Você está na página 1de 3

Migração Digital - Tecno-Romantismo

As tecnologias necessitam de um discurso simbólico para dar-lhes maior impacto. Algumas teorias como o McLuhanismo contribuem para criar uma noção de transcendência , a qual tem caráter teológico e metafísico. Os discursos atuais sobre os mundos virtuais não estão mais relacionados apenas com a ciência e a literatura, ou com a filosofia e os estudos culturais, nos anos 1980, o culto aos computadores foi absorvido por discussões sobre a identidade do homem e da maquina tomando a forma literária e cinematográfica. Numa primeira fase da migração digital, a realidade virtual servia para conduzir a imaginação para mundos que representavam uma nova expressão e os profissionais de marketing e jornalistas de revistas tecnológicas enfrentaram o ceticismo dos leitores acerca de seus discursos que falavam sobre imersão, interação e intensidade da informação. Imersão dizia respeito ao isolamento dos sentidos para nos transportar a outro lugar. Interação, a habilidade do computador para movimentar a cena virtual, em sincronia com o usuário, e a intensidade da informação é o grau de informação sobre o entorno, que o mundo virtual pode fornecer ao usuário,. Tudo isso conferia à Realidade Virtual um passaporte fantástico para algo inovador. Segundo o próprio McLuhan, os meios eletrônicos são, por sua natureza, virtuais. E são eles que tendem a resolver nossas limitações como indivíduos, inserindo-nos ou submergindo-nos no mundo idealizado do ciberespaço, permitindo a liberação dos corpos de sua materialidade espacial, onde a alma é substituida pela mente; e a mente, pela imersão, encontra a sua unidade no ciberespaço. Esse tipo de narração é chamada de Cibernarração, escrita plenamente no tecno-romantismo. Resumindo: As tecnologias nos aproximam, após um distanciamento considerável de um mundo integrado da comunicação. Assim, depois de entendermos o mundo virtual e os meios eletrônicos, resta-nos saber o que é exatamente o tecno-romantismo e no que o seu discurso se difere do empírico e do realista. Não nos interessa quantificar se há mais ou menos realidade presente nos meios. O que nos interessa saber é que, segundo os pensamentos de McLuhan temos duas formas de narração das tecnologias. A empírica, a realista e a tecno-romântica. A empírica vem de uma perspectiva filosófica e semiótica, onde afirma-se que não há separação entre realidade e construção simbólica. Já a realista, baseia-se de uma perspectiva mais política que teórica, afirmando que os meios distanciaram-se da realidade e estão a serviço de uma realidade virtual subordinada ao sistema capitalista. E então, de uma forma mais metafórica que científica, somos conduzidos a um novo sistema, onde a realidade é capturada em experiências não mediadas pelos meios, os meios são a experiência. Esta é a terceira via, o que se pode chamar de tecno-romantismo.

Universo Narrativo

Denise Calls Up (Denise Está Chamando. basta você ter tempo para acessar. Este inclui os atores sociais. . Há conteúdos que não fazem sentido para certas sociedades. tudo já está informatizado e digitalizado. mas seus conteúdos culturais. os atores sociais seriam. o primitivo convive com o pós industrial.O discurso narrativo das tecnologias constitui um universo que apresenta as formas nas quais a sociedade percebe as mudanças e modificações dos limites espaço-temporais da realidade. Utilizando um exemplo simples. a tecnologia também o tem. A gestão mental da comunicação substitui a corporeidade. Disponibilidade Presencial A disponibilidade presencial da existência social condiciona a mobilidade do corpo humano. tornando mais fácil o acesso e conservação de tais informações. em um universo narrativo das tecnologias. Ambos mostrando sistemas em confronto. enquanto os campos de aplicação seriam comércios. educação e os níveis simbólicos seriam o significado de tudo isso. A migração digital significa que a mudança é a informação e a informação é a nova identidade. Distanciamento Espaço-Temporal Foi introduzido na interação humana e possibilitado pelas tecnologias do transporte. não é mais o transporte que possibilita o distanciamento. de 1998) e Matrix (1999). onde tudo o que há nas cidades físicas passa a existir nas aldeias globais. Processos Sociais da Migração Digital Regionalização Expressa o translado do urbano para o ciberespaço. Com a realidade virtual. operadores. e sim a sua vontade de se descolar mentalmente. As Eras Espaço-Temporais São sincréticas. A verdadeira migração digital. modificam a percepção e os espaço temporais da sociedade. entretenimento. Conservação e Arquivo A capacidade de arquivar e conservar a informação. não as tecnologias. Como disse Jameson: “Assim como tudo tem mais de um significado. A ausência de contato físico é compensada pela conservação da memória. assim como as tecnologias. financistas. já que não há épocas diferentes para sociedades diferentes. na qual o espaço está separado de seu lugar material e do corpo. Tudo o que você quiser é possível na rede. O que movimenta o mundo é a migração simbólica entre espaço e tempo. com conspirações paralelas e mundos industriais e capitalistas em confronto com o mundo pós-industrial da informação. O capítulo utiliza dois filmes para ilustrar a migração digital e todas as suas metáforas.” Essa narração tecnológica. Empacotamento do Espaço-Tempo O tempo é uma dimensão vazia. campos de aplicação públicos e privados e os níveis simbólicos e culturais.

teoricamente. Por isso. maior será o risco para os sistemas humanos. Um vírus em um processador de textos causará menos danos do que em um programa de vôo de um airbus. são totalmente expostos ao risco de avarias causadas por falhas do sistema. o mesmo pode acontecer a dependentes do sistema de software afetado pelas atividades de um vírus. Os vírus implicam um grande risco para os sistemas de vida. assim como nem todos vírus são malignos. mas as consequências das atividades dos vírus pode ser diferente em comparação ao local de ocorrência. porque todos têm a mesma arquitetura básica e o mesmo sistema operacional. Assim como as consequências de um vírus biológico poder ser fatal.A Grande Conspiração Migratória: O Vírus Entendendo as semelhanças e diferenças entre o tipo de vida real e artificial e seu maior risco para o sistema: os vírus. em alguns casos No âmbito da ecologia de sistemas da vida artificial (também chamada de “ciberespaço técnico-científico”). reforçando ainda mais a idéia de que as mesmas coisas que há na nossa sociedade. Deve-se sempre entender é que com a massificação dos computadores. Da mesma forma que os vírus biológicos podem ser usados para se descobrir curas para novas doenças e tem efeitos benignos. porque dependem de um software. . não se deve ignorar que nem todos os programas informáticos são destrutivos. Minsky e Rucker representaram uma mudança do paradigma cientifico ao eliminar as fronteiras entre a vida real e artificial. também existem no mundo virtual. usando a premissa de que a base da vida artificial é a informação contida num sistema dinâmico e complexo. infestar – e infectar – milhares de aparatos informáticos. Essas criaturas podem ser integradas em uma forma corpórea. ou podem viver em um computador. os vírus podem escapar de qualquer computador e. Entender os vírus e sua devastação é de suma importância ao entender a migração digital. Quanto maior a dependência dos sistemas de software. Todos sabemos que os vírus artificiais que infestam o nosso computador são cópias fiéis dos nossos vírus biológicos e tem as mesmas “funções” que seriam reproduzir programada e incontrolavelmente um tipo de informação ou mutação. E não apenas o tipo de vida real. como os robôs. para entender até que ponto a sociedade está vulnerável até mesmo dentro da nova aldeia global.