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SCIENTIA FORESTALIS n. 56, p. 135-144, dez.

1999

Recomposição da mata ciliar em domínio de cerrado, Assis, SP. Riparian forest restoration in cerrado, Assis, SP, Brazil
Giselda Durigan Éliton Rodrigo da Silveira

RESUMO: Em experimento visando a recuperação da cobertura florestal da mata ciliar em domínio de cerrado na Estação Experimental de Assis, SP, foram utilizadas 20 espécies arbóreas, selecionadas em função de sua ocorrência natural em matas ciliares da região ou, no caso das espécies comerciais, com base na adaptabilidade a solos com lençol freático superficial ou pouco profundo. As espécies foram agrupadas em nove tratamentos (puros e mistos) com quatro repetições, totalizando 3624 mudas, plantadas em uma área de 16308m2. Nove anos após o plantio, foram avaliados a sobrevivência, a cobertura das copas e o crescimento das espécies plantadas. Dentre os tratamentos destacou-se o plantio puro de Pinus elliottii var. densa, com as mais elevadas taxas de sobrevivência, cobertura e crescimento. Não houve diferença significativa entre os tratamentos quando as mesmas espécies foram plantadas em módulos ou aleatoriamente. Dentre as espécies nativas de mata ciliar em domínio de cerrado, destacaram-se pela alta sobrevivência, cobertura e crescimento: Tapirira guianensis, Anadenanthera falcata e Calophyllum brasiliense. As espécies nativas oriundas de formações florestais tiveram sobrevivência baixa ou nula, crescimento e cobertura medíocres. PALAVRAS-CHAVE: Mata ciliar, Recomposição, Cerrado ABSTRACT: Twenty arboreal species were planted with the aim of restoring the riparian forest, in the Assis Experimental Station, São Paulo State, Brazil. The experimental area is included in the cerrado domain, even in its border region. Species were choosen based upon their natural ocurrence along the rivers in neighboring areas, comprising forests and cerrados. Comercial species were elected by their adaptability to wet soils. Species were grouped in nine treatments (pure and mixed), four replication each. Covering a total area of 16308m2, 3624 seedling were planted. Nine years after planting, survival, crown cover and growth of the species and treatments were evaluated. The best results were obtained with Pinus elliottii var densa, that presented de highest survival and growth. There was not significative differences between aleatory and module planting, when species of the same group were used. Among the native species, those adapted to cerrado soils, especially Tapirira guianensis, Anadenanthera falcata and Calophyllum brasiliense have presented the best growth and survival. Species not adapted to cerrado soils presented low or nul survival and bad growth. KEYWORDS: Riparian forest, Restoration , “cerrado”

INTRODUÇÃO A preocupação com a conservação e a recuperação da cobertura florestal ao longo dos rios é relativamente recente no Brasil e tem sido objeto de discussões amplas e fre-

