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FUNDAMENTOS DE ANTROPOLOGIA E SOCIOLOGIA

Esse material foi produzido a partir de Convênio de Colaboração firmado entre as Instituições:

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Expediente
Curso de Direito — Coletânea de Exercícios Coordenação Geral do Curso de Direito da Universidade Estácio de Sá Prof. André Cleófas Uchôa Cavalcanti Coordenação do Projeto Núcleo de Qualificação e Apoio Didático-Pedagógico Coordenação Pedagógica Profa. Tereza Moura Organização da Coletânea Professores da Disciplina, sob a coordenação da Profa. Edir Figueiredo de Oliveira T. Mello

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CARO ALUNO
A Metodologia do Caso Concreto aplicada em nosso Curso de Direito, é centrada na articulação entre teoria e prática, com vistas a desenvolver o raciocínio jurídico. Ela abarca o estudo interdisciplinar dos vários ramos do Direito, permitindo o exercício constante da pesquisa, a análise de conceitos, bem como a discussão de suas aplicações. O objetivo é preparar os alunos para a busca de resoluções criativas a partir do conhecimento acumulado, com a sustentação por meio de argumentos coerentes e consistentes. Desta forma, acreditamos ser possível tornar as aulas mais interativas e, consequentemente, melhorar a qualidade do ensino oferecido. Na formação dos futuros profissionais, entendemos que não é papel do Curso de Direito da Universidade Estácio de Sá tão somente oferecer conteúdos de bom nível. A excelência do curso será atingida no momento em que possamos formar profissionais autônomos, críticos e reflexivos. Para alcançarmos esse propósito, apresentamos a Coletânea de Exercícios, instrumento fundamental da Metodologia do Caso Concreto. Ela contempla a solução de uma série de casos práticos a serem desenvolvidos pelo aluno, com auxílio do professor. Como regra primeira, é necessário que o aluno adquira o costume de estudar previamente o conteúdo que será ministrado pelo professor em sala de aula. Desta forma, terá subsídios para enfrentar e solucionar cada caso proposto.O mais importante não é encontrar a solução correta, mas pesquisar de maneira disciplinada, de forma a adquirir conhecimento sobre o tema. A tentativa de solucionar os casos em momento anterior à aula expositiva, aumenta consideravelmente a capacidade de compreensão do discente. Este, a partir de um pré-entendimento acerca do tema abordado, terá melhores condições de, não só consolidar seus conhecimentos, mas também dialogar de forma coerente e madura com o professor, criando um ambiente acadêmico mais rico e exitoso. Além desse, há outros motivos para a adoção desta Coletânea. Um segundo a ser ressaltado, é o de que o método estimula o desenvolvimento da capacidade investigativa do aluno, incentivando-o à pesquisa e, consequentemente, proporcionando-lhe maior grau de independência intelectual. Há, ainda, um terceiro motivo a ser mencionado. As constantes mudanças no mundo do conhecimento — e, por conseqüência, no universo jurídico — exigem do profissional do Direito, no exercício de suas atividades, enfrentar situações nas quais os seus conhecimentos teóricos acumulados não

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serão, per si, suficientes para a resolução das questões práticas a ele confiadas. Neste sentido, e tendo como referência o seu futuro profissional, consideramos imprescindível que, desde cedo, desenvolva hábitos que aumentem sua potencialidade intelectual e emocional para se relacionar com essa realidade. E isto é proporcionado pela Metodologia do Estudo de Casos. No que se refere à concepção formal do presente material, esclarecemos que o conteúdo programático da disciplina a ser ministrada durante o período foi subdividido em 15 partes, sendo que a cada uma delas chamaremos “Semana”. Na primeira semana de aula, por exemplo, o professor ministrará o conteúdo condizente a Semana no 1. Na segunda, a Semana no 2, e, assim, sucessivamente. O período letivo semestral do nosso curso possui 22 semanas. O fato de termos dividido o programa da disciplina em 15 partes não foi por acaso. Levou-se em consideração não somente as aulas que são destinadas à aplicação das avaliações ou os eventuais feriados, mas, principalmente, as necessidades pedagógicas de cada professor. Isto porque, o nosso projeto pedagógico reconhece a importância de destinar um tempo extra a ser utilizado pelo professor — e a seu critério — nas situações na qual este perceba a necessidade de enfatizar de forma mais intensa uma determinada parte do programa, seja por sua complexidade, seja por ter observado na turma um nível insuficiente de compreensão. Hoje, após a implantação da metodologia em todo o curso no Estado do Rio de Janeiro, por intermédio das Coletâneas de Exercícios, é possível observar o resultado positivo deste trabalho, que agora chega a outras localidades do Brasil. Recente convênio firmado entre as Instituições que figuram nas páginas iniciais deste caderno, permitiu a colaboração dos respectivos docentes na feitura deste material disponibilizado aos alunos. A certeza que nos acompanha é a de que não apenas tornamos as aulas mais interativas e dialógicas, como se mostra mais nítida a interseção entre os campos da teoria e da prática, no Direito. Por todas essas razões, o desempenho e os resultados obtidos pelo aluno nesta disciplina estão intimamente relacionados ao esforço despendido por ele na realização das tarefas solicitadas, em conformidade com as orientações do professor. A aquisição do hábito do estudo perene e perseverante, não apenas o levará a obter alta performance no decorrer do seu curso, como também potencializará suas habilidades e competências para um aprendizado mais denso e profundo pelo resto de sua vida. Lembre-se: na vida acadêmica, não há milagres; há estudo com perseverança e determinação. Bom trabalho. Coordenação Geral do Curso de Direito

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PROCEDIMENTOS PARA UTILIZAÇÃO DAS COLETÂNEAS DE EXERCÍCIOS
1. O aluno deverá desenvolver pesquisa prévia sobre os temas objeto de estudo de cada semana, envolvendo a legislação, a doutrina e a jurisprudência e apresentar soluções, por meio da resolução dos casos, preparando-se para debates em sala de aula. 2. Antes do início de cada aula, o aluno depositará sobre a mesa do professor o material relativo aos casos pesquisados e pré-resolvidos, para que o docente rubrique e devolva no início da própria aula. 3. Após a discussão e solução dos casos em sala de aula, com o professor, o aluno deverá aperfeiçoar o seu trabalho, utilizando, necessariamente, citações de doutrina e/ou jurisprudência pertinentes aos casos. 4. A entrega tempestiva dos trabalhos será obrigatória, para efeito de lançamento dos graus respectivos (zero a dois), independentemente do comparecimento do aluno às provas. 5. Até o dia da AV1 e da AV2, respectivamente, o aluno deverá entregar o conteúdo do trabalho relativo às aulas já ministradas, anexando os originais rubricados pelo professor, bem como o aperfeiçoamento dos mesmos, organizado de forma cronológica, em pasta ou envelope, devidamente identificados, para atribuição de pontuação (zero a dois), que será somada à que for atribuída à AV1 e AV2 (zero a oito). 6. A pontuação relativa à coletânea de exercícios na AV3 (zero a dois) será a média aritmética entre os graus atribuídos aos exercícios apresentados até a AV1 e a AV2 (zero a dois). 7. As AV1, AV2 e AV3 valerão até oito pontos e conterão, no mínimo, três questões baseadas nos casos constantes da Coletânea de Exercícios. Coordenação Geral do Curso de Direito

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SEMANA 10 Estado e Direito. desordem e controle social. 9 11 14 16 18 21 23 25 27 29 SEMANA 2 Cultura e sociedade. SEMANA 7 O método compressivo. Fundamentos de Antropologia e So7 7 2/1/2008 16:51:29 . SEMANA 4 O estudo dos fatos sociais. SEMANA 5 Moral e sociedade. SEMANA 3 Ordem.SUMÁRIO SEMANA 1 A análise social. SEMANA 9 O método dialético. SEMANA 8 Dominação e poder. SEMANA 6 Solidariedade social: a base da sociedade.

32 34 38 41 44 SEMANA 12 Pobreza e exclusão social.SEMANA 11 Discriminação. SEMANA 13 Moral. família e religião. preconceito e intolerância na sociedade globalizada. território e urbanização. Fundamentos de Antropologia e So8 8 2/1/2008 16:51:29 . SEMANA 14 Ecologia e Direito. SEMANA 15 Espaço. novas demandas sociais.

Fundamentos de Antropologia e Sociologia SEMANA 1 A análise social. São Paulo: Moderna. de Roberto DaMatta. o sol. A sociedade como ordem normativa.00 por mês. Objetivos da aula: • definir as ciências sociais e descrever as áreas de conhecimento que a constitui: sociologia. Preconceito e intolerância. Dono de um nome incomum. 1999. Cultura — um conceito antropológico. e leia o texto: Você tem cultura?. menos da metade do salário mínimo vigente no Brasil. LARAIA. que não sabe seu próprio sobrenome e não tem registro de nascimento. Cultura e Direito. 2001. a ignorância por nunca ter ido à escola tiram a memória do rapaz. Cristina. A exploração. onde está a olaria. 1ª parte. • entender o enfoque específico utilizado pelas ciências sociais na análise da sociedade. antropologia e política. em uma olaria rudimentar de Araripina (PE). leia: COSTA. • identificar as relações sociais como fenômeno cultural. e o 9 Fundamentos de Antropologia e So9 9 2/1/2008 16:51:29 . para o dono da precária e pequena olaria e para o dono do boteco onde toma pinga. Está oficialmente fora do mundo. A importância da análise sociológica. a seca. Zahar. Casos 1. Agean só existe para a sua família. para receber R$ 50. produz 500 tijolos por dia. nem do Brasil. Rio de Janeiro. nordestino. R. sala de aula da disciplina. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. Interface da análise sociológica e antropológica para a compreensão dos fenômenos sócio-jurídicos. e acesse o SIA. p. quilômetro 530. Agean. ele não é considerado cidadão pernambucano. Sociologia e Direito. Para responder os casos a seguir. Por falta de registro. O conhecimento sociológico como base da compreensão da sociedade. • desenvolver conceitos básicos das ciências sociais que permitam a análise da realidade social e sua correspondência com o fenômeno jurídico. Seu mundo é a margem BR-232. 15 anos. 69 a 89. Menino de olaria só sabe o primeiro nome.

