cláusula compromissória previsto pelo Protocolo (art. sendo omisso sobre a eficácia das sentenças arbitrais estrangeiras (art. As Nações Unidas ciente do alcance atingido por este Protocolo sentiram a necessidade de suprirem as lacunas nele existentes. na falta de manifestação pelas partes da lei aplicável ao litígio. 1º) será reconhecida e executada em qualquer país parte na Convenção (art. a Convenção Interamericana sobre Eficácia Extraterritorial das Sentenças e Laudos Arbitrais Estrangeiros de Montevidéu (CIDIP II) e.

1º e 4º. nos incisos d) a h).Âmbito material: Como afirmamos nas linhas iniciais deste texto esta Convenção apesar de ser denominada por Convenção sobre o reconhecimento e execução de sentenças estrangeiras. enquanto que a NI é universal.411. do art. O Brasil faz parte desta Convenção.2.3. 1º afirma que as suas normas “(. I.. nº 3. como a prevista no art. através do Decreto Legislativo nº 93/95 e pelo Executivo em razão da publicação no Diário Oficial de 03/12/1997 do Decreto Presidencial nº 2. a laudos arbitrais. 4. 2º que indicam as formalidades que se referem a autenticidade.no da execução (arts. tendo sido aprovada pelo Congresso Nacional. de 09/05/1996. deste mesmo artigo. de 02/12/1997. a primeira limita-se aos Estados Americanos. em 20/06/1995.1. a falta de adesão e participação dos países economicamente mais importantes.A Convenção Interamericana sobre Eficácia Extraterritorial das Sentenças e Laudos Arbitrais Estrangeiros de Montevidéu (CIDIP II)5: Esta Convenção em seu art. estão estabelecidas as condições que as decisões devem reunir para obterem a sua eficácia.) aplicar-se-ão. A NI prevê a possibilidade do Estado Contratante ao depositar o seu instrumento de adesão (art. 4. X) proceder a reservas. e por último. b).A Convenção Interamericana sobre a Arbitragem Comercial Internacional (Convenção do Panamá) de 19754. o problema não era da Convenção e tão pouco do Protocolo em si. 5 Panamá) de 1975. 7 . Esta convenção introduziu uma importante inovação ao incorporar as decisões acerca da matéria laboral. mas.A CONVENÇÃO DE NOVA IORQUE DE 1958: 5. da qual Portugal também não faz parte. 2ª 4 Portugal não faz parte desta convenção ao contrário do Brasil que a recepcionou mediante Decreto nº Tal como a Convenção Interamericana sobre a Arbitragem Comercial Internacional (Convenção do 1902. 5. Esta convenção se assemelha em muito com a NI no que toca a limitação de defesa do réu. (Convenção do Panamá). a tradução e a legalização. da Convenção de Genebra). As condições para outorgar eficácia às sentenças internacionais estão previstas nos incisos a). em tudo o que não estiver previsto na Convenção Interamericana sobre Arbitragem Comercial Internacional (…)”. aborda também a questão da arbitragem ao estabelecer as condições de sua validade e procurando facilitar o seu reconhecimento.. mas se afastam em relação a abrangência pois. c). no tocante.

só pode ocorrer se uma lei 8 .3. que o Estado e outras pessoas coletivas de direito público podem celebrar convenções de arbitragem. 1ª parte que limita o âmbito de aplicação da NI as sentenças proferidas no território de um outro Estado Contratante. XIII. assim podese aplicar a NI às convenções arbitrais anteriores a entrada em vigor da convenção.Âmbito subjetivo: É irrelevante para a aplicação da NI a nacionalidade das partes. 7 COELHO. Veja sobre a questão da reciprocidade de uma forma geral CORREIA.º 3 que a “Convenção continuará sendo aplicável a sentenças arbitrais com relação as quais tenham sido instruídos processos de reconhecimento ou de execução antes de a denúncia surtir efeitos”. p. nem com a regularidade. A doutrina tem entendido que este artigo da NI se aplica a todas as sentenças arbitrais estrangeiras independentemente da data em que foram proferidas. expressamente. nº. bem como a reserva prevista no art. da Lei nº 31/86 que admitiu. reduziram para 30 (trinta) dias. 1º. o que acarreta a total disponibilidade desta convenção para ser aplicada a um Estado quando este se submete à arbitragem7.parte. 72). no entanto. n. a doutrina vem defendendo que se deve prevalecer o critério da máxima cobertura pela NI. bem como a sua natureza.Âmbito temporal: A NI no art. XII. já que a condição da reciprocidade nada tem haver com o conteúdo da sentença ou a justiça da decisão. 10º) como a CIDIP-II (art. 6º) aplicava-se apenas às sentenças arbitrais proferidas depois da entrada em vigor do Protocolo de 1923. p. e no art. podendo estas serem pessoas singulares ou coletivas. 117 e ss. este fez a de reciprocidade6 (art. 13º) se espelharam neste preceito só divergindo ambas no tocante ao tempo. 6 É condenável tal posição do Estado Português. I. p. 1989. Desta forma. A NI estabelece em seu art. Esta capacidade de celebração. 109. Este âmbito subjetivo está presente no art. 1982. 5. nº 3. Já. O Brasil não formulou qualquer reserva a NI diferentemente de Portugal pois. 43 e VAN DEN BERG. 1981.2. a correção ou a lisura do processo em que ela foi proferida. 1996. ou seja. a processos arbitrais já iniciados. tanto a Convenção do Panamá (art. a Convenção de Genebra (art. 5. no que se refere aos litígios provenientes de relações contratuais e não contratuais. 1ª parte). I. do CPC Português que manteve a irrelevância da nacionalidade das partes. n. 4. nº 3. Ficando claro que prevalece a retroatividade (VAN DEN BERG. p. 10.º 2 dispõe que esta convenção entra em vigor no Estado 90 (noventa) dias após a data do depósito do instrumento de ratificação ou adesão.

p. 45) que se a convenção de arbitragem remeter a arbitragem para outro Estado. na jurisprudência. 6. I da NI. a convenção de arbitragem só será reconhecida. para caracterizar a relação em causa como internacional deve se observar os elementos de conexão. objetivo. relações plurilocalizadas que entram em contato com mais de uma ordem jurídica. para caracterizar uma relação como internacional é necessário verificar se seus elementos pertinentes ou substanciais não se encontram em um mesmo sistema jurídico. mas por tratar-se do reconhecimento e execução de sentenças estrangeiras ela pressupõe que a arbitragem deve versar sobre litígios emergentes de relações jurídicas internacionais. ou seja. se a convenção tiver como objeto litígios respeitantes às relações de direito privado. 8 Sobre esta caracterização do contrato como internacional. A Lei portuguesa nº 31/86 dispõe em seu art. 1999b.6. 2003. p. por causa de preceitos legais. Mas qual é a convenção de arbitragem que pode ser objeto da NI? Preleciona COELHO (1996. nas Convenções de Viena de 1980 e de Roma de 1980 e na CIDIP-V vide AQUINO. p. na doutrina. da CF/88). quanto à questão de o Estado participar como parte na convenção arbitral. poderemos aplicar por analogia o art. podendo estes ser de caráter subjetivo.O RECONHECIMENTO DA CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM: A NI consagrou algumas regras materiais relativas à convenção de arbitragem como fundamentais para facilitar o reconhecimento e execução das sentenças arbitrais estrangeiras. a doutrina deste país tem acatado plenamente esta possibilidade. 43-62. se estiver a realizar ou se destinar a ser realizada em um Estado Contratante. especial permitir ou. Entretanto. Assim.Objeto da convenção de arbitragem na NI: A NI não indica quais devem ser os objetos das convenções de arbitragem. Vide LEMES. Esta relação da internacionalidade é relevante e controvertida dentre as questões existentes no DIPr. 9 . Logo. A questão da nacionalidade não é relevante para aplicação da lei de arbitragem brasileira. transferência de valores ou mesmo envolverem interesses do comércio internacional8. através dos quais os seus elementos estruturais entram em contato com mais de um sistema jurídico. pois não é permitida a distinção entre nacionais e estrangeiros (5º. 32º que a arbitragem é internacional quando põem em jogo os interesses do comércio internacional.1. a legislação brasileira nada dispõe. então. 184-186 e 192-206. Se o Estado onde se invocar a convenção usou reserva da reciprocidade.

1994. Mas será que se aplica NI se a qualquer forma de convenção de arbitragem. Cfr. nº 2. no nº 2 que a convenção de arbitragem deve revestir-se da forma escrita.3. conforme se subtrai do disposto no art. nº 2. 2ª parte e no objetivo da NI. §2º. 3. 1. da Lei 9307/96 (Arbitragem brasileira).º. II. atribui a mesma relevância tanto a cláusula compromissória como ao compromisso arbitral10. ou seja. da Lei 9307/96) como a portuguesa (art. 9 Art.Requisitos da convenção de arbitragem: Para que cada Estado Contratante reconheça e de eficácia à convenção de arbitragem é necessário o preenchimento de determinados requisitos: 6. comentário do art. nº 2. art. que é o caráter uniforme e material das regras contidas neste artigo. este se efetiva pelas assinaturas.Formas da convenção de arbitragem: A NI em seu art. não será válida a convenção de arbitragem não escrita mesmo que a lei do foro admita qualquer forma. Apesar do Direito ser a ciência das exceções. art. exceção no caso da lei do foro disciplinar de forma diversa.2. II. A dúvida colocada é acerca de um Estado não exigir a forma escrita para a celebração da convenção de arbitragem. 4. 37.7. VII. Entendemos ser necessária a assinatura das partes nos documentos que instituem a convenção de arbitragem por ser condição sine qua non para a eficácia do ato. da convenção do Panamá. 6.3. 10 . da Convenção de Genebra. 10 dispõem que a convenção de arbitragem pode ser entendida como uma cláusula compromissória ou como um compromisso arbitral 11 Esta boa-fé no comércio internacional não deve ser apreciada conforme os padrões normalmente adotados pelas ordens jurídicas internas. p. mas sim segundo as condições particulares do comércio internacional. da Lei 31/86 Tanto a legislação brasileira (art. 2 reconhece que a convenção de arbitragem deve revestir a forma de um acordo escrito9 assinado pelas partes.Se a convenção de arbitragem remeter para o Estado onde se pretende que seja reconhecida ou se não indicar o lugar onde a arbitragem deve recorrer.A convenção de arbitragem deve ser escrita: A NI estipula em seu art. 11º. da Lei 31/86) (Arbitragem Voluntária portuguesa) e art. 6. 1º. Assim. se estiverem envolvidos litígios internacionais. 1. mesmo que a parte interessada procure o reconhecimento e execução de uma sentença arbitral através da escolha de uma lei que permita a forma não escrita da convenção arbitral e mesmo que tenham durante o transcorrer do processo arbitral procedido segundo as regras da boa fé no comércio internacional11 esta não terá eficácia.1. 1º. § 1º e 9º. nº. do UNIDROIT.

