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Resistência ao cisalhamento dos solos

1. Conceito
Define-se como resistência ao cisalhamento do solo a tensão cisalhante que ocorre no plano
de ruptura no instante da ruptura.
A resistência ao cisalhamento é definida como a tensão de cisalhamento máxima que o solo
pode suportar sem sofrer ruptura. A resistência ao cisalhamento é um parâmetro crítico em
projetos geotécnicos
A ruptura em si é caracterizada pela formação de uma superfície de cisalhamento contínua na
massa de solo. Existe. portanto, uma camada de solo em torno da superfície de cisalhamento
que perde suas características durante o processo de ruptura, formando assim a zona
cisalhada, conforme mostrado na Figura 3. Inicialmente há a formação da zona cisalhada e, em
seguida, desenvolve-se a superfície de cisalhamento. Este processo é bem caracterizado, tanto
em ensaios de cisalhamento direto, como nos escorregamentos de taludes.
A resistência ao cisalhamento é função de 2 componentes: embricamento e resistência entre
partículas.
1.1 Resistência entre partículas
1.1.1 Mecanismo de Atrito
A resistência entre partículas pode ser vista por analogia à lei de Coulomb que define
resistência ao deslizamento de um corpo rígido sobre uma superfície plana (Figura 19). No
momento do deslizamento a tensão tangencial se iguala à resistência ao cisalhamento; isto é

Esta resistência depende da tensão normal e do coeficiente de atrito entre o corpo e o plano.
Em termos de tensões, a lei de Coulomb define uma linha reta e pode ser escrita como

onde  é denominado ângulo de atrito, função do tipo de solo, compacidade, etc.

A curva tensão x deformação para esta condição indica um crescimento crescente das tensões
cisalhantes e deformações até se atingir a condição de ruptura (Figura 20)
1.1.2. Mecanismo de Coesão
No caso dos solos coesivos (argilo minerais) ou cimentados, a presença de uma ligação entre
partículas faz com que o esforço necessário para movimentação relativa do bloco seja
aumentado de uma parcela que independe da tensão normal (Figura 21); denominada coesão,
isto é

Neste caso a equação englobando os dois mecanismos fica escrita como:

1.2. Embricamento ou “Interlocking”


Gerscovich cita o O embricamento é definido com o trabalho necessário para movimentar a
partícula ascendentemente. No caso do solo fofo (Figura 22a) os grãos movimentam-se
horizontalmente, sendo mobilizada a resistência entre grãos. Já no caso do solo denso (Figura
22b) existe um trabalho adicional para superar o embricamento entre partículas, causando
necessariamente uma expansão volumétrica durante o cisalhamento (dilatância). Assim,
quanto mais denso for o solo, maior a parcela de interlocking e, conseqüentemente, maior a
resistência do solo.

A Figura 24 mostra o comportamento tensão deformação esperado para solos com e sem o
efeito do imbricamento.
o mecanismo de interlocking interfere na resistência do solo da seguinte forma: Para
determinado valor de tensão normal ()   índice de vazios (e)   imbricamento. Para
determinado índice de vazios (e)   tensão normal ()   embricamento
2. Critérios de rupturas;
Pinto (2006) define os Critérios de ruptura como formulações que procuram refletir as
condições em que ocorre a ruptura dos materiais. Existem critérios que estabelecem máximas
tensões de compressão, de tração ou de cisalhamento. Outros se referem a máximas
deformações. Outros, ainda, consideram a energia de deformação. Um critério é satisfatório
na medida em que reflete o comportamento do material em consideração.
A ruptura é um estado de tensões arbitrário, o qual é escolhido na curva tensão x deformação,
dependendo do critério de ruptura escolhido. Independente do critério de ruptura, em geral
trabalha-se com o conceito de Envoltória de ruptura (ou de resistência) a qual define o lugar
geométrico dos estados de tensão na ruptura. Assim sendo, estados de tensão inferiores aos
da envoltória correspondem a situações de estabilidade. A região acima da envoltória
corresponde a estados de tensão impossíveis de ocorrer. Alguns critérios de ruptura estão
apresentados a seguir:
2.1 Critério de Rankine - a ruptura ocorre quando a tensão de tração se iguala à tensão normal
máxima (max) observada em ensaio de tração.