De um reflorestamento totalmente aleatório adotado inicialmente. conservacionistas e da legislação correlata. (1990). Do ponto de vista dos recursos abióticos. químicas e biológicas dos corpos d’água. 1990). efetuado sem modelo estrutural definido e sem preocupação com as espécies e proporção entre elas (Nogueira. Segundo Delitti (1989). de julho de 1986.1977. podendo ser mencionados: Karr e Schlosser (1978). exercendo função protetora sobre os recursos naturais bióticos e/ou abióticos. dentre outros. aumentando proporcionalmente com a largura do rio. baseados nos processos de sucessão secundária e na composição e estrutura das florestas naturais. Lowrence et al. 1992 e 1994) e várias outras iniciativas (Rodrigues e Leitão Filho. segundo Lima (1989).136 n Recomposição de mata ciliar de Assis qüentes. de fato. abordando aspectos técnicos. Kageyama et al. controle da erosão das ribanceiras dos canais e controle da alteração da temperatura do ecossistema aquático”. (1984). 1992). Ainda que os 5m anteriormente protegidos por lei tivessem sido preservados. 1998) têm considerado a . Além de muitas vezes não ter sido respeitada aquela lei em regiões de agricultura ou pecuária. Do ponto de vista dos recursos bióticos. 30m para rios com até 10m de largura. O desafio está. 1988. grandes avanços foram alcançados nos últimos anos. 1989. Projetos mais recentes. científicos. A Lei proibia a supressão total ou parcial destas florestas. A função tampão da mata ciliar é abordada por vários autores. a partir da modificação da lei foram acrescentados 25m à faixa de preservação permanente. exercer a proteção aos recursos hídricos que delas se espera. com a Lei 7511. Geralmente estas áreas foram ocupadas com agricultura ou pastagem por períodos longos e agora é desejável que sejam reflorestadas para que possam. implantados a partir do final da década de 80. com a intensificação das pesquisas em recuperação de matas ciliares. Salvador. os resultados conhecidos de estudos sobre o papel das florestas ripárias confirmam a hipótese de que elas atuam como filtros de toda a água que atravessa o conjunto de sistemas componentes da bacia de drenagem. passando a ser de. 1992. O Código Florestal (Lei 4771. É indiscutível a importância de se manter ou recuperar a cobertura florestal junto aos corpos d’água. Do ponto de vista técnico-científico. em encontrar técnicas adequadas de revegetação e superar as barreiras culturais e sócio-econômicas que impedem que se promova a recuperação de matas ciliares em larga escala. das características físicas.. Peterjohn e Correl (1984) . 1987. estabelecia que a faixa mínima a ser mantida para proteger a vegetação considerada de preservação permanente era de 5m de largura em cada margem. também. sendo determinantes. Baker (1984). e Durigan e Dias. A importância da existência de florestas ao longo dos rios e ao redor de lagos e reservatórios fundamenta-se no amplo espectro de benefícios que este tipo de vegetação traz ao ecossistema. para rios com até 10m de largura. de 15 de setembro de 1965). controle do aporte de nutrientes e de produtos químicos aos cursos d’água. as florestas localizadas junto aos corpos d’água desempenham importantes funções hidrológicas. a faixa de preservação permanente foi aumentada. no entanto.. as matas ciliares criam condições favoráveis para a sobrevivência e manutenção do fluxo gênico entre populações de espécies animais que habitam as faixas ciliares ou mesmo fragmentos florestais maiores que podem ser por elas conectados (Harper et al. 1992 e Messina. no mínimo. Joly. aumentando proporcionalmente com a largura do rio. evoluiu-se para modelos mais elaborados. compreen- dendo: “proteção da zona ripária. como os da própria CESP (Kageyama. Müller e Zelazowski. Pinay et al. filtragem de sedimentos e nutrientes.