Folha de S. Como tantos moradores do Sertão do Araripe. a quem lhe deram o nome de Victor. foi encontrado perto da floresta de Aveyron. Está em nossos genes”. Esse. com os homens lutando entre si para ocupar os melhores espaços. o faz-tijolo. O amassa-barro. será injusta. a) Considerando a história de Agean e a leitura dos textos sugeridos. Explique. O homem é ambicioso e compete com os outros para ver quem vai sobreviver. andava de quatro e não falava uma palavra. fora abandonado pelos pais e cresceu sozinho na floresta. Por isso sempre haverá guerras e maldades. o texto afirma que Agean “não é cidadão” e depois afirma que ele é um “cidadão” sem pátria. Agean é um cidadão sem pátria. certa vez. é possível afirmar que ele não faz parte da sociedade brasileira. Segundo ele.Paulo. Fonte: Jorge Araújo.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS trecho de dois quilômetros de caatinga que liga o local de trabalho até sua casa. sem roupa. sul da França. Estava sozinho. A história da humanidade talvez possa nos indicar o caminho para entendermos quem somos e se é impossível mudarmos nosso modo de ser. Vejamos o caso a seguir: O menino selvagem de Aveyron Em setembro de 1799. um empresário paulista que se dizia socialista. Será que o homem já nasce pronto? Conheci. o socialismo era uma bela idéia. b) Primeiro. necessariamente. talvez. Aparentemente. O menino. seja um dos maiores empecilhos para que o próprio homem acredite que pode mudar a sociedade. Dizia ele que “O homem tem uma natureza que não permite que ele seja justo. pensam que o homem já nasce feito. Quais explicações poderiam ser utilizadas do ponto de vista para entendermos tais afirmativas? 2. Igualdade e fraternidade são apenas ideais. um menino. de cerca de 12 anos de idade. já que qualquer sociedade. É interessante verificar que muitas pessoas. e não apenas o empresário paulista. Foi a natureza que nos fez assim. porém impossível de ser concretizada. 27/10/2006. foi levado 10 Fundamentos de Antropologia e So10 10 2/1/2008 16:51:30 . o mesmo tijolo que é incorporado nas paredes das mansões do resto do Brasil.

tornaram-se humanos — Rômulo e Remo.Fundamentos de Antropologia e Sociologia para Paris. Victor nunca falou e aprendeu a ler somente uma palavra (leite). mesmo crescendo no isolamento. 69 a 89. • compreender a oposição fundamental entre natureza e cultura. de Roberto Da Matta. a se comportar como um ser humano. Preconceito e intolerância. sala de aula da disciplina. 2001. Direito e Cultura. Etnocentrismo/ relativismo cultural. alteridade. leia: LARAIA. 1ª parte. o que podemos concluir sobre o que acontece aos homens quando vivem isolados? b) Muitas lendas e mitos relatam a história de heróis que. Tarzan. Natureza e cultura. • identificar os conceitos básicos da análise cultural da antropologia: etnocentrismo. Durante 5 anos. e leia o texto: Você tem cultura?. COSTA. a) Considerando a história de Victor. mas também não se tornou humano. paradigma clássico da antropologia. e acesse o SIA. Não era mais o menino selvagem de quando fora encontrado. Cristina. Diversidade cultural. o Dr. São Paulo: Moderna. Cultura e sociedade. Objetivos da aula: • apresentar um quadro de referência sobre a antropologia e sua gênese. relativismo cultural. Pouco progresso foi conseguido durante esse tempo. R. a ler. Comparando estas personagens com o caso de Victor. Rio de Janeiro: Zahar. Alteridade/estranhamento. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. 1999. Itard dedicou-se a ensinar Victor a falar. Um conceito antropológico. Globalização/mundialização dos costumes. Mogli — e apresentaram comportamentos compatíveis com o resto da humanidade. 11 Fundamentos de Antropologia e So11 11 2/1/2008 16:51:30 . p. mas seus esforços foram em vão. Cultura — um conceito antropológico. onde ficou aos cuidados do médico Jean-Marc-Gaspar Itard. Para responder os casos a seguir. seria possível ou não a eles apreenderem sozinho os comportamentos humanos? Por quê? SEMANA 2 Cultura e sociedade.

assim como os alemães. Os espanhóis têm horror aos ciganos. Podemos dizer que. mas gostam menos ainda dos paquistaneses. relativismo cultural. Antes mesmo de as mulheres pernambucanas que inspiraram o grupo do Cosme Velho recorrerem ao instrumento contra a violência doméstica. cultura. Mais grave do que os violentos incidentes que começam a acontecer por todos os lados seria — na opinião dessas organizações — a complacência dos políticos diante do fenômeno. por sua vez. Apitar diante do perigo não é novidade. Somos europeus!!!! Os ingleses não gostam de estrangeiros. apitaços já eram usados de um modo um tanto distinto no Rio. De maneira resumida. Paulo. Os lituanos preferem ver os poloneses pelas costas. A ironia é que. conforme os resultados da pesquisa mais ampla feita até agora sobre a situação do racismo no continente. 12 Fundamentos de Antropologia e So12 12 2/1/2008 16:51:30 . de um modo geral. envolvendo 13 mil pessoas em 12 países. Armas contra a violência doméstica: mulheres de Pernambuco dão o alarme quando são surradas. Os ucranianos. eles são grupos iguais? Justifique. Fonte: O Estado de S. Os poloneses detestam os alemães e os ucranianos. há a referência a vários países europeus. É cada vez maior o numero daqueles que. b) No texto apresentado. levando em consideração os conceitos de alteridade. húngaros e búlgaros. você diria que há uma posição de intolerância e etnocentrismo por parte dos países envolvidos? Explique por quê. Trabalhe esta questão. E os franceses ficariam felizes se os imigrantes argelinos. a) Sobre o caso apresentado.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS 1. em reportagem de 20/9/2006. foi feita pelo grupo norte-americano Times Mirror Center e deixou assustadas as organizações de defesa e proteção das minorias étnicas. tunisianos e marroquinos voltassem para o Norte da África. têm ojeriza aos georgianos e aos armênios. seria esse o panorama atual na grande Europa. para não desagradar o eleitorado e garantir seus mandatos. 2. por fazerem parte do mesmo continente. preferem ficar calados e fingir que o problema não existe. A sondagem.

Deixaram o bairro “descoberto” por duas horas. O objetivo é constranger o agressor e reduzir a violência contra a mulher no estado. Neste sentido. é preciso levar em consideração os significados atribuídos aos objetos e comportamentos em determinado contexto social. Os apiteiros eram os usuários de maconha das imediações do Posto Nove. para serem compreendidos. no ano passado. que comunicavam a chegada dos policiais por meio de altos silvos. Lá. Fonte: Jornal O Globo. no recife. esta soa o alarme. De que forma o dinamismo da cultura pode influenciar as práticas jurídicas? 13 Fundamentos de Antropologia e So13 13 2/1/2008 16:51:30 . durante a manifestação. no morro onde elas atuam acontecia um estupro. as moradoras do Alto uniram-se a outras militantes no Centro da capital pernambucana com seus apitos para fazer um ato público. o modus operandi guarda semelhança com o do Cosme Velho. e alguma vizinha ouça ou presencie a surra. Faça uma análise de como ambos se relacionam no caso de Ipanema e de Pernambuco. Décadas antes das pernambucanas. a) Os símbolos são arbitrários e. Se uma mulher apanha. setembro de 2007. a ONG Cidadania feminina distribuiu mais de mil apitos só na favela Alto José Bonifácio. b) Existe uma profunda relação entre a cultura e os fenômenos jurídicos. faça uma análise da dimensão simbólica dos apitaços descritos no texto. Lá os apitos tenderam a constranger os agressores e suscitaram um debate sobre os direitos da mulher numa sociedade então ainda profundamente machista.Fundamentos de Antropologia e Sociologia nos anos 1980 e 1990. onde são registradas mais de dez mil agressões do gênero por ano. vítimas de abuso sexual na Bolívia apelaram para os apitos nos anos de 1970. O crime foi denunciado poucos minutos depois de acontecer. Enquanto o apitaço ocorria no Centro. Caso ela não possa fazê-lo. c) A cultura é dinâmica e está em permanente transformação. Em Pernambuco. a polícia era o “inimigo” que inspirava o barulho. No Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher do ano passado (25 de novembro). apita. na Praia de Ipanema. e as outras imediatamente a seguem.

e acesse o SIA. 1999. Estrutura social. elabora um sistema classificatório para definir “criminosos natos” e “criminosos de hábito reforçado pelo meio”. A influência do pensamento positivista no Brasil. 2001. de Roberto Da Matta. Para ele. 1ª parte. através de um exame de discernimento”. conceito de ordem. A maioridade penal deveria ser avaliada caso a caso. Rio de Janeiro: Zahar. • conceituar e problematizar a idéia de evolução social. leia: LARAIA. Estava na ordem do dia a elaboração do primeiro Código Penal da República. fundador de nossa medicina legal. Pensadores brasileiros duvidavam da viabilidade de uma nação povoada por “não arianos”. “não aptos para a igualdade jurídica”. JB. Para responder os casos a seguir. e leia o texto: Você tem cultura?. estática e dinâmica social. Po14 Fundamentos de Antropologia e So14 14 2/1/2008 16:51:30 . p. sala de aula da disciplina. • compreender a importância e influencia da corrente positivista na sociedade brasileira. Fonte: Helena Bocayuva e Maria Lúcia Karam. Objetivos da aula: • entender as categorias de ordem e progresso social. Caso 1. Cultura — um conceito antropológico. O debate sobre a maioridade penal nos remete ao final do século XIX. 64 a 72. progresso e evolução social. desordem e controle social. Ordem. R. as crianças de “raças inferiores” amadureciam mais cedo. COSTA. Questionando se a possibilidade de distinguir entre o bem e o mal seria a mesma entre “raças inferiores e superiores”. Ordem versus desordem. O positivismo pregava o uso de referenciais e metodologia das ciências naturais para explicar e solucionar os problemas sociais. como dizia Nina Rodrigues. O método positivista: evolução. Cristina.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS SEMANA 3 Ordem. controle e ordem social. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. São Paulo: Moderna. 9/12/2003. a partir do pensamento comteano. Relação direito e positivismo. ordem e controle social.

professor titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG. a) O cientista James Watson estaria inspirado nas concepções positivistas. 15 Fundamentos de Antropologia e So15 15 2/1/2008 16:51:30 . incluindo a européia. Afirmou apenas que os genes responsáveis pelas diferenças na inteligência humana devem ser descobertos dentro de dez a 15 anos. Fonte: O Globo. Na opinião do geneticista. para explicar as diferenças de evolução entre os povos e raças? Justifique. A humanidade moderna emergiu na África há menos de 200 mil anos e só nos últimos 60 mil anos saiu deste continente para habitar os outros: — Do ponto de vista evolucionário.Fundamentos de Antropologia e Sociologia demos encontrar influência desta concepção no texto? Por quê? A seu ver. somos todos africanos. Watson não apresentou argumentos científicos para embasar suas idéias nem especificou que “testes” seriam esses. nos últimos 500 anos. “testes” sugerem o contrário. há uma relação genealógica entre todas as populações do mundo. James Watson. na verdade. o darwinismo social). O ganhador do prêmio Nobel de Medicina. uma polêmica que parecia definitivamente superada pelos próprios geneticistas. com força total. Não faz sentido haver diferenças biológicas entre africanos e povos de outros continentes. baseadas na presunção de que os negros seriam tão inteligentes quanto os brancos quando. O pesquisador americano. 19/10/2007. Essas afirmações constam em um livro que será publicado na semana que vem. a biologia foi eficiente para explicar a criminalidade? Qual é a relação entre as primeiras correntes de estudo científico da sociedade e o Direito brasileiro? 2. vivendo na África ou em exílio recente de lá. pioneiro no trabalho de deciframento do genoma humano. erroneamente. (neste caso. de 79 anos. causou espanto ao reacender. que criou dissensões entre grupos étnicos e manteve o continente economicamente de joelhos. e a África. no qual Watson escreve que não há motivo algum para crer que “as capacidades intelectuais de povos separados em sua evolução tiveram que evoluir de modo idêntico”. declarou ao jornal The Sunday Times ser pessimista sobre a África porque as políticas ocidentais para os países africanos eram. Para o geneticista Sergio Pena. a África tem sido vítima de um imperialismo europeu impiedoso e selvagem.

