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INVENTÁRIO DA CASA DE JOSÉ DE ALENCAR Maria Josiane Vieira Márcia Perreira de Oliveira

Resumo: O presente trabalho apresentará o processo de organização do acervo da Casa de José de Alencar (CJA), composto por várias coleções distintas. A CJA integra os equipamentos culturais mantidos pela Universidade Federal do Ceará (UFC), possuindo um grande número de objetos e um riquíssimo acervo documental composto por documentos pessoais, administrativos e jornais. A atividade inicial para realizar o inventário foi organizar, identificar e higienizar as peças. Depois deste primeiro momento, iniciamos o tombamento das peças conforme a identificação, e posteriormente, o preenchimento de novas fichas de catalogação. O inventário e reorganização dos acervos da CJA contribuirão com pesquisadores de diversas áreas das ciências humanas. Palavras-chave: Casa de José de Alencar – Inventário - Acervo

Abstract:T he following article will present the process of organization of the collection of Casa de José de Alencar (CJA), composed by various distinct collections. The CJA is one of the cultural equipments maintained by Universidade Federal do Ceará (UFC), possessing a great number of objects and a very rich collection of documents, composed by personal and administrative documents, and newspapers. The first activity aiming the elaboration of the inventory was the identification, the cleaning and the organization of the items. After this first moment, we initiate the register of the items following its identification, and as a later activity, the act of filling out new cataloguing cards. The CJA inventory and its reorganization will contribute to researchers from various areas of human sciences. Keywords: Casa de José de Alencar, Inventory, Collection.

A Casa de José de Alencar (CJA) era um sítio que pertenceu à família do escritor cearense José de Alencar e foi adquirida pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e, posteriormente, tombada como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Atualmente, a CJA é um equipamento cultural pertencente à UFC que possui responsabilidade de salvaguardar, preservar e estudar a memória acerca do escritor cearense José de Alencar e, também, das diferentes coleções que passaram a integrála. As únicas peças tombadas na CJA são as que vieram com o Museu Arthur Ramos (MAR). Este tombamento foi realizado pela Professora Valdelice Carneiro Girão e por
Graduanda do curso de Licenciatura em História pela Universidade Federal do Ceará e bolsista do Programa de Extensão “Bolsa CJA” da Universidade Federal do Ceará. Museóloga da Universidade Federal do Ceará, graduada em Museologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

as técnicas e o produto final. Porém. colares e ervas utilizas nos rituais sagrados e instrumentos utilizados na dominação e repressão da comunidade negra. mas não encontramos nenhum documento referente a esta pesquisa. em 1959. O livro de tombo foi encontrado. A Reforma Universitária de 1968 determinou extinção dos Institutos de Antropologia vinculados às universidades para integrar os Departamentos de Ciências Sociais e Filosofia. então reitor. não foi encontrado. pesquisa e extensão. Essas duas coleções foram adquiridas pela Universidade Federal do Ceará através de compra junto à família dos dois pesquisadores mediada pelo Professor Antônio Martins Filho. Segundo Henrique Barreira. A Casa e suas coleções A Casa de José de Alencar possui um acervo com diferentes coleções e grande número de peças. O maior número de peças veio do Museu do Instituto de Antropologia e da prospecção realizada nas ruínas do engenho que existiu no antigo sítio. Tendo em vista os diferentes momentos vividos pela Casa. na maioria das vezes. a reserva técnica do MAR foi organizada e houve um levantamento. todas preenchidas pela Professora Valdelice Girão. bilros e mostras de rendas. o novo levantamento e tombamento das peças juntamente com a organização dos documentos escritos.2 Thomaz Pompeu Sobrinho e finalizado em 1960. em sua administração. pesquisa e ensino da UFC . Já no período em que a museóloga Rute Prisco esteve responsável. Portanto. que funciona como apoio. levantamento e tombamento das suas coleções. estando assinado pelo Pompeu Sobrinho. sobre a produção de rendas em diferentes países. A Coleção Luíza Ramos foi formada a partir das pesquisas realizadas por Luíza Ramos. foi realizado outro levantamento do acervo com base no livro de tombo e nas fichas de catalogação. e juntamente com várias fichas com descrição das peças e seu respectivo número de tombo. esposa de Arthur Ramos. orais e imagéticos existentes no Casa de José de Alencar irão contribuir com as atividades de extensão. Inseridos nas pesquisas estão os materiais utilizados na produção. A Coleção Arthur Ramos é composta por objetos coletados pelo antropólogo alagoano Arthur Ramos acerca das manifestações culturais afro-brasileiras no Brasil. encontramos imagens. Entre os objetos. entre os objetos estão: almofadas. o segundo livro de tombo (reserva). . torna-se necessário uma nova organização. Para além das suas particularidades. a CJA é pensada como um espaço da UFC que integra as diferentes facetas da universidade: ensino. essas coleções e esses objetos não dialogam.

