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MANUAL DE TUBERCULOSE PARA TÉCNICOS DO LABORATÓRIO

TB- laboratório Sanitário MSF Kuito, Angola Novembro 2002

MANUAL DE TUBERCULOSE PARA TÉCNICOS DO LABORATÓRIO

Depois de estas se repartirem multiplicam-se e juntam-se novamente.1. . As bactérias são Gram negativas. deve-se usar um quarto separado e bem ventilado. Fora disto.O que é a Tuberculose? A tuberculose é uma doença transmissível causada na maioria dos casos por microrganismos chamados Mycobacterium Tuberculosis. sudações nocturnas e febre. por isso as amostras de escarro devem se coleccionadas no ar livre e o mais longe possível das outras pessoas. um estado geral de doença e cansaço. Os microrganismos normalmente entram no corpo por inalação através dos pulmões. A tuberculose é causada por uma espécie dos génios Mycobacterium tuberculosis que é uma bactéria ácido-resistente o que possibilita a sua visualização com a coloração de Ziehl-Nielssen. dificuldades de respiração e dores do peito. isto pode ser visível em amostras positivas fortes como “fios” (cordões). • Produção de escarro que pode ser com sangue. • Perca de apetite e perca de peso. Recolha de escarro O risco de infecção para os trabalhadores da saúde é mais alto quando a tosse é suspeita de TB. A qualidade de escarro é muito importante para um bom diagnóstico! Deve-se explicar ao paciente a maneira como ele (a) deverá entregar as amostras de escarro e pela primeira vez é necessário acompanhar o procedimento. Os sintomas mais frequentes da tuberculose pulmonar são: • Tosse persistente durante três semanas ou mais. Todos os órgãos do corpo humano podem ser infectados pela tuberculose mas a mais frequente é a chamada tuberculose pulmonar. Se o paciente tiver dificuldades na produção de bom escarro tente fazê-lo inalar água quente salgada. 2. bactérias finas de 3-5 µm de comprimento.

coloradas e lidas) no mesmo dia. levada ao laboratório. Duas no final do segundo mês. O microscópio laboratório para esfregaço de escarro Um laboratório periférico deve estar capacitado para as seguintes funções: 1. 2. eles têm uma abertura larga e uma tampa que pode ser roscada para se evitar que o escarro despeje. Existem “copos especiais de TB” para a colecção de amostras de escarro. duas no final do quinto mês e duas no princípio do oitavo mês. A aproximação da IUTALD requer apenas duas visitas ao centro de saúde. De preferência pelo menos uma amostra da manhã. Trabalhar como um centro de referência para as unidades de recolha de amostras de escarro. 15) são necessárias duas amostras para o acompanhamento. 3. Os copos que contêm o escarro. Colecciona-se uma primeira amostra quando o paciente se apresentar com sintomas relevantes. A terceira amostra é coleccionada na manhã seguinte à que se traz o escarro da manhã. Para o acompanhamento do tratamento: De acordo com o protocolo nacional de TB de Angola (ver pág. De preferência dentro de dois dias. O Técnico de Saúde deve prescrever o nome do paciente no copo. Por regra. Todas as três amostras podem ser examinadas (esfregaço. devem estar anexos por uma requisição de teste de escarro.Para diagnóstico: A IUTALD recomenda três amostras de escarro para diagnóstico: “Pela madrugada” – “de manhã” (a mais importante) – “pela madrugada”. Realizar todos esfregaços de escarro requisitados na sua área. . Estes copos são feitos com plásticos transparentes difíceis de serem quebrados e fáceis de serem queimados com o lixo. Não na tampa!! E deve certificar-se de que o copo está bem fechado. Naquele mesmo momento dá-se ao paciente um outro recipiente para coleccionar qualquer outro escarro pela manhã.