3. nº 2. que a lei brasileira admite a celebração da convenção através da internet. 6. Preleciona COELHO (1996. na sua opinião “não será válida uma convenção que submeta à arbitragem todos os litígios que possam vir a surgir entre as partes”.3. ainda. na convenção de arbitragem. existe a dúvida se é necessária a assinatura para as cartas e telegramas. Quando a NI se refere há um relacionamento jurídico definido (relação jurídica determinada) não se refere ao conteúdo da cláusula arbitral. alínea “a” (COELHO. telegrama e. pois. nº 1). II. V. 46). A lei brasileira não disciplina sobre os meios de que se pode efetivar a celebração da convenção de arbitragem. Resta saber se é necessário. p. assim. 46 entende não ser possível esta solução. 13 COELHO. Já a lei portuguesa admite outros meios tecnológicos. 1996. 6. p. Entendemos. não importando o meio pelo qual a celebração se procederá. Devido ao fato da NI datar de 1958 e prever como possíveis formas do acordo a carta ou telegrama12. Para isto ocorrer às partes devem ser capazes de celebrar a convenção ao abrigo da lei que lhes for aplicável ou no caso de omissão quanto à lei 12 A NI é mais restrita que a Convenção do Panamá.Objeto da convenção deve ser passível de resolução pela via arbitral: Deve-se observar se a lei de onde a arbitragem vai se suceder e a lei do Estado onde a parte irá requer o reconhecimento permitem que o litígio seja resolvido pela arbitragem.2. mas sim a relação jurídica existente que originou aquela cláusula13.3. pois esta admite a celebração por carta. telex. pois em caso negativo o litígio não poderá ser resolvido em analogia ao disposto no art. 47) que diante do contexto do comércio internacional a formalidade da assinatura não deve prevalecer. apesar da NI permitir a celebração por carta ou telegrama não existe impedimento para que esta celebração seja feita por outros meios desde que seja escrita. tal como a Internet onde é possível se firmar um acordo em segundos bastando para tanto um simples clique.3. Sendo assim. estarem expressos quais os litígios que poderão ser submetidos à convenção. 6.Entretanto. 1996. ela não está adequada aos novos meios tecnológicos. 11 .4.Validade da cláusula: Para que surjam efeitos a convenção arbitral deve ser válida.A convenção deverá ter por objeto uma relação jurídica determinada: A convenção de arbitragem prevista na NI só pode ser acionada se existir um litígio entre as partes e se tiver como objeto uma relação jurídica definida derivada ou não de uma relação contratual (art. eficaz e possível de adimplemento.

26. da Lei nº 31/86). bem como aquelas proferidas por instituições de arbitragem as quais as partes submetem o julgamento de determinado litígio (art.4. 12 . em qual momento poderá ser invocada a existência da convenção de arbitragem? Entendemos que é na primeira oportunidade que a parte tiver de intervir no processo15.1. um alcance mais 14 RECONHECIMENTO E EXECUÇÃO DAS SENTENÇAS A propósito da redação deste artigo vide COELHO. Observando pelo lado prático a decisão arbitral é uma sentença de conteúdo funcional idêntico à decisão judicial e que produz os mesmos efeitos que esta desde que previsto na legislação (art. p. p. inoperante ou inexeqüível14. 1996. assim impera o princípio na dúvida pró-arbitragem (MARTINS. V. pois observando o art. 48-49 onde chama à atenção para as COELHO. O primeiro critério é o da territoriedade (positivo) no qual uma sentença será estrangeira quando proferida no território do Estado que não é aquele em que são pedidos o reconhecimento e a execução da sentença tendo. nº 1. p. 31. nº 3 c/c o art. É de se registrar. I. II. 1996. o acordo não pode ser nulo e sem efeitos. 6.aplicável. 1996. 216 e COELHO. No entanto. da NI percebe-se que neste está fixado dois critérios. 7ARBITRAIS: 7.Sentença arbitral estrangeira: Segundo a NI a sentença arbitral é a decisão proferida por árbitros nomeados para determinados casos. não só isto. um positivo e outro negativo. III. 49). da NI. I. estarão sujeitas ao resguardo da lei do país em que for proferida a sentença e. p. nº 2). 1999a. assim.Efeitos do reconhecimento: Ocorrendo controvérsia quanto à submissão da matéria à arbitragem seja por qual motivo for o juiz se requerido por uma das partes – normalmente o réu – deve remeter o caso ao juízo arbitral. nº 2. que a própria NI define que para a convenção de arbitragem ser valida. alínea “a” o reconhecimento e a execução de uma sentença arbitral serão recusados se a parte contra a qual for invocada a sentença fizer prova da invalidade da referida convenção ao amparo da lei aplicável. 15 aplicação analógica ao art. nos termos do art. nº 1. da Lei nº 9307/96 e art. ainda. nº 3. Como poderemos determinar quando a sentença arbitral é estrangeira? Observando-se o art. II. 49 afirma que este momento deverá ser observado de acordo com a lei do foro por divergências existentes entre os textos oficiais da NI.

Processo: A NI assenta em dois princípios o regime processual do reconhecimento e execução de sentença arbitral estrangeira17: a) princípio da liberdade processual. Entretanto para a NI o segundo critério está na sentença proferida no Estado que a não reconhece como nacional (negativo). O segundo princípio referido na parte final. 1996. do art. a aplicação das regras previstas para as sentenças arbitrais estrangeiras em geral divide-se em dois grupos – aquele que possui regras especiais de processo para as sentenças arbitrais especiais e aquele que possui o mesmo procedimento tanto para as sentenças arbitrais estrangeiras como para as sentenças judiciais estrangeiras. opinião de COELHO (1996. 1º. 1981. Coloquemos a questão de uma sentença arbitral estrangeira que já foi homologada e executada no Brasil. demonstra que neste caso uma sentença proferida em Portugal mas que a arbitragem tenha decorrido no estrangeiro será considerada estrangeira em virtude do art. são consideradas sentenças estrangeiras neste Estado16. apesar de terem sido proferidas no território de determinado Estado. p. III. mas que também necessita ser homologada em Portugal. 1996. e. da NI o qual remete para as regras de processo do Estado requerido para reconhecer e executar a sentença18. 417 e ss. p. da Lei nº 9307/96) preferiu qualificar a sentença arbitral como estrangeira sempre que esta for proferida fora do território nacional. b) princípio da não discriminação processual. 13 . Assim. Além dos princípios mencionados faz referência aos tratados multilaterais ou bilaterais entre os Estados Contratantes e ao princípio do tratamento mais favorável.41-44). mas a propósito de um litígio puramente interno para esse país (COELHO.2. 50-52. VII. nota 24. traz os princípios gerais quanto ao reconhecimento e execução de sentenças arbitrais. este critério é absolutamente necessário para se poder aplicar a NI às sentenças que. 16 COELHO. da convenção de Genebra. A liberdade processual está consagrada na primeira parte. 17 COELHO. 37. p. No entanto. p. por último. da Lei nº 31/86. 1996. 50 e ss. o caso de se fazer uso do mesmo procedimento tanto para a sentença arbitral nacional como para a estrangeira. o legislador brasileiro (art. III. 34. 7. 42. 1996. da NI estabelece a igualdade de tratamento entre a sentença arbitral nacional e a estrangeira. do art. § único. Esta sentença poderá ser considerada judicial ou continuará a ser arbitral? Entendemos que a sentença continuará a ser arbitral. 43) e VAN DER BERG (1981. Em face do art. da NI a parte interessada poderá escolher se solicitará o reconhecimento e a execução pela NI ou pela lei nacional ou tratados em vigor no país requerido onde se pretende obter tais efeitos. p. a NI será aplicada quando uma sentença for proferida no estrangeiro. p. p.amplo que o art. 347). Vide VAN DER BERG. 18 Têm-se como hipóteses a criação de regras especiais de processo. COELHO.

IV. Resulta do texto do art. p. Não podendo. da NI determina quais os documentos que deverão ser juntados ao requerimento de reconhecimento e execução de sentença arbitral. III visa somente evitar que se criem condições extras que causem uma diferença gritante entre o reconhecimento e execução de sentença arbitral estrangeira e arbitral nacional. seja estabelecido um processo mais exigente do que o previsto para as sentenças nacionais “o que não pode ocorrer é uma dificuldade flagrante entre um processo e outro de modo a dificultar o reconhecimento e execução das sentenças arbitrais estrangeiras”. Assim. IV. da NI que as condições para o reconhecimento e a execução das sentenças arbitrais são as estabelecidas nas suas normas. 7. Então a igualdade de tratamento entre as sentenças nacionais e as estrangeiras está interligada a liberdade processual. 2004). da NI). V e VI (CARPI. III. a NI estabelece condições simples para este reconhecimento e execução. V e VI. pois. O princípio da não discriminação visa assegurar que nenhuma condição adicional seja imposta e que possa impedir a livre execução do laudo arbitral. seria qualquer outra que não as constantes do próprio texto da Convenção. nº 1. assim. 50-51) que esta regra não impede que. pois. da NI. IV. para entender este princípio deve observar conjuntamente ambos os princípios. ou seja. a única interpretação possível é a de que os Estados Contratantes terão a liberdade de estabelecer o mecanismo de reconhecimento e execução das sentenças arbitrais segundo as leis onde o processo é invocado (PINTO. Logo. Na opinião de PINTO (2004) o texto da NI cuida das condições segundo as quais o reconhecimento e a execução das decisões arbitrais estão subordinados. serem exigidos pela lei do foro outros além dos previstos no art. Há liberdade outorgada aos Estados signatários para constituírem procedimentos para o reconhecimento e execução conforme as leis locais. para a sentença arbitral objeto da NI. Assim. do art. 14 . Assim. 1986. 386). Quando falamos em condição imposta estamos nos referindo a restrições extras convenção. p.Formalidades: O art. a parte só deve juntar a sentença original ou cópia autenticada e a convenção arbitral (art. as condições da NI estão previstas nos artigos IV. Trata-se aqui de condições para o reconhecimento e execução e não mais os procedimentos para tal. mas os órgãos judiciais competentes de cada Estado Contratante estão obrigados às condições contidas nos artigos IV.3. a finalidade da 2ª parte.Preleciona COELHO (1996.

