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O conceito de espaço público como suporte para a análise de cidades com patrimônio histórico-arquitetônico protegido Marcela do Nascimento

Padilha Doutoranda em Geografia – UFF (Brasil) e UB (España) e-mail: marcela.nascimento@gmail.com Apoio: CAPES O conceito de espaço público que adotaremos neste trabalho está apoiado nas ideias desenvolvidas, principalmente, por três teóricos: Hannah Arendt, Jürgen Habermas e Richard Sennett. A decisão de adotá-los ocorreu porque acreditamos que, embora não sejam geógrafos, tais intelectuais viram a materialidade do espaço como um fator de grande importância na constituição da esfera pública, o que não é muito comum nos cientistas não-geógrafos. Além disso, os três autores vão ao encontro da visão que defendemos do espaço público, qual seja a de que ele se constitui em um espaço privilegiado da vida cidadã. A esfera pública, da qual tratam os autores, contém o espaço publico. Além disso, nosso objetivo é defender a ideia de que o conceito de espaço público precisa ser revisitado, tendo em vista as grandes e rápidas mudanças pelas quais a nossa sociedade atual tem passado e que fatalmente impacta sobre a forma, os usos e a apropriação desses espaços característicos da vida cidadã. Dessa forma, apresentaremos a nossa interpretação da concepção de público e de espaço público desenvolvida por esses autores. Estamos convencidos de que suas ideias, em consonância com a definição de espaço e de espaço público proposta por geógrafos, urbanistas e outros profissionais que se debruçam sobre o tema acerca do espaço constituem uma base sólida para o estudo das transformações socioespaciais de cidades sob gestão patrimonial. 1. Hannah Arendt, Jürgen Habermas e Richard Sennett: três formas de se analisar a esfera pública Os três autores elaboram suas análises acerca da esfera pública mencionando, em algum momento, a diferenciação entre público e privado. A partir daí, cada um, a sua maneira, apresenta uma concepção de público de acordo com diferentes momentos da história, enfocando um possível enfraquecimento de seu sentido na sociedade contemporânea.

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E esses monumentos eram posicionados em 2 . o público está diretamente relacionado ao político..]”iii. é fundamental para a existência da esfera pública e. a primeira diferenciação que a autora faz entre público e privado está relacionada à visibilidade.. essa sociedade perdeu o interesse pela vida em comum. A partir da tentativa de manter-se no mundo mesmo após a morte do corpo é que surgiram os monumentos. é onde se pode ver e ouvir. Por isso. de que deveríamos nos desvencilhar das coisas do mundo para alcançarmos a salvação da alma. pois empregadas para finalidades políticas. os monumentos eram vistos como aqueles objetos capazes de fazer lembrar algum feito ou pessoa mesmo após passadas muitas gerações. ao contrário.1. tendem a se extinguir. segundo ela. pois se aparecer é ser real. Arendtii afirma que é necessário pensarmos na permanência do mundo. diferente da doutrina cristã. Para se constituir uma esfera pública... La publicidad de la esfera pública es lo que puede absorver y hacer brillar a través de los siglos cualquier cosa que los hombres quieran salvar de la natural ruína del tiempo [. por exemplo. É a esfera pública. como o amor. Assim. à publicidade. Segundo ela. que pensemos no mundo como algo que permanecerá a despeito de nós ou de nossa vida mortal. mesmo não fazendo parte da mesma família. ser visto e ouvido. pensar em um mundo comum. Assim. isto é. Ela explica tal afirmação ao dizer que certas coisas só podem existir na esfera privada. que faz com que mantenhamo-nos juntos. então a realidade está diretamente relacionada ao público. que permite a união. como se fossem praticamente sinônimos.] solo puede sobrevivir al paso de las generaciones en la medida em que aparezca en público. como o fez a sociedade cristã em uma parte da Idade Média. constituir um mundo juntos. para uma vida em comum. É em público onde podemos viver juntos. e não no seu fim. por mais juntas que elas possam estar ou parecer estar. E é aí que reside o problema da sociedade de massas. ela não encontra um verdadeiro elo que una uns aos outros. Esta tem o poder de desunir as pessoas.1 Hannah Arendt Segundo a filósofa alemã Hannah Arendti. Presentes desde o início da vida em cidades. Já o público. onde todos entram ao nascer e deixam ao morrer é a visão que une as pessoas na era Moderna e as faz perceber que esse mudo comum “[. portanto. E completa afirmando que a realidade só pode se constituir na esfera pública.