com precipitação pluviométrica anual média de 1480mm. Partindo da hipótese de que diferentes espécies apresentariam desempenho distinto conforme a sua origem e que diferentes combinações de espécies produziriam resultados distintos na recobertura da faixa ciliar em solos de cerrado. Essas características. essencialmente. tornam essas áreas extremamente difíceis de serem reflorestadas. Para regiões de cerrado existem poucas informações disponíveis sobre a vegetação natural das margens dos rios e ainda menos resultados de pesquisas disponíveis sobre técnicas de revegetação. var.Durigan e Silveira n 137 estrutura e a composição das matas ciliares naturais e/ou os processos naturais de sucessão na elaboração de modelos de revegetação. porém. nunca chegou a ser adotado em larga escala. Kageyama et al. sob as coordenadas 22o 35’ S e 50o 22’ W. O solo predominante na Estação é Latossolo vermelho escuro álico. com elevada saturação de alumínio e. & Her Prunus myrtifolia (L. fornecendo subsídios para projetos de recuperação de matas ciliares em condições ambientais semelhantes. xerogeiton Rizz. pequeno tributário da Bacia do Paranapanema.) Urb. METODOLOGIA A Estação Experimental de Assis localizase na região oeste do Estado de São Paulo. O tipo climático. (1986) propunham a classificação sucessional das espécies e o plantio no campo em módulos com a localização precisa das espécies de diferentes estágios sucessionais. é do tipo Areia Quartzosa Hidromórfica. dada a sua dificuldade operacional. O plantio experimental ocupa uma área de 16308m2. com lençol freático superficial a pouco profundo. é Cwa. na Estação Experimental de Assis. SP. Na área do experimento. com drenagem deficiente. no entanto. em 1989. Local muitas vezes. Calophyllum brasiliense Camb. foi planejado e executado o experimento de que trata o presente trabalho.Espécies de cerrado: espécies nativas da região. localizada em torno das nascentes e ao longo da margem direita da água do Barro Preto. estando as parcelas distribuídas dentro dos limites da faixa de preservação permanente estabelecida por lei (30m). úmido e de baixa fertilidade) Espécie Anadenanthera falcata (Benth. segundo Köppen. sujeito a geadas esporádicas. Tapirira guianensis Aubl. Os solos nessas áreas são pobres em nutrientes. ácidos. Na maioria dos casos. fornecer proteção aos recursos abióticos: solo e água.) Speg. Solanum inaequale Vell. juntas. O plantio em módulos. adaptadas ao solo do local de plantio (ácido. os plantios de recomposição de mata ciliar têm sido efetuados em regiões de domínio florestal. como segue : GRUPO I . Estabeleceu-se como objetivo da pesquisa encontrar espécies e/ou combinações de espécies que proporcionassem mais rapidamente a recobertura do terreno. Cedrella odorata L. Nome Popular Angico-do-cerrado Guanandi Cedro-do-brejo Pessegueiro-bravo Cuivira Peito-de-pombo Estágio Sucessional Pioneira Climácica Secundária Climácica Pioneira Secundária . Espécies utilizadas no plantio As espécies plantadas foram agrupadas conforme sua zona de ocorrência natural. a uma altitude média de 562m. visando.

Plantio consorciado de espécies do Grupo II. Delineamento experimental Foram estabelecidos nove tratamentos. organizadas em módulos. com distribuição aleatória. Enterolobium contortisiliquum (Vell. com distribuição inteiramente casualizada. num total de 3624 mudas ( plantas úteis. com distribuição aleatória. na sua adaptabilidade a solos com lençol freático superficial ou pouco profundo.Plantio consorciado de espécies do Grupo I. Pinus elliottii Engelm var. Cariniana estrellensis (Raddi) Kuntze Centrolobium tomentosum Guill. Nome Popular Mororó Estopeira Araribá Pau-viola Tamboril Genipapo Embira-de-sapo Canafístula Coração-de-negro Branquilho Ipê-roxo Estágio Sucessional Secundária Secundária Secundária Pioneira Secundária Climácica Pioneira Secundária Climácica Pioneira Secundária GRUPO III . Ex Griseb. 7. em espaçamento 3. Lonchocarpus muehlbergianus Hass. Espécie Bauhinia bongardii Steud. 9. densa (Grupo III).) Morong. organizadas em módulos. sendo 39 plantas úteis. Arg. Peltophorum dubium (Speng. nativas ou introduzidas.Plantio consorciado de Hevea brasiliensis x Euterpe edulis (Grupo III). 3. Os tratamentos estão relacionados a seguir: 1. com quatro repetições. As parcelas em módulos foram instaladas conforme esquematizado na Figura 1. Espécie Euterpe edulis Mat. ocorrendo em solos de alta fertilidade. de modo que as pioneiras viessem a sombrear as secundárias e climácicas. Cada parcela é constituída por 75 plantas. no caso das espécies comerciais. Hevea brasiliensis e Pinus elliottii var. Poecilanthe parviflora Benth Sebastiania commersoniana (Baill. densa Little & Dormann Nome Popular Palmito-branco Seringueira Pinus A escolha das espécies baseou-se na sua ocorrência natural às margens dos rios da região e. Hevea brasiliensis Mill.138 n Recomposição de mata ciliar de Assis GRUPO II . Tabebuia avellanedae Lor.Plantio consorciado de espécies do Grupo II. que não é permitido na faixa ciliar. .) Taub.) Smith & Downs.Plantio puro de Pinus elliottii var. 8.Plantio puro de Anadenanthera falcata (Grupo I).Espécies Comerciais: espécies de valor comercial. 5. Genipa americana L. densa são espécies que apresentam ainda a vantagem de possibilitarem a exploração econômica sem implicar no corte das árvores.Plantio puro de Tapirira guianensis (Grupo I). 2.Plantio consorciado de espécies do Grupo I.Plantio puro de Cytharexyllum myrianthum (Grupo II).5m.0m x 1. 6. bordadura interna e externa). num total de 36 parcelas. de modo que as pioneiras viessem a sombrear as secundárias e climácicas.Espécies da mata: espécies nativas de matas ciliares da região. Cytharexyllum myrianthum Cham. 4.