gerir e armazenar os abastecimentos ao laboratório. Encomendar. Esta é a solução A! B. Fucsina básico………………. 250 ml Coloque a quantidade necessária de Fucsina numa garrafa de vidro e acrescente também a quantidade certa de Etanol.Um banco e/ou uma mesa para entradas de escarro (A) . Os fenocristais puros devem ser postos nos refrigeradores dentro duma garrafa escura.. Mexa bem e espere 24 horas. Método de coloração 4.Um lavatório com água corrente para lavar das mãos (D) . Preparação dos reagentes de Ziehl-Neelsen A. 5. Idealmente. Fucsina de carbol de Ziehl.Uma área para um banco de leitura microscópica (E) . Mandar informações para ao laboratório regional. 6. podem apresentar-se as seguintes secções distintas: . Receber todas as amostras de escarro durante as horas normais de expediente do centro. 4.3. deve-se cobrir o banco com uma tampa superficial feita de matéria não porosa. Solução de fenol aquosa. 25 g 95% Etanol……………………. Cumprir com as orientações nacionais para uma qualidade sólida.Uma área para um banco ou mesa onde se possa colocar o livro de registos do laboratório e um espaço para a armazenagem das lâminas (F) . Os arranjos detalhados do microscópio-laboratório variam grandemente dependentemente das condições locais.Um banco bem sólido para trabalhos de preparações de esfregaço (B) . Aqueça a garrafa em água quente. O fenol torna-se líquido através de um simples aquecimento. 4.1.Uma fechadura para as roupas dos técnicos (G) Se o banco for feito de matéria porosa. (50°C) .Um lavatório de coloração com água corrente (C) .

....... Preparação de esfregaço Os números de séries do laboratório devem coadunar com .............3% Cloro azul de metileno.... 900 ml ! Muito importante: Coar a solução azul de metileno antes de preparar a solução para o trabalho! Nota : Guardar a fucsina e o azul metileno em garrafas escuras! Coar as soluções dentro de garrafas pequenas e usálas para a coloração..............3% : Mexer a Solução A ........... 950 ml Esta é a solução B! Para preparar a solução de fucsina de carbol à 0.................. 0................. 30 ml D. 970 ml Ácido hidroclórico concentrado................................... 900 ml ! Muito importante: Coar a solução de fucsina antes de preparar a solução para o trabalho! C............................... 4................................................ Nunca tirar directamente da garrafa da solução para o trabalho..... 50 ml Água destilada (se possível)..................... 250 ml Mexer bem e esperar 24 h Esta é a solução C ! Para preparar a solução para o trabalho: Misturar : Solução C ........ 25 g Etanol ............Fenol........ 100 ml Água destilada (se possível)..... Soluções de agente de descoloração: Ácido – solução de álcool 95% Etanol .......... Solução da composição azul de metileno……………................ 100 ml Solução B ............2......................

Verificar se os números nas lâminas coadunam com os frascos. Coloque as lâminas no secador com a parte de esfregaço virada para cima. Tomar os fracos de escarro correspondentes com o número na lâmina. meta os laços de inoculação numa mistura de area álcool ou area e cresol para desinfectá-los. Recomenda-se o uso de novas lâminas. 2. 4. Materiais: * * * * Um laço de inoculação ou varas de madeira Lâminas de vidro Uma chama (busenbrander ou lâmpada de álcool) Uma mistura de área com um pouco de metanol: trazer num copo uma porção de área volumosa com um pouco de metanol. 3. Espalhe atenciosamente o escarro sobre a área central da lâmina usando um movimento rotacional contínuo. O tamanho recomendado é: 2cm/1cm 6. e fazê-las secar no ar livre durante 15 à 30 minutos.a informação correspondente na ficha de requisição para exame de escarro do acompanhante. * Um suporte de lâminas * Luvas * Uma máscara Como fazer o esfregaço: 1. . Faça o escarro: * tão fino quanto possível * Cobrir totalmente uma área quanto possível. Abrir o frasco com muito cuidado para evitar produção de aerossol. 5. embora elas tendem à agarrar-se juntas e devem ser limpadas com álcool e depois com muito cuidado postas ao ar livre para secarem. Certifique-se de que o copo está fechado. Quando os esfregaços estiverem completos. O código do laboratório pode ser representado por uma gravura com um marcador de diamante no lado do esfregaço. Tome uma porção purulenta de escarro usando uma laço de inoculação estéril ou duas varas de madeira.