de sermos vistos e ouvidos pelos outros. tanto para os antigos gregos. a convivência. com a res pública. portanto. A esfera pública permite que vejamos sob diferentes aspectos. singular. onde a política e a vida social podem se realizar. a esfera pública foi aquela capaz de tirar os homens da futilidade e da insignificância da vida individual e privada e dar sentido à vida. portanto. que Hannah Arendt nos fornece uma concepção de público em estreita relação com a visibilidade. os monumentos eram os responsáveis pela permanência de alguém no mundo mesmo após a sua morte. não pode constituir uma esfera pública. não pode existir baseada apenas em um tipo de pessoa. A política só pode surgir com a relação entre os homens. segundo Arendtvii. para serem vistos pelo maior número possível de pessoas. A política. com a sociabilidade e é ela que tem a capacidade de promover a ordem entre as diferenças. é o local que possibilita o encontro. assim. onde se pode ver e ser visto e. o debate. Nesse sentido. O público encontra o seu lugar no espaço público. não pode fazer política e. A esfera pública nos possibilita viver em um mundo comum. Assim. que nos apresentemos sob perspectivas variadas e. mas nela está contido. Assim. a pluralidade e a sociabilidade. de ideia. com a polis. quando mergulharmos em um mundo privado. possibilita a sociabilidade e a visibilidade ao impedir que as diferenças promovam o caos. portanto. de aspecto. o fim do mundo comum ocorrerá quando deixarmos de ver e ouvir os outros. no qual a realidade humana é produzida por meio da relação objetiva entre as pessoas. Dessa forma. A esfera pública nos possibilita inúmeras perspectivas oferecidas pelo mundo comum que não se podem mensurar. Por conseguinte. possamos construir a realidade. por sua vez. baseia-se na pluralidade dos homens. tal como já afirmava Aristótelesv. supera o espaço público. Na visão de Arendtvi. então. Para existir. Esta realidade precisa ser. Ela seria. A esfera pública. sendo este o terreno concebido e organizado de forma a abrigar a vida pública. assim. portanto. a 3 . construída no âmbito da presença de diferentes tipos de pessoas que estejam verdadeiramente dispostas a pensar na coletividade e não em si mesmas. a política. por si só. isto é. isto é. onde a pluralidade humana não se mostre. o homem. o público está relacionado ao político e este. Vemos. imortalizando-a por meio dos pensamentos compartilhados e dos objetos construídosiv. assim como a promover ações que transcendam a duração da própria vida. que não é a esfera pública.lugares públicos. quanto para os romanos. Tanto a esfera pública quanto a esfera privada precisam de um lugar para se realizar. é necessário que se faça segundo diferentes perspectivas.

Mas essas características se realizam em um lugar específico. necessariamente. o uso mais frequente do público seria por meio da opinião. E. uma ação pública deve ser acessível a todos.] Só o fato da emancipação das mulheres e da classe operária. inicialmente. o espaço público. Habermas diferencia o público do privado. ou seja. acessível a todas as pessoas. sem exceção. onde as coisas podem ser mostradas e onde a vida pode ser produzida e reproduzida objetivamente. de grupos de homens que nunca antes podiam mostrar-se na vida pública. dá um rosto radicalmente novo a todas as questões políticas”viii. por isso. e o privado o público.. Já um edifício/espaço público não está. por sua vez.. Por isso. a individualidade está sobrepujando o social. quer dizer. além das mudanças pelas quais esta vem passando ao longo da História. por meio da relação com a acessibilidade das pessoas. Embora com um sentido diferente daquele que havia na Antiguidade. enfatizando a importância da publicidade/visibilidade do 4 . é que as pessoas não estão encontrando o elo que as une umas às outras. a autora afirma que a liberdade alcançada na Modernidade é uma grande conquista para a humanidade. a sociedade moderna conseguiu uma grande avanço nesse aspecto. em seu importante trabalho “Mudança Estrutural da Esfera Pública”ix. “[. A opinião pública tem como sujeito o público que. Sua ideia sobre o termo “público” é apresentada. da esfera pública que. deve ser bem informado e crítico para que a esfera pública possa cumprir o seu papel de fato. por sua vez. Para o autor. é possível notar com clareza que Hannah Arendt vê a visibilidade. sua análise vai ao encontro da posição que defendemos aqui acerca desta categoria. responsável por promover o bem comum a todos os cidadãos. O problema da sociedade atual.2 Jürgen Habermas O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas. a pluralidade e a sociabilidade como as características essenciais da vida coletiva e. portanto. A partir daí. mas precisa abrigar uma ou mais instituições públicas. Para ele. Com isso. O Estado seria o poder público maior. segundo a autora. diferencia ação pública de espaço/edifício público. que lhes desperte o desejo de viverem em um mundo comum. Portanto.responsável pela nossa liberdade. 1. contribui profundamente para o debate acerca do significado de público e da constituição da esfera pública. é organizada pela política para possibilitar a liberdade das pessoas. Embora seu objetivo não tenha como foco o espaço público.