2.2 Critério de Tresca: a ruptura ocorre quando a tensão de cisalhamento se iguala à tensão de
cisalhamento máxima (max) observada em ensaio de tração

2.3 Critério de Mohr: a ruptura ocorre quando no plano de ruptura a combinação das tensões
normais e cisalhantes (,) é tal que a tensão de cisalhamento é máxima; isto é . Esta
combinação de tensões, avaliada através do círculo de Mohr, resulta numa em uma Envoltória
curva que circunscreve os círculos correspondentes à ruptura.
2.4 Critério de Mohr-Coulomb: este critério é assume que a Envoltória de Mohr é definida por
uma linha reta, definida como :   c  tan
É importante observar que para um determinado solo, a Envoltória de Ruptura varia em função
do tipo de ensaio; isto é, c´e  variam com: i) condições de drenagem ii) velocidade de ensaio
(argilas) iii) direção do ensaio (solo anisotropico) iv) trajetória de tensões (variação de 2) v)
compacidade da amostra
3. Fatores que a resistência ao cisalhamento dos solos;
Vários fatores afetam a envoltória de resistência, além, do tipo de solo:
3.1 Forma das partículas:
A resistência ao cisalhamento do solo com partículas angulares com arestas vivas é maior do
que com partículas arredondadas. Outros parâmetros sendo idênticos.
3.2 Gradação:
Uma areia bem graduada apresenta maior resistência ao cisalhamento do que uma areia
uniforme.
3.3 Densidade:
O grau de intertravamento aumenta com o aumento da densidade. Consequentemente,
quanto maior a densidade, maior a resistência ao cisalhamento do solo.
3.4 Pressão de confinamento:
A resistência ao cisalhamento do solo aumenta com o aumento da pressão de confinamento.
3.5 Tensão Desviadora:
O ângulo de Φ diminui sob tensões muito altas. À medida que a tensão máxima do desvio é
aumentada de 500 para 5000 kN/m², o valor de Φ diminui em cerca de 10%. Isto é devido ao
esmagamento de partículas.
3.6 Carregamento:
O ângulo de resistência ao cisalhamento da areia é independente da taxa de carregamento. O
aumento no valor de Φ da taxa de carregamento mais lenta para a mais rápida possível é de
apenas cerca de 1% a 2%.
3.7 Tipo de Minerais:
Se a areia contém mica, ela terá uma grande taxa de vazios e um valor menor de Φ. No entanto,
não faz diferença se a areia é composta de material de quartzo ou feldspato.
3.8 Umidade Capilar:
A areia pode apresentar coesão aparente devido à umidade capilar. A coesão aparente é
destruída assim que a areia fica saturada.
3.9 Direção de ensaio com relação à anisotropia do material
Solos anisotrópicos devem ter seu comportamento investigado a partir de ensaios, em diversas
inclinações com relação (ao longo e perpendicularmente) aos planos de anisotropia. Segundo
Casagrande e Carrillo (1944)7 duas formas significativas distintas de anisotropia podem ser
observadas nos solos. Estas podem ser denominadas “anisotropia inerente” e “anisotropia
induzida”.
3.10 Condições de drenagem
As condições de drenagem interferem na possibilidade de geração de poropressão e,
conseqüentemente, nos valores de tensão efetiva
3.11 Velocidade de cisalhamento
A resistência ao cisalhamento de areias não é afetada pela velocidade de cisalhamento; isto é,
se o carregamento até a ruptura dura 5 seg ou 5 min, o ângulo de atrito é idêntico. No caso das
argilas, os efeitos da velocidade de carregamento são significativos. Carregamentos rápidos
geram excessos de poropressão; quando positivos, estes excessos causam redução na
resistência do material; quando negativos produzem comportamento contrário.
3.12 Nível de tensões
A envoltória de Mohr-Coulomb não satisfaz o mecanismo de resistência de solos para qualquer
nível de tensões. Observa-se, em muitos casos, que a envoltória seria mais bem representada
por uma curva. Nestes casos, os parâmetros de resistência c´ e ´ são selecionados a partir da
faixa de tensões de trabalho
4. Resistência ao cisalhamento das areias;
craigs soil mechanics
As características de resistência ao cisalhamento de uma areia podem ser determinadas a
partir dos resultados de testes de cisalhamento direto ou testes triaxiais drenados, sendo
apenas a resistência drenada de uma areia normalmente relevante na prática. As
características das areias secas e saturadas são as mesmas, desde que não haja excesso de
poropressão no caso das areias saturadas. Curvas típicas relacionando tensão de cisalhamento
e deformação de cisalhamento para amostras de areia inicialmente densa e solta em testes de
cisalhamento direto são mostradas na Figura 4.8(a). Curvas semelhantes são obtidas
relacionando a diferença de tensão principal e a deformação axial em ensaios de compressão
triaxial drenados.
Em uma areia densa há um grau considerável de intertravamento entre as partículas. Antes
que a ruptura por cisalhamento possa ocorrer, esse intertravamento deve ser superado, além
da resistência ao atrito nos pontos de contato. Em geral, o grau de intertravamento é maior no
caso de areias muito densas e bem graduadas que consistem em partículas angulares. A curva
tensão-deformação característica para uma areia inicialmente densa mostra um pico de tensão
em uma deformação relativamente baixa e, posteriormente, à medida que o intertravamento
é progressivamente superado, a tensão diminui com o aumento da deformação. A redução do
grau de intertravamento produz um aumento no volume do corpo de prova durante o
cisalhamento caracterizado pela relação, mostrada na Figura 4.8(c), entre deformação
volumétrica e deformação de cisalhamento no ensaio de cisalhamento direto
No teste triaxial drenado seria obtida uma relação semelhante entre deformação volumétrica
e deformação axial. A mudança no volume também é mostrada em termos de índice de vazios
(e) na Figura 4.8(d). Eventualmente, a amostra se tornaria solta o suficiente para permitir que