Brazil). com cerca de 80 cm de diâmetro para cada cova. (Planting and maintenance operations along the first year in riparian forest restoration in cerrado domain.Durigan e Silveira n 139 PIONEIRA SECUNDÁRIA CLIMÁCICA Figura 1. (Distribution of the species in modules. A manutenção ao longo do primeiro ano compreendeu roçadas mecanizadas. Assis. coveamento e plantio Manutenção aos 4 meses Replantio Manutenção aos 9 meses TOTAL 74 16 10 16 116 3 07 10 20 . Distribuição das espécies em módulos . -coroamento (manual). segundo o estágio sucessional (parcela útil). Técnica de plantio e manutenção O preparo do terreno para plantio compreendeu as seguintes etapas: -roçada mecanizada da vegetação existente (predominantemente gramíneas). em mata ciliar implantada em domínio de cerrado. Evitou-se o revolvimento do solo. recipiente de 1 litro). Rendimento das operações de plantio e manutenção ao longo do primeiro ano. Assis. SP. Atividade Homens/Dia/ha Horas/Máquina/ha Roçada inicial Coroamento. uma vez que o objetivo era avaliar o desempenho das espécies nas condições naturais do solo local. por ser altamente suscetível à erosão e não se efetuou correção de pH ou fertilização mineral. com 20 cm de diâmetro e 30 cm de profundidade. -coveamento (manual). coroamento das mudas e combate à formiga. o crescimento em altura e DAP e a cobertura das copas. já Tabela 1. considerando-se a sobrevivência. Avaliação dos resultados A avaliação dos tratamentos foi efetuada. -plantio (mudas com altura média de 25cm. according their sucessional stages (measuring plot). O rendimento das operações está apresentado na Tabela 1. SP.