colocando-os num recipiente de lixo que contem 5% de fenol ou 0. Antes de usar as soluções de coloração (« feitas por mãos próprias » ou « garrafas prontas para serem usadas ») deve-se coar !! 2. com a superfície de esfregaço virada para cima. ! Nao deixar que elas se tornem secas ou deixar o fucsina ferver ! Frio : Espere 30 minutos. Mantenha as lâminas cobertas com fucsina de carbol em vapor quente durante 5 min colocando nova chama sempre que necessário. Fixação: depois de as lâminas estiverem secas no ar arranje-as passando-lhes três vezes pela chama.3 Coloração Colocar as lâminas já arranjadas na estante de coloração por ordem seriada. (Quando usares varas de madeira: Os aplicadores só se usam uma vês.3% solução para trabalho. A autoclave ou incinerador) 7. 8. Há duas maneiras diferentes para praticar o Ziehl-Neelsen : quente ou frio. e depois faça-lhe passar pela chama. acender e passar lentamente por baixo das lâminas para aquece-las. Quente : Mergulhar a mecha de algodão no álcool metílico. Cobrir as lâminas com fucsina de carbol coado 0. Lavar a mesa com hipo cloreto de sódio (ou desinfectante) 4. As lâminas nunca devem ser resistentes uma com as outras. 1. Desfaça-os.5% de solução de hipo cloreto de sódio. coloque o cronómetro à 5 min. ! Não deixar que elas se tornem secas ! . Logo que o vapor começar a sair.Posteriormente traga o laço para perto da chama. aguarde até secar.

 Normalmente granulares  Organizados em grupos de 3-10 bacilos  Antes de se examinar as lâminas. 5. se elas não estiverem completamente desco-lorizadas aplique ácido-etanol novamente e esperar 1 minuto. Lavar as lâminas com água da torneira e drenar.Exame microscópico de esfregaço de escarro. Atenção: Não . aplica-se primeiro uma ou duas gotas de óleo de imersão na ponta do esfregaço corado.3% azul metileno e esperar durante 1 minuto.3. Para o exame. Contra coloração: Cobrir as lâminas com 0. Um esfregaço propriamente colorido normalmente apresenta uma cor azul claro devido ao azul de metileno. deve-se usar um microscópio binocular com um objectivo de imersão de óleo (100X). Descoloração : cobrir as lâminas com solução de ácido-álccol e esperar 3 minutos. Em países com fornecimento de electricidade irregular. Drenar e deixar secar numa estante de lâminas.  Muito pequenos (1-4 µm). (Não é possível descoradas o bacilo de tuberculose. 6. Se a cor for azul escuro não pode ser lido deidamente. 4. Os esfregaços de escarro aparecem com a cor vermelha. Caso contrário continuar com a descoloração.  Direitos ou um pouco curvados. 7. Os bacilos tubérculos são:  Ácido – os primeiros bacilos aparecem em cor vermelha clara ou cor-de-rosa contra as bases azuis da contracoloração. então pode-se usar muito ácido-álccol!) 5. Examinar as lâminas. A cor vermelha deve desaparecer totalmente. é melhor usar microscópios que permitem a mudança da fonte de energia da electricidade à luz do sol através dum espelho colector. Lavar as lâminas com água: verificar se as lâminas estão completamente descoloradas. Lavar com água destilada (se possível) até que a água que corre perder cor. Lavar as lâminas com água 8.

Os resultados nunca devem apenas ser dados ao paciente. Os resultados devem ser anotados as cópias destas anotações devem ser guardadas no laboratório.tocar a lâmina com o aplicador de óleo. As fichas de “requisição de exame de escarro” preenchidas devem ser enviadas de volta ao médico do tratamento dentro de dois dias de trabalho. Para se evitar contaminação. Anotação e relatório dos resultados de esfregaço Um esfregaço de escarro positivo é como um documento no qual o diagnóstico de tuberculose pulmonar baseia-se. Em caso de uma referência de outra unidade sanitária. Se o paciente falhar em levar os resultados ao centro de tratamento. Existem cerca de 100 campos de imersão nos eixos de 2 cm de comprimento dum esfregaço. o paciente deve receber uma cópia da ficha preenchida e a original deve ser enviada ao centro de tratamento. Segurança no Laboratório . O exame microscópico deve ser sistemático e regular. Quando o campo estiver lido. 6. O registo do Laboratório: As duas características essenciais do registo do Laboratório de IUATLD são:  A distinção é feita entre pacientes que se apresentam para o exame de diagnóstico e pacientes que se apresentam para um acompanhamento bacteriológico. as lâminas movem-se longitudinalmente para examinar os campos adjacentes.  Designa-se uma linha para cada examinando e não para cada exame. Ler pelo menos 200 campos (10-15 minutos). A leitura começa na ponta do campo e termina no centro. ele ou ela não pode receber tratamento! 7. A informação sobre o número de bacilos encontrados é muito importante porque relaciona-se com o grau de infecção do paciente assim como a severidade da doença.