Entretanto. na Grécia Antiga. público e privado.. por isso. havia os elementos para uso comum. destaca-se a esfera pública – e isso era mais que evidente pra os gregos – como um reino da liberdade e da continuidade. publicamente acessíveis. muitas vezes. havia uma separação clara do que era comum e do que era particular. Já na Idade Média. pobreza e não possuir escravos já seriam por si só empecilhos no sentido de poder participar da polis [. Dessa forma. “[. do separado. a característica da visibilidade/publicidade está presente nas duas épocas. eram de difícil diferenciação. onde o quarto de dormir de Luiz XIV transformou-se em um cenário e a cama em um palco (Figura 1). embora haja uma clara diferença entre as esferas pública e privada da Antiguidade grega. 5 . ao invés de simplesmente colocar-se em lugar dele. sobretudo do rei. Na conversação dos cidadãos entre si é que as coisas se verbalizam x e se configuram” . em geral. enquanto o público está ligado à liberdade e ao que se mostra aos outros. o autor recorre aos gregos antigos para afirmar que o privado está relacionado àquilo que não se deve mostrar e à necessidade. o reino da necessidade e da transitoriedade permanece mergulhado nas sombras da esfera privada. “[. majestade. essas duas esferas. Só à luz da esfera pública é que aquilo que é consegue aparecer.. A diferença é que... Um exemplo é o Palácio de Versalhes. podemos notar que. só se representava aquilo que fosse grande. visto que a mesma não pode ocorrer senão em público.].. tudo se torna visível a todos. de valor e. Contraposta a ela. e as esferas comunitária – incluindo aí a representação – e particular da Idade Média. dignidade e honra procuram designar esta especificidade de um ser capaz de representação [.primeiro. ao invés de o fazer pelo povo. assim como.. como se uma estivesse presente na outra. Esta esfera do comunitário se contrapunha à esfera do particular. fazem-no perante o povo”xi. já na Idade Média e mesmo antes da Revolução Industrial. Além deste. Tal como Hannah Arendt. onde o espetáculo se apresentava aos olhos dos espectadores. isto é.. apesar de terem uma ligação próxima. às avessas. glória. o autor explica que não houve uma oposição entre as esferas pública e privada. Assim. soberania.]. ao público. O que mais se aproximava de uma esfera pública era a representação. onde reside o sentido do privativo. possuir bens móveis e dispor de força de trabalho tampouco constituem substitutivos para o poder sobre a economia doméstica e a família. Enquanto o príncipe e seus terra-tenentes “são” o país. eles só podem representar num sentido específico: eles representam a sua dominação.] Palavras como grandeza. os únicos que têm local de representação são os religiosos. eram coisas opostas.. e esse local é a igreja. como no modelo clássico.] A esfera privada está ligada à casa não só pelo nome (grego). a representação estava ligada ao poder. Além disso.

public persons. tais notícias atingiam apenas uma camada 6 . ou seja. por volta da segunda metade do século XVI. então. a representatividade pública com a representação teatral. pois “público” refere-se entrementes ao Estado formado com o Absolutismo e que se objetiva perante a pessoa do soberano. precisavam se tornar conhecidas.. isto é. constituem um público”xiii.. assim. então. service public) e são chamados “públicos” os prédios e estabelecimentos da autoridade. Então... the public.. assim. como decretos e portarias. Confundia-se. os cidadãos.]”xii. As ações do poder público. Inicialmente. a representatividade transcende a Idade Média e chega à Modernidade com novos moldes.] ao funcionamento regulamentado. a personalidade pública era o mesmo que a representatividade pública.. as pessoas privadas. com uma separação entre o espaço do rei (o palco) e o espaço dos espectadores (a plateia). e é a imprensa quem passa a exercer essa tarefa.. Já na Era Moderna. Privat significa estar excluído. cargos privados. isto é. O poderio senhorial transforma-se em “polícia”. Na primeira.. Das Publikum. esse instrumento passa. em antítese ao “sistema privado”.] Em alemão [. le public é. Já a Modernidade voltou a contrapor as esferas pública e privada.] se encontra a palavra privat (privado) emprestada do latim privatus. ampliando enormemente a primeira. Os servidores do Estado são öffentliche personen. públicas.. naquela época. “[. e isso no sentido que. Do outro lado.. Começam a surgir. a esfera pública começa a ser ampliada. a autoridade era representada por quem tinha poder e. suas atividades são públicas (public Office. ocupam uma função pública. palavras relativas às duas esferas. há pessoas privadas.]. também assumiram em inglês private e em francês privé [. negócios privados e casas privadas [. de acordo com competências. esse papel passa a ser desempenhado pelo servidor público. o “poder público”. privado do aparelho do Estado. a ser a via de comunicação entre o poder público e o “público”. aquele que serve ao Estado e. Assim.Figura 1 – Quarto e cama de Luis XIV no Palácio de Versalhes. O “público” torna-se sinônimo de estatal e refere-se “[. Foto da autora – dezembro de 2010. personnes publiques. de um aparelho munido de monopólio da utilização legítima da força. submetidas a ela enquanto destinatárias desse poder.