as partículas se movessem sobre e ao redor de seus vizinhos sem nenhuma mudança adicional
de volume líquido e a tensão de cisalhamento atingiria um valor final. No entanto, no teste
triaxial, a deformação não uniforme do corpo de prova torna-se excessiva à medida que a
deformação aumenta progressivamente e é improvável que o valor último da diferença de
tensão principal possa ser alcançado.
O termo dilatância é usado para descrever o aumento do volume de uma areia densa durante
o cisalhamento e a taxa de dilatação pode ser representada pelo gradiente d"v/d , a taxa
máxima correspondente ao pico de tensão. O ângulo de dilatação ( ) é bronzeado 1
(d"v/d). O conceito de dilatância pode ser ilustrado no contexto do teste de cisalhamento
direto. Durante o cisalhamento de uma areia densa, o plano de cisalhamento macroscópico é
horizontal, mas o deslizamento entre partículas individuais ocorre em vários planos
microscópicos inclinados em vários ângulos acima da horizontal, à medida que as partículas se
movem para cima e sobre as suas vizinhas. O ângulo de dilatação representa um valor médio
deste ângulo para a amostra como um todo. A placa de carga do aparelho é assim forçada para
cima, sendo feito trabalho contra o tensão normal. Para uma areia densa, o ângulo máximo de
cisalhamento
resistência ( 0 max) determinada a partir de tensões de pico (Figura 4.8 (b)) é significativamente
maior do que o verdadeiro ângulo de atrito ( m) entre as superfícies de partículas individuais,
a diferença representando o trabalho necessário para superar o intertravamento e reorganizar
as partículas .
No caso de areia inicialmente solta não há intertravamento significativo de partículas a ser
superado e a tensão de cisalhamento aumenta gradualmente até um valor último sem um pico
prévio, acompanhado por uma diminuição do volume. Os valores finais de tensão e índice de
vazios para corpos de prova densos e soltos sob os mesmos valores de tensão normal no teste
de cisalhamento direto são essencialmente iguais conforme indicado nas Figuras 4.8(a) e (d).
Assim, no estado último (ou crítico), o cisalhamento ocorre a volume constante, sendo o ângulo
de resistência ao cisalhamento correspondente denotado 0 cv (ou 0 crit). A diferença entre 0
m e 0 cv representa o trabalho necessário para rearranjar as partículas.
Pode ser difícil determinar o valor do parâmetro 0 cv devido à deformação relativamente alta
necessária para atingir o estado crítico. Em geral, o estado crítico é identificado pela
extrapolação da curva tensão-deformação para o ponto de tensão constante, que também
deve corresponder ao ponto de taxa zero de dilatação na curva volumétrica deformação-
cisalhamento. As tensões no estado crítico definem uma envoltória de ruptura em linha reta
cruzando a origem, cuja inclinação é 0 cv.
Na prática, o parâmetro 0 max, que é um valor transitório, só deve ser usado para situações
em que se possa supor que a deformação permanecerá significativamente menor do que a
correspondente ao pico de tensão. Se, no entanto, é provável que a deformação exceda aquela
correspondente ao pico de tensão, uma situação que pode levar à falha progressiva, então o
parâmetro de estado crítico 0 cv deve ser usado.
Um método alternativo de representar os resultados dos testes de cisalhamento direto é traçar
a razão de tensão / 0 contra a deformação de cisalhamento. Gráficos de razão de tensão contra
deformação de cisalhamento representando ensaios em três corpos de prova de areia, cada
um com a mesma razão de vazios inicial, são mostrados na Figura 4.8(e), os valores de tensão
normal efetiva (0) sendo diferentes em cada ensaio. Os gráficos são rotulados como A, B e C,
sendo a tensão normal efetiva mais baixa no teste A e mais alta no teste C.
Os gráficos correspondentes da razão de vazios contra a tensão de cisalhamento são
mostrados na Figura 4.8(f). Tais resultados indicam que tanto a razão de tensão máxima quanto
a razão de vazios última (ou crítica) diminuem com o aumento da tensão normal efetiva. Os
valores finais da razão de tensão, no entanto, são os mesmos. A partir da Figura 4.8(e) é
evidente que a diferença entre a tensão máxima e última diminui com o aumento da tensão
normal efetiva; portanto, se a tensão de cisalhamento máxima for plotada contra a tensão
normal efetiva para cada teste individual, os pontos plotados ficarão em um envelope que é
levemente curvado, conforme mostrado na Figura 4.8(g). O valor de 0 max para cada teste
pode então ser representado por um parâmetro secante, o valor diminuindo com o aumento
da tensão normal efetiva até se tornar igual a 0 cv. A redução na diferença entre a tensão de
cisalhamento máxima e última com o aumento da tensão normal deve-se principalmente à
diminuição correspondente na razão de vazios última. Quanto menor o índice de vazios final,
menos espaço há para dilatação. Além disso, em altos níveis de tensão, pode ocorrer alguma
fratura ou esmagamento de partículas com a consequência de que haverá menos
intertravamento de partículas a ser superado. O esmagamento causa, assim, a supressão da
dilatação e contribui para o valor reduzido de 0 max.
Na prática, o teste laboratorial de rotina de areias não é viável devido ao problema de obter
corpos de prova não deformados e montá-los, ainda não deformados, no aparato de teste. Se
necessário, os testes podem ser realizados em amostras reconstituídas no aparelho em
densidades apropriadas, mas é improvável que a estrutura in situ seja reproduzida. A
orientação sobre os valores apropriados dos parâmetros 0 max e 0 cv é fornecida em certos
códigos de prática. No caso de areias densas foi demonstrado que o valor de 0 max em
condições de deformação plana pode ser 4 ou 5 superior ao valor correspondente obtido por
ensaios triaxiais convencionais. O aumento no caso de areias soltas é insignificante.

