Você está na página 1de 23
AULA 03 Conversão de Energia Eletromecânica Professor: Rafael Scorfi Gatto Eng. Eletricista e Telecomunicações rscorfi@gmail.com Objetivo Capacitar eletricista para:  Conhecer características mecânicas de força;  Conversão de potência mecânica em potencia elétrica;  Características de acoplamentos;  Dimensionar motores para aplicações relacionadas a carga mecânica. Conjugado O conjugado (torque) é a medida do esforço necessário para girar um eixo.  Desejamos levantar um balde de um poço, conforme figura. Sabe-se que quanto maior a manivela, menor será a força. Conjugado = × Ex.: Para levantar o balde da figura, pesando 20N e o diâmetro do tambor é 0,20m, a corda transmitirá uma força de 20N na superfície do tambor, isto é, a 0,10m do centro do eixo. Para contrabalançar esta força, precisam de 10N na manivela, se o comprimento E for 0,20m. Se E for o dobro, isto é, 0,40m, a força F será a metade, ou seja 5N. Neste caso o conjugado será: = 20 × 0,10 = 10 × 0,20 = 5 × 0,40 Energia e Potência Mecânica  A potência mede a “velocidade” com que a energia é aplicada ou consumida. No exemplo anterior a energia gasta é sempre a mesma. No caso da potência, ela demostra a rapidez com que esta energia é aplicada e se calcula dividindo a energia pelo tempo gasto para realizá-lo. × = × = 736 × Energia e Potência Mecânica  Ex. 01: Para levantar um balde de um poço de 50m de profundidade que pesa 1200N em 2s, temos que: × 1200 × 50 = ⇒ = ⇒ = 30000 30 () 2 × 1200 × 50 = ⇒ = ⇒ = 40,76 736 × 736 × 2  Se reduzirmos o tempo para 1,4s temos: = × 1200 × 50 ⇒ = ⇒ = 42857,14 42,86 () 1,4 × 1200 × 50 = ⇒ = ⇒ = 58,23 736 × 736 × 1,4 Energia e Potência Elétrica Embora energia seja uma coisa só, ela pode apresentar formas diferentes. Se ligarmos uma resistência a uma rede elétrica com tensão, passará uma corrente elétrica que irá aquecer a resistência. A resistência absorve energia elétrica e a transforma em calor, que também é uma forma de energia. Um motor elétrico absorve energia elétrica da rede e transforma em energia mecânica disponível na ponta do eixo. Potência em CC = × Potência em CA Trifásico 2 = = × 2 () = 3 × × × Potências Potência Aparente (S) Resultado da multiplicação entre corrente e tensão, caso não haja defasagem entre corrente e tensão. É a potência real. Potência Ativa (P) Potência Reativa (Q) = () cos É a parcela da potência É a parcela de potência ativa que realiza aparente que “não” trabalho, ou seja, é realiza trabalho. Apenas transformada em é transferida e energia. armazenada nos elementos passivos = 3. . . cos () (capacitores e indutores do circuito) = . cos () = 3. . . () Fator de Potência (cos φ) O fator de potência, onde φ é o ângulo de defasagem da tensão em relação à corrente, é a relação entra a potência real (ativa) P e a potência aparente S. Escorregamento É a diferença entra a velocidade síncrona e a velocidade do motor de indução. Varia em função da carga a ser acionada pelo motor. ESCORREGAMENTO = − N F S = = = ROTAÇÃO ASSÍNCRONA = × × ( − ) S Ns N = = = Escorregamento Velocidade Síncrona Velocidade do eixo (rpm) % = × 100 (%) Rotação no eixo (rpm) Freqüência (Hz) Escorregamento S% = Escorregamento em % Corrente Nominal É a corrente que o motor absorve da rede quando funciona à potência nominal, sob tensão e freqüência nominais. O valor da corrente nominal depende do rendimento (η) e do fator de potência (cos φ) do motor. WATT CV = () × 1000 3 × × × cos () = () × 736 3 × × × cos () P U η = = = Potência Tensão Rendimento Perdas nos Motores A potência útil fornecida pelo motor na ponta do eixo é menor que a potência que o motor absorve da rede de alimentação, isto é, o rendimento do motor é sempre inferior a 100%. Isto acontece devido a perdas elétricas, perdas magnéticas, perdas mecânicas e perdas parasitas. Perdas Elétricas Perdas elétricas são do tipo (Rxi2), e aumentam consideravelmente com a carga aplicada ao motor. Podem ser reduzidas aumentando a seção transversal do condutor do estator e do rotor. Perdas Magnéticas Perdas magnéticas ocorrem nas laminas de ferro do estator e do rotor devido a correntes induzidas, e variam com a densidade do fluxo magnético. Podem ser reduzidas aumentando a seção transversal do material ferromagnético do estator e do rotor. Perdas Mecânicas Perdas mecânicas ocorrem devido ao atrito dos procedimentos, ventilação e perdas devido a oposição do ar. Podem ser reduzidas utilizando procedimentos com baixo atrito e com aperfeiçoamento do sistema de ventilação. Perdas Parasitas Perdas parasitas ocorrem devido a correntes não uniformes, causando uma fuga no fluxo magnético. Podem ser reduzidas através utilização de materiais ferromagnéticos de melhor qualidade e também ao invés de utilizar núcleo de ferro maciço utilizar núcleo laminado. Aquecimento do Enrolamento Aquecimento no Enrolamento Para reduzir o aquecimento nos enrolamentos é necessário:  Ter um bom sistema de ventilação  Área de dissipação da carcaça deve ser o maior possível Vida Útil do Motor Para que o motor tenha uma vida útil longa devem ser vistos os seguintes fatores: • • • • Umidade; Vibrações; Ambientes corrosivos; TEMPERATURA DE TRABALHO. A vida útil do motor refere-se ao envelhecimento do isolante, que pode vir a ressecar e se tornar quebradiço, perdendo suas características isolantes e causando um curto circuito entre os enrolamentos. Um aumento de 8 a 10 graus na temperatura de isolação reduz a vida útil do motor pela metade. Dimensionamento de Motor Para escolhermos um motor de potência adequada a uma aplicação, devemos conhecer o conjugado da carga e a rotação que a carga deverá ter em condições nominais. Temos dois tipos de acoplamentos possíveis:  ACOPLAMENTO DIRETO  ACOPLAMENTO INDIRETO COM REDUÇÃO DE VELOCIDADE Dimensionamento de Motor ACOPLAMENTO DIRETO REDUÇÃO DE VELOCIDADE = 2 × × × 1 = × × Onde: Nc Cn Nn Ƞac = Rotação da Carga em rps; = Conjugado de carga nominal, (N.m); = Rotação nominal do motor em rps; = Rendimento do acoplamento. Onde: Pn Cn Nn = = = Potência nominal do motor em Watt (W); Conjugado nominal do motor em N.m; Rotação do motor em rps. Obs: Conjugado requerido pela carga é igual ao conjugado do motor Dimensionamento de Motor Bibliografia  MAMEDE FILHO, João. Instalações Elétricas Industriais. 8.ed. – editora LTC, 2010;  WEG, Motores Elétricos de Corrente Alternada;