que mencionamos anteriormente. Ela se assemelha à esfera representativa. enquanto que o consumo da cultura de massas não deixa rastros: ela transmite uma espécie de experiência que não acumula. a imprensa. ou seja. E isso pode impactar de forma significativa a produção. como a imprensa é a instituição. Consome-se a informação verbal ou fornecida por meio de imagens. da esfera pública. Por conseguinte.] A intimidade com a cultura exercita o espírito. assim. o “público político e crítico” dá lugar ao “público consumidor de cultura”: “[. cada vez mais. tamanho é o prestígio e confiabilidade de alcança. simplesmente informava as ações do poder público. esse enfraquecimento leva a própria esfera pública a também perder força.. também. o uso e a apropriação dos espaços públicos. Dessa forma. perde-se o público crítico e este dá lugar a uma grande massa de consumidores. para o mercado do lazer.privilegiada. pois. então. aquela formada pelas pessoas cultas. Nesse sentido. E a cultura.. No entanto. volta-se. médicos. a esfera pública. Mais tarde. Com o passar do tempo. o que serviu para desenvolver um público crítico. Esse consumo de cultura não está ligado.] À medida que a cultura se torna mercadoria. Mas quando ela passa a ser uma mercadoria. quando ocorre a mudança na concepção da imprensa. Apresentamos essa visão de Habermas sobre o enfraquecimento da opinião pública devido à publicidade e ao consumo da cultura. ela passa a se configurar como um bem de consumo e sua função jornalística começa a se perder. para esse autor. a publicidade passa a moldar a opinião pública.. antes baseada nos livros e voltada para a informação e para a formação. sua tarefa central é produzir um certo consenso capaz de levar o público a aceitar certa pessoa ou produto. 7 . Com o passar do tempo. Assim. de forma significativa. também. consumidas. ela se aliena àqueles momentos cuja recepção exige uma certa escolarização – no que o „conhecimento‟ assimilado. A esfera crítica começa a se formar devido aos preços dos impostos e à intervenção pública na economia doméstica privatizada. a partir da segunda metade do século XIX. mas faz regredir”xiv.. a imprensa. a esfera pública. e isso não só na sua forma. iniciou sua fase de imprensa de opinião. passou a analisar os fatos e a noticiar tais análises e. à leitura de livros. por sua vez. Dessa forma. [. como juristas. eleva a própria capacidade de conhecer. modificando. passa a ser um fórum de “vigilância” formado por um público pensante. professores etc. mas também por seu conteúdo. muda. que até então servia para levar ao público as ações do poder público. por excelência. criando necessidades e implantando o interesse por coisas diversas que serão. a imprensa vai contribuindo com as discussões e debates promovidos por diversos grupos. Primeiro ela. perde a essência da sua função crítica e passa a instrumento da cultura consumista.

na verdade. historiador e músico Richard Sennett. portanto.] Quanto mais a cidade como um todo se transforma numa selva dificilmente penetrável. essa esfera continua sendo o princípio organizacional de nosso ordenamento político. são. conforme o foi nas suas origens ocidentais. Embora na sua forma estejamos presenciando uma expansão jamais vista na História. têm buscado relacionar-se com os seus iguais e os que estão fora desse grupo são estranhos e.. criticando-a duramente e acusando-a de estar cada vez mais voltada para a vida privada e alheia a todos os benefícios que o verdadeiro contato cidadão pode nos proporcionar. a vida pública se transformou em uma obrigação formal. A cidade vai. E acreditamos que essa perda pode tornar-se um importante obstáculo à realização da cidadania. Segundo Sennettxvii: 8 . O fato de voltar-se mais para o indivíduo do que para a sociedade tem implicações significativas na política e. As pessoas. O autor afirma que. precisa ser composta por diferentes tipos de pessoas. a pluralidade não mais significa intercâmbio de ideias e de diferentes perspectivas. ameaçadores. pois. que passa a ser levada cada vez mais avante. vê uma obra.3 Richard Sennett O sociólogo. e não um bem a ser apreendido.. se diluindo e perdendo força. Ela está. (Idem. E. mas não de “alma”. portanto. assim. [. o chamado turismo cultural que. como um produto a ser comercializado. 1.. o consumo da cultura está fortemente presente na atividade turística. em seu trabalho “O Declínio do Homem Público” (The Fall of Public Man)xvi. em geral. “[. para uma tendência à decadência da esfera pública na nossa sociedade atual. presente de “corpo”. a cada dia. pp. atualmente.188-9) Habermas aponta..] no lugar da esfera pública literária [constituída pelo público crítico e informado] surge o setor pseudo-público ou aparentemente privado do xv consumismo cultural” .lugar por excelência da esfera pública. No entanto. sobretudo. não sendo mais um prazer para os cidadãos. Além disso. mas que finalmente vem a sentir que a esfera pública urbana se decompõe. a sua função vem. não por último porque o espaço público se perverteu no sentido de uma sociedade mal-ordenada de um trânsito tirânico. elabora uma análise da sociedade atual. no seu espaço mais característico: o espaço público. muitas vezes. se deteriorando. Por exemplo: um candidato a um alto cargo político. em sua essência. tanto mais ela se recolhe à sua esfera privada. é eleito por pessoas que consideraram mais o homem que é do que as suas ações ou planos de governo. portanto. monumento ou conjunto arquitetônico. em muitos casos. portanto. Todavia.