com base em anotações dos pesquisadores e em conhecimentos museológicos adquiridos em um estágio no Museu Histórico Nacional. o Museu do Instituto de Antropologia. Acerca do trabalho desenvolvido pela museóloga não encontramos nenhuma documentação. 2006. referentes aos romances de José de Alencar. idealizam um projeto de . resultante de pesquisas in loco. se tornou Museu Arthur Ramos. aprendeu a minúcia do catálogo. convidado pelo então diretor do Centro de Humanidades (CH) da UFC após ter feito um curso de extensão em Museologia com o Professor João Alfredo de Sá Pessoa e participado do levantamento do Museu de Aracati em 1978. ajudando a plantar museus em Fortaleza. p. foram integrados ao Museu. segundo seu ex-diretor Henrique Sérgio Barreira. as Professoras Doutoras Vera Lúcia Albuquerque de Morais e Angela Maria Rossa Mota de Gutierrez. que reúne rendas produzidas no Ceará. As atividades na reserva técnica ficaram paradas. 11). o Museu ficou sem administração e seu acervo teve uma baixa considerável no número de peças. desta forma. que trata da cultura material indígena no Ceará. orientada por Gustavo Barroso. que conta com tanto com objetos relacionados ao catolicismo como de rituais da cultura afro-brasileira. No período que se estende de 1974 a 1979. sobre artesanato em várias regiões cearenses. realizadas por integrantes do Instituto. como se vê na Coleção Arthur Ramos” (CRISTINA. desenvolveu a atitude classificatória. professora do Curso de História da UFC. e de material recolhido da prospecção realizada no seu terreno. em entrevista cedida ao jornal O Povo em 19791. Valdelice Girão “em sua incansável lida. a Casa conta com coleções de artes plásticas. Com isso. em torno das duas coleções principais (Arthur Ramos e Luíza Ramos) se formaram mais cinco (5) coleções: Coleção Rendas do Ceará. O Museu Arthur Ramos em 1981 foi transferido para Casa de José de Alencar. e Coleção Benevides. coleção adquirida da coleção particular do escritor Aldenor Jayme Alencar Benevides através de compra. produzido pela UFC. só sendo retomadas em 1989 com a Museóloga Rute Solões Prisco que permaneceu somente alguns meses. que durante a vida do Instituto realizou um grande número de pesquisas relacionadas aos aspectos culturais dos cearenses juntamente com coleta de objetos. Henrique Barreira permaneceu na direção do Museu Arthur Ramos entre os anos de 1979-1981. Coleção Arte Popular. ambas do Departamento de Letras da UFC. posterior Museu Arthur Ramos. a pesquisa indissociável ao ensino. Segundo o catálogo “Museu Arthur Ramos”. que posteriormente. Em 2003. Coleção Arqueologia e Préhistória. O primeiro tombamento data de 1960 e foi realizado por Valdelice Carneiro Girão. Além das peças relativas ao Museu do Instituto de Antropologia. Coleção Sincretismo Religioso.3 concebendo.