2001. Jovens roubam e agridem doméstica e afirmam que a confundiram com prostituta RIO — A empregada doméstica Sirley Dias de Carvalho Pinto. Fato social e características. DP (Barra). Crime como fato social. Para responder os casos a seguir. na madrugada de sábado. Presos por policiais da 16ª. • entender como se deu a construção do campo de investigação sociológica. 81 a 88. Casos 1. p. Os golpes foram todos direcionados à sua cabeça. teve a bolsa roubada e foi espancada por cinco jovens moradores de condomínios de classe média da Barra da Tijuca. SEMANA 4 O estudo dos fatos sociais. A importância da socialização/educação para a formação do ser social. religião. • distinguir os fenômenos sociais dos fenômenos biológicos. Crime e sociedade. Leia a reportagem a seguir. Aborto como fato social. problematizando certas concepções “naturalizadas” de comportamentos sociais. São Paulo: Moderna.. Crime e violência. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. O que é fato social.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS b) É possível afirmar que as características biológicas e sociais determinariam a superioridade de uns povos e a inferioridade de outros? Explique. educação etc. três dos rapazes — o 16 Fundamentos de Antropologia e So16 16 2/1/2008 16:51:30 . de 32 anos. Objetivos da aula: • definir o que é fato social. O surgimento da sociologia científica. A visão de crime para a teoria sociológica. suas características e o crime como fato social. a partir do estudo de fenômenos gerais e externos: direito. ela relata o caso de um grupo de jovens que espancou uma mulher na Barra da Tijuca. Cristina. leia: COSTA. A distinção entre os fenômenos individuais e sociais. crime.

Os ministros da saúde e da educação já se manifestaram de forma severa contra as greves em serviços essenciais. Alunos que buscam a universidade pública são lesados em seu direito e agentes do estado não cumprem com o seu dever. Isso está valendo há quase 20 anos e ainda não fizerem a lei que precisa estabelecer os limites. já dura três meses uma greve dos funcionários da universidade. Em Brasília. de 19. Fonte: matéria publicada em 24/06/2007. e nada aconteceu. O governo promete projeto. A Constituição também garante o direito de greve? Sim. como se a Constituição não fosse a lei maior e mais forte de uma nação organizada. os limites não podem ir além dos direitos e deveres estabelecidos para a saúde e a educação.Fundamentos de Antropologia e Sociologia estudante de administração Felippe de Macedo Nery Neto. a) Utilizando como base de análise a perspectiva teórica de Durkheim e as discussões em sala de aula. às 17h13m. Lilian Fernandes. que educação é direito de todos e dever do estado. também. “o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica”. A greve que mata. em O Globo. Obviamente. tolhendo direitos e omitindo deveres. por 17 Fundamentos de Antropologia e So17 17 2/1/2008 16:51:31 . no serviço público. que tem o dever de dar assistência médica. mas ressalva que. impedindo aulas e acesso à biblioteca. Isso a despeito de a Constituição estabelecer. alegaram ter confundido a vítima com uma prostituta. É uma greve que mata — embora a Constituição diga que saúde é direito de todos e dever do estado. o que matou Elizângela foi tolher um direito constitucional da paciente. o técnico de informática Leonardo Andrade. de 20 anos. como podemos interpretar o comportamento individual e em grupo dos jovens mostrados na matéria? b) A partir da perspectiva sociológica de Durkheim. Incrível que situações assim durem meses. A crise explica porque o governo quer mudar a regras do direito de greve. como saúde e educação. de 21 — confessaram o crime e serão levados para a Polinter. como você analisaria o crime cometido por estes jovens? Você identificaria a transgressão da juventude como um dado natural? 2. Como justificativa para o que fizeram. O que matou Elizângela foi a omissão do agente do estado. e o estudante de gastronomia Júlio Junqueira.

Educação para a formação do ser social. sobre o seu direito à vida. por meio do método proposto por Durkheim. Convidaram a raposa para discutir as regras do galinheiro. a Mesa Nacional de Negociação Permanente — e o nome permanente já promete um prazo infinito. a) Qual seria. SEMANA 5 Moral e sociedade. • perceber a influência da sociedade sobre os comportamentos antes tidos como pessoais. trabalhar o distanciamento necessário para analisar a evolução deste fenômeno a partir da ordem normativa de cada sociedade ou grupamento. 18 Fundamentos de Antropologia e So18 18 2/1/2008 16:51:31 . Problematizar a questão da liberdade individual nas sociedades modernas. no grupo de trabalho. para isso. Em 2003. Moral e sociedade: a análise do fato social normal. foi criado um grupo de trabalho — o que revela a mesma intenção — e sabem quem o integra? A CUT e os sindicatos de funcionários públicos. Alguém que represente Elizângela não tem chance de opinar. o governo criou. Objetivos da aula: • caracterizar o Direito como fato social e refletir sobre o vínculo entre as fontes formais e materiais do Direito. O estado normal e patológico da sociedade. Crime como fato social. o objeto de estudo de estudo evidenciado no texto? Justifique dentro da postura metodológica proposta pelo autor. b) Na concepção durkheimiana da análise do fato social normal. A que pressões o estado se curva? Certamente não são às pressões daqueles que são privados do direito à saúde e à educação. patológico e anômico. A importância da socialização. Há 20 dias. • identificar o crime como fato social e. 20/8/2007. qual se aplicaria ao caso concreto supracitado. A presença constante da coerção social. patológico e anômico. Fonte: O Globo.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS exemplo. Justifique. para Durkheim.

“Mesmo que o Estado não goste. desafiava Fahmy Ezzeddin Shaweesh. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. pelos opositores. Uma campanha de âmbito nacional em prol da interrupção da prática se transformou em um dos mais poderosos movimentos sociais do Egito em décadas. acabou anulando a proibição. vociferava Saad Yehia. uma brecha considerada. às vezes por barbeiros ou alguém do vilarejo disposto a fazê-lo. p. uma pesquisa promovida pelo governo na área de saúde revelou que 96% das milhares de mulheres casadas. dono de uma loja de chás na rua principal. número considerado alarmante por muitos dos próprios egípcios. o governo interditou a clínica e foi isso que enfureceu a todos. Campanha contra a mutilação genital ganha força no Egito. Uma menina de 13 anos foi levada a uma clínica para ser submetida à remoção do clitóris. Em 2005. “Somos a favor da circuncisão!”. “Eles não podem nos deter”. ou mutilação genital feminina. tornou-se de repente o foco de um debate no Egito nos últimos meses. Embora o Ministério da Saúde do Egito tenha decretado o fim da prática em 1996. repetia gritando. mas não foi isso que deixou aqueles homens tão nervosos. como seus defensores a chamam. leia: COSTA. como tão ampla que. Casos 1. No entanto. como seus opositores a definem. vamos circuncidar as meninas”. A conclusão da pesquisa dizia: “A prática de circuncisão feminina é praticamente universal entre as mulheres em idade reprodutiva no Egito”. na verdade. Embora a prática seja comum e cada vez mais polêmica em toda a 19 Fundamentos de Antropologia e So19 19 2/1/2008 16:51:31 . Cristina. Os homens de uma humilde comunidade de agricultores estavam furiosos. São Paulo: Moderna. ele permitiu exceções em casos de emergência. o governo agora tenta obrigar uma proibição total. Depois da morte da garota. A menina morreu. líderes religiosos oficiais e manifestantes nas ruas. divorciadas ou viúvas entrevistadas afirmaram ter sofrido o procedimento. 2001. 81 a 88. um idoso morador do vilarejo. as meninas egípcias entre 7 e 13 anos são submetidas ao procedimento. unificando alianças até então pouco prováveis de pólos do governo. A circuncisão. às vezes realizado por médicos. Durante séculos.Fundamentos de Antropologia e Sociologia Para responder os casos a seguir. cirurgia considerada necessária aqui para a preservação da castidade e da honra.

b) Explique o conceito de consciência coletiva na concepção teórica de Durkheim e como ela pode ser observada no caso apresentado. a prática é considerada repugnante e um reflexo de tradições pré-islâmicas. noticiários de televisão e jornais reportaram sem censuras os detalhes de operações negligentes e realizadas sem nenhuma higiene. surge agora um movimento repentino de forças opostas à mutilação genital no Egito que está fazendo uma pressão sem precedentes pelo fim da prática. onde as mulheres não têm permissão para dirigir nem para votar. segundo os opositores da mutilação genital. a) O fato tratado no texto é anômico. Pela primeira vez. Mais de um século após as primeiras tentativas de acabar com esse costume. Há alguns meses. o único outro lugar onde essa prática é disseminada é o Lêmen.com/Noticias/>. Disponível em: <http://g1. de todos os países árabes. Fonte: texto traduzido por Claudia Freire. segundo especialistas. duas meninas morreram e o fato foi noticiado em matéria de capa do Al Masry al Yom. Observe as fotos a seguir: 20 Fundamentos de Antropologia e So20 20 2/1/2008 16:51:31 . 2.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS África sub-saariana. o movimento derrubou uma das principais barreiras à mudança: não é mais considerado tabu discutir o assunto em público. Entretanto. jornal independente e popular. aceitação do debate sobre sexualidade na televisão e no rádio. Essa mudança coincidiu com uma pequena. patológico ou normal? Justifique.globo. Acesso em: 22/09/2007. Na Arábia Saudita. e só podem trabalhar em poucos tipos de serviço. porém crescente.