Uma sociedade que vive em um ritmo a cada dia mais acelerado. na Dinamarca. estão perdendo o seu caráter de promotor do intercâmbio de pessoas e atividades diversas. o espaço público.] La obsesión con las personas a expensas de relaciones sociales más impersonales es como un filtro que descolora nuestra comprensión racional de la sociedad.“[. o espaço público está se tornando sinônimo de via de passagem e. privilegiadosxix. e com as pessoas com visões mais íntimas que sociais. Com isso.]” . quanto mais livre ele for. o autor cita alguns edifícios de Nova Iorque. Nesse sentido. de encontro.. que receberam um projeto de urbanização no qual esses espaços públicos foram. com isso. promove. uma verdadeira área de convivência. essa nova característica do espaço público é a que o autor denuncia como sendo a responsável pela morte do mesmo. numa clara descaracterização do espaço público. combinam visibilidade com isolamento social. embora possibilite uma mobilidade eficiente. uma comparação entre o público e o 9 . como praças. Sennett afirma que o desequilíbrio da vida privada e o esvaziamento da vida pública são os símbolos da nossa sociedade atual. seja pela visão íntima dos indivíduos. melhor É importante ressaltar que a visão de Richard Sennett que estamos apresentando aqui. o movimento tornou-se extremamente importante e. Aliás. as cidades de Barcelona. por conseguinte. temos presenciado um significativo desgaste da vida pública. não inclui todas as cidades do mundo. vazio de sentido. no Brasil. que se tornam verdadeiros refúgios de tranqüilidade em meio a uma selva de pedra acelerada. por isso. as pessoas simplesmente passam por ele. e Curitiba. íntimos. paradoxalmente. oscurece la persistente importancia de la clase en la sociedad industrial avanzada. Copenhagen. de alguma forma. nos lleva a creer que la comunidad es la resultante de un acto de autodescubrimiento mutuo y a subestimar las relaciones comunitarias de extraños. assim. Não há. o domínio público e.. o autor afirma que as pessoas estão buscando resolver questões públicas a partir de visões e sentimentos pessoais. ruas. estes são isolados do exterior e servem apenas para passagem. Paris e Londres que. Há cidades cujo plano urbanístico. o movimento. como exemplo. Ele está.. de permanência. com cidades cada vez maiores e mais densas. também. na Espanha. parques e. Para exemplificar tal afirmação. também possui espaços públicos destinados ao encontro e a permanência das pessoas. assim como os dois outros autores aqui analisados. Assim. Podemos citar. seja pela própria configuração traçada pelos arquitetos. isto é. particularmente aquellas xviii que tienen lugar en las ciudades [.. Ao mesmo tempo em que possuem espaços vazios que poderiam servir para o encontro. Para ilustrar essa afirmação. inclusive. Segundo ele.

por conseguinte. “público” significava aberto a todos. e nela o público era visto como algo imoral e o privado. isto é. entre outros exemplos. las capacidades para la paternidad y la amistad profunda fueron consideradas como potencialidades naturales más que como creaciones humanas. ao bem comum.Todavia. a perda de sua virtude. o domínio do familiar. esse âmbito público significava. e a sua natureza. uma nova cultura urbana foi sendo delineada. simplesmente. à região da sociabilidade. Por um lado. Assim.. E. para as mulheres. desde suas origens. à esfera privada. novos costumes foram criados para definir os limites entre a vida pública e a vida privada. a do social. O século XIX viveu mudanças significativas no domínio público. a esfera pública foi se ampliando e nela passou a se integrar uma grande diversidade de pessoas. Mientras el hombre se hacía a sí mismo en público. realizaba su naturaleza en el dominio privado. onde elas pudessem passar o tempo. Por outro lado. o termo “público” está relacionado. se multiplicaram. da ampliação do seu caráter cosmopolita. Parques urbanos. Já nas proximidades da Revolução Industrial... sobre todo en sus experiencias dentro del núcleo familiar [. mas não social. se fizeram presentes em grande número nas principais cidades. “[. o que fazia com que o domínio público adquirisse uma certa semelhança material. passeios públicos. Sennett aponta para o momento em que se relacionava a existência social do homem à esfera pública. cafés. Os valores ligados ao domínio privado são aqueles considerados os corretos e 10 . dessa forma. Na Era Moderna. fizeram com que as pessoas pensassem em se proteger do público. ao corpo político e à visibilidade. como roupas. e para os homens. assim como com o surgimento do direito ao ócio conquistado pela classe trabalhadora. por exemplo. Tal como vimos em Hannah Arendt. foi constituída uma nova esfera. E privado estaria ligado a privilégios. a família.. os lugares de encontro que permitem o relacionamento de pessoas ou. abertura de teatros e óperas ao grande público. a indústria produzia cada vez mais objetos padronizados.privado. do moralmente correto. àquilo que se pode mostrar aos outros. Segundo ele. Com o advento da indústria e do crescimento das cidades e. as grandes transformações econômicas e sociais provocadas pelo capitalismo e ainda não compreendidas pela população em geral. isto é.] A su vez. As cidades industriais viviam um período de grande desordem social e espacial e isso levou a sua população a se voltar para a vida privada. assim como um sentido de civilidadexx que permitia que estranhos pudessem manter um convívio. uma possibilidade de libertação das “correntes do lar”. enquanto que “privado” era a esfera da família e dos amigos.]”xxi. Nesse sentido.