Objetivos O objetivo geral do Inventário da Casa de José de Alencar é contribuir para sua revitalização como espaço múltiplo. levando em consideração o seu condicionamento adequado para preservação. relatórios. Vários outros objetivos podem ser associados ao objetivo geral com a finalidade de torná-lo concreto: Reorganização das peças no armário deslizante da nova reserva técnica. condicionamento e causas naturais de . Viabilizar projetos para novas exposições. manuseio de objetos. Nessa perspectiva o Professor Doutor do Departamento de História Francisco Régis Lopes Ramos foi convidado a orientar o projeto de inventário do Museu com auxílio da Museóloga Márcia Pereira. é voltado para toda comunidade fortalezense.4 revitalização dos espaços culturais da “Casa” e entre eles está o Museu Arthur Ramos. Construção de um acervo de memória oral a respeito da “Casa”. como por exemplo. Restauração dos álbuns de mostras de rendas pertencentes à Coleção Luíza Ramos. incluído pequenos estudos e imagens dos objetos. Referenciais teóricos Um dos referencias teóricos utilizados foi o Caderno de Diretrizes Museológicas. pesquisadores e turistas. que abrange várias discussões relacionadas aos museus. cartas. publicado em 2006. funcionária da Universidade. Deixando de ser visto como “um depósito de coisas velhas” para se tornar um espaço gerador de conhecimento através da pesquisa e do ensino O Caderno de Diretrizes Museológicas contribui ainda com questões relacionadas à preservação do acervo. ofícios. exposição. Organização de documentos (jornais. fotos e negativos. Organizar e lançar um catálogo apresentando todo acervo da CJA. o seu papel social na sociedade contemporânea. tornando-a um referencial de pesquisa em diversas áreas das ciências humanas. enquanto o trabalho desenvolvido na reserva técnica do Museu Arthur Ramos é voltado preferencial para pesquisadores que se interessem pelos diversos campos de pesquisas que as coleções oferecem. O trabalho que começou a ser desenvolvido na CJA. etc) em uma base de dados informatizados a fim de auxiliar nas futuras pesquisas. a partir de então.

. que ministrou o curso. A CJA poderá receber financiamento do Programa de Ação e Desenvolvimento do Turismo (PRODETUR II). pois “Não basta. 2006. instituição da qual a “Casa” é integrante. que tem como objetivo “melhorar a qualidade de vida da população que reside nos pólos turísticos situados nos Estados participantes do Programa” e. algumas melhorias técnicas foram realizados através de financiamento de projetos. a CJA foi contemplada com equipamentos e mobiliário para reserva técnica da Casa e para Biblioteca Braga Montenegro. Através do Edital do Conselho Federal Gestor do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (CFDD)2 do Ministério da Justiça. mini-centrais de ar-condicionado e arquivos deslizantes específicos para reservas técnicas. como a construção de um prédio para concentração os aparelhos culturais da “Casa” e de uma passarela por cima das ruínas do engenho. apenas guardar um objeto. investir na reforma de patrimônios históricos (o caso da CJA). Entre os equipamentos e mobiliário estão computadores. mas também conservá-lo.5 degradação de acordo com o ambiente no qual o museu está inserido. Para autora Maria Cecília de Paula Drumond. portanto. Para o processo de tombamento e documentação do acervo. e em certos momentos. O recurso financeiro do PRODETUR adveio do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID) e será repassado pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB). porém. Com os recursos do PRODETUR serão feitas reformas na CJA. fala da importância da preservação. leitores óticos. nos orientamos pelo curso “Gestão e documentação de acervo” e o material apresentado pelo Museólogo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Albino de Oliveira. da restauração. a limpeza do lago e incentivar pesquisas nas ruínas do engenho por meio de prospecção. pág 108). no texto “Preservação e Conservação em Museus”. em alguns momentos. Financiamento e capitação de recursos O inventário do acervo completo da Casa José de Alencar é custeado pela UFC. zelando por sua inteireza” (DRUMOND.