4. V. defende-se que deverá se recorrer às regras de conflito do Estado requerido (VAN DER BERG.Fundamentos da recusa do reconhecimento e execução das sentenças arbitrais: O art. 7. 1989. b) Invalidade da convenção de arbitragem: De acordo com este fundamento em análise. V. 54). da NI estabelece. nº 1. 1996. enquanto os dois fundamentos previstos no nº 2 são de conhecimento oficioso. segundo a lei que lhe é aplicável. a submissão da questão à justiça privada. 272 e COELHO. 7. 392). alínea “a”. nº 1. da NI). A capacidade é elemento essencial para a legitimação do ato jurídico. da NI estabelece como fundamento de recusa do pedido de reconhecimento e execução das sentenças arbitrais que as partes celebrantes da convenção de arbitragem não sejam legalmente capazes.Fundamentos invocáveis pela Parte: a) Incapacidade das partes outorgantes da convenção de arbitragem: O art. p. 1985. no caso de omissão quanto à lei aplicável. exceção feita aos fundamentos oficiosos (PUNZI. a convenção arbitral tem que ser válida no abrigo da lei que as partes se sujeitaram ou. taxativamente. 1996. p. p.1. pois. Os fundamentos previstos no nº 1 deste artigo devem ser alegados pela parte contra a qual se invoca a sentença arbitral. as causas que podem fundamentar a recusa do reconhecimento e da execução de uma sentença arbitral. Entretanto.No caso destes documentos não estarem na língua oficial do país requerido será necessário se proceder a tradução dos mesmos bem como a sua autenticação (art. IV. Se faltar a referência na convenção à lei aplicável para a averiguação da capacidade das partes. 1981. prevalecerá a lei do país em que foi produzida a sentença (art. A NI estipula que o ônus probatório da validade da sentença pertence a parte que se opõe ao pedido. 15 . As matérias capazes de obstruir o reconhecimento e a execução devem ser apresentadas pelo demandado. há quem defenda que este artigo da NI estabeleça uma presunção de executabilidade das sentenças arbitrais (CARPI. V.4. p. isto é. p. existe uma presunção de veracidade no pedido ofertado pelo demandante. 55). 281 e COELHO.

16 . Deve ser respeitado conjuntamente o princípio de igualdade de tratamento entre as partes e o direito de cada parte. nº 1. 297). V. Assim. p. p. V. como tal a autoridade competente de cada país deverá oficiosamente indeferir o pedido. Se não for desta forma estaremos indo contra a ordem pública processual e. c) Violação dos direitos de defesa: Este dispositivo evita que o procedimento seja efetivado sem a observância do contraditório. assegurada por não ser possível a violação do direito de defesa ao abrigo da convenção de arbitragem celebrada pelas partes. A posição da parte fica. 57). 57). por outras razões. 1981. 1981. apresentar seus argumentos (art. p. 297). ainda. A concretização deste artigo deve ser feita conforme a lei do foro (VAN DER BERG. d) Decisão para além dos termos previstos na convenção de arbitragem e possibilidade de execuções parciais: Outro caso estabelecido na NI que enseja o indeferimento do pedido de reconhecimento e execução da sentença arbitral estrangeira é o fato desta estar em desacordo com os termos e condições da convenção de arbitragem ou que exceda o que foi nesta estipulado. 1996. alínea “c”. Nos termos da segunda parte do art. ou que lhe foi impossível. p. 1996. mas não basta qualquer violação esta deve ser grave (COELHO.alínea “a”). (VAN DER BERG. Este artigo consagra uma regra de conflito que substitui as regras do país em que é solicitado o exequatur. na falta de indicação na convenção de arbitragem será a lei do país em que foi proferida a sentença. Contudo. para que o fundamento seja eficaz é necessário que a parte contra a qual a sentença é invocada não tenha recebido a notificação apropriada acerca da designação do árbitro ou do processo de arbitragem. se parte não fizer valer os seus direitos de defesa não pode vir depois alegar este fundamento para impedir o reconhecimento e execução (COELHO. da NI é permitido o reconhecimento e execução parcial desde que o conteúdo da sentença submetido a arbitragem possa ser destacado das questões que não serão submetidas a arbitragem. alínea “b”). uma vez que esta não pode afetar negativamente os direitos de defesa das partes. nº 1. É de se concluir que a NI apenas se refere aos casos de ultra ou extra petita. Se à parte contra a qual é invocada a sentença fizer prova da invalidade da convenção de arbitragem quem deverá verificar a validade da mesma? A apreciação desta far-se-á segundo a lei a qual as partes se submeteram e.

p. a manifestação da vontade é algo sublime e intocável. assim sendo. 327). quando o tribunal arbitral não resolveu todas as questões pendentes e submetidas a ele. Destarte.Uma questão que pode levantar dúvida é sobre a validade de uma sentença arbitral infra petita. Trata-se de uma proposta da Câmara de Comércio Internacional que considera a Convenção de Genebra de 1927 excessivamente agregada a lei do país onde a arbitragem se realizou. 17 . desde que seja absolutamente certo que quanto a estes o tribunal arbitral tenha poderes. 58) argumenta adicionalmente a favor desta tese que não existem no caso da sentença infra petita as mesmas razões que levaram a consagrar como fundamento do reconhecimento e execução de uma sentença arbitral o excesso de pronúncia. deve ser considerada válida a sentença relativamente aos aspectos decididos. Esta possibilitava a recusa de conceder o exequatur à sentença se a composição do tribunal arbitral ou o processo não estivessem com a lei do país da arbitragem. 327)20. 1981. V. para a lei do país onde teve lugar a arbitragem. Assim. 1981. Se porventura as partes livremente estipularem as regras e estas infringirem as normas imperativas do lugar da arbitragem ou ainda se violarem o direito de defesa 19 Esta alínea “d” consagrou a autonomia privada. Deve-se entender a lei do país em que a arbitragem teve lugar como a lei do local onde a sentença foi proferida (VAN DER BERG. a solução consagrada permite uma maior prevalência ao estipulado pelas partes na convenção de arbitragem em prejuízo do Direito nacional. COELHO (1996. uma vez que o tribunal não excedeu a sua competência. p. nº 1. Esta disposição permite não só as partes referirem-se a uma lei de arbitragem como também a criarem autonomamente regras de processo. mesmo que violem as normas imperativas do lugar de arbitragem (VAN DER BERG. p. p. Logo. 20 A NI a este propósito é inovadora em relação à Convenção de Genebra de 1927. alínea “d”. remetendo no caso de omissão da convenção de arbitragem a este respeito. Qualquer tentativa de violação nesse sentido deve ser desencorajada e coibida. ressalva para a ordem pública e os bons costumes. da NI): O fundamento de recusa do reconhecimento e execução das sentenças arbitrais estrangeiras consagra a autonomia privada das partes19 em matéria de regras de processo. Preleciona VAN DER BERG (1981. 318) que uma sentença infra petita não constitui fundamento de recusa do reconhecimento e execução da mesma como estabelecia a Convenção de Genebra de 1927. ou seja. o alcance e os efeitos do acordo de vontades deve sempre corresponder a livre manifestação e ao intuito das partes. e) Violação das regras sobre a constituição do tribunal arbitral e das regras de processo (art. e assegura plena eficácia quando verificado o amplo exercício do livre arbítrio por parte do interessado.

Manifesta-se. “d” e “e” (COELHO. alínea “e”. O conteúdo e alcance da definição de “sentença obrigatória” têm sido objeto de muita discussão no estrangeiro. p. da NI consagrou como fundamento de recusa do reconhecimento e execução das sentenças arbitrais o fato da decisão ainda não ter se tornado “obrigatória” para as partes21. preleciona FOUCHARD (1965. Logo. V. força executiva no país de origem (COELHO. 60). Para alguns autores a questão deverá ser entendida em conformidade com a lei aplicável à sentença. 350). a apresentação do original ou cópia autenticada da sentença e transferindo para o demandado o ônus de provar não ser a sentença obrigatória para as partes.4. remetendo esta para cada Estado. para que se possam ser recusados o reconhecimento e a execução de uma sentença arbitral com fulcro neste fundamento é necessária que a sentença tenha sido anulada naquele país em que foi proferida ou conforme a lei do país no qual foi proferida a sentença (VAN DER BERG. 536) que esta questão não se encontra resolvida na NI. porém. No entanto. Sendo a interpretação mais usual do termo “obrigatória” a sentença que não é mais susceptível de recurso. unicamente.Fundamentos de conhecimento oficioso: a) Inarbitrabilidade: 21 Diversamente do que prescreve a Convenção de Genebra de 1927 que determinava que a sentença deveria ser definitiva. Assim. 18 . V. 1996. f) Falta de obrigatoriedade da sentença: Deixou de ser necessária que à sentença seja atribuída o duplo exequatur. a necessidade de se saber quando uma sentença é obrigatória? Entretanto. primeiro no país de origem e depois no país onde se pretendia ver reconhecida e executada a sentença. alínea “e”. o que acarretava a exigência de um duplo exequatur para a sentença arbitral. existem diversas vertentes que analisam quando uma sentença se torna obrigatória.2.poderá se invocar como fundamento às alíneas “b”. p. impondo ao interessado requerente. a ponto de os negociadores de a NI buscarem eliminar ou minimizar essa conseqüência. 1981. p. o art. da NI): A competência para anulação ou suspensão da sentença é a do país em que ou segundo a lei do qual a sentença foi proferida. g) Anulação ou suspensão da sentença (art. nº 1. 7. ou seja. 59). “c”. 1996. 2ª parte. p. nº 1.

o entendimento comum da Doutrina22 é que a lei segundo a qual deverá ser aferida a arbitrabilidade do litígio em causa para efeitos de recusa do reconhecimento e execução das sentenças é a lei do foro. logo ela é exógena DOLINGER.) A ordem pública afere-se pela mentalidade e pela sensibilidade média de determinada sociedade em determinada época”. O conceito de ordem pública que engloba o princípio dos bons costumes e. p. A ordem pública encerra. (. Cabe ao poder Judiciário. a lei do estado onde se pretende ver reconhecida e executada a sentença. moral e econômico de todo o Estado constituído. Tendo em vista o conteúdo subjetivista que cerca o conceito de ordem pública e a falta de homogeneidade na sua aplicação. será aplicada em detrimento de qualquer norma 22 Ver por todos VAN DER BERG. p. isto é. alínea “b”). árdua e cheia de incertezas a tarefa de precisar a ordem pública e a noção de sua contrariedade. os planos políticos. sentir a “ordem pública” que não se manifestará necessariamente em normas de direito positivo. ao Estado de Direito. 1991. 369. É. nº 2. A ordem pública não é um fator endógeno. Discorre DOLINGER (1993. hoje em dia. isto é. em princípios. e o cumprimento das sentenças arbitrais estrangeiras somente deve ser recusado se a execução correr risco de ferir a concepção fundamental que o Estado do foro faz da justiça e da moralidade (SOUZA JR. não é de simples definição. Assim.. assim. V. jurídicos. Diante desta realidade. 324) que “o princípio da ordem pública é o reflexo da filosofia-sócio-politica-cultural de toda a legislação. o elemento que dá ensejo a sua violação. que representa a moral básica de uma nação e que atende às necessidades econômicas de cada Estado. A ordem pública não é definível em valores precisos. 321). mas representa valores que pairam sobre as leis. como já vimos. 19 . b) Ofensa à ordem pública: O reconhecimento e execução de uma sentença arbitral poderão ser recusados se o tribunal considerar que tal será contrário à ordem pública do país do foro (art. 341-342).Ao prever a hipótese de inarbitrabilidade do litígio a NI teve em mente a multiplicidade de ordenamentos legais em vigência. porque estes devem acompanhar a evolução da sociedade. 1981. (1993. uma lei será imperativa. p. a Corte Distrital de Nova Iorque proferiu o seguinte julgamento: a ordem pública no sentido emprestado pela NI deve ser interpretada restritivamente.. da menos imperiosa soberania nacional. p. com vicissitudes e alcances não homogêneos sobre o campo de aplicação da arbitragem. costumes e outras fontes. ou seja.