De acordo com Habermas. sobre a credibilidade do homem público. que o nosso interesse maior é o de.. o fim da cultura pública. os fundamentos sociais da esfera pública “[. sobre o político. um princípio organizacional de nosso ordenamento político.. Sennett conclui afirmando que voltar-se para a intimidade foi a ação da sociedade da época de resolver o problema da esfera pública negando a existência desta. embora promova a facilidade da comunicação. como a família. especificamente. É importante ressaltar. As cidades que se encontram sob gestão 11 .. promover uma reflexão acerca da importância que esse espaço segue tendo em nossa sociedade contemporânea. A tentativa de fugir da impessoalidade levou à criação de comunidades que. a cultura pública não acaba. “[. A tecnologia dos transportes e os desenhos da cidade e de seus edifícios são feitos para facilitar o movimento. a partir das características fundamentais da esfera pública e. a esfera pública continua sendo. atualmente.. O que para nós. mas se transforma. a sua função passa a ter cada vez menos força. isto é.] estão […] há cerca de um século novamente se diluindo. a casa e os amigos. sempre ainda. Para Sennett. Um exemplo. E viver em uma sociedade que prima pela intimidade significa. algo mais e outra coisa do que um fragmento de ideologia liberal de que a social-democracia pudesse desfazer-se sem prejuízos [.. segundo o autor. possuem um caráter cada vez mais restrito. ou melhor. tendências à decadência da esfera pública não se deixam mais desconhecer: enquanto a sua esfera se amplia cada vez mais grandiosamente. da forma como são concebidos e organizados. pois. Levou também as pessoas a relacionarem a felicidade com cenários íntimos. Ela é. ganha novos recortes e sentidos e se expressa segundo o contexto histórico.]”xxiii. Mesmo assim. nossa sociedade atual. permanece sob o domínio da intimidade. evidentemente. como já assinalou Habermas. é um equívoco. ainda que posterior às obras de Sennett e Habermas.. do espaço público. tentando impedir qualquer tipo de permanência em qualquer lugar.que se sobrepõem. a esfera pública continua sendo fundamental para a reprodução da vida social. ignorando-a. mais uma vez. inclusive. Embora verifiquemos uma perda do seu sentido original. podem possibilitar um ganho ou uma perda da qualidade de vida dos habitantes de uma cidade. Estamos convencidos de que esses espaços.] Esta „credibilidad‟ política representa la sobreimposición de la imaginación privada sobre la pública y nuevamente surge en el siglo pasado como resultado de las confusiones ideológicas y de conducta entre xxii estos dos dominios” . são as redes sociais virtuais que ganham a cada dia mais e mais adeptos e constituem uma forma própria de expressão e sociabilidade.

atraem mais pessoas e são responsáveis por grande parte da produção de significados. Os espaços públicos por comportarem. banhistas das praias. portanto. em menor ou maior grau. 12 . entendido como o espaço por excelência da vida urbana. fazendo-as permanecer ali e possibilitar. assim. ciências. por natureza. classificadas como patrimônio nacional e/ou mundial e onde esta condição impulsiona o desenvolvimento da atividade turística. Por isso. apresentam uma relação patrimônio. a necessidade de uma revisão e atualização da noção de espaço público. Nesse sentido. moradores de rua.patrimonial.turismo que põe os cidadãos e os espaços públicos da cidade no centro do debate. Por meio dos espaços públicos é possível verificar se essa relação promove maior qualidade de vida aos cidadãos ou leva à perda de sua cidadania. e estes também são fundamentais para a sua constituição. isto é. eles devem estar configurados de tal forma que atraiam as pessoas. Jordi Borja. a expressão e a reprodução da vida urbana. As cidades contemporâneas têm nos mostrado. 2. pode expressar. a relação entre o urbanismo e a cidadania. Outras importantes contribuições acerca do espaço público Feita a apresentação e interpretação das ideias elaboradas por Arendt. urbanista catalão que há muitos anos vem trabalhando. espaciais. tendo em vista que novos elementos e atores estão surgindo com uma importância significativa na reprodução desses espaços. que carrega consigo signos. por isso. Por serem os espaços que proporcionam. o espaço público “[…] parece que sea el punto sensible para actuar si se pretende impulsar políticas de hacer ciudad en la ciudad”xxiv. inclusive. Com efeito. em seu conjunto. são repletos de significados. torcidas organizadas. estes espaços participam da criação e expressão de identidades e. na teoria e na prática. a visibilidade. em tese. em diferentes graus. pode nos mostrar as condições de vida de uma cidade e se a cidadania se faz ou não presente. podem colaborar para a constituição do sentimento de pertencimento a um determinado lugar. também estão inseridos nessa nova dinâmica desses espaços especiais das cidades. camelôs. por isso. O Estado não é o único ator responsável pela (re) produção do espaço público. mencionaremos outras importantes contribuições acerca deste tema. de autores ligados à geografia e ao urbanismo. a vida pública. turistas. entre outros. segundo Jordi Borja. memórias e identidades locais. Habermas e Sennett sobre a esfera pública e relacionando-as com a concepção de espaço público. As cidades possuem determinados espaços públicos que são mais valorizados e. tal como a materialidade e os comportamentos. o espaço público.