A cobertura é definida por Greig–Smith (1964) como a proporção do piso ocupada pela projeção perpendicular da parte aérea dos indivíduos. crescimento e cobertura das copas nos diferentes tratamentos em recomposição da mata ciliar.00abcd d a 4.00 33.20 11. embora com dados obtidos apenas 5 meses após o plantio. a sobrevivência é baixa e o ritmo de crescimento das árvores tem sido muito lento.23 a 1.43 55.25 d 6.88 ab 2.09 bc 1. Analisando-se os resultados com base no desempenho silvicultural das espécies.58 64. 18 months and 9 years after planting).37 abc 0. Sobrevivência.70 bc bc 9 anos 136.98 b 91. onde i=1 C = grau de cobertura (%) Ci = área da projeção da copa do indivíduo i Ci = p × Di2 / 4 Di = diâmetro médio da copa do indivíduo i (m) n = número de indivíduos medidos na área A A = área da parcela útil (m2 ) RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados experimentais obtidos em termos de sobrevivência.41m e 1. aos 5 meses após o plantio. esta parece ser a regra para plantios de recomposição de matas ciliares. densa (Puro) Hevea brasiliensis x Euterpe edulis Espécies de cerrado em módulos Espécies de mata em módulos Espécies de cerrado plantio aleatório Espécies de mata plantio aleatório 90.36 bc 0.68 cd 5.42 b 50.75 ab 0.63 cd 5.15 bcd 0.08 bcd abc 12. growth and crown cover in different treatments. Tabela 2.80 ab 8.10 a 0. SP.39 ab 1. são as médias não transformadas.05).75 ab ab b a b ab ab ab ab DAP médio (cm) 9 anos 4. encontraram.02 53. Assis.14 c Cobertura das copas (%) 18 meses 8.5% para as 10 espécies nativas plantadas em MogiGuaçu. de modo geral. podendo ser estimada ou medida e expressa em porcentagem. No entanto.78 d 0.23 0.05 a 4.82 bcd 49.75 ab 0. Tratamento Sobrevivência * (%) 18 meses Tapirira guianensis (Puro) Anadenanthera falcata (Puro) Cytharexyllum myrianthum (Puro) Pinus elliottii var.140 n Recomposição de mata ciliar de Assis que na revegetação é desejável o recobrimento rápido do terreno. Barbosa et al.00 94.33 ab 11. encontraram incremento mensal em altura de 0.26 bcd 1.73 b 0.37 53. aos 18 meses e aos 9 anos após o plantio.08 a 50. Neste experimento determinou-se a cobertura através da fórmula: n C = 100 S Ci / A . SP. A mortalidade observada pelos autores já era bastante alta.98 72. * Para efetuar a análise estatística incluindo sobrevivência 0 e 100%.43 100.68 b 121.58 bc 5.65 bcd 4.10m/ano.14 a 2.00 ab 23.24m.73 ab 126. verifica-se que.44 d 1. Os valores apresentados na tabela.76 ab 0.36 abcd 10. (1992). testando espécies em solos periodicamente úmidos e de baixa fertilidade. em Paraibuna.34 b 15.35 d 9 anos 69.20 ab 9 anos 5.30 a 4. SP. SP. as variáveis foram transformadas em y=arc. dois anos após o plantio.06 cd 5.13 a 1. incremento anual em altura entre 0. in riparian forest restoration. .57 bc 0. no entanto.60 bc OBS.85 31. oscilando de 2 a 22.38 bc 2. (Survival . Salvador e Oliveira (1992).13 c 5.75 77. Assis.: Valores seguidos da mesma letra dentro de uma coluna não diferem significativamente entre si pelo Teste Tukey (p=0. crescimento e cobertura são apresentados nas Tabelas 2 (tratamentos) e 3 (espécies).sen vx/ 100.96 b Altura média(m) 18 meses 1.48 ab 2.

após 9 anos. DAP=diameter at 1. No entanto.50 Diâmetro médio das copas (m) 3.30 IMA (m) 1.02%. e tendem a sofrer grandes modificações com o tempo.88 50. densa.37 0.03 40.56 0. O experimento de que trata o presente trabalho. apresentava resultados de sobrevivência superiores a 85% para todas as espécies. dentre as nativas.07 55.49* 0.85 66.4 6. em mata ciliar. Assis SP.3 5. Sobrevivência e crescimento das espécies nove anos após o plantio.93 2.45 0. obteve.03 - * todos os indivíduos foram destruídos pela geada 5 anos após o plantio. Messina (1998).93 3. estes coeficientes foram especialmente elevados para os valores de sobrevivência.30m above the ground. O teste Tukey utilizado para comparação das médias nem sempre aponta as diferenças evidentes entre os tratamentos. 1990).00 41.90 (cm) 15. avaliado oito meses após o plantio (Durigan.02 79. SP. que apresentam altos coeficientes de variação. Oito espécies apresentaram sobrevivência nula e.53 0. com apenas 28%.59 2.83 1.34 2.33 0.20 0. Isto ocorre com freqüência em experimentos com essências nativas.14 0.05 0. muito sujeitos a varia- .09 0.23 0. 1992) em diferentes regiões do Estado. densa Anadenanthera falcata Hevea brasiliensis Tapirira guianensis Calophyllum brasiliense Tabebuia avellanedae Peltophorum dubium Prunus myrtifolia Genipa americana Enterolobium contortisiliquum Sebastiania commersoniana Centrolobium tomentosum Solanum inaequale Euterpe edulis Cedrela odorata var.90 2.Durigan e Silveira n 141 Tabela 3.41* 2.21 0. IMA=incremento médio anual em altura. xerogeiton Bauhinia bongardii Lonchocarpus muelbergianus Citharexyllum myrianthum Cariniana estrelensis Poecilanthe parviflora Sobrevivência DAP médio (%) 94. tendo rebrotado do toco.66* 7.29cm e sobrevivência entre 16.67% (Euterpe edulis) e 100%. SP. com exceção do Pinus elliottii var. apenas quatro ultrapassaram 50%.30m do solo. durante o primeiro ano após o plantio de mata ciliar em São Carlos.65* 5.5 0. DAP=diâmetro a 1.00 Altura média (m) 11.10 1.45 0.65 16.00 4. todas as espécies apresentaram sobrevivência inferior a 80%. com exceção do palmito (Euterpe edulis). (Species survival and growth nine years after planting in riparian forest. Assis.52 3.38 5.22m (espécie climácica) a 4.62 0.08 3.5 1. IMA=mean annual heigth increment). Verifica-se que os resultados publicados são obtidos em avaliações muito preliminares.30 1.00 3.02 1.36 0. com 94.00 17.57 2. Em plantios experimentais realizados pela CESP (Kageyama.50 0. para espécies nativas da região.04m (espécie pioneira). Neste experimento.84 4. os incrementos anuais em altura variaram de 0.70 14.00 0. incremento anual em altura oscilando entre 0 e 335. Espécies Pinus elliottii var.68 1. aos 12 meses de idade.0 2.17 1.00 30.