Na realidade a NI estabelece que “(…) a autoridade perante a qual a sentença está sendo invocada poderá se assim julgar cabível. alínea “e”. 1996. 62-63. alínea “e” e VI.Suspensão da execução: A questão da suspensão da execução da sentença surge quando a parte vencida na decisão arbitral procura invalidá-la no Estado de origem.5. uma vez que a NI não estabelece um regime para declarar a invalidade das decisões arbitrais. Entendemos que apenas o tribunal do país onde a decisão foi proferida tem jurisdição para confirmar ou anular estas decisões. No 23 Por todos vide COELHO. p. agora caberá apenas ressaltar que o reconhecimento e a execução de uma sentença arbitral não poderão ser recusados com fulcro no art. 7. V. p.internacional concorrente indicada pelas regras de conflitos de leis enquanto abrigar valores de ordem pública MACHADO. VI). Nas situações em que já foi interposta uma ação para suspender ou anular a sentença arbitral e em que não está satisfeito o requisito do art. O resultado é a existência de várias ações sobre o mesmo litígio. da NI. adiar a decisão quanto a execução da sentença e poderá. Sendo certo que já nos referimos sobre o alcance do primeiro dispositivo e. esta previu a possibilidade da autoridade perante a qual foi requeridos o reconhecimento e a execução deferi-los ou não. da NI. se torna pertinente distingui o âmbito de aplicação dos arts. este artigo faz referência ao fato de “anulada ou suspensa por autoridade competente”. 20 . pois. a pedido da parte que reivindica a execução. alínea “e” se a ação de anulação da decisão arbitral apenas estiver pendente. assim a relevância destes casos sob a égide da NI coloca-nos o problema de saber qual o regime que se deve observar. A NI visa promover a uniformização do reconhecimento e execução das sentenças arbitrais estrangeiras. Esta decisão é discricionária. V. nº 1. enquanto a parte vencedora procura executá-la num outro país. nº 1. 253-272). os estudos da NI elaborados pela doutrina têm-se inclinado para considerar que só deverá relevar como fundamento de recusa do reconhecimento e execução à violação da ordem pública internacional23. nº 1. ordenar que a outra parte forneça garantias apropriadas” (art. A NI procurou evitar estes potenciais conflitos ao prever a suspensão da execução durante e antes de ser proferida a decisão sobre a anulação da sentença arbitral. Contudo. (1997. igualmente. Assim. V.

a NI não estabeleceu os critérios que os tribunais devem considerar para decidirem sobre a suspensão da execução. Prescreve-se. Logo. 350 e TUPMAN. fosse teria sido estabelecida à obrigatoriedade da suspensão e não uma mera faculdade. Não podemos tomar uma posição radical acerca da suspensão de todas as ações. Estes prejuízos24 são maiores para a parte que obteve o ganho de causa na arbitragem. Este posicionamento acarretaria um sério atraso e uma enorme dificuldade para o reconhecimento e execução das sentenças arbitrais e certamente este não é ideal fulcral da NI. Poderíamos ser criticados pela redundância e pelo não posicionamento no que se refere a suspensão da execução da sentença quando estiver em andamento uma ação de anulabilidade da decisão. 1987. um ônus de prova que a sentença arbitral poderá ser com alguma probabilidade anulada. p. o que obrigaria o tribunal de execução a apreciar tais vícios com fulcro numa lei que não lhe é particular. 24 Para a qualificação destes prejuízos nos contratos comerciais internacionais vide AQUINO. A jurisprudência quanto a esta questão tem fundamentado suas decisões na possibilidade e probabilidade da decisão executada poder ser anulada no país onde foi proferida. p. assim. este raciocínio fundamentaria a suspensão de toda decisão que tivesse sido requerida a anulação da sentença arbitral. 2003. Certamente. pois. Entretanto. p. existindo sempre a possibilidade da decisão em causa poder ser anulada.entanto. este não é o objetivo da NI. 21 . na provisoriedade e inconstância dessa decisão (TUPMAN. 221) sugere que o tribunal deve conceder a suspensão da execução se à parte que a requereu oferecer prova sumária de que o acórdão possui algum vício que provavelmente conduzirá à sua anulação no país onde foi proferido. uma vez que devemos ter em consideração a ponderação do prejuízo que a suspensão pode acarretar para as partes. se assim. isto é. nota nº 149. p. esta solução poderá trazer soluções indesejáveis. A doutrina mais abalizada (VAN DER BERG. 109. 1981. 1987. 212 e ss). pelo que a suspensão só deve ser concedida em casos extraordinários. pois o requerente irá certamente alegar os mesmos vícios que alegou no tribunal onde foi intentada a ação de anulação.

nº 3. um ônus à parte. Todavia. p. evitar que a parte perdedora utilize meios para dilatar a execução da decisão arbitral. No entanto. a jurisprudência americana afirma que tais medidas violariam o disposto no art. O direito brasileiro só admite medidas cautelares se as partes assim convencionarem no compromisso arbitral. Diversamente da Lei Modelo da CNUDCI (art. opositora. Assim. à doutrina e à jurisprudência determinar a sua aplicação.Esta solução visa.Procedimentos cautelares: À parte que logrou uma decisão favorável poderá requerer. deste modo. 1989. Desta maneira. portanto. o que pode ser extremamente necessário para que o credor possa executar a sentença que lhe foi favorável. sob pena dessa decisão não se tornar efetiva. de que as providências cautelares são um exemplo. antes ou durante o eventual processo de reconhecimento e execução. VI. da NI se a parte opositora demonstrar que a execução da decisão causará mais prejuízos a si do que à parte que pretende reconhecer ou executar a sentença arbitral. 9) a NI não contém nenhuma disposição expressa sobre medidas cautelares. A NI aplica-se a arbitragens e a decisões reguladas pela lei do país onde são proferidas. Estabelece. é pacífico na doutrina que o efeito pretendido neste artigo é meramente o de subtrair da competência judicial o conhecimento do mérito do litígio. Contudo. II.6. 7. pois a Convenção proíbe que sejam seguidos meios judiciais. é de se concluir que a autoridade competente apenas deverá proceder a suspensão nos termos do art. Já no português não se encontra expressamente regulamentação sobre o tema cabendo. medidas provisórias cautelares relativamente aos bens da parte vencida para assegurar a existência de bens do patrimônio do devedor. num litígio submetido a arbitragem (VAN DER BERG. 15 e ss). também. o que significa que tal como sucede nas arbitragens internas os tribunais também podem ordenar providências cautelares nos casos que recaem no âmbito da NI pois. a sua admissibilidade e as respectivas regras de processo dependem da lei vigente no país onde a providência foi requerida. não se dúvida da admissibilidade destes procedimentos e da sua compatibilidade com os objetivos da NI com base de se conseguir uma decisão efetiva do litígio. o objetivo da NI é o de promover o reconhecimento e execução das sentenças 22 . da NI. procurando-se evitar que o pedido de suspensão a que se refere o art. VI constitua-se num expediente dilatório para procrastinar a execução da sentença.

pois. p. Assim. II. A NI trouxe expressamente a revogação do Protocolo e da Convenção de Genebra respectivamente sobre a Convenção de arbitragem e o reconhecimento e execução de sentença arbitral estrangeira na medida em que os Estados signatários “se tornem obrigados pela presente Convenção” (art. Assim. VII. n. 51). sem se esquecer que deve prevalecer o caráter uniforme e material das regras contidas no art. A doutrina não é unânime neste ponto. assim é necessário optar entre a lei nacional. e na medida em que. 7. assim em caso de conflito de convenções se deve aplicar a que tornar mais fácil o reconhecimento e a execução das sentenças. p. da NI). qual deve prevalecer? Não 23 . mas entendemos que este artigo é de aplicação oficiosa. Outro ponto polêmico está no fato de ser possível invocar determinadas disposições mais favoráveis da lei interna ou do tratado ou se deve recorrer-se a lei ou tratado como um todo. da NI. 1983. Entretanto.Concurso de convenções: A NI em seu art. este artigo permite a aplicação da lei nacional ou do tratado que se considere mais favorável. 1996. no caso do Brasil que ratificou tanto a Convenção do Panamá como a NI e que ambas possuem a mesma abrangência. esta última em art. nº 2. Em relação aos conflitos que poderiam surgir em relação ao Protocolo e a Convenção de Genebra para com a NI. A questão que se coloca é se este artigo é de aplicação oficiosa ou se trata de uma faculdade da parte. VII. 750).arbitrais a nível internacional. VII consagra o princípio da máxima eficácia. entende que só é permitida a remissão para o regime mais favorável em bloco. não há qualquer distinção a fazer entre a aplicação das medidas cautelares na arbitragem internacional e na interna (BOISSÉON. 84-87 e COELHO. este é objetivo da NY vez que a idéia da Convenção foi afastar o princípio tradicional da supremacia dos tratados internacionais sobre os direitos nacionais. A doutrina majoritária (VAN DER BERG.º 2 dispõe que o Protocolo e a Convenção “deixarão de ter efeito entre os Estados signatários quando. 1981. p.7. eles se tornem obrigados pela presente Convenção”. conferindo também a possibilidade ao juiz de optar pelo regime nacional mais favorável. tratado ou convenção internacional.

neste caso referem-se especialmente as condições e não aos procedimentos mencionados na 1ª parte do artigo. na sua ausência.10. originalmente: (. No entanto. 34 a 40. do CPC no que for necessário.existe qualquer disposição a este respeito. observar os arts. 24 .) alínea “h” a homologação das sentenças estrangeiras (. precipuamente. 257-295. 85 a 87. da Lei 9. é o do reconhecimento prévio das sentenças mediante revisão e confirmação (Português) e homologação (Brasil). p. III. promulgada em 05. constitui pressuposto prévio da execução. Assim. deve-se. cabendo-lhe: I. do CPC português onde demonstra que nenhuma sentença arbitral estrangeira tem eficácia sem estar revista e confirmada. Em Portugal deve-se observar o art.. O Juízo da homologação.)”. a finalidade da 2ª parte deste artigo visa somente evitar que se criem condições extras que causem uma diferença gritante para o reconhecimento e execução da sentença arbitral estrangeira em relação as nacionais. que é necessário para a sentença estrangeira adquirir executoriedade. de 23/07 (Lei de Arbitragem Brasileira). sendo competente o tribunal da Relação do distrito judicial do domicílio do requerido. o art. a guarda da Constituição. 102 que “Compete ao Supremo Tribunal Federal. Como vimos algures. Vide CORREIA. dispõe no art. 25 O sistema do direito português. como o do direito brasileiro.processar e julgar.A HOMOLOGAÇÃO DA SENTENÇA ARBITRAL ESTRANGEIRA NO DIREITO INTERNO: Tanto Portugal como o Brasil optaram por aplicar as regras previstas para sentenças arbitrais em geral25. nele não se examina o mérito da decisão proferida. inicialmente. da NI. estritamente de acordo com os preceitos desta lei. da NI dispõe sobre as condições de reconhecimento que elas não devem ser “substancialmente mais onerosas”. No Brasil.307/96. pois a sentença arbitral estrangeira será reconhecida e executada no Brasil em conformidade com os tratados com eficácia no ordenamento interno e. III. Entendemos que deve prevalecer a Convenção do Panamá por ser mais restrita aos Estados Americanos.. mas apenas determinadas condições que são indispensáveis para o exequatur. É necessária a homologação da sentença arbitral estrangeira pelo tribunal competente do Estado onde se requereu a homologação conforme exigência do art. 1094º.. a Constituição da República Federativa do Brasil. observando as disposições dos arts. 8.1998. 1989..