Mas para que assim o seja. El espacio público moderno proviene de la separación formal (legal) entre la propiedad privada urbana […] y la propiedad pública […] y cuyo destino son usos sociales característicos de la vida urbana […]. necessariamente. “[…] La calidad del espacio público se podrá evaluar sobre todo por la intensidad y la calidad de las relaciones sociales que facilita. embora sejam lugares urbanos.El espacio público también tiene una dimensión socio-cultural. de que esse espaço transcende o seu estatuto jurídico. como diferencia Rogerio Proença Leite em seu livro “Contra-usos da cidade”xxviii. uso social colectivo y multifuncionalidad […]” . dependendo da forma como são concebidos. ou seja. Nesse sentido. meros espaços de passagem. a veces de expresión comunitaria […]. que. sobretudo. segundo Borja. de inovações e de bem-estar. Es un lugar de relación y de identificación. Para serem espaços públicos verdadeiramente cidadãos. por su fuerza mixturante de grupos y comportamientos y por su capacidad de estimular la identificación simbólica. mas sim um lugar de vivência. O centro histórico patrimonializado é a memória coletiva materializada que se deseja preservar. influenciam de forma significativa na produção e gestão da cidade. o espaço público é o espaço capaz de permitir a realização da vida urbana por meio do seu uso por diferentes pessoas que nele se encontram e mostram que a cidade pode ser muito mais do que uma simples aglomeração de indivíduos. portanto. Portanto. E conclui.En todos estos casos lo que defina la naturaleza del espacio público es el uso y no el estatuto jurídico. em poucas palavras. Uma rua. é preciso que abriguem a vida pública. o espaço público pode ser um elemento-chave para se alcançar a cidadania em uma cidade. com ou sem atrativos turísticos. o encontro. tal simbolismo deixa de fazer sentido se esse espaço físico 13 . El espacio público supone pues xxv dominio público. que “[…] al espacio público se le pide ni más ni menos que contribuya a proporcionar sentido a nuestra vida urbana”xxvii. ele precisa ser pensado e configurado para ser um espaço público stricto sensu. constituindo-se. seja ela pequena ou grande. Assim. não sendo. de trocas. nova ou antiga. existe o espaço urbano e o espaço público.nos fornece uma definição de espaço público que vai ao encontro do que defendemos aqui. Dessa forma. espaços públicos tal como aqui concebemos. de animación urbana. a partir do seu uso e apropriação. ou seja. de contacto entre las gentes. De acordo com o autor. No entanto. propietaria o que posee la facultad de dominio del suelo y que garantiza su accesibilidad a todos y fija las condiciones de su utilización y de instalación de actividades. la expresión y la integración culturales […]”xxvi. São os usos e a apropriação que determinarão se um espaço é público ou simplesmente urbano. praça ou parque. mais do que um terreno regido por leis e cuja acessibilidade e gestão estão a cargo da Administração Pública. “El espacio público es un concepto jurídico: un espacio sometido a una regulación específica por parte de la Administración pública. não são. é necessário que o espaço público seja mais do que um lugar que permita a acessibilidade. a sociabilidade.

daquelas que se encontram sob gestão patrimonial. Nesse sentido.] atual. social e simbólica. através dos objetos e desenhos de diferentes momentos da história. Por isso. que se mostra. Uma interessante concepção do espaço público nos é oferecida por Núria Benach em seu artigo “Tres aproximacions a l‟espai públic barceloní”xxx. “[. exatamente. conjunto de objetos. característicos da vida cotidiana. política. a partir desses espaços. por fim. segundo Cornelius Castoriadis. do poder e da regulação – e o espaço das pessoas – aspecto da multiplicidade de usos. ou futura vem. um centro histórico preservado sem a sua gente é como um cenário composto para acolher uma peça de ficção. do seu uso combinado pelos grupos humanos que os criaram ou que os herdaram das gerações anteriores”xxix. É por meio do tempo presente na materialidade do espaço público que. com a qual é identificado. 14 . Assim. E. o concebido e o vivido. Por isso. visibilidade e acessibilidade – que pode ser restrita.. visto que são os espaços mais representativos de uma cidade. é possível analisarmos o grau de cidadania de uma coletividade. principalmente. Nele a autora define três aspectos presentes no espaço público a partir de um paralelo traçado com as três vertentes lefebvrianas do espaço social – o percebido. o espaço público é por ela caracterizado como o espaço do desenho – aspecto material –. Milton Santos afirma que a utilidade dos objetos. o espaço da renovação – aspecto político. ele se mostra como o palco privilegiado para verificarmos como a população local se insere no processo de valorização cultural e turística da cidade. sobretudo. “[…] a coletividade pode contemplar o seu próprio passado como resultado de seus próprios atos e a partir dela se abrir a um futuro indeterminado […]” xxxi. outra característica presente nos espaços públicos é o tempo. mas sempre coletiva – são os componentes do espaço público presentes nas suas dimensões: material. Portanto. passada. Considerações Finais Acreditamos que os espaços públicos são elementos-chave para a compreensão das transformações ocorridas em uma cidade a partir da relação nela estabelecida entre patrimônio histórico e atividade turística. tempo. sociabilidade.não estiver animado pela vida da população local. Por serem os espaços onde a vida urbana se faz presente e encontra visibilidade. em especial. pluralidade. daquelas que precisam compartilhar a sua memória materializada no espaço com aqueles que desejam conhecê-la e contemplá-la. São esses elementos que tornam os espaços públicos os espaços especiais de uma cidade..