Anomia. • compreender. lotado por torcidas organizadas. Na visão durkheimiana. O funcionamento da sociedade como organismo. tendo por base as características do fato moral.Fundamentos de Antropologia e Sociologia Estas fotos retratam o estádio do Maracanã. responda: a) Quais tipos de consciência Durkheim reconhece como partes constitutivas do indivíduo? Por quê? b) Somente quem torce por um time de futebol teria esta consciência? Como ela influencia o comportamento social? SEMANA 6 Solidariedade social: a base da sociedade. especialmente a desiderabilidade. Coesão e coerção social. no bojo do pensamento de Durkheim. pode-se dizer que são fenômenos coletivos típicos. A solidariedade orgânica: fragilidade das instituições sociais. Objetivos da aula: • refletir sobre a sociedade. a evolução das formas de organização social (simples e complexa) 21 Fundamentos de Antropologia e So21 21 2/1/2008 16:51:31 . no Rio de Janeiro. Solidariedade social e Direito. Neste contexto. Fato moral. patologia e normalidade na análise social. A importância da normatização social: o direito. expressos por meio de uma forma de consciência que contrapõe indivíduo/sociedade. Consciência coletiva. Exemplos de fragilidade em instituições modernas.

apenas quatro sobreviveram. não resistem às doenças respiratórias e às complicações intestinais.3 em cada mil crianças. com exceção de pequenas culturas de mandioca e feijão. Infância na hora da morte. em média. Como diz Maria Milton dos Santos. clínico geral formado pela Universidade Federal de Alagoas.800 habitantes é a causa principal da infinidade de enterros: crianças mal nutridas. casam-se muito jovens. destacando sua expressão moral e jurídica. Dos seus 26 filhos. diz ela. As mulheres. que perdeu seis dos 16 filhos que teve: “Deus resolveu levá-los. maio de 2005. Há casos drásticos. Para responder os casos a seguir.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS do ponto de vista dos laços existentes entre o indivíduo e a sociedade (solidariedade social). A miséria absoluta em que vive o pequeno município de 5. por dia. por exemplo. de 51 anos. Metade das crianças nascidas morrem antes do primeiro ano de vida. A mortalidade infantil na pequena cidade alagoana de Carneiros. com cerca de 14 anos. e têm. Fonte: texto adaptado da revista Isto é. “Muitas doenças”. em sua maioria. isto quer dizer. 38 anos. Casos 1. “Vivemos em um mundo diferente”. O único médico da cidade. • analisar a noção de consciência coletiva como fenômeno associado às formas de solidariedade. “poderiam ser evitadas caso a população fosse mais informada e menos afeita a crendices populares e tradicionais da região”. 22 Fundamentos de Antropologia e So22 22 2/1/2008 16:51:31 . num lugar que praticamente nada produz. 16 filhos. quase crianças ainda. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. leia: COSTA. Gérson Leão de Mello. 31 anos. 81 a 88. é um massacre: 633. Cristina. p. São Paulo: Moderna. não é um índice. me fazendo um favor”. a 253 quilômetros de Maceió. A morte das crianças é encarada como uma graça divina em Carneiros. “esperamos somente o dia em que Deus nos chame para nos tirar desta terra”. 2001. como o de Marinalva Maria de Jesus. diz ele. entre adultos e crianças. atende em média 80 pessoas.

qual seria o modelo de sociedade que caracterizaria a cidade de Carneiros? Por quê? b) Que tipo de solidariedade e vínculos constitui a base da sociedade de Carneiros? E a que tipo de direito corresponde esta forma de solidariedade? Retire do texto um trecho que evidencie a concepção de justiça da população de Carneiros? 2. psicológicos e sociais. o que é conhecido como karojsatsu. Os diversos tipos de atividade social — a análise dos planos em que se da interação social: o econômico. a) Considerando o texto. soma-se a impressionante quantidade de álcool ingerida diariamente. o social e o político. A noção de indivíduo e sociedade e a construção da cidadania. dadas as extenuantes condições de trabalho a que se submetem todos os dias. A atualidade do pensamento sociológico sobra a questão: Raymundo Faoro e Os donos do poder. provoca momentos insuportáveis para qualquer pessoa. Tudo isso pode despertar o desejo da própria morte. Não é por acaso que o Japão é a única nação do mundo em que existe um termo para definir a morte por esgotamento em razão do trabalho em demasia: karoshi. responda: na visão durkheimiana qual seria o modelo de sociedade que caracterizaria o Japão? Por quê? b) Que tipo de solidariedade e vínculos constitui a base da sociedade japonesa? E a que tipo de direito corresponde esta solidariedade? Justifique. A estes fatores trabalhistas. responda: na visão durkheimiana. A noção de sociologia compreensiva. que obriga os funcionários a manterem a cabeça baixa frente a seus superiores. O método compreensivo. 23 Fundamentos de Antropologia e So23 23 2/1/2008 16:51:32 . SEMANA 7 O método compressivo. Do karoshi ao karojsatsu.Fundamentos de Antropologia e Sociologia a) Considerando o texto apresentado. O número de horas extras. A dedicação que os japoneses dispensam a suas tarefas é conhecida. 8/4/2007. somado à pesada hierarquia social do país e à falta de relacionamento entre o empresário e o trabalhador. Fonte: JB Ecológico. Baixa auto-estima e distúrbios de personalidade costumam ser os sintomas mais freqüentes entre os japoneses.

exemplo típico do individualismo crescente. o conhecido jornalista Alan Carlson aponta a crescente competitividade que existe nos países mais desenvolvidos como uma das principais causas da queda dos índices de natalidade. bom mesmo é ficar sozinho. escolhido o Dia da Consciência Negra. Os filhos seriam um “obstáculo” ao sucesso profissional dos pais. a) Segundo a teoria da ação social de Weber. 2. por que o individualismo é uma tendência da sociedade moderna. Caso 1. leia: COSTA. Neste sentido. Será? Fonte: matéria adaptada do jornal Folha de S. explique. por causa do tempo e do dinheiro que teriam de ser dedicados à educação das crianças. 94 a 102. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. segundo a visão weberiana.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS Objetivos da aula: • conhecer o método compreensivo e a análise do nexo causal. Em artigo publicado recentemente no Washington Post. mais e mais casais optam por casamentos sem filhos ou mesmo por não casarem. p. que tipo de ação está presente no texto? Justifique. Mas. Sociedade mais competitiva exige famílias menores. 2001. Para responder os casos a seguir. Cristina. como uma boa alternativa na sociedade contemporânea. Por este motivo. numa era em que as 24 Fundamentos de Antropologia e So24 24 2/1/2008 16:51:32 . b) O texto apresenta a idéia de “ficar sozinho”. Nas sociedades em que o capitalismo está no auge do seu desenvolvimento. • conhecer o método compreensivo e a análise do nexo causal. • presentar o conceito de ação social. • identificar tipos de ação social.Paulo de 18/8/2006. São Paulo: Moderna. O aniversário da morte de Zumbi. costuma ser saudado ao longo dos anos com uma série de manifestações culturais ligadas à África. • distinguir ação social e relação social.

20/11/2006. Já há intelectuais apontando que o mais iminente no momento é dissecar uma suposta cultura de periferia.Fundamentos de Antropologia e Sociologia rimas do rap e o pancadão funk deram ao negro uma voz ainda mais forte. A separação entre as esferas da política e da ciência. Direito e dominação. São Paulo: Moderna. A dimensão política do conceito de dominação. A dominação carismática. b) Que tipo de ação social pode ser identificada na comemoração do aniversário de morte do Zumbi? Por quê? SEMANA 8 Dominação e poder. que nos idos dos anos 80 ganhou peso de legitimação cultural. dominação e poder. Para responder os casos a seguir. 94 a 102. dominação e poder na Sociologia de Max Weber. leia: COSTA. será que as raízes africanas ainda têm valor para a população que hoje luta contra a exclusão? A exaltação da África. que tem sua maior representação nos novos astros do movimento hip-hop e nos funkeiros. defina o que é tipo ideal e explique como ele se apresenta na negritude defendida pelo movimento negro ao longo do tempo. • conhecer os conceitos de autoridade e legitimidade. 2001. • distinguir os tipos puros de dominação. Patrimonialismo e nepotismo. A dominação racional ou legal e seu tipo mais puro: a dominação burocrática. ganhando significativa adesão dos jovens. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. Autoridade. 25 Fundamentos de Antropologia e So25 25 2/1/2008 16:51:32 . a) A partir do referencial teórico de Weber. • entender as principais diferenças entre a sociologia compreensiva de Weber e as demais teorias sociológicas abordadas no curso. A dominação de caráter tradicional e o mais puro a dominação patriarcal. Os conceitos de autoridade. Fonte: JB. Cristina. p. Objetivos da aula: • identificar a diferença fundamental entre dominação e poder. parece uma etapa já superada. Tipos de dominação legítima e as fontes da autoridade.

é a igualdade dos cidadãos perante a lei. “duela a quien duela”. E assim nos parece este aspecto importantíssimo do ”coronelismo”. estabelece três tipos puros. 10/5/2007. está certo. Outra dimensão do termo. de maneira impessoal. doidos por um título de doutor. que é o sistema de reciprocidade: de um lado. após quase 120 anos de vigência do regime: privatistas. a virtude cívica. Buscando inspiração na etimologia da palavra (coisa pública) e na experiência romana. enxada e voto. o grande historiador José Murilo de Carvalho brinda os leitores da coluna (alusão ao jornal O Globo ) com as raízes da expressão: “O sentido clássico do termo república foi definido modernamente por Montesquieu no ‘Espírito das Leis‘. clientelistas. 2. Duas frases definem nossa incompatibilidade com a virtude cívica e a igualdade: “farinha pouca. nem zela ou trata do bem comum. Coronelismo. República é o bom governo. ele caracterizou a república como um regime em que predomina o interesse público. senão cada um do bem particular”. b) Faça uma análise que relacione o tipo de dominação atribuído ao Estado brasileiro e ao seu sistema jurídico. familistas. Identifique e justifique os tipos de dominação presentes no texto. no século XVII: ”Nenhum homem nesta terra é republico. Republicano contra o “sabe com quem está falando?”. ed. e não o interesse privado. em sua perspectiva teórica sobre dominação. que conduzem magotes de eleitores como quem toca tropa de burros. 2. os chefes municipais e os “coronéis”. Frei Vicente do Salvador escreveu. patrimonialistas. estatistas. hierarquizados. de outro. república ou republicano é o oposto do que ainda somos. nepotistas. meu pirão primeiro” e “você sabe com quem está falando?”. Deve ter sido uma maldição do frade. Definindo o termo negativamente. Dentro deste espírito. a res privata.. no sentido de que o Estado deve agir. Aqui. a situação política dominante 26 Fundamentos de Antropologia e So26 26 2/1/2008 16:51:32 . Uma das contribuições do governo Lula aos usos e costumes nacionais é a popularização da palavra “republicano”. a) Weber.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS Casos 1. a Revolução Francesa aboliu todos os títulos de nobreza e passou a usar só o tratamento de cidadão. ligada à primeira. Fonte: O Globo. corporativistas.

A dependência do indivíduo em relação à sociedade é um fato da natureza que não pode ser abolido — tal como no caso das formigas 27 Fundamentos de Antropologia e So27 27 2/1/2008 16:51:32 . em suma. São Paulo: Alfa-Ômega. N. dos favores e da força policial. Práxis. A noção de ideologia e desigualdade social. leia: COSTA. 43. Identifique e justifique o tipo de dominação presente no texto. o governo não se sentiria obrigado a um tratamento de reciprocidade. O tipo de dominação descrito neste texto se encaixa nesta definição? Justifique. Objetivos da aula: • conhecer o conceito de práxis. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. p. que os dois aspectos — o prestígio próprio dos “coronéis” e o prestígio de empréstimo que o poder público lhes outorga — são mutuamente dependentes e funcionam ao mesmo tempo como determinantes e determinados. 2001. V. Sociedade e transformação. que dispõe do erário. estabelece três tipos puros. p. SEMANA 9 O método dialético. Para responder os casos a seguir. em sua perspectiva teórica sobre dominação. 5. 110 a 124. dos empregos. Casos 1. b) Faça uma pesquisa sobre o significado da palavra patrimonialismo. enxada e voto. É claro.Fundamentos de Antropologia e Sociologia no Estado. Ao contrário das formigas. Cristina. que possui. o cofre das graças e o poder da desgraça. 1986. Coronelismo. portanto. Sem a licença do “coronel” — firmada na estrutura agrária do país —. • apresentar os principais conceitos relacionados ao método dialético. ed. a) Weber. e sem essa reciprocidade a liderança do ”coronel” ficaria sensivelmente diminuída. Fonte: LEAL. • conhecer o método dialético de análise da sociedade. São Paulo: Moderna.