1. 86. deve também constar da carta de sentença trazer a decisão do agravo com as devidas assinaturas do Presidente. 35. Int. “b”). e) a contestação. como esta lei nada disciplina sobre a execução destas sentenças é necessário observarmos estes artigos do CPC. 102. Assim. Por este motivo é que o art. todavia.1. b) petição inicial. 484. A sentença proferida por juiz ou tribunal estrangeiro não tem eficácia executiva no Estado Brasileiro. 8. do CPC dispõe que “a execução far-se-á por carta de sentença extraída dos autos da homologação e obedecerá às regras estabelecidas para a execução da sentença nacional da mesma natureza”. ou pelo Relator do STF. da NI. e g) outras peças indicadas pelo requerente. A homologação deve provir do Supremo Tribunal Federal. seja ela declaratória ou executiva. a sentença arbitral estrangeira está sujeita.É de relevância primordial se observar o regime da lei portuguesa como o da brasileira para sabermos se tais dispositivos são compatíveis com o estabelecido no art. Em caso de ter sido proposto agravo regimental. o art. unicamente. do STF que são: a) a autuação.302/96). I. da Lei de Arbitragem prescreve que “para ser reconhecida ou executada no Brasil.Natureza jurídica da homologação do julgado estrangeiro: 25 . 36. A carta de sentença deverá conter o translado das peças indicadas pelo art.1. 723 e ss). f) a homologação do STF. Vol. sem ter sido homologada. III. 330 do Reg. Lei 9. de condenação ou constitutiva. 483 e 484 do CPC (art. 8. p. se a sentença transpor as fronteiras desta área territorial é necessário que a força que deixou de existir seja substituída por outra que não a decorrente da sua própria autoridade e da soberania do Estado de que é originária. Nenhuma sentença estrangeira adquirirá eficácia no Brasil. porque assim o exige a Constituição da Republica de 1988 (art. a homologação do Supremo Tribunal Federal” e no que couber aos arts. c) a procuração das partes. d) sentença arbitral devidamente traduzida se for o caso. Desta maneira. essa sentença é capaz de adquirir tal eficácia mediante homologação por sentença proferida pelo juiz nacional (GUIMARÃES. sempre e sempre.A Homologação e Execução da sentença arbitral estrangeira na Lei Brasileira: Toda sentença tem força executiva que a acompanha até o extremo da linha que delimita a área territorial do Estado onde foi proferida assim.

se o juiz da homologação vai examinar a pretensão executória. portanto. isso mostra que a homologação acrescenta algo à decisão emanada de juiz ou tribunal estrangeiro. Há uma pretensão 26 . mas sim de comprovar a existência da pretensão executiva.A homologação da sentença estrangeira é ato jurisdicional de caráter constitutivo. 299). 288) que a homologação é um ato de jurisdição voluntária assim. Assim. a sentença homologatória do juiz nacional não se apresenta com caracteres de sentença de condenação. a fim de que seus efeitos executórios sejam admissíveis também no Brasil. mas a sua eficácia de título executivo em nosso país depende da homologação. por isso que lhe imprime efeito executivo no território nacional. Pronunciamento condenatório é o que se contém na decisão estrangeira. A qualidade de título executório quem lhe confere no Brasil é o juízo de deliberação. Muito embora imprima à sentença estrangeira o caráter de título executório. não muda a natureza da sentença. o que realmente lhe acrescenta é a executoriedade no Estado brasileiro. um dos quais procura sobrepor-se ao outro: a pretensão é exigência da subordinação de um interesse alheio ao interesse próprio. a natureza do pedido de homologação tem natureza de uma ação constitutiva (LIEBMAN. o que decorre da circunstância de que o pronunciamento homolagatório é que dá à condenação proferida na ordem interna os mesmos efeitos que derivam da decisão do juiz estrangeiro. Indiscutível. o caráter constitutivo da homologação. portanto. p. o Supremo Tribunal Federal não cuida de compor uma lide. Sem a decisão homologatória. Entretanto. operação esta que deve ser levada a efeito ainda mesmo que se lhe não oponha resistência” (CASTRO. 289). mas não há contraste de interesses. não há que falar na existência exclusiva de contraste de opiniões. antes do pronunciamento positivo deste a sentença condenatória proferida no estrangeiro é aqui destituída de executoriedade. p. 1999. por isso que lhe confere efeitos que antes não possuía. 1927. porquanto a homologação incide sobre uma pretensão de caráter constitutivo que visa integrar a condenação proferida. a sentença estrangeira será inexeqüível no Brasil. No juízo da deliberação há esferas de interesses em contraste e antagonismo. Esta. Desta forma. A pretensão implica sempre dois interesses antagônicos. para o doutrinador “na instância da deliberação pode haver contraste de opiniões entre os interessados. p. impossível dizer que não existe conflito de interesses. Preleciona CASTRO (1999. A homologação acrescenta um plus a sentença estrangeira.

Int. 8. 37. b) que se trate de sentença irrecorrível (art. 102. do Reg. c) que se verifique ter havido citação. no que couberem. Devemos para tanto também observar que a Constituição em seu art. à homologação do Supremo Tribunal Federal”.Pressupostos intrínsecos da homologação: Quanto aos requisitos ou pressupostos internos exigidos está: a) que a sentença tenha sido proferida por juiz competente (art.1. do Reg. § 1. do Reg. do STF e art. 282.1. ainda. o original da convenção de arbitragem ou cópia devidamente certificada e acompanhada de tradução oficial (art. também que a sentença venha formalizada em documento original ou uma cópia devidamente certificada. da Lei 9307/96 e art.Pressupostos extrínsecos da homologação: Em relação à primeira espécie de requisitos declara o art. 217. II. II. 35. 217. Int. 483 e 484. 8. Tendo em vista as normas que disciplinam o instituto. além de ser acompanhada pelos documentos obrigatoriamente. 37.2. da Lei 9307/96). 217. 37. Int. perante os juízes brasileiros. do Código de Processo Civil (art. “h” disciplina que se deve vislumbrar o Reg. p. Int. § único. do Código de Processo Civil (art. para tanto analisar os artigos da lei de arbitragem e. da Lei 9307/96 em face do que determina a Constituição Federal deixou ao Supremo Tribunal Federal a regulamentação do instituto in verbis: “Para ser reconhecida ou executada no Brasil. da Lei 27 . b) aqueles pertinentes à sentença como ato processual decisório. unicamente. Int. os arts. VI. 36. 38. os requisitos da homologação se agrupam em duas categorias: a) aqueles de ordem extrínseca sobre a regularidade e autenticação da sentença estrangeira. da Lei 9307/96). a sanctio juris imposta na sentença arbitral estrangeira. do Reg. do STF). I. Necessário será. O art. do Reg. Logo. IV. III.3. 301). 39. Mas para se iniciar o procedimento de homologação é necessário que o seu pedido seja requerido pela parte interessada e que o articulado inicial esteja revestido dos requisitos do art. E. autenticada pelo consulado brasileiro e acompanhada de tradução oficial (art. ou que a revelia se deu legalmente (art. do STF que a sentença deve “ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias à execução no lugar em que foi proferida”. o juízo de delibação possui natureza contenciosa (LIEBMAN. do STF) bem como. portanto. III.insatisfeita do credor e futuro exeqüente que é a de tornar efetiva. do STF. da Lei 9307/96). da Lei 9307/96). 1927. I. do STF e art. 217. 217. a sentença arbitral estrangeira está sujeita. Int.

220. O art. II. 293). desde que respeitado o direito de defesa. II. da Lei 9307/96). a inteligência da sentença e a observância dos requisitos indicados nos arts. j) que não ofenda a ordem pública (art. 216. 39. 216. 217 e 218. da Lei 9307/96). segundo a lei do país onde foi proferida (art. V. I. § único. no prazo legal de 15 (quinze) dias (art. inclusive admitindo a citação por via postal com comprovante de recebimento. 38. a petição inicial é distribuída com os documentos obrigatórios (art. do STF) bem como. i) o objeto do litígio possa ser resolvido pela arbitragem (art. 38. Int. da Lei 9307/96). na sua falta. da Lei 9307/96) e. do STF e art. soberania nacional ou os bons costumes (art. Int.1. do Reg. do STF). f) que não tenha sido violado o princípio do contraditório.9307/96). bem como. g) que tenha sido proferida dentro dos limites da convenção de arbitragem (art. h) que a instituição de arbitragem esteja de acordo com o compromisso arbitral ou cláusula arbitral (art. com o instrumento de outorga de poderes ao advogado. da Lei 9307/96). 39. da Lei 9307/96 e art. em não sendo hipótese de proceder-se a sua emenda ou complementação por defeitos formais. do Reg. 28 . 38. Int.4. 8. e não a competência interna do Estado onde se requereu o reconhecimento (CORREIA. da Lei 9307/96). do STF. I. IV. mandará citar o requerido para contestar o pedido. e) a convenção de arbitragem era válida segundo a lei à qual as partes se submeteram ou. 38. de maneira que tenha impossibilitado a ampla defesa (art. 217. o relator. 37. do Reg. Assim. d) que as partes na convenção de arbitragem eram capazes (art. do Reg. Int.Do procedimento relativo à homologação: O pedido de homologação deve ser feito pela parte interessada que deve o instruir com todos os documentos necessário. p. II. Um esclarecimento que se deve vislumbrar é no tocante a forma da citação. 38. O procedimento previsto se encontra prescrito no Reg. da Lei 9307/96 disciplina que a citação pode ocorrer nos moldes da convenção de arbitragem ou da lei do país onde foi realizada a arbitragem. Uma vez autuada e distribuída. III. do STF). 1989. I. caput. da Lei 9307/96). 39. IV e 218. A contestação somente poderá versar sobre a autenticidade dos documentos. Int. o que se cumpre verificar é se foram atendidas as regras de competência internacional do país onde foi preferida a sentença. No que tange à competência.