5. Resistência ao cisalhamento das argilas;


As argilas se diferenciam das areias, por um lado, pela sua baixa permeabilidade, razão pela qual
adquire importância o conhecimento de sua resistência tanto em termos de carregamento
drenado como de carregamento não drenado. Por outro lado, o comportamento de tensão-
deformação das argilas quando submetidas a um carregamento hidrostático ou a um
carregamento típico de adensamento edométrico, é bem distinto do comportamento das areias.
Estas apresentam curvas tensão-deformação independentes para cada índice de vazios em que
estejam originalmente.
O comportamento ao cisalhamento das argilas é influenciado pelo fato de a argila estar normalmente
adensada ou pré-adensada, pelo fato da amostra ser indeformada ou amolgada, pelas condições de
drenagem do ensaio, consistência da argila, por certos efeitos estruturais, pela tipo de teste e pela
taxa de deformação.
8.3.1. Condição Drenada
8.3.1.1. Argila Normalmente Adensada
O comportamento  x  em argilas NA (Figura 81) indicam uma curva sem pico de
resistência não definido. A resistência cresce com a tensão de confinamento. A Figura 82
mostra que as argilas NA permitem a normalização de seu comportamento, ao contrario do
que foi observado em areias

8.3.1.2. Argila Pré-adensada


Argilas PA são solos que já foram submetidos a níveis de tensão efetiva superiores aos
atuais. Qualquer acréscimo de tensão efetiva acarreta em uma variação de volume
correspondente a uma fase de recompressão até que seja atingida a tensão efetiva de pré-
adensamento. A partir deste ponto, o solo se comprime segundo a reta virgem de
compressibilidade.
O comportamento  x  em argilas PA indica uma curva com pico de resistência definido. A
Figura 87 compara o comportamento de argilas NA com os de argilas PA. E ambos os casos,
a resistência cresce com a tensão de confinamento. No caso das argilas PA, observa-se uma
tendência de expansão durante o cisalhamento.
As argilas PA não permitem a normalização de seu comportamento.

O incremento de resistência verificado em solos PA reflete-se em uma variação na envoltoria


que se restringe ao trecho em que o solo está pré-adensado (´v < ´vm), conforme mostra a
Figura 88

8.3.1.3. Comparação entre o comportamento drenado de areias e argilas


Observa-se que o comportamento drenado das argilas NA é semelhante ao das areias fofas,
enquanto as argilas PA se assemelham as areias densas, no que tange ao seu
comportamento tensão – deformação.
Do mesmo modo que se identifica um índice de vazios critico em areias, pode se identificar o
OCR com o qual não se observa variação de volume na ruptura.
A principal diferença entre os dois materiais é a compressibilidade, a qual é muito superior
em argilas NA. Adicionalmente, em areias a envoltória de resistência sempre apresenta
intercepto de coesao nulo, a menos que a curvatura da envoltória justifique a adoção de c´
0.
8.3.2. Condição Não Drenada
8.3.2.1. Comportamento   
O comportamento    em argilas sob condição não drenada é semelhante ao observado
na condição drenada, havendo, entretanto, a geração da poropressão e variação volumétrica
nula.