.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS e das abelhas. Daí a necessidade de se dar prazer pela posse de bens.” A organização dicotômica do trabalho — pela qual se separam a concepção e execução do produto — reduz as possibilidades de o empregado encontrar satisfação na maior parte de sua vida. enquanto todo o processo de vida das formigas e abelhas é reduzido ao mais pequeno pormenor por instintos hereditários rígidos. Entretanto. sem saber apreciá-los (ou para mantê-los no cofre).. compramos biblioteca “a metro”. a capacidade de fazer novas combinações. “Um dia eu chego lá. Por que o Socialismo? Encontros com a Civilização Brasileira. A obsolescência dos objetos. nas obras científicas e de engenharia. o padrão social e as inter-relações dos seres humanos são muito variáveis e susceptíveis de mudança. a) Assim como as abelhas e as formigas.) A estimulação artificial das necessidades provoca aberrações do consumo: montamos uma sala completa de som. No entanto.. obrigando as pessoas a comprarem a televisão nova. Estes desenvolvimentos manifestam-se nas tradições. (. Albert. Fonte: EINSTEIN. instituições e organizações. adquirimos quadros famosos.) Mas há um contraponto importante no processo de estimulação artificial do consumo supérfluo — notado não só na propagan28 Fundamentos de Antropologia e So28 28 2/1/2008 16:51:32 . apresente as principais diferenças entre os homens e esses animais a partir do conceito de trabalho na obra de Marx. n. o homem pode influenciar a sua vida através da sua própria conduta. num determinado sentido. deixando volumes virgens nas estantes. A memória. o homem se relaciona com a natureza e com outros seres de sua espécie. Isto explica a forma como. exerce uma tirania invisível. o refrigerador ou o carro porque o design se tornou antiquado ou porque uma nova engenhoca se mostrou “indispensável” (. sem gostar de música. na literatura. o dom da comunicação oral tornaram possíveis os desenvolvimentos entre os seres humanos que não são ditados por necessidades biológicas. rapidamente postos fora de moda. b) Qual a importância das ações humanas apresentadas no texto para a transformação da realidade social? 2. / 11/979. enquanto se obriga a tarefas desinteressantes... e como neste processo o pensamento e a vontade conscientes podem desempenhar um papel.. nas obras de arte. 17.

Função do Direito. pelo empenho no trabalho. provocou reações na Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Justiça e desigualdade social. pelo estudo.Fundamentos de Antropologia e Sociologia da.. 110 a 124. As29 Fundamentos de Antropologia e So29 29 2/1/2008 16:51:32 . Desigualdade social. 2001. Ideologia. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. • explicar o conceito de ideologia e sua relação com o estado e o Direito. • mostrar a relação entre as ideologias e as desigualdades sociais. a) O texto anterior faz referência a dois importantes conceitos marxistas: ideologia e alienação. Filosofando. A visão critica sobre o Estado e ao Direito moderno. ou seja. no interior do Paraná. p. O que faz com que essa massa desprotegida não se revolte? Há mecanismos na própria sociedade que impedem a tomada de consciência: as pessoas têm a ilusão de que vivem numa sociedade de mobilidade social e que.. b) Mostre como eles se apresentam e se relacionam no texto anterior. Uma decisão da prefeitura de Apucarana. p. • apresentar o conceito de desigualdade social. mas na televisão. • compreender o papel do direito na sociedade de classes. Objetivos da aula: • analisar o ideário democrático e a função do estado moderno. reduzida apenas ao desejo de consumir. Cidade expulsa mendigos. “é porque não tiveram sorte ou competência”. Casos 1. Defina cada um deles. MARTINS. “um dia eu chego lá”.16. nas novelas —. leia: COSTA. Fonte: ARANHA. SEMANA 10 Estado e Direito. Para responder os casos a seguir. Cristina. inclusão e exclusão social. São Paulo: Moderna. há possibilidade de mudança. Práxis e Justiça. São Paulo: Moderna. Exclusão social. que é a existência de grande parcela da população com baixo poder aquisitivo. E se não chegam.

de acordo com a crítica marxista. divulgado nesta segunda-feira. ONU: Rio e SP têm metade dos assassinatos no País. A estatística faz parte de um documento da agência da ONU para os assentamentos humanos. pela primeira vez. Rio — Sozinha. No dia 19/03/2007. a maioria de outras cidades. reclamou uma delas. seriam processados por vadiagem. São Paulo e Rio respondem por metade dos assassinatos no Brasil. “Não é para ficar aqui. Segundo o relatório. UN-Habitat. disse o estudo. em relação ao sistema jurídico na sociedade capitalista. a cidade de São Paulo responde por 1% de todos os homicídios do planeta — apesar de ter apenas 0. a polícia fichou todo mundo. b) E você como advogado e cidadão concorda com a decisão da Prefeitura de Apucarana? Essa seria a solução para acabar com o problema da mendicância e com os moradores de rua da cidade? 2. O levantamento compila e avalia. Juntas. Na delegacia. Seis moradores de rua receberam passagem de ônibus para voltar aos locais de origem com uma advertência: se fossem vistos de novo na cidade. afirma um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Dados relevantes. Quem era da cidade foi encaminhado para a casa de parentes ou abrigos. neste 1º de outubro. vítimas de armas de fogo. 26/3/2007. 30 Fundamentos de Antropologia e So30 30 2/1/2008 16:51:32 .COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS sistentes sociais recolheram os moradores de rua e aqueles que não tinham parentes receberam uma passagem para deixar a cidade e a ameaça de serem processados por vadiagem se retornarem. que marca o Dia Mundial do Habitat. assistentes sociais acompanhadas de PMS recolheram 15 mendigos e andarilhos. Se você não mora aqui em Apucarana não tem que ficar aqui”. a) O Direito na sociedade moderna define que todos os indivíduos têm os mesmos direitos e são iguais perante a lei. cerca de 200 estudos já produzidos nos últimos anos sobre violência pela ONU e outras instituições. 100 pessoas morrem por dia no Brasil.17% da população mundial. Leia o texto e faça uma análise. Fonte: Jornal Hoje. em média.

Um dos fatores é a existência de 74 milhões de jovens desempregados”. Incapazes de lidar com as demandas por serviços urbanos e justiça. as instituições civis foram “esmagadas pelo ritmo e o tamanho do crescimento populacional”. diz o estudo. a migração do campo para a cidade fez a periferia metropolitana inchar 364%. Neste contexto. quando bateu os 18 milhões de habitantes. 39 mil pessoas foram vítimas de homicídio em toda a Colômbia. Explique o motivo desta incidência. a taxa de homicídios em São Paulo quadruplicou. Dois terços dos crimes envolvem pessoas de até 25 anos. a do Rio triplicou. No mesmo período. Apenas entre 1940 e 1960. Um dos fatores é a existência de 74 milhões de jovens desempregados. O documento afirma que os jovens são as principais vítimas da violência em todo o mundo. a violência no Brasil tem um perfil jovem.terra. 17 vezes mais que Nova York.asp>.com. Fonte: informações do Terra. e a ONU alerta que crianças de 6 anos já fazem parte de quadrilhas com a função de carregar drogas. o trabalho seria uma categoria-chave para entender a relação entre violência e desemprego.4 mil assassinatos. <http://odia. O relatório faz uma comparação com a Colômbia para apontar a gravidade da violência no Rio. a) A partir do relatório.Fundamentos de Antropologia e Sociologia Entre 1970 e hoje. Entre 1978 e 2000. explique por quê. São Paulo registrou 11. De acordo com a ONU. tendo como perspectiva a teoria marxista sobre desigualdade social. Utilizando a teoria marxista. b) O documento afirma que “os jovens são as principais vítimas da violência em todo o mundo. a população da capital cresceu 171%. 31 Fundamentos de Antropologia e So31 31 2/1/2008 16:51:32 . 49.9 mil pessoas foram assassinadas nas favelas cariocas. No mesmo período. O relatório utiliza o caso de São Paulo para ilustrar como a expansão caótica das cidades colabora para a elevação das taxas de criminalidade nos centros urbanos. Segundo a ONU. a capital paulista se expandiu à impressionante taxa de 5% entre 1870 e 2000. Em 2001. observa-se grande incidência de atos violentos contra os pobres urbanos. Em 1999.br/brasil/htm/geral_126206. a taxa de homicídios no Rio foi de 45 a cada 100 mil pessoas.

Para responder estes casos. Também proclamou que não existe álibi para o assassinato indiscriminado. os processos que envolvem o preconceito. resistência ou luta no terror. Zapatero afirmou que não há política. apostou na criação pelas Nações Unidas de uma aliança de civilizações. Objetivos da aula: • entender o que é globalização. Por esse motivo. preconceito e intolerância na sociedade globalizada. José Luis Rodriguez Zapatero. que constituem. leia: COSTA. As ações terroristas cada vez mais se propagam pelo mundo. dois dias depois. histórica e sociologicamente. assinalou que “os espanhóis encheram as ruas em sinal de dor e solidariedade e. lembrando que não se deve vincular esse fenômeno com nenhuma civilização. p. só há o vazio da futilidade. mostrando. Nesse contexto. para que não se continue ignorando a pobreza extrema. para lembrar os atentados do dia 11 de março de 2004. A atualidade da análise sociológica na compreensão da sociedade. cultura ou religião. em todos os continentes. o único caminho para derrotar o terrorismo: a democracia”. a intolerância e a discriminação social. preconceito e intolerância na sociedade globalizada. Discriminação. assim. encheram as urnas. 247 a 256. analise a seguinte notícia: No dia 10 de março de 2005. Cristina. 2001. a exclusão social ou os Estados falidos. segundo ele. ocorrida em Madri. o Presidente de Governo da Espanha. • compreender. em conferência sobre o terrorismo. • identificar os aspectos sociais e culturais relacionados ao processo de globalização. Casos 1. Sociologia: introdução à ciência da sociedade.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS SEMANA 11 Discriminação. a infâmia e a barbárie. “um terreno fértil para o terrorismo”. 32 Fundamentos de Antropologia e So32 32 2/1/2008 16:51:33 . havendo ataques em várias cidades. São Paulo: Moderna. Também defendeu a comunidade islâmica. nem ideologia.