os objetos e as fichas de catalogação estavam desorganizados pela reserva técnica. Documentos separados para higienização . No momento de nossa chegada. demos início à identificação das peças. Organização dos armários Após a organização. a partir do confrontamento entre os números inscritos nos objetos. o livro de tombo e as fichas catalográficas. Já parte dos documentos foi higienizada e separada por ano e colocada em pasta de papel neutro e em caixas. mas o Projeto requer um período mais entendido.6 imagem da instalação do armário da reserva técnica. tendo em vista os todos seus objetivos. Para facilitar esta divisão os armários foram numerados segundo a nossa identificação. Atividades desenvolvidas O novo tombamento do acervo está num momento final. Então. as peças foram higienizadas e distribuídas em armários por prateleiras e agrupadas de acordo com a presença ou ausência de numeração. As fichas foram organizadas conforme a coleção e seguindo a ordem numérica.

para num momento posterior. Henrique Barreira e exconservadora. que ainda não se encontra conosco. A nova reserva técnica foi reformada e já está com os armários deslizantes montados. o levantamento está completo e parte das peças já estão com o novo número de tombo. HOLANDA. GIRÃO. 2006. 2006. Todos os objetos foram identificados e separados em suas respectivas coleções. A documentação está sendo organizada e as informações contidas nela estão sendo informatizadas. Museu do Ceará e outras memórias: entrevista com Valdelice Girão. Atividades realizadas Maioria dos objetos foram tombados. 1984. Organização de parte dos documentos. Brasília: Ministério da Cultura/ Instituto do Patrimônio Histórico Nacional/ Departamento de Museus e Centros Culturais. . Belo Horizonte: Secretária do Estado da Cultura/ Superintendência de Museus. In: CADERNO de diretrizes museológicas I. Fortaleza: Edições UFC. iniciarmos o preenchimento das novas fichas de catalogação. Renda de bilros. Coleção Arthur Ramos. Fortaleza: Funarte /Instituto Nacional do Folclore. 2006. e no 3º Encontro Nordestino de Museus na cidade de Tauá. pela Museóloga Márcia Pereira (co-orientadora do Projeto). pois o novo tombamento dos objetos seguindo a classificação das coleções foi colocado. Raul. Referências CADERNO DE DIRETRIZES MUSEOLÓGICAS I. 1987. DRUMOND. LODY. Valdelice Girão. Fortaleza: Museu do Ceará/ Secretaria de Cultura do Estado do Ceará. Apresentação de trabalho mostrando resultados da pesquisa na Semana Estudantil no Museu de Arte da UFC. Valdelice Carneiro. De acordo com as atividades desenvolvidas. Belo Horizonte: Secretária do Estado da Cultura/ Superintendência de Museus. Brasília: Ministério da Cultura/ Instituto do Patrimônio Historio Nacional/ Departamento de Museus e Centros Culturais. Realização de entrevistas com o ex-diretor do MAR. Cristina Rodrigues (org). Maria Cecília de Paula.7 O trabalho na reserva técnica do MAR está em fase de conclusão. pelos bolsistas Henrique Sampaio e Liesly Oliveira.

“Os projetos de direitos difusos são aqueles que não podem ser atribuídos a um grupo específico de pessoas.br/cfdd/data/Pages/MJ038B8D53PTBRNN.gov. o meio ambiente.8 1 2 Entrevista cedida à ex-bolsista Liesly Oliveira em 10 julho de 2006. o direito do consumidor. o patrimônio histórico e a defesa da concorrência”. como. <http://www. . por exemplo.mj.htm> acesso em 20 de setembro de 2007. mas a toda sociedade.