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OUTROS OLHARES GEOGRÁFICOS (UM ESTUDO COM APRENDIZAGENS GEOGRAFICAS DE ALUNOS PORTADORES DE DEFICIÊNCIAS VISUAIS

)
Eder Lira Universidade federal do Espírito Santo-UFES. Brasil ederlira@hotmail.com

"Se os meus olhos não me deixam obter informações sobre homens e eventos, sobre Braille) idéias e doutrinas, terei de encontrar uma outra forma." (Louis

. enfatizada neste estudo. saberes e práticas de pessoas. preestabelecido. pode-se reforçar a idéia da validade dos recursos didáticos enquanto meio facilitador do processo de ensino-aprendizagem de todos os alunos. porém é necessária para que seja garantido a esses indivíduos o direito de acesso ao estudo e. elaborar recursos didáticos. qual seja os as vivências docentes de Geografia. Segundo Bom Meihy (1996). . foram entrevistados um professor de Geografia. como a deficiência visual. Nossa abordagem apóia-se na história oral temática. Percebe-se que esta não é uma tarefa fácil. visto que nessa abordagem de pesquisa o uso da documentação oral equivale às fontes escritas. Na perseguição dos objetivos acima utiliza-se como metodologia de pesquisa os pressupostos da história oral. um coordenador do CAP (Centro de Apoio Pedagógico) e quatro alunos cegos e de baixa visão e o diretor do Instituto Braille do Espírito Santo. sua integração – como cidadãos de direito – na sociedade. Partindo desta constatação serão elaborados materiais didáticos que facilitem a percepção multissensorial e auxiliem aos professores e alunos. Com base em todas as informações até aqui colocadas. Através de uma oficina pedagógica averiguar-se-á a eficácia do recurso didático produzido. buscando desvelar e socializar possibilidades de práticas didáticas voltadas para deficientes visuais. Para tanto após elaboração de roteiro semi-estruturado de entrevistas (tematizados) com questões relacionadas à vivência docente. sendo estes: uma maquete de tectonismo e um globo tátil. principalmente daqueles que possuem algum tipo de deficiência. visto que a mesma parte de um assunto específico. foram diagnosticas dificuldades no processo de ensino-aprendizagem de professores e alunos quanto a Geografia. Através das entrevistas realizadas. especificamente maquetes na área de geografia e diagnosticar as dificuldades e habilidades dos deficientes visuais durante a aplicação das oficinas. ao possibilitar a elaboração de registros e documentar experiências. um professor de História. conseqüentemente. a história oral apresenta-se como um eficiente recurso de pesquisa.INTRODUÇÃO Este trabalho tem como objetivo verificar as dificuldades de aprendizagem de geografia dos deficientes visuais. a respeito de suas vivências e concepções. Isso significa uma possibilidade de documentar o não documentado.

usam uma grande variedade de procedimentos e instrumentos de coleta de dados” (ALVES-MAZZOTTI e GEWANDSZASDER. Produzir recursos didáticos. Também por trabalhar com o universal. METODOLOGIAS A metodologia presente nesta pesquisa tem como base as concepções da História Oral apresentadas por (Bom Meiry ANO). a fim de propor uma oficina pedagógica.. Além disso. Também elaboramos levantamento bibliográfico (formação de professores. crenças. queremos diagnosticar as dificuldades e habilidades dos deficientes visuais durante a aplicação das oficinas.OBJETIVOS Como objetivos nesse trabalho pretendemos verificar as dificuldades de aprendizagem de geografia dos deficientes visuais.. levantamento de dados sobre a população DV. aspirações. 2007). motivações. p. especificamente globo tátil e planisfério tátil.como fazer. A escolha desta abordagem é decorrente da visão .. valores e atitudes dentro dos pensamentos. compreendidas dentro das realidades vividas e partilhadas nas interrelações dos grupos sociais. globo. haja vista que estas possuem uma “característica multimetodológica. materiais. foram aplicadas entrevistas para que pudessemos perceber as dificuldades e necessidades apresentadas. (MINAYO.etc. ao englobar significados.163). 2004. histórico da deficiência visual. maquete. isto é. No estudo aqui proposto utilizamos uma abordagem qualitativa.. Caracterização do Lócus do Estudo . Além disso. oficina pedagógica. como fazer fazer uma oficina.Abordagem qualitativa..). interpretações e ações humanas.

dos pesquisadores de ser a que melhor contempla o alcance dos objetivos propostos neste estudo. Assim nós conseguimos ao longo do período letivo . ao longo da história da humanidade. Através das entrevistas realizadas com alunos deficientes visuais e professores dos mesmos. trata-se de uma investigação empírica de um fenômeno atual inserido num dado contexto em que os limites entre tal fenômeno e seu contexto não estão claramente definidos (YIN. O ensino da Geografia deve ser muito mais do que simplesmente repetir os conteúdos dos livros didáticos. visto que suas dificuldades geravam uma impecilho para tal compreenção. Descrevendo-o de modo amplo. e assim formar um ciclo que contribua para auxiliar aquele que possui limitações. Na antiguidade. RESULTADOS É sabido que. Por fim produzimos materiais didáticos que serviram como apoio para que os alunos pudessem compreender a geografia. 2005). Trata-se de um estudo de caso. já estava sendo feita uma classificação primária dos portadores de necessidades especiais. diagnosticamos diversas dificuldades enfrentadas no processo de ensino-aprendizagem de Geografia. a deficiência física foi tratada de acordo com as características e particularidades culturais de cada sociedade. Também coneguimos elaborar materiais (bibliogáficos e didáticos) que sirvam de base para outros que virão. ESTÁGIO DA PESQUISA O presente trabalho faz parte de uma pesquisa de Trabalho de Conclusão do Curso de Licenciatura em Geografia. Quando essa passou a diferenciar os indivíduos quanto a sua deficiência. quem possuía algum tipo de deficiência era tratada a margem da sociedade.