bem como o pedido do dia para o julgamento (art. será extraída carta de sentença. em caso do pedido de homologação ser negado por vícios formais a parte poderá novamente interpor o pedido se sanados os vícios (art. da Lei 9307/96). Entretanto. do Reg. § único. Int. Int.2. do STF). do Reg. Int. Entretanto. o processo será distribuído para o julgamento pelo Plenário. se ocorrer à impugnação. ou seja. Int. do STF). constitui título executivo (art. o relator mandará ouvir o requerente no prazo de 05 (cinco) dias para apresentar replica ou. no prazo de 10 (dez) dias (art. do STF). se decorrido o prazo sem manifestação do requerente. Int. do Reg. do STF). deverá ser obedecidas “às regras estabelecidas para a execução da sentença nacional da mesma natureza”. 223. Se o requerido for revel ou for incapaz o relator dar-lhe-á curador especial. do STF. 484. do STF). § 3º. seguindo-se os demais trâmites procedimentais segundo a lei processual para o processo executivo de sentenças nacionais. o qual será notificado pessoalmente (art. IV) e. 224. será promovida no juízo competente a execução (art. Int. da Lei 9307/96. 29 . para o que se atenderá ao disposto do art. 37 a 39. 222. do STF). do curador ou do procurador-geral. bem como dos requisitos dos art. o relator enviará ao procurador-geral o pedido para a sua manifestação. caput. do Reg. § 3º. Só poderá ser negada a homologação quando o requerido demonstrar que o pedido não preenche o disposto nos arts. 40. 221. do Reg. Se não ocorrer a impugnação do pedido por parte do requerido.A Homologação e Execução da sentença arbitral estrangeira na Lei Portuguesa: Toda a sentença estrangeira. 221. 217 e 218. Concedida à homologação. o presidente do tribunal proferirá decisão que é passível de agravo regimental (art. Contestado o pedido. 38 e 39. para que produza plenos efeitos em território diferente daquele que foi proferida necessita ser incorporada à ordem interna. em princípio.do Reg. da Lei 9307/96 e arts. Isso quer dizer que a ação executiva deve ser proposta no juízo competente. do STF (art. do Reg. Int. cabendo ao relator os demais atos relativos ao andamento e à instrução do processo. Int. § único. 221. 8. 584. do Reg. do CPC brasileiro.

Por nada disciplinar a legislação arbitral portuguesa sobre o processo de reconhecimento é indispensável observarmos o CPC português.2.2. nº 2. ou seja. 8. igualmente ao brasileiro.Pressupostos externos da revisão e confirmação: Em relação a primeira espécie de pressupostos ou requisitos. As normas que disciplinam o instituto agrupam em duas categorias os pressupostos da revisão e confirmação: a) aqueles de ordem externa sobre a regularidade e autenticação da sentença estrangeira. b) aqueles internos pertinentes a sentença como ato processual decisório.Natureza jurídica da revisão e confirmação do julgado estrangeiro: A revisão e confirmação da sentença arbitral estrangeira é um ato jurisdicional de caráter constitutivo. observando-se as necessárias adaptações de acordo com os arts. 1095. 85 a 87 (art. Entretanto. de acordo o art. o Tribunal da Relação do distrito judicial em que esteja domiciliado o requerido. o nº 2 deste mesmo artigo disciplina que não é necessário tal reconhecimento quando tal sentença for usada como meio de prova em processo pendente em tribunal português. A qualidade de título executório quem lhe confere em Portugal é o juízo de deliberação. 8. a parte interessada 30 . do CPC português que não deve haver dúvida da autenticidade do documento de que conste a sentença nem sobre a inteligência da decisão. de 29/08) não dispõe sobre um processo especial para o reconhecimento da sentença arbitral estrangeira já que. deste diploma. do CPC português). 1094 deste diploma prescreve que independente de existir tratados ou convenções é obrigatória à revisão e confirmação. 26. Assim.O direito português. declara a alínea “a” do art.1. Estes artigos demonstram a competência territorial de forma geral.2. A Lei de Arbitragem Voluntária (Lei nº 31/86. o que resulta na necessidade de revisão e confirmação do julgado que se busca reconhecer e executar neste país. 1096. o art. Sem a decisão de revisão e confirmação a sentença estrangeira será inexeqüível em Portugal. não confere eficácia às sentenças arbitrais estrangeiras. Entendemos que apesar da legislação nada prever sobre os requisitos necessários para se iniciar o procedimento de revisão e confirmação. a “decisão arbitral tem a mesma força executiva que a sentença do tribunal judicial de 1ª instancia”.

nº 1. também que a sentença venha formalizada em documento original ou cópia devidamente certificada. “c” e “g”. nº 1. i) a decisão arbitral deva ser assinada pelos árbitros e deve ser fundamentada (art. “a”. alínea “c”. do CPC português e art. d) que respeite o disposto nas alíneas “a”. nº 1.deve requere-lo. e) que não tenha sido violado o princípio do contraditório e igualdade das partes (art. alínea “c”. no que se refere à autonomia da cláusula compromissória ambas 26 É interessante. a petição inicial deve estar revestida dos requisitos do art. alínea “d”. 27. nº 1. Já. do CPC português. b) que se trate de sentença transitada em julgado (art. portanto. nº 1. nº 1. alínea “e”. h) o objeto do litígio deve ser susceptível de ser resolvido pela arbitragem (art. do art. 27. 1094. Em relação à competência. 27. não deixar de mencionar aqui que a recente Lei 38/2003 que alterou radicalmente o processo de execução Português passou despercebido ao conteúdo do artigo 1100 do CPC português. da Lei 31/86). Necessário será. 1096. A legislação arbitral e os artigos referentes ao reconhecimento são mais flexíveis do que a NI quanto aos documentos onde esteja contida a convenção de arbitragem. j) que tenha sido proferida dentro dos limites da convenção de arbitragem (art. 467. à parte que deseja invocar a incompatibilidade deve fazer na primeira oportunidade que tiver para se pronunciar. 27. do CPC português). do CPC português). 27.2. 1096.Pressupostos internos da revisão e confirmação: Quanto aos pressupostos internos. c) que o requerido tenha sido devidamente citado (art. alínea “e”. da Lei nº 31/86). “b” da Lei nº 31/86). 1096. onde este remete as alíneas “a” “c” “g” do 771 do CPC. da Lei nº 31/86). Na opinião de COELHO (1996. g) que não ocorra a questão de litispendência ou caso julgado. do CPC português). alínea “f”. da Lei nº 31/86). 54) é necessário fazer a juntada deste documento. exceção se o tribunal estrangeiro previu (art. da Lei nº 31/86). da Lei nº 31/86). nada dispõe sobre a questão da juntada do original da convenção de arbitragem ou cópia devidamente certificada e acompanhada de uma tradução oficial. p. 8. 1096. do CPC português e art. nº 2. 31 . 27. alínea “b”. do CPC português e art. 1096. exigidos estão: a) que a sentença tenha sido proferida por tribunal competente (art.3. 1096. 1096. alínea “d”. 27. 771 do CPC português26. autenticada pelo consulado português e acompanhada de tradução oficial (art. do CPC português). alínea “a”. As duas primeiras alíneas mantêm a redação original e a alínea “g” é atualmente a alínea “f”. f) que não ofenda a ordem pública internacional portuguesa (art. sob pena de não o poder alegar posteriormente (art. alínea “c”. Entretanto. bem como acompanhada pelos documentos obrigatórios. alínea “c”. do CPC português e art.

a oposição pode ter como fundamentos além dos indicados os previstos no art. o instrumento de outorga de poderes do advogado. do CPC português “se a sentença tiver sido proferida contra pessoa singular ou colectiva de nacionalidade portuguesa. 8. p. 288-293) se trata de uma autêntica revisão de mérito da sentença ainda que restritamente à questão de direito. a impugnação pode ainda fundar-se em que o resultado da acção lhe teria sido mais favorável se o tribunal estrangeiro tivesse aplicado o direito material português. a parte contrária será citada para. da NI não é aplicável. A legislação portuguesa impõe um número maior de condições que a NI. quer o valor da prova em que esta se baseou ou. apresentar contestação.4. “c”. p. quando por este devesse ser resolvida a questão segundo as normas de conflitos da lei portuguesa”. do art. Estas hipóteses são desde logo aquelas que haja motivo sério e inatacável para pôr em dúvida querem a imparcialidade e honestidade do tribunal que proferiu a sentença. mas só poderá o tribunal negar o reconhecimento ou execução da decisão.Do procedimento relativo a revisão e confirmação: O pedido de revisão e confirmação deve ser feito pela parte interessada que o deve instruir com todos os documentos necessário.possuem a igualdade de regimes. O art. Uma vez autuada e distribuída a petição. COELHO (1996. Este artigo sensivelmente dificulta o reconhecimento da sentença arbitral estrangeira já que na opinião de CORREIA (1989. do CPC. como estas não necessitam de reconhecimento podem existir meios especiais de defesa do réu. do CPC português) aplicáveis ex vi art.2. O procedimento deve ser apresentado com a petição e os documentos obrigatórios (art. como este artigo agrava a situação do reconhecimento entendemos que em face do art. E. 1096. no caso do art. ainda. 771. “g”. do CPC português coloca as questões que devem ser levantadas oficiosamente pelo tribunal. que somente poderá versar sobre os requisitos do art. ambos do CPC português. III. dentro do prazo de 15 (quinze) dias. 1101. pois o tribunal revisor não tem poderes para alterar a decisão. 815. 1100. 1097 às sentenças arbitrais estrangeiras “na parte em que o puder ser” bem como. 1096 ou os casos previstos nas alíneas “a”. 66) entende que não se aplica este artigo por ser somente aplicáveis a sentenças arbitrais nacionais. 32 . Se juntamente com o pedido de homologação for pedida a execução da sentença. pois.