Ao mesmo tempo. a) Qual a principal razão.Fundamentos de Antropologia e Sociologia Fonte: MANCEBO. Intensas manifestações contra os estrangeiros ressurgiram na Europa na década de 1990. 2007 (com adaptações). aprisionado pelas muralhas cinzentas em uma terra baldia também cinzenta. indicada pelo governante espanhol. cercado apenas de feiúra. Alega-se. Para muitos europeus a xenofobia está associada ao raciocínio simplista que relaciona o desemprego acentuado na Europa das últimas décadas à presença do estrangeiro. a entrada de imigrantes vindos da África e da Ásia acentuou-se com a globalização e os impactos negativos que este processo tem produzido em todo o mundo pobre. Isabel. para que haja tais iniciativas do terror? b) No pronunciamento de Zapatero. a hora de PROIBIR? François Mitterrand. Madri fecha conferência sobre terrorismo e relembra os mortos de 11-M. principalmente.rnw. em alguns países da Europa. Hora de proibir Que esperança tem um jovem nascido em um bairro sem alma. Na Alemanha. em artigo de Douglas Ireland. 15/11/2005. Com a queda do socialismo. é possível identificar a separação entre diferenças e desigualdades sociais? Como? 2. Folha de S. grupos neonazistas incendiaram albergues e promoveram violentos ataques à população de origem turca. Partidos políticos de direita e de extrema direita. a Bélgica e. defensores da deportação em massa de estrangeiros.Paulo. ocorreu um grande do fluxo imigratório de populações que fugiam da crise econômica dos países da antiga órbita soviética e das guerras civis que esfacelaram a ex-Iugoslávia. tiveram votação expressiva em diversos países do continente. que muitos empregos foram tomados por grupos de origem imigrante em detrimento de verdadeiros europeus. e condenado a uma vida cinzenta. a Alemanha foram os principais receptores destes novos migrantes que vieram a ser somados aos milhões de estrangeiros que já viviam nestes países. Disponível em: <http:// www2. A onda de violência detonada pelos jovens 33 Fundamentos de Antropologia e So33 33 2/1/2008 16:51:33 . enquanto em torno dele a sociedade prefere ignorar sua situação até que chegue a hora de reprimir.nl/rnw/pt/atualidade/europa/at050311_ onzedemarco?> Acesso em: set. A França.

Alemanha. Estes jovens são filhos ou netos de imigrantes. nascidos na França. Publicado em: <www. • identificar os aspectos sociais e culturais relacionados ao processo de globalização.br>. SEMANA 12 Pobreza e exclusão social. paquistanesa. Objetivos da aula: • entender o que é globalização. mas de diversos países da União Européia. em 2005? Pesquise sobre esse caso e responda a questão. Imigração na Europa. o medo do terror passou a ser justificativa para o aumento do aparelho repressivo dos Estados nacionais. Esta não é só uma realidade da França. de nacionalidade francesa. é assim que parte expressiva da sociedade destes países vê seus vizinhos suburbanos de ascendência argelina. marroquina. e. alemães ou italianos. Na Alemanha. Na prática. ele permanecerá sendo pato”. portanto. Indaga-se: a) Os fenômenos da xenofobia e do racismo. senegalesa. é comum um ditado: “Caso um pato nasça no galinheiro. A atualidade da análise sociológica na compreensão da sociedade. pobreza e cidadania. Fonte: MENDONÇA. turca. Disponível em: 17 nov. Cláudio. Podemos relacionar essa política ao assassinato do brasileiro Jean Charles.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS suburbanos na França.com. 34 Fundamentos de Antropologia e So34 34 2/1/2008 16:51:33 . a população mais pobre. pode ser atribuída ao colapso do Estado de Bem Estar Social que abandonou na última década. Mas é também fruto da intolerância e do racismo. 2005. O fato de terem nascidos na França. ingleses. na sociedade contemporânea. isto não o torna galinha.uol. Discriminação. no metrô de Londres. Inglaterra. que temem que os distúrbios possam se espalhar por outros países do continente. sistematicamente. Itália não os tornaram verdadeiros franceses. hindu etc. são problemas exclusivos dos países da Europa Ocidental? b) Após os atentados às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 20001. em outubro de 2005.

acorda todas as manhãs quando o policial o derruba do banco da Praça da Sé. C.S. A senhora saiu esbravejando.C. Para ele. São Paulo: Moderna. porque o policial “Bigode Cara de Bode” estava nervoso. vão sair pela janela”. Os dois chutaram a mulher e derrubaram a bituca do cigarro que fumavam no copo de pinga.A. A. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. sempre me viro”. a luta para se adaptar ao ambiente adverso da rua. R. disse L. que estava com os outros dois. Nem a violência do “Testa de Amolar Faca”. começa. de mais de 50 anos. “Se vocês vieram para roubar.Fundamentos de Antropologia e Sociologia • compreender. Marcos Lima Araújo diz: “Tenho 18 anos. Casos 1. de oito anos. Cristina. “Não enche. histórica e sociologicamente. sustento e até diversão. Jovens aprendem a “viração”. Acho que. conseguir comida. gritou W. gritou o vigia. “Ele chama a gente de irmãos mais novos”. Eles ficam um pouco mais bravos quando contam que a colega “Babi” teve que rolar no lixo “para se lembrar de onde veio”. Ou como pularam do primeiro andar de um prédio quando o guarda não deixou eles descerem as escadas.. e começou a atazaná-los. velha pinguça”. “Tem muita gente folgada aqui na rua”. apanhar de policiais. R. os processos que envolvem o preconceito. passo o dia todo andando aqui pelo centro. vou estar na mesma”. não estudei. S. segundo um menino. “O que você quer dizer com problemas? Nunca tive grandes problemas. menino de rua que tem nove anos. cheirar cola.S. daqui a cinco anos. fumar maconha e crack não são problemas.. roubar. diz o amigo R.C.. jovem de 22 anos que espanca os meninos todas as vezes que os encontra. chegou uma senhora. Para responder estes casos leia: COSTA. p. a intolerância e a discriminação social. Nesse momento.R. 231 a 239 e 247 a 256. afirma L. Durante passeio dos meninos pelo centro. Não tenho a mínima idéia de como mudar. 2001. A senhora retrucou com uma ofensa e agarrou o mais novo pelo braço. como em todos os dias. 35 Fundamentos de Antropologia e So35 35 2/1/2008 16:51:33 .

discorra sobre a influência da cultura no estabelecimento de diversos modos de vida. “Poxa.A. 2. reestruturação produtiva e cidadania... mas.S. L. Assim. a crise da sociedade industrial deflagrada pelo processo de transnacionalização da economia. Saiu de casa porque apanhava dos pais e não passa mais um dia sendo respeitado. ilustra diferentes tipos de violência. A partir das situações descritas no texto e de outras conhecidas por você. São Paulo: Companhia das Letras. Como a cultura influencia as diferentes concepções de direito e justiça encontradas na sociedade brasileira? b) Identifique no texto passagens que possibilitem discutir a relação entre preconceito e intolerância. que alteraram os padrões de soberania dos Estados. permitiram a construção de novas formas de pertencimento e construção de comunidades políticas. de 18 anos. sabe que merece mais respeito.S. o desenvolvimento dos países à dinâmica do mercado financeiro mundial. amparado por uma enorme expansão das novas tecnologias de informação em rede e da imposição 36 Fundamentos de Antropologia e So36 36 2/1/2008 16:51:33 . Nas últimas décadas. M. é pior quando os pedestres passam longe dele na calçada ou fecham o vidro dos carros ao verem ele na rua.”. nem percebeu que havia sofrido e praticado violência. Fonte: GREGORI. Para M. Globalização.S.. assim como condicionaram. Viração — experiências de meninos nas ruas. não tem argumentos. Indaga-se: a) O caso de L. Eu sei que todo mundo está com medo.S.S. interligadas. ainda assim.S. de forma cada vez mais intensa. Maria Filomena. c) “Viração” é a categoria utilizada pela autora para expressar a habilidade que os meninos de rua desenvolveram para contornar as situações adversas. 2000.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS Mesmo assim. o debate em torno das dimensões da participação popular na gestão pública e das possibilidades de extensão da cidadania tem procurado dar conta de novos desafios teóricos impostos por um amplo quadro de transformações. presentes no cotidiano dos meninos de rua. não estou nem assaltando.A.

imputa-se aos indivíduos e não às alterações do sistema produtivo. A implementação de elementos da especialização flexível e o predomínio de políticas neoliberais. apresenta tendências filantrópicas. implicaram a própria reestruturação das atribuições do Estado. voltadas para soluções de livre-mercado. resultaram em significativo aumento do desemprego. como medida compensatória às desigualdades sociais. toda forma de dominação traz. intermediados pelo Estado. Fonte: texto de Annelise Fernandez. o chamado Estado mínimo.Fundamentos de Antropologia e Sociologia de novos padrões de flexibilização das atividades produtivas. qual é a diferença entre as ações solidárias e as ações geradoras de direitos? c) Ao falar do terceiro setor. Contudo. a responsabilidade sobre a sua capacidade de se manter empregado. realiza-se a substituição de benefícios concretos. como também trazem. o texto apresenta uma concepção dialética? Justifique. envolvem o fortalecimento de redes sociais. educativos e de qualificação profissional. às populações envolvidas. novas possibilidades de crítica e resistência. Em contrapartida. sequer concreta. pobreza e insegurança. às iniciativas comunitárias fomentadas em parte por organizações do terceiro setor e as empresas. desenvolvem projetos assistencialistas. novos mecanismos de participação e trajetórias sociais. que abrem. por uma solidariedade que. não são capazes de gerar direitos. por meio do conceito de responsabilidade social. 37 Fundamentos de Antropologia e So37 37 2/1/2008 16:51:33 . aumento da informalidade. por si só. estratégias de desenho institucional e natureza e densidade das organizações civis. levando à falência do Estado de Bem-Estar Social e o surgimento de um novo formato de Estado. quais foram as alterações nos padrões de cidadania trazidas pelo processo de globalização econômica? b) Em relação às práticas de cidadania. que. alguma forma de resistência. de acordo com a bibliografia sobre o tema. a) De acordo com o texto. O crescimento do terceiro setor e de arranjos produtivos locais corresponde não somente à formas de compensação e reforço das políticas neoliberais. cujo êxito dependerá de uma série de circunstâncias contextuais. em si. professora de sociologia da Universidade Estácio de Sá. Dessa forma. que. em seu bojo. por intermédio dos princípios de confiança e reciprocidade entre os atores. crescem os apelos à solidariedade social. Como suporte ideológico a tais transformações.

Francisco Eller. o Chicão. em pouco mais de 20 anos. no auditório da Faculdade de Saúde da Universidade de Brasília (UnB). realizada na manhã de quinta-feira. De acordo com Miriam. refere-se mais à antropologia e à psicanálise. novas demandas sociais. Para a professora Miriam Grossi. Nos Estados Unidos. Para responder estes casos. pelo II Congresso da Associação Brasileira de Estudos da Homocultura. Depois do processo que se desenvolveu com atenção especial da mídia e da sociedade. Maria Eugênia teve o direito de ficar definitivamente com a criança. São Paulo: Moderna. De forma geral. 17 de junho. Miriam foi uma das palestrantes da mesa-redonda “Subjetividades e outras famílias”. Sua companheira. 2001. o caso representa um paradigma na luta pelo reconhecimento de direitos na união homossexual.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS SEMANA 13 Moral. enquanto na França. A atualidade da análise sociológica na compreensão da sociedade. em dezembro de 2001. • analisar criticamente as mudanças ocorridas nas relações sociais e seus reflexos no Direito. p. novas demandas sociais. família e religião. A cantora Cássia Eller foi motivo de polêmica mesmo depois de sua morte. a temática da família homossexual cresceu e passou a ser debatida no mundo inteiro. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. Objetivos da aula: • refletir sobre questões contemporâneas da sociedade brasileira e mundial. por exemplo. Casos 1. Moral. O paradigma Cássia Eller. Cristina. família e religião. professora do programa de pós-graduação interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). e a família entraram numa disputa judicial pela guarda do filho da cantora. a sociedade já aceita 38 Fundamentos de Antropologia e So38 38 2/1/2008 16:51:33 . Maria Eugênia Vieira Martins. leia: COSTA. 247 a 256. aponta a professora da UFSC. tem caráter mais jurídico.