8.3.2.2. Geração de poropressão


Segundo Skempton a geração de poropressão pode ser definida de acordo com a expressão
abaixo, onde A e B são denominados parâmetros de poro-pressão. A 1ª. parcela depende da
tensão confinante e permite a avaliação do grau de saturação e a 2ª parcela depende da
tensão desviadora; isto é, da poropressão gerada no cisalhamento .

Os solos normalmente adensados tendem a reduzir de volume, portanto sempre geram excessos de
poropressão positivos. Por outro lado, pré-adensados podem gerar excessos de poropressão negativo
dependendo do grau de pré-adensamento. De uma forma geral, as trajetórias possuem curvaturas
contrarias nos trechos PA e NA, conforme mostra a Figura 94

6. Resistência ao cisalhamento dos solos compactados; olhar livro pinto pag 504
Solos densos tendem a apresentar uma curva tensão – deformação com pico bem definido e
conseqüente tendência a dilatância. A resistência ao cisalhamento é definida por uma reta passando
pela origem, apresentando ângulo de atrito maior nos solos densos; isto é :
Comportamento Tensão x Deformação dos Solos
As curvas de ruptura (tensão x deformação) típicas obtidas nos ensaios de resistência têm uma das
formas mostradas na Figura 5.13.
Na ruptura frágil depois de atingir a R, a resistência cai acentuadamente ao se aumentar a
deformação. Obtem-se para o valor máximo o que se denomina de resistência de “pico”. Na
ruptura plástica o esforço máximo é mantido com a continuidade da deformação. Pode-se obter
assim a chamada resistência “residual”.
A ruptura “Frágil” é típica de ocorrência em argilas rijas e duras ou areias compactas enquanto que
a ruptura “Plástica” é típica de ocorrência em argilas moles ou médias ou areias fofas ou pouco
compactas.
7. Ensaios para obtenção dos parâmetros de resistência dos solos;
7.1 Ensaios de Campo
Dentre os ensaios “in situ” mais empregados no Brasil para determinação de parâmetros de
resistência ao cisalhamento e de deformabilidade no campo destacam-se o:
7.1.1 Ensaio de palheta ou "Vane Shear Test";
O “Vane test” foi desenvolvido na Suécia, com o objetivo de medir a resistência ao
cisalhamento não drenada de solos coesivos moles saturados. Hoje o ensaio é normalizado no
Brasil pela ABNT através da norma NBR 10905.
O equipamento para realização do ensaio é constituído de uma palheta de aço, formada por
quatro aletas finas retangulares, hastes, tubos de revestimentos, mesa, dispositivo de
aplicação de um momento torçor e acessórios para medida do momento e das deformações.
O equipamento está apresentado na figura 5.4. O diâmetro e a altura da palheta devem manter
uma relação constante 1:2 e, sendo os diâmetros mais usuais de 55, 65, e 88mm. A medida do
momento é feito através de anéis dinamométricos e vários tipos de instrumentos com molas,
capazes de registrar o momento máximo aplicado.
O ensaio consiste em cravar a palheta e em medir o torque necessário para cisalhar o solo,
segundo uma superfície cilíndrica de ruptura, que se desenvolve no entorno da palheta,
quando se aplica ao aparelho um movimento de rotação. A instalação da palheta na cota de
ensaio pode ser feita ou por cravação estática ou utilizando furos abertos a trado e/ou por
circulação de água. No caso de cravação estática, é necessário que não haja camadas
resistentes sobrejacentes à argila a ser ensaiada. Com a palheta na posição desejada, deve-se
girar a manivela a uma velocidade constante de 6º/min, fazendo-se as leituras da deformação
no anel dinamométrico de meio em meio minuto, até rapidamente, com um mínimo de 10
rotações a fim de amolgar a argila e com isto, determinar a sensibilidade da argila (resistência
da argila indeformada/ resistência da argila amolgada). No instante da ruptura o torque
máximo (T) aplicado se iguala à resistência ao cisalhamento da argila, representadas pelos
momentos resistentes do topo e da base do cilindro de ruptura e pelo momento resistente
desenvolvido, ao longo de sua superfície lateral, dado pela expressão:
T = ML + 2MB
7.1.2 Ensaio de penetração estática do cone (CPT) ou "Deep sounding"
O ensaio de penetração estática do cone, também conhecido como Deep Sounding, foi
desenvolvido na Holanda com o propósito de simular a cravação de estacas e está normalizado
pela ABNT através da norma NBR 3406.
O ensaio de CPT permite medidas quase contínuas da resistência de ponta e lateral devido à
cravação de um cone no solo, as quais, por relações permite identificar o tipo de solo,
destacando a uniformidade e continuidade das camadas. Permite, também, determinar os
