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A exceção de pré-executividade em face da nova sistemática dos embargos à execução Com a entrada em vigor da Lei nº 11.

382, de 06 de dezembro de 2006, que alterou diversos artigos do Código de Processo Civil relativos ao processo de execução de título executivo extrajudicial, várias dúvidas foram suscitadas e vários foram os questionamentos surgidos entre os operadores do direito. Dentre eles, uma questão importante merece ser enfrentada: qual a situação da exceção de préexecutivadade, ante a nova sistemática dos embargos à execução? À primeira vista, numa análise superficial e precipitada, inclinamo-nos a dizer que ela tenderia a desaparecer, não tendo mais nenhuma utilidade prática, uma vez que para o ajuizamento dos embargos à execução não mais seria necessário garantir o juízo (novo art. 736). Mas não é bem assim, como veremos a seguir. Como sabido, a exceção de pré-executividade não existe no nosso ordenamento jurídico. Decorrente de forte construção doutrinária e jurisprudencial, ela tinha cabimento quando se pretendia atacar o título executivo, a sua própria formação e as condições da ação, sem a necessidade de submeter o executado à constrição de seus bens, independentemente do oferecimento de embargos. Ao tratar do tema, antes das referidas alterações, Nelson Nery Junior assinalava dois tipos de defesa que o devedor poderia fazer no processo de execução sem garantir o juízo: a exceção de executividade e a objeção de executividade, distinguindo uma da outra apenas em relação à matéria a ser alegada. Na lição do mestre, cabível seria a exceção quando "desnecessária qualquer dilação probatória para a demonstração de que o credor não pode executar o devedor". É exceção, posto tratar-se de instrumento de defesa de direito material, que contém temas que o juiz somente pode examinar a requerimento da parte. As matérias argüíveis por meio de exceção seriam o pagamento ou qualquer outra forma de extinção da obrigação, como compensação, confusão, novação, consignação, remissão, dação, etc., desde que de pronto demonstráveis, sem necessidade da produção de provas outras, que não aquela pré-constituída. Por outro lado, seria cabível a objeção quando a matéria a ser alegada fosse de ordem pública. Matérias de ordem pública são aquelas que devem ser conhecidas de ofício pelo juiz. Destarte, ao opor objeção, à parte "apenas alerta o juiz para o fato de que deve pronunciar-se ex officio sobre aquela matéria". Inobstante o nome que se adotasse para tal incident, a jurisprudência vinha aceitando amplamente a exceção de pré-executividade como meio de defesa do devedor no processo de execução, sem necessidade de garantir o juízo, quando se alegasse pagamento (ou qualquer forma de extinção da obrigação) ou matérias de ordem pública (especialmente sobre as condições da ação e pressupostos processuais). O seu objetivo era propiciar ao executado a possibilidade de se defender de uma execução notadamente indevida, sem ter de enfrentar o constrangimento decorrente da constrição de seus bens. Mas resta, então, a pergunta: se os embargos à execução poderão ser oferecidos sem a prévia garantia do juízo, para que servirá, a partir de agora, a exceção de pré-executividade?

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382/06 a partir de 20/01/2006. encontrar a solução na exceção de pré-executividade que agora.Duas situações poderão ocorrer no processo. revigorada. diz respeito aos processos de execução de título extrajudicial. em tais processos o prazo para oferecimento de embargos iniciou-se em 20 de janeiro de 2007.382. nada obsta que passemos a utilizá-la nos. a possibilidade de opor embargos à adjudicação. com a vigência da Lei 11. nos termos do art. se já aceitávamos a possibilidade do oferecimento da exceção. e mais imediata. os fatos a serem alegados em tais embargos deverão ter ocorrido após a penhora. iniciou-se. Afinal de contas. desde que superveniente à penhora (novo art. pois o objetivo prático é o mesmo. Ora. 1211). Mas isso não é suficiente. a conseqüência será que o executado não mais poderá embargar a execução. 746). mesmo sem o oferecimento dos embargos à execução. em todos os processos de execução em trâmite onde já houvesse sido efetivada a citação do executado. é bom lembrar – podem ser alegadas em qualquer tempo e grau de jurisdição. que justificarão a pertinência do tema ora ventilado e conduzirão a uma conclusão positiva sobre a sua utilidade. Imagina-se. adquire um novo e importante status na ordem processual civil. mas a penhora não foi realizada. ficando praticamente sem defesa. Como se sabe. o prazo de 15 dias para o oferecimento dos embargos à execução. à alienação ou à arrematação fundado em nulidade da execução ou em causa extintiva da obrigação. antes do oferecimento dos embargos à execução. Esses embargos não se prestam para discutir fatos ocorridos antes da penhora. Vale dizer.382 prevê. art. independentemente do momento processual em que a exceção é produzida. quantos executados perderam o prazo para embargar. as matérias enfrentadas na exceção – de caráter sempre restrito. de forma que não serão sucedâneos dos embargos à execução não aviados no tempo certo. A segunda situação – projetando ao futuro . findando-se em 05 de fevereiro de 2007. Vamos. em que o devedor foi citado. casos em que o prazo para oferecimento dos embargos já tenha escoado. para alegar pagamento (ou qualquer outra forma de extinção da obrigação) ou matérias de ordem pública (especialmente as condições da ação e os pressupostos processuais). ajuizados antes da vigência da Lei 11. Desta forma. pois como a própria lei cuida de especificar. então. 2 . apanham o processo na fase em que ele se encontrar. A perda do prazo para o oferecimento dos embargos à execução não será o fim para o executado. produzindo efeitos imediatos daí para o futuro (CPC. A primeira. as alterações na lei processual. no curso no processo.é aquela em que o executado recebe a citação e somente se lembra de procurar o advogado quando já escoado o prazo para o oferecimento dos embargos. 267. do CPC e não se submetem ao fenômeno da preclusão. Em ambas as situações acima mencionadas. § 3º. então. que poderá se valer da exceção de pré-executividade para ventilar matérias ligadas ao cumprimento da obrigação ou à ausência dos pressupostos processuais ou das condições da ação. naquela data. Como resolver esse problema? É certo que a Lei 11. ao entrar em vigor.

que mesmo que o prazo para oferecimento dos embargos à execução tenha transcorrido in albis. Entendemos. mar. ligadas às condições da ação e aos pressupostos processuais. Fonte SALES. 2007. Teresina. podem – e devem – ser alegadas através de exceção de pré-executividade.br/doutrina/texto.uol. desta forma.com.A aceitação da exceção de pré-executividade para tal desiderato. por conta de um descuido do devedor. longe de constituir um tumulto processual. Fernando Augusto de Vita Borges de. 2007. dará legitimidade ao procedimento. 3 . pois não deixará.asp?id=9616>. as matérias de ordem pública. Disponível em: <http://jus2. A exceção de pré-executividade em face da nova sistemática dos embargos à execução. Jus Navigandi. o caminho aberto para execuções infundadas ou desprovidas dos requisitos necessários. Acesso em: 27 set.