comer e/ou beber no Laboratório! Os procedimentos do Laboratório diferem consideravelmente no seu potencial de criar aerossol: 1. 8. É necessária uma boa ventilação para a protecção do pessoal do Laboratório. Preparação de esfregaço: enquanto que abrir um recipiente de escarro e o esfregaço de lâminas pode produzir aerossol. ausência de evidência não é evidência de ausência. Muito embora que. Esta prática expõe os trabalhadores do Laboratório num alto risco de contágio através de aerossol e por isso nunca deve ser permitida sob quaisquer circunstâncias. isto é. O pessoal deve sempre usar roupas de protecção tais como batas de Laboratório enquanto estiverem a trabalhar. bacilos tubérculos contidos no núcleo de gotas de 1 à 5 mícrons de diâmetro. 2. Há pouca evidência de que preparar esfregaços de escarro relaciona-se com um risco elevado de infecção de tuberculose. Colecção de amostras: o escarro de suspeita de tuberculose é normalmente coleccionado no Laboratório. os quais são bastantes pequenos para chegarem até aos alvéolos pulmonares. O acesso ao Laboratório deve ser restrito apenas para o pessoal do Laboratório! Também exige-se o uso de luvas descartáveis ao fazer o esfregaço e a coloração: elas devem ser descartadas depois de cada manipulação do laboratório. Requer-se máscaras especiais.Os trabalhadores do Laboratório são responsáveis pela sua própria segurança assim como pela dos seus co-trabalhadores. e os trabalhadores do Laboratório devem ter muito cuidado e sempre ser vigilantes. A transmissão de Mycobacterium tuberculosis resulta essencialmente de micro-aerossoles. O uso de máscaras cirúrgicas convencionais não reduz significantemente o risco de infecção pela inalação de aerossol.Gestão de lixo . Não é permitido fumar. estas manipulações implicam menos risco de transmissão em relação ao tossir de um paciente não protegido e com esfregaço positivo. Cada vez que um técnica entrar ou sair do laboratório deve lavar as mãos.

Referências: 1. Quinta edição 2000 .5% de hipo cloreto de sódio e são completamente submergidos. são postas ao ar livre para secarem e examinadas para se confirmar a ausência de arranhões. todo o material deve ser queimado num incinerador. (NB: Se estiver a queimar um número elevado de recipientes plásticos. num buraco aberto ou num tambor vazio. Gestão de tuberculose. se necessário. tampas e aplicadores são colocados num recipiente de lixo contendo 5% de fenol ou 0. quer positivas ou negativas. os gases que vão se produzindo são tóxicos) Depois de as lâminas forem qualitativamente controladas. União Internacional Contra Tuberculose e Doenças Pulmonares. As lâminas negativas podem também ser destruídas ou. E posteriormente estes materiais podem ser destruídos pelo processo de autoclave. limpadas com mecha de algodão ensopada com álcool e por último guardadas para o novo uso) As lâminas.Depois de examinados os esfregaços. Se não há uma autoclave disponível. nunca devem ser reutilizadas nos trabalhos de TB. as tampas de todos os recipientes de escarro usados são removidas. Os recipientes usados. as lâminas positivas devem ser quebradas e destruídas conforme os outros “instrumentos cortantes”. limpam-se com algodão ou um pequeno pedaço de tecido. Um guia para países com baixo rendimento. (Como desinfectar lâminas negativas: fervem-se as lâminas durante meia hora em água e sabão ou solução de detergente. desinfectadas e reutilizadas para outros trabalhos que não sejam de TB.

2. Cheesbrough: Prática de Laboratório para Países . Guia de Controlo de Tuberculose. República de Angola. Serviços de Saúde Pública. OMS: Manual de Técnicas Básicas para um Laboratório Médico. União Internacional Contra Tuberculose e Doenças Pulmonares. 5. Luanda 2002 4. Ministério da Saúde. 1998 3. Mónica Tropicais. Laboratório Nacional para Referências de Tuberculose e Rede de Trabalho do Laboratório Nacional.