parâmetros de resistência ao cisalhamento e a capacidade de carga dos materiais investigados.
Apresenta como desvantagens a não obtenção de amostras para inspeção visual, a não
penetração em camadas muito densas e com a presença de pedregulhos e matacões, as quais
podem tornar os resultados extremamente variáveis e causar problemas operacionais como
deflexão das hastes e deterioração na ponteira.
O equipamento para execução do ensaio CPT consta de um cone de aço, móvel, com um ângulo
no vértice de 600 e área transversal de 10 cm2.
O ensaio consiste em cravar o cone solidário a uma haste e medir o esforço necessário à
penetração. São feitas medidas de resistência de ponta e total (Figura 5.3).
Os dados permitem obter, ainda, boas indicações das propriedades do solo, ângulo de atrito
interno de areias, e coesão e consistência das argilas.
7.1.3 Ensaio pressiométrico (câmara de pressão no furo de sondagem).
Este ensaio é usado para determinação “in situ” principalmente do módulo de elasticidade (e
da resistência ao cisalhamento de solos e rochas), sendo desenvolvido na França por Menard.
O ensaio pressiométrico consiste em efetuar uma prova de carga horizontal no terreno, graças
a uma sonda que se introduz por um furo de sondagem de mesmo diâmetro, realizado
previamente com grande cuidado para não modificar as características do solo.
O equipamento do ensaio, chamado pressiômetro, é constituído por três partes: sonda,
unidade de controle de medida pressão-volume e tubulações de conexão. A sonda
pressiométrica é constituída por uma célula central ou de medida e duas células extremas,
chamadas de células guardas, cuja finalidade é estabelecer um campo de tensões radiais em
torno da célula de medida.
Após a instalação da sonda na posição de ensaio, as células guardas são infladas com gás
carbônico, a uma pressão igual a da célula central. Na célula central é injetada água sob
pressão, com o objetivo de produzir uma pressão radial nas paredes do furo. Em seguida, são
feitas medidas de variação de volume em tempos padronizados (15, 30 e 60 segundos após a
aplicação da pressão do estágio). O ensaio é finalizado quando o volume de água injetada
atingir 700 a 750 cm³.
Com a interpretação dos resultados de pares de valores (pressão x volume) obtidos no ensaio,
se determina o módulo pressiométrico, entre outros valores de pressão.
7.2 Ensaios de Laboratório
Dentre os principais ensaios de laboratório temos:
7.2.1 Ensaio de Compressão Simples;
Consiste em ensaiar corpos de provas em uma prensa aberta em que só se tem condição de
aplicar a pressão axial, uma vez que, sendo a prensa aberta, não há condição de aplicar
pressões laterais, isto é, σ3=0. Tem-se assim um só círculo de Mohr e =0. Logo sua aplicação
em solos se limita a solos puramente coesivos.
Os resultados desses ensaios são extremamente limitados na sua interpretação e utilização
prática em geotecnia. Podem ser utilizados para identificar a consistência das argilas e, quando
ensaiadas em amostras naturais e amolgadas, permite determinar a sensibilidade das argilas
(relação natural/amolgado). A velocidade de aplicação da carga na prensa é controlada e
padronizada.
Como no ensaio não se tem condição de aplicar 3, mesmo realizando no mínimo três ensaios
para definir sua resistência, esperam-se valores aproximados para o mesmo material,
ensaiados nas mesmas condições.
Isto resulta no traçado de um só círculo (Figura 5.6), e a direção do traçado da linha de
envoltória de resistência será a horizontal (linha que tangencia “todos os círculos”).
Então conclui-se que o ensaio só é aplicável em solos puramente coesivos, onde. ϕ = 0
7.2.2 Ensaio de Cisalhamento Direto;
O ensaio de cisalhamento direto é o mais antigo procedimento para a determinação da
resistência ao cisalhamento e se baseia diretamente no critério de Mohr-Coulomb.
No ensaio, a amostra (corpo de prova) de solo a ser ensaiada é colocada em uma caixa bipartida
– metade de sua altura fica na parte inferior da caixa e a outra metade fica na parte superior.
Esta caixa bipartida será a responsável por permitir o deslocamento da sua parte superior em
relação a inferior, levando o solo à ruptura, que ocorrerá diretamente no plano que ocorre
entre as partes da caixa, ou seja, na sua “meia altura”.
O ensaio é realizado aplicando-se previamente uma tensão normal (s) perpendicular ao plano
principal da amostra (onde haverá a ruptura) e uma força T no sentido paralelo ao plano de
cisalhamento da amostra, o que implicará na atuação de uma tensão cisalhante (t), que será
responsável pela ruptura, como mostra a Figura 5.8.