sem dúvida a NI é considerada o instrumento mais importante para o reconhecimento e execução de sentenças arbitrais estrangeiras. o requerente tem no prazo de 10 (dez) dias para apresentar réplica. 484. da Lei nº 31/86) e a execução será promovida no juízo competente (art. Entretanto. do mesmo diploma). a partir da apresentação oposição (art. No julgamento devem ser observadas as regras próprias do agravo e conforme o art. 1100 e 1101. 1989. pois já não é a parte que requer o reconhecimento que deve provar a existência de certas determinações. deste diploma). 815. tais como a inversão do ônus da prova. do CPC português). 26. pode-se afirmar que uma vez suprido tais vícios. ressalva para a não aplicação da 1ª parte. nos termos da lei de processo civil”. sentença arbitral estrangeira constitui título executivo (art. no prazo de 15 dias (art. do CPC português) e.Se. Isso quer dizer que depois de revista e confirmada a sentença a execução segue os demais trâmites procedimentais segundo a lei processual do processo executivo de sentenças nacionais. do CPC português). o requerido for revel serão considerados os fatos indicados pelo autor como os provados (art. Findo a fase dos articulados e efetuadas as diligências indispensáveis é facultado o exame para alegações das partes e do Ministério Público. 17. do CPC este julgamento seguirá o disposto nos arts. p. 1096. Em caso do pedido de revisão e confirmação ser negado a legislação nada dispõe sobre interposição novamente do pedido se sanados os vícios. do art. 30. do CPC27. Concedida a revisão e confirmação. Só poderá ser negadas a revisão e confirmação quando o requerido demonstrar que o pedido não preenche o disposto nos arts. do CPC português. a parte poderá novamente interpor o pedido. 9. 1098. nº 2. Esta Convenção trouxe avanços importantes. se o for incapaz ou ausente será o Ministério Público o responsável pela sua representação (art. 749 a 752. 762. nº 1. que deverá ser executado “no tribunal de 1ª instância. Outro ponto importante é a desnecessidade do duplo exequatur. 33 . 27 Para a caracterização e crítica destes artigos vide CORREIA. Contestado o pedido. do CPC. 288 e ss.CONCLUSÕES: Hoje. mas sim aquela contra quem a sentença é invocada. 1099.

bem como no art. do CPC português. nem sempre foi assim. 1985. 1096. tais como: a questão do tribunal ter sido provocado em fraude à lei e. a NI não é só passível de elogios. A questão é saber se a legislação brasileira e a portuguesa impõem condições sensivelmente mais onerosas para as sentenças arbitrais estrangeiras do que para as nacionais. A legislação brasileira se encontra em perfeita paridade no que se refere ao procedimento. Em relação às condições de impugnação do pedido de reconhecimento e de execução da sentença arbitral estrangeira a legislação portuguesa enumera alguns a mais do que a NI. as condições de impugnação para o reconhecimento e execução previsto no ordenamento interno brasileiro estão de acordo com os preceitos da NI. por enquadrar-se na liberdade conferida pela NI. 68 e SCHLOSSER. a questão da ofensa a ordem pública da lei do foro ser motivo de negação do pedido de reconhecimento e execução da sentença por ser um critério não uniforme que vai inclusive contrariamente aos objetivos pleiteados pela NI. p. e. no caso do art. tais como a NI só poder ser aplicada as sentenças decididas com base na lei nacional de um Estado. Entretanto. p. de maneira a remediar este problema podemos tomar como nota a ordem pública internacional. 1996.118. do CPC português que proporciona a parte vencida a faculdade de fazer uso de prova documental que não tivesse conhecimento ou dela não pudesse fazer uso em face da 28 Entre eles podemos citar COELHO.De acordo com as disposições da NI. a sentença só poderá não ser reconhecida se a mesma tiver sido anulada no país onde foi proferida. também. dando prevalência neste caso ao que lhe seja mais favorável. “c”. a NI dispõe que a parte interessada poderá escolher entre aplicar a legislação interna. não bastando a mera alegação. ou se tiver sido suspensa. por último. 771. “f”. A legislação portuguesa em relação aos procedimentos formais não faz grande divergência entre ela e a NI. os tratados ou as convenções concluídas sobre esta matéria pelo Estado. não ser necessário a fundamentação da anulação da sentença arbitral onde foi proferida. Entretanto. Alguns doutrinadores28 levantam algumas críticas. Já. De maneira a facilitar o procedimento de reconhecimento e execução da sentença arbitral. pois antigamente havia a necessidade do duplo exequatur. estando de acordo com a liberdade concedida ao Estado Contratante. só pode ter aplicabilidade nos Estados Contratantes. 34 .

Somente o art. 1100. 771. Já. o art. Entendo que estes requisitos expostos acima não podem ser considerados como mais onerosos para a parte que requer o reconhecimento. 1096 que só será aplicável a decisão arbitral na parte que puder ser. nº 2. A parte diante do prescrito neste art. “c”. da NI).decisão que contra si foi desfavorável. pois a fraude à lei pode ser qualificada como um atentado a ordem pública (art. do CPC português não serve de fundamento para negar o reconhecimento da sentença pois. 35 . O art. VI. com base no art. da NI o tribunal poderá aguardar a revisão (anulação ou suspensão) da sentença para depois decidir. 1097. visto demonstrar uma clara discriminação entre a sentença arbitral nacional e a estrangeira. nº 1. nº 2. pode pedir a anulação da sentença no país de origem. da NI que exige a efetiva anulação da sentença. V. este artigo é mais abrangente do que o V. do CPC português dispõe que segundo o art. do CPC português traz uma substancial dificuldade ao reconhecimento e execução da sentença arbitral estrangeira. alínea “b”. Assim.

36 . Companheira fiel das horas deste trabalho.AGRADECIMENTOS: À Patrícia Paula Carreira do Valle. O meu muito obrigado pela dedicação e o tempo empregado e das criticas elaboradas à este trabalho.

ratificação ou adesão à presente Convenção. declarar que aplicará a Convenção ao reconhecimento e à execução apenas de sentenças proferidas unicamente no território de outro Estado signatário.ANEXOS: CONVENÇÃO DE NOVA IORQUE. Artigo V 1 . ou da notificação de extensão nos termos do Artigo X. ou uma cópia da mesma devidamente certificada. 3 . não serão impostas condições substancialmente mais onerosas ou taxas ou cobranças mais altas do que as impostas para o reconhecimento ou a execução de sentenças arbitrais domésticas. unicamente se esta parte fornecer à autoridade competente onde se tenciona o reconhecimento e a execução. 2 . a menos que constate que tal acordo é nulo e sem efeitos.Cada Estado signatário deverá reconhece o acordo escrito pelo qual as partes se comprometem a submeter à arbitragem todas as divergências que tenham surgido ou que possam vir a surgir entre si no que diz respeito a um relacionamento jurídico definido. firmado pelas partes ou contido em troca de cartas ou telegramas. Artigo IV 1. A Convenção aplicar-se-á igualmente a sentenças arbitrais não consideradas como sentenças domésticas no Estado onde se tencione o seu reconhecimento e a sua execução. quando da solicitação: a) a sentença original devidamente autenticada. 2 . qualquer Estado poderá.Entender-se-á por “sentenças arbitrais” não só sentenças proferidas por árbitros nomeados para cada caso. Para fins de reconhecimento ou de execução das sentenças arbitrais às quais a presente Convenção se aplica. b) o acordo original que se refere o Artigo II. FEITA EM Nova Iorque Artigo I 1 .Quando da assinatura.A presente Convenção aplicar-se-á ao reconhecimento e à execução de sentenças arbitrais estrangeiras proferidas no território de um Estado que não o Estado em que se tencione o reconhecimento e a execução de tais sentenças. A tradução será autenticada por um tradutor oficial ou por um agente diplomático ou consular. inoperante ou inexeqüível.Entender-se-á por "acordo escrito" uma cláusula arbitral inserida em contrato ou acordo de arbitragem. a parte que solicitar o reconhecimento e a execução fornecerá. Poderá igualmente declarar que aplicará a Convenção somente a divergências oriundas de relacionamentos jurídicos. Artigo III Cada Estado signatário reconhecerá as sentenças como obrigatórias e as executará em conformidade com as regras de procedimento do território no qual a sentença é invocada. mas também aquelas emitidas por órgãos arbitrais permanentes aos quais as partes se submetam. a pedido da parte contra a qual ela é invocada. aos 10 de junho de 1958 CONVENÇÃO SOBRE O RECONHECIMENTO E A EXECUÇÃO DE SENTENÇAS ARBITRAIS ESTRANGEIRAS.A fim de obter o reconhecimento e a execução mencionados no Artigo precedente. Artigo II 1 . sejam elas físicas ou jurídicas.O tribunal de um Estado signatário. com relação a uma matéria passível de solução mediante arbitragem Estado que fizer tal declaração.Caso tal sentença ou tal acordo não for feito em um idioma oficial do país no qual a sentença é invocada. 3 . a pedido de uma delas. com relação a uma matéria passível ou não de solução mediante arbitragem. 2 . com base em reciprocidade. prova de que: 37 . quando de posse de ação sobre matéria com relação à qual as partes tenham estabelecido acordo nos termos do presente artigo.O reconhecimento e a execução da sentença poderão ser indeferidos. oriundas de divergências entre pessoas. de acordo com as condições estabelecidas nos artigos que se seguem. seja ele contratual ou não. sejam eles contratuais ou não. a parte que solicitar o reconhecimento e a execução da sentença produzirá uma tradução desses documentos para tal idioma. ou uma cópia do mesmo devidamente autenticada. encaminhará as partes à arbitragem.