“No Brasil e na França. avalia.Fundamentos de Antropologia e Sociologia o relacionamento. as exigências de psicólogos e assistentes sociais aumentavam. Lá. chegavam a entrevistar as mães dos requerentes”. a informação não consta dos processos. Já a professora da UFSC. conta que jovens lésbicas francesas procuram clínicas de inseminação artificial na Bélgica para conseguirem ter filhos. qual a teoria de parentesco que caracteriza a relação entre o filho da falecida cantora e a sua companheira? 39 Fundamentos de Antropologia e So39 39 2/1/2008 16:51:34 . explica.br>. mas a discussão não pode ser pautada pela sexualidade de quem solicita a adoção”. Segundo Anna Paula. os casos femininos são vistos com mais naturalidade pela justiça brasileira e. mesmo quando as requerentes assumem a união e dizem ser homossexuais. “Em alguns casos. mas a justiça ainda não tem parâmetros sobre a formação de família e a adoção. Enquanto isso. Disponível em: <www. representa também uma legitimação da conjugalidade”. A professora de psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). que começou seus estudos na França. na França. lésbicas entre 25 e 30 anos acreditam que ter filhos é um direito do qual não querem abrir mão”.unb. assessor de comunicação social da Universidade de Brasília. “É interessante notar que. no Brasil. essas novas situações demandam discussões legais e normatização. 2004. a família é a comunidade homossexual e o projeto do casal. detalha. por exemplo. De acordo com ela. os casais de lésbicas costumam buscar a adoção legal para essa finalidade. também existem muitos casos de homossexuais masculinos que assumem filhos de empregadas ou amigas para formarem suas próprias famílias. Todos foram deferidos. No entanto. Já no Brasil. analisou oito processos de adoção no Rio de Janeiro solicitados por homossexuais durante a década de 1990 — sete de homens e uma por mulher. Indaga-se: a) Quais as implicações sociológicas e jurídicas do uso da expressão “família homossexual”? b) No caso apresentado. Fonte: matéria elaborada por André Augusto Castro. diz. Anna Paula Uziel. “A tendência é conceder a guarda. Acesso em: 17 jun. quando os homens eram os requerentes. A única situação feminina analisada por ela foi encaminhada diretamente para o juiz.

Detalhe: na hora em que lhes convier e com quem elas decidirem que mereça o prazer de suas companhias Fonte: Jornal da Estácio. abril de 2007. “a sociedade já aceita o relacionamento. social e profissional obtidas nas últimas décadas. 6. Catecismo positivista. discuta como o sistema jurídico brasileiro vem se posicionando em relação às mudanças no campo da moral e dos costumes. a fim de que ela possa preencher convenientemente seu santo destino social. social e profissional feminina? 40 Fundamentos de Antropologia e So40 40 2/1/2008 16:51:34 .. (. Os textos a seguir retratam contextos históricos diferentes que marcam a condição feminina na sociedade. a mulher é um ser mais moral do que o homem. Sob a santa revolução feminina. Como se apresenta a relação homem-mulher nos dois casos? b) Segundo Comte. verificadas. muitas já assumem. p. ela é a principal responsável pela formação familiar. portanto. serem viciadas na busca pelo prazer. pela realização dos seus desejos e fantasias. A. A hora e a vez da mulher: independentes. como diz o texto. Espero que este catecismo faça apreciar a íntima conexão que existe entre esta condição e o conjunto da grande renovação considerada sobre todos os seus aspectos: moral. nos últimos anos. O melhor resumo prático de todo o programa moderno breve consistirá neste princípio incontestável: o homem deve sustentar a mulher (grifo do autor). elas se equiparam aos homens na vida sexual. bem como na independência financeira. mental e mesmo material. sem medo e sem pudor. a) O primeiro texto foi escrito no século XIX por Auguste Comte e o segundo diz respeito à situação da mulher no século XXI. levando em conta. 1. a revolução proletária se purificar-se-á espontaneamente das disposições subversivas. 2. Como a sociedade moderna encara esta questão.) Amparadas na revolução sexual desencadeada na década de 70. a independência financeira. Com base nessa afirmação e na observação de outros fenômenos sociais.. Fonte: COMTE. que até aqui a têm neutralizado. no país. mas a justiça ainda não tem parâmetros sobre a formação de família e a adoção”.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS c) Segundo a professora Miriam Grossi.

Objetivos da aula: • refletir sobre questões contemporâneas da sociedade brasileira e mundial. São Paulo: Moderna. mas foram retiradas as placas indicando que 41 Fundamentos de Antropologia e So41 41 2/1/2008 16:51:34 .Fundamentos de Antropologia e Sociologia SEMANA 14 Ecologia e Direito. encontraram desmatamento e construções irregulares. é proibido. No bairro-parque Quitativa. A fumaça foi o primeiro da degradação: eram três focos de queimada que poderiam se alastrar pela mata. A clareira gigante iria se transformar em loteamento. em Duque de Caxias. • analisar criticamente as mudanças ocorridas nas relações sociais e seus reflexos no Direito. Cristina. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. Para responder estes casos. No local. desmatar e construir qualquer tipo de edificação. Crime ambiental em Caxias. 2001. por lei. encontraram sinais do uso de explosivos e até uma construção irregular. p. Moradores de Duque de Caxias denunciam o desmatamento de uma área de preservação ambiental. Além de árvores derrubadas. mas é justamente o que vem acontecendo. Fiscais fizeram uma inspeção em uma área de preservação ambiental. que se expande até a cidade de Petrópolis. 247 a 256. Casos 1. A atualidade da análise sociológica na compreensão da sociedade. Biólogos e agentes da Secretaria de Meio Ambiente de Caxias receberam denúncias de moradores vizinhos e fizeram uma inspeção. está boa parte de uma área de preservação ambiental permanente. No local. Fiscais da Secretaria de Meio Ambiente fizeram uma inspeção na área. leia: COSTA. em Duque de Caxias. Eles constaram que árvores foram derrubadas em uma área que corresponde a dois campos de futebol. Ecologia e direito.

em qualquer parte do território nacional. estabelecimentos. Os biólogos também se depararam com uma casa em construção. no mês passado. mas de efeito muito extenso. Os pedreiros abandonaram a obra com a chegada dos fiscais. Em uma área da reserva. Acesso em: 8 out. de 13/02/1998. “Era um material bastante artesanal. conta um fiscal.globo. Em uma inspeção semelhante. Indaga-se: O debate sobre ecologia ganhou corpo no pensamento social e jurídico contemporâneo. em seu artigo 60. obras ou serviços potencialmente poluidores. declara o secretário municipal de obras. Além da degradação da mata. sem licença ou autorização dos 42 Fundamentos de Antropologia e So42 42 2/1/2008 16:51:34 . principalmente com placas do Ibama afixadas nas árvores. acrescentou. O Ibama informou que tomou conhecimento da denúncia através da reportagem do RJTV. ampliar. O mais curioso foi encontrado em uma placa em frente ao terreno: o projeto de construção da casa teria passado pela Secretaria de Obras de Duque de Caxias. reformar. como crime. Relacione o impulso desse debate com o processo de globalização ocorrido nas últimas décadas. Falta atuação e autuação”. Duas pessoas foram levadas para a delegacia: o responsável pela obra e o manipulador do material explosivo”.605. Algumas alertavam que o desmatamento teria sido autorizado pelo Ibama.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS terrenos estariam à venda. João Carlos Grilo. deixando cimento fresco e ferramentas para trás. uma grande rocha foi explodida para fazer a limpeza do terreno. A placa não tem número de processo e a Secretaria não recebeu nada assim”. Fonte: Disponível em: www. A Lei nº 9. tipifica. “Não há autorização da Secretaria de Obras para a construção. e que vai mandar uma equipe até o local para verificar as denúncias. indo de encontro à própria legislação federal. “Estamos intensificando a fiscalização na área e em todo o município”. 2005. se queixa o biólogo Sandro Barbosa. explosivos foram encontrados no local. foi detectada a utilização de explosivos. instalar ou fazer funcionar. construir. “É uma surpresa ver uma placa de venda.com.

Contudo. os argumentos e os atores que legitimaram sua criação e implantação. atribuídos a um ambiente saudável e equilibrado. 2. garantidos aos indivíduos. A proteção do meio ambiente. Outro aspecto é que o ambientalismo também impõe a construção de uma nova consciência temporal. por outra mais integrada. bem como em outros casos de seu conhecimento. 76). tendo em vista seu uso comum. Os novos valores do socioambientalismo implicam a substituição da lógica utilitária e dominadora do homem sobre a natureza. p. não é raro que os grupos privilegiados. ou contrariando as normas legais e regulamentares pertinentes. a escassez ou o impedimento de fazer uso dos recursos naturais. tais como a poluição. tentem restringir o acesso de outras pessoas a esses paraísos naturais. No caso especifico das unidades de conservação. Em tais casos. assim como as restrições de uso. usufruem mais intensamente de um meio ambiente harmônico. isso implica pensar em que contexto. que reconhece o direito à vida de outras espécies. em nome da preservação. nascida na Idade Moderna. nessa nova abordagem. Conflitos ambientais e direitos difusos em unidades de conservação. Os sujeitos dos interesses difusos são sempre virtuais — um espaço vazio a ser preenchido por qualquer membro da sociedade. Essa dimensão consensual sobre o meio ambiente permite falar na construção de um novo contrato social que pressupõe a emergência de direitos de caráter coletivo e difuso. adquire um caráter universal. Os benefícios. necessárias para a sua preservação. sobrepondo-se aos interesses individualizados. Algumas populações sofrem mais com os danos ambientais. ou. A concepção de direitos relacionados ao meio ambiente altera a tradicional correspondência entre direitos e deveres. Identifique no texto anterior. 43 Fundamentos de Antropologia e So43 43 2/1/2008 16:51:34 . são distribuídos irregularmente entre os diferentes grupos sociais. para Mário Fuks (2000.Fundamentos de Antropologia e Sociologia órgãos ambientais competentes. quais foram os interesses. mas com uma preocupação fundamentalmente centrada no destino da humanidade. práticas que vão de encontro ao previsto na referida lei. ao contrário. pois este se torna um bem público que deve ser protegido. a partir da qual os danos ou benefícios são transferidos a gerações futuras. é preciso confrontar este caráter universal com o sentidos locais que ele assume.

resistência e elaboração de um discurso que legitime seus direitos. é preciso compreender a percepção da sociedade local a respeito da implantação das unidades de conservação. Cristina. território e urbanização. 247 a 256. território e urbanização. Casos 1. Para responder estes casos. suas formas de adaptação. São Paulo: Moderna. p. tornar-se ideológico? Justifique. Professora de Sociologia da Universidade Estácio de Sá. • analisar criticamente as mudanças ocorridas nas relações sociais e seus reflexos no Direito. sobretudo por meio da apropriação de categorias ambientais.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS Na mesma linha. a ampliação das categorias de unidades de conservação de uso direto (admitem formas de uso e permanência humana) é fruto do longo processo de luta pelo direito das populações tradicionais em permanecer em seu território original. em algumas situações. A atualidade da análise sociológica na compreensão da sociedade. Espaço. leia: COSTA. Favelas: uma questão estratégica para o Rio. a) Quais são as maiores dificuldades que se impõem ao direito na questão ambiental? b) O discurso ambiental pode. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. c) Quais são os principais conflitos que envolvem a criação de unidades de conservação? SEMANA 15 Espaço. Objetivos da aula: • refletir sobre questões contemporâneas da sociedade brasileira e mundial. Fonte: texto de Annelise Fernandez. A favela é o testemunho mais visível dos padrões históricos de desenvolvimento brasileiro. Por exemplo. 2001. que incorporam precariamente a base 44 Fundamentos de Antropologia e So44 44 2/1/2008 16:51:34 .