A força vertical N, aplicada inicialmente na amostra é definida a partir do nível de tensões


esperado para o solo em serviço, nível de tensão que vai atuar no campo ou em caso de uma
obra. Portanto, este valor é adotado. Já a força tangencial T é aplicada ao anel que contém a
parte superior do corpo de prova, provocando seu deslocamento, por ação do equipamento
que uma vez ligado irá movimentar-se segundo uma velocidade constante (valores baixos),
fazendo aumentar a força T atuante no plano do solo. Faz-se necessário então, medir a
evolução da força suportada pelo solo, ao longo do ensaio.
As forças T e N, divididas pela área da seção transversal do corpo de prova, indicam as
tensões  e  que nele estão ocorrendo. A tensão  pode ser representada em função do
deslocamento no sentido do cisalhamento, como se mostra na Figura 5.10, onde se identificam
a tensão de ruptura, max, de pico, e a tensão residual, que o corpo de prova ainda sustenta,
após ultrapassada a situação de ruptura, res.
O deslocamento vertical durante o ensaio também é registrado, indicando se houve diminuição
ou aumento de volume durante o cisalhamento.
Ao aplicar a tensão normal sobre o corpo de prova espera-se uma deformação vertical no
sentido de haver uma diminuição da sua altura. Como pode ser observado, contudo, durante
o cisalhamento o sentido do deslocamento vertical do corpo de prova pode se inverter até que
a tensão cisalhante se estabilize num valor aproximadamente constante (residual). Observa-se
também que neste ensaio é possível provocar um deslocamento relativo (horizontal) de uma
parte do solo sobre a outra muito maior do que se pode atingir em ensaios de compressão
triaxial.
Realizando ensaios com diversas tensões normais, em no mínimo três corpos de prova, pode-
se obter a envoltória de resistência ao cisalhamento do solo plotando diretamente em um
gráfico cartesiano “ x ” os pontos referentes às respectivas tensões  (adotadas) e 
(medidas), que serão posteriormente interpolados graficamente por uma reta, a fim de definir
a envoltória de Morh-Coulomb pretendida. (Figura 5.11).

7.2.3 Ensaio de Compressão Triaxial;


O Professor Carlos de Souza Pinto (PINTO, 2006) descreve muito bem o procedimento básico
do ensaio triaxial, a saber:
O ensaio de compressão triaxial convencional consiste na aplicação de um estado hidrostático
de tensões e de um carregamento axial sobre um corpo de prova cilíndrico do solo. Para isto,
o corpo de prova é colocado dentro de uma câmara de ensaio, cujo esquema é mostrado na
Figura 5.16, e é envolto por uma membrana de borracha. A câmara é cheia de água, à qual se
aplica uma pressão, que é chamada pressão confinante ou pressão de confinamento do ensaio.
A pressão confinante atua em todas as direções, inclusive na direção vertical. O corpo de prova
fica sob um estado hidrostático de tensões O carregamento axial é feito por meio da aplicação
de uma força crescente no pistão que penetra na câmara, caso em que o ensaio é chamado de
ensaio de deformação controlada (sob velocidade de deslocamento constante da prensa).
A carga é medida por meio de um anel dinamométrico externo, ou por uma célula de carga
intercalada no pistão. Este procedimento tem a vantagem de medir a carga efetivamente
aplicada no corpo de prova, eliminando o efeito do atrito do pistão na passagem para a câmara.
Como não existem tensões de cisalhamento nas bases e nas geratrizes do corpo de prova, os
planos horizontais e verticais são os planos principais. Se o ensaio é de carregamento, o plano
horizontal é o plano principal maior e o plano vertical, o plano principal menor, onde atua a
pressão confinante. A tensão devida ao carregamento axial é denominada acréscimo de tensão
axial ou tensão desviadora σd, sendo σd = ( 1 - 3).
Durante o carregamento mede-se, a diversos intervalos de tempo, o acréscimo de tensão axial
que está atuando e o deslocamento vertical do corpo de prova (Δv). A correspondente
deformação específica vertical é obtida dividindo o deslocamento pela altura inicial do corpo
de prova, a medida em que evolui as tensões desviadoras, o que permite traçar a curva tensão
x deformação para o ensaio (Figura 5.17), bem como podem ser plotadas ouros gráficos, como
o de variações de volume ou de pressão neutra.
As tensões desviadoras representadas em gráfico, em função da deformação específica,
evidencia o valor máximo que corresponde à ruptura, a partir do qual fica definido o círculo
de Mohr correspondente a esta situação de ruptura. Círculos de Mohr de ensaios feitos em
outros corpos de prova permitem a determinação da envoltória de resistência conforme o
critério de Mohr, como na Figura 5.18, ou ainda pode-se obter a envoltória de Mohr-Coulomb.
Observa-se que, para o traçado da envoltória de resistência faz-se necessário determinar o
correspondente valor de σ1, sendo: 1 = σd + 3. A Figura 5.18 ilustra em destaque o
crescimento de σ1 durante o ensaio (“círculos traçejados”), para o corpo de prova com nível
intermediário de tensão entre os três ensaios realizados.