2 . Artigo IX 1 .O Protocolo de Genebra sobre Cláusulas de Arbitragem de 1923 e a Convenção de Genebra sobre a Execução das Sentenças Arbitrais Estrangeiras de 1927 deixarão de ter efeito entre os Estados signatários quando. ou conforme a lei do qual. 2 . adiar a decisão quanto a execução da sentença e poderá. e na medida em que. nem privarão qualquer parte interessada de qualquer direito quel ela possa ter de valer-se de uma sentença arbitral da maneira e na medida permitidas pela lei ou pelos tratados do país em que a sentença é invocada. ou lhe foi impossível.A presente Convenção estará aberta. a parte da sentença que contém decisões sobre matérias suscetíveis possa ser reconhecida e executada. de algum modo incapacitadas. ou. se assim julgar cabível. apresentar seus argumentos. igualmente. ou d) a composição da autoridade arbitral ou procedimento arbitral não se deu em conformidade com o acordado pelas partes. Artigo X 1 . a pedido da parte que reivindica a execução da sentença. Artigo VII 1 .Qualquer Estado poderá. se as decisões sobre matérias suscetíveis de arbitragem puderem ser separadas daquelas não suscetíveis. Artigo VI Caso a anulação ou a suspensão da sentença tenha sido solicitada à autoridade competente mencionada no Artigo V. ou c) a sentença se refere a uma divergência que não está prevista ou que não se enquadra nos termos da cláusula de submissão à arbitragem. quando da assinatura. ou b) a parte contra a qual a sentença é invocada não recebeu notificação apropriada acerca da designação do árbitro ou do processo de arbitragem. 1. 2 . qualquer extensão será feita mediante notificação dirigida ao Secretário Geral das Nações Unidas e terá efeito a partir do 90. na ausência de tal acordo. ordenar que a outra parte forneça garantias apropriadas. 2 . a autoridade perante a qual a sentença está sendo invocada poderá. ou na ausência de indicação sobre a matéria.º dia a contar do recebimento pelo Secretário Geral das Nações Unidas de tal notificação. ou e) a sentença ainda não se tornou obrigatória para as partes ou foi anulada ou suspensa por autoridade competente do país em que.O reconhecimento e a execução de uma sentença arbitral também poderão ser recusados caso a autoridade competente do país em que se tenciona o reconhecimento e a execução constatar que: a) segundo a lei daquele país. à assinatura de qualquer Membro das Nações Unidas e também de qualquer outro Estado que seja ou que doravante se torne membro de qualquer órgão especializado das Nações Unidas. nos termos da lei do país onde a sentença foi proferida.A presente convenção deverá ser ratificada e o instrumento de ratificação será depositado junto ao Secretário Geral das Nações Unidas. 2 . ou a partir da data de entrada em vigor da 38 . ou que tal acordo não é válido nos termos da lei à qual as partes submeteram. em conformidade com a lei a elas aplicável. declarar que a presente Convenção será estenderá a todos ou a qualquer dos territórios por cujas relações internacionais ele é responsável. ou que seja ou que doravante se torne parte do Estatuto da Corte Internacional de Justiça. e. ou qualquer outro Estado convidado pela Assembléia Geral das Nações Unidas.A presente Convenção estará aberta para adesão a todos os Estados mencionados o Artigo VIII. eles se tornem obrigados pela presente Convenção.As disposições da presente Convenção não afetaram a validade de acordos multilaterais ou bilaterais relativos ao reconhecimento e à execução de sentenças arbitrais celebrados pelos Estados signatários. até 31 de Dezembro de 1958. ou b) no reconhecimento ou execução da sentença seria contrário à ordem pública daquele país.A adesão será efetuada mediante o depósito de instrumento de adesão junto ao Secretário Geral das Nações Unidas.A qualquer tempo a partir dessa data. a sentença tenha sido proferida.a) as partes do acordo a que se refere o Artigo II estavam. por outros razões. Tal declaração passará a ter efeito quando a Convenção entrar em vigor para tal Estado. ratificação ou adesão. Artigo VIII 1 . ou contém decisões acerca de matérias que transcendem o alcance da cláusula de submissão. não se deu em conformidade com a lei do país em que a arbitragem ocorreu. contanto que. o objeto da divergência não é passível de decisão mediante arbitragem.

Artigo XIII 1 . 2 . a qualquer tempo a partir dessa data. Artigo XVI 1 . ao conhecimento das autoridades competentes dos estados ou províncias constituintes. declarar que a presente Convenção deixará de aplicar-se ao território em questão um ano após a data de recebimento da notificação pelo Secretário Geral.Para cada Estado que ratificar ou aderir à presente Convenção após o depósito do terceiro instrumento de ratificação ou adesão. c) um Estado federativo Parte na presente Convenção fornecerá. será depositada nos arquivos das Nações Unidas. que. mediante notificação ao Secretário Geral das Nações Unidas. inglês. levará tais artigos. a presente Convenção entrará em vigor a partir do nonagésimo dia após o depósito por tal Estado de seu instrumento de ratificação ou adesão.Qualquer Estado signatário poderá denunciar a presente Convenção mediante notificação por escrito dirigida ao Secretário Geral das Nações Unidas. f) denúncias e notificações em conformidade com Artigo XIII. com relação a qualquer disposição em particular da presente Convenção. 2 . do consentimento dos Governos de tais territórios. Artigo XII 1 .A presente Convenção.O Secretário Geral das Nações Unidas transmitirá uma cópia autenticada da presente Convenção aos Estados contemplados no Artigo VIII. A denúncia terá efeito um ano após a data do recebimento da notificação pelo Secretário Geral. o Governo federal. uma declaração da lei e da prática na confederação e em suas unidades constituintes. 39 . em virtude do sistema constitucional da federação. Artigo XIV Um Estado signatário não poderá valer-se da presente Convenção contra outros Estados signatários.A presente Convenção continuará sendo aplicável às sentenças arbitrais relativamente às quais tenham sido instituídos processos de reconhecimento ou de execução antes da denúncia surtir efeito. X e XI. o mais cedo possível. 3 . respeitandose a necessidade quando assim exigido por razões constitucionais. não são obrigados a adotar medidas legislativas. da qual os textos em chinês. francês. atendendo a pedido de qualquer outro Estado signatário que lhe tenha sido transmitido por meio do Secretário Geral das Nações Unidas. Artigo XV O Secretário Geral das Nações Unidas notificará os Estados previstos no Artigo VIII de: a) assinaturas e ratificações em conformidade com o Artigo VIII. salvo na medida em que ele mesmo esteja obrigado a aplicar a Convenção.Com respeito àqueles territórios aos quais a presente Convenção não for estendida quando da assinatura. b) com relação àqueles artigos da presente Convenção que se enquadrem jurisdição legislativa dos estados e das províncias constituintes. 3 .Convenção para tal Estado. Artigo XI No caso de um Estado federativo ou não-unitário: a) com relação aos artigos da presente Convenção que se enquadrem na jurisdição legislativa da autoridade federal. c) declarações e notificações nos termos dos Artigos I. com recomendação favorável. ratificação ou adesão.Qualquer Estado que tenha feito uma declaração ou notificação nos termos do Artigo X poderá. russo e espanhol são igualmente autênticas. as obrigações do Governo federal serão as mesmas que aquelas dos Estados signatários que não são Estados federativos. cada Estado interessado examinará a possibilidade de tomar as medidas necessárias a fim de estender a aplicação da presente Convenção a tais territórios.A presente Convenção entrará em vigor no nonagésimo dia após a data de depósito do terceiro instrumento de ratificação ou adesão. b) adesões em conformidade com o Artigo IX. indicando até que ponto se tornou efetiva aquela disposição mediante ação legislativa ou outra. 2 . considerada sempre a última data. d) data em que a presente Convenção entrar em vigor em conformidade com o Artigo XII.

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..............O RECONHECIMENTO DA CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM........A CONVENÇÃO DE NOVA IORQUE DE 1958.......................Âmbito temporal............................................................................................. 6........4......1......... PALAVRAS CHAVES ....Direito Português……………………………………………………......................................................A convenção de arbitragem deve ser escrita..................................... 7..............................................ÍNDICE: SUMÁRIO ...... 5.............. 7.... 4......................................................................... 6........................................ de Montevidéu (CIDIP II)........................................... b) Ofensa a ordem pública........................... 7. 4....................................1...............................................................................3........................................2..................................Fundamentos invocáveis pela Parte......................................... 7....................................................................................................................... 1.........................................................................INTRODUÇÃO.....Sentença arbitral estrangeira.................2......................................2.................O DIREITO INTERNACIONAL.............................. 6................................................................................................................................................................3...............4.Âmbito subjetivo . b) Invalidade da convenção de arbitragem................2...... g) Anulação ou suspensão da sentença.................. 7....1....... a) Incapacidade das partes outorgantes da convenção de arbitragem............... 6.......... c) Violação dos direitos de defesa.......................................4................ 7..............................................3............3................. e) Violação das regras sobre a constituição do tribunal arbitral e das regras de processo.............. 6.....................A Convenção Interamericana sobre Eficácia Extraterritorial das Sentenças e Laudos Arbitrais Estrangeiros....................................DISTINÇÃO ENTRE RECONHECIMENTO E EXECUÇÃO.......... f) Falta de obrigatoriedade da sentença. 6..........Fundamentos de recusa do reconhecimento e execução das sentenças arbitrais..................A Convenção Interamericana sobre a Arbitragem Comercial Internacional (Convenção do Panamá) de 1975..........Âmbito material... 45 ........4....................................... 5...Objeto da convenção deve ser passível de resolução pela via arbitral......................................................1......Formalidades...............................................................................4......2........3.....................Formas da convenção de arbitragem......................................................... d) Decisão para além dos termos previstos na convenção de arbitragem e possibilidade de execuções parciais.......................... 6............... 4................... 2.................................Direito Brasileiro……………………………………………………… 4...................................... 5..........1........O DIREITO INTERNO.................2..................................................................................... 6.......................O Protocolo de Genebra de 1923 e a Convenção de Genebra de 1927......A convenção deverá ter por objeto uma relação jurídica determinada........RECONHECIMENTO E EXECUÇÃO DAS SENTENÇAS ARBITRAIS................................... 6.................2.1....Validade da cláusula...................3.. a) Inarbitrabilidade........................Requisitos da convenção de arbitragem.........................................Fundamentos de conhecimento oficioso....... 5.......................................................... 3............... 3....Efeitos do reconhecimento..1.....Convenção de arbitragem objeto da convenção......................................................3...Processo................ 3................3.................................................3......................... 7............................................................................................................................

................... Tel...4..A Homologação e Execução da sentença arbitral estrangeira na Lei Brasileira............1.............................................1........................pt..................................... 8.............. 8. Mestrando em Ciências Jurídico-Empresariais 2001/2003.......7.... 46 .......Pressupostos externos da revisão e confirmação. 8.4.. também.............1.. 8.....................................1.............2.... ANEXOS.....br ou lgomesa@fd.................... 8......... Área: Direito Internacional Privado....................................... Direito Processual Civil..........Natureza jurídica da homologação do julgado estrangeiro............................ 7.....Pressupostos extrínsecos da homologação................Suspensão da execução................2...Procedimentos cautelares......... 8.. 8..2...................1................. Texto Atualizado Março de 2004.Do procedimento relativo à homologação..................................................5............... Dados pessoais do Autor Nome: Leonardo Gomes de Aquino...... em Ciências Jurídico-Processuais 2003/2005. pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e Pós-Graduado em Direito Empresarial pela Faculdade de Direito do Oeste de Minas...................3......................Pressupostos internos da revisão e confirmação...............A Homologação e Execução da sentença arbitral estrangeira na Lei Portuguesa................................................................................................................................. Endereço: Rua Itapecerica..6............Natureza jurídica da revisão e confirmação do julgado estrangeiro....2.......... 8.....................................................2................A HOMOLOGAÇÃO DA SENTENÇA ARBITRAL ESTRANGEIRA NO DIREITO INTERNO.................................uc.........................................Pressupostos intrínsecos da homologação......................com.................................................1.......... 8.. E-mail: lgomesa@ig.. AGRADECIMENTOS.Concurso de convenções............................................................................... Títulos: Pós Graduado em Ciências Jurídico-Empresariais..........CONCLUSÕES............................... 9..........................................1.....Do procedimento relativo à revisão e confirmação.........2......................3........ 8............2............................................. 8.......... 7.7... Divinópolis – Minas Gerais......... nº 1429........................ BIBLIOGRAFIA................. 37-3216-1370...............