que. densa. Do ponto de vista dos objetivos da recomposição da mata ciliar. o Pinus elliottii var. para DAP. seja da vegetação. semelhantes aos do local do experimento. podem apresentar padrões muito variáveis dentro de uma mesma espécie nativa. a vegetação natural das . fornece. a mais rápida recobertura do terreno. O bom desempenho do guanandi em áreas úmidas corrobora os resultados obtidos por Salvador et al. que. com sobrevivência ao redor de 50% aos 9 anos. já que efetuar um plantio aleatório é muito mais fácil do que plantar em módulos. Esta constatação tem implicações práticas importantes. adaptadas a solos férteis (Grupo II). morreram todos os indivíduos em uma das parcelas. Considerando-se que o plantio foi efetuado com alta densidade (2222 árvores/ha). densa. O incremento em altura tende a reduzir-se no decorrer do tempo e a média anual aos 9 anos esteve entre 0. além de possibilitar exploração econômica da resina.142 n Recomposição de mata ciliar de Assis ções decorrentes de condições ambientais e um pouco menos. além de serem naturalmente diferentes entre espécies. as árvores sobreviventes são suficientes para a formação da floresta. altura e cobertura. que. em regiões de cerrado. com baixa fertilidade e elevado teor de alumínio. verifica-se que aquelas oriundas de formações florestais. levando em conta a origem das espécies.80m/ ano). sem dúvida. apresentaram boa sobrevivência. com a localização precisa das espécies segundo os estágios sucessionais. mas também elevados. restabelecendo a função da mata ciliar de proteção aos recursos abióticos. mesmo as pioneiras. reveste praticamente todo o terreno. apresentaram resultados satisfatórios. ainda. seja da fauna a ela associada. Embora Anadenanthera falcata tenha apresentado bom desempenho de modo geral.23m para o Pinus elliottii var. onde o solo é permanentemente encharcado.03m e 0. é totalmente contraindicada. com alta sobrevivência e bom crescimento em altura (cerca de 0. aos 9 anos. O mesmo se pode afirmar em relação aos plantios puros com espécies nativas. A utilização de espécies oriundas de formações florestais para plantio em solos de cerrado. tanto para espécies de cerrado como para espécies de mata. Sob uma análise comparativa. como espécie altamente promissora para a formação de florestas às margens dos rios em condições de solos com baixa fertilidade e lençol freático pouco profundo. As espécies nativas de matas ciliares em domínio de cerrado (Grupo I). nestas condições ambientais. se o plantio é aleatório ou efetuado em módulos. Dentre os tratamentos testados. deixa muito a desejar quando o objetivo da revegetação é restaurar a diversidade biológica. há que se analisar cuidadosamente estes resultados. Destaca-se. além das conclusões óbvias decorrentes das espécies utilizadas. os plantios mistos com espécies adaptadas aos solos de cerrado (Grupo I). O bom desempenho da espécie em solos de cerrado na região já havia sido verificado por Garrido (1975). apresentaram sobrevivência baixa ou nula. adaptadas a solos ácidos. Cabe ressaltar. destacando-se em crescimento e cobertura: Tapirira guianensis. diante das baixas taxas de sobrevivência e do crescimento medíocre por elas apresentados. No entanto. Anadenanthera falcata e Calophyllum brasiliense. densa.62m para as espécies nativas e 1. Quando se analisam os resultados do ponto de vista dos tratamentos.50m a 0. no entanto. considerando-se apenas o desempenho silvicultural. restringindo a utilização da espécie nestas condições. relacionadas com os custos de plantio. merece destaque a constatação de que não há diferença nos resultados obtidos. (1992) em Promissão e Paraibuna. muitas vezes. A floresta de Pinus elliottii var.