No que se refere às condições de drenagem, tem-se três tipos básicos de ensaio:


a) Ensaio lento (com consolidação e com drenagem)
A característica fundamental desse ensaio, que também é conhecido como ensaio tipo CD –
consolidad drained ou tipo S – slow (lento), é que as tensões aplicadas na amostra são
efetivas (tensões atuam no arcabouço estrutural dos solos). São ensaios em que há
permanente drenagem do corpo de prova. Aplica-se a pressão confinante e espera-se que o
corpo de prova adense, ou seja, que a pressão neutra se dissipe. A seguir, a tensão axial é
aumentada lentamente, para que a água sob pressão possa sair. Desta forma, a pressão neutra
durante todo o carregamento é praticamente nula, e as tensões totais aplicadas indicam as
tensões efetivas que estavam ocorrendo, sendo portanto os parâmetros determinados em
termos de tensões efetivas (TE).
A designação “lento” não se refere à velocidade de carregamento, mas sim à condição de ser
tão lento quanto necessário para a dissipação das pressões neutras; se o solo for muito
permeável, o ensaio pode ser realizado em poucos minutos, mas, para argilas, o carregamento
axial requer 20 dias ou mais.
b) Ensaio adensado rápido (com consolidaçào e sem drenagem)
Nesse tipo de ensaio, também conhecido como ensaio tipo CU – consolidad undrained ou tipo
R – rapid (rápido) ou ainda rápido pré-adensado, a amostra se consolida primeiramente sob a
pressão hidrostática 3, como no ensaio lento. Em seguida, após aplicação lenta de 3, a
amostra é levada a ruptura por uma rápida aplicação da carga axial 1 de maneira que não se
permita a variação de volume, na fase de aplicação de 1, sem a saída de água (ensaio lento
para 3 e ensaio rápido para 1).
A condição essencial desse ensaio é não permitir nenhum adensamento adicional na amostra
durante a fase de aplicação da carga axial até a ruptura (1). Logo, após aplicar 3, fecha-se
as válvulas de saída de água pelas pedras porosas dando garantia da condição pré-
estabelecida, independente da velocidade em que essa carga axial seja aplicada.
Na segunda etapa do ensaio, aplicação de 1, pode-se pensar que a água dos vazios é que irá
receber toda a carga de pressão em forma de pressão neutra, mas, no real isso não se dá, pois,
parte dessa tensão axial é recebida pela fase sólida do solo, pois a amostra não está totalmente
confinada lateralmente (como no caso do ensaio de adensamento). Como no triaxial a amostra
só está envolvida por uma delgada membrana de latex, há, portanto, condição da estrutura
granular absorver esforços cortantes desde o início do ensaio. No ensaio a pressão neutra
ocorre em seu valor absoluto, podendo ser medida.
Este ensaio indica a resistência não drenada em função da tensão de adensamento. Se as
pressões neutras forem medidas, a resistência em termos de tensões efetivas também é
determinada, razão pela qual ele é muito empregado, pois permite determinar a envoltória de
resistência em termos de tensão efetiva (TE) num prazo muito menor do que o ensaio CD ou
ainda em termos de tensões totais (TT).
c) Ensaio rápido (sem consolidação e sem drenagem)
Neste ensaio, também denominado ensaio tipo UU – unconsolid undrained ou tipo Q – quick
(imediato), não se permite em nenhuma etapa adensamento (consolidação) da amostra. As
válvulas de comunicação entre as pedras porosas e as buretas de medição serão fechadas
impedindo a drenagem durante as aplicações das tensões.
No ensaio, aplica-se a pressão hidrostática 3 e, de imediato, se rompe o corpo de prova com
a aplicação da tensão axial 1, em velocidades padronizadas.
Não se conhecem as tensões efetivas em nenhuma das fases de execução do ensaio, nem tão
pouco sua distribuição. O ensaio é interpretado em termos de tensões totais (TT).

Aplicações

CASAGRANDE , A. & CARRILLO, N. (1944). “Shear failure os anisotropic materials”. Proc. Boston
Soc. Civ. Eng. 31, pp. 74-87.

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