Barcelona: Editorial Pòrtic. 2002. A Política. p. Ajuntament de Barcelona.). Rogério Proença. 2010. Por conseguinte.U. p. xii Ibdem. iv Veremos no capítulo seguinte como a ideia de monumento foi superada pela de patrimônio na contemporaneidade. xv Habermas. 1984 [1962]. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro.Banco Mundial. xxxi CASTORIADIS. incivilidade seria: “sobrecarregar os outros com o eu de alguém. Espais públics: Mirades multidisciplinàries. Cities for people.66. 2002 [1977]. xxv Ibdem. p.64. 1988. Rosa Tello i (coord.16-17. _____.31.. Urbanitats núm. Jan. xxix Ibdem. xxviii LEITE..-322 a. La ciudad conquistada. Jan & GEMZØE.pdf.cit. p. 1997. 2006.N. p. 2002. xviii Ibdem. 1984 [1962]. p. xiv Ibdem. 2007. O que é política? Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.. iii Ibdem. Barcelona: Gustavo Gili. .188-189. 2002. p. Publicado en VVAA. p. p. xxiv BORJA.19-20. ciutat ideal: Significat i funció a l’espai urbà modern. op.75. O Declínio do Homem Público: as tiranias da intimidade. Los dominios del hombre. p. Rosa Tello i (coord. x Ibdem. La Condición Humana. p. Jordi. ix HABERMAS. Nuria. Nuevos espacios urbanos. 77-94. El declive del hombre público. civilidade é “a atividade que protege as pessoas umas das outras e ainda assim permite que elas tirem proveito da companhia umas das outras.cit.laciudadviva. Quito: P. Campinas: Editora da Unicamp.. Página 2.196-197. USA: Island Press. v ARISTÓTELES (384 a. Contra-usos da cidade: lugares e espaço público na experiência urbana contemporânea.15-16.73. In: ROBIRA. xvii SENNETT. Jordi. Rio de Janeiro. Ibdem. xxvi Ibdem. 1998. xxx BENACH. Las encrucijadas del laberinto. 1993 [1958]. Espais públics: Mirades multidisciplinàries. xiii Ibdem. Hannah.C). É um descenso de sociabilidade para com os outros criado por essa sobrecarga de sociabilidade”. Disponível em http://www.C. Barcelona.52.3. 2002 [1977]. Lars. vii Idem. Richard. [. GEHL. 22-23. Barcelona: Ediciones Península.i ARENDT. 1988 [1977]. 7. 1984 [1962]. São Paulo: Companhia das Letras. _____. op.D. p. xxi Sennett.1991. xxii Ibdem. p. Barcelona: Paidós Ibérica. Barcelona: Gedisa. op. Ciutat real.. un modelo de transformación urbana Programa de gestión urbana. p. xxiii Habermas.] A civilidade tem como objetivo a proteção dos outros contra serem sobrecarregados por alguém”. p. Martins Fontes. vi ARENDT. p. xix Conforme mostram Jordi Borja e Jan Gehl em: BORJA. Tres aproximacions a l’espai públic barceloní. Madrid: Claves. 323-324). Cornelius. Hannah. 2002 [1993].23. viii Ibdem.7. Barcelona: Editorial Pòrtic. Jürgen. p.24. Ciudadanía y espacio público. xx Para Sennett (1988. Barcelona: Centro de Cultura Contemporánea de Barcelona. Richard. xxvii Ibdem.). p.org/export/sites/laciudadviva/recursos/documentos/JordiBorjaciudadaniayespaciopublico. Mudança Estrutural da Esfera Pública: investigações quanto a uma categoria da sociedade burguesa. xvi SENNETT. Informe sobre la ciudadanía europea Eurocities/Eurocités.p df-716bb2b29c8725d2ba970c143258d832. Apud ROBIRA. acesso em 10/07/2010.1995. xi Ibdem.cit. & GEHL. ii 15 .