Fundamentos de Antropologia e Sociologia social. o Favela-Bairro. O Favela-Bairro. as favelas se alimentaram de movimentos migratórios internos que têm origem na expulsão de mão-de-obra do campo e na atração que a cidade exerce para todos os que buscam a loteria do emprego digno ou uma atividade informal que gere uma renda monetária mínima. por sua escala. coleta de lixo. na proximidade destas residências.. apesar da precariedade urbana. ao não ser acompanhado de programas 45 Fundamentos de Antropologia e So45 45 2/1/2008 16:51:34 . acesso por veículo automotor.. A criatividade das mulheres que se empregam no asfalto criou. O Programa Favela-Bairro realizou a mais importante intervenção sistêmica feita no Brasil. Formalmente. na retaguarda. deu origem a um fenômeno inédito: os lotes nas favelas começaram a ser verticalizados e surgiu um mercado de pisos: a caricatura da especulação imobiliária em microescala. Na cidade e na metrópole. como foi o caso de uma favela em Brás de Pina. alimenta uma cadeia de empregos e atividades na própria favela. Assim. gera a chamada “expulsão branca”. alguma remota possibilidade de prosperidade e. Nos grotões rurais. porém. vai surgindo a favela prestadora de qualquer tipo de serviço — lícito ou ilícito. a mãe-crecheira. A favela “exporta” serviços e horas de trabalho para o asfalto. onde o tempo está congelado. Com o risco de toda a simplificação. desde a cabeleireira-manicure até o “burrinho” que transporta materiais de construção nas costas para as encostas. reduziu a “expulsão branca”. A intervenção melhoradora de uma favela. A Prefeitura do Rio de Janeiro resolveu. não. na cidade. em função do tamanho da favela e da renda média obtida. Por outro lado. (. recebe renda. as questões da água. A favelização foi um processo dinâmico de uma urbanização não inclusiva e desatenta com o popular. que é o simulacro popular da babá dos ricos. a favela é o microcosmo das macroestruturas brasileiras. mas. ele tem reduzida visibilidade. nomenclatura de logradouros e criação de endereços. salvo para subáreas sem solução de engenharia (que no futuro deverão ser removidas). esgoto. terão. As luzes da cidade atraem brasileiros pobres e miseráveis que sabem que. “importa” bens e serviços do asfalto. de caráter pioneiro. objetivamente. em parte. acesso — ainda que imperfeito — aos serviços públicos.) As favelas tendem a se localizar o mais próximo possível dos locais de subsistência: o pobre urbano presta serviços à classe média e rica.

a) O texto sugere que não é possível remover a maioria das favelas nem deixá-las como estão. A frustração sistemática das 46 Fundamentos de Antropologia e So46 46 2/1/2008 16:51:35 .COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS equivalentes nos demais municípios da região metropolitana. têm de se assentar numa cultura democrática. e sim. individual e coletivamente. A justiça em debate. deu origem a uma migração intrametropolitana. cada vez mais reclamam. A violência de uma remoção alimentará dialeticamente a violência na cidade. Tais condições são hoje muito difíceis por duas razões: devido à distância que separa os direitos formalmente concedidos das práticas sociais que impunemente os violam. e esta é tanto mais preciosa quanto mais difíceis são as condições em que ela se constrói. O lento crescimento demográfico da região metropolitana foi acompanhado de um expressivo crescimento das favelas do município do Rio. para serem ouvidas e se organizam para resistir à impunidade. A escalada da violência urbana é correlata com a prosperidade da economia da droga e com o desencanto que uma juventude que não tem perspectivas de emprego e renda. longe de se limitarem a chorar na exclusão. O desavisado pode inspirar-se por alguma proposta de remoção. A verdadeira solução para as favelas exige não o pagamento de juros repugnantes aos rentistas. Com a política neoliberal. para serem exercidos democraticamente. JB. Isto é uma violência contra um povo predominantemente trabalhador e pacífico. Alguns terrenos ocupados por favelas — por exemplo. a Rocinha — são valiosos para o jogo especulativo imobiliário. A reforma da Justiça está hoje na agenda política do Brasil. Fonte: texto de Carlos Lessa. nacionalmente. uma política que privilegie a criação de empregos. porque as vítimas de tais práticas. O direito e a justiça. Tudo revela que a questão das favelas exige um plano nacional. Por quê? b) Faça uma análise sobre as muitas formas em que o espaço urbano e o desenvolvimento econômico estão relacionados neste texto: 2. não há solução para a favelização. 11/9/2005. professor do Instituto de Economia da UFRJ e ex-presidente do BNDES.

configuram um direito à impunidade. isto é. Esse movimento leva a que se criem expectativas positivas elevadas a respeito do sistema judiciário. Até agora. falou-se sobretudo da corrupção dentro do Judiciário. contribui para a maior legitimidade social dos tribunais. nos casos extremos. A igualdade formal de todos perante a lei nunca impediu que os que estão no poder tenham direitos especiais. só tiveram contato com o sistema judicial pela via repressiva. uma fonte de problemas. Só que a judicialização da política conduz à politização do Judiciário. tem vindo a produzir um deslocamento da legitimidade do Estado: do Executivo e do Legislativo para o Judiciário. durante muito tempo. É nesse campo que se concentra a grande parte das reformas do sistema judiciário por todo o mundo. Sempre que leva a cabo o combate à corrupção. O imperativo da reforma judicial se assenta em três razões principais. Nos melhores casos. O combate à corrupção leva a que alguns conflitos políticos sejam resolvidos em tribunal. Mas a criação de expectativas exageradas acerca do Judiciário é. Foram feitos para julgar os de baixo. o Judiciário é posto perante uma situação dilemática: esse combate. Quando os tribunais começam a julgar para cima. imunidades e prerrogativas que. Ocorre a judicialização da política. esperando-se que resolva os problemas que o sistema político não consegue resolver. na América Latina. que. quando se falou de corrupção e de Judiciário. tornando-o mais controverso. 47 Fundamentos de Antropologia e So47 47 2/1/2008 16:51:35 . as classes populares. por outro. se. ela própria. aumenta a controvérsia política à volta deles. Os tribunais não foram feitos para julgar para cima. em última instância. que permita a previsibilidade dos negócios e garanta a salvaguarda dos direitos de propriedade. Essa questão foi sempre tratada de duas perspectivas: a luta judiciária contra a corrupção e a luta contra a corrupção no Judiciário. que reclama um sistema judiciário eficiente e rápido. a situação muda. à desistência da democracia. A segunda razão tem a ver com a corrupção.Fundamentos de Antropologia e Sociologia expectativas democráticas pode levar à desistência da crença no papel do direito na construção da democracia e. A primeira é o campo dos interesses econômicos. para julgar os poderosos. mais visível e vulnerável politicamente. por um lado.

48 Fundamentos de Antropologia e So48 48 2/1/2008 16:51:35 . uma nova concepção do acesso ao direito e à Justiça. Os vetores principais dessa transformação são: profundas reformas processuais. os edifícios esmagadores. rapidamente. “Foram feitos para julgar os de baixo. revolução na formação de magistrados. Ao contrário. com os movimentos e organizações sociais. na nova concepção. A terceira razão para a reforma judicial está no impulso democrático dos cidadãos que tomam consciência dos seus direitos. Como ponto de partida. busca-se o acesso a algo que já existe e não muda em conseqüência do acesso. uma relação do poder judicial mais transparente. uma cultura jurídica democrática e não corporativa. no texto. nova organização e gestão judiciária. há a procura suprimida. Na concepção convencional. as classes populares. Para além dela. Mas é preciso termos a noção da exigência que está pela frente. Fonte: Boaventura de Sousa Santos. 2007). o acesso irá mudar a Justiça a que se tem acesso. que. com o poder político e a mídia. levará a uma grande transformação do Judiciário. desde as faculdades de direito até a formação permanente. só tiveram contato com o sistema judicial pela via repressiva”. as labirínticas secretarias. Intimidam-se ante as autoridades judiciais que os esmagam com a linguagem esotérica.COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS Em geral. É a procura dos cidadãos que têm consciência de seus direitos. o sistema judiciário não corresponde à expectativa e. novas concepções de independência judicial. sociólogo português (Cortez. durante muito tempo. Essa consciência revela que a procura efetiva de direitos é a ponta do iceberg. para julgar os poderosos. Não fará sentido assacar a culpa toda ao Judiciário se as reformas ficarem aquém dessa exigência. passa de solução a problema. a presença arrogante. b) Identifique. e mais densa. o racismo e o sexismo mais ou menos explícitos. mas que se sentem impotentes para os reivindicar quando violados. algumas idéias que podem estar relacionadas com o conceito de práxis. a) Analise a frase do autor de acordo com a perspectiva marxista sobre o Estado e o Direito: os tribunais não foram feitos para julgar para cima. Se a procura suprimida for considerada. isto é. 66.

malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro.. 2001. In: MERILLIÉ. Sabe com quem está falando? Um ensaio sobre a distinção entre individuo e pessoa no Brasil. Rio de Janeiro: Ed. Remi. 1999. OLIVEIRA. Marx e Weber. QUINTANEIRO. _______.Tânia. Objeto sociológico e problema social. Um toque de clássicos: Durkheim. Marcia Gardênia.). Rocco. Petrópolis: Vozes. Rio de Janeiro: JZE. Cristina. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editores. Belo Horizonte: UFMG. BARBOSA. VELHO. São Paulo: Moderna. D. 1985 [1971]. Roberto.1997. 1976. Sociologia: introdução à ciência da sociedade. 181-186 e 207-218. et al. Iniciação à prática sociológica. LENOIR. O fenômeno urbano. Leitura complementar Sugestão de texto complementar ou a critério do professor: DA’MATTA. 49 Fundamentos de Antropologia e So49 49 2/1/2008 16:51:35 . In: Carnavais.Fundamentos de Antropologia e Sociologia Leituras sugeridas para pesquisa e aprofundamento: Leitura obrigatória COSTA. p. Maria Ligia de O. Desvio e divergência. 1996. Gilberto (Org.

COLETÂNEA DE EXERCÍCIOS 50 Fundamentos de Antropologia e So50 50 2/1/2008 16:51:35 .

Fundamentos de Antropologia e Sociologia 51 Fundamentos de Antropologia e So51 51 2/1/2008 16:51:35 .

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