. densa. podendo se constituir de campos graminosos úmidos. Revista do Instituto Florestal. 1990. SANDERSON. 1990. Silvicultura em São Paulo. Quantitative plant ecology. INT general technical report.ed. GREIG-SMITH. London: Butterworths.Assis. proporciona rapidamente a recobertura do terreno...4.Caixa Postal 359 CEP 13560-250 . The development.Durigan e Silveira n 143 margens dos rios não é florestal. DIAS. onde as árvores naturalmente não se desenvolvem. Riparian ecology in tion National Park. S.9. ZEIGLER. Mantidas as densidades proporcionais entre as espécies dos diferentes estágios sucessionais. BEDINELLI. Anais do Simpósio sobre mata ciliar. DURIGAN.D.O. Dr. p.C.3. Centro de Recursos Hídricos e Ecologia Aplicada do Departamento de Hidráulica e Saneamento EESC – USP . v.A. HARPER. T. GARRIDO.T.I. W. CONCLUSÕES Para recuperação da cobertura florestal às margens dos rios em regiões de domínio de cerrado recomenda-se o plantio de espécies adaptadas às condições desfavoráveis de fertilidade do solo destas regiões. 308-312.63-71.298. Taxa de sobrevivência e crescimento inicial das espécies em plantio de recomposição da mata ciliar. Características silviculturais de algumas espécies indígenas sob povoamentos puros e mistos. 1964. Acta botanica brasileira.605-608. SP.br ÉLITON RODRIGO DA SILVEIRA é Pós-graduando do CRHEA.M.19800-000 .Av.3540. 2.S. . M. Carlos Botelho.C.M. Plantar árvores nessas áreas é totalmente contra-indicado. P.M. não há vantagens em se efetuar o plantio em módulos. v. McARTHUR. J. G. p. C. Campinas: Fundação Cargill. Campos do Jordão.E.. 1992. H. K. S. 88-88 DURIGAN. 6.com.North Caroline State University BARBOSA. Ciclagem de nutrientes minerais em matas ciliares. E-mail: giselda@femanet. coord. tal qual ela é. L. embora não restitua a diversidade da vegetação.4.32-42.C. O plantio puro de Pinus elliottii var. v. DELITTI. current use and effectiveness of streamside buffer zones in precluding sediment delivery to forest streams. 1465 . da Estação Experimental de Assis – Caixa Postal 104 . In: BARBOSA. Utah. 1990. Anais. BARBOSA.São Carlos – SP REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BAKER. Raleigh. 1984. v. G. 1975. n. 1989. Abundância e diversidade da regeneração natural sob mata ciliar implantada.. São Paulo: SBS/ SBEF. 1992. p.. p.2. E.M. n. 256p.. Forest Service.B. Estudos sobre o estabelecimento e desenvolvimento de espécies com ampla ocorrência em mata ciliar. L. p. AUTORES E AGRADECIMENTOS GISELDA DURIGAN é Pesquisador Científico do Instituto Florestal. uma vez que os resultados são os mesmos obtidos com a distribuição aleatória das espécies no campo. ASPERTI. podendo ser recomendado nas situações em que proteger o solo e os recursos hídricos é mais importante ou urgente do que restaurar a biodiversidade. Tese (Mestrado) . L. devendo ser preservada a vegetação natural. USDA.. In: CONGRESSO FLORESTAL BRASILEIRO. p.

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