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por pensar que isso poderá atrapalhar suas pretensões de se casar de novo. Rodrigo Letier e Paola Vieira. que a deixa cega. Uma arquiteta está de férias em um hotel e apaixona-se pelo massagista cego. Produção: Vibeke Windelov. 26-53. O filme é baseado em fatos reais e mostra as dificuldades do voltar a enxergar. Direção: Roberto Berliner. Dinamarca / Suécia / França / Rússia. 2003. EUA. ela sofre acidente. Direção: Irwin Winkler Produção: Fox Home Entertainment. Produção: Playarte Home Vídeo. numa escola especial para crianças cegas. 1978. 3 ed. SUGESTÕES DE FILMES SOBRE O ASSUNTO: DEFICIÊNCIA VISUAL A cor do Paraíso. cegas de nascença e cantoras. 1999. 1997. Inclusão: construindo uma sociedade para todos.SASSAKI. Dançando no escuro. SCHÄFFER. Rio de Janeiro: WVA. R.cantam pelas ruas da cidade a fim de complementar a renda familiar. Porto Alegre: Bookman. 2000. 1999. EUA. Três irmãs. sustentada pela mísera aposentadoria. Produção: Europa Filmes. p. Produção: Renato Pereira. YIN. Neiva O. EUA. Direção: Michael Apted. A pessoa é para o que nasce. tendo de recomeçar do zero. 1994. Um globo em suas mãos: práticas para a sala de aula. Uma imigrante tcheca leva uma vida dura trabalhando . encontram o seu estar no mundo na música. que transforma a garota em campeã mundial. Brasil. Convence-o a submeter-se a uma operação para que ele volte a enxergar. et al. porém passa a enxergar tudo com um dia de atraso. Estudo de caso: planejamento e métodos. Produção: Sony Pictures. Romeu Kasumi. Filho espera o pai vir buscá-lo para as férias. 2005. No auge da fama. 2004. Mulher faz cirurgia para recuperar a visão. K. O pai no entanto fica relutante em levá-lo para casa. À primeira vista. com a ajuda do namorado. Porto Alegre: Editora da UFRGS/Núcleo de integração Universidade & Escola da PROREXT/UFRGS. Irã. Direção: Lars von Trier. Direção: Majid Majidi. Patinadora adolescente é descoberta por famosa treinadora. Castelos de gelo. p. 158. Blink – Num piscar de olhos. Direção: Donald Wrye.

Ed. EUA. Porto Alegre: Editora Alegro. São Paulo: Instituto Uniethos. M. GIL. 2006. Produção: Howard Baldwin. como vêem os outros e como se relacionam com o mundo. Quem já viu Ray Charles num palco poderá até jurar que é o próprio quem interpreta a si mesmo no filme. G. 292 p. Janela da Alma. Pessoas com Deficiência e o Direito ao Concurso Público: reserva de cargos e empregos públicos. administração pública direta e indireta Goiânia: Ed. Superar o Impossível. . São Paulo: Editora Totalidade. da UCG. 2003. O caso de Helena Keller. BNDES. C. como superou sua deficiência e conquistou o sucesso. São Paulo: Editora Itatiaia. Exclusão e Trabalho. C.Deficiência. Direção: João Jardim / Walter Carvalho. NOWILL. de O. Carta de Amor. Direção: Taylor Hackford. Karen Elise Baldwin. Rio de Janeiro: Editora WVA. BRASIL. 95p. Brasil. Produção: Europa Filmes. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes como melhor filme e melhor atriz. Responsabilidade Social e Diversidade . D. O que as Empresas podem fazer pela Inclusão das Pessoas com Deficiência. 1996.em uma usina nos EUA. 2006. Stuart Benjamin e Taylor Hackford. 1980. A. IBDD. 27p. geneticamente condenado a também desenvolver a doença. 2002.Conta a vida do músico Ray Charles. Ray. 183 p. 1999. 2004. SUGESTÕES DE LIVROS SOBRE O ASSUNTO: DEFICIÊNCIA VISUAL BRAGANÇA. M. 74 p. REEVE. 187p. Descobre que está perdendo a visão dia após dia e tenta esconder isso de todos. que ficou cego aos 7 anos de idade. M. FILHO. principalmente de seu filho. E Eu Venci Assim Mesmo. Maria Aparecida. GUGEL. M. Dezenove pessoas com deficiência visual contam como se vêem. 2002.